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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

3º DOMINGO DO ADVENTO - Ano A

3º DOMINGO DO ADVENTO
Ano A


Comentários-Prof.Fernando


15 de Dezembro de 2013 
Evangelho - Mt 11,2-11
Os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam,
os leprosos são curados, os surdos ouvem,
os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.
Feliz aquele que não se perde a sua fé em mim!

ÉS TU AQUELE QUE HÁ DE VIR?-José Salviano


          João Batista quer ter mesmo certeza  porque o retrato forte  que ele havia traçado de Jesus poderia ser algo exagerado ou irreal. E por isso envia uma embaixada para questionar a Jesus: 'És tu, aquele que há de vir,
ou devemos esperar um outro?'
Coninua...


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"IDE CONTAR A JOÃO O QUE ESTAIS OUVINDO E VENDO..." - Olívia Coutinho

III DOMINGO DO ADVENTO

Dia 15 de Dezembro de 2013

Evangelho de Mt 11,2-11


Neste tempo de alegria, o nosso coração se abre para acolher Jesus que já está no meio de nós, mas que muitas vezes  nos distanciamos D‘ele, ao fechar o nosso coração para  o irmão que busca em nós a sua presença!
O advento é um tempo de gratidão, de reafirmarmos o nosso desejo de estar sempre com Jesus!
 Ao nos preparar para o Santo Natal, estamos também nos preparando para a segunda vinda de Jesus, que pode acontecer num momento inesperado.  Por tanto, precisamos estar sempre vigilantes, vivendo o Natal a cada dia de nossas vidas!
Quem faz da sua vida um eterno Natal, está sempre preparado para o encontro definitivo com o Pai! Encontro, que só será possível, se passarmos  pelo caminho do Filho!
Em meio a este mundo tão conturbado, onde impera o egoísmo, a injustiça, Deus vem realimentar a esperança de milhões de empobrecidos, pessoas que mesmo às margens da sociedade, se  abrem  para acolher  a oferta do amor e da alegria trazida por Aquele  que vem nos  libertar!
Todas as promessas anunciadas pelos profetas do antigo testamente, se realizam nas ações libertadores  de Jesus.
O evangelho de hoje nos fala  da forte figura de João Batista, que continua nos falando ao coração! João Batista  é, depois de Maria, a figura de maior relevo no tempo do advento. Ele  surge como protagonista da história, pois  é a partir dele que Jesus se manifesta à humanidade.   
A narrativa  vem nos mostrar o antigo testamento dando lugar ao novo! João Batista representa o antigo testamento, àquele que aponta o novo, que nos apresenta Jesus, O Filho de Deus que se fez homem nascendo de uma mulher!
A  prisão de João Batista não o impediu de anunciar a vinda do Messias, afinal, ninguém consegue calar a voz de um  profeta, nem mesmo a morte!
A narrativa nos diz, que  João  Batista  ao ouvir falar das obras realizadas por Jesus, enviou alguns de seus discípulos até Jesus, para perguntá-Lo se Ele era àquele que eles esperavam! Certamente, João Batista já  sabia que Jesus era o Messias, mas ele queria que  seus discípulos descobrissem esta verdade por si mesmo num encontro pessoal com Ele!  
Isso também um dia aconteceu conosco: alguém nos falou de Jesus, mas só O reconhecemos como sendo Ele, O Filho de Deus, quando  fizemos uma experiência pessoal  com Ele, como fizeram os  discípulos de João.
Na nossa vivencia de comunidade devemos  anunciar como João: “o Senhor vem para inaugurar um  novo tempo!”
Imitemos o grande profeta João Batista, sendo a voz que grita no deserto contra tudo que mantém os caminhos tortuosos como “expressão de valores”.
O nosso caminho é um caminho traçado por Deus: Caminho de fé, de esperança, de alegria e de justiça. É trilhando este caminho, que encontraremos a felicidade plena!
Que a alegria da espera, possa nos dar a força que nos levará a vencer todos  os intempéries da vida! 
Neste tempo  luminoso,  tomemos consciência da importância de estarmos, sempre vigilantes,  num processo contínuo de conversão, para que assim, possamos transformar, não somente o nosso  coração, mas  o coração de muitos, num berço aconchegante para acolher Jesus!

DESEJO A VOCÊ UM FELIZ E SANTO NATAL!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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Evangelhos Dominicais Comentados

15/dezembro/2013 – 3o Domingo do Advento

Evangelho: (Mt 11, 2-11)


Neste evangelho nos encontramos com João Batista preso por ordem de Herodes Antipas, filho daquele Herodes que mandou matar as crianças de Belém. Herodes Antipas mandou prender João porque ele o acusava publicamente de haver tomado a mulher de seu irmão Filipe e se casado com ela de forma irregular.

No entanto, mesmo preso, João continua cumprindo a sua missão de precursor. Para João não existem barreiras. Não se cala, não perde nenhuma oportunidade de proclamar a Boa Nova e envia alguns de seus discípulos até Jesus, para perguntar se Ele era mesmo o tão esperado Messias.

Observe que João gritava no deserto a vinda do Messias. João testemunhava que Jesus era o Messias prometido por Deus e, de repente, manda seus discípulos fazer essa pergunta a Jesus. Será que João duvidava disso?

Aparentemente, até João duvidou. Ele que recentemente havia apresentado Jesus como o Cordeiro de Deus, que disse ser indigno de desatar-lhe a sandália e que reconheceu em Jesus o Filho de Deus, agora vacila em sua fé e manda perguntar se deveria esperar outro Messias?

Nós também temos nossas dúvidas. São Tomé duvidou, Santo Agostinho e outros grandes santos duvidaram. Aliás, a dúvida não é nociva e pode ser salutar. Se bem administrada, a dúvida ajuda-nos a crescer na fé, pois nos leva a meditar e pesquisar. Por isso, não é de se estranhar que o Batista também tenha duvidado.

O Messias que João pregava e que a humanidade ansiosamente aguardava, deveria ser um juiz severo que viria para eliminar os opressores, limpar o terreiro, recolher o trigo no celeiro e queimar a palha.

No entanto, ao contrário do que se esperava, ao invés de cortar as árvores inúteis e jogá-las no fogo, Jesus mostra-se piedoso, manso, sem armas e sem um exército atrás de si. Jesus chega até mesmo a decepcioná-los, pois além de não condenar os pecadores, amigavelmente aproxima-se e come com eles.

Jesus não destrói nada e procura consertar o que está quebrado. Não queima os pecadores, muda os corações e traz esperança de salvação para todos. Reacende a luz que está se apagando e tira das trevas aqueles que, como os leprosos, são segregados e marginalizados.

