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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O bom samaritano.

XV DOMINGO DO TEMPO COMUM
14 DE JULHO
ANO C

O bom samaritano.


            Na verdade, como disse Jesus, nem todos aqueles que dizem : Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus.  E no Evangelho de hoje  Jesus nos explica através de uma parábola,  que a prática da nossa fé não vale nada sem a prática da caridade. Continua...

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A LEI QUE DEVE NOS REGER É A LEI DO AMOR!- Olívia Coutinho

XV DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 14 de Julho de 2013

Evangelho Lc 10,25-37


Vivemos numa cultura do aceleramento, do individualismo, onde tudo gira em torno das coisas materiais. Com isto, vamos perdendo o senso  do amor, do valor da fé, da solidariedade...
Voltados para os nossos próprios interesses, não enxergamos as necessidades dos nossos irmãos, dos que estão esquecidos às margens do caminho, ignorados por uma sociedade materialista que ignora o “ser”, que tem como parâmetro o “ter".  Uma sociedade fixada na ideia da competitividade,  que tenta nos desvirtuar dos bens eternos  colocando diante de nós uma “avalanche” de ofertas sedutoras, na tentativa de nos ludibriar .
Se não ficarmos atentos quanto as nossas escolhas, acabamos nos contaminando  por esta mentalidade contrária ao evangelho, nos distanciando do projeto de Deus.
Em meio a tantos adversários do projeto de Deus, Jesus vem nos trazer uma proposta de vida nova, que ao contrário do mundo, tem como prioridade o“ser” e não o “ter”.
Não deixar seduzir pelas propostas do mundo, é caminhar na contramão da vida, é seguir um caminho novo  traçado por Deus e não por nós!
Deus vai se manifestando em nós, à medida de nossa obediência aos seus mandamentos, que tem como chave, o mandamento do amor! Quem observa este mandamento no seu dia a dia e coloca-o em prática, tem a vida regida pelo amor!
O ponto determinante de todos os ensinamentos de Jesus, sempre foi o amor, o amor sem fronteiras, o amor gratuito que não impõe condições!
 No evangelho de hoje, Jesus, em resposta a uma pergunta de fundo maldoso de um especialista em leis, nos aponta o caminho que devemos percorrer se quisermos  chegar ao coração do Pai: o caminho do amor! Caminho, que às vezes pode nos parecer difícil, mas nunca intransponível, pois o próprio amor abre caminho!
O texto nos desperta sobre a importância da escuta da palavra de Deus, pois o amor a Deus, passa pela escuta da sua palavra! Não tem como amar a Deus, sem o conhecimento da sua palavra, sem saber o que Ele quer de nós e para nós! E o nosso amor ao próximo, passa pela nossa atenção às necessidade dos nossos irmãos, independentemente da sua condição social, do seu credo. 
O amor desejado por Jesus deve ser uma relação sincera, brotada do coração na total gratuidade!  Para que possamos concretizar este desejo de Jesus,  precisamos ter o coração aberto para amar, deixar-nos mover pelo amor, assim como o Samaritano da parábola que nos foi apresentada por Jesus no evangelho de hoje.  Ao contrário do sacerdote e do levita, o amor presente no coração do Samaritano, venceu fronteiras, falou mais alto do que as divergências de um povo!  É este, o amor que Deus infundiu em nossos corações, um amor que supera toda e qualquer diferença. Quem ama nesta intensidade, ama com o coração  de Deus, abraçando  neste amor até mesmo o inimigo.
O amor a Deus e ao próximo, estão interligados, é  amando concretamente  ao próximo, que damos  testemunho do nosso amor a Deus.
Não pode haver sintonia entre o homem e Deus, sem a vivencia do amor! Deus nunca separa do homem, pois Deus é amor, é a falta de amor que separa o homem de Deus! Daí, a insistência de Jesus, em querer que todos nós, filhos e filhas de Deus, vivamos no amor, afinal, o amor realiza-nos, fortalece-nos, é caminho que nos leva ao Pai!
O amor quando vivido na prática, gera vida onde a vida se desfaz nos torna testemunhas vivas do amor de Deus no mundo, nos possibilita viver a nossa humanidade de forma divina!
O Reino de Deus não se espalha através de cumprimento de leis, o Reino de Deus se espalha pelo contagio do amor, pois o amor é “contagioso”, pega de um para o outro!
O mandamento do amor é um mandamento sempre novo, pois o amor é atual, não entra em decadência!
Muito se fala sobre o amor, mas só iremos compreendê-lo verdadeiramente, se colocarmos em pratica este amor, amando a Deus e ao próximo como a nós mesmo!
A nossa identidade, o que nos distingue como cristão, é a nossa vivencia no amor!
Não são com palavras bonitas, com longas orações, que daremos testemunho do nosso amor à Deus, e sim, com as nossas atitudes do dia a dia, atitudes que devem convergir para o bem do outro!
Podemos até não ter todos os bens materiais que desejamos ter, mas amor, todos nós podemos ter, basta-nos esvaziar  de nós mesmos e nos preencher de Deus!

FIQUE NA PAZ DE JESUS – Olívia

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Domingo, 14 de Julho de 2013

15º Domingo do Tempo Comum

Claretianos

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São Camilo de Lélis, Presbítero (Memória facultativa).
Outros Santos do Dia: Ciro de Cartago (bispo), Deusdedit de Cantuária (monge, bispo), Félix de Como (bispo), Focas de Sinope (bispo, mártir), Heracles de Alexandria (bispo), Ido de Leinster (bispo), Justo de Roma (mártir), Lisberto de Saint-Trond (monge, mártir), Nicodemos de Monte Santo (monge, mártir), Optatiano de Bréscia (bispo), Procópio de Sazaba (abade), Ulrico de Zell (abade), William de Breteuil (abade). 
Primeira leitura: Deuteronômio 30, 10-14
Esta palavra está bem ao teu alcance, para que a possas cumprir.  
Salmo responsorial: 68, 14.17.30-31.33-34.36-37
Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos: o vosso coração reviverá!  
Segunda leitura: Colossenses 1, 15-20 
Tudo foi criado por meio dele e para ele.  
Evangelho: Lucas 10, 25-37 
E quem é o meu próximo?
A mentalidade jurídica do tempo de Jesus, absorvida pelo legalismo, se havia convertido em uma consciência fria, sem calor humano, a quem não importavam as necessidades nem os direitos do ser humano. Somente se fazia o que permitia a estrutura legal e rejeitava o que a mesma estrutura proibia.
O legalismo imposto pela estrutura religiosa era a norma oficial da moral do povo. Chegou-se a estabelecer, por exemplo, a partir da legalidade religiosa, que a lei do culto estava em primeiro lugar sobre qualquer lei, até mesmo com a lei ao próximo. Isto assombrava e preocupava a Jesus, pois não era possível que em nome de Deus se estabelecessem normas que acabavam desumanizando o povo.
Nesse contexto em que nasceu a parábola do bom samaritano: um homem necessitado de ajuda, caindo no caminho, mais morto que vivo, sem direitos, violentado em sua dignidade de pessoa, é abandonado pelos cumpridores da lei (sacerdotes e levitas), mas é socorrido por um samaritano, considerado ilegal, pois não tinham boas relações com os israelitas.
Jesus fez uma proposta de verdadeira opção pelos direitos desse ser humano caído, condenado pelas estruturas sociais, políticas, econômicas e religiosas que aparecem como excludentes (estruturas que se encarregam de não respeitar os direitos das pessoas e não lhes permite viver em liberdade e autonomia).
Jesus nos diz como a solidariedade é um valor que é preciso colocar em primeiro lugar, não somente em relação à lei do culto, mas também à própria necessidade pessoal, buscando o bem-estar social e comunitário, a defesa dos direitos de tantos e tantas que vivem em situações de falta de solidariedade e de reconhecimento de seus direitos, nos faz pensar na opção por continuar o caminho de compromisso solidário com os irmãos e irmãs que estão caídos no caminho, pelo não reconhecimento de seus direitos.
A parábola não é um jogo de palavras bonitas, mas uma constante interpelação para os nossos dias. Somente Lucas a conserva em seu evangelho. O texto começa com a pergunta de um letrado ou mestre da lei diante do que deve fazer para ganhar a vida eterna. Jesus, por sua vez, devolve a pergunta para que o letrado busque a resposta em sua especialidade, e ele a busca na lei... O letrado, citando de memória Dt 6,5 y Lv 19,18, faz uma síntese do sentado diante dos 613 preceitos e obrigações na conta dos rabinos, para responde em dois que são fundamentais: Amar a Deus e ao próximo... Jesus aprova a resposta...  
O letrado interroga novamente, pois no Levítico o próximo é o israelita e no Deuteronômio se reserva o título de irmão unicamente para os israelitas... Jesus, em lugar de discutir e entrar em beco sem saída, não busca propor novas teorias e interpretações diante da lei antiga e sua prática, mas propõe uma parábola como exemplo vivo de quem é o próximo.
Podemos contemplar na parábola dois personagens e tirar daí as conseqüências do ensino para o dia de hoje: um homem (v. 30) anônimo que é vítima de dois ladrões e cai meio morto no caminho; um samaritano (v. 33) um meio pagão – ou talvez um pagão completo – cujo trato e relação com os judeus era quase um insulto à sua tradição; um sacerdote (v. 31) e um levita (v. 32), a contraposição e a diferença entre os escalões do poder religioso, pois o levita era um clérigo de nível inferior que se ocupava principalmente dos sacrifícios, “testemunhas” de um culto oficial e dos rituais a seguir na religião estabelecida. 
A relação entre cada um dos personagens da parábola é diferente: o sacerdote e o levita, diante do homem caído no caminho, não se baseia no plano da necessidade deste último, mas no de inutilidade que apresentaria diante da lei e o desempenho do oficio, prestar qualquer atenção ao homem caído, impediria a estes representantes do culto oficial poder oferecer os sacrifícios agradáveis a Deus.
O samaritano, pelo contrario, não encontra nenhuma barreira para prestar seu serviço desinteressado ao desconhecido que esta caído e ferido, que necessita de ajuda de alguém que passe por esse caminho. O samaritano unicamente sente compaixão pela necessidade desse homem anônimo e se entrega com infinito amor a defender a vida que está ameaçada e despossuída.
Próximo, companheiro, diz Jesus nesta parábola, deve ser para nós, em primeiro lugar o compatriota, porém não somente ele, e sim todo ser humano que necessita de nossa ajuda. O exemplo do samaritano, desprezado, nos mostra que nenhum ser humano está tão longe de nós, para não estar preparados em todo tempo e lugar para arriscar a vida pelo irmão ou a irmã, porque são nosso próximo.
Oração: Graças, Pai, porque não andamos sozinhos pela vida, nem caminhamos à deriva, perdidos na névoa do isolamento ou da solidão que nos empobrece. Tu és presença constante ao nosso lado, presença palpável e sensível eu teu filho feito carne; presença hoje atual mediante tantos samaritanos e samaritanas de amor comprometido que, seguindo as pegadas de Cristo sabem mudar desinteressadamente o caminho de suas vidas para oferecer seus serviços aos necessitados. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
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Evangelhos Dominicais Comentados

14/julho/2013 – 15o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Lc 10, 25-37)
O Evangelho de hoje fala de solidariedade e compaixão. Ressalta o amor a Deus que só podemos expressar através do amor ao próximo. O amor ao próximo é o filtro que purifica e que complementa o amor que devemos prestar ao nosso Deus.

Ninguém pode dizer que ama a Deus se não ama o seu próximo. Para os judeus, o próximo era o seu parente, seu amigo ou conterrâneo. Os estrangeiros, principalmente os samaritanos, eram excluídos e tratados com descaso. O mestre da lei teve uma dúvida e perguntou: mas quem é esse próximo a quem devo amar como a mim mesmo, quem é esse meu irmão?

Boa pergunta: quem é esse irmão? Para Jesus o próximo vai muito além de um amigo, parente ou vizinho. Para Jesus, próximo não está relacionado com distância física nem parentesco, mas sim, com amor. Não é fácil entender e aceitar, mas Jesus ensina que o amor aproxima.

Jesus nos traz uma parábola bastante atual e que tem a finalidade de abrir os nossos olhos. Diariamente vivemos esta passagem. Olhamos com indiferença para as vítimas de assaltantes, vítimas das drogas e do desemprego que nos aparecem feridos, necessitados e sem forças, até mesmo, para pedir socorro.

