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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

FINADOS - ANO C

2 de Novembro de 2013 

Comemoração de todos os Fiéis Defuntos, Solenidade

Evangelho - Mt 5,1-12a

Domingo dia 02 de novembro

Alegrai-vos e exultai, porque será
grande a vossa recompensa nos céus.



SERÁ GRANDE A VOSSA RECOMPENSA NOS CÉUS - José Salviano.



        Jesus neste famoso sermão nos mostra que quase tudo o que valorizamos nesta vida não vale nada para a VIDA ETERNA.  Muitos se matam acumulando valores econômicos, riquezas, e quando morrem não levam nada. E o pior, não se dedicam ao devido preparo para merecerem a glória eterna. Continua


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No dia em que celebramos os mortos, tudo fala de vida, de modo que podemos afirmar, que morrer é viver. A razão disso tudo é a pessoa de Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Hoje de modo especial, recordamos os nossos falecidos. Uma lembrança de carinho e piedade. A Igreja sempre nos ensinou a rezar no Credo: “Creio na comunhão dos santos... e na vida eterna”. O que significa isso? Quer dizer que nós, que peregrinamos nesta Terra, estamos em comum união, em comunhão com os que terminaram esta vida, seja os que alcançaram a glorificação, seja os que ainda precisam de purificação. A criatura humana não é feita para a morte, mas para a vida eterna. E Jesus foi claro quando disse: “Deus não é um deus dos mortos, mas dos vivos”. A morte biológica não é o fim do ser humano. Tudo é possível se a morte não é o fim. Apesar da fé, é natural que nos pese a ausência física de pessoas que amamos e já não estão neste mundo. Não celebramos nossos mortos como quem lembra de alguém que se foi e nunca mais se verá. Cremos num encontro que está carinhosamente preparado pelo Pai e que podemos rezar uns pelos outros, vivos e mortos, porque continuamos sendo todos membros da mesma família de filhos e filhas de Deus. Jesus hoje em seu Evangelho nos ensina que não seremos julgados por grandes obras, após a morte, mas por ações de misericórdia, pelas vezes em que reconhecemos e socorremos o Cristo na pessoa do pobre e excluído. Mostra-nos a imagem de um Deus bem próximo de nós. Presente nos humildes, naqueles que são marginalizados. Pela morte, nossa entrada no Reino se dá de maneira plena, por graça de Deus. É preciso que vivamos como filhos de Deus, para que sejamos dignos da salvação que Ele nos oferece
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“A vida não nos é tirada, mas sim transformada"
Na natureza tudo nasce, cresce, espalha sementes e morre, para depois recomeçar o ciclo da vida.
Folhas secas caem pelo chão, para dar lugar à nova folhagem que surge com a primavera. Velhas árvores secam-se e caem, depois de terem espalhado muitas sementes pelo vento. O rio chega ao mar, muitas vezes, todo contaminado pela nossa poluição, mas lá nos grotões das serras as águas cristalinas continuam a borbulhar nas nascentes alimentam.
Talvez alguns desejariam nunca morrer e nem ver morrer aqueles a quem amam tanto... como seria um mundo sem morte, onde todos vivessem para sempre? Nossa fé na ressurreição nos faz acolher este sentido da morte: uma etapa se fecha e uma nova se abre no grande processo da vida. Com a fé, nosso desejo de viver eternamente se torna certeza de que "a vida não nos é tirada, mas transformada".
Contemplando a natureza podemos captar o sentido profundo - e por isso bonito - da morte, que marca nossas vidas. Como são Francisco de Assis, podemos, então, até louvar o Senhor pela "irmã morte", que nos vem tomar pela mão no momento da "grande passagem".
É claro que a morte tem, muitas vezes, uma face assustadora, aterrorizante e dolorosa. A morte de quem viveu longos anos, viu sua família crescer e se multiplicar e pôde experimentar muitas coisas que dão gosto à existência não nos causa tanto impacto. Também é mais fácil aceitar a morte daqueles que estavam sofrendo demais por causa de uma doença. Mas o que dizer daquela morte prematura, repentina, de pessoas que ainda tinham todo o futuro pela frente? O que dizer das vítimas da violência da guerra, do trânsito, da miséria? São como árvores que antes de darem fruto já foram cortadas e suas raízes arrancadas...