É difícil aceitar um Messias assim. Jesus nada tem a ver com o homem enérgico e severo que todos esperavam. O procedimento de Jesus escandaliza João e, ainda hoje, também nos escandaliza. Quantas vezes que, através das nossas preces, pedimos para Deus intervir e castigar aqueles a quem chamamos de maus.

Felizmente o Messias, o Verdadeiro Deus é bem diferente daquilo que se esperava. Sem restrições Ele faz surgir o sol e envia a chuva sobre os justos e injustos, não porque aprove as injustiças ou por méritos dos justos, mas sim por sua infinita misericórdia.

O amor de Deus por seus filhos está caracterizado na resposta de Jesus aos discípulos de João: “Digam a ele que os cegos recuperam a vista, que os surdos ouvem, os mudos falam, os aleijados andam, os mortos são ressuscitados e os pobres estão sendo evangelizados!”

Se ainda tínhamos dúvidas, estas Palavras devem servir para eliminá-las, pois todas são sinais de salvação, nenhuma de condenação.

(1588)



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Este terceiro domingo do Advento tem um tema predominante: a alegria provocada pela vinda do Senhor. Por isso, a cor rosa, que pode ser usada como um roxo atenuado. Alegrai-vos (Gaudete!) – convida-nos a liturgia, inspirando-se nas palavras do Apóstolo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl. 4,4s).
Mas, pensando bem: há motivos para alegria verdadeira, profunda, responsável? Ante as lutas e fardos da vida, podemos realmente alegrar-nos? Antes as feridas e machucaduras do nosso coração, é possível uma alegria duradoura e verdadeira? Ante as desacertos e desvios do mundo, é realmente possível este gáudio a que nos convida a Igreja, com as palavras de São Paulo? E, no entanto, o convite é insistente: Alegrai-vos!
Contudo, antes do convite à alegria, ao júbilo, à exultação, permiti-me um outro convite: pensemos na vida de frente, como ela é, para cada um de nós e para os outros. Faço este convite porque somente assim nossa alegria poderá ser realista e verdadeira. Não esqueçamos que há também uma alegria boba, tola, tonta, irresponsável, que brota da superficialidade ou da ilusão... Não é dessa que falamos aqui...
Pois bem! A nossa vida – a minha, a sua! - gostaríamos que ela fosse como quiséramos, gostaríamos de controlá-la, de garantir que tudo saísse bem para nós e para os nossos, para os nossos e para todos... E, no entanto, constatamos com pesar que não temos em nossas mãos a nossa existência. Que duras as palavras de Jeremias profeta: “Eu sei, Senhor, que não pertence ao homem o seu caminho, que não é dado ao homem, que caminha, dirigir os seus passos” (10,23). O mundo não é como gostaríamos, os nossos caros não são e não vivem como esperávamos e nós mesmos tampouco vivemos a vida que sonhamos... Nosso mundo anda estressado, as pessoas sentem-se sozinhas, meio como que perdidas, ante uma crise generalizada de valores e de sentido... Que caminho seguir? Que rumo tomar? Que valores são valores realmente ou, ao invés, mera ilusão? Conservamos ou destruímos o sentido sagrado do matrimônio e da família? O Governo Lula começa a dar os primeiros passos para legalizar o assassinato de crianças no útero materno – vamos concordar? Vamos ainda votar nos deputados e senadores de Alagoas que votarem a favor desse crime pagão? Vamos reeleger esse presidente, caso ele aprove esse crime hediondo? Castidade, honestidade, respeito pela vida, moralidade, são ainda valores? A vida é, deveras, estressante... E o Senhor nos exorta: Alegrai-vos! E neste Domingo de Advento, a Igreja insiste: Alegrai-vos! Alegrai-vos no Senhor! O cristão não tem direito ao desânimo, ao desespero, ao derrotismo... Alegrai-vos! E alegrai-vos sempre! Mas, alegrai-vos no Senhor! E por quê? Porque ele está perto! Não nos deixa nunca: ele vem sempre como Emanuel - Deus conosco!
Pensemos nas palavras tão consoladoras das leituras deste hoje! São para a terra deserta do coração do mundo e para o nosso: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e cresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores! Seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus!” Que cristão, que homem ou mulher de boa vontade não lamentam a situação atual da humanidade? Quem não sente na vida a tentação de fraquejar, e a mordida do desencanto? Quem, às vezes, não pergunta onde Deus está, que parece tão distante e ausente? Escutai: “Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é o vosso Deus: ele vem para vos salvar!’” É esta a esperança do santo Advento: a esperança num Deus que não nos esquece, não nos desilude, não nos deixa sozinhos... um Deus que vem ao nosso encontro no Santo Messias esperado! O profeta Isaías promete: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos”. E o que o profeta promete, o Senhor Jesus vem realizar: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobre são evangelizados!" Eis aqui o motivo da nossa alegria: a certeza da fé em Jesus Cristo: ele é a presença pessoal de Deus entre nós, ele é aquele que cura nossas feridas, sustenta-nos na fraqueza, enche de doce presença o nosso coração solitário! Confiemos ao Senhor o mundo, a nossa vida, os nossos problemas, as coisas que nos preocupam. Lutemos e confiemos; lutemos e enchamos o coração de esperança no Senhor! A salvação que ele trouxe haverá de se manifestar um dia: “A Vinda do Senhor esta próxima” – diz-nos São Tiago!
As grandes tentações para o cristão de hoje são a falta de entusiasmo e de esperança, um cansaço ante a paganização do mundo e a teimosia humana... A consequência, é a falta de uma alegria verdadeira. Procuram-se cristãos alegres, cristãos convictos, cristãos radicais! Precisam-se urgentemente de cristãos apaixonados, cristãos de verdade, cristãos que creiam no que acreditam! Afinal, somente há alegria duradoura e profunda somente quando se encontra o sentido da existência, e este sentido nos é oferecido pelo Cristo; unicamente em Cristo! Esperemos nele: na sua palavra, no seu juízo, na sua graça! Ele não nos esqueceu, ele não está ausente do mundo e da nossa vida! Recordemos a forte exortação de São Tiago: “Ficai firmes até à Vinda do Senhor! Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a Vinda do Senhor está próxima! Irmãos, tomai como modelo de sofrimento e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!”
O Advento não somente nos prepara para a celebração da primeira vinda do Senhor no Natal, mas nos convida a reconhecer suas vindas na nossa vida e a esperar com ânsia e compromisso sua Vinda final! Caminhemos, caríssimos, na alegria de quem espera com certeza: “Alegrai-vos sempre no Senhor! O Senhor está perto!”
dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com

