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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O PAI NOSSO

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM

 DIA 28 DE JULHO - ANO C

Comentários Prof.Fernando


O PODER DA ORAÇÃO - O PAI NOSSO


            Na primeira leitura  Abraão intercede repetidas vezes em favor de Sodoma e Gomorra, e Deus vai concedendo a cada novo pedido, pela sua imensa misericórdia. Continua

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“PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU...” - Olívia Coutinho

XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 28 de Julho de 2013

Evangelho Lc 11,1-13

A nossa relação com Deus, deve ser de confiança e de intimidade, assim como a relação de uma criança com os seus pais! Não precisamos enfrentar as nossas dificuldades sozinhos, se temos um Deus que é  Pai, que cuida de nós, que está sempre pronto para nos socorrer!
É muito importante termos a consciência de que somos frágeis, de que sem Deus não somos nada, só assim conscientizaremos da nossa dependência de Deus!    Quando nos colocamos na dependência de Deus, não nos ocupamos com preocupações com o dia de amanhã, pois sabemos que o amanhã, não nos pertence, pertence  a Deus, o que  temos de fato, é o presente!  Por tanto, vivamos intensamente o momento presente, acolhendo as graças de cada dia!
É a nossa intimidade com Deus  que nos possibilita viver já aqui  na terra, as alegrias do céu! E esta intimidade só acontece por meio da  oração. A oração é o nosso contato intimo com Deus, quando falamos com  Ele e Ele fala conosco! Pena, que nem sempre as nossas orações chegam a Deus, ora, porque rezamos egoisticamente, outras vezes porque nos  colocamos numa atitude de exigência,  nos isentando dos nossos compromissos. Uma oração que não nos leva à conversão, é uma oração  vazia, que não brota do coração, portanto não chega a Deus!  A nossa oração deve ser sincera, deve brotar do fundo do coração, ter um vínculo profundo com o nosso desejo de conversão, de buscar uma vida nova em Jesus! Para sermos ouvidos por Deus, não precisamos fazer orações discursivas e sim, existencial, o importante, é que o nosso falar com Deus, exprima o nosso compromisso de vida com Ele e com os irmãos.
No nosso diálogo com Deus, devemos ser  sempre objetivos  e não desejar que  por força de nossas muitas palavras,  a nossa vontade seja feita,  mas sim, a Sua vontade
 O evangelho de hoje nos fala, que Jesus estava rezando num certo lugar, e que  terminada a oração, um de seus discípulos pediu  a Ele, que os ensinasse a rezar.
Vindos de uma cultura que dava grande importância à oração, os discípulos certamente estavam familiarizados com as muitas orações do Antigo Testamento, entretanto, quando ouviram Jesus rezar, sentiram -se atraídos por uma uma nova forma de comunicação com Deus!
Jesus ensina os discípulos a rezarem e foi  por meio deles, que esta oração chegou até a nós, a oração do Pai Nosso, que é a mais bela síntese de como se deve fazer uma prece! Podemos perceber, que mais do que uma simples oração, o Pai Nosso, é um roteiro seguro, do qual podemos extrair profundas lições que nos despertará à conversão, nos levando ao compromisso de reconciliamos com nós mesmos com  Deus e com os nossos irmãos.  
A oração do Pai Nosso, é a oração mais completa que existe, porque ela nos leva ao louvor, a ter compromisso com a vontade do Pai, a recorrer a Ele as nossas necessidades do dia a dia e principalmente, a pedir O seu perdão com o  compromisso de também perdoar a quem nos ofendeu. E por último, a oração do Pai Nosso, nos motiva a pedir ao Pai que nos ajude a não cair nas tentações e a nos livrar de todo mal.
A oração, é um canal que nos permite pedir a Deus tudo que queremos, mas não podemos esquecer, de  que somente Deus sabe o que de fato precisamos e o que é  bom para nós! O nosso "Pedir", o nosso "Procurar", o nosso "Bater" devem ser constantes, mas nunca devemos esquecer de que é a vontade de Deus que deve prevalecer e  não a nossa!
Feitos nossos pedidos, e conscientes dos nossos deveres,  podemos ficar tranquilos  pois  tudo virá  à  seu tempo, ou seja, no tempo de Deus!
Com a oração do Pai Nosso, Jesus  nos ensina uma forma simples de nos sentirmos perdoados por Deus, prontos para  retornarmos  ao coração do Pai!
Se colocarmos em prática cada palavra do Pai Nosso, estaremos trilhando o caminho da santidade...
Pai Nosso que estás no céu... 

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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Domingo, 28 de Julho de 2013
17º Domingo do Tempo Comum

Claretianos


Santos do Dia: Acácio de Mileto (mártir), Arduíno de Ceprano (peregrino), Botvido da Suécia (mártir), Eustáquio da Galácia (mártir), Inocêncio I (papa), Lúcido de Aquara (eremita), Nazário e Celso (mártires de Milão), Pedro Poveda Castroverde (fundador, mártir), Peregrino e Lião (eremita), Sansão da Bretanha (bispo), Vítor I (papa e mártir). 
Primeira leitura: Gênesis18,20-32 
Que o meu Senhor não se irrite, se eu falar.  
Salmo responsorial: 137, 1-3.6-8
Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!  
Segunda leitura: Colossenses 2,12-14 
Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo, e a todos nós perdoou o pecado. 
Evangelho: Lucas 11, 1-13 
Pedi e recebereis.
Primeira Leitura
Este texto, continuação do que foi lido no domingo passado, nos mostra Abraão, pai da fé e antepassado de Israel, como grande intercessor ante os habitantes dessas cidades. Mostra uma atitude a imitar: abertura e ajuda aos demais. A negociação entre o intercessor e Deus, lembra o estilo oriental (e muito latino-americano também) de regatear. O que se busca é acentuar a insistência intercessora de Abraão e a magnitude do pecado de Sodoma e Gomorra.
O texto é o melhor exemplo de oração como diálogo audaz e comprometido com Deus, no qual vemos Abraão conversar com o Senhor e procurar convencê-lo a partir de sua bondade e justiça, porém, com aparente excesso de confiança. O estilo e modo de proceder é de uma mentalidade semítica: colocar em jogo a honra de Deus, sua reputação de justiça, porém que mostra a confiança em Deus e a proximidade dos homens a ele.
Por outra parte, esse texto pode ser modelo para o tema da hospitalidade: Ao narrar como estes “três seres” escutam a Abraão atentamente. Esta “atenção” lhe permite entrar no mistério. Uma pessoa se revela como o Senhor (18,10.13.20) e os outros como seus anjos (19,1). A narrativa que a princípio falava de três homens, adquire aqui um caráter teofânico e manifesta o sentido profundo da hospitalidade.  
Segunda Leitura
A partir desse texto, os cristãos consideravam a pia batismal como um sepulcro no qual somos sepultados com Cristo; por outra parte, é também como a mãe que engendra a vida; daí o expressivo ritual da imersão. Porém, o ritual que representa a more e a ressurreição, somente é eficaz se corresponde à fé em Deus que ressuscitou a Cristo de entre os mortos.
É a expressão do vínculo que existe entre o batismo e a fé. Pecado e morte, fé e batismo são correlativos. A inserção ao mistério de Cristo acontece no batismo, porém se fundamenta na fé. Ressuscitar significa viver em Cristo, como consequência de ter obtido o perdão dos pecados como resultado da morte do Senhor. Coerentemente, Paulo diz que o perdão do pecado é libertação da lei e de sua observância, porque existe uma correspondência entre Lei, morte e pecado (Cf. Rm 7,7-9). A maior expressão paulina a respeito se encontra aqui como imagem. A Lei foi cravada na cruz. 
Evangelho
A oração faz parte da vida do povo judeu. Os piedosos voltavam seu pensamento a Deus varias vezes ao dia. Jesus aprende a orar a partir do povo e de sua tradição. Como bom judeu, aprendeu a rezar em família e na sinagoga. Em seu ministério, sua oração adquire uma particularidade: sua intimidade com Deus, “seu Abba”. Lucas o descreve em oração em várias ocasiões (3,21; 5,16; 6,12; 9,29). Mesmo sendo a mais breve, os exegetas reconhecem em Lucas a transmissão mais fiel da oração do Pai Nosso. Do aramaico passou ao grego e assim foi incluída por Lucas em sua narrativa.
A expressão Pai já foi explicada. Aqui vamos explicar o restante: Santificado seja o teu nome: ou seja, que Deus seja conhecido, dado a conhecer, louvado, amado, glorificado e agradecido por todas as pessoas do mundo. Que o nome do Senhor seja o mesmo Deus, receba estima, amor veneração e piedosa adoração por todos e cada vez mais. É preciso perceber a ordem no Pai Nosso: antes de tudo que Deus seja reverenciado e amado. 
Venha a nós o teu reino: é uma oração missionária. O objeto de busca dos missionários é fazer com que Deus reine nas pessoas das terras que estão missionando, a partir de suas culturas e idiossincrasias. É o que devemos desejar e pedir e buscar em todos os tempos: que Deus reine. Que venha seu Reino. Se primeiro buscamos o Reino de Deus, tudo o mais virá por acréscimo. É um desejo que Deus reine em nossa mente, em nosso coração, em nossa casa, na sociedade, na nação e no mundo inteiro e em quantas nações e pessoas ainda não reina. 
Dá-nos hoje o pão de cada dia. Pedimos para cada dia o pão, sem demasiada preocupação com o futuro, porque Deus estará também no futuro e o proverá. Como o Maná do deserto, o pão de cada dia é um dom maravilhoso da bondade do Senhor. Com este pedido do pão diário pedimos que nos liberte do desemprego ou da crise, das inundações e secas que acabam com as plantações, das guerrilhas que impedem os camponeses de recolher suas colheitas; dá-nos o pão do emprego para o esposo ou a esposa, que precisam manter uma família; ajuda econômica para a mãe abandonada; proteção para o idoso excluído da sociedade. Dá-nos o pão corporal e o espiritual, agora e todos os dias, pois precisamos dele todos os dias.
Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos os que nos ofenderam. O perdão é uma arte que se consegue com infindáveis exercícios. Santo Agostinho ensina que Deus não escuta a oração que algumas pessoas fazem porque não conseguiram perdoar as ofensas, ou não pediram perdão ao Senhor por seus pecados. Sem pedir perdão pelo mal feito, como queremos que nos conceda a graça que estamos suplicando? É uma lembrança muito oportuna para que não tenhamos a mentirosa idéia de acreditar que somos bons. Deus coloca uma condição para nos perdoar: não obtemos o perdão do céu se não perdoamos na terra. O dia do juízo não terá desculpas: serás julgado da mesma forma que julgaste. Serás condenado se não quiseste perdoar aos demais, e serás absolvido se soubeste perdoar sempre (São Cipriano): O Pai Celeste dará o Espírito Santo aos que o pedem. Ele lhes dará o Espírito Santo. O objetivo final e o conteúdo da oração cristã é chegar a receber o Espírito Santo que é capaz de renovar-nos e a face da terra. O Espírito Santo é a força que vem do alto com poder avassalador, afasta os vícios, traz pensamentos e desejos bons.
O Espírito Santo quer ser nosso hóspede e é enviado pelo Pai Celeste, se o pedimos com fé e perseverança. O Espírito Santo é o que faz compreender a Sagrada Escritura. A presença do Espírito Santo nos faz orar melhor, arrepender dos pecados e despertar em nós o desejo de nos dedicar e agradar a Deus.
As pessoas viam Jesus orar com tanta devoção e notava que o Pai-Deus o escutava de maneira tão admirável que sentiam o vivo desejo de aprender dele a forma de orar para ser melhor escutado pelo Altíssimo. E havia a tradição ou costume de que os mais afamados mestres espirituais ensinavam a seus discípulos métodos fáceis e práticos de orar, pois a oração, como toda boa arte, necessita de um mestre que guie o principiante. João Batista havia ensinado seus seguidores alguns métodos práticos de fazer oração, e agora a Jesus era solicitado também esse grande favor. É que uma arte não se aprende sem um bom mestre. E orar é uma arte.
Esta deveria ser uma de nossos mais frequentes e fervorosos pedidos a Jesus: Senhor, ensina-nos a orar! Se Jesus não nos ensina a arte de orar, estaremos perdidos nesse trabalho tão nobre e difícil. Devemos aprender a “orar”, isto é, a falar com Jesus e com seu Pai e nosso Pai e com o Espírito Santo, com o amor e a confiança de filhos muito amados. Aprender a orar de tal maneira que nossa oração sempre seja escutada. Que nosso orar não seja somente pedir, mas também adorar, agradecer e amar.
Digamos a Jesus: “Ensina-nos a orar”, não com nossos lábios, mas do fundo do nosso coração e com toda a atenção, para que seja, como dizia Santa Teresa, “um falar com Deus que sabemos que nos ama imensamente”. Senhor, ensina-nos a orar! São estas as quatro condições da oração:
Atenção: porque se não prestamos atenção ao que dizemos a Deus, como podemos pretender que ele preste atenção ao que lhe pedimos? 
Humildade: reconhecer que não temos nada que não tenha sido recebido e por isso pedimos para ser escutados.
Confiança: lembrando que o Senhor Deus nos ama muito mais que a melhor das mães ao mais amado dos filhos.
Insistência: Como Abraão, quando intercede por Sodoma: sem cansar-se de pedir.
A oração é uma página em branco. “Eu lhes darei tudo o que necessitem e me peçam com fé”. Abaixo está a assinatura: “Deus”. Que escrevemos em todo esse espaço em branco? Ou seremos tão loucos a ponto de não escrever nada?
Com a ajuda do Espírito Santo, o grande mestre e guia que nos faz compreender a Sagrada Escritura, meditemos sobre a mais bela oração do mundo, o Pai Nosso, a oração na qual empregamos as mesmas palavras de Jesus. O Pai Nosso se compõe de duas series de pedidos: a primeira se refere a Deus, a outra, mais numerosa, se refere a nós. Somente depois de ter pedido que Deus seja glorificado, devemos atrever-nos a pedir que nós sejamos socorridos. Tertuliano dizia que o Pai Nosso é o resumo de todo o evangelho. E Cipriano afirma que ao Pai Nosso não lhe falta nada para ser uma oração completa. No Diário Bíblico está a explicação da primeira palavra: Pai - palavra com a qual Jesus nos ensinou a chamar a Deus. Dizem certos autores que a noticia mais bela trazida por Cristo é que Deus é nosso Pai e que lhe agrada que o tratemos com um pai muito amado. São Paulo dirá: “Não recebemos um espírito de temor nem um espírito de filhos adotivos, mas um espírito de filhos que nos faz exclamar: Abba, Pai! (Rm 8,15). Não temos um Deus distante, mas um pai próximo. Ninguém de nós é um órfão. Ninguém de nós se sente desamparado; todos somos filhos do Pai mais amável que existe. E se temos um mesmo pai, somos todos filhos dele, portanto devemos reconhecer-nos e amar-nos como irmãos. Se o chamamos “Pai”, amemo-lo como um bom pai e não sejamos faltos de carinho para com ele (Orígenes). Deus, pois, é um pai que conhece muito bem as necessidades de seus filhos, alegra-se em ajudá-los e sente enorme satisfação cada vez que pode socorrê-los. E nos ajuda, não porque nós somos bons, mas porque ele é bom e generoso em seus sentimentos. Talvez não nos teríamos atrevido a chamar a Deus de nosso Pai, se Jesus não nos tivesse ensinado a chamá-lo assim. Não esqueçamos, a oração é o meio mais seguro para obter de Deus a graça que necessitamos para nossa salvação (Santo Afonso). 
Oração: Pai, que através de teu Filho nos ensinaste a pedir, buscar e clamar com insistência, escuta nossa oração e concede-nos a alegria de sentir que nos atendes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém!

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Evangelhos Dominicais Comentados

28/julho/2013 – 17o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Lc 11, 1-13)

Este Evangelho ressalta que Jesus está num determinado lugar, rezando. Aliás, em diversas passagens bíblicas encontramos Jesus orando. Seja no deserto, na montanha ou na sinagoga, Jesus sempre destinou alguns minutos, horas, e até mesmo dias para a oração.  

O fato de Jesus sempre se colocar em oração, despertou em seus discípulos o desejo de aprender a orar. Isso demonstra, mais uma vez, a importância do exemplo. O verdadeiro catequista, aquele que realmente deseja evangelizar, não se limita somente a dizer palavras, ele vive a Palavra. Não basta ensinar, tem que viver o evangelho.

Costumamos dizer, e é verdade, que somos fracos, sujeitos a acidentes pessoais, problemas financeiros, de saúde, desemprego... e por isso, precisamos da oração. Realmente, a oração deve estar permanentemente em nossas vidas, ela nos traz segurança, ajuda a superar os obstáculos e os problemas do dia-a-dia. 

E Jesus? O próprio Deus, com poderes divinos, capaz de multiplicar alimentos para alimentar milhares de pessoas; capaz de devolver a visão aos cegos, de restituir a saúde e até mesmo a vida, por que então rezava? O que Lhe faltava, que riscos poderia correr e o que precisaria Jesus pedir?

Nada é a resposta! Nada material! Para Jesus, a oração é como uma conversa amiga entre um pai e um filho que se amam. Jesus não repetia frases feitas, não rezava com a boca, mas sim com o coração. Suas orações não se limitavam a pedir bens, emprego ou coisas pessoais. Por isso seus discípulos lhe pediram para ensiná-los a rezar.

Suas orações eram súplicas pelo bem do próximo. Jesus não pedia nada para si, além de forças para superar os obstáculos que poderiam impedir sua caminhada para o calvário, pois sabia que a salvação da humanidade dependia do sacrifício de cruz. Jesus sabia agradecer, queria entender os Planos do Pai e dizia com convicção, "seja feita a vossa vontade".

A oração que Jesus nos ensinou é um documento Sagrado, um testamento que nos garante um lugar no Paraíso. Jesus não ensinou somente uma oração, ensinou sim que Deus é nosso Pai, que seu nome é Santo e que, como herdeiros, como verdadeiros filhos de Deus, todos podemos fazer parte de seu Reino.

O lugar está garantido, a Glória Eterna é uma realidade, mas só para quem, verdadeiramente arrependido, pedir perdão e souber perdoar. "Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos ofenderam". É isso que dizemos na oração do Pai Nosso, é assim que devemos agir.

Deus Pai não aceita divisões, por isso em outra passagem Jesus nos alerta dizendo: "Vai primeiro fazer as pazes com seu irmão e depois apresente a sua oferta no altar" (Mt 5,23-24). Essas Palavras provam que nenhuma oferta tem mais valor para Deus do que o perdão e a paz entre seus filhos.

Jesus conclui seu ensinamento dizendo que devemos pedir ao Pai que não nos deixe cair em tentações. No entanto, para não ser engolido pelas tentações, é preciso manter-se afastado delas. A distância é o melhor repelente para as tentações, quanto mais longe, melhor.

Nosso Deus é Liberdade, por isso nunca irá se colocar entre nós e o pecado. Nunca irá barrar nossas ações, pois já fez a sua parte: Permitiu ser chamado de Pai, deu exemplos de conduta, ensinou-nos a rezar e deixou-nos livres para viver ou não, todas as palavras de sua bela oração.

(2085)


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Basta recordar a primeira leitura e o evangelho para ver claramente que a Palavra de Deus deste domingo fala da oração. Abraão reza, intercedendo por Sodoma e Gomorra; Cristo ensina seus discípulos a rezar. Portanto, a oração.
É impressionante não somente o fato de Jesus nos ter mandado rezar, nos ter ensinado a rezar, mas sobretudo, o fato de ele mesmo ter rezado com muitíssima freqüência. Basta recordar o início do evangelho de hoje: “Jesus estava rezando num certo lugar”. Nós sabemos que ele passava noites inteiras em oração, que rezava antes dos grandes momentos de sua vida, que morreu rezando.
Afinal, por que rezar? Para nos abrir para Deus, para nos fazer tomar consciência dele com todo o nosso ser, para que percebamos com cada fibra do nosso ser, do nosso consciente e do nosso inconsciente que não nos bastamos a nós mesmos, mas somos seres chamados a viver a vida em comunhão com o Infinito, em relação com o Senhor. Sem a oração, perderíamos nossa referência viva a Deus, cairíamos na ilusão que somos o centro da nossa vida e reduziríamos o Senhor Deus a uma simples idéia abstrata, distante e sem força. Todo aquele que não reza, seja leigo, seja religioso, seja padre, perde Deus, perde a relação viva com ele. Pode até falar dele, mas fala como quem fala de uma idéia, de uma teoria e não de alguém vivo e próximo, que enche a vida de alegria, ternura, paz e amor. Sem a oração, Deus morre em nós. Sem a oração é impossível uma experiência verdadeira e profunda de Deus e, portanto, é impossível ser cristão. Por tudo isso, a oração tem que ser diária, perseverante e fiel.
Assim, quando agradecemos, reconhecemos que tudo recebemos de Deus; quando suplicamos, reconhecemos e aprendemos que dependemos dele e da sua providência; quando intercedemos, aprendemos e experimentamos que tudo e todos estão nas mãos amorosas de Deus; quando pedimos perdão, reconhecemos que nossa vida é vivida diante dele e a ele devemos prestar contas da existência que recebemos. Portanto, a oração nos abre, nos educa, nos amadurece, nos faz viver em parceria com o Senhor.
Quanto aos modos de rezar, são variados. A melhor forma é com a Sagrada Escritura: tomando a Palavra de Deus, lendo-a com os lábios, meditando-a com o coração e procurando vivê-la na existência. Tome diariamente a Bíblia, leia-a com fé, repita as palavras ou frases que tocaram seu coração e derrame sua alma diante do Senhor. Nunca esqueçamos que essa Palavra de Deus é viva e eficaz, transformando a nossa vida e dando-lhe um novo sentido. Também é importante a oração espontânea, com nossas palavras e a oração vocal, aquela decorada, como o Pai-nosso e a Ave-Maria. Aqui, é bom recordar o terço, que tanto bem tem feito ao longo dos séculos. Mas, a oração por excelência é a própria missa. Aí, de modo pleno, nós somos unidos à própria oração de Cristo, participando do seu sacrifico pela salvação nossa e do mundo inteiro.
Mas, recordemos que a oração não é uma negociata com Deus nem é para dobrar Deus aos nossos caprichos. É, antes, para nos tornar disponíveis à vontade do Senhor a nosso respeito. Uma das coisas muito belas da oração é que, tendo rezado e pedido, o que acontecer depois podemos saber com certeza que é vontade de Deus! É nesse sentido que Nosso Senhor afirmou que tudo quanto pedirmos em seu nome, o Pai no-lo concederá. Ora, o que é pedir em nome de Jesus? É pedir como Jesus; “Pai, não se faça a minha, mas a tua vontade”. Rezar assim é entrar no cerne da oração de Jesus. Então, tudo que nos vier, saberemos que é vontade do Pai, pois sabemos que nossa oração foi atendida; e nisto teremos paz.
Que nesta missa, nós peçamos, humildemente, como os primeiros discípulos: “Senhor, ensina-nos a rezar”. E aqui não se trata de fórmulas, mas de atitudes. Observemos que a oração que Jesus ensinou, o Pai-nosso, é toda ela centrada não em nós, mas no Pai: no seu Reino, na sua vontade, na santificação do seu nome. Somente depois, quando aprendermos a deixar que Deus seja tudo na nossa vida, é que experimentaremos que somos pessoas novas, transformadas pela graça do Senhor.
Cuidemos, pois de avaliar nossa vida de oração e retomar nosso caminho de busca de intimidade com o Senhor, ele que é a fonte e a razão de ser da nossa existência.
dom Henrique Soares da Costa
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A oração do discípulo
Pessoas muito racionalistas não raro experimentam dificuldade com a oração de súplica. Acham bom rezar para adorar ou agradecer, pois reconhecem que a vida é um dom e existe um ser transcendente e perfeito chamado Deus. Mas pedir que esse ser se ocupe com o dia a dia de suas criaturas lhes parece metafisicamente ingênuo e praticamente pouco atraente, pois torna Deus muito familiar. Preferem não depender dele em seus negócios. Ora, aquele que sustenta todo o ser também não sustenta nosso dia a dia? Ou será que as poucas leis físicas, psicológicas, econômicas e sociológicas que conhecemos são realmente tão abrangentes, que já não sobra espaço para Deus? (Em vez de pensar que essas leis são uma parte do sustento que ele nos fornece em cada momento.)
Seja como for, Jesus nos ensinou a pedir e suplicar, e até com insistência. Cita o exemplo de alguém que, em plena noite, vai acordar o vizinho e bate à sua porta até que ele se levante para ver-se livre do incômodo (evangelho). Isso lembra a “pechincha de Abraão”, que, ao rezar por Sodoma e Gomorra (primeira leitura), se atreve a lembrar a Deus: “Não podes perder os justos com os injustos, é uma questão de honra!”. E Deus atende. A frase do salmo responsorial: “Cada vez que te invoquei, me deste ouvido”, pode ser repetida como lema durante os vários momentos da celebração.
1º leitura (Gn. 18,20-32)
A primeira leitura narra a oração de Abraão por Sodoma e Gomorra. O pecado de Sodoma e Gomorra, sobretudo o abuso contra a hospitalidade e contra o respeito sexual (cf. o episódio a seguir, Gn. 19,1-11), clama ao céu. Diante da ameaça de Deus, Abraão pede-lhe que não a execute, pois não deve condenar a cidade por causa dos muitos injustos, mas poupá-la por causa de poucos justos. É uma questão de honra para Deus, diz Abraão. Essa história contracena com o Novo Testamento. O Juiz do mundo (Gn. 18,25) é também o amigo, o Pai (Lc. 11,8, evangelho). Para salvar Sodoma e Gomorra, cinco justos (mas nem estes se encontraram) teriam sido suficientes para Deus; na nova “economia da salvação”, a vida de um único justo, o Filho de Deus, salva a todos.
Evangelho (Lc. 11,1-13)
O evangelho nos propõe a oração do cristão. Os discípulos encontram Jesus em oração. O fato e o modo de Jesus rezar provocam o pedido: “Ensina-nos a rezar”. Então, Jesus ensina-lhes o pai-nosso, protótipo da oração cristã (11,1-4). A versão de Lucas é mais breve que a de Mateus (Mt. 6,9-13). Mateus tem sete pedidos, Lucas cinco, mas em ambos está central o pedido do pão de cada dia. Antes de pedir o pão de cada dia, ora-se pela glorificação de Deus e pela vinda de seu reino; depois, pelo perdão do pecado e pela proteção na tentação. Quem pode rezar assim, com sinceridade, é discípulo de Jesus.
Depois da instrução do pai-nosso, Lucas acrescenta dois ensinamentos de Jesus sobre a oração de pedido: a parábola do “vizinho chato” (11,5-8) e as palavras sobre o dom do Pai (11,9-13).
A parábola do “vizinho chato” é provocante. Alguém acorda seu vizinho em plena noite para lhe pedir comida, porque chegou um hóspede imprevisto e a despensa está vazia. O que bate à porta certamente está bem-intencionado, pois, no oriente, a hospitalidade é um dever muito importante. Mas o vizinho vê nisso um problema, porque deverá levantar-se e passar por cima de mulher e filhos, que estão dormindo, deitados no único quarto da casa simples. Mas o outro continua insistindo e, finalmente, o vizinho, para se ver livre dele, concede-lhe o pedido.
A oração de Abraão como também a do vizinho (e a da viúva insistente, Lc. 18,3) nos ensinam uma coisa importante: pedem coisas com que Deus se possa comprometer. Pedem a Deus o que, no fundo, Deus mesmo deseja. Esse (além de nossa insistência) é o segredo da oração eficaz. Saber pedir como convém (cf. Tg. 4,3). Deus é nosso Pai. Ele deseja comunicar suas dádivas, especialmente seu Espírito, força a ânimo de nosso existir (Lc. 11,9-13).
Por isso, no pai-nosso, Jesus ensina seus discípulos, e a todos nós, a rezar primeiro para que o nome de Deus seja santificado (isto é, para que Deus encontre reconhecimento no mundo) e seu reino venha (Lc. 6,2; Mt 6,10 explicita: “Tua vontade seja feita”). Dentro desse quadro de referências, podemos e devemos rezar por nosso pão de cada dia, pelo perdão (pois somos eternos devedores) e para ficar incólumes na tentação. Devemos rezar por isso, com insistência, não tanto porque Deus não soubesse de que precisamos, mas para nos abrirmos ao que ele nos quer dar. Pedindo, a gente se convence mais a si mesmo do que a Deus! Pedir é cultivar nossa fé, nossa confiança filial, é deixar “crescer Deus”, como nosso Pai, em nossa consciência e em toda a nossa vida. É voltar a ser crianças – condição para entrar no Reino (cf. Lc. 18,17). É por isso que os intelectuais tão dificilmente pedem.
Com essas considerações, não queremos justificar a oração que reduz Deus a um “quebra-galho” ou “tapa-buraco”, às vezes até para causas não condizentes com seu reino (por exemplo, para ter sucesso nos negócios ainda que outras pessoas fiquem prejudicadas). Queremos é revalorizar a oração de petição, porque nela minha confiança filial em Deus me leva a extravasar, diante dele, aquilo que habita meu coração: minha própria miséria, além das necessidades de meu irmão, o próximo a quem quero bem e vejo em dificuldades. Assim como Abraão fez pelos habitantes de Sodoma. Isso não é absurdo. O mundo não é feito somente com as leis (físicas, psicológicas e sociológicas) que conhecemos ou estão em nossos manuais de escola, mas também com o mistério da vida. Por isso, não há dúvida de que a preocupação amorosa que extravasamos diante de Deus será operante, pela graça daquele mesmo que sustenta toda a vida.
2º leitura (Cl. 2,12-14)
O pensamento da segunda leitura pode ser sintetizado nesta frase: nossas dívidas são saldadas por Cristo. O “sacramento” do Antigo Testamento era a circuncisão: constituía, para Israel, sinal de pertença a Deus, a ponto de Jesus lhe ter se submetido, como se subordinou a toda a Lei (cf. Gl. 4,4-5). Mas Jesus assumiu também toda a condição humana e a sepultou consigo em sua morte, para criar o Homem Novo na ressurreição. O que acontece a Cristo acontece a nós: no batismo, somos corressuscitados com Cristo. Corressuscitados com ele (cf. Rm. 6,4), somos agora livres, livres de “culpa no cartório” (cf. Rm. 8,34).
“Ninguém salva ninguém”, dizem os “realistas”. Será mesmo? Ninguém é salvo se não quer, mas em Cristo existe uma comunhão entre todos os que buscam a fonte da vida, Deus. Essa comunhão de vida, ensina a segunda leitura, faz que Cristo nos redima. Desde que participemos da vida que ele viveu (o que é expresso pelo batismo, imersão na sua morte, para que ressuscitemos com ele para uma vida nova), podemos dizer que a santidade de Cristo salda nossas dívidas e sua morte por amor supre nossa falta de amor (com a condição de nos arrependermos). Como nós mesmos perdoamos a outrem a pedido de uma pessoa amiga (pai, mãe, irmão...), assim nossa comunhão (amizade) com Cristo vale para nos restabelecer na amizade de Deus. E também nossa oração de intervenção junto a Deus será eficaz.
(Um texto das cartas que melhor combina com as duas outras leituras seria 1Jo 5,14-16, sobre a confiança no pedir.)
Orar e pedir
