.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Vós também ficai preparados!

XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 11 de agosto - Ano   C

Evangelho - Lc 12,32-48

Comentários Prof.Fernando


Vós também ficai preparados!



“Vendei vossos bens e dai esmola.”  Você já reparou em  quantas coisas que você possui e que não usa nem vai usar mais? Continua...


============================

“O FILHO DO HOMEM VAI CHEGAR NA HORA EM QUE MENOS O ESPERARDES.”- Olívia Coutinho

XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 11 de Agosto de 2013

Evangelho de Lc12, 32-48

O mundo atual, não pensa mais encima de valores humanos, religiosos e familiares, a pessoa não é mais vista pelo que é, e  sim pelo que tem!
O homem, na sua insensatez, ignora a presença de Jesus no seu meio, busca  a felicidade fora do plano de Deus, optando por caminhos incertos que não o faz chegar a lugar  nenhum.
O ter, o poder, o prazer, o enlouquece, dando-lhe uma falsa alegria, uma alegria que mascara a pior doença da atualidade: a indiferença ao amor de Deus!E mesmo com tantas respostas ingratas a este amor sem limites, Deus não desiste do humano, não cansa de esperar pela sua conversão!
Estamos sempre em  busca de algo que nos satisfaça de imediato, queremos tudo pronto, não temos paciência de construir, de esperar pelo tempo de Deus! E no desejo de adquirir “tudo” muito rápido, não adentramos no caminho de Deus, preferimos um caminho mais curto, o caminho do mundo, caminho que nos desvirtua  dos bens eternos!   
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, nos  convida a refletir quanto à consciência que devemos ter do nosso tempo de vida terrena, e  conscientizarmos de que o nosso tempo presente deve ser um tempo útil à nossa caminhada rumo à eternidade. É importante aproveitamos bem este tempo, pois ele  é o único tempo que possuímos como espaço sagrado que Deus  nos concede para construirmos o nosso tesouro no céu.
O texto vem nos acordar para uma realidade que ninguém pode fugir: a certeza da transitoriedade da vida terrena, a vida que passa! Quanto ao dia e hora da nossa passagem, Deus preferiu  ocultar de nós, só nos deu uma pista:  se trata de algo surpreendente, inesperado, o que pode nos deixar apreensivos. No entanto, para  quem vive dentro do plano de Deus, o dia e a hora não importa, o importante é estar o tempo todo em sintonia com Deus, ciente  de  que, há uma  vida melhor  por vir, uma vida em plenitude: a vida eterna!  
No início do evangelho, Jesus encoraja os discípulos, assegurando-lhes  que embora, sendo um pequeno grupo para uma missão tão grande, eles não  precisariam temer nada,  pois  no exercício desta missão grandiosa, eles estariam munidos da força do alto.  
Jesus convidou os discípulos de ontem  e hoje, convida a todos nós, a abrir mão dos bens terrenos, condição, para tomarmos  posse dos bens eternos! Convidou-nos,  a abandonar a mentalidade do mundo, para vivermos    a dinâmica do reino, que tem como ponto de partida  a entrega da vida!
Vós também ficai preparados! Porque o Filho do homem vai chegar na hora em que menos o esperardes!”Jesus compara  este “ficar preparado,” com a postura de um  empregado, que mesmo sem saber a hora que o patrão irá chegar, está sempre preparado: pronto  para servi-lo!
Jesus nos  alerta sobre a importância de estarmos atentos, vigilantes o tempo todo,  o que não significa ficar parado, pelo contrário, devemos esperar por esta sua  vinda, no exercício da nossa missão, no lugar onde fomos plantados por Deus, para servir!
 “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas.” No contexto do tempo de Jesus, estar com os rins cingidos, significava colocar sobre as vestes largas, um cinto ou uma corda na cintura para facilitar os movimentos do corpo, favorecendo a agilidade no trabalho.
Rins cingidos, falavam de serviço, foi o que o próprio Jesus fez; cingiu-se para lavar os pés dos apóstolos, numa atitude de humildade, de entrega, de serviço!
Manter as lâmpadas acesas, fala de vigilância, uma vigilância permanente, dia e noite, ou seja, todo o tempo de nossa vida terrena.
Ao longo do texto,  Pedro, o discípulo que não guardava dúvida, pergunta à Jesus: “Senhor tu contas essa parábola para nós ou para todos? Jesus responde com outro pergunta; “ Quem é o administrador que o senhor vai colocar à  frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa?” Ao que parece, aquela parábola, dentro daquele contexto, era  primeiramente endereçada aos discípulos (pequeno rebanho), especialmente a Pedro, que mais tarde, seria o administrador à  serviço do povo de Deus.
Hoje, esta parábola, é para cada um de nós; discípulo missionário, todos nós, somos   administradores do que é de Deus, exercemos algum tipo de liderança, e como tal, precisamos nos conscientizar de que ser líder, não é sinal de privilégio, ser líder é missão, é sinal  de serviço!
O desafio de quem busca a eternidade, é não desanimar e nem se isolar. É servindo ao outro, é  partilhando a vida, que estaremos preparados para o nosso encontro definitivo com o Pai!
Em Jesus encontramos força e coragem  para enfrentar e superar  as adversidades da vida! Com Ele, em vez de medo, cultivamos em nossos corações, a semente da  esperança, fruto da fé!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

============================

Estejam preparados -Claretianos

Domingo, 11 de agosto de 2013
19º Domingo do Tempo Comum
Outros Santos do Dia: Digna (venerada em Todi), Filomena de Roma (mártir), Heliano de Filadélfia (mártir), Lélia (virgem, da Irlanda), Rufino de Assis (bispo, mártir), Sereno de Marselha (bispo), Tibúrcio e Suzana (mártires de Roma). 
Primeira leitura: Sabedoria 18,6-9
Castigavas aos inimigos e nos honravas chamando-nos a ti.  
Salmo responsorial: 32 1.12.18-19.20.22 (R. 12b)
Ditoso o povo que o Senhor escolheu por sua herança. 
Segunda leitura: Hebreus 11,1-2.8-19
Esperava a cidade cujo arquiteto seria Deus.  
Evangelho: Lucas 12,32-48
Estejam preparados, com as lâmpadas acesas.
Primeira Leitura
Os israelitas, oprimidos no Egito, experimentaram que o Senhor era seu salvador na noite em que morreram os primogênitos dos egípcios. Por isso, aquela noite teve um significado transcendental para a historia dos hebreus. Recordava as promessas que Deus havia feito a seus pais, que desde então Israel foi um povo livre e consagrado ao Senhor.
A primeira ceia do cordeiro pascal serve de modelo ao que havia de ser co centro da vida religiosa e cultural. A participação em um mesmo sacrifício simbolizava a união solidaria de um povo em um destino comum. A celebração pascal recorda que Deus não cessa de escolher seu povo entre os justos e castigar os ímpios. 
Hoje, toda esta imagem de Deus, por mais que a tenhamos escutado e venerado durante milênios, desde sempre, aparece como profundamente inadequada e inaceitável. Que classe de Deus é esse que opta por um povo, que o elege e lhe dá uma terra ocupada por outros povos, dá poder a seu povo eleito para que os expulse e os destrua? É verossímil esta imagem de Deus? Não é uma imagem própria dos tempos tribais, onde as tribos imaginam que tem seu Deus protetor que as defende das demais? 
Segunda Leitura
A fé de Abraão e dos patriarcas serve de exemplo. Para estimular a perseverança na fé que leve à salvação, a carta aos Hebreus aduz uma serie de testemunhos. Abraão, o mesmo dos hebreus do século I, conheceu a emigração, a ruptura a respeito do meio familiar e nacional e a insegurança das pessoas excluídas. Porém, nessas provas Abraão encontrou motivo para exercer um ato de fé na promessa de Deus.
A fé ensina a não se dar por satisfeitos com os bens tangíveis nem com as esperanças imediatas. Abraão acreditou para além da ameaça de morte. Sofreu os efeitos da esterilidade de Sara e a falta de descendência. Esta prova foi para ele a mais angustiante porque o patriarca se aproximava da morte sem ter recebido o fruto da promessa. Aqui se faz realidade a última qualidade da fé: aceitar a morte sabendo que não poderia deixar fracassar o desígnio de Deus. 
Mais que o sofrimento, é a morte o sinal por excelência da fé da entrega de uma pessoa a Deus. Abraão acreditou em um “mais além da morte”, acreditou que lhe seria concedida uma posteridade, inclusive em um corpo já apagado (desfalecido), porque lhe havia sido prometida. Esta fé constitui o essencial da atitude de cristo diante da cruz. Também se entregou ao Pai e à realização do desígnio divino, porém teve que enfrentar o fracasso total de seu empreendimento: para congregar toda a humanidade, encontra isolado, porém confiado acima da morte que sua ressurreição ia colocar de manifesto.
Evangelho
O evangelho de hoje nos apresenta algumas recomendações que tem relação com a parábola do rico avarento. Os exegetas divergem quanto à estrutura que apresenta o texto e não determinam a unidade de sua composição. A atitude de confiança com a qual inicia o texto não deveria omitir-se “não temas, pequeno rebanho meu, porque o Pai teve por bem dar-lhes o reino”.  Esta exortação à confiança, ao estilo veterotestamentario e que é do gosto de Lucas, expressa a ternura e proteção que Deus oferece a seu povo, porém expressa também a auto-compreensão das primeiras comunidades: conscientes de sua pequenez e impotência, viviam, contudo, a certeza da vitoria. A bondade de Deus, em seu amor desmedido, nos deu de presente o Reino. A partir daqui precisamos entender as exortações seguintes: Se o Reino é um presente, tudo o mais é supérfluo (bens materiais). Recordemos os sumários de Lucas no livro dos Atos dos Apóstolos. 
Lucas convida à vigilância, consciente da ausência de seu Senhor, a uma comunidade que espera seu regresso, porém não de maneira iminente como acontecia nas comunidades de Paulo (Cf 1Ts 5-5). A igreja em Lucas sabe que vive nos últimos dias que o homem acolhe ou rejeita, de forma definitiva, a salvação gratuitamente oferecida. Cristo veio, há de vir; está fora da historia, porém age nela. A historia presente, de fato, é o tempo da igreja, tempo de vigilância. Fitzmyer ilustra esta afinada concepção da historia, aparecem varias recomendações no que pode ser considerado como os “retazos” de uma hipotética parábola.
O importante será descobrir em qual dessas recomendações centramos a chegada que se deve esperar de maneira vigilante. A pregação histórica de Jesus tem estas máximas sobre a vigilância e a confiança. Agora, neste texto se reveste de caráter escatológico. O ponto chave reside no convite “estejam preparados”; o que é o mesmo, o importante é o hoje. À luz de uma certeza sobre o futuro, fica determinado o presente. Esta é a compreensão da historia de Lucas: “cumpriu-se hoje” (4,21), “está entre vós” (17,20-21) e “há de vir” (17,20). 
O Reino é, ao mesmo tempo, presente e por vir. Daqui a dupla atitude que se exige ao cristianismo: desprendimento e vigilância. É necessário desprender-se dos cuidados e dos bens deste mundo, dando assim testemunho de que se buscam as coisas do céu.  A vigilância cristã é mencionada constantemente por Cristo (Mc 14,38; Mt 25,13). A vida do cristão deve ser toda ela uma preparação para o encontro com o Senhor. A morte que provoca tanto medo naquele não que não acredita, para o cristão é uma meditação: marca o fim da prova, o nascimento da vida imortal, o encontro com Cristo que conduz à casa do Pai. 
O convite de Pedro demonstra que a exortação de Jesus sobe o significado de agir e perseverar na vigilância é, em primeiro lugar referido àqueles que são a “cabeça” da comunidade, ou melhor, para os que “estão a serviço” da Comunidade. A ressurreição para a vida depende do modo como exercitaram esse serviço.
Oração: Ó Deus, nosso Pai, dá-nos um coração grande e forte, capaz de ver com claridade que, mais além dos desejos e tentações da vida, os valores verdadeiros são os valores do Reino, e que dar a vida por eles é o que mais pode alegrar e pacificar nosso coração, tal como nos ensinou Jesus, nosso irmão maior. Amém.

 ============================


Quando o Evangelho não nos é exigente? Quando a Palavra de Deus não nos questiona? A Escritura diz que “a Palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante do qualquer espada de dois gumes; penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas. Ele julga as disposições e intenções do coração” (Hb. 4,12). A cada domingo, fazemos experiência dessa exigência viva e eficaz da Palavra do Senhor em nossa vida. É o caso também deste hoje.
Comecemos com a advertência consoladora e carinhosa do Senhor Jesus: "Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino”. Tão atual e necessária esta palavra! A fé cristã e a Igreja são tão combatidas atualmente, tão incompreendidas! Cada vez mais nossa sociedade se paganiza, cada vez mais rejeita o cristianismo, cada vez mais fortemente apostata da fé na qual foi plasmada e cada vez menos compreende o Evangelho e suas exigências. Com quanta força se contesta a moral cristã; com quanta ênfase se ressalta e propaga a fraqueza desse ou daquele membro da Igreja, sobretudo do clero... O interesse é um só: desmoralizar a Igreja como porta-voz do Evangelho. Desmoraliza-se a Igreja para calar-se e desmoralizar-se a moral cristã e suas exigências. Olhem o Crucificado, pensem nas suas exigências e recordem o que o mundo pensa e diz: “Não queremos que ele reine sobre nós!” Pois a nós, pequeno rebanho - rebanho cada vez menor -, o Senhor exorta: “Não tenhais medo, pequenino rebanho!” Não temais o mundo pagão, não temais os escândalos, não temais vossas próprias infidelidades e fraquezas, não temais os sábios da sabedoria deste mundo, que não podem compreender as coisas de Deus (cf. 1Cor. 1,21) e crucificaram e crucificam ainda o Senhor da Glória (cf. 1Cor. 2,8). Não temais ante as dificuldades da vida!
Mas, como é possível resistir? É tão grande o combate; é tão dramática a batalha! As leituras da missa de hoje dão-nos uma resposta emocionante. O livro da Sabedoria nos recorda a noite da saída do Egito. Israel era um povinho, um bando de escravos, menos que nada, menos que ninguém... Como suportou o sofrimento? Como se conservou fiel a Deus? Como resistiu? Como não se dispersou? Resistiu porque colocou somente em Deus sua esperança: “A noite da libertação fora predita a nossos pais, para que, sabendo a que juramento tinham dado crédito, se conservassem intrépidos”. O povo de Deus, escravo no Egito, não duvidou da promessa que Deus fizera a Abraão; o povo esperou contra toda esperança e esperou no julgamento de Deus: “Os piedosos filhos dos bons fizeram este pacto divino: que os santos participariam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos”. Um povo unido pela esperança e pela fé na Palavra de Deus.
A segunda leitura, da carta aos Hebreus, também nos responde: a fé, mãe da esperança, foi a forçados amigos de Deus. “A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem”. Na fé, já possuímos; na fé, já tocamos com as mãos aquilo que o Senhor nos prometeu e nos preparou. Foi pela fé que nossos antepassados partiram, deixaram tudo; pela fé tiveram a coragem de viver errantes, morando em tendas, daqui para ali... Pela fé, viveram como estrangeiros nesse mundo, colocando toda esperança em Deus, que nos prepara uma Pátria melhor no céu; pela fé, Abraão, nosso pai, foi capaz de sacrificar seu filho único... Pela fé deles "Deus não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus”.
Vejam: o caminho que o Senhor nos propõe nunca foi fácil... Somente aqueles que tiveram a coragem de se deixar, de se abandonar, de se entregar, perseveraram até o fim. É o que o Senhor nosso, Jesus Cristo, nos propõe hoje: “Vendei vossos bens e dai esmola... Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu... Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas, como homens esperando seu senhor voltar. Ficai preparados!” Todas essas palavras nos convidam ao desapego, à vigilância, à atitude de disponibilidade, de entrega e esperança diante de Deus. E como tudo isso é difícil, num mundo que propõe como ideal de vida o conforto, a fartura de bens, o individualismo, a confiança somente no que se vê, a dispersão interior e exterior! Digam: como as crianças podem ter amor a Deus passando horas e horas diante dos filmes e desenhos animados pagãos? Como os adultos podem prender o coração às coisas de Deus, empanturrando-se de dispersão, de novelas e de futilidades mundanas? Como rezar bem se nos apegamos ao conforto desmesurado? Como manteremos nosso fervor dispersos em mil bobagens? Como seremos realmente fortes na fé sem combater nossos vícios? Como estaremos prontos para levar cruz na doença, nas dificuldades da vida conjugal, no desafio da educação dos filhos, na luta do combate aos vícios, na busca sincera de sermos retos, decentes e honestos por amor de Cristo? Como viver tudo isso sem a vigilância? Como permanecer firmes na fé católica sem a oração e a procura das coisas de Deus? O Senhor virá na noite desse mundo: “E caso chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão” se nos encontrar vigilantes! Vigiemos, portanto!
Esta advertência é para todos, e de modo especial, para nós, pastores do rebanho, a quem o Senhor constituiu “administrador fiel e prudente”. Que não caiamos na ilusão de pensar:“Meu patrão está demorando” e nos entreguemos à infidelidade! Não temamos; vigiemos, sejamos fiéis até o fim! Não reneguemos o Evangelho! – Eis o apelo do Senhor hoje!
Esta palavra vale também para os pais, servos que o Senhor colocou à frente de sua família. Que sejam conscientes da missão que receberam e transmitam aos seus filhos o testemunho de uma fé robusta e dos verdadeiros valores humanos e cristãos. E possam receber a recompensa dos servos bons e fiéis, aqui e por toda a eternidade.
 dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com
============================

A VIGILÂNCIA ESCATOLÓGICA
A vigilância é uma atitude bíblica. A liturgia de hoje nos lembra a noite em que Deus libertou seu povo da escravidão do Egito – quando o anjo exterminador visitou as casas dos egípcios, enquanto os israelitas, de pé e cajado na mão, celebravam o Senhor pela refeição pascal. Estavam prontos para seguir seu único Senhor, que os conduziria através do mar Vermelho até o deserto (primeira leitura). Segundo o evangelho, a vigilância é também a atitude do cristão que espera a volta de “seu senhor”, o qual, encontrando seus servos a vigiar, os fará sentar à mesa e os servirá. Pois já fez uma vez assim, na ceia que precedeu o dom de sua vida (cf. Lc. 22,27). Jesus é o Senhor servo.
Convém, portanto, abrir os olhos para a realidade que está ainda escondida por trás do horizonte, mas é decisiva para a nossa vida. Sintetizando o espírito da liturgia de hoje, poderíamos dizer: o mundo nos é confiado não como uma propriedade, mas como um serviço a um “Senhor” que está “escondido em Deus”, porém, na hora decisiva, se revelará ser nosso amigo e servo de tanto que nos ama, a nós e os que confiou à nossa solicitude vigilante. “Minha vida não é propriedade a que me apegar, mas dom a serviço de todos” poderia ser um lema adequado para esta celebração.
1º leitura (Sb. 18,6-9)
Segundo Ex. 12,42, Deus passou a noite em vigília para libertar Israel e por isso Israel lhe dedica a vigília pascal. Na primeira leitura de hoje, ouvimos a meditação do livro da Sabedoria sobre essa memória do povo. Sb. 10,19 descreve a atuação da divina Sabedoria na história de Israel. Na “noite” (Sb. 18,6) do êxodo, Deus castigou o Egito, fazendo morrer seus primogênitos; foi o juízo de Deus, para salvar Israel (Sb 18,14-19; cf. Ex. 12,12.29). O texto lembra que os “pais” (os antigos israelitas) preparavam-se para essa noite (Ex. 11,4-6), a noite da vigilância (Ex. 12,42), celebrando Javé no escondido (Sb. 18,9). Tal vigilância e fidelidade são tarefa para todas as gerações, até a libertação final.
2. Salmo responsorial (Sl. 33[32],1.12.18-19.20.22)
O salmo responsorial louva essa fidelidade de Israel em recordar-se dos benefícios do Senhor: feliz o povo que Deus escolheu por herança. “Nele esperamos confiantes.”
Evangelho (Lc. 12,32-48)
O evangelho “atualiza” a lembrança da vigília de Israel no tema da vigilância escatológica. A comunidade cristã era uma minoria vulnerável, um “pequeno rebanho” (12,32). Porém, a ela pertence o Reino, a comunhão com Deus. Nisso entram diversas considerações. Lembrando o ensino de Jesus sobre a riqueza (Lc. 12,33-34; cf. domingo passado), o evangelho ensina que o discípulo deve estar livre, procurando só o que está guardado ou depositado (a tradução diz “tesouro”) junto a Deus. Os versos seguintes, Lc. 12,35-48, ensinam então a vigilância (cf. primeira leitura): perceber o momento! Os servos devem estar prontos para a volta do seu Senhor, pois essa volta será o juízo tanto sobre os que estiverem atentos quanto sobre os despreocupados. E essa vigilância consiste na fidelidade no serviço confiado a cada um (cf. Mt. 24,43-51; 25,1-13; Mc. 13,35).
Lucas nos faz ver nossa vida em sua dimensão verdadeira. Vivendo no ambiente mercantilista do império romano, o evangelista vê constantemente o mal causado pelas falsas ilusões de riqueza e bem-estar, além do escândalo da fome (cf. 16,19-31). Se escrevesse hoje, não precisaria mudar muito. Ensina-nos a vigilância no meio das vãs ilusões.
A leitura continua com outras sentenças e parábolas referentes à parusia. Elas explicam, de maneira prática, o que a vigilância implica. Com a imagem do administrador sensato e fiel (12,42), Lucas ensina a cuidar do bem de todos os que estão em casa. Pela pergunta introdutória de Simão Pedro (12,41), parece que isso se dirige sobretudo aos líderes da comunidade. A vigilância não significa ficar de braços cruzados, esperando a parusia acontecer, mas assumir o bem da comunidade (cf. 1Ts 5). Lucas fala também da responsabilidade de cada um (12,47-48). Quem conhecia a vontade do Senhor e, contudo, não se preparou será castigado severamente, e o que não conhecia essa vontade se salva pela ignorância; a quem muito se deu, muito lhe será pedido; a quem pouco se deu, pouco lhe será pedido.
O importante dessa mensagem é que cada um, ao assumir no dia a dia as tarefas e, sobretudo, as pessoas que Deus lhe confiou, está preparando sua eterna e feliz presença junto a Cristo, que é, conforme Lc. 13,37 e 22,27, “o Senhor que serve” (o único que serve de verdade). Cristo ama efusivamente a gente que ele confia à nossa responsabilidade. Não podemos decepcionar a esperança em nós depositada.
A visão da vigilância como responsabilidade mostra bem que a religião do evangelho não é ópio do povo, como Marx a chamou. A fé, vista na perspectiva do evangelho de hoje, implica até a conscientização política, quando, solícito pelo bem dos irmãos, se descobre que bem administrar a casa não é passar de vez em quando uma cera ou um verniz nos móveis, mas também, e sobretudo, mexer com as estruturas tomadas pelos cupins...
Tal vigilância escatológica não é uma atitude fácil. Exige que a gente enxergue mais longe que o nariz. É bem mais fácil viver despreocupado, aproveitar o momento... pois, afinal, “quem sabe quando o patrão vai voltar?” (cf. Lc. 12,45).
4. II leitura (Hb. 11,1-2.8-19)
Para sustentar a atitude de ativa vigilância e solicitude pela causa do Senhor, precisamos de muita fé. Nesse sentido, a segunda leitura vem sustentar a mensagem do evangelho. Traz a bela apologia da fé de Hb 11: A fé é a esperança daquilo que não se vê. A fé é como que possuir antecipadamente aquilo que se espera; é uma intuição daquilo que não se vê (11,1).
Hb. 11-12 é dedicado ao tema da fé. A fé olha para o futuro, como Abraão, como os israelitas no tempo do êxodo, como o discípulo que espera a vinda do Senhor; é esperança. Não deixa a pessoa instalar-se no presente. Este mundo não é o termo do caminho do ser humano. Deus preparou-lhe uma pátria melhor. O cristão é um estrangeiro neste mundo. Decerto leva este mundo a sério, mas isso se exprime exatamente no fato de ficar livre diante dele (o que não exclui o compromisso com os filhos de Deus neste mundo!).
Quando concebida como esperança vigilante, percebe-se o teor escatológico da fé. Ela não é, em primeira instância, a adesão da razão a verdades inacessíveis, mas o engajamento da existência no que não é visível nem palpável, porém tão real que pode absorver o mais profundo do meu ser. Hebreus cita toda uma lista de exemplos dessa fé, pessoas que se empenharam por aquilo que não se enxergava. O caso mais marcante é a obediência de Abraão e sua fé na promessa de Deus (11,8-19; cf. Gn 15,6). O texto continua: muitos deram a vida por essa fé, que fez Israel peregrinar qual estrangeiro neste mundo (11,35b-38). Mas o grande exemplo fica reservado para o próximo domingo: Jesus mesmo.
Se se procura uma leitura mais afinada com a primeira e o evangelho, pode-se considerar Ef. 6,13-18, sobre “a armadura da fé”.
Viver para aquilo que é definitivo
O fim para o qual vivemos reflete-se em cada uma de nossas ações. A cada momento pode chegar o fim de nossa vida. Que esse fim seja aquilo que vigilantes esperamos, como os hebreus vigiaram na noite da libertação, preparados para sair da escravidão; então não será uma noite de morte e condenação, como foi para o empregado malandro surpreendido pela volta inesperada de seu patrão.
Preparemo-nos para o definitivo de nossa vida, aquilo que permanece, mesmo depois da morte. Essa é uma mensagem difícil para o nosso tempo de imediatismo. Muitos nem querem pensar no que vem depois; contudo, a perspectiva do fim é inevitável. Já outros veem o sentido da vida na construção de um mundo novo, ainda que não seja para si mesmos, mas para seus filhos ou para as gerações futuras. Assim como os antigos judeus depositavam sua esperança de sobrevivência nos filhos, essas pessoas a depositam na sociedade do futuro. É nobre. Mas será suficiente?
Jesus abre uma perspectiva mais abrangente: um “tesouro” no céu, uma vida guardada junto a Deus. Até lá não chega a desintegração a que diariamente assistimos. Mas será que olhar para o céu não desvia nosso olhar da terra? Não leva à negação da realidade histórica, desta terra, da nova sociedade que construímos? Ou será, pelo contrário, uma valorização de tudo isso? Com efeito, mostrando como são provisórias a vida e a história, Jesus nos ensina a usá-las bem, para produzir o que ultrapassa a vida e a história: o amor, que nos torna semelhantes a Deus. Esse é o tesouro do céu, mas ele precisa ser granjeado aqui na terra.
Tal visão cristã acompanha os que se empenham pela construção de um mundo novo, solidário e igualitário, a fim de suplantar a atual sociedade, baseada no lucro individual. Contudo, não basta simplesmente manter-se nesse nível material, por mais que ele dê realismo ao empenho do amor e da justiça. A visão cristã acredita que a solidariedade exercida aqui e agora, na história, é confirmada para além dela. Ultrapassa nosso alcance humano. É a causa de Deus mesmo, confirmada por quem nos chamou à vida e nos faz existir. À utopia histórica, a visão cristã acrescenta a fé, “prova de realidades que não se veem”. A fé, baseada na realidade definitiva que se revelou na ressurreição de Cristo, dá-nos a firmeza necessária para abandonar tudo em prol da realização última – a razão de nosso existir.
padre Johan Konings, sj.  - www.paulus.com.br
============================

Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo.
Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca”
(Cf. Sl. 73,20.19.22.23)
Este domingo é repleto de significado para a vida da Igreja de Cristo: celebramos o dia dos pais. Os nossos venerandos pais, vivos e abrilhantando a nossa vida de encantamento e de felicidade espiritual com a sua presença que é um presente da misericórdia de Deus para todos nós, e os pais já chamados para a presença santíssima do Pai do céu gozando das misericórdias eternais. Junto com esta delicada recordação de nossos pais iniciamos, na Igreja que peregrina no Brasil, a Semana nacional da família, que em consonância com o projeto pastoral da Conferência nacional dos bispos do Brasil tem como tema: “Família, formadora de valores humanos e cristãos”. Que doce felicidade contemplarmos a Santíssima Trindade no seio aconchegante de nossas famílias aonde todos nós somos convidados a ver Jesus Caminho, Verdade e Vida.
A primeira leitura (cf. Sb 18,6-9) nos apresenta a vigilância de Israel na noite da libertação. O trecho do livro da Sabedoria, no capítulo 10,19 descreve a atuação da divina Sabedoria na história de Israel. Na noite do Êxodo, ela castigou o Egito pela morte dos primogênitos; foi o juízo de Deus, para salvar Israel. Os pais prepararam-se para essa noite; era a noite da vigilância, em que eles no escondido celebravam Javé. Tal vigilância e fidelidade é tarefa para todas as gerações, até a libertação final.
A segunda leitura (cf. Hb. 11,1-2.8-19) ensina que a fé é a esperança daquilo que não se vê. Os capítulos 11-12 da carta aos Hebreus é dedicado ao tema da fé. Esta fé olha para o futuro, como a de Abraão, como a dos israelitas no tempo do Êxodo, como a do discípulo que espera a vinda do Senhor: é esperança. Não deixa o homem instalar-se no presente. Esse mundo não é o termo de seu caminho. Deus preparou uma pátria melhor. O cristão é um estrangeiro neste mundo. Leva este mundo a sério, exatamente no fato de ficar livre diante dele.
São Lucas nos faz contemplar no Evangelho que hoje refletimos sobre a nossa vida em sua dimensão verdadeira. O ambiente lucano era permeado pelo mercantilismo do Império romano. Assim, Lucas contempla constantemente o mal causado pelas falsas ilusões de riqueza e bem-estar, além do escândalo da fome e da miséria (cf. Lc. 16,19-31).
O ambiente histórico é o mesmo de ontem e de hoje, sem muita diferença, por isso o Evangelho é atualíssimo em todos os tempos e em todas as realidades históricas e sociais.
O Evangelho nos ensina a vigilância, viver para aquilo que realmente é definitivo. Temos que ficar vigilantes diante das ilusões vãs. A vigilância é uma atitude bíblica, desde a noite da libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, quando o anjo exterminador visitou as casas dos egípcios, enquanto os israelitas, de pé, cajado na mão, celebravam Javé pela refeição pascal, prontos para seguir seu único Senhor, que os conduziria através do Mar Vermelho até o deserto, conforme nos ensina a primeira leitura.
A vigilância é, assim também, a atitude do cristão, que espera a volta do seu Senhor, que encontrando seus servos a vigiar, os fará sentar à mesa e os servirá. Pois já fez uma vez assim. Jesus é o Senhor Servo.
Jesus continua a propor as qualidades que o discípulo deve ter para morrer e ressuscitar com Ele em Jerusalém. Jesus faz uma consoladora promessa: “Não tenhais medo: o Pai dar-vos-á o Reino!” (cf. Lc 12,32).  Mas para ganhar o Reino de Deus é necessário deixar tudo para trás e abraçar o Reino como o único tesouro da vida (cf. Lc. 12,34).
Para entrar no Reino de Deus é necessário esvaziar o coração dos bens materiais, de tudo o que desperta ganância, avareza e ansiedades. Quando a Sagrada Escritura fala em “coração puro”, entende, em primeiro plano, um coração livre, desapegado de interesses, de tudo o que amarra e totalmente aberto e voltado para Deus.
O ser humano tem a triste tendência em correr ao encontro dos bens materiais. Assim o Evangelho nos ensina que devemos caminhar acordados, conscientes, com atenção, na firme certeza de que não estamos trabalhando em vão: o Senhor virá ao nosso encontro, Ele está no meio de nós!
A vigilância é um tema muito caro na Sagrada Escritura. Vigiar significa, em seu sentido próprio, renunciar ao sono da noite. Pode ser para prolongar o trabalho ou para evitar ser apanhado de surpresa por um inimigo. Os pastores conheciam bem este último significado, porque ficavam acordados para espantar os lobos que quisessem aproximar-se do rebanho. A partir deste primeiro sentido, nasceu o segundo: ficar atento, lutar contra a tentação da negligência e do desânimo, e, por conseguinte, ter paciência e ser fiel.
Jesus ensinou que o ladrão chega escondido e imprevistamente, o patrão que pode voltar para casa a qualquer hora, o pai de família desvelado, o servo fiel, as moças prudentes.
Jesus dá três exemplos no Evangelho de hoje: a do porteiro, a do ladrão e a do administrador. O patrão que volta da festa do casamento lembra a parábola das moças vigilantes, a do porteiro é parecida com a parábola contada por Marcos 13,33-27. A parábola do administrador é contada também por Mt. 24,42-51. A figura do Senhor que chega como um ladrão encontramo-la também em 1Ts. 5,2; 2Pd. 3,10 e Ap. 3,3.
Para nós fica claro que o discípulo não pode se comportar como patrão e dono das coisas e das situações. O discípulo é um administrador dos bens que Deus, o verdadeiro patrão, lhe confiou. Bens materiais, sim, mas, sobretudo, os bens espirituais trazidos pelo Cristo e, acima de tudo, o bem dos bens: o próprio Cristo Senhor. A referência à distribuição da“porção do trigo” lembra José do Egito, homem prudente, grande e fiel administrador, que salvara o povo da fome e da morte. Mas, por outro lado, também, há uma referência as palavras de Jesus: “Eu sou o pão da vida descido do céu: quem dele comer não morrerá” (cf. Jo 6,48-49). Desse Cristo vivo o discípulo será o administrador responsável. Ninguém tem o Cristo para si. O Cristo deve ser distribuído como se distribuiu o pão aos pobres e desvalidos.
A segunda leitura nos fala da fé. A fé é como que possuir antecipadamente aquilo que se espera; é uma intuição daquilo que não se vê. Com esta definição é claramente enunciado o teor escatológico da fé. O sentido original da fé não é a adesão da razão a verdades inacessíveis, mas o engajamento da existência naquilo que não é visível e palpável, porém tão real que possa absorver o mais profundo do meu ser. Hebreus cita toda uma lista de exemplos desta fé, pessoas que se empenharam por aquilo que não se enxergava. A fé, baseada na realidade definitiva que se revelou na ressurreição de Cristo, nos dá a firmeza necessária para abandonar tudo em prol da realização última – a razão de nosso existir.
A Igreja no Brasil celebra hoje o seu dia. Anônimos ou famosos, pobres ou ricos, empregados ou desempregados, livres ou aprisionados vós sois a grandeza da família cristã. Sigam em tudo o exemplo de São José, o homem mais justo que é exemplo do Pai de Família perfeito, amando a Virgem com o amor que todos os esposos devem dedicar as suas esposas e educando Jesus como os pais devem educar os seus filhos, em tudo imprimindo o amor, o serviço, a caridade e a justiça.
Assim, senhores pais e queridos irmãos, o verdadeiro tesouro que não lhes será tirado, é o Reino dos céus. A maneira de acumular um tesouro, que permanece, é assumir a atitude de vigilância, para perceber quando e como o Senhor está chegando, para colocar-se sempre a seu serviço. Então o Senhor os servirá. Já terão a recompensa neste mundo: o Senhor os constituirá sobre todos os seus bens; é a participação nos bens do Reino. Tudo isso é celebrado na Eucaristia.
padre Wagner Augusto Portugal - www.catequisar.com.br
============================
Fé vigilante
Muitas vezes estamos preocupados com a realidade violenta em que vivemos e temos a tentação de nos deixar levar pelo desânimo. A Palavra de Deus nos anima: "Não tenhais medo..." a fidelidade de deus no passado é garantia de sua presença no presente.
Na 1ª leitura, encontramos a experiência de Israel, que gostava recordar a presença amorosa e libertadora de Deus no passado, para mostrar que era possível superar as dificuldades presentes. (Sb. 18,6-9)
A leitura recorda a experiência do êxodo, da "noite" da libertação. Noite trágica de luto e extermínio para os egípcios que, tendo repelido a  palavra de Deus transmitida por Moisés, viram perecer seus primogênitos. Noite de alegria e liberdade para os hebreus,    que, tendo crido nas promessas divinas, foram poupados e iniciaram a marcha libertadora para o deserto onde Deus os aguardava para estabelecer Aliança com eles.
Rever o passado encoraja a comunidade a não parar, a olhar para frente, a ter esperança no futuro. Só a fidelidade aos caminhos de Deus gera vida e libertação.
Na 2ª leitura, são Paulo fala a experiência de Abraão (Hb. 11,1-2.8-19)
Um exemplo de fé no passado, para a comunidade continuar firme, apesar das dificuldades do presente.
- Pela fé, obedece a Deus, deixa a pátria e parte para o desconhecido.
- Pela fé, acredita ter um filho, apesar da idade avançada.
- Pela fé, aceita a ordem divina de sacrificar Isaac.
- Pela fé, caminhou pela vida como peregrino, sem desanimar, de olhos postos na pátria definitiva.
As dificuldades continuam ainda hoje, no mundo, na pátria, nas famílias e nas comunidades. São momentos em que não devemos desanimar. Uma luz sempre se acende, diante de quem tem fé e esperança.
No Evangelho, temos a experiência dos apóstolos (Lc. 12,32-48). O texto continua o "caminho de Jerusalém".
- Os apóstolos estavam com medo... eram poucos e fracos, num mundo hostil.
- Jesus lhes garante: "Não temais, pequeno Rebanho,    porque é do agrado do Pai dar a vós o Reino".
- E os convida a uma vigilância permanente (na "noite"): "Vigiai... o Senhor pode chegar quando menos esperamos."
- Exemplifica essa verdade com 3 parábolas:
. Os servos que esperam o Senhor voltar do casamento.
. O ladrão que chega de surpresa.
. O administrador fiel
- E conclui, respondendo à pergunta de Pedro: "Quem deve vigiar?" Todos! Sobretudo os animadores da comunidade cristã, que devem permanecer fiéis às suas tarefas de animação e de serviço.
A comunidade cristã é pequena e frágil. Por isso, os cristãos devem viver em permanente vigilância dando primazia aos valores do Reino e aguardar a chegada do Senhor.
O que nos diz esse evangelho, no dia dos pais?
Talvez também vocês, pais, estão preocupados com o mundo, que os seus filhos estão enfrentando. Jesus lhes garante: "Não tenhais medo... tende uma fé vigilante..."
> Fé em Deus... e nos filhos... mesmo nas falhas e limitações.
> Vigilante: sendo uma presença certa na hora exata.
Ser pai não significa apenas gerar a vida, mas acompanhar, vigiar, amparar, proteger a vida gerada.  É dividir com Deus a missão de criar, de gerar, pois o Pai criador gerou a vida no mundo e quis compartilhar essa tarefa com vocês.
E, vocês, filhos, também estão preocupados com seus pais? "Não tenhais medo".
Todo pai é um lutador, que vence barreiras, que suporta e vence os obstáculos. Se os desafios existem, maiores são as forças para enfrentá-los.
Aos pais que desta vida já partiram, obrigado pelo exemplo de amor que deixaram, como símbolo de sua existência neste mundo. Que o Criador, nosso Pai, proteja todos os nossos pais. Sem a sua presença, a vida seria mais triste, o mundo não seria o mesmo.
Nesse domingo, iniciamos no Brasil a semana nacional da família com o lema: "Família, formadora de valores humanos e cristãos". Tenho a certeza de que nas famílias, que viverem essa "fé vigilante", haverá a Paz e alegria, que todos nós desejamos encontrar...
Que tal nessa semana, em família: 1) rezar juntos... algo ... todos os dias; 2) dialogar um pouco: o que está ajudando? o que está prejudicando?
Vamos rezar para que todas as nossas famílias possam ser aquela família que Deus quer.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa - buscandonovasaguas.com
============================