Nossa fé no faz afirmar que, como na natureza tudo o que cai na terra acaba se transformando em húmus que fertiliza o chão e possibilita a continuidade do ciclo da vida, assim essas vidas que para nós foram "ceifadas antes da hora" são acolhidas no chão de Deus e Ele quem as transforma, dando continuidade ao grande processo da vida.
Assim, amados irmãos irmãs, quero renovar em seus corações esta esperança, para que a recordação da realidade da morte nesse dia não os entristeça a ponto de obscurecer esta outra realidade tão importante: "é morrendo que se vive para a vida eterna".
Que o Senhor acolha a todos os falecidos no "chão" do seu Reino de vida em abundância.
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O vazio, que deixaram, se preenche com a fé
Nesses dias, celebramos Todos os Santos e Todos os fiéis defuntos, que são duas notas de um mesmo acorde: uma chamada à eternidade.
Para os primeiros, que já participam plenamente da Páscoa do Senhor, e, para os segundos, que ainda guardamos em nossa memória ou ninguém mais lembra deles, a Igreja reza e lhes oferece esse dia de meditação, de oração, eucaristia e reflexão.
Todos os mortos devem nos comover profundamente. Sua ausência continua sendo para nós um enigma. Umas vezes é lei de vida e outras algo inesperado. Mas, além de tudo isso, é bom pensar que, os que nos têm precedido, levaram todo o poder do amor de Deus, que um dia os ressuscitará do silêncio da morte, que agora os domina.
A vida é como uma partida de futebol. Tem dois tempos bem distintos. No primeiro deles, o homem se sente protagonista total. Parece que tudo é definitivo. Como se os nossos dias não tivessem fim. Como se o homem fosse dono absoluto de tudo e em tudo. Amamos, odiamos, crescemos, trabalhamos, sofremos, formamos uma família, nos realizamos, viajamos. É o tempo de decolar. De aproveitar o máximo no campo de jogo.
No segundo tempo de nossa existência, descobrimos que a morte nos dá um passe errado.
Ilusões e projetos, altos e baixos, economias e ideais acabam e são de repente julgados injustamente por esse grande juiz vestido de preto que é a morte. Então, também, bebemos o cálice amargo de nossa fraqueza. Nem a ciência pode ser resposta definitiva para tudo, nem dominamos os destinos de nossos dias como pensávamos.
É, neste último tempo, que assistimos da arquibancada de nossa felicidade a despedida de nossos entes queridos. É, nesse momento, que aprendemos também por conta própria a julgar com a arte e a fé, a esperança e a caridade, os valores e a ética, que nossos entes queridos nos deixaram.
Entre eles, o mais importante, o próprio Deus.
Deus, mesmo quando tudo parece perdido, nos diz que a partida não acabou. Que há uma prorrogação na eternidade. Que a morte não decidiu contra nós o Jogo com a vida. Que existe um terceiro tempo ao qual todos nós podemos chegar, se não perdemos pelo caminho a confiança, a fé e o imenso amor de Deus que Jesus trouxe até nós.
Nesse terceiro tempo é onde, hoje, situamos os nossos mortos. Onde os deixamos e onde sonhamos revê-los. Onde viveremos um dia em companhia daqueles que tanto significaram para nós e que a morte, injusta ou justamente, os tem arrebatado de nós.
Não é consolador viver esse dia com essa perspectiva? Mais importante que o Juiz da morte, é o
Dono do campo de jogo e da própria vida: nosso DEUS.
Enquanto isso, olharemos para cima e para baixo, à nossa esquerda e à nossa direita, e
continuaremos desfrutando de tantos bens materiais e espirituais que eles nos deixaram. Continuaremos jogando limpo com classe e honradez, como tantas vezes nos pediram. Avançaremos, como crentes, procurando vencer de goleada com o espírito que nos marcam as bem-aventuranças. Pensaremos que a nossa própria existência é uma brisa que passa e que, portanto, precisa saber respirá-la profundamente para nos oxigenar com a graça divina.
Hoje, na festa de todos os mortos, constatamos que muitos lugares vazios, um dia estiveram ocupados por aqueles entes queridos. Embora estando fisicamente ausentes, os sentimos hoje ainda bem vivos em nosso coração.
O eco de suas palavras continua pairando no ar de nossas casas. O trabalho e a vitalidade com que viveram, nos ajudam a manter vivo o seu espírito.
A fé, com que fecharam seus olhos, é luz para quando nos custa ver a Deus.
E o vazio, que a sua partida nos deixou, o encheremos com a fecundidade da Palavra de Deus, com a esperança que nos oferece Jesus Cristo que, por sermos filhos de Deus, não permitirá que permaneçamos para sempre no esquecimento.
padre Lucas de Paula Almeida, CM

