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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 21 de setembro de 2013

25º DOMINGO TEMPO COMUM

25º DOMINGO TEMPO COMUM

 

Comentários-Prof.Fernando

22 de Setembro
Ano   C
Evangelho - Lc 16,1-13

Os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz - José Salviano

 

Com esta parábola, Jesus nos ensina que os bens deste mundo são passageiros e precários e que devemos  assegurar valores mais duradouros e consistentes. Continua


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“USAI O DINHEIRO INJUSTO PARA FAZER AMIGOS...”- Olívia Coutinho


XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 22 de Setembro de 2013

Evangelho Lc 16,1-13


 O mundo continua rejeitando a proposta de Jesus! São muitos os que não querem enxergar a verdade que liberta, preferindo viver na escravidão do consumismo.
 Num mundo onde impera o individualismo, a cultura do  descarte, tudo gira em torno do dinheiro, a pessoa não é vista pelo o que é, e sim, pelo o  que tem!
Se não ficarmos atentos quanto as nossas escolhas, corremos o risco de nos contaminar  por esta mentalidade consumista, que nos distancia dos verdadeiros valores e  que pode nos levar a  assimilar a falta de esperteza e  de dinheiro, como causa  do nosso não êxito na vida.
Em meio a tantos adversários do projeto de Deus, Jesus vem nos trazer uma proposta de vida nova, que ao contrário do mundo, tem como prioridade o “ser”.
No evangelho de hoje, Jesus nos convida a sermos agentes de um mundo novo, de um mundo, alicerçado na justiça, base sólida, sobre a qual devemos construir a nossa morada eterna.  
O ensinamento que Jesus nos passa no dia de hoje, é desafiador, principalmente para  muitos de nós, que não consegue desvencilhar da escravidão do dinheiro.
O evangelho nos alerta sobre o perigo de nos tornar refém do dinheiro, o dinheiro que nos induz ao consumismo, o motor que alimenta este sistema capitalista gerador de excluídos, um sistema  que descarta os  que não produzem, os que não dão lucro e que reprime os que não se deixam corromper.
O texto nos apresenta a parábola do administrador desonesto. Nela, Jesus passa para os discípulos, o “exemplo” de um homem que só percebeu a importância dos bens duradouros, quando se viu em apuros. A história pode parecer polemica, de difícil compreensão, se interpretada ao pé da letra. Se assim fizermos, corremos o risco de interpretá-la erroneamente, achando que Jesus elogia a desonestidade do administrador presente na história. Pensar assim é, sem duvida, desconhecer Jesus e a sua justiça, pois a justiça tão apregoada por Jesus, não se baseia em esperteza, em levar vantagem em tudo e sim, no amor que gera partilha.
É importante termos a clareza, de que Jesus não elogia à desonestidade, mas o esforço de quem busca  meios para ter a vida salva. A lição que foi passada para os discípulos e que hoje é passada para nós, deve nos conscientizar de que não podemos viver na passividade e nem sermos morosos em nossas decisões, principalmente em se tratando da prática da justiça.
O que Jesus louva nesta parábola  é a agilidade e a habilidade de uma pessoa determinada a sair rapidamente de uma situação desfavorável.
  “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos...” Pode nos soar estranha esta fala de Jesus, mas se aprofundarmos um pouco mais no contexto, vamos perceber, que o que Jesus quis dizer com isto, é de fácil compreensão: o dinheiro é injusto, quando ele nos escraviza, quando ele nos rouba de Deus.  Fazer amigos com este dinheiro injusto significa nos libertar desta escravidão, ao partilhá-lo com os pobres. Estes sim, os pobres, são nossos bens duradouros. A prática da caridade apaga o nosso pecado, transforma o dinheiro injusto, em justo, porque alimenta os pobres.  Por tanto, sejamos amigos dos amigos de Deus: os pobres! São Eles que abrirão a porta do céu para nós.
      Foi o que fez o administrador desonesto, ele transformou, ainda que por interesse, um dinheiro injusto, num bem para o outro. Agindo assim, ele deu um passo certeiro na vida, ao trocar os bens passageiros  pelos  bens duráveis. 
       Fica claro, que ele agiu com esperteza, mas se olharmos por outro lado, vamos perceber que ao ser convertido pela razão, ele dá o primeiro passo para a conversão do coração. Antes, ele trocava as pessoas pelo dinheiro, depois que se vê em apuros, não hesita em trocar o dinheiro pelas pessoas. É esta rapidez de raciocínio, que Jesus elogia e  pede para que façamos o mesmo, ou seja, que tenhamos um  raciocínio rápido em  trocar os bens do mundo, pelos bens duráveis: os bens Eternos!
     Não sejamos ingênuos em pensar que Jesus condena o dinheiro, Jesus não condena o dinheiro, o que Ele condena, é o mal uso  do dinheiro e a forma ilícita de adquiri-lo. 

TENHA UM BELO DOMINGO!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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25 º DOMINGO DO TEMPO COMUM 22/09/2013
1ª Leitura Amós 8, 4-7
Salmo 112(113),1ª 7b “Louvai, ó servos do Senhor. Ele levanta do pó o indigente e tira o pobre da imundície”
2ª Leitura 1Timóteo 2, 1-8
Evangelho Lucas 16, 1-13
Não podereis servir a Deus e ao dinheiro -Diac. José da Cruz
Se quisermos atualizar a parábola, vamos dizer que um governante foi acusado de corrupção, isso é, de ter dissipado os bens do patrimônio público agindo de maneira desonesta. Certamente hoje Jesus contaria a parábola desse jeito, exaltando a esperteza de muitos homens públicos que conseguem fazer “aconchavos” com tudo que é partido político e no final nunca fica sem guarida. Nesses casos, quando vemos algum homem público em nossos dias, abrir mão de algum benefício ou regalia, não se iludam, ele está perdendo agora para ganhar em dobro depois, pois como se diz na gíria, essa raça nunca dá ponto sem nó.
E o leitor poderá então perguntar admirado: Parece que Jesus elogia o Administrador infiel, ou o Político corrupto de nossos dias, como pode uma coisa assim? E como é que fica quem é honesto na administração pública?
Claro que essa compreensão é falsa, gerada por uma leitura superficial do texto, imaginem que Jesus, Nosso Deus e Senhor, o Mestre da Justiça, iria compactuar com uma ação desonesta... O que está em jogo nessa parábola é a habilidade do Administrador Infiel em tomar rapidamente uma decisão certeira, e colocar o plano em prática em caráter de urgência. Portanto, o elogio é para o modo como ele fez, e não para o que fez. Bem diferente da impressão que temos no primeiro momento.
O Administrador Infiel, quando viu que fora exonerado pelo seu Senhor, abriu mão da sua gorda  comissão sobre a venda dos produtos, e começou imediatamente e renegociar a dívida. Imaginem os Credores chamar os devedores para renegociar a dívida do financiamento, de um carro ou de um imóvel, por exemplo, e baixar sensivelmente o valor a ser pago, que no caso do azeite, foi de cinquenta por cento. O Governo poderia fazer assim na questão dos juros e taxas de serviços, o povão agradeceria de coração. Mas é melhor não sonhar com isso, vamos acabar caindo da cama. Os Poderosos da economia querem sempre taxas mais altas para garantir seus “gordos” lucros.
Mas vamos nos inserir dentro dessa parábola. Nós batizados, membros da Igreja de Cristo, somos privilegiados pois Deus investe em nós todos os dias, dando-nos a sua Graça Santificante e Operante, temos a Santa Palavra, os Sacramentos, que são um Patrimônio de incomparável valor na Tradição da Igreja. Deus acredita em nosso potencial e nos faculta sermos sim, administradores da sua Graça. Tudo o que somos e temos provém de Deus, nada nos pertence nesta vida.
Como o Administrador infiel, muitas vezes somos maus gestores da Graça de Deus, quando queremos ser os únicos beneficiários dela, esquecendo-nos de que ela deve ser usada para o bem do outro, nos carismas, dons e talentos que o Senhor nos concedeu. A Habilidade do Administrador infiel, elogiado por Jesus, está no fato de ter aceito “Perder” para garantir um abrigo no futuro., o mesmo devemos fazer como Cristãos, sabermos “Perder” e abrir mão hoje de muitas coisas, para garantirmos um abrigo eterno junto a Deus um dia, na Vida Futura.
Sempre temos um olhar crítico aos que administram, até na Igreja é assim, mas este evangelho nos convida a nos olharmos enquanto administradores da Graça de Deus que nos foi confiada. Temos a mesma habilidade e esperteza desse Administrador, ou somos maus Gestores? Um dia iremos todos prestar contas...Estejamos preparados!
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Evangelhos Dominicais Comentados
Jorge Lorente

22/setembro/2013 – 25o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Lc 16, 1-13)


Jesus nos fala de um administrador infiel. Um homem, aparentemente, sem escrúpulos e trapaceiro. Este exemplo não é fácil de ser compreendido e, se levado ao pé da letra, chega a confundir-nos. Jesus que sempre pregou retidão e honestidade, de repente enaltece a ação, no mínimo, duvidosa desse administrador. Como pode Jesus elogiar o comportamento desse homem?

Como pode um homem incorreto servir de modelo para os seguidores de Jesus? Vamos juntos refletir este evangelho e depois, com bastante calma, vamos tentar entender os motivos que levaram Jesus a usar esse homem como exemplo.

Esta parábola é uma séria advertência de como devem ser usados os bens materiais. Não é fácil entendermos este exemplo, pois vivemos numa época totalmente diferente. Vamos nos transportar para tentar compreender a atitude desse administrador conforme os costumes daquela época.

É importante salientar que o administrador foi despedido por esbanjar os bens de seu patrão. Sem emprego, como seria sua vida daí pra frente? Precisava melhorar sua imagem urgentemente, pois, caso contrário, todas as portas se fechariam para ele. Jamais conseguiria outro emprego naquela pequena cidade.

Na época, eram muitas e diversas as atividades do administrador. Ele não era responsável somente pelos serviços da casa ou fazenda. Tinha que cuidar dos animais, dos outros empregados e ainda vender a produção. Tinha também o direito de conceder empréstimos utilizando os bens de seu patrão.

Dos produtos vendidos ou dos bens emprestados, o administrador devia entregar uma determinada quantia ao seu patrão. O valor cobrado a mais era dele, por isso, a explicação mais provável é a de que o administrador tivesse renunciado à parte que lhe cabia na venda dos produtos.

Ao baixar os valores das dívidas, o administrador estava mantendo a parte que cabia ao patrão e abrindo mão do excedente, que era o seu próprio lucro. Com essa atitude simpática, fazia amigos e preparava caminho para seu bem estar futuro e, até mesmo, para um provável emprego. 

Jesus disse que o patrão elogiou a esperteza desse seu empregado, o que significa que ele (o patrão) não se sentiu lesado. Jesus também elogia a atitude do administrador; não por esbanjar os bens do patrão, mas sim, por sua renúncia ao dinheiro, para fazer amigos. É importante lembrar que esse dinheiro era seu, apesar de ser fruto de juros altíssimos.

Nesta parábola Jesus compara os bens materiais aos bens eternos. Diz que grandes coisas estão reservadas para quem administrar bem as pequenas coisas que Deus nos confiou no dia-a-dia. Essas pequenas coisas não nos pertencem, somos meros administradores. Por isso, vamos aplicá-las muito bem porque no final teremos que devolvê-las ao seu Verdadeiro Dono.

Viemos ao mundo sem nada e nada levaremos conosco. Precisamos agir com esperteza, abrir mão da ganância, do lucro exagerado e distribuir. Com esse gesto simpático vamos melhorar o mundo e preparar o nosso futuro.

É impossível servir a Deus e ao mundo. O mundo exige o domínio, as conquistas e a grandeza. Deus pede o desapego, a humildade e o amor. Estamos em uma encruzilhada; ou nos posicionamos com o pensamento do mundo ou atendemos ao pedido de Deus.

