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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

26º DOMINGO TEMPO COMUM - ANO C

26º DOMINGO TEMPO COMUM

Ano C

Comentários-Prof.Fernando



Evangelho - Lc 16,19-31

29 de Setembro de 2013


Tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro os males;
agora ele encontra aqui consolo e tu és atormentado.


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        Cuidado! O rico que hoje rega sua boca com finos vinhos, poderá um dia na mansão dos mortos, não ter uma gota de água para refrescar a sua língua... CONTINUA

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IGNORAR O POBRE É IGNORAR O PRÓPRIO JESUS! - Olívia Coutinho

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

29 de Setembro de 2013

Evangelho – Lc 16,19-31

Como filhos e filhas  do mesmo Pai, somos co-responsáveis pela vida dos nossos irmãos, por isto, temos que ter um olhar sensível, diferente, para com os que sofrem. 
A todo instante, pessoas  necessitadas de  ajuda,  desfilam diante dos nossos olhos, são  irmãos nossos, pessoas,  às vezes desprovidas do mínimo necessário para a sua sobrevivência.  E quantas  vezes, nós, que dizemos seguidores de Jesus, tampamos os nossos ouvidos para não ouvir os seus clamores, preferindo ignorá-los, para nos  isentar  de quaisquer responsabilidade sobre  eles. E assim,  vamos  buscando  mil desculpas para justiçar a nossa impassibilidade diante a esta triste realidade, perdendo a oportunidade de construir aqui na terra, a nossa morada no céu!
Um verdadeiro seguidor de Jesus, não pode  ignorar a dura realidade dos irmãos que sofrem, fazendo de conta que a desigualdade não existe. Precisamos  aprender a olhar o irmão com o olhar de Jesus,  um olhar que  não apenas constata  a sua  necessidade, como também, ajuda-o a encontrar o caminho que o possibilitará  uma vida digna.
O Evangelho de hoje, narra a parábola do rico e do Lázaro! Através de uma história, Jesus nos alerta, sobre a importância de cuidarmos bem dos pobres, são eles, os amigos de Deus, que abrirão a porta do céu pára nós!
Podemos perceber nesta parábola, que não é citado o nome do rico, somente o nome  do pobre: "Lázaro," o que vem nos reafirmar que os pobres são os prediletos de Jesus, Ele, os conhece pelo nome! 
 O rico desta parábola, não maltratava Lázaro, (o pobre), ele simplesmente o ignorava, perdendo a oportunidade de alcançar, através da sua ajuda à Lázaro, a vida eterna. A sua condenação, não foi pelo fato de ser rico, e sim, pelo bem que ele deixou de fazer.
Podemos comparar o rico desta história, com a elite da sociedade de hoje: nossos governantes, os responsáveis pela distribuição de renda e podemos comparar também, com todos aqueles  que se dizem cristãos, mas  que não tem compromisso com o evangelho, que ignoram o que é de mais precioso para Deus: os pequeninos, os pobres!
O Lázaro, representa o povo ignorado, sofrido e oprimido. Existem muitos Lázaros espalhados pelo mundo afora, passando fome, sedentos de amor, morrendo nas portas dos hospitais sem atendimento médico, e o pior, diante dos olhares insensíveis daqueles que poderiam ajudá-los .  
Outra coisa que deve  chamar a nossa atenção nesta história, é que Lázaro, mesmo sendo pobre, sobrevivendo das migalhas que caía da mesa do rico, não reclamava da vida, o que nos mostra, que ele tinha total confiança  na promessa de Deus, promessa, que se concretizou com o seu acolhimento no céu!
A parábola nos diz claramente que é impossível transpor o abismo que separa o inferno do paraíso. A ponte que nos liga ao céu, deve ser construída aqui na terra, no aqui e no agora, através de nossos  gestos concretos, depois que partirmos deste mundo, será tarde demais!
Não  esperemos,  que o pobre venha até a nós, para que possamos ajudá-lo, a exemplo de Jesus,  devemos ir até ele, certificar de suas necessidades, conhecer a sua história, demonstrar interesse por ele. A fome do pobre, nem  sempre é de pão, muitas  vezes, a sua fome, é fome  de amor!
O conceito de pobre e rico para Jesus é diferente do nosso conceito, para nós, pobre, é todo aquele que não possui bens, e rico, é todo aquele que possui muitos bens. Enquanto que para Jesus, podre, é todo aquele que se esvazia de si mesmo, para se tornar dependente da graça de  Deus, independente dele ter ou não ter bens materiais. Já o rico para Jesus, é todo aquele que acumula bens, que se fecha em si mesmo, que não sente necessitado de Deus. Por tanto, aos olhos de Jesus, existem pobres de bens materiais que são ricos em ganância e soberba, e ricos, que  são pobre, porque se esvaziam de si mesmos  para se tornarem dependentes de Deus.
 É bom tomarmos consciência de que no nosso julgamento final,  seremos cobrados pelo bem que deixamos de fazer!
No pobre está estampado o semblante de Jesus!
Ignorá-lo, é ignorar o próprio Jesus!


