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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 14 de setembro de 2013

HAVERÁ MAIS ALEGRIA NO CÉU POR UM PECADOR QUE SE ARREPENDE...

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO C

Dia 15 de setembro

Comentários-Prof.Fernando


HAVERÁ MAIS ALEGRIA NO CÉU POR UM PECADOR QUE SE ARREPENDE...


A MISERICÓRDIA DIVINA - José Salviano



            No evangelho, Jesus nos apresenta as parábolas: da moeda,  da ovelha perdida, e  do filho pródigo, nas quais Ele demonstra o quanto Deus é misericordioso. Continua...

 

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DE CORAÇÃO ABERTO O PAI ACOLHE OS QUE QUEREM VOLTAR AO SEU CONVÍVIO! - Olívia Coutinho.

XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 15 de Setembro de 2013

Evangelho Lc 15,1-32

Numa sociedade preconceituosa, que não enxerga a “pessoa”, somente as suas falhas, são muitos os excluídos do convívio social e até mesmo religioso!  Irmãos nossos, que às vezes  só precisam de se sentirem  amados,  para mudar de vida!  
É compromisso cristão, trazer de volta ao convívio do Pai, àqueles que se perderam  pelos  caminhos da vida!  É acolhendo estes irmãos, que os recolocamos no caminho da felicidade plena!
Deus não desiste de sua criação, para Ele, não existe caminho sem volta, e nem  ponto final para  uma história de amor!
No  evangelho  de hoje,  Jesus nos pede para que sejamos misericordiosos para com àqueles  que se enveredaram  por caminhos contrários, mas que desejam voltar, que acolhamos estes irmãos  e  nos  alegremos com a sua volta à vida, o que não  significa concordar com os seus erros e sim, acreditar que uma pessoa criada à imagem e semelhança de  Deus pode  mudar de vida! 
O texto nos fala da grandiosidade do coração do Pai, um coração misericordioso que vê o “homem” e não o seu pecado!
A narrativa nos diz, que os  fariseus e doutores da lei, criticaram Jesus por acolher os pecadores, como se eles não fossem também pecadores.  Em resposta a estas criticas,  Jesus conta-lhes  três parábolas.  A primeira e a segunda parábola, podemos dizer que são gêmeas,  pois as duas expressam a alegria de quem encontra a preciosidade que havia perdido! A parábola da ovelha perdida, nos fala da alegria do pastor ao reencontrar a ovelha que havia extraviado  do seu rebanho, simbolizando a alegria de Deus Pai, quando recebe um filho de volta! Assim como a primeira, a segunda parábola nos fala também de alegria,  da alegria de uma mulher que encontra algo que havia perdido, e que era  de vital importância para sua sobrevivência: uma moeda de prata! Já a  terceira parábola, é bem mais profunda e rica em detalhes! Nela, podemos perceber que há  um  confronto entre  a lógica dos homens e a lógica de Deus! É a  parábola  do filho pródigo, que deveria se chamar: “Parábola do pai misericordioso!”
A história nos mostra  com detalhes, a atitude de um pai, diante a conduta de seus dois filhos, ou seja, diante  à ingratidão do filho mais novo e a dureza de coração do filho mais velho. É interessante observarmos, que a partir do momento em que o filho mais novo manifesta o  desejo de sair de casa,  o pai não interfere, deixa o filho partir, o que vem nos dizer, que Deus também é assim, Ele não interfere em nossas decisões, nos deixa livres para fazermos  as nossas escolhas! Observamos também, a repreensão do pai,  ao filho mais velho, que  sentiu-se injustiçado diante ao acolhimento caloroso oferecido ao irmão mais novo que desperdiçou os bens herdados do pai, o que vem nos falar da dureza de coração, de quem não  se abre ao amor misericordioso!
Na história, podemos perceber ainda, a  paciência de um Pai que não desiste do filho,  que espera por ele, dia pós dia, com os olhos fixos no caminho! É assim que o nosso Pai do céu espera por nós:  dia pós dia!  
Com estas parábolas, Jesus, além de nos  despertar sobre importância do acolhimento à aqueles que desviaram do caminho de Deus, nos tranquiliza, quando estes, somos nós, nos assegurando de  que todos nós, podemos  voltar ao convívio do  Pai!
As  parábolas são também um convite,  tanto à  nossa  conversão, quanto a sermos  caminho de conversão para o outro! É importante termos  consciência de que nós, somos tão pecadores, quanto àqueles que aos nossos olhos se afastaram de  Deus.
A parábola tem como foco, o amor incondicional do Pai para com os seus filhos!  Deus é um Pai solícito, amoroso, que está sempre pronto para nos perdoar e nos acolher de volta, esquecendo todo o nosso passado pecador. O que vale para Deus, é o que somos a partir da nossa conversão, o passado, para Deus não conta.
Sabemos que são muitos os que  estão sobre a terra, mas que se sentem soterrados por  não encontrarem motivação para se reerguerem. E quantos de nós, que dizemos  seguidores de Jesus, comportamos igual os fariseus,  ao invés  de ajudar  estes irmãos a se reerguerem,  contribuímos para que eles  se percam ainda mais, com o nosso desamor!
Tenhamos um coração misericordioso, semelhante ao coração do Pai, um coração aberto ao amor, ao acolhimento a àqueles que desejam voltar à vida!
O amor tem uma força irresistível, é caminho que  traz de volta àquele que dispersou! Sejamos pois, a força deste amor na vida do outro, pois,  é sendo amada, que uma pessoa aprende a amar!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! -Olívia

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24º DOMINGO DO TC 15/09/2013
1ª Leitura Êxodo 32,7-11. 13-14
Salmo Lucas 15,18 “Vou me levantar,irei a meu pai e lhe direi; Meu pai, pequei contra o céu e contra ti”
2ª Leitura 1Timóteo 1, 12-17
Evangelho Lucas 15,1-32

“Afinal, o Filho arrependeu-se ou não?” -Diac. José da Cruz

Esta parábola traz a reflexão praticamente pronta : O Filho mais novo se arrependeu e voltou a casa do Pai que o perdoou. Será ? Deixemos que o Filho sem juízo nos conte nesta breve entrevista em nosso imaginário, logo depois da Festança que foi até o amanhecer do Dia.
____Por que você voltou para a casa do Pai?
Filho Pródigo ___ Vou ser sincero, a fome apertou meu amigo, quando eu pensei que escravos e empregados na casa do meu pai, tinham pão a vontade, decidi voltar.
___Opa ! Espere um pouco, e aquele arrependimento todo que você manifestou nesse evangelho?
Filho Pródigo___Apenas um discurso para convencer o Pai de que eu estava arrependido, palavras bonitas e bem colocadas que iriam tocar no coração do meu “Velho”
___Mais uma coisinha Filho Pródigo, o que te levou a sair de casa, se lá você tinha tudo que precisava?
Filho Pródigo___Na Casa do Pai tinha a impressão de que não era livre, eu queria aproveitar a vida, fazer tudo o que meu coração desejava , gozar e desfrutar de todos os prazeres e alegrias que o mundão nos oferece. Enfim, como vocês dizem por aí “Cair na gandaia” de cabeça, e ser livre...
___Deixa ver se eu entendi, as vezes nós cristãos achamos que os maus, os que não conhecem a Deus e a sua verdade, são mais felizes porque fazem muitas coisas, sem se importar com a ética, moral, doutrina da Fé e tudo mais. É a liberdade que o adolescente quer, sem a ingerência dos pais em sua vida....
Filho Pródigo ____Isso mesmo, eles tem com os pais não uma relação de amor, mas de compromisso e obrigatoriedade em fazer o que eles mandam, parecem mais empregados do que Filhos.
____E o que mudou na sua vida após a volta a casa paterna?
Filho Pródigo____Bom, confesso que não fazia idéia de quanto meu Pai me amava, imagine você que todos os dias ele ficava á minha espera. O jeito que ele me abraçou, me vestiu aquele manto, me deu a sandália e o cajado, tudo isso sem exigir que eu tomasse um banho, ele cobriu a minha sujeira e imundície com aquela veste. E fez uma festa inesquecível. Nesse retorno descobri algo inédito, o amor do Pai, imenso, grandioso, gratuito e incondicional. Juro que eu não sabia....
___Então nessa parábola, o foco é o Pai Infinitamente Bom e Misericordioso?
Filho Pródigo ___Pois é, Se o Pai não me desse a liberdade de pecar, indo embora da sua casa, jamais eu saberia o quanto ele me ama. Eu sou cada um de vocês aí na Igreja de 2013, a gente vai e vem, e o Pai ali, de braços sempre abertos, nos acolhendo com imensa alegria, porque nos ama de maneira apaixonada.........
___Mas não é perigo a gente pensar que a parábola é um incentivo ao pecado?
Filho Pródigo - Ao contrário, é um convite para contemplarmos o grandioso Amor e Misericórdia que Deus Pai tem por nós, pecar é ir contra esse grandioso amor.

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Evangelhos Dominicais Comentados

15/setembro/2013 – 24o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Lc 15, 1-32)


Estamos no mês da Bíblia, por isso vamos iniciar nosso encontro com esta oração: Meu Senhor e meu pai! Envia teu Santo espírito para que eu compreenda e acolha a tua Santa Palavra! Que eu te conheça e te faça conhecer / te ame e te faça amar / te sirva e te faça servir / te louve e te faça louvar por todas as criaturas. Faze, ó Pai, que pela leitura da Palavra os pecadores se convertam, os justos perseverem na graça e que todos nós possamos conseguir a vida eterna. Amém!

O Evangelho de hoje nos fala do grande amor de Deus por cada um de seus filhos, fala de sua preocupação por cada um de nós e, acima de tudo, fala de perdão.

Mais uma vez Jesus é criticado pelos escribas e fariseus porque acolhia cobradores de impostos e pecadores. Na verdade, Jesus não só os acolhia como também tomava suas refeições com eles. Esse comportamento de Jesus não é aceito por aqueles que se autodenominam puros e eleitos de Deus.

Diante de tantas críticas, Jesus tenta mostrar, através de parábolas, como Deus é misericordioso e como se preocupa com a salvação de seus filhos. Ao mostrar a bondade do Pai, Jesus estava também explicando o porquê da misericórdia, da bondade e do amor para com os pecadores.
Jesus usa três parábolas para demonstrar o grande amor de Deus. Começa falando da ovelha desgarrada, depois da alegria da mulher ao reencontrar sua moedinha perdida e finaliza com o emocionante relato de um pai que ama de verdade.

Jesus afirma que há mais alegria em salvar um só, do que ter noventa e nove que não se consideram necessitados da salvação. Uma única ovelha desgarrada do rebanho merece toda atenção, pois ela corre sérios riscos.

