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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 16 de novembro de 2013

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*(26ºapósPent.-33ºdom.T.Comum)– 17 de Nov. 2013

É o fim do mundo !
·                     Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome ( ‘Sou eu!’ - ‘O tempo está próximo’). Não sigais essa gente! -- Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. Permanecendo firmes é que ireis ganhar a vida! )cf.Lucas 21,5-9. Os outros textos: Ml 3, 19-20 (ou 4:1-2ª; Is 65,17-25, no LCR); 2 Ts 3, 7-12.
·                     É frequente a sensação em nosso tempo de que o fim do mundo está próximo. Muita guerra, muito desemprego, muita fome, muito terrorismo, muito tráfico de pessoas, armas, órgãos. Poluição ambiental, terremotos e catástrofes naturais parecem multiplicar-se. Violência na natureza e entre os povos. No país, pobres ou ricos, todos vivem sob o medo de assaltantes e assassinos, além da infindável corrupção. A cultura mundial reflete esse medo generalizado na repetida produção – na literatura e no cinema – dos filmes-catástrofes, dos vampiros, mortos-vivos ou criaturas que vêm de outro planeta para invadir a Terra e destruir os humanos.

Tem gente dizendo: estava escrito – é castigo de Deus !!
·                     Também na Bíblia há muitas descrições de catástrofes e maldades em suas histórias de dilúvios, fomes, guerras e a opressão de poderosos sobre os mais humildes num povo. Mas o sentido apontado pela mensagem da Palavra é diferente. Não está a serviço do medo ou não é escrito para incutir a subserviência. Tudo converge para a proclamação da bondade e misericórdia do Criador numa longa história, renovada, incansável, eterna, em favor da salvação de suas criaturas. Salvação, renovação, restauração, recriação, promessa de fidelidade, de um novo abraço por mais tempo e distância que o filho tenha tomado em relação ao seu pai.

A Palavra não decretou a destruição mas anuncia a Vida
·                     Há cerca de 2 mil e 500 anos atrás, o profeta Malaquias lembra ao povo que Deus não abandona os que vivem entre a perseguição e o sofrimento. Ele vai purificar no fogo toda maldade e restabelecerá a Justiça: Eis que virá o dia em que os soberbos e ímpios serão como palha para o fogo. Para vós que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça trazendo salvação. Da mesma forma a advertência do Mestre de Nazaré aos seus discípulos, na expressão do estilo apocalíptico tal como apresentada pelos evangelistas fala da consumação final, mas o centro da mensagem não é o caos, é a glória. A Palavra nos é dirigida para trazer ânimo e firmar nossos pés vacilantes.
·                     Tenhamos consciência de que a intervenção libertadora de Deus, apresentada no cenário do “último dia” do mundo, acontece no mistério de cada instante. A boa-nova é o anúncio do Mestre de Nazaré para estarmos vigilantes e para que, na oração e na relação com os demais saibamos reconhecer e acolher a intervenção (salvadora e libertadora, mesmo quando silenciosa). Para aprofundar as palavras de Jesus no texto de hoje vale a pena resumir um comentário do teólogo jesuíta francês, M. Domergue:
1)              Um mundo caótico. Ouvindo as palavras de Jesus, em geral subestimamos o contexto social e político em que viveu o Cristo. Era um tempo de movimentos de contestação, onde havia grupos armados e violência, ao passo que outros fugiam desse mundo para refugiar-se na solidão, como era o caso dos “eremitas” de Qunrâm. Nos evangelhos encontramos vestígios desta efervescência. Havia um discípulo de Jesus, Simão, que era uma antigo “zelote” (hoje talvez chamássemos de “terrorista”). Barrabás, libertado durante o julgamento de Jesus, estava preso por cometer assassinato durante um levante. Em Atos 5, 36-37 são citadas dois movimentos de revolta. O país vivia em tumulto, cansado da ocupação romana, da exploração fiscal e das autoridades locais cúmplices do invasor. A história registrou o auge desses movimentos: a chamada “guerra judaica” por volta do ano 70 com a destruição do templo e a dispersão do povo (a chamada Diáspora que só vai terminar formalmente quase 2 mil anos depois na criação do estado de Israel). A violência por toda a parte levou muitos judeus fieis a radicalizar a garantia de sua identidade de povo e de religião, pela observância extrema das centenas de prescrições que o tempo acrescentou à Lei. Nesse contexto devem ser entendidas as palavras de Jesus, numa descrição aliás semelhante em muitos pontos com nosso t tempo (não será válida para todos os tempos?)
2)              Para além das fronteiras do tempo e do espaço. Se Jesus se apoia sobre o que acontece em seu país, estende para muito além o horizonte da reflexão, dizendo: “levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino”, extrapolando do caso particular de Israel. E as catástrofes cósmicas são de tdoos os tempos e lugares. Longe de anunciar qualquer “milenarismo” (alguns imaginaram que no fim dos tempos haveria uma período de paz total entre os homens e também na  natureza), ele fala até do agravamento dos conflitos. E não se trata (alguns filmes, livros e até pregadores acham que isso é fruto de um “decreto divino”) de um castigo inevitável do criador. A gente esquece que o universo criado foi confiado a cada Adão e a cada Eva de todas as nações. A nós cabe cuidar da natureza e humanizar a vida, e, principalmene as relações mútuas. Pode-se questionar se poderíamos um dia dominar a fome e a doença antes de acabar primeiro com os conflitos humanos. Só a humanidade unida poderia enfrentar o que nos agride. Jesus vê com clareza que envia seus discípulos como “ovelhas no meio de lobos” e ele mesmo será o “cordeiro” indefeso entregue à sanha dos inimigos.  
3)              Mas, no fim, vai prevalecer a Vida. No começo os discípulos perguntam quando vai acontecer a tal destruição do templo. Jesus pula essa curiosidade (seria como resposta de “videntes” e cartomantes...) e enumera catástrofes que não Têm data pois são de todos os tempos. Mas, o que tem a ver tal resposta com o Templo? É porque ele é visto como a habitação de Deus entre os homens, o lugar onde o divino pode ser encontrado. É verdade que é preciso que o templo seja destruído para o que ele representa encontre seu verdadeiro lugar: todo o universo (cf. João 4,19-24: Mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém.(...) Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade (...) vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém (...). O nexo estabelecido entre a destruição do templo e os horrores da violência era para mostrar que com tal destruição começava o desterro de Deus, sua rejeição para fora da humanidade: logo pensamos no Cristo que foi crucificado “fora da cidade”, rejeitado pelos outros homens. Olhando bem vemos no texto uma estrutura pascal (relativa à morte e ressurreição de Jesus). Em João 2 Jesus não disse (fala do seu próprio corpo): “destruí este templo e eu o reconstruo em 3 dias”? É a crucifixão de Jesus que marcou o fim de um mundo e o começo de um outro, recriado sobre as ruínas daquilo que nós estamos para destruir, seja o planeta, sejam as pessoas, a criança ou o velho, os que viraram tráfico de prostituição ou de órgãos, os refugiados de guerra ou os desempregados, os doentes abandonados ou as multidões morrendo de fome. Por isso, o texto de hoje, como o gesto pascal de Cristo no final de sua vida terrena, conclui com o anúncio da vitória da Vida.
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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com


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