Certos cristãos, julgando-se esclarecidos, acham as orações de nosso povo muito egoístas, porque são quase sempre orações de pedido. Ora, as leituras de hoje sublinham a importância da petição. Abraão, com seus incansáveis pedidos, quase salvou as cidades de Sodoma e Gomorra – que, infelizmente, eram ruins demais. Jesus, por seu lado, ensina aos discípulos o pai-nosso, essencialmente uma oração de petição: pede a princípio que Deus reine, e, uma vez que rezamos em harmonia com o desejo de Deus, podemos pedir o que precisamos para nossa vida. Na parábola do homem que incomoda seu vizinho, Jesus parece ensinar-nos a vencer Deus pelo cansaço! No fundo, Deus gosta de dar-nos suas dádivas boas, especialmente seu Espírito, pois mesmo nós – que somos ruins – gostamos de dar coisa boa aos filhos.
A oração de petição não é uma forma de oração inferior, mais egoísta do que a meditação, a louvação, o agradecimento, a adoração... Na verdade, agradecer é a outra face do pedir. Quem agradece, gostou. Por que não pedir então? É reconhecer a bondade do doador! Como aquele frei que, depois de lauto almoço na casa de uma benfeitora, testemunhou sua gratidão com estas palavras: “Senhora, não sei como agradecer... Será que poderia repetir aquela gostosa sobremesa?”.
Conforme o espírito do pai-nosso, devemos pedir, antes de tudo, a realização daquilo que Deus deseja: seu reino, sua vontade. Ora, uma vez assentada essa base, pode-se pedir – com toda a simplicidade – o pão de cada dia, saúde, vida e todos os demais dons que Deus nos prepara. Também o perdão de nossas faltas. Só não se deve pedir a Deus o que ele não pode desejar: a satisfação de nosso egoísmo. E sempre se deve lembrar que Deus sabe melhor do que nós o que nos convém. Podemos insistir naquilo que achamos sinceramente nosso bem... mas Deus sabe melhor.
É importante pedirmos. Compromete! Depois de ter pedido, a gente já não pode dizer: “Não pedi!” Comprometemo-nos com Deus e com o que pedimos. Não é como no supermercado, onde você entra, olha e sai sem comprar. É, antes, como no armazém da esquina, onde você pede o que deseja e, caso houver, você compra. Assim, as preces dos fiéis, na celebração da comunidade, devem ter sentido de compromisso: devemos desejar que elas se realizem, e ao mesmo tempo nos oferecer a Deus para colaborar na realização daquilo que pedimos. Pedir é comprometer-se. Se pedimos a Deus saúde, não é para gozar egoisticamente a vida, mas para servir melhor. Se pedimos paz, não é para sermos deixados em paz, mas para dedicar-nos à comunhão fraterna. Se pedimos por nossos irmãos e nossas irmãs mais pobres, é porque queremos ajudá-los efetivamente. Importa saber como pedimos (cf. Tg. 4,3).
padre Johan Konings, sj.  - www.paulus.com.br
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A oração de súplica
Abraão disse:  “Que o meu Senhor não se irrite se eu falar só mais uma vez: e se houvesse apenas  dez  (justos)?  Por causa desses  dez justos  eu não a destruiria” (Gn. 18, 32)
Diante de nós, neste domingo, o tema da oração de pedido.  Abraão “negocia”  com Deus e Jesus fala da  confiança que se deve ter no Pai que não dá cobra  a quem lhe pede pão.
Sodoma e Gomorra chegam ao ponto mais extremo de degradação. No  meio do povo há ímpios,  mas também justos.  Abraão receia que o Senhor  venha a castigar as loucuras do povo nas duas cidades, conhecidas como símbolo acabado do pecado. Quer “negociar”  com o Senhor.  No final do diálogo Abraão se dirige ao Senhor:  “Que o meu  Senhor não se irrite se eu falar só mais uma vez:  e se houvesse apenas dez (justos).  Ele respondeu: “Por causa dos dez não destruiria”.
Pessoas justas, seguidoras dos ditames do Senhor, desejosas de escutar a voz do Senhor, pessoas que se unem na prece límpida e humilde constituem uma intercessão viva.  Sua vida é intercessão. Tocam o coração de Deus.
Um dos mais belos mistérios de nossa vida de fé  é esse da conversa, do diálogo, da intimidade com o Senhor  que é a oração.  Há a oração pessoal, íntima, realizada no silêncio do quarto com a porta fechada.  Há esse saborear da Palavra e essa escuta dos  salmos que sempre são atuais.  Há também a oração comunitária.  As pessoas se reúnem para rezar com uma só voz e um só coração. Chegam de seu universo, de suas casas, com suas alegrias e preocupações. Colocam-se  juntas, juntam suas vozes,  louvam o Senhor ao som da cítara  e da harpa.  Louvam o Senhor pelo sol, pela chuva, pela neve, pelo vento, pelo irmão.  Agradecem o pão de todos os dias, as graças concedidas, o alívio experimentado. Há a oração de pedido, de súplica, por e pelos outros.
Aos poucos fomos aprendendo a fazer  oração de pedido,  segundo a regra da oração do Senhor:  o pão de cada dia, o perdão das dívidas,  a libertação do mal e o não cair em tentação.  Colocamos diante do Senhor nossas preocupações:  uma filho doente que precisa de cura,  um amigo querido que enveredou pelo caminho das drogas,  um conhecido que anda desesperado porque vive a certeza de uma doença que não tem cura.  Rezamos pela conversão dos pecadores, pela santificação do clero, para que o  Senhor nos dê  numerosas e santas vocações para a vida religiosa e sacerdotal, para a vida santa do matrimônio.
O Senhor Deus se compraz em ouvir as preces  humildes que fazemos uns pelos outros.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A oração do discípulo
Pessoas muito racionalistas experimentam geralmente dificuldade quanto à oração de súplica. Acham bom rezar para adorar ou agradecer, pois reconhecem que a vida é um dom e que existe um ser transcendente e perfeito, que se chama Deus. Mas pedir que este ser se ocupe com nosso dia-a-dia lhes parece metafisicamente ingênuo e praticamente pouco atraente, pois torna Deus muito familiar. Ora, aquele que sustenta todo ser, também não sustenta nosso dia-a-dia? Ou será que as poucas leis físicas, psicológicas, econômicas e sociológicas que conhecemos são realmente tão abrangentes que não sobre mais espaço para Deus? (Em vez de pensar que estas leis são uma parte do sustento que ele nos fornece em cada momento.)
Seja como for, Jesus nos ensinou a pedir e a suplicar, até com insistência. Fala de uma viúva que pede, pede até cansar o juiz; de um vizinho que bate, à noite, até que o dono se levanta para se ver livre dele (evangelho). Faz pensar em Abraão, que, ao rezar por Sodoma e Gomorra (1ª  leitura), lê a lição a Deus: “Não podes perder os justos com os injustos, é uma questão de honra!” E Deus atende. “Cada vez que te invoquei, me deste ouvido”, reza o Sl 138 [137] (salmo responsorial).
A oração de Abraão, como também a da viúva e do vizinho, nos ensinam uma coisa importante: pedem coisas com que Deus se possa comprometer. Parece que pedem a Deus o que, no fundo, ele mesmo deseja. Esse é o segredo da oração eficiente (além de nossa insistência). Por isso, Jesus ensina a seus discípulos, e a todos nós, rezar primeiro para que Deus encontre reconhecimento e seu Reino venha (Mt 6, 10 explicita: “Tua vontade seja feita”). Dentro deste quadro de referências, podemos e devemos rezar por nosso pão de cada dia, por perdão (pois somos eternos devedores), por ficar incólumes na tentação. Devemos rezar por isso, com insistência, não tanto porque Deus não soubesse o que precisamos, mas para nos abrirmos para o que ele nos que dar. Pedindo, a gente se convence mais a si mesmo do que a Deus. Pedir é cultivar nossa fé, nossa confiança filial, é deixar crescer Deus como nosso Pai, em nossa consciência e em toda a nossa vida. É voltar a ser crianças – condição para entrar no Reino (cf. Lc 18,17). É por isso que os intelectuais tão dificilmente pedem.
Com estas considerações não queremos justificar a oração que reduz Deus a um quebra-galho ou tapa-buraco, às vezes até para causas que não condizem com seu Reino (para um bom negócio … pouco importa que outra pessoa fique prejudicada). Queremos revalorizar a oração mediadora, em que minha confiança filial em Deus me leva a extravasar diante de Deus aquilo que habita meu coração: o irmão, o próximo a quem eu quero bem, mas que eu velo em dificuldade. Como Abraão pelos habitantes de Sodoma. Não é absurdo. Se o mundo não é feito somente com as leis físicas, psicológicas e sociológicas que estão nos manuais, mas com o mistério da vida, não há dúvida de que a preocupação amorosa, que extravasamos até diante de Deus, será operante, pela graça daquele mesmo que sustenta toda a vida.
“Ninguém salva a ninguém”. Será? Ninguém é salvo se não quer. Mas, em Cristo, existe uma comunhão de vida entre aqueles que buscam a fonte da vida, que é Deus. Esta comunhão de vida faz com que Cristo nos redima (2ª leitura). Desde que participemos da vida que ele viveu (o que é significado pelo batismo, imersão na sua morte, para que ressuscitemos com ele para uma vida nova), podemos dizer que a santidade de Cristo salda nossas dívidas e que sua morte por amor supre nossa falta de amor (com a condição de nos arrependermos). Como nós mesmos perdoamos alguém a pedido de uma pessoa amiga (pai, mãe, irmão … ), assim nossa comunhão (amizade) com Cristo vale para nos restabelecer na amizade de Deus. E também nossa oração de intervenção junto a Deus será eficaz.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Era costume da época, os mestres ensinarem seus seguidores a rezar, como uma forma de transmitir a eles a essência de suas mensagens. Os discípulos observavam Jesus falar com Deus, em oração com tanta intimidade, que despertava neles a vontade de aprender a falar com Deus da mesma forma e, por isso, pedem que Ele os ensine. Jesus então lhes mostra uma forma muito íntima de falar com Deus, e como deseja que todos os cristãos se relacionem com Ele, e lhes ensina a mais bela e completa oração que conhecemos, chamando Deus de “Pai”.
O texto do Evangelho de hoje pode ser dividido em três partes distintas que se complementam: a oração, a persistência e a confiança.
Jesus ensina a rezar a oração com intimidade de filho, chamando Deus de Pai. Ele faz cinco pedidos: “Santificado seja o teu nome”, desejando que todos reconheçam a santidade de Deus; “Venha o teu Reino“, como desejo do verdadeiro cristão que o Reino, repleto de amor, justiça e paz, faça parte de sua vida; “Dá-nos cada dia o alimento que precisamos”, que nos seja dado o necessário para o sustento, sem acumular para o dia seguinte, assim como o maná no deserto que caía todos os dias alimentando o povo de Deus; “Perdoa as nossas ofensas, pois também nós perdoamos todos os que nos ofenderam”, como um pedido a Deus de perdão futuro, que depende de nossa ação de perdoar primeiro o próximo; “Não nos deixes cair em tentação”, que Deus não permita a seus filhos desviar de Seu projeto.
Logo após a oração, Jesus através de uma parábola, dá orientações valiosas aos discípulos, para que persistam na oração, pois o Pai os atenderá assim como o vizinho que de tanta insistência acabará por se levantar e ceder o pão ao outro. E confiem que podem pedir, pois Deus está sempre pronto a atender seus filhos. Cabe a cada um pedir e acreditar com fé de que será atendido, pois até mesmo um homem mau não recusa o pedido de um filho, quanto mais o Pai que está no céu.
Muitos cristãos não pedem a Deus coisas corriqueiras, por acharem que Deus é ocupado demais para ouvir um simples apelo do dia-a-dia, e fazem apenas orações de agradecimento e contemplação, mas Jesus ensina com o Pai-Nosso, que o Pai está sempre pronto a ouvir, a saciar seus filhos com o pão de cada dia, e que Ele espera o pedido com confiança e persistência.
Essa parábola põe toda ênfase na certeza de sermos ouvidos. O Pai nos dá a cada dia o pão que precisamos, mas nós temos que importunar os amigos para conseguir emprestado. Deus não age assim conosco, nem considera importuno os pedidos que nascem das necessidades dos seus filhos. Os amigos de Deus sempre rezaram na certeza de serem atendidos. Abrahão e Moisés são exemplos de pessoas que rezaram com confiança, humildade e ousadia na certeza de serem ouvidos por Deus.
Deus não quer a morte do injusto, mas que ele se converta e viva. O Pai-nosso, a única oração que Jesus nos ensinou, é o melhor exemplo de oração, de intimidade com Deus, de comunhão com o Seu projeto de vida que é o Reino, e o compromisso que leva à novas relações de partilha e de perdão, e a superação das “tentações” da sociedade estabelecida, na certeza de sermos atendidos em nossas necessidades.
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A misericórdia do pai celeste
O traço mais característico do Pai, transmitido nos Evangelhos, é a misericórdia. Por isso, ao ensinar os discípulos a rezar, Jesus revela-lhes o rosto misericordioso do Pai, e os exorta a contar sempre com ele. Um dado fundamental: é preciso ser perseverante, quando se trata de recorrer ao Pai. Só ele conhece o momento oportuno de atender a quem lhe pede ajuda. Contudo, ninguém perde por esperar.
A argumentação de Jesus funda-se na insuperável misericórdia divina. Se nenhum pai humano, por pior que seja, responderia à súplica de um filho, dando-lhe algo nocivo, quanto mais o Pai celeste. Sua bondade infinita responde generosamente a quem lhe suplica. E ninguém fica decepcionado, pois é garantida a sua intervenção em favor de seus filhos.
A oração do Pai-Nosso é o resumo de tudo de que há de bom e que o discípulo pode desejar obter do Pai. Para rezá-lo, o orante deverá despojar-se de suas ambições pessoais e sintonizar-se com a misericórdia divina. Por isso, seu desejo é ver santificado o nome do Pai celeste, e concretizado seu Reino, na história humana. Seus anseios abrem-se para as relações interpessoais e se manifestam na esperança de ver o pão ser partilhado entre todos, os pecados, perdoados, e o ser humano, livre das insídias do Maligno. Só um coração misericordioso, à imitação do Pai, poderá nutrir tais desejos!
Oração
Espírito que despoja do egoísmo, sintoniza-me com a misericórdia do Pai, tirando de mim tudo quanto me fecha nos estreitos limites de minhas ambições pessoais.
padre Jaldemir Vitório
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A vida cristã acontece nos relacionamentos familiares, profissionais e de vizinhança. Um vizinho pede ajuda, um se preocupa com o outro, procuramos fazer coisas boas para os nossos familiares e os nossos amigos. Quando alguém se interessa por nós, nós nos sentimos valorizados e felizes. Assim também é Deus conosco, e muito melhor porque Ele não deixa de atender aos nossos pedidos. Ele não nos dá coisas, Ele nos dá o Espírito Santo.
Ora, o Espírito Santo em nós é a presença ativa do amor dinâmico e construtivo. O Espírito, que é Amor, nos torna criativos e inventivos. Quando se ama realmente, procura-se o melhor para a pessoa amada. Assim, no relacionamento renovado, próprio do cristão, estamos sempre criando algo novo para que os outros estejam bem. Estamos o tempo todo procurando uma Boa Notícia que alegre o coração do nosso próximo.
Nossa fé não pode ser expressa apenas em fórmulas fixas e repetitivas. O Espírito Santo presente em nós aciona a nossa criatividade e a orienta para o bem dos nossos irmãos. O amor foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado, nos leva a uma vida dinâmica, sempre atenta ao que pode se tornar boa notícia para os outros. Podem ser gestos pequenos, podem ser grandes ações, o importante é estarmos sempre criando situações que favoreçam a alegria e a felicidade de todos. Isto se chama ser prestativo. Nas bodas de Caná, Maria, cheia do Espírito Santo, estava atenta às necessidades dos noivos e procurou ajudá-los quando faltou o vinho.
A mediação e a intercessão fazem parte da nossa solidariedade fraterna. Mediar situações difíceis, interceder para que haja perdão, como fez nosso pai Abraão em favor dos habitantes de Sodoma e Gomorra. Às vezes, é preciso ser insistente, como na oração, segundo o ensinamento do próprio Jesus, tanto em relação a Deus como em relação aos outros.
Se temos algum problema que não sabemos como resolver, podemos insistir junto de Deus, por intermédio de seus santos, nossos intercessores, para que nossa causa seja atendida. A oração com fé remove montanhas e consegue milagres. Deus, porém, nos dá de antemão o Espírito Santo, a fim de que procuremos para os problemas as soluções humanas ao nosso alcance. O início de todo o nosso esforço vem da graça de Deus, mas podemos pedir ajuda se o nosso esforço não for suficiente. Não peça, porém, sem antes ter feito a sua parte, porque você já recebeu o Espírito Santo.
Podemos dizer o mesmo em relação aos outros, sobretudo quando se trata de ajudar alguém. Podemos ser mediadores insistentes que procuram aproximar corações distanciados, obter perdão, abrir caminhos novos. Quem é solidário não mede esforços para ajudar os outros e, se ama, não se cansa.
Da mesma forma podemos ser ativos nas conquistas sociais que beneficiam, sobretudo os mais fracos, sem nos esquecer de que eles também devem viver a justiça. A obtenção de direitos sociais por meios lícitos e justos é uma causa a ser abraçada. É bom, porém, pedir também a Deus para não cairmos em tentação. A tentação está sempre às portas, e pode minar a autenticidade da causa defendida. A maldade instituída também tem seus defensores.
cônego Celso Pedro da Silva
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O que pedir? O que Deus oferece?
No texto do evangelho deste domingo é enquadrado à menção do “pedido”: no v. 1, “um dos discípulos pediu-lhe: ‘Senhor, ensina-nos a orar…?”; no v. 13 é Jesus quem diz: “… quanto mais o Pai do céu saberá dar o Espírito Santo aos que lhe pedirem!”. O “pedido” é o tema principal de nossa perícope. Qual deve, então, ser o pedido que caracteriza a súplica do discípulo? Pedido e promessa visam ao Espírito Santo. Não é, aqui, o espaço de fazermos um comentário sobre o Pai-Nosso.
Basta simplesmente dizer que, o que nos permite entrar no dinamismo da relação filial entre Jesus e o Pai, é o Espírito Santo, que o Pai dará.
Segue à oração do Pai-Nosso, que é a oração do Senhor e da comunidade que ele reúne, uma parábola (vs. 5-8) e sua interpelação para o discípulo (vs. 9-12). O que pedir? O que Deus oferece?
É preciso mover a vontade e pedir insistentemente (cf. vs. 8-9), sem desanimar.
A súplica é exercício de humildade e confiança. Mas o que pedir? O Pai-Nosso ilustra: pão, perdão, não ceder às tentações. Pedir não só para o indivíduo, mas para todos. Mas não é só, ou não é tudo, pois a vida do ser humano não se reduz ao imediato. Deus nos oferece gratuitamente o Espírito Santo (v. 13); Jesus sugere que nós o supliquemos ao Pai. É o Espírito Santo, Deus em nós, que ilumina nossa vida para que possamos discernir as soluções dos dramas humanos. É o Espírito Santo que nos permite entrar na intimidade divina.
Carlos Alberto Contieri,sj
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O tema fundamental que a liturgia nos convida a refletir, neste domingo, é o tema da oração. Ao colocar diante dos nossos olhos os exemplos de Abraão e de Jesus, a Palavra de Deus mostra-nos a importância da oração e ensina-nos a atitude que os crentes devem assumir no seu diálogo com Deus.
A primeira leitura sugere que a verdadeira oração é um diálogo “face a face”, no qual o homem – com humildade, reverência, respeito, mas também com ousadia e confiança – apresenta a Deus as suas inquietações, as suas dúvidas, os seus anseios e tenta perceber os projetos de Deus para o mundo e para os homens.
O Evangelho senta-nos no banco da “escola de oração” de Jesus. Ensina que a oração do crente deve ser um diálogo confiante de uma criança com o seu “papá”. Com Jesus, o crente é convidado a descobrir em Deus “o Pai” e a dialogar frequentemente com Ele acerca desse mundo novo que o Pai/Deus quer oferecer aos homens.
A segunda leitura, sem aludir diretamente ao tema da oração, convida a fazer de Cristo a referência fundamental (neste contexto de reflexão sobre a oração, podemos dizer que Cristo tem de ser a referência e o modelo do crente que reza: quer na freqüência com que se dirige ao Pai, quer na forma como dialoga com o Pai).
1º leitura – Gn. 18,20-32 - AMBIENTE
Este texto do livro do Gênesis vem na seqüência da primeira leitura do passado domingo. Depois de terem deixado a tenda de Abraão, os três personagens dirigiram-se para a cidade de Sodoma, a fim de constatar “in loco” o pecado dos habitantes da cidade. Abraão acompanhou os seus visitantes divinos durante algum tempo. O autor jahwista situa num lugar alto, a Este de Hebron – de onde se avista Sodoma (cf. Gn. 19,27) – esse diálogo entre Abraão e Deus que o texto nos apresenta.
Sodoma era uma cidade antiga, que se supõe ter existido nas margens do mar Morto, ao sul da península de El-Lisan. De acordo com as lendas, foi uma das cidades destruídas (as outras teriam sido Gomorra, Adama, Seboim e Segor) por um cataclismo que ficou na memória do povo bíblico. Alguns estudiosos modernos têm procurado uma explicação para a lenda na geologia da área: a região fica situada na falha do vale do Jordão, numa zona sujeita a terremotos e a atividades vulcânicas. Depósitos de betume e de petróleo têm sido descobertos nesta região; e alguns escritores antigos atestam a presença de gases que, uma vez inflamados, poderiam causar uma terrível destruição, do tipo relatado em Gn. 19. Terá sido isso que aconteceu nessa zona?
É, provavelmente, essa recordação de um antigo cataclismo que, em tempos imemoriais, destruiu a área, que originou a reflexão que esta leitura nos apresenta. Poder-se-ia pensar que um acontecimento pré-histórico muito remoto, cujos traços enigmáticos eram ainda visíveis no tempo de Abraão (como o são ainda hoje), tenha excitado a fantasia religiosa, no sentido de procurar as causas de uma tão terrível catástrofe.
O diálogo que a primeira leitura de hoje nos propõe é um texto de transição que serve para ligar a lenda de Mambré com as lendas que relatam a destruição de Sodoma e das cidades vizinhas. Os autores jahwistas aproveitaram o ensejo para propor uma catequese sobre o peso que o justo e o pecador têm diante de Deus.
MENSAGEM
Deus prepara-se para iniciar a “investigação”, a fim de constatar da culpabilidade ou da não culpabilidade de Sodoma. É precisamente aí que o autor jahwista resolve inserir essa pergunta fundamental que o inquieta: que acontecerá se essa “investigação” revelar a existência na cidade de um pequeno grupo de justos? Deus vai castigar toda a comunidade? Será que um punhado de justos vale tanto que, por amor deles, Deus esteja disposto a perdoar o castigo a uma multidão de culpados?
A idéia de que um punhado de “justos” possa salvar a cidade pecadora é, em pleno séc. X a.C. (a época do jahwista), uma idéia revolucionária. Para a mentalidade religiosa dos israelitas desta altura, todos os membros de uma comunidade (família, cidade, nação) eram solidários no bem e no mal; se alguém falhasse, o castigo devia, invariavelmente, derramar-se sobre o grupo. No entanto, os catequistas jahwistas atrevem-se a sugerir que talvez a “justiça” de uns tantos seja, para Deus, mais importante do que o pecado da maioria. Apesar de tudo, ainda estamos longe da perspectiva da retribuição e da responsabilidade individuais: essas idéias só serão consagradas pela catequese de Israel a partir do séc. VI a.C. (época do exílio na Babilônia).