Jesus fala do samaritano, de sua disponibilidade e da sua preocupação com aquele estranho. Ele não se importou com o fato daquele homem ser um judeu, preocupou-se somente com o essencial, com sua saúde e com o seu bem estar.

Quanto mais falamos desse samaritano, mais aumenta a curiosidade em saber de sua vida. Jesus poderia ter detalhado melhor esse viajante. Por que não disse seu nome, se era rico ou pobre, branco ou negro? Nada sabemos de sua vida particular. Será que tinha filhos, esposa, família?

Dúvidas medíocres como essas vivem rondando nossos pensamentos. Diante de um exemplo tão maravilhoso, nos preocupamos mais com os detalhes do que com a essência. Esses detalhes nem passaram pela cabeça do samaritano. Não se preocupou com cor, religião, poder ou raça, simplesmente viu naquele moribundo um irmão.

Que importa saber seu nome? Importante é saber que ele conhecia muito bem a Lei Divina. Esse sim era um especialista em leis. Mais do que isso, ele conhecia, amava e vivia a Palavra de Deus. Quanto ao sacerdote e ao levita, não podemos dizer que não conheciam o mandamento, mas podemos afirmar que não o colocavam em prática. Não viviam o amor.

Nós podemos saber mais sobre esse ilustre desconhecido através dos bombeiros, enfermeiros, missionários, catequistas, líderes de movimentos sociais e de outros milhares de heróis que arriscam suas vidas para levar vida aos excluídos, aos menores de rua e dependentes químicos. São "samaritanos" que conseguem enxergar um irmão em cada um desses desfigurados.

Quem quiser saber ainda mais sobre o samaritano, basta olhar para Jesus. Em tudo esse samaritano nos lembra o Cristo que, sem perguntar a raça nem religião, sem olhar classe social ou cor, se aproxima da humanidade cambaleante, sofrida, machucada, prestes a morrer e a socorre. 

Por amor entregou sua própria vida para salvar, até mesmo, o maior dos pecadores. Neste evangelho Jesus resume que o nosso próximo é aquele que precisa de nós. Jesus diz: "Vai e faz o mesmo, imite o samaritano!" Essa é a ordem para quem quiser ganhar a vida eterna. O amor é o essencial, o mundo precisa dele e milhares de irmãos precisam de nós.

(2583)

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“amar o próximo com misericórdia”-Helena Serpa