FIQUE NA PAZ DE JESUS – Olívia

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As leituras deste domingo estão em sintonia com aquelas do domingo anterior, quando reforçam o tema da economia na ótica da justiça social. Amós tece duras críticas contra a classe dominante, os ricos de Israel e de Judá. A comunidade de Lucas faz memória do ensinamento de Jesus sobre o rico avarento e o pobre Lázaro. Dois opostos insuportáveis aos olhos de Deus, e isso deve ser a nossa bússola de orientação nesses dias que antecedem as eleições. Saber escolher os nossos governantes é fundamental para a realização de uma sociedade justa e fraterna.
Neste último domingo do mês de setembro, também não podemos nos esquecer do dia dedicado à Bíblia. Ela que é a carta magna da fé judaica e cristã. O substantivo Bíblia nos remete a um outro, biblioteca. É isso mesmo. A Bíblia é uma biblioteca composta de livros, os quais fazem parte de uma literatura que levou séculos para ser escrita. Parafraseando o grande mestre da leitura popular da Bíblia, frei Carlos Mesters, a Bíblia nasceu da vontade de o povo ser fiel a Deus e a si mesmo. Nasceu da preocupação de transmitir aos outros e a nós essa fidelidade. Ela nasceu sem rótulo. Só mais tarde, o próprio povo descobriu nela a expressão da vontade e da presença real de uma Palavra Santa (Bíblia, livro feito em mutirão -  Paulus, 1986, p. 8).
Divididos em Primeiro e Segundo Testamentos, os livros da Bíblia estão organizados em forma de uma grande inclusão (forma literária em que uma palavra, uma frase ou um conceito presente no início reaparece no fim e funciona como um enquadramento, que delimita e encerra tudo o que ficou “incluído” entre eles, como em um sanduíche); no início (Gênesis) e no fim (Apocalipse), encontramos referência ao Éden, o paraíso da economia vivida na liberdade e na fraternidade entre homens e mulheres. No centro, nos livros de Malaquias e Mateus, temos duas personagens ímpares do judaísmo e cristianismo, Elias e Jesus. Elias voltará e Jesus veio para nos propor, na inspiração da fé judaica, o Reino de Deus, que tem como baliza fundamental a opção pelos pobres e oprimidos de ontem e de hoje. É o que veremos nos textos das leituras que passamos a comentar.
1º leitura (Am. 6,1a.4-7): punição para os nobres corruptos
Amós se volta de forma drástica contra os ricos governantes de Israel e Judá – as críticas se dirigem, de fato, aos nobres da Samaria, capital político-administrativa do Reino do Norte. O texto foi modificado para referir-se a Sião/Jerusalém (Reino do Sul), os nobres da primeira das nações: governantes, cortesãos, oficiais e latifundiários. O motivo é simples: eles vivem tranquilos e seguros na capital e nas montanhas, os seus leitos são de marfim, possuem divãs, se alimentam de cordeiros e novilhos, fazem festas orgiásticas ao som de harpa e com vinhos finos. E o que é pior: eles não estão nem aí para os pobres do país que estão ao seu lado. Eles usufruíam o bem-estar das minorias, advindo das conquistas de Jeroboão II, bem como esperavam o dia de Javé, que seria a redenção de Israel. Amós dirá que esses homens são os verdadeiros responsáveis pela violência social e econômica do seu povo. A vida luxuosa deles era fruto da opressão dos pobres, do roubo e da corrupção (Am 3,9-10; 2,6-8; 4,1-3; 5,10-12). Tendo que manter essa situação, como não criar injustiças? Esses ricos viviam numa situação de orgia (v. 7b), alicerçados numa falsa intuição de que toda aquela situação era de bênção de Deus.
A semelhança dessa situação com os nossos dias é mera coincidência? Não. As classes dirigentes parecem mudar somente os figurantes. Os mensalões e os “panetones de Brasília” continuam a se repetir. Infelizmente, a classe política brasileira deixou se levar pela corrupção.
O que diria o profeta Amós? Vocês, os nobres, serão exilados, vão puxar a fila dos deportados para uma terra estrangeira. E foi isso mesmo que ocorreu anos depois, em 722 a.E.C., quando os dominadores assírios chegaram e destruíram a capital de Israel, Samaria, e levaram todos para o exílio. E aí o ai do profeta já não mais pode surtir efeito. Não tinha mais como voltar atrás. Deus tinha dado o seu veredicto.
2. Evangelho (Lc. 16,19-31): o rico injusto escolhe a própria condenação
O texto que antecede essa parábola é o que vimos na semana anterior, “não é possível servir a Deus e ao Dinheiro” (Lc 16,13), ensinamento central do capítulo. A parábola, modo de ensinar de forma comparativa, muito utilizada por Jesus, tem como seu público-alvo os fariseus, chamados de amigos do dinheiro (16,14). Ela faz parte da grande viagem de Jesus a Jerusalém, chamada também a viagem lucana (9,51-19,27), de cunho teológico-catequético. Quem acompanha a trajetória de Jesus vai entendendo os desafios e as condições para ser um cristão, um seguidor do mestre Jesus de Nazaré.
O evangelho de hoje tem forte relação com a primeira leitura. É um modo encontrado por Jesus para ensinar a tradição da fé judaica: é preciso fazer esmola, isto é, fazer justiça. Em hebraico, esmola se diz Tzedakáh e justiça, Tzedek. Esmola deriva de justiça. Fazer esmola, como ensinam os judeus, significa cumprir a Torá (Bíblia), isto é, fazer justiça. Quando um judeu pobre gritava pelas ruas Tzedakáh, todos entendiam: “Faça justiça! Cumpra a Torá!”. E esse grito incomodava qualquer judeu piedoso. A Torá, a Lei de Deus, não estava sendo cumprida, o que implicava estar fora do caminho de Deus. O judaísmo conclama os seus adeptos a fazer esmola. E fazer esmola (Tzedakáh) é agir com justiça no que diz respeito a como cada judeu ganha, gasta e compartilha suas riquezas. No pensamento judaico, esmola não tem um sentido religioso moral cristão de “dar esmola”. Esmola é um modo de ser, mais que oferecer ou dar. Tzedakáh é mais que caridade, expressão de fé piedosa diante do sofrimento do outro. Viver de modo justo na relação com as pessoas é fazer Tzedakáh. A esmola não pode ser em função da vanglória daquele que dá esmola, mas deve ser um gesto de solidariedade e justiça. Fazer esmola, fazer justiça, é melhor que dar esmola. Nisso, sou mais judeu que cristão.
A cena do evangelho, nessa perspectiva do fazer esmola, é simples. De um lado, um rico epulão e bem-vestido, com púrpura e linho – material importado da Fenícia e do Egito, e, do outro, um pobre de nome Lázaro que jazia à sua porta, esperando comer as migalhas de seus banquetes. Lázaro significa “aquele que vem em ajuda de”. Ele espera ser ajudado com obras de justiça, de divisão dos bens.
Com elementos da fé dos antepassados: inferno, céu e o Patriarca Abraão, a parábola relata a cena que paira na cabeça de muitos: os bons estão no céu e os maus, no inferno, separados por um abismo. Tranquilidade e banquete de um lado, tormento e fogo do outro. A Bíblia nos oferece muitas imagens do inferno (Jacir de Freitas Faria - O outro Pedro e a outra Madalena. Uma leitura de gênero. 3 ed. Petrópolis - Vozes, p. 76-102): uma delas é essa da parábola de hoje: um lugar do desespero e do pavor. Receber a pena do inferno é o mesmo que entrar em pânico. É saber que um lugar sombrio me espera. Jesus usa a imagem do choro e do ranger os dentes dos que forem para o inferno (Lc. 13,28). Ele também compara o inferno com o verme que não morre (Mc. 9,48), bem como à Geena, lixão da cidade de Jerusalém. As imagens usadas na Bíblia para descrever o inferno são todas simbólicas. O fogo que devora simboliza a absoluta frustração humana e o seu total distanciamento de Deus (Leonardo Boff, Vida para além da morte. Petrópolis: Vozes, 1988, p. 90). Diante de tal situação, só resta ao ser humano chorar e ranger os seus dentes, na escuridão de uma vida sem utopias, no exílio de opção feita por ele mesmo. É o que ocorre com o rico da parábola de hoje. Ele implora ao pai Abraão que Lázaro venha lhe trazer água, que vá até à casa de seus cinco irmãos para avisá-los da sua situação desesperadora e que mudem de vida. Nenhum desses pedidos pode ser atendido. A situação estava posta por opção do rico, o ser humano opressor. O número citado, cinco, relembra o Pentateuco; Moisés, toda a lei e os profetas. Isso quer dizer que o rico e seus cinco irmãos tinham e têm a Palavra de Deus (Bíblia) para observar e mudar de vida. Se assim não o fazem, mesmo que um morto, Lázaro, ressuscite para ensinar-lhes o caminho, eles não o fariam. Os judeus não acreditavam em sinais, milagres. Jesus fez muitos deles, e, mesmo assim, eles não se converteram. O fim é trágico, mas é fruto da opção que fazemos, assim como os ricos da primeira leitura.
2 leitura (1Tm. 6,11-16): viver como homem de Deus
Ao escrever ao amigo Timóteo, Paulo o exorta a viver como homem de Deus, isto é: seguir a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão, combater o bom combate da fé, conquistar a vida eterna, guardar o mandamento de Jesus até o dia de sua Aparição. Antes disso, que o cristão professe a fé e testemunhe Jesus ressuscitado (vv. 12-13).
Ser homem de Deus é ser profeta, assim como Elias e Eliseu que receberam esse título por terem deixado o palácio e se aproximado do povo. Com eles, o rei, se precisasse de um profeta, teria de ir aonde o profeta estava, no meio do povo. Muitos cristãos da comunidade de Éfeso estavam fazendo da pregação do evangelho uma fonte de lucro. Atitude parecida com a de muitos cristãos de hoje. Abrir uma igreja é o mesmo que abrir negócio, uma empresa lucrativa. Paulo é claro no ensinamento: “Fuja dessas coisas” (v. 11). A fé não é para ser debatida, sobretudo de forma fundamentalista, mas vivenciada.
Paulo termina com uma doxologia (vv. 15-16): a Deus honra e poder eterno. É um hino litúrgico de origem judaica. Ele ensina que o cristão deve prestar culto somente a Jesus, pois ele possui a imortalidade, a vida plena. Viver o projeto apresentado por Jesus é encontrar Deus (vv. 11-12).
Essa breve leitura reforça o ensinamento das outras leituras deste domingo, mostrando que o cristão é aquele que segue os ensinamentos de Jesus e não anda conforme as injustiças dos seres humanos deste mundo. O seu combate está em outra esfera. Ele luta como atleta para chegar ao Reino pregado por Jesus, e este já começa aqui.
PISTAS PARA REFLEXÃO
Chamar atenção para o dia da Bíblia e suas interpretações a partir das leituras deste domingo. Dar um destaque para a Bíblia na celebração.
Fazer uma análise da situação econômica do país, dando destaque para as eleições e tendo como pistas de reflexão a questão da riqueza e seu uso indevido pelos governantes. Mostrar que quem faz opção de servir ao Dinheiro acabará perdendo a vida.
Perguntar pelos sinais de solidariedade que a comunidade demonstra na relação entre rico e pobre. Ela está a serviço dos pobres e contra a pobreza? Ou existe um abismo, um fosso, entre ela e os pobres? A comunidade se preocupa em dar ou fazer esmola?
frei Jacir de Freitas Farias, ofm - www.paulus.com.br