Somos livres. Jesus nos deixa estas opções para decidir a quem queremos servir: alternativa (A) = a Deus, ou alternativa (B) = ao dinheiro. No entanto, Jesus faz questão de ressaltar que não existe a alternativa (C), pois é impossível servir a Deus e ao dinheiro.
 (1576)   
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O sentido do Evangelho de hoje encontra-se numa constatação e num conselho de Jesus. Primeiro, a constatação: “Os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios que os filhos da luz”. Depois, o conselho, que, na verdade, é uma exortação: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas”. Que significam estas palavras?
A constatação de Jesus é tristemente real: os pecadores são mais espertos e mais dispostos para o mal, que os cristãos para o bem. Pecadores entusiasmados com o pecado, apóstolos do pecado, divulgadores do pecado... Cristãos sem entusiasmo pelo Evangelho, sem ânimo para a virtude, sem criatividade para crescer no caminho de Deus! Pecadores motivados, cristãos cansados e preguiçosos! Que vergonha! Hoje, como ontem, a constatação de Jesus é verdadeira. Olhemo-nos, olhemos uns para os outros, olhemos para esta Comunidade que, dominicalmente, se reúne para escutar a Palavra e nutrir-se do Corpo do Senhor... Somos dignos da Eucaristia? Sê-lo-emos se nos tornamos testemunhas entusiasmadas e convictas daquele que aqui escutamos, daquele por quem aqui somos alimentados!
Da constatação triste do Senhor, brota sua exortação grave: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas”. Palavras estranhas; à primeira vista, escandalosas... Que significam? Jesus chama o dinheiro de “injusto”. Isto porque o dinheiro, a riqueza, os bens materiais e os bens da inteligência, do sucesso, da fama, ainda que adquiridos com honestidade, são sempre traiçoeiros, sempre perigosos, sempre na iminência de escravizar nosso coração e nos fazer seus prisioneiros. Dinheiro injusto porque sempre nos tenta à injustiça de dar-lhe a honra que é devida somente a Deus e de buscar nele a segurança que somente o Senhor nos pode garantir. Por isso, Jesus chama os bens deste mundo de “dinheiro injusto”... Sempre injusto, porque sempre traiçoeiro, sempre traiçoeiro, porque sempre sedutor! Constantemente corremos o risco de nos embebedar com ele, fazendo dele o fim de nossa existência, nossa segurança e nosso deus... Mas, os bens materiais, em geral, e o dinheiro, em particular, não são maus de modo absolutos... Eles podem ser usados para o bem. Por isso Jesus nos exorta a fazer amigos com eles... Fazemos amigos com nossos bens materiais ou espirituais quando os colocamos não somente ao nosso serviço, mas também ao serviço do crescimento dos irmãos, sobretudo dos mais necessitados. Aí, o dinheiro se torna motivo de libertação, de alegria e de vida para os outros... Aí, então, tornamo-nos amigos dos pobres, que nos receberão de braços abertos na Casa do Pai! Bendito dinheiro, quando nos faz amigos dos pobres e, por meio deles, amigos de Deus! Que o digam os cristãos que foram ricos e se fizeram amigos de Deus porque foram amigos dos pobres! Que o digam santa Brígida da Suécia, santo Henrique da Baviera, são Luís de França, os santos Isabel e Estevão, reis da Hungria, santa Isabel de Portugal e tantos outros, que souberam colocar seus bens a serviço de Deus e dos irmãos! Uma coisa é certa: é impossível ser amigo de Deus não sendo amigo dos pobres. Sobre isso o Senhor nos adverte duramente na primeira leitura: ai dos que celebram as festas religiosas dos sábados e das luas novas em honra do Senhor com o pensamento de, no dia seguinte, roubar, explorar o pobre e pisar o fraco! Maldita prática religiosa, esta! A queixa do Senhor é profunda, sua sentença é terrível. Ouçamos o que ele diz, e tremamos: “Por causa da soberba de Jacó, o Senhor jurou: ‘Nunca mais esquecerei o que eles fizeram!’” A verdade é que não podemos usar nossos bens como se Deus não existisse e não nos mostrasse os irmãos necessitados, como também não podemos adorar a Deus como se não tivéssemos dinheiro e outros bens materiais ou da inteligência, bens que devem ser colocados debaixo do senhorio de Cristo! Não se pode separar nossa relação com Deus do modo como usamos os nossos bens! Ou as duas vão juntas, ou a nossa religião é falsa! Por isso, perguntemo-nos hoje: como uso os bens materiais, como uso meus talentos, como uso minha inteligência? Somente para mim? Ou sei colocar-me a serviço, fazendo de minha vida uma partilha, tornando outros felizes e o nome de Deus honrado?
Os bens deste mundo são pouco, em relação com os bens eternos que o Senhor nos promete para sempre. Pois bem, escutemos o que diz o nosso Salvador: “Quem é fiel nas pequenas coisas, também é fiel nas grandes. Se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso?" Em outras palavras, para que ninguém tenha a desculpa de dizer que não compreendeu o que o Senhor quis dizer: Quem é fiel nas coisas pequenas deste mundo, será fiel nas coisas grandes que o Pai dará no céu. Se vós não sois fiéis no uso dos bens desta vida, como Deus vos confiará a vida eterna, que é o verdadeiro bem? E se não sois fiéis nos bens que não são vossos para sempre, como Deus vos confiará aquilo que é o verdadeiro bem, a vida eterna, que será vossa para sempre?
Olhemos nós, que o modo de nos relacionarmos com o dinheiro e demais bens diz muito do que nós somos, afinal o nosso tesouro está onde está nosso coração! Dizei-me onde anda o vosso coração, o vosso apego, a vossa preocupação, e eu vos direi qual é o tesouro da vossa vida! Tristes de nós quando o nosso tesouro não for unicamente Deus! Tristes de nós quando, por amor ao que passa, perdemos a Deus, o único Bem que não passa! Uma coisa é certa: a advertência duríssima de Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores. Vós não podereis servir a Deus e ao dinheiro!”
Que nos converta a misericórdia de Deus, que sendo tão bom, “quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. A ele a glória para sempre.
dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com
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Servir a Deus ou ao deus dinheiro? Quando a economia não gera vida.
Quem não se lembra do tema da Campanha da Fraternidade deste ano: Economia e vida? O seu lema: “não podeis servir a Deus e ao Dinheiro” aparece em nosso evangelho de hoje, no versículo 13. Na primeira leitura, o profeta Amós age duramente com os ricos exploradores que compram o fraco com prata e o indigente por um par de sandálias (8,6). No evangelho, o cristão é chamado a ser discípulo, o que implica romper com todas as formas de uso dos bens que geram injustiças. Nada de ganância e usura. Nessa mesma linha de pensamento, a segunda leitura mostra a oração como forma de resistir à perseguição e à economia romana que tiram a vida. Reflitamos, pois, sobre o alcance da economia que gera a vida e o serviço ao Deus da vida.
1. leitura (Am. 8,4-7): a falsa medida dos ricos e o par de sandálias dos pobres
A primeira leitura é um oráculo de juízo, possivelmente dos discípulos de Amós, aquele camponês pobre do sul, de Judá, que lá pelo ano 760 a.E.C. assumiu a difícil missão de ser profeta no norte do país, Israel, no tempo do rei Jeroboão II. O país que havia vivido uma situação econômica favorável passa a ter nos seus líderes e comerciantes uma situação insuportável aos olhos de Deus: a exploração dos pobres. Para Amós, essa atitude decretava o fim do povo eleito. O desejo dos comerciantes era o lucro indevido, vendendo até o refugo dos cereais, violando a balança. Para eles, não importavam as festas religiosas, lua nova e sábado, oportunidades em que todos podiam celebrar e descansar (1Sm. 20,5; Is 1,13s; Os. 2,13; Jr. 17,21-27; Ne. 13,15-22; Ex. 35,3). Eles se perguntavam pelo fim da lua nova para vender o trigo. E o que é pior: “Quando vai passar o Sábado, para abrirmos o armazém, para diminuir as medidas, aumentar o peso e viciar a balança, para comprar os pobres por dinheiro, o necessitado por um par de sandálias, e vender o refugo do trigo?” (vv. 5-6).
