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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 31 de agosto de 2013

ESCOLHIAM OS PRIMEIROS LUGARES

22º DOMINGO TEMPO COMUM

1º de Setembro

Comentários-Prof.Fernando

 

QUEM SE ELEVA, SERÁ HUMILHADO
E QUEM SE HUMILHA, SERÁ EXALTADO.


            Na nossa sociedade a palavra humildade é sinônimo de pobreza, incompetência, analfabetismo, burrice, entre outras coisas  que impedem as pessoas ou alguém de conviver com a classe média, e a classe alta. Continua...


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“... QUEM SE HUMILHA SERÁ EXALTADO.” – Olívia Coutinho
XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia 01 De Setembro de 2013-08-28
Evangelho de Lc 14,1.7-14

 Numa sociedade onde impera o individualismo, a competitividade, o povo vai se distanciando cada vez mais do projeto de Deus, deixando de lado os valores do evangelho, da ética e da moral. O que não está longe de nós, que muitas vezes, escondemos no manto da bondade,  para nos aparentar pessoas corretas, cumpridoras das normas religiosas, seguidores de Jesus,  quando  na prática, agimos de forma contrária a Dele, deixando-nos levar pela vaidade, pela auto-suficiência. 
Precisamos ter a  humildade de reconhecer as nossas imperfeições  para que possamos  nos alto – corrigir e nos colocar no nosso devido lugar, e não, no lugar do outro!
Jesus, enquanto caminhou aqui neste chão, nos ensinou com a própria vida, que a grandeza do homem, não está em ser o primeiro, e sim, em estar no lugar que Deus o colocou, é Deus  que escolhe o nosso lugar, e não nós.
Como único mestre de toda história, Jesus serviu-se de meios humanos bem simples,  para nos ensinar que é na gratuidade e  na humildade, que  seremos classificados por Deus, como  primeiros no Reino dos céus.
O evangelho que a liturgia deste domingo nos apresenta, nos convida a pautar a nossa vida no exemplo de Jesus, que mesmo sendo Deus, se pôs a serviço de todos, curvando-se para lavar os pés dos apóstolos, numa atitude de humildade e de  serviço.
“Sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo” (Fl 2, 6-7).
Mesmo sendo o próprio Deus, Jesus se fez pequeno, para Ele, a sua Nobreza, estava em ser “FILHO”, um Filho completamente dependente do Pai!
Pela lógica dos homens, ser grande, é possuir bens, é ter poder, fama, enquanto que pela  lógica  de Deus,  grande, é  todo aquele que serve que vive na simplicidade e na humildade, este sim,  tem uma vida fecunda e plenamente realizada.
Com o seu testemunho, Jesus  nos ensina que o caminho que nos leva a salvação é o caminho da humildade, caminho que Ele mesmo  percorreu,  ora se misturando com os pobres  e marginalizados, ora sentando à mesa da refeição com os seus adversários.
A nossa vida cristã, deve ser  marcada pela vida de comunhão e acima de tudo, de humildade.
A humildade é a virtude que mais nos aproxima de Deus, que nos torna parecidos com Jesus! A humildade  é o reflexo da alma!  Quem é   humilde, não presume que o é, pois  dentre todas as virtudes, somente a humildade se ignora a si mesma. 
 Uma pessoa não é humilde de nascença, ela vai tornando humilde à medida em que ela vai reconhecendo a sua fragilidade, a sua pequenês diante do Senhor. O que acontece, quando nos esvaziamos de nós mesmo, para nos encher do amor de  Deus!  É a força deste amor, que nos  torna humildes!
Jesus disse: “felizes os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus”. Podemos concluir: a humildade é  a característica marcante de um  verdadeiro seguidor de Jesus!  
O texto nos  diz, que Jesus estava almoçando com o chefes  dos fariseus, e ao  notar que os convidados ocupavam  os primeiros lugares, Ele os adverte,  contando  uma parábola que chega até a nós, como uma alerta, quanto ao  risco que corremos quando passamos por cima do outro, para  nos auto-promover.
Jesus insiste em mudar a mentalidade interesseira daqueles que pensam que ocupando os primeiros lugares serão notados, o que vai ao contrario à uma sua  afirmativa: “O primeiro no reino dos Céus é aquele que serve.”  Esta advertência  de Jesus, nos  leva  a um questionamento: O que é mais importante: destacar diante dos homens aqui na terra ocupando os primeiros lugares,  ou assumir  a cruz com Jesus e receber um lugar de honra no céu?
No final do evangelho, Jesus nos orienta: “... quando deres um banquete convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos! Então serás feliz, pois eles não te podem  retribuir!”
Façamos o que Jesus nos pede,  mas não fiquemos somente no Banquete lá  da nossa casa,  podemos ir mais além, se  misturados, dentro do espírito da  igualdade, no  banquete  da partilha, do viver em comunhão com Deus e com os irmãos.
  
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia

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Evangelhos Dominicais Comentados

01/setembro/2013 – 22o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Lc 14, 1.7-14)
O evangelho de hoje acontece num sábado. Aparentemente, Jesus estava voltando da sinagoga, e o encontramos sentando-se à mesa para almoçar na casa de um dos chefes dos fariseus.

Como sempre, os fariseus e os doutores da lei observam atentamente o comportamento de Jesus para ver se conseguem apanhá-lo em alguma falta. Queriam um motivo para censurá-lo. Jesus aproveita a oportunidade e não deixa escapar essa chance para dar aos presentes uma lição de humildade.

Os convidados estavam preocupadíssimos em sentarem-se nos primeiros lugares à mesa. Todos se sentiam no direito de escolher o melhor lugar.   Percebendo isso, através de uma parábola, Jesus mostra a importância de viver modestamente, sem orgulho e sem arrogância.
Jesus participava das celebrações e conhecia muito bem o Livro Sagrado e, neste evangelho, nos dá uma aula de conhecimento bíblico ao citar as palavras do livro dos Provérbios (Pr 25, 6-7) que diz: "Não se faça de pretensioso diante do rei, não ocupe o lugar dos grandes. É melhor que digam para você: suba até aqui, do que ser humilhado diante dos grandes".

Quem se humilha será glorificado, porém quem se coloca no alto do pedestal, corre sério risco de ser humilhado. Jesus recomenda viver a humildade e rebaixar-se, como condição para ocupar um lugar de destaque. Mais uma vez Jesus nos lembra que perante Deus, grande é o pequeno.

Com esse provérbio Jesus quis chamar a atenção dos presentes naquele almoço. Afinal de contas, Ele, o próprio Deus, sempre pregou e viveu a humildade e o serviço. Em certa ocasião Jesus disse: "Eu vim para servir, e não para ser servido" - disse também - "Quem quiser ser o maior, entre vocês, seja aquele que serve".  

As Palavras de Jesus não envelhecem. Como naquele tempo, também nos dias de hoje, encaixam-se perfeitamente nos meios políticos, no nosso ambiente de trabalho, na escola e, até mesmo, na nossa comunidade paroquial.

Aparentemente existe uma grande disposição em servir, no entanto, alguns estão preocupados somente em assentar-se nos primeiros bancos, nos lugares de destaque, em ocupar os altos postos e usar sua posição para promover-se. 

Jesus não proíbe o convite ou a reunião entre amigos para um almoço. Ele sabe valorizar a amizade e a união familiar. O que Jesus não recomenda é convidar pessoas de posses, pois elas irão retribuir o convite e devolver a gentileza, aqui mesmo, nesta terra. Não é essa a recompensa que devemos procurar, diz Jesus. É preciso procurar as coisas do alto, por isso Ele recomenda que o convite seja feito aos pobres, aleijados e cegos.

Jesus diz que a caridade garante a recompensa eterna. Só quem convida o excluído tem essa garantia. O aleijado, cego ou coxo que Jesus se refere não é, necessariamente, um portador de deficiência física. É preciso enxergá-los também nos marginalizados que encontram seu sustento no lixão da periferia. Convidar esse irmão para um almoço quer dizer: descer do pedestal, aproximar-se e engajar-se na luta por mais trabalho, dignidade e amor.

Essa é a boa notícia de hoje: Jesus foi à frente para preparar um lugar, de destaque, para você que vive o amor e a partilha.

(2394)


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22º DOMINGO DO TEMPO COMUM 01/09/2013
1ª Leitura Eclesiástico 3, 19-21. 30-31
Salmo 67(68),11b “Vosso rebanho fixou habitação numa terra que vossa bondade, ó Deus, lhe havia preparado”
2ª Leitura  Hebreus 12, 18-19. 22-24ª
Evangelho Lucas 14, 1.7-14
         “Ficha Limpa”-Diac. José da Cruz
Lucas ao iniciar esse evangelho, faz questão de nos dizer que o Fariseu tinha uma “Ficha Limpa”, era alguém notável, íntegro, de boa índole, uma referência para a comunidade. Por ser admirado como grande Mestre, Jesus era sempre muito solicitado para estar á mesa com eles, na casa de algum líder da comunidade. O texto nos informa que “eles” o observavam, talvez para ver se tinha boas maneiras, se seguia a risca as determinações judaicas para se tomar uma refeição, ou simplesmente porque Jesus irradiava algo de sobrenatural,  e cada gesto ou palavra sua, tinham um significado profundo.
Sem se sentir o centro das atenções e sem querer ser o grande “astro” ou celebridade, Jesus também se põe a observar o modo como os convidados do Fariseu escolhiam os primeiros lugares á mesa, e que era naturalmente os mais próximos ao Dono da Casa. Não sabemos em que lugar Jesus tomou assento, mas certamente não foi no lugar mais importante, julgando-se pela sua observação...
Penso ainda, que naquela refeição, Jesus notou que os serviçais tiveram que, educadamente, tirarem de seus lugares alguns que se julgavam o máximo e que deles haviam se apossado. Imaginem o “mico” de sair de um lugar mais importante para sentar-se em outro, menos importante. Vai ver que alguém se apressou em chamar Jesus para ocupar o lugar principal ao lado do Fariseu Anfitrião. Ao ver o constrangimento desses convivas, Jesus deve ter esboçado um leve sorriso aos que estavam ali por perto.
Em nossas comunidades algo semelhante ocorre nas ações litúrgicas, principalmente quando se trata da Santa Missa. Os lugares mais próximos do Padre são os mais visados e disputados nas escalas. Aliás, Liturgia é uma das maiores vitrines da nossa Igreja, nela os Egos são alisados, e os prazeres e alegrias plenamente satisfeitos. E quando a Paróquia realiza algum evento, como um Jantar Dançante, por exemplo, as mesas mais próximas a do Padre são as mais procuradas, ás vezes até reservadas com antecedência. Há muitas disputas para cargos que “aparecem”, mas por trabalhos humildes, que ficam quase no anonimato, não há disputas ou concorrências. Poderia se disputar, por exemplo, quem faz mais visitas aos enfermos, aos pobres, aos presos, quem se doa mais a essas classes sofridas e injustiçadas, ás vezes até dentro da própria comunidade. O que isso nos mostra?
Que o Amor doação, que se faz serviço desinteressado ao outro, anda meio longe de nossas comunidades, em certas ocasiões. É nesse sentido que Jesus alerta para esse perigo em nossas comunidades, onde quem se exalta vai acabar sendo humilhado, de que jeito? No dia em que a casa cair e todos ficarem sabendo de suas reais intenções. A humilhação será grande e a pessoa, envergonhada por ser desmascarada, vai acabar sumindo da comunidade. O que Jesus exalta nesse evangelho é exatamente a gratuidade nas relações fraternas, uma ajuda, um trabalho, uma ação feita a favor do outro, e que nada espera de recompensa ou gratificação. Nessa linha que devemos compreender a exortação de não convidar pessoas importantes para almoçar em nossa casa, mas sim de pessoas que nunca poderão retribuir. Jesus não é contra a ideias de acolhermos pessoas queridas em nossa casa para uma refeição, o que ele ensina é que, a conduta de um cristão, dentro da comunidade e fora dela, deve ser pautada pelos valores do evangelho, e não pelas grandezas fantasiosas que o mundo nos propõe. No mundo o que vale é o TER, na comunidade é o SER.
A interferência do TER no SER na Vida eclesial, resulta em numa comunidade de relações mercantilizadas, onde cada um busca o benefício próprio e não o Bem Comum.
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Engana-se quem pensa que o Evangelho de hoje é um guia de etiqueta e de boas maneiras em banquetes e recepções. Nada disso! Jesus pensa, aqui, no banquete do Reino, que é preparado pelo banquete da vida; sim, porque somente participará do banquete do Reino quem souber portar-se no banquete da vida!
E neste banquete, no daqui, no desta vida, o Senhor hoje nos estimula a duas atitudes, dois comportamentos profundamente evangélicos. Primeiramente, a humildade: “Quando tu fores convidado para uma festa de casamento (Tu foste: a festa das Núpcias de Cristo com a Igreja, festa da Nova Aliança do Reino), não ocupes o primeiro lugar... Vai sentar-te no último... Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: ‘Amigo, vem mais para cima’”. O que é ser humilde? Humildade deriva de humus, pó, lama, barro... Ser humilde é reconhecer-se dependente diante de Deus, é saber-se pobre, limitado diante do Senhor. Quem é assim, sabe avaliar-se na justa medida porque sabe ver-se à luz do Senhor! O humilde tem diante de si a sua própria verdade: é pobre, é indigente, mas infinitamente agraciado e amado por Deus. Por isso, o humilde é livre e, porque livre, manso. Tinha razão Santa Teresa de Jesus quando afirmava que a humildade é a verdade. O humilde vê-se na sua verdade porque vê-se como Deus o vê, vê-se com os olhos de Deus! Então, o humilde é aberto para o Senhor, dele reconhece que é dependente, e a ele se confia. Podemos, assim, compreender as palavras do Eclesiástico:"Filho, realiza teus trabalhos com mansidão; na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor. O Senhor é glorificado nos humildes”. É assim, porque somente o humilde, que reconhece que depende de Deus, pode ser aberto, e acolher como uma criança o Reino que Jesus veio trazer.
A segunda atitude que o Cristo hoje nos ensina é a gratuidade: “Quando deres uma festa (Tu dás: a festa da vida que o Senhor te concedeu e, mais ainda da vida nova em Cristo, recebida no Batismo e celebrada na Eucaristia), convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”. A gratuidade é a virtude que dar sem esperar nada em troca, dar e sentir-se feliz, sentir-se realizada no próprio dar. Se prestarmos bem atenção, a gratuidade é filha da humildade. Só quem sabe de coração que em tudo depende de Deus e de Deus tudo recebeu gratuitamente (humilde), também sente-se impelido a imitar a atitude de Deus: dar gratuitamente! “De graça recebestes, de graça dai!” (Mt 10,8) ou, como dizia Santa Teresinha do Menino Jesus: “Viver de amor é dar sem medida, sem nesta terra salário reclamar; sem fazer conta eu dou, pois convencida de que quem ama já não sabe calcular!” Pois bem, quem faz crescer em si a humildade e cultiva a gratuidade, experimenta a Deus e seu Reino, pois aprende a sentir o coração do próprio Deus, que tudo nos deu gratuitamente. Quem cultiva a humildade e a gratuidade, deixa o Reino ir entrando em si e entrará, um dia, no Reino de Deus!
Mas, se pensarmos bem, nada disso é fácil, pois vivemos no mundo da auto-suficiência e dos resultados. O homem já não mais se sente dependente de Deus; deseja ele mesmo fazer a vida do seu modo. Assim, se fecha para Deus e, para ele se fechando, já não mais reconhece no outro um irmão e, não experimentando a misericórdia gratuita de Deus, já não sabe mais dar gratuitamente: tudo tem que ter retorno, tudo tem que apresentar contrapartida, tudo tem que, cedo ou tarde, dá lucro, tudo é pensado na lógica do custo-benefício. Como é triste a vida, quando é vivida assim... Mas, não será o nosso caso? Pensemos bem, porque se assim o for, jamais experimentaremos Deus de verdade, jamais conhecê-lo-emos de verdade. Nunca é demais recordar a advertência da Escritura: “Quem não ama não conhece a Deus!” (1Jo 4,8)
Aproximemo-nos de “Jesus, mediador da nova aliança”, e supliquemos a graça de um coração renovado, um coração convertido, um coração de pensamentos novos e novas atitudes! Que durante toda esta semana tenhamos a coragem de analisar e revisar nossas atitudes em casa, com os amigos e próximos, com os companheiros de trabalho e de estudo... e examinemo-nos diante do Cristo nosso Deus, no que diz respeito à humildade e à gratuidade. Recordemos que se tratam de duas atitudes de farão nosso coração pulsar em sintonia com o coração de Deus. Recordemos, como dizia São Bento, que pela humildade se sobe e pela soberba se desce! Para onde se sobe? Para o banquete do Reino de Deus. Para onde se desce? Para a penúria do anti-Reino, do reino de Satanás! Peçamos, suplicando, ao Senhor, a graça da conversão, que somente com nossas forças somos incapazes e impotentes para encetar! Que Deus no-la conceda.
 dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com

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As leituras de hoje insistem em virtudes fora de moda: mansidão e humildade (primeira leitura), modéstia e gratuidade (evangelho). Quanto à modéstia, Jesus usa um argumento da sabedoria popular, do bom senso: se alguém for sentar no primeiro lugar num banquete e um convidado mais digno chegar depois, o que escolheu o primeiro lugar terá de cedê-lo ao outro e contentar-se com qualquer lugarzinho que sobrar. Mas quem se coloca no último lugar só pode ser convidado para subir e ocupar um lugar mais próximo do anfitrião...
Como lema para o povo celebrante recordar, se for de classe humilde, pode servir a frase da primeira leitura: “O poder de Deus é exaltado pelos humildes”; ou, se o público for de classe média calculista, a frase do evangelho: “Convida os pobres, porque não têm como te retribuir”.
1º leitura (Eclo. 3,19-21.30-31)
A verdadeira modéstia de vida, tema da primeira leitura, não é a falsa modéstia de quem se gaba de ser humilde ou “se faz de burro para comer milho”. Consiste na consciência de que só Deus é poderoso e bom. O ser humano deve sempre recorrer a ele. Daí a atitude do sábio: segurança ante os poderosos, pois sua confiança está em Deus, e magnanimidade para com os fracos, pois pode contar com Deus.
Evangelho (Lc. 14,1.7-14)
O evangelho nos ensina a modéstia e a gratuidade na perspectiva do reino de Deus. Lucas gosta de apresentar Jesus como viajante e hóspede: a comunhão de mesa é o lugar da amizade, e Jesus quer ser amigo. Mas amigo de verdade não esconde a verdade. Na casa de um fariseu, de modo surpreendente e, segundo os nossos critérios, um tanto indelicado, Jesus ensina algumas regras. 1) Aos convidados ensina a não procurar o primeiro lugar, para que o dono da casa possa apontar o lugar mais importante. 2) Ao anfitrião ensina a não convidar as pessoas de bem, mas os que não podem retribuir, pois só assim demonstramos gratuidade e magnanimidade. Em outros termos, Jesus ensina a saber receber de graça e a saber dar sem intenções calculistas. O sentido profundo dessa lição se revelará na Última Ceia (22,24-27), em que o anfitrião é o Servo, que dá até a própria vida.
Jesus é um desses hóspedes que não ficam reféns de seus anfitriões. Já o mostrou a Marta (cf. Lc 10,38-42); mostra-o também no evangelho de hoje. Olhemos o contexto da perícope. O anfitrião é um chefe dos fariseus. A casa está cheia de seus correligionários, não muito bem-intencionados (14,2). Para começar, Jesus aborda o litigioso assunto do repouso sabático, defendendo uma opinião bastante liberal (14,3-6).
Depois (em 14,7, onde começa o texto de hoje) critica, com uma parábola, a atitude dos fariseus, que prezam ser publicamente honrados por sua virtude, também nos banquetes, onde gostam de ocupar os primeiros lugares (cf. Lc. 11,43). Alguém que ocupa logo o primeiro lugar num banquete já não pode ser convidado pelo anfitrião para subir a um lugar melhor; só pode ser rebaixado, se aparecer alguma pessoa mais importante. É melhor ocupar o último lugar, para poder receber o convite de subir mais. Alguém pode achar que isso é esperteza. Mas o que Jesus quer dizer é que, no reino de Deus, a gente deve adotar uma posição de receptividade, não de auto-suficiência.
Segue-se outra lição, também relacionada com o banquete, porém dirigida ao anfitrião (um fariseu: cf. 14,1). Não se deve convidar os que podem convidar de volta, mas os que não têm condições para isso. Só assim nos mostraremos verdadeiros filhos do Pai, que nos deu tudo de graça. É claro que tal gratuidade pressupõe a atitude recomendada na parábola anterior: o saber receber.
Portanto, a mensagem do evangelho de hoje é: saber receber de graça (humildade) e saber dar a graça (gratuidade). Isso ficou ilustrado na primeira leitura, que sublinha a necessidade da humildade, oposta à auto-suficiência.
2º leitura (Hb. 12,18-19.22-24a)
Deus se tornou manifesto e acessível em Cristo. A manifestação de Deus no Antigo Testamento (no Sinai) era inacessível (12,18-21). No Novo Testamento, verifica-se o contrário (12,22-24): agora vigora uma ordem melhor (9,10); a manifestação de Deus (em Cristo) é agora acessível, menos “terrível”, porém mais comprometedora. Não é por ser mais humana que ela seria menos divina. Pelo contrário! No homem Jesus, Deus se torna presente. Essa nova e escatológica presença de Deus em Cristo é chamada, no texto, “monte Sião”, “cidade do Deus vivo”, “Jerusalém celeste”. E quem quiser ler alguns versículos além da perícope de hoje encontrará a conclusão prática: não recusar a palavra do Cristo (12,25).
A segunda leitura não demonstra muito parentesco temático com a primeira e o evangelho. Contudo, complementa o tema da gratuidade, mostrando como Deus se tornou, gratuitamente, acessível para nós, em Jesus Cristo. O tom da leitura é de gratidão por esse mistério.
(Desejando uma leitura das cartas que se aproxime da primeira leitura e do evangelho, pode-se olhar para 1Pd. 5,5b-7.10-11, sobre humildade e grandeza.)
Simplicidade e gratuidade
Graça, gratidão e gratuidade são os três momentos do mistério da benevolência que nos une com Deus. Recebemos sua “graça”, sua amizade, seu benquerer. Por isso nos mostramos agradecidos, conservando seu dom em íntima alegria, que abre nosso coração. E desse coração aberto mana generosa gratuidade, consciente de que “há mais felicidade em dar do que em receber” (cf. At. 20,35). Isso não significa que a gente não pode se alegrar com aquilo que recebe. Significa que só atingirá a verdadeira felicidade quem souber dar gratuitamente. Quem só procura receber será um eterno frustrado.
A humildade não é a prudência do tímido ou do incapaz nem o medo de se expor, que não passa de egoísmo. A verdadeira humildade é a consciência de ser pequeno e ter de receber para poder comunicar. Humildade não é tacanhice, mas o primeiro passo da magnanimidade. Quem é humilde não tem medo de ser generoso, pois é capaz de receber. Gostará de repartir, porque sabe receber; e de receber, para poder repartir. Repartirá, porém, não para chamar a atenção para si, como o orgulhoso que distribui ricos presentes, e sim porque, agradecido, gosta de deixar seus irmãos participar dos dons que recebeu.
Podemos também focalizar o tema de hoje com uma lente sociológica. Torna-se relevante, então, a exortação ao convite gratuito. Jesus manda convidar pessoas bem diferentes das que geralmente são convidadas: em vez de amigos, irmãos, parentes e vizinhos ricos, convidem-se pobres, estropiados, coxos e cegos – ou seja, em vez do círculo costumeiro, os marginalizados. E na parábola seguinte no Evangelho de Lucas, a parábola do grande banquete, o “senhor” convida exatamente essas quatro categorias mencionadas (Lc.14,21).
O amor gratuito é imitação do amor de Deus. A autenticidade do amor gratuito se mede pela pouca importância dos beneficiados: crianças, inimigos, marginalizados, enfermos (cf. também Mt. 25,31-46). Jesus não nos proíbe gostar de parentes e vizinhos; mas imitar realmente o amor gratuito (a hésed de Deus) a gente só o faz na “opção preferencial” pelos que são menos importantes.
A parábola daquele que ocupa o último lugar para ser convidado a subir mais faz pensar em quem “se faz de burro para comer milho”. Contudo, Jesus pensa em algo mais. É por isso que ele acrescenta outra parábola, para nos ensinar a fazer as coisas não por interesse egoísta, mas guiados pela gratuidade. Seremos felizes – diz Jesus – se convidarmos os que não podem retribuir, porque Deus mesmo será então nossa recompensa. Estaremos bem com ele, por termos feito o bem aos seus filhos mais necessitados.
A gratuidade não é a indiferença do homem frio, que faz as coisas de graça porque não se importa com nada, pois isso é orgulho! Devemos ser gratuitos simplesmente porque os nossos “convidados” são pobres e sua indigência toca o nosso coração fraterno. O que lhes damos tem importância, tanto para eles como para nós. Tem valor. Recebemo-lo de Deus, com muito prazer. E repartimo-lo, porque o valorizamos. Dar o que não tem valor não é partilha: é liquidação... Mas, quando damos de graça aquilo que, com gratidão, recebemos como dom de Deus, estamos repartindo o seu amor.