Longe do pastor ela está insegura. Afastada do rebanho será presa fácil dos predadores. Os "lobos" e "chacais", do dia-a-dia arrastam a ovelha perdida para o caminho da morte e da perdição. Somente o Bom Pastor poderá reconduzi-las, com segurança, ao aprisco do Senhor.

Com esse exemplo, Jesus mostra nossa fragilidade e os perigos que nos rondam quando caminhamos sozinhos. É preciso humildade para se deixar conduzir. Quem não se deixar levar pelos caminhos do amor, do perdão e da preservação da vida, nunca encontrará verdes pastagens e águas cristalinas.

Com a parábola da moeda que foi reencontrada, Jesus ressalta que é preciso valorizar também as pequenas coisas. Lembra-nos que por menor e menos valiosa que possa parecer uma moeda, ela sempre será uma moeda e terá seu devido valor. Quantas vezes ela é o complemento que falta para a passagem do ônibus. Milhares não comem pão, por falta de uma moedinha.

Finalmente Jesus fala do filho arrependido. Nos três casos, Jesus nos dá uma clara demonstração do enorme amor de Deus por cada uma de suas ovelhas, do quanto Ele valoriza sua pequena moeda e a cada um de seus filhos afastados.

Somos ovelhas, moedas e filhos ingratos, mas acima de tudo, é preciso lembrar que somos Igreja. Por isso, vamos nos aproximar do Pai e sair a campo a procura das ovelhas, das moedinhas e dos milhares de filhos que ainda desconhecem o amor e o perdão.

 (02761)

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Colaboração de Newton Hermógenes


Primeira Leitura (Êx 32,7-11.13-14)


O povo de Deus, depois de muito sofrimento e já sem esperança, foi libertado da escravidão do Egito, através de Moisés que foi o instrumento do poder divino sobre o poder das forças egípcias.  Deus sempre usa alguém quando exerce o seu poder de cura, de salvação e libertação. Moisés, então, após tirar o povo de Israel da Terra do Egito, o vai conduzindo à Terra prometida por Deus, mas o caminho à vezes é longo e árduo, e o cansaço e o desânimo às vezes tomam conta da vida dos seres humanos, que acabam esquecendo-se da promessa, a esperança em uma vida melhorcai por terra, esquecem-se do poder daquele que os amou e os libertou e se apóiam em coisas frágeis e sem vida.

As pessoas à vezes são imediatistas, procuraram um caminho mais curto e mais rápido, viram as costas para Deus, e buscam deuses sem vida como o bezerro de metal, e, assim, se deixam corromper, e esta corrupção pelo contrário os tornam mais frágeis, sujeitos à condenação e à morte como aconteceu com o povo de Israel que fora mordido pela serpente. Moisés como instrumento de Deus mais uma vez intervém em favor de sua gente, e clama pela misericórdia de Deus, alcançando o perdão e novamente a salvação daquele povo que agira com ingratidão.

A nossa força está na fé, na esperança e na caridade, sem a fé não resistimos às dificuldades que surgem pelo caminho, sem a esperança nos acomodamos e paramos no meio do caminho e nos contentamos com coisas imediatas e sem valor, sem a caridade que é o amor divino, nos tornamos frios e insensíveis, a Deus, aos irmãos, e á própria felicidade, portanto, o próprio povo estava traçando o seu destino infeliz. Por isto Deus no livro do Êxodo chama este povo de “Cabeça dura”

Deus pode intervir na vida do ser humano para lhe dar a felicidade desejada, através de outro ser humano que se torna instrumento divino aqui na Terra, mas cabe a cada um aceitar ou não, esta benção. Jesus, o filho de Deus humanizado aqui na Terra, veio para a salvação da humanidade corrupta e pecadora, por isto se assentava à mesa dos publicanos e pecadores como narrado no evangelho de Lucas. Os fariseus, e, os mestres da Lei não conseguiam entender o plano de salvação de Deus para a humanidade, por isto criticam Jesus ao vê-lo junto a esta gente marginalizada. Mas o Mestre deixa bem claro, que os marginalizados pela sociedade, são os que mais precisam de Deus. Enquanto a sociedade e seus líderes hipócritas rejeitam esta gente porque os considera imundos, desprezíveis pecadores, Jesus ao contrário vai ao encontro desta gente com um amor incomparável, esta é a sabedoria de Deus e não dos homens.

Jesus nos deixa claro a importância de cada ser humano para Deus, quando nos compara à ovelha perdida do pastor. O pastor pode ter cem ovelhas no seu aprisco, mas se uma se perde, e corre atrás até encontrar e sente feliz por isto. O evangelho nos fala do filho que abandonou a casa do pai em busca de aventura, gasta todos os bem em farra, e depois volta para casa arrependido, e o pai com amor incomparável, recebe o filho de braços abertos, manda fazer uma festa, pois seu filho como morto tornou a viver, perdido e foi encontrado, e recebeu a salvação pelo amor.

Assim é Deus com seu amor misericordioso, um amor que às vezes não cabe no entendimento humano, e que só entendido pela sabedoria do Espírito Santo.  São Paulo afirma na carta a Timóteo: “Agradeço àquele que me deu força, Cristo Jesus, nosso Senhor pela confiança que teve em mim...a mim que antes blasfemava, perseguia e insultava. Mas encontrei misericórdia, porque agia com ignorância de quem não tem fé. Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores.  E eu sou o primeiro deles”.E está escrito:“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna!”.
Amém!
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Na solenidade do santo Natal, na segunda leitura da missa da Aurora, a Igreja, olhando o presépio, faz-nos escutar as palavras de são Paulo a Tito:“Manifestou-se a bondade de Deus nosso Salvador, e o seu amor pelos homens. Ele salvou-nos, não por causa dos atos de justiça que tivéssemos praticado, mas por sua misericórdia...” (Tt. 3,4s). O Menino que veio viver entre nós, Jesus, nosso Senhor, é a bondade de Deus, é a sua salvação misericordiosa... Estas palavras são maravilhosamente ilustradas pela liturgia deste Domingo. Hoje, o Cristo nos é apresentado como a própria bondade, a própria ternura misericordiosa do Pai do céu, do nosso Deus. Aquilo que já fora prefigurado por Moisés, intercedendo pelo povo pecador, na primeira leitura; aquilo que, na segunda leitura, são Paulo pregou e experimentou na própria vida: “Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles!” – tudo isso nós tocamos nas três parábolas da misericórdia do Evangelho de São Lucas.
Sigamos a narrativa. Por que Jesus contou essas parábolas? Porque “os publicanos e pecadores aproximavam-se dele para o escutar. Os fariseus, porém, e os escribas criticavam Jesus: ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’.” Aqui está: Jesus era um fio de esperança para aqueles considerados perdidos, metidos no pecado, sem jeito nem solução... Os publicanos, as prostitutas, os ignorantes, os pequenos e desprezados, gente sem preparo e sem cultura teológica... estavam aproximando-se de Jesus para escutá-lo; viam nele a ternura e a misericórdia de Deus. Os escribas e fariseus – homens praticantes e doutores da Lei – criticavam Jesus por isso. Ele se misturava com os impuros, ele acolhia a gentalha e os pecadores. Pois bem, foi para esses doutores que Jesus contou as parábolas, para mostrar-lhes que o coração do Pai é ternura, é amor, é vida, é amplo como uma casa grande...
O Pai se alegra, porque Jesus, o Bom Pastor, era capaz de deixar noventa e nove ovelhas para ir atrás daquela que se perdera totalmente, até encontrá-la! O convite que Jesus estava fazendo aos escribas e fariseus era claro: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!” Alegrai-vos, porque o coração do Pai está feliz: ele não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e tenha a vida! Do mesmo modo, na parábola da dracma perdida: Deus é como aquela mulher que acende a lâmpada e varre cuidadosamente a casa até encontrar sua moedinha. E não descansa até encontrá-la. Quando a encontra, como Deus, quando encontra o pecador, ela exclama: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que havia perdido!” O Deus que Jesus nos revela, o Deus a quem ele chamava de Pai é assim: bom, compassivo, misericordioso, preocupado conosco e com cada um de nós. Ele somente é glorificado quando estamos de pé, quando estamos bem, quando somos felizes. Mas, não há felicidade verdadeira para nós, a não ser juntinho dele, que é o Pai de Jesus e nosso Pai. É isso que Jesus inculca com a terceira parábola, a mais bela de todos: o Pai e os dois filhos.
“Um homem tinha dois filhos”. Este homem é o Pai do céu. “O filho mais novo disse ao pai: ‘Dá-me a parte da herança que me cabe’”. Esse moço quer ser feliz, deseja ser livre... e imagina que somente vai sê-lo longe do olhar do pai. Assim, sem juízo, como que mata o pai, pedindo-lhe logo a herança. “e partiu para um lugar distante”. Quanto mais longe do pai, melhor, mais livre. E aí dissipa tudo, numa terra pagã, longe do pai, longe de Deus. E termina na miséria, tendo esbanjado a vida, a felicidade, o futuro, o amor e o sexo... Vai pedir trabalho e dão-lhe o mais vergonhoso para um judeu: cuidar de porcos, animais impuros. E ele queria comer a lavagem dos porcos e não lha davam! Em que deu o sonho de autonomia, de liberdade, de felicidade longe do pai! Tudo não passara de ilusão! Mas, apesar de louco, o jovem era sincero: caiu em si, reconheceu que pecou. Não colocou a culpa no pai, nos outros, no mundo, no destino. Reconheceu-se culpado e recordou e confiou no amor do pai: “Vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o céu e contra ti!” E volta! O jovem era corajoso, generoso, era sincero! O que ele não sabia é o pai nunca o esquecera; esperava-o todos os dias, olhando ao longo do caminho. De longe o avistou e o reconheceu, apesar da miséria e da fome e das roupas maltrapilhas. E, cheio de compaixão – como o coração do Pai de Jesus – correu ao encontro do filho, cobriu-o de beijos e de vida, e restituiu-lhe a dignidade de filho. E deu uma festa! O Pai é assim: não quer ninguém fora de sua casa, de seu coração, da festa do seu amor, do banquete de sua eucaristia! Mas, havia ainda o filho mais velho. Este, como os escribas e os fariseus, jamais havia desobedecido ao pai; cumprira todos os seus preceitos. Por isso, ficou com raiva e não quis entrar na festa do pai: “O pai, saindo, insistia com ele...” Notem que o mesmo pai que saíra ao encontro do mais novo, saiu agora ao encontro do mais velho, que estava perdido no seu egoísmo, na sua raiva, fora da festa e do aconchego do pai! E o mais velho passou-lhe na cara: “Eu trabalho para ti há tantos anos... e tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos...” O pai respondeu: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu...” É que aquele filho nunca amara o pai de verdade: cumpria tudo, de tudo fazia conta... e, um dia, iria pedir o pagamento, a recompensa por tudo... Por isso nunca se sentiu íntimo do pai, por isso não sentia que tudo quanto era do pai era dele também! Pode-se estar junto do pai e nunca o conhecê-lo de verdade! Não era esta a situação daqueles escribas e fariseus? Interessante que Jesus não diz se o filho entrou na festa do pai e na alegria do irmão ou se, ao contrário, ficou fora, onde somente há choro e ranger de dentes.
Pois bem, o Senhor nos convida hoje a acolher em Jesus a misericórdia incansável de Deus para conosco, um Deus que não sossega até nos encontrar... Mas, nos convida também a ser misericordioso para com os outros. É triste quando experimentamos que somos pecadores, experimentamos a bondade acolhedora de Deus para com nossos pecados e, depois, somos duros, insensíveis e exigentes em relação aos irmãos. Que o Senhor nos dê um coração como o coração de Cristo, imagem do coração do Pai, capaz de acolher o perdão e a misericórdia de Deus e transbordar esse perdão e essa misericórdia para com os outros.
dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com