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Quando dirigimos pelas estradas ou pelas ruas das cidades, encontramos muitos sinais de trânsito. Seria extremamente ridículo a pessoa parar o carro em frente a um sinal verde para admirar aquela cor. O resultado seria uma batida. E se a pessoa parasse para examinar se a placa é de latão ou de madeira, se os símbolos ou as letras estão bem ou mal desenhados? O sinal não é para ser admirado ou discutido, mas para ser entendido e seguido.
Fazemos isso frequentemente com as narrativas de milagres nos evangelhos. Chegamos a pensar que talvez Jesus tenha feito curas e mandado seus discípulos fazer curas como demonstrações de poder em favor dos que nele cressem. Estamos cansados de ver “igrejas” que curam a torto e a direito, não se sabe por quais interesses.
Depois do episódio dos pães no capítulo 6 do Evangelho de João, muitas pessoas vão à procura de Jesus. Ele as acolhe, dizendo: “Vocês me procuram não porque viram sinais, mas porque comeram e ficaram satisfeitos”. O que interessa não é a placa, mas o que ela indica; não é o milagre ou seu resultado, mas o que aquilo significa dentro da mensagem de Jesus.
No evangelho de hoje, reaparece a figura do Batista. Ele manda seus discípulos perguntar a Jesus se este é o Messias esperado e recebe de Jesus os maiores elogios.
A resposta de Jesus é indireta: fala dos sinais que estão acontecendo. Abrir os olhos aos cegos, soltar a língua dos mudos, abrir os ouvidos dos surdos, soltar os braços e as pernas dos entrevados, enfim, dar nova vida aos mortos é o núcleo da missão do Messias.
Nós não esperamos um simples curandeiro; esperamos o Messias, que dá nova vida à multidão cega, muda, surda, inválida, morta.
1ª leitura (Is. 35,1-6a.10)
O povo estava no cativeiro. Os inimigos tinham vazado os olhos de alguns, outros estavam mutilados, todos desiludidos e desanimados. O profeta canta de maneira espetacular a esperança de saída do cativeiro e retorno para a própria terra. Será para nós símbolo de uma esperança maior.
O caminho da volta é o deserto, tal como o caminho da escravidão do Egito até a Terra Prometida. É um novo êxodo. O caminho é o deserto, mas a certeza da esperança faz do deserto um jardim.
A esperança é a força para a caminhada: nada de braços cansados ou joelhos cambaleantes, nada de medo, coragem! É Deus que vem para salvar! Se o caminho da liberdade e da vida é difícil, é um deserto, a certeza de que a salvação vem de Deus dá força e coragem e transforma o deserto em jardim.
Aí já não haverá cego, surdo, mudo ou pessoas com deficiência física. Estas não apenas vão andar por si: vão pular como cabritos; os mudos vão soltar a voz e cantar um hino. Acabou a cegueira, a mudez, a surdez, a invalidez a que eram submetidos no cativeiro; a libertação que chega faz a todos videntes, ouvintes, falantes, caminhantes, até saltitantes e agentes. Deixam de ser objetos, tornam-se sujeitos, senhores de si. Vivam!
2ª leitura (Tg. 5,7-10)
Depois de fazer fortes ameaças aos ricos (vv. 1-6), o escrito de Tiago parece se dirigir aos pobres. Para a gente sofrida e cansada, ele fala de esperança, paciência e resistência, confiantes na vinda do Senhor, juiz justo.
A comparação com o agricultor é clara. A certeza do agricultor de que a semente lançada na terra vai produzir frutos é que lhe dá segurança de esperar até o dia da colheita. A natureza não dá saltos, já dizia o antigo ditado, e o agricultor sabe bem disso: por isso, espera tranquilo e seguro.
A expectativa próxima da vinda do Senhor, justo juiz, significa a certeza da vitória da justiça, por mais que demore e por mais que a injustiça pareça prevalecer. Isso leva ao comportamento mais moderado e maduro de quem não se queixa dos outros, atribuindo-lhes os próprios males, mas aguarda seguro o verdadeiro juiz, que está às portas.
Evangelho (Mt. 11,2-11)
João Batista tinha dito, no texto lido domingo passado, que depois dele viria um mais forte que ele, pronto para cortar e queimar as árvores que não estivessem produzindo e para abanar o cereal, guardar os grãos no celeiro e pôr a palha para queimar. Seria o juiz definitivo e implacável.
O que João ouviu falar de Jesus, entretanto, parece não corresponder exatamente a essa ideia de juiz rigoroso. Donde o sentido da pergunta que ele manda fazer a Jesus: é você mesmo ou virá outro para o julgamento definitivo?
João ouviu falar das curas, sem dúvida, e da compaixão de Jesus pelas pessoas, também pelos pecadores. A resposta de Jesus aponta para esses sinais. Ele primeiro veio salvar, libertar. As curas são sinais da solidariedade com os sofredores e do mais importante de sua missão: abrir os olhos a todos os cegos, mesmo aos que tenham olhos perfeitos; abrir os ouvidos a todos os surdos, mesmo aos que tenham ouvidos perfeitos; fazer andar e agir os inválidos, mesmo os que têm mãos, pés e pernas perfeitos; purificar todos os leprosos, tirar da exclusão social todos os “sujos” postos à margem; enfim, dar vida a todos os que vivem mortos.
Tudo isso se resume numa palavra: anun-ciar a boa-nova aos pobres. Alguém per-gun-tou certa vez por que se fala tanto em evangelizar os pobres, já que eles geralmente estão mais perto da fé do que os ricos. É que “evangelizar” significa levar boa notícia. E que melhor boa notícia há do que fazer os oprimidos ver, ouvir e agir, algo proibido na sua atual situação?
Muitos não gostam disso, de dizer que a missão de Jesus é levar boa notícia aos pobres, levar esperança e força aos que são o refugo da sociedade, abrir os olhos, os ouvidos, a boca aos que são proibidos de fazê-lo. Muitos se escandalizam com a afirmação de que Jesus veio para libertar os oprimidos. Mas Jesus termina: “Felizes os que não se escandalizam comigo!”
Depois que os discípulos de João se afastam, Jesus se dirige ao povo para falar de João. Pergunta inicialmente o que foram ver no deserto e responde: não foram ver um bambu agitado pelo vento, de um lado para o outro, nem alguém vestido com roupas finas. No deserto estava um profeta, mais do que um profeta, aquele que abre os caminhos.
“No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele.” Reino dos céus é o mesmo que reino de Deus, conforme está no texto paralelo de Lucas. Esse reino de Deus aqui se entende como a comunidade cristã. Assim, qualquer membro da Igreja do Novo Testamento é maior do que João Batista.
O reino sofre violência, diz o versículo 12, que segue o trecho do evangelho lido hoje e faz parte da mesma perícope. A afirmação soa um tanto misteriosa. Significa que a comunidade dos discípulos de Jesus é perseguida, vítima de violência? Parece, no entanto, que se trata da violência exigida de quem quer conquistar ou arrebatar2 o reino. É a práxis contra a entranhada mentalidade deste mundo e dos que o dominam. Não significa exercer essa mesma forma de violência, mas vencê-la com firmeza por meio do amor.
DICAS PARA REFLEXÃO
Será que estamos prontos para conquistar, raptar, como diz o texto evangélico, o reino de Deus?
A ação de evangelizar os pobres constitui o principal sinal de que Jesus é o Messias esperado pela humanidade. Evangelizar não é impor a alguém um conjunto de doutrinas ou submetê-lo a um enorme código de leis e regulamentos. Evangelizar é levar boa notícia, levar esperança e ânimo a quem precisa, aos pobres, aos sofredores, às vítimas deste mundo.
A um morador de rua, você não vai dizer que ele deve ir à missa todo domingo; você vai dizer que Jesus também era “trecheiro”, não tinha nem uma pedra onde encostar a cabeça.
A boa notícia para os oprimidos pode ser má notícia para os opressores, mas é a mensagem de Jesus. Quando ficamos com medo de magoar os opressores, não nos estamos escandalizando com Jesus?
É preciso saber combinar a idéia do juiz implacável, que separa o que presta – o grão – do que não presta – a palha, que vai para o fogo –, com a idéia daquele que vem curar a todos, abrir os olhos aos cegos, os ouvidos aos surdos e purificar os “sujos”, enfim, trazer boas notícias para os pobres.
Abrir os olhos aos cegos, os ouvidos aos surdos, a boca aos mudos, fazer os inválidos ficar de pé, com o entendimento disso como milagres ou manifestações de poder, em pouco ou nada modifica o nosso comportamento e a caminhada da humanidade. Quando essas coisas são sinais do objetivo de fazer todos se tornarem sujeitos, senhores da própria vida, já incomodam bem mais.
O reino sofre violência. Não é fácil a busca do reinado de Deus. O mais difícil talvez seja desembaraçar-se do reinado do dinheiro e de tudo o que ele oferece. “Só os violentos o arrebatam”, só os fortes raptam esse reinado.
Trata-se da força usada por João, o precursor, que preparou a vinda daquele que haveria de começar o reinado de Deus no mundo. Ele não era um ramo agitado por qualquer vento, nem vestia roupas chiques: era um profeta, já pela própria austeridade e firmeza, e mais do que um profeta, pois preparava os caminhos do Senhor.
Mais violento ainda foi Jesus, ao entregar-se livremente à morte de cruz a fim de rasgar os caminhos para uma humanidade nova. Essa sua violência e o mundo novo celebramos na eucaristia.
Advento não é preparação para comemorar o Natal. Advento é celebrar a chegada do Senhor e reunir forças para arrebatar o reinado de Deus.
padre José Luiz Gonzaga do Prado - www.paulus.com.br

