.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*-(16ºpPent./23ºdom.T.Comum)-8 de setembro 2013

dai sabedoria ao nosso coração (salmo 90,12) –
Acaso alguém teria conhecido o teu desígnio, sem que lhe desses Sabedoria e do alto lhe enviasses teu santo espírito?Sb 9,13-18. (...) para que o tenhas de volta já não como escravo, mas como um irmão querido... como pessoa humana e como irmão no Senhor, Fm 1,9-17. Se alguém não se desapega de seu pai, mãe, mulher e filhos, irmãos e irmãs e até da própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. Lc 14,25-33. Leituras alternativas no Lecionário LCR: Jr18,1-11, Dt30,15-20. Na Divina Liturgia (Ortodoxos) dia 8 é: domingo antes da Santa Cruz, já que em 14 de setembro é celebrada a festa da Exaltação da Santa Cruz , prevista seja no calendário católico (romano e “orientais”), seja nos ortodoxos.
– uma proposta escandalosa
Continuando sua viagem e a formação dos seus discípulos, as frases do Mestre de Nazaré soam – novamete – estranhas. Nem a família pode passar à frente da radicalidade dessa escolha pelo Mestre!! O verbo (acima traduzido como “desapegar-se”) é ao pé da letra: “odiar”, “detestar” mas seu sentido é o de “amar menos”, quer dizer, não colocar aí sua paixão primeira, fundamental. A preferência nessa escolha é “seguir o Mestre. A radicalidade de colocar Deus em primeiro lugar é que leva a renúncias. Contudo, podemos ver que renúncias fazem parte da vida. Em Gênesis 2,4 também está escrito que o homem deixará seu pai e sua mãe para ligar-se à sua mulher e os dois se tornarão uma só carne”. Será que agora Jesus pede até o divórcio e a destruição da família (mulher, filhos...)? O centro da mensagem não é “abandonar” a própria família para buscar uma nova aventura para a qual se deve largar tudo, mas está na outra frase do Mestre: quem não pegar sua cruz e não vier atrás (seguir) de mim, não pode ser meu discípulo.
– a proposta do “seguimento”
O tema da conversa de Jesus com seus companheiros mais próximos (aqueles que o “seguiam” ao menos no sentido material, na mesma viagem a Jerusalém) era “como ser discípulo”. Ora, o conceito de “discipulado” não é imediatamente compreensível para a mentalidade moderna, se comparado à sua compreensão na antiguidade. Talvez poderíamos hoje usar a imagem do aluno que admira seu professor e quer ser como ele. Ou da criança que deseja identificar-se com a figura querida da mãe ou do pai. A difusão do ensino escolar massificou também as formas de aprender. Ainda havia entre nós, há algumas décadas, a ideia do “aprendiz”, aquele que é orientado por um “oficial”, isto é, quem dominava uma profissão ou ofício. Aí o aprendizado consiste em seguir a orientação do mestre, procurar “ser como ele”. A imagem aparece em alguns filmes de artes marciais.
– o problema não está na cruz –
A questão central, portanto, não está na renúncia, no sacrifício, na cruz. Tudo isso está presente na vida humana e não diz respeito só aos cristãos. A grande questão não é o quê, mas o como (levar a cruz ou, simplesmente, como viver). Essa sabedoria é a graça que o salmista pede a Deus. Como na carta a Filêmon Paulo refere-se ao desafio de transformar as relações da escravidão para o relacionamento entre pessoas até o ideal de ser irmãos. Os acontecimentos recentes no mundo (temos no país algo semelhante se olharmos a violência urbana ou a corrupção, mas tragédias maiores estão nas regiões de guerra, especialmente na Síria) mostram como a fraqueza da ética da fraternidade e do diálogo provoca milhões de mortes e separações de famílias, crianças, e dilacera a cidadania. São situações que impõem as “renúncias” de que fala o texto de hoje. Todos os seres humanos suportam dois tipos de sofrimento. Uns são resultado das escolhas morais de cada um. Outros porém, constituem propriamente o que chamamos de “cruz”, que provém da imposição externa, por circunstâncias, conjunturas, sejam sociais, de saúde, política ou decorrentes de “acidentes”, seja no trânsito, seja sob fenômenos natuarais. Fukushima, tornados, naufrágios, de um lado. Por outro lado: assaltos, torturas, crimes e as guerras com suas sequelas de mutilações, migrações de refugiados, destruição de raízes culturais. Na maior parte das vezes as cruzes são impostaspela maldade e egoísmo de uns sobre os ombros de outros mais fracos. O tráfico de pessoas e os estupros coletivos parecem sintomas deste nosso tempo que inventou novas cruzes modernas, mais disseminadas que aquele castigo usado pelos romanos. Na medida em que recebemos estas cruzes ou temos pessoas que as carregam e não as queremos deixar sozinhas, vêm-nos a pergunta: como agiria Jesus de Nazaré nestas circunstâncias? Na medida em  que cada um puder responder a essa pergunta, podererá seguir o Mestre. E ser seu discípulo. Esta é a renúncia inevitável quando o “seguir” é radical, prioritário para as escolhas. Até diante da família e de outros pedaços de nossas vidas.
– uma “corrente de orações” e pensamentos de misericórdia –
Dia 9 o congresso americano votará o apoio à proposta de intervenção militar na Síria. Aceitemos a proposta do papa Francisco (pediu aos católicos que o dia 7 de setembro fosse de oração e jejum e celebrações). Ele estendeu seu pedido a todos os cristãos, aos membros de todas as religiões e também aos agnósticos ou não crentes mas que são homens e mulheres de boa vontade preocupados com a paz. Nas intenções e nas orações, na fé humana, nas convicções religiosas de cada um ou na fé em Jesus Cristo, todos podem unir-se no desejo da paz. Os acontecimentos das próximas semanas dependem de muitas escolhas e decisões de muitos. E de muitos fatores que estão em jogo. Essa complexidade da situação nos move à oração e à promoção da paz. Peçamos ao único Deus, de todos Criador, que tenha piedade dos mais atingidos pela guerra e pelo medo. E que seu Espírito leve sabedora aos corações dos que são mais responsáveis, tanto pelas ações humanitárias com os refugiados, seja pelas gestões com diplomatas  e pelo abandono. E dê sabedoria aos corações daqueles que têm responsabilidade, seja  pelas ações humanitárias junto aos refugiados, seja pelos esforços diplomáticas, seja ainda pelas ações militares que, ao que tudo indica, são cartas marcadas.
ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) fesomor2@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário