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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

Solenidade.


18 de Agosto

Evangelho - Lc 1,39-56

 

ASSUNÇÃO DE MARIA-José Salviano



            Hoje celebramos a solenidade da Assunção de Maria em corpo e alma aos Céus.

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“BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES E BENDITO É O FRUTO DO TEU VENTRE! - Olívia Coutinho

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA.

18 de Agosto de 2013

Evangelho Lc 1, 39-56

Com muita alegria, celebramos hoje, a solenidade da Assunção de Nossa Senhora!
É importante não confundirmos assunção com ascensão. A assunção, é  de Nossa Senhora, vem nos falar, que ela foi levada ao céu, não subiu por si mesma e sim, pelo poder de  Deus!  Enquanto que a ascensão, é de Nosso Senhor, vem nos falar da sua  subida ao céu, Ele sim, sendo o próprio Deus, subiu ao céu  pelo seu próprio poder!
 A festa de hoje, nos convida a refletir, sobre o sentido da  nossa vida, o para “quê” viemos ao mundo e como devemos conduzir a nossa vida. Maria, com o seu testemunho, nos ensina, que só alcançaremos a nossa realização plena, se nos deixarmos conduzir,  pela  vontade de Deus!  
Maria foi puro amor e doação, ela se entregou por inteira à serviço do Reino de  Deus,  abrindo mão de todos os  seus projetos pessoais, para viver  o projeto de Deus, que tem como fundamento o amor!
 A solenidade deste domingo, nos apresenta  Maria como  modelo de vida cristã, um modelo a ser seguido por todos nós! Nossa vida, se pautada no  exemplo desta grande mulher, com certeza, será uma vida fecunda!
  Deus cativou Maria e ela se deixou cativar por Ele, se entregando por  inteira à seu serviço!
Assim que recebeu do Anjo, o anuncio de que ela seria  a mãe de Jesus, Maria ficou sabendo  também da gravidez de sua prima Isabel. Movida pelo o amor ao próximo, ela não hesitou, se pôs à caminho, indo ao auxílio de Isabel, que certamente necessitaria de maiores cuidados devido a sua idade avançada. Com este gesto abnegado de amor e entrega, Maria  nos dá um grande exemplo de solidariedade, nos ensinando que o amor é mais do que sentimento, mais do que palavras: o amor é gesto concreto, é decisão de ir ao encontro do outro, de inteirar-se de suas necessidades.
 Subindo  montanhas, levando Jesus no seu ventre, Maria tornou-se a primeira pessoa a  levar Jesus ao outro, ou seja, a primeira discípula de Jesus!
 O evangelho de hoje, narra  dois encontros marcantes, o encontro de duas mães: Maria e Isabel,  uma se alegrando  com a alegria da outra, e juntas agradecendo  a Deus pelo dom da fecundidade, mostrando-nos  que o poder de Deus é infinito! Neste encontro de mães, acontece também o encontro de duas crianças, que estavam sendo gestadas no ventre destas duas  mulheres distintas, um encontro invisível, porém sentido!  No ventre da jovenzinha de Nazaré, crescia Jesus, àquele que seria O Salvador do mundo. E no ventre, antes estéril de Isabel, crescia João Batista, àquele que  seria  o grande profeta, o precursor que iria preparar o caminho para a entrada de Jesus na historia da salvação.
Ao se entregar totalmente à serviço de Deus, Maria participou da historia da libertação da humanidade, enfrentando todos os desafios, desde a concepção de Jesus, até a sua morte de cruz! E mesmo com o coração transpassado de dor, Maria  manteve-se de pé, aos pés da cruz.
Maria é a voz que grita na defesa dos pobres, de todos aqueles que buscam nela, força e coragem  para lutar e vencer os “poderosos!”
No canto do magnificat, o coração de Maria manifesta de modo transbordante a sua gratidão  pela  imensidão de maravilhas que Deus  realizou em sua vida!  Realizações, que Ela reconhecia não serem  somente em seu  favor, mas em favor de toda humanidade, uma vez que, pelo seu Filho Jesus, a salvação entrou na humanidade! 
Maria nos ensina que as maravilhas que Deus realiza em nós, é em favor  de todos! 
O MAGNIFICAT é um canto de amor e de humildade, em que Maria reconhece o poder, a majestade do Senhor e se submete humildemente à sua vontade, proclamando-se bem aventurada.
Com Maria aprendemos que a humildade nos aproxima da perfeição e que ao dizermos "sim" a Deus, Ele nos  transforma em “grandes”  mesmo na nossa pequinês!
 Podemos também, assim como Maria, louvar a Deus, dizendo: A minha alma engrandece o Senhor, porque olhou para a humildade de seu servo ( a)  “ O Todo Poderoso fez grandes coisas em meu favor...”
O canto  de Maria, diante do Seu Senhor, ecoa no coração de cada um de nós, nele está expresso  a confiança total no Deus misericordioso!
Que nossos corações estejam sempre iluminados com a luz da bondade que iluminou o coração de Maria, a grande defensora dos pobres e sofredores.

Estimado Leitor (a): Agradeço do fundo do meu coração, a todos vocês, que dispõe do seu precioso tempo na leitura destas minhas reflexões, em especial, aos que deixam seus comentários, os quais  me incentivam a continuar nesta caminhada missionária.

QUE DEUS CONTINUE ABENÇOANDO A TODOS: Olívia Coutinho 

FIQUE NA PAZ DE JESUS! 


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Postado por JOSÉ MARIA MELO

18 de Agosto de 2013– Domingo - ano C

– Festa de Nossa Senhora da Assunção

“A Assunção de Nossa Senhora é uma verdade, que foi acreditada desde os primeiros anos do cristianismo, e declarada Dogma em 1950 pelo Papa Pio XII. Eis um trecho de um sermão de São João Damasceno, sobre o mistério da ressurreição e Assunção de Nossa Senhora: “Quando a alma da Santíssima Virgem se lhe separou do puríssimo corpo, os Apóstolos presentes em Jerusalém, deram-lhe sepultura em uma gruta do Getsêmani. Tradição antiquíssima conta que, durante três dias, se ouviu doce cantar dos Anjos. Passados três dias não mais se ouviu o canto. Tendo, entretanto, chegado também Tomé e desejando ver e venerar o corpo, que tinha concebido o Filho de Deus, os Apóstolos abriram o túmulo mas não acharam mais vestígio do corpo imaculado de Maria, Nossa Senhora. Encontraram apenas as mortalhas, que tinham envolvido o santo corpo, e perfumes deliciosos enchiam o ambiente. Admirados de tão grande milagre, tornaram a fechar o sepulcro, convencidos de que Aquele que quisera encarnar-se no seio puríssimo da Santíssima Virgem, preservara também da corrupção este corpo virginal e o honrara pela gloriosa assunção ao céu, antes da ressurreição geral” Retirado do site
http://www.paginaoriente.com/titulos/nsassun1508.htm

1ª. Leitura – Apocalipse 11,19;12,1.3-6.10 – “O sinal no céu”

No Livro das Revelações São João descreve a visão que teve de um grande sinal no céu: a figura de uma mulher vestida de sol, com uma coroa de doze estrelas sendo perseguida por um dragão. Esta figura representa para nós Maria a Mãe de Jesus que é também a Mãe da Igreja e o dragão, o inimigo de Deus que persegue a Igreja de Jesus Cristo. Maria é a Arca que leva Jesus em si para entregá-Lo à humanidade. A Igreja é a Arca que apresenta Jesus aos homens. Esta revelação nos mostra também como Maria foi preservada por Deus que lhe preparou um lugar na Sua glória, como afirma a Tradição da Igreja, sendo ela assunta ao céu pelos merecimentos do Seu Filho Jesus Cristo. – Se você quiser saber mais sobre a Assunção de N. Senhora acesse o site 
www.lepanto.com.br.

Salmo 44 – “À vossa direita se encontra a rainha com veste esplendente de ouro de Ofir”.

O salmo canta a figura da rainha que se encontra à direita do rei, “tal se nos mostra Maria na glória celestial É a mesma glória que envolve o Filho e a Mãe! Ele nos aparece tão belo! E ela como se nos apresenta suave e terna em seu sorriso de Mãe, estendendo-nos os braços, num convite amoroso, para que vamos a Ela e possamos um dia partilhar de sua bem-aventurança!” (trecho retiro do site). – Qual a imagem que você tem de Maria?

2ª. leitura – ! Coríntios – 15, 20-27 – “Os que pertencem a Cristo ressuscitarão”

A morte já veio por intermédio de Adão que pecou. A ressurreição vem para nós por intermédio de Cristo que nos deu a salvação. A morte é o pecado, afastamento de Deus, a ressurreição é vida nova, em Cristo. Em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão! Esta é uma verdade que nos garante a Ressurreição daqueles que acreditam em Jesus Cristo o primeiro a ressuscitar dos mortos. Deus já concedeu a vitória ao Seu Filho e com Ele nós também somos vitoriosos. Por isso, também acreditamos no privilégio de que Maria não passou pela morte, ela apenas adormeceu e foi assunta ao céu pelo poder de Deus. “Os Apóstolos, ao abrirem o túmulo da Mãe de Deus para satisfazer a piedade de São Tomé e ao desejo deles todos, não encontrando mais ali o corpo de Nossa Senhora, deduziram e perceberam que Ela havia ressuscitado. Não era preciso ver à ressurreição para crer no fato, era uma dedução lógica decorrente das circunstâncias celestiais de sua morte, de sua santidade, da dignidade de Mãe de Deus, da sua Imaculada Conceição, da sua união com o Redentor, tudo isso constituía uma prova irrefutável da Assunção de Nossa Senhora”. ( retirado do site ) – 
www.lepanto.com.br.

Evangelho – Lucas 1, 39-56 – “Bem aventurada aquela que acreditou”

A visita de Maria a sua prima Isabel e o canto do Magnificat retratam para nós a sua humildade e submissão à vontade do Pai. Mesmo reconhecendo a sua pequenez, ela assumiu a missão de Mãe do Salvador, e não ficou nos lauréis que o título lhe conferia. Por isso, não reteve nada para si! Entregue ao Espírito Santo ela se determinou a servir a Deus. Não perdeu tempo e, se oferecendo para ser serva do Senhor, correu para ajudar Isabel, sua prima, que precisava da sua ajuda. O Espírito Santo confirmou-a como mãe do Senhor quando João Batista pulou no ventre de Isabel e esta exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” E completou, dizendo: “Bem aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Como para confirmar toda a graça que recebeu de Deus Pai e inspirada nos livros do Antigo Testamento Maria cantou o Magnificat assumindo ser bem aventurada pelos prodígios que nela aconteciam. Por isso, afirmou: “doravante todas as gerações me chamarão bem aventuradas, porque o Todo poderoso fez grandes coisas em meu favor” . Com Maria, somos também bem aventurados, porque acreditamos nas promessas do Senhor e cheios (as) do Espírito Santo sentimos a presença de Jesus que nos motiva a ir ao encontro das Isabel que hoje estão à nossa espera. Nossa Senhora é nosso modelo, por isso, agradecidos, nós também dizemos quando rezamos o rosário: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” – Você acredita que Nossa Senhora está no céu ao lado de Jesus e que intercede por nós? – Você tem Nossa Senhora também como sua mãe? – Como é a sua devoção para com Maria? – Você costuma rezar o terço e pedir a sua benção? – Ore hoje com Maria e sinta o carinho e a ternura dela, como sua mãe,

Helena Serpa,
Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho

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Evangelhos Dominicais Comentados

18/agosto/2013 – Assunção de Nossa Senhora

Evangelho: (Lc 1, 39-56)

Naqueles dias, Maria se pôs a caminho e foi apressadamente às montanhas para uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Aconteceu que, mal Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança saltou em seu ventre; e Isabel, cheia do Espírito Santo, exclamou em voz alta: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Donde me vem a honra que a mãe do meu Senhor venha a mim? Pois quando soou em meus ouvidos a voz de tua saudação, a criança saltou de alegria em meu ventre. Feliz é aquela que teve fé no cumprimento do que lhe foi dito da parte do Senhor”. Então Maria disse: “Minha alma engrandece o Senhor e rejubila meu espírito em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Eis que de agora em diante me chamarão feliz todas as gerações, porque o Poderoso fez por mim grandes coisas: O seu nome é santo. Sua misericórdia passa de geração em geração para os que o temem. Mostrou o poder de seu braço e dispersou os que se orgulham de seus planos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e os ricos despediu de mãos vazias. Acolheu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme o que prometera a nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. Maria ficou com Isabel uns três meses e voltou para casa.
COMENTÁRIO
Mais uma vez estamos juntos neste domingo festivo. O nosso coração está alegre porque hoje é a festa da Glória. Festejamos a Assunção de Maria, um dogma de fé que foi instituído pelo Papa Pio 12, no ano de 1950.