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A misericórdia é acolher o fraco e o arrependido
As três leituras de hoje nos colocam diante do tema da misericórdia. Na primeira, Deus se arrepende da decisão de punir Israel; na segunda, Paulo diz a Timóteo que Cristo veio para salvar os pecadores, dos quais ele é o primeiro; já no evangelho, a parábola da ovelha perdida e a do filho pródigo demonstram o quanto Deus é misericordioso.
Moisés, Paulo e Cristo revelam a misericórdia de Deus. O pastor e o pai do filho pródigo são exemplos de amor misericordioso. A dona de casa é o exemplo da procura constante por algo que estava perdido, mas que é valioso, uma moeda.
O substantivo misericórdia tem sua origem em miser: sofrimento e cordis: coração, vindo a significar: coração sofredor ou trazer o coração a miséria, a pedido de perdão. Quem implora misericórdia é aquele que não tem nada mais a dizer a seu favor e pede que o outro o ajude.
Como viver a misericórdia em nossas vidas? Somos capazes de perdoar e de acolher o sofredor em nossa vida? Ou somos como o filho mais velho do evangelho que não compreendeu que Deus tem amor preferencial pelos oprimidos e pecadores arrependidos?
1º leitura (Ex. 32,7-11.13-14): Deus mesmo dá exemplo de misericórdia
A primeira leitura deve ser compreendida no contexto do capítulo 32 do livro do Êxodo. Ex 32,1-29 relata que, tendo Moisés permanecido muito tempo na montanha em companhia de Deus, o povo, então, consulta Aarão, pedindo-lhe uma representação de Deus que pudesse guiá-los. Aarão permite, e eles constroem, com suas joias, o famoso bezerro de ouro, que poderia ser a representação de três coisas: o boi Ápis – deus egípcio; Baal – divindade cananeia responsável pela fecundidade; Javé – Deus libertador do Egito. Atualizando, podemos dizer que o bezerro representa o deus do dinheiro. Mesmo que não tenhamos clareza do que esse tal bezerro de ouro representasse, o que importa é que Deus pede a Moisés que desça e aja com vigor. Deus não suportava tal atitude de seu povo eleito. A reação de Moisés foi a de jogar as tábuas da Lei no chão, quebrá-las, para significar que o contrato, a aliança entre Deus e o povo, tinha sido rompido, e de se opor aos seus irmãos idólatras.
O contexto histórico da primeira leitura é o reino do Sul, Judá, na época do rei Josias (622 a.E.C.), um sábio rei que fizera uma reforma religiosa a partir de uma cópia da lei, encontrada pelo sacerdote Helcias. O povo estava indo atrás de ídolos. Por isso, a identificação dos fatos com o Sinai é para demonstrar que, já desde tempos antigos, o povo era infiel. Nada havia mudado. O pacto de fidelidade, firmando a libertação do Egito, expresso no Decálogo (Dt 5,6-21) havia sido rompido. Caso eles continuassem nesse mesmo caminho de infidelidade, seriam destruídos como os irmãos do norte, fato que ocorrera em 722 a.E.C., quando o dominador assírio invadiu o país e os levou prisioneiros.
O relato de Ex. 32,7-11.13-14 nos desconcerta, quando mostra o lado humano de Deus. Ele fica muito chateado com o seu povo. A sua ira é tamanha que ele quer castigá-los severamente. O seu interlocutor é Moisés, com quem ele desabafa. Moisés lhe pede que abrande a sua ira, levando em consideração os patriarcas. Deus, então, muda de opinião e decide perdoar o povo, por causa do seu servo fiel, Moisés. Deus decide punir para corrigir o seu povo, mas acaba acreditando que ele vai mudar de atitude. Ele acredita. A destruição do povo estava nas mãos de Deus, a sua misericórdia fez com que eles tivessem uma segunda oportunidade. O Senhor Deus de Israel se revela cheio de piedade e ternura, lento para a ira e rico em amor. E um Deus que se arrepende do mal, conforme atesta o profeta Jonas, depois de uma longa trajetória de misericórdia (Jn 4,2).
Evangelho (Lc 15,1-32): três parábolas de misericórdia
O Evangelho de hoje dá continuidade ao tema da primeira leitura, a misericórdia, apresentada em três modos: uma ovelha e uma moeda se perdem, em contraste com o filho que busca a perdição. Na outra ponta da linha: um pastor, uma dona de casa e um pai. O número três era muito importante para o judeu, pois representava a garantia da observância da fé judaica do shemá Israel: amará a Deus com o coração, a alma e as posses (Dt 6,4-9). Esses seis elementos se entrelaçam para nos ensinar que misericórdia é sinônimo de arrependimento e acolhimento. O pastor, a dona de casa e o pai expressam seus sentimentos de ternura e compaixão, assim como o Deus da primeira leitura.
a. A ovelha perdida. Pinturas iconográficas não faltam para demonstrar a cena descrita nessa parábola: Jesus, o bom pastor, carregando nos ombros uma indefesa ovelha. Já no Primeiro Testamento, encontramos inúmeras referências a Deus como pastor, solicitando ao seu povo que busque sempre a ovelha desgarrada da casa de Israel (Sl 23, Ez 34,16; Mq 4,6-7; Jr 23,1-4). Assim, a comunidade de Lucas fez questão de relembrar o ensinamento da misericórdia feito por Jesus. O pastor não era uma figura muito bem--vista entre os judeus. Ele, por causa da profissão, era considerado impuro, pecador, impedido de seguir a Lei. Não por menos, no nascimento de Jesus, a figura dos pastores foi valorizada. Fariseus e doutores da Lei não gostavam de pastores. Eles os consideravam iguais aos ladrões e prostitutas. Nessa parábola, salta aos olhos a figura do pastor misericordioso, Deus, que vai ao encontro de uma única ovelha, a perdida. Ela vale tanto quanto as outras. Aqueles que estão sãos não precisam de remédio, mas os pecadores, que precisam de arrependimento (Lc. 5,31b-32). Deus é o pastor que se alegra veementemente com o convertido.
b. A dracma perdida. Dracma era uma moeda grega. O seu valor era o de um dia de salário do trabalhador (Mt. 20,2.9.13). Entre os romanos, usava-se a moeda denário. Essa primeira constatação já nos mostra que se tratava de uma mulher pagã. Como as casas eram pouco iluminadas, fazia-se uso de uma lamparina. Essa parábola, como a anterior, enfatiza a alegria do encontro de algo de valor que estava perdido. O ensinamento é o mesmo.
c. O filho pródigo. A terceira parábola do evangelho deste domingo é o ápice da mensagem da misericórdia de Deus que não faz acepção de pessoas. É fácil entender a lógica do texto. Três personagens estão em cena: o pai, o filho mais velho e o mais novo. Pela lógica da sociedade daquela época, o filho mais velho, o primogênito, tinha o direito de posse da terra que era administrada pelo pai (Lc 25,23). O filho mais novo é chamado de pródigo, isto é, o gastador, o esbanjador. Esse filho rompe com o pai ao exigir-lhe que lhe desse a parte da herança que lhe cabia. Ele dá o grito de liberdade: quero ser eu e seguir o meu caminho. O fim da história é conhecido: ele, depois de se perder com festas e vida devassa, é obrigado a comer com os porcos, animais impuros para os judeus. O filho pródigo chegou ao ápice de sua condição indigna. Lembrou-se da vida tranquila que tinha com o pai e resolve, então, voltar para a casa paterna, com o propósito de pedir perdão, pois havia se arrependido amargamente pela atitude que tomara. O que o motiva a voltar, mais do que a saudade do bem-estar, é a figura, a imagem do pai que ele havia perdido. À sua volta, o pai faz uma grande festa, oferece até um banquete, calça-lhe sandálias para dizer que ele era um homem livre, e lhe dá um anel para demonstrar que a sua autoridade estava reconquistada.
O filho mais velho, na lógica do relato, não aceita aquela atitude. O que isso significa? O filho mais novo representa os deserdados, os impuros que Jesus acolhia no seu Reino, bem como o filho que quer independência na relação paterna. É o passarinho que criou asas e quer voar. O filho mais velho representa os fariseus e doutores da Lei, tidos como os certinhos, que também recusam os pobres e os ensinamentos de Jesus. A parábola não deixa claro qual a decisão que ele tomou: entrou na casa em festa ou afastou-se dela. O filho mais velho somos todos nós quando ficamos indiferentes e indecisos em relação à proposta do Reino, assim como os fariseus de ontem. O pai representa a misericórdia de Deus e a figura paterna que está dentro de cada um de nós. Ele é o interlocutor que deixa o filho fazer a sua experiência. Ele perdoa, porque sabe que o filho é um limitado.
2º leitura (1Tm. 1,12-17): Paulo agradece a Cristo a misericórdia para com ele
A comunidade de Éfeso, palco dessa leitura, estando sob a liderança de Timóteo, estava dividida em meio a conflitos de poder. As lideranças, julgando-se irrepreensíveis e donas do saber, não usavam de misericórdia para com os membros da comunidade.
