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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

São poucos os que se salvam

21º DOMINGO TEMPO COMUM

  
DOMINGO 25 DE AGOSTO 

Evangelho - Lc 13,22-30

São poucos os que se salvam?


É DIFÍCIL PASSAR PELA PORTA ESTREITA-José Salviano

 


"Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?"


Caríssimos. A porta estreita da vida são os sacrifícios que teremos de fazer para nos manter de pé diante do Senhor no dia do Juízo. A passagem estreita são as negações de nós mesmo, as entregas por amor ao Reino de Deus, a partilha do que temos com os necessitados... Continua...


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ENTRAI PELA PORTA ESTREITA. – Olivia Coutinho

XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 25 de Agosto de 2013

Evangelho Lc 13,22-30

 A busca pela santidade, deve ser o nosso objetivo primeiro, o horizonte que não podemos perder de vista!
  A todo instante, Jesus nos convida a dar um sentido novo à nossa existência, uma única e fundamental direção, nos propondo algo de concreto: a santidade como meta para chegarmos à vida eterna! E quantas vezes, somos   indiferentes  a este  convite de Jesus! Por ora, podemos até querer  trilhar o caminho da santidade, mas não queremos romper com as coisas do mundo, com as estruturas de  pecado. Sem um rompimento, com estas estruturas, não tem como aderir  à proposta de Jesus, ficamos só no superficial.  
O caminho da santidade, que nos leva a vida eterna, é um caminho traçado por Deus e não por nós, para trilharmos este caminho, precisamos nos libertar dos nossos apegos, deixar de projetar a nossa vida tendo nós mesmos como referencia,  para nos envolver no projeto de Deus, que tem como referencia, unicamente Jesus! 
É importante refletirmos  quanto à consciência que devemos ter do nosso tempo de vida terrena, conscientizarmos de que este nosso tempo presente, deve ser um tempo útil à nossa caminhada rumo à eternidade,  pois este é o único  tempo que possuímos como espaço sagrado que Deus  nos concede, para buscarmos a nossa salvação.
Fomos criados e orientados por Deus a direcionar a nossa existência  como uma flecha que busca  o seu alvo, e o nosso alvo é o próprio Deus, Ele deve ser o nosso objetivo primeiro, Àquele que dá o verdadeiro sentido ao nosso existir.
O evangelho de hoje, vem nos acordar para uma realidade que não podemos fugir: a transitoriedade da nossa vida terrena, da vida que passa! 
O tema que a liturgia deste domingo nos propõe, é a salvação! É preciso buscar a porta estreita, renunciar às  tantas portas largas existente neste mundo, portas convidativas  que tentam nos desvirtuar  dos bens eternos.
O texto chama a nossa atenção sobre importância de nos preencher de Deus, de fazermos  da nossa vida, um  santuário que acolhe a todos. Nossa salvação, passa pela pratica do amor e da Justiça,  única condição para  sermos reconhecidos por Jesus.
Deus quer que todos sejam salvos! Foi para isso que Ele enviou o seu Filho ao mundo, Jesus  é a porta estreita por onde devemos passar!
Temos a tentação de achar que correndo atrás de Jesus para o louvor, para as celebrações, seremos os primeiros a chegar até ele, o que de nada adianta, se pelo caminho ignoramos os que estão caídos, necessitados de nossas mãos para reerguê-los!  Estes, os caídos,  serão os  últimos a chegarem até Jesus, mas serão os primeiros a entrar pela porta da eternidade. A chave desta porta estreita, são eles, a quem negamos a justiça e o amor!
A passagem pela porta estreita é uma graça,  uma oferta do amor de Deus, que foi alcançada pelo sacrifício do seu Filho Jesus! O esforço para passarmos por esta porta, é no sentido do acolhimento a esta graça que  aniquila o nosso egoísmo e o nosso egocentrismo.
Estar no caminho da  santidade, rumo a eternidade, é  estar configurado com o formato da porta estreita que é o próprio Jesus, Jesus, que se apresenta como a porta estreita, como o caminho,  a verdade que nos liberta, que nos possibilita uma vida em plenitude!
“Senhor, são poucos os que se salvam?”  Jesus, conhecedor do que está por detrás das palavras, não responde diretamente,  Ele vai  mais além,  aproveita  esta pergunta, para fixar  o essencial!  A pergunta, é sobre  números,  mas  Ele responde sobre o modo de alcançar a salvação: “Entrai pela porta estreita…”
As palavras de Jesus, é  uma alerta para todos nós;  a Salvação é dom gratuito de Deus, não a alcançaremos por merecimento nosso, e sim, pela Sua misericórdia! O que  precisamos, é acolher esta oferta de amor, aderindo à proposta de Jesus, nos comprometendo com os valores do Reino.
Buscar a felicidade fora do plano de Deus, é  rejeitar a porta estreita, é optar pelas portas largas abertas pelo mundo.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! 

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Evangelhos Dominicais Comentados

25/agosto/2013 – 21o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Lc 13, 22-30)


Este recado de Jesus é para você que acredita que o Paraíso não é privilégio somente de alguns poucos e que, a salvação está reservada para todos os filhos de Deus. Todos, sem nenhuma exceção, são chamados. A única condição imposta é ter que entrar pela porta estreita.

"Esforce-se por passar pela porta estreita". Foi essa a resposta de Jesus ao homem que o questionou, mas na verdade esse homem estava mais interessado em saber qual o número dos escolhidos por Deus. Assim como ele, também eu e você, estamos curiosos por saber quantos serão selecionados para o Paraíso.

Saber se são muitos ou poucos os que se salvam, não é o mais importante. Importante mesmo é nos esforçarmos para fazer por merecer um lugar no céu. No entanto, as tentações são muitas. Trilhar o caminho de Deus exige entrega e resignação. Jesus deixa bem claro que o caminho da salvação não é fácil.

O evangelho diz que Jesus atravessava cidades e povoados ensinando e que prosseguia seu caminho para Jerusalém. Esse é o caminho que Jesus percorreu; um caminho dificílimo e muito caro. Pagou o pedágio com sua própria vida.


Caminhar para Jerusalém significa entregar-se ao sacrifício supremo da Cruz. Era preciso cumprir o Projeto de Deus Pai.  Jesus sabia que somente através de sua total entrega as portas para a eternidade seriam abertas para toda humanidade, sem nenhuma restrição. Por isso, todos têm seu lugar reservado.

As portas estão abertas. Jesus já cumpriu sua parte no Plano de Salvação. No entanto, Ele nos alerta que não é fácil o acesso, pois o caminho é penoso e a porta é estreita. Em compensação, os caminhos que o mundo recomenda, não têm obstáculos, são asfaltados e levam a portas amplas e largas.

O caminho que Jesus nos aponta pode ser comparado a uma ponte estreita e sem proteções laterais. Um pequeno desvio, um ligeiro "escorregão", levam ao abismo. Essa ponte chama-se Caridade Fraterna. Caminhar confiante sobre ela é a única maneira de se aproximar de Deus.

Ninguém consegue vencer o trajeto e atravessar a porta sozinho. Não basta dizer "Senhor, Senhor!" Não bastam orações fervorosas se não forem acompanhadas de ações concretas. Só ganha a Vida Eterna quem arrastar alguém atrás de si. O empenho é o passaporte para atravessar a porta estreita.

A porta estreita simboliza a vida de sacrifícios, representa a entrega e a partilha. A estrada é lamacenta, escorregadia, longa e perigosa. É preciso persistência para não desistir no primeiro tombo, pois não é fácil caminhar ao lado dos meninos de rua, do sem-teto, do sem-terra e do sem-nada. 

Quem quiser atravessar a porta estreita deve trilhar a estrada que leva ao trabalho, à saúde, à distribuição de renda e à cidadania. O caminho é um só, não existem atalhos na caminhada junto aos excluídos. Jesus deixa bem claro que, sem luta e sem perseverança, as portas estreitas fecham-se de vez.

Nunca é demais lembrar que aqueles que, perante os olhos da sociedade, ocupam hoje os últimos lugares, perante Deus ocuparão lugares de destaque. É para parar e pensar...