Gloriosamente, Maria é elevada ao céu em corpo e alma! A justiça de Deus é inquestionável. Uma das coisas mais justas que Deus fez, foi levar Maria para perto de si, em corpo e alma.

Não podia ser corrompido pelos vermes aquele corpo que gerou o Filho de Deus. Tinha que ser preservado o Santuário do Espírito Santo. Maria, uma pessoa especial, merecia também receber um tratamento especial.

“Minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”. Foi assim que Maria iniciou a sua oração em ação de graças ao Pai que Ela tanto amou e para quem nada negou. Toda sua vida foi marcada pela palavra sim.


Dois momentos muito importantes devem ser ressaltados no evangelho de hoje: O primeiro nos mostra Maria dirigindo-se, apressadamente para socorrer Isabel. Encontrou caminhos difíceis na região montanhosa. Entretanto, deixou a caridade falar mais alto, nenhum obstáculo serviu de pretexto para ela desistir. Corajosamente venceu todas as barreiras.

Vamos também gravar em nossos corações este outro momento, quando Maria disse: "Ele olhou para a humildade de sua serva". Estas palavras de Maria nos mostram exatamente o seu caráter, são como um “Raio-X” de seu coração. Maria, obediente e desapegada dos bens materiais, é o Modelo de Humildade. 

A humildade da Santíssima Virgem é a causa da sua grandeza! Humilhou-se a ponto de reconhecer sua insignificância e o seu nada, como Ela mesma dizia. Por tudo isso, o Senhor a exaltou à mais alta dignidade, pela qual será bendita por todas as gerações.

Maria soube enxergar a bondade de Deus e seu imenso amor ao escolhê-la para Mãe do seu próprio Filho. Ela, uma jovem pobre, desconhecida naquela sociedade e residente na periferia de um lugarejo também desconhecido. Por que Deus não escolheu uma rainha para ser a mãe de Seu Filho?

Claro que escolheu! Como se diz popularmente, Maria foi escolhida a "dedo". Deus Pai deu à Maria uma realeza jamais encontrada em nenhuma rainha. O Salvador do mundo, o seu Filho, tinha que ter uma Mãe pura e majestosa. Por isso, Maria é a mais bela e perfeita criatura, preservada até mesmo do pecado original.

Maria, glorificada na Assunção, é a imagem e o modelo da criatura plenamente salva, liberta e realizada. A Assunção de Maria é a grande prova da misericórdia divina, é a união entre o céu e a terra.

A Assunção é um exemplo das maravilhas que Deus preparou para os seus filhos, é uma pequena amostra do que está reservado para os servos que souberem viver a humildade e a caridade.
(2173)


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Esta é a maior das festas da Santíssima Virgem Maria; é a sua Assunção; a festa da sua entrada na glória, da sua plenitude como criatura, como mulher, como mãe, como discípula de Cristo Jesus. Como um rio, que após longa corrida deságua no mar, hoje, a Virgem Toda Santa deságua na glória de Deus: transfigurada no Espírito Santo, derramado pelo Cristo, ela está na glória do Pai!
Para compreendermos o profundo sentido do que celebramos, tomemos as palavras de são Paulo: “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada”. – Eis a nossa fé, o centro da nossa esperança: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que adormeceram. Ele é o primeiro a ressuscitar, ele é a causa e o modelo da nossa ressurreição. Os que nele nascem pelo batismo, os que nele crêem e nele vivem, ressuscitarão com ele e como ele: logo após a morte ressuscitarão naquela dimensão imaterial que temos, núcleo da nossa personalidade, a que chamamos “alma”; e, no final dos tempos, quando todo o universo for glorificado, ressuscitaremos também no nosso corpo. Assim, em todo o nosso ser, corpo e alma, estaremos, um dia, revestidos da glória de Cristo, nosso Salvador, estaremos plenamente conformados a ele!
Ora, a Igreja crê, desde os tempos antigos, que a Virgem Maria já entrou plenamente nessa glória. Aquilo que todos nós só teremos em plenitude no final dos tempos, a Santíssima Mãe de Deus, já recebeu logo após a sua morte. Ela é a “Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Ela já está totalmente revestida da glória do Cristo, Sol de justiça – e esta glória é o próprio Espírito Santo que o Cristo Senhor nos dá. Ela já pisa a lua, símbolo das mudanças e inconstâncias deste mundo que passa. Ela já está coroada com doze estrelas, porque é a Filha de Sião, filha perfeita do antigo Israel e Mãe do novo Israel, que é a Igreja. Assim, a Virgem, logo após a sua morte – doce como uma dormição -, foi elevado ao céu, à glória do seu Filho em todo o seu ser, corpo e alma. Aquela que esteve perfeitamente unida ao Filho na cruz (cf. Lc. 2,34s; Jo 19,25ss.), agora está perfeitamente unida a ele na glória. São Paulo não dissera, falando do Cristo morto e ressuscitado? “Fiel é esta palavra: Se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele sofremos, com ele reinaremos” (2Tm. 2,12). Eis! A Virgem que perfeitamente esteve unida ao seu Filho no caminho da cruz, perfeitamente foi unida a ele na glória da ressurreição. Aquela que sempre foi “plenamente agraciada” (Lc. 1,28), de modo a não ter a mancha do pecado, não permaneceu na morte, salário do pecado. Assim, o que nós esperamos em plenitude para o fim dos tempos, a Virgem já experimenta agora e plenitude. Como é grande a salvação que o Cristo nos obteve! Como é grande a sua força salvífica ao realizar coisas tão grandes na sua Mãe!
Mas, a Festa de hoje não é somente da Virgem Maria. Primeiramente, ela glorifica o Cristo, Autor da nossa salvação, pois em Maria aparece a vitória sobre a morte, que Jesus nos conquistou. A liturgia hoje exclama:“Preservastes, ó Deus, da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável vosso próprio Filho feito homem, Autor de toda a vida”. Este senhorio de Cristo aparece hoje radiante na sua Mãe toda santa: em Maria, Cristo venceu a morte de Maria! Em segundo lugar, a festa de hoje é também festa da Igreja, de quem Maria é Mãe e figura. A liturgia canta: “Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho”. Sim! A Mãe Igreja contempla a Mãe Maria e fica cheia de esperança, pois um dia, estará totalmente glorificada como ela, a Mãe de Jesus, já se encontra agora. Finalmente, a festa é de cada um de nós, pois já vemos em Nossa Senhora aquilo que, pela graça de Cristo, o Pai preparou para todos nós: que sejamos totalmente glorificados na glória luminosa do Espírito do Filho morto e ressuscitado. Aquilo que a Virgem já possui plenamente, nós possuiremos também: logo após a morte, na nossa alma; no fim dos tempos, também no nosso corpo!
Estejamos atentos! A festa hodierna recorda o nosso destino, a nossa dignidade e a dignidade do nosso corpo. O mundo atual, por um lado exalta o corpo nas academias, no culto da forma física, da moda e da beleza exterior; por outro lado, entrega o corpo à sensualidade, à imoralidade, à droga, ao álcool... É comum escutarmos que o que importa é o “espírito”, que a matéria, o corpo passa... Os cristãos não aceitam isso! Nosso corpo é templo do Espírito Santo, nosso corpo ressuscitará, nosso corpo é dimensão indispensável do nosso eu. Um documento recente da Igreja sobre a relação homem-mulher, chamava-se atenção exatamente para essa questão: o corpo em si, para o mundo, parece que não significa muita coisa, que não tem uma linguagem própria, que não diz algo do que eu sou, da minha identidade – inclusive sexual. Para nós, cristãos, o corpo integra profundamente a personalidade de cada um: meu corpo será meu por toda eternidade; meu corpo é parte de minha identidade por todo o sempre! Honremos, então nosso corpo: “O corpo não é para a fornicação e, sim, para o Senhor e o Senhor é para o corpo. Ora, Deus, que ressuscitou o Senhor, ressuscitará também a nós – em nosso corpo- pelo seu poder. Glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo” (1Cor. 6,14.20).
Então, caríssimos, olhemos para o céu, voltemos para lá o nosso coração! Celebremos! Com a Virgem Maria, hoje vencedora da morte, com a Igreja, que espera, um dia, triunfar totalmente como Maria Virgem, cantemos as palavras da Filha de Sião, da Mãe da Igreja, pensando na nossa vitória: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. O Todo poderoso fez grandes coisas em meu favor!" A ele a glória pelos séculos dos séculos.

SEGUNDA HOMILIA

Hoje celebramos a maior de todas as solenidades da Mãe de Deus: a sua Assunção gloriosa ao céu.
A oração inicial da missa hodierna pediu: “Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”. A liturgia da Igreja, sempre tão sábia e tão sóbria, resumiu aqui o essencial desta solenidade santíssima. Com efeito, Deus elevou à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria! Ela, uma simples criatura, ela, tão pequena, tão humilde, foi eleva a Deus, ao céu, à plenitude em todo o seu ser, corpo e alma! Como isso é possível? Não é a morte o destino comum e final de tudo quanto vive? Isso dizem os pagãos, isso dizem os descrentes, os sábios segundo o mundo, que se conformam com a morte... Mas, nós, nós sabemos que não é assim! Nosso destino é a vida, nosso ponto final é a glória no coração de Deus: glória no corpo, glória na alma, glória em tudo que somos! Foi isso que Deus nos preparou – bendito seja ele para sempre!
Mas, como isso é possível? A Palavra de Deus deste hoje no-lo afirma, de modo admirável. Escutai, irmãos, escutai, irmãs, consolai-vos todos vós: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícia dos que morreram. Em Cristo todos reviverão, cada qual segundo uma ordem determinada; em primeiro lugar Cristo, como primícia!” Eis por que, eis como ressuscitaremos: Cristo ressuscitou! Jesus de Nazaré, caríssimos, é o Senhor! O nosso Jesus é Deus bendito e foi ressuscitado pela glória do Pai! O nosso Senhor Jesus venceu e no faz participantes da sua vitória, dando-nos o seu Espírito Santo! Credes nisso, meus caros? Neste mundo que só crê no que vê, que só leva a sério o que toca, que só dá valor ao que cai no âmbito dos sentidos, credes que Cristo está vivo e é Senhor, primícia, princípio de todos os que morrem unidos a ele? Pois bem, escutai: o Cristo que ressuscitou, que venceu, concedeu plenamente a sua vitória à sua Mãe, à Santíssima Virgem Maria, que esteve sempre unida a ele. Ela, totalmente imaculada, nunca afastou-se do filho: nem na longa espera do parto, nem na pobreza de Belém, nem na fuga para o Egito, nem no período de exílio, nem na angústia de procura-lo no Templo, nem nos anos obscuros de Nazaré, nem nos tempos dolorosos da pregação do Reino, nem no desastre da cruz, nem na solidão do sepulcro no Sábado Santo... nem mesmo após, nos dias da Igreja, quando discretamente, ela permanecia em oração com os irmãos do Senhor... Sempre imaculada, sempre perfeitamente unida ao Senhor. Assim, após a sua preciosa morte, ela foi elevada à glória do céu, isto é, à glória de Cristo que ressuscitou e é primícia da nossa ressurreição!
A presente solenidade é, então, primeiramente, exaltação da glória do Cristo: nele está a vida e a ressurreição; nele, a esperança de libertação definitiva! Por isso, todo aquele que crê em Jesus e é batizado no seu Espírito Santo no sacramento do batismo, morrerá com Cristo e com Cristo ressuscitará. Imediatamente após a morte, nossa alma será glorificada e estaremos para sempre com o Senhor. Quanto ao nosso corpo, será destruído e, no final dos tempos, quando Cristo nossa vida aparecer, será também ressuscitado em glória e unido à nossa alma. Será assim com todos nós. Mas, não foi assim com a Virgem Maria! Aquela que não teve pecado também não foi tocada pela corrupção da morte! Imediatamente após a sua passagem para Deus, ela foi ressuscitada, glorificada em corpo e alma, foi elevada ao céu! Podemos, portanto, exclamar como Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre! Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu!”
Esta é, portanto, a festa de plenitude de Nossa Senhora, a sua chegada a glória, no seu destino pleno de criatura. Nela aparece claro a obra da salvação que Cristo realizou! Ela é aquela Mulher vestida do sol, que é Cristo, pisando a instabilidade deste mundo, representada pela lua inconstante, toda coroada de doze estrelas, número da Israel e da Igreja! A leitura do Apocalipse mostra-nos tudo isso; mas, termina afirmando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus e o poder do seu Cristo!” Eis: a plenitude da Virgem é realização da obra de Cristo, da vitória de Cristo nela!
Quanto nos diz esta solenidade! A oração inicial, citada no início desta homilia, pedia a Deus: “Dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”. Eis aqui qual deve ser o nosso modo de viver: atentos às coisas do alto, onde está Cristo, onde contemplamos a Virgem totalmente glorificada em Cristo. Caminhar neste mundo sem no prendermos a ele. Aqui somos estrangeiros, aqui estamos de passagem, aqui somos peregrinos; lá é que permaneceremos para sempre: nossa pátria é o céu, onde está Cristo, nossa vida! O grande mal do mundo atual é entreter-se com seu consumismo, com sua tecnologia, com seu bem-estar, com seu divertimento excessivo e esquecer de viver atento às coisas do alto. Mas, pior ainda, os cristãos também muitas vezes são infectados por essa doença! Nós, que deveríamos ser as testemunhas do mundo que há de vir, quantas vezes vivemos imersos, metidos somente nas ocupações deste mundo – muitos até com o pretexto de que estão trabalhando pelos irmãos e por uma sociedade melhor. Nada disso! Os pés devem estar na terra, mas o coração deve estar sempre voltado para o alto! Não esqueçamos: nosso destino é o céu, participando da glória de Cristo, da qual a Virgem Maria já participa plenamente! Aí, sim, poderemos cantar com ela e como ela: “A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador: o poderoso fez em mim maravilhas!” Seja ele bendito agora e para sempre.
dom Henrique Soares da Costa

