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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*-(23ºapósPent. - 30ºdom.T.Comum)       para 27 outubro 2013

– Pessoas discriminam Pessoas –
·                  A primeira leitura é do Sirácida 35,15-17.20-22 (ou vv12-17 no Lecionário Comum Revisado, além das leituras alternativas: Joel 2,23-32 ou Jeremias 14,7-10.19-22); a 2ª leitura é de 2Tm 4,6-8.16-18. O evangelho, Lc18,9-14: a parábola “o fariseu e o publicano vão ao Templo”
·                  Fariseu= membro do movimento iniciado no século 2 a.C. que procurava resistir às influências da civilização grega, preservando a prática da lei. Multiplicou normas, jejuns, orações e muitos gestos e atitudes visando a pureza da religião. O exagero que se acumulou ao propósito inicial de piedade religiosa tornou-os, na maioria, os “puros” no meio da sociedade em que atuavam como um partido religioso-político. A radicalização das práticas religiosas levou-os com frequência a privilegiar os ritos exteriores distanciando-os da verdadeira fé de Israel. É nesse sentido que recebem muitas críticas do Mestre de Nazaré.
·                  Publicano = são cobradores de impostos e, por causa da ocupação romana, identificados como uma espécie de traidores do povo, além de habitualmente enriquecerem com a extorsão fiscal (lembremos a figura de Zaqueu). Com estes dois personagens Jesus “propôs a parábola aos que confiavam em si mesmo considerando-se justos e desprezando os demais”. Os tipos representam o “justo” e o “pecador” tais como considerados na sociedade. A mensagem ou foco central é: quem “se acha” justo não entendeu a misericórdia de Deus. Na bíblia (e, para Jesus) só Deus é santo. Ser criatura, na limitação do espaço-tempo é ser frágil (no vocabulário bíblico = “pecador”). O famoso canto do Magnificat de Maria traduz o mesmo tema: Deus revigora os fracos e deixa entregues a si mesmos os autossuficientes. O Salmo 51 diz o mesmo. Toda a Escritura é a proclamação da salvação dada gratuitamente ao ser humano. É Deus quem recebe, abraça e abre o coração e as portas de sua casa ao filho pródigo.
– a parábola em nosso contexto –
·                  Em todas as religiões, e dentro delas, em suas várias vertentes ou movimentos, desenvolvem-se historicamente alterações de conceitos, doutrinas e, sobretudo, práticas e costumes. Tudo isso está sempre submetido à mesma tentação: discriminação entre castas ou classes que “garantem” sua salvação mediante suas escolhas de observâncias (normas e ritos religiosos ou sociais). A Graça, no entanto, é o bem que desce “do céu”, como a chuva, sobre justos e injustos.
·                  Neste último domingo de outubro as comunidades cristãs protestantes comemoram o dia da Reforma (pela data de 31 de outubro). Este movimento, que encontrou, sob a liderança de Martinho Lutero, condições de desenvolvimento no século 16 europeu organizou sua teologia em torno do tema da justificação e da fé. Desejava superar tudo que fosse “farisaísmo” na Igreja europeia. E foi na compreensão de que todo homem é como o “publicano” que a teologia da Reforma se desenvolveu, provocando não só controvérsias e tendências, mas levando a rejeitar tanto os abusos existentes na Igreja, como a realizar sua separação da dependência da autoridade centralizada em Roma. É claro que o Reforma foi possível num contexto em que interferiram inúmeros outros fatores políticos, sociais e econômicos.
·                  Não é aqui o lugar de estudar a história da Reforma, nem de maiores reflexões sobre movimentos ecumênicos, diálogo entre confissões ou inter-religioso. Mas talvez seja esta ocasião para todos, cristãos ou não, fazerem um exame de consciência sobre sua autocompreensão na sociedade e na história. Reformados, católicos, ortodoxos, membros de outras religiões e até mesmo não crentes podem perguntar-se: como procuram o Bem e evitam o Mal. Será que a humanidade ainda se ilude com costumes e tradições (mesmo aquelas de origem religiosa) deixando de encarar a verdade interior (= Humildade)? Não têm razão as críticas dos profetas (Joel, Jeremias, por ex. em textos de hoje)? Alguém duvida que vivemos numa “ordem” mundial injusta, assassina e suicida? Os direitos humanos são respeitados? As culturas despertam para a solidariedade? As pessoas pensam nos mais necessitados? O que nos dá sentido na vida (seja como seres humanos ou como membros dessa ou daquela religião, dessa ou daquela confissão cristã; seja como agnósticos ou como crentes, samaritanos ou judeus, ocidentais e orientais, países desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento ou ricos e pobres) ?
·                  O ser humano, centrado na soberba e arrogância, é levado ao desprezo e à violência. Dois homens subiram ao templo para orar.
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( * ) Prof./cons.(filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.co

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