Tal gratuidade é muito importante na transformação que a sociedade está necessitando. Não apenas “fazer o bem sem olhar para quem” individualmente, mas também social e coletivamente: contribuir para as necessidades da comunidade, sem desejar destaque ou reconhecimento especial; trabalhar e lutar por estruturas mais justas, independentemente do proveito pessoal que isso nos vai trazer; praticar a justiça e o humanitarismo anônimos; ocupar-nos com os insignificantes e inúteis...
Concluindo, a lição de hoje tem dois aspectos: para nós mesmos, procurar a modéstia, ser simplesmente o que somos, para que a graça de Deus nos possa inundar e não encontre obstáculo em nosso orgulho. E para os outros sermos anfitriões generosos, que não esperam compensação, mas, sem considerações de retorno em dinheiro ou fama, oferecem generosamente suas dádivas a quem precisa.
padre Johan Konings, sj.  - www.paulus.com.br
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“Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam” (cf. Sl 85,3.5)
A liturgia de hoje está toda envolvida na pobreza. Buscando a modéstia e a gratuidade nós agradaremos ao Senhor Deus. Assim Jesus ao hospedar na casa de uma pessoa nunca ficou refém de seu hospedeiro. Hoje Jesus é hóspede de um anfitrião ilustre: um chefe dos fariseus. A casa do chefe dos fariseus está repleta de seus correligionários e asseclas, estes não muito bem intencionados, como sói ocorrer com as pessoas do mal. De início Jesus relativiza o repouso sabático, defendendo a liberalidade de seu cumprimento. Depois Jesus critica a atitude comezinha dos fariseus de serem bajulados e honrados por sua virtude, também nos banquetes, onde gostam sempre de ser aqueles que ocupam os primeiros lugares. Assim Jesus, na contra-mão, nos ensina que no Reino de Deus, a gente deve estar numa posição de receptividade, não de auto-suficiência.
A segunda Parábola nos ensina Jesus que não devemos convidar para o banquete somente aqueles que estão ao nosso entorno. Mais do que isso devemos convidar aqueles que não tem condições de estar conosco, os mais pobres, os mais humildes, os verdadeiros excluídos, incluindo-os em nosso grêmio.
A primeira leitura desta liturgia dominical (cf. Eclo 3,17-18.20.28-29) nos apresenta a verdadeira modéstia de vida. Não se trata da falsa modéstia da raposa,  mas da verdadeira, que consiste na consciência de que só Deus é poderoso e bom. O homem deve sempre recorrer a ele. Daí a atitude do sábio: segurança frente aos poderosos, pois sua confiança está em Deus; e magnanimidade para com os fracos, pois pode contar com Deus.
A segunda leitura (cf. Hb. 12,18-19.22-24a) demonstra que Deus se tornou manifesto e acessível em Cristo. A manifestação de Deus no Antigo Testamento no Monte Sinai era inacessível. No Novo Testamento, verifica-se o contrário: agora vigora uma ordem melhor: a manifestação de Deus em Cristo é agora acessível, menos “terrível”, porém, mais comprometedora. Não é por ser mais humana, que ela seria menos divina. Antes pelo contrário! No homem Jesus, Deus se torna presente. Esta presença chama-se “Monte de Sião”, “Cidade do Deus vivo”, “Jerusalém celeste!”
Tomar a refeição na cada de qualquer pessoa sempre foi uma demonstração de carinho e de reconhecimento. Tomar refeição com Jesus, sobremaneira, era um sinal de amizade e de estima. Depois que Jesus provavelmente tenha falado na sinagoga, ao sábado, foi convidado para um banquete na casa do fariseu. O fariseu convidou para o seu banquete somente seus amigos e correligionários. O fariseu deixou a margem os pobres e os excluídos da sociedade.  Os pobres e as pessoas com deficiências físicas – que não foram convidados e que não podiam participar, porque eram tidos e havidos como impuros e pecadores – costumavam ficar ao lado de fora, observando, e, de certa maneira, escutando as conversas desenvolvidas durante o banquete.
O cenário se desenvolveu no sábado, dia sagrado para os hebreus. No sábado se recorda a passagem pelo Mar Vermelho, do exílio no Egito, para a terra prometida. Na sinagoga se lia os profetas e a Lei. Todos rezavam os salmos de louvor. Era o dia de fazer a unidade com Deus. Jesus vai a refeição do fariseu. O cenário deve nos remeter a desigualdade que continua imperando nos dias modernos: muitos nada tem para comer e uma elite, uma casta, tem dinheiro sobrando pelo ladrão.
O cenário se desenvolveu no sábado, dia sagrado para os hebreus. No sábado se recorda a passagem pelo Mar Vermelho, do exílio no Egito, para a terra prometida. Na sinagoga se lia os profetas e a Lei. Todos rezavam os salmos de louvor. Era o dia de fazer a unidade com Deus. Jesus vai a refeição do fariseu. O cenário deve nos remeter a desigualdade que continua imperando nos dias modernos: muitos nada tem para comer e uma elite, uma casta, tem dinheiro sobrando pelo ladrão.
Mais importante do que o sábado, do que aquele encontro em que estavam o fariseu, seus partidários, os chamados membros da elite daquela sociedade, a disputa pelo primeiro lugar, pela visibilidade, é a caridade e a humildade. Quem quiser participar do banquete do Reino deve fazer-se pequeno, deve superar o egoísmo, tendente a nos fazer o centro de tudo e de todos.
Ser pequeno e ser bastante desapegado é condição primordial e básica para se entrar no Reino, ou seja, para se compreender a mensagem e o modo de viver terreno e eterno que Jesus ensinou. Deus é glorificado e reconhecido como redentor pelos pequenos e humildes. Não é a ciência e os doutoramentos, nem mesmo a fama, que conta: o primordial no cristão é a humildade de coração, possível em quem tem grandes conhecimentos e também no analfabeto e excluído.
A humildade nos leva a reconhecer nossos limites, sua dependência de Deus como criatura. Só é criatura humana humilde aquele que com gratuidade serve ao próximo, desinteressadamente.
Mais importante do que a observância do sábado é a humildade, o desprendimento, o amor e o perdão, a acolhida sem limites e amarras.
O que é elevado para os homens é “abominável para Deus” (cf. Lc. 16,15). Jesus nunca proibiu festas entre os amigos e familiares. A lógica do Reino de Deus não é de recompensas ou de louvores, mas de abertura a todos, amigos e inimigos, santos e pecadores. Não é apenas uma lição de generosidade, aonde quem nos serve a Mesa é o próprio Senhor e Redentor.
Portanto a mensagem de hoje é: saber receber de graça – humildade – e saber dar a graça – gratuidade. A primeira leitura sublinha a necessidade da humildade, oposto à auto-suficiência. A segunda leitura não demonstra muito parentesco temático com a primeira e o Evangelho. Contudo, complementa o tema da gratuidade, mostrando como Deus se tornou, gratuitamente, acessível para nós, em Jesus Cristo. O tom da leitura é de gratidão por este mistério. Graça, gratidão e gratuidade são os três momentos do mistério da benevolência que nos une com Deus. Recebemos sua graça, sua amizade e seu bem-querer. Por isso nos mostrarmos agradecidos, conservando a alegria nos abre para Deus e para a comunidade eclesial.
Queremos, neste domingo, saudar a todos os nossos catequistas que são os autênticos transmissores da nossa fé aos nossos catecúmenos. Que o seu trabalho generoso e ingente seja recompensado por Deus com muitas bênçãos em sua vida e em sua família.
Assim esta gratuidade pessoal deve ser aberta em nossa Paróquia, para todos os nossos irmãos, pois todos participam gratuitamente da comunidade. Humildade e simplicidade, desapropriação do poder, da fama e da posse dos bens materiais supérfluos. No Reino de Deus não são os valores da competição que valem. O que realmente conta e vale é a atitude de serviço humilde e generoso aos irmãos, a todos sem distinção.
padre Wagner Augusto Portugal - www.catequisar.com.br
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Prestigio profissional
É lícito sentar-se nos primeiros lugares? Não será falta de humildade? Jesus propõe que quando formos convidados a alguma celebração, um casamento, não ocupemos os primeiros lugares, mas, ao mesmo tempo, nos ensina como “chegar a ocupar o primeiro lugar”. Como? Não estou traindo a letra da Sagrada Escritura. Leiamos novamente: “Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, passa mais para cima. Então serás honrado na presença de todos os convivas” (Lc. 14,10).
Como eu gostaria que houvesse muitos bons católicos ocupando os primeiros lugares! Logicamente, não se pode começar pelo primeiro, é preciso começar pelo “último lugar”. De fato, nenhum trabalhador chega numa empresa querendo dominar toda a situação logo no primeiro dia. Seria uma insensatez! No entanto, o bom trabalhador tem que ter a intenção de progredir, de que um dia lhe digam: “passa mais para cima, ocupa um cargo melhor, vou aumentar o seu salário”. Geralmente essas coisas acontecem, quando o profissional em questão é um bom trabalhador. O trabalho bem feito granjeia-lhe certo prestigio profissional que, para falar verdade, é ótimo.
Como a Igreja gostaria que houvesse muitos bons cristãos ocupando os primeiros lugares! Quando se procura ocupar o primeiro lugar para servir melhor às pessoas não só não se comete um pecado de orgulho, mas se faz um favor à sociedade. É questão de trabalhar bem, por amor a Deus, com o desejo de servir a todos, com pontualidade, sendo amável para com todos, sem servilismos nem falsidades. Com essa intenção de servir e de colocar a Cruz de Cristo em todas as atividades humanas não só é lícito desejar ocupar o primeiro lugar, mas constitui para o católico um dever. Cristo enviou-lhe a anunciar o Evangelho, esse anúncio não pode estar condicionado a fazer umas missões nos países africanos, por exemplo, incompatíveis com a profissão atual e que não passam de sonhos irrealizáveis. A evangelização se faz no dia-a-dia, a cada hora e em qualquer ambiente onde nos encontramos.
A corrupção política, a falta de respeito à vida desde a sua concepção até o seu término natural, a perversão dos costumes sociais é culpa nossa, dos cristãos. É porque não quisemos de alguma maneira ocupar os primeiros lugares, que outros, com idéias corrompidas, chegaram ao poder e aos cargos que tem uma influência em toda a sociedade. Formou-se então uma opinião pública errada e uma estrutura de pecado na sociedade na qual vivemos. Dediquemo-nos, cada um, a trabalhar bem, com competência profissional e chegaremos a ter prestígio. Dessa maneira, ainda que não aceitem Aquele em quem acreditamos, pelo menos nos aceitarão pela nossa perícia humana. Estabelecidos nos primeiros postos, mostraremos e proporemos – sem violência – o verdadeiro bem que realiza a pessoa humana criando uma sociedade na qual se pode respirar melhor.
Que o médico seja um bom médico; o arquiteto, um bom arquiteto; o policial, um bom policial; o padre, um bom padre; o agricultor, um bom agricultor; o político, um bom político. Todos, com prestígio profissional (também o padre no seu ministério sacerdotal) e um amor a Deus grande no coração, juntos tem a missão de evangelizar a través de qualquer ocasião que se apresente, a começar pela própria família e profissão. Somente assim se resolverá o problema da sociedade. Não! Os sacerdotes não devem candidatar-se nos partidos políticos para resolver os problemas atuais. Será que não existem outros homens capazes, com uma mente cristã e que – e isso é muito importante – entendam de política, de verdade?
É urgente que muitos cristãos ocupem o primeiro lugar. Nós, os sacerdotes, estamos dispostos a ajudar os outros fiéis, não a que subam na vida através da Igreja, mas a formar a inteligência e a vontade no amor de Cristo para que os homens e as mulheres de Deus, no meio da sociedade, atuem em conseqüência. Trata-se de que os cristãos através das coisas que tem no dia-a-dia sirvam a Deus e a Igreja sem servir-se de Deus e da Igreja para as próprias glórias humanas. Os sacerdotes os ajudam pregando a Palavra de Deus com máxima fidelidade, administrando os sacramentos (especialmente a confissão e a eucaristia), dando direção espiritual, promovendo palestras de formação a vários níveis para ajudar os católicos a agirem de maneira coerente com a sua fé enquanto realizam as próprias tarefas profissionais.
Meus irmãos, nós, ministros do Senhor, já estamos convencidos – com o Concilio Vaticano II (cfr. LG 11 e 31) – de que a vocação do fiel leigo é, em primeiro lugar, no meio das atividades temporais e não nos movimentos e pastorais paroquiais. Logicamente, se lhes sobra tempo, ou melhor, conjugando o primordial com o secundário (que também é importante), ajudarão nas atividades da paróquia. E como estamos convencidos, queremos ajudar a todos a viver a própria vocação guardando a ordem interna das coisas.
padre Françoá Costa - www.presbiteros.com.br
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Primeira leitura: Eclesiástico 3,19-21.30-31
DOÇURA E HUMILDADE: DUREZA DO CORAÇÃO
Este livro faz parte da bíblia grega. Não aparece no cânon hebraico e, portanto, é um livro deuterocanônico aceito pela Igreja católica. Originalmente foi escrito em hebraico, do qual foram recuperados aproximadamente três terços. Foi escrito aproximadamente no ano 190-180 a.C. por Jesus Ben Sirac. Possui um gênero sapiencial e trata de diferentes temas sem uma ordem estabelecida. A razão disso é que no início do século II a.C. os hebreus passaram do domínio dos Ptolomeus (Egito) para o dos Selêucidas (Síria), os quais, a fim de reduzir os conflitos externos a que o império estava exposto, promoveram uma política de assimilação e procuraram impor aos povos dominados a cultura, a religião e os costumes gregos. Era um imperialismo cultural, que começou a ameaçar e destruir a identidade cultural e religiosa dos judeus. Entre os judeus surgiu uma corrente disposta a se abrir ao espírito grego, desejando adaptar o judaísmo a uma civilização mais universal. Outra ala, porém, se opôs a isso, procurando salvaguardar a vocação e a fé de Israel.
Diante disto, Ben Sirac escreveu este livro, uma espécie de meditação sobre a fidelidade hebraica, procurando reavivar a memória e a consciência histórica do seu povo, a fim de mostrar sua identidade própria e o valor perene de suas tradições. O texto original hebraico desapareceu no século XI a.C. e foi recuperado em parte em 1900 nas grutas de Qunran.
O tema do nosso texto situa-se no contexto do imperialismo cultural selêucida. De fato, o texto coloca frente a frente duas atitudes: a dos “humildes” dominados e a dos “orgulhosos” que tentam impor sua religião, cultura e costumes. O autor exorta a comportar-se com humildade, mansidão e docilidade, pois o Senhor gosta daqueles que não se ensoberbecem com seu ranking social. Fazer-se pequeno é confiar em Deus. São pessoas desse tipo que Deus glorifica (Lucas 1,48-49). Por que considerar-se grande? Só Deus é grande (v.20). Portanto, fazer-se pequeno é reconhecer a grandeza de Deus, pois o orgulho decorre da auto-suficiência, criando um deus à sua imagem e semelhança. O orgulhoso se absolutiza, assim como absolutiza coisas, culturas etc. A verdadeira humildade consiste em reconhecer-se limitado, e isto é condição para obter a graça de Deus.
Por fim, o autor convida o povo a valorizar os provérbios sábios, pois estes dão força aos humildes para conseguir a fé. Destaca também a possibilidade de os homens apagarem seus pecados, mediante gestos concretos de atenção aos pobres. Isto evidencia que o pecado, além de ser uma ruptura com Deus, é também uma ruptura com o próximo. Restaurando-se o equilíbrio com o próximo, restaura-se também o equilíbrio com Deus.
Segunda leitura: Hebreus 12,18-19.22-24a
AS DUAS ALIANÇAS
Esta carta é dirigida aos cristãos que perderam o sentido da vocação cristã. É dirigida, portanto, a um grupo de cristãos em crise. Nela, o autor explicita a superioridade da nova Aliança sobre a velha. Esclarece o modo como Israel experimentou Deus no passado: ele fez experiência de um Deus distante, e na Aliança do Sinai o povo não pôde se aproximar da montanha. Mas, por meio da morte e ressurreição de Jesus, o povo se aproximou da Jerusalém celeste. Em Jesus Deus tornou-se íntimo dos homens.
Nos versículos 18-19 o autor, usando expressões do Êxodo e do Deuteronômio, evoca a Aliança do Sinai, faz uma descrição rica em elementos teofânicos que significam a presença de Deus, uma presença percebida como terrificante. O autor usa imagens veterotestamentárias, mais acessíveis aos destinatários, para poder descrever a novidade cristã (montanha santa, cidade de Deus, Jerusalém celeste, anjos...). O monte Sião era a parte mais alta da Jerusalém davídica, a Acrópole, o lugar que Javé havia escolhido para morar com o seu povo (Salmo 48,2-4).