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Um grande sinal para a igreja e para a humanidade
A festa da Assunção de Maria é a festa da assunção da Igreja. Maria colabora no mistério da redenção, associando-se a seu Filho (LG 56). Sua assunção é figura do que acontecerá com todos os seguidores de Jesus no fim dos tempos. Porque Maria não é apenas a imagem (o reflexo), mas também a imagem típica (o protótipo) da Igreja. A Igreja deve ser aquilo que Maria é. E, enquanto peregrina neste mundo, a Igreja tem Maria como um sinal “até que chegue o Dia do Senhor” (LG 68).
O que celebramos na festa de hoje é a vitória de Cristo sobre todos os poderes que tentam impedir o reino de Deus. Celebramos, tendo Maria como sinal, a vitória da Igreja inteira sobre a morte e o pecado.
Evangelho: Lc. 1,39-56
Feliz aquela que acreditou, pois a palavra do Senhor se cumprirá
Esse trecho do evangelho está vinculado ao texto da anunciação, como seu desenvolvimento.
Ao ouvir a mensagem do anjo Gabriel em relação à encarnação do Filho de Deus, tendo como sinal a gravidez de Isabel, Maria se dirige prontamente para a região montanhosa.
A conexão entre esses trechos nos aponta duas verdades sobre Maria: sua fé e seu compromisso com o reino. Com a fé que ela demonstra na palavra de Deus, temos em Maria a verdadeira discípula, que ouve a Palavra e a põe em prática. A fé na palavra de Deus gera compromisso, que leva o discípulo a realizar na vida o que ouviu. É o que Maria nos mostra com seu exemplo.
Maria é exemplo de discípula para quem acredita no cumprimento das promessas divinas, porque ela mesma está à disposição de Deus para servi-lo como instrumento dócil.
Foi isso o que aconteceu quando disse: “Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (1,38). E, imediatamente, saiu para visitar sua prima. Ao chegar, é saudada por Isabel, e algo de revelador acontece. O teor da saudação diz respeito a duas realidades.
A primeira refere-se à atitude crente de Maria. Ela é bendita porque acreditou.
Aqui é exaltada a sua fé. Foi sua total adesão à palavra de Deus que operou um milagre em sua vida e na vida da humanidade: a encarnação do Filho. Daqui passamos para a outra realidade da saudação: “e bendito é o fruto do teu ventre!” Maria, que carrega no útero o Filho de Deus, é identificada com a arca da aliança. No Antigo Testamento, a arca da aliança era símbolo do encontro entre Deus e a humanidade. No útero de Maria dá-se o encontro entre Deus e a humanidade, pois Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Maria representa a Igreja, que se compromete com o reino pela fé na palavra de Deus e pela exigência de gerar o Cristo para o mundo por meio do anúncio, do testemunho e do serviço.
1ª leitura (Ap. 11,19a; 12,1.3-6a.10ab):
No deserto, Deus preparou um lugar para a Mulher A principal personagem que aparece no grande sinal do céu não tem sua identidade imediatamente revelada pelo livro do Apocalipse, é chamada apenas de “mulher”. Somente no desenrolar da narrativa é que sua identidade fica clara.
A mulher é adornada pelos astros que a envolvem, o que significa que ela é a coroação de todas as obras da criação. Essa representação alude ao sonho de José, filho de Jacó (Gn. 37,9), interpretado pelos sábios judeus como referência à vinda do reino onde tudo na natureza e na história estaria submetido ao poder de Deus.
Em oposição à mulher está a figura tenebrosa do dragão, descrito com características horripilantes, adornado pelos principais símbolos do poder humano: chifres e diademas. O significado dessa figura nos é dado pelo texto de Dn 7,24; trata-se dos governantes dos impérios, são os poderes do mundo.
O dragão intenta fazer mal à mulher, mas ela é levada para o deserto, lugar que Deus lhe tinha preparado, e ali é cuidada. Então a mulher representa o novo povo de Deus. A Igreja, comunidade dos seguidores de Cristo, enquanto aguarda a segunda vinda do Senhor, suporta as dificuldades do deserto, situação na qual o novo povo de Deus esperou para entrar na terra prometida.
Enquanto essa cena se desenrola na terra, especificamente no deserto, uma voz proclama que há uma nova realidade no céu: ali o reino de Deus já acontece plenamente (v. 10). Cristo, o ser humano plenificado e vitorioso, é a garantia de nosso acesso ao céu. Isso significa que a mulher que ainda permanece no deserto pode ter certeza da vitória em sua luta contra o dragão.
2 leitura (1Cor. 15,20-27a)
Cristo ressuscitou como primícias dos que morreram
A Lei, em Dt 26,2, exigia que os primeiros frutos (as primícias) fossem oferecidos ao Senhor para expressar a gratidão do agricultor e o reconhecimento de que Deus era o responsável pela colheita. Quando o israelita oferecia os primeiros frutos a Deus, estava agradecendo pela colheita inteira. Os primeiros frutos saídos da terra eram parte da colheita, e tão certo quanto as primícias são a prova de que há uma colheita, a ressurreição de Cristo é a garantia de nossa ressurreição nele.
Cristo, primícias dentre os mortos, ascendeu ao céu e ofertou a si mesmo a Deus como o representante de seus seguidores, ou seja, da Igreja, que ascenderá depois dele.
Não é somente o primeiro na ordem do tempo que ressuscitou dos mortos (primeiro a sair de dentro da terra), mas é o principal no que se refere a dignidade e importância, estando conectado com todos os demais que vão ressuscitar. Cristo é o ser humano ressuscitado, e nossa ressurreição é a partir dele. Portanto, nossas esperanças não são vãs, nossa fé não é inútil e nós não seremos desapontados.
Pistas para reflexão
– Em 1974, o papa Paulo VI escreveu um documento sobre a devoção a Maria (Marialis Cultus) que continua a ser a norma para a devoção mariana entre os católicos. Depois de normatizar a devoção mariana em função de Cristo, o papa destaca em dois números (Mc. 26 e 27) a mesma devoção em relação ao Espírito Santo. Isso significa primeiramente que não pode haver culto a Maria em si mesma.
– O texto retirado do livro do Apocalipse é claramente cristológico, como se pode ver nos seguintes trechos: “Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. E o seu filho foi elevado para Deus até o seu trono” (v. 5). “Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo” (v. 10).
– Portanto, a homilia não deve contribuir para um devocionismo exagerado (não fundamentado nem na Escritura nem na tradição genuína) a respeito da mãe do Senhor e nossa mãe, modelo daquilo que devemos ser e que seremos na plenitude dos tempos.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj
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A Mãe gloriosa e a grandeza dos humildes
Em 1950, o papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção de Nossa Senhora ao céu. Um dogma é um marco referencial de nossa fé, por trás do qual ela não pode retroceder e sem o qual ela não é completa. Proclamamos que Maria, no fim de sua vida, foi acolhida por Deus no céu “com corpo e alma”, ou seja, coroada, plena e definitivamente, com a glória que Deus preparou para os seus santos. Assim como ela foi a primeira a servir Cristo na fé, é a primeira a participar na plenitude de sua glória, a “perfeitissimamente redimida”. Maria foi acolhida, completamente, de corpo e alma, no céu, porque ela acolheu o céu nela – inseparavelmente.
A presente festa é uma grande felicitação de Maria por parte dos fiéis, que nela vêem, a um só tempo, a glória da Igreja e a prefiguração da própria glorificação. A festa tem uma dimensão de solidariedade dos fiéis com aquela que é a primeira a crer em Cristo e, por isso, também, é a mãe de todos os fiéis. Daí a facilidade com que se aplica a Maria o texto do Apocalipse, na primeira leitura, originariamente uma descrição do povo de Deus, que deu à luz o Salvador e depois se refugiou no deserto. Na segunda leitura, a assunção de Maria ao céu é considerada como antecipação da ressurreição dos fiéis, que serão ressuscitados em Cristo. Observe-se, portanto, que a glória de Maria não a separa de nós, mas a torna unida a nós mais intimamente.
Merece consideração, sobretudo, o texto do evangelho, o Magnificat, que hoje ganha nova atualidade, por traduzir a pedagogia divina: Deus recorre aos humildes para realizar suas grandes obras. Esse pensamento pode ser o fio condutor da celebração. Na homilia, convém que se repita e se faça entrar no ouvido e no coração esse pensamento ou uma frase do Magnificat que o exprima.
1º leitura (Ap. 11,19a; 12,1.3-6a.10ab)
O sinal da Mulher, no Apocalipse, aplica-se em primeiro lugar ao povo de Deus do qual nasce o Messias: à Igreja do Novo Testamento, nascida dos que seguem o Messias. Aparece no céu a Mulher que gera o Messias; as doze estrelas indicam quem ela é: o povo das doze tribos, Israel – não só o Israel antigo, do qual nasce Jesus, mas também o novo Israel, a Igreja, que, no século I d.C., quando o livro foi escrito, precisava esconder-se da perseguição, até que, no fim glorioso, o Cristo se possa revelar em plenitude. Ao ouvir esse texto, a liturgia pensa em Maria. Maria assunta ao céu sintetiza em si, por assim dizer, todas as qualidades desse povo prenhe de Deus, aguardando a revelação de sua glória.
Salmo responsorial (Sl. 45/44,10bc.11-12ab.16)
O salmo responsorial é belo canto nupcial em honra da esposa régia. Em Maria se reconhece o povo-esposa, Sião, que se apresenta em toda a sua beleza para as núpcias messiânicas: Deus que será dele como ele é de Deus.
2º leitura (1Cor. 15,20-27a)
No quadro da glória celestial, a segunda leitura evoca a visão da vitória de Cristo sobre a morte (presente também na liturgia da festa de Cristo Rei no ano A). O sinal da vitória definitiva de Cristo é a ressurreição, seu triunfo sobre a morte. Essa vitória se realizou na sua própria morte e se realizará também na morte dos que o seguem. Maria já está associada a Jesus nessa vitória definitiva; nela, a humanidade redimida reconhece sua meta.
Evangelho (Lc. 1,39-56)
O evangelho de hoje é o Magnificat. O quadro narrativo é significativo: Maria vai ajudar sua parenta Isabel, grávida, no sexto mês. Ao dar as boas-vindas à prima, Isabel interpreta a admiração dos fiéis diante daquilo que Deus operou em Maria. Esta responde, revelando sua percepção do mistério do agir divino: um agir de pura graça, que não se baseia em poder humano; pelo contrário, envergonha esse poder, ao elevar e engrandecer o pequeno e humilhado, porém dedicado ao serviço de sua vontade amorosa. O amor de Deus se realiza por meio não da força, mas da humilde dedicação e doação. E nisso manifesta sua grandeza e glória.
O Magnificat, hoje, ganha nova atualidade, por traduzir a pedagogia divina: Deus recorre aos humildes para realizar suas grandes obras. Ele escolhe o lado de quem, aos olhos do mundo, é insignificante. Podemos ler no Magnificat a expressão da consciência de pessoas “humildes” no sentido bíblico: rebaixadas, humilhadas, oprimidas. A “humildade” não é vista como virtude aplaudida, mas como baixo estado social mesmo, como a “humilhação” de Maria, que nem tinha o status de casada, e de toda a comunidade de humildes, o “pequeno rebanho” tão característico do Evangelho de Lucas (cf. 12,32, texto peculiar de Lc.). Na maravilha acontecida a Maria, a comunidade dos humildes vê claramente que Deus não obra por meio dos poderosos. É a antecipação da realidade escatológica, na qual será grande quem confiou em Deus e se tornou seu servo (sua serva), não quem quis ser grande pelas próprias forças, pisando os outros. Assim, realiza-se tudo o que Deus deixou entrever desde o tempo dos patriarcas (as promessas).
A glorificação de Maria no céu é a realização dessa perspectiva final e definitiva. Em Maria são coroadas a fé e a disponibilidade de quem se torna servo da justiça e da bondade de Deus; impotente aos olhos do mundo, mas grande na obra que Deus realiza. É a Igreja dos pobres de Deus que hoje é coroada.
A celebração litúrgica deverá, portanto, suscitar nos fiéis dois sentimentos dificilmente conjugáveis: o triunfo e a humildade. O único meio para unir esses dois momentos é pôr tudo nas mãos de Deus, ou seja, esvaziar-se de toda glória pessoal, na fé em que Deus já começou a realizar a plenitude das promessas.
Em Maria vislumbramos a combinação ideal da glória e da humildade: ela deixou Deus ser grande na sua vida.
PISTAS PARA REFLEXÃO
A mãe gloriosa e a grandeza dos pobres
O Magnificat de Maria é o resumo da obra de Deus com ela e em torno dela. Humilde serva – faltava-lhe o status de mulher casada –, foi “exaltada” por Deus para ser mãe do Salvador e participar de sua glória, pois o amor verdadeiro une para sempre. Sua grandeza não vem do valor que a sociedade lhe confere, mas da maravilha que Deus nela opera. Aconteceu um diálogo de amor entre Deus e a moça de Nazaré: ao convite de Deus responde o “sim” de Maria, e à doação dela na maternidade e no seguimento de Jesus responde o grande “sim” de Deus, com a glorificação de sua serva. Em Maria, Deus tem espaço para operar maravilhas. Em compensação, os que estão cheios de si mesmos não o deixam agir e, por isso, são despedidos de mãos vazias, pelo menos no que diz respeito às coisas de Deus. O filho de Maria coloca na sombra os poderosos deste mundo, pois, enquanto estes oprimem, ele salva de verdade.
Essa maravilha só é possível porque Maria não está cheia de si mesma, como os que confiam no seu dinheiro e status, mas “cheia de graça”. Ela é serva, está a serviço – também de sua prima, grávida como ela – e, por isso, sabe colaborar com as maravilhas de Deus. Sabe doar-se, entregar-se àquilo que é maior que sua própria pessoa. A grandeza do pobre é que ele se dispõe para ser servo de Deus, superando todas as servidões humanas. Ora, para que seu serviço seja grandeza, o fiel tem de saber decidir a quem serve: a Deus ou aos que se arrogam injustamente o poder sobre seus semelhantes. Consciente de sua opção, quem é pobre segundo o espírito de Deus realizará coisas que os ricos e os poderosos, presos na sua auto-suficiência, não realizam: a radical doação aos outros, a simplicidade, a generosidade sem cálculo, a solidariedade, a criação de um homem novo para um mundo novo, um mundo de Deus.
A vida de Maria, a “serva”, assemelha-se à do “servo”, Jesus, “exaltado” por Deus por causa de sua fidelidade até a morte (cf. Fl. 2,6-11). De fato, o amor torna as pessoas semelhantes entre si. Também na glória. Em Maria realiza-se, desde o fim de sua vida na terra, o que Paulo descreve na segunda leitura: a entrada dos que pertencem a Cristo na vida gloriosa concedida pelo Pai, uma vez que o Filho venceu a morte.
Congratulando Maria, congratulamo-nos a nós mesmos, a Igreja. Pois, mãe de Cristo e mãe da fé, Maria é também mãe da Igreja. Na “mulher vestida de sol” (primeira leitura) confundem-se os traços de Maria e os da Igreja. Sua glorificação são as primícias da glória de seus filhos na fé.
No momento histórico em que vivemos, a contemplação da “serva gloriosa” pode trazer uma luz preciosa. Quem seria a “humilde serva” no século XXI, século da publicidade e do sensacionalismo? Sua história é: serviço humilde e glória escondida em Deus. Não se assemelha a isso a Igreja dos pobres? A exaltação de Maria é sinal de esperança para os pobres. Sua história também joga luz sobre o papel da mulher, especialmente da mulher pobre, “duplamente oprimida”. Maria é “a mãe da libertação”.
padre Johan Konings, sj.

