.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*-(22ºpós-Pent.: 29ºdom.T.Comum)
para 20 outubro 2013

– vontade de desanimar –
·                  Algumas questões desafiando a Fé, e dá vontade de desanimar diante (p.ex.) do seguinte:
o   Todo dia ficamos sabendo de corrupção em muitos níveis da administração pública e da sociedade. Parece que não acabará nunca. Até quando manteremos as mãos erguidas?
o   Imigrantes morrendo na busca de uma vida melhor, refugiados abandonando seus lares para fugir da guerra ou da perseguição, milhões com fome e outros desperdiçando bens. Pessoas sequestradas para a prostituição ou tráfico internacional de órgãos.
o   Conflitos no interior dos casais, das famílias, das cidades, das classes sociais. Lentidão da justiça para atender aos direitos (civis, humanos, sociais, etc.).
o   Crise econômica que parece permanente. Impasses políticos e econômicos para superar o desemprego e a exclusão que atinge agora não só países pobres ou do bloco “Bric”, mas da Europa e Estados Unidos. (reflexões do biblista canadense André Gilbert).

– mãos erguidas, oportuna ou inoportunamente –
·                  enquanto Moisés conservava as mãos levantadas Israel vencia; tornando-se pesadas, Aarão Ur, um de cada lado, sustentaram suas mãos e,assim, não se fatigaram = Ex 17,8-13. Diante de Deus, de Cristo Jesus, que virá julgar os vivos e os mortos, e por sua manifestação gloriosa e a do seu Reino, eu te peço e insisto: proclama a palavra, insiste oportuna ou importunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina = 2Tm 3,14 - 4,2. Na parábola da viúva disse o juiz mau: porque já está me cansando: vou fazer-lhe justiça. E Deus? não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? = Lc 18,1-8
·                 Alternativas à primeira leitura no Lecionário Comum (LCR) convergem para o mesmo tema. Jeremias (31.27-34) reafirma a promessa: Deus fará justiça quando seu pacto/aliança for este: porei a lei dentro de sua mente e de seu coração. Gênesis (32:22-31) traz o relato épico de Jacó (= cada um de nós) lutando (diríamos, na noite da existência). E Jacó fica sozinho com seus inimigos até ver a face de Deus e receber sua bênção (verso 25). Graças à sua obstinação Jacó vence o adversário. Nas três leituras: manter a fé até o cumprimento da promessa. A luta maior é contra o desânimo, i.é., desistir de acreditar. Com ajuda de outros, Moisés aguenta as mãos erguidas. Jacó, em sua noite (ou luta) aponta a raiz de toda dificuldade: a “solidão” existencial. Jeremias insiste na espera da justiça final. O texto mostra também não só o confronto Deus-Homem (= Religião e existência humana) e nem apenas o confronto de um povo específico (aquele que se formou no pacto com Jahwé, libertador da escravidão). O anúncio é de um novo pacto baseado na responsabilidade individual: a Consciência (“mente e coração”). Toda a história de salvação é prefiguração do Cristo. Ele resume nos dias de sua vida mortal a luta que é de toda a humanidade. Contra o adversário (Shatã, nas tentações, ou a serpente apocalíptica, querendo devorar a descendência da Mulher, cf.Ap 12). Toda a Escritura é esperança da vitória final e seu apelo é a Fé: não desistir.
·                  – o juiz é injusto mas aquela viúva não desistiu –
·                  Uma das poucas parábolas com mensagem anterior à sua contação, visa mostrar que se deve orar sempre, sem desanimar. O “tema” não permite ver na figura do juiz uma representação de Deus. Porque Deus é bom. O foco é: não perder a confiança; não desanimar. O termo do texto original é egkakéin. O mesmo verbo é usado nas Cartas apostólicas. Exermplos: 2Cor4,1 “não esmorecemos”; 4,16: idem; Gl 6,9: não cessamos de fazer o bem; Ef 3,13: não se abater pelas provações; 2Ts3,13: não vos canseis de fazer o bem.
·                  Mas Deus precisa que continue0mos na perseverança para ficar, até ficar “cansado” e, assim, a dobrar-se às nossas demandas. Ele já tinha criticado tal visão da “repetição” (cf.Mt6,8): os pagãos pensam que falando muito serão ouvidos. Mas, se Deus já sabe do que precisamos (como lembra Agostinho na Carta a Proba -carta 130) por que oramos? Porque precisamos de um olhar capaz de perceber a ação de Deus. Para tanto, precisamos de mudança interior. Sem acreditar na Glória (= o restaurar da “Justiça de Deus”) não percebemos a presença de Deus neste mundo. Sem crer no projeto de um mundo novo não trabalhamos para mudar este mundo.
·                  Portanto, a oração é menos para pedir “coisas” do que para renovar o desejo: “venha a nós o Reino”. Esse desejo implica colaborar com a construção humana do mundo. O que, por sua vez, supõe “nascer de novo” (cf. conversa de Jesus com Nicodemos). O mesmo significado da expressão de Paulo: ser “nova criatura”.
·                  A oração é basicamente desejar o “Reino”, isto é, que venha a nós o mundo novo, aquele  desejado pelo próprio Deus para nós. Querer seguir o Cristo é crer no “novo Adão”. E não acreditais que Deus fará justiça aos seus escolhidos? O termo “eleitos” (escolhidos), em Lucas, só é usado aqui. Em 9,35 e 23,35 o “eleito” = o Cristo. É usado no plural em Marcos e Mateus (Mc13,20 // Mt24,22; Mc13,22 // Mt 24,24. Mc13,27 // Mt24,31) num contexto “apocalíptico”, quer dizer: referente ao final dos tempos. Os “Escolhidos” passam pelo juízo final e entram no mundo divino. São eles os que no tempo presetne gritam, noite e dia, aguardando a restauração do mundo, quando virá o Cristo para “julgar os vivos e os mortos”, conforme confessamos no Credo.
[comentários bíblicos baseados nos comentários de André Gilbert nesse 29ºdom.Comum]

ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

( * ) Prof./cons.(filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário