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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Comentários Prof.Fernando

Comentários Prof.Fernando (12ºpósPentecostes/19aSemana T.Comum) 11agosto 2013

– SOBRE sapatos vermelhos –
·               Noticiário sobre religiões geralmente são superficiais. A presença do papa católico no Rio chegou a produzir alguns bons comentários e reportagens menos “folclóricas”... A razão provável seria a figura desse Francisco que começou pedindo a bênção e a oração do povo. E, logo depois, quebrou a tradição de usar “sapatos vermelhos”. Simplicidade, palavras, olhar e sorriso – tudo inspira franqueza e autenticidade e devem ter contribuído para levar às pessoas (inclusive aos profissionais da Mídia) uma visão mais clara do que é central na mensagem cristã, do núcleo ou coração da Boa Notícia (=Evangelho). Como lembrou aos jovens argentinos, dia 25 de julho:“As Bem-aventuranças e Mateus 25”, vocês não precisam ler mais! Repete sempre para não deixarmos que nos roubem a Esperança, e que o Amor é, concretamente, a Solidariedade. O outro (que Francisco homenageia dizendo carinhosamente que sua convivência é como “ter o avô em casa”) escreveu sobre o Amor, a Esperança e o desenvolvimento integral da pessoa. Preparou uma 4ª Carta que foi concluída pelo novo bispo católico de Roma. Então sua 1ª Carta solene é a Lúmen Fídei, sobre a Fé.
·                 E foi pela Fé (carta aos Hebreus da 2ªleitura de hoje) que Abraão obedeceu, e partiu sem saber para onde ia... pela fé residiu como estrangeiro, vivia acampado... (Hb 11). Em Lucas 12,32-48 também é pela Fé que manteremos a atitude de “Vigilância” (a “Espera” que não é passiva, mas compromisso de dar a cada um sua parte de alimento - verso 42). Nas comunidades fundadas por Paulo havia (seguindo o próprio Apóstolo) uma expectativa quanto à volta iminente de Cristo em glória. Nas comunidades para quem Lucas escreve, a demora arriscava enfraquecer a fé. Era preciso “vigiar e orar” de modo a perceber que o Cristo, mesmo agora fora do Tempo terreno, age na História, no presente. O “tempo” em que vive a Igreja (a comunidade dos salvos pela mesma Fé de Abraão) é um tempo de “vigilância”. Pedro perguntara: tu contas a parábola para nós ou é para todos? A resposta do Mestre indicou que é maior a responsabilidade de quem tem maior consciência do projeto preparado por Deus para o ser humano. Mas todos – servos e servas na casa comum da Terra – precisam “viver em alerta”, sabendo dar a cada um sua parte de alimento, sem espancar os criados e criadas, isto é, os companheiros da própria casa. Isso se chama: conhecer e fazer a vontade do Senhor (v47). A seguir: um resumo (excluídos os subtítulos) de texto escrito por M.Domergue (2007).

SOBRE Caminhantes sem eira nem beira
·                    Domingo passado meditamos sobre a ilusão de fundamentar a vida sobre os “bens” acumulados. As leituras de hoje completam essa ideia ao fazer convergir outros dois aspectos: nossa condição é de “nômades” (caminhantes) nossa atitude deve ser: “vigilância” (ou a Espera atenta e ativa). São sempre imagens, insuficientes para atingir o centro do mistério da existência e devem ser vistas no conjunto. Jesus sempre estava “a caminho”. Retomou e levou a seu termo, a experiência de seus antepassados. Abraão, Isaac e Jacó pareciam nunca estar em casa. Os Hebreus instalaram-se na terra prometida por pouco tempo: tribos divididas em dois “reinos”; o exílio (Babilônia); depois, dominados: sob persas, gregos e romanos...
·                    A história do povo eleito revela nossa condição humana: estamos todos de passagem. Não temos moradas definitivas. Não adianta acumular bagagem demais. Cristo, a caminho, disse sua Palavra definitiva em sua “passagem” final (“Páscoa”) por onde se chega ao paraíso perdido e reencontrado. A Fé gera Esperança (pelo que está por vir e para onde nós iremos).

