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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

CRISTO REI

CRISTO REI

34º DOMINGO DO TEMPO COMUM 

ANO C

Comentários-Prof.Fernando


 Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

24 de novembro de 2013 

CRISTO, O NOSSO REI-José Salviano


            Jesus confirmou a sua realeza, quando foi interrogado se Ele era Rei, e respondeu dizendo: Sim tu o dissestes... Nessa mesma oportunidade, porém, Ele deixa bem claro que:  ...o meu reino não é deste mundo. O seu  " trono" foi  a Cruz, e sua vara de poder foi uma toalha apertada e uma bacia cheia de água para lavar os pés dos discípulos. Continua

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NOSSO SENHOR JESUS CRISTO O REI DO UNIVERSO!
Olívia Coutinho

DOMINGO: SOLENIDADE DE CRISTO REI.

DIA 24 de Novembro de 2013

Evangelho de 23,35-43

Neste último domingo do mês de novembro, a Igreja conclui o ano  litúrgico com a solenidade de Cristo Rei, quando revivemos  a feliz conclusão da peregrinação de Jesus, junto a humanidade.
Iluminada pelo Espírito Santo, a igreja foi muito feliz em colocar esta solenidade nesta ocasião, pois é ao nosso Rei: NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, que devemos ofertar toda a nossa caminhada de fé realizada ao longo deste ano litúrgico que se finda.
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, nos mostra a conseqüência da maldade humana; Jesus, àquele que só soube amar, sendo colocado no mesmo destino de dois criminosos!  Mesmo diante de tamanha crueldade, o  sofrimento de Jesus, não o impediu de  ser fiel ao compromisso assumido  com o Pai, que foi cumprindo até os seus últimos instantes de vida. A sua última ação misericordiosa, enquanto humano, se deu na cruz, quando nos seus  últimos suspiros,  Ele resgata um dos ladrões que estava  crucificado ao seu lado, garantindo-lhe:“ Ainda hoje estarás comigo no paraíso.”
O texto nos fala das provocações e humilhações sofridas por Jesus, no momento derradeiro a sua morte.  À princípio, podemos nos perguntar:  porque,  no dia desta solenidade tão grandiosa, a liturgia coloca diante de nós um texto com passagens tão dolorosas? Se aprofundarmos um pouco mais no sentido desta festa, vamos perceber, que a liturgia ao escolher este evangelho,  tem como propósito  concentrar o tema da realeza de Jesus, nesta passagem de sua vida, para deixar  claro que tipo de Rei é Jesus, e nos reafirmar  que os “alicerces” do “Reino” já estavam  estabelecidos quando  Jesus foi apresentado como Rei,  um Rei que teve  como trono a cruz!
Jesus é o único  Rei   que se apresenta aos homens, sem nenhum aparato, sem nenhuma segurança física,  pois no  Reino que Ele implantou aqui na terra,  a arma mais poderosa é o amor, a autoridade é  o serviço, o grande é aquele que serve, o perdão é a ponte que une os irmãos! Neste Reino não há lugar para a violência  e nem para o  ódio, as  operações de guerra se  concentram no serviço ao próximo, uma dessas operações, o próprio Jesus  realizou na véspera de sua morte, quando  numa atitude  de humildade e serviço, curvou-se  para lavar os pés dos apóstolos
 Embora o seu  Reino  não seja deste mundo, o reinar de Jesus não está fora mundo! Em outras passagens do evangelho, o próprio Jesus  nos assegura: “O Reino de Deus já está entre vós”, o que nos  dá  a garantia de que, mesmo em meio as  turbulências dos reinos do mundo, podemos vivenciar já aqui na terra, as alegrias do Reino do céu!
O modelo de rei visto pelos  homens, em nada assemelha  a condição de rei aplicada a Jesus, pois o seu reinar independe dos esquemas deste mundo,  o  reinar de Jesus,  só depende do querer do Pai!
Da agonia de Jesus pregado na cruz, podemos tirar alguns exemplos  que nos servirão de conforto nos momentos difíceis de nossa vida. Um dos pontos  que deve chamar a nossa atenção, é que Deus Pai, não retirou o seu filho da cruz! O que acontece conosco  também, Deus não nos retira do sofrimento, mas  nos dá a força necessária para superá-lo, assim como deu ao seu filho Jesus!
Juntamente  com a festa de Cristo Rei,  celebra-se  também o dia do Leigo,  vocação imprescindível, na vida da Igreja, mas que  às vezes é pouco reconhecida  devido a nossa  tendência  em acreditar que vocacionados, são somente os padres, os  bispos  e religiosos.
Ser leigo (a) no mundo de hoje, chega a ser  um grande desafio, pois não é fácil dar testemunho de Jesus, vivendo no mundo, sem pertencer ao mundo. 
“É importante tomarmos consciência de que os Leigos  ocupam importantes ministérios na Igreja,  entre tantos, assumem  a vocação particular de constituir família, o compromisso cristão de atuar com ética na vida  profissional, com dedicação e diferencial positivo, no sentido de ser uma pessoa diferente, no meio de tantas”. Enfim, leigos (as) assumem o grande desafio de serem pedras vivas da Igreja terrestre, são eles, os trabalhadores do Reino!
 Como povo de Deus, que peregrina aqui na terra, rumo a Pátria definitiva, somos convidados a fazer parte do Reinado de Jesus, vivenciando a sua  realeza, ciente de que não estaremos  isentos cruz.

TENHA UM LINDO DOMINGO!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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Evangelhos Dominicais Comentados

24/novembro/2013– Cristo Rei

Evangelho: (Lc 23, 35-43)


Celebramos hoje a Festa de Cristo Rei. O Único e Verdadeiro Rei. Rei do universo, das nossas vidas, das famílias e dos corações. Com a Festa de Cristo Rei nós encerramos o ano litúrgico C.

Na próxima semana iniciamos o ano A e comemoraremos o primeiro domingo do Advento. Advento é tempo de preparação e de espera para a vinda do Menino Deus. É o início da caminhada de um novo ano litúrgico. 

A festa de Cristo Rei do Universo é um prêmio para todo cristão, é a forma que a Igreja encontrou para coroar todos os esforços e trabalhos das comunidades. Uma festa que é, ao mesmo tempo, de extrema nobreza e humildade.

Festejamos Jesus, o Rei dos reis, que sendo Filho de Deus não assumiu o poder nem os símbolos da grandeza humana, mas vestiu-se com as roupas da humildade, da simplicidade e da pobreza. Um Rei nobre por natureza, capaz de vencer sem destruir, que fez do amor sua única arma.

"Salvou aos outros, salva-te a ti mesmo!" Estas palavras que a princípio parecem insultos e gracejos, são na verdade, um grande testemunho do poder e da bondade de Deus, dado pelos chefes do povo. Ao afirmar que Jesus já salvara aos outros, sem perceber, eles estavam proclamando que Jesus era o Salvador.


Jesus não veio para salvar a si próprio. Jesus veio para salvar almas, para redimir-nos do pecado e salvar a humanidade. O Projeto de Salvação do Pai incluía sua morte na cruz. Por amor entregou sua própria vida e nos fez entender que a verdadeira Salvação não consiste em preservar o corpo, mas sim a alma.

O Rei foi colocado entre marginais e crucificado como um malfeitor. Foi difamado, chicoteado, coroado de espinhos, mas não perdeu sua realeza. Jesus nos ensina também a sofrer com resignação. Na cruz, diante de tanto sofrimento e injúrias, ciente de sua inocência, não blasfemou nem maldisse sua sorte.

O Rei dos reis deu novo sentido à cruz. O que antes representava infâmia e vergonha tornou-se símbolo de Salvação. Jesus disse que, se alguém deseja salvar-se, deve renunciar a si mesmo, tomar sua cruz e segui-lo. Testemunhar a cruz como o único caminho que leva à salvação, é missão do súdito do Rei.

Este evangelho é muito rico em ensinamentos. Temos muito que aprender também com a mensagem dos dois ladrões. Tão próximos e tão distantes de Jesus. Assim como toda humanidade, eles estavam condenados a morte. No entanto, apesar de ambos estarem ao lado do Salvador, um acabou morrendo sem conhecer a Salvação.

Isso prova que não basta estar ao lado de Jesus. Não é suficiente viver num ambiente cristão para ganhar a vida eterna. A proximidade física não garante a salvação. O Paraíso é conquistado através do arrependimento e conversão, é um prêmio para quem humildemente declarar-se pecador e viver o amor. 

Um deles insultava, questionava a divindade e tentava testar os poderes de Jesus. O outro levado pela graça divina converteu-se, acreditou, deixou-se levar pela fé e recebeu de Jesus a promessa de salvação.

Numa clara demonstração de sua infinita misericórdia para com os pecadores, Jesus lhe dá garantias da felicidade eterna. "Ainda hoje estarás comigo no Paraíso!" Com estas Palavras Jesus afirma que nunca é tarde para a reconciliação e nos convida a entregarmos a própria vida em favor da vida.

 (1484)


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CRISTO, REI DO UNIVERSO DOMINGO 24/11/2013
1ª Leitura  2 Samuel  5, 103
Salmo 121 (122) ,  Que alegria quando vieram me dizer; Vamos subir á casa do Senhor
2ª Leitura  Colossenses 1, 12-20
Evangelho Lucas 23, 35-43

“ O Reino começa hoje”-Diac. José da Cruz

Intrigante o diálogo dos dois ladrões e o diálogo de um deles com Jesus e que termina com uma afirmativa belíssima, que pode ser a motivação maior deste Evangelho na Festa de Cristo Rei. Hoje mesmo estarás comigo no paraíso.
Imaginamos que o assim chamado Bom Ladrão,  foi acolhido no céu logo após sua morte ali na cruz, ao lado de Jesus. Entretanto a afirmativa acena para um Reino que começou ali na cruz e que irá se consumir na Vida Eterna. O leitor poderá até pensar...mas que começo trágico desse Reino, que perspectiva pode ter um reino, que no seu início tem seu idealizador morto com requintes de crueldade no madeiro da cruz, morte humilhante e vergonhosa? Nem seus seguidores mais fiéis estavam ali, apenas um deles junto as mulheres...
Para São Lucas, que realça a Salvação a toda humanidade, a cruz inaugura o Reino e o retorno do paraíso, não só daquele ladrão arrependido, mas de toda humanidade e assim, a derrota humilhante é na verdade a vitória. O Amor é mais forte que a morte! O Reino é o Amor, e o Amor é o Reino. O tempo do Amor, da Justiça e da Paz está definitivamente inaugurado entre os homens e Deus manifestado em Jesus de Nazaré, começa o seu Reinado que não terá fim, ao contrário do Império que o condenou.
Jesus manifestou o Amor da plenitude junto com a Misericórdia,  nos ensinamentos e palavras, nas ações sempre a favor da Vida. Os príncipes dos sacerdotes, os soldados e um dos ladrões, não viram Nele nada disso pois cada um tinha sua divindade, os Príncipes dos Sacerdotes seguiam a Santa Lei de Moisés, os soldados viam deus no Imperador, e o Ladrão que o desafia com impropérios, nem consegue ver ou sentir deus em algo ou em alguém,  ele fez sua opção pelo mal e já se conformou com ele, não vendo mais nenhuma saída para sua vida.
O outro Ladrão não é melhor que os demais, mas consegue, do meio da sua maldade que o havia condenado, enxergar que há um Bem naquele Homem, vendo nele algo que vislumbre o próprio Deus...Ele não fez mal algum, portanto, vê com nitidez o Bem nas ações de Jesus. Foi o seu primeiro ato de Fé em Jesus Cristo, acreditando no Bem que ele veio nos trazer, não vendo Nele nenhum Mal.
Muitas vezes até cremos em Cristo mas não conseguimos vislumbrar suas ações do Bem em nosso meio. Onde está então o Reino de DEUS, que Jesus inaugurou em nosso meio? Seria ingenuidade querermos enxergá-lo só dentro da nossa Igreja. Aonde houver alguém se doando, se entregando por amor, vivendo a esperança e a misericórdia em suas relações, aonde houver gente vivendo o perdão, aonde houver gente lutando pela Vida, brigando pela Justiça, a Paz e a Igualdade, ali estará  Cruz do Senhor, ali estará o Reino, não ainda em sua forma definitiva. Que palavras saem de nossa boca, clamor humilde mas cheio de esperança, como daquele ladrão, ou maledicências e impropérios, como aqueles que desafiavam o Cristo na Cruz? Viva Cristo Rei ! 

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Festa de Cristo Rei do Universo
Neste domingo celebramos Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Celebrar Cristo Rei do Universo é ter a segurança de tê-lo como Senhor de nossa vida. O Reino de Jesus é um Reino alicerçado no serviço, na doação, na promoção da vida e da justiça.
Estamos encerramos o Ano Litúrgico, o Ano da Fé e celebraremos o dia do Cristão Leigo. Nesta celebração, todas as comunidades são convidadas a celebrarem os ministérios com a instituição de novos Ministros e a renovação dos compromissos dos ministros instituídos, lembrando a opção fundamental de todo ministério: servir tendo como exemplo de Jesus Cristo.
Evangelho de Lucas 23, 35-43.
A Palavra de Deus, neste último domingo do ano litúrgico, convida-nos a tomar consciência da realeza de Jesus. Deixa claro, no entanto, que essa realeza não pode ser entendida à maneira dos reis deste mundo: é uma realeza que se exerce no amor, no serviço, no perdão, no dom da vida.
A primeira leitura nos apresenta o momento em que Davi se tornou rei de Israel. Com ele, iniciou-se um tempo de felicidade, de abundância, de paz, que ficou na memória de todo o Povo de Deus. Nos séculos seguintes, o Povo sonhava com o regresso a esse tempo de felicidade e com a restauração do reino de Davi; e os profetas prometeram a chegada de um descendente de Davi que iria realizar esse sonho.
A segunda leitura apresenta um hino que celebra a realeza e a soberania de Cristo sobre toda a criação; além disso, põe em relevo o seu papel fundamental como fonte de vida para os homens.
No Evangelho vemos a realização dessa promessa: Jesus é o Messias, o Rei enviado por Deus, que veio tornar realidade o velho sonho do Povo de Deus e apresentar aos homens o Reino. No entanto, o Reino que Jesus propôs não é um Reino construído sobre a força, a violência, a imposição, mas sobre o amor, o perdão, o dom da vida.
Celebrar a Festa de Cristo Rei do Universo não é celebrar um Deus forte, dominador que se impõe aos homens do alto da sua onipotência e que os assusta com gestos espetaculares; mas é celebrar um Deus que serve, que acolhe e que reina nos corações com a força desarmada do amor.
A cruz, ponto de chegada de uma vida gasta a construir o Reino de Deus, é o trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar no coração dos homens através do amor e do dom da vida.
Em termos pessoais, a Festa de Cristo Rei convida-nos, também, a repensar a nossa existência e os nossos valores. Diante deste rei despojado de tudo e pregado numa cruz, não nos parecem completamente ridículas as nossas pretensões de honras, de glórias, de títulos, de aplausos, de reconhecimentos?
Diante deste rei que dá a vida por amor, não nos parecem completamente sem sentido as nossas manias de grandeza, as lutas para conseguirmos mais poder, as invejas mesquinhas, as rivalidades que nos magoam e separam dos irmãos?
Diante deste rei que se dá sem guardar nada para si, não nos sentimos convidados a fazer da vida um dom, entregue a Deus e aos irmãos?
Peçamos ao Pai que ao encerrar este Ano da Fé, nos fortaleça e encoraje na busca do Reino, sem jamais duvidar do seu amor e misericórdia.

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É este o último domingo do ano da Igreja. Na corrida, na fiada de dias iniciada no advento do ano passado, contemplamos o Cristo que se fez homem por nós, por nós anunciou e tornou presente o Reino do Pai e, para nos dar esse Reino de modo definitivo, por nós entregou-se na cruz, morreu e ressuscitou, dando-nos de modo definitivo o seu Espírito Santo. Pois bem: depois de termos contemplado todo este mistério, chegamos ao fim e proclamamos o Senhor Jesus como Reino do Universo. Como afirma o Apocalipse, “Jesus Cristo fez de nós um reino e sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos!”
Mas, que significa afirmar esta realeza de Cristo Jesus? Pensando bem, é um título problemático, esse dado ao Senhor... Ele é Rei mesmo? Rei do quê? Rei num mundo que o rejeita, Rei de um Ocidente que cada vez mais lhe volta as costas? Rei de uma humanidade de coração fechado para o seu senhorio? Não seria mais lógico, mais realista afirmar que os reis de hoje são os Ronaldinhos, o Paulo Coelho, o Bush e os heróis de plantão? Será que celebrar o Senhor Jesus com este título portentoso, “Rei do Universo”, não é mais uma prova de que os cristãos estão delirando, apegados a um passado glorioso, quando a sociedade era cristã e a Igreja tinha poder?
Quando os cristãos confessamos que Cristo é Rei, de que reinado estamos falando? A que Reino estamos nos referindo? Nós realmente acreditamos com todo o coração e confessamos com toda convicção que Jesus Cristo – e só ele! – é Rei: Rei do universo, Rei da história, Rei da humanidade, Rei da vida de cada pessoa humana, cristã ou não-cristã. Ele é Rei porque é Deus feito homem, é, como diz a Escritura, aquele “através de quem e para quem todas as coisas foram criadas, no céu e na terra... Tudo foi criado através dele e para ele... Ele é o Primogênito dentre os mortos” (Cl. 1,1518).
No entanto, é necessário compreender a natureza do reinado de Jesus. A liturgia de hoje coloca como antífona de entrada do missal romano uma frase do Apocalipse que é surpreendente: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e poder através dos séculos!” Frase surpreendente, sim! Quem é Aquele que proclamamos Rei? O Cordeiro; e Cordeiro imolado. Cordeiro evoca mansidão, paz, fragilidade... Nosso Rei não é aquele que faz e acontece, aquele que passa por cima feito trator... Nosso Rei é o Cordeiro que foi esmagado na cruz, Aquele que foi imolado pelo Pecado do mundo. O mundo passou e passa por cima do nosso Rei, refuta seu Evangelho, desdenha de sua Palavra, ridiculariza seus preceitos, calunia sua Igreja... Esse Rei é Aquele que foi crucificado, que foi derrotado e terminou sozinho, é o homem de dores prenunciado por Isaías. No Evangelho escutamos que zombaram e zombam dele: “A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se de fato é o Cristo de Deus, o Escolhido! Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!” (Lc. 23,35.39)
Não! Decididamente, Jesus não é Rei nos moldes dos reis da terra. Não podemos imaginar os reis, presidentes e manda-chuvas deste mundo, para depois enquadrar Cristo nesses modelos. O reinado de Cristo somente pode ser compreendido a partir da lógica do próprio Cristo: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc. 10,45). Eis o modo que Cristo tem de reinar: servindo, dando vida e entregando a própria vida. Tão diferente dos reis da terra, dos políticos e líderes de ontem de hoje: “Sabeis que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os seus grandes as tiranizam. Entre vos não será assim...” (Mc. 10,42s). Cristo é Rei porque se fez solidário conosco ao fazer-se um de nós, é Rei porque tomou nossa vida sobre seus ombros, é Rei porque passou entre nós servindo, até o maior serviço: entregar-se totalmente na cruz. É rei porque, agora, no céu, Deus e homem verdadeiro, é Cabeça e Princípio de uma nova criação, de uma nova humanidade, de uma nova história, que se consumará na plenitude final. A festa de Cristo Rei recorda-nos uma outra: a do domingo de Ramos, quando, com palmas nas mãos, cantamos o reinado de Cristo, que entrava em Jerusalém num burrico – animal de carga de serviço – para ser coroado de espinhos, morrer e ressuscitar.
Tudo isto nos coloca em crise, pois este Rei-Messias olha para nós, cristãos, seus discípulos, e nos convida a segui-lo por esse caminho: não o da glória, mas da humildade; não o do sucesso a qualquer custo, mas da fidelidade a todo preço; não o das honras, mas do serviço; não o da imposição, mas da proposta humilde. Quantas vezes os cristãos pensaram o reinado de Cristo de modo demasiado humano, quantas vezes a Igreja pensou que o Reino do Senhor estava mais presente quando ela era honrada, reverenciada, presente nos corredores dos palácios ou nos palanques dos grandes do mundo... Quantas vezes vemos o reinado do Senhor quando tudo sai bem para nós... Ilusão; tentação diabólica! Nosso verdadeiro reinado, nossa real serviço, nossa inalienável dignidade é unir-se a Cristo no seu caminho de humilde serviço ao Evangelho, seguindo os passos do nosso Senhor: “Fiel é esta palavra: Se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele sofremos, com ele reinaremos” (2Tm. 2,11). Todas as vezes que esquecemos isso, fomos infiéis e indignos de reinar com Cristo. Houve tempos gloriosos na nossa história de Igreja de Cristo: já fomos perseguidos pelos romanos, já fomos perseguidos em tantos lugares da terra: já nos mataram, torturaram, pisaram, discriminaram... Houve tempos tristes: quando perseguimos, torturamos e discriminamos... pensando, assim, manifestar o Reino de Cristo! Que engano! Que ilusão!
Hoje, temos uma nova chance. Nos países muçulmanos e budistas, somos cidadãos de segunda classe, perseguidos e mortos (ninguém divulga isso!), na China, somos colocados na prisão e nossos Bispos são condenados a trabalhos forçados e, aqui, no nosso Brasil, somos chamados de reacionários, medievais, obscurantistas, anacrônicos, contrários à ciência e ao progresso... porque não aceitamos o aborto, a eutanásia, o assassinato de deficientes, a dissolução da família... É, mais uma vez, a chance de testemunhar o reinado de Cristo, de permanecermos firmes no combate, com a humildade que é capaz de dialogar e ouvir, mas também com a firmeza que não arreda o pé da fidelidade ao Senhor: “Vós sois os que permanecestes constantemente comigo em minhas tribulações; também eu disponho para vós o Reino, como meu Pai o dispôs para mim, a fim de que comais e bebais à minha mesa em meu Reino” (Lc. 22,28-30). Que missão, que chance, que desafio, que graça! Com serenidade e firmeza, na palavra, na vida e na morte, testemunhemos: Jesus Cristo é Rei e Senhor, Princípio e Fim de todas as coisas.
Humildemente, elevemos, cheios de confiança, o nosso olhar para ele, e como o Bom Ladrão, supliquemos: “Jesus, lembra-te de mim, lembra-te de nós, quando entrares no teu Reino!” Só a ti a glória, pelos séculos dos séculos.
dom Henrique Soares da Cost


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Um reino preparado para nós
Ao longo do ano litúrgico, fizemos a experiência com Jesus que veio “para servir e não para ser servido”. Hoje celebramos a sua elevação à condição de rei. Todos os espectadores da crucifixão esperam que Jesus se livre da cruz, pois é isso que faria qualquer um dos poderosos desse mundo. A prova da realeza ou do poder de Jesus seria o fato de safar-se da cruz. Mas o reino do qual Jesus é rei não é deste mundo, isso significa que a autoridade dele não vem da terra. É um reino diferente, não estabelecido pelas forças das armas, mas com outro tipo de poder, a saber, a doação da própria vida na cruz para nos libertar do pecado e da morte. Nós já participamos do reinado de Jesus Cristo. E enquanto esperamos sua plenitude no fim dos tempos, devemos nos comprometer com seus valores, vivendo o “já” e o “ainda não” desse reino que irrompeu na história.
1. Evangelho (Lc. 23,35-43)
Lembra-te de mim no teu reino
O trecho do evangelho de hoje nos mostra Jesus sendo crucificado entre dois malfeitores. Lucas o apresenta com traços típicos de um mártir que, com sua fidelidade e força de oração, obtém a salvação para seus perseguidores.
No Evangelho de Lucas, os que se encontravam com Jesus eram compelidos a fazer uma escolha: aderir ou rejeitar Jesus. Na hora de sua morte, ponto crucial do evangelho, o leitor é convidado a fazer sua escolha. Também aparecem aqui duas mentalidades que perpassaram todo o evangelho, duas maneiras de compreender o messianismo de Jesus. Entender a missão de Jesus é essencial para poder aderir ao seu projeto salvífico. São dois ladrões que representam duas compreensões messiânicas.
O primeiro ladrão representa aqueles que concebem um messias dotado de poderes prodigiosos, que deveria descer da cruz e libertá-los consigo. Assim, seria mais espetacular seu triunfo.
O outro ladrão é o oposto, pois reconhece em Jesus o enviado de Deus, um justo que não merecia estar ali. Este pede que Jesus se recorde dele quando estabelecer seu reino no momento “escatológico” (fim dos tempos).
A resposta de Jesus, suas últimas palavras, acentua o “hoje” de Deus: “Hoje estarás comigo no paraíso”. Quem acolhe Jesus participa de forma definitiva da vida em Deus, não em um futuro distante, mas no hoje. Ou seja, o futuro escatológico da salvação plena já está presente. O paraíso não é um lugar, mas participação na felicidade com Cristo (cf. Fl 1,23). Lucas prefere não identificar o reino geograficamente, pois este se faz “dentro” de cada um (17,21). O reino começa a acontecer na vida daquele que acolhe Jesus e se deixa conduzir por ele. Estar com Jesus não significa simplesmente estar em sua companhia, mas participar de sua realeza.
Na cruz, Cristo aparece dispondo, ele mesmo, da sorte eterna de um homem. E isto é poder de Deus. Em Jesus se manifesta todo o amor de Deus, que desce ao nível mais baixo para elevar a si a criatura humana. Esse é o poder do amor.
1ª leitura (2Sm 5,1-3)
Rei e pastor
Os anciãos, ou seja, os líderes das tribos de Israel reconhecem Davi como escolhido de Deus para “apascentar” e “chefiar” o povo. São esses os critérios para a escolha de Davi como “rei” de todo o Israel: (1) parentesco entre o rei e o povo (são uma só carne e ossos), isto é, o monarca vai agir com a mesma preocupação que um pai de família tem para com seus filhos; (2) experiência para defender as tribos contra os inimigos; (3) e principalmente, reconhecimento dos sinais divinos de que Davi fora escolhido por Deus para essa função de líder.
Em vez do verbo “reinar”, o texto de 2Sm 5,2b usa o termo “apascentar” ou “pastorear”, da mesma raiz (hebraica) de “acompanhar” e de “ser amigo”. A tarefa principal do “rei” é proteger, além de conduzir e de cuidar. Conforme Ez. 34,23, o vocábulo “pastor” era aplicado aos reis. O texto litúrgico também destaca que Davi será “chefe”, no sentido hebraico isso significa que ele terá autoridade limitada e estará subordinado a outro poder, pois somente Deus é rei sobre Israel. A liderança era carismática, ou seja, escolhida por Deus, e o poder era exercido como representatividade.
O líder de Israel jamais seria um rei no sentido próprio do termo, mas um mediador entre Deus e o povo. E sua principal função era assegurar a realeza de Deus sobre as pessoas. Em relação ao povo, a mediação consistia em promover o bem-estar de todos por meio do exercício da justiça e da defesa militar. Em relação a Deus tratava-se, principalmente, de promover a obediência ao propósito divino expresso na aliança.
A verdadeira realeza, de Deus, tornava condicional a função do chefe do povo. O líder de Israel recebia a missão de governar, através de uma eleição popular unida à unção divina (um oráculo profético). Dessa forma o líder de Israel era escolhido por Deus e pelo povo.
Considerando-se que o único rei de Israel era Deus, a liderança tornava-se, também temporária. O rei poderia ser deposto a qualquer momento caso não exercesse adequadamente as funções para as quais tinha sido escolhido.
2º leitura (Cl 1,12-20)
O reino de seu Filho bem amado
Esse hino da Carta aos Colossenses é um dos mais antigos cânticos de ação de graças do Novo Testamento. Muito anterior à própria epístola na qual hoje se encontra, era cantado durante a celebração da fração do pão, modo como a Eucaristia era chamada antigamente.
Como um dos hinos mais importantes do Novo Testamento, exalta a ação de Cristo como mediador da redenção e da nova criação e sua atuação no mundo em todos os tempos. A ressurreição de Cristo ocupa papel central, ela faz a conexão entre o senhorio de Cristo sobre a história, sobre o cosmos e sobre a igreja.
A afirmação inicial é que Deus fez um ato de libertação, quer dizer, resgatou a humanidade de uma situação de opressão, identificada com a expressão “império das trevas” ou “tirania das trevas”. Esse resgate implica num traslado que foi feito de uma tirania para o reino de seu Filho bem amado. Essa metáfora era repleta de sentido naquela época, já que uma situação oposta era muito corriqueira: ver uma multidão de pessoas sendo levadas cativas de um reino a outro.
O reino é descrito como pertencendo ao seu Filho bem amado, ou numa tradução literal, “Filho do seu amor”, ou seja, em quem Deus depositou todo o seu amor. Esse reino, assim descrito, é poder de Deus em ação a favor da humanidade por meio da vida de Cristo.
Esse traslado significa que o reino irrompeu na história, então não devemos esperar o final dos tempos para participarmos dele. Mas essa participação exige do ser humano um compromisso radical que poderá trazer conflitos com os antivalores do mundo.
Estamos esperando o pleno desabrochar do reino no fim dos tempos, mas a celebração de hoje nos exorta que já estamos no reino de Deus. Temos que viver o “já” e o “ainda não” de sua plenitude.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade
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O reinado da justiça, do amor e da paz
No fim da copa de 1958, ao receber os cumprimentos do rei da Suécia, Pelé colocou a mão no ombro do rei. Os comentaristas esportivos, num primeiro momento, escandalizaram-se com a quebra do protocolo, pois ninguém pode tocar no rei. Logo em seguida, concluíram: “Não faz mal! Hoje o rei é ele!” A partir de então, Pelé passou a ser chamado de rei do futebol. Algum tempo depois, a popularidade do cantor Roberto Carlos rendeu-lhe também o título de rei.
Hoje, os reis não governam, são apenas chefes de Estado, representam a nação. Quem governa é o primeiro-ministro ou o conselho de ministros. No passado, não era assim. O rei tinha todo o poder; a vontade ou até mesmo um capricho do rei eram lei.
O papa Pio XI instituiu a solenidade de Cristo Rei para incentivar os cristãos a fazer de sua presença no mundo uma força de transformação. Por meio dos cristãos, Jesus deve governar o mundo. O objetivo não é dar brilho e poder à instituição eclesiástica, mas trazer ao mundo o reinado de Deus com os critérios de Jesus Cristo. Contrário à busca de brilho, fama e poder, critérios deste mundo, o reinado de Cristo se manifesta na vergonha e no fracasso da cruz.
A paz, tão sonhada hoje, é fruto da justiça e do amor, como diz o prefácio da oração eucarística desta solenidade. A busca da verdadeira justiça e a coerência do amor levam inúmeros cristãos ao martírio, à morte semelhante à de Cristo. É por esse caminho, e não pela participação nos poderes temporais, que seu reinado vai acontecer no mundo.
1ª leitura (2Sm. 5,1-3)
A primeira leitura narra como as tribos do Norte aceitaram o reinado de Davi. A unção de Davi como rei de Israel lembra hoje o reinado de Cristo.
Davi era o menor e o mais humilde de oito irmãos da aldeia de Belém. Quando Samuel, guiado por Deus, foi escolher um dos oito filhos de Jessé para ser o novo rei, apresentaram-se os sete maiores; o menino Davi foi deixado no campo, olhando as ovelhas. Mas foi a ele que Deus escolheu. É por meio dos fracos que Deus reina. Davi se tornará, depois, o modelo dos reis.
Suas façanhas (1Sm. 17; 1Sm. 18,20-36; 1Sm. 24; 1Sm. 26) já lhe tinham alcançado a aprovação por parte da sua tribo, Judá (2Sm 2,1-4a). O episódio narrado na leitura de hoje fala de sua aprovação pelas dez tribos do Norte. O reinado de Davi foi o reinado da união de Israel e Judá, de todo o povo de Deus; foi o reinado do consenso.
2ª leitura (Cl. 1,12-20)
É na sua morte de cruz (sangue de cruz, na maneira bíblica de falar) que Jesus se torna rei do universo, centro de toda a criação, razão de ser de tudo o que existe.
Essa carta, ditada por Paulo ou, mais provavelmente, por um de seus discípulos, procura responder a uma questão surgida nas primeiras comunidades: uma confusão entre a mensagem de Jesus Cristo e as religiões cósmicas. Segundo essas antigas religiões, os astros é que governam o mundo. E são os anjos, em suas diversas categorias – Tronos, Dominações, Potestades etc. –, os condutores dos astros, que governam o mundo. Não sobraria muito espaço para o Messias Jesus.
O texto da carta, diferentemente do linguajar de Paulo, é carregado de semitismos, de maneiras semitas de falar. Assim, “o Filho do seu amor” quer dizer “o seu Filho amado” (v. 13); “o sangue de sua cruz” quer dizer “sua morte de cruz” (v. 20).
O mundo, governado pelos anjos e pelos astros, não muda, não admite mudança, porque o sol, a lua, as estrelas sempre fazem a mesma órbita, o mesmo giro. Tudo se repete e tudo está em ordem. Não há nada para mudar. Jesus vem fazer o que aí?
Se nada há para mudar, podemos nos deixar guiar cegamente pelos astros, anjos ou poderes deste mundo. Pode-se dizer que este é o reino das trevas, onde todos são cegos. O reino da luz, onde todos enxergam, é o reino de Jesus Cristo – por isso o batismo era chamado de iluminação. Os que antes seguiam as religiões cósmicas e se tornaram cristãos passaram do reino das trevas para o reino da luz.
Jesus torna visível o Deus invisível, existe antes dos anjos e de qualquer outra criatura de Deus. Por ele e para ele, Deus criou tudo; ele é a nossa cabeça, cabeça da Igreja, o primeiro renascido da morte; ele resume tudo, tudo só tem sentido nele. Isso não se dá, porém, em virtude de nenhum grandioso espetáculo. É por meio de sua morte de cruz que ele realiza a reconciliação, quer dizer, a reorganização de todo o universo material e imaterial, como os anjos. Jesus tudo governa, mas, antes de tudo, ele reina pela cruz.