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Antes de entrar no tema próprio da Palavra de Deus deste domingo, convém chamar atenção para três idéias do Evangelho que desmentem três erros que se pregam por aí a fora:
(1) Jesus hoje desmente os que afirmam que os mortos estão dormindo. É verdade que, antes do Exílio de Babilônia, quando ainda não se sabia em Israel que havia ressurreição, os judeus e seus textos bíblicos diziam que quem morria ia dormir junto com os pais no sheol. Tal idéia foi superada já no próprio Antigo Testamento, quando Israel compreendeu que o Senhor nos reserva a ressurreição. Então, os judeus pensavam que quem morresse, ficava bem vivo, na mansão dos mortos, à espera do Julgamento Final. Já aí, havia uma mansão dos mortos de refrigério e paz e uma mansão dos mortos de tormento. É esta crença que Jesus supõe ao contar a parábola do mau rico e do pobre Lázaro. Então, nem mesmo para os judeus, que não conheciam o Messias, os mortos ficavam dormindo! Quanto mais para nós, cristãos, que sabemos que “nem a morte nem a vida nos poderão separar do amor de Cristo” (Rm 8,38-39). Afirmar que os mortos em Cristo ficam dormindo é desconhecer o poder da ressurreição de Nosso Senhor. Muito pelo contrário, como para São Paulo, o desejo do cristão é “partir para estar com Cristo” (Fl 1,23). Deus nos livre da miséria de pensar que os mortos em Cristo ficam presos no sono da morte!
(2) Outro erro que a parábola corrige é o de quem prega que o inferno não é eterno. Muitas vezes nas Escrituras – e aqui também – Jesus deixou claro que o céu e o inferno são por toda a eternidade. Na parábola, aparece claro que “há um grande abismo” entre um e outro! Assim, cuidemos bem de viver unidos ao Senhor nesta única vida que temos, pois “é um fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento” (Hb 9,27). Que ninguém se iluda com falsas esperanças e vãs ilusões, como a reencarnação!
(3) Note-se também como os mortos não podem voltar, para se comunicarem com os vivos. O cristão deve viver orientado pela Palavra de Deus e não pela doutrina dos mortos! Morto não tem doutrina, morto não volta, morto não se comunica com os vivos! Além do mais, os judeus não pensavam que os espíritos se comunicassem com os vivos. Observe-se que o que o rico pede é que Lázaro ressuscite, não que apareça aos vivos como um espírito desencarnado. Daí, a resposta de Jesus: “Eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”!
Com estes esclarecimentos, vamos à mensagem da Palavra para este hoje. Jesus continua o tema de domingo passado, quando nos exortou a fazer amigos com o dinheiro injusto. Este é o pecado do rico do Evangelho de hoje: não fez amigos com suas riquezas. Se tivesse aberto o coração para Lázaro, teria um amigo a recebê-lo no céu! É importante notar que esse rico não roubou, não ganhou seu dinheiro matando ou fazendo mal aos outros. Seu pecado foi unicamente viver somente para si: “se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias”. Ele foi incapaz de enxergar o “pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava no chão”, à sua porta. “Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas”. O rico nunca se incomodou com aquele pobre, nunca perguntou o seu nome, nunca procurou saber sua história, nunca abriu a mão para ajudá-lo, nunca deu-lhe um pouco de seu tempo. O rico jamais pensou que aquele pobre, cujo nome ninguém importante conhecia, era conhecido e amado por Deus. Não deixa de ser impressionante que Jesus chama o miserável pelo nome, mas ignora o nome do rico! É que o Senhor se inclina para o pobre, mas olha o rico de longe! Afinal, os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos!
É esta falta de compaixão e de solidariedade que Jesus não suporta, sobretudo nos seus discípulos; não suporta em nós. Já no Antigo Testamento, Deus recrimina duramente os ricos de Israel: “Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que s e sentem seguros nas alturas de Samaria! Os que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho; os que cantam ao som da harpa, bebem vinho em taças, se perfumam com os mais finos ungüentos e não se preocupam com a ruína de José”. É necessário que compreendamos isso: não podemos ser cristãos sem nos dar conta da dor dos irmãos, seja em âmbito pessoal seja em âmbito social. Olhemos em volta: a enorme parábola do mau rico e do pobre Lázaro se repetindo nos tantos e tantos pobres do nosso País, do nosso Estado, da nossa Cidade, muitas vezes bem ao lado da nossa indiferença. Como o mau rico, estamos nos acostumando com os meninos de rua, com os cheira-colas, com os miseráveis e os favelados, com o assassinato dos moradores de rua... A advertência do Senhor é duríssima: “Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião... e não se preocupam com a ruína de José!”
Talvez, ouvindo essas palavras, alguém pergunte: mas, que posso eu fazer? Pois eu digo: comece por votar com vergonha nestas eleições municipais! Não vote nos ladrões, não vote por interesse, não vote nos corruptos, não vote nos descomprometidos com os mais fracos, não vote em que não tem nada além de palavras e promessas vazias! Vote com sua consciência, vote buscando o bem comum. Dê-se ao trabalho de escolher com cuidado seus candidatos, dê-se ao trabalho, por amor aos pobres, de pensar bem em quem votar! Só isso? Não! Olhe quem está ao seu lado: no trabalho, na rua, no sinal de trânsito, no seu caminho. Olhe quem precisa de você: abra o coração, abra os olhos, abras as mãos, faça-se próximo do seu irmão e ele o receberá nas moradas eternas.
Durante dois domingos seguidos o Senhor nos alertou para nosso modo de usar nossos bens. Fomos avisados! Um dia, ele nos pedirá contas! Que pela sua graça, nós tenhamos, um dia, amigos que nos recebam nas moradas eternas.
dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com
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“Senhor, tudo o que fizestes conosco, com razão o fizestes, pois pecamos contra vós e não obedecemos aos vossos mandamentos. Mas honrai o vosso nome, tratando-nos segundo vossa misericórdia”
(cf. Dn 3,31.29s.43.42)
Na primeira leitura deste domingo Amós(cf. Am 6,1a.4-7) denuncia o luxo e a luxúria das classes dominantes, enquanto o povo é ameaçado pela catástrofe da injustiça social e da invasão assíria. Por isso, esses ricaços sairão ao exílio na frente dos deportados... Amós evoca ironicamente a gloriosa história antiga: os ricos, porque tem uma cítara para tocar, acham que são cantores como Davi... Samaria é a casa de José, mas José distribuía alimento aos de sua casa...
Fica latente que este trecho da primeira leitura é uma contundente censura de Amós à “sociedade de consumo” de Jerusalém e Samaria. Os seus habitantes aproveitam a vida, sem se importar com a ruína do povo. Por isso, a elite destas cidades tem que ir ao cativeiro, para aprender o que é a justiça e o direito. Até parece que o filme da história se repete na sociedade atual tão consumista, tão voltada para o luxo desnecessário e para o prazer desenfreado, insensível aos muitos problemas que vivemos com a pobreza e a exclusão.
A insensibilidade pelo sofrimento das pessoas mais humildes, excluídas e pobres, que estão a margem da sociedade, é também o tema inicial da parábola do rico e de Lázaro que lemos no Evangelho de hoje (Lc. 16,19-31). Continuamos refletindo sobre o uso das riquezas que são dons de Deus e, assim, deve ser colocada a serviço de todos.
Jesus nos pede que tenhamos presente a dialética entre o eterno e o temporal. Aos que colocam a finalidade da sua vida nos bens temporais não é fácil convencer-se da sublimidade dos bens eternos.
Assim já nos ensinou a Bem Aventurada Virgem Maria naquele cântico maravilhoso, o Magnificat: “Depôs do trono os poderosos e elevou os humildes; encheu de bens os famintos e mandou embora os ricos de mãos vazias” (cf. Lc. 1,52-53).
Na segunda leitura da liturgia de hoje(cf. 1Tm 6,11-16) são nos apresentadas as virtudes dos líderes da comunidade. Os ministros da Igreja devem cuidar do tema da avareza, que chega abalar a fé. Por isso todos os que servem ao Evangelho devem cultivar as virtudes, procurando de uma maneira autêntica serem fiéis à profissão de fé que manifestaram, confiada a eles por Jesus Cristo até a sua volta e a consumação dos tempos. Tudo isso porque a Igreja está no tempo do seu crescimento e deve, ontem e hoje, conservar o que lhe é confiado.
Todos somos convidados hoje a refletir sobre a misericórdia, especialmente, na dialética do rico e do pobre, do eterno e do transitório. Misericórdia que é Justiça que devem andar de mãos dadas e unidas.
O trecho da perícope mais original é à parte que fala dos irmãos do Rico, isto é, aquelas pessoas que vivem neste mundo à semelhança do rico da parábola. Origem também é o nome dado ao pobre. É a única parábola do Evangelho em que o protagonista principal tem um nome próprio: Lázaro. E é simbólico, porque “Lázaro” significa “Deus ajuda”. Via de regra o pobre é anônimo, ou pouco nos interessa como se chame. Jesus lhe dá um nome, valoriza-o. O rico é quem fica sem nome. Como os ricos são conhecidos pelo nome, os leitores da parábola lhe deram um nome: chamaram-no Epulão, que significa “comilão”.
Os irmãos de Epulão, o rico deste mundo transitório, não ouviram Moisés e os profetas. Por isso mesmo em nada iriam ouvir quem viesse da visão beatífica, porque já não ouviam aos profetas. Moises ensinou como seguir uma vida santa: tinha uma série de obrigações para com os pobres, sobretudo os órfãos e viúvas e alguns profetas haviam sido muito explicito na defesa dos pobres e dos excluídos.
Moisés e os profetas da antiga Lei ensinaram com clareza. Muitos não os escutaram. Será que um morto ressuscitado seria um professor melhor? Jesus ressuscitou dos mortos. É ele mais escutado que Moisés e os antigos profetas? Não continuam as riquezas do mundo, que pertencem a todos, acumuladas nas mãos de pouquíssimos? Não estão nossos olhos contemplando uma versão gigantesca da parábola do Epulão e do Lázaro?
Assim a Parábola nos projeta para a continuidade de nossa vida na presença de Deus, nas chamadas alegrias eternas. Na vida presente somos livres de viver como queremos: no altruísmo ou no egoísmo, na virtude ou no pecado. A morte não zera tudo, como gostariam que alguns que acontecesse. A morte revela-nos o sentido da vida na terra. É a morte, que o Evangelho chama de “fim dos tempos”, que fixa para sempre o destino futuro da criatura humana, destino eterno que depende de como vivemos o pequeno espaço de tempo na terra.
Deus nos julga, depois da morte, pelas escolhas que fizemos na vida presente. Quem é egoísta ou deixa de lado os pobres terá um julgamento à altura de seus atos. A liberdade é dos maiores dons que Deus nos concede. Mas ela tem margens que a limitam: os preceitos divinos. Esses nos foram ensinados pelos profetas, pelo Evangelho. A vida presente, portanto, é decisiva. É nesta via que jogamos nosso destino eterno. É na vida presente que escolhemos a eternidade.
Os ricos são infelizes, via de regra, porque se rodeiam de bens como de uma fortaleza. São incomunicáveis. Vivem defendendo-se a si e a suas riquezas. Os pobres não tem nada a perder. Por isso, as mãos mais pobres são as que mais se abrem para tudo dar.
Em nosso mundo de competição, a riqueza transforma as pessoas em concorrentes. A riqueza não é vista como gerência daquilo que deve servir para todos, mas como conquista e expressão de status. Tal atitude marca a riqueza financeira, a riqueza cultural e a riqueza afetiva.
São Paulo, por conseguinte, na segunda leitura, nos fala do testemunho de Cristo neste mundo não é nada pacífico. É uma luta: um bom combate. Devemos travá-lo até o fim, para que vivamos para sempre com aquele que possui o fim da História.
A aventura do amor, inaugurada por Cristo e prosseguida depois dele, convidando o homem a consentir ativamente na lei da liberdade, causou, de fato, mudança progressiva nas relações dos homens.  O Evangelho não nos ensina nada sobre revolução. Tentar construir uma teologia da revolução a partir do Evangelho é iludir-se e não captar o essencial. Os cristãos, conquistados pela aventura do amor e só na medida que aceitam vivê-la como Cristo e em seu seguimento, estarão mais atentos em fazer com que ela não degenere em novas opressões e em novo legalismo.
Deus não exige que os ricos se desfaçam de todos os bens, mas que sejam generosos e seus bens aproveitem também aos mais necessitados. Deus faz opção pelos pobres. Não a pobreza pela pobreza, mas a pobreza pela grandeza de generosidade, perdão e amor.
padre Wagner Augusto Portugal - www.catequisar.com.br