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Na morte de alguém importante ou pessoa querida pelo povo logo surgem em frente à sua casa (ou lugar onde morreu) centenas de flores, fotos, mensagens, luzes de velas acesas, etc. Aconteceu na morte da princesa Diane, a figura mais popular na família real inglesa como acontece com cantores famosos. Da mesma forma, no Rio de Janeiro em 2011, muitos foram enfeitar os muros da escola onde crianças foram assassinadas.
Primeiros séculos: mártires, respeito e admiração
O mesmo faziam os primeiros cristãos. Durante a perseguição no império romano homenageavam seus mártires (= testemunhas da fé até a morte porque se recusavam a reconhecer divindade do imperador e prestar culto aos deuses). Onde viveram ou onde foram assassinados, ou sepultados, tornava-se lugar de homenagens, vigílias, orações e inscrições. Mais tarde ali às vezes se construíam capelas ou igrejas em sua memória.
Séc. 4º
Uma data anual era escolhida – em geral a data do martírio – para recordar o mártir. Depois do imperador Diocleciano o número ficou tão grande que faziam memória de gupos inteiros num só dia do calendário: no século IV em Antioquia foi escolhido o domingo após Pentecostes, tradição até hoje conservada nas igrejas Orientais (Ortodoxas). Aos poucos veio o costume de homenagear também pessoas que, mesmo sem ter sido mártires, eram muito respeitadas por uma vida cristã extraordinária.
Séc. 7º e 8º
Ao longo da história, expressões de respeito ou inseridas na liturgia ou práticas religiosas conviveram lado a lado com sincretismos e às vezes se misturavam a costumes pagãos. Nas igrejas, as autoridades preocupavam-se em “converter” costumes antigos em festas cristãs. A festa de Natal em 25 de dezembro substituiu outra festa pagã. No início do séc. VII um papa destinou o Pánteon (templo dedicado a todos os deuses – existe até hoje em Roma) para lugar de homenagem a todos os mártires. Outro papa no  séc.VIII também erigiu uma capela em Roma em honra de todos os santos e fixou a festa: 1º de novembro. Parece que sua intenção era aproveitar a festa que os cristãos da Inglaterra criaram para “cristianizar” um tradicional festival folclórico, muito popular entre os povos celtas. Esse marcava o 31 de outubro como fim do verão e início de novo ano. Na tradição celta acreditava-se que os mortos voltavam para visitar parentes e procurar comida. Há quem veja aí a origem do Halloween (31de out.) – popular festa americana que, aliás, a Mídia se encarregou de introduzir no Brasil com suas lendas de bruxas e monstros...
Santos e finados – do séc. 5º ao 10º – sécs. 11 e 16
Só no séc. V no catolicismo romano criaram-se os processos da chamada “canonização” (reconhecimento oficial das pessoas consideradas “santas” pelo exemplo de fé, amor a Deus e ao próximo. No séc. X, o dia de finados começou no mosteiro de Cluny – França. No ano 1054 a imagem histórica da única e indivisa igreja de Cristo foi quebrada pelo grande cisma: a separação oriente-ocidente (novos nomes: ortodoxos e católicos). Cinco séculos depois a devoção aos santos também contribuiu para a outra separação: católicos e reformados (que criticavam as indulgências (=modos de “abreviar” as penas dos mortos num purgatório e a proliferação de devoções aos santos, relíquias, etc. Os reformadores interpretavam “pedir a intercessão” dos santos como contraditório com a fé no único Mediador e sua graça. À discussão teológica seguiram-se fatos políticos que precipitou o apoio de vários Príncipes contra o poder de Roma. De todo modo a Reforma criticava os escândalos de “venda” de indulgências, a quantidade de devoções e crenças populares e seu sincretismo e seu comércio de “relíquias” (= ossos ou objetos que teriam pertencido a santos). Várias questões teológicas, disciplinares e políticas produziram a Reforma.
Conclusões
De certa forma Finados serviu para substituir lendas sobre mortos e espíritos vagueantes e Todos os santos para compensar o patrocínio dos deuses da mitologia (havia deuses do amor, da guerra, etc. e patronos de profissões e atividades). No Brasil houve um sincretismo original entre santos (catolicismo) e os Orixás (religiões dos escravos africanos). A mistura religiosa e cultural levou ao intercâmbio de “funções” atribuídas a santos e orixás, havendo também permuta dos nomes. No México até hoje a mais importante festa popular é o “Dia dos Mortos”. Era uma crença antiga, anterior à chegada dos espanhóis que alteraram as datas na esperança de poder “converter” os povos nativos à cultura européia. As festas foram transferidas para 1 e 2 de novembro, datas mais “cristãs”. O sincretismo continua até hoje no dia dos mortos mexicano...
Finados e Todos os Santos estão no calendário das igrejas cristãs, embora celebrados com ritos e interpretações diferentes. Não é este o lugar de aprofundar as questões do Purgatório e o conceito de intercessão dos santos ou oração pelos falecidos. Vale a pena meditar na reflexão teológica (que traz uma revisão desses conceitos) da parte final de uma carta de Bento XVI (Spe Salvi, de 2007, n. 41-48). É lamentável que revistas e sites (tanto católicos como outros) preferem acusar os outros e suas tradições diferentes. Sem reflexão teológica, não vão além da repetição de “doutrinas” (as próprias são verdadeiras, as outras, falsas). Divulga-se muito “jornalismo teológico” e poucos estudos teológicos, como o acima citado. Também vale a pena conhecer o famoso texto sobre a oração de intercessão, escrito por um mártir de nosso tempo: o teólogo e pastor luterano Dietrich Bonhoeffer que, resistindo a Hitler, acabou condenado à morte.
Independentemente das tradições cristãs, que são diversas (em suas histórias e interpretações), voltemos à Palavra que é comum a todas as confissões. Lemos no Apocalipse sobre uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar (...) Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro. Eles são “todos os santos”, figuras para nós da esperança, do amor e da fé no único Redentor, o “Cordeiro”. Nele temos a “comunhão dos santos”, conforme professamos no Credo.
A morte continua a ser um mistério tão grande quanto o mistério da vida, da qual, aliás, faz parte. Os mortos não podem ser representados como zumbis de cinema. Cemitério não é um lugar de bruxas e “almas penadas”. Os objetos de medo, se “exteriorizados” na tela ou nos livros, ajudam as crianças a superar os próprios medos interiores. Não se vai ao cemitério no Finados para “oferecer” flores aos mortos, que delas não precisam, mas enfeitamos o lugar, símbolo de seu repouso e sua paz. Somos nós que temos saudades, recordamos com carinho nossos mortos e a falta que nos fazem. Finados serve, enfim, para reavivar em nós a única esperança que temos, conforme as palavras de Jó, de Paulo e do próprio Mestre: “Eu sei que o meu redentor está vivo, e que se levantará sobre o pó; e mesmo destruída esta minha pele, é na minha carne que verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros" (livro de Jó 19, 23-27)
Se morremos com Cristo cremos que também viveremos com ele. Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais;:a morte não mais poder (Rm6,8)
Esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia (Jo 6,37-40).
prof. Fernando Soares Moreira