O problema que Abraão procura resolver é, portanto, se aos olhos de Deus um grupo de “justos” tem tal peso que, por amor deles, Deus esteja disposto a suspender o castigo que pesa sobre toda a coletividade. Os números sucessivamente avançados por Abraão (em forma descendente, de 50 até 10) fazem parte do folclore do “regateio” oriental; mas servem, também, para pôr em relevo a misericórdia e a “justiça de Deus”: a descida até aos dez “justos” e as sucessivas manifestações da vontade de Deus em suspender o castigo mostram que, n’Ele, a misericórdia é maior do que vontade de castigar, que a vontade de salvar é infinitamente maior do que a vontade de perder.
Definida a questão fundamental que o jahwista quer abordar, detenhamo-nos agora um pouco na forma como se desenrola a “conversa” entre Abraão e Deus. É um diálogo “face a face” no qual Abraão se apresenta com humildade, com respeito, pois sente-se “pó e cinza” diante da onipotência de Deus. No entanto, à medida que o diálogo avança e que Abraão se confronta com a benevolência de Deus, vai surgindo a confiança. Abraão chega a ser importuno na sua insistência e ousado no seu regateio. Recordando a Deus os seus compromissos, ele aparece como o “intercessor”, que consegue da misericórdia de Deus que um número insignificante de justos tenha mais peso do que um número muito elevado de culpados.
É possível dialogar com Deus desta forma familiar, confiante, insistente, ousada? Certamente, pois o Deus de Abraão é esse Deus que veio ao encontro do homem, que entrou na sua tenda, que Se sentou à sua mesa, que estabeleceu com ele comunhão, que realizou os sonhos desse homem que O acolheu, que aceitou partilhar com Ele os seus projetos. Um Deus que Se revela dessa forma é um Deus com quem o homem pode dialogar, com amor e sem temor.
ATUALIZAÇÃO
• O diálogo entre Abraão e Deus a propósito de Sodoma confirma esse Deus da comunhão, que vem ao encontro do homem, que entra na sua casa, que Se senta à mesa com ele, que escuta os seus anseios e que lhes dá resposta; e mostra, além disso, um Deus cheio de bondade e de misericórdia, cuja vontade de salvar é infinitamente maior do que a vontade de condenar. É esse Deus “próximo”, cheio de amor, que quer vir ao nosso encontro e partilhar a nossa vida que temos de encontrar: só será possível rezar, se antes tivermos descoberto este “rosto” de Deus.
• A “oração” de Abraão é paradigmática da “oração” do crente: é um diálogo com Deus – um diálogo humilde, reverente, respeitoso, mas também cheio de confiança, de ousadia e de esperança. Não é uma repetição de palavras ocas, gravadas e repetidas por um gravador ou um papagaio, mas um diálogo espontâneo e sincero, no qual o crente se expõe e coloca diante de Deus tudo aquilo que lhe enche o coração. A minha oração é este diálogo espontâneo, vivo, confiante com Deus, ou é uma repetição fastidiosa de fórmulas feitas, mastigadas à pressa e sem significado?
2º leitura – Cl. 2,12-14 – AMBIENTE
Pela terceira semana consecutiva, temos como segunda leitura um trecho dessa carta aos Colossenses em que Paulo defende a absoluta suficiência de Cristo para a salvação do homem.
O texto que hoje nos é proposto integra uma perícope em que Paulo polemiza contra os “falsos doutores” que confundiam os cristãos de Colossos com exigências acerca de anjos, de ritos e de práticas ascéticas (cf. Cl. 2,4-3,4). Depois de exortar os colossenses à firmeza na fé frente aos erros dos “falsos doutores” (cf. Cl. 2,4-8), Paulo afirma que Cristo basta, pois é n’Ele que reside a plenitude da divindade; Ele é a cabeça de todo o principado e potestade e foi Ele que nos redimiu com a sua morte (cf. Cl. 2,9-15).
MENSAGEM
A questão fundamental é, neste texto breve, a afirmação da supremacia de Cristo e da sua suficiência na salvação do crente. Pelo batismo, o crente aderiu a Cristo e identificou-se com Cristo; a vida de Cristo passou a circular nele: por isso, o crente – revivificado por Cristo – morreu para o pecado e nasceu para a vida nova do Homem Novo. Em Cristo encontramos, portanto, a vida em plenitude, sem que seja necessário recorrer a mais nada (poderes angélicos, ritos, práticas) para ter acesso à salvação.
Para representar, de forma mais explícita, o que significa este “morrer” e “ressuscitar”, Paulo refere-se a um “documento de dívida” que a morte de Cristo teria “anulado”. Este “documento” em que se reconhece a nossa dívida para com Deus pode designar aqui, quer a Lei de Moisés (com as suas leis, exigências, prescrições, impossíveis de cumprir na totalidade e constituindo, portanto, um documento de acusação contra as falhas dos homens), quer o “registro” onde, de acordo com as tradições judaicas da época, Deus inscreve as contas da humanidade (cf. Sl. 139,16). De uma forma ou de outra, não interessa acentuar demasiado esta imagem do “documento de dívida”: ela é, apenas, uma linguagem, utilizada para significar que Cristo anulou os nossos débitos (no sentido em que o nosso egoísmo e o nosso pecado morreram, no instante em que Ele nos libertou); e, através de Cristo, começou para nós uma vida nova, liberta de tudo o que nos oprime, nos escraviza, nos rouba a felicidade, nos impede o acesso à vida plena.
ATUALIZAÇÃO
• Mais uma vez, a Palavra de Deus afirma a absoluta centralidade de Cristo na nossa experiência cristã. É por Ele – e apenas por Ele – que o nosso pecado e o nosso egoísmo são saneados e que temos acesso à salvação – quer dizer, à vida nova do Homem Novo. É nisto que reside o fundamental da nossa fé e é à volta de Cristo (da sua vida feita doação, entrega, amor até à morte) que se deve centralizar a nossa existência de cristãos. Ao denunciar a atitude dos Colossenses (mais preocupados com os poderes dos anjos e com certas práticas e ritos do que com Cristo), Paulo adverte-nos para não nos deixarmos afastar do essencial por aspectos secundários. O critério fundamental, no que diz respeito à vivência da nossa fé, deve ser este: tudo o que contribui para nos levar até Cristo é bom; tudo o que nos distrai de Cristo é dispensável.
• É necessário ter consciência de que o batismo, identificando-nos com Jesus, constitui um ponto de partida para uma vida vivida ao jeito de Jesus, na doação, no serviço, na entrega da vida por amor. É este “caminho” que temos vindo a percorrer? A minha vida caminha, decisivamente, em direção ao Homem Novo, ou mantém-me fossilizado no homem velho do egoísmo, do orgulho e do pecado?
Evangelho – Lc. 11,1-13 – AMBIENTE
Continuamos, ainda, nesse “caminho de Jerusalém” – quer dizer, a percorrer esse caminho espiritual que prepara os discípulos para se assumirem, plenamente, como testemunhas do Reino. A catequese que, neste contexto, Jesus apresenta aos discípulos é, hoje, sobre a forma de dialogar com Deus.
Lucas é o evangelista da oração de Jesus. Ele refere a oração de Jesus no batismo (cf. Lc. 3,21), antes da eleição dos Doze (cf. Lc. 6,12), antes do primeiro anúncio da paixão (cf. Lc. 9,18), no contexto da transfiguração (cf. Lc. 9,28-29), após o regresso dos discípulos da missão (cf. Lc. 10,21), na última ceia (cf. Lc. 22,32), no Getsêmani (cf. Lc. 22,40-46), na cruz (cf. Lc. 23,34.46). Em geral, a oração é o espaço de encontro de Jesus com o Pai, o momento do discernimento do projeto do Pai.
O texto que hoje nos é proposto apresenta-nos Jesus a orar ao Pai e a ensinar aos discípulos como orar ao Pai. Não se trata tanto de ensinar uma fórmula fixa, que os discípulos devem repetir de memória, mas mais de propor um “modelo”. De resto, o “Pai nosso” conservado por Lucas é um tanto diferente do “Pai nosso” conservado por Mateus (cf. Mt. 6,9-13) – o que pode explicar-se por tradições litúrgicas distintas. A versão de Mateus condiz com um meio judeu-cristão, enquanto que a de Lucas – mais breve e com menos embelezamentos litúrgicos – está mais próxima (provavelmente) da oração original. Nenhuma destas versões pretende, na realidade, reproduzir literalmente as palavras de Jesus, mas mostrar às comunidades cristãs qual a atitude que se deve assumir no diálogo com Deus.
MENSAGEM
Como é que os discípulos devem, então, rezar? Lucas refere-se a dois aspectos que devem ser considerados no diálogo com Deus. O primeiro diz respeito à “forma”: deve ser um diálogo de um filho com o Pai; o segundo diz respeito ao “assunto”: o diálogo incidirá na realização do plano do Pai, no advento do mundo novo.
Tratar Deus como “Pai” não é novidade nenhuma. No Antigo Testamento, Deus é “como um pai” que manifesta amor e solicitude pelo seu Povo (cf. Os. 11,1-9). No entanto, na boca de Jesus, a palavra “Pai” referida a Deus não é usada em sentido simbólico, mas em sentido real: para Jesus, Deus não é “como um pai”, mas é “o Pai”.
A própria linguagem com que Jesus se dirige a Deus mostra isto: a expressão “Pai” usada por Jesus traduz o original aramaico “abba” (cf. Mc. 14,36), tomada da maneira comum e familiar como as crianças chamavam o seu “papá”. Ao referir-se a Deus desta forma, Jesus manifesta a intimidade, o amor, a comunhão de vida, que o ligam a Deus.
No entanto, o aspecto mais surpreendente reside no fato de Jesus ter aconselhado os seus discípulos a tratarem a Deus da mesma forma, admitindo-os à comunhão que existe entre Ele e Deus. Porque é que os discípulos podem chamar “Pai” a Deus? Porque, ao identificarem-se com Jesus e ao acolherem as propostas de Jesus, eles estabelecem uma relação íntima com Deus (a mesma relação de comunhão, de intimidade, de familiaridade que unem Jesus e o Pai). Tornam-se, portanto, “filhos de Deus”.
Sentir-se “filho” desse Deus que é “Pai” significa outra coisa: implica reconhecer a fraternidade que nos liga a uma imensa família de irmãos. Dizer a Deus “Pai” implica sair do individualismo que aliena, superar as divisões e destruir as barreiras que impedem de amar e de ser solidários com os irmãos, filhos do mesmo “Pai”.
Desta forma, Cristo convida os discípulos a assumirem, na sua relação e no seu diálogo com Deus, a mesma atitude de Jesus: a atitude de uma criança que, com simplicidade, se entrega confiadamente nas mãos do pai, acolhe naturalmente a sua ternura e o seu amor e aceita a proposta de intimidade e de comunhão que essa relação pai/filho implica; convida, também, os discípulos a assumirem-se como irmãos e a formarem uma verdadeira família, unida à volta do amor e do cuidado do “Pai”.
Definida a “atitude”, falta definir o “assunto” ou o “tema” da oração. Na perspectiva de Jesus, o diálogo do crente com Deus deve, sobretudo, abordar o tema do advento do Reino, do nascimento desse mundo novo que Deus nos quer oferecer. A referência à “santificação do nome” expressa o desejo de que Deus se manifeste como salvador aos olhos de todos os povos e o reconhecimento por parte dos homens, da justiça e da bondade do projeto de Deus para o mundo; a referência à “vinda do Reino” expressa o desejo de que esse mundo novo que Jesus veio propor se torne uma realidade definitivamente presente na vida dos homens; a referência ao “pão de cada dia” expressa o desejo de que Deus não cesse de nos alimentar com a sua vida (na forma do pão material e na forma do pão espiritual); a referência ao “perdão dos pecados” pede que a misericórdia de Deus não cesse de derramar-se sobre as nossas infidelidades e que, a partir de nós, ela atinja também os outros irmãos que falharam; a referência à “tentação” pede que Deus não nos deixe seduzir pelo apelo das felicidades ilusórias, mas que nos ajude a caminhar ao encontro da felicidade duradoura, da vida plena…