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A assunção de Maria e nossa esperança na ressurreição
Neste terceiro domingo do mês de agosto, em que celebramos a Assunção de Nossa Senhora ao céu, celebramos também a vocação à vida religiosa. Pessoas chamadas por Deus para formar uma comunidade de fé, seguindo os princípios do evangelho e o carisma de um(a) fundador(a). As leituras de hoje iluminam o papel de Maria na história da salvação e o dogma de fé na assunção de Maria. Qual o significado da assunção para os cristãos católicos? Por que a Igreja transformou em dogma de fé a tradição popular e apócrifa sobre a assunção de Maria?
É nos evangelhos apócrifos que encontramos a tradição sobre a assunção de Maria. Três anos antes de morrer, ela recebeu de Jesus o anúncio de sua morte, no monte das Oliveiras. Em sua casa, em Jerusalém, ela dormiu – daí, a tradição da Dormição de Maria. Jesus veio ao seu encontro nesse momento. Ele pede aos apóstolos que preparem o corpo e o levem até um lugar indicado por ele, no vale de Josafá. Quando ali chegam, eles depositam o corpo de Maria e se sentam à porta do sepulcro. Jesus aparece rodeado de anjos, saúda-os com o desejo de paz, reafirma a escolha de Maria para que dela ele pudesse nascer e pede aos anjos que levem a sua alma para o céu. Jesus ressuscita o seu corpo. Quando o corpo chega ao céu, Jesus coloca a alma novamente no corpo glorioso e a coroa como rainha do céu (cf. a tradição apócrifa sobre Maria, agrupada com base em 15 evangelhos apócrifos, em nosso livro História de Maria, mãe e apóstola de seu Filho, nos evangelhos apócrifos - 2006b).
A Dormição de Maria nasce da fé em que Maria não morreu, mas dormiu. E, por ter sido levada ao céu, assunta, nasceu a terminologia Assunção, usada a partir do século VIII. Essa festa começou a ser celebrada liturgicamente na Igreja do Oriente, no século VI, isto é, entre os anos 600 e 700, propriamente no dia 15 de agosto, a mando do imperador Maurício. A Roma, a festa chegou no século VII.
O dogma da Assunção de Maria, diferentemente da maioria dos dogmas da Igreja Católica, foi proclamado recentemente, em 1950, pelo papa Pio XII, com a bula Munificentíssimo Deus. O texto diz o seguinte: “Definimos ser dogma divinamente revelado: que a imaculada mãe de Deus, sempre virgem Maria, cumprindo o curso de sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.
Mesmo que não esteja dito expressamente no dogma, a Assunção de Maria é o mais apócrifo dos dogmas. Para a fé, acreditar que Maria foi assunta ao céu de corpo e alma significa crer, como afirma Afonso Murad, que “Maria não precisou esperar o fim dos tempos para receber um corpo glorificado. Depois de sua vida terrena, ela já está junto de Deus com o corpo transformado, cheio de graça e de luz. Deus antecipou nela o que vai dar a todas as pessoas de bem, no final dos tempos” (cf. citado por Faria, 2006b, p.181).
1ª leitura (Ap. 11,19a; 12,1.3-6a.10ab)
A mulher vestida com o sol.
Escrito por volta do ano 95 da nossa era, o livro do Apocalipse não tem nada a ver como “fim dos tempos”, visto de modo trágico e terrível, mas, sim, com a “esperança” dita de forma figurada, velada. A perseguição romana era grande. Imagine que à época desse texto, Nero, o imperador romano, mandava queimar cristãos para iluminar as noites romanas. Os cristãos não tinham outro caminho que não fosse dizer e celebrar de forma velada e figurada a esperança que os animava na caminhada. A mulher que aparece vestida com o sol (Deus) representa a nova Eva, a Igreja e também Maria, que deu à luz Jesus, o novo Moisés e libertador do novo povo de cristãos, simbolizado pela coroa de 12 estrelas sobre a sua cabeça. O dragão é a “antiga serpente” que cresceu até tornar-se um imenso dragão, isto é, o império romano que oprimia os seguidores de Jesus. O dragão é também a famosa besta do Apocalipse (Ap. 13), cunhada com o número 666, que provém da soma das letras hebraicas de César e Nero, simbolizando, portanto, tais imperadores; a força do mal. O dragão quis devorar o filho da mulher, o que simboliza a opressão vivida pelos cristãos. A mulher foge para o deserto, lugar de refúgio e da presença de Deus. Uma mulher, Maria, na memória e na resistência dos cristãos, é sinal de libertação. O fraco se tornava forte. Era nisso que as comunidades precisavam acreditar. Jesus e Maria estavam presentes na vida deles, encorajando-os a vencer as forças do mal, o dragão.
Evangelho (Lc. 1,39-56)
Maria: símbolo da ação libertadora de Deus
Celebrando, hoje, a Assunção de Maria, nada melhor que recordar o famoso canto do Magnificat, atribuído a Maria, e entoado no momento em que ela se encontra com a prima Isabel, nas montanhas de Ein Karen, nome que significa “fonte da vinha”, e que hoje é um bairro judeu de Jerusalém. Já não existem cristãos nessa região que um dia foi berço do cristianismo. Encravado nas montanhas, esse lugarejo preserva a memória de João Batista, o precursor do Messias. Perto da casa de João Batista, no alto de uma montanha, está a memória do encontro de Isabel com Maria, que viera de Nazaré para visitar a prima. Os evangelhos narram que Isabel aclamou Maria como bem-aventurada por ser ela a escolhida para ser a mãe do Messias. Nesse contexto, Maria entoa o cântico do Magnificat, obra literária de rara beleza teológica (Faria, 2010c, p. 74-75).
Duas mulheres se encontram. Uma (Isabel) louva a grandeza da outra (Maria) – que se vê pequena diante do grande mistério que toma conta de sua vida. O cântico pode ser dividido em duas partes: a) Maria, que se vê como a serva bem-aventurada; b) dois grupos, os orgulhosos e ricos e os que temem a Deus. Os fatos se desenrolam em duas ações: a) como o povo de Deus, Maria é sua serva; b) Deus, o poderoso, derruba os poderosos e ricos de seus tronos. Maria torna-se o símbolo da ação libertadora de Deus no Egito. Séculos mais tarde, depois da morte e ressurreição de Jesus, a comunidade reivindicou da Igreja o reconhecimento do papel de Maria como Nossa Senhora e Rainha poderosa. Dessa intuição nasceram literaturas apócrifas, segundo as quais, à sua chegada ao céu, foi coroada rainha por Jesus. A tradição popular perpetuou essa devoção com as celebrações marianas no mês de maio.
2ª leitura (1Cor. 15,20-27a)
Deus venceu a morte
Paulo, escrevendo aos coríntios, faz uma bela teologia da vitória da vida sobre a morte. Membros da comunidade de Corinto não acreditavam na ressurreição dos mortos (15,12). Ainda hoje muitos se perguntam: como o nosso corpo há de ressuscitar? Isso é possível? Paulo fala de um corpo espiritual, tal como o Cristo ressuscitado.
Mais do que aprofundar, neste momento homilético, o grande significado da ressurreição para o cristão, vale ligar a leitura à festa da assunção de Maria. Como dissemos anteriormente, o grande mérito da tradição popular em relação à Assunção de Maria, transformada em dogma pela Igreja, foi demonstrar pela fé que Maria foi a primeira dos mortais que encontrou a ressurreição do corpo, levado para o céu pelo seu próprio Filho e nosso salvador, Jesus Cristo.
Pistas para reflexão
1. Iluminar a vocação à vida religiosa com o exemplo de Maria, a mulher que proclamou a libertação dos oprimidos.
2. Demonstrar à comunidade que Maria – por ter vivido a experiência amorosa de ser a mãe de Jesus, Deus que se fez carne no meio de nós – foi agraciada por Jesus como a primeira pessoa, depois dele, a receber a glória da ressurreição. Nisso tudo está o amor maternal e filial de Deus Pai e Mãe de todos nós. Em Maria e com Maria, vivemos a esperança de também nós chegarmos lá. Ela foi, mas não partiu, pois continua próxima de nós. Ela é a nossa origem, é nossa mãe na fé, para a qual queremos voltar sempre. Ela é desejo! Ela é mãe! Caminhar com ela, na fé, é acreditar que também seremos assuntos ao céu. Antes, porém, devemos transformar nossa realidade de sofrimento, angústia, dores, exploração social etc. em situações de vida, de glória. A assunção já começa aqui. Maria vive. Ela não morreu.
frei Jacir de Freitas Faria, ofm
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A Assunção de Maria, a festa de Maria entrando na glória, no final de sua vida terrestre, corresponde à Imaculada Conceição no início de sua vida. De um lado Maria foi preservada da morte espiritual do pecado, e de outro da corrupção do túmulo. Em 1950, o papa Pio XII definiu solenemente que a Imaculada Mãe de Deus, Maria sempre virgem, terminada sua carreira terrestre, foi elevada em alma e corpo à glória do céu. Deus não quis que conhecesse corrupção, aquela que havia gerado do Senhor da vida. Cremos na Assunção de Maria a partir da fé tradicional da igreja que interpretou os dados do Novo Testamento.
Assim canta o prefácio da solenidade de hoje: “Hoje, a Virgem Maria, mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho, pois preservastes da corrupção da morte aquela que gerou, de modo inefável, vosso próprio Filho feito homem, autor de toda a vida”. Preces e orações a Maria exprimem bem a verdade de sua assunção:
• Salve, Filha dos homens, nossa irmã em humanidade. Salve, Mãe de Jesus Cristo que deste a luz a Deus feito homem. O Senhor te cumulou de ternura. Salve, ó mulher aureolada de estrelas. Tens como manto o sol e a lua aos teus pés. Venceste as potências do mal. Geraste Cristo, vencedor da morte e foste elevada à glória junto de teu Filho ressuscitado. Roga por nós, Mãe dos homens, leva-nos para o caminho da vida para que possamos caminhar com alegria rumo à nossa ressurreição (Philippe Warnier, in Prier, n 193, p. 15).
João, o Geômetra, nos oferece um belo texto a respeito daquela que partindo para o céu não abandona a terra:
• Nós te damos graças, Senhor, que provês a todo o criado, por todos os teus mistérios e sobretudo porque escolheste Maria, como ministra de teus mistérios. Nós te damos graças por tua inefável sabedoria, pela tua força e o teu amor pelos homens, porque não somente quiseste unir a ti a nossa natureza e em ti glorificá-la e divinizá-la, mas sobretudo porque não consideraste indigno tomar como mãe uma das nossas e fazê-la rainha do céu e da terra. Nós te damos graças, Pai de todos, porque quiseste que a tua mãe se tornasse também nossa mãe (...) Acolhe nossa oração de agradecimento! Por nós muito sofreste e dispuseste que também tua mãe sofresse por ti e por nós, para que a honra de participar na tua paixão fosse preparação para comunhão em tua glória, e também porque recordando os sofrimentos experimentados por nós, se dedicasse ainda com maior solicitude em prol da nossa salvação e perseverasse no seu amor para conosco não somente em razão da nossa natureza mas também em recordação de tudo o que sofreste por nos...
A ti também, Senhora, manifestamos nosso reconhecimento pelos sofrimentos e tribulações que experimentaste por nós. Para ti não cantamos hinos fúnebres, mas cânticos nupciais. Não lamentamos tua partida, mas cantamos de alegria porque penetraste no céu.
Subiste ao céu, mas não abandonaste a terra: livre das penúrias desta terra e alçada à felicidade inefável e infinita não esqueceste a miséria de nossa condição. Da glória mais ainda te lembras de nós e te mostras solícita para com nossas tribulações.
Não nos deixaste duplamente órfãos, mas decretaste o fim de nossa orfandade e, junto a ti, tornaste teu Filho a nos propicio, bem como ao Pai que é nosso e com ele nos reconciliaste.
Agora estás constituída rainha ao lado do Rei, circundada de outras esplendias rainhas (cf. Sl. 45,10.15), isto é, das almas virgens e reais, com veste tecida de ouro pelo Espírito, envolta do manto real de tua dignidade, de tuas muitas virtudes e de teus carismas.
Recebeste das mãos de teu filho e Deus o diadema da graça, o cetro do Reino, o cinto e a púrpura, ou seja um poder universal e uma luz que mana da tua pessoa e da tua divinização.