Uma das coisas mais difíceis que temos que aprender durante a nossa caminhada cristã é ter fé em Deus e acreditar que ele realmente caminha conosco lado a lado nos auxiliando; hoje, isso tem se tornado mais difícil porque o mundo atual, principalmente a ciência ateia, quer impor a idéia de que se deve acreditar só naquilo que é evidente, que se pode pegar, difundindo cada vez com mais força a não necessidade de Deus.
Mas, apesar de atuar com força essa ciência ateia, temos ainda belos testemunhos de fé entre os cientistas em geral, como o biólogo americano Francis Collins, diretor do projeto genoma e autor do livro “A linguagem de Deus”: “é nosso dever levar em consideração todo o poder das perspectivas científica e espiritual para entendermos tanto aquilo que enxergamos quanto aquilo que não enxergamos... a integração entre estas duas perspectivas”. Collins já foi várias vezes criticado e continua sendo por seus colegas de pesquisa.
Mas como dizia um certo líder espiritual indiano, “o cientista” no fundo não acredita em Deus porque não acredita que exista alguma coisa no interior do ser humano. Porque toda a sua formação impõe que ele acredite somente nos objetos que pode ver, que pode examinar minuciosamente, observar, compor, criar, desfazer a criação, descobrir seus componentes básicos.
Toda a sua mente é orientada para o objeto e a subjetividade não é um objeto. Assim, se ele quiser colocar a subjetividade diante dele, sobre uma mesa, isso não será possível. Isso não é da natureza da subjetividade. E dessa forma, o cientista continua descobrindo tudo no mundo, exceto a si próprio.
Quando se corta uma pedra em pedaços. O que encontramos? Mais pedras. Podemos continuar cortando em pedaços menores, chegaremos às moléculas, aos átomos, aos elétrons, mas ainda assim, nunca chegaremos a alguma coisa mais interna. Eles todos são objetos. O cientista também gostaria que a vida fosse descoberta dessa maneira, e porque ele não consegue descobrir a vida dessa maneira, ele começa a negá-la, a rejeitá-la.
Acreditar é justamente tomar como verdadeiro aquilo que não se vê. Também para o ateu a fé tem que ser uma atitude essencial. Estamos o todo tempo acreditando e confiando em coisas que não vemos: acredito no amor das pessoas por mim, acredito que a pessoa que preparou o alimento pra mim não colocou nenhum veneno, acredito no motorista que dirige o ônibus que eu vou tomar, acredito nos médicos que vão me operar. Acreditar e confiar são atitudes indispensáveis a nossa vida.
O nosso dia a dia contradiz a expressão tantas vezes usada por nós: eu só acredito vendo!
Não podemos viver neste mundo sem confiar uns nos outros. A fé em Deus é semelhante: cada um de nós é empurrado pelo testemunho dos outros a encontrar a face de Deus. E travamos esta busca trabalhosa da fé, que poderá durar toda a nossa vida.
Um grande exemplo para nós foi Abraão. Como são belos estes versículos da II leitura sobre Abraão: ele viveu pela fé, partiu da sua terra seguindo uma intuição, um chamado interior, sem saber para onde ia; foi pela fé, que sua mulher Sara engravidou, sendo estéril e já de idade avançada; foi pela fé, que sendo provado, não vacilou quando estava para oferecer seu filho Isaque, tanto que ele é considerado pelas três grandes religiões monoteístas como o pai da fé.
Na nossa vida, acontecem muitas experiências, relações, catástrofes, doenças, misérias, provações; acontecimentos que tentam nos dominar e imaginar um Deus longe e fraco. Corremos o risco de nos cansarmos, a ponto de nossa ligação com Deus ficar cada vez mais fraca e ter cada vez menos valor na nossa vida até o ponto de irmos em outras direções fazendo uso da astrologia, das simpatias, de outras crenças que não são compatíveis com a nossa fé cristã.
No Evangelho de hoje, Jesus quer nos alertar contra este perigo; e, ao mesmo tempo, mostra o que o Senhor dá para aqueles que permanecem vigilantes e fiéis. Antes de tudo, ele encoraja os seus discípulos a não temerem, mesmo sendo um grupo pequeno, pois eles têm Deus como Pai, o qual lhes deu uma herança magnífica: o seu Reino, a plena e eterna comunhão com Deus. Este tesouro deve ser conhecido por eles na fé e deve preencher o coração deles, os quais, devem usar os bens terrenos como instrumentos necessários para a vida, mas o seu coração não devem apegar-se a eles.
O ponto chave para a interpretação das parábolas é a ausência do patrão. Quer mostrar como deve se comportar o servo durante esta sua ausência. A primeira coisa é estar vigilante e preparado. Segundo o costume daquele tempo, tirar o cíngulo e levar a túnica solta, indicava que o servo já havia acabado o trabalho. Colocar o cíngulo (cingir-se) é sinal de quem está pronto para trabalhar ou para viajar. A lâmpada indica que aquela atividade possa acontecer mesmo durante a noite. Portanto, requer-se prontidão em todos os momentos. A comparação com a vinda de um ladrão mostra isso: o improvisa e inesperada que pode ser a vinda do Senhor.
A ausência do patrão traz como consequência quase necessária que o vínculo com ele enfraqueça. Nós seres humanos temos necessidade da presença do outro, do encontro contínuo com ele, se quisermos que uma relação permaneça forte e viva. O constante pedido na parábola à vigilância e prontidão indica a orientação intensa e viva para com o Senhor. Mesmo que ele esteja longe dos nossos olhos, nosso coração deve estar pleno dele.
A reação do patrão para com os seus servos é descrita de um modo totalmente novo. Ele assume a tarefa de servo e os trata como seus patrões. Ele os faz sentar a mesa e os serve. Ele, porém, continua sendo o patrão; por isso mesmo, o seu serviço é tão significativo. E os servos continuam como tal, por isso, a honra que recebem é tão grande. Esta relação patrão-servo não é desumana nem impessoal, pelo contrário, mostra que o patrão deseja que seus servos estejam unidos a ele de modo pessoal e cordial, e sabe valorizar tal comportamento de modo muito pessoal. Os servos devem ter no coração o patrão ausente e devem deixar-se guiar pela sua vontade, mas podem também estar seguros que o patrão tem um coração para eles.
Todos os servos devem estar acordados quando o patrão vier. Todavia, há servos que têm uma responsabilidade particular. A eles, o patrão confiou uma função de guia para com os outros servos. Isto pode mostrar um perigo, pois eles são só administradores, não são chefes por direito próprio. Estes devem tomar conta deles mesmos e servir aos outros servos. Se aproveitarem da sua posição e tratarem com opressão os seus companheiros, serão punidos duramente. Se, ao invés, se demonstram confiantes, o patrão manifestará a eles o seu reconhecimento e a sua confiança.
Enfim, na nossa vida cristã é indispensável a nossa comunhão constante com Deus e fidelidade à missão que ele nos confiou. Isto deve ser vivido, mesmo com as dificuldades que surgem pelo fato de que a presença do patrão seja pouco visível. A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, é a convicção acerca de realidades que não se veem.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento - www.pecarlos.blogspot.com
============================
CONVITE A PERMANECER ALERTA
A longa espera do Senhor poderia ter como efeito, no coração do discípulo, a lassidão. E, com ela, o risco de agir em total desconformidade com o projeto do Reino. Daí a importância da exortação de Jesus.
A maneira conveniente de esperar o Senhor consiste em desapegar-se dos bens deste mundo, buscando apenas o tesouro inesgotável no céu, que está a salvo da ação dos ladrões e das traças. A maneira prática de desfazer-se das coisas desnecessárias, às quais o coração se apega, resume-se em vendê-las e dá-las aos pobres.
O Evangelho alerta para o risco da posse avarenta de bens. Agindo assim, o discípulo desloca o centro de seus interesses do Reino para os bens materiais. E, com isso, torna-se despreparado para o encontro com o Senhor. Seu coração não estará no Reino, e sim nos bens acumulados. É atitude insensata de quem desconhece a hora em que virá o Senhor.
O discípulo que permanece de prontidão predispõe-se para encontrar o Senhor, qualquer que seja a hora em que ele chegue. Quem age assim, é chamado de "bem-aventurado", pois experimentará a alegria de ser acolhido pelo Senhor que vem. Por conseguinte, nada de se deixar seduzir pelas riquezas, a ponto de se esquecer desse encontro com ele.
padre Jaldemir Vitório - www.domtotal.com

