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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 21 de dezembro de 2013

4 º DOMINGO DO ADVENTO Ano A

4 º DOMINGO DO ADVENTO
Ano A
22 de Dezembro

Comentários-Prof.Fernando


Jesus nascerá de Maria, prometida
em casamento a José, descendente de Davi.
Evangelho - Mt 1,18-24

       O Advento é o tempo de espera em que devemos nos preparar para melhor viver e celebrar o grande acontecimento: a entrada de Deus na história humana, através de seu Filho. Não se trata de uma lembrança, de uma memória apenas...Continua...
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GRAÇAS AO  "SIM" DE MARIA E  A COLABORAÇÃO DE JOSÉ, DEUS MENINO NASCEU ENTRE NÓS! - Olívia Coutinho

IV DOMINGO DO ADVENTO

Dia 22 de Dezembro de 2013

Evangelho de Mt 1,18-24

O tempo se estreita e o nosso coração se alarga para acolher Jesus que já está no meio de nós, mas que às vezes não nos damos conta desta grande maravilha!
Já às portas do Natal, o nosso coração vislumbra a plenitude com mais fé, na certeza  de que um novo tempo irá chegar!
O amor grandioso do Pai ultrapassa todos os limites, Deus se fez humano para estar mais próximo do humano!
A iniciativa foi do Pai, o “SIM” foi de Maria! Foi o “SIM” que marcou o início da nossa redenção, o “SIM” que mudou a história da humanidade, que a dividiu em antes e depois!
Com Maria e como Maria,  apresentemo-nos  à  Deus neste Natal, com o firme propósito de dar Ele, o nosso “sim” um “sim,” de fidelidade ao seu projeto de vida nova! Para dizer “Sim” a Deus, não é  preciso saber exatamente o que Ele quer de nós, basta-nos  entregarmos a Ele, como seu servo (a) como fez Maria!
Deus não desiste do humano e é através do próprio  humano que ele age em favor do humano. Deus quis  tornar-se humano, ser gestado num ventre de uma mulher  para nos resgatar, portanto, a  história da salvação passa pelo o humano!
O evangelho   de hoje vem  nos falar da origem de Jesus, de uma história de amor que começou com o “sim” de Maria e deu continuidade com a  significante colaboração de José, que abriu mão de  uma vida  tranquilo na pacata cidade de Nazaré para assumir o grande desafio de cuidar do Filho de Deus como um  pai zeloso!
Olhando para Maria, a Mãe de Jesus, podemos ver uma jovem cheia de graça, de amor e de ternura, que abriu mão de todos os  seus projetos pessoais, para  acolher  no seu silencio, a vontade de Deus,  deixando  tudo acontecer exatamente como Ele quis!
Olhando para José, o pai adotivo de Jesus, podemos ver a figura de um homem bom, um homem  simples, de pouca fala,  que assim como Maria,  acolheu no silencio e na obediência, a vontade de Deus, assumindo Jesus como filho!
“José filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo.”... Na sua humildade, José, mesmo  sem entender, não  hesitou, em acolher estas palavras de Deus proferidas pelo anjo em sonho, acolhendo Maria como sua esposa! E assim a salvação entra na humanidade!
 Graças ao "sim" de Maria e a colaboração de José, Deus menino nasceu entre nós! 
A história de Jesus, o seu nascimento,  não está distante da nossa história,  afinal, Ele,  nasceu de uma mulher, viveu numa família como nós!
Hoje, vivemos os frutos desta bela história de amor! É no amor, no carinho e no serviço ao outro, que vamos  entrando no caminho de Jesus, vislumbrando um novo céu e uma nova terra!
 Vem Senhor Jesus, vem nos ajudar a encontrar o caminho do bem, o caminho que nos reconduz ao coração amoroso e misericordioso do Pai,  precisamos voltar urgentemente para Ele,  pois já estamos cansados de presenciar tantas maldades, tantos desencontros de valores, precisamos aprender a amar do seu jeito. Nós, que  fomos gerados  das entranhas do coração do Pai,  não podemos  viver longe do amor!
Viver o Natal do Senhor Jesus é recordar, fazer memória e atualizar o nascimento de Jesus acolhendo àqueles que necessitam do nosso  auxílio.

DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO DESEJO A  VOCÊ UM FELIZ E SANTO NATAL!
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O Evangelho, como prometido pelos profetas nas Sagradas Escrituras , refere-se a seu Filho, nascido como ser humano , da casa de David ; constituída pelo Espírito Santo , o Filho de Deus em poder total pela ressurreição de sua morte : Jesus Cristo nosso Senhor. É um evento de reflexão sintética da Encarnação. Na reflexão e da experiência do acontecimento de Cristo na Igreja vieram alguns passos importantes nesta ordem : Resurrection , Batismo, Encarnação. Enquanto João fala da preexistência do Verbo, Mateus e Lucas falam de Encarnación pelo Espírito Criador. Paulo afirma as grandes verdades da Encarnação : Jesus , filho de Davi e Filho de Deus no poder por sua ressurreição . De uma fé adulta e madura é necessário rever profundamente o clima e modo de exploração ( sacramental e experimentalmente ), o evento da Encarnação. É necessário aprofundar e penetrar o verdadeiro significado dos eventos dramatizadores histórias de origens. É necessário descobrir e ouvir o Evangelho autêntico cativante sobre contos populares .
2 ) A Encarnação visto a partir da Páscoa!
Devemos acostumar-nos a uma verdade que aparece hoje em todo o Novo Testamento e os endossa Igreja , depois de muito poucos estudos e reflexões : todo o evangelho é para ser lido e interpretado desde a Páscoa eo dom do Espírito . Que todas as ações e palavras de Jesus são da iluminação de luz da Páscoa, o aprofundamento da compreensão e novo. Eu havia anunciado o Mestre : Quando o Paráclito vem vai levar você em toda a verdade ( João 16:12 ss) e vai te ensinar tudo (Jo 14,26 s) . Essas expressões convidou para assistir ao evento da Encarnação da experiência de fé de Páscoa e nos ajudar a entender de novas maneiras a própria narrativa da infância , o próprio evento da Encarnação. Assim que esta maneira de ver as coisas que estamos proibidos de ler os relatos de crianças de outra forma de Páscoa. Eles são como o evangelho como as histórias da Paixão e Ressurreição . Por isso, é urgente e necessário para viver e experimentar o evento para as crianças desde a Páscoa . na verdade, em pascal , onde hoje a Igreja celebra os eventos de origem . Isto ajudar-nos a viver adequadamente autêntico Natal em todas as suas dimensões cristológica e encarnação no mundo em que vivemos .
3 ) Paul livremente escolhido para anunciar esta maravilha de Deus !
Através dele recebemos este dom e esta missão: anunciar que todos os gentios responder a fé, para a glória de seu nome. Entre eles estão também vós chamados para serdes de Jesus Cristo. Nos escritos paulinos e, novamente, parece ter sido escolhido para anunciar o Evangelho livremente. Além disso , Deus escolheu desde o ventre de sua mãe para anunciar Jesus Cristo , teve misericórdia dele , porque ele era um perseguidor da Igreja. Esta dupla experiência marcou missão de Paulo. Ele descobriu através de sua enorme paciência que Deus tinha com ele e com a força renovadora do Evangelho de Jesus . É necessário recuperar a experiência da gratuidade com profundidade e equilíbrio. Isto é particularmente urgente no nosso mundo onde parece que tudo está sujeito a notas promissórias , notas, recibos, letras de câmbio . Deus é livre de fato. Embora não seja barato , ou seja, chamadas gratuitas para compromisso total para o projeto em nome de nossos semelhantes.
Evangelho : Mateus 1:18-24
Ambiente: A concepção virginal é o autor de um orçamento aceito por seus leitores. O que é importante é a inclusão da criança na linha da família de Davi . A fé na concepção virginal e da paternidade de José sobre Jesus (reduzido para apenas legal) , exige uma intervenção extraordinária de Deus sobrenaturalmente condenada a dar seu sobrenome e sua ascendência (impondo o nome ), o filho de Maria .
reflexões
1 ) O modo de ação Deus confundindo com os homens !
O nascimento de Jesus Cristo foi assim : a mãe de Jesus estava desposada com José, antes que eles viveram juntos , e descobriu-se que ela estava esperando um filho , pelo Espírito Santo . Casado ou simplesmente prometida ? O estatuto jurídico de Maria e José , que é 1,18 Mt parece claro à luz de costumes matrimoniais judaicos. O casamento judaico consistia em dois atos , separados por um período mais longo ou mais curto , dependendo da condição da mulher (um ano , se você fosse o seu primeiro casamento , um mês, se o casamento viúva anterior. ' S primeiro ato , chamado de " santificação " ou "aquisição" , que corresponde ao noivado , embora um contrato formal já estavam mais do que apenas uma promessa de casamento . os recém-casados ​​já estavam praticamente marido e mulher , embora ainda não vivem juntos. coabitação ocorreu após o segundo ato de "dirigir a mulher para a casa de seu marido. " Tudo indica que o que acontece em Mateus 01:18 ff acontece quando se realizaram Maria e José e qiddushîn ( santificação ) , mas ainda não ocorreu nisu 'In (condução ) . Só aparece , assim, pedido razoável ou comando do anjo , convidando José para dirigir a sua casa para Maria e para assumir o pai legal da criança ao nascer.
2 ) O debate interno de San José , homem justo !
José, seu esposo , que era bom e não quis denunciá-lo , decidiu deixá-la silenciosamente . A virada se desposada com um homem que não seja seu marido, teve que ser tratado da mesma forma que uma mulher casada que tinha cometido adultério ( Dt 22,23-28 ) . O evangelista não tenta amenizar a situação e, portanto, os efeitos da decisão judicante de Joseph . Mateus tenta dramatizar abertamente e mais. Apesar de San Jose é detido por santo e bom , e é conhecido evangelista de it- se situação muito angustiante ea solução teve que ser necessariamente complicado. Este evento especial tem um impacto sobre a vida dos crentes. Dadas as sérias questões e situações incompreensíveis surgem em nossos corações também perguntas agonizantes . O crente encontra-se em situações difíceis , não raro . Como é que é possível para Deus agir dessa forma em nossas vidas? a presença de algum mal grave seja pessoal, familiar ou internacional nos perguntamos a eficácia real do governo de Deus. Não é fácil ir tranquilamente para o mistério de Deus e do Seu modo de proceder na história. Mas ele realmente faz tudo bem , incompreensivelmente bom.
3 ) Deus intervém sempre prontamente!
José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa , pois a criança nela vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus ... E tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta . Eis que a virgem conceberá ... Para a concepção de Matthew pelo Espírito Santo é o que faz com que Jesus, o Filho de Deus. No NT , juntamente com o pai , com outros verbos , como fazer ( Atos 2:36 ) , levantar (Atos 5:31) designado (Rm 1:04 ) e nome (Fp 2:9) para descrever como Deus deu títulos cristológicos a Jesus depois da ressurreição (ou exaltação ) . A teologia cristã tem harmonizada e aceito no seu ensino as duas idéias : nascimento virgem ( Mateus e Lucas ) ea pré- existência da Palavra ( João) . Em Lucas, o Espírito Santo é o agente principal na geração do Filho de Deus, Maria também desempenha o seu papel em relação ao que a filiação . Os dois momentos no "como" da descendência de Davi eram ações de Joseph : "Não tenha medo de receber Maria, tua esposa ", " ao qual porás o nome de Jesus " . O mesmo mandato notas angelicais o papel de Maria no "como" da filiação divina : " Ela dará à luz um filho", " a criatura que carrega em seu ventre é do Espírito Santo " . Mateus enfatiza a concepção virginal como um cumprimento do plano de Deus que foi anunciado na profecia (Isaías 7:14). O Espírito Santo atuando na concepção do Messias é o Espírito Criador. O resultado é a criação de novos . Esta história de Mateus diz que o crente que as perguntas que é debatido , é verdade que Deus sempre age bem e vai ao encontro de sua criatura . Neste mundo em que vivemos diariamente ( família, trabalho, múltiplas relações humanas ) é necessário para o crente para iluminar os momentos difíceis do que os homens com sua vida e com a sua palavra . Esta mensagem é actualidade .
Intervenção 4 ) de Deus apoiado pela resposta livre !
Quando José acordou, fez o que o anjo lhe ordenara . A descendência de Davi para ser transmitido através de uma paternidade jurídica. Essa é a vontade de Deus abertamente . Jose não adotar como seu o filho de outra pessoa, mas reconhece como seu filho legítimo filho de sua esposa, usando a mesma fórmula com outros pais judeus reconhecidos os seus filhos legítimos . A história da salvação ensina o crente atual cooperação humana livre nunca é excluído. É necessário que o homem, como Joseph neste importante evento, colaborar. Deus não anula a decisão livre de sua criatura , ela sempre tem , mesmo arriscando vai privar seu trabalho nos homens.
Frei Gerardo Sanchez Mielgo - www.dominicos.org
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Chegamos ao quarto domingo do Advento. O último em preparação para o Natal do Senhor. No evangelho de hoje, conforme já havia anunciado o profeta Isaías, Mateus nos fala do nascimento do Emanuel, Deus Conosco.
Isaías profetizou que uma moça conceberia e daria à luz um filho cujo nome seria designado por Deus (Is 7,14). Este nome foi revelado a José quando o anjo disse-lhe: “Jesus será seu nome”. Jesus em hebraico significa Deus é Salvação, Deus é quem auxilia, é o Salvador e Redentor.
Jesus é portanto o Messias, o portador da salvação, aquele que vem para redimir a humanidade dos seus pecados. Conforme dizia Santo agostinho, Jesus se fez homem para que o homem se tornasse santo. Jesus assumiu a natureza humana afim de nos tornar imortais. Assim como a Virgem Maria, também são José, seu marido, fazia parte do Projeto de Salvação.
Ressaltamos alguns costumes da época para entendermos este evangelho. Naquele tempo, o casamento acontecia em duas etapas. Primeiro os noivos, junto com seus pais e duas testemunhas, assinavam um contrato. A partir daí, o casal já era marido e mulher, porém, ainda não iam morar juntos.
Normalmente decorria ainda um ano antes de viverem juntos. Período necessário para as famílias se conhecerem melhor e para os noivos adquirirem um pouco de maturidade, pois na época, os noivos casavam-se bem jovens. Decorrido um ano dava-se uma grande festa, a esposa era conduzida à casa do marido e os dois começavam sua nova vida.
Com o noivado, o casal já estava legalmente unido em matrimônio. Neste evangelho, Mateus refere-se a José como um marido justo, portanto na Anunciação, Maria já estava desposada por José, legalmente era sua esposa. Por tudo isso, podemos imaginar a grandeza do Sim da jovem Maria quando o anjo lhe anunciou que, por obra do Espírito Santo, ela conceberia o Filho de Deus. Certamente não deve ter sido fácil para Maria assumir essa tarefa. Como explicar para seu noivo que Deus a havia incluído em seu Plano de Salvação? Um Projeto do qual ela pouco sabia. Como encarar a sociedade e dizer que estava grávida, antes do casamento? A lei era clara; a mulher nessa situação era apedrejada e marginalizada.
Por outro lado, imagine-se na difícil posição de José. Sua esposa está grávida e ele não é o pai. Aqui se revela a fé, o amor e o senso de justiça desse jovem. O que aconteceu com José deve servir para compreendermos e aceitarmos as ações de Deus em nossas vidas. É preciso acreditar sempre.
José já havia decidido deixar Maria sem dizer para ninguém o motivo da separação, para não prejudicá-la ainda mais. No entanto, quando o problema parecia insolúvel, Deus intervém e esclarece todas suas dúvidas. Sutilmente, Deus sempre arruma uma maneira de revelar-se.
Quando acordou, José fez como o anjo lhe ordenara, aceitou Maria como sua esposa. José era um homem justo, porém como acontece com todos nós, foi submetido a uma provação. Deus sempre faz uso das tribulações para testar nossa fé. A grandeza de José transparece através da sua aceitação e obediência.
É isto que o define como “justo”. Na Bíblia, justo é quem está em sintonia com Deus e, José não só aceita o plano de salvação de Deus, como também colabora com ele. Neste Natal, vamos também entrar em sintonia com Deus, acreditar e reafirmar a esperança na Vida Nova que irradia da manjedoura.
Jorge Lorente