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“Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos!
O Senhor está perto!” (cf. Fl. 4,4s).
Celebramos o terceiro domingo do advento que é conhecido na história da Igreja em conformidade com a antífona de entrada de hoje: o domingo chamado GAUDETE, ou seja, o domingo alegre, ou ainda, o domingo das alegrias. Este é o espírito que deve permear toda a liturgia hodierna: a alegria. A primeira leitura(cf. Is. 35,1-6a.10), mais uma “utopia” de Isaías que tem seu correspondente no Evangelho – que fala dos cegos e dos coxos curados: a obra do Messias; e o Salmo Responsorial, cantando a bondade de Deus que abre os olhos aos cegos.
O júbilo da natureza, a cura dos enfermos, a volta dos exilados é o que nos anuncia Isaías, pelo sonho da salvação. A vinda salvadora de Deus transforma o deserto em paraíso, cura os enfermos, vence a maldição do pecado de Adão. Liberdade, alegria, felicidade: a gente, hoje em dia, gostaria de vê-las antes de acreditar que existem. Mas Deus dá um novo modo de ver, ouvir e falar. Recebemos novas capacidades para acatar a verdade e a realidade de Deus. E isto é o essencial, em nossa vida.
A alegria, também, permeia a segunda leitura (cf. Tg 5,7-10), dentro de um contexto bem diferente: recordando a espera da primeira vinda de Jesus, preparamo-nos para a segunda vinda de Cristo. São Tiago nos ensina a manter nossa fé preservada até a segunda vinda, com a paciência do lavrador que aguarda a chuva. Grande constância a que somos chamados: temos diante dos olhos a inefável proximidade do Senhor que é a nossa única alegria. Todos nós somos convidados a aguardar sem desistência a vinda do senhor. Depois da pregação escatológica aos ricos (Tg 5,1-6), São Tiago dirige-se aos seus irmãos, os pobres: eles devem viver em firmeza permanente até que venha o Senhor. A fé do pobre é esperança; o rico não pode esperar, porque o medo o oprime. A proximidade da vinda do Senhor provoca uma segunda admoestação: diante do juízo próximo, mútua acusação e rixa são proscritas. Tiago ilustra suas admoestações com exemplos: o agricultor, que firmemente aguarda a colheita; 2) os profetas, que não se cansam em falar a palavra de Deus e 3) a paciência de Jó.
Isaias nos ensinou as coisas bonitas que virão com a chegada do Messias: fecundidade, alegria, flores, presença de Deus, coragem, esperança, salvação, libertação e recompensa. Tiago, por seu turno, na segunda leitura, ressalta que devemos ter uma grande paciência na espera da vinda gloriosa de Cristo Jesus, como justo Juiz. Nós somos cristãos, por isso urge estarmos sempre preparados, pois não sabemos nem o dia e nem a hora. É sempre necessário estarmos vigilantes desde a aurora, ansiosos pelo Senhor que vem nos julgar.
Agora entre as coisas bonitas e a vigilância paciente da vinda do Cristo temos que contemplar o que pede o Evangelho: fazer acontecer o Reino de Deus entre nós. Esta é a nossa missão, que deve ser uma missão de alegria.
O Evangelho (cf. Mt. 11,2-11) nos ensina que Jesus é mesmo a quem devemos esperar. Jesus cura os enfermos, traz boa-nova para os pobres. Os judeus se defrontam com a pergunta se Jesus é “o que deve vir”, o Messias, em quem a lei e os profetas chegam à plenitude. João Batista depois de O ter anunciado como juiz escatológico, coloca-O, agora, como representante do Antigo Testamento, com a pergunta decisiva: “És tu?”.
João Batista, o precursor, e Maria, a Virgem, são os dois protagonistas da chegada do Salvador. Jesus encarnando-Se no Seio Virginal da Mãe concretiza na humanidade o Reino de Deus. Em vez de olhar para o Menino que vai nascer, a Madre Igreja olha para as razões de seu nascimento. Elogiando João Batista, Jesus elogia a todos quantos perceberam os sinais da chegada do Salvador, a todos que crerem na boa-nova que Ele traz, levarem a sério os seus ensinamentos e facilitarem os seus caminhos. Quem assim fizer participará do Reino dos Céus, como João Batista.
Temos que ter presente o Reino de Deus pela sensibilidade dos olhos, dos ouvidos, da pele, dos ossos, da própria vida e do estado de pobreza do homem. O Reino de Deus acontece aqui e agora, no meio dos homens e das mulheres, no nosso meio, inserido dentro da história humana. O Reino de Deus tem que transformar o mundo e fecundá-lo para o viés da eternidade.
O NATAL não é somente um acontecimento espiritual. É um evento humano e histórico. Cristo nasceu para salvar o homem: seu espírito e sua carne. O Reino de Deus é para a criatura humana na plenitude de seu ser, do seu viver. Por isso temos que nos preocupar com todos os aspectos do homem da mulher, especialmente dos aspectos humanos que nos interpelam. Assim, todo aquele que melhorar a sorte do homem na terra está construindo o Reino de Deus aqui, está ajudando a acontecer o Natal de Jesus e o natal dos homens.
A Igreja, ao velar pela dignidade da pessoa humana em todos os seus aspectos, alcança a criatura humana na sua origem, envolve-a durante toda a sua peregrinação terrestre e a introduz na eternidade.
A exaltação de João Batista é a confirmação da missão de Jesus e da razão de sua presença na terra; enunciação dos sinais do Reino, previstos pelos profetas e mostrados por Jesus de Nazaré, a não deixar dúvidas em ninguém; descrição do caminho a ser percorrido pelo verdadeiro discípulo, construtor, com Jesus, do Reino de Deus.
Por isso somos, cristãos, povo de espera. Vamos pedir com fé que o Natal seja um dia de alegria, semelhante à alegria de João Batista quando reconheceu em Jesus o Messias. Perdoado o pecado, o Natal como toda eucaristia, apresenta-se como festa escatológica, antecipação do Natal eterno: Emanuel, Deus conosco para sempre.
Que o cristão saiba aguardar o Senhor como o lavrador espera amadurecer os frutos da terra. Todos, assim, somos chamados a ser este mensageiro. O Senhor está chegando. É preciso que vigilantes preparemos a sua chegada.
padre Wagner Augusto Portugal - www.catequisar.com.br
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Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim
Depois de termos ouvido no domingo passado o testemunho de João Batista, agora é a vez de escutar o testemunho que Jesus dá dele. João tinha falado que Jesus era o Messias: o Cristo que vem com a santidade de Deus e sua missão de purificar e renovar os corações das pessoas.
O Messias se revela publicamente e a sua luz Divina evidencia as sombras da culpa nas consciências; e, assim, João se esforça para convencer a maior quantidade de pessoas possível para que tirem os obstáculos morais para acolher sem impedimentos o Salvador. Rapidamente a pregação de João se torna um acontecimento clamoroso; tanto que iam até ele fiéis judeus de todas as partes, e é aqui que o profeta se desencontra com o rei Herodes.
O prestígio de João vinha de sua franqueza. Na sua pregação ele não temia alargar o convite à conversão também ao soberano por causa de sua situação familiar irregular (vivia em adultério com a mulher de seu irmão Filipe). Aquilo que valia para a vida particular de cada um, também devia valer para quem era revestido de um cargo público. No entanto, o rei Herodes temendo que as palavras de João pudessem dar início a uma revolta popular, mandou jogá-lo na prisão. E, finalmente, como diz o Evangelho em outra passagem que Herodes ouvia com prazer as palavras de João, mesmo assim a força autoritária vence e João, prisioneiro na fortaleza de Macheronte, na Transjordânia (segundo Flávio Josefo) paga com a própria vida a fidelidade à sua missão.
Alguns discípulos, graças ao constante contato com o seu mestre João, continuam a visitá-lo e tê-lo como seu guia espiritual. João já tinha mostrado abertamente que Jesus era o Salvador enviado por Deus. Mas, se como nem todos estavam convencidos da sua indicação, da cela da prisão, João Batista manda alguns dos mais fiéis discípulos para interrogar Jesus a respeito da sua pessoa: “és tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?”
Estes se dirigem a Jesus não porque João tivesse dúvidas, mas justamente porque João reconhecia o seu nada diante de Jesus, e portanto, aquele que só queria diminuir, pede que os discípulos comprovem pela boca do próprio Jesus que este é o único que pode falar com plena autoridade.
Pois é, o João que encontramos hoje é bem diferente daquele do domingo passado: está impedido na sua liberdade de expressão e segregado num presídio de segurança máxima, mas mesmo assim, nem Herodes é capaz de cancelar a sua força testemunhadora. Os seus discípulos, de fato, permanecem fiéis e são por ele educados a aceitar o novo e definitivo mensageiro de Deus: Jesus de Nazaré.
João, enquanto profeta, fala em nome do Senhor, e, se torna assim o verdadeiro modelo de suportação e constância, a que se refere Tiago na segunda leitura. Neste tempo de Advento, convém sempre repetir que a Palavra de Deus não pode ficar muda. Como afirma Bento XVI na exortação Verbum Domini 7: “o cristianismo é a religião da Palavra de Deus, não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo”. João já passou o testemunho a Jesus e este levará adiante a sua missão publicamente até ser completada.
A fé da Igreja desde o seu início é pública, não é privada nem secreta. Para provar a sua qualidade de Messias, Jesus não encontra nada melhor do que indicar aos discípulos do primo João os fatos: a salvação que Jesus traz se manifesta também através de curas físicas, sinal da onipotência de Deus do qual ele é pleno. Não se pode encontrar motivo de obstáculo nele porque tudo que diz respeito a ele se manifesta. Só a sua simplicidade pode ser motivo de escândalo para quem é sempre propenso à vanglória: “Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim”.
Reconhecendo a sua pequenez, Jesus diz que João é grande: este tinha feito da radicalidade evangélica a sua marca de reconhecimento. Não havia lugar na sua pessoa e na sua conduta de vida para o supérfluo nem tanto menos para o luxo. Todos podiam dar-se conta imediatamente da seriedade de sua pessoa e da solidez dos seus argumentos. Aquilo que João recomendava a todos eram a sobriedade e a penitência que ele há muito tempo praticava. Os poderosos de então, mas também de todos os tempos, costumam enfatizar a sua autoridade com sinais externos que lhe qualifiquem. João não tinha necessidade de nada disso. Sua mensagem, sua vida, valia muito mais do que tudo isso, era autêntico.
Ele não tinha nada a esconder. Nem mesmo tentava procurar um fácil consenso da parte do seu público, daqueles rumores que hoje chamamos opinião pública. João era credível porque se apelava a um princípio superior e por isso era procurado e estimado. Investido de uma missão grande como a dele, antes de Jesus, não houve nenhum maior como João, concluiu o próprio Jesus. Mas, agora que o Messias se apresentou e o Reino de Deus foi inaugurado o importante é deixar toda incerteza de fora.
Este reino continua a viver na Tradição pública da Igreja, que se expressa sobretudo na Liturgia. Aquilo que a Igreja celebra é aquilo que ela acredita: não há dissociação entre as duas coisas e todos podem fazer uma idéia, seja da sua doutrina que dos seus ritos.
Não há cursos ou níveis a superar para se tornar um cristão, nos quais sejam reveladas verdades escondidas. Ou se é cristão ou não se é: porque a salvação para os cristãos não depende do saber alguma verdade escondida para a maior parte das pessoas, mas a salvação depende do acolher ou não a pessoa de Jesus. O Senhor Jesus é “aquele que veio e não devemos esperar por um outro”.
São Tiago na segunda leitura propõe o exemplo do agricultor que é cheio de perseverança e de bom senso. Também para a fé cristã serve o bom senso de quem olha os fatos e não se deixa encantar pelas palavras. Para crédito da fé da Igreja falam os fatos, dos seus frutos se pode reconhecer a árvore e a planta da Igreja sempre produziu frutos bons porque brota de Cristo, o seu Salvador. Se a Tradição da Igreja é pública também nós não devemos ter medo de declará-la e difundi-la publicamente.
São João Batista agiu assim, façamos também nós. Possibilitemos ao Natal o seu verdadeiro significado cristão que é o nascimento do Salvador e não somente festa de presentes e de consumos. Tenhamos ânimo, não tenhamos medo! Pois é Deus que vem para nos salvar. Exultemos de Alegria!
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento - www.pecarlos.blogspot.com