Em suma, para o autor havia dois modos de experimentar Deus:
- um do passado no deserto, onde Deus se mostrou no Sinai;
- outro por meio de Jesus Cristo, que veio morar em nosso meio. Jesus faz dos cristãos uma assembléia de primogênitos, ou seja, de consagrados, cujos nomes estão inscritos nos céus.
Evangelho: Lucas 14,1.7-14
LIÇÃO DE HUMILDADE: ESCOLHER O ÚLTIMO LUGAR
O texto destaca uma conversa sapiencial de Jesus com os fariseus. Era um sábado, dia marcado pela piedade judaica, dia sagrado para ser dedicado a Deus (culto, orações, estudo da Lei...), e entre os convidados deste homem de posse estavam pessoas selecionadas. Na cena, como que por encanto, apareceu um hidrópico e com ele apresentou-se o problema da legitimidade ou não de estar no banquete festivo, pois a doença era sempre um sinal da maldição de Deus e por isso causa de rejeição (Levítico 21,16-24).
Jesus se encontrava no banquete como convidado de honra e observou o modo como alguns se colocavam ao lado do dono da festa (v.7). Era costume entre os fariseus reivindicar os primeiros lugares como intérpretes da lei, o que os equiparava a Deus (Lucas 11,43; 2,46). Como todos o estivessem observando, Jesus propôs uma parábola, que na prática foi uma lição de humildade. Nela destacou a necessidade de se ocupar os últimos lugares. Parece ser uma recomendação de etiqueta para as grandes ocasiões. Na prática, as condições de acesso aos banquetes (abaixar-se para ser elevado) são as mesmas para fazer parte do Reino de Deus: exige-se conversão, troca do modo de pensar. Por fim, Jesus dá um conselho às elites sobre como fazer para entrar na dinâmica do Reino.
Na primeira parte do texto há um ensinamento sapiencial que se conclui com a frase: “Quem se exalta será humilhado”. Na segunda parte o ensinamento diz respeito aos pobres, os quais, quando agraciados e não tendo como retribuir, obtêm que Deus dê o prêmio pelo bem que receberam.
O ensinamento deste texto nos remete ao texto de Provérbios 25,6-7. É um ensinamento de caráter sapiencial que exprime a necessidade de se ter uma atitude interior de humildade. O ensinamento de Jesus nesta parábola não é formalizado de tal maneira que, ao chegar a uma refeição, a pessoa deva logo escolher um lugar inferior àquele que lhe cabe com o objetivo de ser chamada para frente. Comportar-se assim seria um formalismo que estimularia o orgulho e não a humildade. Ele deve ser tomado como uma exortação que se dirige ao coração e se traduz em atitude concreta, pois Jesus falava ao ver a atitude dos fariseus soberbos e orgulhosos. Por isso Jesus disse: “Aquele que for o maior entre vocês se humilhe” (Mateus 23,11-12; Ezezquiel 17,24; 21,31; Tiago 4,10) .
O conselho de Jesus é para que as lideranças entrem na dinâmica do Reino e não para que dêem com o objetivo de receber em troca, pois o Reino de Deus não é comércio, mas possui relações de solidariedade e gratuidade.
De fato, no tempo de Jesus os aleijados, os cegos, os doentes, os leprosos... eram discriminados devido a suas condições físicas. Mas a nova dinâmica inaugurada por Jesus inverteu as posições, privilegiando os pobres, embora o Deuteronômio (14,28-29) estipulasse que no fim de cada triênio devessem ser reservados dez por cento aos pobres e Tobias, no capítulo 2,1-2, também apresentasse este exemplo de solidariedade.
Na dinâmica do Reino, a temática da humildade é a manifestação da verdadeira grandeza do homem. Não se trata de uma regra de boa educação, mas de indicações pertinentes ao relacionamento com Deus e com os outros.
REFLEXÃO
A primeira leitura deste domingo nos ensina que a humildade se contrapõe ao orgulho, pois o humilde é sábio e quem pratica esta virtude obtém a benevolência de Deus e a estima dos homens, porque o humilde se abre para Deus e para os homens. A humildade, tida como sabedoria, é proclamada no Magnificat e nas palavras e ações de Jesus, que veio para servir, lavando os pés dos discípulos.
Santo Agostinho dizia em seu 59º Sermão: “Você quer ser grande de verdade? Comece a ser bem pequeno. Você pensa em edificar um edifício da maior altura? Comece colocando o fundamento da humildade”.
A humildade consiste em ser pequeno. Deus não é pequeno, nem se sente pequeno, mas se fez pequeno (kenosis), e fez isso não por interesse, mas para servir. Portanto, a humildade é basilar. Quando ela falta ao nosso edifício cristão, falta o fundamento.
A humildade e a mansidão parecem virtudes monásticas, porém Ben Sirac as recomenda a todos. Não é uma escolha facultativa, mas uma exigência para todos, e as leituras de hoje nos oferecem uma reflexão aprofundada sobre esta virtude. Pascal dizia: “Jesus Cristo é um Deus de quem se aproxima sem orgulho e sob o qual se humilha sem desespero”. E Santo Agostinho dizia que o “homem é um mendigo de Deus: precisamos reconhecer que não somos nada e que Deus é tudo”. Também Popini disse que “o homem, para elevar-se, deve colocar-se de joelhos”. E Tomás de Aquino buscava o segredo da humildade em três condições:
01) tudo o que recebemos de bom vem de Deus;
02) outros em nosso lugar e com as graças que recebemos teriam progredido muito mais;
03) se nos fossem concedidos somente os dons que muitos de nossos irmãos receberam, estaríamos muito mais atrás deles.
Ruisbroek, o maior e mais agudo místico alemão, que é colocado em cena por Goethe na segunda parte do Fausto, assumiu em seu mosteiro a função de carregar estrumes. Muita gente ilustre vinha procurá-lo e o encontrava no estábulo ou com um balaio de estrume nas mãos. Ele tinha esta máxima: “A alma que não procura honrarias se eleva na mais alta adoração”.
Bloon descreve a humildade a partir de sua base etimológica: o termo latino hummus quer dizer terra fértil. A humildade é a condição da terra. Ela está sempre ali e é pisada por todos. A terra é o lugar que recolhe todo tipo de rejeição, de resto. Está ali silenciosa, aceita tudo e transforma em riqueza todo lixo em decomposição. Consegue inclusive transformar o que é corruptível em vida nova, é receptiva ao sol e à chuva, está pronta a receber qualquer semente...
No Evangelho de hoje Jesus nos propõe duas atitudes para ter o Reino de Deus: a humildade e o amor desinteressado ao próximo. Na primeira parte da parábola, Jesus propõe aos convidados não uma simples norma de educação ou um estratagema para ser bem visto, mas uma atitude religiosa que diz respeito ao lugar no banquete do Reino. A segunda parte do Evangelho é uma instrução do fariseu que convidou Jesus para a refeição na qual Jesus explicitou que a escolha dos convidados deve excluir o cálculo interesseiro, porque a dinâmica do Reino é o amor sem fatura. Ele ensinou categoricamente: “Todo aquele que se eleva será rebaixado e aquele que se rebaixa será exaltado” (Lucas 14,11).
Para o exegeta J. Jeremias, a origem deste dito (loguion) de Cristo é provavelmente um provérbio do rabino Hallel (por volta do ano 20 a.C.), mas o enfoque que Jesus lhe dá se converte em “um sinal escatológico que tem em vista o banquete celestial e chama a renunciar, diante de Deus, à própria justiça e convida à humildade, à estima de si mesmo”. A insistência com que este dito de Jesus se repete parece indicar que era uma das normas de vida nas comunidades apostólicas do início.
Humildade deriva do latim “humilis”, que por sua vez provém de “hummus” (terra). Humilde é, portanto, aquele que se move perto da terra. É aquele que reconhece com sabedoria a distância que o separa do seu criador. Jesus nos mostra hoje a prática através do reconhecimento de nossas limitações, da partilha com os demais.
Para os homens, o primeiro lugar sempre atrai o olhar e o desejo de todos, porque o êxito dos vencedores se converteu em padrão de conduta. Os próprios discípulos de Jesus ambicionaram os primeiros lugares no reino messiânico político de Jesus. Porém Jesus se humilhou com seu próprio exemplo, escolhendo o último lugar, por isso foi exaltado (Filipenses 2,6ss.)
Uma conduta humilde no estilo de Jesus é incômoda e chocante, indigna do homem atual que idolatra sua própria imagem, sua autonomia, prestígio, dignidade. Infelizmente, todos nós temos o mesmo pensamento. Ninguém quer ser o último da fila e não entra em nossa cabeça que a humildade é uma atitude religiosa mais própria do homem diante de Deus. Ela não o diminui, mas o coloca em seu lugar. É o estilo mais social que possibilita a relação humana em alteridade com seus semelhantes. Mas, para entender isso, precisamos ser “pobres de espírito” diante de Deus, ou seja, vazios de nós mesmos para podermos ser plenos dele.