SEGUNDA HOMILIA

Maria, senhora da glória
Com alegria e toda devoção nos aproximamos hoje da Mãe de Jesus. Maria, a jovem de Nazaré, chamada pelo Alto a ser a Mãe do Senhor depois de percorrer os tempos da história foi assunta na glória dos céus. Esta a solenidade bela da Senhora da Gloria. A Constituição Apostólica Munificentissimus Deus de Pio XII assim se exprime: “Por conseguinte, desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, imaculada na concepção virgem inteiramente intacta na divina maternidade, generosa companheira no divino Redentor, que obteve pleno triunfo sobre o pecado e suas conseqüências, ela alcançou ser guardada imune das corrupções do sepulcro, como suprema coroa de seus privilégios. Semelhante a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à glória celeste, onde rainha, refulgente à direita do seu Filho, o imortal rei dos séculos”.
Uma mulher privilegiada. Maria, uma judia piedosa que buscava a Deus e percorria os caminhos da Palestina. Uma mulher que vivia a espiritualidade dos pobres de Javé, que caminhava à luz do jeito de viver de Abraão buscando a terra da prometida, de caminho em caminho, de etapa em etapa. Uma peregrina e aquela que convivia com a espiritualidade dos salmos. Uma buscadora de Deus que foi olhada de modo especial pelo Altíssimo.O anjo do Senhor se aproxima dela e pede que ele aceite acolher em seu seio Aquele que os céus não podem conter. Toda transparência, feita com o tecido da harmonia desde sua conceição, cheia de graça por privilegio do Alto, ela aceita ser a Mãe transparente do Transparente.
Deus luminoso passa a ser o hóspede de seu Seio. A Imaculada é templo daquele que vem para dominar as forças do pecado e do mal.
Ela acolhe a chegada do filho na simplicidade das coisas simples. Contempla, olha. Vê os pastores que chegam, coloca-se perto do silencioso José, vê depois o Menino crescer em idade e sabedoria diante de Deus e dos homens. Mulher escondida durante os anos de vida escondida de Jesus. Guardava as coisas no fundo do coração. Fez-se discretamente presente na vida publica do Filho, sempre discretamente.
Vamos encontrá-la ao pé da cruz na hora das horas de seu Filho. Ali, a imaculada, permanece feito um soldado na fidelidade. Os escritores sacros dizem que ela ali se ofereceu com o Filho. Ali ela deve ter compreendido as palavras de Simeão que havia dito que uma espada de dor haveria de atravessar seu coração. Ale ela, muito unida ao Filho, sempre unida ao Filho, se associava à entrega do Gólgota. Maria Imaculada, Maria do Calvário.
Ora, essa mulher transparente e toda harmonia, a predestinada, a mulher do sim irrestrito, segundo o ensinamento da Igreja, não conheceu a corrupção da morte, mas vive hoje na pátria da gloria com seu corpo glorificado.
frei Almir Ribeiro Guimaeães
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Assunção da Virgem Maria
A presente festa é uma grande felicitação de Maria da parte dos fiéis, que nela vêem, ao mesmo tempo, a glória da Igreja e a prefiguração de sua própria glorificação. A festa tem uma dimensão de solidariedade dos fiéis com aquela que é a primeira e a Mãe dos fiéis. Daí a facilidade com que se aplica a Maria o texto de Ap 12 (1ª leitura), originariamente uma descrição do povo de Deus, que deu à luz o Salvador e depois refugiou-se no deserto (a Igreja perseguida do 1° século) até a vitória final do Cristo. Na 2ª leitura, a Assunção de Maria ao céu é considerada como antecipação da ressurreição dos fiéis, que serão ressuscitados em Cristo. Observe-se, portanto, que a glória de Maria não a separa de nós, mas a une mais intimamente a nós.
Merece consideração, sobretudo, o texto do evangelho, o Magnificat, que hoje ganha nova atualidade, por traduzir a pedagogia de Deus: Deus recorre aos humildes para realizar suas grandes obras. Deus escolhe o lado de quem, aos olhos do inundo, é insignificante. Podemos ler no Magnificat a expressão da consciência de pessoas “humildes” no sentido bíblico, isto é, rebaixadas, humilhadas, oprimidas (a “humildade” não como aplaudida virtude, mas como baixo estado social): Maria, que nem tinha o status de casada, e toda uma comunidade de humildes, o “pequeno rebanho” tão característico do evangelho de Lc. (cf. 12,32, peculiar de Lc). Na maravilha acontecida a Maria, a comunidade dos humildes vê claramente que Deus não obra através dos poderosos: antecipação da realidade escatológica, em que será grande quem confiou em Deus e se tomou seu servo (sua serva), e não quem quis ser grande por suas próprias forças, pisando em cima dos outros. Assim, realiza-se tudo o que Deus deixou entrever desde o tempo dos patriarcas (as promessas).
Pois bem, a glorificação de Maria no céu é a realização desta visão escatológica. Nela, é coroada a fé e a disponibilidade de quem se toma servo da justiça e bondade de Deus, impotente aos olhos do mundo, mas grande na obra que Deus realiza. É a Igreja dos pobres de Deus, que hoje é coroada.
A “arte” litúrgica deverá, portanto, suscitar nos fiéis dois sentimentos dificilmente conjugáveis: o triunfo e a humildade. O único meio para unir estes dois momentos é colocar tudo nas mãos de Deus, ou seja, esvaziar-se de toda glória pessoal, na fé de que Deus já começou a realizar a plenitude das promessas.
Em Maria vislumbramos a combinação ideal de glória e humildade: ela deixou Deus ser grande na sua vida. É o jeito...
Johan Konings "Liturgia dominical"
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A liturgia de hoje é dedicada à Maria, humilde serva, escolhida por Deus para ser a mãe do seu Filho. Ao declarar-se serva do Senhor, Maria concebe Jesus. Mulher corajosa, que aceita sem medo a importante missão, e logo após se coloca a caminho da casa de sua prima Isabel para servi-la, demonstrando desde então que Jesus não viria para ser servido, mas para servir.
A cena mostra o encontro de duas mães agraciadas com o dom da fecundidade e da vida (Isabel era estéril e Maria não teve relação com nenhum homem). Maria se torna assim, pioneira insuperável de evangelização, pois leva Jesus-Messias às pessoas. Maria é discípula fiel (em relação a Deus) e solidária (em relação ao próximo).
No ventre destas duas mães estão, Jesus e João Batista no primeiro encontro entre eles. João começa ali a sua missão de anunciar a vinda do Messias:“Logo que ouvi você me cumprimentar, a criança ficou alegre e se mexeu dentro de mim”, e Isabel inspirada pelo Espírito Santo saúda Maria, reconhecendo-a como a mais abençoada das mulheres, a mãe do Messias.
Ao ser saudada por Isabel, Maria entoa um cântico a Deus, o “Magnificat, ou canto de Maria”, que está entre o Antigo e o Novo Testamento, saindo do tempo de espera para o de realizações. Neste louvor Maria revela a alegria de ser considerada digna de dar a luz ao Salvador, e com humildade de serva abençoada por Deus, louva o santo Nome do Senhor que veio libertar seu povo da opressão e do pecado defendendo os pobres e marginalizados das injustiças.
Através do louvor de Maria, se vê claramente que, diante de Deus, grande é aquele que se torna seu servo e não o que quer se tornar grande explorando e humilhando os outros. Maria era uma mulher simples, e esse louvor cheio de graça e beleza, só é possível porque ela não está cheia de si, mas está a serviço do Pai, cheia do amor de Deus, repleta do Espírito Santo.
O canto de Maria nos estimula a lutar pelo mundo novo já iniciado com a ressurreição de Jesus. Esse mundo novo vai se tornando realidade concreta quando somos cidadãos conscientes e responsáveis.
A assunção de Nossa Senhora celebrada no dia 15 de agosto não está relatada na Bíblia, porém foi assistida por vários discípulo, entre eles são Dionísio que narrou os fatos transmitidos oralmente e por escrito durante séculos, e foi definida como dogma (verdade absoluta sobre a qual não se pode ter nenhuma dúvida) pelo papa Pio XII na Constituição Apostólica de 1950, o que significa que Maria foi acolhida ao céu em sua plenitude, de corpo e alma.
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A glorificação de Maria
A festa da assunção de Nossa Senhora leva-nos a repensar todo o seu peregrinar neste nosso mundo, pois se trata de celebrar o desfecho de sua caminhada. O fim da existência terrena de Maria consistiu na plenificação de todos os seus anseios de mulher de fé e disponível para servir. A expressão “repleta de graça”, dita pelo anjo, encontrou sua expressão consumada na exaltação dela junto de Deus. A estreita conexão entre a existência terrena de Maria e a sua sorte eterna foi percebida desde cedo pela comunidade cristã, apesar de a Bíblia não contar os detalhes de sua vida e de sua morte. A comunidade deu-se conta de que Deus assumiu e transformou toda a sua história, suas ações e seu corpo. O relato evangélico é um pequeno retrato de Maria. Sua condição de mãe do Messias, o “Senhor” esperado pelo povo, proveio da profunda comunhão com Deus e da disponibilidade total em fazer-se sua servidora. Expressou sua fé no canto de louvor – o Magnificat –, no qual proclamou as maravilhas do Deus e as grandezas de seus feitos em favor dos fracos e pequeninos. A comunhão com Deus desdobrava-se, na vida de Maria, na sua disponibilidade a servir o próximo. A ajuda prestada à prima Isabel é uma pequena amostra do que era a Mãe de Deus no seu dia-a-dia. Assunta ao céu, Maria experimentou, em plenitude, a comunhão vivida na terra.
padre Jaldemir Vitório
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Depois da ascensão de Jesus, Nossa Senhora foi morar com o apóstolo são João em Éfeso, na atual Turquia. Voltou mais tarde para Jerusalém, onde viveu seus últimos dias na casa de João, no monte Sião.
Lá ela adormeceu no Senhor, sendo sepultada no vale do Cedron, diante da porta dos Leões, em Jerusalém. Seu túmulo se encontra vazio, e nele nenhum corpo se corrompeu, pois nossa fé nos ensina que Maria, a Mãe de Jesus, foi levada viva, em corpo e alma, para o céu, onde está junto da Santíssima Trindade. E nem podia ser de outro jeito, porque a corrupção da morte é consequência do pecado original, e Maria é a Imaculada Conceição, cheia de graça, concebida sem pecado.
Já nas portas do paraíso foi dito que entre ela, a mulher, e a serpente, o demônio, haveria uma inimizade. Maria nunca deu a mão ao demônio, que introduz o pecado e leva à morte. Aquele que escolheu e preparou para seu Filho uma mãe digna dele, preservou-a do pecado e também, da corrupção da morte, levando-a em corpo e alma para o céu.