Resumindo, Jesus disse que amanhã poderá ser muito tarde, é preciso assumir agora, pois quem não viver o amor, vai encontrar a porta fechada, vai ficar eternamente do lado de fora, gritando e pedindo clemência.
(1132)


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Primeira leitura: Isaías 66,18-21
CASTIGO DOS INFIÉIS E VITÓRIA DOS QUE ESTAVAM DISPERSOS
É conhecido como Terceiro Isaías um profeta anônimo do exílio (séculos VI-V antes de Cristo), que tem a função de sustentar a esperança do povo na reconstrução nacional, mas não deixa de ser crítico quando necessário. Aqui ele critica o formalismo religioso, pois os refugiados queriam construir um mundo fechado e egoísta, enquanto Deus tem um projeto universal (v.19). O texto lembra as sete nações para significar todas as nações espalhadas pelo mundo, chamadas para contemplar a glória de Javé manifestada em Jerusalém como cidade santa que com seu brilho atrairá todos os povos. Com isso, os convertidos das nações se tornarão missionários do projeto de Deus. Será um superamento da maldição de Babel (Gênesis 11), onde os povos se uniram num gesto de desafio a Deus e foram dispersados.
O trecho é um hino de agradecimento a Javé, por ter conduzido o povo à cidade e feito de Jerusalém um lugar de salvação e de encontro com Deus. É a universalidade da salvação, que não se encontra só no povo de Israel, mas está espalhada pelos quatro pontos cardeais.
Este é um oráculo dirigido aos repatriados da Babilônia depois do edito de Ciro em 538 a.C. É a realização de um antigo oráculo de Isaías 2,1-5 e Miqueias 4,1-5.
Segunda leitura: Hebreus 12,5-7.11-13
EDUCAÇÃO PATERNAL DE DEUS
Este trecho se relaciona com alguns livros da literatura sapiencial (Eclesiastes, Provérbios, Sabedoria, Salmos). Eles procuram educar o homem para todas as dimensões da vida: família, trabalho, cultura, sociedade, estado, religião, economia, governo... Este esforço de formação do homem tem valor de correção (paideia) que Deus usa para o homem, procurando exprimir seu amor de Pai. Portanto, o homem que procura desvencilhar-se da “paideia” divina não é um filho genuíno. Deus mostrou sua “paideia" para Israel no caminho do Êxodo, através do Servo sofredor.
O contexto deste trecho é das comunidades desanimadas (v.12), porque se encontram em dificuldades. Mas onde encontrar luzes e forças para resistir aos sofrimentos? Para o autor desta carta, a primeira coisa a fazer é fundamentar-se em Jesus Cristo, que se submeteu ao sofrimento (v.2). Depois o autor se reporta à experiência do passado condensada em Provérbios 3,11-12, lembrando que diante de Deus somos como crianças a caminho da maturidade: “O Senhor castiga...” (v.6). Assim, na ótica da pedagogia divina, o sofrimento ajuda os cristãos a alcançarem a maturidade na fé.
Por fim, o hagiógrafo lembra que diante das dificuldades é preciso ter solidariedade (v.13), pois a dor, quando é repartida, diminui.
Evangelho: Lucas 13,22-30
NÚMERO DOS ESCOLHIDOS; A PORTA ESTREITA
Jesus está a caminho de Jerusalém e, enquanto atravessa os povoados, prega e instrui os discípulos. Nesta viagem alguém lhe pergunta: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” (v.23). Este tipo de pergunta era comum no tempo de Jesus, pois o rabinismo havia criado várias teorias. Os mais liberais afirmavam que todos os judeus se salvariam. Já segundo os mais radicais, só os judeus praticantes teriam a salvação. Todos, porém, propunham que a salvação passava pela questão da raça.
Jesus não respondeu a esta pergunta, pois para ele o caminho da salvação passa pela porta estreita, exige esforços (v.24). É preciso estar em sintonia com o Reino de Deus, ou seja, praticar a justiça. O evangelista usa o verbo “agonìzesthai” (esforçar-se), ou seja, lutar, estar de prontidão.
Para esclarecer melhor a idéia, Jesus contou a parábola da porta fechada. Os que se consideravam amigos do Senhor imaginavam ter a porta aberta, porém a porta não se abria para eles. Só através do compromisso com a justiça se tem acesso à salvação. Não basta apelar para qualquer oração, nem pertencer à estirpe de Abraão ou ao povo dos profetas. O Juízo terá como base o que a pessoa faz.
REFLEXÃO
Uma das idéias mestras do ensinamento desta palavra dominical é que a salvação está ao alcance de todos, e não só dos hebreus, que favoreciam o proselitismo fundando colônias em Alexandria no Egito e sinagogas (só em Roma havia três sinagogas neste tempo). Estes, porém, não aceitavam a salvação universal realizada em Cristo.
Jesus, do seu lado, adverte que a salvação passa pela porta estreita e pequena. Isso é difícil, porque exige que se tire das costas todos os pecados e defeitos, torne-se pequeno, não se possua bagagens.
Jesus entrou pela porta estreita fazendo a vontade do Pai (Hebreus 10,7). Não aceitando a tentação do demônio no deserto (Mateus 4,1-11). Não aceitando o entusiasmo fácil do povo após a multiplicação dos pães (João 6,15). E no horto das Oliveira disse: “Faça-se a tua vontade” (Mateus 26,36-39).
A parábola de hoje é para todos um convite de Jesus à conversão radical a fim de conquistar o Reino, conversão imediata antes que a porta se feche, pois amanhã poderá ser tarde. Se chegarmos tarde a um compromisso ou se perdermos o ônibus ou o trem por nossa própria culpa ficaremos chateados. E se perdermos a salvação por nossa culpa?
A salvação é uma questão de prática do amor a Deus e ao próximo. Não existem “seguros de vida eterna”. Esta não pode ser comprada com práticas piedosas, como escapulários, novenas, devoções, missas gregorianas etc. Tudo isso é ótimo, mas não basta. A “porta estreita” de Jesus não significa moralismo, mas solidariedade com os irmãos, domínio diante do consumismo e da idolatria do dinheiro. É vivência das bem-aventuranças. É busca de santidade, que não é algo facultativo e opcional, reservado só a alguns, mas um ideal que pode ser atingido por todos (Lumen Gentium 11,3; 39). A partir do momento em que nos incorporamos a Cristo pelo Batismo, somos vocacionados para a santidade, ou seja, somos conclamados a amar, servir e glorificar a Deus em todas as circunstâncias de nossa vida.
O interlocutor de Jesus no Evangelho de hoje perguntou-lhe sobre o número dos que se salvam e Jesus lhe respondeu sobre o modo: “Entrem pela porta estreita...”. Em seguida ensinou que para obter a salvação não é suficiente pertencer ao povo eleito, nem alimentar uma confiança falsa, mas é necessário ter fé acompanhada por obras. A 2ª leitura indica como devemos fazer para obter a salvação: “Dirijam seus passos pelos caminhos certos...”. É um chamado à exemplaridade, a fim de fortalecermos com nossa conduta e caridade os que se sentem fracos, “para que os que mancam não se extraviem, mas sejam curados”.
Eis nossa missão, pois Deus quer que colaboremos na obra da salvação do mundo. Assim, nosso empenho apostólico é elemento essencial da vocação cristã, pois todo cristão, em qualquer idade ou condição, em todas as circunstâncias, é chamado “a dar testemunho de Cristo em todo o mundo”.
Porém, a exigência cristã da missionariedade não nos leva a fazer coisas estranhas, e muito menos a descuidar dos deveres familiares, sociais e profissionais, pois é justamente nas relações humanas normais que encontramos campo para uma opção apostólica eficaz. Devemos levar os outros a Cristo no lugar onde Deus nos colocou, com nosso exemplo, mostrando nossa coerência entre a fé e as obras, com nossa serenidade perante as dificuldades, por meio da Palavra que anima sempre, e com a admiração de encontrar e seguir Jesus.