A humildade não deve ser apenas uma disposição pessoal, mas também social e eclesial, pois a convivência humana não se constrói sobre interesses individuais, mas sobre relacionamentos fraternos entre iguais.
O ensinamento de Jesus sobre a humildade na parábola de hoje nos lembra a necessidade de ocuparmos nosso lugar, de evitarmos que a ambição nos cegue e nos leve a fazer de nossa vida uma corrida louca visando postos mais altos. São João Crisóstomo nos pergunta: “Por que você ambiciona os primeiros lugares? Para estar acima dos outros?“. A verdadeira humildade não se opõe ao desejo legítimo de progredir na vida social, de gozar o devido prestígio profissional, de receber louvor e honra. Tudo isso é compatível com a humildade, mas quem é humilde não se exibe. No posto que ocupa sabe que seu objetivo não é brilhar e ser considerado, mas cumprir uma missão.
A virtude da humildade não tem nada a ver com timidez, pusilanimidade ou mediocridade. É ter plena consciência dos talentos recebidos para fazê-los render. Ela impede que nos jactemos deles e caiamos na presunção. Leva-nos a dizer como o salmista: “Non nobis, Domine, non nobis. Sed nomine tuo da gloriam” - “Não a nós, Senhor, não a nós, mas a ti seja dada toda a glória” (Sl. 113,1).
A humildade faz com que reconheçamos que nossos talentos vêm de Deus. São bondade divina, para que nos coloquemos em nosso lugar, pois “somos como um jumento que o servo, quando quer, carrega com tesouros de grande valor” (Ut iumentum factus sum apud te, Domine). Por isso, para crescer na virtude da humildade, é necessário que reconheçamos e admiremos os dons com que Deus nos presenteou, pois, “apesar de nossas misérias pessoais, somos portadores de essências divinas de valor inestimável”.
Somos instrumentos de Deus para que ele atue no mundo. Portanto, a humildade elimina o complexo de inferioridade, que com freqüência é causa da soberba e nos torna alegres e serviçais.
Mas, para poder caminhar pelas sendas da humildade, temos que saber aceitar as humilhações externas que nos atingem, sem nos deixar abater. Devemos também aprender a voltar atrás quando necessário, pois nem sempre as questões humanas têm uma única solução. Os outros também podem ter razão, podem ver o mesmo assunto de um ponto de vista diferente, com outra luz, outra sombra ou outros contornos. Além disso, voltar atrás quando se erra não é só uma questão de humildade, mas de honradez elementar.
Como praticar essa virtude? Todos os dias, nas muitas ocasiões. Sendo dóceis aos conselhos de quem nos orienta, acolhendo de bom grado as correções que nos fazem, lutando contra a vaidade, reprimindo a vontade de dizer sempre a última palavra, procurando não ser o centro das atenções, reconhecendo nossos erros, esforçando-nos para ver nosso próximo sempre com uma visão positiva...
Existe, porém, uma falsa humildade que nos leva a dizer que não somos nada, mas sentiríamos muito se nos tomassem ao pé da letra. Em sentido contrário, fingimos esconder-nos e fugir para que nos procurem e perguntem por nós, damos a entender que preferimos ser os últimos e nos situamos num canto da mesa, para que nos dêem a cabeceira. A verdadeira humildade procura não dar mostras de sê-lo, nem usa muitas palavras para proclamá-la (São Francisco de Sales). A verdadeira humildade está cheia de simplicidade e brota do mais fundo do coração: “Não abaixemos nunca os olhos, mas humilhemos nossos corações. Não demos a entender que queremos ser os últimos, quando desejamos ser os primeiros”.
Com a humildade cultivamos inúmeros bens. Combatemos a soberba, que é um obstáculo que se interpõe entre nós e Deus. Ela nos atrai o amor de Deus e o apreço dos outros (Eclesiástico 3,19-21; 30-31).
Quem é humilde compreende melhor a vontade divina e sabe o que Deus lhe pede em cada circunstância. O soberbo, ao contrário, só tem olhos para seus gostos, suas ambições, a realização de seus caprichos. O humilde respeita o outro, suas opiniões e coisas. Possui uma fortaleza especial, pois se apóia em Deus: “Quando sou fraco, é então que sou forte” (2 Coríntios 12,10).
padre José Antonio Bertolin, OSJ - www.santuariosaojose.com.br
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Entre os hebreus, um banquete era muito mais que uma refeição. Os participantes, unidos por um interesse comum, aproveitavam para profundas conversações de todo o gênero e os mestres aproveitavam para expor os seus ensinamentos. Havia regras muito precisas para a distribuição dos lugares: o mais digno ao centro, o segundo à direita e o último à esquerda.
Pelos vistos, estas regras elementares estavam a ser ultrapassadas por alguns convidados e Jesus aproveita para dar uma lição, a que o evangelista chama parábola. Jesus transforma o banquete num símbolo de toda a convivência, começando por uma princípio de prudência para ninguém ficar mal visto mas terminar com um dito de caráter ético-religioso: «Quem se exalta será humilhado…». Já não se trata do simples julgamento que implica vergonha ou honra aos olhos dos outros, mas do julgamento que Deus faz à conduta de cada um perante os outros.
A segunda parte apresenta a exortação que Jesus faz ao dono da casa. A palavra de Jesus é provocatória, erguendo-se contra os círculos fechados que deixam fora todos os outros. A lei da hospitalidade é sagrada, mas mais importante e sagrada é a lei da caridade, particularmente para com os mais necessitados.
Também este é um discurso parabólico. Jesus não condena as festas e os banquetes mas recorda que existe uma multidão necessitada que não pode ficar de fora. O seu discurso é já dirigido aos encarregados de organizar o banquete do reino, isto é, a nova comunidade dos seus seguidores. Na comunidade ninguém pode ser excluído, seja por que motivo for, como acontecia com os inválidos, os cegos e os coxos que não podiam sequer entrar no Templo de Jerusalém e que, portanto, naturalmente, eram excluídos de qualquer relação social.
O ensino de Jesus é concluído com uma sentença de felicidade. A história divide-se em duas fases: o presente e o futuro. E é no futuro que surge o julgamento de Deus a dar a recompensa e a retribuição a quem acolhe os pobres.
padre Franclim Pacheco - www.diocese-aveiro.pt
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Na caminhada rumo a Jerusalém temos uma parada na cada de um dos chefes dos fariseus para uma refeição num dia de sábado. Será nesse contexto que Jesus nos oferece mais uma das suas catequeses.  Provavelmente trata-se da refeição festiva de sábado, realizada por volta do meio-dia, ao regressar da sinagoga. Era habitual convidar hóspedes; enquanto comiam, partilhavam sobre as leituras escutadas na sinagoga. Apesar de muitas vezes encontrarmos Jesus em disputa com as autoridades religiosas do seu tempo, Lucas mostra os fariseus próximos de Jesus que até o convidam para casa e se sentam à mesa com Ele (veja Lc. 7,36; 11,37). Os fariseus formavam um dos principais grupos religiosos da sociedade palestina desta época.  A sua preocupação fundamental era transmitir a todos o amor pela Torah (lei), quer escrita, quer oral. Conscientes das suas capacidades, da sua integridade, da sua superioridade, não eram propriamente modelos de humildade. Isso talvez explique o ambiente de luta pelos lugares de honra que o Evangelho refere. Convém, também, ter em conta que estamos no contexto de um “banquete”. O “banquete” é, no mundo semita, o espaço do encontro fraterno, onde os convivas partilham do mesmo alimento e estabelecem laços de comunhão, de proximidade, de familiaridade. Jesus aparece, muitas vezes, envolvido em banquetes, porque, o banquete era sinal de comunhão, de encontro, de familiaridade, o banquete anuncia a realidade do “reino”.