SOBRE a atenção
·                     Formar a atenção é a finalidade da educação, escreveu Simone Weil (filósofa e mística, 1906-1939). E a parábola de hoje fala do comportamento de empregados durante uma viagem do dono da casa. Como eles, nós vivemos aparentemente isolados neste planeta. O que está em jogo é a qualidade da Espera. De fato, habitamos um universo onde Deus não é perceptível aos sentidos. Mas os empregados sabem que o patrão vai voltar. Mas, quando? Parece que estamos sós, pois o Cristo desapareceu (“subiu ao céu”). Só o “temos” graças à grande comunidade dos crentes, isto é, dos que formam seu “corpo”, “visível” na História. Contudo, Deus está sempre nos visitando, por meio do seu Espírito. Hoje. Aqui e agora. Sempre.
·                     Nós o podemos acolher apenas pela Fé. Essa é nossa abertura interior capaz de uma “espera”, atentos aos seus sinais, no meio da vida (que cada dia nos é dada). Se não podemos nos instalar em nosso Presente, temos de viver voltados para o que virá. Então, somos como “nômades”, sem moradia fixa. Não devemos nos fechar, diante da “ausência” e do silêncio de Deus, “bebendo, comendo, embriagados”, isto é, apenas vegetando... Melhor viver abertos, desde agora “até a hora de nossa morte” (como reza a Ave Maria), última e definitiva passagem para o reencontro com Ele.

SOBRE quem vai servir à mesa
·                     Como esperar? Fazendo nosso trabalho. Distribuindo aos outros “sua parte nos alimentos”. Com efeito, desde “o princípio” (v. Gênesis), foram-nos confiadas gestão e administração deste mundo. Cabe-nos construir o mundo de acordo com a justiça e o amor (“à imagem de Deus”). Nós somos os “encarregados fiéis”, ou infiéis da parábola. O Mestre põe o supervisor desonesto entre os “infiéis”. Ele mesmo, aliás, foi quem se colocou naquela situação. O julgamento é apenas constatação. Mesmo assim até ele pode ser “resgatado”, pois o próprio Deus, pelo seu Cristo, tomará lugar entre os infiéis, crucificado entre dois bandidos.
·                     A imagem da parábola é forte: o próprio Senhor, dono da casa, assume o papel dos escravos e vai servir à mesa seus próprios empregados. Lembra o lava-pés na última ceia: Jo 13. E o alimento que ele nos serve é o próprio Deus, ou seja, sua própria vida (plena, infinita e eterna) compartilhada com as criaturas. Aqui nos encontramos numa espécie de competição de serviços. Não existimos a não ser à imagem e semelhança de Deus. Cristo se foi e isso nos parece insuportável. Então, somos levados ao desencorajamento. É nisso que se revela o que chamamos Fé. Deus, por primeiro, colocou-se a nosso serviço. Ele nos inspira ao que temos de fazer, à coragem para terminar sua obra, à alegria nascida de nosso acesso à verdade.

SOBRE o “Dia dos Pais” em 3 orações
·                     Neste domingo do Pais, nossa oração pelos pais. Que possam transmitir aos filhos a Fé e a Esperança, mesmo com suas dúvidas, em dificuldades para “dar a cada um sua medida de alimento” (Lc12,42), entre o medo e a violência do mundo, o desemprego ou crises financeiras.
·                     Nossa oração também pelos filhos e filhas. Crianças ou adultos, que eles saibam olhar com gratidão e compreensão, a bondade e as limitações humanas. Não apaguem a chama ainda acesa (Is42,3) pelo Amor. A luz, por menor que seja, é melhor que trevas.(cf.Is42,7).
·                     Nossa oração pelos que têm saudades (de filhos ou pais falecidos). Que encontrem a paz, pois o “Reino é como a semente” (cf.Mt13,32) e será árvore gloriosa.

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(* ): Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) fesomor2@gmail.com

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