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Sinais da chegada
Advento não é propriamente preparar o Natal, mas celebrar a chegada do Senhor. Quais são os sinais da sua chegada?
As leituras bíblicas são um convite muito forte para a alegria, porque o Senhor, que esperamos, já está conosco e com ele preparamos o Advento do seu Reino. Por isso, o 3º domingo do Advento é chamado "domingo da alegria".
A 1ª leitura é um hino à alegria (Is. 35,1-6a.10)
O profeta deseja despertar e fortalecer a esperança dos exilados. O povo atravessava um dos piores períodos de sua história: Jerusalém e o templo destruídos, o povo deportado na Babilônia. Mesmo assim, o profeta prevê a alegria dos tempos messiânicos: fala do deserto que vai florir, da tristeza que vai dar lugar à alegria, Ele libertará os cegos, os coxos, os mudos de suas doenças... São sinais que indicam a chegada de um mundo novo, onde não haverá mais lugar para a doença, a dor e o pranto..
Na 2ª leitura, Tiago convida à espera com paciência (Tg. 5,7-10)
No Evangelho, Jesus mostra que o mundo novo anunciado pelo profeta
já chegou. O texto tem 3 partes: (Mt. 11,2-11)
1. A pergunta de João Batista.
João Batista estava preso... por Herodes... por reprovar o seu comportamento... No cárcere, ouve falar das obras de Cristo, tão diferente do que se esperava: Ele anunciara um juiz severo que castigaria os pecadores... Ao invés, defronta-se com alguém que se aproxima dos pecadores. Perplexo, envia a Jesus dois discípulos com uma pergunta bem concreta: "És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar por outro"?
2. A resposta de Jesus.
Jesus responde apontando seis sinais concretos de libertação, já anunciados por Isaías há muito tempo: "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: cegos... paralíticos... leprosos... surdos... mortos... pobres evangelizados..."
E acrescenta:  "Feliz quem não se escandalizar de mim..."
Jesus mostra a João que as suas obras comprovam a era messiânica, mas sob a forma de atos de salvação, não de violência e castigo.
3. O testemunho de Jesus sobre João:
- João Batista não é um caniço que verga conforme o vento: não é um pregador oportunista que se adapta conforme a situação. Não é um corrupto que vive na fortuna e no luxo... É muito mais que um profeta... "É o maior dos nascidos de mulher". Mas, com surpresa, acrescenta: "No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele".
Os que já pertencem ao Reino transcendem àqueles que o precederam e prepararam.
Declaração implícita da superioridade do Novo sobre o Antigo Testamento; da Igreja sobre a Sinagoga; da Lei de Cristo sobre a Lei de Moisés.
A ação libertadora de Deus deve continuar na História através de gestos concretos dos seguidores de Cristo.
A resposta de Jesus a João Batista foi clara: "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo..."
Pelos "sinais", que podiam ver e ouvir, Jesus comprovava a presença salvadora e libertadora de Deus no meio dos homens. Para perpetuar no mundo a ação salvadora e libertadora de Deus, os "Sinais", que Jesus realizava então, devem continuar acontecendo agora, através dos seus seguidores.
Em nossa vida e nossas comunidades há gestos de salvação e libertação
que são sinais que o Reino de Deus já chegou?
Os "surdos", fechados num mundo sem comunicação e sem diálogo, encontram em nós a Palavra viva de Deus que os desperta para a comunhão e para o amor?
Os "cegos", encerrados nas trevas do egoísmo ou da violência, encontram em nós o desafio que Deus lhes apresenta de abrir os olhos à luz?
Os "coxos", privados de movimento e de liberdade, escondidos atrás das grades em que a sociedade os encerra, encontram em nós a Boa Nova da liberdade?
Os "pobres", sem voz nem dignidade, sentem em nós o amor de Deus?
O que significa hoje recuperar a vista aos cegos, a capacidade de andar aos coxos, a audição aos surdos, a ressurreição aos mortos?
A liturgia de hoje é um convite forte à alegria: "Alegrai-vos sempre no Senhor, de novo vos digo: alegrai-vos: o Senhor está perto". (Ant de Entrada)
O mundo vive carente de alegria. A depressão tornou-se a doença dos tempos modernos. Muitos, na ânsia de ter alegria, agarram-se a coisas e pessoas, que, só lhes conseguem proporcionar momentos fugazes de prazer.
A Boa Nova trazida no Natal é mensagem de alegria... Gabriel na anunciação... Isabel na visitação... Maria no Magnificat... os anjos aos pastores...
A alegria é uma característica de nossas Comunidades? Somos semeadores de alegria ou motivo de dor e tristeza?
padre Antônio Geraldo Dalla Costa - buscandonovasaguas.com
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As obras do Messias
Ao ser interrogado a respeito de sua condição messiânica, Jesus não se perdeu em longas considerações teóricas para justificar sua identidade e missão de Messias. Sugeriu que referissem a João Batista, cujos emissários tinham sido enviados para questioná-lo, tudo quanto estava realizando e que era de conhecimento público. Por obra sua, os cegos recuperavam a vista, os paralíticos punham-se a caminhar, os leprosos viam-se livres de sua enfermidade, os surdos passavam a ouvir, os mortos voltavam à vida, os pobres escutavam a Boa-Nova do Reino.
Tratava-se, portanto, de fazer um discernimento sobre a prática de Jesus e reconhecer sua verdadeira identidade. Uma simples resposta positiva, mesmo saindo da boca de Jesus, seria insuficiente. Outros, antes dele, já haviam se apresentado com pretensões messiânicas, autoproclamando-se messias. E todos falsos messias. Jesus seguiu um caminho contrário: revelava sua condição messiânica com suas obras.
Os fatos indicados aos discípulos do Batista eram simbolicamente importantes, pois correspondiam às obras atribuídas pelos antigos profetas ao Messias vindouro. Todos eles tinham a ver com a restauração da vida e da dignidade humana, com a superação da marginalização social e religiosa, com a recuperação da esperança nos corações abatidos. Tudo isto era sinal de que o Reino estava irrompendo na história humana, por obra do enviado de Deus.
padre Jaldemir Vitório - www.domtotal.com