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Um grande abismo chamado indiferença
Neste XXVI domingo do tempo comum, o que a liturgia nos propõe é claramente uma continuação do tema do domingo passado sobre o não servir ao dinheiro como um ídolo.
Muitas pessoas apostam que a plenitude da vida e da felicidade se encontra na riqueza; basta olhar a correria de pessoas por empregos ou negócios que ofereçam enormes salários, e sempre insatisfeitas com o que vão conquistando. É a diabólica pedagogia que tem dividido o nosso mundo em milhões de “lázaros”, obrigados a catar lixo, a comer sobejos que caem das mesas dos ricos, ou morrer de fome. Uma pedagogia que, infelizmente, parece ter se transformado em religião no nosso mundo e que é uma das razões dos piores males da humanidade. Que, pelo menos, temos uma notícia boa este ano, segundo a ONU, o número de famintos crônicos diminuiu 9,6%. Em 2009, eram mais de 1,02 bilhão de pessoas que sofriam de fome crônica, a este são 925 milhões. Ainda assim, é uma vergonha não ter se extinguido por completo a fome e a miséria num mundo cada vez mais cheio de cifras bilionárias.
O ser rico não é mais um sonho de alguns que ficavam observando a fabulosa vida que leva quem chegou a ser um “tio patinhas” da vida, mas se tornou uma verdadeira obsessão, que ameaça cancelar os verdadeiros desejos do coração, aqueles que Deus inspira e tem como sonho “amar até doar-se em plenitude”. Infelizmente, parece que é a fábula do momento: uma fábula cultivada de tantas revistas e livros especializados em como “enriquecer juntos”, “o segredo das mentes milionárias” etc., sem por um único momento, pensar que atrás da fachada de luxo e ostentado bem estar, muitas vezes está uma tristeza que é sinal do vazio do coração. Nada pode dar a verdadeira felicidade se não o amor que se faz dom e não posses.
A estes, e a quantos querem ser como eles, escreve o profeta Amós na I leitura, quando faz uma forte denúncia à injustiça daqueles que levam uma vida luxuosa à custa da exploração dos pobres, sendo totalmente indiferentes ao sofrimento e miséria destes. Para eles, Amós anuncia que Deus não vai tolerar este egoísmo, reservando-lhes um final infeliz: serão deportados de seu país “na primeira fila”.
Também Lucas continua a denunciar o mau uso do dinheiro por parte de alguns à custa da miséria de tantos. Na parábola do homem rico e do miserável Lázaro, Jesus descreve a vida terrena de ambos: os dois extremos da sociedade. O rico tem um estilo de vida alto, suas roupas são das grifes mais caras, elegantes e luxuosas. Ele usa a sua riqueza para levar uma vida cheia de prazeres. O sentido da vida pra ele é o prazer das coisas materiais. O que o separa do miserável Lázaro é apenas a porta de sua casa. Ele não acolhe o pobre. Este leva uma vida dura; não só é desprovido de bens, mas se encontra doente e desabrigado. Seu corpo não é coberto de roupas finas, mas de muitas feridas. Ele quer matar sua fome com o sobejo da mesa do rico. Sua companhia são os cães sujos que se aproximam dele para lamber-lhe as feridas. Faminto e doente, vive na sujeira das ruas. Mas, diferentemente do rico, Jesus faz questão de lembrar o seu nome: Lázaro (Deus ajuda).
Na extrema pobreza, ele não perde a confiança, mas é convicto de que Deus o ajuda.
Morre o miserável, único instrumento de salvação do rico. Morre também o rico. A morte os torna iguais. Não há como escapar dela. E a este ponto, o destino deles se inverte completamente. O que é descrito sobre a vida depois da morte dos protagonistas da parábola não quer ser uma descrição precisa da vida eterna; mas quer caracterizar a radical diversidade entre a vida daquele que um tempo foi rico e a do que foi pobre. Lázaro é levado para o seio de Abraão, para o banquete festivo. Quanto ao rico, dois elementos mostram como mudou a sua situação. Ele que vivia no luxo, agora é rodeado de fogo e grandes tormentos. Ele que tinha a sua disposição comidas finas e bebidas importadas, agora implora por uma simples gota d’água. Na vida terrena, Lázaro faminto tinha lhe pedido os restos da sua mesa sem receber nada. Agora, é o rico que pede uma gota d’água na ponta do dedo de Lázaro e não pode recebê-la. Tarde demais! O modo no qual empregou sua riqueza e consumou a sua vida o reduziu a uma condição na qual sofre dor e tormento.
O rico reconhece tanto que o modo que conduziu sua vida estava errado que queria que Lázaro fosse avisar aos seus irmãos para mudarem de vida a fim de evitar aquele trágico destino. Mas, Abraão não permite e responde: “Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem” Pra evitar esse destino, é necessário escutar a Palavra de Deus, pois ela mostra a vontade de Deus, a orientação para uma vida justa. Nela, é expressa a nossa responsabilidade social com relação aos mais pobres. Mas somente seremos capazes de praticá-la se tivermos um coração bom e aberto. O coração cego é endurecido pelo egoísmo e não se interessa por Deus nem pelo próximo. Jesus nos convida sempre a tomar consciência dos verdadeiros problemas do mundo e a atuar num empenho cristão, que não se limita a alguma esmola, mas procura ir às causas da desigualdade, das injustiças, com obras de partilha e de solidariedade. Quantas coisas supérfluas nós temos? Quanto tempo da nossa vida desperdiçamos com coisas inúteis? Quantas coisas podemos fazer pelos mais necessitados e não o fazemos? Ele não nos condena se usarmos coisas materiais boas, o que ele denuncia é se isso significa egoísmo e indiferença para com os nossos irmãos mais necessitados.
Nota: observe bem que este texto evangélico também é um dos mais fortes na argumentação de que uma vez tendo morrido, nenhum de nós “tem permissão” de Deus para voltar a este mundo, nem que seja para dar um bom conselho a um familiar.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento - www.pecarlos.blogspot.com

