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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 26 de novembro de 2013

1º DOMINGO do ADVENTO Ano A

1º DOMINGO do ADVENTO
Ano A

Comentários-Prof.Fernando



Evangelho - Mt 24,37-44

ADVENTO É A ESPERA PELO NATAL-José Salviano

           

A espera a que hoje vamos refletir, trata-se das quatro semanas que antecedem a comemoração do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.  Trata-se do  aniversário do Rei do Universo, o Filho de Deus feito homem que desceu à Terra para nos trazer o Plano de Salvação elaborado por Deus Pai.  Continua


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ADVENTO: TEMPO DE NASCIMENTO E RENASCIMENTO – Olívia Coutinho

I DOMINGO DO ADVENTO

Dia 1º de Dezembro de 2013

Evangelho Mt 24,37-44

Iniciamos hoje, o tempo do advento, um tempo de expectativa que deve ser marcado pelo nosso desejo de conversão, algo fundamental para quem deseja fazer do seu coração uma manjedoura para acolher Jesus! Sem um retorno de todo o nosso ser, a Jesus, não tem como viver as alegrias do Santo Natal.
O tempo do advento não se limita na preparação para o Natal, mas também nos insere em toda história da salvação, levando-nos a  reviver a mesma esperança  da vinda do Messias,  vivida pelo povo de Deus no início de toda história, com uma diferença: o  Messias que era esperado por eles,  já veio, já está no meio de  nós!
O advento é um tempo de nascimento e renascimento que nos traz a confiança de que  novos horizontes são possíveis de  serem atingidos, quando  caminhamos na certeza de que Jesus  nasce e renasce  em nossos corações, a cada vez que O enxergamos na pessoa do nosso irmão! É um tempo de profunda espiritualidade, tempo por excelência para  contemplarmos este precioso presente de Deus a toda a humanidade, que é o seu Filho Jesus!
Neste tempo de espera, o nosso coração se rejubila torna maleável aberto para acolher a Luz Maior que vem reacender em nossos corações a chama da esperança! Uma esperança que transcende as nossas necessidades materiais, que inclui uma visão de mundo, onde ainda é possível haver justiça, paz e amor, valores que mantém o equilíbrio da vida, sustentado pela relação entre o humano e o Divino!
 Deixemo-nos tocar e nos envolver pelo advento do Senhor Jesus, redescobrindo a alegria, o sentido da fé e do viver segundo a vontade de Deus! 
Que neste tempo de preparação para o Santo Natal,  o nosso coração seja inundado por um amor que liberta, que nos torna flexíveis, dóceis a ponto de nos transformar em sinal vivo de Jesus no mundo!
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, nos  convida a refletirmos quanto à consciência que devemos ter do nosso tempo de vida terrena, a conscientizarmos de que este  nosso tempo presente deve ser um tempo bem vivido, útil à nossa caminhada rumo à eternidade. É importante aproveitarmos  bem este tempo, pois ele  é o único tempo que possuímos como espaço sagrado que Deus  nos concede para  que possamos nos preparar para o nosso encontro definitivo com Ele.
O texto vem nos acordar para uma realidade que ninguém pode fugir: a certeza da transitoriedade da vida terrena, a vida que passa! Quanto ao dia e hora da nossa passagem, Deus preferiu  ocultar de nós, só nos deu uma pista:  se trata de algo  inesperado, o que pode nos deixar apreensivos. No entanto, para  quem vive de acordo com a vontade de Deus, o dia e a hora não importa, o importante é estar o tempo todo em sintonia com Deus, ciente  de  que há uma  vida melhor  por vir, uma vida em plenitude que é a vida eterna!  
No  texto  escolhido para marcar o início deste Advento, Jesus exorta os discípulos sobre a importância de uma constante vigilância, fazendo menção  ao tempo de Noé, no sentido de  recomendá-los  para que eles não se distraíssem com as coisas do mundo, como fizeram as pessoas antes do dilúvio, e esquecessem  do principal,  que é a busca pela santidade!
 As palavras de Jesus, responde  as indagações  de muitos que ainda hoje perdem  tempo buscando explicações sobre o fim dos tempos, ao invés de aproveitarem este precioso tempo na preparação para a vida futura.
A mensagem de Jesus, que chega até a nós, no dia de hoje,  não é ameaçadora, pelo contrário, é uma mensagem encorajadora, pois o nosso destino final, depende do nosso comportamento, do nosso não desperdiçar a graça de Deus.
“Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado.” Como será  o critério desta seleção de pessoas?  A resposta está na diferença de suas atitudes, duas pessoas, podem até estarem juntas fisicamente, mas buscando diferentes  horizontes.  Há os que  se preparam para a vida futura vivendo de acordo com a vontade de Deus, e há os que estão alheios a sua vontade. Os que não estiverem  preparados no momento da vinda do Senhor, perecerão, enquanto que os que estiverem preparados, serão levados para junto do Pai.
 Jesus nos  alerta sobre a importância de estarmos atentos, vigilantes o tempo todo,  o que não significa ficarmos apáticos,  parados, pelo contrário, devemos esperar por  sua  vinda, no exercício da nossa missão, no lugar onde fomos plantados por Deus, para servir!
O desafio de quem busca a eternidade, é não desanimar e nem se isolar.
É servindo ao outro, é  partilhando a vida, que estaremos nos preparando para o nosso encontro definitivo com o Pai!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia
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1º DOMINGO DO ADVENTO 01/12/2013
1ª Leitura Isaias 2, 1-56
Salmo 121(122),1 (Que alegria quando me vieram dizer: Vamos subir á casa do Snhor...)
2ª Leitura Romanos 13, 11-14
Evangelho 24, 37-44

                                          “FICAI ATENTOS!” -Diac. José da Cruz
Nos meus tempos de seminário, nos anos 60, alguém da direção vez ou outra fazia de surpresa, uma inspeção em nossa cama, armário e criado mudo, e que muitas vezes ocorria em horas que não esperávamos. Na turma havia o “Ferreirinha”, um mineiro muito caprichoso que mantinha suas coisas em ordem, limpas e organizadas, despertando em toda a turma muita raiva e ciúmes. Quando o sineteiro tocava o sino fora de hora, era aquela correria de alunos subindo as escadas em direção ao dormitório, porque a inspeção iria começar. Nessas horas o Ferreirinha continuava tranquilamente a sua atividade, de estudo ou lazer, sorrindo satisfeito e divertido, ao ver a turma se atropelando no pé da escada, temerosos de serem punidos pela equipe de disciplina, que fazia a inspeção.
Um dia decidi acompanhar mais de perto o desempenho do meu amigo e percebi que ele nunca deixava nada para depois, na hora do banho ganhava um tempinho e limpava o criado mudo, na hora do recreio, dedicava dez minutinhos para ajeitar melhor a cama, o lençol e a fronha. Pela manhã agilizava a higiene pessoal e tinha um tempinho a mais para dar uma revisada no armário, e assim, fazendo um pouco a cada dia, ia mantendo sempre em ordem o seu canto, e quando chegava o sábado, que era dia de limpeza, tinha muito pouco a fazer, e para nossa inveja, ficava na sala de TV assistindo algum seriado, ou lendo algum livro.
Lembrei-me disso diante desse evangelho do primeiro domingo do advento, quando se inicia um novo tempo litúrgico, e a palavra chave é : Vigiais e estejais preparados!
Muita gente pensa que se trata de estar preparado para morrer, quando na verdade, é estar preparado para viver, e isso significa, em última análise, viver intensamente cada minuto da nossa existência, dedicando-nos a fazer o bem, em pequenos gestos e ações do dia a dia, exatamente como fazia o meu colega de seminário.
Porque estar atento e vigiar, é o mesmo que fazer faxina em nossa casa, quando deixamos para fazer tudo em um só dia, o trabalho é dobrado, a canseira é muita e a qualidade fica a desejar, se estivermos com pressa de acabar logo. Mas se dispusermos de alguns minutos para limparmos e cuidarmos de um cômodo por dia, com certeza teremos pouco trabalho pela frente e uma maior qualidade naquilo que for feito.Mas não se pode ter preguiça e deixar para depois, pois esse comodismo poderá custar caro.
A expressão usada por Jesus: FICAI ATENTOS...põe-nos de sobreaviso sobre algo que vai acontecer mais à frente, na história da nossa vida e da humanidade, para que não sejamos pegos de “calças curtas” na volta do Filho do Homem. No tempo de Noé ,muitos empurravam a vida com a barriga, não descobrindo no existir, qualquer sentido novo e para estes, tanto fazia o rio correr para o norte ou para o sul, não tinham um ideal e nem razão para buscar algo grandioso. Coração vazio, alma vazia, nada faz sentido, nem acontecimento bom ou ruim. Há outros que inventam falsos valores de felicidade e passam a vida inteira correndo atrás de bolinhas de sabão, quando as alcança, descobrem que tudo não passou de uma fantasia. A nossa sociedade é assim, vivendo de maneira perigosa no indiferentismo.
Todos terão um último e definitivo encontro com o Senhor da nossa Vida e da nossa História, essa verdade é proclamada por Mateus, em seu discurso apocalíptico no evangelho desse domingo, mas quando será e como se dará, isso ninguém sabe a não ser o Pai.
Tem gente que corre atrás de visões, adivinhações, premonições, principalmente nessa época de final de ano, quando não faltam ingênuos que pagam caro por uma consulta, para saber da saúde ou de negócios. No mundo têm bobo pra tudo...
Enquanto isso, a Palavra de Deus nos revela gratuitamente tudo que precisamos saber, para viver bem a nossa vida, onde em cada minuto a prática do amor, e a busca da verdade e da justiça nos ajuda a estarmos preparados e vigilantes, pois toda vez que deixamos um minuto passar em branco, sem amar ou ajudar ninguém, sem construir algo de bom e edificante, estamos desperdiçando a grande oportunidade de acolher o Senhor, que vem ao nosso encontro em tantas pessoas ou situações. E desta forma, ajudar alguém, consolar quem está triste,encorajar quem está desanimado, chorar com quem está sofrendo, são algumas maneiras de nos encontrarmos com Jesus, ainda nessa vida, mas para isso é necessário estar sempre atento e vigilante, pois a oportunidade de fazermos o bem, acontece todo dia, em situações rotineiras em que menos esperamos. Quem viver assim, não será surpreendido quando o Senhor voltar, para confirmar todo bem que se viveu, na plenitude do amor, vocação maior a qual fomos chamados.
José da Cruz - Diácono permanente da
Paróquia Nossa Senhora Consolata- Votorantim
cruzsm@uol.com.br
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Evangelhos Dominicais Comentados

01/dezembro/2013 – 1o Domingo do Advento

Evangelho: (Mt 24, 37-44)


Estamos iniciando um novo Ano Litúrgico. São três os anos litúrgicos, ano A, B e C. Este é o ano A. Estaremos refletindo o evangelho de São Mateus. Diferentemente do ano civil, o ano litúrgico não tem seu início no primeiro dia do mês de janeiro, mas sim no primeiro domingo do Advento.