O indigente é comprado por um par de sandálias. Esse crime de Israel já fora denunciado pelo profeta (Am. 2,6). Até o ser humano é objeto de negócios ilícitos. Todo ser humano busca a sua sobrevivência. Na relação com as pessoas, ele adquire bens. Pessoas e bens estão entrelaçados. No entanto, o bem econômico não pode ser adquirido sob a condição de que o outro seja lesado em sua dignidade. A injustiça, desse modo, nasce do desejo e da prática que mantêm o outro na pobreza. A sandália é um objeto de primeira necessidade para o indigente. Há uma ganância e exploração despropositadas dos pobres (vv. 4 e 6). Ganância que leva os comerciantes a falsear a balança. Para Amós, o juízo divino será implacável com Israel. Deus não se esquecerá dessa atitude de seu povo.
O motivo de tamanha ira divina é o fato de a religião ser usada para justificar a opressão social e econômica de Israel, o povo eleito por Deus para ser sua testemunha de santificação no mundo. O povo aguardava ansioso o “dia do Senhor”. Muitos diziam que ele seria de bonança e de glória para Israel. O profeta Amós, ao contrário, afirmava que esse dia seria terrível, de destruição e exílio para os pretensos religiosos corruptos, seus compatriotas, que, fazendo injustiças contra os pobres, atingiam o próprio Deus, o defensor e pai dos pobres. Imagine se o povo estava gostando de tal proposta? Claro que não. Estamos, pois, diante de um juízo divino, que também aparece no evangelho, que veremos a seguir.
Evangelho (Lc. 16,1-13)
Uma estranha parábola de um esperto administrador. Deus versus Dinheiro
Dando continuidade ao tema da economia da primeira leitura, estamos diante de uma parábola própria da comunidade de Lucas, a do administrador infiel que, vendo que estava prestes a ser demitido por esbanjar os bens do patrão, resolve bancar o esperto, usando o dinheiro do próprio patrão para fazer amigos, que o ajudariam quando estivesse demitido, isto é, diminuindo o valor da dívida destes para com o seu patrão. A economia está no centro de sua ação. Ele sabe defender o seu lado, mesmo que de forma desonesta. Mas em que consiste a sua desonestidade e o elogio de Jesus? Naquele tempo, a economia do empréstimo funcionava assim: o dono dos bens os confiava a um administrador, que tinha seu pagamento no valor aumentado na mercadoria. Essa prática era vista como normal e permitida. No caso da parábola, o administrador simplesmente se abdicou de seu salário para fazer amigos e preparar “a cama”, caso viesse a perder o emprego. Por outro lado, ele ensina a partilha, deixando de lucrar para servir aos pobres.
Assim, não mais soa estranho no texto o fato de o Senhor, no caso, Jesus, ter elogiado a má ação do administrador. Ele compara os filhos da luz com os do dinheiro, com os quais os primeiros devem aprender: usar da esperteza. E Jesus orienta seus seguidores a fazer uso do dinheiro injusto para fazer amigos, de modo que os amigos possam ajudá-los, quando as dificuldades vierem (v. 9). O ensinamento de Jesus se resume em dizer que todo dinheiro acumulado é fruto da injustiça, assim como é justiça roubar dos ricos para dar aos pobres. Seria um Robin Hood moderno, aquele herói inglês, um fora da lei que vivia na floresta, no século XIII, com seu arco e flecha, roubando dos ricos para dar aos pobres. Por outro lado, os discípulos de Jesus devem fazer o caminho da radicalidade. Seguindo Jesus, eles “perderiam o emprego”, as benesses da vida estabilizada, os privilégios e deveriam ser fiéis ao novo projeto. Nesse sentido, Jesus também chama a atenção para o fato de a fidelidade ser expressa em pequenas coisas. Quem é fiel nas pequenas coisas o é também nas grandes. “E se não somos fiéis no que é dos outros, quem nos dará aquilo que é nosso?” (v. 10). E Jesus conclui o seu discurso com uma afirmativa que é o centro de todo o capítulo dezesseis: “Nenhum empregado pode servir a dois senhores, porque, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (v. 13). Discípulo de Jesus não fica em cima do muro. Na sequência, são citados os fariseus, chamados de amigos do dinheiro, a quem Jesus estava dirigindo a sua pregação (v. 14).
A oposição entre as duas situações antagônicas, amar a Deus ou ao Dinheiro, revela o significado do ensinamento de Jesus. Não creio que Jesus estaria ensinando que o dinheiro não presta e que não precisamos dele. E em outra ocasião, referindo-se a uma moeda com a figura e a inscrição de César, a propósito do pagamento de imposto, Jesus foi categórico: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21). Jesus não está se colocando contra o dinheiro, mas a favor de uma economia que gera a vida. Quando o dinheiro fica acumulado ocorrem duas coisas: ele é fruto de injustiças sociais, assim como vimos na primeira leitura, e gerador de outras situações de não fraternidade, de não partilha, assim como era o ensinamento de Jesus sobre o Reino de Deus.
Os bens não são em si negativos, mas o seu uso absoluto e desequilibrado gera riqueza de um lado e miséria do outro. Bens tornam-se ídolos que, idolatrados, geram fome, desemprego, falta de moradia etc. Uma falsa espiritualidade baseada na economia guia muitos de nós, a espiritualidade dos shopping centers, o prazer vazio de comprar, pensando que estamos adquirindo a felicidade.
Por outro lado, aproximando-se mais uma eleição presidencial, constata-se que as desigualdades sociais têm diminuído. No nosso pobre continente latino-americano, países buscam integração, trabalhadores se unem. A consciência ecológica tem levado muitos a mudar de atitudes em relação ao nosso planeta. Tudo isso, no entanto, é pouco diante dos grandes desafios da economia injusta que impera em nosso país.
2º leitura (1Tm. 2,1-8)
Rezar pelos governantes, por causa de nossa serenidade, e servindo a Deus
Ao escrever à comunidade de Timóteo, Paulo, retomando o papel salvífico universal de Jesus Cristo, ensina a importância da oração na comunidade cristã. A novidade da oração cristã, apresentada por Paulo, é que ela seja realizada sem ira e discussões, com mãos limpas (v. 8), e ele pede que todos rezem, seja em forma de pedidos, orações, súplicas ou ações de graças (v. 1). E o que é mais importante, a oração deve ser para todos, também para os governantes, os que exercem autoridade. Até mesmo o imperador romano, que se julgava deus, precisava de oração para governar com sabedoria, coisa que não ocorria. Os judeus ensinavam que a oração deveria ser voltada para os seus conterrâneos, os israelitas. Paulo vai além desse preceito.
Os judeus tinham também uma oração de dezoito bênçãos. Uma delas, a décima segunda, dizia: “Não haja esperança para os heréticos e caluniadores, e pereçam todos num instante. Todos os teus inimigos sejam imediatamente destruídos, e tu, humilha-os imediatamente em nossos dias. Bendito sejas, Senhor, que despedaças os inimigos e humilhas os soberbos”. Essa oração, composta por volta do ano 95 a 100 E.C., na cidade de Jammia – quando os judeus fecharam a sua lista de livros inspirados da Bíblia, tinha um endereço certo: os cristãos, que haviam seguido outro caminho, deixando Jerusalém para levar a fé no judeu Jesus ressuscitado a todos os povos.
Paulo também ensina que a oração nos confere serenidade. Rezemos para que tenhamos “uma vida calma e serena, com toda a piedade e dignidade” (v. 2). Diante das perseguições romanas, os cristãos são chamados à oração. Diante da economia romana que causava miséria para muitos e riqueza para poucos, os cristãos são chamados à oração que foca Jesus, o salvador de toda a humanidade.
A reflexão de Paulo, nessa carta a Timóteo, ilumina a temática das outras leituras de hoje. Os nossos governantes e lideranças precisam da oração da comunidade para agir com sabedoria. A oração é reflexo do nosso serviço a Deus. Economia que gera vida é o que esperamos todos. Pensemos nisso na hora de exercer a nossa cidadania por meio do voto.
PISTAS PARA REFLEXÃO
O exemplo do administrador infiel serve para nos levar a perguntar pela nossa condição de pessoas decididas a tomar uma atitude em nossas vidas. Somos inertes diante das dificuldades ou somos corajosos? Estamos decididos a ser radicais como o administrador do evangelho?
Diante da temática suscitada nas leituras de hoje, perguntemo-nos como agimos com o dinheiro. Ele serve para nos oferecer condições dignas de vida ou para acumular nossas falsas riquezas? Amamos a Deus, a vida partilhada, ou o dinheiro, o acúmulo desnecessário? Usamos tudo que temos?
Como está a nossa vida de oração? Pensamos mais no ter e aparecer ou no nosso ser de forma íntegra? Deus é o centro de nossas vidas ou somos mais um da espiritualidade dos shopping centers? A nossa oração tem dimensão política e social? Somos capazes de votar em candidatos que defendem o acúmulo de bens nas mãos de poucos? Conhecemos a vida de nossos candidatos, ao decidirmos o nosso voto?
frei Jacir de Freitas Farias, ofm - www.paulus.com.br
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“Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor. Se clamar por mim em qualquer provação, eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre”.
A Liturgia de hoje nos apresenta o bom uso das riquezas. Mais do que o bom uso das riquezas nos ensina o dom do DESAPEGO. Não podemos ter a mesma sistemática do mundo que vivemos, na divisão entre pobres e ricos.
O anúncio do Reino de Deus, do seu amor que salva, é feito num mundo dividido entre ricos e pobres. O anúncio é que revoluciona a ordem social, combatendo uma falsa religião que oculta a injustiça. Muitos hoje procuram estas seitas que não querem denunciar a injustiça, mas que prometem uma vida fácil e que não gera compromisso solidário e constrói a única riqueza que devemos almejar: a FRATERNIDADE.
A missa de hoje nos coloca dentro de uma nova perspectiva: toda decisão que não termina no amor está errada na raiz. Fazer amigos significa procurar, no uso do bens, uma realização horizontal, entre irmãos, e não vertical, de alto para baixo.
A primeira leitura (cf. Am. 8,4-7) apresenta a denúncia da riqueza injusta e opressão. Amós denuncia a injustiça institucionalizada do século VIII a.C. Naquele  contexto uns poucos tinham tudo e quase todos têm quase nada. O pecado dos “poucos” não é contra tal ou tal mandamento. O pecado dos “poucos” é a sua atitude global que é pecaminosa, caricatura da justiça e da misericórdia de Deus e daquilo que Deus espera de seu povo. O profeta, destemido como todo homem de Deus, denuncia que os ricos se tornam sempre mais ricos e os pobres sempre mais pobres. A riqueza somente tem sentido se o dinheiro não é o centro de sua vida, mas o meio ordinário de você, com seus bens e dons, colocar o que tem em favor dos irmãos.
A segunda leitura (cf. 1Tm. 2,1-8) nos apresenta a comunidade orante. A carta fala das questões ligadas ao culto, que consiste em petição, adoração, intercessão e ação de graças, tudo ao mesmo tempo. Todos precisam da súplica e devem agradecer, pois que a todos Jesus salvou, mediador único, dado em resgate por nós. Esta é a verdade que salva. A comunidade está diante de Deus rezando e agradecendo por todos, elevando as suas mãos, purificadas pela prática da caridade, como as mãos do Crucificado.
O Evangelho de hoje (cf. Lc. 16,1-13 ou 16,10-13) nos fala que é incompatível servir a Deus e ao dinheiro concomitantemente. Temos muitos fiéis que observam tudo o que diz respeito ao culto divino e a disciplina dos santos sacramentos. Entretanto estão muito longe de Deus, o Salvador. Assim foi no Antigo Testamento: os judeus observavam a “lua nova” – festa religiosa tradicional no antigo Israel – e o sábado, mas interiormente pensam em como explorar os pobres e os oprimidos, com uma avareza sem fim: até o refugo do trigo sabem converter em lucro, conforme nos ensinou a primeira leitura. O que adianta participar de cultos e cumprir as orações se o fiel não tem um coração aberto para Deus e para o irmão? E, qual é a nossa atitude em favor dos oprimidos? Deus levantará os oprimidos e os colocará em lugar de destaque na vida eterna.
Jesus coloca hoje o cristão diante do tema da riqueza, depois de ter falado no domingo passado da misericórdia. O tema tem sido de grande atualidade em todas as gerações e em todas as culturas. Não se pode dizer que os bens e as riquezas sejam más em si mesma, porque são dons de Deus. O problema está no seu uso e no fato de as riquezas, geralmente, prenderem as criaturas de tal maneira que se esquecem dos bens melhores, que são os espirituais.
Assim o cristão deve saber usar as coisas que passam em função das coisas eternas. A riqueza passa, mas a vida eterna permanece.
A parábola de hoje é a parábola do administrador tido como “esperto” aos olhos dos financistas. Esperto é aquele que tem a lucidez de perceber a gravidade de uma situação, a rapidez em encontrar uma boa solução e a coragem de tomar decisões certas. Ora, essas eram exatamente as qualidades que Jesus pedia dos discípulos em todas as situações, mas, no Evangelho de hoje, sobretudo diante do forte apego aos bens materiais e da necessidade de tudo deixar para seguir a Jesus, ao Calvário e à Ressurreição.
Ser rico não é pecado. Ser apegado que é uma falta grave. Mas grave, ainda, é o materialismo que é o apego exagerado às coisas materiais, ao dinheiro, ao prazer, ao luxo e ao dinheiro. Isso se chama materialismo e é um câncer na sociedade moderna. Não podemos odiar os bens, porque são criaturas de Deus, e isso seria odiar as criaturas de Deus. Quem despreza os bens que Deus criou despreza o próprio Deus. A lição de Jesus hoje está no nosso relacionamento com os bens.
O Criador é a nossa única origem e o nosso único destino: a TRINDADE. Fomos feitos por Deus e para Deus. Somos dele. Somos propriedade de Deus. A razão e a vontade que dele recebemos não nos dá o direito de esquecer que ele é o único Senhor de nossas vidas. Se esquecemos a Deus nós pecamos gravemente.
As Escrituras nos ensina que devemos amar a Deus acima de todas as coisas. O serviço a deus e o serviço ao dinheiro tem lógicas diferentes de ação: o serviço a Deus se move no plano do amor, da doação, da generosa fraternidade; o serviço ao dinheiro, no plano do proveito próprio, da competição, do ter e do dominar.
Nós não podemos ter dois deuses: o Deus que nos criou e ao qual pertencemos, e alguma criatura – saída da mão de Deus – que encontramos ao longo do caminho, criatura animada e racional ou criatura inanimada como o dinheiro. O pecado está em transformar uma criatura em Criador.
Jesus nos ensina, ainda, a sermos desapegados, generosos e caridosos para com os pobres e desvalidos da sociedade. Por isso todos nós somos convidados a sermos fiéis nas coisas pequenas e nas coisas grandes. Uma maneira de dizer que devemos ser fiéis sempre a Deus, o sumo Bem, mas que se manifesta tanto em coisas pequenas quanto em coisas grandes. Ser fiel a Deus em certos momentos insignificantes é, de certa forma, garantia de que o sermos nos grandes momentos da vida.
Na segunda leitura continua a reflexão de Paulo em torno do anúncio da reconciliação, que lhe foi incumbido entre os gentios. Neste espírito, insiste na oração da comunidade, oração de agradecimento e intercessão pelos homens. Nós devemos traduzir nossa busca de unidade e reconciliação, tornando-nos mediadores de todos, assim como Cristo reconciliou a todos, tornando-se mediador, por sua morte salvadora.
Vamos, pois, dar graças pelo bem que se realiza através dos bens materiais e peçamos para que no Brasil haja mais honestidade na administração dos bens, a fim de que, por meio deles, se possa promover a vida de todos e a superação da miséria e da fome para que todos tenham vida e vida em abundância.
Infelizmente o dinheiro, símbolo das coisas e do poder, é instrumento de divisão e de luta; deve tornar-se instrumento de comunhão entre os filhos de Deus, de amizade, de igualdade. Jamais o dinheiro seja veículo de guerra, de discriminação ou de opressão. Para que o dinheiro seja bem distribuído mister se faz comunidade na produção, na distribuição e no consumo. Já a pobreza dos que têm bens, e não são despojados consiste em usar os seus bens para criar amizades e comunicar-se com os homens. Por isso que os cristãos sejam generosos e no amor e na partilha façam acontecer o Reino de Justiça e de Paz, que nos ensina a virtude do DESAPEGO e a virtude da PARTILHA.
padre Wagner Augusto Portugal - www.catequisar.com.br
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“Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro”
As palavras do profeta Amós (1º leitura) e aquelas de Jesus nos convidam a refletir sobre a amarga realidade das coisas que hoje em dia é muito difícil poder fugir e na qual nos encontramos continuamente lutando contra todo tipo de manifestação sua: a realidade da injustiça, da maldade, da corrupção, da desonestidade. Ora, se a própria Bíblia cita em vários livros episódios de opressão, de exploração, é porque esta sempre foi uma constante na história da humanidade e não é de se admirar que ainda hoje experimentemos algo igual.
Estranhamente, no Evangelho de hoje, Jesus se utiliza de uma pessoa corrupta para ensinar algo útil para nossa vida de cristãos. Mas como é possível ser elogiado um homem que se apropria indevidamente de bens alheios e faz amigos à custa do patrão?
“Havia um homem rico que tinha um administrador, e este foi acusado...”: é assim que começa a parábola do Evangelho deste domingo, o relato de um administrador que, durante anos, cometia fraudes contra o seu patrão, até que não conseguiu mais. É uma história que se repete desde há muito tempo até hoje, semelhante a tantas histórias dos nossos dias que continuamente lemos nos cotidianos e escutamos nos telejornais: histórias de fraudes e furtos, arquitetadas com perfeição, por pessoas, talvez muito notáveis, que roubam grandes quantias de dinheiro, prejudicando grandes e pequenos. Não é uma novidade, e digamos logo, nem mesmo é raro: tá cada vez mais comum ouvir e ver casos assim; mas sempre chega o momento da verdade, quando descobertas as fraudes, começa a caça ao ladrão, que obviamente, nunca está sozinho e faz de tudo pra escapar. Desonestidade, engano, fraude: é a lógica do “mundo”, a lógica dos espertalhões que não têm escrúpulos em enriquecer às custas dos principalmente mais pobres; contra essa lógica, só aparentemente vencedora, a liturgia propõe novamente as palavras duras do profeta Amós, o “pastor, cultivador de sicômoros” chamado por Deus a admoestar todos, pertencentes às altas classes da cidade da Samaria que exploravam os pobres e oprimiam os fracos.
A parábola fala precisamente de um homem rico que soube que seu empregado estava lhe roubando, e, por isso, ele exige uma prestação de contas antes de demitir tal empregado; este, por sua vez, com muita esperteza, raciocina: ‘vou ser demitido, não tenho como me defender. Como vou me sustentar? Não posso encarar um trabalho braçal e tenho vergonha de pedir esmolas. Já sei o que vou fazer. Vou diminuir as dívidas que as pessoas têm com meu patrão; assim, elas ficam me devendo este favor e por isso, vão me ajudar com algo enquanto eu estiver desempregado’.
Muito espertinho o empregado! Na época, a cobrança de juros era proibida pela Lei, assim, para obter o máximo dos outros, os vendedores diminuíam medidas para ganhar mais, aumentavam pesos quando vendiam, adulteravam balanças, compravam os pobres com um par de sandálias (ou hoje com uma prótese dentária ou um exame de vista), nada diferente do que existe por aí em todos os âmbitos da sociedade. Então, aquele empregado resolve reduzir as contas devidas ao seu valor real, perdendo os juros para o patrão e fazendo amigos para si mesmo. Usou o presente para providenciar o futuro.
Jesus com esta parábola constata: “realmente, os filhos 'deste mundo' são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”. Somo filhos da luz, seguimos a luz do mundo que é Jesus; mas, muitas vezes, como cristãos, nos faltam a prontidão e o zelo daquele administrador da parábola em vez de ficarmos nos lamentando e reclamando.
Por isso, Jesus com base nessa verdade, dá três orientações com relação ao uso do dinheiro. Primeiramente, que devemos usar o dinheiro em favor do nosso próximo. Os bens que Deus confia a nossa administração não devem ser gastos de maneira egoística em vista de uma “boa vida”, mas devem ser usados conforme à vontade de Deus. Ou seja, sendo uma bênção para o outro. Jesus fala de dinheiro, mas aí devemos incluir tudo o que é bem terreno: as nossas capacidades, talentos, educação recebida etc. Tudo deve ser administrado fielmente e não pode ser esbanjado para engrandecer a nós mesmos e para o bem da nossa pessoa. A maneira como nos relacionarmos com o dinheiro contará muito para o nosso bem espiritual.
Em segundo lugar, ele nos ensinou que em tudo o que fizermos devemos ter bem claro na mente a honestidade: quem é fiel, quem é honesto no pouco, será no grande. Quem é desonesto nas pequenas coisas, também o será nas grandes; não podemos nos enganar e pensar que nas grandes coisas nos comportaremos de modo diferente. É como quando conseguimos um emprego de vendedor numa loja. Somente, se o patrão estiver seguro da nossa honestidade nas pequenas coisas, ele nos eleva de cargo. Até mesmo nas mínimas coisas da nossa vida, devemos ser honestos, principalmente com Deus.
Por fim, Jesus nos alerta para o perigo do dinheiro atrapalhar a nossa relação com Deus. Pois, estando envolvidos somente com lucro, corremos o risco de o colocarmos no lugar de Deus, já que não se pode servir ao mesmo tempo a dois senhores.
Às vezes, pensamos que ser cristãos significa ser ingênuos; que o cristão deve rejeitar as espertezas do mundo, deve opor-se aos compromissos do mundo e às astúcias da sociedade, deve evitar a ambiguidade e a vida dupla dos prepotentes: numa palavra deve ser simples. É! Mas devemos entender que não podemos ser ingênuos. Jesus não elogia quem age de maneira desonesta, mas ele nos convida a usarmos da esperteza como aquele empregado desonesto que viu que aqueles bens estavam prestes a acabar e se tocou que com eles poderia buscar valores mais duradouros, como os amigos que fazemos quando praticamos o amor ao próximo.
Não podemos servir absolutamente a dois senhores, devemos escolher: ou Cristo ou o dinheiro; e é uma escolha radical, uma escolha urgente, ontem e hoje mais do que ontem, exatamente porque no nosso tempo, prevalece a cultura do ter e a mentalidade que vale mais quem tem. Portanto, não podemos nos intitularmos cristãos e seguir a lógica do mundo, não podemos nos considerar discípulos de Cristo e viver de um egoísmo ávido e insaciável. O ser discípulo de Cristo, não admite compromissos nem acomodações; e se, como filhos da luz, escolhemos segui-lo, como Ele devemos fazer-nos dom de amor ao próximo, aquele próximo que um dia nos acolherá nas moradas eternas.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento - www.pecarlos.blogspot.com