José e Maria
A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo. Enquanto assim decidia, eis que o anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados”. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel, o que traduzido significa: “Deus está conosco”.
O trecho de hoje descreve o nascimento de Jesus: através do anúncio evangélico, apresenta o fato que José assume a paternidade legal de Jesus e que Maria é mãe virgem, por intervenção do Espírito Santo.
Maria era noiva de José; segundo o costume do povo judeu, os noivados implicavam um compromisso real, de tal maneira que o noivo já era chamado de “marido” e podia desmanchar o noivado somente através de um repúdio formal. Maria se viu grávida por obra do Espírito Santo, e José, que era justo e não queria repudiá-la, decidiu mandá-la embora em segredo. A justiça de José está no fato que ele não quer dar o seu nome a uma criança cujo pai real ele não sabe quem é, mas também no fato que, convencido da virtude de Maria, recusa entregar esse mistério, que ele não entende, ao rigoroso processo legal (cf. Dt. 22,21).
Enquanto José refletia sobre essa situação, “eis que o anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho...” (vv. 20-21). O anjo, que antigamente representava o próprio Javé, é aqui o mensageiro celeste que informa José sobre o desígnio de Deus; isso lhe é comunicado através de um sonho, e lhe revela que o Filho de Maria foi concebido por Ela por obra misteriosa do Espírito Santo; a qualificação desse filho, que corresponde ao nome de Jesus, é a de salvador do povo; não, porém, salvador em sentido humano, político, militar, mas em sentido espiritual; Ele liberta do pecado.
Na continuação da narrativa é expressa a ideia que tais eventos anunciados a José e verificados em Maria são o cumprimento da escritura: é citada a profecia de Isaías. As escrituras se realizam em Jesus; ele mesmo, durante sua atividade, declara que elas falam dele; a fé dos fiéis descobre que a realização dos textos proféticos na pessoa de Jesus manifesta a realização das intenções e dos desejos de Deus.
temas de pregação dos padres dominicanos
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Estamos às portas do santo Natal. Eis o que vamos contemplar nos ritos, palavras e gestos da sagrada liturgia: o Verbo eterno do Pai, o Filho imenso, infinito, existente antes dos séculos, fez-se homem, fez-se criatura, fez-se pequeno e veio habitar entre nós. Sua vinda ao mundo salvou o mundo, elevou toda a natureza, toda a criação. A sua bendita Encarnação lavou o pecado do mundo e deu vida divina a todo o universo! Mas, atenção: este acontecimento imenso, fundamental para a humanidade e para toda a criação, a Palavra de Deus hoje nos diz que passou pela vida simples e humilde de um jovem carpinteiro e de uma pobre menina moça prometida em casamento numa aldeia perdida das montanhas da Galiléia. O Deus infinito dobrou-se, inclinou-se amorosamente sobre a pequena e pobre realidade humana para aí fazer irromper o seu plano de amor. Acompanhemos piedosamente o Evangelho deste quarto domingo do Advento.
São Mateus diz que a Mãe de Jesus “estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo”. As palavras usadas pelo Evangelista são simples, mas escondem uma realidade imensa, misteriosa, inaudita. Pensemos em José e Maria, ainda jovens. Eles certamente se amavam; como todo casal piedoso daquela época pensavam em ter filhos – os filhos eram considerados uma bênção de Deus. Mas, eis que antes de viverem juntos, a Virgem se acha grávida por obra do Espírito Santo! Deus entra silenciosamente na vida daquele casalzinho. Nós sabemos, pelo Evangelho de São Lucas, que Maria disse “sim”, que Maria acreditou, que Maria deixou que Deus fosse Deus em sua vida: “Eu sou a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc. 1,38) De repente, eis que uma vida de família, que tinha tudo para ser pacata e serena, viu-se agitada por uma tempestade. Por um lado, a Virgem diz “sim” a Deus e, sem saber o que explicar ou como explicar ao noivo, cala-se, abandonando-se confiantemente nas mãos do Senhor. Por outro lado, José sabe que o aquele filho não é seu; não compreende como Maria poderia ter feito tal coisa com ele: ter-lhe-ia sido infiel? E, no entanto, não ousa difamar a noiva. Resolve deixá-la secretamente. Quanta dor, quanta dúvida, quanto silêncio: silêncio de Maria, que não tem o que dizer nem como explicar; silêncio de José que, na dor, não sabe o que perguntar à noiva; silêncio de Deus que, pacientemente, vai tecendo a sua história de salvação na nossa pobre história humana. E, então, como fizera antes com a Virgem, Deus agora dirige sua palavra a José: “José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados”. Atenção aos detalhes! O Anjo chama José de “filho de Davi”. É pelo humilde carpinteiro que Jesus será descendente de Davi. Se José dissesse “não”, Jesus não poderia ser o Messias, Filho de Davi! Note-se que é José quem deve dar o nome ao Menino, reconhecendo-o como seu filho. Note-se ainda o nome do Menino: Jesus, isto é, “o Senhor salva”! Deus, humildemente, revela seu plano a José e, depois de pedir o “sim” de Maria, suplica e espera o “sim” de José. E, como Maria, José crê, José se abre para Deus em sua vida, José mostra-se disposto a abandonar seus planos para abraçar os de Deus, José diz “sim”: “Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa!”.
Eis! Adeus, para aquele casal, o sonho de uma vida tranquila! Adeus filhos nascidos da união dos dois! Agora, iriam viver somente para aquele Presente que o Senhor lhes havia dado, para a Missão que lhes tinha confiado... O plano de Deus passa pela vida humilde daquele casal. Para que São Paulo pudesse dizer hoje na Epístola aos Romanos que é “apóstolo por vocação, escolhido para o Evangelho... que diz respeito ao Filho de Deus, descendente de Davi segundo a carne”, foi necessária a coragem generosa da Virgem Maria e o sim pobre e cheio de solicitude do jovem José. Para que a profecia de Isaías, que ouvimos na primeira leitura, fosse concretizada, foi necessário que aquele jovem casal enxergasse Deus e seu plano de amor nas vicissitudes de sua vida humilde e pobre!
Também conosco é assim! O Senhor está presente no mundo. Aquele que veio pela sua bendita Encarnação, nunca mais nos deixou. Na potência do seu Espírito Santo, ele se faz presente nos irmãos, nos acontecimentos, na sua Palavra e, sobretudo nos sacramentos. Sabemos reconhecê-lo? Abrimo-nos aos seus apelos? E na nossa vida? Essa vida miúda, como a de José e Maria, será que reconhecemos que ela é cheia da presença e dos apelos do Senhor? No Advento, a Igreja não se cansa de repetir o apelo de Isaías profeta: “Céus, deixai cair o orvalho; nuvens, chovei o Justo; abra-se a terra e brote a Salvador!” (Is. 45,8). É interessante este apelo: a salvação choverá do céu, vem de Deus, é dom, é graça... mas, por outro lado, ela brota da terra, da terra deste mundo ferido e cansado, da terra da nossa vida.
Supliquemos à Virgem Maria e a São José que intercedam por nós, para que sejamos atentos em reconhecer o Senhor nas estradas de nossa existência e generosos em corresponder aos seus apelos, como o sagrado Casal de Nazaré. Assim fazendo e assim vivendo, experimentaremos aquilo que o Carpinteiro e sua santa Esposa experimentaram: a presença terna e suave de Jesus no dia-a-dia humilde de nossa vida.
dom Henrique Soares da Costa