Dos primeiros cristãos se dizia: “O que a alma é para o corpo, os cristãos são para o mundo” (Carta a Diogneto). Poderiam dizer o mesmo de nós na família, na escola, no trabalho, no clube? Somos a alma que dá a vida de Cristo onde nos encontramos?
“O cristão tem que redimir e santificar o seu próprio tempo Para isso precisa compreender e compartilhar os anseios dos outros homens”. Nesta tarefa evangelizadora temos que contar com “um fato completamente novo e desconcertante, que é a existência de um ateísmo militante, que já invadiu muitos povos” (João XXIII). “Ateísmo que pretende que os homens se voltem contra Deus, ou pelo menos o esqueçam. São ideologias que utilizam poderosos meios de comunicação de massas, que levam a cabo uma sistemática difusão de slogans e chavões aparentemente irretorquíveis...”. Para todos os que são atingidos pela moderna ideologia ateísta devemos proclamar bem alto, como fez Pedro em relação a Cristo: “Não foi dado aos homens outro nome debaixo do céu pelo qual possamos ser salvos” (Atos dos Apóstolos 4,12).
padre José Antonio Bertolin, OSJ - www.santuariosaojose.com.br
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Jesus continua a sua viagem para Jerusalém, a etapa decisiva e conclusiva da sua missão. Entretanto, não cessa de evangelizar as cidades e aldeias por onde vai passando. A esta introdução geográfica segue-se uma outra episódica. Alguém interpela Jesus sobre o número dos que se salvam. Trata-se duma questão teológica, teórica, que Jesus faz deslocar para o plano prático.
A «porta estreita» por si é uma parábola. A felicidade messiânica é apresentada na imagem dum castelo ou fortaleza cujo acesso é sempre estreito e difícil, exigindo perícia e não podendo ser transposto quando se está demasiado carregado, tal como para entrar no Reino de Deus é necessária uma ginástica do espírito, redimensionando as próprias presunções e arrogâncias.
Particularmente desconcertante é o seguimento da parábola. O «porta estreita» torna-se agora uma «porta fechada» e muitos ficarão fora. O motivo da condenação não é a sua ignorância, pois todos foram ouvintes de Jesus e comensais, porventura amigos, mas não seguiram o seu caminho, o seu ensinamento. Estão fora por causa da sua maldade, ou seja, das suas más ações e injustiças.
Os ouvintes de Jesus eram, naturalmente, de origem judaica. A forte chamada de atenção ao fato de serem lançados fora é colocada entre a felicidade dos santos do Antigo Testamento e os pagãos vindos dos quatro ângulos da terra.
A pregação de Cristo, destinada aos judeus, foi sobretudo acolhida pelos pagãos. O contraste «fora» e «dentro» tornou-se «últimos» e «primeiros». Não se trata de excluir ninguém: todos podem ser excluídos e todos podem ser admitidos no reino de Deus. Perante a palavra de Deus anunciada por Jesus não conta ser judeu ou pagão, importa a conversão e o esforço, necessários para não ser praticantes da iniquidade.
padre Franclim Pacheco - www.diocese-aveiro.pt
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Jesus continua seu caminho para Jerusalém, rumo à sua paixão, morte e ressurreição. Seu caminho é o dos cristãos. Pois bem, no caminho, fazem-lhe uma pergunta: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” É daquelas perguntas que Jesus não responde, porque se fundam na curiosidade inútil e não naquilo que ele veio revelar e inaugurar: o Reino de Deus, que exige de nós uma abertura de coração e uma resposta de amor para segui-lo no caminho.
Hoje, é tão comum apresentarem um cristianismo de curiosidade sobre o fim dos tempos, sobre milagres, sobre curas... um cristianismo interesseiro, que busca somente emoção e solução de problemas... Tudo isso é um falso cristianismo: vazio, anti-evangélico (mesmo quando se diz “evangélico”) e sem sentido algum... Um cristianismo que trai o Cristo!
Ao invés de responder a pergunta que lhe fizeram, o Senhor vai direto ao ponto que realmente interessa... Por isso, responde com uma advertência: Não é da nossa conta se são muitos ou poucos os que se salvam. Interessa, isso sim, que tenhamos uma tal atitude hoje, no presente de nossa vida, em relação ao seu Evangelho, que possamos herdar a salvação:“Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão”. Portanto, o Senhor chama nossa atenção para o presente, como estamos nos posicionando agora em relação a ele.
Mas, por que afirmar que a porta é estreita e que muitos tentarão e não conseguirão? Será que Deus nos preparou uma armadilha? De modo algum! A porta é estreita porque nos tornamos grandes demais, auto-suficientes demais, prepotentes demais, demasiadamente cheios de nós mesmos! A porta é estreita porque nossas manhas sãos largas... Portanto, há um combate a ser travado em nós, para nos adequarmos ao Reino de Deus. Seguindo nossa lógica, nossos instintos, nossas paixões, não entraremos! Não entrará no Reino quem primeiro não deixar o Reino entrar em si, no seu coração e na sua vida!
E há ainda mais dois aspectos importantes para os quais o Senhor chama a nossa atenção: (1) haverá um momento final, definitivo, decisivo e irremediável: “Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’.” Cuidemos, portanto, porque haverá um momento final, um julgamento definitivo, um céu ou um inferno que nunca passarão! Não nos esqueçamos disso; não brinquemos com isso! Há ainda um segundo aspecto: (2) Seremos julgados por nossa relação com ele, o Cristo Senhor. Se hoje o amamos, se hoje vivemos o seu Evangelho, se hoje praticamos a justiça do Reino que ele trouxe, seremos reconhecidos por ele; caso contrário, seremos rejeitados: “Começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ ele responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça’”. Nosso futuro está ligado à nossa atitude concreta em relação a Jesus hoje! Por isso mesmo, hoje escutemos a advertência do Autor da Carta aos Hebreus: “Meu filho, não desprezes a educação do Senhor; pois o Senhor corrige a quem ama e castiga a quem aceita como filho. Portanto, firmais as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos, acertai os passos dos vossos pés”. É no hoje da vida que o Senhor nos espera; é no nosso presente que o nosso futuro eterno é decidido. Como tenho vivido meu hoje, meu presente em relação ao Senhor? Vou construindo meu céu ou meu inferno?
E, uma última advertência seríssima da Palavra de Deus hoje: que ninguém se iluda pensando ser membro da Igreja, ser batizado, ser filho de Deus, pois o Senhor olha o coração. Sermos batizados não é somente uma honra, mas é também um dever, uma responsabilidade imensa. Quantos pagãos, quantos ateus, quantos não-católicos, são mais generosos que nós! Quantos seriam melhores cristãos e melhores católicos que nós! Por isso mesmo, Jesus nos previne:Virão muitos do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”. Como os judeus, que eram primeiros e perderam a prioridade para nós, cristãos, assim também nós, apesar de cristãos, podemos perder a prioridade para os pagãos. Recordemos que ser cristão não é nunca, mera questão de tradição, de costume, mas é, antes de tudo, uma relação viva de amor e empenho sempre renovado em relação ao Senhor que nos chamou a segui-lo! Esse amor vivo e sempre renovado é a única garantia de receber a salvação, de encontrar a porta aberta – e a porta é o próprio Cristo!
Que ele, na sua misericórdia, nos faça encontrar seu coração aberto, para que nele vivamos por toda a eternidade.
 dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com