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Dois Senhores
Vivemos numa sociedade globalizada, em que o dinheiro parece mandar em tudo e é procurado a qualquer custo. Para muita gente, ter dinheiro significa poder e prestígio... Qual deve ser a atitude cristã diante das riquezas?
Na 1º leitura, Amós denuncia os ricos comerciantes do seu tempo, que exploravam nas mercadorias e nos preços os pobres camponeses. Nem respeitavam os "dias santos" para celebrar e descansar. O profeta os adverte que Deus não ficará impassível diante disso: "Não esquecerei nenhum de vossos atos..." (Am. 8,4-7) Essa exploração descrita por Amós não é um fato apenas do passado. É uma realidade que os pobres conhecem muito bem ainda hoje. A exploração e o lucro desmedido não fazem parte do projeto de Deus...
Na 2ª leitura, Paulo convida a uma oração universal, elevando ao céu "mãos puras", em favor de todos os homens. A oração só tem sentido se for expressão de uma vida de comunhão, com Deus e com os irmãos. (1Tm. 2,1-8)
No Evangelho, Cristo conta a parábola do administrador infiel, que ao ser despedido, reduz o valor das dívidas dos devedores para garantir futuros amigos. (Lc. 16,1-13) À primeira vista, poderia dar a impressão de que Jesus elogia a desonestidade e a corrupção do administrador. Para compreender o ensinamento do Mestre, devemos nos situar no tempo. Naquela época, os administradores deviam entregar ao empresário uma determinada quantia; o que conseguissem a mais ficava com eles. O que fez o administrador? Renunciou ao que lhe cabia nos negócios. Ele entendeu que, no futuro, mais do que dinheiro, precisava de amigos. Por isso, renunciou ao dinheiro, para conquistar amigos.
 A "esperteza" do administrador revela a criatividade, que falta aos "filhos da luz". Devemos também ser "espertos", fazendo uso dos meios disponíveis, para tornar sempre atual a mensagem de Cristo.
A busca desenfreada pelo dinheiro continua... O dinheiro é o deus de muita gente, que está disposta a tudo desde que faça crescer a conta bancária. Para ganhar mais dinheiro, há quem trabalha doze ou quinze horas por dia, num ritmo de escravo, e esquece de Deus, da família, dos amigos e até própria de saúde;
- por dinheiro, há quem vende a sua dignidade, a sua consciência e renuncia a princípios em que acredita;
- por dinheiro, há quem não tem escrúpulos em sacrificar a vida ou o nome dos seus irmãos;
- por dinheiro, há quem é injusto, explora os operários, se recusa a pagar um salário justo... Talvez nunca cheguemos a estes casos extremos;   mas, até onde seríamos capazes de ir, por causa do dinheiro? A adoração ao "deus dinheiro" não é o caminho mais seguro para construir valores duradouros, geradores de vida e de felicidade.
Jesus não quer dizer que o dinheiro seja uma coisa desprezível e imoral, do qual devamos fugir a todo o custo. O dinheiro é necessário para uma vida com qualidade e dignidade. Mas ele não pode se tornar uma obsessão, uma escravidão, pois não nos assegura (e muitas vezes até perturba) a conquista dos valores duradouros e da vida plena.
O dinheiro é um "ídolo tirano", que nos escraviza e nos torna insensíveis a Deus e às necessidades dos outros.
Jesus conclui com sentenças sobre o bom uso das riquezas: "Ninguém pode servir a dois senhores... a Deus e ao Dinheiro..."
Deus e o dinheiro representam mundos contraditórios. Os discípulos são convidados a fazer a sua escolha entre o mundo do dinheiro (de egoísmo, interesses, exploração, injustiça) e o mundo do Amor (da doação, da partilha, da fraternidade).
As riquezas não devem ser obstáculo à Salvação, mas um meio para fazer amigos "nas moradas eternas." Um instrumento de comunhão entre as pessoas, de amizade, de igualdade... Não servir ao dinheiro, mas nos servir do dinheiro para servir a Deus e aos irmãos.
Honestidade tanto nos grandes como pequenos negócios, porque quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, quem é infiel no pouco, também é infiel no muito. Quem não é fiel nas riquezas terrenas (no pouco), também não é fiel nas riquezas eternas (no muito).
Qual é a nossa atitude diante dos bens terrenos? Só Deus é o dono de tudo o que existe... Nós somos apenas administradores. A qualquer momento, Cristo poderá também nos dizer: "Presta conta da tua administração!" Como estamos administrando? Já garantimos a nossa morada eterna?
padre Antônio Geraldo Dalla Costa - buscandonovasaguas.com
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Dinheiro: de símbolo de divisão a instrumento de comunhão quando
Deus é o centro da vida
A parábola que Jesus nos apresenta hoje é comumente conhecida como “o administrador infiel”.  Uma pessoa infiel ou desonesta não é modelo para ser seguido. Então, podemos nos perguntar, por que esse administrador é colocado como exemplo? Porque a centralidade está em sua esperteza e não em sua desonestidade ou infidelidade. Assim, seria melhor chamar a parábola de “o administrador esperto”.
Um administrador tinha a responsabilidade de gerenciar os bens do patrão, mas ao mesmo tempo tinha liberdade para fazê-lo. Com isso, fazia empréstimos a altos juros e daí provinha a sua recompensa. Ao chamar os devedores do seu patrão ele retira parte da dívida. Ele renuncia, assim, à parte que lhe cabe para ganhar um amigo. Portanto, O administrador foi esperto porque soube aproveitar do dinheiro que receberia dos devedores de seu patrão para garantir o seu futuro. Como ele seria despedido e não sabia o que fazer para sobreviver, certamente precisaria de amigos. Por isso ele é elogiado, como conclui Jesus: “os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”. O dinheiro traz divisão, guerras, desejo de poder e tantas outras coisas negativas que acaba se tornando um ídolo.  Mas ele também pode ser usado de forma que gere comunhão e partilha, isto é, uma nova economia. Os filhos da luz não são convidados a agir com infidelidade ou desonestidade, mas a administrar com esperteza os bens que lhe são confiados. O dinheiro não deve se tornar um ídolo, mas deve se tornar fonte de partilha, onde nenhum membro da comunidade e principalmente os mais pobres passem necessidades. Esses são os verdadeiros amigos que se pode conquistar. O administrador tinha medo de não ter a ajuda de ninguém, por isso queria ganhar amigos. O cristão deve partilhar ou ajudar alguém não por medo de não ser salvo, mas por ter a consciência de que o desejo de Deus é que todos tenham vida e, se acreditamos no Deus da vida, somos chamados e chamadas a agir como Ele, com amor gratuito.
Talvez estejamos cansados de ouvir em nossas reflexões sobre as eleições que se aproximam, mas os textos de hoje são propícios para uma atualização. Temos que estar atentos ao que os candidatos andam prometendo para “ganhar” amigos e, com isso, seus votos. E também prestar atenção para não fazermos uma interpretação equivocada do evangelho para justificar os atos de tantos políticos desonestos e infiéis como se isto fosse bom aos olhos de Deus. Muitos deles apenas querem se aproveitar das situações de miséria e de pobreza que vive a maioria de nosso povo para enriquecer com o dinheiro que não lhes pertencem. Ao invés de representar o povo se aproveita dele. Na primeira leitura há uma crítica direta contra os que exploram os pobres retirando até mesmo o que eles têm de necessário para viver e o que é deles por direito. Aqueles que quanto mais têm mais querem são chamados a enxergar a realidade, pois onde há muita sobra é sinal de que está faltando o necessário para alguém.
As palavras finais do evangelho de hoje são radicais: “vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Não dá para servir a Deus e ao mesmo tempo ter o dinheiro como um ídolo. Este é o lema da Campanha da Fraternidade deste ano. Uma verdadeira comunidade vive uma verdadeira solidariedade, onde o dinheiro é posto a serviço dos mais necessitados e não o contrário.
irmã Sueli da cruz Pereira - www.homilia.com.br
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Neste vigésimo quinto domingo do tempo comum, em face da realidade do mundo em que vivemos, nos encontramos diante das incertezas da vida, através da qual Deus nos confiou a administração de seus bens e hoje, portanto, ele nos convida a prestar contas. Porém, cabe aqui um questionamento: Que tipo de bens Deus nos confiou e como os temos administrado? A vida nos oferece inúmeras fórmulas de comportamento diante das regras que nos foi estabelecida pelo próprio Deus. Nesse sentido, qual tem sido nosso comportamento, nossas ações e palavras para o crescimento do Reino? Compactuamos com as atitudes desonestas em proveito próprio e em detrimento dos outros? Somos espertos para o Reino de Deus ou para o reino dos homens? Lembremos-nos da Campanha da Fraternidade: Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro. Portanto, hoje, somos convidados a fazer uma opção radical que poderá nos apontar o verdadeiro caminho da conversão.