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Celebramos hoje o dia dos fiéis defuntos. Esta celebração convida-nos a refletir sobre a morte, melhor dizendo, sobre a nossa vida, o seu sentido último, numa palavra sobre a vocação a que somos chamados. É um dado do senso comum que a morte faz parte da experiência enquanto humanos. No entanto, esta constatação leva alguns a uma angústia existencial, pois consideram o homem como um ser para a morte; para eles, o último destino do homem é a morte. Mas, para quem acredita na ressurreição de Cristo a morte não é o último destino do homem. A fé na ressurreição de Cristo e, consequentemente, na nossa ressurreição conduz-nos a certeza de que com a morte a vida não se acaba, apenas se transforma (cf. prefácio dos defuntos I). Por isso, gostaria que esta reflexão não fosse marcada pela angústia da finitude humana, mas pela gozosa esperança da ressurreição. Na verdade, são Paulo na sua carta aos cristãos de Corinto diz claramente: “se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé” (1Cor. 15,14) e ainda “Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram.” (1Cor. 15,20).
Os cristãos, apesar de “Agora, vermos como num espelho, de maneira confusa; ainda não vermos com claridade aquilo que nos espera” (1Cor. 13,12), sabemos que a nossa vida depois da morte deve ser vista à luz da Ressurreição. A fé cristã é incompatível com a visão da morte como o fim de tudo e com a teoria da reencarnação. O Deus que nos criou por Amor assegura a nossa existência, quer-nos para sempre como seus interlocutores.
Neste dia talvez nos seja útil recordar a Doutrina cristã sobre as realidades últimas. Para isso, talvez seja de grande utilidade pegar no credo, na síntese da nossa fé, meditar sobre em quem acreditamos e tirar conclusões para a nossa caminhada de fé.
No Credo de Niceia-constantinopla afirmo no singular, dialogando com a comunidade, porque a fé apesar de ser comunitária deve ser uma decisão pessoal, que Cristo “há-de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos” e que “espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir”.
A fé cristã professa que toda a história está ordenada para Cristo. O Senhor que nos criou, no final dos tempos, na Parusia, na última vinda de Cristo em glória, instaurará todas as coisas em Cristo. Fará surgir uma nova criação onde a morte, a dor e o pecado não têm lugar. (cf. 2Pe. 3; Ap. 21). Nesse dia, os mortos ressuscitarão (1Cor. 15; 1Ts. 5). Ressuscitaremos na nossa totalidade, ou seja, não é só uma parte do Homem que será chamada à vida, mas será o homem na sua totalidade que ressuscitará. Não será só a nossa alma a ressuscitar mas também o nosso corpo, isto é, não a nossa carne mas a nossa corporeidade que nos permite relacionarmo-nos uns com os outros. Na verdade, é impossível a existência de uma vida que se diz plena sem relação. Contudo esta ressurreição será no final dos tempos e depois do Juízo final.
Agora surge-nos uma questão: se esta ressurreição só ocorre no final dos tempos o que é que se passa com aqueles que morrem?
Segundo a doutrina cristã, cada homem, ao morrer, recebe a sua retribuição eterna num juízo particular feito por Cristo (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1021). A doutrina cristã diz-nos que depois da morte a pessoa é sujeita a um julgamento (julga-se a si mesma face a Deus, julgando a sua mesma história pessoal) diante de Deus. Contudo, temos de tirar desta imagem todos os fantasmas e falsas imagens que a rodeiam. Devemos abandonar a concepção jurídica de juízo e recuperar a concepção salvífica de juízo. Julgar em sentido bíblico quer dizer salvar. O juízo de Deus não visa a condenação do Homem mas a sua salvação. No juízo Deus não nos condena, mas nós, iluminados pelo seu amor salvífico, é que vamos avaliar a nossa vida. Iluminados pelo amor salvífico de Deus é que teremos de reconhecer se na nossa vida correspondemos ou Amor salvífico de Deus ou se de forma livre e consciente recusamos esse amor.
Se na nossa vida terrena correspondemos plenamente ao Amor de Deus somos chamados à vida plena da comunhão com Deus e com os santos, expressa pela imagem do paraíso, do céu. Mas, se na nossa vida de uma forma plenamente livre e consciente recusamos o Amor de Deus somos conduzidos ao inferno, ou seja, aquele estado de total afastamento de Deus escolhido livre e conscientemente. Infelizmente a ideia de inferno foi e ainda é parasitado por muitas imagens terroríficas que foram tomadas do imaginário popular. Estas imagens não são uma descrição exata daquilo que é o inferno, que é um mistério: como é possível recusar o amor? Contudo, a imagem de sofrimento, que transmitem, mostra a tristeza de uma vida que de uma forma totalmente livre e consciente recusa o amor salvífico de Deus.
O sabermos que depois da morte o Homem pode ser conduzido a um estado de plena comunhão com Deus no seio da trindade (paraíso) ou a um estado de total afastamento de Deus e do seu amor (inferno) poderia fazer-nos pensar que estas duas possibilidades de destino estão em pé de igualdade. Contudo, não é assim. Deus criou-nos para a vida, para a plena felicidade, para a plena comunhão com ele. Por isso, podemos dizer que o nosso destino é o céu. Contudo, porque Deus é amor e o amor supõe liberdade e a possibilidade de uma livre e consciente recusa do amor de Deus, a possibilidade da existência do inferno deve existir. Em último caso, podemos mesmo afirmar que se não admitimos a possibilidade da existência do inferno estamos a negar que Deus é amor. Na verdade a ideia de um Deus amor exige a liberdade e, consequentemente, a possibilidade de o poder negar de uma forma livre e consciente. Assim, urge purificar a nossa concepção de inferno de certas imagens do imaginário popular que o parasitam e impedem uma perfeita compreensão do que, na verdade, o inferno pode ser. Além disto, também temos de ter bem claro que o inferno não é possibilidade que se coloca no mesmo pé de igualdade do céu. Deus chama-nos e quer-nos inseridos no seio da trindade (céu). O inferno é uma fatídica possibilidade.
Depois de termos falados de uma total correspondência e de uma total recusa do amor de Deus, pode ser que muitos de nós e muitos daqueles que nos precederam nesta peregrinação sobre a terra não se identifiquem totalmente com estas duas situações. A vida de muitos de nós é um misto de sim e não ao amor de Deus. Frente a esta possibilidade, um sim e não simultâneo ao amor de Deus, a Doutrina católica apresenta-nos a doutrina do purgatório.
O purgatório, como o inferno, infelizmente foi muitas vezes invadido por imagens do imaginário popular que dificultam e até impedem a sua correta compreensão.
O purgatório, o fogo purificador do amor, mais que um hall de entrada do inferno tem de ser visto como um hall de entrada do paraíso. O purgatório está mais perto do céu do que do inferno.
O Deus Amor, que quer que todos os Homens se salvem e que tem todo o tempo do mundo para o Homem, concede ao Homem, que na sua vida foi um misto de sim e não ao amor de Deus, uma oportunidade para ele se purgar e assim preparar para entrar no seio da trindade. Deus dá aos Homens a possibilidade de se purificarem, de queimarem todos os seus pecados e suas consequências.
No entanto, esta doutrina do purgatório pode levantar-nos uma séria questão sobre a eficácia do perdão de Deus. Se o Deus Amor nos perdoa quando nos arrependemos e lhe pedimos perdão porque razão é necessário o purgatório para nos limpar e preparar para viver no seio da trindade?
Que Deus nos perdoa é um dado assente e indiscutível. Deus porque nos ama é capaz de nos perdoar e reconciliar consigo. Entretanto, o Homem também tem de corresponder ao amor de Deus e colaborar, aceitar e deixar-se transformar pelo perdão de Deus. E é isto que nem sempre acontece. Pedimos perdão a Deus por não amarmos os nossos irmãos e Deus perdoa-nos. Mas nós não aceitamos totalmente esse perdão divino, não nos deixamos transformar por ele e não passamos a amar os nossos irmãos. O dom do perdão de Deus exige a verdadeira conversão. E é por muitas vezes não haver essa conversão consequente do perdão divino que se torna necessária uma ulterior purificação para vivermos no seio da trindade. Não bastam boas intenções. As obras de conversão são necessárias.
Neste dia, nós, Igreja peregrina, que ontem (1 de novembro) celebramos a Igreja triunfante, aquela que já vive na plenitude do Amor no seio da trindade, somos hoje convidados a olhar e a rezar pelos nossos irmãos da Igreja purgante.
Tanto a Igreja triunfante como a Igreja purgante e a Igreja militante fazem parte da única igreja que é o Corpo Místico de Cristo que tem Cristo como cabeça. Deve haver uma verdadeira solidariedade entre todos os membros deste corpo. Assim como nós, Igreja peregrina, somos ajudados pelas intercessões da Igreja triunfante diante de Deus, assim nós também devemos ajudar com as nossas orações e boas obras os nossos irmãos da Igreja militante e purgante.
Além disto, a celebração dos fiéis defuntos deve-nos conduzir a uma esperança ativa. Não basta dizer que acreditamos na ressurreição. Temos de agir e atuar segundo essa esperança. A nossa opção fundamental de aceitar ou recusar o Amor de Deus constrói-se a partir das pequenas ações do nosso quotidiano.
Que o Senhor, Deus dos vivos e não dos mortos, dê o eterno descanso a todos os nossos irmãos defuntos e a nós, que ainda peregrinamos nesta terra, nos dê a graça de já irmos antecipando a vida eterna.
padre Nuno Ventura Martins
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Celebração da saudade e certeza da vida que nunca se acaba
Um jornalista, por haver denunciado injustiças, estava condenado à morte pelos paramilitares do seu pais. Vendo-se assim publicou carta na qual dizia não sentir medo. Condená-lo à morte, ele considerava, nada mais era do que “ameaçá-lo” da vida eterna na felicidade de Deus”.