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Os Lázaros de hoje
Celebramos hoje o dia da Bíblia. E o lugar privilegiado para ler e acolher a Palavra de Deus é a comunidade na celebração dominical.
A liturgia de hoje convida a ver os bens desse mundo, como dons que Deus colocou em nossas mãos, para que administremos, com gratuidade e amor.
Na 1ª leitura o profeta Amós denuncia severamente os ricos e poderosos do seu tempo, que viviam no luxo e na fartura, explorando os pobres, insensíveis diante da miséria e da desgraça de muitos.
O profeta anuncia que Deus não aprova essa situação. O castigo chegará em forma de exílio em terra estrangeira. (Am. 6,11-16)
As denúncias de Amós são ainda hoje atuais!
- Povos gastando fortunas matando gente em guerra, enquanto outros morrem de fome por não ter o que comer;
- quantos vivem na abundância, enquanto muitos morrem de fome e na miséria;
- quantos satisfazem seus caprichos, sacrificando até seus familiares...
Na 2ª leitura, Paulo denuncia a cobiça, "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". (1Tm. 6,10-16)
No Evangelho, temos o julgamento de Deus sobre a distribuição das riquezas.
A parábola do homem rico e do pobre Lázaro (Lc. 16,19-31) tem três quadros:
- a situação de vida do homem rico e do pobre "Lazaro";
- a mudança de cena para ambos após a morte...
- um diálogo entre o rico e Abraão.
Proposta: "Pai Abraão, se alguém entre os mortos for avisar meus irmãos, certamente vão se converter..."
Resposta: "Se não escutam a Moisés, nem aos profetas, mesmo se alguém ressuscitar dos mortos, não acreditarão..."
A morte de ambos reverte a situação: quem vivia na riqueza está destinado aos "tormentos", quem vivia na pobreza se encontra na paz de Deus.
É uma catequese sobre escatologia, antecipa o amanhã para que valorizemos o presente.
O rico não é condenado por ser rico, mas porque prescinde de Deus e se nega partilhar com o pobre que estava passando necessidades.
O pobre se salva porque está aberto para Deus e espera a Salvação.
Na parábola, o pobre tem "nome", o rico não...
Em nossa comunidade, os pobres têm nome?
"Escutem Moisés e os profetas!": essa advertência tem um significado todo especial no dia da Bíblia.
A expressão "Moisés e os profetas", no tempo de Jesus, significava a Bíblia. Por isso, Jesus queria dizer que não estamos precisando de aparições duvidosas do além, de videntes ou prodígios milagrosos... A Bíblia é a única Revelação segura que todo cristão deve acreditar. Ela é suficiente para iluminar o nosso caminho. Seguindo essa Luz, encontraremos, aqui na terra, a solidariedade, a fraternidade   e, na outra vida, acolhida na casa de Deus, um lugar junto de Abraão.
Essa Palavra de Deus, podemos encontrá-la: na catequese, na liturgia, na leitura orante da Bíblia, nos grupos de reflexão, nos cursos de formação, na leitura pessoal.
Quem são os Lázaros hoje?
Ainda hoje quantos ricos esbanjam na fartura, enquanto pobres "Lázaros" continuam privados até das migalhas que sobram...
Creio que os vemos diariamente nas ruas e na televisão...
Escutar Moisés, os profetas, o Evangelho favorece o desapego e abre os olhos às necessidade dos irmãos.
O documento de Santo Domingo afirma: "O crescente empobrecimento a que estão submetidos milhões de irmãos nossos, que chega a intoleráveis estaremos de miséria, é o mais devastador e humilhante flagelo que vive a América Latina" (179).
No Brasil: 1) o salário mínimo é irrisório; 2) a aposentadoria é miserável; 3) enquanto outros recebem super salários e há inúmeros desvios... No Brasil, milhões de Lázaros nos indicam o caminho da salvação...
- Se nos abrirmos ou não a eles...
- Se nos colocarmos ou não a serviço de sua libertação.
E conclui com uma admoestação: "Há um abismo que nos separa... e não haverá mais volta..." Após a morte, a situação se torna irreversível.
Como superar esse abismo que nos separa? Abismo que não foi construído por Deus, mas pelos homens... abismo que começa agora... e se prolonga no além...
A eucaristia é um grande meio para vencer esse abismo, desde que seja sempre uma verdadeira comunhão, que inicia agora (na Igreja, na família, na sociedade) e se prolonga por toda a eternidade junto de Deus.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa - buscandonovasaguas.com

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APELO À CONVERSÃO
A parábola do rico e do pobre Lázaro comporta um apelo à conversão, especialmente dirigido a quem está tão preocupado com os prazeres desta vida, a ponto de se tornar insensível às carências de seus semelhantes, mormente, os mais pobres.
A primeira cena exibe o rico, cujo nome é omitido, gozando os prazeres da vida, vestindo roupas caras e banqueteando-se esplendidamente. À sua porta, jaz um mendigo doente, de nome Lázaro, que significa "Deus ajuda", coberto de feridas. Nada lhe chega da mesa do rico que possa saciar-lhe a fome. Suas chagas são lambidas por cães vagabundos, os quais Lázaro não tem força para afastar.
A morte, porém, inverte as posições. Lázaro recebe a ajuda de Deus, por quem é acolhido. O rico, porém, é brindado com um destino de tormentos indizíveis, no inferno. Só, então, dá-se conta do quanto fora insensato, despreocupando-se com a própria salvação. Era tarde demais! O rico havia desperdiçado o tempo posto à sua disposição, escolhendo um modo de vida egoísta e folgazão. Caminho igualmente escolhido por seus cinco irmãos. Também eles recusavam-se a dar ouvido às Escrituras. Nem mesmo um milagre espetacular, como a ressurreição de um morto, seria suficiente para chamá-los à sensatez. Logo, estavam escolhendo a mesma sorte do irmão defunto, se não se convertessem imediatamente.
padre Jaldemir Vitório - www.domtotal.com
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Nossa fama e a fome de Deus
A liturgia deste domingo “Dia da Bíblia” nos convida a refletir, junto à Palavra de Deus, o sentido da vida cujo centro se encontra na solidariedade, na partilha que se revela na verdadeira comunhão entre os irmãos e irmãs.
Daí que, tanto Lucas, que nos mostra Jesus que conta a parábola do homem rico e do pobre Lázaro (interessante que só ele tem nome, o outro não...), como o profeta Amós, nos convidam a partir de suas reflexões a procurar nos pautar por uma mudança radical em nosso jeito pensar e agir. Chamam atenção para os gastos e o luxo descabido de uma pequena parte população mundial (os ricos) que vivem despreocupados, banqueteando-se, sem se preocupar com o sofrimento da maioria da população, os pobres. Várias são pesquisas que nos demonstram que no mundo atual, uma pequena porcentagem 15% de ricos detém 70% das riquezas, enquanto 85% da população está com os outros 30%. Um bilhão de pessoas vive com menos de um dólar por dia. Isto podemos verificar sem ir muito longe, basta parar, olhar e enxergar a realidade que nos cerca. As contradições estão aí por toda parte não enxerga quem não quer. Podemos ver o abismo que separa o povo do mínimo necessário para a vida, distantes de um bem estar. E não adianta apontar apenas o dedo para os políticos que estes, como já sabemos, em sua maioria vivem do desvio do dinheiro público. Todavia, as leituras de hoje servem para cada um de nós. Somos convidados/as a mudar, desacelerar o ritmo frenético do qual caminha a humanidade inteira. Sempre querendo mais e mais. E a lei de Gérson: “levar vantagem em tudo”, impera até o interior das nossas religiões.
É o mesmo abismo que a parábola apresenta entre o que Deus quer e o que está perdido para sempre, isto é, a condenação eterna.  Quantas dificuldades? Quantos absurdos temos presenciado? Quantos gastos indevidos? Gastam, bebem, festejam sem preocupar-se com situação de milhares e milhares de brasileiros que vivem na miséria. Muitas vezes, usam o nome de Deus para justificar tal situação e corrupção. Quantas vezes temos ouvidos o chavão “Deus é fiel”? E aí, nos perguntamos fiel a quem? A que propósito? O profeta certamente diria: “Aí de vocês que desviam o dinheiro da saúde, da educação, da habitação e deixam de favorecer a todos”. Enquanto vivem na riqueza, o pobre morre de fome. O que sobra para alguns falta a outros.
Por outro lado, Lucas chama atenção para aquilo que pode ocorrer com aqueles que acumulam indevidamente o dinheiro. Fechar-se num profundo egoísmo e auto-suficiência como acontecia com os fariseus. Fechados em seu orgulho não se abriam mais para a novidade do Reino que acontece na relação e no compromisso com os outros, principalmente, na solidariedade com os que sofrem. Lázaro representa todos aqueles que vivem na miséria e se tornam prediletos de Deus, justamente, por sua condição de opressão.  Deus nos fez iguais. Compete a nós criar oportunidade a todos. A parábola não é só uma alerta, mas é também um convite à mudança. Aos que tudo tem, Deus convida a humildade e não querer apenas para si. Aos pobres convida a paciência e a confiança na providência divina que tudo vê e fará sua justiça. “O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos”, nos revela o salmo 145.  Na multiplicação dos pães Jesus disse aos discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc. 9,13). Não se trata de dar restos, mas colocar o povo em condições de se recuperar e assumir sua vida nas mãos. Daí que, na segunda leitura Paulo estimula Timóteo: “Tu, que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas..” (1Tm. 6,11-12). Se a fé não se transformar em uma decisão política e social de mudança, é vazia. E neste dias, preparando essa homilia pude-me encontrar com texto de frei Betto sobre o fundador da  Fraternidade dos Irmãozinhos e Irmãzinhas de Foucauld, René Voillaume e seu pensamento calou fundo em meu coração: “enquanto a Igreja não se desligar dos poderosos, não poderá encontrar a alma do povo” e  frei Betto acrescenta: “A busca da fama é incompatível com a fome de Deus. Como ensinou João, o Batista, é uma arte saber recolher-se para que Jesus possa sobressair”.
Portanto, queridos irmãos e irmãs busquemos na mesa eucarística o caminho de fidelidade ao desejo de Deus. Façamos de nossas vidas um eterno incentivo para que todos se tornem irmãos/as. Desta maneira, a grande pergunta que devemos nos fazer sempre é: o que temos feito com os bens que Deus nos deu como fonte de vida e para com os outros com generosidade? O princípio evangélico é para gerar o equilíbrio e vida em abundância. A terra foi dada para todos/as. E como Igreja devemos nos cuidar para não abençoar a maldade.  A Eucaristia, como partilha do pão é uma escola social e de comunhão fraterna.
"A oração deve procurar tornar-se uma atitude que se prolonga na ação. " René  Voillaume
 Tania Regina da Silva - www.homilia.com.br