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“Inclinai, Senhor, o vosso ouvido e escutai-me; salvai, meu Deus, o servo que confia em vós. Tende compaixão de mim, clamo por vós o dia inteiro”(cf. Sl. 85,1ss).
A liturgia de hoje nos abre os olhos para vermos a universalidade da salvação. Todos nós somos vocacionados para sermos filhos e filhas de Deus. Assim a missão da Igreja e dos batizados é apresentar o convite para o ingresso no Reino de Deus através da conversão, da mudança de vida e da vivência da santidade.
Assim a todos Jesus deu o poder de tornar-se filhos e filhas de Deus. Jerusalém é colocada no Evangelho como o ponto culminante e a meta decisiva, seja pela Cruz de morte e triunfo, seja pela ascensão gloriosa de Jesus aos céus.
Os acontecimentos de Jerusalém nos apressam uma reflexão sobre a realidade última de todos os homens: a irmã morte nas palavras de São Francisco de Assis. A morte que sempre nos transporta para a cidade de Jerusalém com seus dois significados: o final duro, mas feliz, da caminhada salvadora de Jesus e o final positivamente duro e provavelmente feliz de cada homem e de cada mulher.
Tudo é misturado: a morte e a ressurreição de Jesus com a morte e a vida eterna das criaturas humanas.
A Primeira Leitura deste domingo(cf. Is 66,18-21) nos apresenta a Revelação universal da glória de Deus. Uma “utopia”, por isso olhar para o futuro nós convidados, como faz o profeta pós-exílico ao encontro da realidade que vem de Deus, seu poder e grandes feitos realizados na História. O profeta concebe Israel como o lugar desta manifestação. De fato, a própria pessoa de Cristo será esse lugar.
Na Segunda Leitura(cf. Hb 12,5-7.11-13) nos é apresentado o sofrimento, pedagogia de Deus. Nossa condição atual é frágil. O Filho de Deus entrou nesta fragilidade, para nos ajudar. Conheceu tentação, sofrimento e morte: aprendeu a obediência. Assim também os fiéis devem passar pela escola de Deus. Chegarão então à justiça, à retidão, à salvação. Deus nos educa para a vida.
São Lucas(cf. Lc 13,22-30) nos ensinou hoje que Jesus anunciava o Reino de Deus pelas suas pregações para todos. Jesus não fez acepção do público destinatário de sua Palavra de Salvação. Pelo contrário Jesus ensinou em todos os povoados, lugarejos, vilas, para pessoas de todas as classes, especialmente para aqueles que estavam à margem da sociedade excludente e repleta de castas de então.
Jesus não determinou o número dos que seriam salvos. Para ser salvo é necessário aceitar o Evangelho, procurar uma boa mudança de vida pela conversão e o perdão dos pecados e a vivência da santidade cristã.
Assim, a salvação foi colocada como UNIVERSAL. A questão da salvação deve ser vista pelo empenho, pelo esforço de conversão e pelo testemunho. Todos são chamados, indistintamente. Não há restrições para ninguém. Muito menos há privilégios ou castas dos que serão salvos. Todos nós nos tornamos filhos de Deus e somos inscritos no livro da vida pelo batismo quando é apagado nosso pecado original e nos é restabelecida a graça de Deus, a graça que nos santifica e nos dá ânimo para a vivência da vida cristã no quotidiano.
A porta de entrada no Reino de Deus é estreita. Mas, com graça e humildade, poderemos passar pela porta para entrar na vida eterna.
A porta significa a passagem. Passar para o Reino de Deus, para dele participar em plenitude, exige esforço, luta, penitencia, conversão, mudança de vida, e cruz.
Não basta ouvir sermões sobre a vida de Jesus ou ir à mesa da Santa Eucaristia. É preciso mais do que isso. É necessário lutar e combater o bom combate vivendo as obras de justiça, colocando em prática os ensinamentos de Jesus, entendendo, assim os mistérios da Paixão do Senhor e sofrer com ele os fatos acontecidos em Jerusalém.
A oração pela oração não basta para entrar na porta estreita. Ajuda. Mas não é tudo. Depende muito mais da conversão. Jesus nos dá a mão para o grande esforço do combate espiritual conversão. A resposta se dá de maneira individual com um raio de compromisso comunitário na Paróquia, na Diocese e na Igreja Católica espalhada pelo orbe.
Todos os homens e mulheres que estão fatigados são convidados a virem a Jesus para ser pelo Senhor aliviados. O vindo implica em dar um sim ao chamamento. Esse caminhar, feito de esforço, de luta, de encantamento, de perseverança, de fidelidade, está incluído no esforço para adentrar a porta estreita.
Salvação que é pura graça do Senhor. Pedi e receberei. Procurai e será achado. Assim deve ser a salvação. No caminho de salvação os tropeços, os espinhos, as incompreensões, as perseguições aparecerem e elas amadurecem a nossa fé. Não há glória sem Calvário. Peguemos a nossa Cruz e com ela procuremos a doce salvação.
A primeira leitura lembra que Deus não apenas quis salvar o povo de Israel do exílio babilônico, como também o encarregou de abrir o Templo e a Aliança a todas as Nações. Quando Deus concede um privilégio, como foi a salvação de Israel do cativeiro babilônico, este privilégio se torna responsabilidade para com os outros. Deus rejeita a auto-suficiência. Todos nós caminhamos num processo de busca, de humildade e de partilha.
A segunda leitura, por seu turno, nos lembra que Deus “castiga” para nos educar. Pois o Senhor educa a quem ele ama e castiga tudo aquele que acolhe como filho, nos ensina Hb 12,6. O sofrimento pode ter o valor de educação para uma vida que agrade a Deus, já que este, em Cristo encarou o sofrimento. Não é errada tal valorização do sofrimento, já que não se consegue escapar dele, nem mesmo no admirável mundo novo da era escatológica.
Celebramos hoje a vocação de nossos queridos irmãos leigos e leigas, particularmente os inúmeros catequistas. O LEIGO tem hoje um papel muito importante dentro da Igreja. Tão importante que o legislador canônico de 1983, invertendo a antiga disciplina jurídica da Igreja, colocou o povo de Deus em maior destaque do que a hierarquia eclesiástica. A celebração eucarística deve, pois, levar a Comunidade a dar graças ao Senhor da Vida pela vocação cristã recebida e a renovar o compromisso de corresponder ao dom misericordioso de Deus, não se fechando sobre si mesma, mas abrindo o coração para acolher, sem distinção, a todos. Assim se dará graças por todos os homens e mulheres que participam dos bens do Reino, além da comunidade de fiéis, em todos os homens e mulheres de Boa Vontade que procuram entrar pela porta estreita da renúncia de si mesmos e da prática da caridade e do sumo bem.
padre Wagner Augusto Portugal - www.catequisar.com.br