COMENTÁRIO
Lucas tem como uma de suas características a crítica das riquezas. Logo no início de seu Evangelho, no Cântico de Maria, Deus "derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes, enche de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias" (Lc. 1,52s).
Na parábola de hoje é feita a denúncia do "dinheiro iníquo". Parecem estranhas as imagens de um homem rico e um administrador corrupto nesta parábola. A esperteza do administrador estava em manipular o dinheiro injusto acumulado pelo homem rico, favorecendo aqueles que se tornariam seus amigos.
Infelizmente, ao trazermos este fato para os dias de hoje, podemos ver que o que está acontecendo é exatamente aquilo que é contrário ao Projeto de Deus, ou seja: na realidade em que vivemos somos abordados por pessoas que só querem levar vantagens em tudo que fazem. Em todos os seguimentos sociais e instituições é possível nos depararmos com pessoas inescrupulosas que ainda não descobriram o valor da partilha, da igualdade, da fraternidade, da solidariedade. É duro ter que dizer isso, mas é a pura verdade.
Diante desse pressuposto, pode-se entender que a parábola de Lucas sugere que o dinheiro deve ser usado para fazer amigos; que as riquezas acumuladas por poucos podem ser usadas para o bem de todos, criando laços de amizade. Importante ressaltar que, já nos primeiros séculos da era cristã, os Padres da Igreja denunciavam, de maneira contundente, que toda acumulação de riqueza era fruto da injustiça.
E como temos injustiças em nosso país, a começar pela alta cúpula dos gestores a nível federal que, conforme o bom senso exige, deveriam dar exemplos de exímios administradores para o bem comum. As esferas estadual e municipal optam pela mesma forma de administração que, usando de uma ideologia massificadora e enganadora, transformam a mentira em verdade e, assim, em benefício próprio, vão se enganando e excluindo os filhos de Deus, fazendo prevalecer a injustiça em detrimento da justiça do Reino.
Porém, há que se lembrar que no tempo do profeta Amós, conforme a primeira leitura, vemos também este tipo de denúncia. Aqueles que, à época deste profeta, agiram com desonestidade em relação aos bens do povo, foram severamente punidos e castigados sem piedade, porque a justiça de Deus não falha. Assim sendo, o restabelecimento da justiça se faz pela partilha destas riquezas.
De outro modo, Jesus apresenta a todos uma opção radical: "Não podeis servir a Deus e ao dinheiro", porque Deus nos chamará para prestar contas e, como na primeira leitura, a justiça de Deus não falhará.
Lucas destaca que os fariseus eram "amigos do dinheiro" e, por isso, zombavam de Jesus.
As elites ricas das sociedades de hoje, os administradores políticos, desonestos e inescrupulosos, hábeis em enganar, mentir, usurpar, privilegiar; e suas equipes de governo, com suas habilidades de transformar a Ciência Política em algo intragável e carrasco do povo de Deus, com essas suas atitudes também zombam, condenam e perseguem aqueles que lutam pela partilha dos bens e da terra. Mas eles se esquecem do que está escrito: "Eu andei ouvindo umas coisas a respeito de você. Agora preste contas da sua administração porque você não pode mais continuar como meu administrador."
Assim está escrito, e assim se fará. Então, prevalecerá a Justiça de Deus.
diácono Miguel A. Teodoro - www.teologiafeevida.com.br
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Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro
Hoje o Evangelho nos apresenta a figura do administrador infiel: um homem que se aproveitava do ofício para roubar a seu amo. Era um simples administrador e, atuava como amo. É conveniente que tenhamos presente:
1) Os bens materiais são realidades boas, porque saíram das mãos de Deus. Portanto, os devemos amar.
2) Mas não os podemos “adorar” como se fossem Deus e a finalidade de nossa existência; devemos estar desprendidos deles. As riquezas são para servir a Deus e a nossos irmãos os homens; não devem servir para destronar a Deus do nosso coração e das nossas obras: «Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro» (Lc. 16,13).
3) Não somos os amos dos bens materiais e, sim simples administradores; portanto, não somente devemos conservar, mas também fazê-los produzir ao máximo, dentro de nossas possibilidades. A parábola dos talentos o ensina claramente (cf. Mt. 25,14-30).
4) Não podemos cair na avarícia; devemos praticar a liberalidade, que é una virtude cristã que devemos viver todos, os ricos e os pobres, cada um segundo suas circunstâncias. Devemos dar aos outros!
E se já tenho suficientes bens para cobrir meus gastos? Sim; também você deve se esforçar por multiplicá-los e poder dar mais (paróquia, dioceses, Caritas, apostolado). Lembre as palavras de São Ambrósio: «Não é uma parte de teus bens o que tu dás ao pobre; o que lhe das já lhe pertence. Porque o que foi dado para o uso de todos, tu te apropria. A terra foi dada para todo mundo, e não somente para os ricos».
Você é um egoísta que só pensa em acumular bens materiais para si, como o administrador do Evangelho, mentindo, roubando, praticando a avarícia e a dureza de coração, que lhe impedem comover-se ante as necessidades dos outros? Não pensa freqüentemente nas palavras de São Paulo: «Que cada um dê conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento, pois “Deus ama quem dá com alegria» (2Cor. 9,7) Seja generoso!
d. Xavier Jauset i Clivillé
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Um absurdo escandaloso
A caminho de Jerusalém, Jesus apresenta-nos a parábola do administrador infiel, que é louvado pela sua esperteza. Toda a injustiça é condenável, seja qual for a finalidade, perpetrada através do dinheiro
A liturgia do 25º domingo comum é algo escabrosa. É absurdo e até mesmo escandaloso que se possa louvar um administrador desonesto, como sugere, à primeira vista, o texto do evangelho de Lucas. É indispensável distinguir entre esperteza, também chamada prudência, e desonestidade ou injustiça. De fato é a primeira que é louvada. Ao passo que a segunda é sempre condenável. O “administrador desonesto” é louvado pela prudência usada para sair de uma situação muito crítica e não pela injustiça que comete com bens que não lhe pertencem. Embora confiando na graça de Deus, o cristão deve comportar-se como se tudo dependesse unicamente das suas forças e capacidades. É esta atitude corajosa, sem reservas, permanente que é louvada e exigida a quem se identifica como discípulo de Cristo.
A parábola situa-nos no horizonte escatológico, isto é, do fim dos tempos. Trata-se de dar contas da nossa gestão e, pelos vistos, contas finais. Todo o homem, mais cedo ou mais tarde, deverá apresentar-se diante do tribunal divino para dar contas das suas próprias acções. A vida humana tem limites e, antes ou depois, há-de chegar à última estação, a Deus. Cada um de nós deverá preparar-se e saber como poderá superar favoravelmente este derradeiro passo. “Os filhos deste mundo são espertos no trato de uns com os outros”. Por seu lado, “os filhos da luz” deverão saber usar a mesma esperteza para alcançar a salvação. Um cristão preguiçoso, indolente, de meias tintas, não é digno de Cristo que o conquistou por um preço elevadíssimo.
A nossa parábola desemboca inevitavelmente no dilema: Deus ou o dinheiro. O termo “mamona” vem da língua hebraica e significa patrimônio. Tem no entanto um tom pejorativo. Trata-se de patrimônio alcançado com meios ilícitos. Jesus condena a indecisão dos seus discípulos. Quem alinha com Ele, tem obrigatoriamente de traçar uma fronteira clara. O discípulo de Jesus não pode oscilar cobardemente entre Deus e o dinheiro ou, através de artimanhas e jogos escondidos, manter “boas relações” com Deus e com o “mamona”.
A primeira leitura, do profeta Amos, traz-nos palavras violentas contra aqueles que “dão a volta” aos pobres e os enganam. São palavras atuais contra as injustiças muito concretas do nosso tempo, em que assistimos a um fosso cada vez maior entre ricos e pobres, e a uma fé cansada e morna. Na segunda leitura, Paulo fala-nos da oração cristã, ligada a uma vida conduzida “com toda a piedade e dignidade”. Já nos primeiros tempos da Igreja, exigia-se do orante uma vida coerente, conforme ao Evangelho, “sem ira nem discórdia”.
Elísio Assunção - Fátima missionária
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