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A injustiça é a negação de Deus
O Senhor é justo para com os oprimidos, dá pão a quem tem fome, e aos cativos a liberdade. Ilumina os olhos do cego; ampara os fracos e ama os justos - Salmo
Invadido pela Palavra de Deus, prega o profeta Amós «a tempo e a contratempo», contra as injustiças sociais do seu tempo, uns sete séculos antes de Cristo. As suas palavras, como um azorrague, fere os ouvidos de muita gente, especialmente daqueles que diariamente constroem o abismo entre ricos e pobres. O alvo das suas apóstrofes continua a existir nos nossos dias: Ai dos que praticam a injustiça para com os pobres! Ai dos que enriquecem por meio da exploração que fazem dos fracos! Ai daqueles que administram mal a justiça para com os indefesos. Ai dos que não praticam e até mesmo se opõem à religião ao Deus verdadeiro!
A injustiça nega uma das maiores qualidades de Deus: Deus é justo para com todos. A injustiça é praticada não só pelos indivíduos, mas também pelas nações mais ricas e poderosas financeira, econômica e militarmente. As nações que manipulam para seu próprio proveito o andamento das grandes organizações internacionais; as nações que malbaratam os bens que pertencem a todos, como o petróleo, a água, as riquezas minerais, a natureza... Sobre vós descerá o fogo do céu que devorará os vossos palácios! E sereis vós os primeiros a serdes desterrados para o exílio... Preparai-vos para comparecer diante do tribunal de Deus, proclama Amós (cfr 2,5; 6,7; 4,12). Contra estes se revoltará a natureza criada por Deus. E os injustos irão para o exílio, tal como o rico avarento do evangelho de Lucas (16,19-31).
Há ricos, gente da classe média e pobres que praticam a justiça. Vi na África e na América do Sul muitos missionários curarem as feridas dos leprosos, mostrarem o seu carinho prático para com os anônimos. Quanta gente, jovens e menos jovens, que partilham o seu amor, o seu tempo, os seus talentos e os seus recursos financeiros com os que trabalham na frente das batalhas de Deus, em prol dos mais necessitados. Por meio deles, crianças inocentes que herdaram de outrem doenças, como a sida, saberão que há no mundo quem lhes tem o mesmo amor que Jesus mostrava a todas as crianças. Quantos órfãos encontrarão um colo onde pulula o carinho para com eles! Quantos moços e moças poderão realizar o seu sonho de servir a Deus no altar, num convento, num asilo para crianças ou velhinhos, em qualquer lugar onde todos são tratados como irmãos em Cristo! Quantas dores e desesperos aliviados pela magia da graça e da bondade de gente que decidiu usar os talentos recebidos para bem dos mais marginalizados! Como são João de Deus, santa Isabel e os pastorinhos de Fátima a darem a sua merenda aos mais pobres. Pode bem o Senhor Jesus sentir-se realizado, ao ver que valeu a pena o seu sacrifício que à sua glória leva toda a gente de boa vontade.
Aventino Oliveira - www.fatimamissionaria.pt