Os mestres da lei sempre procuravam confundir Jesus com questionamentos que punham em jogo o cumprimento da Lei de Deus. No entanto, Jesus consciente de que a Lei de Deus é o Amor, ia muito mais além do que era convencional, a fim de fazer com que transparecesse a mensagem evangélica. Jesus então lhes mostrava que amar o próximo é acolher a todos que se aproximam de nós para ajudá-los, e ao mesmo tempo, também envolver-se com aqueles estão necessitados. Na nossa caminhada terrestre, às vezes, nós somos o necessitado, em outras ocasiões, somos nós os bons samaritanos ou os donos da hospedaria. Nunca seremos auto-suficientes a ponto de não precisar de ninguém que nos socorra. Em qualquer situação que nos encontremos, como necessitados ou como colaboradores, somos convocados pelo Senhor a amar o próximo como a nós mesmos. Às vezes nós ajudamos as pessoas e as socorremos por obrigação ou a contra gosto, no entanto a própria Palavra do Evangelho nos mostra que a misericórdia é a primeira regra para a vivência do amor ao próximo. Por isso, o mestre da lei respondendo à pergunta de Jesus sobre quem seria o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes, confirmou: “é aquele que usou de misericórdia para com ele”. A misericórdia, então, é o sinal para que nós possamos ser “o próximo” de alguém. Agir com misericórdia é fazê-lo por amor a Deus. É acolher a miséria do outro com o amor de Deus e não somente com o nosso amor imperfeito e interesseiro. Reflita – Como você costuma agir: como o sacerdote, como o levita, como o samaritano, como o hospedeiro? – Ou você sempre é aquele que desce de Jerusalém para Jericó, se mete em enrascadas e está sempre precisando que alguém se aproxime de você?
- Você já experimentou ser aquele que está necessitado e espera o socorro de alguém?- Quando você ajuda alguma pessoa você o faz por amor a Deus e com o amor de Deus?
Acesse o site http://www.umnovocaminho.com e leia os comentários das demais leituras da liturgia de hoje.
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Neste 15º domingo do tempo comum, a liturgia nos apresenta a parábola do Bom Samaritano. Muito conhecida de todos e por isso devemos dar uma atenção especial, pois cremos que a Palavra de Deus é viva e assim não podemos deixar que passe em branco o que Deus tem para nós!
Começo falando do homem que descia de Jerusalém para Jericó…. ele saia de Jerusalém, do lugar que conhecemos como o coração da experiência de Deus, hoje conhecida como a cidade dos Lugares Santos… e era neste caminho contrario que ele quase morreu. Nós também muitas vezes decidimos sair da “Jerusalém”… ir por outros caminhos, que a principio são interessantes, mas que aos poucos ou de assalto, nos arranca tudo (até o que não temos mais), nos machuca muito… e ficamos como que mortos pelo caminho, paralisados, sem conseguir ao menos pedir ajuda. E neste estado de vida, ninguém mais quer saber, as pessoas que eram tão próximas, não estão mais ali… olham de longe, quando olham… Aquelas que tiveram tempo de nos convencer a sair de Jerusalém, agora não tem mais tempo ao menos para nos ajudar a se levantar. Mas, Jesus é o Bom Samaritano, que chega perto e nos dá o que é necessário: óleo e vinho… o batismo, a confirmação, a eucaristia… os sacramentos… e ainda nos coloca em um lugar seguro onde há quem cuide de nós: a Santa Igreja… com seus pastores a nos guiar, com os leigos organizados em pastorais prontas para atender as necessidades de cada um (abro esse parênteses para encorajar as pessoas que lutam em suas pastorais ou grupos de oração, pois o Senhor nos confiou os seus e disse: ‘Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais’… então podemos confiar nesta Palavra e bem continuar nossa missão).
E a ordem de Jesus é claríssima: ‘Vai e faze a mesma coisa’. Como Ele, devemos também nos colocar a disposição… colocar nossas mãos a serviço dos que necessitam… conhecendo a lei, vive-la sem medo! Li um texto (não me lembro o nome do autor) que falava da passagem que está na primeira leitura deste domingo – Dt 30,10-14 (que o Deus de Israel e um Deus próximo de nós ao extremo, tanto que sua Palavra esta na nossa boca e no nosso coração), ele lembra que do coração à mão, o caminho apesar de ser curto, nos deixa muitas questões: “que devo fazer?” ; “quem é o meu próximo?”… e Jesus aproxima a mão do coração, pois Ele cobre o abismo entre a palavra e o agir… com seu exemplo de vida Ele vem reconciliar o coração e a mão… pois um não pode viver sem outro…
Se fazemos parte do corpo de Cristo que é a Igreja, devemos ser esta mão que se estende ao outro… disponível, como o próprio Jesus sempre está!
Rezemos sempre para que o Espirito Santo nos ajude a seguirmos a ordem de Jesus: “Vai e faze a mesma coisa”.
Gloria ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!!!!
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A Palavra de Deus proposta neste domingo é surpreendente. Tudo começa com uma pergunta que, apesar de mal intencionada, é válida, necessária, sempre urgente; pergunta que brota do mais profundo da nossa angústia: “Que devo fazer para receber a vida? Como devo viver para viver de verdade, para que minha vida valha a pena e não seja uma paixão inútil?” Apesar de um mundo que procura nos distrair dessa pergunta, não há como sufocá-la, como fazer de conta que ela não perturba nosso coração! Pelo amor de Deus, responda o mundo tão animado e cheio de distrações: onde está a felicidade duradoura? Onde está a vida, a realização da existência? Que caminho seguir, para ser feliz de verdade?
Jesus indica o caminho: “O que está escrito na Torah? Como lês?” – Aqui, há algo importantíssimo. Jesus está falando com um escriba judeu; por isso, manda-o à Lei de Moisés. Uma coisa ele quer deixar clara: a vida não está no homem, mas na vontade de Deus! O homem somente será feliz, somente encontrará a vida se procurar lealmente a vontade de Deus. Por isso, no salmo 118, o Salmista pede, de modo comovente: “Sou apenas peregrino sobre a terra; de mim não oculteis vossos preceitos!” Perder de vista o projeto de Deus para nós, é perder de vista a própria vida, o sentido da existência! Não esqueçamos, para não sermos enganados: fechados para a vontade do Senhor, não encontraremos a realização verdadeira! E este é o drama do mundo atual, que se julga maior de idade e, portanto, independente de Deus. Na verdade, é um mundo ateu, porque é um mundo auto-suficiente, que só confia de verdade na sua filosofia, na sua tecnologia, na sua racionalidade pagã e na sua moral fechada para o Infinito!
Ao invés, Jesus nos força a abrir o coração para o Alto, para o Altíssimo; convida-nos a respirar fundo o ar novo e puro, que brota das narinas de Deus e dá novo alento ao ser humano cansado e envelhecido pelo pecado! “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência”. Esta abertura para Deus dilata e realiza o coração humano, que foi criado para dar e receber amor, amor na relação com Deus, que desemboca, generoso, no amor em relação aos outros:“Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. – “Faze isto e viverás!” Os filósofos ateus dos séculos XIX e XX – de Feuerbach a Sartre - gostavam de insistir que Deus escraviza o homem, desumaniza a humanidade, impedindo-a de ser ela própria, de ser feliz. É mentira! É um triste mal-entendido! A verdadeira abertura para Deus nos faz crescer, nos faz superar nossos estreitos limites, nos lança de verdade em relação a Deus e nos compromete com os outros! Os mandamentos de Deus realizam o mais profundo anseio do nosso coração, que é a vida: “Converte-te ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma! Na verdade, o mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance!” O próprio Deus – acreditem – nos deu o desejo e a capacidade de amar ao nos criar à sua imagem!
Jesus insiste ainda em algo muito importante: nossa relação com Deus, se é verdadeira, deve abrir-nos aos irmãos: “Quem é o meu próximo?” – A resposta de Jesus é clara: nosso próximo são aqueles que a vida fez próximos de nós. Nosso próximo são os próximos! Ou os amamos de verdade, ou não há próximo para amar. O próximo viraria uma idéia abstrata e sem valor algum. Não esqueçamos: o próximo tem rosto, tem cheiro, tem problemas e, às vezes, nos incomoda, nos atrapalha, nos desafia, nos causa raiva e contradição. É a este próximo, concreto como uma rocha, que eu devo amar! Mas, atenção: um judeu deve amar o próximo como a si mesmo: é isto que está escrito na Lei. Um cristão, não! Ele deve amar o próximo como Jesus: até dar a vida: “Amai-vos como eu vos amei. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, façais vós também!” (Jo 13,34.15).
 Recordemos que o próprio Senhor nos deu o exemplo; ele mesmo se fez próximo de nós: sendo Deus se fez homem, veio viver a nossa aventura, partilhar a nossa sorte, para nos dar a sua vida: “Cristo é a imagem do Deus invisível... porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude”. Ele não viu nossa miséria de longe, não nos amou à distância: desceu e veio viver a nossa vida, fazendo-se Deus-conosco! Por isso, ele é o verdadeiro Bom Samaritano, o verdadeiro modelo daquele que "se faz próximo" do próximo: viu-nos à margem do caminho da vida; viu-nos roubados e despojados de nossa dignidade de imagem de Deus; viu-nos totalmente perdidos... Ele se compadeceu de nós, desceu à nossa miséria, fez-se homem, para nos curar e elevar. Nele, se revela a plenitude do amor a Deus e aos outros: “Deus quis por ele reconciliar consigo todos os seres que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz”. Então, somente em Cristo, encontramos a vida verdadeira e a realização pela qual tanto almejamos. Só ele nos reconcilia com Deus e no abre uns para os outros, aproximando-nos no seu amor!
Quando os cristãos não conseguem viver isso, quando não conseguem deixar que essa realidade maravilhosa transpareça, é porque estão sendo infiéis, estão sendo uma caricatura de discípulos do Senhor Jesus. Que responsabilidade a nossa! Saiamos daqui, hoje, com essa pergunta: quem são os meus próximos? Que tenho feito com eles? Pensemos em Jesus que veio ser próximo, e ainda se faz próximo hoje, em cada Eucaristia. Pensemos nele:“Vai, tu também, e faze o mesmo!”
dom Henrique Soares da Costa
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O mandamento que conduz à vida eterna
A liturgia deste domingo nos confronta com o ensinamento de Jesus sobre o amor fraterno, supremo mandamento da vida cristã. Trata-se do ponto fulcral da prática cristã. As leituras apresentam dois aspectos principais: o que é amar e a quem se dirige nosso amor? As duas perguntas fundem-se numa só compreensão: quem ama descobre logo a quem amar. Como lema, que pode ser repetido na homilia e nos comentários, sugerimos: “Torne-se próximo de seu irmão necessitado”, ou a sabedoria popular: “A melhor maneira de ter amigos é ser amigo”.
1º leitura (Dt. 30,10-14)
A primeira leitura funciona como verdadeira abertura solene para a liturgia da Palavra. O livro mais imponente da Torá, o Deuteronômio, ensina-nos que o mandamento de Deus não está fora de nosso alcance. Deus fez de Israel seu povo, não por este ser importante, mas por amor e fidelidade à sua promessa (Dt. 7,7-8). O amor de Deus por Israel não tem explicação, mas tem consequências: Israel deve amar a Deus com todas as suas forças (Dt. 6,4-5). Deve escutar sua voz e não se afastar de suas orientações; e, quando se afasta, deve “voltar”, converter-se (30,10). E, se o povo diz que a Lei é difícil, Deus responde que não: não é coisa de outro mundo. Está perto, ao alcance de quem o ama (30,11-14; cf. Jr. 31,33; Br. 3,15-29; Rm. 10,6-8).
Hoje importa redescobrir que lei e mandamentos não são coisas do passado, inimigas da liberdade moderna. O termo que traduzimos por lei (torah) deveria, na realidade, ser traduzido como ensinamento, instrução. É uma sabedoria (cf. Sl 19 e Sl 119). Ora, um bom conselho vale mais do que ouro. Para os teólogos que redigiram o livro do Deuteronômio (no século VIII-VI a.C.), a Lei de Moisés era inigualável tesouro de sabedoria, um rumo seguro para a vida, em todas as circunstâncias. Para tê-la sempre diante dos olhos, deviam colocá-la numa faixa amarrada na testa (Dt 6,8; cf. Ex 13,9 etc.). Os “deuteronomistas” enfrentavam um tempo de afrouxamento em Israel, mais ou menos como nós, hoje. A quem achava difíceis as orientações de Deus, respondiam: “Não é verdade. A Lei não é coisa do outro mundo, ninguém a precisa procurar no céu ou no inferno, ela está perto de ti”. Dificilmente poderia estar mais perto do que naquela faixa na testa. Mas não é só por meio dessa faixa que ela pode estar perto. Ela é uma palavra viva, lembrada continuamente pelos próprios profetas, que viviam no meio do povo. E em Cristo ela se torna mais perto do que nunca.
Evangelho (Lc. 10,25-37)
No evangelho, ouvimos o ensinamento do grande mandamento do amor e a parábola do bom samaritano. O trecho faz parte de um conjunto do Evangelho de Lucas (Lc. 10,26-11,13) que apresenta três exigências fundamentais do ser cristão:
1) o “grande mandamento” do amor a Deus e ao próximo (10,25-37);
2) o “único necessário” (10,38-42);
3) a “oração por excelência” (11,1-13). O “grande mandamento” responde à pergunta pelo caminho da vida eterna: amar a Deus e o próximo. Defrontamo-nos com um especialista da Lei que procurava, em meio à multidão de prescrições, saber o que devia fazer para “herdar a vida eterna”, a vida da era vindoura, do reino que Deus estabeleceria no mundo para sempre (pois era assim que se concebia a vida eterna) (Lc. 10,25-28; cf. Mt. 22,35-40; Mc. 12,28-31). Jesus o remete à Lei ensinada por Moisés. Pergunta o que aí se encontra. O escriba responde: amar a Deus acima de tudo (cf. Dt. 6,5) e o próximo como a si mesmo (cf. Lv. 19,18). “É isso mesmo que deves fazer”, responde Jesus. Novamente: não é coisa de outro mundo!
Depois, porém, o escriba pergunta quem é seu próximo. A resposta de Jesus revoluciona suas categorias: o próximo não é um arbitrário “objeto de caridade”; é todo homem, desde que eu me torne próximo dele. Todos nós estamos de acordo em que devemos amar nosso próximo. Mas quem é ele? Minha velha tia rica, prestes a ceder sua herança, ou meu empregado, com cuja família nada tenho que ver? Visto que argumentar não adianta, Jesus conta uma história. Um homem cai nas mãos de ladrões. Passa um sacerdote, mas não tem tempo para parar, pois deve celebrar um sacrifício. Passa um especialista das leis de pureza (um levita): este tem medo de sujar as mãos com o sangue do homem que ficou semimorto na beira da estrada. Passa, depois, um inimigo, um samaritano, talvez um comerciante concorrente do homem que foi assaltado. E esse samaritano, inimigo dos judeus, cuida do homem à sua própria custa. Nesse ponto da narrativa, Jesus pergunta não quem é o próximo a quem se devem fazer obras caritativas, mas quem é o próximo do homem que foi assaltado. A inversão da pergunta é significativa, porque o especialista da Lei é obrigado a responder que um vil samaritano é o próximo de um judeu assaltado. Para todos nós, isso significa: eu sou próximo de quem encontro no meu caminho, sou chamado a ser solidário com ele, a me tornar próximo dele.
Ao analisar o texto, aparecem detalhes mais significativos ainda. O samaritano “comiserou-se”, “aproximou-se”: uma linguagem que poderia ser aplicada ao próprio Deus. Deus comiserou-se do ser humano, tornou-se próximo dele e salvou-o à sua própria custa: custou a vida de seu Filho. O próximo, “aquele que se comiserou do homem” (Lc. 10,37), é Deus mesmo. “Vai e então faze a mesma coisa”, e já não precisarás perguntar quem é teu próximo. E terás a vida eterna, porque desde já estarás vivendo a vida de Deus mesmo.
Gostamos de escolher nossos próximos. Está errado. Somos próximos de quem encontramos. Deus nos colocou perto deles para os tratarmos com o mesmo amor gratuito que ele nos dedica.
2º leitura (Cl. 1,15-20)
A segunda leitura apresenta o belo hino cristológico da carta aos Colossenses. Essa carta dá uma resposta à introdução de doutrinas falsas na comunidade. Alguns ensinam que, além de Cristo, se devem venerar outros seres transcendentes, “espíritos” etc. É difícil ser livre! Por isso, Paulo realça o lugar central exclusivo de Cristo. Ele nos redimiu, dando a sua vida até a morte. Só compreenderemos bem isso quando formos conscientes de que Cristo é também o criador, com o Pai. Ele assume nossa vida e nosso mundo não por fora, mas por dentro. No íntimo do ser homem, ele vive a plenitude de ser Deus. Quando todos chegarem a essa plenitude, a criação estará completa.
Esse hino é uma das obras-primas do Novo Testamento. A ideia principal é a unidade da ordem da criação e da redenção, em Cristo. Ele é a cabeça da redenção, assumindo a todos na sua glória, porque é também a cabeça da criação. O hino expressa isso em termos que lembram fortemente o prólogo de João (Jo 1,1-18) e os textos que falam da Sabedoria como hipóstase unida a Deus desde antes da criação do mundo (Pr. 8,22-36; Eclo. 24; Sb. 7). O hino combina a figura da Sabedoria que preside à criação, identificada a Cristo, com aquela outra imagem paulina de Cristo, cabeça da Igreja, que é seu corpo. No pensamento bíblico, todo o corpo participa da realidade de seu princípio vital (no caso, a cabeça). No sacrifício e na glória de Cristo, assume-se todo o universo na reconciliação com Deus. A “plenitude” (termo helenístico-gnóstico, indicando o “uno”, ou seja, o ser perfeito) mora nele: a plenitude de Deus, englobando todos os seus filhos.
Esse texto pode ser interpretado como elo entre as duas outras leituras, neste sentido: o amor a Deus e a seu ensinamento (primeira leitura) encontra sua plenitude na fé que se concentra em Cristo e sua palavra, proclamada no evangelho. (Um texto que melhor combinaria com o tema da primeira leitura e do evangelho seria, por exemplo, Tg. 1,21-25, sobre ouvir e praticar a palavra.)
Pistas para reflexão
Amor ao próximo e solidariedade
Os profetas de Israel teceram os mais sublimes elogios à Lei, ou melhor, ao ensinamento (torah) de Deus. Era um caminho de vida. Mesmo assim, havia quem achasse a Lei complicada e procurasse um resumo ou pelo menos um mandamento-chave que, por assim dizer, a resumisse. Essa questão foi apresentada também a Jesus, e ele deu, sem hesitar, a resposta. Menciona o mandamento que todo judeu recita diariamente na oração do “Shemá Israel” (Dt. 6,4-5) – “Amar a Deus com todas as forças” – e acrescenta: “e ao próximo como a si mesmo” (como está em Lv. 19,18.35). Esses dois mandamentos são inseparáveis, pois o amor ao próximo é o dever número um de quem ama a Deus. Paulo (Gl. 5,13) e Tiago (Tg. 2,8) resumem toda a moral cristã nesse único mandamento. João nos diz ser impossível amar a Deus sem amar o irmão (1Jo 4,21). Não se pode amar o Pai sem amar os filhos. Mas o que é amar? E quem são nossos próximos?
Os judeus consideravam como “próximos”, isto é, como candidatos à sua solidariedade, os membros da comunidade judaica e os estrangeiros residentes que viviam em seu meio (e cooperavam com eles): a esses era preciso “amá-los como a si mesmo” (Lv. 19,18.35). No caso dos inimigos, sobretudo dos samaritanos, a esses não se devia amar, pelo contrário (cf. Mt. 5,43). Ora, exatamente um samaritano se torna solidário com um judeu jogado à beira da estrada, depois que dois ilustres “próximos” judeus, um sacerdote e um levita, deram uma volta para não se incomodar com o compatriota assaltado...
Jesus não respondeu diretamente à pergunta do mestre da Lei: “Quem é o meu próximo?”. Ele respondeu por meio de uma parábola, porque a questão não é descobrir, teoricamente, quem é e quem não é próximo. A parábola insere o ouvinte numa nova situação prática, existencial. Coração generoso se torna próximo de qualquer um que precisa; a melhor maneira de ter amigos é ser amigo; a melhor maneira de encontrar o próximo é tornar-se próximo, aproximar-se. A questão não é teórica, mas prática. Ora, nós, na prática, esquecemos a parábola de Jesus e fazemos como o sacerdote e o levita: afastamo-nos do necessitado – mesmo se pertence à nossa comunidade! – e não “nos aproximamos” dele. Tornar-se próximo é ser solidário. Será que somos solidários com os que vivem na margem da estrada de nossa sociedade? Mesmo quando damos uma esmola a um coitado, não é para nos desviarmos dele?
“Vai e faze a mesma coisa”, diz Jesus. Imitar o samaritano exige solidariedade, assumir a vida do outro, não livrar-se dele. Torná-lo um irmão, pois esse é o sentido verdadeiro da palavra “próximo”.
Como fica essa solidariedade neste tempo em que a doutrina da competição, do lucro e do proveito ilimitado solapou o tecido social, as relações de gratuidade entre as pessoas?
padre Johan Konings, sj.
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Há coisas importantes, urgentes e inadiáveis
Na vida há coisas que não podem ser  agendadas para mais tarde. Há o bem que poder ser feito um pouco mais adiante.  Mas há aquele que precisa executada com toda presteza. O homem fortes sintomas de infarto, a barreia que está para cair,  o menino que está no berço da casa em chamas… Eis algumas situações em que a ajuda não pode ser postergada…
É uma história relatada por Lucas no evangelho hoje proclamado foi inventada por Jesus. A parábola de um samaritano tido como bom, especialmente bom.
Viajantes e viandantes caminhavam de um lado para o outro. Meio apressadamente. Afinal de contas todos  tinham coisas urgentes a fazer. Temos roupa para lavar,  mudas  para plantar, viagens a organizar,  cuidados a prestar aos nossos familiares… Afinal de contas, ninguém é de ferro… Um sacerdote e um levita, ocupados com as coisas do culto, não puderam dar atenção ao homem que estava jogado à beira da estrada. O pobre ser estava completamente sem condições de socorrer-se a si mesmo.  Tinha sido barbaramente atacado por ladroes. Sem auxilio imediato morreria.  O samaritano parou, avaliou as condições do homem , as feridas, o sangue perdido.   Experimenta um sentimento de compaixão, sofre com… coloca o homem em sua montaria, leva para uma hospedaria e se compromete a pagar o que for necessário gastar com ele…Usa de misericórdia.  Assim está explicado o sentido de quem é o próximo de cada um… Próximo é aquele que aqui e agora mais precisa de mim…
Há esses próximos mais próximos. Há esse amor e carinho para o cônjuge desanimado, desalentado, doente, fraco, fragilizado.  Há essas atenções a serem prestadas pelos pais aos filhos ao longo de sua vida mormente quando  os filhos são crianças ou atravessam  as plagas delicadas da adolescência, quando precisam ser recolhidos a um hospital devido a uma overdose de drogas. Há também esses próximos mais distantes.  Vejo idosos e pessoas mais jovens que estão na fila de um laboratório de análises clínicas… meio jogados a beira da estrada… esperando no frio que a porta se abra…. Há essas pobres pessoas nos presídios,  cumprindo  pena merecida , estragados como seres humanos precisando do amor de pessoas que as façam sentir-se gente.  Há  essas pessoas… essas tantas pessoas que precisam comer, curar a ressaca de uma bebedeira,  trocar uma roupa suja…Tudo nos faz  refletir sobre  esses que são nossos próximos.
E Jesus perguntou:  “Na tua opinião, meu caro mestre da lei,  então qual dos três que passaram perto do homem jogado à beira da estrada  foi próximo de um delas.  Certamente aquele que usou de misericórdia.  Tu farás o mesmo…”.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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Bom samaritano
No meio da multidão, um especialista em leis se levanta e questiona Jesus a fim de saber como conseguir a vida eterna. Ele não tem boas intenções, e a sua pergunta não tem o intuito de aprendizado e, sim, colocar Jesus em apuros, em uma armadilha. O homem julga Jesus por achar que Ele não é fiel aos seiscentos e treze mandamentos prescritos pelo judaísmo. Jesus, no entanto, sabendo que muito se discutia sobre qual seria o principal destes mandamentos que norteava todos os outros, responde à pergunta com uma outra, pois o que está em questão, não é querer saber, mas saber fazer.
A resposta dada pelo especialista é correta, ele demonstra que na teoria conhece muito bem as leis e sabe que o principal mandamento naquele tempo, assim como nos dias de hoje, é o mandamento do amor. Nota-se que o verbo amar é conjugado no mesmo tempo para o amor a Deus – “Ame o Senhor seu Deus”, e para o amor ao próximo – “Ame o seu próximo como você ama a você mesmo”, demonstrando com isso que, andam juntos, e não é possível amar verdadeiramente um sem dedicar o mesmo sentimento ao outro. E podemos perceber ainda que, o amor ao próximo tem a mesma intensidade que o amor a si mesmo, e que para isso é preciso ser misericordioso como o Pai, e a misericórdia não precisa de um código de leis para se manifestar.
O especialista em leis, então, tentando demarcar as fronteiras desse amor, levanta outra questão discutida desde aquela época até os nossos dias: “quem é o meu próximo?”. Mas, Jesus ao invés de uma resposta direta, conta-lhe uma parábola para que ele mesmo possa encontrar a resposta ao seu questionamento.
Na parábola, tudo leva a crer que o homem, vítima de assalto, seja um judeu e está quase morto. O sacerdote e o levita, amparados nas fronteiras a eles convenientes no momento, para definir seu próximo, ignoram aquele homem que precisa de ajuda. O samaritano, por sua vez, mesmo sendo inimigo tradicional dos judeus, não pergunta àquele homem qual é a sua origem, e enxerga, naquele momento, apenas alguém que precisa de ajuda. E, sem discriminação ou preconceito, se compadece da dor dele, praticando verdadeiramente o mandamento do amor. O samaritano não apenas trata-lhe as feridas, mas o leva a uma pensão onde passa a noite cuidando dele, deixando-o no dia seguinte aos cuidados do dono da pensão, e custeando todas as despesas. Ele vê, no seu pior inimigo, o próximo mais próximo e se solidariza com a sua dor. Aí, ele encontrou Deus e a verdadeira religião. Descrevendo detalhadamente a ação do samaritano, Jesus demonstra que o verdadeiro amor é responsável, e não tem limites, e depende somente da necessidade do outro.
É da natureza humana escolher seu próximo, de forma que amá-lo seja mais fácil e confortável, mas, o amor a que Jesus se refere nesta parábola é mais profundo e verdadeiro, pois é de total doação a seus ensinamentos. Deus teve compaixão da humanidade ao entregar seu próprio filho para salvá-la, e a humanidade, por sua vez, precisa praticar essa compaixão entre si. Essa é a verdadeira prática do amor ao próximo.
O parábola traduz a verdadeira caridade, que é o amor gratuito, que se encontra nas atitudes do homem samaritano, pois, para o ladrão, o que é do outro pode ser dele também; para o sacerdote e para o levita, o que é deles é somente deles mesmos; e para o samaritano, o que é dele é também do outro.