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A salvação
A liturgia propõe hoje o tema da salvação. A salvação é um dom, que Deus oferece a todos, mas a porta para entrar no Reino é estreita. As leituras bíblicas aprofundam esse tema.
Na 1a leitura, o profeta fala de uma comunidade universal. Todas as nações são chamadas a integrar o Povo de Deus: "Eu virei para reunir os homens de todos os Povos; eles virão e verão a minha glória". (Is. 66,18-21)
E acrescenta algo inaudito: "Escolherei estrangeiros devotos ao meu nome... e os enviarei como missionários para anunciar a minha salvação".
2ª leitura afirma que o homem encontra a Salvação em Deus e deve deixar-se guiar  por ele, que, como Pai, corrige e repreende os que se desviam do bom caminho da Salvação para que alcancem a meta final, a herança reservada a seus filhos. (Hb. 12,5-7.11-13)
No Evangelho, Jesus trata do mesmo tema. (Lc. 13,22-30)
Começa com uma pergunta dirigida a Jesus: "São muitos os que se salvam?" Os judeus estavam convencidos de que só povo de Israel se salvaria.
Jesus não responde à pergunta, dizendo o número dos que se salvam. Prefere revelar o Caminho para a salvação. Fala que o banquete do "Reino" é para todos. No entanto, não há entradas garantidas, nem bilhetes reservados e estreita é a porta para entrar nele.
Complementa o pensamento com uma pequena parábola: Um Senhor oferece um banquete. Todos podem tomar parte, porque é de graça. Todos procuram entrar. Alguns passam, outros não conseguem. A um certo ponto a porta se fecha.
- Quem está dentro? Os patriarcas... os profetas... e uma multidão incontável, vinda de todos os lados...
- Quem está fora? Um grupo que conheceu o Senhor e pretende entrar de qualquer jeito, expondo os seus motivos: "Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste em nossas praças". E o Senhor não abre a porta e os manda embora... Não basta o privilégio de pertencer ao povo eleito...
- E, aos "convencidos" de ter a salvação garantida, conclui com um alerta: "Não vos conheço..."
+ A Salvação é oferecida para todos, independentemente de raça, de condição social, econômica ou religiosa... Deus oferece gratuitamente a Salvação, mas espera nossa resposta, o nosso compromisso com os valores do Evangelho. Basta acolher essa oferta, aderir a Jesus e entrar pela "porta estreita".
* Mas para muitos, a "porta estreita" não é muito popular... A felicidade se encontra no poder, no êxito, na exposição social, nos cinco minutos de fama que a televisão proporciona, no dinheiro...
Para passar pela porta estreita, são necessárias duas coisas:
- Desfazer-se de muitas "gorduras", de tanta coisa desnecessária...
- Tornar-se pequeno, simples, humilde, servidor, como criança: "Quem não se fizer como criança não terá lugar no reino de Deus". Os de grande estatura e os gordos não passam...
+ Um alerta: não haverá privilegiados, entradas garantidas, bilhetes reservados... O ser cristão não é um meio mágico de salvação; ela é o resultado do encontro entre o esforço humano e o dom de Deus. Para salvar-se, não basta entrar na Igreja uma vez pelo Batismo, mas querer entrar todos os dias pela "porta estreita" da fidelidade à mensagem de Cristo e do Evangelho.
- Naquela hora, não haverá desculpas: sou católico desde criança... Vou à missa todos os domingos, confesso com freqüência, pago sempre o dízimo, ajudo a Igreja... Sou amigo do padre... do bispo... Fiz o cursilho... o seminário da RCC... sou membro do Apostolado...
- Naquela hora, poderá ter surpresa: "Não sei de onde vocês são... afastem-se de mim... Há últimos que serão primeiros e primeiros que serão últimos."
= Estranhos entrando na glória e "praticantes" excluídos do banquete...
São muitos os que se salvam? Jesus não respondeu diretamente à pergunta quanto ao número, fala dos Destinatários da salvação e o Caminho para consegui-la": a "porta estreita" do despojamento e da humildade... Se olharmos apenas as exigências de entrar pela "porta estreita", poderíamos ficar preocupados. Mas sabemos que Deus é mais bondade e misericórdia, do que justiça.
Cristo nos garante: "Eu sou a porta, quem entrar por mim, será salvo..." (Jo 10,9)
E Paulo nos garante uma verdade muito consoladora: "É vontade de Deus que todos os homens se salvem, e todos cheguem ao conhecimento da verdade..." (1Tm. 2,4) A porta é estreita, mas está aberta.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa - buscandonovasaguas.com
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O ESFORÇO PARA ENTRAR PELA PORTA ESTREITA
A liturgia deste Domingo nos propõe o tema da “salvação”. Nos indica que para se chegar ao “Reino”, à vida plena, à felicidade eterna, dom de Deus oferecido a todos os homens e mulheres sem exceção, é preciso renunciar a uma vida baseada naqueles valores que nos tornam orgulhosos, egoístas, prepotentes, auto-suficientes, e seguir Jesus no seu caminho de amor, de simplicidade, de humildade, de generosidade, de doação, de dom da vida.
No Evangelho de hoje, Jesus anuncia sua mensagem de salvação, ensinando de cidade em cidade, de povoado em povoado. Ao mesmo tempo, aproxima-se de Jerusalém, onde alguém lhe pergunta: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” É a pergunta curiosa do devoto fiel, evidentemente pondo-se no grupo dos salvos. É a tentação de sempre, a tentação dos nossos amados irmãos judeus da época de Jesus, especialmente dos fariseus; mas também é a nossa tentação: saber se levamos uma vida certinha e se o nosso lugar no paraíso já está assegurado. É a tentação que temos nós discípulos, quando perdemos a dimensão da espera; quando acreditamos que os muros da nossa cidade interior são tão seguros a ponto de não precisarem de vigilância.
É terrível para nós discípulos, quando depois de uma bela experiência de Deus, sentimos imediatamente ter entrado num grupo a parte, e começamos a olhar com soberba os outros, aqueles que não entendem, que não conhecem, que têm seguido outros percursos diferentes dos de Jesus.
Para mantermos a vida de fé, necessitamos fazer todo o esforço possível, diz o Senhor, para passar pela porta estreita. Com este símbolo, Jesus não tem intenção de dizer que devido ao monte de gente que quer a vida eterna, tenhamos que empurrar uns aos outros pra poder garantir nosso lugar. Não! Mas que devemos nos esforçar. Não basta querermos. Certamente, é verdade que nós somos salvos e que não podemos fazer nada com as nossas próprias forças para merecer a salvação, mas esta não acontece sem a nossa fé que se traduz em obras, como uma atitude de pura passividade (Cf. Declaração conjunta católico-luterana sobre a doutrina da justificação).
Deus nos salva, mas nos leva a sério como pessoas livres e responsáveis. Devemos nos esforçar e lutar, aproximando-se decididamente e conscientemente dele, para superar os obstáculos e testemunhá-lo com a nossa vida.
Com a afirmação sobre a porta que é fechada pelo dono da casa, Jesus quer dizer que nós devemos nos esforçar a tempo. Devemos levar em conta que o nosso tempo é curto. Não podemos adiar pra não sei quando o esforço para viver em comunhão com Deus. Com a nossa morte, a porta será fechada e será decidido o nosso destino. Então será muito tarde para querer, chamar e bater. Devemos levar em conta também que o nosso tempo, além de limitado, não temos nenhum controle sobre ele. Não podemos viver uma vida segundo o nosso bel-prazer e adiar para a velhice a preocupação pela salvação, até porque não sabemos se chegaremos a ela. Não somos nós a fechar a porta, mas o Senhor. Por isso, devemos estar sempre prontos.
Nas palavras do dono da casa, vemos uma ênfase na justiça, na orientação da vida segundo a vontade do Senhor. Não basta uma comunhão somente externa com ele, tê-lo conhecido, ter ouvido os seus ensinamentos, conhecer o Evangelho e o cristianismo. Pois, corremos o risco dele nos dizer: “não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!”. Quem não se orienta pela vontade de Deus, quem rejeita conscientemente a comunhão com Deus, já excluiu a si mesmo da salvação. Esta sua decisão é respeitada e confirmada pelo Senhor. E seria triste chorar de desgosto e ranger os dentes de raiva por se dá conta do que foi perdido.
A boa notícia de Jesus não diz coisas que nos agradam e não nos prometem uma vida fácil e sem esforços. Ela contém algumas verdades incômodas. Mas, justo porque não nos esconde nada e exatamente porque manifesta a verdade completa, nos indica a verdadeira via para a felicidade plena. Aquilo que conta, enfim, é o empenho com o qual se vive a própria existência cristã, testemunhando a pertença a Cristo.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento - www.pecarlos.blogspot.com
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A resposta de Jesus à pergunta do desconhecido revelou ser irrelevante a preocupação com o número das pessoas que irão se salvar. Importante mesmo é decidir-se a trilhar os caminhos do Reino, apesar de suas exigências. É o que Jesus chama de "entrar pela porta estreita". Como isto, afirma-se que a salvação é obtida mediante a renúncia das comodidades e conveniências, para abraçar a causa do Reino, sem querer fazer-lhe adaptações. Trata-se de cumprir a vontade de Deus, submetendo-se fielmente a ela.
Muitos ficarão decepcionados, por ocasião do encontro com o Senhor. Seguros de terem direito à salvação, ver-se-ão fadados à condenação. Como é possível alguém se condenar, se "comeu e bebeu na presença do Senhor" (referência à participação na Eucaristia), e o ouviu pregar em suas praças (alusão ao discipulado cristão)?
Tudo isto não basta para se obter a salvação, se não chega a provocar uma sincera conversão. Pensando ser verdadeiros discípulos, muitos cristãos, na verdade, praticam a iniqüidade. Seu modo de proceder não corresponde ao de um autêntico discípulo do Reino. Donde a frustração de se verem condenados a viver longe do Senhor.
Por conseguinte, a salvação se alcança por meio da vivência diuturna dos valores do Reino, embora nos custem. É desastrosa a meta da porta larga das conveniências pessoais.
padre Jaldemir Vitório - www.domtotal.com