Evangelho (Lc. 23,35-43)
Na cruz vai morrer o Rei dos Judeus, a esperança de um salvador da nação judaica apenas. Na cruz podemos chamar Jesus de rei, não dos judeus, mas da humanidade inteira, a começar com os criminosos crucificados com ele.
Jesus, na ocasião, é visto como um rei de palhaçada, é objeto do olhar curioso do povo, olhar de desinteresse e de desprezo. É também objeto de zombaria por parte das autoridades judaicas e dos soldados romanos.
A zombaria por parte dos dirigentes judeus é, em Lucas, mais discreta do que em Mateus e em Marcos, evangelhos nos quais eles fazem alusão ao título de “rei de Israel” e desafiam Jesus a descer da cruz. “O Cristo”, “o Ungido”, de Lucas, contudo, também lembra a esperança de um Messias rei. Lucas acrescenta o título de “Eleito” ou Escolhido, o querido de Deus. Nem por isso o que dizem as autoridades dos judeus deixa de ter o caráter de zombaria e de tentativa de desmoralizar o “reinado” de Jesus.
Os soldados romanos, representando o império, os senhores deste mundo, caçoavam da placa que chamava Jesus de rei dos judeus, um rei incapaz, um rei totalmente fracassado. Oferecem ao “rei” o vinagre ou vinho azedo dos soldados e dos escravos.
Entretanto, o vinagre que lhe oferecem lembra o Salmo 69,22, que diz: “para a minha sede deram vinagre”, fazendo eco ao v. 5 do mesmo salmo: “odiaram-me gratuitamente”. A resposta ao ódio gratuito é um amor mais gratuito ainda.
Vem, então, o outro lado, o verdadeiro reinado do Cristo. Seu trono é a cruz, as testemunhas de sua entronização são dois criminosos. Ele reina porque perdoa; seu poder se manifesta acima de tudo no perdão, jamais na crueldade, como era próprio da onipotência de César.
Um dos criminosos ou malfeitores com ele crucificados reproduz os insultos das autoridades judaicas e dos soldados romanos. O outro o recrimina e chama-lhe a atenção. Apela para o “temor de Deus”, expressão que, em toda a Bíblia, traz a conotação de respeito ao mais fraco. Eles estão sendo punidos por seus crimes; Jesus, não: ele é inocente.
Em seguida, esse malfeitor dirige-se a Jesus, pede-lhe que se lembre dele quando entrar em seu reino ou reinado. Na Ceia, Jesus havia dito aos apóstolos: “Assim como o Pai me confiou o reino, assim também eu vos confio o reino. Havereis de comer e beber em minha mesa no meu reino e de vos sentar em tronos para julgar as doze tribos de Israel” (Lc. 22,29-30). Agora, morrendo na cruz, ele toma posse do seu reino.
Assim é que ele responde ao criminoso: “Hoje estarás comigo no paraíso!”, hoje estarás comendo e bebendo comigo em meu reino. É o último “hoje”, tão presente nos lábios de Jesus em todo o Evangelho de Lucas (“hoje se cumpre essa palavra”, “hoje devo me hospedar na tua casa”, “hoje a salvação entrou nesta casa”). Hoje, morrendo na cruz, Jesus toma posse do seu reinado.
DICAS PARA REFLEXÃO
Na homilia (conversa) de uma missa em sua comunidade, dona Julieta disse: “Nem que vivesse mais 200 anos a gente acabaria de entender o significado da morte de Jesus”. Não vamos acabar de entender, mas vamos procurar entender cada vez melhor.
“É rei pela sua cruz.” Essa ideia não cabe bem na nossa cabeça. Para nós, rei é o que está no topo do prestígio e do poder, não um pobre coitado de braços pregados numa peça de madeira, pendurado entre o céu e a terra e considerado pela Bíblia (Dt. 21,23) um maldito de Deus.
Os caminhos do prestígio e do poder humanos jamais levarão o mundo a alguma mudança, só farão reafirmar o reinado do dinheiro e da arrogância. Outro mundo e outro reinado só poderão vir dos caminhos opostos, os caminhos da humildade e do serviço. A cruz significa o caminho novo que se abre.
Quem pensa que a festa de Cristo Rei deve motivar maior prestígio e poder para a instituição eclesiástica está redondamente enganado; está querendo levar a Igreja pelos caminhos do mundo, e não trazer o mundo para os caminhos de Jesus Cristo.
“É rei pela sua cruz.” Isso dificilmente entra na nossa cabeça. É preciso primeiro desarraigar da nossa mente as ideias de prestígio e de poder. O reinado de Cristo há de chegar ao nosso mundo por meio das pequenas coisas, escondidas, ignoradas, relegadas à humilhação do esquecimento, tal como a morte de cruz era a humilhação máxima.
No mundo governado pelo dinheiro, a injustiça, o saber aproveitar-se do outro, é a ferramenta principal. Amor não existe; isso é considerado sentimentalismo tolo, que só leva a perder dinheiro. Paz é inércia, inatividade, é ficar parados; o que movimenta o mercado é a guerra, a competição. O reinado de Jesus Cristo é o reinado da justiça, do amor e da paz.
padre José Luiz Gonzaga do Prado
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No trono da cruz, um rei ensanguentado
Lucas nos informa que acima de Jesus, no alto da cruz, havia um letreiro: Este é o rei dos judeus. Sim, no trono da cruz, está  assentado um rei ensaguentado!
Os evangelistas, ao descreverem os últimos momentos da vida de Jesus, nos fornecem muitos e preciosos detalhes.  Houve zombarias. “Se és alguém, se és o enviado do Pai, se tens a ver com Deus, tu que salvaste a tantos, desce daí...” E os soldados se compraziam em ridicularizar esse condenado à morte tão incômodo, ali, nas vésperas das festas dos judeus...
Ao lado de Jesus, crucificado com ele está um ladrão. Dizem que se chamava Dimas. Não se diz isso nos evangelhos. Era um homem que roubava, um desses salteadores. Este, ouvindo as ofensas que dirigia a Jesus o outro ladrão, o repreende e voltando-se para Jesus, diz: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares do teu reinado!”. Ali estava um homem com o coração dolorido, muito provavelmente arrependido de seus gestos e desmandos e, ao mesmo tempo profundamente sensibilizado com esse companheiro de tormento, esse Jesus que ali, impotente, inocente, era um trapo humano. Sua nudez era coberta pelo sangue, um condenado inocente, morrendo com dignidade. O salteador dito “bom ladrão” parece compreender que Jesus vai para um espaço de vida, para um reino onde haverá de existir amor e paz.  Esse ladrão exprime fé e desejo de viver com esse  nobre Jesus ensanguentado.
E Jesus profere  palavras extremamente consoladoras: “Em verdade eu te digo hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. Podemos bem imaginar a alegria serena desse ladrão sem esperança. Ele entraria pela porta do reino conduzido por seu companheiro de tortura, esse rei ensanguentado.
O menino que se remexia nas palhas era o desejado das colinas eternas. Viera da parte de Deus como centro de tudo. Desde toda eternidade o Pai sonhara em ser amado fora da Trindade. Enviou seu Filho ao mundo, o Verbo se fez carne. Tudo fez para ele. Ele era objeto de todas as complacências do coração do Pai. E ele falou aos homens, pediu que orientassem seus corações para o Pai. Conviveu com homens, quis ser pão, caminho, verdade, vida de todos. E como não existe maior amor do que dar a vida pelos seus aceitou, livremente subir até o alto da cruz e ali, despojado de tudo, dar a vida pelos seus e assim atrair, pelo amor, ao seu coração todos os corações. Ele é rei, rei despojado, rei sem vontade de dominar, mas centro de tudo e pólo de atração.  Jesus, rei do mundo e rei dos corações sinceros! Belamente o prefácio da missa do Cristo Rei proclama: “Ele, oferecendo-se na cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao seu poder toda criatura, entregará (Senhor) à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, do amor e da paz”.
Belíssima esta página de Agostinho sobre o Cristo, Rei do universo: “Ouvi, judeus e gentios; ouvi circuncidados, ouvi incircuncisos; ouvi reinos de toda a terra:  “Eu não eliminou a vossa soberania. Meu reino não é deste mundo (Jo. 18,36)”  Não vos deixes dominar pelo vão temor como aquele que Herodes, o Grande, experimentou por ocasião do nascimento de Cristo, o qual, pretendendo eliminar Jesus, matou inocentes ( cf. Mt. 2, 3.16). “Meu reino não é deste mundo, diz Jesus. O que quereis? Vinde ao reino que não é deste mundo; vinde com fé e não queirais ser cruéis levados pelo medo! É verdade que numa profecia Cristo, falando de Deus, seu Pai, disse: “Por ele foi constituído rei sobre Sião, seu monte santo” (Sl. 2,6), mas esta Sião e este monte não são deste mundo. O que é o reino de Cristo?  São os que crêem nele, a propósito dos quais ele disse: “Não sois do mundo, como eu não sou da mundo” (Jo. 17,16), mesmo querendo que eles permanecessem no mundo, por isso pede ao Pai por eles: “Não te peço que os tires, do mundo, mas que os preserve do mal”. (Jo. 17,15). Também aqui não diz: “O meu reino não é neste mundo”, mas afirma: O meu reino não é deste mundo”. E depois de ter demonstrado isto, dizendo Se o meu reino fosse deste mundo, os meus servos combateriam por mim, para que eu não fosse entregue aos judeus” (Jo. 18,36, não diz: “O meu reino não se encontra nesta terra”, mas diz: O meu reino não é desta terra”. Na realidade seu reino está nesta terra até o fim dos séculos e carrega consigo a cizânia misturada com o grão fino (o trigo) até o  momento da colheita que se dará no fim dos tempos quando virão os ceifeiros, isto é, os anjos e arrancarão de seu reino todos os escândalos (cf. Mt. 13,38-41). Isso não poderia acontecer se o seu reino não estivesse aqui, na terra. No entanto, o reino não é desta terra, porque estamos no exílio do mundo. Aos que pertencem ao seu reino ele diz: “Vós não sois do mundo, eu os escolhi do mundo” (Jo. 15,19).
“Ainda hoje estarás comigo no Paraíso.” (Lc. 23,43).
Esta solenidade, Cristo Rei do Universo, foi instituída pelo Papa Pio XI, em 11 de dezembro de 1925. Com ela, conclui-se o ano litúrgico e, de modo especial este ano, o Ano da Fé, aberto em 2012 pelo papa emérito Bento XVI.
As leituras de hoje nos falam sobre realezas. Na primeira leitura (2Sm 5,1-3), Davi é ungido rei de Israel pelo povo. Esse, estando na frente do povo, tinha como missão dirigir, apascentar, unificar as tribos de Israel que estavam dispersas e levá-las à prosperidade, segundo a aliança feita aos olhos do Senhor.
No Evangelho segundo São Lucas (Lc. 23,35-43), Jesus Cristo cumpre sua missão sobre a terra: doar sua vida pela nossa redenção, servir a humanidade. Que absurdo! Aquilo que mais os homens desprezam, Deus assume como vitória e vida? Muitos não compreendem. Basta ler o motivo de sua condenação inscrita sobre sua cabeça, que é vida para nós: “Este é o Rei dos judeus.”
No momento em que menos se esperava, Jesus revela-se como portador da salvação na cruz, e a oferece ao ladrão. Assim, em Jesus, todos nós que clamamos “lembra-te de nós”, ainda que tudo pareça perdido, sempre seremos lembrados por Ele, porque foi do agrado do Pai conceder-nos a salvação.
São Paulo, na segunda leitura (Cl. 1,12-20), com seu hino cristológico, enaltece o ser humano por ser o principal  herdeiro do Reino de Deus e, por isso, apela por uma vida de ação de graças, já que fomos concedidos à estima de participarmos dessa mesma luz.
Viva Cristo Rei do Universo!
Reflexão feita pelos Noviços deste ano
frei Almir Ribeiro Guimarães
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Reino da Cruz, Reino da Fé