A messe é grande se olharmos o mundo como um todo, mas poucos são os operários dispostos a trabalhar neste mundo. O mundo é, por vezes, árido, difícil, desconfortável. É sem dúvida mais agradável ficar no altar envolvido pelo perfume do incenso. A rua é penosa e perigosa. Foi na beira da estrada que o samaritano encontrou um homem semimorto atacado por salteadores. Foi também na rua que Jesus encontrou um pai aflito com um filho à beira da morte.
O discípulo missionário tem seu campo de ação na rua e nas estradas, isto é, em todos os lugares onde as pessoas se encontram de forma espontânea e natural. O primeiro lugar é o ambiente de trabalho. São Paulo iniciou a evangelização de Corinto na sua loja de confecções e consertos num shopping center da época. Lá, trabalhando, ele entrava em contato com as pessoas de forma natural. Ele não ficou esperando que as pessoas o procurassem. Enquanto missionário de Jesus Cristo, inseriu-se nos lugares onde podia encontrar pessoas na sua vida normal.
A própria escolha de Corinto obedeceu à mesma estratégia. Em Corinto se concentravam trabalhadores, comerciantes e viajantes. Quantos de nós estamos por vezes limitados a espaços geográficos carentes de pessoas e sem significado estratégico. O mundo é ágil e móvel. Nós, às vezes, somos lentos e presos em imóveis. Se esta é a sorte de ministros ordenados, não deveria ser a dos fiéis leigos. O templo pode ser um lugar de abastecimentos, mas o lugar da ação e do testemunho é o mundo no qual passam a maior parte das horas de suas vidas.
O bom samaritano não estava passeando. Deu uma parte de seu tempo e de seu dinheiro em favor de alguém maltratado, e seguiu adiante para cuidar de suas tarefas comprometendo-se a voltar. Em termos humanos, tudo isso demanda tempo, dedicação, gastos, e pede também uma pessoa que não esteja presa em estruturas, mas solta nos contatos da vida que não se programam. Segundo a expressão de são Paulo aos colossenses, Deus se encarna em seu próprio Verbo para reconciliar consigo todos os seres realizando a paz. A encarnação é a vocação primeira da Igreja de Jesus.
A encarnação se dá também em nós, quando a Palavra está em nós e se torna a nossa força propulsora de ação. Dessa forma, a presença cristã no meio do mundo e junto a pessoas concretas em suas necessidades não é apenas uma presença a mais, fraca e limitada, mas é uma presença transformadora pela energia do Ressuscitado. A presença cristã é cheia da energia do Ressuscitado, que contagia o ambiente humano em que se encontra e se revela nas ações, mesmo pequenas.
O sacerdote e o levita da parábola eram judeus, o samaritano, não. São Lucas, ao relatar o início da viagem de Jesus para Jerusalém conta como Tiago e João queriam fazer descer fogo do céu contra os samaritanos que não se dispuseram a receber Jesus. Esta etapa da viagem termina com a parábola do bom samaritano, talvez para nos dizer que é preciso olharmos com profundidade para perceber neste mundo quem de fato "observa os mandamentos e os preceitos que estão escritos na Lei". Os samaritanos podiam não saber quem era de fato Jesus, mas não teriam desculpas se não socorressem o homem da estrada.
cônego Celso Pedro da Silva
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“E quem é o meu próximo”
O texto do evangelho deste domingo é próprio a Lucas e pode ser dividido em dois episódios: a) questão sobre a vida eterna (vv. 25-28); b) questão sobre o próximo e como proceder em caso de conflito entre dois mandamentos da Lei (vv. 29-37).
Os dois estão estreitamente relacionados pela observação do narrador: “… e, querendo experimentar Jesus…” e a pergunta do legista: “E quem é o meu próximo” (v. 29). A perícope tem um tom de controvérsia: “Um doutor da Lei se levantou e, querendo experimentar Jesus, perguntou...” (v. 25).
A resposta de Jesus com uma pergunta faz com que o doutor da Lei responda citando os mandamentos fundamentais da Lei mosaica (cf. Dt. 6,4-9; Lv. 19,18). A apresentação unitária destes mandamentos é uma leitura da Lei: “Que está escrito na Lei? Como lês (= interpreta)?” (v. 26). Segundo Lucas, Jesus encontra nas próprias palavras da Escritura o conselho, o mandamento fundamental para a vida do cristão: “Faze isso e viverás” (v. 28), isto é, ajudando dessa maneira poderás herdar a vida eterna. O amor é o caminho para herdar a vida eterna.
Motivado pela pergunta do legista, Jesus conta a parábola do “bom samaritano” (vv. 30-37). Tal parábola é uma discussão haláquica (precisa e legal) acerca do conflito entre a Lei da pureza (Lv. 21,1-3; 22,3-7) e o amor ao próximo (Lv. 19,18) Numa situação como a que a parábola nos apresenta, qual dos dois mandamentos tem precedência sobre o outro? Se a resposta, hoje, é evidente para nós cristãos, não o era, certamente, para os contemporâneos de Jesus.
Sem podermos nos delongar, estudando cada um dos personagens da parábola, passemos à resposta: se o ouvinte e/ou leitor julga que o sacerdote, mesmo obrigado pela Lei da pureza, deveria ter ajudado o moribundo, pois neste caso o mandamento do amor ao próximo tem precedência sobre a Lei de pureza, a consequência não é que as leis de pureza são inválidas ou podem ser ignoradas, mas que a Lei do amor ao próximo é o mandamento-chave que precisa ser escolhido entre qualquer outro mandamento, em caso de conflito. O amor ao próximo é uma exigência primordial da Torá. A presença do samaritano na parábola confirma que a questão é a da correta obediência à Lei de Moisés. O samaritano, não aceito pelos judeus, conhece a mesma Torá que o judeu, e está obrigado a obedecer todos os mandamentos. Ajudando o homem quase morto, ele está obedecendo ao mandamento. Sua compaixão não é uma alternativa ao legalismo; ela é o que o mandamento do amor ao próximo exige dele.
Ele ilustra o que significa obedecer a este mandamento, nesta situação concreta. Quem cumpre o mandamento do amor cumpre a Lei plenamente.
Carlos Alberto Contieri,sj
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1º leitura: Dt. 30,10-14 – AMBIENTE
O livro do Deuteronômio é fruto da reflexão e da catequese dos teólogos do Reino do Norte (Israel), preocupados em lembrar ao Povo os compromissos assumidos no âmbito da “aliança”; mas apresenta-se, literariamente, como um conjunto de discursos de Moisés, uma espécie de testamento espiritual que Moisés teria pronunciado antes da sua morte, na planície de Moab, na altura em que os hebreus se preparavam para renovar a “aliança”, antes de entrar na “Terra Prometida”.
O texto que hoje nos é proposto é a parte final do terceiro discurso de Moisés (cf. Dt. 29-30). Na realidade, trata-se de uma homilia dos teólogos deuteronomistas, redigida na fase final do exílio da Babilônia, alertando a comunidade do Povo de Deus para as consequências da fidelidade ou da infidelidade face aos compromissos assumidos para com Jahwéh.
MENSAGEM
Fundamentalmente, estamos diante de um convite a aderir com todo o coração e com todo o ser às propostas e aos mandamentos de Deus (v. 10).
No entanto, perguntavam os exilados, como encontrar o caminho e descobrir o que Deus propõe? Como é que se descobre o que Deus quer de nós, de forma a que não voltemos, nunca mais, a cair na escravidão?
Os teólogos deuteronomistas estão convencidos de que não é necessário procurar muito longe: nem no céu (v. 12), nem no mar (v. 13), nem em qualquer outro lugar inacessível ao homem comum. O caminho que Deus propõe não é um caminho escondido, misterioso, revelado só aos iniciados ou iluminados; mas é um caminho que está claramente inscrito no coração e na consciência de cada homem (v. 14).
A mensagem aqui apresentada pelos catequistas deuteronomistas diz-nos, portanto, o seguinte: para perceber o projeto de salvação, de liberdade e de felicidade que Deus tem para os homens, basta olhar para o nosso coração e para a nossa consciência; é aí que Deus nos fala e é aí que nós escutamos as suas propostas e as suas indicações. Resta-nos estar disponíveis para escutar e para perceber – no meio das contra-indicações que as nossas paixões nos apresentam – as sugestões, os apelos, os desafios de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• O convite a aderir com todo o coração e com todo o ser às propostas de Deus leva-nos a questionar a qualidade da nossa adesão. Não pode ser uma adesão a meio-gás ou a tempo parcial – de acordo com os nossos interesses; mas tem de ser uma adesão total, completa, plenamente empenhada, a “fundo perdido”. É desta forma radical e total que aderimos aos projetos de Deus, ou a nossa adesão é “morna”, incompleta, limitada, reticente?
• Encontramos espaço e disponibilidade para interrogar o nosso coração e para escutar o Deus que fala, que Se revela, que nos desafia e questiona?
• Pode acontecer que os nossos interesses egoístas, as nossas ambições, as nossas paixões, os nossos esquemas e projetos pessoais abafem a voz de Deus e nos impeçam de escutar as suas propostas. Quais são, para mim, essas outras “vozes” que calam a voz de Deus? Que lugar ocupam elas na minha vida? Em que medida elas contribuem para definir o sentido essencial da minha existência?
2º leitura: Cl. 1,15-20 – AMBIENTE
Colossos era uma cidade da Frígia (Ásia Menor), situada a cerca de 200 quilômetros a Este de Éfeso. A comunidade cristã dessa cidade não foi fundada por Paulo mas por Epafras, discípulo de Paulo e colossense de origem (cf. Cl. 4,12).
Paulo escreveu aos Colossenses da prisão (provavelmente, de Roma). Estaríamos entre os anos 61 e 63. Epafras visitou Paulo e levou ao apóstolo notícias alarmantes… Alguns “doutores” locais (talvez membros de um movimento de índole sincretista, que misturava cristianismo com cultos mistéricos em voga no mundo helenista e com elementos religiosos de várias origens) ensinavam aos Colossenses que a fé em Cristo devia ser completada por rígidas práticas ascéticas, por ritos legalistas judaicos, por prescrições sobre os alimentos (cf. Cl. 2,16.21), pela observância de determinadas festas (cf. Cl. 2,16) e por especulações acerca dos anjos (cf. Cl. 2,18). Na opinião desses “doutores”, tudo isto devia comunicar aos crentes um conhecimento superior dos mistérios e uma maior perfeição.
Paulo desmonta toda esta confusão doutrinal e afirma que nenhum destes elementos tem qualquer importância para a salvação: Cristo basta.
O texto que hoje nos é proposto é um hino de duas estrofes, que provavelmente Paulo tomou da liturgia cristã primitiva, mas que está perfeitamente integrado no conteúdo geral da carta. Este hino cristão de inspiração sapiencial celebra a supremacia absoluta de Cristo na criação e na redenção.
MENSAGEM
A primeira estrofe deste hino (vs. 15-17) afirma e celebra a soberania e o poder de Cristo sobre toda a criação.
A primeira afirmação é a de que Cristo é a “imagem de Deus invisível”. Dizer que é “imagem” significa aqui que Ele é em tudo igual ao Pai, no ser e no agir, pois n’Ele reside a plenitude da divindade. Significa que Deus, espiritual e transcendente, Se revela aos homens e Se faz visível através da humanidade de Cristo.
A segunda afirmação é que Ele é o “primogênito de toda a criatura”. No contexto familiar judaico, o “primogênito” era o herdeiro principal, que tinha a primazia em dignidade e em autoridade sobre os seus irmãos. Aplicado a Cristo, significa a supremacia e a autoridade de Cristo sobre toda a criação.
A terceira afirmação é a de que “n’Ele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas”. Tal significa que todas as coisas têm n’Ele o seu centro supremo de unidade, de coesão, de harmonia (“n’Ele”); que é Ele que comunica a vida do Pai (“por Ele”); e que Cristo é o termo e a finalidade de toda a criação (“para Ele”). Ao mencionar expressamente que os “tronos, dominações, principados e potestades” estão incluídos na soberania de Cristo, Paulo desmonta as especulações dos “doutores” Colossenses acerca dos poderes angélicos, considerados em paralelo com o poder de Cristo.
A segunda estrofe (vs. 18-20) afirma e celebra a soberania e o poder de Cristo na redenção.
A primeira afirmação é a de que Ele é a “cabeça do corpo que é a Igreja”. A expressão significa, em primeiro lugar, que Cristo tem a primazia e a soberania sobre a comunidade cristã; mas significa, também, que é Ele quem comunica a vida aos membros do corpo e que os une num conjunto vital e harmônico.
A segunda afirmação é a de que Ele é o “princípio, o primogênito de entre os mortos”. Significa que Ele, não só foi o primeiro que ressuscitou, mas também que Ele é a fonte de vida que vai provocar a nossa própria ressurreição.
A terceira afirmação é de que n’Ele reside “toda a plenitude”. Significa que n’Ele e só n’Ele habita, efetiva e essencialmente, a divindade: tudo o que Deus nos quer comunicar, a fim de nos inserir na sua família, está em Cristo. Por isso, o autor deste hino pode dizer que por Cristo foram reconciliadas com Deus todas as criaturas na terra e nos céus: por Cristo a criação inteira, marcada pelo pecado, recebeu a oferta da salvação e pôde voltar a inserir-se na família de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• Um dado fundamental da vida cristã é a consciência desta centralidade de Cristo na nossa experiência e na nossa existência. No entanto, a religião de tantos dos nossos cristãos centraliza-se, tantas vezes, em coisas secundárias… Cristo é, efetivamente, a referência fundamental à volta da qual a nossa vida se articula e se constrói? Ele tem a primazia na nossa vida? É Ele que está no centro dos interesses e da vida das nossas comunidades cristãs ou religiosas? Há outros deuses, ou poderes, ou “santos” em quem centramos os nossos interesses e que nos desviam de Cristo?
• Para muitos dos nossos contemporâneos, Jesus não é uma referência fundamental. Quando muito, foi um homem bom, que deu a vida por um sonho, um visionário, um idealista, que a história se encarregou de digerir e que hoje é, apenas, uma peça de museu; por isso, não tem qualquer espaço nas suas vidas. Como podemos testemunhar a nossa convicção de que Ele é o centro da história e de que Ele está no princípio e no fim da história da salvação?
Evangelho: Lc. 10,25-37 - AMBIENTE