Advento significa vinda, chegada. É tempo de espera, é o período de quatro semanas que antecede o Natal. É uma época muito bonita e festiva, com muitas tradições, luzes e presentes. É tradição enfeitar e limpar as casas no Natal, afinal elas devem estar limpinhas para receberem um convidado muito especial.

No entanto, é muito triste saber que milhares de casas são enfeitadas para acolher somente o papai-noel. Poucos estão cientes que o ilustre convidado não é uma lenda de barbas brancas, mas sim Jesus Cristo. Advento é tempo de preparação para receber o Menino Deus. Vamos então, começar a faxina e preparar uma grande festa para o aniversariante que quer, mais uma vez, renascer em nós.

Vamos aproveitar este período e prepararmo-nos para acolher o verdadeiro motivo desta festa. O amor é o detergente que limpa e embeleza, é luz que ilumina. Só através dele e da convivência fraterna poderemos transformar os corações em aconchegantes manjedouras para acomodar o Salvador do Mundo.

O evangelho de hoje, a princípio, parece assustador. Fala que Jesus virá como no tempo de Noé. Lembra o dilúvio que, praticamente, eliminou todos os seres vivos da face da terra.

Se levarmos ao pé da letra o que acabamos de ler, podemos chegar a conclusão de que Deus não nos ama e que está só esperando uma pequena distração para, sorrateiramente, chegar, julgar e condenar.

Certamente não é assim o Nosso Deus. Jesus nos ama e deu sua própria vida para nos salvar. Deus quer o melhor para cada um de nós, no entanto Ele alerta que é preciso estar atento e vigilante, pois caso contrário poderá ser tarde quando realmente chegar o dia do juízo final. 

Ninguém deve se desesperar, mas também não pode negligenciar. Estar atento significa viver calmamente como se fossemos eternos e, ao mesmo tempo, viver intensamente a partilha e o amor, como se fosse hoje nosso último dia. Resumindo: o que parece uma previsão sombria, é na verdade uma boa notícia.

O Evangelho é sempre uma Boa Notícia, uma mensagem de alegria e de esperança. A Palavra de Deus é vida e salvação. Deus sempre nos fala de forma muito clara. Por isso, se a leitura bíblica nos traz medo e angústia, significa que não estamos entendendo, nem vivendo, a verdadeira mensagem do evangelho. 

Se soubéssemos o dia e a hora, nunca teríamos a casa arrombada. Como não temos essa informação, a única alternativa é manter uma constante vigilância para preservar nosso patrimônio. Hoje estamos muito bem, porém amanhã... como será nosso amanhã? Só Deus é quem sabe, por isso só quem estiver preparado terá preservado seu mais caro patrimônio, a própria vida.

Para preservar a vida é preciso perceber a presença constante de Jesus orientando-nos a trilhar seus caminhos, ensinando como se aproximar sem escravizar e como construir um mundo de paz, de justiça e de amor.

O Filho do Homem não tem a menor pretensão de chegar de surpresa. Tranqüilize-se, felizmente Ele já chegou. Jesus está aqui e dá garantias de vida eterna para quem enxergá-lo no próximo.

(1188)