Duas parábolas finais completam o quadro. O acento da primeira (vs. 5-8) não deve ser posto tanto na insistência do “amigo importuno”, mas mais na ação do amigo que satisfaz o pedido; o que Jesus pretende dizer é: se os homens são capazes de escutar o apelo de um amigo importuno, ainda mais Deus atenderá gratuitamente aqueles que se Lhe dirigem. A segunda parábola (vs. 9-13) convida à confiança em Deus: Ele conhece-nos bem e sabe do que necessitamos; em todas as circunstâncias Ele derramará sobre nós o Espírito, que nos permitirá enfrentar todas as situações da vida com a força de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• O Evangelho de Lucas sublinha o espaço significativo que Jesus dava, na sua vida, ao diálogo com o Pai – nomeadamente, antes de certos momentos determinantes, nos quais se tornava particularmente importante o cumprimento do projeto do Pai. Na minha vida, encontro espaço para esse diálogo com o Pai? Na oração, procuro “sentir o pulso” de Deus a propósito dos acontecimentos com que me deparo, de forma a conhecer o seu projeto para mim, para a Igreja e para o mundo?
• A forma como Jesus Se dirige a Deus mostra a existência de uma relação de intimidade, de amor, de confiança, de comunhão entre Ele e o Pai (de tal forma que Jesus chama a Deus “papá”) e Ele convida os seus discípulos a assumirem uma atitude semelhante quando se dirigem a Deus… É essa a atitude que eu assumo na minha relação com Deus? Ele é o “papá” a quem amo, a quem confio, a quem recorro, com quem partilho a vida, ou é o Deus distante, inacessível, indiferente?
• A minha oração é uma oração egoísta, de “pedinchice” ou é, antes de mais, um encontro, um diálogo, no qual me esforço para escutar Deus, por estar em comunhão com Ele, por perceber os seus projetos e acolhê-los?
• A minha oração é uma “negociata” entre dois parceiros comerciais (“dou-te isto, se me deres aquilo”) ou é um encontro com um amigo de quem preciso, a quem amo e com quem partilho as preocupações, os sonhos e as esperanças?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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Pedi e recebereis.
Primeira Leitura
Este texto, continuação do que foi lido no domingo passado, nos mostra Abraão, pai da fé e antepassado de Israel, como grande intercessor ante os habitantes dessas cidades. Mostra uma atitude a imitar: abertura e ajuda aos demais. A negociação entre o intercessor e Deus, lembra o estilo oriental (e muito latino-americano também) de regatear. O que se busca é acentuar a insistência intercessora de Abraão e a magnitude do pecado de Sodoma e Gomorra.
O texto é o melhor exemplo de oração como diálogo audaz e comprometido com Deus, no qual vemos Abraão conversar com o Senhor e procurar convencê-lo a partir de sua bondade e justiça, porém, com aparente excesso de confiança. O estilo e modo de proceder é de uma mentalidade semítica: colocar em jogo a honra de Deus, sua reputação de justiça, porém que mostra a confiança em Deus e a proximidade dos homens a ele.
Por outra parte, esse texto pode ser modelo para o tema da hospitalidade: Ao narrar como estes “três seres” escutam a Abraão atentamente. Esta “atenção” lhe permite entrar no mistério. Uma pessoa se revela como o Senhor (18,10.13.20) e os outros como seus anjos (19,1). A narrativa que a princípio falava de três homens, adquire aqui um caráter teofânico e manifesta o sentido profundo da hospitalidade.  
Segunda Leitura
A partir desse texto, os cristãos consideravam a pia batismal como um sepulcro no qual somos sepultados com Cristo; por outra parte, é também como a mãe que engendra a vida; daí o expressivo ritual da imersão. Porém, o ritual que representa a more e a ressurreição, somente é eficaz se corresponde à fé em Deus que ressuscitou a Cristo de entre os mortos.
É a expressão do vínculo que existe entre o batismo e a fé. Pecado e morte, fé e batismo são correlativos. A inserção ao mistério de Cristo acontece no batismo, porém se fundamenta na fé. Ressuscitar significa viver em Cristo, como consequência de ter obtido o perdão dos pecados como resultado da morte do Senhor. Coerentemente, Paulo diz que o perdão do pecado é libertação da lei e de sua observância, porque existe uma correspondência entre Lei, morte e pecado (Cf. Rm. 7,7-9). A maior expressão paulina a respeito se encontra aqui como imagem. A Lei foi cravada na cruz. 
Evangelho
A oração faz parte da vida do povo judeu. Os piedosos voltavam seu pensamento a Deus varias vezes ao dia. Jesus aprende a orar a partir do povo e de sua tradição. Como bom judeu, aprendeu a rezar em família e na sinagoga. Em seu ministério, sua oração adquire uma particularidade: sua intimidade com Deus, “seu Abba”. Lucas o descreve em oração em várias ocasiões (3,21; 5,16; 6,12; 9,29). Mesmo sendo a mais breve, os exegetas reconhecem em Lucas a transmissão mais fiel da oração do Pai Nosso. Do aramaico passou ao grego e assim foi incluída por Lucas em sua narrativa.
A expressão Pai já foi explicada. Aqui vamos explicar o restante: Santificado seja o teu nome: ou seja, que Deus seja conhecido, dado a conhecer, louvado, amado, glorificado e agradecido por todas as pessoas do mundo. Que o nome do Senhor seja o mesmo Deus, receba estima, amor veneração e piedosa adoração por todos e cada vez mais. É preciso perceber a ordem no Pai Nosso: antes de tudo que Deus seja reverenciado e amado. 
Venha a nós o teu reino: é uma oração missionária. O objeto de busca dos missionários é fazer com que Deus reine nas pessoas das terras que estão missionando, a partir de suas culturas e idiossincrasias. É o que devemos desejar e pedir e buscar em todos os tempos: que Deus reine. Que venha seu Reino. Se primeiro buscamos o Reino de Deus, tudo o mais virá por acréscimo. É um desejo que Deus reine em nossa mente, em nosso coração, em nossa casa, na sociedade, na nação e no mundo inteiro e em quantas nações e pessoas ainda não reina. 
Dá-nos hoje o pão de cada dia. Pedimos para cada dia o pão, sem demasiada preocupação com o futuro, porque Deus estará também no futuro e o proverá. Como o Maná do deserto, o pão de cada dia é um dom maravilhoso da bondade do Senhor. Com este pedido do pão diário pedimos que nos liberte do desemprego ou da crise, das inundações e secas que acabam com as plantações, das guerrilhas que impedem os camponeses de recolher suas colheitas; dá-nos o pão do emprego para o esposo ou a esposa, que precisam manter uma família; ajuda econômica para a mãe abandonada; proteção para o idoso excluído da sociedade. Dá-nos o pão corporal e o espiritual, agora e todos os dias, pois precisamos dele todos os dias.
Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos os que nos ofenderam. O perdão é uma arte que se consegue com infindáveis exercícios. Santo Agostinho ensina que Deus não escuta a oração que algumas pessoas fazem porque não conseguiram perdoar as ofensas, ou não pediram perdão ao Senhor por seus pecados. Sem pedir perdão pelo mal feito, como queremos que nos conceda a graça que estamos suplicando? É uma lembrança muito oportuna para que não tenhamos a mentirosa ideia de acreditar que somos bons. Deus coloca uma condição para nos perdoar: não obtemos o perdão do céu se não perdoamos na terra. O dia do juízo não terá desculpas: serás julgado da mesma forma que julgaste. Serás condenado se não quiseste perdoar aos demais, e serás absolvido se soubeste perdoar sempre (São Cipriano): O Pai Celeste dará o Espírito Santo aos que o pedem. Ele lhes dará o Espírito Santo. O objetivo final e o conteúdo da oração cristã é chegar a receber o Espírito Santo que é capaz de renovar-nos e a face da terra. O Espírito Santo é a força que vem do alto com poder avassalador, afasta os vícios, traz pensamentos e desejos bons.
O Espírito Santo quer ser nosso hóspede e é enviado pelo Pai Celeste, se o pedimos com fé e perseverança. O Espírito Santo é o que faz compreender a Sagrada Escritura. A presença do Espírito Santo nos faz orar melhor, arrepender dos pecados e despertar em nós o desejo de nos dedicar e agradar a Deus.
As pessoas viam Jesus orar com tanta devoção e notava que o Pai-Deus o escutava de maneira tão admirável que sentiam o vivo desejo de aprender dele a forma de orar para ser melhor escutado pelo Altíssimo. E havia a tradição ou costume de que os mais afamados mestres espirituais ensinavam a seus discípulos métodos fáceis e práticos de orar, pois a oração, como toda boa arte, necessita de um mestre que guie o principiante. João Batista havia ensinado seus seguidores alguns métodos práticos de fazer oração, e agora a Jesus era solicitado também esse grande favor. É que uma arte não se aprende sem um bom mestre. E orar é uma arte.
Esta deveria ser uma de nossos mais frequentes e fervorosos pedidos a Jesus: Senhor, ensina-nos a orar! Se Jesus não nos ensina a arte de orar, estaremos perdidos nesse trabalho tão nobre e difícil. Devemos aprender a “orar”, isto é, a falar com Jesus e com seu Pai e nosso Pai e com o Espírito Santo, com o amor e a confiança de filhos muito amados. Aprender a orar de tal maneira que nossa oração sempre seja escutada. Que nosso orar não seja somente pedir, mas também adorar, agradecer e amar.
Digamos a Jesus: “Ensina-nos a orar”, não com nossos lábios, mas do fundo do nosso coração e com toda a atenção, para que seja, como dizia Santa Teresa, “um falar com Deus que sabemos que nos ama imensamente”. Senhor, ensina-nos a orar! São estas as quatro condições da oração:
Atenção: porque se não prestamos atenção ao que dizemos a Deus, como podemos pretender que ele preste atenção ao que lhe pedimos? 
Humildade: reconhecer que não temos nada que não tenha sido recebido e por isso pedimos para ser escutados.
Confiança: lembrando que o Senhor Deus nos ama muito mais que a melhor das mães ao mais amado dos filhos.
Insistência: Como Abraão, quando intercede por Sodoma: sem cansar-se de pedir.
A oração é uma página em branco. “Eu lhes darei tudo o que necessitem e me peçam com fé”. Abaixo está a assinatura: “Deus”. Que escrevemos em todo esse espaço em branco? Ou seremos tão loucos a ponto de não escrever nada?
Com a ajuda do Espírito Santo, o grande mestre e guia que nos faz compreender a Sagrada Escritura, meditemos sobre a mais bela oração do mundo, o Pai Nosso, a oração na qual empregamos as mesmas palavras de Jesus. O Pai Nosso se compõe de duas series de pedidos: a primeira se refere a Deus, a outra, mais numerosa, se refere a nós. Somente depois de ter pedido que Deus seja glorificado, devemos atrever-nos a pedir que nós sejamos socorridos. Tertuliano dizia que o Pai Nosso é o resumo de todo o evangelho. E Cipriano afirma que ao Pai Nosso não lhe falta nada para ser uma oração completa. No Diário Bíblico está a explicação da primeira palavra: Pai - palavra com a qual Jesus nos ensinou a chamar a Deus. Dizem certos autores que a noticia mais bela trazida por Cristo é que Deus é nosso Pai e que lhe agrada que o tratemos com um pai muito amado. São Paulo dirá: “Não recebemos um espírito de temor nem um espírito de filhos adotivos, mas um espírito de filhos que nos faz exclamar: Abba, Pai! (Rm 8,15). Não temos um Deus distante, mas um pai próximo. Ninguém de nós é um órfão. Ninguém de nós se sente desamparado; todos somos filhos do Pai mais amável que existe. E se temos um mesmo pai, somos todos filhos dele, portanto devemos reconhecer-nos e amar-nos como irmãos. Se o chamamos “Pai”, amemo-lo como um bom pai e não sejamos faltos de carinho para com ele (Orígenes). Deus, pois, é um pai que conhece muito bem as necessidades de seus filhos, alegra-se em ajudá-los e sente enorme satisfação cada vez que pode socorrê-los. E nos ajuda, não porque nós somos bons, mas porque ele é bom e generoso em seus sentimentos. Talvez não nos teríamos atrevido a chamar a Deus de nosso Pai, se Jesus não nos tivesse ensinado a chamá-lo assim. Não esqueçamos, a oração é o meio mais seguro para obter de Deus a graça que necessitamos para nossa salvação (Santo Afonso). 
Oração: Pai, que através de teu Filho nos ensinaste a pedir, buscar e clamar com insistência, escuta nossa oração e concede-nos a alegria de sentir que nos atendes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém!