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VOCAÇÃO UNIVERSAL À SALVAÇÃO
São poucos os que vão ser salvos? Muitos cristãos vivem com essa pergunta angustiante, inculcada às vezes por pregadores insensatos.
Segundo Jesus, no evangelho, a salvação é para todos, vindos de todos os lados, dos quatro ventos, de perto e de longe. Só não é para os que se fecham na sua auto-suficiência e nos seus presumidos privilégios. A primeira leitura lembra que Deus não apenas quis salvar o povo de Israel do exílio babilônico, como também o encarregou de abrir o Templo e a aliança a todas as nações. Quando Deus concede um privilégio, como foi a salvação de Israel do cativeiro babilônico, esse privilégio se torna responsabilidade para com os outros. Deus rejeita a auto-suficiência.
Na reflexão/homilia, pode-se aprofundar o tema do chamamento universal combinado com a exigência de resposta generosa. “Deus não fechou o número, a nós cabe nos incluir nele” poderia ser um lema para inculcar no ouvido e no coração do povo celebrante.
1º leitura (Is. 66,18-21)
O fim da profecia de Isaías evoca a revelação universal da glória de Deus: uma “utopia”. Olhar para o futuro, como faz o profeta pós-exílico de Is 66, não é necessariamente fuga da realidade presente; pode também ser um passo ao encontro da realidade messiânica que vem de Deus. Trata-se do futuro criado por Deus! Ele envia mensageiros a todos os povos, até os mais distantes, os que nunca ouviram falar dele! Então farão subir a Sião esses povos e suas riquezas para santificarem o Senhor no Templo – alguns até como sacerdotes! O profeta vê Israel como o lugar da manifestação dos grandes feitos de Deus. De fato, a própria pessoa de Jesus, o judeu, será desse lugar.
Salmo responsorial Sl. 117(116),1.2
O salmo de meditação é um breve hino de louvor universal a Deus. À universalidade da salvação oferecida por Deus corresponde o louvor universal de suas criaturas.
Evangelho (Lc 13,22-30)
O evangelho de hoje deve ser entendido à luz da fé na salvação universal: a todos deve ser apresentado o convite do Reino. Algumas pessoas, preocupadas, perguntam a Jesus se são poucos os “eleitos” que vão participar do reino de Deus. Jesus não responde, mas evoca três imagens.
As duas primeiras imagens que Jesus evoca são “restritivas”: 1) a porta é estreita, mas a vocação, universal; porém é preciso esforçar-se (13,23-24; cf. 16,16); 2) em determinado momento a porta será fechada, e então será tarde para chorar por entrar (13,25-27). À preocupação apocalíptica de saber o número dos eleitos e as chances de entrar, Jesus responde: o número dos eleitos não importa; importa a conversão, esforçar-se para entrar e não ficar gracejando, exibindo um ar de interessado, sem nada empreender. Pois vem o momento em que o dono da casa se levanta e fecha a porta; então, não reconhecerá os que estiveram com ele nas praças, porém só “de corpo presente”, sem dar audiência à sua palavra. Ora, a festa em si, ela está aberta a todos os que quiserem esforçar-se. Mas Jesus dirige uma crítica àqueles em cujas praças ele ensinou (13,26): deixaram-no falar, mas não obedeceram a seu apelo de conversão, talvez por estarem seguros de pertencer ao número dos eleitos. Eles são os primeiros que se tornam últimos, enquanto os últimos – os desprezíveis pagãos –, quando se convertem, se tornam os primeiros, para sentar com Abraão, Isaac e Jacó (que provocação para os judeus!) na mesa do banquete escatológico, vindos de todos os cantos do mundo.
Aparece aqui a terceira imagem: o banquete dos povos. Apesar da exclusão dos “primeiros”, que recusaram o convite, Deus realizará o banquete escatológico para todos os povos, incluindo os gentios (os “últimos”) (13,28-30). Portanto, Deus não é mesquinho, não prepara a festa para um número restrito, mas para todos. Espera, porém, o empenho da fé, vivida na caridade, como resposta à palavra da pregação: qualquer um que responder a essa exigência poderá participar. Para compreender melhor essa combinação entre o chamado universal e a exigência de disposição e empenho pessoal, pode-se ver a parábola do banquete universal segundo Mateus, seguida da parábola do traje de festa que se exige para participar (Mt. 22,1-14).
Essa mensagem não perdeu sua atualidade. O que Jesus recusa é o calculismo e a falsa segurança a respeito da eleição. Esta não responde a nenhum critério humano. É a graça de Deus que nos chama à sua presença. Diante desse chamado, todos, seja quem for, devem converter-se, pois ninguém é digno da santidade de Deus nem de seu grande amor. Ninguém se pode considerar dispensado de lhe prestar ouvido e de transformar sua vida conforme a exigência de sua palavra. Não existe um número determinado de eleitos (é bom repeti-lo, em vista de certas seitas por aqui). O que existe é um chamado universal e permanente à conversão. E esse chamado vale também para os que já vêm rotulados de bons cristãos. Pois a fé nunca é conquistada para sempre. É como o maná do deserto: se a gente o quer guardar até a manhã seguinte, apodrece (cf. Ex 16,20)! Quem não retoma diariamente o trabalho de responder à Palavra com autêntica conversão gritará em vão: “Senhor, participei de retiros e assisti a pregações, palestras e cursos em teu nome (e também comi e bebi nas tuas festinhas paroquiais)”... E também hoje os últimos poderão ser os primeiros: os que não vão à igreja porque não têm roupa decente, porque devem trabalhar, porque têm filhos demais ou, simplesmente, porque se sentem estranhos entre tanta gente de bem... Para chamá-los é que Jesus não ficou nos grandes centros, mas entrou nos bairros e vilarejos.
2º leitura (Hb. 12,5-7.11-13)
A segunda leitura apresenta um tema delicado: o sofrimento como pedagogia de Deus. Nossa atual condição humana é precária, “frágil” (Hb 5,15). O Filho de Deus participa dessa fragilidade, para nos ajudar. Ele conheceu tentação, sofrimento e morte: “aprendeu a obediência” (5,8). Do mesmo modo, os fiéis devem passar pela “escola” de Deus: assim chegarão à justiça, à retidão, à salvação. Deus nos educa para a vida (12,9-10).
Esse texto entra em choque com a mentalidade “esclarecida”. O texto diz que Deus “castiga” para nos educar: “Pois o Senhor educa a quem ele ama e castiga todo que acolhe como filho” (Hb. 12,6; cf. Pr. 3,11-12). Achamos horrível: Deus castiga, faz sofrer? Não. Educa-nos, como um bom pai educa seu filho, corrigindo-o. Essa é a resposta dos antigos para o escândalo do sofrimento, e do nosso povo simples também. Será que eles se enganam? Enquanto os eternos disputadores acusam Deus por permitir o sofrimento, os simples vêem no sofrimento uma escola de vida. O importante não é de onde vem o sofrimento, a não ser que seja consequência da maldade. Importante é saber o que fazer com ele! Que o sofrimento existe é inegável. Muitas vezes, é causado pelos homens, mas nem sempre. A quem sofre importa menos explicar as causas do que dar um sentido ao sofrer. O sofrimento pode ter o valor de educação para uma vida que agrade a Deus, já que este, em Cristo, também o encarou. Não é errada tal valorização do sofrimento, já que não se consegue escapar dele, nem mesmo no admirável mundo novo da era tecnológica. Como cristãos, devemos aprender a viver uma vida nova, diferente da vigente. Isso não é possível sem sofrer. Porém, esse sofrimento não deprime, não torna fatalista, mas faz crescer a força para produzir frutos de paz e justiça: “Levantai, pois, as mãos fatigadas e os joelhos trêmulos; dirigi vossos passos pelo caminho reto!” (Hb. 12,12).
(Um texto das cartas mais próximo das outras leituras seria 1Pd. 2,9-10: somos chamados das trevas à luz.)
PISTAS PARA REFLEXÃO
Cristianismo instalado ou aberto?
A vocação à salvação é universal, mas nem por isso todos os que a ouvem estão salvos. Existem muitos cristãos acomodados e seguros que fazem formalmente todo o prescrito, porém não assumem com o coração o que Jesus deseja que façam, sobretudo o incansável amor ao próximo. Eles ficarão de fora se não se converterem, enquanto outros, considerados pagãos, vão encontrar lugar no Reino. Os que só servem a Deus com os lábios e não com o coração e de verdade, o Senhor não os conhecerá!
Na América Latina, hoje, os que sempre foram os “donos” da Igreja estão se enterrando no materialismo, e os pobres – marginalizados da vida eclesial ou relegados a uma posição inferior – estão entrando nas comunidades e ocupando o lugar dos antigos donos. Apesar das tentativas de voltar ao “tradicional”, tanto o povo simples como a juventude pós-moderna estão dando outro aspecto a igrejas e capelas. Esvazia-se o comportamento chamado tradicional – porém alheio à verdadeira Tradição –, enquanto se abre espaço para novo modo de ser cristão, mais jovem e mais simples, mais participativo e menos fechado, mais fiel, também, à primeira tradição cristã.
Contudo, essa chegada de um novo tipo de cristãos, muitas vezes “vindos de longe”, não significa que o ser cristão esteja ficando mais fácil. Pelo contrário, exige desinstalação. Exige busca permanente do que é realmente ser cristão: não apegar-se a fórmulas farisaicas, mas entregar-se a uma vida de doação e de amor, que sempre nos desinstala.
Então a questão não é se poucos ou muitos vão ser salvos. A questão é se estamos dispostos a entrar pela “porta estreita” da desinstalação e do compromisso com os que sempre foram relegados. A questão é se abrimos amplamente a porta de nosso coração, para que a porta estreita se torne ampla para nós também. Deus não fechou o número. A nós cabe nos incluir nele...
padre Johan Konings, sj.  - www.paulus.com.br
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“Eu virei reunir todas as nações e todas as línguas, para que venham contemplar a minha glória.”
A liturgia deste domingo propõe-nos o tema da “salvação”. Revela que podemos ter acesso ao Reino, à vida plena, à felicidade ofertada a todos indistintamente; mas, para lá chegar, é preciso renunciar a uma vida baseada em orgulho, egoísmo, prepotência, auto-suficiência, e seguir Jesus no seu caminho de amor, de entrega, de dom da vida.
Os capítulos 56-66 do livro de Isaías (conhecidos genericamente como Trito Isaías) são atribuídos pela maior parte dos estudiosos atuais a diversos autores, vinculados espiritualmente ao Deutero Isaías. Sobre estes autores não sabemos rigorosamente nada, a não ser que apresentaram a sua mensagem nos últimos anos do séc. 6 e princípios do séc. 5 a.C.
A 1ª Leitura fala de um profeta não identificado, e que nos dá uma visão da comunidade que será universal, na qual todos os povos terão acesso, não só à terra, mas aos valores da Boa-Nova de Deus. Dela até os pagãos farão parte, e poderão servir a Deus, sem nenhuma discriminação baseada em raça, etnia ou origem.
O autor deste texto considera que todas as nações são chamadas a integrar o Povo de Deus. É nessa perspectiva que ele compõe a visão de caráter escatológico que o nosso texto nos apresenta: no mundo novo que vai chegar, todos são convocados por Deus para integrar o seu Povo.
Estamos num contexto político em que não era fácil ter uma visão tolerante sobre as outras nações. Dizer que todos os povos são convocados por Deus, e que Deus a todos oferece a Salvação, já é algo de escandaloso para os judeus da época; porém é algo inaudito dizer que Jahwéh escolherá dentre eles missionários, a fim de os enviar ao encontro das nações; e é absolutamente inconcebível dizer que Deus vai escolher, dentre os pagãos, sacerdotes e levitas que entrem no espaço sagrado e reservado do Templo (onde, recorde-se, qualquer pagão que entrasse era réu de morte) para o serviço do Senhor.
Em nossos dias não é novidade nenhuma dizer que “ao novo Povo de Deus, todos os homens são chamados” (LG 13). No Povo de Deus não é decisivo nem a raça, nem o sexo, nem a posição social, nem a preparação intelectual, mas sim a adesão a Jesus e o compromisso com o projeto de Salvação que o Pai oferece, em Jesus.
Ainda, infelizmente, nos deparamos com certas afirmações e atitudes de cristãos praticantes que refletem, na prática, um entranhado racismo. A xenofobia não é condizente com a vida de um cristão. Dizer que “o Brasil é dos brasileiros; os outros que voltem para a sua terra” (comumente nos países europeus esta frase é uma máxima) é colaborar na construção de um mundo mais justo, já que o mundo é a nossa comunidade universal, que é o projeto de Deus?
Quem quer Cristo sem a cruz encontra a cruz sem Cristo...
Na 2ª Leitura o autor apela aos cristãos a se esforçarem, como atletas, para chegar à vitória. A exemplo de Cristo, o autor convida os cristãos a aceitar as correções e repreensões de Deus, como atos pedagógicos de um Pai preocupado com a felicidade dos filhos.
A questão fundamental gira em torno do sentido do sofrimento e das provas que os fiéis têm de suportar (as perseguições e incompreensões que os cristãos sofrem). Certa mentalidade religiosa popular considerava o sofrimento um castigo de Deus pelo pecado do homem (cf. Jo 9,1-3); mas, para o autor da Carta aos Hebreus, o sofrimento não é um castigo, mas sim uma medicina, uma pedagogia, que Deus utiliza para nos amadurecer e ensinar a viver. Deus serve-se desses meios para mostrar-nos a insensatez de certos comportamentos; dessa forma, Ele demonstra a sua solicitude paternal. Como sinais do amor que Deus nos tem, os sofrimentos são uma prova da nossa condição de “filhos de Deus”.
Muitos fiéis encontram dificuldade em aceitar os sofrimentos, e, com frequência, põem em questão Deus: se Deus existe, por que é que deixa que o sofrimento marque a vida das pessoas, inclusive a vida dos bons e inocentes, como as crianças?
O sofrimento não é bom em si; mas nos ajuda a perceber o sem sentido de certos caminhos que seguimos e a corrigir o rumo da nossa vida. Deus ama-nos e quer nos salvar; o sofrimento e as provas nos permitem, muitas vezes, descobrir essa realidade. Apesar das crises, o cristão nunca deve esquecer o amor de Deus, e agradecer por isso. Diante dos sofrimentos, o melhor é agradecer a preocupação de Deus que, servindo-se dos dramas da vida, nos manifesta o seu amor e nos salva.
“Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar, sem o conseguir”
O fato narrado pelo Evangelho de hoje mostra-nos que Jesus, com os discípulos, continua o “caminho de Jerusalém”. O interesse central do episódio é mostrar que o autêntico cristão segue o caminho do Reino, porque ele é o herdeiro do projeto de Jesus. Portanto, não há tempo a perder.
Na perspectiva da catequese que, hoje, Lucas nos apresenta, as palavras de Jesus são uma reflexão sobre a questão da Salvação. Os rabinos debatiam a questão da Salvação. Tinham a certeza de que a Salvação pertencia unicamente ao Povo Eleito, e só a ele.
Jesus, no entanto, falava de Deus como um Pai cheio de misericórdia, cuja bondade acolhia a todos, especialmente os pobres e os fracos. Não fazia, portanto, sentido saber o que pensava Jesus sobre a questão… Jesus não responde diretamente à pergunta. Para Ele, mais do que falar em números concretos a propósito da “salvação”, é importante definir as condições para pertencer ao Reino, e estimular nos discípulos a decisão pelo Reino.
Para Jesus, entrar no “Reino” é, em primeiro lugar, esforçar-se por “entrar pela porta estreita” (v. 24). A imagem da “porta estreita” é sugestiva para significar a renúncia a uma série de fardos que “engordam” o homem e que o impedem de viver na lógica do Reino. Que fardos são esses? A título de exemplo, poderíamos citar o egoísmo, o orgulho, a riqueza, a ambição, o desejo de poder e de domínio… Tudo aquilo que impede o homem de embarcar numa lógica de serviço, de entrega, de amor, de partilha, de dom da vida, impede a adesão ao Reino.
Em primeiro lugar, é preciso ter a consciência de que o Reino não está condicionado a nenhuma lógica de sangue, de etnia, de classe, de ideologia política, de estatuto econômico: é uma realidade que Deus oferece gratuitamente a todos; basta que se acolha essa oferta de Salvação, se adira a Jesus e se aceite entrar pela “porta estreita”.
A felicidade, a vida plena, encontra-se, para muitos dos nossos contemporâneos, no poder, no êxito, na visibilidade social, nos cinco minutos de fama que a televisão proporciona, no dinheiro (afinal, o novo deus que move o mundo, que manipula as consciências e que define quem tem ou não êxito, quem é ou não feliz). As nossas opções vão na maioria das vezes na linha da “porta larga” do mundo, ou da “porta estreita” de Jesus?
Para nós, assumidamente cristãos, onde está a Salvação? Jesus dizia que, no banquete do Reino, muitos apareceriam a dizer: “Comemos e bebemos contigo, e Tu ensinaste nas nossas praças”; mas receberiam como resposta: “Não sei de onde sois; afastai-vos de mim todos os que praticais a iniqüidade.” Este aviso toca de forma especial aqueles que conheceram bem Jesus, que se sentaram com Ele à mesa (da Eucaristia), que escutaram as suas palavras, mas que nunca se preocuparam em entrar pela “porta estreita” do serviço, da simplicidade, do amor, do dom da vida. Esses – Jesus é perfeitamente claro e objetivo – não terão lugar no Reino.
padre Elmo Heck - www.pom.org.br
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O evangelho proposta para nossa reflexão recorda-nos o rumo de Jesus, ele vai em direção a Jerusalém. Este pequeno detalhe é importante para entender o quadro onde se insere este “pedaço” do evangelho. O interesse central desta “viagem” é apresentar os traços do autêntico discípulo e apontar o caminho do “Reino” à comunidade cristã. O texto em consideração é constituído por materiais que chegaram ao autor do evangelho de várias procedências. O autor os junto neste contexto por razões de interesse temático. Inicialmente, eram “ditos” de Jesus (pronunciados em contextos distintos) sobre a entrada no “Reino”. Lucas aproveita-os para mostrar as diferenças entre a teologia dos judeus e a de Jesus, a propósito da salvação. Assim fica fácil entender que o tema do evangelho seja a salvação. Tudo começa com uma pergunta: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” A questão da salvação era uma questão muito debatida entre os estudiosos judeus. Para os fariseus da época de Jesus, a “salvação” era uma realidade reservada ao Povo eleito e só a este; mas, nos círculos apocalípticos, dominava uma visão mais pessimista, que sustentava que muito poucos estavam destinados à felicidade eterna. Em sua pregação, Jesus falava de Deus como um Pai cheio de misericórdia, cuja bondade acolhia a todos, especialmente os pobres e os débeis. Fazia, portanto, sentido saber o que pensava Jesus acerca da questão… Como habitualmente Jesus não responde diretamente à pergunta. Para Jesus, mais do que falar em números concretos a propósito da “salvação”, é importante definir as condições para pertencer ao “Reino” e estimular os discípulos à decisão pelo “Reino”. Assim, na perspectiva de Jesus, entrar no “Reino” é, em primeiro lugar, esforçar-se por “entrar pela porta estreita” (v. 24). A imagem da “porta estreita” é sugestiva para significar a renúncia a uma série de fardos que “engordam” a pessoa e que o impedem de viver na lógica do “Reino”. Que fardos são esses? A título de exemplo, poderíamos citar o egoísmo, o orgulho, a riqueza, a ambição, o desejo de poder e de domínio… Tudo aquilo que impede a pessoa de embarcar numa lógica de serviço, de entrega, de amor, de partilha, de dom da vida, impede a adesão ao “Reino”. Afim de explicitar melhor o ensinamento acerca da entrada do “Reino”, Lucas põe na boca de Jesus uma parábola. Nela, o “Reino” é descrito na linha da tradição judaica, como um banquete em que os eleitos estarão lado a lado com os patriarcas e os profetas (vs. 25-29). Quem se sentará à mesa do “Reino”? Todos aqueles que acolheram o convite de Jesus à salvação, aderiram ao seu projeto e aceitaram viver, no seguimento de Jesus, uma vida de doação, de amor e de serviço… Não haverá qualquer critério baseado na raça, na geografia, nos laços étnicos, que barre a alguém a entrada no banquete do “Reino”: a única coisa verdadeiramente decisiva é a adesão a Jesus. Quanto àqueles que não acolheram a proposta de Jesus: esses ficarão, logicamente, fora do banquete do “Reino”, ainda que se considerem muito santos e tenham pertencido, institucionalmente, ao Povo eleito. É evidente que Jesus está a falar para os judeus e a sugerir que não é pelo fato de pertencerem a Israel que têm assegurada a entrada no “Reino”; mas a parábola aplica-se igualmente aos “discípulos” que, na vida real, não quiserem despir-se do orgulho, do egoísmo, da ambição, para percorrer, com Jesus, o caminho do amor e do dom da vida.
Meditação
É importante ter a consciência de que o  acesso ao “Reino” não está condicionado a qualquer lógica de sangue, de etnia, de classe, de ideologia política, de estatuto econômico: é uma realidade que Deus oferece gratuitamente a todos; basta que se acolha essa oferta de salvação, se adira a Jesus e se aceite entrar pela “porta estreita”. Será que tenho consciência de que a comunidade de Jesus é a comunidade de todos e onde ninguém é excluído e marginalizado?
“Entrar pela porta estreita” significa, na lógica de Jesus, fazer-se pequeno, simples, humilde, servidor, capaz de amar os outros até ao extremo e de fazer da vida um dom. Por outras palavras: significa seguir Jesus no seu exemplo de amor e de entrega. É essa a lógica que procuro seguir na minha vida de cada dia?
A “porta estreita” não é, hoje, muito popular. Hoje o mundo pensa que a felicidade se encontra por “portas largas”. Como nos situamos face a isto? As nossas opções vão mais vezes na linha da “porta larga” do mundo, ou da “porta estreita” de Jesus?
O acesso ao “Reino” não é, nunca, uma conquista definitiva, mas algo que Deus nos oferece cada dia e que, cada dia, nós aceitamos ou rejeitamos. Ninguém tem automaticamente garantido, por decreto, o acesso ao “Reino”. Será que procuro o acesso ao “Reino” em cada dia que Deus me oferece?
Para mim onde está a salvação? Jesus dizia que, no banquete do “Reino”, muitos apareceriam a dizer: “comemos e bebemos contigo e Tu ensinaste nas nossas praças”; mas receberiam como resposta: “não sei de onde sois; afastai-vos de mim…” Este aviso toca de forma especial aqueles que conheceram bem Jesus, que se sentaram com Ele à mesa, que escutaram as suas palavras, mas que nunca se preocuparam em entrar pela “porta estreita” do serviço, da simplicidade, do amor, do dom da vida. Esses – Jesus é perfeitamente claro e objetivo – não terão lugar no “Reino”.
Patrick Silva - palavra.imconsolata.org.br
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Vocação universal à Salvação
Embora homem da cidade, Lucas gosta de apresentar Jesus atravessando os lugarejos do interior.
Para a mensagem de hoje, esta representação é significativa: a todos deve ser apresentado o convite do Reino (evangelho). De fato, à preocupação apocalíptica de saber o número dos eleitos e as chances que a gente tem (cf. o vestibular), Jesus responde: o número dos eleitos não importa;importa a conversão, esforçar-se para entrar e não ficar gracejando, dando um ar de interessado, sem nada empreender; pois vem o momento quando o dono da casa se levanta e fecha a porta; então, não reconhecerá os que estiverem com ele nas praças, mas só "de corpo presente", sem dar audiência à sua palavra. Ora, a festa em si, ela está aberta a todos os que quiserem esforçar-se.
A crítica se dirige àqueles em cujas praças Jesus ensinou (13,26): deixaram-no falar, mas não obedeceram a seu apelo de conversão, talvez porque estavam seguros de pertencer ao número dos eleitos. Eles são os primeiros, que viram últimos, enquanto os últimos, os desprezíveis pagãos, quando se convertem, se tornam os primeiros, para sentar com Abrão, Isaac e Jacó (que provocação para os judeus!) na mesa do banquete escatológico, vindos de todos os cantos do mundo.
Esta mensagem não perdeu sua atualidade. O que Jesus recusa é o calculismo e a falsa segurança a respeito da eleição. A eleição não responde a nenhum critério humano. É a graça de Deus que nos chama a sua presença. Diante deste chamado, todos, seja quem for, devem converter-se, pois ninguém é digno da santidade de Deus, nem de seu grande amor. Ninguém se pode considerar dispensado de lhe prestar ouvido e de transformar sua vida conforme a exigência de sua palavra. Não existe um número determinado de eleitos (é bom repeti-lo, com vistas a certas seitas por aqui). O que existe é um chamado universal e permanente à conversão. E este vale também para os que já vêm rotulados como bons cristãos. Pois a fé nunca é conquistada para sempre. É como o maná do deserto: se a gente o quer guardar até a manhã seguinte, apodrece (cf. Ex. 16,20)! Quem não retorna diariamente o trabalho de responder à Palavra com uma autêntica conversão, gritará em vão: "Senhor, eu participei de retiros e assisti a pregações, palestras e cursos em teu nome (e também comi e bebi nas suas festinhas paroquiais...)"... E também hoje os últimos poderão ser os primeiros: os que não vão à igreja, porque não têm roupa decente, porque devem trabalhar, porque têm filhos demais, ou, simplesmente, porque se sentem estranhos entre tanta gente de bem... Para chamar a eles é que Jesus não ficou nos grandes centros, mas entrou nos bairros e vilarejos.
A 2ª leitura entra em choque com a mentalidade "esclarecida": Deus " castiga" para nos educar. "Pois o Senhor educa a quem ele ama e castiga todo que acolhe como filho" (Hb. 12,6; cf. Pr. 3,11-12). Achamos horrível: Deus faz sofrer? Não. Educa-nos, como um bom pai educa seus filho, corrigindo-o. Esta é a resposta dos antigos para o escândalo do sofrimento; e do nosso povo simples também. Será que eles se enganam? No fundo, pouco lhes interessa donde vem o sofrimento. Querem saber o que fazer com ele! Que o sofrimento existe, é inegável. Muitas vezes, é causado pelos homens, mas nem sempre. A quem sofre importa menos explicar as causas do que dar um sentido ao sofrer. O sofrimento pode ter o valor de educação para uma vida que agrade a Deus, já que este, em Cristo, encarou o sofrimento. Não é errada tal valorização do sofrimento, já que não se consegue escapar dele, nem mesmo no admirável mundo novo da era tecnológica. Como cristãos, devemos aprender a viver uma vida nova, diferente da vigente. Isso não é possível sem sofrer. Porém, este sofrimento não deprime, não torna fatalista, mas faz crescer a força para produzir frutos de paz e justiça: "Levantai pois as mãos fatigadas e os joelhos trêmulos; dirigi vossos passos pelo caminho reto!" (12,12)
padre Johan Konings, SJ "Liturgia dominical" - www.franciscanos.org.br
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Salvação
Um dos maiores desejos do ser humano é o da salvação. No entanto, tenho a impressão que algumas expressões utilizadas por nós, os cristãos, há muito tempo, já caíram no esquecimento ou ficaram, em certo sentido, vazias de conteúdo para muitos. O que ésalvação? Quando uma pessoa está se afogando, grita pedindo socorro: que alguém o salve! Quando estamos enfermos, desejamos ser salvados, curados dos nossos males. Caso nos víssemos rodeados de feras selvagens, desejaríamos que aparecesse alguém mais forte que todas elas e nos salvassem. A salvação sempre vem ao encontro de quem está necessitado e só a pede quem se vê necessitado. Ainda que todos necessitem ser salvos, nem todos parecem percebê-lo. Esse é um dos grandes problemas da modernidade: quando se tem um bom salário, uma boa casa, o carro do ano, seguro médico, amigos com os quais divertir-se, etc. Que mais pode faltar? Salvação? De quê? De quem? Isso não acontece somente em ambientes ricos, também há muitos pobres que tendo um barraco e um pouco de comida para ir levando a vida, se contentam: salvação? De quê? Ganhar na loteria pareceria ser, nesse caso, a única salvação possível.
Há também misérias espirituais! Pobres e ricos terminam debaixo do chão ou numa caixinha destinada a guardar as suas cinzas; ambos podem pecar e contrair, também aumentar, os vícios; ricos e pobres podem ser – como de fato são – atacados pelo diabo. Essas misérias espirituais – morte, pecado, demônio – não ficam somente ao nível do espírito. No caso da morte está claro! Mas também em relação ao pecado e ao demônio: qualquer afinidade com essas realidades definha não só o nosso espírito, mas também o nosso corpo. O ser humano é uma unidade de alma e corpo inseparavelmente unida. Eu não posso ser atingido só no meu dedinho quando dou uma martelada errada no prego e acerto o polegar, a dor repercute em toda a minha pessoa, sou eu quem sofro essa dor, não só o meu dedo.
A salvação que Cristo oferece chega à pessoa em sua totalidade, mas começa pelo mais profundo. Quando se percebe que uma árvore está enferma na raiz é preciso remediar para sarar a raiz, as conseqüências serão folhas e frutos sadios. De maneira semelhante, Deus quis sarar-nos pela raiz, enviando o seu Filho para libertar-nos salvando-nos do pecado, do diabo e da morte. Salvou-nos pela raiz para que fossemos capazes de produzir folhas e frutos sadios. Ainda percebemos o poder do pecado, do demônio e da morte, não obstante, foi-nos dado o remédio para combatê-los sempre: a graça de Deus. A salvação total e definitiva acontecerá no céu. Nesses tempos, a salvação já realizada espera a consumação na Parusia, na segunda vinda de Cristo. Isso é assim porque se formos ao céu antes da Parusia, lá estaremos somente com a nossa alma, o qual indica que falta algo importantíssimo: o corpo. A consumação daquilo que já foi realizado, a nossa salvação, se dará nos novos céus e na nova terra.
Nesse contexto, entende-se perfeitamente a pergunta daquele incógnito: “Senhor, são poucos os homens que se salvam?” (Lc. 13,23). Jesus dá duas respostas que se complementam: “Procurai entrar pela porta estreita” (Lc. 13,24). Logo, parece que são poucos: a porta é estreita. “Virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e sentar-se-ão à mesa no Reino de Deus” (Lc. 13,29). Logo, parece são muitos: do norte e do sul, do leste e do oeste. Logicamente, o fato de a porta ser estreita, não significa que passem poucos; nem o fato de virem de todas as partes significa que sejam muitos. Enfim, trata-se de uma curiosidade que Jesus não deseja satisfazer no momento.
Mas do que perguntar se são muitos ou poucos, é muito mais importante perguntar: Senhor, serei salvo? E como Deus “deseja que todos os homens se salvem” (1Tm. 2,4), é muito melhor perguntar: Senhor, faço tudo o que está ao meu alcance para ser salvo? A pergunta não é egoísta. Conscientes de que temos que pedir ao Senhor que nos salve – o homem não se pode salvar a si mesmo, é impossível! – é preciso colaborar para que a salvação já realizada por Jesus na Páscoa por cada um de nós esteja cada vez mais presente e atuante nas nossas vidas. “Já é hora de despertardes do sono. A salvação está mais perto do que quando abraçamos a fé” (Rm. 13,11). O mesmo apóstolo que diz que “o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus” (Rm. 6,23), nos diz também: “trabalhai na vossa salvação com temor e tremor” (Fl. 2,12). A salvação depende totalmente de Deus, é dom, e totalmente de nós, é tarefa. “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (S. Agostinho).
padre Françoá Costa - www.presbiteros.com.br
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