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Paulo, escravo de Jesus Cristo, chamado como apóstolo, segregado para o evangelho de Deus (1).
Esta epístola é o início da carta aos romanos. Primeiro vem o título de quem a remete e a ocasião de ser o evangelho como motivo da mesma aos que por meio da bondade de Deus estão escolhidos como a ele consagrados. A eles deseja os favores divinos e a paz que constituem a saudação inicial de suas cartas.
ESCRAVO. Sendo a escravidão o sistema político-econômico fundamental do império romano, não é de estranhar que existissem diversas palavras na koinë. Vejamos as usadas tanto no NT como no AT grego dos Setenta.
THERÁPÖN é um servo familiar, quase um amigo do dono, como vemos em Hb. 3,5: Moisés era fiel em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas. Seria o escudeiro ou pajem da idade média. Provém do verbo Therapeuö, curar, tomar conta de um enfermo.
DOULOS é o escravo próprio, o comprado e vendido como uma máquina ou gado que deve  obedecer sem ter vontade própria ao dono, despotës grego. Como classe social é o oposto ao eleutheros, homem livre como vemos em 1Cor. 12,13: em um só Espírito todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres.
DIAKONOS independentemente do seu estado civil é primariamente o servidor à mesa como em Jo 2,5: Maria falou aos serventes: fazei tudo o que ele vos disser.
OIKETËS escravo, mas no sentido de domiciliar e não do campo. É o escravo da casa ou familiar, geralmente melhor considerado que o trabalhador do campo ou das minas. Pode ser o criado embora não livre como classe social. Assim temos 1Pd. 2,18: Servos sede submissos, com todo temor ao vosso senhor.
YPËRETËS é tomado do serviço militar, originalmente um remador, para distingui-lo do soldado de uma galera. Daí passou ao oficial subordinado, como lictor, ou oficial de justiça, como em Mt. 5,25: para que teu adversário não te entregue ao juiz, o juiz ao oficial de justiça. Ao se  designar como doulos, Paulo toma para si o ofício mais servil que existia entre os romanos. Verdadeiro escravo do evangelho que em 15,16 da mesma carta resolve como leitourgos, palavra com que se designava o dedicado ao serviço oficial civil ou do templo. Em Ef. 3,7 ele se declara ministro do evangelho, coisa que repete em Cl. 1,23 com o mesmo vocábulo. Paulo toma a atitude do serviço como escravo de Jesus Cristo, exatamente como o Batista afirmava ser, sendo que este último se humilhava até declarar que nem o ofício de levar as sandálias como fazia o mais humilde dos escravos era digno de realizar (Mt. 3,11). Os discípulos de um mestre em Israel eram chamados de filhos (Mt. 23,9) e até de últimos irmãos (Mt. 25,40; 45)  e podiam fazer pelo mestre todo serviço de escravos, a exceção de desatar as correias das sandálias, ofício reservado aos escravos da gentilidade e do qual os escravos judeus estavam dispensados. Este ofício de carregar as sandálias para o banho do senhor é declarado por Marcos (1,7) e Lucas (3,16) como sendo o mais baixo, já que para eles não existia a proibição de desatá-las que Mateus, como legista, tinha o dever de respeitar. Paulo, pois, é o servidor de Jesus sem privilégio nenhum, e por isso nunca quis receber salário [misthos] ou benefício como os demais apóstolos, e ao qual tinha direito segundo as normas da Lei (1Cor 9).

DIGNIDADE DE CRISTO. O qual foi preanunciado por meio de seus profetas em Escrituras Sagradas (2).
PREANUNCIADO. O grego pode ser traduzido também como prometido anteriormente, pois a palavra de Deus sempre é uma promessa de um bem futuro como profecia de salvação.
ESCRITURAS SAGRADAS: em outra ocasião temos descrito o significado de TANAK, ou Lei, Profetas e Escritos em que dividiam o que Paulo, em outra ocasião, chama de Sagradas Letras (2Tm 3,15). Embora o latim traduza comosanctae, não podemos usar o santo como tradução vernácula, pois santo significa sem pecado; e assim usaremos sagrado, ou divino, pertencente a Deus, como indica o grego agios. Com esta afirmação Paulo coincide com Pedro onde lemos (2Pd. 1,19-21): Nos confirmamos mais ainda com a palavra dos profetas… sabendo... que nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana.

CRISTO COMO HOMEM. Com respeito a seu Filho, o nascido do esperma de Davi, segundo a carne (3).
SEU FILHO o grego ‘UIOS é usado praticamente para a prole humana, do gênero masculino, tanto a progênie direta como a de um descendente do tronco comum. Para filhas temos thygatër. Outra palavra é teknon; embora traduzido do mesmo modo em latim seja o filho natural enquanto a preeminência de ‘uios é para o aspecto legal. Temos também pais menino ou criança com parentesco de filho sem ter limites de idade como seria o paidion, que é um menino de tenra idade.
‘UIOS é o termo usado em termos metafóricos para os judeus no AT [bené elohim = filhos de Deus] e para os cristãos no NT [‘uioi ‘upsistou = filhos do Altíssimo] com respeito a Deus em sentido de serem filhos adotivos.
TEKNON é usado também no lugar de ‘uios: não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos (Jo 11,52). Em Lc. 1,35 temos a palavra do anjo: o ser sagrado que há de nascer será chamado Filho de Deus. E em Mt. 11,27: Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. À pergunta logo tu és o Filho de Deus? Ele disse: Vós o dizeis porque eu sou (Lc. 22,70). E os demônios declaravam: tu és o Filho de Deus. (Lc. 4,41). Jesus é o Filho em sentido literal, já que sempre diante de filho aparece o artigo determinativo ‘o [= o Filho]. Por isso em João encontramos o monogenës [= unigênito] (Jo 1,18): o filho único, que está no regaço do Pai nos deu a conhecer.
ESPERMA é a semente de uma planta ou o sêmen, esperma de um animal. Tomado em sentido figurado, é a prole ou descendência de um varão. Daí, família, raça, posteridade, descendência. Jesus era, pois, descendente de Davi.
SEGUNDO A CARNE é o corpo material que chamamos de carne. Em hebraico é bashar o oposto ao espírito, pneuma ou nefesh. Também o distinguiam do aima [sangue] donde estava a vida que era psichë. A distinção entre sarkx e söma é que aquele era considerado em oposição a psichë [alma] e söma era o corpo como um conjunto de partes unidas, entre elas ossos, carne, nervos. Literalmente sarkx é a carne distinta de sangue e ossos. Paulo distingue entre o corpo de  Jesus que tem carne e ossos antes da ressurreição e o corpo ressuscitado que ele denomina como corpo espiritual (1Cor.  15,44). Por isso dirá: todos certamente não morreremos, mas todos sermos transformados (1Cor. 15,61). A frase segundo a carne indica a procedência humana de Jesus: era um descendente de Davi. Seu pai era legalmente  José, esposo de Maria da qual nasceu Jesus (Mt. 1,16), e o tal José era da casa de Davi (Lc. 1,27).