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A oração de Jesus, por sua brevidade e conteúdo, não é uma estilizada forma ritual, mas uma maneira de iniciar a comunicação com Deus-Pai, partindo das coisas cotidianas. Nessa entram a preocupação pelo sustento e a confiança de que Deus o outorgará conforme nosso esforço. É uma oração que se pode fazer em qualquer momento e lugar; não é necessário ir à igreja nem esperar as grandes festividades. É dirigida a um pai misericordioso que nunca se esquece de seus filhos e os ama. Um pai atento a cada uma das pessoas e, por sua vez, pendente de toda a comunidade que o invoca. É uma oração que clama para que o reino de justiça e igualdade se torne efetivo aqui e agora.
Diante desse Pai não há já uma humanidade massiva, mas um povo composto de filhos, cada um com suas particularidades, com seus valores e seus tempos, pessoas débeis e confiantes, seres com sua própria identidade que buscam a Deus. A oração do Pai Nosso coloca Deus em primeiro lugar.
O Reino de Deus produz uma grande mudança, e esta tem sua garantia em Deus, que “se santifica” e mostra seu poder, que como “abbá”, Deus para nós. Nas aspirações da comunidade cristã são reconhecidas, por um lado, essa santidade inerente ao “santo nome de Deus” e, por outro, o modo concreto de sua ação na história humana.
É inconcebível que um pai não responda com coisas boas aos pedidos de seus filhos. Tanto mais ao se tratar das coisas de Deus. Os homens são maus; Deus é bom. Se um pai da terra é bom com seu filho que lhe pede, quanto mais o será Deus!
Finalmente, o pai não engana o filho necessitado, não se diverte às suas custas, não comete contra ele um gesto criminoso. Dar uma pedra em lugar de pão é querer enganar; dar uma serpente em lugar de um peixe é brincadeira de mau gosto; dar um escorpião em lugar de um ovo é um crime.
Um pai não abusa da fraqueza de seu filho pequeno, que não sabe distinguir ainda entre uma pedra e um pão, entre um peixe parecido com uma cobra – por exemplo, uma enguia – e uma serpente; entre um escorpião todo enrolado e um ovo. Precisamente porque a criança é pequena e indefesa, o pai lhe prodigaliza todo o cuidado e carinho.
O dom doado pelo Pai a quem lhe pede, é o Espírito Santo. Esse dom, enviado pelo Pai, vem do céu. O Espírito Santo é o presente celestial. Por meio dele, Jesus age.
Converte os discípulos no que devem ser. Cuida de seus pensamentos e ações sob sua própria direção. Por meio dele cumprem eles a vontade de Deus.
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O MESTRE ENSINA A REZAR
João Batista ensinou seus discípulos a rezar. Os apóstolos pediram também a Jesus que fizesse o mesmo com eles. E Jesus ensinou o "Pai nosso". É a mais bela de todas as orações, e é rezada milhões de vezes por dia pelos cristãos, em toda a face da terra, às vezes até de maneira muito espontânea, em certos momentos de dor ou de alegria coletiva. A redação do Pai-nosso em são Mateus é mais longa e mais completa. Em são Lucas, mais abreviada. Jesus a terá ensinado mais uma vez, e as redações diferentes se devem, sem dúvida, ao uso de catequese. Mas o pensamento substancial é o mesmo.
A oração se abre com um louvor a Deus. É aquilo que na arte da oratória se chama "captatio benevolentiae" a conquista da benevolência. Queremos atrair para nós a boa vontade de Deus. Mas essa "captatio benevolentiae" no Pai-nosso não se estende em muitos louvores, como acontece em certas orações muçulmanas. É muito concisa. Mas também muito expressiva: "Pai nosso, que estais no céus". E tem o dom de elevar nosso pensamento para o alto, e de desprender-nos da materialidade das coisas do tempo, que muitas vezes podem impedir-nos de rezar bem. Seguem-se, então, os pedidos. Primeiro para a glória de Deus: que seu nome seja santificado (o nome de Deus significa o próprio Deus), que venha o seu reino; que se faça a sua vontade "assim na terra como no céu". Depois os pedidos em nosso benefício: o pão de cada dia, o perdão dos pecados, a libertação das tentações e de todo o mal. Quando pedimos o perdão dos pecados, comprometemo-nos a perdoar também a quem nos ofendeu. Essa atitude é tão essencial no Evangelho, que são Marcos a menciona, mesmo sem trazer a inteira oração do Pai-nosso (cf. Mc. 11,25-26). E fácil observar que o Pai-nosso, eminentemente evangélico e cristão, pode ser rezado por qualquer pessoa que tenha fé em Deus. E uma oração universal.
E importante rezar. E rezar com freqüência. E insistir na oração, quando queremos obter de Deus algum favor. Não porque Deus precise de ouvir muitas vezes nosso pedido, mas para que nós demonstremos nosso interesse e nossa confiança. "Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e se vos abrirá. Pois todo aquele que pede, recebe; o que busca, acha; e ao que bate, se abrirá (Lc. 11,9-10). E Jesus o confirma com uma comparação oriental muito viva. Lembra que, se alguém vai bater à porta de um amigo, alta noite, porque lhe chegou um hóspede inesperado, e precisa de três pães para lhe oferecer, a princípio o amigo reclamará, porque já está deitado e não são horas de ser incomodado. Mas, se continuar a bater e a chamar, o amigo acaba atendendo (cf. vs. 5 a 8). E nessa mesma linha de atendimento à oração, faz ainda três bonitas comparações. Se um filho pede ao pai um pão, o pai não lhe dará uma pedra (ver Mt. 7,9); se pede um peixe, não lhe dará uma serpente; se pede um ovo, não lhe dará um escorpião. "Pois, se vós que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lho pedirem?" (Lc. 11,11-13). É claro que o Espírito Santo é o maior dom que se possa pedir a Deus.
Talvez se pudesse comentar que um pai aqui na terra nunca daria uma pedra a um filho que lhe pedisse um pão. Mas o Pai do céu vai mais longe ainda: daria um pão, mesmo que o filho desencaminhado pedisse uma pedra. Ele corrige nossos estouvamentos. Para usarmos uma comparação muito singela, se alguém pedisse a Deus a "graça" de tirar a sorte grande na loteria, Deus poderia dar-Ihe em vez disso a graça - essa sim verdadeira graça - do amor ao trabalho e do bom êxito nesse trabalho. Ele pediria uma "serpente", e Deus lhe daria um peixe, para nos valermos da palavra do divino Mestre.
O Evangelho está cheio de lições muito valiosas sobre a oração. Sobre tudo no sermão da montanha. Não há religião sem oração. E o progresso espiritual de alguém se mede pela qualidade da sua oração. De acordo, aliás, com uma sapientíssima palavra de santo Agostinho: "Recte novit vivere, qui recte novit orare", isto é, aquele que rezar bem, sabe viver dignamente.
padre Lucas de Paula Almeida, CM
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Um comentário:

  1. Olá,

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    Atenciosamente

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