O texto apresenta duas partes. A primeira (v. 7-11) onde a questão da humildade é apresentada e a segunda (v. 12-14) onde encontramos o tema da gratuidade e do amor desinteressado. Ambas estão unidas pelo tema do “Reino”: são atitudes fundamentais para quem desejar participar no banquete do “Reino”. As palavras que Jesus dirigiu aos convidados que disputavam os lugares de honra não são novidade, pois já o Antigo Testamento aconselhava a não ocupar os primeiros lugares (veja Prov. 25,6-7); mas o que aí era uma exortação moral, nas palavras de Jesus converte-se numa apresentação da lógica do “Reino”: o “Reino” é um espaço de fraternidade, de comunhão, de partilha e de serviço, que exclui qualquer atitude de superioridade, de orgulho, de ambição, de domínio sobre os outros; quem quiser entrar nele, tem de fazer-se pequeno, simples, humilde e não ter pretensões de ser melhor, mais justo, ou mais importante que os outros. Esta é, aliás, a lógica que Jesus sempre propôs aos seus discípulos: Ele próprio, na “última ceia”, lavou os pés aos discípulos e constituiu-os em comunidade de amor e de serviço – avisando que, na comunidade do “Reino”, os primeiros serão os servos de todos (veja Jo 13,1-17) Na segunda parte, Jesus põe em causa a prática de convidar para o banquete apenas os amigos, os irmãos, os parentes, os vizinhos ricos. Os fariseus escolhiam cuidadosamente os seus convidados para a mesa. Nas suas refeições, não convinha haver alguém de nível menos elevado, pois a “comunidade de mesa” vinculava os convivas e não convinha estabelecer obrigatoriamente laços com gente desclassificada e pecadora. Por outro lado, também os fariseus tinham a tendência – própria de todas as pessoas, de todas as épocas e culturas – de convidar aqueles que podiam retribuir da mesma forma… A questão é que, dessa forma, tudo se tornava um intercâmbio de favores e não gratuidade e amor desinteressado. Jesus denuncia esta atitude, mas vai mais além e apresenta uma proposta verdadeiramente subversiva… Segundo Ele, é preciso convidar “os pobres, os coxos e os cegos”. Os cegos, coxos eram considerados pecadores notórios, amaldiçoados por Deus, e por isso estavam proibidos de entrar no Templo (veja 2Sm. 5,8) para não profanar esse lugar sagrado (veja Lv. 21,18-23). No entanto, são esses que devem ser os convidados para o “banquete”. Fica fácil entender que Jesus já não está simplesmente a falar dessa refeição comida em casa de um fariseu, na companhia de gente distinta; mas está já a falar daquilo que esse “banquete” anuncia e prefigura: o banquete do “Reino”. Jesus traça aqui os contornos do “Reino”. Ele é apresentado como um “banquete”, onde os convidados estão unidos por laços de familiaridade, de comunhão. Para esse “banquete”, todos – sem exceção – são convidados (inclusive aqueles que a cultura social e religiosa tantas vezes exclui e marginaliza). As relações entre os que aderem ao banquete do “Reino” não serão marcadas pelos jogos de interesses, mas pela gratuidade e pelo amor desinteressado; e os participantes do “banquete” devem despir-se de qualquer atitude de superioridade, de orgulho, de ambição, para se colocarem numa atitude de humildade, de simplicidade, de serviço.
Meditação
A Igreja, fruto do “Reino”, deve ser essa comunidade onde se torna realidade a lógica do “Reino” e onde se cultivam a humildade, a simplicidade, o amor gratuito e desinteressado. É isso que acontece de verdade?
Nas comunidades cristãs, por vezes, se assiste à procura dos primeiros lugares, dos serviços que se destacam. No entanto, para Jesus, as coisas são bastante claras: esta lógica não tem nada a ver com a lógica do “Reino”; quem prefere esquemas de superioridade, de prepotência, de humilhação dos outros, de ambição, de orgulho, está a impedir a chegada do “Reino”.
Também há, na comunidade cristã, pessoas cuja ambição se sobrepõe à vontade de servir… Aquilo que os motiva e estimula são os títulos, as honras, as homenagens, os lugares privilegiados, e não o serviço humilde e o amor desinteressado. Essas atitudes precisam ser mudadas!
Para Lucas, as comunidades cristãs não podem estar unidas por laços de interesses, mas ao contrário, pela lógica da fraternidade e da doação desinteressada, só assim, se cresce na vida comunitária.
Os cegos e coxos representam, no Evangelho proposto, todos aqueles que a religião oficial excluía da comunidade da salvação; apesar disso, Jesus diz que esses devem ser os primeiros convidados do “banquete do Reino”. Como é que os pecadores notórios, os marginais, os divorciados, os homossexuais, as prostitutas são acolhidos na Igreja de Jesus?
Patrick Silva - palavra.imconsolata.org.br
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 Jesus é um destes hóspedes que não ficam reféns de seus anfitriões. Já o mostrou a Marta; mostra-o também hoje (evangelho).
O anfitrião é um chefe dos fariseus. A casa está cheia de seus correligionários, não muito bem-intencionados (14,2). Para começar, Jesus aborda o litigioso assunto do repouso sabático, defendendo uma opinião bastante liberal (14,3-6). Depois, numa parábola, critica a atitude dos fariseus, que gostam de ser publicamente honrados por sua virtude, também nos banquetes, onde gostam de ocupar os primeiros lugares.
Alguém que ocupa logo o primeiro lugar num banquete não pode mais ser convidado pelo anfitrião para subir a um lugar melhor; só pode ser rebaixado, se aparecer alguma pessoa mais importante. É melhor ocupar o último lugar, para poder receber o convite de subir mais. Alguém pode achar que isso é esperteza. Mas o que Jesus quer dizer é que, no Reino de Deus, a gente deve estar numa posição de receptividade, não de auto-suficiência.
A segunda parábola relaciona-se também com o banquete: não convidar os que nos podem convidar de volta, mas os que não têm condições para isso. Só assim nos mostraremos verdadeiros filhos do Pai, que nos deu tudo de graça. Claro que esta gratuidade pressupõe a primeira atitude: o saber receber.
Portanto, a mensagem de hoje é: saber receber de graça (humildade) e saber dar a graça (gratuidade). A 1ª leitura sublinha a necessidade da humildade, oposta à auto-suficiência. A 2ª leitura não demonstra muito parentesco temático com a 1ª e o evangelho. Contudo, complementa o tema da gratuidade, mostrando como Deus se tornou, gratuitamente, acessível para nós, em Jesus Cristo. O tom da leitura é de gratidão por este mistério.
Graça, gratidão e gratuidade são os três momentos do mistério da benevolência que nos une com Deus. Recebemos sua “graça”, sua amizade e bem-querer. Por isso nos mostramos agradecidos, conservando seu dom em íntima alegria, que abre nosso coração. E deste coração aberto mana uma generosa gratuidade, consciente de que há mais felicidade em dar do que em receber (cf. At. 20,35). O que não quer dizer que a gente não pode gostar daquilo que recebe. Significa que só atingirá a verdadeira felicidade quem souber dar gratuitamente. Quem só procura receber, será um eterno frustrado.
Com vistas à comunicação na magnanimidade, a humildade não é a prudência do tímido ou do incapaz, nem o medo de se expor, que não passa de egoísmo. A verdadeira humildade é a consciência de ser pequeno e de ter que receber, para poder comunicar. Humildade não é tacanhice, mas o primeiro passo da magnanimidade. Quem é humildade não tem medo de ser generoso, pois é capaz de receber. Gostará de repartir, porque sabe receber; e de receber, para poder repartir. Repartirá, porém, não para chamar a atenção para si, como o orgulhoso que distribui ricos presentes, e sim, porque, agradecido, gosta de deixar seus irmãos participar dos dons que recebeu.
Podemos também focalizar o tema de hoje com uma lente sociológica. Torna-se relevante, então, a exortação ao convite gratuito. Jesus manda convidar pessoas bem diferentes daquelas que geralmente se convidam: em vez de amigos, irmãos, parentes e vizinhos ricos, convidem-se pobres, estropiados, coxos e cegos – ou seja, em vez do círculo social da gente, os marginalizados. E na parábola seguinte, do grande banquete, o “senhor” convida, finalmente, exatamente as quatro categorias mencionadas (Lc. 14,21).
O amor gratuito é limitação do amor de Deus. A autenticidade do amor gratuito se mede pela pouca importância dos beneficiados: crianças, inimigos, marginalizados, enfermos (cf. tb. Mt. 25,31-46). Jesus não proíbe gostar de parentes e vizinhos. Mas realmente imitar o amor gratuito, a hésed de Deus, a gente só o faz na “opção preferencial” pelos que são menos importantes.
Johan Konings - "Liturgia dominical" - www.franciscanos.org.br
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