O mistério da morte ronda-nos constantemente. Há todo momento damo-nos conta da fragilidade da existência. Ao reparar, principalmente quando da partida de entes mais próximos e queridos, quão delicada é a vida sobre a Terra, o ser humano se assusta e daí costuma nascer o medo.
Brota intermitente a pergunta: “para aonde estão indo os nossos mortos?” Será que a vida se resume somente a esse tempo dentro do qual aqui existimos? Ela, como dizia o poeta, é simples jogo no qual a vida toma parte durante um tempo, até que se torne, de novo, esterco a adubar outras existências?
Hora então de provar a fé e a esperança. A vida é muito mais do que jogo que se inicia e se completa neste mundo. Somos criados com a chama da imortalidade. Filhos de um Pai que nos quer para sempre, estamos predestinados, desde que fomos gerados à eternidade.
Não haveria melhor forma para adentrar este mistério do que celebrar nele a memória das pessoas queridas que já vivem no colo acolhedor do Pai. Finados é tempo propício para reafirmarmos essas duas virtudes teologais que, conforme nos ensina são Paulo, um dia passarão. A fé no carinho e cuidado de Deus para conosco e a esperança de que nosso caminho nos leva a um destino imenso e maravilhoso: a ressurreição.
Ressuscitar, em definitivo foi o que aconteceu com o amigo de Jesus naquele momento de dor e saudade em Betânia. Ele volta à vida humana na terra e não à vida infinita de Amor em Deus. Lázaro, João mesmo irá nos contar adiante, morrerá. Ressurreição é incomparavelmente maior do que a simples revivificação de um cadáver.
Nosso destino é o céu. Somos criados para viver imersos no carinho de Deus. Ele ama seus filhos e é competente o bastante (é todo poderoso) para não perder ninguém que queira se salvar. É desse jeito o Pai apresentado por Jesus. “Eu e o Pai somos um”. “Quem me vê, vê o Pai”, Ele está a nos dizer.
Uma simples passada por duas parábolas do Evangelho nos confirmará isto. Um pai tinha dois filhos. Um deles resolve ir embora e longe se vê miserável. Resolve retornar porque sente fome. O pai vai à rua recebê-lo e faz tremenda festa. Afinal seu filho voltou. Um pastor tem cem ovelhas. Uma delas se perde. Ele deixa as noventa e nove no curral e vai buscar a extraviada. Ao encontrá-la volta feliz e comemora com os amigos o resgate da sua criação.
Fruto duma visão equivocada deste Pai tão bom, podemos ter assumido vida afora uma imagem falsa do Deus de Jesus. É possível que tenhamos criado dentro do coração a imagem de um deus terrível. Pronto, não a salvar, mas a condenar, enviando ao inferno seus filhos.
Gente que pensa assim não conseguirá, obviamente, sentir Deus como Pai amoroso. Essas pessoas terminam por enxergá-lo como o “grande justiceiro”. Um deus contabilista a ponderar constantemente nossas ações para verificar ao final o destino daquele seu filho.
Deus é justo, mas a sua justiça nunca vem sozinha. Ela está sempre acompanhada da misericórdia. Ele não pune a ovelha fujona e muito menos o filho que foi embora. De maneira alguma cobra dos dois por terem se afastado do seu Amor. Ao contrário, Ele só acolhe e festeja: “meu filho estava morto e voltou a viver”.
Deus é diferente da gente. Nossa justiça anda separada da misericórdia. Ou somos justos, ou somos misericordiosos, dependendo da situação. Deus é justo e misericordioso em qualquer tempo. Lembremo-nos disto ao nos recordar dos nossos e dos demais mortos. A misericórdia sempre acolhe, perdoa, cuida, ama.
Precisamos imaginar Deus dizendo: “Meu filho ressuscitou e a sua ressurreição não se dá na perdição, mas na alegria da festa”. O Pai não está preocupado com o fato de o filho ter ou não voltado por Amor (ou arrependimento). Olhando mais de perto se verá que seu retorno é meramente porque sente fome e na casa do pai tem comida.
Não haverá então inferno? Claro que sim. Ele é aquela eterna possibilidade da negação absoluta do Amor, da bondade e misericórdia do Pai. O fechamento total e inexorável à felicidade tão ansiada por qualquer ser humano. Negar-se a Deus é, numa comparação por demais incompleta, como dizer ao ar: “eu não te quero, eu me recuso a respirar”.
Tal coisa é um absurdo e alguém que assim agisse seria logo diagnosticado como insano. Ou seja, para recusar o céu é preciso ser louco e os doidos são pessoas tremendamente sofredoras. Gente demais amada por Deus. Dá para imaginar alguém fora do seu juízo sendo jogado ao inferno pelo Pai?
Mas mesmo de maneira consciente podemos negar totalmente a Deus e por isto o inferno é possibilidade a ser, sempre considerada. Agora falar de céu é outra história. Ele é a nossa realidade. O caminho para o qual fomos criados. Esse momento de recordação dos mortos é também o tempo no qual recordamos e afirmamos que Deus sempre salva.
Fernando Cyrino
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Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá!
Felizes os que fazem memória da morte e ressurreição de Cristo na Páscoa dos fiéis falecidos! Dia de esperança e de comunhão com quem amamos, mesmo sem a presença física, porque cremos na ressurreição de Jesus como uma luz para quem teve fé na vida. Dia de Finados lembramos as pessoas que partiram para o mundo dos viventes, na certeza de uma vida nova. Com razão professamos no Credo: “Creio na ressurreição da carne, na vida eterna”. É o dia do Amor, porque amar é sentir que o outro jamais morrerá, celebrando, sem fim, a vida eterna. Assim deve viver o cristão: uma comunhão íntima com Deus, agora e para sempre. A morte é a realidade cruel para a humanidade, por isso no dia de finados não celebramos a morte e sim os que partiram.
Desde o início do cristianismo, os cristãos rezam pelos falecidos. Era costume visitar o túmulo dos mártires, nas catacumbas, para rezar pelos mortos não martirizados. A memória dos mortos foi introduzida na celebração litúrgica no século quarto. Para rezar pelos mortos a Igreja dedica, desde o século quinto, o dia dos finados, tornando-se obrigatória sua celebração, a partir do séc. XI. No século XIII, esse dia anual pelos mortos é comemorado no dia 2 de novembro, lembrando o dia 1º de novembro, a festa de "Todos os Santos", quando se celebra os que morreram em estado de graça e não foram canonizados.
Nosso gesto solidário, como cristãos, é visitar o cemitério, participar na eucaristia e nas devoções próprias de cada cultura, como acender velas, oferecer flores e enfeitar os túmulos dos falecidos. Até mesmo os ateus e materialistas visitam seus mortos, construindo para eles mausoléus e monumentos, por isso o culto aos defuntos faz parte de nossa cultura, independente do credo praticado. O dia de finados também nos convida a uma reflexão sobre a morte e a olharmos para o sentido da nossa vida, sabendo que ela virá com certeza e sem aviso.
Que o dia de finados seja momento de oração e reflexão sobre a morte, assumindo com mais maturidade o sentido da vida!
Primeira leitura: 2 Macabeus 12,43-46
Uma ação digna e nobre, inspirada na esperança da ressurreição. A morte não é o fim de tudo. Jó manifesta total convicção de que o Redentor está vivo! E afirma: "Eu o verei com meus próprios olhos!". A certeza da vida após a morte nasce da ressurreição do Senhor. Cristo ressuscitou! Ele venceu a morte e está vivo! Ela é passagem para a vida eterna com Ele. Celebremos, pois, o dia de Finados como a vitória de Cristo sobre a morte, rezando pelos irmãos falecidos! Nada de lamentações, muita esperança e fé!
Segunda leitura: Romanos 6,3-4,8-9 - Recebemos nos Céus uma habitação eterna.
Paulo afirma que em Cristo nosso corpo miserável será transformado em um corpo glorioso. O batismo significa que morremos para o pecado para participar da vida nova com Cristo. Paulo recrimina a incoerência dos ditos cristãos que duvidam da ressurreição. “Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé, e nós ainda estaríamos em nossos pecados” (1Cor 15,17). Temos uma única oportunidade de viver no mundo e nos preparar para a eternidade. O próprio Jesus viveu apenas uma única vida humana, iniciada no momento de suaÿ concepção no seio virginal de Maria e consumada na cruz.
Evangelho: Mateus, 25,1-13 - Eu sou a ressurreição e a vida
A Igreja nos ensina no Credo: “Creio na comunhão dos santos... e na vida eterna” – somos peregrinos em busca de santidade: fomos feitos para a vida eterna, não para a morte. “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora”. A esperança é a palavra de Jesus que nos pede vigilância: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crer em mim, mesmo que morra, viverá!" Com razão, no dia dos mortos, fala-se de vida onde o morrer é viver porque Cristo ressuscitou.
Na parábola, as dez virgens saíram ao encontro do esposo. Todas tinham lâmpadas e óleo. Por algum tempo não se notava diferença entre elas. Assim acontece com cada um de nós, igreja, ante o encontro com Cristo. Temos consciência de como viver vigilantes. Como na parábola assim é agora.
Todas ouviram a mensagem da vinda de Cristo e confiantes O esperam. Existe um tempo de espera onde a fé é provada. “Aí vem o Esposo!”, É o momento em que a alma previdente está preparada com o óleo e lâmpada acesa e, provida do Espírito Santo, o paráclito, para ser recebida e amada pelo noivo. Sem a luz do Espírito (a fé viva), o homem não está apto para abraçar o noivo – O Senhor.
VINDE BENDITOS DE MEU PAI!
Ao ouvir o clamor das cinco moças insensatas, à porta da casa do banquete, aprendemos duas lições: a) nada se consegue fora do tempo oportuno, o último minuto pode ser tarde. O relacionamento com Cristo é um deles. Só nos sentiremos prontos para Ele com uma preparação consciente e amorosa; b) há coisas que não se pode tomar emprestadas. Assim como as insensatas não podiam tomar óleo emprestado das amigas prudentes, também não podemos tomar emprestado o relacionamento com Deus. Cada um deve desenvolver o seu jeito amoroso de ser, prudente e sincero com Deus.
“Em verdade vos digo: não vos conheço! Portanto, vigiai, pois não sabeis o dia, nem a hora”.
catolicavivencia.blogspot.com.br/