Por isso, quando o salmista escreve que “à vossa direita se encontra a rainha com veste esplendente de ouro de ofir”, pensamos em Maria, a Mãe de Jesus, glorificada no céu. É ela a mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, que o vidente do Apocalipse vê como um grande sinal no céu. Esta mulher dará à luz um filho homem, que vem para governar todas as nações com cetro de ferro e que será levado para junto de Deus e de seu trono.
Antes de dar à luz, ela deve se defrontar com um dragão que quer devorar o recém-nascido. O dragão é o demônio e todas as potências do mal que querem que o Filho da mulher desapareça e não tenha nenhuma presença no mundo dominado por ele e seus assessores, que o Apocalipse chama de “bestas”.
A mulher, que é Maria e ao mesmo tempo todos os seus filhos congregados na Igreja, procura refúgio no deserto, mas lá há outra mulher, que o vidente também vê. Ela está no deserto, vestida de púrpura e de escarlate, adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas. E tem na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundície da sua prostituição, e está sentada sobre uma besta.
Mesmo no deserto, os filhos de Maria, seguidores de Jesus, continuam no seio da grande cidade que domina os reis da terra. A segunda mulher representa essa cidade, onde se concentra o poder demoníaco.
Maria não teve nenhuma amizade com o demônio, e seu Filho veio para lutar contra o poder demoníaco que se abate sobre o ser humano e lhe tira a dignidade. O conflito está aberto e se estabelece uma luta de destruição até que a morte seja vencida. Em Cristo morto e ressuscitado, ela é vencida e, pela vontade de Deus, também em Maria, assim como em todos os que fazem a vontade do Pai.
Ser devoto de Maria é algo natural para quem aceita seu Filho Jesus como único salvador. E ser devoto de Maria significa também se posicionar diante do dragão e das bestas que o assessoram, e entrar na luta. Os congregados marianos cantavam: “Tu nos proteges, ó Mãe potente, contra a inimiga cruel serpente. De mil soldados não teme a espada quem pugna à sombra da Imaculada!”.
cônego Celso Pedro da Silva
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Jesus em relação a João Batista
Lucas, no início de seu evangelho, aproxima e inter-relaciona João Batista e Jesus. Isto é feito com as narrativas dos anúncios a Zacarias e a Maria, respectivamente, dos anúncios das concepções de João Batista e Jesus, seguindo-se com a narrativa dos dois nascimentos em paralelo, e com esta narrativa da visitação de Maria a Isabel. Com estas narrativas procura-se afirmar uma supremacia de Jesus em relação a João Batista desde os seus nascimentos. Maria, ao receber o anúncio de que conceberia a Jesus, teve como sinal dado pelo anjo Gabriel a própria concepção que acontecia com sua prima Isabel, já no sexto mês. Ela parte então para visitar e servir Isabel já nos últimos meses de sua gravidez. Lucas apresenta Maria, levando seu filho no ventre, seguindo o percurso da gentílica e periférica Galiléia à Judéia, na casa de Zacarias, sacerdote do Templo de Jerusalém, em um encontro do desabrochar da vida. Mais tarde Jesus fará este percurso, em direção a Jerusalém, para o momento da consumação final de seu ministério e de sua vida. Da mesma forma como o anjo entrou em casa de Maria e a saudou, comunicando-lhe o Espírito Santo, Maria, agora, entra e saúda Isabel. Esta, ouvindo a saudação de Maria, fica cheia do Espírito Santo. Isabel passa então a profetizar. Confirma que Maria é mãe do seu Senhor, cuja presença comunica a alegria ao menino no seu próprio ventre. E Maria, em sua maternidade, é bem-aventurada por ter acreditado em tudo o que foi dito da parte do Senhor e que será realizado. Maria, então, pronuncia seu cântico de louvor a Deus pelo cumprimento de sua vontade nela. O cântico de Maria e sua bem-aventurança são a expressão da bem-aventurança dos pobres e do canto de liberdade de todos os oprimidos, explorados e excluídos, de todos os tempos. Maria apresenta como já concretizado, a partir de sua gestação, o projeto vivificante de Deus. Pela vida e presença de Jesus os pobres humildes são restaurados em sua dignidade, enquanto que os favorecidos pela sociedade são destituídos de seus privilégios. Está em ato a intervenção de Deus na história, trazendo a esperança de um mundo novo onde vigore a justiça e o amor. Sob uma perspectiva escatológica, em uma apoteose de poder e glória, o livro do Apocalipse (primeira leitura) e a Primeira Carta aos Coríntios (segunda leitura) apresentam a vitória final de Deus sobre toda ameaça à sua Igreja.
José Raimundo Oliva
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Bendita és tu, Maria! Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu… Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas.
Primeira leitura - Maria, imagem da Igreja.
Como Maria, a Igreja gera na dor um mundo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.
Salmo - Bendita és tu, Virgem Maria!
A esposa do rei é Maria. Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu Filho.
Segunda leitura - Maria, nova Eva.
Novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.
Evangelho - Maria, Mãe dos crentes.
Cheia do Espírito Santo, Maria, a primeira, encontra as palavras da fé e da esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!
1º leitura – Ap. 11,19a;12,1-6a.10ab – Breve comentário
As visões do Apocalipse exprimem-se numa linguagem codificada. Elas revelam que Deus arranca os seus fiéis de todas as formas de morte. Por transposição, a visão o sinal grandioso pode ser aplicada a Maria.
O livro do Apocalipse foi composto no ambiente das perseguições que se abatiam sobre a jovem Igreja, ainda tão frágil. O profeta cristão evoca estes acontecimentos numa linguagem codificada, em que os animais terrificantes designam os perseguidores. A Mulher pode representar a Igreja, novo Israel, o que sugere o número doze (as estrelas). O seu nascimento é o do batismo que deve dar à terra uma nova humanidade. O dragão é o perseguidor, que põe tudo em ação para destruir este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de Deus está em ação para proteger o seu Filho.
Proclamando esta mensagem na Assunção, reconhecemos que, no seguimento de Jesus e na pessoa de Maria, a nova humanidade já é acolhida junto de Deus.
2º leitura – 1Cor. 15,20-27 – Breve comentário
A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão.
Todo o capítulo 15 desta epístola é uma longa demonstração da ressurreição. Na passagem escolhida para a festa da Assunção, o apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro Adão; este tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida.
O apóstolo não evoca Maria, mas se proclamamos esta leitura na Assunção, é porque reconhecemos o lugar eminente da Mãe de Deus no grande movimento da ressurreição.
Evangelho – Lc. 1,39-56 – Breve comentário
O cântico de Maria descreve o programa que Deus tinha começado a realizar desde o começo, que ele prosseguiu em Maria e que cumpre agora na Igreja, para todos os tempos.
Pela Visitação que teve lugar na Judeia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Dormição e pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o templo eterno, para uma Visitação definitiva. Nesta festa, com Maria, proclamamos a obra grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pelo caminho da ressurreição.
Em Maria, Ele já realizou a sua obra na totalidade; com ela, nós proclamamos: “dispersou os soberbos, exaltou os humildes”. Os humildes são aqueles que crêem no cumprimento das palavras de Deus e se põem a caminho, aqueles que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, Cristo, para o levar ao nosso mundo. Deus debruça-se sobre eles e cumpre neles maravilhas.
Rezar por Maria.
Frequentemente, ouvimos a expressão: “rezar à Virgem Maria”. Esta maneira de falar não é absolutamente exata, porque a oração cristã dirige-se a Deus, ao Pai, ao Filho e ao Espírito: só Deus atende a oração. Os nossos irmãos protestantes que, contrariamente ao que se pretende, por vezes têm a mesma fé que os católicos e os ortodoxos na Virgem Maria Mãe de Deus, recordam-nos que Maria é e se diz ela própria a Serva do Senhor.
Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!” A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”
Rezar com Maria.
Ela está ao nosso lado para nos levar na oração, como uma mãe sustenta a palavra balbuciante do seu filho. Na glória de Deus, na qual nós a honramos hoje, ela prossegue a missão que Jesus lhe confiou sobre a Cruz: “Eis o teu Filho!” Rezar com Maria, mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e guia-nos na nossa caminhada junto de Deus.
Rezar como Maria.
Aprendemos junto de Maria os caminhos da oração. Na escola daquela que “guardava e meditava no seu coração” os acontecimentos do nascimento e da infância de Jesus, nós meditamos o Evangelho e, à luz do Espírito Santo, avançamos nos caminhos da verdade. A nossa oração torna-se ação de graças no eco ao Magnificat. Pomos os nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: “que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!”
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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A Igreja professou unanimemente, desde os primeiros séculos (V-VI), a fé na Assunção de Maria Santíssima em corpo e alma à glória celestial, como se deduz da liturgia, dos documentos devotos, dos escritos dos Padres e dos Doutores. Esta fé multissecular e universal foi confirmada por todo o Episcopado na Carta apostólica de 1 de maio de 1946, que ilustra as razões da definição dogmática proclamada por Pio XII no dia 1 de novembro de 1950.
I. Porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua posteridade e a dela1. A Virgem Santa Maria aparece assim associada a Cristo Redentor na luta e no triunfo sobre Satanás. É o plano divino que a Providência tinha preparado desde a eternidade para nos salvar. Esse é o anúncio do primeiro livro da Sagrada Escritura, e no último voltamos a encontrar esta afirmação portentosa: Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça2. É a Santíssima Virgem, que entra em corpo e alma no Céu ao terminar a sua vida entre nós. E chega para ser coroada como Rainha do Universo, por ser a Mãe de Deus. O rei está encantado com a tua formosura3, diz o Salmo responsorial.
O apóstolo João, que certamente foi testemunha do trânsito de Maria – o Senhor a confiara  ao discípulo, e ele não estaria  ausente nesse momento... –, nada nos diz no seu Evangelho acerca dos últimos instantes de Nossa Senhora aqui na terra. Quem nos falou com tanta clareza e força da morte de Jesus no Gólgota cala-se quando se trata dAquela de quem cuidou como sua mãe e como Mãe de Jesus e de todos os homens (4).