Escrevendo ao seu filho na fé, Timóteo, Paulo começa agradecendo a Cristo Jesus, nosso Senhor, por tê-lo considerado digno de segui-lo. Ele relembra a sua condição de perseguidor e blasfemo e mostra como Cristo usou de misericórdia para com ele. Paulo ainda afirma que a graça do Senhor Jesus operou nele, de modo que todos os que crêem, como ele, possam encontrar o perdão. Paulo passa a ser o exemplo de cristão. Ele tem consciência disso. Ele é humilde em reconhecer a sua condição de pecador. Paulo, com isso, elabora a teologia da salvação em Jesus, que veio trazer a misericórdia e o perdão para os pecadores.
A Deus, para Paulo, só resta fazer um louvor, uma doxologia litúrgica: “Ao Rei dos séculos, ao Deus incorruptível, invisível e único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (v. 17). Somente a Ele devemos esses louvores, mas não às lideranças e hierarquias que se julgavam sem erro e, portanto, sem a misericórdia e a graça divina.
PISTAS PARA REFLEXÃO
Levar a comunidade a se perguntar pelas suas atitudes de misericórdia na comunidade e na família. Perdoar é esquecer, é recomeçar a vida. A tarefa do cristão é semear misericórdia, sem, contudo, fazer vistas grossas para com as injustiças. O perdoado também dever mudar de atitude, como fez Paulo. Vale aqui lembrar também o exemplo de Santo Agostinho e de sua mãe Mônica. Sentimo-nos como “filho mais velho” ou “filho mais novo”? “Ou somos como o pai”?
Perguntar pelos atos e obras de misericórdia social para com os pobres, de modo a resgatá-los de sua condição de miséria. As eleições se aproximam. Qual é a nossa resposta para solucionar os graves problemas sociais que assolam o nosso país? Qual é o perfil de nossas lideranças? Arrogantes como as lideranças de Éfeso?
Como temos trabalhado dentro de cada um de nós as dimensões de pastor e de pai? Pastor que cuida e, por isso, protege. Pai que educa e, por isso, deixa o filho partir para a vida educá-lo, mas que também acolhe o arrependido.
frei Jacir de Freitas Farias, ofm - www.paulus.com.br
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“Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: daí a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas sejam verdadeiros”
(cf. Eclo 36,18).
 A liturgia nos ensina que Deus “não quer a morte do pecador, mas sim, que ele se converta e viva”(cf. Lc 15,32). Assim gira toda a liturgia neste domingo. A primeira leitura mostra Deus voltando atrás no seu projeto de rejeitar Israel, depois de sua apostasia com a adoração de bezerro de ouro. Em Ex 32,7, Deus já não o chama “meu povo”, como na fórmula da Aliança (cf. Ez 37,23 etc), mas “teu povo”. Porém, por causa da intervenção de Moisés, que lhe lembra sua promessa, ele retira sua ira. O Novo Testamento penetra mais fundo no ser de Deus. Nas parábolas colecionadas em Lc 15, ninguém precisa lembrar a Deus a promessa dele. Ele está totalmente voltado para o que se afastou do caminho, como um pastor concentra toda sua atenção na ovelha que está faltando em seu rebanho, ou como a dona-de-casa que deixa até queimar a comida por estar preocupada com uma nota de dez reais faltando na sua carteira.
No livro do Êxodo, que nos é apresentado hoje, O Senhor arrependeu-se das ameaças que fizera contra o seu povo(cf. Primeira Leitura de Ex 32,7-11.13-14) Enquanto Moisés está ainda no Sinai, o povo adora o bezerro de ouro. A sanção de Deus é dura. Não quer mais este povo(“Teu povo”, diz ele a Moisés). Mas Moisés se torna mediador e lembra a Deus suas promessas, como Abraão lhe lembrou a sua justiça(cf. Gn 18,25). E Deus se deixa convencer... – A narração representa Deus de modo bastante humano: tanto a cólera de Deus quanto seu arrependimento são modos de falar; importa que mostrem que Deus não é indiferente, nem ao nosso pecado,, nem à nossa prece. São maneiras humanas de falar de seu amor sem fim.
Na segunda Leitura – 1Tm. 1,12-17 – Jesus veio para reconciliar os pecadores: experiência de São Paulo, que de perseguidor passou à anunciador da bondade de Deus. Desde a segunda viagem missionária, Timóteo acompanho São Paulo como seu fiel colaborador. As cartas a Timóteo e Tito são o “testamento espiritual” de Paulo. Mostram como foram as comunidades pelo fim do século I. A mensagem central do texto de hoje é a vinda de Jesus ao mundo, para salvar os pecadores. Paulo mesmo o experimentou e, além disso, recebeu uma missão importante. À partir daí, gratidão e alegria formaram a tônica de sua vida.
O Evangelho de hoje(cf. Lc. 15,1-32 ou 15,1-10) é uma das páginas mais bonitas e emocionantes do Santo Evangelho e marca definitivamente a diferença entre a teologia do Antigo e a teologia no Novo Testamento. Hoje estudamos e refletimos a nova maneira ensinada por Jesus. Nas parábolas Deus está figurado no pastor, na mulher que procura seus bens, no pai que abraça e beija o filho retornado. É um Deus feito de misericórdia, de acolhida e de perdão sempre: como sempre tenho insistindo um DEUS AMOR-PERDÃO, um DEUS PERDÃO-AMOR.
Jesus procura o pecador, como o pastor procura uma ovelha transviada dentre cem que compõem o rebanho; como a mulher, que procura a dracma perdida; como o pai, que abre os braços para acolher o filho, sem lhe perguntar porquês nem lhe impor condições para o retorno.
Jesus acolhe os pecadores e toma refeição com eles, um costume não muito recomendável dentro da Lei Judaica que dizia o que era puro e impuro. E era impuro tomar refeição com os pecadores, porque eles transgrediam os dez mandamentos. Mais do que isso os pecadores exerciam, via de regra, profissões que eram consideradas impuras, ou eram analfabetos.
Sentar-se à mesa, ontem e hoje, é uma demonstração de amizade e de carinho. Assim Jesus ensinou que comer com os publicados e pecadores era ter uma atitude de misericórdia para com todos, os santos e os pecadores, acolhendo a todos de maneira como que a pessoa se apresenta e com todas as suas particularidades.
Os pecadores procuravam Jesus para ouvi-lo! Assim Jesus ensina que a misericórdia deve ser para todos: aqueles que nos procuram e os que nós vamos ao seu encontro. Misericórdia sempre e perdão contínuo e persistente, até para o maior dos pecados.
Assim somos chamados a ter um coração aberto, receptivo, generoso, como os pecadores que ouviam Jesus no Evangelho de hoje e os fariseus que murmuravam contra Jesus de pregar para os chamados impuros. Os pecadores aceitavam a pregação de Jesus. Os chamados religiosos, ou seja, os fariseus que cumpriam todo o rigorismo da lei eram fechados para ouvir ao Redentor.
O orgulho cegava os fariseus e a humildade favorecia aos pecadores. Assim a ovelha perdida tanto pode ser o fariseu quanto o pecador. A solicitude do pastor não distingue ovelhas negras e ovelhas brancas. Todas são ovelhas do aprisco do Senhor. Ser pastor é estar a serviço de todos, até daqueles que são considerados os piores membros da sociedade. O evangelho é universal e não admite exclusão. Apenas exige abertura para a pedagogia de Jesus. Por isso nos alegramos com a conversão de um único pecador, mas do que a fidelidade dos justos, que tem o dever próprio de serem justos.
Somos todos ovelhas que devem ser conduzidas pelo Pastor, pelo Bom Pastor, o Cristo Ressuscitado! A ovelha, necessariamente, tem que viver junto ao rebanho e nunca desgarrada. O homem e a mulher também são como ovelhas: precisam viver em comum, em comunidade. Converter-se não significa perder a liberdade e a identidade, mas perceber e viver a presença de Deus estampada nos irmãos. Assim convertidos em Cristo vamos modificando as três dimensões básicas da consciência – interior -, a exterior – com as pessoas; e a do alto – voltado para Deus. Assim um fariseu orgulhoso transforma-se, então, em Paulo de Tarso; um publicano torna-se o Apóstolo Mateus; uma prostituta transfigura-se em Santa Maria Madalena, a quem Jesus não perguntou quais eram os seus pecados, mas, sim vai e não peques mais!
Misericórdia que é abertura, sair de si mesmo: de Deus para nós; de nós para Deus, de cada um para os outros. Uma vida relacional que gera alegria, a doce alegria que deve ser o apanágio dos cristãos.
São Paulo de perseguidor tornou-se doce apóstolo que propagou o cristianismo. A graça de Deus agiu em abundância em sua caminhada que Cristo deu a Paulo vida e caridade. Jesus veio para salvar os pecadores e Paulo foi o principal deles. Com isso, Paulo se tornou exemplo daquilo que ele apregoa no seu serviço: a reconciliação, conforme nos ensina a segunda leitura de hoje.
Assim, na Santa Missa de hoje queremos transformar em ação de graças todas as ocasiões que fomos objeto da misericórdia de Deus. Queremos dar graças a Deus por todas as vezes que tivemos a graça de oferecer o perdão ao nosso próximo. Perdão-amor e amor-perdão. E, que possamos, com a graça de Deus, procurar sempre o confessionário que nos ajuda a voltar sempre com a amizade com Deus. Uma boa confissão, pedindo o perdão completo de nossos pecados, nos ajuda a viver realmente a reconciliação, primeiro com Deus, depois com o irmão, com a comunidade e conosco mesmo. Que Deus nos ajude a buscar sempre o reencontro com Deus.
padre Wagner Augusto Portugal - www.catequisar.com.br
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O Amor de Deus: o mais belo e desejável
O Evangelho de hoje nos apresenta três parábolas. Cada vez que lemos e relemos a mesma parábola, e este ano já é a segunda vez que lemos a do “filho pródigo”, descobrimos novos significados que nos guiam em nosso amadurecimento humano. A novidade das parábolas de Jesus é aquela de enxergar sempre as coisas do ponto de vista de Deus; Jesus nos revela o modo de pensar de Deus que frequentemente é completamente diferente do modo como nós, apesar de ouvirmos tantas vezes as mesmas parábolas, insistimos em não assumir o caráter de Deus em nós.
Por exemplo, diante do pecador, Jesus nunca dá ênfase a este apontando o seu erro, mas ele sempre ressalta a beleza do amor de Deus que busca o pecador para perdoá-lo. E a grande beleza proveniente destas parábolas é que cabe a cada um de nós em primeiro lugar reconhecer-se pecador para sentir esse amor incondicional e em segundo lugar ir atrás das “ovelhas perdidas, da moeda perdida, do filho pródigo” para que também experimentem desse amor que nos preenche completamente. Essa tarefa é exatamente o contrário do gesto de apontar o defeito do outro, de julgar e de condenar.
Já expliquei o evangelho do filho pródigo este ano durante a quaresma e ressaltei que nas duas primeiras parábolas de Lc. 15, a iniciativa é sempre de Deus, já que nem a ovelha nem a moeda têm como voltar pra seus donos por si só. Já a parábola dos dois filhos, é o filho pródigo quem começa o caminho de volta, mas antes que chegue, é o pai que quando o avista, corre ao seu encontro, o abraça e o cobre de beijos. Esta iniciativa do filho de retornar é para mostrar que somente é possível receber este amor de Deus se deixarmos de ser cabeças-duras e nos abrirmos a este amor. Já a reação do filho maior revela ainda a atitude dos fariseus: inveja, raiva, presunção, superioridade em relação aos outros. Ele chega a dizer ao pai: “este teu filho”, como se não fosse irmão dele.
Com as parábolas de hoje, Deus nos chama a pararmos de nos esconder, de reconhecermos abertamente o impostor que vive em nós (filho mais velho) e nos aproximarmos dele como o filho mais novo.
Por isso, a partir daqui cito algumas frases de livros do padre Brennan Manning, que dá o seu testemunho acerca de seus problemas com o alcoolismo e sua dificuldade em aceitar ser aceito por Deus:
“Uma das contradições mais chocantes da Igreja é a profunda aversão que muitos discípulos de Jesus nutrem por si mesmos. Estão mais insatisfeitos com as próprias falhas do que jamais imaginariam estar em relação às de qualquer outra pessoa.
Nos meus oito anos de idade, nasceu em mim, como forma de defesa contra o sofrimento, o impostor, ou o falso eu. O impostor que vive em mim sussurrava: "Brennan, jamais seja quem você de fato é, porque ninguém gosta de você como é. Invente um novo eu a que todos admirem e ninguém conheça". Tornei-me assim um bom menino: cortês, educado, discreto e respeitoso. Estudei com afinco, tirei as melhores notas, granjeei uma bolsa de estudos para o ensino médio, e a cada momento fui perseguido pelo pavor do abandono e da sensação de não ter ninguém ao meu lado.
Minha mente e meu coração, divorciados um do outro, arrastaram-se profundamente por todo o meu ministério. Durante dezoito anos proclamei as boas notícias do amor apaixonado e incondicional de Deus — completamente convicto na mente, mas sem senti-las no coração. Nunca me senti amado. Por fim, porém, após um intenso retiro em que busquei sondar o meu interior, vim a perceber que era verdadeiramente amado. No instante em que compreendi essa verdade monumental, comecei a prantear e a soluçar. Depois de esvaziar o cálice da minha dor, algo notável aconteceu: ouvi ao longe som de música e dança. Eu era ali o filho pródigo voltando para casa, manco; não um espectador, mas um participante. O impostor desvaneceu, e entrei em contato com o meu verdadeiro eu, como o filho de Deus que havia retornado. "Venha para mim agora", diz Jesus. "Pare de projetar sobre mim o que sente a seu respeito. Neste momento sua vida é um caniço rachado que eu não quebrarei, um pavio fumegante que não apagarei. Você está num lugar seguro". Você é amado.
De fato, se eu preciso buscar uma identidade que não esteja em mim mesmo, o acúmulo de riqueza, poder e fama me fascina. Ou, então, posso encontrar meu centro de gravidade nos relacionamentos sociais. Ironicamente, a própria Igreja pode afagar o impostor conferindo ou retendo honrarias, oferecendo o orgulho de uma posição baseada no desempenho e criando a ilusão de status pelo escalão e pela ordem de importância. Quando pertencer a um grupo de elite eclipsa o amor de Deus, quando tiro vida e significado de qualquer outra fonte diferente da minha condição de amado, estou morto espiritualmente. Quando Deus é relegado a segundo plano, atrás de quaisquer bugigangas ou ninharias, troquei a pérola de grande preço por fragmentos de vidro pintado.
"Quem sou eu?" "Sou aquele que é amado por Cristo". Isso é a base do eu verdadeiro. A condição indispensável para desenvolver e manter a consciência de que somos os amados é reservar tempo a sós com Deus. Nossa identidade repousa na ternura implacável de Deus por nós, revelada em Jesus Cristo. Nosso frenesi controlado cria a ilusão de uma existência bem ordenada. Movemo-nos de crise em crise, reagindo ao urgente e negligenciando o essencial. Andamos continuamente em círculos. Ainda fazemos todos os gestos e praticamos todas as ações identificadas como humanas, mas nos assemelhamos a pessoas levadas por esteiras rolantes de aeroportos
Levou apenas algumas horas de silêncio antes de começar a ouvir minha alma falar. Demorou pouco até descobrir que não estava sozinho. Deus estava tentando gritar mais alto do que a barulheira da minha vida, contudo, eu não podia ouvi-lo. Mas, na calmaria e na solitude, seus sussurros gritaram de dentro da minha alma: "Estou aqui. Tenho-o chamado, mas você não me escutou. Consegue me ouvir? Eu amo você. Sempre o amei. Esperava que você me ouvisse dizê-lo. Mas você tem estado tão ocupado tentando provar para si mesmo que é amado, que nem me ouviu". Eu o ouvi, e minha alma sonolenta encheu-se com a alegria do filho pródigo. Minha alma foi despertada por um Pai amoroso que tem procurado e esperado por mim. Finalmente aceitei minha transgressão... Nunca tinha me acertado com isso. Deixe-me explicar. Eu sabia que estava quebrado. Sabia que era pecador. Sabia que decepcionava Deus continuamente, mas nunca consegui aceitar esse meu lado. Era uma parte que me envergonhava. Sentia continuamente a necessidade de me desculpar, de fugir da minha fraqueza, de negar quem eu era para me concentrar em quem deveria ser.
Estava quebrado, sim, mas tentando continuamente nunca mais me quebrar de novo ou, pelo menos, chegar a um lugar em que raramente estivesse quebrado. Cheguei a perceber que Jesus me fortalecia em minha transgressão, impotência e fraqueza. Era na aceitação da falta de fé que Deus poderia me dar fé. Era ao acolher minha transgressão que poderia me identificar com a transgressão dos outros. Meu papel era identificar-me com a dor de outros, não aliviá-la. Ministrar era compartilhar, não dominar; entender, não teologizar; cuidar, não consertar. O que isso tudo significa? Não sei... e sendo bem grosseiro, esta não é a questão? Sei apenas que em momentos específicos de nossa vida, ajustamos seu curso. Esse foi um desses momentos, para mim. Se você olhasse o mapa da minha vida, não perceberia nenhuma diferença notável, a não ser por uma ligeira mudança de direção. Só posso dizer que tudo parece diferente agora. Há uma expectativa, uma energia por causa da presença de Deus em minha vida que nunca experimentei antes. Só posso dizer-lhe que, pela primeira vez em minha vida, posso ouvir Jesus sussurrar todos os dias: "Eu te amo. Você é o amado". E por alguma estranha razão, isso parece ser suficiente. E você? Acredita realmente que Deus te ama incondicionalmente? (Citações das obras: “O Evangelho maltrapilho”, “O impostor que vive em mim”, “O amor obstinado de Deus”).
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento - www.pecarlos.blogspot.com