Foi genial a idéia dos compositores da renovada ordem litúrgica, de escolher a morte de Cristo na cruz como evangelho para a festa de Cristo Rei. O ensejo imediato para esta escolha formam os insultos dos soldados e do “mau ladrão”, como também a prece que o “bom ladrão” dirige ao Crucificado. Todos eles aludem à realeza (messianismo) de Jesus, os primeiros num sentido de escárnio, o último, ao contrário, com um espírito de fé, que lhe consegue a resposta: “Hoje ainda estarás comigo no paraíso”. Para Lucas, o Reino de Cristo inicia realmente na hora da cruz, e dele participa aquele que encarna o modelo do comum dos fiéis: o pecador convertido (cf. a pecadora, o publicano, o filho pródigo, Zaqueu etc.) Isso significa, entre outras coisas, que o Reino de Jesus, para Lc, é essencialmente o Reino da reconciliação do homem com Deus (cf. Paulo em Cl. 1,20; 2ª leitura). A verdadeira paz messiânica, para Lc, não é tanto o lobo e o cordeiro pastarem juntos (Is. 11,6-9), mas o homem ser reconciliado com Deus e participar da vida divina, no “paraíso”, restauração da inocência original.
Deste Reino, o homem participa pela fé, que se expressa na oração (outro tema caro a Lucas): a prece do bom ladrão não é apenas um pedido, mas também confessa Jesus como Rei (“no teu Reino”, 23,42). Como, anteriormente, à guisa de prefiguração, outras personagens receberam cura por causa de sua fé (p.ex., Lc. 18,42), o bom ladrão recebe o paraíso por causa dessa fé. Podemos, portanto, dizer que, para Lc, o Reino de Cristo é essencial mente seu poder de reconciliar com Deus os que acreditam nele. Essa reconciliação tem como centro a cruz, ato supremo de amor e serviço de Jesus para seus irmãos. No homem de Nazaré, morto por amor, Deus encontra reconciliação com a humanidade, pelo menos, se pela fé e a conversão ela se solidariza com o Filho amado.
A 2ª leitura elabora a mesma visão em termos diretamente teológicos. Deus nos assumiu no Reino de seu Filho amado (Cl. 1,13), no qual temos a salvação e a remissão dos pecados (1,14). Segue então o famoso hino cristológico Cl. 1,15-20, que canta Jesus como sendo aquele em quem mora a plenitude de Deus: Deus lhe deu tudo, e mais, “quis morar nele com toda sua plenitude” (1,19). Paulo desenvolve sua cristologia num sentido corporativo: Jesus é a Cabeça, a Igreja o Corpo. Ora, a Cabeça não é separada do Corpo. Juntos formam a “Plenitude”. Sacrificando-se Cristo por nós, em obediência, na morte da cruz, nós é que somos reconciliados. Assim - e notemos a alusão à terminologia messiânica - Cristo instaurou a “paz” pelo sangue de sua cruz (1,20).
A 1ª leitura tem função tipológica; indica o início da linhagem da qual Jesus é a plena realização, a linhagem dos reis davídicos, os “ungidos” (cristos), executivos de Deus. Mas Jesus supera de longe o modelo davídico, e seria um anacronismo conceber o reinado de Cristo em termos políticos, como um novo reino de Davi.
Convém refletir sobre o conceito do Reino de Cristo no sentido de reconciliação de Deus com o homem, neste tempo em que tão facilmente o Reino de Cristo é confundido com uma grandeza mundana, tanto na ideologia integralista quanto na revolucionária e libertadora. O Reino de Cristo, na visão da liturgia de hoje, é o acontecer da vontade do Pai na reconciliação operada pelo sacrifício de sua vida, não de modo mecânico ou mágico, mas pela participação da fé. Em outros termos, a fé reconhece a morte de Cristo como um divino gesto de amor por nós e produz conversão e adesão a este mesmo amor, superando o ódio e a divisão. Assim, o Reino no qual Cristo é investido por sua obediência até a morte, implanta-se também no mundo, mediante a fé dos que nele acreditam e seguem seu caminho.
Mensagem
Para coroar o ano litúrgico, celebramos o solene encerramento, a festa de Cristo-Rei. Jesus é apresentado como rei nosso e do universo. Mas, o que significa chamar Jesus de “rei”? Não temos em nosso meio experiência próxima daquilo que é um rei. Por isso convém prestar bem atenção à 1ª leitura, que narra a consagração de Davi como rei de Israel. Davi não é apenas chefe do Estado e tampouco um rei considerado deus como os reis do Egito e da Babilônia. Ele é “filho de Deus”, chamado a exercer o reinado em obediência a Deus, o Único Senhor.
Ora, se Davi era um rei diferente, Jesus muito mais, como poderemos perceber no evangelho. Seu governo tem alcance além da morte, além do mundo; e este domínio, que supera tudo, ele o abre para o pecador que se converte, o “bom ladrão” crucificado ao seu lado. Jesus não é rei sobre um determinado pedacinho de nosso planeta, mas submete a si a morte e o pecado (cf. 1Cor. 15,25-26). Tudo o que existe para a glória de Deus – de modo especial, a Igreja – encontra em Jesus seu chefe, sua cabeça – diz a 2ª leitura. Ele é rei por seu sangue redentor, pelo dom de sua vida, que vence o ódio, o desamor, o pecado.
Estamos aos poucos redescobrindo que o Reino de Deus, inaugurado por Jesus, deve ser implantado aqui na terra, na justiça e no amor fraterno. Mas não devemos perder de vista a dimensão eterna deste reino. Ele supera as realidades históricas, “encarnadas”. Ele atinge a relação mais profunda e invisível entre Deus e o homem. Ele é universal, não apenas no tempo e no espaço, mas sobretudo na profundidade, na radicalidade.
O projeto de Deus, que Jesus veio, definitivamente, pôr em ação, não termina no horizonte de osso olhar físico. Seu alcance não tem fim. É uma grandeza que vence todo o mal, muito além daquilo que podemos verificar aqui e agora. É um reino que não apenas conquista o mundo, mas muda a sua qualidade. Por isso dedicamo-lhes todas as nossas forças e não ficamos de braços cruzados.
Este reino supera o pecado, como Jesus mostra, acolhendo o “bom ladrão”. Pois é o reino de amor. Porém, não legitima o pecado: Zaqueu, depois que se converteu, começou vida nova (Lc. 19, 1-10). Se o bom ladrão tivesse continuado com vida, deveria ter mudado radicalmente seu modo de viver... Assim, para participarmos, já agora, deste reino de amor, justiça e paz, devemos deixar acontecer em nós a transformação que Jesus iniciou e pela qual ele deu a sua vida.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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Hoje estarás comigo no paraíso
Hoje a Igreja comemora a festa do Cristo Rei e, nesse dia de “festa”, o Evangelho traz Jesus Crucificado. Seria uma contradição?
Jesus é condenado e tido como um criminoso, pois somente estes eram condenados à crucifixão. É considerado Rei tendo como trono improvisado a sua cruz e, para ser reconhecido como tal, tem como suas duas testemunhas da entronização, dois reles ladrões.
A contradição entre o Rei e o Crucificado existe apenas para quem não compreende os ensinamentos de Jesus, pois durante toda a Sua vida, Ele ensina que Seu Reino não é desse mundo. Somente com os olhos da fé é possível perceber que na morte de cruz, considerada na época a mais humilhante punição, se inicia um reinado de reconciliação da criação com o Criador.
Nesta festa do Cristo Rei estão presentes alguns personagens: o povo que, assim como hoje, é impotente diante das injustiças e sofrimentos de seus irmãos, e que também acompanhava o sofrimento de Jesus na cruz sem nada poder fazer; os poderosos e um dos ladrões, que não compreenderam a missão de Jesus, e não percebiam que era morrendo na cruz que Ele salvaria a todos; e o Bom ladrão que, com sua prece: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares em teu Reino”, reconhece Jesus como sendo O Rei, e arrependendo-se de seus erros, se reconcilia com o Pai.
Este Evangelho é um convite incessante para que as pessoas se comprometam com as propostas de Jesus. Quem vai com Ele? Quem entra com Jesus no paraíso da nova sociedade são os banidos, os criminosos, os publicanos, as prostitutas e outras pessoas que a sociedade considera malditas, e as crucificou juntamente com Jesus.
No Evangelho de Lucas a misericórdia divina é uma proposta aberta até o fim, até mesmo onde as esperanças humanas de salvação e vida parecem ter desaparecido.
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Este é o Rei dos judeus!
A crucifixão de Jesus constituiu-se em um trauma para os discípulos. Eles esperavam que seu Mestre fosse um Messias-rei glorioso, cheio de poder, capaz de pôr fim à opressão romana. Por isso, diante do Crucificado, viram esvair-se todas as suas esperanças.
Contudo, a inscrição afixada no alto da cruz - "Este é o rei dos judeus" - era verdadeira. Efetivamente, Jesus era "rei dos judeus", mas seu reino era bem diferente daquele que os discípulos e os adversários esperavam.
Uns e outros não conseguiam perceber a dinâmica de salvação em que estava envolvida a morte de cruz. Ali, Jesus estava salvando toda a humanidade, por ser o Cristo de Deus, o eleito. A crucifixão resultava de sua fidelidade total ao Pai, Senhor de sua existência. Isto significava que a vontade divina sempre fora o imperativo na vida do Filho de Deus. O Reino do Pai tornara-se o Reino de Jesus. Reino articulado no querer divino, e não na força das armas, da violência, das conquistas, da opressão. Por conseguinte, os judeus e todos os que quisessem salvar-se, deveriam aderir a este Reino, cujo Rei é Jesus.
Os dois ladrões, também crucificados com o Mestre, revelaram duas atitudes contrastantes diante desse Rei: um o rejeitou como fraco e impotente; o outro o acolheu e o reconheceu como sendo vítima da injustiça. A este Jesus acolheu em seu Reino!
padre Jaldemir Vitório
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Jesus Cristo é o rei
A atribuição do título de "rei" a Jesus tem origem na teologia imperial davídica (primeira leitura; cf. 2Sm. 7). Este título equivale ao título de messias ("messias", do hebraico, ou "cristo", do grego - significando: ungido) devido ao rito da unção dos reis em Israel. Os discípulos diante das palavras e da prática de Jesus, as quais o distanciavam do tipo de messias poderoso e triunfante que era esperado por eles. Apesar da simplicidade de vida de Jesus, seus discípulos, formados sob a ideologia do Judaísmo, se inclinavam a ver em Jesus este tipo de messias. Por esta razão, particularmente no Evangelho de Marcos, são freqüentes as repreensões de Jesus a esta visão equivocada. Não se tendo realizado o sonho messiânico aqui na terra, os discípulos marcados pela cultura e tradição do Judaísmo projetaram Jesus no céu como, finalmente, messias triunfante. Jesus Cristo é o rei celestial. Tal título foi bem acolhido a partir do momento em que os imperadores se tornaram aliados da Igreja, protegendo-a, favorecendo-a e recebendo suas bênçãos. Tendo no céu um rei, seus representantes na terra também se revestem de autoridade, pompa e poder. A atribuição do título de "rei" a Jesus fere sua natureza e sua índole, bem como rompe com o propósito da encarnação, que é assumir a condição humana em sua simplicidade, humildade e fragilidade. Jesus, "manso e humilde de coração", é aquele que peregrina convivendo com as multidões de pobres, excluídos e sofredores, e "não tem onde repousar a cabeça". Pilatos resolveu ironizar os judeus afixando à cruz de Jesus a placa com os dizeres: "Este é o rei dos judeus". Jesus, na sua fragilidade e na sua mansidão, em nada condizia com a condição de um rei, o que suscitou a ironia de Pilatos, bem como a zombaria dos soldados. A um dos crucificados que lhe pede que se lembre dele em seu "Reino", Jesus responde mencionando o "paraíso", no qual o crucificado será recebido "hoje", sem delongas escatológicas. O Deus de Jesus não é um deus de poder que destrói os inimigos em sua ira, mas o Deus de amor, Pai e Mãe, que comunica a todos sua vida divina, em Jesus (segunda leitura).
José Raimundo Oliva