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Este o primeiro domingo do Advento, o tempo de quatro semanas que nos prepara para o Natal do Senhor. Tudo, na liturgia, nos ajudará nessa preparação, na espera, cheia de esperança: o roxo significa a vigilância de quem aguarda com ânsia de amor, a moderação das flores ajuda-nos a concentrar nossa atenção naquele que vem, o “Glória” não cantado prepara-nos para cantá-lo como novidade na Noite Santa do Natal. Os sentimentos do nosso coração devem ser a vigilância, a piedade humilde de Maria Virgem, de José, dos pastores, de Simeão, Zacarias e Isabel, o espírito de conversão anunciado por João Batista, o sonho de um mundo “cheio da sabedoria do Senhor como as águas enchem o mar” (Is. 11,9), como Isaías profetizou... Aproveitemos essas quatro semanas tão doces, que recordam a espera de Israel e da humanidade pelo Messias! Ele vem... vem vindo sempre! Celebraremos o mistério do seu Natal em Belém, recordando que ele vem a cada dia e virá na Glória no final dos tempos. Preparemo-nos para ele!
Nos textos bíblicos que a Igreja hoje nos propõe, o Senhor sonda as angústias, carências, pobrezas e saudades do coração humano e nos fala precisamente da esperança: ele é o Deus que vem ao encontro dos nossos anseios mais profundos, o Deus pronto para nos saciar... Mas também nos exorta a vigiar, a nos preparar para acolher o Dom esperado - e o Dom é o seu próprio Filho, que vem ser Emanuel - Deus-conosco. Aliás, é esta a miséria do mundo atual: busca a paz, procura a vida, tem sede de plenitude e felicidade, mas não busca naquele que é a saciedade do nosso coração e a salvação da nossa existência. O homem tem sede e Deus, misericordiosamente envia-lhe a água, que é o Messias... e o nosso mundo não o reconhece; antes, renega-o! Vejamos se não é assim; vejamos se Deus não é todo doação para nós, e recordemos a palavra do Profeta: “Acontecerá nos últimos tempos que o monte da casa do Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas. A ele acorrerão todas as nações, para lá irão povos numerosos.. porque de Sião provém a lei e de Jerusalém, a Palavra do Senhor”. Eis: de Israel, Deus prepara uma salvação, uma luz, uma direção para toda a humanidade. O homem sozinho não encontra o caminho, por mais que teime em se julgar grande e auto-suficiente. No entanto, à nossa pobreza, o Senhor vem com uma promessa tão grande. E, se o coração da humanidade acolher a salvação que vem, a luz que brilha, então, encontrará a paz: “Ele há de julgar as nações e argüir numerosos povos; estes transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices: não pegaram em armas uns contra os outros em não mais travarão combate”. Eis a promessa de Deus: dá-nos a salvação; eis o sonho do Senhor: encontrar uma humanidade que acolha o Salvador, dele bebendo a paz! Se acolhermos o Messias que Deus nos envia, nele veremos a luz verdadeira e nossas guerras interiores e exteriores se transformarão em paz... Nossas armas que destroem, serão transformadas em arados que geram alimento de vida!
No nosso mundo ferido, cansado, incerto... mundo que já não mais crê de verdade em nada, a promessa do Senhor é como um alento. Acreditemos, irmãos! Quão triste o mundo se os cristãos viverem sem esperança, sem certeza, sem ânimo, como os pagãos... Este Tempo do sagrado Advento quer levantar nosso ânimo: o Senhor, cujo Natal celebraremos dentro de quatro semanas, é o mesmo que virá um dia, na sua Manifestação gloriosa! Nossa vida tem rumo e sentido. Vigiemos: “Vós sabeis em que tempo estamos! Já é hora de despertas. Agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite deste mundo já vai adiantada, o Dia vem chegando” – o Dia é Cristo, Salvação que Deus nos prometeu e nos preparou! Então: “Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz. Procedamos honestamente, como em pleno dia” – como quem vive já agora, durante a noite deste mundo, no Dia, que é Cristo-Deus: “nada de glutonarias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades. Pelo contrário: revesti-vos do Senhor Jesus”. Eis o modo de vigiar na noite deste mundo, eis o modo de testemunhar que esperamos, na vigilância, o Salvador que nos foi prometido e virá. Vigia pela vinda de Cristo quem rejeita as obras das trevas! É oportuno recordar que este texto que escutamos da carta aos Romanos, foi o que provocou a conversão de santo Agostinho, lá no distante século V. A Palavra de Deus é sempre um apelo gritante e forte para nós! Que ela nos converta também agora! 
A grande tentação para os discípulos de Cristo, hoje, é conformar-se com o marasmo do pecado do mundo, é viver burguesamente, uma vida cômoda e sem uma fé verdadeira e operante, sem aquela atitude de alegre expectativa por aquilo que o Senhor nos prometeu, sem a vontade de transformar a nossa vida por amor daquele que vem. Vamos nos ocupando e distraindo com uma vida fútil, dispersa em mil bobagens, esquecendo daquilo que realmente importa! Vale para nós a advertência seriíssima do Senhor Jesus: “A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé”: naqueles dias, todos vivam tranquilamente: “comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até que Noé entrou na arca e eles nada perceberam...” Como agora: vive-se na farra do paganismo, do consumismo, do relaxamento moral, de tantos absurdos contrários ao Evangelho... e não percebemos que haverá um juízo decisivo de Deus para nós e para o mundo, um juízo no qual o bem e o mal, o santo e o pecador, serão separados: “um será levado e o outro será deixado”... Triste de quem for deixado, triste de quem perder a companhia do Senhor, nossa paz! Feliz de quem for levado com o Senhor! Pois bem: logo neste iniciozinho de Advento, a advertência do Senhor é dramática: “Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor! Na hora em que menos pensais, o Filho do homem virá!”
Então, enquanto o mundo dorme no seu pecado, na sua auto-satisfação, elevemos, humildemente, nosso olhar e nosso coração para Aquele que vem: “A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meu inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera!” – Marana thá! Vem, Senhor Jesus!
dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com
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Primeira leitura: Isaías 2,1-5
A PAZ MESSIÂNICA: VENHAM, CAMINHEMOS À LUZ DO SENHOR, LUZ DAS NAÇÕES
Este oráculo foi pronunciado na mesma época dos oráculos dos capítulos 9-11 e precisa ser interpretado à luz deles. O projeto prevê que na era escatológica Jerusalém terá um papel de proeminência universal.
Isaías exerceu o seu ministério em tempos difíceis, em que o povo era esmagado pelo peso dos tributos e pela exploração das lideranças. O seu ministério situa-se entre 740 e 700 a.C., período dramático devido às ameaças dos assírios.
Os primeiros cinco capítulos trazem oráculos do profeta em seus cinco primeiros anos de ministério, nos quais ele exprime a corrupção moral do reino de Judá no século VIII. Neste contexto, Isaías tem uma visão acerca de Judá e Jerusalém, uma intuição profunda sobre o futuro, quando haverá uma virada na história. Ele vislumbra uma peregrinação de todos os povos para o Templo Santo no monte Sião, o lugar mais alto das montanhas. Para os antigos, o monte era o lugar onde se encontrava a divindade e, com isso, Isaías queria dizer que o mundo inteiro iria prestar culto ao Deus único e verdadeiro, Deus Juiz e Árbitro das nações (v.4). Ele será o verdadeiro ponto de gravidade do universo. Para o profeta, este monte da Casa de Deus é como um farol que irradia a instrução e a palavra do Senhor. Será um ponto de convergência dos povos (v.3) e a casa de Jacó puxará a fila dessa romaria. Sião será o grande centro missionário de onde a Palavra de Deus será anunciada para a humanidade, com a criação de um mundo novo sem fronteiras, porque a norma última será a justiça que vem de Deus e o fruto maduro dessa união universal será a paz que decorre da justiça. Nesse contexto, o povo conhecerá um jeito novo de fazer história e construir a sociedade, em que Deus intervirá no coração do homem para transformá-lo. Será o tempo messiânico da intervenção definitiva de Deus.
Nesta visão de Isaías está contida a idéia da universalidade da salvação messiânica, vista na perspectiva da supremacia hebraica. É uma idéia centrípeta da salvação, enquanto o Novo Testamento tem uma idéia centrífuga, em que os apóstolos sairão de Jerusalém para ir ao encontro dos homens. Em Jerusalém Javé será reconhecido por todos os povos.
Este oráculo se encontra também em Miquéias 4,1-3. Por isso, alguns exegetas o atribuem a Isaías ou a Miquéias. Outros sustentam que há uma interdependência com uma profecia mais antiga que celebrava a vitória de Javé sobre os povos. Outros, ainda, afirmam que é uma inserção pós-exílica.
O fruto da paz gerada nesta nova situação é um mundo novo sem fronteiras e cheio de justiça: “As espadas serão transformadas em enxadas...”.
Segunda leitura: Romanos 13,11-14
O CRISTÃO É “FILHO DA LUZ”: A SALVAÇÃO ESTÁ PERTO!
Estes versículos fazem parte da seção parenética da carta, que começa no capítulo 12, onde o apóstolo expõe as conseqüências de ser cristão. Para Paulo, os que aderiram a Cristo pelo Batismo e pela fé descobrem no tempo presente as sementes da eternidade e por isso são capazes de transformar a vida do dia-a-dia em “kairós”, conscientes de que seus estados não podem continuar no sono. Este é o motivo da salvação que deve deixá-los atentos. O “kairós”, tempo decisivo e empenhativo da salvação inaugurada por Jesus e que se estende a toda a Igreja peregrina, ainda não chegou à plenitude, e por isso é preciso ficar atento, acordado, pois o cristão é filho do dia (Gálatas 1,4).
Neste texto, Paulo dá um fundamento soteriológico e escatológico, segundo o qual o cristão opera porque foi renovado por dentro pela graça (fundamento soteriológico) e porque é encaminhado para a salvação com a qual é chamado a colaborar (fundamento escatológico). O imperativo do cristão é “revestir-se de Cristo”. Por isso, tendo a consciência da salvação que recebeu do Cristo, o cristão deve ter uma conduta de vida digna, isto é, não caminhar nas trevas. Deve deixar a sonolência, símbolo de indiferença e pecado (1Tessalonicenses 5,6; 1Coríntios 15,34; Efésios 5,4). Acordar (eghèiro) é um verbo que indica ressurreição.
Embora vivendo o tempo (kronos), cada dia se torna para o cristão o tempo oportuno, o momento definitivo, o “kairós” da salvação. Viver como se estivesse em pleno dia significa comportar-se não segundo os prazeres da carne. Foi esse imperativo que levou Santo Agostinho a converter-se: “Peguei o texto do apóstolo, abri-o e li em silêncio o capítulo que primeiro se apresentou aos meus olhos: “Nada de orgias ou bebedeiras”. Não quis ler mais, nem era preciso. De fato, no fim desse trecho como que uma luz de segurança infusa no meu coração fez com que todas as trevas fugissem do meu coração” (Confissões VIII, 12, 9, 29).
Por isso, o cristão iluminado pela luz de Cristo não dá mais espaço aos vícios em sua vida. Se em Gálatas 3,27 o apóstolo apresenta o Batismo como um revestimento de Cristo, imagem para indicar uma nova realidade do cristão, com a sua dignidade, aqui ele expressa o ser cristão como uma exigência ética, um imperativo que brota da força do dom de Deus e encontra Nele a sua força. Revestido de Cristo, o cristão não tem mais espaço em sua vida para o que inclina o homem para os instintos baixos, não apenas na esfera sexual, mas também no fechamento de si que nega o amor.
Evangelho: Lucas 24,37-44
AGUARDAR A VINDA DO SENHOR, A VOLTA DO FILHO DO HOMEM
Os capítulos 24 e 25 de Mateus formam o “discurso escatológico”, no qual emergem dois temas importantes:
01) o fim do Templo de Jerusalém, com a conseqüente destruição da cidade, marcando o início de uma nova época para os cristãos.
02) o desconhecimento da vinda do Filho do Homem e a vigilância como um gesto para a transformação da sociedade.
Com a queda de Jerusalém, o hebraísmo caiu para todo o mundo. E a vigilância lembra a época de Noé e a pregação dos profetas, que significava ouvir a salvação de Deus e abrir-se para ela.
Ninguém sabe quando será o fim do mundo. Por isso, Mateus ressalta que é preciso estar vigilante, acordado, para a vinda do Senhor. O texto se reporta ao dilúvio genesíaco (Gênesis 7,11-23) para ilustrar a incerteza do dia da parusia. No tempo de Noé todos levavam uma vida comum, comendo, bebendo, casando-se... Nada de extraordinário deixava pensar que o dilúvio viria, a não ser Noé, que era temente a Deus (Gênesis 6,8-9).
O perigo está em não ter consciência da presença de Deus, ficar preocupado com muitas coisas e deixar o essencial. Por isso, a salvação é vigiar, que não é uma atitude policialesca, isto é, solidarizar-se com os que clamam pela vinda de Jesus, projetando luzes nas trevas da sociedade.
REFLEXÃO
Com o Advento iniciamos o novo ano litúrgico. O Advento nos aponta para a celebração do Natal, mas também para a segunda vinda, a última vinda ou a parusia. Dentro deste anúncio há a recomendação de viver a vigilância. A última vinda do Senhor, anunciada nas parábolas da vigilância, tem uma certeza e uma incerteza. Sua vinda é certa, mas é incerto o momento, e é justamente nessa ignorância que a vigilância se fundamenta.
Quando Mateus escreveu o seu evangelho, o ânimo das comunidades em relação à parusia estava esfriando, o que ocasionou um afrouxamento da vigilância dos cristãos. Daí a insistência sobre a vigilância, porque a vinda do Senhor é imprevisível. Portanto, esperar o dia da chegada do Senhor é um alerta esperançoso para o novo encontro com Ele.
O Advento se caracteriza de modo especial como símbolo de espera confiante, como sinal de aspirações, desejos...
A dinâmica do Advento está orientada também para o futuro terreno e histórico, mas, sobretudo, para o transcendental, eterno e infinito.
A tradição distinguiu três formas de vinda de Cristo: “Conhecemos um tríplice advento do Senhor” (São Bernardo). O primeiro e o último Advento são o Natal e a Parusia, o Advento intermediário é o oculto, conhecido somente por quem o experimenta em seu interior. É a visita do Cristo ao coração que traz a salvação. O Advento intermediário é o caminho que nos faz passar do primeiro ao último. No primeiro Cristo foi a nossa redenção, no último aparecerá como a nossa vida plena e definitiva. No intermediário Cristo é a nossa paz e salvação.
O homem sempre foi curioso sobre o fim do mundo, mas a nossa curiosidade não pode ser satisfeita. O juízo só ocorrerá para nós com a morte (Lumen Gentium, 48). Embora a Bíblia não fale desse juízo particular, existem trechos que o esclarecem: Lucas 16,19-31 e Lucas 23,43. O juízo depois da morte nos lembra três coisas:
a) a morte é uma coisa séria, porque fixa a nossa condição eterna, abrindo as portas para o nosso destino eterno;
b) o homem é um ser aberto ao infinito, conservando sua responsabilidade e liberdade;
c) a morte vem como um ladrão, por isso é preciso vigiar.
Com o tempo do Advento tem início o novo ano litúrgico. Este tempo aponta para a celebração da primeira vinda histórica de Jesus no Natal, mas ao mesmo tempo lembra a sua segunda vinda.
O Advento lembra, portanto, a vinda de Jesus ao nosso meio. É o cumprimento da vontade de Deus, prefigurada na história do povo de Israel. Jesus veio dar sentido à nossa vida, fazendo-se homem, encontrando-se conosco, vivendo a nossa situação e indicando-nos o caminho.
Para termos o encontro definitivo com Ele precisamos de purificação, isto é, de metanóia, de doação de nós ao próximo, de assumir a cruz que opera a salvação e de cultivar a presença de Deus, pois sem Ele nada pode ser feito.
No Advento emergem três figuras bíblicas: Isaías com suas profecias; João Batista, o precursor no umbral do Novo Testamento, com sua denúncia profética suscitando conversão e clima de expectativa; e Maria, que ocupa o lugar de destaque neste tempo, porque esperou o Redentor.
As leituras do Advento revelam as etapas da vinda do Senhor: a primeira vinda histórica, com o seu nascimento em Belém, cumprindo as profecias messiânicas do AT e inaugurando a plenitude dos tempos; a segunda vinda gloriosa e definitiva, que é o fundamento da vigilância escatológica; a terceira vinda, que é o tempo intermediário entre as duas vindas com a sua presença atual, sacramental. O Advento é a tensão entre o já e o ainda não motivo de vigilância. É a espera ativa e alegre na fé que é garantia do futuro (Hebreus 11,1). Por isso, não é um tempo limitado de quatro semanas, mas uma atitude cristã, um processo de libertação rumo à casa do Pai, um lugar teológico da presença de Deus no mundo.
Advento é a hora de Deus, como Paulo lembra na segunda leitura (Romanos 13,11-14), passagem que provocou a conversão de Agostinho. É uma iniciativa constante de Deus que vem ao nosso encontro, encontro que Isaías anunciou na primeira leitura, segundo a qual Jerusalém seria na plenitude dos tempos o centro religioso mundial que atrairia todas as nações para serem instruídas pela Palavra do Senhor, uma visão profética de cunho escatológico e ecumênico que se realizou em Jesus.
Diante deste fato tão importante para a nossa salvação, a Igreja nos coloca de sobreaviso nas quatro próximas semanas, a fim de que nos preparemos para celebrar o Natal, e nos pede que examinemos o fundo de nossa alma e individualizemos os inimigos que nos afastam de Deus: a concupiscência da carne, que não é apenas o impulso desordenado dos sentidos, ou não diz respeito somente à desordem da sensualidade, mas se estende ao comodismo e à falta de vibração; e também a soberba, que não se resume a pensamentos efêmeros de vaidade ou de amor próprio, mas é também um endurecimento generalizado na vida.
O Advento pede de nós um estado de vigília, que é luta, uma preparação igual à de um soldado bem armado que não se deixa surpreender (1Tessalonicenses 5,4-11). O nosso cuidado deve ser com o esmero na oração, com o exercício de pequenos sacrifícios que nos mantêm despertos. É só quando desocuparmos os entulhos que guardamos dentro de nós (preocupações, ânsia de bens...) que poderemos ouvir o que o Senhor tem a nos dizer neste Advento.
Um mestre japonês notável por sua sabedoria recebeu a visita de um professor, que veio interrogá-lo e comprovar a sua sabedoria. Durante a conversa, o mestre serviu-lhe uma xícara de chá que encheu até transbordar e continuou a enchê-la com uma expressão serena e sorridente. O professor ficou pasmado, sem saber como explicar a distração do mestre. Em um certo momento disse-lhe: “A xícara já está cheia, não cabe mais”. E o mestre disse-lhe: “Como esta xícara, você está cheio de cultura, de opiniões... Como posso falar-lhe da minha doutrina se você não esvazia a sua xícara?”
padre José Antonio Bertolin, OSJ - www.santuariosaojose.com.br