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Construís os túmulos dos profetas!
No entanto, foram vossos pais que os mataram.
Hoje, o Evangelho recorda o fato fundamental do Cristianismo: a morte e ressurreição de Jesus. Façamos nossa, agora, a oração do Bom Ladrão: Jesus, lembra-te de mim (Lc 23, 42). A Igreja não reza pelos santos como ora pelos defuntos, que dormem no Senhor, mas encomenda-se às orações daqueles e reza por estes, diz Sto. Agostinho num Sermão. Pelo menos uma vez por ano nós, os cristãos, questionamo-nos sobre o sentido da nossa vida e sobre o sentido da nossa morte e ressurreição. É no dia da comemoração dos fiéis defuntos, da qual Sto. Agostinho nos apontou a diferença em relação à festa de Todos os Santos.
Os sofrimentos da Humanidade são os sofrimentos da Igreja e têm em comum, sem dúvida, o fato de todo o sofrimento ser de algum modo privação de vida. Por isso a morte de um ser querido nos causa uma dor tão indescritível que nem a fé sozinha consegue aliviá-la. Assim, os homens sempre quiseram honrar os defuntos. Na verdade, a memória é uma forma de fazer com que os ausentes estejam presentes, de perpetuar a sua vida. Mas os mecanismos psicológicos e sociais, com o tempo, amortecem as recordações. E se, humanamente, esse fato pode levar à angústia, os cristãos, graças à ressurreição, têm paz. A vantagem de nela crermos é que nos permite confiar em que, apesar do esquecimento, voltaremos a encontrar-nos na outra vida.
Uma segunda vantagem de crermos consiste em que, ao recordar os defuntos, rezamos por eles. Fazemo-lo no nosso interior, na intimidade com Deus, e cada vez que rezamos juntos, na Eucaristia: não estamos sós perante o mistério da morte e da vida, antes o compartilhamos como membros do Corpo de Cristo. Mais ainda: ao ver a cruz, suspensa entre o céu e a terra, sabemos que se estabelece uma comunhão entre nós e os nossos defuntos. Por isso S. Francisco proclamou agradecido: Louvado sejas, Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal.
fray Agustí Boadas Llavat OFM


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Um comentário:

  1. Belíssimas reflexões. Obrigado aos autores e publicadores.

    Padre Manoel.Pedro Teixeira - MG.

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