============================

Epístola (Hb. 11,1-2.8-19)
Escrita entre os anos 64-66 sendo os designatários os cristãos da Palestina, deslumbrados pelo culto mosaico no templo. É uma carta de exortação para que não abandonem a fé, porque aparentemente o culto cristão era inferior ao cerimonioso das grandes festividades que apareciam em todo seu esplendor, diante das multidões que enchiam os pátios do templo. O autor, antigamente atribuído a Paulo, é praticamente desconhecido. O fundo é paulino, mas a forma é de um autor com melhor domínio do grego clássico, de origem africana. Talvez Apolo, o culto alexandrino, companheiro e colaborador de Paulo (At. 18,24).
O ALICERCE: Porque a fé é o alicerce dos fatos que se esperam, a prova das [coisas] que não são vistas (11).
ALICERCE, segundo o dicionário é o fundamento ou infraestrutura que serve de base a um edifício. Em sentido não material é a realidade, o fato que garante uma ideia ou opinião, dando a esta uma firmeza e segurança. A tradução latina de substantia indica essência, natureza, bens ou patrimônio e matéria de que está feita uma coisa. Ou seja, indica uma realidade como oposta a uma imagem, visão, ou utopia. Vejamos as diversas traduções:garantia (Nácar Colunga), certeza (RA), fundamento (CEI), modo de possuir desde agora(TEB), substance (KJV), substantiation [= comprovação] (Green literal). É uma definição empírica e em função das coisas que se esperam, não uma definição estritamente teológica. É a resposta de por que esperamos e de que coisas esperamos. Porque existem bens ainda não possuídos que excitam nossos desejos e quem agora os propõe é a fé, em cujo crédito colocamos nossa esperança. Em lugar paralelo da mesma epístola, a tradução é confiança, ou firmeza, ou estabilidade (Hb. 2,14). PROVA é a prova, evidência, que se transforma em convicção fora de toda dúvida. Também tem o sentido de refutação em 2 Tm. 3,16: toda a Escritura é inspirada e útil para o ensino, para a refutação. Aqui logicamente é prova como indica o argumentum latino, que até pode ser traduzido por evidência, ou indício sólido. A fé é a prova de realidades que não podemos ver. Evidentemente que são as realidades de ultra tumba, ou celestes como as chama Paulo. E não só a prova, mas a garantia de que serão nossas, se nessa fé perseveramos.
OS ANTEPASSADOS. Nela foram testemunhas os anciãos (2). O autor agora traz uma série de experiências, consignadas pelos escritos sagrados, de como a fé foi parte essencial da vida dos antigos patriarcas, que, por isso, receberam as bênçãos do céu. Essas vidas acrescentam testemunhalmente o valor da fé, em comparação com os sacrifícios do templo, aos quais tão devotos se mostravam os primitivos cristãos provindos dos judeus. Os antigos, desde Abel, [que não sai neste trecho epistolar] todos eles viveram da fé e pela fé na palavra de Deus. Essa fé foi a que fez grandes ante Deus e ante a verdadeira história, os homens do AT. Vejamos os diversos exemplos.
ABRAÃO. Pela fé chamado, Abraão obedeceu, para sair ao lugar que devia receber como herança e saiu sem saber onde ir (8). Nos versículos 4-7 o autor fala dos dois exemplos mais conhecidos: Abel e Noé. Eram fatos que não entravam dentro da história propriamente dita. Mas com Abraão já podemos falar de fatos históricos, da voz de Deus e da obediência básica do homem que é acreditar na palavra divina, como verdade acima de sua verdade e viver assim sua fé, na mesma. Abraão é por excelência o homem da fé: Em três momentos de sua vida a fé mudou seu modo de existência: ao abandonar sua terra; ao receber o anúncio de que em sua velhice teria um filho; e ao obedecer o terrível mandato de sacrificar esse mesmo filho. O resumo de hoje se inicia no capítulo 12 do Gênesis. Neste versículo temos o início da vida de fé de Abraão. Sua saída da terra dos ancestrais em forma de obediência ao chamado de Deus, feita como resposta fiel, que era a emunah, fidelidade mais do que fé.
FRUTOS DA FÉ. Pela fé se estabeleceu na terra da promissão como estrangeiro, em tendas habitando junto com Isaac e Jacó os co-herdeiros dessa mesma promessa (9).
FÉ pistis é a tradução de emunah (= fidelidade) e às vezes de emeth (= verdade) ou amanah(= certo, como adjetivo e pacto como substantivo). A fé grega é fidelidade; e, em sentido religioso, a convicção de uma verdade religiosa (crença em português). Para Paulo a fé toma características próprias, ao ser uma confissão no messiado de Cristo e principalmente, na crença em sua ressurreição e consequentemente, na sua primazia sobre todo poder e sabedoria, de modo a ser o Salvador a quem devemos a honra, que no AT era atribuída à Jahveh. É o Messias e o Senhor, ou se queremos como Tomé, nosso Deus e nosso Senhor (Jo 20, 28).
PROMISSÃO anúncio, proclamação, declaração e promessa. Com este último significado temos a única vez que sai nos evangelhos, das 53 do NT, em Lc. 24, 49: Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai. A promessa constitui o fio condutor de toda a história da salvação que se desenvolve até ver cumprida a mesma em Jesus, o Cristo. No AT a promessa tem o nome de bênção, aliança, juramento. Inicia-se em Gn. 3,15 para continuar em Abraão e seus descendentes (Gn. 13,15-17), de modo especial ao afirmar Jahveh: Tu serás uma bênção. Promessa que tem nome apropriado nos evangelhos, especialmente em Lc. 1,54-55:Amparou a Israel seu servo… a favor de Abraão e de sua descendência para sempre como prometera aos nossos pais.
A CIDADE. Pois aguardava a cidade que tem fundamentos da que é artífice e fundador Deus(10). Deus. Em oposição às tendas que eram habitáculos facilmente desmontáveis, os antigos patriarcas esperavam pela Jerusalém celeste, a cidade que tem alicerces firmes e da qual Deus é o edificador e fundador como lemos em Ap. 21, 14. É precisamente a casa do Meu Paicomo dirá Jesus (Jo 14,2) onde há suficientes moradas que Jesus preparou para seus fiéis.
SARA. Também por essa fé, Sara recebeu vigor para conceber sêmen e, fora do tempo da idade, deu à luz, após confiante, acreditar ao prometido (11). O texto refere-se ao trecho do Gênesis 18,9-15, quando o Senhor prometeu um filho a Sara, mulher já velha de Abraão. De fato, o texto do Gênesis não é tão claro enquanto a fé de Sara, que inicialmente riu no seu interior, como incrédula, ao ouvir a profecia. Mas que, ao ser repreendida, mudou de opinião como diz Gn. 21,6 e aprendeu de novo a rir, ou seja, a alegrar-se com a esperança de um filho.
A DESCENDÊNCIA. Por isso, também por um nasceram - e esses dum morto - como os astros do céu em multidão e como areia junto da praia do mar, inumerável (12). Neste versículo temos um comentário do que aconteceu com Sara e Abraão. Este é considerado como morto devido à sua idade, de modo que o sêmen, o homúnculo como se dizia na época, já não existia para a procriação. Daí a expressão de um morto. A descendência de Abraão foi como os grãos de areia do mar: inumerável.
COMO PEREGRINOS. Em conformidade com a fé, morreram todos eles, não recebendo as promessas; pelo contrário, vendo-as de longe e confiantes e abraçando e confessando, porque eram peregrinos e estrangeiros sobre a terra (13). O autor comenta, em favor da fé, fatos do AT. Como peregrinos, no sentido romano da palavra, ou seja, como estrangeiros em terra estranha, não receberam as promessas que apontam a uma pátria definitiva que seria a terra prometida (a tua descendência darei eu esta terra - Gn. 12,7). Pois Abraão morreu muitos anos antes de que a terra de Canaã fosse a pátria dos seus descendentes. Uma outra opinião é a que opõe a terra onde moraram os hebreus a uma outra, não terrestre, mas celestial, e que unicamente é atingida em esperança, como vista de longe.
A PÁTRIA. Porque os que tais dizem manifestam que buscam a pátria (14). A pátria é o céu, quer seja porque do céu procede a alma e ao céu volta, ou porque consideram que a terra é lugar de passagem e a definitiva é a morada que Jesus preparou para seus seguidores (Jo 14,2). Outros pensam em que essa pátria está perto do paraíso do início do Gênesis, de onde foram expulsos os primeiros pais, devido ao pecado original. Era Ur dos caldeus. Coisa que é confirmada ao parecer no versículo seguinte.
LEMBRANÇAS. Pois já que se dela se lembrassem após dela ter saído, teriam oportunidade de voltar (15). .A que se refere esse versículo? Há quem diz que essa pátria era a antiga Ur na Caldeia de onde saiu Abraão (Gn. 11,31). Esta conclusão parece ser a apropriada, considerando o versículo seguinte, em que pela fé se procura a pátria celeste em oposição à terrena, que no caso deveria ser Ur. Há uma outra possibilidade de que a pátria terrena seja o antigo paraíso e assim poderemos continuar com nossa alegoria da verdadeira pátria que não conseguimos ver a não ser pela esperança que a fé nos dá.
DEUS PREPAROU UMA CIDADE. Mas agora melhor desejam, isto é celeste, portanto não se envergonha deles o Deus, de ser chamado Deus deles; pois preparou-lhes uma cidade (16). Continuando com Abraão e sua fé, o autor passa da pátria terrena à celeste. Também podemos ver nestas palavras a terra da Palestina, que foi dada aos hebreus e dentro da mesma o único lugar em que Jahveh Deus foi adorado: a cidade de Jerusalém. Caso seja isto verdade, a carta deveria estar escrita antes da ruína de Jerusalém no ano 70. Porém, parece que a palavra celeste, sobre o céu, o mesmo adjetivo que distingue o Pai, segundo Mt. 18,35, está indicando uma pátria superior à da terrestre, pois esta seria epigeos como distingue Paulo em 1Cor. 15,40. Aqui termina esta reflexão e começa de novo uma outra sobre um ato de fé, daquele que acreditou contra toda esperança (Rm. 4,18), ou seja, Abraão.
ISAAC. Pela fé ofereceu Abrão a Isaac sendo tentado, e oferecia o primogênito, o recebido pelas promessas (17). A quem foi dito que em Isaac será chamado teu sêmen (18).
TENTADO melhor se traduzimos como provado, assim como foi Jesus pelo diabo no deserto (Mt. 4,1) verbo usado também na mesma situação por Mc. 1,13 e Lc. 4,2. Esse filho, que era o das promessas, foi oferecido como sacrifício por Abraão no monte da terra de Moriá, e no momento em que a faca estava a degolar Isaac o anjo deteve o braço (Gn. cap 22). Essa fé em Deus foi tanto mais forte quanto a esperança de Abraão estava toda ela baseada em Isaac, na sua descendência.
FÉ NA RESURREIÇÃO. Estimando que também dentre os mortos suscitar poderoso era (o) Deus, por isso o recebeu em parábola (19). Porém a fé do patriarca tinha um fundamento sólido: Deus poderia ressuscitar dentre os mortos o filho sacrificado, pois era poderoso para o fazer. Por isso o recebeu em PARÁBOLA: Esta frase merece uma explicação.
PARÁBOLA materialmente, significa colocar uma coisa ao lado de outra, como quando dois barcos lutam na abordagem. Metaforicamente, é comparação, exemplo, narrativa fictícia e até um provérbio usado como termo de comparação. Vejamos primeiro as diversas traduções:
Por isso, o recuperou também em figura (Nácar Colunga).
Por isso, numa espécie de prefiguração, ele recuperou o filho (TEB).
- De onde também figuradamente o recobrou (RA).
Isso é um símbolo para nós (Esp).
Por isso o recebes também tu como um símbolo (It).
Seria o mesmo caso que em 9,9 em que a construção do templo antigo e a conduta do sumo sacerdote era um exemplo para a época presente. Logo a recuperação de Isaac da morte, por intervenção divina, era um modelo do que aconteceria com Cristo, primogênito também, salvo da morte por desígnio e intervenção do Pai, após o sacrifício da cruz.