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“Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa.”
A intervenção de Deus para a libertação está próxima, por isso a liturgia deste domingo celebra a alegria: “Gaudete!” (alegrai-vos). Este tempo acende a esperança no coração dos fiéis para a chegada do Salvador. Diz-nos: “Não vos inquieteis; alegrai-vos, pois a libertação está a chegar.” Domingo da Alegria: a palavra aparece quatro vezes na primeira leitura; o Salmo e o Evangelho dão as razões profundas da alegria.
Na 1ª leitura perpassam a alegria e a festa para a terra que está em liberdade, porque Deus chegou para dar vida nova ao seu Povo. “Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus.” Porque “voltarão os que o Senhor libertar, hão de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos”.
Isaías apresenta-nos um “hino à alegria” destinado aos seus servos, que, libertos, acordam à esperança e renovam o ânimo para voltar para casa depois do exílio. A razão dessa alegria é que Deus fez justiça, interveio na história, tirou Judá do exílio, surgem estradas no deserto, a natureza colabora nesse triunfo de libertação.
Até a natureza é interpelada pelo profeta, preparando a ação libertadora de Deus em favor do seu Povo. A natureza muda também, quando o homem muda. Quando o povo muda sua mentalidade na relação entre povos, as pessoas entre si, a natureza agradece e colabora para um mundo melhor. Ela é a magnificência, a glória e a beleza do Senhor, pois ela fala da sua grandeza. Em outras palavras, poderíamos dizer que a natureza é a expressão da beleza divina, ainda que como sombra de Deus.
Agora o profeta dirige-se às pessoas: nada de desânimo, de acomodação; nada de ficar cabisbaixo, nada de cruzar os braços... Deus está entre nós! Liberta a todos que o acolhem. O resultado da iniciativa salvadora e libertadora de Deus será que os olhos dos cegos se abrirão, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos… O coxo não apenas andará, mas saltará como um veado; o mudo não apenas falará, mas cantará de alegria...
Existem dois tipos de pessoas: o otimista e o pessimista. Vejamos como cada um vê o texto hoje.
O otimista enxerga no nosso tempo a realização da profecia de Isaías. Há grandes realizações, grandes descobertas, mudança de mentalidades, um mundo de possibilidades...
O pessimista enxerga um mundo superaquecido, vê destruição em tudo; o mundo vai acabar, estamos no fim dos tempos; não sente alegria em nada, tudo está perdido...
E como você se relaciona com as pessoas e com o mundo? Tem alegria e esperança, ou só enxerga desgraças e está com medo de o mundo acabar, e fica parado, de braços cruzados, esperando o pior?
Os fiéis em Cristo não estão acomodados, e sabem que estão no exílio, mas serão libertados pela ação libertadora de Deus. A flor da esperança é a convicção de que Ele não nos deixará abandonados nas mãos das forças da morte, somos convidados a caminhar e enfrentar os destinos da história.
O Advento é o tempo de espera da intervenção salvadora de Deus em nosso favor. Ele só libertará, se nós estivermos dispostos a receber de braços abertos a proposta libertadora que Deus nos vem oferecer. Estamos preparados para acolher o Senhor? Ele encontra um coração disposto em acolhê-lo?
“Sede pacientes, vós também, e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.”
A paciência é o tema central da 2ª leitura. Paciência! Uma palavra em total sentido contrário aos nossos comportamentos: exigimos tudo, imediatamente! Dois milênios em que esperamos a vinda do Senhor! Ela nos convida a não deixar que o desespero nos vença. Esperança é uma espera confiante, ou seja, é uma certeza. Portanto devemos confiar no Senhor que com certeza virá.
O autor apresenta, num conjunto de desenvolvimentos e de sentenças aparentemente sem ordem nem lógica, indicações concretas, destinadas a favorecer uma vida cristã mais autêntica.
O autor do texto de hoje escreve para as comunidades na diáspora. São cristãos de origem judaica, dispersos no mundo greco-romano, nas regiões próximas da Palestina. Mas o texto refere-se a todos os cristãos. Ele os exorta a não desanimar e ficar firmes na fé que receberam. A vinda iminente de Cristo está muito presente, e, como já passaram muitas décadas depois da Ascensão, os cristãos perseguidos e na diáspora, começam a debandar, e o autor os interpela a permanecer firmes nos ensinamentos de Cristo.
A carta é especialmente escrita para os pobres, porque ela critica muito os ricos, e convida aos pobres a esperar com paciência a vinda do Senhor, como o agricultor espera a colheita após a semeadura. Embora a situação dos pobres seja intolerável por causa da exploração, opressão e injustiça que sofre todos os dias, não devem resolver o problema com queixas e violência. Devem confiar no Senhor, sabem que Ele vai intervir e virá, a seu tempo. Tiago não quer com isso que os cristãos fiquem resignados e de braços cruzados, mas que confiem no Senhor, para não entrar no sistema injusto e violento dos opressores e injustos. A esperança ilumina o coração que sofre e anima-o a descobrir meios justos para melhorar o mundo.