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“Meu reino não é deste mundo”
A solenidade de nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, é a festa de encerramento do ano litúrgico.
Há nos evangelhos um único texto em que Jesus assume o título de rei: “O sumo sacerdote o interrogou de novo: ‘És tu o Messias, o Filho do Deus Bendito?’ Jesus respondeu: ‘Eu sou’” (Mc 14,61-62). De resto, Jesus rejeita para si o título de rei que pudesse identificá-lo com a esperança de restaurar a monarquia davídica e a libertação do país da dominação estrangeira. Jesus rejeita todos os títulos que poderiam fazer pensar no desejo de poder (Mc. 1,25.34.44; 3,12; 5,43; 7,36; 8,26.30). O poder observado no mundo não é o vivido por Jesus e proposto aos seus discípulos: “Para vós, não será assim” (ver: Lc. 22,24-27). Jesus se distancia de toda forma de poder e distingue a concepção de poder da comunidade dos discípulos com a comum dos “grandes deste mundo”. O que deve ser buscado por toda a Igreja é a prioridade do serviço: “O maior é aquele que serve” (Lc. 22,27). Perguntado por Pilatos: “Tu és o rei dos judeus?” (Jo 18,33), Jesus responde: “Meu reino não é deste mundo” (Jo. 18,36). A única realeza que Jesus aceita é a da cruz. Os evangelhos recordarão, então, a inscrição sobre a cruz: “Jesus de Nazaré, rei dos judeus” (Mt. 27,37; Mc. 15,26; Lc 23,38; Jo 19,19-22). A partir da cruz, sobre o título de rei, não paira nenhuma ambiguidade, pois a realeza de Jesus é o serviço até a entrega radical da própria vida, como ato de amor supremo. Jesus, Rei do universo, inaugura um modo de vida que não admite o gosto do poder, tal qual “as nações” o compreendem.
As três interpelações dos que zombavam de Jesus (vv. 35.37.39) lembram as interpelações do relato das tentações (cf. Lc. 4,1-13). Isto pode nos fazer compreender que a cruz do Senhor é o lugar da tentação suprema que ele vence: “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito” (23,46). No relato das tentações como na paixão, a tentação é a mesma: usar o poder em benefício próprio, usar da condição de Filho de Deus e de Messias para si mesmo. O silêncio do Senhor sobre a cruz ante as interpelações e zombarias é expressão de sua rejeição de todo poder mundano que o desviasse de realizar a vontade do Pai. A cruz é o lugar em que se exerce a realeza tipicamente jesuânica: o poder de salvar, de dar a vida. À súplica do malfeitor: “... lembra-te de mim, quando começares a reinar” (v. 42), Jesus responde: “... hoje estarás comigo no Paraíso” (v. 43; cf. Lc 4,21).
Carlos Alberto Contieri,sj

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A Palavra de Deus, neste último domingo do ano litúrgico, convida-nos a tomar consciência da realeza de Jesus. Deixa claro, no entanto, que essa realeza não pode ser entendida à maneira dos reis deste mundo: é uma realeza que se exerce no amor, no serviço, no perdão, no dom da vida.
A primeira leitura apresenta-nos o momento em que David se tornou rei de todo o Israel. Com ele, iniciou-se um tempo de felicidade, de abundância, de paz, que ficou na memória de todo o Povo de Deus. Nos séculos seguintes, o Povo sonhava com o regresso a essa era de felicidade e com a restauração do reino de David; e os profetas prometeram a chegada de um descendente de David que iria realizar esse sonho.
O Evangelho apresenta-nos a realização dessa promessa: Jesus é o Messias/Rei enviado por Deus, que veio tornar realidade o velho sonho do Povo de Deus e apresentar aos homens o “Reino”; no entanto, o “Reino” que Jesus propôs não é um Reino construído sobre a força, a violência, a imposição, mas sobre o amor, o perdão, o dom da vida.
A segunda leitura apresenta um hino que celebra a realeza e a soberania de Cristo sobre toda a criação; além disso, põe em relevo o seu papel fundamental como fonte de vida para o homem.
1º leitura – 2Sam. 5,1-3 - AMBIENTE
Por volta do ano 1007 a.C., o reino de Saul (que agrupava as tribos do norte e do centro) sofreu um rude golpe, com a morte do rei e de Jónatas (filho e natural sucessor de Saul) às mãos dos filisteus, numa batalha travada junto do monte Guilboá (cf. 1Sm. 31). Por esta altura, em contrapartida, David reinava (desde 1012 a.C.) sobre as tribos do sul (cf. 2 Sm 2,1-4).
Ishboshet, filho de Saul, foi escolhido para suceder a seu pai e ainda reinou dois anos sobre as tribos do norte e do centro (cf. 2Sm. 2,8-11); mas acabou por ter a oposição de Abner, chefe dos exércitos do norte, que ofereceu a David a autoridade sobre as tribos que formavam o reino de Saul (cf. 2Sm. 3,12-21). Abner foi, entretanto, assassinado por Joab, general de David (cf. 2Sm. 3,26-27); e, pouco depois, também Ishboshet foi, muito convenientemente, assassinado – embora o segundo livro de
Samuel se esforce por mostrar que David não teve nada a ver com esses assassínios (cf. 2Sm. 3,28-39; 4,1-12). Finalmente, os anciãos do norte – preocupados em encontrar uma liderança forte que lhes permitisse resistir aos inimigos tradicionais, os filisteus – pediram a David que aceitasse dirigir também os destinos das tribos do norte e do centro.
É diante deste quadro que a leitura de hoje nos coloca. David está em Hebron – a capital das tribos do sul – e é lá que recebe os enviados das tribos norte e do centro que lhe propõem a realeza. Estamos por volta do ano 1005 a.C..
MENSAGEM
Temos, portanto, os anciãos de Israel diante de David a propor-lhe a realeza sobre as tribos do norte e do centro. David aceita… É a primeira vez que se consegue a união das tribos do norte, do centro e do sul sob a autoridade de um único rei (as “doze tribos” que a tradição teológica designará como o “Povo de Deus”).
Os catequistas deuteronomistas, autores deste texto, preocupam-se, no entanto, em fazer uma leitura teológica da história. Assim, colocam na boca dos anciãos de Israel a seguinte frase: “O Senhor disse-te: tu apascentarás o meu Povo de Israel, tu serás rei de Israel” (v. 2). A realeza de David aparecerá, assim, como algo querido por Deus, decidido por Deus – uma espécie de extensão da realeza de Deus: doravante, o rei David será considerado o instrumento através do qual Deus apascenta o seu Povo.
David foi o rei mais importante da história do Povo de Deus. O seu reinado foi marcado – como acontece com todos os reinados “humanos” – por conflitos internos, guerras civis, injustiças, mortes… Mas, apesar de tudo, David manifestou-se como um homem com uma grande estatura política e moral. Em termos políticos, o reinado de David fez de Israel e de Judá um reino de razoáveis dimensões, que se sobrepôs aos seus inimigos tradicionais (os filisteus, os amonitas, os moabitas) e que ficou na memória do Povo de Deus como um tempo ideal de paz e de abundância. Em termos religiosos, foi o tempo em que Jahwéh era considerado, efetivamente, o Deus de Israel e de Judá e em que o rei potenciava o encontro de todo o Povo à volta do seu Deus, na fidelidade à aliança.
No futuro – sobretudo em épocas de crise, de frustração nacional, de instabilidade social, de infidelidade religiosa – o reinado de David vai constituir como que uma miragem ideal; e, nas alturas mais dramáticas da sua história, o Povo de Deus sonha com um descendente de David que venha restaurar o reino ideal de seu pai.
ATUALIZAÇÃO
¨ O que é que a história de David tem a ver com a festa de Jesus Cristo, Rei do Universo? Jesus Cristo, o Messias, Rei de Israel, descendente de David, é considerado no Novo Testamento a resposta de Jahwéh aos sonhos e expectativas do Povo de Deus. Ele veio para restaurar, ao jeito de Deus e na lógica de Deus, o reino de David. Jesus é, portanto, o Rei que, à imagem do que David fez com Israel, apascenta o novo Povo de Deus (veremos, mais à frente, como deve ser entendida a realeza de Jesus). Que significa, para mim, dizer que Jesus é Rei?
¨ O reinado de David é apresentado com um tempo ideal de unidade, de paz e de felicidade; no entanto, conheceu, também, tudo aquilo que costuma caracterizar os reinados humanos: tronos, riquezas, exércitos, batalhas, injustiças, intrigas de corte, lutas pelo poder, assassínios, corrupção. Falar do “Reino” de Jesus terá algo a ver com isto? Estes esquemas caberão, de alguma forma, na lógica de Deus?
2º leitura – Col. 1,12-20 - AMBIENTE
A comunidade cristã de Colossos (situada na Ásia Menor, a cerca de 200 quilômetros a Este de Éfeso) não foi fundada por Paulo, mas sim por Epafras, discípulo de Paulo e colossense de origem. Como é que Paulo aparece envolvido com esta comunidade?
Daquilo que podemos perceber da carta, Paulo estava na prisão (em Roma?) quando recebeu a visita do seu amigo Epafras. Epafras contou a Paulo que a Igreja de Colossos estava em crise, pois alguns “doutores” cristãos ensinavam que a adesão a Jesus devia ser completada por outras práticas religiosas, fundamentais para a salvação e para um conhecimento mais profundo do mistério de Deus. Assim, esses “doutores” exigiam dos crentes de Colossos o cumprimento de práticas ascéticas, de certos ritos legalistas, de algumas prescrições sobre os alimentos; exigiam, também, a observância de determinadas festas e a crença nos anjos e nos seus poderes. É possível que este quadro tivesse a ver com doutrinas orientais que começavam a circular nesta época e que iriam, mais tarde, desembocar no movimento “gnóstico”.
Contra esta confusão religiosa, Paulo afirma a absoluta suficiência de Cristo: a adesão a Cristo é o fundamental para quem quer ter acesso à proposta de salvação que Deus faz aos homens; tudo o resto é dispensável e não deve ser imposto aos cristãos.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto começa com um convite à ação de graças, porque Deus livrou os colossenses “do poder das trevas” e transferiu-os “para o Reino do seu filho muito amado” (vs. 12-14); em seguida, Paulo apresenta um hino no qual celebra a supremacia absoluta de Cristo na criação e na redenção (vs. 15-20): trata-se de um hino que Paulo, provavelmente, tomou da liturgia cristã, mas que aparece perfeitamente integrado no discurso e na mensagem desta carta. É nas duas estrofes deste hino que está a mensagem fundamental que nos interessa refletir.
A primeira estrofe do hino (vs. 15-17) afirma e celebra a soberania de Cristo sobre toda a criação; e fá-lo, recorrendo a três afirmações importantes.
A primeira diz que Cristo é a “imagem de Deus invisível”. Dizer que é “imagem” significa dizer que Ele é, em tudo, igual ao Pai, no ser e no agir, e que n’Ele reside a plenitude da divindade. Significa que Deus, espiritual e transcendente, revela-Se aos homens e faz-Se visível através da humanidade de Cristo.
A segunda afirma que Ele é “o primogênito de toda a criatura”. No contexto familiar judaico, o “primogênito” era o herdeiro principal, que tinha a primazia em dignidade e em autoridade sobre os seus irmãos. Aplicado a Cristo, significa que Ele tem a supremacia e a autoridade sobre toda a criação.
A terceira assegura que “n’Ele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas”. Tal significa que todas as coisas têm n’Ele o seu centro supremo de unidade, de coesão, de harmonia (“n’Ele”) que é Ele que comunica a vida do Pai (“por Ele”); e que Cristo é o termo e a finalidade de toda a criação (“para Ele”).
Ao mencionar expressamente que os “tronos, dominações, principados e potestades” estão incluídos na soberania de Cristo, Paulo desmonta as especulações dos “doutores” de Colossos acerca dos poderes angélicos, considerados em paralelo com o poder de Cristo.
A segunda estrofe (vs. 18-20) afirma e celebra a soberania e o poder de Cristo na redenção. Também aqui temos três afirmações fundamentais…
A primeira diz que Cristo é a “cabeça da Igreja, que é o seu corpo”. A expressão significa, em primeiro lugar, que Cristo tem a primazia e a soberania sobre a comunidade cristã; mas significa, também, que é Ele quem comunica a vida aos membros do corpo e que os une num conjunto vital e harmônico.
A segunda afirma que Cristo é o “princípio, o primogênito de entre os mortos”.
Significa, não só que Ele foi o primeiro a ressuscitar, mas também que Ele é a fonte de vida que vai provocar a nossa própria ressurreição.
A terceira assegura que em Cristo reside “toda a plenitude”. Significa que n’Ele e só n’Ele habita, efetiva e essencialmente, a divindade: tudo o que Deus nos quer comunicar, a fim de nos inserir na sua família, está em Cristo. Por isso, o autor do hino pode concluir que, por Cristo, foram reconciliadas com Deus todas as criaturas na terra e nos céus: por Cristo, a criação inteira, marcada pelo pecado, recebeu a oferta da salvação e pôde voltar a inserir-se na família de Deus.
ATUALIZAÇÃO
¨ A festa de Cristo Rei, que encerra o ano litúrgico, celebra, antes de mais, a soberania e o poder de Cristo sobre toda a criação. A leitura que acabamos de ver diz, a este propósito, que em Cristo, Deus revela-Se; que Ele tem a supremacia e autoridade sobre todos os seres criados; que Ele é o centro de todo o universo e que tudo tende e converge para Ele… Isto equivale a definir Cristo como o centro da vida e da história, a coordenada fundamental à volta da qual tudo se constrói.
Cristo tem, de fato, esta centralidade na vida dos homens e mulheres do nosso tempo, ou há outros deuses e referências que usurparam o seu lugar? Quais são esses outros “reis” que ocuparam o “trono” que pertence a Cristo? Esses “reis” trouxeram alguma “mais valia” à vida dos homens, ou apenas criaram escravidão e desumanização? O que podemos fazer para que a nossa sociedade reconheça em Cristo o seu “rei”?
¨ Em termos pessoais, Cristo é o centro, referência fundamental à volta da qual a minha vida se articula e se constrói? O que é que Ele significa para mim, não em termos de definição teórica, mas em termos existenciais?
¨ A Festa de Cristo Rei é, também, a festa da soberania de Cristo sobre a comunidade cristã. A Igreja é um corpo, do qual Cristo é a cabeça; é Cristo que reúne os vários membros numa comunidade de irmãos que vivem no amor; é Cristo que a todos alimenta e dá vida; é Cristo o termo dessa caminhada que os crentes fazem ao encontro da vida em plenitude. Esta centralidade de Cristo tem estado sempre presente na reflexão, na catequese e na vida da Igreja? É que muitas vezes falamos mais de autoridade e de obediência do que de Cristo; de castidade, de celibato e de leis canônicas, do que do Evangelho; de dinheiro, de
poder e de direitos da Igreja, do que do “Reino”… Cristo é – não em teoria, mas de fato – o centro de referência da Igreja no seu todo e de cada uma das nossas comunidades cristãs em particular? Não damos, às vezes, mais importância às leis feitas pelos homens do que a Cristo? Não há, tantas vezes, “santos”, “santinhos” e “santões” que assumem um valor exagerado na vivência de certos cristãos, e que ocultam ou fazem esquecer o essencial?