Evangelho ( Lc 12, 32-48)
ADVERTÊNCIAS DO SENHOR
O evangelho deste domingo tem três exortações  diferentes, precedidas de um estímulo inicial: Não temas, (tu) ó pequeno rebanho! (sic) Vamos explicar, ponto por ponto, as diversas partes do mesmo.
1º parte: ESTÍMULO INICIAL
NÃO TEMAS. Não temas, ó pequeno rebanho! Porque vosso Pai se agradou em dar-vos o Reino (32). Com as mesmas palavras [não temas] dirige-se Gabriel, o arcanjo, a Zacarias (Lc. 1,13) e a Maria (1,30) ao anunciar uma boa-nova, tanto a um como a outra; ou seja, anuncia o evangelho particular de ambos. Sem dúvida, que aqui, Jesus se dirige a seus doze discípulos (12,22), com uma notícia que é de esperança para eles: porque foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino (32). Que significam estas palavras? Teremos que compará-las com Lc. 22,28-30: porque permanecestes constantemente comigo em minhas tentações; também eu disponho para vós o Reino, como meu Pai o dispôs para mim, a fim de que comais e bebais à minha mesa em meu Reino, e vos senteis em tronos para julgar as doze tribos de Israel. O ambiente em que Jesus pronuncia as primeiras palavras é de preocupação, porque o mesmo Jesus viu-se obrigado a ir furtivamente a Jerusalém; já que, como diz Marcos, nessa subida, os discípulos estavam assustados e acompanhavam-no com medo (10,32); ou como narra João, Jesus percorria a Galileia, não podendo circular pela Judeia, porque os judeus o queriam matar. E por isso subiu para a festa, não publicamente, mas às ocultas (ver Jo 7,1-14). Que tipo de reino era esse que o Pai complacentemente iria entregar? Era um convite da mais alta confiança: seriam os convivas no banquete, ou seja, nas delícias da nova escolha do povo, que tinha origem em Jesus, como seu rebanho do qual ele era pastor e rei. Mas dentro das estruturas do Reino, eles deveriam ser os juízes para julgar os que não quiseram entrar e impediram outros de entrarem dentro de sua organização. Jesus promete uma distinção especial que é como entregar os mais cobiçados cargos àqueles que tinham compartilhado das tribulações de Jesus durante sua vida. Outros identificam o julgar com o reinar como foi o caso do livro dos Juízes e assim se compreende melhor o porquê dos doze tronos, próprios dos que reinam e não das cadeiras judiciais. Podemos supor que ambas as opiniões podem entrar: os apóstolos reinarão e julgarão os seus conterrâneos acompanhando o soberano principal a quem o Pai deu o Reino, o poder, e que ele quer compartilhar com seus discípulos, assim como estes compartiram com ele suas adversidades e tribulações. O poder real e o domínio sobre todos os reinos debaixo do céu serão entregues ao povo dos santos do Altíssimo (Dn. 7,27). O pior é que os apóstolos entendem estas palavras de um modo material e estrito que não é precisamente o que Jesus queria deles.
VENDEI VOSSAS PROPRIEDADES. Vendei as vossas possessões e dai esmola; fazei para vós bolsas que não envelhecem um tesouro inextinguível será vosso nos céus onde ladrão não chega nem traça corrompe (33).
POSSESSÕES: o grego diz literalmente as coisas sobre as quais tendes propriedade. Forma parte do primeiro conselho-mandato de Jesus nesta ocasião. Sem dúvida que uma das preocupações dos discípulos era como manter suas famílias e até a si mesmos sem ter uma base material. Jesus, de novo, dá uma lição de confiança na providência divina que cuidará de modo especial daqueles que dedicaram suas posses à ajuda dos mais necessitados. Quando Pedro pergunta que receberiam eles que tinham deixado seus bens para segui-lo, Jesus responde que receberão muito mais no tempo da vida presente e, além disso, a vida eterna (Lc. 18,28-30). Marcos dirá que esse muito mais será cem vezes mais; Mateus, contrariamente ao que Lucas e Marcos narram, restringe a resposta de Jesus aos doze e, portanto afirmará que assentar-se-ão em doze tronos para governar as doze tribos de Israel. Feita esta digressão, observamos como Lucas, no trecho de hoje, aproveita uma lição, aparentemente particular, para estender o ensino à generalidade dos discípulos de Cristo. O melhor que podem fazer é segui-lo, deixando toda propriedade; porque dando seus bens aos pobres terão bolsas que não envelhecem, um tesouro que não falha nos céus, onde ladrão não se aproxima nem traça corrompe (23). Evidentemente que se trata de tesouros em forma de grãos ou mercadorias perecíveis. É a mesma advertência que Mateus recolhe no sermão da montanha: Não ajuntar tesouros [no sentido explicado de depósito ou armazém] onde a traça e a ferrugem os corroem. E os ladrões arrombam e roubam (Mt. 6,19-20). O que era uma exigência para os doze, se transforma agora numa séria advertência para os que querem ser verdadeiros discípulos.
ONDE ESTÁ TEU TESOURO. Porque onde está vosso tesouro aí também estará vosso coração(34). Entendemos por tesouro um amontoado tanto de metais ou coisas preciosas como de mercancias, como trigo, frutos, salgados etc. Parece que Jesus cita um provérbio que não é precisamente religioso, nem muito menos evangélico, e que seria patrimônio de todas as culturas. Um único comentário: podemos substituir o coração por mente ou desejo. O coração do homem, ou seja, a imagem que representa a soma de suas energias e desejos, está sempre concentrado nas coisas que ele pensa serem primárias em sua vida.
2º parte: A VIGILÂNCIA
A VINDA DO FILHO DO HOMEM. Estejam vossos lombos cingidos e as candeias acesas (35).Também vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor quando voltar da festa, para que vindo e bater, imediatamente lhe abram (36). Sob este título da vinda do Filho do homem, podemos interpretar os parágrafos seguintes que constituem a segunda parte do discurso de Jesus. Com imagens aparentemente de extrema urgência, Jesus descreve a preparação para o fim escatológico que narra como iminente. Podemos pensar que a escatologia não é uma vinda estrondosa ou espetacular, porque o Reino já está no meio de vós (Lc. 17,21). Alguns comentaristas falam da crise que viria no momento de paixão e morte de Jesus. É por isso que ele pede no horto das oliveiras: Orai para não entrardes em tentação (Lc. 22,40), que em Mateus e Marcos se completa com vigiai e orai para que não entreis em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca (Mt. 26,41 e Mc. 14,38). Toda tribulação exige preparação que Jesus descreve com as imagens de cingir os quadris e ter as lamparinas [luzes] acessas. Jesus emprega duas imagens para descrever, não tanto a incerteza do evento como a preparação em termos de vigília dos servidores. Como as túnicas dos orientais eram longas, como se fossem vestidos talares [até os calcanhares] eles as recolhiam, dobrando-as no cinto que cingia seus lombos (1Rs. 18,46). Devemos distinguir também entre lampas (tocha) que usavam as virgens acompanhantes do esposo e lyxnoi (candeias ou lamparinas) que iluminavam as casas. Estas últimas são as que devem permanecer acesas, esperando a volta do dono de uma festa, pois gamoi em plural, não designa casamento, mas festa em geral; para que ao bater o dono, a porta lhe seja aberta de imediato.
BEMAVENTURADOS. Ditosos os escravos, aqueles os quais vindo o Senhor, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo que se cingirá e os reclinará e, passando entre eles, os servirá (37). Na realidade os servos não fizeram nada mais, além de cumprir seu dever; mas o dono os recompensa de um modo completamente insólito. Ele se torna escravo e os serve à mesa. É o tipo de exageração que ressalta o bem conseguido pela conduta impecável dos servos ao esperar, vigilantes, o seu dono. O caso se torna mais compreensível, caso seja Deus o dono.
AS VIGÍLIAS. E se vier na segunda vigília e na terceira vigília vier e encontrar dessa forma, ditosos são os escravos aqueles (38). No cômputo judeu, a noite estava dividida em três vigílias de quatro horas cada uma. A parábola ou exemplo diz, pois, que devemos estar vigilantes como se fosse dia a noite inteira, pois a primeira vigília, é lógico que não sirva para dormir, mas com a terceira completamos a noite como se fosse um dia de trabalho, neste caso de espera. Não importa a hora, o que é preciso é estar despertos para que o dono não encontre os servos dormidos.
O LADRÃO. Isto, pois, sabei, que se o dono da casa conhecesse qual a hora, em que o ladrão havia de vir, vigiaria e não deixaria furar a sua casa (39). Um outro exemplo para recalcar a necessidade de estar vigilantes e preparados: se o dono da casa soubesse o momento exato em que o ladrão escolhesse para entrar furtivamente, ele vigiaria e não deixaria que sua casa fosse furada. Alude Lucas ao modo de construir as casas, de adobe, de modo que era mais fácil penetrar nelas através de um buraco nas paredes que arrombando a porta das mesmas.
O FILHO DO HOMEM. Também pois vós ficai preparados porque na hora em que não pensais o Filho do Homem vem (40). Parece um acréscimo sem sentido esta alusão. É talvez uma redação reflexiva de Lucas, preocupado com o problema escatológico da vinda do Senhor. Ele traz a observação como um parêntese surgido ao narrar os fatos do evangelho. É curioso que o problema do Reino, que enche grande parte das parábolas e ditos de Jesus nos sinóticos, só aparece em duas ocasiões em João: como explicação a Nicodemos sobre o nascer de novo para entrar no reino e como resposta a Pilatos que pergunta se ele é rei. O problema da vinda triunfante do Senhor era crucial nos primeiros tempos do cristianismo, como vemos na carta primeira aos Tessalonicenses, escrita no verão do ano 50. Essa expectativa está presente em todo este trecho de Lucas em que o Senhor Jesus chama a si mesmo Filho do Homem que aparece em Lucas 24 vezes e sempre com artigo: o Filho do Homem. Precisamente é o artigo  que o distingue de um ser humano comum para entrar na escatologia; pois é o Jesus que representa o reino divino como chefe e soberano do mesmo, segundo Daniel 7,13-14. É o Jesus da resposta ao Sumo Sacerdote Kaifás: O Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus (Lc. 22,69) e vindo sobre as nuvens do céu (Mt. 26,64).Deste modo, este segundo trecho está relacionado com a expectativa escatológica dos primeiros cristãos. A questão da vigilância é comum com o discurso escatológico da ruína de Jerusalém (Lc. 21,34-36). Esta passagem tem seus duplicados em Mc. 13,33-37 e Mateus 24,37-44.
3º parte: O ADMINISTRADOR FIEL
A PERGUNTA DE PEDRO. Então lhe disse Pedro: Senhor, dizes esta parábola para nós ou também para todos? (41). A parábola é para nós ou para todos? Pedro era o porta-voz dos doze e, por isso, ele pergunta se o ensinado por Jesus em forma de exemplo, é só para eles, os doze, ou para toda a multidão dos quais se consideravam como discípulos. Jesus não responde diretamente à pergunta, mas indiretamente dá uma lição de conduta para todos os que têm na comunidade um cargo de autoridade, de mandato, que deve se transformar em serviço. Todos são administradores com responsabilidade e é sobre como deve ser dirigida e exercitada essa responsabilidade que Jesus narra a seguinte parábola com três tipos diferentes de escravos em postos de responsabilidade.
PRIMEIRO TIPO DE ESCRAVOS. Disse-lhe, pois, o Senhor: Quem, portanto é o fiel mordomo e prudente o qual constituirá o Senhor sobre seu serviço para dar no tempo oportuno a porção de trigo? (42). Ditoso o escravo aquele que vindo o Senhor encontrar fazendo isso (43). Em verdade vos digo que o constituirá sobre todas as suas posses (44).
MORDOMO. É o mordomo responsável de modo que não exista roubo nem dolo e ao mesmo tempo sábio, inteligente, de forma que saiba distinguir entre o necessário e o puramente acidental, entre o que deve ser feito para gastar e guardar o patrimônio, para o serviço da casa (= família) como diz Lucas, pois o principal era o cuidado de dar no tempo a refeição de pão necessária [ração de trigo no original].
A VOLTA DO DONO: parece que Jesus está pensando numa ausência e que satisfatoriamente o dono encontra tudo como tinha planejado. Por isso o abençoa e o recompensa como administrador total de suas posses.
SEGUNDO TIPO. Mas se disser o escravo esse consigo mesmo: Demora meu dono em vir. E começa a bater nos criados e criadas, a comer e beber e se inebriar (45). Virá o dono desse escravo no dia em que não espera e na hora que não conhece. E o cortará em dois e a sorte dele porá com os infiéis (46). O servo irresponsável. Agora Lucas emprega a palavra certa:doulos, escravo, pois, no tempo de Jesus, eram os escravos domésticos os que se encarregavam da administração das casas ricas. Agora o escravo do modelo tem uma conduta que podemos chamar de irresponsável, pois primeiro pensa que seu dono demorará na volta e logo começa a atuar como dono real, batendo nos escravos e escravas e desfrutando da vida, comendo, bebendo e embriagando-se. Parece uma descrição do que era, na época, a vida dos ricos. O resultado de semelhante conduta não pode ser mais desastroso. Virá o dono desse escravo no dia não esperado e na hora que é desconhecida e o partirá em dois (sic) e o colocará entre os que não merecem confiança. Logicamente partir em dois deve ter um significado metafórico, não real, porque logo está vivo como para poder ser colocado entre os servos que não merecem confiança. Ou seja, o tratará como um escravo fugitivo.
TERCEIRO TIPO. Porém, aquele escravo que conhecendo a vontade do seu dono e não se preparou nem fez conforme a vontade dele, será espancado muitas vezes (47). Jesusdescreve a conduta daqueles que conhecem a vontade do dono, mas nem se preparam [para recebê-lo] nem a cumprem, receberão como castigo uma boa surra de paus. Era o castigo comum na época para os escravos cuja conduta desagradava o dono.
ÚLTIMO TIPO DE CONDUTA REPROVÁVEL. Aquele, pois, que não conhece a vontade do dono, mas faz coisas que merecem golpes,  será golpeado poucas (vezes). A todo, pois, que muito foi dado muito será exigido dele; e ao que muito lhe foi oferecido [apresentado] mais se pedirá dele (48)O grego termina com o adjetivo poucas ao qual devemos logicamente acrescentar o nome que aqui parece mais apropriado, vezes ou golpes.
MORAL DA HISTÓRIA: Deus dá de graça seus dons [o foi dado tem como sujeito ativo Deus, sendo, pois, uma passiva impessoal]; mas não quer que estejamos preguiçosos sem nada fazer. Por isso, termina dizendo que a exigência depende da abundância do dom recebido.
PISTAS
1) É de destacar a insistência de Lucas e de sua comunidade na esmola como meio de vida cristã. Existem duas maneiras de viver em radicalidade, por não dizer totalidade, o evangelho: renunciar aos bens terrenos, ou repartir com os necessitados as riquezas de que somos administradores e não donos absolutos. A segunda parte pode ser tomada como uma adaptação do evangelho aos dirigentes das comunidades em que devia existir uma administração de bens comuns, como narram os Atos 4,34-35. Porém, se pensamos que Deus está presente como dono de tudo, também a segunda parte está intimamente unida à primeira, de modo que o dinheiro será o teste para saber quem é melhor administrador e como ele será considerado pelo dono absoluto que é Deus. O dinheiro é apontado como teste de nossa honradez e fiabilidade para com Deus.
2) O nosso tesouro é o amor em nossos corações, que é o maior fruto do Espírito (Gl. 5,22). No caso das riquezas materiais, o amor nos impele a seguir o exemplo de Zaqueu: Dar a metade aos pobres. Isso pelo menos deve ser feito com o chamado supérfluo de nossos bens. Melhor: todo o supérfluo como diz Tobias (4,16) pertence aos pobres. Por isso uma norma que pode ser exigida na atualidade é que gastemos tanto em esmola como gastamos em diversões. Isso não nos torna mais pobres e torna mais ricos os pobres.
3) A exortação à vigilância é hoje uma exortação a uma vida austera e simples. Não temos uma ameaça de destruição como era a de Jerusalém; porém temos uma ameaça que está num futuro próximo: a do meio-ambiente. Se não sabemos ser austeros em nossas vidas e dilapidamos o que temos, que poderão herdar os futuros habitantes da terra?
4) A última parte do evangelho é, segundo muitos, uma referência ao purgatório. Não é a fé que determina o prêmio ou o castigo; mas a fidelidade à vontade do Senhor. Especialmente se consideramos que o dono é uma figura representativa do próprio Deus.
padre Ignácio – www.presbiteros.com.br
============================


Jesus disse: Não tenhas medo, pequeno rebanho (...) vendei vossos bens e daí de esmola (...) pois onde estiver o vosso tesouro, ai estará também o vosso coração (...) tende as cinturas cingidas e vossas lâmpadas acesas. Sede como quem espera o seu senhor de volta das festas de casamento, para lhe abrir a porta quando ele chegar e bater. (...) Vós bem sabeis que, se o pai de família soubesse a hora em que viria o ladrão, não deixaria arrombar-lhe a casa. Estai, pois, preparados, porque na hora em que menos pensais virá o Filho do homem” (...) Feliz o escravo que, ao voltar, o senhor o encontrar alerta. Eu vos asseguro: Confiará a ele a administração de todos os seus bens. Mas se o escravo disser consigo: ‘Meu senhor está demorando’, e começar a espancar os escravos e as escravas, a comer, a beber e a embriagar-se, virá o senhor desse escravo no dia em que menos esperar e numa hora imprevista; ele o afastará do cargo, destinando-lhe a sorte dos infiéis. O escravo que conhecia a vontade do senhor, mas não se preparou nem agiu de acordo, receberá muitas chicotadas. Aquele, porém, que desconhecia a vontade do senhor e fez coisas dignas de castigo, receberá poucas chicotadas. A quem muito se deu, dele muito se exigirá; e a quem muito se entregou, muito mais se pedirá.
Hoje é domingo, dia do Senhor e dia de festa nas famílias, pois hoje festejamos também o dia dos pais. Vamos rezar pelos pais e pedir para que nunca lhes falte saúde, trabalho e dignidade na luta pelo pão diário.
Vamos sim rezar pelos pais e pedir, acima de tudo, para que o amor e o diálogo estejam sempre presentes em todos os lares. Na liturgia deste domingo encontramos Jesus conversando com seus discípulos. Com muita paciência e carinho, Jesus instrui os seus discípulos.
Seu comportamento é como o de um pai, ensinando seus filhos. Jesus inicia o evangelho de hoje, dizendo aos seus amigos que nada devem temer, e que o Pai do céu está muito feliz em poder entregar o seu Reino para os seus filhos.
O Reino de Deus é a maior herança que alguém pode almejar, por isso, quem fizer por merecer esse prêmio não precisa de mais nada. Esse recado de Jesus deve servir para mim, para você, para cada um de nós: "Não tenham medo, vendam os seus bens e distribuam esmolas". Já pensou? Vender tudo???
Vender tudo não significa transformar os bens em dinheiro e guardá-lo no banco, nem privar-se de uma casa aconchegante e confortável e viver, com a família, num barraco ou sob os viadutos. Vender tudo significa não juntar falsos tesouros, significa livrar-se do supérfluo e aproximar-se dos verdadeiros valores.
Dar esmolas não significa doar restos ou somente o excedente. A esmola não deve ser produto de compaixão, mas sim de amor. A verdadeira esmola deve conter tudo aquilo que o pedinte necessita, tem que ser muito mais que uma simples ajuda financeira.
A esmola só é completa se estiver acompanhada de luta por dignidade e por uma justa distribuição de renda e de terra. Jesus sempre alertou sobre o grande perigo que representa o apego exagerado aos bens materiais e recomenda juntar tesouro somente no céu, longe dos ladrões e livre das traças.
Tesouro no sentido literal, quer dizer grande porção de dinheiro ou de objetos preciosos, significa riqueza. O dono desse tesouro, dificilmente consegue esquecer-se de seus bens. O medo de perder uma jóia, o receio de ser roubado, chega a tirar o sono, faz esquecer-se de Deus e do próximo.
Por tudo isso Jesus diz que onde está nosso tesouro, ali está o nosso coração. Somos nós quem determinamos onde deve estar nosso coração. Quem faz do próximo o seu tesouro, terá o coração permanentemente voltado para o irmão e receberá, no céu, uma riqueza que nunca lhe será tirada.
Foi muito boa e esclarecedora nossa conversa de hoje, aprendemos muito com este evangelho. Já sabemos que é preciso estar alerta, pois não sabemos quando o "Patrão" virá. Sabemos também, que é sua vontade encontrar-nos acordados e preparados para recebê-lo. Seus desejos ai estão, portanto, só nos resta cumpri-los. Quem dera, nesse dia, não sejamos pegos de surpresa.
Este encontro de hoje aumentou também a nossa responsabilidade. Acabaram-se as desculpas. Agora sabemos qual é a vontade do Senhor, por isso seremos muito mais cobrados do que antes, quando nada sabíamos.
Só agora consigo entender o significado e o peso destas palavras: "A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito será exigido!" Realmente, isso tudo é muito preocupante... mas só para quem não põe em prática seu compromisso batismal.
Jorge Lorente - www.miliciadaimaculada.org.br

============================
No domingo passado refletimos sobre o uso dos bens e sobre a ligação que podemos ter com eles; recebemos também uma recomendação sobre o fato de confundir os “bens” com o Bem ou, como diria São Paulo, o risco de «colocar a criatura no lugar do Criador» (Rm. 1,25). Se o trecho do domingo passado era dirigido a um homem anônimo, desta vez Jesus se dirige diretamente a nós, aos seus discípulos os quais também podem correr o mesmo risco, mesmo que por motivações diferentes. Depois do episódio sobre o qual já refletimos, Jesus dirige aos discípulos palavras de confiança no amor providente de Deus, palavras que deixam claro como cada um de nós é importante para Deus como se fosse o único. Assim, como seqüência, o nosso trecho se abre com uma enfática recomendação muito bem traduzida por alguns deste modo: «Deixai de lado este medo» (melhor do que: “não tenham medo”), sim porque o acento está na decisão, decisão que podemos tomar ou não. O medo é incontrolável, ele vem, não podemos não ter medo, mas podemos “deixar de ter medo”, isto é, deixar de carregar conosco os medos que nos induzem a fazer opções erradas e confundir os “bens”com “Bem”. Podemos não permitir que os medos nos controlem e ajam em nosso lugar. Assim sendo, neste trecho Jesus nos dá algumas indicações para viver tal liberdade que, embora continue coexistindo com alguns medos, nos permite de não ficar presos a eles.
O texto que temos nas mãos ressente da influência do momento em que foi colocado por escrito, um momento em que a comunidade dos discípulos estava dando os seus primeiros passos e, fazendo isto, se defrontava com a sua fragilidade interna, evidenciada pela diferença entre o que idealmente deveria ser uma comunidade cristã e o que de fato se vivia nela. Mas a fragilidade estava bem mais nítida em relação ao mundo exterior: derrisão, injustiças, violências, preconceitos que faziam sentir os primeiros cristãos como pessoas que carregavam um grande tesouro sim, mas que não se enquadravam com a mentalidade corrente. Esta ótica nos permite entender força da expressão de Jesus: «pequeno rebanho»; evidentemente o Senhor não estava se referindo ao número de discípulos, mas à sua qualidade: “rebanho feito de pequenos”. Os discípulos têm como parte integrante da sua identidade o fato de serem “pequenos”, que na linguagem bíblica () significa: “sem consideração”, frágeis, “de segunda linha diríamos nós em gíria. Ora, justamente o fato de serem “pequenos” poderá ser a fonte da liberdade que dá a força de desvencilhar-se do medo, bem o oposto daquilo que é obvio no mundo competitivo onde os fortes crêem de vencer. Se o medo pode nos conduzir a procurar “bens” - que não necessariamente são de ordem econômica-, possuir o tesouro que realmente permanece oferece as condições para viver uma vida qualitativamente nova, onde a liberdade dos medos deixa o homem escolher, deixa o homem ser mais conforme a o que ele é.
Jesus usa a expressão «pequeno rebanho» em tom de forte contradição com o pensamento de alguns religiosos da época: o “pequeno rebanho” não é o “rebanho dos pequenos”. A primeira forma era usada nas comunidades de Qumrã, uma “elite” religiosa que assim designava a si mesma para dizer que, diante da multidão que é pecadora e que necessariamente receberá o castigo de Deus eles, aquela pequena elite, era o rebanho verdadeiro (a palavra “’eda” em hebraico é usada para indicar o exercito dos anjos, os privilegiados que podem estar perto do Rei por sua pureza).  Mas para Jesus a pureza é bem outra coisa; ouvimos isto já nas Bem-aventuranças: puros são aqueles que vêem o mundo com o olhar de Deus. Obviamente a pergunta agora é: e qual é este olhar?
Pois bem, vamos continuar acompanhando o ensinamento de Jesus.
Ao dirigir-se aos discípulos, Ele faz referência ao livro de Daniel quando trata da figura do “Filho do homem”, ali diz o texto: «O reino, o domínio e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo» (Dan. 7,27). Em primeiro lugar Jesus é claro em indicar que os discípulos “pequenos” são exatamente aqueles “santos” aos quais Deus concede o Reino.  Ou seja, concede aquela força incrível do “reinar” de Deus que é capaz de reconstituir em nós e no mundo tudo aquilo que foi destruído por relações erradas com Deus, com as coisas e as pessoas. No coração do “pequeno” reina Deus como centro da sua vida. O “pequeno” aprendeu a sentir-se necessitado de Deus e a recorrer a Ele.
Por outro lado, o reinar de Deus é um dom, diz Jesus, um dom gratuito do Pai àquele que se abre a receber não “bens”, mas o Bem. É o dom de sentir forte e marcante a presença de Deus como verdadeira riqueza; presença que ninguém pode tirar; tesouro ao qual se pode atingir no momento de maior necessidade, tesouro sempre à disposição da nossa mão que o alcança com a oração, a vida dada, as escolhas humildes e obedientes.
Lemos ainda: «foi do agrado do Pai dar o Reino a vocês». A mesma expressão“agrado”,“complacência” é usada em relação a Jesus em ocasião do Batismo e da Transfiguração; isto estabelece uma relação entre o discípulo que vive como “pequeno” e o próprio Filho de Deus: ambos, mesmo que de modo diferente, revelam a prioridade absoluta da relação com Deus, entendido como um Pai que cuida e se preocupa.
Como reconhecer o “pequeno”? É suficiente a sua condição econômica ou social? Como distingui-lo com outra pessoa que a vida colocou também em situações de inferioridade? É suficiente esta condição para ser o “pequeno” do Evangelho?
Não, com certeza. O sinal que Jesus dá é bem claro: a esmola. Hoje quando falamos de esmola entendemos uma pequena quantia dada, às vezes “jogada” nas mãos de alguém que pede. É uma interpretação muito restritiva e, com certeza, não corresponde ao uso que aqui Jesus faz. A esmola pode humilhar tanto a pessoa que dá quanto a pessoa que recebe, pode reforçar a divisão em classes, pode fortalecer o sentido de poder... enfim, nem sempre a esmola é benigna, como pode parecer.  A palavra “esmola” vem do verbo  que indica o típico discurso pronunciado em defesa de alguém que está numa situação passiva. Com isto passou a ter o significado de “ter misericórdia”“estar atento”. Pois bem, este é o desafio de Jesus: àqueles que são já “pequenos”, isto é em condições de inferioridade, de incapacidade, àqueles que precisam, àqueles que só se sentem de apelar a Deus porque não tem mais a quem apelar, bem a estes Jesus pede que “estejam atentos”, que “tenham misericórdia”, que dêem a quem está necessitado. Jesus pede a pessoas que estão “precisando” para que a compaixão reine sobre o medo de perder algo, reine sobre o direito de possuir o que já se tem. É neste estado de coisas que então se entende a pergunta retórica de Jesus: «Quem é o administrador fiel e prudente?». Dar em “esmola” então é bem mais que consignar valores monetários, é o fruto que brota espontâneo no coração do discípulo que entendeu a presença de Deus na sua vida como o maior tesouro (recordamos que o coração na Escritura é o lugar onde se tomam as decisões fundamentais). Dar em esmola é próprio do discípulo que, possuindo o Senhor em sua vida como centro, vê o mundo com o Seu olhar, um olhar de compaixão e desprendimento. É próprio do discípulo que tem um olhar de amor que vê a Deus como tesouro e vê o outro como amado por Deus: «onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração». É o agir que nasce da contemplação do reinar de Deus em nossa vida.
padre Carlo - www.fatima.com.br
============================