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Filho, lembra-te de que durante a vida recebeste teus bens e Lázaro, por sua vez, seus males
Hoje, Jesus confronta-nos com a injustiça social que nasce das desigualdades entre ricos e pobre. Como se se tratasse de uma das imagens angustiantes que estamos habituados a ver na televisão, o relato de Lázaro comove-nos, consegue o efeito sensacionalista de remover os sentimentos: «Até os cães vinham lamber suas feridas» (Lc 16,21). A diferença é clara: o rico vestia-se de púrpura; o pobre tinha como vestido as chagas.
A situação de igualdade chega seguidamente: morreram os dois. Porém, ao mesmo tempo, acentua-se a diferença: um chegou ao seio de Abraão; ao outro se limitaram a sepultá-lo. Se nunca tivéssemos ouvido esta história e lhe aplicássemos os valores da nossa sociedade, podíamos concluir que quem ganhou o prêmio devia ser o rico, e o que foi abandonado no sepulcro, era o pobre. Está claro, logicamente.
A sentença chega-nos pela boca de Abraão, o pai na fé, e esclarece-nos quanto ao desenlace: «Filho, lembra-te de que durante a vida recebeste teus bens e Lázaro, por sua vez, seus males» (Lc 16,25). A justiça de Deus inverte a situação. Deus não permite que o pobre permaneça para sempre no sofrimento, na fome e na miséria.
Este relato sensibilizou milhões de corações de ricos ao longo da história e levou multidões à conversão; porém, que mensagem será necessária neste nosso mundo desenvolvido, hiper-comunicado, globalizado, para nos fazer tomar consciência das injustiças sociais de que somos autores ou, pelo menos, cúmplices? Todos os que escutavam a mensagem de Jesus tinham o desejo de descansar no seio de Abraão, mas, no nosso mundo quantas pessoas se contentam com ser sepultados quando morrerem, sem querer receber o consolo do Pai do céu? A autêntica riqueza consiste em chegar a ver Deus, e o que faz falta é o que afirmava Sto. Agostinho: «Caminha pelo homem e chegarás a Deus». Que os Lázaros de cada dia nos ajudem a encontrar Deus.
mons. Christoph Bockamp - evangeli.net
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Os ricos e a salvação
O Evangelho (Lc 16, 19-31) descreve-nos um homem que não soube tirar o proveito dos seus bens. Ao invés de ganhar com eles o Céu, perdeu-o para sempre. Tratava-se de um homem rico, que se vestia de púrpura e de linho, e que todos os dias fazia festas esplêndidas; muito perto dele, à sua porta, estava deitado um mendigo chamado Lázaro, todo coberto de chagas, que desejava saciar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico. E até os cães lambiam as suas feridas.
A descrição que o Senhor nos faz nesta parábola tem fortes contrastes: grande abundância num, extrema necessidade no outro. O homem rico vive para si, como se Deus não existisse. Esqueceu uma coisa que o Senhor recorda com muita freqüência: não somos donos dos bens matérias, mas administradores.
O homem rico não está contra Deus nem oprime o pobre! Apenas está cego para as necessidades alheias. O seu pecado foi não ter visto Lázaro, a quem poderia ter feito feliz com um pouco menos de egoísmo e um pouco mais de despreocupação pelas suas próprias coisas. Não utilizou os bens conforme o querer de Deus. Não soube compartilhar. Santo Agostinho comenta: “Não foi a pobreza que conduziu Lázaro ao Céu, mas a sua humildade; nem foram as riquezas que impediram o rico de entrar no descanso eterno, mas o seu egoísmo e a sua infidelidade.”
O egoísmo, que muitas vezes se concretiza na ânsia de usufruir sem medida os bens materiais, leva a tratar as pessoas como coisas; como coisas sem valor. Pensemos hoje que todos temos ao nosso redor pessoas necessitadas, como Lázaro. E não esqueçamos que os bens que recebemos para administrar generosamente são também o afeto, a amizade, a compreensão, a cordialidade, as palavras de ânimo…
Do uso que façamos dos bens que Deus depositou nas nossas mãos depende a vida eterna. Estamos num tempo de merecer! Por isso, o Senhor nos dirá: “É melhor dar do que receber” (At 20, 25). Ganhamos mais dando do que recebendo: ganhamos o Céu! A caridade é sempre realização do Reino dos Céus e é a única bagagem que restará neste mundo que passa. E devemos estar atentos, pois Lázaro pode estar no nosso próprio lar, no escritório ou na oficina em que trabalhamos.
A parábola ensina a sobrevivência da alma após a morte e que, imediatamente depois da morte a alma é julgada por Deus de todos os seus atos – juízo particular –, recebendo o prêmio ou o castigo merecidos; que a Revelação divina é, de per si, suficiente para que os homens creiam no mais além.
Também ensina que quem morre não volta mais! Que não existe reencarnação! Quem salva o homem é Jesus Cristo, não o próprio homem que vai pagando as suas faltas, cada vez que reencarna. Quem tem fé em Cristo e o aceita como salvador rejeita o espiritismo e a sua doutrina, a reencarnação. Em Hb 9, 27 diz o Senhor: “está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo.”
Noutra ordem de idéias, a parábola ensina também a dignidade de toda a pessoa humana pelo fato de o ser, independentemente da sua posição social, econômica, cultural, religiosa, etc.
“Entre vós e nós existe um abismo”, disse Abraão ao rico, manifestando que depois da morte e ressurreição não haverá lugar para penitência alguma. Nem os ímpios se arrependerão e entrarão no Reino, nem os justos pecarão e descerão para o inferno. Este é um abismo intransponível. Por isso se compreendem as palavras de São João Crisóstomo: “Rogo-vos e peço-vos e, abraçado aos vossos pés, suplico-vos que, enquanto gozemos desta pequena respiração da vida, nos arrependamos, nos convertamos, no tornemos melhores, para que não nos lamentemos inutilmente como aquele rico quando morrermos e o pranto não nos traga remédio algum. Porque ainda que tenhas um pai ou um filho ou um amigo ou qualquer outro que tenha influência diante de Deus, todavia, ninguém te livrará, sendo como são os teus próprios fatos (atos) que te condenam.”
Exorta São Paulo em 1 Tm 6, 10: “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro e que muitos perderam a fé por causa disso.” O mesmo S. Paulo nos convida: “Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para qual foste chamado…” (1 Tm 6, 12).
Nós fomos eleitos para ser fermento que transforma e santifica as realidades terrenas. A sobriedade, a temperança, o despreendimento hão de levar-nos ao mesmo tempo a sermos generosos: ajudando os mais necessitados, levando adiante – com o nosso tempo, com os talentos que recebemos de Deus, com os bens materiais na medida das nossas possibilidades – obras boas, que elevem o nível de formação, de cultura, de atendimento aos doentes… Ou seja, com o coração em Deus e voltado para o próximo.
Não vos conformeis com este mundo…” (Rm 12, 2). Quando se vive com o coração posto nos bens materiais, as necessidades dos outros escapam-nos; é como se não existissem. O rico da parábola “foi condenado porque nem sequer percebeu a presença de Lázaro, da pessoa que se sentava à sua porta e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da sua mesa” ( Sto. Agostinho).
Façamos bom uso dos bens materiais. Jesus vê na riqueza o perigo mais grave de auto-suficiência, de afastamento de Deus e de insensibilidade para com o próximo.
mons. José Maria Pereira – www.presbiteros.com.br
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Primeira leitura: Amós 6,1a.4-7
AI DOS RICOS DEVASSOS!
Amós é o primeiro profeta escritor cujos oráculos foram conservados. Originário de Técua, lugarejo ao sul de Belém, foi chamado para profetizar no reino do Norte, na Samaria do século VIII a.C., durante o próspero reinado de Jeroboão II. É contemporâneo de Oséias e, vivendo no contexto de um reino próspero e ambicioso, não conheceu a decadência que se deu em 721 a.C., ocasionada pelos assírios com Sargão II, em que o povo foi deportado. Neste contexto, os nobres da Samaria (capital do Reino do Norte) viviam tranqüilos e seguros, porque as conquistas do rei Jeroboão trouxeram paz e bem-estar (para alguns privilegiados).
Amós critica o uso egoísta dos bens e a insensibilidade diante dos necessitados, censurando duramente os que detinham o poder e contestando sua segurança, pois, para eles, o “Dia do Senhor” será a destruição da Samaria e o exílio.
Os ricos viviam na ostentação, em festas e banquetes, enquanto o país estava prestes a cair nas mãos dos inimigos. Era uma afronta ao povo, pois o requinte de vida se pautava em camas de marfim, músicas ao vivo, as melhores comidas, perfumes exóticos... (Ainda hoje ouro e marfim dos palácios da Samaria podem ser vistos no museu Rockfeller, de Jerusalém).
O profeta rude e austero do deserto de Judá, inspirado por Deus entre os resplendores dos palácios da Samaria, previu o fim trágico daquele reino junto com seus ricos e exploradores, despreocupados com as necessidades do povo, sem sensibilidade em relação aos oprimidos, por causa da febre do dinheiro e do prazer. Amós preconiza o “dia de Javé” (5,18-10; 8,9), ou seja, o castigo de Deus para todos eles. Só um pequeno resto vai sobrar. De fato, em 734 Tiglat Pikezer III conquistou parte da Galiléia e em 721 a.C. Sargão II apoderou-se da Samaria, destruindo a capital e deportando seus nobres.
Segunda leitura: 1 Timóteo 6,11-16
COMBATE PELA FÉ
O início da evangelização tinha o seu aspecto de organização, mas também as armadilhas da desagregação. De Timóteo temos notícias em Atos dos Apóstolos 16,1. Ele foi convertido por Paulo quando sua avó e sua mãe já eram cristãs (2 Timóteo 1,5). Na segunda viagem missionária, Paulo o tomou como colaborador. Esta carta foi escrita provavelmente na Macedônia, depois da prisão romana em 65 d.C., e endereçada a Timóteo em Éfeso (1 Timóteo 1,3), cidade onde segundo a tradição tornou-se bispo. A carta é dividida em quatro partes:
01) Paulo adverte Timóteo sobre o anúncio do Evangelho contra as falsas doutrinas e fala dos ministros da Igreja;
02) dá normas para a organização da oração;
03) discorre sobre os ministérios na Igreja;
04) retoma a polêmica contra as falsas doutrinas.
Depois de adverti-lo sobre as falsas doutrinas e de lhe ter dado algumas normas sobre a organização do culto e da oração e exposto o ministério dos bispos e diáconos, Paulo o chama de “homem de Deus”, qualificativo dos grandes personagens bíblicos (Moisés, Elias, Eliseu...) e lhe pede para fugir das pessoas que falsificam a mensagem, fazendo da religião uma fonte de riquezas (v.5), por amor ao dinheiro.
Neste contexto, a comunidade de Éfeso é convidada a combater o bom combate da fé para conseguir o prêmio da vida eterna e manter a promessa da fidelidade. Ao mesmo tempo, Paulo pede aos membros da comunidade que não sejam orgulhosos, não coloquem a esperança nas riquezas, façam o bem, sejam generosos, poupando um bom capital para o futuro que é a vida eterna.
Em seguida Paulo delineia a Timóteo a figura do verdadeiro apóstolo, apresentando-lhe os critérios que devem guiar o trabalho apostólico, pedindo-lhe que siga a justiça, a piedade, a fé, o amor, a mansidão e a firmeza (v.11). Estas seis virtudes são, nas cartas pastorais, a síntese do ideal cristão. A justiça é a retidão em relação às pessoas, a piedade a retidão em relação a Deus, a fé a adesão plena a Jesus Cristo, o amor a concretização da fé, a perseverança a capacidade de superar os conflitos internos e externos, a mansidão a virtude típica que diz respeito ao cristão. Para honrar esses compromissos, Paulo serviu-se do exemplo do atleta que luta para conseguir o prêmio. Assim, o cristão deve combater o bom combate da fé, honrar o compromisso assumido.
Por fim, nos versículos 15-16, através de um hino cristológico, Paulo salienta que:
01) o cristão deve prestar culto somente a Jesus. Ele é o único soberano. Critica, portanto, a idolatria;
02) somente Jesus pode dar a vida plena;
03) Jesus supera a capacidade de compreensão que as pessoas têm dele.
Evangelho: Lucas 16,19-31
PARÁBOLA DO RICO E DO POBRE LÁZARO
Estamos no contexto da viagem missionária de Jesus a Jerusalém. Nesta viagem teológico-catequética são apresentados os riscos e as vantagens de ser cristão. A parábola é um convite ao discernimento.
A parábola começa apresentando duas situações contrastantes. De um lado o rico que esbanja em requinte, luxo, roupas finas e elegantes (púrpura e linho eram artigos de luxo importados da Fenícia e do Egito), com um estilo de vida alto (banquetes todos os dias). Do outro lado Lázaro, que mendiga junto à porta do rico, marginalizado, coberto de feridas, considerado impuro (Jó 2,7-8). Ele deseja matar a fome com as migalhas de pão que o rico usa para limpar o prato e enxugar as mãos. Joaquim Jeremias salienta que não eram as migalhas, mas os pedaços de pão que usavam para limpar os pratos e enxugar as mãos e depois atiravam debaixo da mesa.
Lázaro, ferido no corpo e na dignidade, considerado um cão impuro, encontra solidariedade em Deus. De fato, o nome Lázaro significa “Deus ajuda”.
O relato não diz que o rico levava uma vida desordenada. Apenas salienta que era egoísta, gozando sozinho dos bens, desobedecendo a Deus no que diz respeito ao amor do próximo. Lázaro, ao contrário, é identificado como um dos personagens dos pobres de Javé do Antigo Testamento, marginalizado.
Nesta parábola Jesus supera a mentalidade corrente, que considerava a pobreza um castigo pelos pecados e a riqueza um prêmio. Quando Lázaro morreu, foi transportado para o seio de Abraão, para o banquete celeste, enquanto o rico foi para o “Sheol”, o lugar dos mortos onde sofre. O rico é reconhecido como filho (v.25), porém a filiação não é suficiente para obter a salvação, pois é preciso amor e misericórdia.
O rico faz, então, dois pedidos:
01) uma gota de água para refrescar a língua. Porém isto lhe é negado, porque existe um abismo que separa os remidos dos perdidos (v.26). Abraão lhe responde na 3ª pessoa: “Vocês não poderiam atravessar”. Isto significa que o rico não está sozinho;
02) que Lázaro seja enviado aos seus cinco irmãos como testemunha do seu fim eterno, para que não venham também eles a cair na mesma situação (v.28). Porém Abraão responde-lhe que a lei e os profetas eram suficientes para convencê-los. De fato, todo o Antigo Testamento exigia igualdade e fraternidade. O rico não se convence e acredita que era necessária uma ressurreição dos mortos para que seus irmãos se convertessem. Abraão é taxativo, dizendo que a ressurreição de um morto não conseguirá sensibilizar os ricos, se não forem sensíveis aos apelos de Moisés e dos profetas.
Para obter a salvação é necessário, portanto, ouvir a voz de Deus e não ser levado pelos gozos terrenos, que ofuscam a mente e impedem de reconhecer a pessoa do pobre. Portanto, para Jesus, o uso dos bens leva à perdição. O rico com suas riquezas vivia esquecido de Deus, deixando as prescrições da lei que pediam atenção aos pobres, aos órfãos e às viúvas (Êxodo 22,21-24; Amós 5,10-12). Lázaro representa os “anawin” do Antigo Testamento, que na situação de miséria só tinham Deus como conforto. O nome do rico não é mencionado, pois tinha uma existência egoísta que não merecia história.
REFLEXÃO
Na década de 80, um jornal londrino pediu a seus leitores uma definição de dinheiro. A melhor seria premiada. A definição vencedora entre milhares foi: “O dinheiro é um passaporte universal com o qual se pode viajar para todos os lugares, menos para o céu, se pode adquirir todas as coisas, menos a felicidade”. Uma definição magnífica, que é confirmada pelas leituras de hoje. De fato, Amós lembra aos ricos de Jerusalém e da Samaria que suas orgias acabarão com a deportação para a Babilônia. Deus pedirá contas! Também Paulo lembra a Timóteo que o dinheiro é a raiz de todos os males.
Jesus nos lembra em sua parábola este rico cuja preocupação era viver no luxo, ignorando os pobres. Quem é este rico? Ele não é simplesmente alguém que tem muito dinheiro, mas alguém que olha apenas para si, que é egoísta.
Ignorar o pobre, comportar-se como se não importasse a “imensa multidão de famintos, mendigos, desabrigados, sem assistência médica e sepultados sem a esperança de um futuro melhor, significa assemelhar-se ao rico epulão, que fingia não conhecer as necessidades de Lázaro, o mendigo à sua porta” (Sollicitudo Rei Socialis, 42).
Jesus nos mostra a incompatibilidade entre Deus e o dinheiro, pois os bens materiais fazem parte da sobrevivência do homem. Este deve servir-se deles e não ser escravo e com eles escravizar os outros.
A parábola apresenta num quadro o contraste entre ricos e pobres. Nos dois últimos séculos este tipo de contraste cresceu. Teve início com a revolução industrial, com a introdução da máquina na indústria. Começou na Inglaterra, depois se estendeu à França, à Alemanha e, no século XIX, aos países hoje industrializados. Gerou a questão social, com a divisão em dois sistemas: o capitalismo e o sócio-comunismo. Levou Leão XIII a escrever a encíclica “Rerum Novarum” (15/05/1891), que trata da condição operária indigna e desumana dos trabalhadores imposta pela burguesia capitalista. Esta situação de desigualdade abissal entre ricos e pobres transferiu-se para o terceiro mundo. Basta ter em mãos os dados do mapa do desemprego e do subemprego, da fome e da miséria, para ficarmos estarrecidos.
O comportamento do rico corresponde à atitude de muita gente do nosso tempo. Dinheiro, prestígio, exibicionismo, luxo, viagens, divertimentos, prazeres... Trata-se da idolatria do dinheiro, que se contrapõe ao amor a Deus e ao próximo. Fecha-se o coração esquecendo-se de Deus e tornando-se insensível aos sofrimentos e privações dos irmãos, impedindo a pessoa de se abrir aos valores verdadeiros e aos bens sobrenaturais.
A parábola coloca em cena dois personagens que ocupam lugares nos extremos opostos da sociedade. O rico navega na abundância e o pobre sobrevive na miséria. Na descrição de Jesus, o rico não negou nada ao pobre e este jamais pediu algo ao rico, mas a presença de Lázaro era ignorada. Jesus colocou em pauta a diferença insuportável devido ao fechamento de coração do rico, pois está fechado em seu mundo, não se dá conta da indigência de Lázaro. Sua riqueza espelha seu egoísmo, sua segurança orgulhosa, sua auto-suficiência. O rico está seguro do seu futuro e parece árbitro dele. O pobre morreu e foi acolhido na intimidade de Deus, o rico foi sepultado no inferno em meio às torturas. O rico é conhecido na parábola como “epulão” por causa de sua vida de comilança e bebedeira.
A diferença de destino de ambos não se deve exclusivamente à condição social, mas às atitudes pessoais. O rico não se condena por ser rico, mas porque não teme a Deus, de quem prescinde, e porque não compartilha o que tem com Lázaro. É um expoente fiel do consumismo egoísta exagerado. Também o pobre não se salva por ser pobre, mas porque está aberto a Deus e espera a salvação.
A parábola não tem a intenção de ressaltar a escatologia individual, embora também expresse isso. Segundo os judeus, o além que recebia os mortos à espera da ressurreição final chamava-se “Scheol”, o “Hades” dos gregos e romanos, onde havia dois lugares: a “Geena”, lugar de castigo e de tormentos para os maus, e o “Paraíso”, lugar de felicidade para os justos.
A parábola também não visa prometer uma compensação para os pobres ou convidar os deserdados da vida a uma resignação estóica, fatalista, alienante. Mas trata de afirmar o perigo da riqueza, porque facilmente cria resistência à lei de Deus. Visa conscientizar sobre a falsa segurança dos bens materiais. A mensagem é completada pela exortação a Timóteo na 2ª leitura de hoje (vv.17-19).
O cristão não pode ser um mero espectador da pobreza e miséria do seu próximo. As tristezas e angústias dos que sofrem são as tristezas e angústias dos discípulos de Cristo. Deus destinou a terra e tudo o que ela contém ao uso de todos. Por isso, os bens devem ser partilhados de forma eqüitativa, segundo a regra da justiça.
Vimos pela 1ª leitura que o excessivo anseio de riquezas, de bens, de conforto, de comodidade e luxo leva ao esquecimento de Deus e dos outros, bem como à ruína espiritual e moral. O evangelho nos mostra um homem que não soube tirar proveito de seus bens. Em vez de ganhar o céu com eles, acabou perdendo-o. O rico não adquiriu seus bens fraudulentamente nem era culpado pela pobreza de Lázaro, pelo menos diretamente. Entretanto, vivia na abundância, com coisas extraordinariamente luxuosas e banquetes diários. Vivia como se Deus não existisse. Estava cego às necessidades alheias. Não foi a pobreza que conduziu Lázaro ao céu, mas sua humildade. Não foram as riquezas que impediram o rico de entrar no descanso eterno, mas seu egoísmo e sua infidelidade (Santo Agostinho).
Do uso que fazemos dos bens que Deus colocou em nossas mãos depende nossa vida eterna. Estejamos atentos, porque qualquer Lázaro pode estar à porta do nosso lar, em nosso escritório, em nossa comunidade...
Quando vivemos com o coração voltado para os bens materiais, as necessidades dos outros nos escapam, é como se eles não existissem. O rico foi condenado porque não percebeu a presença de Lázaro. Não adiantou tê-lo visto tantas vezes. Por isso, o cristão deve examinar se seu desprendimento é real, se não tem seu coração voltado para o tesouro que não passa, que resiste ao tempo, à ferrugem e à traça.
padre José Antonio Bertolin, OSJ - www.santuariosaojose.com.br
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