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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*-(19ºpPent./26ºdom.T.Comum) para 29 setembro 2013

– de novo: sobre um mundo dividido –
·                  No domingo passado Jesus insistia na distinção entre adorar e submeter-se a ídolos. Só o Criador merece nosso amor. Aceitar qualquer coisa do mundo para cultuar (=idolatrar) é “servir” ou deixar-se escravizar. O “ídolo” é alguma coisa que deveria estar a nosso serviço, mas nós fazemos dele “bezerro de ouro”. Ou são os bens, as coisas boas de que todos deveriam desfrutar, por um princípio de igualdade (=cada ser humano tem a mesma dignidade – própria dos “filhos” do mesmo Criador – não é isso que se proclama nos “Direitos humanos”?). Entre todos os ídolos o “dinheiro” é o mais facilmente elevado a “fetiche”, ou seja, aquilo que tem “poder” de “enfeitiçar” seus donos. Dele nascem sucessivas idolatrias ou “dominações” (cf. “aprendiz de feiticeiro”).
·                  A meditação hoje retorna ao tema, aprofundando a exigência: não nos fechemos, isto é, prestemos atenção nos que merecem prioridade. “atendimento prioritário” não é só a recente conquista escrita em cartazes nos bancos e caixas de supermercado e outros lugares, para idosos, grávidas, deficientes, passarem à frente. A prioridade na Bíblia significa entrar na lógica divina: Ele sente mais alegria no abraço ao que estava morto (e voltou à vida!) do que na “habitualidade” de quem não abandonou a casa (cf. parábolas: filho pródigo, ovelha perdida, moedinha reencontrada). Uma nova parábola em Lucas (16,19-31), esse autor de um “evangelho do coração misericordioso” é “preparada” pela leitura de Amós (6,1.4-7: simboliza na acomodação e preguiça do sono a despreocupação com os outros). O Lecionário Comum (LCR) traz como alternativa o trecho de Jeremias: 32,6-15. Esse demanda comentários mais amplos (resumidos a seguir). A ação simbólica do profeta Jeremias reflete o tempo pós-exílio a Lei volta a vigorar.
– Jesus indica uma sociedade solidária –
·                  Amós ou Jeremias (o profetismo em geral) sabia que o direito de propriedade em Israel visava assegurar um sistema econômico baseado numa tal igualdade que chegava a prever a garantia do sustento das famílias também por meio da continuidade da herança. Esta seria “mantida” no sistema de parentesco (mesmo se alguém empobrecia, sendo obrigado a vender sua terra). Na legislação do “resgate” (cf. Levítico 25,13-17) a terra é para todos e a propriedade é um “direito de uso”, temporário porque ciclicamente, no “ano jubilar”, havia uma espécie de anistia geral das dívidas, com devolução ou restauração das posses. Um dos pilares da constituição desse povo como “especial” (povo eleito) consistia num sistema legal capaz de impedir que uns fossem “mais proprietários” do que outros... Por isso a Bíblia frisada tanto a “prioridade” dos mais frágeis ou desamparados (tipificados nas figuras do “órfão” e da “viúva”).
·                  É nesse sentido também que o Mestre dizia não ter vindo abolir a Lei mas aperfeiçoá-la. Critica sempre a prática da religião quando não há “entranhas de misericórdia”, aquela compaixão que leva ao cuidado dos leprosos, pobres, aleijados – dos socialmente “excluídos”. A leitura da 1ª.carta a Timóteo cap.6 não fica tão clara na forma breve como na alternativa dos vv.6-19 (LCR) onde se explicita a reflexão ricos & pobres. O desejo de ficar rico leva à armadilha: “afogar-se”. É que “o amor do dinheiro é raiz de todos os males” É preciso perseverar na justiça, fé e amor. Só Deus é Deus. Jesus Cristo é o único Senhor (imortal) no qual se pode depositar toda esperança. Exorta-se os ricos a abandonar o orgulho (nascido da riqueza instável) e a ser generosos par dar e prontos para repartir (o que, atualmente, resumimos no termo Solidariedade).
– a parábola “Lázaro e o milionário” –
·                 Parábola não é “alegoria” (=cada elemento tem um simbolismo). A de hoje não serve para falar de reencarnação ou comunicação (entre ou) com os mortos. No contexto cultural os judeus aceitavam a chamada “doutrina da retribuição”. Em resumo ela indicava: prosperidade é sinal de Deus para os “bons”; pobreza é “pagar o karma” de pecados passados! (não lembra algumas “pregações” atuais?) A parábola do Lázaro derrubava aquela “tradição” e Jesus aproveitava para combater também os Saduceus (não aceitavam a Ressurreição que Jesus anunciava). Mas o foco da parábola não é: quem sofre vai para o céu e quem vive bem... depois, vai arder! Gregório Magno (Hom.s/Lucas,nº40-2) dizia: “não foi a pobreza que levou Lázaro ao Céu, mas a humildade; não foram as riquezas que impediram o rico de alcançar o descanso, mas seu egoísmo”. Em outra frase irônica Jesus reafirma: não veio abolir, mas aperfeiçoar a Lei: se não escutam a Moisés nem aos Profetas não acreditarão nem com alguém aparecendo – voltando da morte! (cf.v31). A nós cabe encontrar mais justiça sem esperar que um milagre remova o egoísmo!
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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

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