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É sempre a vinda do filho do homem
Advento não é simplesmente tempo de preparação para o Natal. O comércio, aliás, já está se preparando para o Natal há bastante tempo. Advento significa vinda, chegada. É tempo de celebrar a vinda de Jesus, do Senhor, do Filho do Homem. O Natal é apenas o momento e a motivação privilegiada para, nos quatro domingos, celebrarmos essa vinda.
Para as comunidades primitivas, a destruição de Jerusalém e do Templo ocorrida no ano 70 significou uma vinda do Messias Jesus, o “Filho do Homem”. O cristianismo nasceu da religião judaica, centralizada até então no Templo de Jerusalém. Assim, a destruição da cidade e do Templo, embora tenha sido um grande choque também para os cristãos, um fim de mundo, abriu, ao mesmo tempo, novos horizontes, foi um novo começo.
Todo acontecimento, de pouca ou grande monta, deve ser considerado uma vinda de Jesus. Em tudo o que acontece, ele está vindo ao nosso encontro, está mostrando-nos nova esperança e novo caminho, está lançando diante de nós um desafio e pedindo de nós a resposta de uma atitude nova, diferente. Nós é que muitas vezes não percebemos.
Estaremos preparados para o encontro final com Jesus se soubermos atender a esses apelos que ele nos faz por intermédio dos fatos.
1ª leitura (Is. 2,1-5)
Em meio às guerras e ameaças de guerra, o profeta fala da Lei divina e da comunidade de fé, chamada de Sião ou Jerusalém. Tanto a do seu tempo como a de hoje devem ser esperança e luz para todas as nações.
A maneira pela qual Isaías fala de Sião ou Jerusalém, da “montanha da casa do Senhor”, de onde vem o ensinamento, a lei de Deus para todas as nações, dá a entender que ele pensa mais numa comunidade ideal do que na realidade física da cidade. Isso se torna claro até pelo fato de falar de um futuro, “nos últimos dias”.
A “montanha da casa do Senhor” não é apenas aquela montanha que chega a 800 metros acima do nível do mar Mediterrâneo (onde está Jerusalém), mas um lugar de encontro com Deus que se situa muito acima de qualquer alta montanha ou serra; é uma comunidade de fé ideal, presença de Deus no mundo. Essa é que atrai para si todas as nações.
Todos vão à sua procura para encontrar os melhores caminhos. Todos querem aprender dela. Todos buscam a paz, e isto é o que ela ensina: “fundir suas espadas para fazer bicos de arado, fundir as lanças para delas fazer foices”, transformar as armas em instrumentos de trabalho, mudar a força de destruição em força de construção, abandonar as guerras e partir para a colaboração.
O profeta-poeta projetava essa comunidade ideal, promotora da harmonia universal, para um futuro, os “últimos tempos”. Esses “últimos tempos” não podem ser apenas o momento final da história, o fim da humanidade no planeta. É o futuro que já deve estar presente, é o futuro-presente que podemos hoje entender e pôr em prática como a etapa decisiva da humanidade após a ressurreição do Crucificado.
2ª leitura (Rm. 13,11-14a)
As comunidades de Roma, apesar de pobres, viviam na capital do império. Ali não havia limites para o consumo e o gozar a vida. Paulo as convida a não cair na tentação.
Quanto mais escura a noite, mais próximo está o clarear do dia; quanto mais difícil a situação (era o tempo do imperador Nero em Roma), mais perto está uma solução.
Paulo tinha falado em 1Ts. 4,15 na possibilidade de estar vivo na segunda vinda de Cristo. Depois, sentindo provável sua condenação à morte, desejou-a (Fl. 1,23) para estar com Cristo. Agora ele fala da proximidade da salvação. Seria a vinda final de Cristo? Seu propósito, no entanto, era encerrar sua missão na parte oriental do império, passar por Roma e ir evangelizar a Espanha, o lado ocidental (Rm. 15,22-24). Ele não teria esses grandes e arriscados projetos se esperasse para breve o fim do mundo.
Os problemas internos nas comunidades de Roma também não eram poucos. Os cristãos judeus tinham sido expulsos da cidade e agora estavam podendo voltar. A situação da Palestina era cada vez mais grave, estava se tornando explosiva. Eles voltavam para Roma influenciados pelas ideias de revolução e muito mais aferrados à sua identidade judaica. Enquanto isso, os cristãos gentios de Roma, sem dúvida, tinham se afastado mais e mais dos costumes judaicos. Os dois grupos iriam se entender?
Roma, a capital do mundo, era, além disso, uma tentação, tentação, acima de tudo, de consumismo, pois tudo o que se produzia de melhor em todo o império era carreado para Roma. Cair nessa tentação seria deixar-se envolver pelo mundo das trevas.
Estão dormindo aqueles que não têm esperança de que o mundo possa mudar nem nisso pensam. Um mundo novo está chegando, está para ser construído; é preciso, então, estar acordados, viver como em pleno dia – alerta Paulo –, fugir do consumismo, que não dá nenhum sentido à vida. Como o mesmo Paulo disse em 1Ts. 5, os que dormem, é de noite que dormem; os que se embriagam é de noite que se embriagam. Esses serão pegos de surpresa. Nós, ao contrário, somos da luz e, como tais, vivemos unidos ao Senhor e Messias Jesus.
Evangelho (Mt. 24,37-44)
A vinda de Cristo, quando será? O evangelho responde que ninguém pode saber, é imprevisível. Diz, porém, que precisamos ficar atentos, ligados a Deus e seu projeto, mesmo no trabalho cotidiano, dentro ou fora de casa.
O evangelho, das palavras de Jesus que se referem diretamente à destruição de Jerusalém, passa a falar do encontro final do fiel com o Cristo juiz. O trecho que lemos hoje faz exatamente essa passagem.
Ele havia falado da comparação com a planta que começa a brotar, anunciando a chegada da primavera e do verão (vv. 32-36). Sinais do dia decisivo seriam a auto-proclamação messiânica dos líderes da revolta judaica (vv. 5-8), dificuldades, incompreensões e perseguição aos cristãos, além da divulgação do evangelho (vv. 9-14) e da violação do Templo (v. 15). Mas, nos vv. 34-35, é dito que os fatos acontecerão ainda “nesta geração”, o que só pode ser entendido com a destruição de Jerusalém.
Depois de dizer que o dia e a hora só Deus sabe (v. 36), o evangelho entra no texto de hoje comparando a situação de então com a do tempo de Noé. No episódio bíblico do dilúvio, ninguém se interessou pela arca que Noé preparava, ninguém pensou que sua vida seria interrompida: continuava sua rotina até que Noé entrou na arca – e, em seguida, veio o dilúvio e todos se foram.
É uma advertência para estarmos conscientes de um fim inevitável, mas de data e hora imprevisíveis. E estar conscientes disso significa estar atentos aos apelos de Deus por meio dos fatos. O fim vem, é certo. Quando? Só Deus sabe. As duas certezas nos preparam para ir ao encontro do Senhor que vem.
Por ocasião da invasão do exército romano, nas proximidades ou dentro de Jerusalém, dois homens no campo ou duas mulheres em casa, exercendo a mesma atividade, têm sortes diferentes. Essa afirmação leva naturalmente a uma reflexão: o que importa não é exatamente o que estejam fazendo, mas o modo como cada um está agindo na sua rotina cotidiana. Está vigilante, com o pensamento voltado para Deus e seu projeto, ou voltado apenas para si mesmo e seus sonhos?
Vem a comparação do ladrão, que chega sempre quando menos se espera. Para não ser pegos de surpresa, é preciso vigiar, ficar acordados, atentos, alertas. Paulo (1Ts. 5,1ss) já fazia a comparação com o ladrão, que vem à noite. E dizia: “Mas nós não somos das trevas nem da noite, nós somos do dia e da luz”.
DICAS PARA REFLEXÃO
Em tudo o que acontece, Jesus está mostrando-nos nova esperança e novo caminho, está lançando diante de nós um desafio, está pedindo de nós a resposta de uma atitude nova, diferente. É o seu advento, a sua vinda que celebramos. Nós é que muitas vezes não percebemos.
O desafio de hoje é a violência, uma ordem social violenta, de pura competição, que explode em acontecimentos trágicos, mas está no coração da sociedade e no coração de cada um. A comunidade que acredita em Deus e não no dinheiro ensina a transformar as armas em instrumentos de trabalho, mudar a força de destruição em força de construção, abandonar a violenta guerra da competição e partir para a colaboração.
A “montanha da casa do Senhor” não é apenas aquela montanha que chega a 800 metros acima do nível do mar Mediterrâneo, mas um lugar de encontro com Deus, uma comunidade de fé que deve ser luz para a humanidade.
Quanto mais escura a noite, mais próximo está o clarear do dia; quanto mais difícil a situação, mais perto está uma solução.
Aqueles que não têm esperança em outro mundo possível estão dormindo. Um mundo novo está vindo, está para ser construído; é preciso estar acordados, viver como em pleno dia, fugir do consumismo, que não dá nenhum sentido à vida, e fazer da sobriedade ferramenta de partilha.
O fim vem, é certo. Quando? Só Deus sabe. A certeza de que vem e a certeza de que não podemos saber quando nos preparam para ir ao encontro do Senhor. É preciso estar conscientes de um fim inevitável, mas de data e hora imprevisíveis. E estar conscientes disso significa estar atentos aos apelos de Deus por meio dos fatos.
O que importa não é o que as pessoas estejam fazendo, mas o modo como cada um está agindo. Está vigilante, com o pensamento voltado para Deus e seu projeto, ou voltado apenas para si mesmo e sua cobiça? Isso é o que vai definir a sorte de cada um.
“Nós não somos das trevas nem da noite, nós somos do dia e da luz.” Que significado tem isso no nosso dia a dia?
Os “últimos tempos” são o futuro que já está presente, são o futuro-presente que podemos hoje entender e pôr em prática. São a etapa decisiva da humanidade após a ressurreição do Crucificado, que celebramos.
padre José Luiz Gonzaga do Prado - www.paulus.com.br
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“A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não
seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não
será desiludido quem em vós espera” (cf. Sl. 24,1 ss)
Chegamos ao início de mais um ano litúrgico, o ano chamado A, dedicado ao estudo do Evangelho de são Mateus. Assim começamos o chamado tempo do Advento. O que vem a ser o Advento? O Advento quer dizer espera das coisas que hão de vir. E o centro destas coisas é Jesus Cristo, o Salvador da humanidade. Advento é o tempo propício de espera. Espera que deve estar unida à esperança, à doce esperança dos cristãos contra toda a esperança humana.
Advento que nos ensina a esperança. Esperamos Aquele que já está conosco, que está no meio de nós, por isso cantamos: “O Senhor esteja convosco! R. Ele Está no meio de nós!”. Realmente Jesus está no meio de nós, caminhando na história e sendo o início e o fim da vida humana.
Somos chamados neste ano a estudar, refletir e viver o Evangelho escrito pelo evangelista Mateus. Com Mateus caminharemos neste ano chamado de ano litúrgico A. Para entender bem o Evangelho de São Mateus é necessário termos presentes as cinco linhas mestras de seu Evangelho: o Sermão da Montanha, o discurso sobre a missão dos apóstolos, o discurso sobre as parábolas do Reino de Deus, o discurso sobre a instrução dos apóstolos e o discurso escatológico, isto é, sobre as últimas coisas que acontecerão com o homem e a mulher.
A escatologia será o tema principal dos quatro domingos do Advento, nos preparando assim para o Natal. Temos que ter presente que a escatologia é o tratado da teologia que estuda as últimas coisas que acontecerão ao homem. Costuma-se mencionar a morte, o juízo, o inferno e o paraíso. Seriam os novíssimos, porque aos olhos dos homens seriam as ultimas coisas que nos aconteceriam. Mas no contexto de Deus são as coisas primeiras, porque trata do destino de nossa vida na vida que nos é reservada depois de nossa jornada neste vale de lágrimas.
Refletimos hoje sobre a parusia. Parusia que é a vinda de Jesus glorioso conforme a palavra de são Paulo apóstolo: “Que todo o vosso espírito, toda a vossa alma e corpo se conservem sem mancha para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo”(Cf. 1Tes. 5,23). Trata-se do encontro pessoal entre o homem e o Cristo salvador. É o Natal do homem que entendeu e viveu o Natal de Jesus. É a realização plena de todas as promessas.

A primeira leitura (cf. Is. 2,1-5) nos mostra a utopia messiânica e o caminho dos homens ao recinto de Deus. Sião é o lugar da presença de Deus. Para aí subirão as nações no tempo messiânico, para procurar a Palavra e a Sabedoria de Deus. Profecia proclamada pelos anos 700 a.C; o profeta já não espera a salvação da estratégia política e militar, mas do Deus de Sião e do universo.

A segunda leitura (cf. Rm. 13,11-14) são Paulo aduz que todos somos convidados a levantar do sono, pois a salvação está perto. Com a vinda de Cristo, chega o “dia” decisivo: a luz do “dia” brilha para todos os homens. Desde nosso nascimento no batismo, vivemos para o dia que agora chegou: o dia do encontro com Cristo. Sua luz orienta nossa vida.

O Evangelho de hoje (Mt. 24,37-44) mostra o vigilante dono da casa, na expectativa escatológica. O Filho do Homem virá arrematar a história e julgar toda a existência, mas ninguém conhece a hora. Apesar dos presságios, Ele vem de repente.
A decisão de seguir a Jesus e ter acesso à vida eterna é uma decisão muito pessoal que o fiel deve tomar com toda a sua liberdade. Vive plenamente o Natal o homem e a mulher que se define pelo Cristo, a partir do momento em que a pessoa se define pelo Ressuscitado, que já está em nosso meio, que vem e já veio para a salvação de todos.
Somos chamados hoje para que prestemos atenção a tudo que nos envolve e em nossas vidas, em nossas atitudes, no nosso cotidiano. Somos chamados a fazer um doce exame de consciência a respeito de nossa vida e de nossas atitudes. Somos chamados a nos contrapor a nossa caminhada. Devemos estar vigilantes, porque não sabemos nem o dia e nem a hora que o Senhor virá ao nosso encontro.
A necessidade da vigilância é reforçada com a lembrança do dilúvio, que purificou a terra. O advento deve purificar a nossa vida para viver bem o Natal. Como o dilúvio veio à morte também virá e é uma certeza inexorável. Como Deus salvou Noé por causa da fé e da fidelidade, também salvará os que crerem em Jesus e forem fiéis aos seus ensinamentos.
O homem tem um víeis para a eternidade. O homem encontra a felicidade no tempo, preparando-se assim para a eternidade. O homem encontra o equilíbrio na vida presente e efêmera, construindo a vida futura, a definitiva, e eterna junto de Deus. Isso é a doce vigilância que é o centro da liturgia deste domingo.
Vigiar com compromisso, com ardor missionário que passa não só pela individualidade, mas, sobretudo, pela vigilância que quer significar um compromisso com a nova evangelização, um compromisso missionário renovador e santo. Vamos, pois, construir o Reino de Deus aqui e agora fazendo dos mistérios da salvação o quotidiano da nossa futura salvação.
O Advento nos desperta três atitudes: 1. Ficai preparados; 2. Esperar o Cristo e 3. Esperar o Senhor da Paz.
Assim devemos ser vigilantes, agindo com prudência e desapego, esperando o Cristo. Entretanto Cristo não pode ser programado: deve ser esperado; devemos deixar em nossa vida espaço para a sua presença. A vigilância cristã permite ler em profundidade os fatos para neles descobrir a “vinda” do Senhor. Exige coração suficientemente missionário para ver essa vinda nos encontros com os outros.
O Senhor Jesus não vem no meio do ruído, não se encontra na agitação e na confusão. Veio na paz e para a paz. A hora de Deus chega até nós, porque cada instante da nossa vida contém a eternidade de Deus. É preciso não nos basearmos unicamente na sabedoria humana, e não esperarmos uma intervenção ostensiva da parte de Deus. É no momento atual que é dada a salvação. Toda opção que se faz no presente, entre a luz e as trevas, é um sinal da vinda do Filho do Homem.
Vigilantes, acordados, livres, vamos caminhando na “luz do Senhor”, conforme nos recorda o profeta Isaías na primeira leitura ou como nos lembra o apóstolo Paulo na segunda leitura, que nos pede coragem de deixar o mundo do pecado e das trevas para praticar o bem, a caridade e o amor.
Bom advento a todos! Que todos possamos viver unicamente o amor de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
padre Wagner Augusto Portugal - www.catequisar.com.br

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Espere!
Com o 1º domingo do Advento, damos início a mais um ano litúrgico que se abre com a espera da vinda futura do Senhor. Marana tá! Diziam os primeiros cristãos. Nós, não mais primeiros cristãos, quase perdemos o significado desta invocação: Vem Senhor! Hoje, portanto, entramos no tempo da memória e da espera pela vinda do Senhor, mistério anunciado pelos profetas, nossa profissão de fé que rezamos no Credo. Neste Tempo, a Igreja nos convida a nos convencermos da vinda futura do Senhor. Por isso, devemos perder a ideia consumista do Natal: uma das épocas que mais damos valor a vinda das coisas materiais e supérfluas (não é a toa que é quando mais se gasta). Esta ideia seria sem sentido se não conseguíssemos entender que há uma outra vinda: a do Senhor na glória. Por isso, vigilamos e não percamos este tempo de graça assumindo uma atitude coerente com o batismo recebido.
Há duas semanas, vimos no evangelho de Lucas os sinais que antecedem a vinda definitiva de Nosso Senhor Jesus Cristo; e, sendo este um momento desconhecido, a liturgia nos convidava a se afastar de qualquer comportamento cego, enquanto o esperamos.
Neste novo ano litúrgico, vamos ler o Evangelho de Mateus; e, hoje, a liturgia retoma o tema da vinda de Jesus, pois o Advento é tempo de espera e preparação para ela. O Evangelho de hoje se encontra em 24Mt; todo o capítulo fala desta vinda, e acrescenta um outro sinal não presente em Lc.: “a maldade se espalhará tanto que o amor de muitos esfriará” (Mt. 24,12).
Algo semelhante encontramos já no Antigo Testamento: “o Senhor viu o quanto havia crescido a maldade das pessoas na terra e como os projetos de seus corações tendiam unicamente para o mal” (Gn. 6,5). Eram os contemporâneos de Noé, completamente esgotados pelas preocupações da vida terrena: só pensavam em comer, beber, casar, ou seja, sempre preocupados em tirar o máximo de vantagem e prazer desta vida.
Olhando para a realidade atual, percebemos como esta maldade está cada vez mais viva e incontida: a propagação do sexo livre como algo extremamente normal; o aborto defendido como um direito; a ganância pelo dinheiro provocada pela falsa ideia de que este traz a felicidade, mesmo depois de tantas pesquisas provando o contrário; o tráfico de drogas que promove furtos, roubos, assaltos, sequestros, corrupção, assassinatos, balas perdidas, prostituição.
Também as armas biológicas sofisticadas dos países ricos; a troca constante de religião, em outras palavras, o sacrifício de Jesus sendo trocado por uma crença que diz serem necessárias várias e difíceis reencarnações para expiar as nossas culpas; sem falar no secularismo, no consumismo desenfreado e no ateísmo propagado abertamente nas escolas e na mídia. Todos estes sinais da vida moderna produzem uma atmosfera tão sobrecarregada de problemas que muitas pessoas ignoram totalmente o que seja mais importante para as suas vidas. Só tem olhos para si mesmas, não há brecha para enxergar que o horizonte é bem maior.
O exemplo de Noé e do dilúvio nos chama atenção pra tudo isso. Chegando o dilúvio anunciado, só Noé estava pronto e foi salvo das águas porque ouviu o Senhor. É preciso abrir os olhos! Somos tão cabeças-duras e acomodados que muitos de nós, até dizemos acreditar, mas levamos uma vida que refuta a nossa fé. Ou então, vemos como algo tão longe, pra que se preocupar agora? É como disse certo autor uma vez: “os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver o presente nem o futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivesse vivido”.
Entretanto, inesperada e surpreendente será a vinda de Jesus. Com um exemplo tirado do cotidiano, Jesus mostra que as circunstâncias da vida terrena são iguais para todos (os homens trabalham nos campos e as mulheres moem no moinho). Com a vinda do Senhor, haverá uma radical separação: aqueles que estão preparados para ela serão acolhidos na sua comunhão, os outros serão excluídos. A mensagem do Evangelho nos motiva a amar. É uma mensagem encorajadora e não ameaçadora. Devemos levar em conta que o nosso destino final depende do nosso comportamento, que não é o de desperdiçar a graça de Deus, mas de preservá-la com a nossa prática do amor.
Se pelo menos soubéssemos o dia e a hora da vinda do Senhor, poderíamos nos preparar mais adequadamente. Mas o Senhor virá como um ladrão: inesperado, de surpresa. Portanto, devemos estar preparados para sua vinda sempre.
É preciso amar. Recuse deixar que o seu amor esfrie. Aqueça o amor em sua vida para com o seu cônjuge, a sua família, amigos, vizinhos, e colegas de trabalho. Estenda a mão para os que estão sofrendo e na necessidade. Reze pelas pessoas e as abençoe. Cultive a ideia de que você deve ter sempre no seu coração o desejo ardente de amar e abençoar mais alguém.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento - www.pecarlos.blogspot.com
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"Vigiai!"
Nesse domingo, inicia mais um ano litúrgico, no qual relembramos e revivemos os mistérios da História da Salvação.
Natal e Páscoa centralizam as celebrações, que são vividas em três momentos: antes, durante e depois.
Nesse ano A, o Evangelho de Mateus terá uma atenção especial. Com o Advento, entramos no tempo que nos prepara para o Natal do Senhor.
A palavra Advento significa "Vinda", chegada: nos faz relembrar e reviver as primeiras etapas da História da Salvação, quando os homens se prepararam para a vinda do Salvador, a fim de que também nós possamos preparar hoje em nossa vida a vinda de Cristo por ocasião do Natal.
Nas duas primeiras semanas do Advento, vigilantes e alertas, esperamos a vinda definitiva e gloriosa do Cristo Salvador, e nas duas últimas semanas, lembrando a espera dos profetas e de Maria, preparamos mais especialmente o seu nascimento em Belém.
A liturgia de hoje é um veemente apelo à vigilância, para acolher os Sinais de Deus.

Na 1a leitura, Isaías profetiza a vinda de um descendente de Davi, que trará justiça e paz para o seu povo. (Is. 2,1-5)
É um dos oráculos mais bonitos de todo do Antigo Testamento. Encarna a espera do Antigo Testamento e o Advento pré-cristão. A um povo que vivia uma situação dramática de perigo de guerra, anuncia um futuro maravilhoso: fala de uma era messiânica, na qual todos os povos acorrerão a Jerusalém para adorar o único Deus. As armas se transformarão em instrumentos pacíficos de trabalho e de vida.
O sonho do profeta começa a realizar-se em Jesus, mas estamos ainda muito longe dessa terra de justiça e de paz.
O que podemos fazer para que o sonho de Isaías se concretize?

Na 2leitura, Paulo nos convida a "acordar" para descobrir os sinais do novo dia que já raiou e caminhar ao encontro da Salvação, deixando as obras das trevas e vestindo as armas da Luz. (Rm. 13,11-14)

O Evangelho é um apelo a uma vigilância permanente, para reconhecer o Senhor na sua chegada. Será assim a realização do sonho do profeta. (Mt. 24,37-44) Para transmitir essa mensagem, Jesus usa três quadros:
- 1º quadro é da humanidade na época de Noé: os homens viviam, então, numa alegre inconsciência, preocupados apenas em gozar a sua "vidinha" descomprometida. Quando o dilúvio chegou, os apanhou de surpresa e despreparados.
- O 2º quadro fala dos trabalhos da vida cotidiana: podem nos levar a negligenciar a preparação da Vinda do Senhor.
- O 3º quadro coloca o exemplo do dono de uma casa, que adormece e deixa a sua casa ser roubada pelo ladrão.
O que significa "estar vigilante"? Será apenas estar sem pecado... para não ir para o inferno? Ou acolher as oportunidades de salvação, que Deus nos oferece?
Jesus continua vindo, para nos salvar e nos trazer a felicidade. E nós temos que estar sempre atentos para perceber cada vinda sua. Ele está presente nas palavras de quem nos orienta para o bem, nos gestos de amor dos irmãos, no esforço de quem se sacrifica para construir um mundo mais justo e fraterno.
Hoje, devido ao medo provocado pelo desemprego, fome e violência, assistimos ao fenômeno da busca de refúgio no sagrado.
Mas o excesso de alegria de certas práticas religiosas sem compromisso pode nos tirar a possibilidade de perceber a chegada do Senhor.
- As celebrações festivas nos fazem mais vigilantes, mais acordados para a realidade que temos a obrigação de transformar ou funcionam como sonífero, que nos impedem de ver a chegada daquele que vem sem aviso prévio?
Motivos que impedem a acolhida do Senhor que vem:
- prazeres da vida: a pessoa mergulhada nos prazeres fica alienada... No domingo, dorme... passeia... pratica esportes... mas não sobra tempo para celebrar a sua fé na comunidade.
- Trabalho excessivo: a pessoa obcecada pelo trabalho esquece o resto: Deus, a família, os amigos, a própria saúde...
- Desatenção: o distraído não vê o Cristo, presente na pessoa sofredora... Acha que não é problema seu... é do governo... da Igreja...
Em minha vida, o que mais me distrai do essencial e me impede tantas vezes de estar atento ao Senhor que vem?
Como desejo me preparar para o Natal desse ano?
- Apenas programando festas, presentes, enfeites, músicas?
- Ou numa atitude humilde e vigilante, a esse Cristo que vem?   
- Participo da Novena do Natal em família?
- Que Paz desejo construir?
padre Antônio Geraldo Dalla Costa - buscandonovasaguas.com
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Prontos para receber o Senhor
O tempo litúrgico do Advento convida-nos à preparação para acolher o Senhor que vem. O apelo insistente da Igreja questiona a tendência dos cristãos a serem acomodados, quando não contaminados pela mentalidade mundana, centrada na busca desenfreada do prazer e na consecução de interesses pessoais.
Desconhecendo o dia e a hora em que o Senhor virá, o discípulo deve estar sempre pronto para recebê-lo. A prontidão cristã é feita de pequenos gestos de amor, na simplicidade do quotidiano. Nada de ações mirabolantes nem de tarefas heróicas a serem cumpridas! Exige-se do discípulo apenas amor sincero e gratuito a Deus e ao próximo.
O episódio bíblico acerca da figura de Noé e do dilúvio ilustra a atitude contrária àquela do discípulo do Reino. A devastação diluviana tomou de surpresa a humanidade. Ninguém, além de Noé e de sua família, deu-se conta do que estava para acontecer. Por isso, comia-se, bebia-se e se celebravam bodas, na mais total ignorância da fúria destruidora da natureza que se abateria sobre a terra.
O Senhor espera encontrar os discípulos do Reino vigilantes, quando de sua chegada. A menor desatenção pode revelar-se perigosa. Por isso, o egoísmo jamais poderá ter lugar no coração de quem quer ser encontrado pelo Senhor. Só existe uma maneira de preparar-se para este momento: amar.
padre Jaldemir Vitório - www.domtotal.com
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“Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacó. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas.”
Iniciamos um novo ano litúrgico. E o tema do primeiro domingo do Advento é vigilância. Acentua a necessidade de o cristão estar consciente de sua Missão. Não deixar o comodismo, a passividade, a rotina se instalar, porque é isso que acaba com o ardor missionário e da fé. O cristão deve caminhar sempre atento e sempre vigilante, preparado para acolher o Senhor todos os dias.
Vigiai! Para esperar o quê? Ou quem? O que esperamos concretamente? Vigiai! Como no tempo de Noé ou de Jesus, estamos absorvidos por tantos interesses. Vigiai! A vida é curta! Paulo indica-nos alguns meios muito práticos para ficar vigilantes e reorientar a nossa espera. Vigiai! Em tempo de Advento, em cada dia da semana que nos é dada para viver!
A 1ª leitura convida todas as pessoas, de todas as raças e nações, a dirigir-se à montanha onde mora o Senhor. O encontro com o Senhor trará ao mundo nova realidade, quando reinará a concórdia, a harmonia, a paz...
A leitura convida para a paz universal e à convergência de todos os povos à volta de Deus. Este texto é um dos poemas mais significativos e bonitos da profecia de Isaias. Para ele o “monte do Senhor é o monte do Templo que será o centro mundo religioso e que se sobressairá sobre todos os montes, ou seja, será para sempre a morada de Yahweh”. Virá gente de todo mundo para o monte. Mas quem os convidou? Qual a força que os atrai?
O cântico dá a resposta. Toda essa gente vem atraída por causa da Palavra de Deus. O povo quer conhecer os ensinamentos da Tora, para ser instruído por Yahweh, e seguir um novo caminho, o caminho da comunhão universal, da paz, do amor e da fraternidade, resultado da união com Deus.
O povo junta-se ao redor de Deus, na escuta de sua Palavra, e com ela aprende o caminho da superação das divisões, das hostilidades, dos conflitos entre as pessoas. Os povos deporão as armas, e todas serão transformadas em instrumentos de trabalho e de vida. Será um novo tempo! O tempo da paz universal. Ela será cada vez mais sólida e permanente, à medida que os povos escolherem escutar a Deus, e seguir os caminhos por ele indicados.
A poesia do profeta começa a se realizar em Jesus Cristo. Ele é a Palavra viva de Deus, que se encarnou, para habitar entre as pessoas. Ele veio trazer a “paz aos homens” amados por Deus. Nasce também com ele a comunidade universal da Salvação, a sua Igreja.
Deus toma a iniciativa, e o homem tem de responder positivamente a esta iniciativa. A ação de Deus acolhida no coração e na vida abre o processo de amor renovação de toda Criação. Esta ação prepara a acolhida de Jesus como advento de um novo tempo. A Salvação que Ele traz para toda criatura nasceu no coração amoroso do Pai, e se estende a todos os que escutam a sua Palavra e aderem à proposta de vida que Jesus trouxe.
Ainda estamos distante da implantação plena do projeto de Deus, revelado em Jesus Cristo, mas o ideal existe para ser buscado. Estamos ainda longe do ideal de justiça e de paz. Assim o sonho do profeta Isaías iniciado por Cristo ainda não se concretizou plenamente em nós.
“Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.”
2ª leitura convida e anima os cristãos a despertar do sono que os mantêm presos ao mundo das trevas, para que se revistam da luz. O mundo de trevas – o egoísmo, a injustiça, a ganância, a mentira, enfim, o pecado, está em desacordo com a vida de Deus, que Cristo ofereceu a todos – retardando a alegria e a esperança do Reino de Deus já aqui na terra, embora seja pleno apenas no céu.
Paulo escreve a Carta aos Romanos na sua terceira viagem missionária, quando ainda está em Corinto. Ele havia feito uma coleta na Macedônia e na Acaia para ajudar a comunidade de Jerusalém. Para Paulo acabou o tempo de evangelização no Oriente, agora quer pregar o Evangelho ao Ocidente. Paulo queria chegar até Espanha. Contudo quer aproveitar para visitar a comunidade de Roma.
Paulo percebe e sente que há um perigo de divisão que ameaça a Igreja: os judeus cristãos e pagãos cristãos estão se antagonizando, e os desentendimentos trouxeram a iminência de cisão.
Paulo sublinha a necessidade da unidade da fé e atenta para a igualdade fundamental de todos, ninguém está privado da Salvação. A primeira parte da Carta aos Romanos (cf. Rm.1,18–11,36) é de caráter dogmático, e procura mostrar que o Evangelho é a força que congrega e que salva todo crente; a segunda parte (cf. Rm. 12,1–15,13) é de caráter prático, e exorta os judeus cristãos e os pagãos cristãos a viver no amor. Hoje ouvimos o texto da segunda parte da carta. Paulo pede que os cristãos, seja de que origem for, permaneçam unidos ao amor mútuo, e estejam vigilantes e preparados, a fim de acolher o Senhor que vem.
Paulo pede que os cristãos e as comunidades levantem “do sono, porque a Salvação está mais perto”. Paulo acreditava na vinda mais ou menos iminente de Jesus Cristo, para concluir a Salvação. Mas descartava as especulações do “quando” e “como viria Jesus”.
Com o Batismo, os cristãos morreram para o velho fermento, agora a realidade é de uma vida nova; libertos do pecado, portanto, devem acordar, para esperar o Senhor que vem e que, quando chegar, os encontre vigilantes, longe das trevas, revestidos das obras da luz.
Em que se caracterizam as trevas? É a realidade negativa que produz mentira, injustiça, opressão, medo, violência... E a luz se caracteriza pela dinâmica do bem, da conversão, transformação profunda das estruturas e dos corações...
Portanto, acordemos para a luz, e deixemos as trevas, na espera do Senhor Jesus.
“Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.”
O Evangelho de hoje pede para estarmos atentos e vigilantes. O cristão verdadeiro é aquele que não está dormindo nos prazeres, nem se deixa escravizar pelo lucro, pelo trabalho, pelo ter, em detrimento do ser... O cristão verdadeiro está sempre vigilante, acordado para as oportunidades de acolher o Senhor que vem, respondendo a sua vocação de construir o Reino de Deus.
O Evangelho de hoje situa-se no grande discurso de Jesus antes da sua paixão e morte. Chamamos este texto de “discurso escatológico”, cujo tema central é a vinda do Filho do Homem e como devem ser as atitudes dos discípulos para preparar esta vinda.
Mateus escreve este texto nos anos 80 d.C.,quando Jerusalém já havia sido destruída e a segunda vinda de Cristo ainda não havia ocorrido, o que desanimava e desiludia os cristãos num processo de perseguição.
Diante do desleixo, rotina e acomodação da comunidade cristã, o evangelista recorda ditos de Jesus, e os contextualiza, para animar e renovar a esperança dos fiéis e comprometê-los na construção do Reino, mesmo na perseguição.
Jesus exorta a comunidade a permanecer firme na convicção da nova vinda do Filho do Homem. Ainda que isto não ocorra em breve, é preciso estar preparados diante dos grandes acontecimentos, perseverando nos ensinamentos de Jesus.
O evangelista dá como certa a vinda do Senhor, embora ninguém saiba o dia nem a hora. Portanto a vigilância é necessária, e prepara os cristãos para não ser pegos de surpresa. Mateus apresenta quatro quadros:
1. A humanidade desde a época de Noé. As pessoas viviam despreocupadamente, apenas gozavam a vida, até chegar o dilúvio, quando foram pegos de surpresa e despreparados. Quem passa a vida descomprometida descompromete a vida que passa, e perde a vida futura.
2. Coloca a situação da vida diária, o trabalho agrícola, na cidade... O trabalho edifica o ser humano, mas não deve tomar forma tal, que descuide o essencial na vida: a preparação para a vinda do Senhor.
3. Coloca a situação do dono da casa. Se ele soubesse a hora de o ladrão chegar, não estaria dormindo. Os cristãos não podem dormir, ou seja, deve viver os valores do Evangelho e levar a vida comprometida com a causa do Reino. Assim, quando o Senhor vier, não perderá a oportunidade de encontrar o Senhor.
4. É a questão fundamental. O cristão ideal é aquele que está vigilante, prepara a vida para acolher o Senhor que vem. Não deixa a oportunidade passar, para se preparar e estar comprometido com a construção do Reino de Deus.
Costumamos dizer que tempo é questão de preferência. Ao que damos a preferência,  reservamos todo o tempo que quisermos. Apresentamos alguns motivos que impedem as pessoas de acolher o Senhor que vem. Ele vem todos os dias. Muitos têm tempo de gozar a vida, mas não têm tempo para celebrar a vida; muitos têm quinze horas para o trabalho, mas não trabalha pela família, comunidade, muito menos um trabalho voluntário; têm tempo para ganhar o dinheiro que passa, mas não têm tempo para repassar o dinheiro para o bem; têm tempo para distração, mas se distraem com as coisas essenciais; têm tempo para o fútil, mas não usam o tempo para as coisas úteis...
O Tempo do Advento é tempo de preparação do nascimento de Jesus que nasce todos os dias; para tal, precisamos reorganizar e centrar a nossa vida no essencial, redescobrindo o que é realmente importante, para não perder as oportunidades de acolher em nossa vida o Senhor, que nos oferece o tempo e a eternidade para construir o seu Reino, para sermos felizes.
padre Elmo Heck - www.pom.org.br
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Não sabemos quando virá o Senhor
A liturgia deste I Domingo do Advento apresenta um apelo veemente à vigilância. O cristão não deve instalar-se no comodismo, na passividade, no desleixo, na rotina; mas deve caminhar, sempre atento e sempre vigilante, preparado para acolher o Senhor que vem e para responder aos seus desafios.
A primeira leitura convida os homens – todos os homens, de todas as raças e nações – a dirigirem-se à montanha onde reside o Senhor… É do encontro com o Senhor e com a sua Palavra que resultará um mundo de concórdia, de harmonia, de paz sem fim.
A segunda leitura recomenda aos crentes que despertem da letargia que os mantém presos ao mundo das trevas (o mundo do egoísmo, da injustiça, da mentira, do pecado), que se vistam da luz (a vida de Deus, que Cristo ofereceu a todos) e que caminhem, com alegria e esperança, ao encontro de Jesus, ao encontro da salvação.
O Evangelho apela à vigilância. O crente ideal não vive mergulhado nos prazeres que alienam, nem se deixa sufocar pelo trabalho excessivo, nem adormece numa passividade que lhe rouba as oportunidades; o crente ideal está, em cada minuto que passa, atento e vigilante, acolhendo o Senhor que vem, respondendo aos seus desafios, cumprindo o seu papel, empenhando-se na construção do “Reino”.
Advento
Iniciamos um novo ano litúrgico, iniciamos o tempo do Advento. Primeiramente, Advento nos evoca: espera, conversão, promessas, libertação, Salvador, esperança e Maria Virgem grávida. Isto é, uma mensagem feliz. Recorda-nos os hinos litúrgicos: “Céus, chove a vossa justiça”, porque o mundo “envolvido em sombria noite, procurando vai uma esperança”.
Os seguidores de Jesus possuem uma capacidade infinita de Advento. Cremos num futuro ditoso marcado por Deus para o homem. Que estranho é que entre nós tenha tanta gente sonhando e lutando por um mundo melhor? Com o Evangelho na mão, as utopias são criveis.
Palavra do Advento
Sem adentrarmos em caminhos teológicos, distinguimos “três vindas do Senhor”: a vinda primeira para fazer-se carne entre nós; a vinda ao final da história; a vinda da cada hora e a cada acontecimento da graça.
No primeiro domingo de Advento, adquire relevo a vinda que chamamos do “final dos tempos”. Fica, todavia velado o gozo da vinda no Natal. Duas imagens - o ladrão e o tempo de Noé - ilustram a necessária atitude de vigilância ante a vinda: o momento é incerto e estamos a caminho. Os tempos de Noé, na Bíblia, eram exemplos de despreocupação, de frivolidade, de geração corrompida. Enquanto, o alerta ante o ladrão ilumina o tempo de preparação, de vigilância, de preocupação. Estar sempre vigilantes nos permite ter bom tino em nossas decisões vitais.
De são Paulo recebemos a sacudida. “É hora de despertar, como em pleno dia”. O motivo é insistente: “a salvação está perto”. E o rubrica o profeta: “Ao final dos dias, estará firme a casa do Senhor”. Tão feliz será tudo que “das espadas forjarão arados e das lanças, foices”. Que reconfortante resulta contemplar estas palavras de Isaías na porta do edifício central da ONU. Cabe utopia mais sugestiva?
Para a vida
Toda uma mensagem de esperança.
Por que a agonia, o tempo final, tem dado suporte à pregação do medo, do temor, da angustia? Porém se o que esperamos é o que nos foi prometido pelo Senhor. Se Cristo já veio, e está conosco; se caminhamos para um momento último que já possuímos e para o qual já nos dirigimos, em esperança, para o êxito total.
Como Maria, ouvimos que nos é dito: “O que te disse o Senhor cumprir-se-á”. Ou escutamos do Mestre: “Quero que onde eu estou estejam também os que me deste”. Como não esperar que Deus nos diga ao final: “Vinde, benditos”?
Esta graça não é graça barata
Como na espreita do ladrão, devemos estar vigilantes. Vigiar é estar acordado, procurar, cair em conta. O contrário é cansar, adormecer, cair na preguiça, na frivolidade. Não estamos na apatia de uma “sala de espera” senão na tensão prazerosa do encontro, a ponto de tocar às pessoas queridas, tão desejadas.
Não basta passar a vida, mais passa-la bem: sempre atentos na oração, na escuta dos que sofrem, sabendo discernir o que Deus quer de nós. Como não nos vai molestar, por exemplo, que tantos filhos de Deus estejam naufragados na dor, na solidão, na exploração, na miséria? Não podemos permanecer como abatidos enquanto cresce a maré dos que se afastam de Deus, às vezes, até, entre os nossos. Não é possível que sigamos adormecidos - ou procurando explicações ideológicas - quando as pesquisas produzem dados arrepiantes: a Igreja, em países do ocidente, está no nível mais baixo de credibilidade.
Diz-nos são Paulo: “É hora de despertar”.
Apesar de tudo, é hora de utopias.
Claro que o mal, a morte, o medo, o fracasso nos acossam por todas as partes. Desde outro ângulo, inclusive nos os cristãos estamos, com freqüência, metidos em preocupações frívolas ou em inquietudes legítimas, sim, mas elementares: o trabalho, a economia, os meus, a saúde.
No entanto, a esperança cristã no Advento se lança acima: procura o excelente, o que mais se adapta ao que Deus quer. No cristão, as utopias tornam-se possíveis; há muitos crentes que sonham e lutam, que confiam num futuro mais justo. Que instituição pode apresentar, como a Igreja, um plantel de pessoas generosas, entregues, lutadoras, mártires? Quem disse que não é possível sonhar e alargar a esperança? Diz a Palavra e repete a liturgia: “Se aproxima nossa salvação”.
Vamos celebrar a Eucaristia. Vinda real, misteriosa, do Senhor a nós. E o faremos como nos indica São Paulo: “até que o Senhor volte”, até o final da história.
padre José Cristo Rey García Paredes - homiliadominical.blogspot.com
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Filho de Deus Pai
A liturgia de início e fim do ano litúrgico destaca os textos escatológicos dos Evangelhos, na perspectiva, respectivamente, do advento de Jesus e da manifestação gloriosa do Reino de Deus. O texto do Evangelho de hoje é extraído do "discurso escatológico" que abrange os capítulos 24 e 25 de Mateus. Neste discurso Mateus mistura sentenças e parábolas referentes à ruína de Jerusalém e à vinda apocalíptica do Filho do homem, com seus sinais precursores. A ênfase é dada sobre a atitude de vigilância que se deve ter, na expectativa da vinda do Filho do homem. Nos Evangelhos, Jesus identifica-se com o Filho do homem (significa: o humano) e não com um messias davídico glorioso. Jesus, Filho do homem, é o Jesus, filho de Deus Pai, encarnado, nascido de Maria, que viveu com seus pais em Nazaré, e, depois, envolve-se no ministério da libertação dos oprimidos, comunicando sua vida divina a todos que nele creem e a todos que amam, respeitam e promovem a vida. Meditar sobre o advento de Jesus é compreender a sua divina presença encarnada entre nós, no dia a dia, a partir de seu nascimento. Estar vigilante, desperto do sono (segunda leitura), é envolver-se no cumprimento da vontade do Pai, que nos é revelada por Jesus.
Jesus humano não é um rei poderoso e guerreiro violento da estirpe davídica, mas, ao contrário, é aquele homem manso e humilde de coração, que inaugura um mundo novo, no qual se deve "fundir suas espadas, para fazer bicos de arado, fundir as lanças, para delas fazer foices" (primeira leitura). É o mundo novo no qual as fabulosas e incalculáveis riquezas que são gastas com as mais sofisticadas e poderosas armas, pelos países imperialistas, para promoverem a morte violenta ou lenta, serão aplicadas para acabar com a fome, com a ignorância, com o desemprego, com a morte prematura, proporcionando condições de vida digna para todos. A vida que, então, desabrocha é alegria, fraternidade, partilha, amor, com a participação na vida e na glória de Deus.
José Raimundo Oliva - www.paulinas.org.br

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