Esperar o Senhor
A Palavra de Deus deste domingo convida os cristãos a não colocarem sua esperança em falsas seguranças. Convoca-os a viverem sempre no serviço, à espera do Senhor.
A 2ª leitura (Hb. 11,1 – 2.8–12) fala da fé que tinham as grandes figuras do Antigo Testamento, sobretudo Abraão. A fé que guia os nossos passos é precisamente o fundamento das coisas que se esperam. A fé dá-nos a conhecer com certeza que o nosso destino é o Céu e, por isso, todas as coisas devem ordenar-se para esse fim supremo e subordinar-se a ele.
No evangelho (Lc. 12,32–48) Jesus exorta-nos à vigilância: “Estejam cingidos os vossos rins e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando o seu Senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que Ele chegar e bater” (Lc. 12,36).
Ter as roupas cingidas é uma imagem expressiva utilizada para indicar que alguém se preparava para realizar um trabalho, para empreender uma viagem, para entrar em luta. Ter lâmpadas acesas indica a atitude própria daquele que está de vigia ou espera a chegada de alguém. Quando o Senhor vier no final da nossa vida, deve encontrar-nos assim: em estado de vigília, como quem vive ao dia; servindo por amor e empenhados em melhorar as realidades terrenas, mas sem perder o sentido sobrenatural da vida, o fim para que tudo se dirige.
Essa vigilância há de ser contínua, perseverante, porque contínuo é o ataque do demônio que, “como um leão que ruge, dá voltas buscando a quem devorar” (1Pd. 5,8). “Vela com o coração, vela com a fé, com a caridade, com as obras; prepara as lâmpadas, cuida de que não se apaguem, alimenta-as com o azeite interior de uma reta consciência; permanece unido ao Esposo pelo Amor, para que Ele te introduza na sala do banquete, onde a tua lâmpada nunca se extinguirá” (Santo Agostinho).
Estaremos vigilantes no amor e longe da tibieza e do pecado se nos mantivermos fiéis a Deus nas pequenas coisas que preenchem o dia. As pequenas coisas são a ante-sala das grandes, tanto no sentido negativo como positivo.
São Francisco de Sales fala-nos da necessidade de lutar nas pequenas tentações, pois são muitas as ocasiões em que se apresentam num dia corrente e, se vencem, essas vitórias são mais importantes – por serem muitas – do que se tivesse vencido uma tentação mais grave. É fácil, ensina o Santo, “não cometer um homicídio; mas é difícil repelir os pequenos ímpetos de cólera, que se apresentam com bastante facilidade. É fácil não furtar os bens do próximo, mas é difícil não os desejar. É fácil não levantar falsos testemunhos em juízo; mas é difícil não mentir numa conversa; é fácil não embriagar-se, mas é difícil ser sóbrio”!
As pequenas vitórias diárias fortalecem a vida interior e despertam a alma para as coisas divinas. São ocasiões que se apresentam com muita freqüência: trata-se de viver a pontualidade à hora de levantar-se ou de começar o trabalho; de deixar de lado uma leitura inútil que leva à perda de tempo; trata-se de fazer um pequeno sacrifício à hora das refeições; de dominar a língua num encontro de amigos ou numa reunião social, etc.
Se formos fiéis nas pequenas coisas, permaneceremos cingidos, vigilantes, à espera do Senhor que está para chegar.
Disse Jesus: “onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lc. 12,34). O Senhor quer nos ensinar que nenhuma coisa criada pode ser o “tesouro”, o fim último do homem. Pelo contrário, o homem, usando retamente das coisas nobres da terra, percorre o caminho para Deus, santifica-se e dá ao Senhor toda a glória: “quer comais ou bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1Cor. 10,31).
“…vai chegar na hora em que menos esperardes” (Lc. 12,40). Não devemos ficar preocupados com o dia ou a hora da morte. Deus quis ocultar o momento da morte de cada um e do fim do mundo. Imediatamente depois da morte, todo homem comparece para o juízo particular: “Assim, está estabelecido que os homens morram uma só vez; e depois disto, o juízo” (Hb. 9,27). Daí o cristão não poder aceitar a reencarnação! Quem morre não volta mais! Morre-se uma só vez! Estejamos preparados para esse encontro definitivo com o Senhor. Ele pedirá contas a cada um segundo as suas circunstâncias pessoais: todo o homem tem nesta vida uma missão para cumprir; dela teremos de responder diante do tribunal divino e seremos julgados segundo os frutos, abundantes ou escassos, que tenhamos dado.
O Senhor espera de nós uma conversão sincera e uma correspondência cada vez mais generosa: espera que estejamos vigilantes para que não adormeçamos na tibieza, para que andemos sempre despertos.
mons. José Maria Pereira – www.presbiteros.com.br
============================

1. Onde está a fé sobre a terra? Estará, porventura, na dor dilacerante dos indefesos, que morrem invocando a Deus? Ou estará no grito pungente de quem fica esmagado pela angústia e pela crueldade dos seus semelhantes? Porque é que Deus fica em silêncio perante a dor do mundo? É devido à fraqueza da fé ou à indiferença divina? Será pela maldade do coração humano ou pela dureza do coração de Deus? Porquê, da parte de Deus, esta intolerável falta de «sinais»? Porquê esta dolorosa e aparente falta de milagres?... As perguntas poderiam continuar, fazendo eco do esforço de crer, que pesa sobre tantos corações, desafiados e abatidos pelas muitas réplicas da história do mundo à audácia da nossa fé!
2. São estas perguntas, todavia, que nos permitem dizer aquilo que é e o que não é a fé! Crer não é, antes de mais, acreditar em algumas coisas, dar assentimento a uma demonstração clara e evidente de idéias, ou a um projeto sem dúvidas e conflitos. Crer é confiar em Alguém, é seguir o chamamento do Desconhecido que convida, (como Abraão) confiar a própria vida nas mãos de um Outro, para que Ele seja o único, o verdadeiro Senhor. «Crer» significa «cor dare», dar o coração, confiá-lo incondicionalmente nas mãos de um Outro: (como Sara) crê todo aquele que se deixa fazer prisioneiro do Deus invisível, todo aquele que aceita ser possuído por Ele, na escuta obediente e na docilidade mais profunda do coração. Fé significa «rendição, entrega, abandono», e não «possessão, garantia e segurança».
3. Crer, portanto, não é ser poupado à luta, fugir do risco e caminhar na luminosidade certa e serena do dia; a fé não é um seguro de garantia, um passaporte para um mundo cor-de-rosa.
Aquele que crê, caminha na noite, errante, como um peregrino, ao encontro da Luz. Sabe que a noite é apenas uma parte do dia. As trevas, levarão o peregrino a invocar a presença protetora e a confiar nela. E essa confiança chama-se «fé». A fé é, por isso, «um raio de treva», uma luz que não elimina o escuro, mas ilumina (n)a noite! «Crer significa estar à beira do abismo obscuro, e ouvir uma Voz que brada: «Lança-te, Eu te tomarei nos Meus braços!» (S. Kierkegaard). E atirar-se, apoiado apenas na palavra invisível que nos chama!
4. E se, para além da escuridão, não houver mais nada a não ser a escuridão do nada? Crer significará então resistir e sofrer sob o peso destas questões: não exigir provas, mas oferecer sinais de Amor ao invisível Amante que nos chama. Crê todo aquele que confessa o amor de Deus, não obstante a incerteza do amor. Crê todo aquele que espera, contra toda a esperança. E o caminho da sabedoria é palmilhar na noite, sem ter medo de errar. E, com a lâmpada da fé, ir até onde nos leva o coração. Creio em Vós, Senhor, mas aumentai a minha fé»
 padre Amaro Gonçalo - www.abcdacatequese.com
 ============================

Senhor, eu creio: aumenta a minha fé!
Tu conheces o meu coração,
Tu vês o temor, que existe em mim, de me confiar perdidamente em Ti.
Tu sabes como o desejo de viver isoladamente a minha vida
é em mim tão forte que me faz muitas vezes afastar de Ti!
Todavia, eu creio:
diante de Ti está o meu desejo e a minha fraqueza.
Orienta aquele, ampara esta, ajudando-me a fazer afogar em Ti
todos os meus sonhos e todos os meus anseios e projetos,
para confiar em Ti e não em mim e nas presunçosas evidências
deste mundo que passa.
Faz que eu saiba lutar Contigo: mas não permitas que eu vença!
Vós que sois o Senhor do meu temor dos meus anseios
e da minha esperança, aumentai, eu Vos suplico, a minha fé!
(Bruno Forte)

============================
============================



Nenhum comentário:

Postar um comentário