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De braços abertos
A mensagem bíblica da Liturgia de hoje nos fala da grande misericórdia de Deus, que está sempre de braços abertos para acolher os pecadores arrependidos.
A 1ª leitura mostra a misericórdia de Deus para com o Povo infiel. Após ter recebido inúmeros favores de Deus na Libertação do Egito, o Povo rompe com a Aliança e adora um bezerro de ouro. Moisés intercede. Deus perdoa e desiste de castigar. (Ex. 32,7-11.13-14)
O bezerro de ouro não pretende ser um novo deus, mas uma "imagem" de Javé, o que era proibido, para salvar a transcendência de Javé e evitar os símbolos e imagens dos cultos pagãos...
Na 2ª leitura Paulo fala da misericórdia de Deus para com ele: recorda o seu passado de perseguidor violento da Igreja. Mas, pela graça e misericórdia de Deus, tornou-se um apóstolo. E hoje manifesta toda a sua alegria e gratidão
pelo que a graça e a misericórdia de Deus fez nele... (1Tm. 1,12-17)
No Evangelho Jesus fala da misericórdia de Deus para com os pecadores: (Lc. 15,1-32)
Na Introdução, os fariseus criticam Cristo porque "acolhe gente de má fama e come com eles" Essa crítica provoca a Resposta de Jesus com as três parábolas da misericórdia que ilustram a atitude misericordiosa de Deus para com os pecadores: a ovelha perdida; a moeda perdida e o filho pródigo (perdido)
Elas manifestam a alegria de encontrar o que estava perdido. A alegria é tão grande, que precisa ser partilhada com os outros; é preciso festejar, tamanha é a felicidade. Elas nos apresentam também três realidades:
1. A existência do pecado: apesar da tendência generalizada que nega qualquer forma de pecado, devemos sustentar a existência do pecado. Nas leituras de hoje, encontramos vários exemplos:
- a idolatria dos judeus;
- a perseguição de Paulo;
- a atitude de injustiça do filho pródigo para com o pai;
- a vida desordenada com meretrizes;
- a negativa de perdão do irmão mais velho;
- o puritanismo dos fariseus e escribas, que murmuravam...
2. A misericórdia de Deus: o Pai respeita a liberdade do filho, mesmo quando busca a felicidade por caminhos errados. Continua a amar e a esperar o seu regresso. E quando volta... corre ao encontro, mesmo antes do filho pedir perdão. O beijo revela o perdão, a acolhida, a alegria. A veste: manifesta que devolve a dignidade... uma vida nova. O anel: simboliza o poder... é recebido "como filho", não como empregado. As sandálias: são próprias do homem livre, não do escravo. Festeja com a alegria o retorno.
É a atitude de Deus para com os filhos afastados.
O Filho desprezou sua dignidade de filho, o Pai nunca abandonou seu amor de Pai.
Por que será que o filho mais novo quis ir embora?
Porque desejava uma vida liberdade, longe dos olhos e controle do pai ou porque o comportamento do seu irmão tornava a vida pesada e insuportável naquela casa?
3. A conversão do pecador.
O pecado existe e todo pecado é uma ofensa a Deus... Mas a misericórdia de Deus é maior do que todos os nossos pecados. Contudo supõe uma atitude de retorno: conversão. Assim entenderemos a preferência de Cristo pelos pecadores, que humildemente reconheciam suas culpas e procuravam sinceramente uma conversão. E compreenderemos também as censuras de Jesus aos fariseus, representados na Parábola pelo filho mais velho, que não aceita perdoar.
Todos nós somos pecadores, quem mais e quem menos. A Igreja não é feita de santos, mas de pecadores perdoados... A liturgia afirma: "Somos povo santo e pecador..."
São Paulo: "Jesus veio salvar os pecadores e eu sou o primeiro deles". (1Tm. 1,15)
As parábolas da misericórdia nos revelam um Deus que ama todos. As transgressões dos filhos não anulam o Amor do Pai. Se essa é a atitude de Deus, qual deve ser a nossa para com aqueles que se afastaram de Deus e da comunidade?
A atitude de Cristo ou a dos fariseus? Do Pai ou do Filho mais velho?
Como viver a misericórdia em nossa vida, em nossa família?
Renovemos a nossa fé em Deus, Pai de bondade e misericórdia, e fiquemos de braços abertos também para nossos irmãos.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa - buscandonovasaguas.com
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“EXPERIMENTAR DEUS É EXPERIMENTAR SUA MISERICÓRDIA”
A parábola do filho pródigo representa o sentido do cristianismo. Podemos ser as três personagens apresentadas nesta história: o pai, o filho mais novo e o filho mais velho. Em determinadas ocasiões da nossa vida, quando praticamos a misericórdia somos o pai.
Quando fugimos de Deus para buscarmos uma alegria momentânea somos o filho mais novo. Que vai ter a sorte de voltar novamente. Quando somos o filho mais velho, somos o tipo de pessoa que segue a Cristo por um perfeccionismo cego. Não reconhece o amor de Deus.
Olhando para a parábola percebemos que o pai já sabia do triste destino do filho mais novo. Tinha certeza que seu afastamento não lhe traria felicidade. Longe do pai o filho perde seu ponto de referência. Longe de Deus o homem se perde nas ilusões do mundo.
O jovem acabou alimentando os porcos. Uma das piores situações para um judeu que não come carne de porco. Ele estava num país distante sem identidade.
Não fomos criados para a competição e para o individualismo. Estamos neste mundo para vivermos a solidariedade e termos a coragem de partilhar os bens espirituais e materiais que vamos cultivando em nossa vida. Por mais profundo que tenha sido o nosso pecado, Deus continua nos amando e quer que façamos parte de sua felicidade. O filho mais novo representa cada um de nós que queremos “criar” plano pessoal independente de Deus. Quanto mais nos afastamos d’Ele, mais nos perdemos em nosso próprio egoísmo que nos leva a verdadeira solidão. Por esta razão precisamos da oração para obedecer a Deus. Pela oração sabemos o que Deus quer de nós e criamos coragem para concretizarmos sua santa vontade.
Há muitos momentos em nossa vida que acabamos procedendo da mesma forma que o filho pródigo. Muitas vezes pensamos nas “alegrias momentâneas” que o mundo oferece e isto nos serve de substitutivo alienante de nossa própria realidade. A grande mídia tenta nos arrastar para estas alegrias mentindo para nós sobre a busca da felicidade. Para sermos felizes precisamos nos despojar das falsas alegrias para alcançarmos a verdadeira felicidade que não se encontra com muita facilidade. Pelo caminho dos nadas alcançamos o Tudo.
Quem é o filho mais velho? Um homem fiel ao pai? Pode ser que a sua fidelidade estivesse baseada no medo e não no amor. Ele é incapaz de perceber o amor do pai por seu irmão que ele acaba desconsiderando dizendo ser filho do pai e não seu irmão.
A inveja muitas vezes é motivo de destruição de nossas comunidades. Muitas pessoas que se consideram “perfeitas” acabam destruindo muitas obras que poderiam salvar muitas pessoas. O inimigo de Deus se serve da inveja para nos separar. Faz que criemos mundos isolados longe da vida em comunidade.
Devemos sair do “cuidar dos porcos” para irmos até o “cuidado do pai” que sempre nos ama, pois somos criaturas suas. É melhor estarmos sobre a responsabilidade de quem realmente nos ama do que ficarmos submissos aos que querem nos aprisionar ao pecado que tem como fruto a morte. Este tempo deve ser para nós um momento de cairmos em nós mesmos e nos sentirmos profundamente amados por Deus para nos transformarmos em agentes de seu amor na realidade onde estamos vivendo.
frei Giribone - www.saosebastiaoportoalegre.org.br
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1º leitura - Ex 32,7-11.13-14
Decisão e proposta de Deus
Depois que o povo adorou o bezerro de ouro, Deus se inflamou de ira, não reconheceu Israel como seu povo e decidiu exterminá-lo. É aqui que ele faz uma proposta tremendamente sedutora a Moisés. Deus propõe tirar das costas de Moisés este peso que ele carrega de libertar um povo que não sabe valorizar a liberdade, mas prefere continuar na escravidão. Além disso, Deus propõe promover Moisés. Ele seria um novo Abraão, pois Deus faria dele uma grande nação.
Súplica e postura de Moisés
Moisés recusa a proposta de Deus. Ele não pensa em si, mas no povo, na dignidade do próprio Deus. Em súplica comovente, ele pondera com Deus: por que esta decisão de eliminar o povo? Afinal este povo pertence a Deus. Foi Deus que o libertou com braço forte. Além disso, como ficaria a honra de Deus diante dos egípcios? Eles iriam dizer que Deus libertou o povo com má intenção: queria mesmo é exterminá-lo no deserto. E onde ficaria o processo de libertação? Ficaria interrompido. Como ficariam as promessas feitas a Abraão, Isaac e Jacó?
Deus se arrepende (v. 14)
Através de um diálogo muito humano, ficamos conhecendo a grandeza e dignidade de Moisés como também a bondade e a misericórdia de Deus. Ao invés de contar com o arrependimento do homem é o próprio Deus que se arrepende, coloca o perdão à frente e deixa viver o seu povo.
Como vai a nossa fidelidade ao projeto de vida deste Deus tão humano e misericordioso?
2º leitura - 1Tm 1,12-17
A carta foi escrita por um discípulo de Paulo como se fosse ele mesmo. Afinal, é ele que continua orientando suas comunidades e discípulos através da sua escola. Paulo deixa Timóteo em Éfeso e agora lhe escreve diante das filosofias e doutrinas erradas, que estão aparecendo na comunidade, diante dos conflitos e arrogâncias das lideranças. O autor apresenta o exemplo do próprio apóstolo.
O texto de hoje começa com uma ação de graças (v. 12) e termina com um hino de louvor (v. 17). Qual é o motivo da ação de graças? É o chamado de Cristo Jesus. Ele confia no pecador. Ele não nos chama para o ministério, porque somos santos, mas confia em nós por causa de sua própria bondade, misericórdia e gratuidade. Foi assim que aconteceu com Paulo que antes era blasfemo, perseguidor e violento. Fiel mesmo é só Jesus, mas a sua graça transbordou no coração de Paulo. O importante é abrir o coração e acolher a palavra fiel de Jesus: "Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro" (v. 15).
O exemplo
Paulo não quer se comunicar como modelo de perfeição para os líderes que se afastaram da santidade (v. 6), mas apresenta-se como aquela pessoa, que se deixou moldar por Deus. Jesus foi tremendamente paciente para com ele e, graças à sua abertura, ele encontrou misericórdia (v. 16). Aqui, sim, está o exemplo de Paulo. Ele é exemplo da misericórdia de Cristo para quem crê.
O hino
O hino de louvor é bastante solene, talvez para contrastar com as vaidades, glórias e arrogâncias dos líderes e doutrinas errôneas e extravagantes que estavam aparecendo: "Ao Rei dos séculos, Deus imortal, invisível, único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!" Quer dizer, a honra e a glória só a Deus, que é absoluto, incorruptível, invisível e único.
Evangelho - Lc. 15,1-32
O capítulo 15 é o coração do Evangelho de Lucas. São três parábolas de misericórdia ou a parábola dos três perdidos: da ovelha perdida, da dracma perdida, do filho perdido. Esta parábola do Filho Pródigo deve ser chamada de parábola dos dois filhos e, melhor ainda, parábola do Pai misericordioso.
Introdução - Os "justos" e pecadores - vv. 1-3
Essa introdução é de fundamental importância. De um lado Jesus e os pecadores. Quem são eles? São pessoas que tinham conduta imoral (adúlteros, mentirosos, prostitutas, etc.) ou exerciam profissões consideradas desonestas ou imorais, (cobradores de impostos, pastores, tropeiros, vendedores ambulantes, curtidores). Do outro lado os que criticavam a atitude misericordiosa de Jesus: fariseus, doutores da lei, que representavam a classe dominante e se consideravam justos. Jesus conta as parábolas para eles perceberem que a sua atitude é a atitude do Pai.
1º parte - o pai e o filho mais jovem (vv. 11-24)
O filho pede sua parte da herança ao pai e depois parte para bem distante. Pecar é distanciar-se da casa do Pai com experiências desligadas da fonte do amor e da vida. Mas ele acaba "na lama", cuidando de porcos, animal imundo para os judeus. Nem comida de porcos ele tinha. Reconhece na miséria absoluta que na casa do Pai até os empregados tinham de tudo. Ensaia sua confissão e decide voltar. Sua esperança é de ser ao menos um empregado. O importante para ele é o pão, que não falta na casa do pai.
Mas o Pai o aguardava ansioso (v. 20). Vendo-o encheu-se de compaixão e correu ao seu encontro e o restabelece na família com toda a dignidade de filho: o beijo é o sinal do perdão; a veste festiva é para um hóspede de honra; a entrega do anel é a restituição de todos os direitos e poderes na família; os sapatos eram luxo de homens livres, escravos não usavam. A carne era usada só de vez em quando e matar um bezerro era coisa especial para grandes festas. Naquela casa voltou a alegria: "vamos fazer um banquete. Porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado. Mas... e o filho mais velho?"
2º parte - o Pai e o filho mais velho (vv.25-32)
O filho mais velho tem todas as qualidades, mas não é capaz de acolher o irmão que volta, nem quer partilhar da alegria do coração do Pai que insiste com amor e ternura para que ele entre para a festa. Gabando-se de sua conduta justa e irrepreensível, chega a criticar a atitude do Pai. A parábola termina com o Pai justificando a sua conduta misericordiosa. E o filho mais velho entrou ou não entrou na festa? Agora entenderemos os versículos iniciais.
O filho mais novo são todos os pecadores com quem Jesus faz a festa. O filho mais velho são os fariseus e doutores da lei que se consideram justos, mas são incapazes de acolher os irmãos marginalizados e ainda criticavam a atitude de Jesus. E você? Qual a sua postura?
dom Emanuel Messias de Oliveira - www.diocesedeguanhaes.com.br