Evangelho – Lc. 23,35-43 - AMBIENTE
O Evangelho situa-nos “lugar do Crânio” (alusão provável à forma da rocha que dominava o lugar e que lembrava um crânio), diante de uma cruz. É o final da “caminhada” terrena de Jesus: estamos perante o último quadro de uma vida gasta ao serviço da construção do “Reino”. As bases do “Reino” já estão lançadas e Jesus é apresentado como “o Rei” que preside a esse “Reino” que ele veio propor aos homens. A cena apresenta-nos Jesus crucificado, dois “malfeitores” crucificados também, os chefes dos judeus que “zombavam de Jesus”, os soldados que troçavam dos condenados e o povo silencioso, perplexo e expectante. Por cima da cruz de Jesus, havia uma inscrição: “o basileus tôn Ioudaiôn outos” (“este é o rei dos judeus”).
MENSAGEM
O quadro que Lucas nos apresenta é, portanto, dominado pelo tema da realeza de Jesus. Como é que se define e apresenta essa realeza?
Presidindo à cena, dominando-a de alto a baixo, está a famosa inscrição que define Jesus como “rei dos judeus”. É uma indicação que, face à situação em que Jesus se encontra, parece irônica: Ele não está sentado num trono, mas pregado numa cruz; não aparece rodeado de súbditos fiéis que o incensam e adulam, mas dos chefes dos judeus que o insultam e dos soldados que O escarnecem; Ele não exerce autoridade de vida ou de morte sobre milhões de homens, mas está pregado numa cruz, indefeso, condenado a uma morte infamante… Não há aqui qualquer sinal que identifique Jesus com poder, com autoridade, com realeza terrena.
Contudo, a inscrição da cruz – irônica aos olhos dos homens – descreve com precisão a situação de Jesus, na perspectiva de Deus: Ele é o “rei” que preside, da cruz, a um “Reino” de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida. Neste quadro, explica-se a lógica desse “Reino de Deus” que Jesus veio propor aos homens.
O quadro é completado por uma cena bem significativa para entender o sentido da realeza de Jesus. Ao lado de Jesus estão dois “malfeitores”, crucificados como Ele.
Enquanto um o insulta (este representa aqueles que recusam a proposta do “Reino”), o outro pede: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres com a tua realeza”. A resposta de Jesus a este pedido é: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. Jesus é o Rei que apresenta aos homens uma proposta de salvação e que, da cruz, oferece a vida. O “estar hoje no paraíso” não expressa um dado cronológico, mas indica que a salvação definitiva (o “Reino”) começa a fazer-se realidade a partir da cruz. Na cruz manifesta-se plenamente a realeza de Jesus que é perdão, renovação do homem, vida plena; e essa realeza abarca todos os homens – mesmo os condenados – que acolhem a salvação.
Toda a vida de Jesus foi dominada pelo tema do “Reino”. Ele começou o seu ministério anunciando que “o Reino chegou” (cf. Mc. 1,15; Mt. 4,17). As suas palavras e os seus gestos sempre mostraram que Ele tinha consciência de ter sido enviado pelo Pai para anunciar o “Reino” e para trazer aos homens uma era nova de felicidade e de paz. Os discípulos depressa perceberam que Jesus era o “Messias” (cf. Mc. 8,29; Mt. 16,16; Lc. 9,20) – um título que o ligava às promessas proféticas e a esse reino ideal de David com que o Povo sonhava. Contudo, Jesus nunca assumiu com clareza o título de “Messias”, a fim de evitar equívocos: numa Palestina em ebulição, o título de “Messias” tinha algo de ambíguo, por estar ligado a perspectivas nacionalistas e a sonhos de luta política contra o ocupante romano. Jesus não quis deitar mais lenha para a fogueira da esperança messiânica, pois o seu messianismo não passava por um trono, nem por esquemas de autoridade, de poder, de violência. Jesus é o Messias/rei, sim; mas é rei na lógica de Deus – isto é, veio para presidir a um “Reino” cuja lei é o serviço, o amor, o dom da vida. A afirmação da sua dignidade real passa pelo sofrimento, pela morte, pela entrega de si próprio. O seu trono é a cruz, expressão máxima de uma vida feita amor e entrega. É neste sentido que o Evangelho de hoje nos convida a entender a realeza de Jesus.
ATUALIZAÇÃO
¨ Celebrar a festa de Cristo Rei do Universo não é celebrar um Deus forte, dominador que se impõe aos homens do alto da sua onipotência e que os assusta com gestos espetaculares; mas é celebrar um Deus que serve, que acolhe e que reina nos corações com a força desarmada do amor. A cruz – ponto de chegada de uma vida gasta a construir o “Reino de Deus” – é o trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar no coração dos homens através do amor e do dom da vida.
¨ À Igreja de Jesus ainda falta alguma coisa para interiorizar a lógica da realeza de Jesus. Depois dos exércitos para impor a cruz, das conversões forçadas e das fogueiras para combater as heresias, continuamos a manter estruturas que nos equiparam aos reinos deste mundo… A Igreja corpo de Cristo e seu sinal no mundo necessita que o seu Estado com território (ainda que simbólico) seja equiparado a outros Estados políticos? A Igreja, esposa de Cristo, necessita de servidores que se comportam como se fossem funcionários superiores do império?
A Igreja, serva de Cristo e dos homens, necessita de estruturas que funcionam, muitas vezes, apenas segundo a lógica do mercado e da política? Que sentido é que tudo isto faz?
¨ Em termos pessoais, a Festa de Cristo Rei convida-nos, também, a repensar a nossa existência e os nossos valores. Diante deste “rei” despojado de tudo e pregado numa cruz, não nos parecem completamente ridículas as nossas pretensões de honras, de glórias, de títulos, de aplausos, de reconhecimentos?
Diante deste “rei” que dá a vida por amor, não nos parecem completamente sem sentido as nossas manias de grandeza, as lutas para conseguirmos mais poder, as invejas mesquinhas, as rivalidades que nos magoam e separam dos irmãos?
Diante deste “rei” que se dá sem guardar nada para si, não nos sentimos convidados a fazer da vida um dom?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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 UM REINO DE PAZ, AMOR, cordialidade , humildade, FRATERNIDADE E ALEGRIA
1 - . Todas as contas da morte de Jesus impressionado. É, certamente, o momento mais terrível , que acabou não cristãos acostumados , embora eu tenha ouvido falar muito ou que considerem necessárias para a estrada para a redenção da humanidade . Mas também no ciclo C , que termina neste domingo , a opção litúrgica para o Evangelho de Lucas narra o Gólgota Cena durante a crucificação , com o diálogo entre os dois criminosos e Jesus. Ele também relata que este é um rei crucificado - é a pior maneira de executar durante o Império Romano - o que atesta de um Reino , próxima e imediata. E está tão perto que abrigava a canonização do " Bom Ladrão " para esse dia. E, bem, perdoar precisão , mas dizer que o Advento começou no domingo , parte do Ciclo -A . E isso será o evangelista Mateus nos acompanhar durante o ano litúrgico que vem .
Dois - . Apesar do nosso ponto permanente de choque e descrença na morte terrível na cruz de Jesus de Nazaré, desejo, no entanto, levar tão longe quanto possível, a idéia de que o rei formidável , com um andaime como um trono , triunfo por sido entregue a outros. Sua glória e poder vir , três dias depois , quando Deus, o Pai o ressuscitou dentre os mortos. Mas até então o seu reino estava tão longe do habitual estava acontecendo e acontecendo em nosso mundo , que estabeleceu , para sempre uma diferença essencial para nós e temos que aprender , mesmo que isso dá trabalho.
Jesus vai dizer Pôncio Pilatos que " o seu reino não é deste mundo" e que devemos tomar nota a partir de agora . Mas, dentro de seus limites , porque para nós não está sempre ligada à religião um efeito de poder. E isso é o que devemos evitar. E é isso que Jesus nos ensina . O Concílio Vaticano II para longe qualquer possibilidade sobre isso. A Igreja é mais pobre, é " mais crucificado " pela salvação dos pecadores, os pobres, os marginalizados. A Igreja renova muitas vezes por dia a conversa do Calvário. Abra o seu diálogo com os criminosos para salvá-los . É óbvio que, para salvar não querer e sentir. O " Bom Ladrão " expressa seu pesar e reconhece a inocência de Jesus . Depois disso, o povo escolhido ainda olhando para os "bons ladrões" para trazer o Reino .
Três - "Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação : . Porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou principados, sejam potestades : tudo foi criado por ele e para ele. " San Pablo neste parágrafo da Carta aos Colossenses (1, 12-20) o mais completo - a definição de Cristo - e teologicamente perfeito. É muito singular que Paulo tinha conhecimento sobre a natureza de Jesus Cristo. Indiscutivelmente, " e ele disse que tudo " e que o trabalho posterior da ciência teológica tem sido complementares. E assim status real do verdadeiro Salvador nestes atributos de status de Deus e do Homem. E é certamente o que estamos celebrando hoje. Nós entregamos um verdadeiro rei , mas um rei de paz e amor, um rei que busca a nossa felicidade , e nos pede para construir um Reino, Ele diz que está dentro de nós , da fraternidade e da harmonia. Mas, claro, nos custa . e muito
. 4 - A Solenidade de Cristo Rei do Universo, foi instituída pelo Papa Pio XI em 11 de dezembro de 1925. O Concílio Vaticano II colocou a celebração como o fim do tempo comum e , portanto, como o fim do ano litúrgico. Seu significado é que Cristo reinará no fim dos tempos e é um plano de redenção espiritual longe de qualquer interpretação de pseudo políticos ou religiosos . O Reino de Cristo é uma das grandes esperanças dos cristãos. Para alguns, levou a certas interpretações mais como os anseios dos antigos judeus , acreditamos que este reino é possível neste mundo . Outros, tomando força, posicioná-lo como um sonho realização simbólico ou abstrato impossível tubo. Mas Jesus afirma que o reino está próximo e também vive dentro de nós. Então, esse reino é um modo de vida , uma fórmula de amor e devoção para os outros, enquanto nós amamos a Deus acima de todas as coisas.
Maio - . San Ignacio de Loyola , em seus Exercícios Espirituais , no " episódio" do "Rei e Rei Eterno Temporário" é definido muito bem. Ela diz que, se formos capazes de apoiar plenamente um rei deste mundo que quer instituir o que todos nós queremos e manter uma identidade com os seus princípios , suas roupas , seus empregos, seus sofrimentos , etc . , Muito mais teria que apoiar um Rei Eterno procura a nossa salvação e nossa felicidade , o que é - sem dúvida - um dos maiores desejos. Temos muitas vezes citado esta passagem dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio , mas parece claro que se encaixa como uma luva para a festa hoje celebramos .
Junho - . Também é possível declarar Jesus Rei de nossas vidas. Seu exemplo - seguir seus ensinamentos - traz paz , felicidade, justiça e amor. E acima de tudo , nos mostra um reino humilde , manso, para puros de coração , pobre em corpo e espírito. Fora do poder , a violência , a exploração , o ódio . É difícil hoje em dia compreender os manipuladores e enganadores do ideal de Cristo. Além disso, os inquisidores ou opressores moralistas . Respeitar também aqueles baseados em uma liberdade mal desenhado desnaturação reivindicação cristianismo falso com tolerâncias que não são nada , mas pecados. Acreditamos, portanto , no reino de Cristo como um lugar cheio de amor, solidariedade , alegria, paz , bondade e esperança forte . O Reino chegou. O que acontece é que todo mundo deve saber . E essa é a tarefa que o próprio Cristo nos ordena . Para que não esqueçamos . E usamos este dia para crescer em nossos corações um reino de paz, amor, bondade, humildade, fraternidade e alegria.
Anjo Gomez Escorial - www.betania.es

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