Continuamos “a caminho de Jerusalém” – quer dizer, continuamos a percorrer esse percurso espiritual, durante o qual Jesus prepara os discípulos para serem as testemunhas do Reino, após a sua partida deste mundo. É neste contexto “pedagógico” que vai aparecer a “parábola do bom samaritano”.
Para percebermos cabalmente o que está aqui em jogo, convém também ter presente o quadro da relação entre judeus e samaritanos. Trata-se de dois grupos que as vicissitudes históricas tinham separado e cujas relações eram, no tempo de Jesus, bastante conflituosas.
Historicamente, a divisão começou quando, em 721 a.C., a Samaria foi tomada pelos assírios e foi deportada cerca de 4% da sua população; na Samaria instalaram-se colonos assírios que se misturaram com a população local; para os judeus, os habitantes da Samaria começaram, então, a paganizar-se (cf. 2 Re. 17,29). A relação entre as duas comunidades deteriorou-se ainda mais quando, após o regresso do exílio, os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos (cf. Esd. 4,1-5) para a reconstrução do templo de Jerusalém (ano 437) e denunciaram os casamentos mistos; tiveram, então, que enfrentar a oposição dos samaritanos na reconstrução da cidade (cf. Ne. 3,33-4,17). No ano de 333 a.C., novo elemento de separação: os samaritanos construíram um templo no monte Garizim; no entanto, esse templo foi destruído em 128 a.C. por João Hircano. Mais tarde, as picardias continuaram: a mais famosa aconteceu já na época de Cristo (alguns anos depois do nascimento de Cristo), quando os samaritanos profanaram com ossos o templo de Jerusalém.
Os judeus desprezavam os samaritanos, por serem uma mistura de sangue israelita com estrangeiros e consideravam-nos hereges em relação à pureza da fé jahwista; e os samaritanos pagavam aos judeus com um desprezo semelhante.
MENSAGEM
O que está em jogo no texto que nos é proposto é uma pergunta de um mestre da Lei: “o que fazer, a fim de conseguir a vida eterna?” (Marcos apresenta a mesma cena – cf. Mc. 12,28-34 – mas, aí, a pergunta é acerca do “maior mandamento da Lei”. Lucas, talvez adaptando-se aos leitores cristãos de cultura grega, põe a questão em termos de “vida eterna”).
A resposta é previsível e evidente, de tal forma que o próprio mestre da Lei a conhece: amar a Deus, fazer de Deus o centro da vida e amar o próximo como a si mesmo. Neste “resumo” dos mandamentos, cita-se Dt 6,5 (no que diz respeito ao amor a Deus) e Lv 19,18 (no que diz respeito ao amor ao próximo). Jesus concorda: até aqui, a proposta de Jesus não acrescenta nada de novo àquilo que a própria Lei sugere.
A dúvida do mestre da Lei vai, no entanto, mais fundo: “e quem é o meu próximo?” É uma questão pertinente, neste contexto. Na época de Jesus, os mestres de Israel discutiam, precisamente, quem era o “próximo”. Naturalmente, havia opiniões mais abrangentes e opiniões mais particularistas e exclusivistas; mas havia consenso entre todos no sentido de excluir da categoria “próximo” os inimigos: de acordo com a Lei, o “próximo” era apenas o membro do Povo de Deus (cf. Ex. 20,16-17; 21,14.18.35; Lv. 19,11.13.15-18). Jesus, no entanto, tinha uma perspectiva diferente da perspectiva dos “fazedores de opinião” de Israel. É precisamente para explicar a sua perspectiva que Jesus conta a “parábola do bom samaritano”.
A parábola situa-nos nessa estrada de cerca de 30 quilômetros entre a cidade santa de Jerusalém e o oásis de Jericó. Na época de Jesus, é uma estrada perigosa, sempre infestada de bandos armados. Ora “um homem” não identificado (não se diz quem é, de que raça é, qual a sua religião, mas apenas que é “um homem”, embora, pelo contexto, possa depreender-se que é um judeu) foi assaltado pelos bandidos e deixado caído na berma da estrada. Trata-se, portanto (e isso é que é preponderante), de “um homem” ferido, abandonado, necessitado de ajuda.
Pela estrada passaram sucessivamente um sacerdote (que conhecia a Lei e que exercia funções litúrgicas no templo) e um levita (ligado à instituição religiosa judaica e que exercia, também, funções litúrgicas no templo). Ambos passaram adiante: ou o medo de enfrentar a mesma sorte, ou as preocupações com a pureza legal (que impedia contatar com um cadáver), ou a pressa, ou a indiferença diante do sofrimento alheio, impede-os de parar. Apesar dos seus conhecimentos religiosos, não têm qualquer sentimento de misericórdia por aquele homem. Eles sabem tudo sobre Deus, lidam diariamente com Deus mas, afinal, não sabem nada de Deus, pois não sabem nada de amor. A sua religião é uma religião oca, de ritos estéreis, de gestos vazios e sem sentido, de cerimônias faustosas e solenes, mas não tem nada a ver com o amor, com o coração.
Pela estrada passou, finalmente, um samaritano. Trata-se de um desses que a religião tradicional de Israel considerava um inimigo, um infiel, longe da salvação e do amor de Deus… No entanto, foi ele que parou, sem medo de correr riscos ou de adiar os seus esquemas e interesses pessoais, que cuidou do ferido e que o salvou. Apesar de ser um herege, um excomungado, mostra ser alguém atento ao irmão necessitado, com o coração cheio de amor e, portanto, cheio de Deus.
Jesus conclui a parábola dizendo ao mestre da Lei que o interrogara: “então vai e faz o mesmo”. A verdadeira religião que conduz à vida plena passa pelo amor a Deus, traduzido em gestos concretos de amor pelo irmão – por todo o irmão, sem exceção.
Recordemos que a pergunta inicial era: “o que fazer para alcançar a vida eterna”… A conclusão é óbvia: para alcançar a vida eterna é preciso amar a Deus e amar o próximo. O “próximo” é qualquer um que necessita de nós, seja amigo ou inimigo, conhecido ou desconhecido, da mesma raça ou doutra raça qualquer; o “próximo” é qualquer irmão caído nos caminhos da vida que necessita, para se levantar, da nossa ajuda e do nosso amor. Neste gesto do samaritano, a Igreja de todos os tempos (a comunidade dos que caminham ao encontro da vida plena, da salvação) reconhece um aspecto fundamental da sua missão: a de levantar todos os homens e mulheres caídos nos caminhos da vida.
ATUALIZAÇÃO
• A pergunta do mestre da Lei não é uma pergunta acadêmica; é a pergunta que os homens do nosso tempo fazem todos os dias: “o que fazer para chegar à vida plena, à felicidade? Como dar, verdadeiramente, sentido à vida?” A resposta eterna é: “faz de Deus o centro da tua vida, ama-O e ama também os outros irmãos”. Trata-se, portanto, de fazer com que o amor percorra as duas coordenadas fundamentais da nossa existência – a vertical (relação com Deus) e a horizontal (relação com os outros homens). É por aqui que passa a nossa realização plena.
• O que é isso do amor ao próximo? Até onde se deve ir? É preciso exagerar? Não se trata de exagerar. Trata-se de ver em cada pessoa – sem exceção – um irmão e de lhe dar a mão sempre que ele necessitar. Qualquer pessoa ferida com quem nos cruzamos nos caminhos da vida tem direito ao nosso amor, à nossa misericórdia, ao nosso cuidado – seja ela branca ou negra, portuguesa ou ucraniana, cristã ou muçulmana, portista, sportinguista ou benfiquista, fascista ou comunista, pobre ou rica… A verdadeira religião que conduz à salvação passa por este amor sem limites.
• Pode acontecer que o lidar todos os dias com o divino tenha endurecido o nosso coração em relação às realidades do mundo… Pode acontecer que uma vida instalada nos torne insensíveis aos gritos de sofrimento dos pobres… Pode acontecer que o nosso egoísmo fale mais alto e que evitemos meter-nos em complicações por causa das injustiças que os nossos irmãos sofrem… Mas, nesse caso, convém perguntar: deixando que a minha vida se guie por critérios de egoísmo e de comodismo, estou a caminhar em direção à minha realização plena, à vida eterna?
• As nossas comunidades são clubes fechados, “reservados a sócios”, onde é “proibida a entrada aos estranhos”, ou comunidades onde são amados e têm lugar todos aqueles que a vida atira para a berma da estrada?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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O tema central da liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum (Ano C) é o amor ao próximo. Motivado pelas provocações de um mestre da lei que tenta armar uma cilada para Jesus querendo fazer uma discussão teórica sobre quem seja o meu próximo, Jesus contou a parábola do bom samaritano (Lucas 10,25-37). Com uma pergunta prática Jesus desarma aquele legista. Disse-lhe Jesus: “Quem se fez próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Então, aquele pseudo-intelectual se viu forçado a reconhecer que quem se fez próximo do viajante ferido foi o samaritano, ouvindo da boca de Jesus a conclusão – “vá e faze a mesma coisa e terás a vida eterna”. O fato real é que um viajante que descia de Jerusalém para Jericó caiu nas mãos de assaltantes, roubado e agredido ficou caído no caminho. Então, passa um sacerdote, vê o homem caído e ferido, mas segue adiante. Passa um levita e também segue em frente. Passa um samaritano que na verdade era pagão, portanto considerado impuro. Superando preceitos e até mesmo a hostilidade entre judeus e samaritanos socorre o homem caído. Esta parábola de Jesus vai além do gesto do samaritano. O sacerdote e o levita eram pessoas públicas, trabalhavam no templo e representavam a religião oficial judaica. Já na Samaria havia uma mistura de crenças. Os judeus evitavam contato com os samaritanos por entender serem pessoas impuras. Com sua catequese Jesus ensina que mais importante que o culto oficial do templo é a aproximação ao necessitado. Aquele homem caído viu passar o representante do poder religioso e o representante do poder político e não foi atendido. Foram insensíveis e incapazes de ter sentimentos de compaixão e misericórdia. Em sua opinião isto acontece também no mundo moderno? Quantas pessoas caídas pelas estradas da vida, abandonadas pelas instituições. A lei do amor ao próximo é o mandamento-chave que está acima da lei e dos preceitos. A misericórdia não precisa de leis – precisa de sensibilidade em relação à vida dos necessitados. Então, podemos denominar de “bom-samaritano” toda pessoa sensível às necessidades dos caídos pelas estradas da vida. Hoje a Palavra de Deus nos ensina que ser bom samaritano é tornar-se próximo do necessitado. O próximo não tem fronteiras de credo, partido e raça. O Evangelho nos recorda um dos mais belos compromissos do amor cristão – aproximar-se do ser humano caído seja na miséria física, material ou moral.
Pedro Scherer
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Devemos ser samaritanos. Anunciadores, como a samaritana que bebeu da água viva e saiu para anunciar a cidade que havia encontrado o Messias. Misericordiosos, como aquele samaritano que foi capaz de se aproximar, compadecer-se, sair da montaria e colocar sobre ela quem estava caído no chão.
O ponto de partida do Evangelho de hoje é a resposta sobre uma pergunta simples dirigida a Jesus: “Quem é o meu próximo?” Para os judeus, próximos eram os da mesma raça. Próximo significa ser amigo, ser vizinho... Jesus mostra que devemos nos fazer próximos. Não é uma categoria de privilegiados, pois podemos nos tornar próximos de todos.
Jesus escolheu o que é fundamental – o amor. Este é o verdadeiro cumprimento da lei. O jurista reconhece o amor na teoria, mas usa a lei para aliviar o comprometimento com a misericórdia. O sacerdote era o homem do Templo, dos sacrifícios, dos ofícios. O levita era uma espécie de sacerdote de segunda categoria. Ambos não tinham tempo, pois estavam ocupadas com as coisas santas, com o Templo de pedra. Jesus mostra que os homens considerados mais santos não cumprem a lei na sua profundidade. Já os desprezados infiéis, os samaritanos, podem ser capazes de se tornar próximos. Para Jesus a justiça não está nos títulos estabelecidos, mas na atitude misericordiosa. Na ótica de Jesus, ser religioso não é frequentar o Templo, mas ter gestos de amor.
O samaritano se aproximou do homem caído e compadeceu-se, teve misericórdia, foi movido por piedade, por compaixão. No Evangelho de Lucas, o autor usa esse verbo empregado no versículo 33 em outras passagens: aplicando-o a Jesus (7,13: teve compaixão da Viúva que levava o filho) e para o Pai do filho pródigo (15,20: compadeceu-se do filho que voltara). Portanto é um verbo que caracteriza uma ação divina, de quem tem pura gratuidade em sua ação. Quando alguém se compadece do próximo, assemelha-se a Deus.
Qual dos três foi próximo do homem caído? A resposta do mestre da lei foi imediata: “aquele que usou de misericórdia”.O termo misericórdia significa ter o coração batendo junto com o coração dos míseros (=sentir o que eles sentem, sofrer com). Quando sofremos junto com os pobres e sofredores, vamos ao encontro deles. Um doente compreende um doente, por exemplo. Não basta encorajar os outros com palavras prontas, é preciso entrar no seu mundo, mostrar que o nosso coração sente o sofrimento alheio.
A lei do amor não está longe de nós, mas está ao nosso alcance. Também podemos amar deste modo (1ª. Leitura). Também podemos ir ao encontro daquele que sofrem, daquele que está doente, daquele que precisa de um conselho, de um sorriso, de alimento, de afeto, de compreensão, de solidariedade... Não se resume na pseudo-solidariedade do gesto de dar um trocado ou um prato de comida. Trata-se, sim, de sentir todos como próximos. É no cotidiano da vida que somos bons samaritanos. Talvez o judeu caído esteja mais perto de nós do que possamos imaginar. Antes de procurá-lo no sinaleiro, em um hospital ou num asilo, talvez seja melhor procurá-lo na nossa casa e no nosso trabalho.
Jesus nos ensina a amar com a totalidade do nosso ser (Dt. 6,5; Lc. 10,27). Amar com o coração: a partir do centro das decisões; amar com a alma: com o fôlego, com o desejo; amar com toda a força: com a vontade; amar com toda a inteligência.
A Eucaristia ó banquete dos próximos. Jesus se torna próximo de toda a humanidade, vem ao nosso encontro, morre por nós, ressuscita, faz-se pão. Só um Deus que se faz próximo pode comer junto em nossa mesa.
“O meu Reino ó quem vai compreender? Não se perde na pressa que tem sacerdote e levita que vão se cuidar... mas se mostra em quem não se contém, se aproxima e procura o melhor para o irmão agredido que viu no chão”.
(Fr. Fabreti/ Thomas Filho)
padre Roberto Nentwig

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O Amor Ágape- Jailson Ferreira

        Dois pontos me chamam muita atenção neste Evangelho de hoje... Primeiro: o que é ensinado. Segundo: a forma como é ensinado. O mestre da lei tenta colocar Jesus em dificuldade, mas Jesus é muito mais esperto do que ele.
        O mestre da lei fez o tipo de pergunta que qualquer pessoa que estivesse lá, com Jesus, saberia responder, inclusive ele mesmo. Por isso, Jesus voltou a pergunta a ele: "O que está escrito na lei? Como lês?" Jesus deve ter pensado que ou estava falando com um débil mental ou com alguém que estava querendo TESTÁ-LO. É muito fácil saber quando uma pessoa está querendo nos testar: ela faz uma pergunta para a qual já sabe a resposta. Se fosse uma pessoa bem intencionada, Jesus teria respondido, mas um mestre da lei fazendo uma pergunta assim... Era pra se desconfiar... Jesus respondeu com duas perguntas que se completam: a primeira exigia uma resposta impessoal; e a segunda se referia à interpretação que o mestre da lei dava a esta lei. A resposta do mestre da lei foi tão completa, que confirmou o que Jesus já tinha percebido: a intenção era testá-lo. Foi então que Jesus procurou encerrar o assunto, inclusive elogiando o mestre da lei.
        Mas o mestre da lei, que tinha ficado com um baixo conceito, quis "justificar" a sua pergunta, e é aí que aparece a sua malícia. Com a maior carinha de inocente, ele perguntou: "E quem é o meu próximo?" Se Jesus respondesse que próximo é toda aquela pessoa que está ao seu lado, indiferente de raça, cor, credo, gênero, idade, estado de saúde, condição social, etc, estaria encrencado porque os judeus e as suas leis tinham várias restrições para quem não era judeu legítimo, e cumpridor da lei. Se Jesus dissesse que apenas os judeus, seguidores da lei e dos bons costumes, eram "o próximo", cairia em contradição com seus próprios atos. E é neste momento que Ele se sai com uma bela parábola: o Bom Samaritano.
        A resposta não foi direta, como o mestre da lei gostaria, mas veio de uma forma incontestável. A escolha de um samaritano foi proposital, pois os judeus da Samaria eram considerados menos dignos, pelos mestres da lei. E a atitude misericordiosa do samaritano foi, indiscutivelmente, a mais amorosa das três. O sacerdote e o levita da parábola fizeram exatamente o que a maioria de nós faria, numa situação parecida: passaria "pelo outro lado". Observe que Jesus não responde NENHUMA DAS PERGUNTAS do mestre da lei, mas faz que o próprio questionador responda às suas perguntas.
        O que fica claro neste Evangelho é que uma pessoa como este mestre da lei, quando faz perguntas desse tipo, não está interessada em aprender, mas em colocar a outra pessoa em situação difícil. Escutam sua resposta procurando pontos contraditórios. Quem não tem conhecimento pleno do assunto, ou não tem raciocínio rápido para perceber a malícia dessas pessoas, acaba transmitindo insegurança. Mas Jesus estava sempre à frente dos pensamentos das pessoas... E no final, acaba deixando a lição que devemos levar hoje para o nosso dia: Quer ter a vida eterna? Ame a Deus, e ao próximo como a si mesmo; o próximo é todo aquele que precisar de você, ou que você precise dele... ame. E lembre-se que AMAR não é apenas um sentimento, mas é, antes de tudo, uma DECISÃO.
        Deixo aqui, como sugestão de leitura, o livro "O Monge e o Executivo" (clique no link para fazer o download do livro: O MONGE E O EXECUTIVO.pdf ), de James C. Hunter, onde dentre tantos ensinamentos sobre liderança, também fala sobre o Amor Ágape, que é algo como amar com atitudes ao invés de amar com sentimento. Somente com o Amor Ágape nós podemos amar até quem nos fez mal.