Externamente, deve ter sido como um doce sono: “Saiu deste mundo em estado de vigília”, diz um antigo escritor5; na plenitude do amor. “Terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”(6). Ali a esperava o seu Filho Jesus, com o seu corpo glorioso, tal como Ela o tinha contemplado depois da Ressurreição.
Com o seu divino poder, Deus manteve a integridade do corpo de Maria e não permitiu nele a menor alteração, conservando-o em perfeita unidade e completa harmonia. Nossa Senhora pôde “como supremo coroamento das suas prerrogativas, ver-se isenta da corrupção do sepulcro e, vencendo a morte – como o seu Filho a tinha vencido antes –, ser elevada em corpo e alma à glória celestial”7. Quer dizer, a harmonia dos privilégios marianos reclamava a sua Assunção aos céus.
Teremos contemplado muitas vezes este privilégio de Nossa Senhora no quarto mistério glorioso do rosário: “Adormeceu a Mãe de Deus. [...] Mas Jesus quer ter a sua Mãe, em corpo e alma, na Glória. – E a Corte celestial mobiliza todo o seu esplendor para homenagear a Senhora. – Tu e eu – crianças, afinal – pegamos a cauda do esplêndido manto azul da Virgem, e assim podemos contemplar aquela maravilha.
“A Trindade Beatíssima recebe e cumula de honras a Filha, Mãe e Esposa de Deus... – E é tanta a majestade da Senhora, que os anjos perguntam: Quem é Esta?” (8) Alegramo-nos com os Anjos, cheios também de admiração, e felicitamo-la na sua festa. E sentimo-nos orgulhosos de ser filhos de tão grande Senhora.
Neste mistério, a piedade popular e a arte mariana têm representado com freqüência a Virgem levada pelos Anjos e aureolada de nuvens. São Tomás vê nestas intervenções angélicas, em favor dos que deixaram esta terra e se dirigem para o Céu, a manifestação da reverência que os Anjos e todas as criaturas tributam aos corpos gloriosos9. No caso de Nossa Senhora, tudo o que possamos imaginar é bem pouco – nada – em comparação com o que deve ter acontecido realmente. Santa Teresa conta que, certa vez, viu a mão – apenas a mão – glorificada de Nosso Senhor, e diz que, perto dela, quinhentos mil sóis refletidos no mais límpido cristal eram como uma noite triste e escura. Como seria o rosto de Cristo, o seu olhar...? Um dia, se formos fiéis, contemplaremos Jesus e Santa Maria, a quem tantas vezes invocamos nesta vida.
II. Hoje a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, Ela é consolo e esperança do nosso povo ainda peregrino (10).
Fixemos o nosso olhar em Maria, já assunta aos céus. “E assim como um caminhante, pondo a mão sobre a testa como anteparo para contemplar um vasto panorama, procura alguma figura humana que lhe permita fazer uma idéia daqueles lugares, assim nós, que olhamos para Deus com olhos deslumbrados, identificamos e damos as boas-vindas a uma figura humana que está ao lado do seu trono [...]. E ao fitá-la, vemos mais claramente a Deus, através dessa obra-prima das suas relações com a humanidade” (11).
Todos os privilégios de Maria se relacionam com a sua Maternidade e, portanto, com a nossa Redenção. Maria assunta aos céus é imagem e antecipação da Igreja que se encontra ainda a caminho da Pátria. Do céu, Ela “precede com a sua luz o Povo peregrino como sinal de esperança segura e de conforto, até que chegue o dia do Senhor” (12). “Com o mistério da Assunção aos céus, realizaram-se definitivamente em Maria todos os efeitos da única mediação de Cristo Redentor do mundo e Senhor ressuscitado [...]. No mistério da Assunção, exprime-se a fé da Igreja segundo a qual Maria está unida por um vínculo estreito e indissolúvel a Cristo” (13).
Ela é a certeza e a prova de que os seus filhos estarão um dia com o corpo glorificado junto de Cristo glorioso. A nossa aspiração à vida eterna ganha asas ao meditarmos que a nossa Mãe celeste está lá em cima, que nos vê e nos contempla com o seu olhar cheio de ternura (14), com tanto mais amor quanto mais necessitados nos vê. “Realiza a função, própria da mãe, de medianeira de clemência na vinda definitiva” (15).
Ela é a nossa grande intercessora junto do Altíssimo. É verdade que a vida na terra se apresenta aos nossos olhos como um vale de lágrimas, porque não nos faltam sacrifícios e sofrimentos, e sobretudo falta-nos o Céu; mas, ao mesmo tempo, o Senhor concede-nos muitas alegrias e temos a esperança da Glória para caminharmos com otimismo. Entre esses motivos de contentamento, sobressai Santa Maria. Ela é vida, doçura e esperança nossa. E os seus olhos, como os do seu Filho, são de misericórdia e compaixão: Esses olhos misericordiosos a nós volvei, dizemos-lhe.
Maria nunca deixa de ajudar os que recorrem ao seu amparo: Nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tivesse recorrido à vossa proteção [...] fosse por Vós desamparado16. Procuremos confiar mais na sua intercessão, persuadidos de que Ela é a Rainha dos céus e da terra, o refúgio dos pecadores, e peçamos-lhe com simplicidade: Mostrai-nos Jesus.
E ponhamo-nos delicada e decididamente ao seu serviço, dispostos a atender aos seus menores desejos, a adivinhá-los até. “Como um instrumento dócil nas mãos do Deus excelso – escreve um Padre da Igreja –, assim desejaria eu estar sujeito à Virgem Maria, integralmente dedicado ao seu serviço. Concede-me esse dom, Jesus, Deus e Filho do homem, Senhor de todas as coisas e Filho da tua Escrava [...]. Faz que eu sirva a tua Mãe de modo que Tu me reconheças por teu servidor; que Ela seja a minha soberana na terra de modo que Tu sejas o meu Senhor por toda a eternidade” (17).
Mas devemos examinar como é o nosso trato diário com Ela. “Se estás orgulhoso de ser filho de Santa Maria, pergunta-te: – Quantas manifestações de devoção a Nossa Senhora tenho durante o dia, da manhã até à noite?”18: é nos momentos em que rezamos o terço, o Angelus ao meio-dia, as três ave-marias antes de nos deitarmos, que a Virgem nos confidencia o que espera de nós e nos inspira obras de serviço.
III. Felizes as entranhas da Virgem Maria que abrigaram o Filho do Pai eterno(19).
A Assunção de Maria é uma preciosa antecipação da nossa ressurreição e baseia-se na ressurreição de Cristo, que transformará o nosso corpo corruptível, fazendo-o semelhante ao seu corpo glorioso (20). Por isso Paulo recorda-nos também na segunda leitura da missa (21): se a morte veio por um homem (pelo pecado de Adão), também por um homem, Cristo, veio a ressurreição. Por Ele, todos retornarão à vida, mas cada um a seu tempo: como primícias, Cristo; em seguida, quando Ele voltar, todos os que são de Cristo; depois, os últimos, quando Cristo devolver a Deus Pai o seu reino... Essa vinda de Cristo, de que fala o Apóstolo, “não devia por acaso cumprir-se, neste único caso (o da Virgem), de modo excepcional, por dizê-lo assim, «imediatamente», quer dizer, no momento da conclusão da sua vida terrena? [...] Esse final da vida que para todos os homens é a morte, a Tradição, no caso de Maria, chama-o com mais propriedade dormição.
Assumpta est Maria in caelum, gaudent AngeliEt gaudet Ecclesia! Para nós, a solenidade de hoje é como uma continuação da Páscoa, da Ressurreição e da Ascensão do Senhor. E é, ao mesmo tempo, o sinal e a fonte da esperança da vida eterna e da futura ressurreição” (22).
A Solenidade de hoje enche-nos de confiança nas nossas súplicas. “Subiu aos céus a nossa Advogada para, como Mãe do Juiz e Mãe de Misericórdia, tratar dos negócios da nossa salvação” (23). Ela alenta continuamente a nossa esperança. “Somos ainda peregrinos, mas a nossa Mãe precedeu-nos e indica-nos já o termo do caminho: repete-nos que é possível lá chegarmos, e que lá chegaremos, se formos fiéis. Porque a Santíssima Virgem não é apenas nosso exemplo: é auxílio dos cristãos. E ante a nossa súplica – Monstra te esse Matrem, mostra que és Mãe –, não sabe nem quer negar-se a cuidar dos seus filhos com solicitude maternal [...].
Cor Mariae Dulcissimum, iter para tutum, Coração Dulcíssimo de Maria, dá força e segurança ao nosso caminho na terra: sê tu mesma o nosso caminho, porque tu conheces as vias e os atalhos certos que, por meio do teu amor, levam ao amor de Jesus Cristo” (24).
Francisco Fernández Carvajal
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Em Maria, deus nos revela a imagem da humanidade redimida
1. Imagem da humanidade redimida
A festa da Assunção de Maria antecipa-nos a visão da plena redenção de toda humanidade em Jesus, o Filho de Deus. Maria, nova Eva, em sua resposta de amor a Deus, gera o novo Adão, Cristo, nascido da graça e da fidelidade. Sua 'vida é plenamente assumida por Deus. Ela, elevada à glória do céu, simboliza toda a humanidade que, por mérito e ação de Jesus Cristo, será redimida e participará da vida divina.
2. Deus se Identifica com os humildes e pobres 
Em tempos fortes de perseguição, o poder do mal parece sufocar as esperanças daqueles que lutam pela justiça e confessam a fé num Deus, fonte de vida.
A linguagem do Apocalipse traduz o horror presente no auge da perseguição romana às primitivas comunidades cristãs. Todavia, ao confrontar a força do dragão com a fragilidade da mulher em trabalho de parto, o autor apresenta a fraqueza do opressor. Além de não conseguir a total destruição da terra (somente dois terços das estrelas), o império treme ante a visão de um frágil recém-nascido.
Esse relato do Apocalipse, confrontado com o evangelho da visitação, revela que o desígnio salvífico de Deus encontra em Maria uma porta aberta para se fazer história.
Isabel, por sua condição, incorpora de forma simbólica a situação de todos os pobres e humildes de seu tempo. Eles, sem alento e esperança nos poderes humanos, têm em Deus sua única segurança. A exultação de Isabel exprime a esperança e o desejo de libertação que a fé imprime no coração dos humildes. Aquilo que aos olhos dos poderosos passa despercebido é revelado aos pequenos e acalenta seu sonho de vida.
Em sua fragilidade, o povo sente em Jesus o Deus presente em sua vida, que é solidário com seu sofrimento e dor e com ele caminha para o Reino da Vida e da Liberdade.
3. Nascidos na Graça
A Festa da Assunção, celebrada hoje, resulta da grande confiança que a Igreja deposita em Maria, a mãe de Jesus. Em Maria, a Igreja reconhece que Deus, ao preparar um lar para acolher o seu Filho, inaugura uma humanidade nova.
De um lado, assumindo a vida de Maria, Deus revela que sua graça pode superar todos os limites da condição humana e nos conceder a vida em plenitude. Por outro, plenamente assumida por Deus, ao dar seu sim fecundo a Deus, Maria ajuda-nos a compreender que a salvação é prerrogativa única de Deus que, todavia, quis precisar da colaboração humana.
O sim de Maria se contrasta com o não de Eva. Por isso, Deus, em Maria, recria a humanidade, nascida agora para a graça e a vida e não para o pecado e a morte.

