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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*           Último Domingo do Ano Litúrgico (2013) =
Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo 24 de novembro de 2013

Os filhos do Rei , herdeiros do Universo inteiro
·                  Este o último domingo antes do ciclo de um novo ano cristão (Advento e Natal). Ciclo é “círculo”, isto é a linha que dá um volta desenhando uma roda no Tempo. E o tempo é a linha que sai de um ponto, anda e vai, anda e vai, como uma roda que gira até reencontrar sua origem. Foi dentro desse esquema circular de “saída e retorno” que o genal filósofo-teólogo do século 13 construiu sua Suma Teológica.
·                  A 1ª.parte trata de Deus como Criador e de sua criação. A Parte Segunda considera um movimento de retorno da criatura racional para sua origem. Ao pressupor que a finalidade última vida é ver o rosto de Deus, nesta parte Tomás analisa o agir humano (a 2ª.Parte é subdividida em “atos humanos em geral” e “em particular”). A última e Terceira Parte da Suma é dedicada ao estudo do Cristo, que é o Mediador ou caminho para voltar a Deus. À 3ª.parte se acrescenta um Suplemento.

O movimento de “saída e retorno”, visto sob o enfoque moderno da Evolução.
·                  Numa outra linguagem, 700 anos depois de Tomás de Aquino, o místico (também era cientista e procurava unir a reflexão teológica com os dados das ciências) Teilhard de Chardin (1881-1955) constroi também um modelo teológico de origem e finalização: mostra que a humanidade se insere numa longa evolução cósmica cuja origem está no Criador e para ele converge. Ele vê (cf. “Meu Universo”, 1924). na Encarnação do Cristo, o ponto para o qual converge a história do universo (após os quase 14 bilhões de anos, como contabilizam as teorias científicas atuais). O Cristo pode ser chamado “o Cristo evoluindo” pois a encarnação continua no correr dos tempos – é o que anunciam são Paulo e são João nos seus escritos – e assim escreve Teilhard na “A vida cósmica” (1916): Desde que Jesus nasceu, cresceu, morreu, tudo continuou a mover-se porque o Cristo não cessa de se formar. Ele ainda não reuniu nele as últimas dobras de seu manto de carne e de amor, formado pelos seus fiéis. O Cristo místico não atingiu ainda seu pleno crescimento, nem o Cristo cósmico. Um e outro, a uma só vez, eles são e eles vêm a ser, e no prolongamento desta gestação se encontra o último recurso para toda atividade criada. O Cristo é o Termo da Evolução, também da natural, dos seres; a Evolução é santa.

Somos do mesmo sangue
·                  O Rei Davi, no livro segundo de Samuel, vem do meio do povo:  ”somos teus ossos e tua carne -- E o Senhor te disse: ‘Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o seu chefe’” 2Sm 5,1-3 (leitura alternativa no LCR: Jr23,1-6). Em Colossenses se afirma que um de nós (o Primogênito) está na origem e na plenitude de toda a criação: Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Por causa dele foram criadas todas as coisas visíveis e invisíveis. Ele é a Cabeça do Corpo, isto é, da Igreja. Ele é o princípio, o Primogênito dentre os mortos porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, realizando a paz pelo sangue da sua cruz. Cl 1,12-20
·                  Assim como o rei Davi, surge do meio do povo, assim o Cristo encarnado quis ser, pela da gestação no seio de Maria, um de nós. Nós somos portanto, da mesma raça humana, do mesmo sangue real. Esse é o grande mistério anunciado pelo “Reino” do Messias segundo os evangelistas. Enquanto as elites políticas e religiosas aguardavam um Messias militar ou com poderes humanos suficientes para expulsar os romanos e reconstituir o grande Reino de Salomão e Davi, Jesus vem no silêncio de um nascimento comum e entrega sua vida sob uma coroa de espinhos.
·                  Um de nós, nascido num ponto da história, Deus, no entanto, deu-lhe o poder sobre a morte, por meio da ressurreição que ele quer compartilhar com os  seus irmãos. Cristo é rei do universo, mas Paulo o chama de “Primogênito”, o que faz de nós, seus irmãos, co-herdeiros de Cristo. Com ele somos filhos do mesmo Pai, com ele somos destinados também a reinar sobre o universo. Não por natureza nem por mérito conquistado. Por gratuidade concede-nos sua mesma vida para sermos um como ele e o Pai são um. A mesma comunhão no mesmo Espírito, a mesma “respiração” que garante a Vida divina. Neste sentido, o domínio sobre todas as coisas do Universo, ainda não está “completo” mas como que em “processo constante de construção” no seu Corpo do qual é a Cabeça (cf. Colossenses). Enquanto houver abandonados sem proteção, perseguidos sem justiça, pobres sem trabalho, doentes sem cuidados ou sem a presença de amigos; enquanto houver (cf. Mt 25), nús, famintos, exilados, explorados, prisioneiros, vítimas da violência ou  da corrupção, então, o Cristo ainda não está “completo” (“venha a nós o teu Reino” – “seja realizada a tua vontade”).

Os poderes da realeza
·                  Mas a grande diferença entre os poderes deste Mundo e Cristo Rei é o tipo de domínio (reinado, poder, governo) de que estamos falando. Veio para servir e não para ser servido. Veio para falar em nome do Pai. Veio como qualquer um de nós: nascido de mulher (expressão de Paulo). Jesus de Nazaré é o rosto visível da Invisibilidade de Deus. Vive em completa sintonia com o Espírito Santo (o consolador, aquele que grita (dentro de nós e por nós) o que nem sabemos falar; o que derrama sobre nós a paz, a misericórdia, o perdão e a unidade).
·                  O Mestre de Nazaré é único na História e foi elevado acima de todas as criaturas e de toda a criação. Por causa de sua Fé e Confiança no Pai. Por revelar o amor do Pai entregando cada minuto de sua vida a todos que o procuravam até a morte por condenação injusta. Inocente, enfrentou a morte no desprezo da cruz.
·                  Por isso, a leitura do evangelho nesta festa de Cristo Rei não é triunfalista. O texto é realista. Apresenta, de um lado, as elites, o poder local e estrangeiro, os soldados submissos, o povo ingrato e irônico: zombavam de Jesus dizendo: “A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo” . De outro lado o relato de Lucas completa-se com a figura de um companheiro da mesma execução aplicada ao Cristo. Ele é símbolo de todos os seres humanos marcados para morrer. Aquele homem reconheceu a inocência de seu companheiro de condenação e a injustiça cometida: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”. Jesus lhe respondeu: Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso” Lc 23,35-43.

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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

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