Jailson Ferreira
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O BOM SAMARITANO- Jailson Ferreira

Dois aspectos do Evangelho de hoje se destacam: o mestre da lei, que foi perguntar a Jesus algo que já sabia a resposta; e a inteligência superior de Jesus diante desta situação.
        Todo professor já passou ou vai passar por uma situação assim: o aluno que quer testar o mestre. Não falo do aluno que faz perguntas para aprender, mas daquele que pergunta algo que já sabe a resposta. Nesse caso, a intenção do aluno é testar o professor, e se possível, tentar pegá-lo em algum erro ou contradição. E por que um aluno faz isso? No fundo, no fundo, para tentar se mostrar superior ao mestre. É o instinto de competição. Diante de uma situação dessa, o mestre pode reagir de duas formas: usando de sua autoridade para inibir tal comportamento, ou aceitando o desafio. Jesus criou uma terceira alternativa...
        A inteligência superior de Jesus encarava cada situação como uma nova oportunidade para evangelizar. Jesus percebeu que estava diante de um sujeito que estava buscando testá-lo (ele já tinha a resposta para a sua primeira pergunta). E a sua segunda pergunta, ("Quem é o meu próximo?"), tinha a clara intenção de fazer Jesus dizer algo que pudesse ser contestado. Mas a resposta de Jesus foi apresentar uma situação na qual ficasse claro que o próximo é aquele que ama. Ou seja, aquele que faz o bem sem olhar a quem, sem esperar receber nada em troca. Esse é quem irá herdar a vida eterna.
        Com esta resposta, o malicioso mestre da lei não tinha mais o que contestar nem discutir. Se Jesus tivesse respondido diretamente a pergunta, teria aberto a possibilidade para novos questionamentos. O que seria improdutivo, já que a intenção deste questionador não era aprender, mas tentar ridicularizar Jesus.
        Lição para os mestres: Não prolongar discussões com alunos desse tipo.
        Lição para os alunos: Não perca a oportunidade de aprender e se aproximar de um bom mestre por causa desses desafios. Geralmente esse tipo de questionamento (que você já sabe a resposta) é encarado como falta de respeito. E ninguém gosta de trabalhar com quem não sabe respeitar.

Jailson Ferreira

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O bom samaritano - Salviano
         Jesus neste evangelho critica e desmascara dois representantes da  classe social: O sacerdote, que se fazia de santo, mais Jesus sabia muito bem o que se passava pela sua mente, e o que ele realmente era ou fazia nas horas vagas. O levita  que era o funcionário do templo que cuidava do altar, e se achava o máximo em termos de religiosidade e de cumprimento da Lei. Já o Samaritano, um representante dos habitantes da Samária, que era desprezado pelos judeus por não seguir o judaísmo, é o grande herói da historinha inventada na hora pelo Mestre, para explicar para aquele jovem quem é o nosso próximo.
         E nós, onde estamos nessa parábola inventada por Jesus?  Ora, sabemos que a nossa sociedade é dividida em classes sociais sendo que a maioria de 70% dos brasileiros são formados de trabalhadores braçais, rurais, os descendentes de negros e índios, como os mestiços, mulatos, caboclos, etc, que formam a Classe Baixa. 
        Em seguida temos a Classe Média  cujos representantes formam 25% da nossa população e é formada pelos descendentes de europeus, que tiveram a sorte de poder cursar uma ou mais faculdades, e, portanto, são os médicos, advogados, professores, médios comerciantes, etc.
        E no topo da pirâmide social temos a elite social brasileira,  a CLASSE ALTA  formada por 5% da nossa população, que é representada pelos empresários, banqueiros e industriários, etc.
        O nosso samaritano seria representado pelo mestiço, pelo nordestino (no Sudeste) e pelo negro, que apesar de não ser desprezado na teoria, na realidade a situação é bem diferente.
        Eu Imagino Jesus fazendo um discurso em algum Clube famoso do Sudeste ou da Região Sul, onde, em sua parábola, o bom samaritano seria substituído por um pedreiro nordestino.
        Prezados irmãos. Hoje, Jesus nos dá uma lição de amor ao próximo na prática e não na teoria. E por falar em teoria, cuidado, porque na nova legislação brasileira, discriminar um negro, ofendendo-o, ou humilhando-o, é prisão inafiançável!  Mesmo que você seja um filhinho de papai, vai ter de ficar preso, se maltratar um negro. Cuidado! Avise isso para o seu irmão ou irmã negra, que talvez não saibam.

Sal
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O bom samaritano - Ana Luíza Medeiros

 A parábola do Bom Samaritano é uma das mais conhecidas da Bíblia, ela nos revela a verdadeira misericórdia, compaixão e amor que devemos ter pelo nosso próximo, mas muitas vezes nos fazemos a mesma pergunta que o mestre da Lei fez a Jesus: Quem é nosso próximo? Será nossos familiares, amigos, inimigos?
        Quando Jesus começa a parábola, ele logo diz que o homem estava descendo de Jerusalém e no caminho foi assaltado e espancado, sua intenção era dizer que aquele homem se afastava do céu, Ele usa essa comparação pois Jerusalém era a cidade mais importante do mundo para os judeus, era a cidade sagrada. E quando nos afastamos do céu, quais as conseqüências? São tirados de nós, as alegrias, nossa saúde espiritual, ficamos quase como mortos. Os homens que passam por aquele homem também desciam de Jerusalém, ou seja, também se afastavam do céu, todavia, aquele samaritano não teve a mesma atitude daqueles homens que eram vistos como pessoas corretas, dignas. O samaritano era o próprio Cristo. Ele cura, cuida, tem piedade daquele homem que estava tão frágil, que era incapaz de reagir, que não tinha forças. Ele carrega aquele homem que nem conhecia e o leva para um lugar seguro e paga um valor para que ele seja totalmente curado. Ora, quem mais além de Cristo fez tudo isto por nós? Doando-se, por piedade e amor a cada um de nós, pagando com sua própria vida para que nossas feridas fossem curados. Ele é nosso referencial. E como resposta à pergunta de quem é nosso próximo: são todos aqueles que sofrem, que estão caídos, que necessitam de Amor, de força, são aquelas pessoas que estão cheias de feridas que receberam quando se afastavam do céu e necessitam de cura e cuidados.
        Senhor, coloca em nosso coração o desejo e a força para sermos como este Samaritano que é o próprio Jesus. Que tenhamos disposição e coração misericordioso para sermos canal de graça e instrumentos de Teu Amor. Amém.  

Ana Luíza Medeiros
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O bom samaritano - Padre Queiroz

Lc 10,25-37
E quem é o meu próximo?
Este Evangelho começa com duas perguntas de um mestre da Lei a Jesus, pra pô-lo em dificuldade. São pontos sobre os quais não havia acordo nas escolas rabínicas. Jesus, na sua sabedoria, faz com que o próprio mestre da Lei responda as duas.
A primeira é: “Que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” O próprio mestre da Lei responde: “Amarás o Senhor teu Deus...”
Entretanto, o mestre da Lei não se dá por vencido e faz outra pergunta: “E quem é o meu próximo?” Também sobre esta questão eles se dividiam. Para uns, eram os amigos. Para outros, eram os parentes. Para outros, eram os da mesma nação ou raça...
O mestre da Lei quer saber quais são os limites do amor. Jesus fala que não tem limites. São todos e todas que encontrarmos pelos caminhos da vida, como o samaritano, que cuidou de um judeu, povo rival.
Todo homem e toda mulher que encontrarmos pela vida, e estão em situação de necessidade, são nossos próximos.
Dos três viajantes que, no caminho, se encontraram com o ferido, os dois primeiros são membros ativos e líderes da religião: o sacerdote, e o levita que tinha uma função parecida com os nossos líderes cristãos. Com isso, Jesus deixa claro que o que vale para entrar no céu não são títulos ou cargos importantes na Igreja, mas a prática da caridade.
Já o amor do samaritano foi bonito: espontâneo, desinteressado, generoso, terno, serviçal, eficaz e gratuito.
Após terminar a parábola, Jesus devolve a segunda pergunta ao seu interlocutor, mas a inverte. Ele não focaliza o destinatário (quem é o meu próximo?), e sim o seu sujeito: “Qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” E o mestre da Lei respondeu corretamente, usando inclusive uma expressão bíblica: “Foi aquele que usou de misericórdia para com ele”.
A conclusão de Jesus – “Vai e faze a mesma coisa” – é dirigida a todos nós. O amor verdadeiro sempre coloca como centro o outro, não eu. A pergunta correta que devemos nos fazer hoje é: “Quem espera ajuda de mim?” Vemos que o amor não tem limites, pois ele parte das necessidades do outro.
O sacerdote e o levita viram o ferido, mas seguiram adiante pelo outro lado do caminho. Eles se colocaram propositalmente à distância do necessitado. Corresponde um pouco aos nossos condomínios fechados, muros altos, vidros fumê nos carros... são estratégias atuais de seguir em frente pelo outro lado. Já quem ama faz o contrário: quer estar no meio dos necessitados.
Como vemos, a parábola é atual, e toca no núcleo da nossa vida cristã, que é o amor ao próximo. É o que Jesus, como Juiz, vai cobrar de nós no Juízo final: “Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo!... Pois eu estava doente, e cuidastes de mim”
(Mt 25,34ss).
Ser o próximo do outro é não apenas estar perto, mas estar perto de coração, aproximar-se afetiva e efetivamente dele. Quem tem o coração duro, fica distante de quem está próximo em situação de necessidade. Isso pode acontecer dentro das famílias e até das comunidades religiosas.
O capitalismo interessa-se pelo próximo, mas apenas por uma parte dele: o seu bolso. Até no caso de doença, ou de acidente como foi este da parábola, o capitalista vê como oportunidade de ganhar dinheiro.
“Este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance... Está em teu coração, para que o possas cumprir” (Dt 30,10-14). De fato esta lei do amor ao próximo já está escrita em nosso coração desde que nascemos. Se alguém não a cumprir, não terá desculpas.
Uma maneira frutuosa de meditar sobre esta parábola é tentar descobrir com qual dos personagens que aparecem nela nós mais nos parecemos. Claro que o nosso desejo é nos parecer com o samaritano, e até com Jesus. Mas a resposta verdadeira nós a damos com a nossa vida concreta do dia a dia. Será que nos parecemos com o dono da pensão: fazemos o bem quando somos remunerados? Ou somos como o sacerdote e o levita: vivemos tão preocupados com os nossos afazeres que “nem vemos” quem está em necessidade ao nosso lado? Ou, pior ainda, somos assaltantes disfarçados do nosso próximo? A sociedade atual que construímos mostra claro que os “bons samaritanos” não passam de uns 5%. Claro que cada um de nós se julga entre esses 5%. No entanto, o resultado está aí.
Certa vez, numa grande região, faltou chuva e a colheita foi pobre. Entretanto, uma grande fazenda, que tinha irrigação artificial, teve uma colheita abundante. O administrador encheu os celeiros, depois disse para o dono da fazenda: “A colheita ruim aumentou o preço dos cereais. Agora é o tempo propício para vender e ganhar muito dinheiro”. O fazendeiro respondeu: “Eu penso nos pobres lavradores que não colheram nada e estão com as suas despensas vazias. Agora é tempo propício para dar”.
O amor é assim, freqüentemente ele inverte o pensamento cego dos capitalistas, baseado na sede de lucro.
Existem pessoas que disfarçam o seu egoísmo, como aquele que disse: “Os homens são maus. Só pensam em si. Só eu penso em mim!” Quem falou isso não percebe que a primeira pessoa má do mundo é ele mesmo!
É próprio das mães perceber as necessidades dos filhos e colocar-se ao lado deles. Vamos pedir à nossa querida Mãe Maria Santíssima que nos ajude a ser bons samaritanos, socorrendo o nosso próximo em suas necessidades, e assim “recebendo como herança a vida eterna” Mãe do amor, rogai por nós.
E quem é o meu próximo?
Padre Queiroz
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O bom samaritano - Newton