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A alegria tornada vida cotidiana
A solenidade da Assunção nos presenteia no evangelho com o texto do Magnificat. Trata-se do canto de Maria, ainda grávida de Jesus, que agradece a Deus pela graça recebida. É curioso, e convém sublinhá-lo, o fato de a Igreja nos oferecer um texto evangélico de uma Maria jovem para nos explicar o que aconteceu depois de sua morte. Diz o dogma que Maria subiu ao céu de corpo e alma. Que foi a primeira dentre todos nós. Sua Assunção é sinal e promessa da nossa. Mas a Assunção não foi apenas um fato que aconteceu em um momento determinado. Maria subiu ao céu porque viveu com o olhar posto em Deus. O Magnificat - o canto de Maria, jovem ainda, grávida de seu filho, que se encontra com sua prima Isabel, igualmente grávida - não é apenas uma bela poesia. Trata-se de claro testemunho do estilo de vida de Maria.
Aquela jovenzinha de uma aldeia da Galiléia tinha a alegria impregnada no corpo. Era uma alegria fruto da fé e da confiança no Deus de seu povo. Para além das aparências, ela sabia ficar acima do cotidiano e olhar para a história com perspectiva. Por isso, Maria sabe que "sua misericórdia (a de Deus) chega a seus fiéis de geração em geração" e que "auxilia a Israel, seu servo, lembrando-se da misericórdia". Isso não significa dizer que Maria não tenha passado por momentos cinzentos em sua vida cotidiana. Não deveria dar para muitas alegrias a vida naquelas aldeias das montanhas da Galiléia. Lavar, cozinhar, limpar, ajudar nas tarefas do campo, todos os trabalhos de uma mulher agravados pela pobreza em que vivia aquela gente. Naquela situação, a maioria das pessoas permanecia ao rés do chão. Não eram capazes de ver nada além do imediato, do que a vida tem de cinzento, dor, negatividade e morte. Maria - e isto é o importante - passou exatamente pelo mesmo, mas olhava para outros horizontes. Olhava para o céu e enxergava o rosto bondoso do Deus que havia sido sempre misericordioso com seu povo e que lhe havia prometido a salvação. Por sua fé, Maria transformou sua vida de cinzenta em algo luminosa.
Sua luz continua iluminando a todos nesta festa. Nossa vida, também, costuma ficar cinza quando permitimos que nosso olhar fique no rés do chão. A festa de hoje nos recorda que precisamos levantar nosso olhar e colocar nossos horizontes um pouco mais adiante. Devemos olhar nossa vida e a de nossos irmãos com os olhos de Deus, com a perspectiva de Deus. Nós nos surpreenderemos ao descobrir a cor diferente que terá a vida. E aprenderemos a rezar o Magnificat com o prazer e a fé de Maria.
Por que não experimento rezar diariamente o Magnificat? Basta fazer um instante de silêncio e permitir que as palavras de Maria se tornem minhas palavras. Que, por meio delas, fale, igualmente, o meu coração dando graças a Deus por tudo que me concedeu, porque viu a minha humilhação e me fez seu filho. Talvez isso nos ajude a levantar o nosso olhar até o horizonte de Deus.
Victor Hugo Oliveira
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"Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial".
Maria foi glorificada por Deus. O dogma não deixa claro se Maria morreu ou não (ou adormeceu como nos fala algumas tradições). O texto fala do término do curso de sua vida terrestre. O que podemos claramente afirmar é que, como Jesus, Maria é glorificada, ressuscitada, a Rainha do Céu e da Terra, a mulher vestida de sol do Apocalipse. Eis o significado do dogma da Assunção, proclamado pelo Papa Pio XII.
São Paulo nos diz (na segunda leitura) sobre a nossa ressurreição, afirmando que nós também ressuscitaremos como Cristo. No Apocalipse (primeira leitura) vemos Maria como sinal glorioso, vitoriosa contra os poderes do mal. Unindo os dois textos, afirmamos que Maria é o ícone escatológico da Igreja, ou seja ela é antecipadamente o que desejamos ser. Ela está glorificada, enquanto nós queremos o mesmo: esperamos participar da glória de Deus no Mundo Novo prometido por Jesus. Desejamos a ressurreição como Maria já é ressuscitada.
Há uma conexão entre esta vida e a vida após a morte, de tal modo, que estamos amadurecendo, crescendo rumo à maturidade em Cristo, ao dom da vida plena, de ressuscitados. “O que é imperecível é precisamente aquilo que viemos a ser no nosso corpo, o que cresceu e amadureceu na vida nas realidades deste mundo. O Cristianismo anuncia a eternidade daquilo que se passou neste mundo (...) É o amor de Deus que nos torna eternos e a este amor que concede a vida eterna é que chamamos de ‘céu’” (Bento XVI).
Costumamos coroar Nossa Senhora, proclamá-la Rainha, colocamos nela coroas e adornos solenes. Tudo isso é um bonito sinal de nossa devoção a Mãe de Deus, aquela que foi chamada “bem aventurada”, a “maior de todas as mulheres”, a “mãe do Senhor”, conforme ela mesma foi chamada por Isabel quando estava cheia do Espírito Santo. Por outro lado, Maria é mulher humana como nós, que fez o seu caminho de discípula até que Deus a glorificasse. As lições humanas da discípula Maria são os indicativos para que caminhemos rumo a Céu, como ela.
1) No Evangelho, Maria não dá a si mesma um título de “endeusamento”, Maria se auto-entitula humilde e serva. Em seguida, declara uma realidade: todos me considerarão bem-aventurada, ou seja, no grego, makária, que significa Santa do Reino de Deus (Lc 1,48). E quem lhe deu esta graça? Foi o Senhor que fez grande coisas em seus favor, como ela mesmo diz no versículo seguinte. Assim, quem proclamou Maria como Santa não foi a Igreja, mas o próprio Deus, segundo evangelista Lucas, e isso aconteceu por ela ser a serva humilde do Senhor. Maria é a primeira discípula que escuta a Palavra no silêncio, abrindo-se à vontade de Deus, deixando-se guiar por Ele.
2) Deste modo, existe um caminho seguro para se chegar a bem aventurança de Maria: a humildade. Ela não quis ser grande, ela se tornou grande por ser a menor de todas: Maria é a humilde serva de Javé. O Senhor olhou para a sua simplicidade e humildade. Quantas vezes queremos ser exaltados, queremos oprimir, queremos o primeiro lugar. Maria, no entanto, ganhou o primeiro lugar porque se colocou na última posição. Da humildade nasce seu serviço. Maria é disponível, pronta. Vai às pressas para ajudar Isabel. É interessante observar que a Escritura relata que a primeira atitude de  Maria após o anúncio do Anjo foi a de ir ajudar nos trabalhos domésticos de sua prima grávida. Maria nos dá o exemplo: também nós devemos ser disponíveis ao serviço, aos irmãos, ao trabalho na Igreja, ao Reino.
3) Maria é “bem aventurada porque acreditou”. Aqui está um contraponto a Zacarias. Esse era sacerdote do templo, mas duvidou da promessa divina. Do outro lado está Maria, uma jovem sem títulos.  No entanto, foi ela que acreditou nas promessas de Deus: Ela é a mãe da fé, que acreditou no Senhor que ela mesma carregava no seu ventre. A fé nos faz caminhar rumo ao Céu de Maria, faz-nos antecipar o Céu, dá sustento para que o nosso cristianismo não seja teórico ou folclórico. A fé impulsiona nossa vida para que sejamos gratuitos como Maria, fazendo a vida se encher de beleza e sentido.
Que na humildade, no serviço e na fé vivamos “atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória [de Deus]” (Oração da Coleta).
padre Roberto Nentwig
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“O grande exemplo para todo cristão” Lc. 1,39-56
Quando celebramos a Assunção de Nossa Senhora, celebramos a vida, a esperança, a eternidade. A Igreja coloca esta festa para que tenhamos um referencial onde pautarmos nossa fé. Maria é esse referencial, é o ser humano por excelência que Deus quis exaltar para nos mostrar a beleza do que nos espera.
Celebrar a assunção é a oportunidade de olharmos nossa vida, nossa conduta, nosso jeito de ser cristão e refletir sobre nossa preparação à essa realidade. Como cuido do meu corpo que um dia ressuscitará?? Como fortaleço meu coração para ter consciência de que um dia estarei na presença de Deus? Que efeitos a idéia de eternidade produz em minha vida? São questionamentos que devemos fazer e assim preparar-nos também para nossa assunção.
Para ajudar nestes questionamentos, Lucas nos propõe o Evangelho de hoje em que Maria dá diretrizes do que deve ser feito. O evangelista como pesquisador colheu informações importantes sobre a mãe de Jesus das comunidades primitivas e teceu uma catequese fecunda para a vivência cristã de todos os tempos. Se quisermos seguir Jesus Cristo, se queremos nos preparar para a assunção, devemos olhar com carinho aquela que Padre Zezinho em sua música chama de “Primeira cristã”.
A catequese de Lucas é muito profunda, porém, na limitação dessa mensagem, vou me ater apenas em três aspectos da vida de Maria que podem e devem iluminar nossa caminhada.
O primeiro é a disponibilidade. Disponibilidade é ato ou efeito de se dispor. Maria, ao receber a missão, mesmo tendo dúvida se dispôs totalmente. “Eis aqui a serva do Senhor” (Lc. 1,38). O trecho do Evangelho que é proposto na festa da Assunção mostra o quanto ela se dispôs ao sim que havia dito.  Não se acomodou, mas se disponibilizou.
A vivência cristã, olhando a atitude de Maria, não pode ser apenas de conversa. O cristianismo não é teoria, é prática. Devemos ser cristãos não apenas de palavra, mas de ação. É assim que Maria viveu e é assim que Lucas a descreve.
Coloca Maria viajando uns 160 km. em estrada difícil para servir. Sua fé, seu compromisso é com o amor, com o bem de sua prima. O serviço é o principal ingrediente fornecido por Maria a todos os que querem se preparar para a assunção. Porém, o serviço supõe disposição e desapego. É preciso sujeitar-se aos caminhos tortuosos não apenas por aventura, mas porque o outro precisa. Maria serviu assim, Lucas assim a transmite e nos evangeliza.
Segundo aspecto é o testemunho. Maria cumprimentou Isabel e a criança pulou de alegria em seu ventre. Maria transformou a casa e a vida de Isabel apenas com sua presença. Isabel ficou tão feliz que deu um forte grito nos diz Lucas. A presença de Maria supõe a presença de Jesus e por isso transforma tudo.
Ser cristão como Maria é levar Jesus onde quer que vá. É distribuir alegria e fazer os outros felizes. O testemunho de alguém que tem intimidade com Cristo transforma qualquer ambiente. É assim que o Espírito Santo age como agiu naquela cena. Somos chamados a levar alegria onde quer que estejamos, mas não uma alegria vazia, de risos e gargalhadas, mas sim uma alegria da presença de Deus.
Quantos ambientes, escolas, lares, repartições públicas estão precisando dessa alegria? Eis nossa missão. É ai que devemos testemunhar e mostrar quanto Deus é bom. Muitas pessoas estão precisando de alegria para viver. Que sejamos nós os cristãos que se preparam para a assunção, os dispensadores dessa alegria transformadora. Maria viveu assim, ela é o exemplo de testemunho que Lucas nos oferece.
O terceiro aspecto é a humildade. “Bem aventurada aquela que acreditou” Lc. 1,45). A fé é privilégio dos humildes. Como pessoa de fé Maria foi também humilde para reconhece sua fragilidade e necessidade de Deus. É com humildade que sabemos quanto somos inúteis e o quanto precisamos de Deus. Humilde é quem acredita e se disponibiliza. É quem se reconhece como instrumento inútil (Lc. 17,10 ) nas mãos de Deus.
A comunidade de Lucas sabia da humildade de Maria e louvava por isso. O cântico lindo que chegou até nós é o exemplo mais claro disso. Deus sabe utilizar instrumentos imperfeitos nos ensinou Bento XVI no início de seu pontificado. É assim que Deus transforma o mundo, por meio dos humildes, do fraco. Maria canta sua humildade porque se considera importante aos olhos de Deus. Ser humilde não é se menosprezar, mas reconhecer-se como peça fundamental na construção do mundo melhor. Por meio dos humildes Deus eleva seu Reino. Com Maria Ele fez grandes coisas. O que Deus pode fazer pelo mundo conosco?? Sejamos humildes e reflitamos.
Alem de outros aspectos, Maria viveu tudo isso e assim pode ser considerada o grande exemplo para todos nós. Viver em função de nossa assunção não é tarefa fácil, mas é nossa missão de cristão que acredita na ressurreição. A Igreja celebra a assunção de Nossa Senhora colocada como dogma por  Pio XII em primeiro de novembro de 1950. Assim temos motivo para continuar lutando por um mundo melhor.
A comunidade de Lucas via tudo isso em Maria e Lucas nos transmite para que sejamos fortes e busquemos seu exemplo. A ressurreição é uma realidade, não uma hipótese. Maria é o exemplo claro de que Deus nos levará também para o céu. É por isso que a Igreja como mãe nos coloca a festa da assunção de Nossa Senhora.
padre Reginaldo Antonio Ghergolet

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Um comentário:

  1. Parabéns pelo seu trabalho, fico muito feliz com pessoas assim que tiram seu tempo para divulgar a palavra que nos dar força e nos salva. Continue assim.
    Tb eu fiz um blog só para divulgar os eventos de nossa Igreja e faça isso com muito carinho e seu que esse tempo não é desperdício e sim ganho...
    igrejasaofranciscosolano.blogspot.com.br/

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