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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 9 de novembro de 2013

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*(25ºapósPent.-32ºdom.T.Comum)– 10 de Nov. 2013

[ Obs.: fonte: portal dos Dehonianos (Portugal) títulos nossos, resumo e adapataçao do texto original ]
– fariseus e saduceus e o desemprego no mundo –
•           A questão da ressurreição não é uma questão tida como importante para a maioria das pessoas, nem mesmo para os cristãos que deveriam ter aí a marca diferencial de sua Fé. Uns – ainda pela influência da crítica marxista veem na esperança da ressurreição um “ópio do povo” (que entorpece a vontade de lutar pela construção de um mundo mais justo). Outros veem aí uma ilusão onde o homem projeta os seus desejos insatisfeitos, pois a tendência da moda é só hedonismo (busca obsessiva do prazer constante). Gostamos das palavrinhas mágicas como “qualidade de vida” e hoje só se fala em segurança, aproveitar a vida, etc. O que é compreensível, diante da atual situação de trabalho e desemprego em todo o mundo. Diante do aumento da pobreza mesmo nos EEUU e na Europa, para não falar da fome e condições inumanas de vida nos outros continentes. São problemas urgentes e aq Ressurreição pare estar situada num futuro distante...
– ressurreição... palavrinha esquisita. O que não é. Mas o que é? –
·                     Não é a “revivificação” dos nossos corpos atuais (qual seria a idade ideal para viver no céu? É uma pergunta ridícula) uma espécie de prolongamento da vida neste mundo como na ficção do filme Cocoon (vale a pena conferir: pegue na videolocadora). Não é “reencarnação”, pois não existe ser humano em que “alma” esteja separada de corpo: podemos falar de dois “princípios” (só procurando conceitos com ajuda da filosofia e da antropologia). De fato, cada um é um “complexo integrado” de elementos biológicos (físico-quimicos), emocionais, intelectuais, imaginativos, etc., formando um único indivíduo. Você tem um nome, uma história (do nascimento à morte). Com heranças genéticas, está inserido numa história única no tempo-espaço.
·                     Ressuscitar seria uma espécie de “passagem” para uma vida nova. Uma comparação: a borboleta sai do casulo mas é tudo o que já era como larva, mas não é mais como larva... Outra: uma criança surge a partir de duas células, cresce e o adulto não é mais criança, mas é a mesma pessoa que era em criança. Na ressurreição não deixamos de ser nós próprios e, no entanto, seremos “novos”: “uma nova criatura” na expressão do novo testamento. Ressurreição poderia ser “definida” como elevar ao máximo da plenitude todas as nossas capacidades, como a meta final do nosso crescimento, a realização da utopia da vida plena.
– futuro, mas também presente
·                     Para o cristianismo é a esperança que dá sentido a toda a caminhada atual. Cremos na ressurreição (como uma certeza “absoluta” no testemunho dos que conviveram com Cristo ressuscitado, o qual prometeu podemos nos identificar com ele. Assim a comparação do alimento – eucaristia – que é assimilado pelas células do corpo). A nossa vida presente deve ser, pois, uma caminhada alimentada pela confiança capaz de superar as dificuldades. Viajamos como imigrantes sonhando com uma nova terra, melhor que as condições de vida na terra natal.
•           A certeza da ressurreição não é só a realidade que esperamos; mas influencia, desde já, a nossa existência terrena. É o horizonte da ressurreição que incide sobre nossas opções, os nossos valores, as nossas atitudes. A certeza da ressurreição nos dá a coragem de enfrentar as forças da morte que dominam o mundo, de forma a que o novo céu e a nova terra que nos esperam comecem a desenhar-se desde já, na paciente mudança da vida social e econômica, apesar da corrupção, do crime, da maldade. Afinal é inevitável escolher entre ceder e aceitar corrupção, desprezo dos outros (chegando ao crime) ou viver procurando a solidariedade e a compaixão.
– evitar o risco do ridículo... e encontrar comparações, como numa poesia –
·                     Temos de ter muito cuidado com a forma como falamos da ressurreição. Afirmamos no Credo nossa certeza na ressurreição. Mas é preciso confessar também nossa limitação para conceitos e explicações sobre esse mundo novo que nos espera. Uma comparação que ajuda é imaginar que a criança no seio da mãe não compreende nem sabe explicar a vida que a espera no mundo exterior. Se possível fosse, ela responderia “não” à pergunta: “você quer sair daí?” No útero, afinal, ela tem calor, carinho, alimento – e nem precisa mastigar! O único problema é que esse estado paradisíaco não continua depois de nove meses...
– evitar o risco do ridículo, achando comparações, como na poesia –
·                     Não é para rir dessa história ridícula, inventada pelos saduceus: de fato, uma prescrição da Lei de Moisés dizia que uma mulher que não tinha tido filhos e que se tornara viúva devia casar com o irmão do defunto para ter um filho que seria considerado como o filho deste defunto. A história dos saduceus é rocambolesca apenas porque seu objetivo era apanhar Jesus numa armadilha. Ora, esta ideia da ressurreição não é hoje mais evidente do que há dois mil anos. Os gregos reencontrados por São Paulo não acreditavam nisso. E hoje, os cristãos, mesmo muito “praticantes”, são cada vez mais numerosos a aderir a fantasiosas reencarnações como se só valesse na pessoa a sua “alma” uma fantasminha que entra e sai de várias “casas” (corpos), porque, de fato, nunca se viu ninguém voltar do além da morte, ao passo que outros afirmam ter “recordações” de vidas passadas (um modo de “explicar” nossas tendências, temperamentos, preferências e diferenças). Mas uma “alma” sem corpo não é ser humano.
·                     No fundo, os saduceus são seriam estranhos entre nós hoje! Reconheçamos que a ressurreição é uma realidade muito misteriosa para ser “explicada”. Na vida há muitos “Mistérios” que não explicamos. O encontro e o amor entre pessoas, os caminhos numa profissão ou uma oportunidade de trabalho e progresso. Etc. Quando Jesus ressuscitado apareceu aos seus discípulos, também teve que usar muita pedagogia, persuasão e repreensões para os convencer de que era verdadeiramente Ele. Eles não acreditaram imediatamente!
– Deus não é um deus dos mortos mas é Deus da vida –
·                     Os saduceus não aceitavam a ressurreição e queriam ridicularizar Jesus. Mas a mensagem de Jesus é de esperança: ele tenta ajudar seus ouvintes a erguer os olhos, a não ficarem agarrados aos bens materiais e unicamente a esta vida na terra. Veio anunciar um Reino no qual a única filiação real e eterna é aquela que nos liga a Deus. Deus é um ser de relação: do “Pai” com o “Filho” na comunhão realizada pelo “Espírito”. Mas relação também de Deus com a humanidade: o nosso Deus é sempre o Deus de alguém, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob. E é numa relação de Aliança que Deus Se situa. A relação com Deus não conhece a morte: se o homem é chamado a ressuscitar, é porque Deus quer selar uma aliança eterna à qual Ele é sempre fiel.
·                     O argumento central usado por Jesus foi recordar o episódio de Moisés no diálogo da sarça-ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Ora, diz Jesus, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos”. Deus, o Criador, está para além do tempo. Se Ele ressuscita cada ser humano, é por um ato infinito e eterno de amor criador. Ele dá um nome único, pessoal a cada homem. Ele nunca poderá retomar nem suprimir este ato. Cada ser humano que vem ao mundo é verdadeiramente um “pedaço de eternidade”. Cada ser humano será para sempre “ele” e não um outro. Cada ser humano viverá para sempre, enraizado no amor eterno de Deus. Pela sua ressurreição, Jesus abriu-nos o caminho da nossa própria vida em plenitude em Deus. Outra questão – que não podemos discutir aqui – é a possibilidade da liberdade humana não aceitar o convite para ir ao banquete do rei, como nas parábolas. Ele poderia ficar de fora. Meditando na misericórdia de Deus apresentada na Bíblia, no entanto, somos tentados a imaginar que até para os que rejeitam os convites do amor, Deus daria um “jeitinho” brasileiro de convencê-los a entrar, como na parábola em o que o rei manda os empregados a “obrigar” os coxos e aleijados a entrar no palácio para a festa...

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( * ) Prof./cons.(filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com 

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