Quem é o nosso próximo?
Amar alguém que me é familiar, ou da mesma comunidade, pode ser fácil, mas amar alguém que não conhecemos ou não temos afinidade pode ser difícil, principalmente quando não entendemos a lógica do Reino de Deus, uma lógica oposta à lógica dos chamados intelectuais, daqueles que detêm o “poder do conhecimento”. È muito fácil amar um membro da minha família, ou de um amigo, mas, quando se trata de um inimigo a coisa muda.
Ao ser questionado pelo especialista em leis a respeito de como herdar o Reino dos Céus, Jesus prontamente responde: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com toda a tua mente; e ao teu próximo como a ti mesmo», para nos mostrar que o amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos é o fundamento do Reino. No sermão da montanha Jesus vem completar o sentido deste mandamento dizendo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? Mt 5,43-48.
Os samaritanos não eram considerados pelos judeus como herdeiros vida eterna, eram uns hereges, por isto, colocados à margem do Reino, portanto não era considerado um próximo. Jesus quer justamente mostrar que os samaritanos haviam assimilado melhor a palavra, colocando-a em prática, como nesta parábola, como em Lucas 17,11-19 na cura dos dez leprosos, apenas um (samaritano) voltou para render graças a Deus e era um samaritano, como a mulher samaritana que acolheu Jesus e a sua palavra e em seguida saiu a anunciar esta boa nova aos seus.
O especialista em leis pode ser comparado a nós mesmos, quando nos encontramos numa posição religiosa, e por nos acharmos conhecedores da verdade, corremos o risco de achar que somos tão perfeitos (santos) a ponte de querer julgar as pessoas, e de até mesmo nos afastar do nosso próximo por considerá-lo um pecador, e é ai que nos encontramos também na situação do sacerdote e do levita que passaram adiante sem socorrer o homem que estava caído à beira do caminho. O samaritano pode ser comparado hoje a uma pessoa não religiosa, mas que consegue colocar em prática o Reino de Deus. Por isto devemos tomar cuidado com a nossa religiosidade, quando ela nos faz colocar denominação religiosa à frente do Reino de Deus, basta refletir as palavras de nosso Senhor: Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Mt6, 33.
Neste evangelho, Jesus quer nos mostrar através da parábola do bom samaritano, que além do homem necessitado de ajuda (provavelmente era um judeu) e além do sacerdote e do levita, ambos judeus, mas que não agiram como o próximo do homem caído, o samaritano tão distante dos padrões religiosos, ao contrário agiu verdadeiramente como o próximo do outro, por colocar em prática o mandamento do amor.
Lembrando São Francisco de Assis, ele é para nós um grande exemplo de santo dedicado à causa do Reino de Deus, pois amou a Deus incondicionalmente, e no espírito de amor ao próximo, amou principalmente os mais pobres, os mais enfermos, bem como todas as criaturas não humanas às quais carinhosamente chamava de irmãos.
Newton
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“A parábola do bom samaritano” – Claudinei M. Oliveira
       
                                     
Evangelho   Lc 10,25-37


            Jesus continua dialogando com mestre da Lei na cidade grande de Jerusalém. Querendo irritar Jesus, o mestre  da Lei fez pergunta desconcertante, mas as respostas são dadas pelo próprio opositor. Neste contexto a sabedoria de Jesus ultrapassa a jogada do mestre em querer confundi-lo com indagações do convívio do povo.

            Ao perguntar para Jesus quem era o seu próximo, o mestre da Lei imaginava ter uma resposta convincente com muito efeito e reflexão. Entretanto, o próprio mestre respondeu na essência quem é o seu próximo: "Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com toda a mente. E ame o seu próximo como você ama a você mesmo." Não era preciso ir longe para buscar uma resposta para uma simples indagação. Pois quem ama o seu Senhor plenamente e aquele que está a sua volta de coração como a si mesmo, estará amando e vivenciando o seu próximo. Assim, o próximo é aquele que merece e necessita de ajuda em certo momento e, sem perder tempo, a ajuda à necessidade é realizada por  quem aproximar primeiro.

            Para ilustrar a resposta do mestre da Lei Jesus conta a parábola do bom samaritano. Esta parábola  é bem atual para quem quer aproximar  da conversão e queira aprender a amar com dignidade os irmãos oprimidos. Pois foram vários que passaram perto do homem que necessitava de ajuda, mas não pararam. A solidariedade só aconteceu quando um samaritano de coração puro e temente a Deus, teve compaixão e solidarizou-se com o empobrecido. Nem o sacerdote e nem o Levita tiveram coração humilde para solidarizar-se com o peregrino surrado e roubado.

            Caro leitor, quem são os samaritanos da vida de hoje que realmente validam a unidade do próximo? Quem são os samaritanos de hoje que ajudam com determinação, vontade, força e fé pessoas que não estão em seu convívio? Quem são os samaritanos de hoje que se voltam para o outro sem a negociata ou algo em troca? Será que existem pessoas que prezam os empobrecidos, os surrados, os lascados da vida, os endividados, os enfermos, os esfomeados?

            Não quero insinuar pessimismo. Mas são poucas as pessoas que realmente vivam a unidade com o próximo. São poucas pessoas que dirigem ao outro com carinho e amor verdadeiro. Ainda falta muito para aprendermos a amar, a viver, a querer, a buscar o próximo. O mundo nos ensina a individualidade, a sermos indiferentes  e a não enxergarmos o outro que tanto pede socorro. O mundo continua  ensinado a deixar de lado os necessitados para não termos prejuízos.

            Com certeza o  mestre da Lei ficou pensativo. Como um sacerdote pode negar auxílio para uma pessoa que realmente necessita de ajuda? Ele está contradizendo o que prega nas sinagogas, ou será que o maltrapilho não faz parte do Reino de Deus? Entretanto, Jesus precisava catequizar estes falsos doutores das Leis, os falsos sacerdotes e os homens que comandavam a política da cidade grande. Ali, na cidade grande, residia a causa da miséria, da injustiça e da insatisfação. A causa de todos os males deveria ser eliminada para que a Palavra de Deus pudesse fluir com serenidade e sem pretexto em tirar proveito da situação para enganar o povo humilde.  

            Portanto, Jesus finaliza a parábola do bom samaritano afirmando:   pois vá e faça a mesma coisa. Ou seja, seja um samaritano ao reconhecer no outro a extensão do Deus compassivo e misericordioso. Não fique somente nas palavras, mas aja, faça acontecer, faça  valer a força do Espírito Santo que tanto buscamos para nos fortalecer em nossa caminhada. Seja um BOM SAMARITANO e aprendamos a amor o próximo como nos amamos. Amém! 
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“Vai e faze tu a mesma coisa.” Rita Leite.

Evangelho: Lucas 10, 25-37

Iniciamos o mês missionário, e Jesus neste Evangelho nos convida a sermos missionários do amor. Ao doutor da lei que quer saber dele o que é preciso fazer para possuir a vida eterna, Ele conta a parábola do bom samaritano.
O doutor da lei que interrogou Jesus a respeito da vida eterna já sabia o que era preciso para possuí-la. Entendia como teólogo que para possuir a vida eterna a única via é o amor total a Deus e ao próximo. Jesus mostra a ele contando a parábola do bom samaritano que não basta saber é preciso colocar em pratica. Isto é; amar com gestos e atitudes e não somente com palavras. Só que para colocar este amor em pratica é preciso deixar de lado o preconceito de raça, religião, nação ou classe social.
O próximo é aquele que encontramos pelo caminho e que necessita de nossa acolhida, amizade, cuidado e tudo mais para que possa ter dignidade sem estabelecer limites ou condição.
 É Jesus nosso Bom Samaritano que vem em nosso socorro quando estamos caídos à beira do caminho, machucados, e feridos por causa de nossos pecados. Ele se aproxima de nós nos acolhe, nos cura, cuida de nós sem exigir nada, sem impor condições. Apenas e tão somente nos ama e nos devolve a dignidade de filhos de Deus.
 Muitas vezes agimos com nossos irmãos como o levita, como o sacerdote, mas Jesus nos diz: vai e faze tu a mesma coisa que fez o bom samaritano. Vai, ajuda teu irmão que está caído, ferido. Socorre-o e terás a vida eterna. Aprendamos de nosso mestre e Senhor a transformar nossa vida em gesto de bondade e amor para com todos que encontramos pelo caminho.
Em Cristo
Rita Leite
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O samaritano foi o melhor próximo - Maria Elian
Evangelho (Lucas 10, 25-37)

Amarás a Deus... E ao teu próximo...

O evangelho de hoje nos apresenta um mestre da lei querendo por Jesus em dificuldade e pergunta a Ele o que deveria fazer para receber em herança a vida eterna. E Jesus responde: “Amarás o senhor, teu Deus de todo teu coração e com toda tua alma. Com toda tua força e com toda tua Inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” “Faze isso é viverás!” E o mestre da Lei pergunta: “Quem é o meu próximo?”. E Jesus responde contando a parábola do bom samaritano. A parábola de um homem que foi quase morto por ladrões e deixado a beira do caminho. Passa um sacerdote, e em seguida passa também um levita, ambos fiéis ao culto do templo e da sinagoga, quando vêem o homem, seguem adiante pelo outro lado, nada fazem para ajudar aquele homem. Passa então um samaritano que era excluído, desprezado pelos judeus. Os samaritanos eram considerados infiéis e adoradores de falsos deuses. Para os judeus não faziam parte do povo de Deus.
O samaritano pára e se aproxima do homem, sente compaixão dele, cuida de seus ferimentos e o leva a uma pensão, paga a conta pede que ao dono da pensão que tome conta daquele homem. E Jesus pergunta ao mestre da lei quem foi o próximo daquele. Pois queridos irmãos, quem é o teu próximo? Com qual personagem do evangelho de hoje, você se identificou? Jesus com essa parábola provoca esse questionamento. Pense e responda. Quantas pessoas hoje que são da igreja e passam por um necessitado e não ajuda? Bem como, conhecemos pessoas que não vão a Igreja, mas vivem o que Jesus ensinou. Jesus nos alerta hoje, que o meu próximo ele não tem que pertence a minha religião, a minha raça, a família, ao meu grupo de amigos. Meu próximo é todo aquele que necessita que eu me aproxime dele, e o ajude, sem pensar em reconhecimento, algo em troca, ou que peçam a minha ajuda. Devemos ser capazes de perceber que outro precisa de ajuda, conseguimos essa sensibilidade tendo um coração misericordioso e compassivo. Acredito que não devemos fazer algo para herdar a vida eterna, somos filhos de Deus, já temos essa herança. Devemos sim cuidar para não perdê-la, é isso depende de mim e não do outro. Lembremos de São Francisco que tanto amou seu próximo e respeitou a natureza, obras de Deus criador.
Um abraço a todos
Elian.
Oração
Pai, dá-me um coração cheio de misericórdia, como o de teu Filho Jesus, pois só assim terei certeza de estar em comunhão contigo, a caminho da vida eterna

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2 comentários:

  1. Parabéns, lindos comentários, Deus abençoe vocês... Muito obrigado.p

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  2. Parabéns, lindos comentários, Deus abençoe vocês... Muito obrigado.p

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