Quantos irmãos passam todos os dias pela experiência de viver na injustiça, no medo, na dor, no sofrimento, na violência física ou psicológica, privados de dignidade... Tiago anima-os, dizendo-lhes: “Apesar do sem-sentido da vida, apesar do sofrimento, Deus não vos abandonou nem esqueceu, mas vai libertar-vos; aproxima-se a dia da intervenção salvadora de Deus… Esperai-O, não com o coração cheio de revolta (que vos destrói e que magoa todos aqueles que, sem ter culpa, vivem e caminham a vosso lado), mas com esperança e confiança.”
“És Tu Aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?”
O Evangelho de hoje descreve a ação de Jesus, o seu projeto de vida: Ele recuperará a vista aos cegos, fará os coxos andar, curará os leprosos, os surdos ouvirão, ressuscitará os mortos, anunciar aos pobres o Reino da justiça e da paz... É este quadro de vida nova e de esperança que Jesus nos vai oferecer.
Mateus começa esta perícope com uma pergunta dos enviados de João Batista. João está preso, por ordem de Herodes Antipas, a quem havia criticado por viver maritalmente com a cunhada.
A pergunta é direta. João esperava um Messias que lançasse fogo sobre a terra, castigasse os maus e os pecadores... O Batista está em dúvida se Jesus seria o verdadeiro Messias, porque Ele se aproximou dos pecadores, dos marginais, dos impuros, dos fariseus, dos saduceus, e a todos mostrou o amor de Deus, e também ofereceu a Salvação a todos. João Batista e os seus enviados estavam desconcertados. Por isso a pergunta. A lógica de João era um Messias “justiceiro”.
Jesus responde à pergunta com as obras que dão testemunho d’Ele. Cita Isaías, que define, na perspectiva dos profetas, a ação do Messias enviado de Deus: dar vida aos mortos (cf. Is 26,19), curar os surdos (cf. Is 29,18), dar vista aos cegos, dar liberdade de movimentos aos coxos (cf. Is 35,5-6), anunciar a Boa-Nova aos pobres (cf. Is 61,1). Diante das obras, não resta dúvida de que Ele é o Messias.
Na segunda parte do Evangelho, Mateus apresenta João não como um pregador oportunista, nem um elegante orador, nem como alguém que vive confortavelmente no luxo ou em palácios. Mas apresenta-o mais do que como um profeta. Tanto é superior, que o próprio Jesus o elogia. Apesar do elogio a João, Jesus afirma que aqueles que entraram no Reino pelo seguimento de Jesus são mais do que ele.
O Evangelho identifica Jesus com a presença salvadora e libertadora de Deus no meio das pessoas. Neste Tempo de Advento, somos convidados a esperar a sua chegada, porque sabemos que Deus não nos deixou abandonados nem sozinhos, mas Ele vem ao nosso encontro e nos oferece a Salvação para sempre.
Enquanto esperamos a segunda vinda do Senhor, continuemos na história a obras de Cristo. Para que os desesperados por uma doença incurável encontrem em nós testemunhas do amor e da libertação que Cristo nos trouxe. Para que os surdos encontrem em nós a Palavra viva de Deus, e para que façamos comunhão com eles no amor. Para que os cegos encontrem em nós a luz, para que enxerguem com o coração o amor de Cristo. Para que todas as pessoas deficientes, especiais ou qualquer pessoa, encontrem em nós o amor e as obras de Cristo.
Tempo de Advento é tempo para que a Igreja reconheça os seus erros do passado; os cristãos devem reconhecer os seus pecados, para que possamos receber na humildade o Libertador enviado por Deus com o coração renovado e aberto, para que Deus manifeste o seu poder. E então a nossa fragilidade mudar-se-á em força. De frágeis, tornar-nos-emos fortes, fortes e capazes de amar.
padre Elmo Heck - www.pom.org.br
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Nas comunidades do Reino vive-se o serviço humilde
João anunciara o juízo iminente de Deus sobre os homens. Agora, preso, ouvindo falar das obras de Jesus, estranha que não tenha havido julgamentos e castigos. Envia alguns discípulos para perguntar a Jesus se era ele que faria este juízo, ou devia-se esperar outro. Jesus, em resposta, explicita suas obras: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa-Nova. Estas obras são sinais da chegada de tempos novos, em uma perspectiva messiânica que, por outro lado, de modo nacionalista, anunciava a vingança de Deus (primeira leitura). Além dos sinais da vida que é restaurada, há o sinal maior do anúncio da Boa-Nova libertadora dos pobres. A ação libertadora de Jesus provoca escândalo naqueles que estão sob o jugo da ideologia opressora do Templo. É feita, então, a proclamação da bem-aventurança daqueles que não se escandalizarem. A resposta de Jesus visa abrir os olhos dos discípulos para entenderem sua missão de amor e libertação. Jesus exalta a autenticidade de João. Não é um oportunista (caniço ao vento) nem um acomodado ao sistema (roupas finas), mas um profeta que anuncia a justiça e denuncia os opressores prepotentes. João é o mensageiro que, com seu anúncio, prepara o caminho de Jesus. Dentre os profetas do Primeiro Testamento, ele é o maior. Contudo o menor no Reino dos Céus é maior do que João Batista. A afirmação não significa uma competição, mas sim a novidade do Reino em relação aos tempos antigos. Nas comunidades do Reino vive-se o serviço humilde, a valorização de cada membro com seu carisma próprio, a fraternidade sem rivalidade e a partilha amorosa, no anúncio destemido do Reino.
José Raimundo Oliva - www.paulinas.org.br

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