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A liturgia deste domingo centra a nossa reflexão na lógica do amor de Deus. Sugere que Deus ama o homem, infinita e incondicionalmente; e que nem o pecado nos afasta desse amor…
A primeira leitura apresenta-nos a atitude misericordiosa de Jahwéh face à infidelidade do Povo. Neste episódio – situado no Sinai, no espaço geográfico da aliança – Deus assume uma atitude que se vai repetir vezes sem conta ao longo da história da salvação: deixa que o amor se sobreponha à vontade de punir o pecador.
Na segunda leitura, Paulo recorda algo que nunca deixou de o espantar: o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo. Esse amor derrama-se incondicionalmente sobre os pecadores, transforma-os e torna-os pessoas novas. Paulo é um exemplo concreto dessa lógica de Deus; por isso, não deixará de testemunhar o amor de Deus e de Lhe agradecer.
O Evangelho apresenta-nos o Deus que ama todos os homens e que, de forma especial, Se preocupa com os pecadores, com os excluídos, com os marginalizados. A parábola do “filho pródigo”, em especial, apresenta Deus como um pai que espera ansiosamente o regresso do filho rebelde, que o abraça quando o avista, que o faz reentrar em sua casa e que faz uma grande festa para celebrar o reencontro.
1º leitura – Ex. 32,7-11.13-14 – AMBIENTE
O texto que nos é proposto está integrado na segunda parte do Livro do Êxodo; aí, apresentam-se as tradições que dizem respeito ao compromisso de amor e de comunhão que Israel aceitou estabelecer com Jahwéh. São as “tradições sobre a aliança” (cf. Ex. 19-40).
O texto situa-nos em frente de um monte, no deserto do Sinai. Em si, o nome “Sinai” designa uma enorme península em forma triangular, com mais ou menos 420 Km. de extensão norte/sul, estendendo-se entre o golfo do Suez, no Mediterrâneo e o golfo da Áqaba, no mar Vermelho. A península inteira é um deserto árido, com vegetação escassa (exceto em alguns raros oásis), semeada de montanhas que chegam a atingir os 2400 metros de altitude. As hipóteses de situar exatamente o “monte da aliança” são tênues; no entanto, uma tradição cristã do séc. IV d.C. identifica o “monte da aliança” com o “Gebel Musa” (“monte de Moisés”), uma montanha com 2.244 metros de altitude, situada a sul da península sinaítica. Embora a identificação do “monte da aliança” com este lugar seja problemática, o “Gebel Musa” é, ainda hoje, um lugar de peregrinação para judeus e cristãos.
Seja qual for o lugar da aliança, o fato é que o texto nos situa em frente de um “monte” não identificado da península sinaítica, onde Israel celebrou uma aliança com o seu Deus. Depois de Moisés subir ao monte para receber de Deus as tábuas da Lei (cf. Ex. 31,18), o Povo, reunido no sopé da montanha à espera de Moisés, construiu um bezerro de ouro e infringiu, dessa forma, os termos da aliança (cf. Ex 32,1-6).
MENSAGEM
O tema fundamental que o texto nos propõe gira à volta da resposta de Deus ao pecado do Povo.
A primeira parte (vs. 7-10) descreve o pecado do Povo e uma primeira reação de Deus. Perante a ausência de Moisés no monte sagrado, o Povo constrói um bezerro de ouro. O bezerro de ouro não pretende ser um novo deus, mas uma imagem de Jahwéh (“este é o teu Deus, Israel, que te fez sair da terra do Egito” – v. 8); de qualquer forma, o Povo “desviou-se do caminho” que Deus lhe havia ordenado, pois infringiu o segundo mandamento do Decálogo (segundo o qual, Israel não devia fazer imagens de Jahwéh: por um lado, o não representar Deus permitia salvaguardar a transcendência de Jahwéh, já que a “imagem” era uma definição de Deus e Deus não pode ser definido pelo homem; por outro lado, a luta contra os deuses e cultos pagãos era impossível se não se proibiam também os seus símbolos e imagens). O pedido de Deus a Moisés (“agora deixa-Me; a minha cólera vai inflamar-se contra eles e destruílos-ei; mas farei de ti uma grande nação” – v. 10) pode ser posto em paralelo com a promessa a Abraão de Gn 12,2: Deus fala de tudo recomeçar com Moisés, como fez com Abraão.
Na segunda parte (vs. 11-14), descreve-se a intercessão de Moisés e a misericórdia de Deus. O texto começa com a referência a Moisés que “deitou água na fervura” (literalmente: “acalmou a face de Deus” – v. 11a). As palavras de intercessão de Moisés (vs. 11b-13) não fazem referência aos méritos do Povo, mas à honra de Deus e à sua fidelidade às promessas assumidas para com o Povo no âmbito da aliança.
A resposta final de Deus (v. 14) põe em relevo a sua misericórdia. Não são os méritos do Povo que sustêm o castigo; mas é o amor de Deus, a sua lealdade aos compromissos, a sua “justiça” (que é misericórdia, ternura, bondade) que acabam por triunfar. O amor infinito de Deus pelo seu Povo acaba sempre por falar mais alto do que a sua vontade de castigar os desvios e infidelidades.
ATUALIZAÇÃO
 Antes de mais, o texto sublinha a lealdade de Deus para com o seu Povo, a “justiça” que marca a relação de Jahwéh com Israel (entendida como fidelidade aos compromissos assumidos por Deus para com os homens). Fica, aqui, claro que a essência de Deus é esse amor gratuito que Ele derrama gratuitamente sobre os homens, qualquer que seja o seu pecado… Deus ama infinitamente, seja qual for a resposta do homem; e esse amor nunca será desmentido. É à luz desta perspectiva que devemos encarar Deus e a sua relação conosco.
 O pecado dos israelitas (a construção de uma imagem deturpada de Deus) levanos a questionar as imagens que, às vezes, construímos e transmitimos de Deus… O Deus em Quem acreditamos e que testemunhamos, quem é? É o Deus que Se revelou como amor, bondade, misericórdia, ao longo da história da salvação, ou é um Deus vingativo e cruel, que não desculpa as faltas dos homens e que anda à cata de qualquer comportamento faltoso para deixar cair sobre eles a sua cólera e a sua crueldade? Não esqueçamos: testemunhar um Deus vingativo, impositivo, sem coração e sem misericórdia, é fabricar uma falsa imagem de Deus.
 Atente-se na atitude de Moisés, face à indignação de Deus: intercede pelo Povo e não deixa que a ambição pessoal se sobreponha ao interesse de Israel (de acordo com o texto, Deus propôs-lhe: “deixa que a minha indignação se inflame contra eles e os destrua; de ti farei uma grande nação”; mas Moisés não aceitou a proposta). A atitude de Moisés é uma atitude “fácil”, à luz dos critérios dos homens? Quantas vezes os homens são capazes de “vender a alma ao diabo” para subir, para ter êxito, para chegar a presidir a qualquer coisa? Quantas vezes os homens são capazes de sacrificar os valores mais sagrados para serem conhecidos, famosos, invejados, ou para adquirir uma fatia mais de poder e de influência?
2º leitura – 1Tim. 1,12-17 - AMBIENTE
O Timóteo aqui referenciado era natural de Listra (Licaónia), filho de pai grego e de mãe judeo-cristã. Aparece no livro dos Atos como companheiro inseparável de Paulo, a partir da segunda viagem missionária. Paulo teria confiado a Timóteo missões importantes entre os tessalonicenses (cf. 1Tess. 3,2.6) e entre os coríntios (cf. 1 Cor 4,1.17;16,10-11). Ainda muito jovem Timóteo recebeu de Paulo a responsabilidade pastoral das Igrejas da província da Ásia (cf. 1Tim. 4,12). A tradição considera-o como o primeiro bispo de Éfeso.
Esta carta apresenta-se como escrita por Paulo a Timóteo, quando este está encarregado da animação da Igreja de Éfeso. Contém uma série de instruções que versam, fundamentalmente, sobre três temas: a organização da comunidade, a forma de combater os hereges e a vida cristã dos fiéis. Convém, no entanto, acrescentar que a maior parte dos comentadores não considera esta carta de autoria paulina: a linguagem e a teologia não parecem ser paulinas; e, sobretudo, a carta supõe um modelo de organização eclesial que é dos finais do séc. I d.C. (Paulo teria morrido na perseguição de Nero, por volta de 66/67 d.C.).
MENSAGEM
No texto que nos é proposto, Paulo recorda, agradecido, a sua história de vocação. O apóstolo afirma que recebeu de Cristo o seu ministério; e proclama que isso se deve, não aos seus méritos, mas à misericórdia de Deus.
Paulo tem consciência do seu passado de perseguidor violento da Igreja de Cristo. É verdade que Paulo atuou dessa forma por ignorância; no entanto, isso não o exime de culpa… Apesar desse passado duvidoso, Deus, na sua bondade, cumulou-o da sua graça.
Paulo reconhece que Cristo “veio ao mundo para salvar os pecadores”, entre os quais Paulo se inclui. Pelo exemplo de Paulo, fica evidente a misericórdia e a magnanimidade de Deus, que se derrama sobre todos os homens, sejam quais forem as faltas cometidas. A partir deste exemplo, todos os homens são convidados a tomar consciência da bondade de Deus e a responder-lhe da mesma forma que Paulo: com o dom da vida e com o empenho sério no testemunho desse projeto de amor que Deus tem para oferecer. O profundo reconhecimento que Paulo sente diante da misericórdia com que Deus o distinguiu leva-o a um canto de louvor que, neste texto, apresenta contornos litúrgicos (“ao rei dos séculos, Deus imortal, invisível e único, honra e glória pelos séculos dos séculos, amén” – v. 17).
ATUALIZAÇÃO
 Antes de mais, somos convidados a tomar consciência do amor que Deus oferece a todos os homens, sem exceção, sejam quais forem as suas faltas… Foi esse Deus que Paulo experimentou e que testemunhou; é esse, também, o Deus que experimentamos e testemunhamos?
 Entre os cristãos existe, muitas vezes, a convicção de que a “justiça de Deus” é a aplicação rigorosa da lei; assim, Deus trataria bem os bons, enquanto que castigaria, natural e objetivamente, os maus… A história de Paulo – e a história de tantos homens e mulheres, ao longo dos séculos – é um desmentido desta lógica: o amor de Deus derrama-se sobre todos os homens, mesmo sobre aqueles que têm vidas duvidosas e pecadoras. Bons e maus, a todos Deus ama, sem excepção. E nós? Somos filhos deste Deus e amamos os nossos irmãos, sem distinções? Às vezes ouvem-se – mesmo entre os cristãos – expressões de ódio e de desprezo em relação àqueles que cometem desacatos ou que têm comportamentos que reprovamos… Como conciliar essas atitudes com o exemplo de amor sem restrições que Deus nos oferece?
 O nosso texto termina com um hino de louvor ao Deus que ama, sem exceções… Sentimo-nos agradecidos a Deus por esse amor nunca desmentido, que se derrama sobre nós, sejam quais forem as circunstâncias?
EVANGELHO – Lc. 15,1-32 - AMBIENTE
No “caminho para Jerusalém” aparece, em dado momento, uma catequese sobre a misericórdia de Deus… Com efeito, todo o capítulo 15 de Lucas é preenchido com as chamadas “parábolas da misericórdia”.
Trata-se de um tema caro a Lucas. Para este evangelista, Jesus é o Deus que veio ao encontro dos homens para lhes oferecer, em gestos concretos, a salvação. As parábolas da misericórdia expressam, de forma privilegiada, o amor de Deus que se
derrama sobre os pecadores.
A parábola da ovelha perdida – a primeira que o Evangelho de hoje nos propõe – é comum a Lucas e Mateus (cf. Mt. 18,12-14), embora em Mateus apareça em contexto diverso: trata-se de material que provém, provavelmente, da “fonte Q” (coleção de “ditos” de Jesus, que Mateus e Lucas utilizaram na composição dos respectivos evangelhos). As parábolas da dracma perdida e do filho pródigo (as outras duas parábolas que completam este capítulo) são exclusivas de Lucas.
O discurso de Jesus apresentado em Lc 15 é enquadrado, pelo evangelista, numa situação concreta. Ao ver que alguns infratores notórios da moral pública (como os cobradores de impostos) se aproximavam de Jesus e eram acolhidos por Ele, os fariseus e os escribas (que não admitiam qualquer contacto com os pecadores e os desclassificados e até mudavam de passeio para não se cruzar com eles) expressaram a sua admiração por Jesus os acolher e por (atitude inaudita!) Se sentar à mesa com eles (o sentar-se à mesa expressava familiaridade, comunhão de vida e de destinos). É essa crítica que vai provocar o discurso de Jesus sobre a atitude misericordiosa de Deus.
MENSAGEM
As três parábolas da misericórdia pretendem, portanto, justificar o comportamento de Jesus para com os publicanos e pecadores. Elas definem a “lógica de Deus” em relação a esta questão.
A primeira parábola (vs. 4-7) é a da ovelha perdida. Trata-se de uma parábola que, lida à luz da razão, é ilógica e incoerente, pois não é normal abandonar noventa e nove ovelhas por causa de uma; também não faz sentido todo o espalhafato criado à volta de um fato banal como é o reencontro com uma ovelha que se extraviou…
Nesses exageros e nessas reações desproporcionadas revela-se, contudo, a mensagem essencial da parábola… O “deixar as noventa e nove ovelhas para ir ao encontro da que estava perdida” mostra a preocupação de Deus com cada homem que se afasta da comunidade da salvação; o “pôr a ovelha aos ombros” significa o cuidado e a solicitude de Deus, que trata com cuidado e com amor os filhos que se afastaram e que necessitam de cuidados especiais; a alegria desproporcionada do pastor que encontrou a ovelha mostra a alegria de Deus, sempre que encontra um filho que se afastou da comunhão com Ele.
A segunda parábola (vs. 8-10) reafirma o ensinamento da primeira. O amor misericordioso e constante de Deus busca aquele que se perdeu e alegra-se quando o encontra. A imagem da mulher preocupada, que varre a casa de cima a baixo, ilustra a preocupação de Deus em reencontrar aqueles que se afastaram da comunhão com Ele. Também aqui há, como na parábola anterior, a referência à alegria do reencontro: essa alegria manifesta a felicidade de Deus diante do pecador que volta.
A terceira parábola (vs. 11-32) apresenta o quadro de um pai (Deus), em cujo coração triunfa sempre o amor pelo filho, aconteça o que acontecer. Ele continua a amar o filho rebelde e ingrato, apesar da sua ausência, do seu orgulho e da sua auto-suficiência; e esse amor acaba por revelar-se na forma emocionada como recebe o filho, quando ele resolve voltar para a casa paterna. Esta parábola apresenta a lógica de Deus, que respeita absolutamente a liberdade e as decisões dos seus filhos, mesmo que eles usem essa liberdade para buscar a felicidade em caminhos errados; e, aconteça o que acontecer, continua a amar, a esperar ansiosamente o regresso do filho, preparado para o acolher com alegria e amor. É essa a lógica que Jesus quer propor aos fariseus e escribas (os “filhos mais velhos”) que, a propósito dos pecadores que tinham abandonado a “casa do Pai”, professavam uma atitude de intolerância e de exclusão.
O que está, portanto, em causa nas três parábolas da misericórdia é a justificação da atitude de Jesus para com os pecadores. Jesus deixa claro que a sua atitude se insere na lógica de Deus em relação aos filhos afastados. Deus não os rejeita, não os marginaliza, mas ama-os com amor de Pai… Preocupa-se com eles, vai ao seu encontro, solidariza-Se com eles, estabelece com eles laços de familiaridade, abraços com emoção, cuida deles com solicitude, alegra-Se e faz festa quando eles voltam à casa do Pai. Esta é a forma de Deus atuar em relação aos seus filhos, sem exceção; e é essa atitude de Deus que Jesus revela ao acolher os pecadores e ao sentar-Se com eles à mesa. Por muito que isso custe aos fariseus, essa é a lógica de Deus; e todos os “filhos de Deus” devem acolher esta lógica e atuar da mesma forma.
ATUALIZAÇÃO
Essencialmente, as parábolas da misericórdia revelam-nos um Deus que ama todos os seus filhos, sem exceção, mas que tem um “fraco” pelos marginalizados, pelos excluídos, pelos pecadores… O seu amor não é condicional: Ele ama, apesar do pecado e do afastamento do filho. Esse amor manifesta-se em atitudes exageradas, desproporcionadas, de cuidado, de solicitude; revela-se também na “festa” que se sucede a cada reencontro… Não é que Deus pactue com o pecado; Deus abomina o pecado, mas não deixa de amar o pecador. É este Deus – “escandaloso” para os que se consideram justos, perfeitos, irrepreensíveis, mas fascinante e amoroso para todos aqueles que estão conscientes da sua fragilidade e do seu pecado – que somos convidados a descobrir.
Se essa é a lógica de Deus em relação aos pecadores, é essa mesma lógica que deve marcar a minha atitude face àqueles que me ofendem e, mesmo, face àqueles que têm vidas duvidosas ou moralmente reprováveis. Como é que eu acolho aqueles que me ofendem, ou que assumem comportamentos considerados reprováveis: com intolerância e fanatismo, ou com respeito pela sua dignidade de pessoas?
Face ao aumento da criminalidade e da violência cria-se, por vezes, um clima social de alguma histeria e radicalismo. Exigem-se castigos mais severos e os adeptos das soluções definitivas chegam a falar na pena de morte para certos crimes. Que sentido é que isto faz, à luz da lógica de Deus?
Ser testemunha da misericórdia e do amor de Deus no mundo não significa, no entanto, pactuar com o pecado… O pecado – tudo o que gera ódio, egoísmo, injustiça, opressão, mentira, sofrimento – é mau e deve ser combatido e vencido.
Distingamos claramente as coisas: Deus convida-me a amar o pecador e a acolhe-lo sempre como um irmão; mas convida-me também a lutar objetivamente contra o mal – todo o mal – pois ele é uma negação desse amor de Deus que eu devo testemunhar.
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A ALEGRIA DO PERDÃO
Num dos belos cantos penitenciais do repertório de nossas igrejas estão estas belas palavras: "Eu canto a alegria, Senhor - de ser perdoado no amor". O perdão que Deus nos dá de nossos pecados é todo feito de amor e de alegria. Não é a sentença de absolvição de um tribunal, dada muitas vezes com frieza e má vontade. É o coração de Deus Pai, que se alegra pela nossa volta. Como exemplifica Jesus em três parábolas que são Lucas -o evangelista da misericórdia - acolhe no seu evangelho.
A primeira parábola é a do pastor que encontra a ovelha . perdida. Um pastor tinha cem ovelhas. Uma delas se afasta do rebanho e se extravia. O pastor vai procurá-la. Com todo o carinho. Deixando as noventa e nove que estão seguras no aprisco, percorre montes e vales, até encontrar a que se tinha perdido. Quando a encontra, faz grande festa com os amigos. "Assim- disse Jesus - haverá mais alegria no céu por um só pecador que faça penitência, do que por noventa e nove justos que não precisam de penitência" (Lc. 15,7).
A segunda parábola é a de uma mulher que tinha dez moedas de prata, e perdeu uma. Revira imediatamente toda a casa, até encontrá-la. E, então, chama as amigas para se alegrarem com ela. Uma alegria incontida! "Assim -concluiu de novo Jesus -eu vos digo que haverá alegria entre os anjos do céu por um só pecador que faça penitência" (Ibid., v 10).
Mas a terceira parábola é a mais bela de todas. É, sem dúvida, a mais bela de todo o Evangelho: É uma verdadeira dramatização muito viva de toda a história do pecador que se afasta de Deus; da miséria que ele encontra longe da casa do pai; e, enfim, da volta, em que ele é acolhido com alegria e com festa pelo pai; esse pai que ficara chorando sua ausência, e que alongava todos os dias os olhos para a última curva da estrada, na esperança de vê-Io regressar.
Todo aquele que estiver em estado de pecado, leia essa parábola e reflita sobre ela, e encontrará o caminho da conversão. Descobrirá como é dura ingratidão afastar-se de Deus que é Pai e que nos dá tudo o de que precisamos. Descobrirá como é infeliz a vida longe da casa do Senhor. A situação de miséria em que se encontrou o filho pródigo, tendo até de tomar conta de porcos - profissão amaldiçoada pela lei judaica -e sendo desprezado por todos, mostra-lhe-á o fundo abismo em que se precipitou. E acabará encontrando no fundo da alma o apelo à conversão. Como o moço da parábola, lembrará os bens de que gozava na casa do Pai, e sentirá de novo quanto é bom esse Pai. Quererá voltar para ele. Sentir -se-á indigno de ser seu filho, e se contentaria com um lugar de servo. Mas o Pai do céu, exatamente como o pai da parábola, Ihe fará sentir que o quer Ter sempre como filho. Que lhe perdoa tudo, e se alegra com grande alegria pela sua volta. Era um filho que estava perdido, e que agora volta; estava morto, e ressuscitou (cfrv 32).
O mais belo dos aspectos da parábola é exatamente esse, de que o filho é restituí do à sua condição de filho. O Santo Padre João Paulo II, em mais de um documento, insiste nesse elemento da parábola: "Pai pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um de teus empregados" (v 19). Mas o pai não quer assim. E tudo faz para que o filho sinta que ele é sempre seu pai. Esse é o sentido da túnica preciosa, do anel que lhe põe no dedo, da sandália que lhe faz calçar, e da festa que promove. É uma verdadeira ressurreição. Se não fosse assim, o perdão não pareceria completo; e ficaria sempre a sombra do remorso magoando a consciência para sempre:
Nas três parábolas há a alegria do encontro. E num crescendo de emoção. A alegria do pastor que reencontra sua ovelha é maior do que a da mulher que achou a moeda de prata. E infinitamente maior é a alegria do pai que recebe o filho que voltou.
É bom guardarmos o sentido dessa alegria. A confissão não é um sacramento de tristeza e de humilhação. É um sacramento de festa e de alegria. Humilhação e tristeza é o pecado. É estar longe de Deus. Voltar para Deus é alegria. É o amor de Deus florescendo em misericórdia. É o pecado do homem, destruído por essa misericórdia. Nada mais justo que cantar: "Eu canto a alegria, Senhor- De ser perdoado no amor".
padre Lucas de Paula Almeida - www.padrelucas.com.br

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