EXALTAÇÃO DE JESUS. Constituído Filho de Deus em poder segundo espírito de divindade por causa da ressurreição dos mortos, Jesus Cristo nosso Senhor (4).
CONSTITUÍDO: particípio de aoristo do verbo orizö, de significado definido, marcado, nomeado, designado, constituído.
EM PODER: esta frase é indício das faculdades extraordinárias de operar milagres acima das leis naturais como quem é o dono das mesmas, ou talvez poder, como exousia, autoridade, como rei do Universo após a sua ressurreição.
ESPÍRITO DE DIVINDADE. Parece que não é uma referência ao estado anterior de Cristo no seio do Pai como diz João (Jo 1,1-2), mas Paulo se refere ao triunfo do Cristo ressuscitado e sua atuação através do Espírito que ele enviou e que na primitiva Igreja era chamado Espírito de Jesus. Para entender este versículo Cristo de Deus, devemos partir do suposto de que Paulo fala unicamente de Cristo como homem, ou como o próprio Jesus dizia de si mesmo, do Filho do Homem, que neste caso para Paulo é segundo a carne. (v. 3). Como homem, pois, foi constituído [o latim diz predestinado] Filho de Deus, ou seja, como um representante direito de Deus, como um que tem o poder e o espírito da majestade divina e isso por causa da ressurreição. É a divinização do homem Jesus de Nazaré. Pois agiösinë significa a majestade, a santidade ou transcendência como hoje se diz, própria só da divindade. Este versículo é, portanto a exaltação do homem Jesus à categoria da divindade por causa da sua ressurreição. Não mais o homem, ou o Mestre Jesus, mas o Senhor ou o Cristo de Deus. E assim ele é o Senhor (At. 2  e 10,36), como dirá Paulo em Fp. 2,11: Toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor.

MINISTÉRO PAULINO. Pelo qual recebemos mercê e apostolado para obediência da fé em todas as nações sobre seu nome (5).
Per quem accepimus gratiam et apostolatum ad oboediendum fidei in omnibus gentibus pro nomine eius. E Paulo continua sob o impulso de sua experiência, declarando que dele [de Cristo] recebeu a graça ou favor e mercê do apostolado para que todas as nações pudessem receber a fé como obediência à pessoa de Cristo.
VOCAÇÃO DOS ROMANOS. Entre os quais estais também vós chamados de Jesus Cristo (6).
Entre essas nações [pagãs] estavam os romanos que também foram chamados, vocacionados ou escolhidos para aceitar como Senhor, Jesus, o Cristo.

SAUDAÇÃO FINAL. A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados consagrados, graça e paz da parte de Deus, Pai vosso e do Senhor Jesus Cristo (7).
Após esse prefácio em que Paulo mostra seus poderes e a transcendência do Senhor a quem serve de anunciador, termina esta primeira parte com a saudação por ele preferida em suas cartas: Graça, ou seja, o favor e a mercê abundante por parte de Deus que é Pai e por parte do Senhor que é Jesus, o Messias. Também a paz que em lábios de um judeu era um pedido de todas as bênçãos possíveis da parte de Deus. E Paulo não poupa elogios aos cristãos romanos. É a captatio benevolentiae que aqui descobre os dons divinos em abundância entre os romanos: amados de Deus, e escolhidos como consagrados que geralmente vemos traduzido por santos, mas que originariamente é sagrado ou consagrado; isto é, dedicado à divindade. Na primitiva Igreja os fieis eram agioi, santos como eleitos e pertencentes ou dedicados ao culto divino, acepção primária inclusive do vocábulo latino.

EVANGELHO (Mt. 1,18-24) - A VISÃO DE JOSÉ
João inicia seu evangelho, afirmando a eternidade do Verbo em Deus. Sem origem, existia desde o princípio. Essa é a última realidade de Jesus. Mas enquanto homem, qual foi sua origem? Mateus e Lucas descrevem o início do homem Jesus de modo diferente, porém, essencialmente idêntico. Lucas apela ao testemunho da mãe, Maria. Mateus, pelo contrário, descreve a situação do ponto de vista do marido, José. Ambos os relatos convergem para afirmar que o concebido no ventre de Maria não tinha pai humano. Que a concepção foi um ato do poder do Espírito Divino. Esse Espírito, que pairava presente sobre as águas primitivas no início (Gn. 1,2), agora paira sobre Maria para uma realidade que se parece com uma criação. Hoje, vamos estudar o evangelho de Mateus.

CONCEPÇÃO DE JESUS. Enquanto a concepção de Jesus Cristo era (sic) desta maneira: prometida, pois, a sua mãe, Maria, a José, antes da coabitação deles, foi achada tendo em ventre de Espírito Santo (18).
CONCEPÇÃO: esta seria a tradução mais acertada e não nascimento de muitas bíblias. A bíblia de Jerusalém traduz origem de duvidoso significado. Com o significado de conceição, damos origem ao que, no mundo oriental ortodoxo, é denominada Conceição Imaculada [de Jesus], ou seja, desde a sua origem, como óvulo, Jesus não teve um sêmen masculino. Assim podemos afirmar que a primeira carne do Filho de Deus foi totalmente mariana, e totalmente humana, pois não foi uma carne criada, mas gerada.
JESUS CRISTO: a palavra aparece duas vezes em Mateus: uma, em 1,1 e ainda em 1,18; e outras duas vezes, das quais uma, em Mc 1,11 e outra, em Jo 17,3, sempre como redação dos evangelistas, não como palavra saída do contexto falado por Jesus ou elaborada pela voz dos conterrâneos. Foi uma composição tardia na qual se uniu o nome Jesus com o fato de ser o Ungido, ou Cristo. A frase seria, pois: Jesus é Cristo, como primitiva fórmula de fé, porque o verbo ser não era usado nas línguas semíticas.
A TRADUÇÃO: na tradução latina, o verbo ën=era ou estava em imperfeito, é mantido com o erat. Outra tradução literal é em ventre que em português tem o artigo e se diz no ventre ou no seu ventre. Tampouco o Espírito tem artigo, contrariamente, quando se fala da terceira pessoa da Trindade que é nomeada como o Espírito, o Santo, sempre com artigo [exemplos: Mt. 12,32; 28,19 e Mc. 1,10; 3,29 entre outros]. Sem artigo, significa o poder de Deus.
MNESTEUTHEISES: a tradução é prometida. Gynë, em Mc. 6,17 e Lc. 16,18 é o nome dado a esposa em grego, nos evangelhos. Mnesteutheises é o particípio passivo do aoristo [passado] do verbo mnesteuo, que significa prometer em matrimônio, e como particípio passivo, ser declarada desposada ou noiva formal. Para entender isso, devemos entrar nos costumes judaicos da época de Jesus. O matrimônio era um contrato entre famílias. Contrato que se assemelhava a uma compra. A mulher era praticamente uma escrava, vendida pelo preço de um dote. Esse contrato em hebraico era o Ketubbá [= escrito] que estabelece obrigações assim como uma penalidade monetária no caso de divórcio. Uma mulher virgem valia 200 denários ou 200 dias de trabalho e uma viúva valia uma mina, ou seja, a metade aproximadamente. Uma mulher que tinha o Ketubbá dos esponsais era considerada esposa para todos os efeitos legais. Por exemplo, o sumo sacerdote não podia se casar com uma viúva (Lv. 21,14) e a Mishná afirma que essa viúva é tanto viúva após o casamento quanto viúva tão só após os esponsais. Para um novo matrimônio, a viúva deve esperar três meses (tempo suficiente para saber se está grávida) sejam já casadas, divorciadas, ou prometidas em esponsais, porque o noivo, na Judeia, tem intimidade com ela. Com isto, fica provado que a prometida por meio do Ketubbá era praticamente uma esposa. Segundo os costumes da época, entre os esponsais e o matrimônio propriamente dito devia passar meio ano. A mulher virgem a se casar, pela primeira vez, teria na época 12 anos e meio. O grego clássico usa o gameo para indicar matrimônio, e gameté [esposa]. Todavia no NT a palavra usada é gyné [mulher] com o duplo significado de fêmea humana e de esposa. Usa também o NT a palavra nymfe, jovem núbil, também com o significado de nora (Mt. 10,35). Parece claro que Maria estava unicamente prometida com a correspondente Ketubbá. Lucas usa a mesma raiz só que no tempo perfeito mnesteumene. Nas línguas modernas é difícil distinguir entre os dois tempos, aoristo e passado. Esta hipótese é realçada pelo mesmo evangelista quando afirma: antes que coabitassem ou convivessem.
TENDO EM VENTRE: é a tradução direta do grego, que em português, devemos usar no ventre. Isto, como temos dito anteriormente, dava-se aos três meses da conceição.
DE ESPÍRITO SANTO: a tradução do Espírito Santo não corresponde ao grego. A razão é que quando os evangelistas querem significar a terceira pessoa da Santíssima Trindade usam o artigo repetido: o Espírito, O santo. Nas outras circunstâncias, espírito santo significa o poder de Deus: “Ele batizará com espírito santo e fogo” contraposto a quem fale contra o Espírito o Santo. No nosso caso, está sem artigo algum e, portanto refere-se ao poder de Deus, exatamente como Lucas 1,35. Isso não obstante a tradição, que chama Maria esposa do Espírito Santo, reflete a ideia de que foi a terceira pessoa da Trindade que pessoalmente, de modo muito especial, contribuiu para a geração do corpo de Jesus. Esta é uma noção completamente válida, pois a própria Escritura indistintamente fala dos profetas como falando no Espírito o Santo (Mc. 18,36) ou como cheios de espírito santo (Lc. 1,67). É o mesmo tipo de diferença entre o anjo de Javé e a intervenção direta divina no AT. O evangelista, com a frase da parte do Espírito divino [santo], exclui toda intervenção humana masculina na formação do corpo de Jesus. Era na realidade uma partenogênese. Do ponto de vista médico, a partenogênese é possível desde que o nascituro seja do mesmo gênero que a mãe, ou seja, uma mulher [hoje também se pode admitir a partenogênese masculina]. O sêmen masculino do pai era o único que determinava, ou melhor, gerava o novo ser, segundo o pensar da época. A mãe era uma depositária, uma horta onde a semente crescia interiormente alimentada com seu sangue e, depois exteriormente, com seu leite. Por isso o ek [de procedência] grego de Mateus, diz mais do que o nosso de, ou pelo Espírito divino, como geralmente traduzimos. A tradução da vulgata in útero habens de Spirito sancto, confirma a hipótese que acabamos de formular. Lucas (1,15), ante a pergunta de Maria que é uma interrogante para iniciar uma explicação, mais do que uma escusa de sua parte, fala do poder do Altíssimo [equivale ao próprio Deus]. Este ser sagrado será chamado [será verdadeiramente] filho de Deus. Esta é a verdade. O catecismo do padre Astete dizia: “O Espírito Santo formou do puríssimo sangue de Maria um corpo.” No século XVI nada se sabia sobre o óvulo feminino, descoberto no final do século XIX, mas hoje que sabemos como a mulher contribui com seu óvulo, podemos afirmar que um dos óvulos de Maria foi em um primeiro momento o início da vida humana do Verbo. Houve um instante em que o corpo de Jesus era totalmente corpo de Maria. Isso exalta tanto a mãe como o filho. De modo que ela pode ser chamada de Theótokos, a que gerou Deus, ou Mãe de Deus. E como o Filho seria o resultado de uma intervenção divina particular, consequentemente, Maria seria virgem, a aei parthenos [= sempre virgem] grega, em cujos ícones estarão sempre as três estrelas como símbolo de Virgem antes do parto [concepção imaculada], no parto e depois do parto. Obviamente, não temos estátuas, proibidas desde o tempo de Leão o Isauriano, entre os gregos; mas os ícones representam em termos visíveis o que não era possível para a maioria: ler nos textos sagrados, porque era iliterata.

JOSÉ E SUAS DÚVIDAS. Porém, José, o seu homem, sendo honesto e não querendo expô-la publicamente, pensou repudiá-la secretamente (19).
SEU HOMEM. Já temos explicado que, após os esponsais, ambos eram considerados marido e mulher. Não é, pois, estranho que Mateus fale de José como o marido [homem] de Maria.
SENDO HONESTO. Existe uma incorreta maneira de traduzir o dikaios [conforme, ou melhor, ajustado com a lei] grego por justo [do latim iustus] que em linguagem moderna tem significado diferente, como amante da justiça ou imparcial. Na realidade, dikaios era aquele que cumpre escrupulosamente a lei, a Torá antiga. E José se debatia precisamente por cumprir a lei. Qual era a lei neste caso? Uma desposada era considerada exatamente como uma esposa real. Segundo Dt. 22,13-21, quando uma jovem não tem provas de sua virgindade ao casar com um homem a jovem será levada à porta da casa do seu pai e os homens da cidade a apedrejarão até que ela morra, pois ela cometeu uma infâmia em Israel (…) Deste modo extirparás o mal do teu meio. José não queria colocar o caso em público [traducere afirma o latim da vulgata, que num dos seus significados implica expor alguém à vista e como em espetáculo, por vergonha], ou seja, denunciar Maria como adúltera de modo público. Segundo a lei, ele tinha todo o direito de denunciar publicamente Maria. Porém, ele escolheu um método que era também legal: fazer uso do chamado libelo de divórcio antigo (Mishná Git 8,4). Que é o libelo antigo? Libelo era o documento em que o varão deixava livre para futuro matrimônio a mulher que até esse momento era sua esposa. Era um escrito em que duas testemunhas corroboravam a fórmula principal: tu ficas livre para casar-te com qualquer homem. Devia estar escrita em hebraico contendo 12 linhas, valor numérico da palavra guet fora das duas meias linhas onde assinavam as testemunhas. No libelo de divórcio antigo o escrito era entregue a sós à mulher, sem testemunhas. Se ela era menor de idade [entre 12 anos e um dia mas sem chegar aos doze anos e meio], podia ser entregue ao pai da jovem prometida (Git 6,2). Cremos que é a este libelo ao qual se refere Mateus quando afirma que quis repudiá-la secretamente, ou seja, sem testemunhas, como era o caso de libelo de divórcio antigo.

O SONHO. Enquanto, pois, pensava em sua mente estas coisas, eis um anjo do Senhor por meio de um sonho, se manifestou a ele, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher: pois o nela gerado é de espírito divino (20).
O ANJO: todo fenômeno misterioso, como uma peste, um terremoto, uma epidemia, especialmente se mortífera, era atribuído ao anjo do Senhor. Como exemplo temos o caso de Senaquerib e seu exército em 2Rs. 19,35, cuja matança foi produzida, ao que parece, pela poluição das águas. O Mal’ak significa mensageiro e é usado como mensageiro humano enviado por um rei ou líder para executar uma missão humana. Contudo essa mesma expressão é usada para indicar um ser celeste, um anjo. E será então Malak Adonai [mensageiro do (meu) Senhor]. Na Bíblia há uma referência de uma corte celestial, com Deus como Rei e os anjos como seus servos. Os anjos aparecem sob forma humana como emissários a transmitir as palavras de Deus aos homens e realizarem missões práticas, como a liderança no deserto e a derrota de Senaquerib. O lugar dos anjos é o céu [sonho de Jacó] e que, em seu disfarce humano, nem sempre são reconhecidos pelos mortais. No caso, o Anjo do Senhor traduz o Malak Adonai. Mateus disse que se manifestou foi visto como luz como um ser luminoso, seria a melhor tradução. A vulgata traduz apparuit [apareceu]. O mesmo anjo apareceu mais duas vezes a José: para pedir-lhe que fosse ao Egito com o menino (Mt. 2,13) e para volver à Judeia uma vez morto Herodes (2,19).
O SONHO: em sonho é como aparece o anjo do Senhor. Atualmente os sonhos são produtos do inconsciente. Mas, nos tempos bíblicos, os sonhos eram o meio com o qual a divindade mostrava sua vontade com respeito ao futuro, ou manifestava razões que determinavam uma conduta. Temos o caso de Abimelec, que Deus visitou em sonhos de noite e disse: “Vais morrer por causa da mulher, porque é uma mulher casada” (Gn. 20,3). Jacó teve o sonho da escada (Gn. 28,12). José teve o sonho que o engrandecia sobre seus irmãos (Gn. 37,5). São famosos os sonhos de Faraó, que José interpreta corretamente (Gn. 41,1). O Senhor lhes disse: Enquanto houver entre vós um profeta do Senhor, eu me dou a conhecer a ele em visão, e lhe falo em sonhos (Nm. 12,6). Saul consultou o Senhor; mas ele não respondeu nem por sonhos, nem por urim [tipo búzios] nem por profetas (1Sm. 28,2). Finalmente Deus concedeu a aqueles quatro jovens, ciência e inteligência em matéria de escritura e de sabedoria. Daniel, em particular, sabia interpretar toda classe de visões e sonhos (Dn. 1,17), como foi o caso de Nabucodonosor em Dn. 2,1. Consequentemente, José acreditou no sonho e no que foi declarado pelo anjo, porque era os sonhos uma maneira explícita da manifestação da vontade de Javé.
PALAVRAS DO ANJO. José [= ele, ou seja, Javé acrescenta] filho de Davi. A descendência de Davi por parte de José é destacada pelo anjo. Era um título de respeito, mas ao mesmo tempo é um artifício do evangelista para afirmar que Jesus era também filho de Davi, porque a filiação era, na época, mais legal que biológica. Não temas receber Mariam como tua mulher. A primeira palavra é não temas. Poderíamos dizer que o significado de fobeö, no caso, é não hesites, não deves te preocupar em receber Maria em tua casa, como tua mulher. Mateus dá o nome de Mariam que parece ser o nome semítico de Nossa Senhora. O anjo imediatamente dá a razão: O gerado nela é coisa do Espírito Divino. Temos traduzido o ágios grego por divino. Na realidade, seria sagrado ou pertencente à divindade. Tendo em conta de que o varão era o único que intervinha na geração, segundo o pensar da época, a frase anterior significa que o ser gerado no ventre de Maria era um ser divino. Porém, pela gestação, completamente normal, esse ser seria também filho de Maria que dará à luz um varão, seu filho (v 21).

JESUS. Parirá, pois, um filho e chamarás o nome dele Jesus; porque ele próprio salvará o seu povo dos seus pecados (21).
UM FILHO: com esta frase o anjo chama Maria de mãe de um ser que antes tinha denominado de divino. É a palavra que origina o theótokos do concílio de Éfeso, ao mesmo tempo em que confirma o sentir dos contemporâneos que a chamam sempre Mãe de Jesus (At. 1,14), ou Mãe do Senhor (Lc. 1,43).
JESUS: e chamarás o nome dele, Jesus. Iësous, que provém do hebraico Ieshua e que significa Javé salva ou cura. Um pai [e no caso, o filho] só era reconhecido como tal quando aceitava o filho dando a ele um nome, tal como sabemos fez Zacarias com o menino que lhe apresentou Isabel (Lc. 1,63). E Mateus explica que esse nome foi escolhido de modo particular pelo verdadeiro Pai não por José. O motivo era que em si levava o ofício de salvar seu povo dos pecados deles. Jesus ou Jeshua significa Javé é salvação. Os pecados, logicamente, são os pecados pessoais. Daí salvar o povo de seus pecados ou dos pecados deles, e não de seu pecado. Refere-se ao povo de Israel e dentro dele faz uma referência às relações homem/Deus, sendo os pecados a parte que rompe uma amizade que devia existir entre ambos e que o homem, infelizmente, por própria e livre vontade, interrompeu desde a origem de sua existência. O anjo diz claramente o ministério e incumbência do menino que por isso mesmo receberá o nome de Jesus. Não existe outra interpretação: a salvação está unida ao perdão dos pecados, tendo como prioridade o povo escolhido.

A PROFECIA. Porque tudo isto tem sucedido para que se cumprisse o proferido pelo Senhor por meio do profeta, dizendo: (22) Eis que a virgem acolherá no ventre e parirá um filho e chamarão o nome dele Emanuel, que é traduzido por Deus conosco (23).
PARA SE CUMPRIR: para Mateus como para todo israelita do seu tempo a maior prova de que um fato ou uma pessoa estivesse realmente atinado com a vontade divina era que se ajustava aos planos anunciados pelos seus porta-vozes, os profetas. Javé era dono do mundo e senhor da História.
O PROFETA: as palavras que na continuação cita Mateus, são do profeta por excelência, Isaías 7,14: Eis a virgem terá no útero e dará à luz um filho e chamarão seu nome Emanuel. É uma tradução direta do grego. O texto hebraico tem uma palavra almah que se traduz por donzela, jovem solteira, virgem. O grego dos setenta traduziu a palavra por parthenos [= virgem]. Termo que usa Mateus em seu evangelho e que resultava tão contundente contra os judeus que por esta e outras razões eles abandonaram a setenta e fizeram outras duas traduções como são Áquila e Teodocião em que almah é traduzido por veânis [donzela, jovem] que nada tem a ver com virgem, pois se admite que a palavra para virgem em hebraico é bethuwlah. Porém não é tão exato como parece. Como exemplo em Gn. 24,16 Eliezer, servo de Abraão pensa na moça Almah de formosa aparência, virgem bethuwl a quem nenhum homem havia possuído. Em Êx 2,8 a irmã de Moisés recebe o adjetivo de almah, porque era uma mocinha. No caso de Isaías 7,14 existe um sinal [prodígio?] porque uma almah que seria uma jovenzinha conceberá e dará à luz um filho e chamareis seu nome Emanuel. O texto massorético diz que ela o chamará mas o texto grego e a vulgata são unânimes em traduzir parthenos, virgo e chamareis. Como vemos aqui, é ela quem dá nome ao filho. Tanto no caso da Vulgata como da nova Vulgata não aparece o artigo determinante [a] por faltar em latim semelhante individualização. O artigo grego a [virgem] determina mais a pessoa feminina como uma particularidade muito especial. O assunto é discutido até hoje. Se não era virgem como pode ser sinal partindo do próprio Deus? Como ela, uma mulher, poderia dar nome a um filho obtido de forma normal, cujo nome sempre pertencia ao pai? Daí que a setenta, à qual segue servilmente a vulgata de Jerônimo, traduz exatamente como vemos em Mateus 1,23, almah por parthenos e virgo. O nome, que implica um significado de ofício ou desempenho, é Emanu-El, [conosco Deus]. O caso, interpretado por Mateus como sendo o cumprimento da profecia de Isaías, era perfeito para explicar tanto a gravidez de Maria como a atuação do Filho durante sua vida: era ter Deus no meio de seu povo. Que melhor descrição de vida de Jesus?

OBEDIÊNCIA. Tendo, pois, se levantado José depois do sono, fez como lhe ordenou o anjo do Senhor e recebeu sua mulher (24).
José, ao despertar, fez o que lhe fora mandado pelo anjo e recebeu Maria como sua esposa. Isto indica que antes não estavam casados e só prometidos legalmente com o Ketubbá. Daí deduzimos que Maria era uma donzela de 12 anos e mais nove meses, quando entrou a formar parte da casa de José como sua mulher.

PISTAS
1) Jesus não é um homem qualquer; na sua humanidade existe uma intervenção direta do poder de Deus. Ele tem uma mãe terrena, mas o Pai dele, meu Pai dirá ele, e vosso Pai, é o próprio Deus. Porém essa sua permanência desde a conceição até seu nascimento no seio de Maria o torna semelhante a nós em tudo. Se o primeiro Adão [homem] foi feito espírito vivente pelo sopro [pneuma] divino, o segundo Adão, Cristo, foi feito homem pelo espírito divino que transforma um óvulo humano em ser divino, totalmente dependente da divindade [será chamado Filho de Deus (Lc. 1,35) ou Deus conosco].
2) É admirável a simplicidade da narração. Mas também é apreciável o modo como é efetuada: José conhece o caso pelas palavras do mensageiro de Deus, como num sonho. Este sonho implica uma duplicata da realidade que temos que conhecer, em profundidade, unicamente com os olhos e ouvidos interiores. Por meio de uma fé que depende de um relato humano, mas que unicamente aceitamos porque avaliado pela palavra divina.
3) A dúvida de José era se podia aceitar uma mulher que, em termos legais, era uma idólatra e, portanto, maculava o matrimônio de modo a atingir de forma pecaminosa o esposo, cuja infâmia, portanto, deve ser extirpada. Aceitá-la era impossível. O meio de recusá-la era a dúvida principal de José. Como temos exposto, escolheu um método que a deixava fora de suspeitas adúlteras, mas que impediria a união matrimonial, porque nesse caso, como marido de uma mulher infiel, comparável a uma idólatra, estaria ele colaborando com o mal. O libelo, ou escrito de repúdio antigo, foi a forma escolhida por José. Não era preciso relatar causas, mas deixar claro que não deviam existir vínculos ulteriores. Tudo estava terminado.
4) A visão em sonhos declara os fatos e inocenta Maria. Mais, a eleva à categoria de especial escolhida por Deus para ser mãe do Salvador esperado. Existe outro aspecto a ser tomado em conta: pede a José que atue como pai. Ninguém saberá o acontecido e todos pensarão numa conceição, gravidez e nascimento comuns.
5) José aceitou o encargo e se tornará pai –todos assim o pensavam – de um menino a quem impõe o nome, Salvador dos pecados de seu povo, não dos inimigos externos ou do poder estrangeiro, mas dessa ruptura essencial do homem com Deus que Cristo inicia a dissolver e da qual sempre será causa de anulação por meio da reconciliação. Era o antigo decreto de morte que acompanhava o afastamento do homem. Agora, por parte de Deus, todos somos filhos em seu Filho. Por parte humana, individual, essa nova realidade é assumida particularmente por meio da fé e a conversão em que não é o homem quem dita a ética vital, mas o Homem Jesus quem a proclama no seu evangelho.
padre Ignácio de Nicolás Rodríguez

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São José no Advento
Como o Evangelho da infância segundo são Mateus é escrito desde a perspectiva de José – diferente de Lucas, escrito desde a perspectiva de Maria – vamos pensar hoje, na presença de Deus e à luz do texto evangélico, na figura desse grande homem, são José, no Tempo do Advento.
Uma das primeiras coisas que chama a nossa atenção na vida de José é o grande privilégio que ele teve: morar com Jesus e com Maria, cuidar deles, sustentá-los e ensinar-lhes muitas coisas. De fato, o nome “José” significa “Deus acrescentará”. E como acrescentou! Nós também pedimos a Deus que ele acrescente em nossas vidas a companhia de Jesus e de Maria, e de José. Nunca andemos sozinhos podendo estar tão bem acompanhados.
José é um homem justo (cfr. Mt. 1,19): convencido da inocência de Maria, ele sabe que não pode proceder ao rigoroso cumprimento da lei, que consistia em apedrejar os culpados (cfr. Dt. 22,20 ss.). Maria não era culpada. Por outro lado, como proteger uma criança sob o próprio nome quando não se sabe quem é o pai? Se José fosse um legalista, não pensaria duas vezes: cumprimento da lei tal qual. Mas José não ficou somente na letra da Lei. Desde a sua infância meditava a Lei de Deus e a tinha gravada no coração, tinha atingido o espírito da Lei e procurava conhecer realmente a vontade de Deus em cada circunstância concreta. A justiça de José não é “justiça de José”, mas de Deus. Essa justiça está, ademais, banhada pela prudência, pela bondade e por um grande desejo de conhecer e praticar a vontade de Deus, que é bom.
Grande privilégio de são José: é ele quem dá nome e sobrenome a Jesus. O anjo já tinha dito a José que colocasse o nome de Jesus no menino que nasceria. Além do mais, José, fazendo tudo o que o anjo lhe disse, assumiu Jesus como seu filho adotivo e lhe deu também o sobrenome real: da casa de Davi. Por causa de José, Jesus pode ser chamado também “filho de Davi” e dessa maneira se cumpriu a promessa de que viria um Messias da casa de Davi.
Uma das varias virtudes de José foi a disponibilidade. O Espírito Santo deixou escrito que “despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado” (Mt. 1,24). Deus nos ajude a ser generosos, especialmente nesses últimos dias que faltam para que contemplemos, através da liturgia da Igreja, o nascimento do Senhor. Talvez, um dos aspectos que deveríamos pensar mais nesses dias que faltam para o Natal seja a disponibilidade do nosso tempo para Deus e para os demais. Quanto tempo nós dedicamos à oração? Jesus é uma pessoa. Daí a importância de marcar alguns horários para estar com ele. Pensemos juntos: se tivéssemos que encontrar-nos com um personagem importante – um homem de estado, por exemplo – estaríamos lá no local combinado não só pontualmente, mas talvez até uns minutinhos antes para não correr o perigo de perder o esperado encontro. Por que não usamos semelhante critério para com Deus? É preciso que tenhamos os nossos horários diários de oração e sejamos pontuais. Jesus está nos esperando! Não podemos ser descorteses com o personagem mais importante da história da humanidade e da nossa vida. Além desses horários fixos durante o dia para ler um pouco a Sagrada Escritura, para conversar com Deus meditando os mistérios da vida de Jesus Cristo, para rezar o terço, para participar da Santa Missa, para fazer uma visita a Jesus-Eucaristia, tenhamos presente durante todo o dia ao Deus uno e trino: basta o desejo de estar com o Senhor, uma pequena oração, uma elevação da mente às coisas divinas, pensar em Deus ao passar diante duma igreja, rezar mentalmente pelas pessoas que vamos encontrando pelas ruas, etc. Sejamos criativos à hora de buscar e viver a presença de Deus!
Somos generosos na nossa formação fazendo boas leituras e participando de palestras e conferências que nos ajudam a adquirir cultura católica? Ajudamos os demais a aproximarem-se Deus? Somos generosos no tempo que utilizamos para o apostolado, para a evangelização? Fora todo egoísmo! Dar coisas pode ser importante, mas o mais importante é que nos demos a nós mesmos num serviço alegre e generoso a Deus e, por amor a Deus, aos outros.
padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa
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A Virgem e o Emanuel
No quarto domingo do Advento entra em cena Maria. Seu Filho é o Deus conosco e já se faz presente, ainda de modo velado, mas real, no seio da Virgem, que concebeu por obra do Espírito Santo (cf. Mt 1,18–24).
Ao descrever a genealogia de Jesus, Mateus demonstra que é verdadeiro homem, filho de Davi, filho de Abraão; ao narrar o Seu nascimento de Maria Virgem, que foi mãe por virtude do Espírito Santo, afirma que é verdadeiro Deus; e, finalmente, ao citar o profeta Isaias, declara que Ele é o Salvador prometido pelos profetas, o Emanuel, o Deus conosco.
Nossa Senhora fomenta na alma a alegria, porque, quando procuramos a sua intimidade, leva-nos a Cristo. Ela é Mestra de esperança. Maria proclama que a chamarão bem-aventurada todas as gerações (Lc. 1,18).
Dentro de poucos dias veremos Jesus reclinado numa manjedoura, o que é uma prova de misericórdia e do amor de Deus. Poderemos dizer: “Nesta noite de Natal, tudo pára dentro de mim. Estar diante dEle; não há nada mais do que Ele na branca imensidão. Não diz nada, mas está aí… Ele é o Deus amando-me. E se Deus se faz homem e me ama, como não procurá-Lo? Como perder a esperança de encontrá-Lo, se é Ele que me procura? Afastemos todo o possível desalento; as dificuldades exteriores e a nossa miséria pessoal não podem nada diante da alegria do Natal que se aproxima.
Faltam poucos dias para que vejamos no presépio Aquele que os profetas predisseram, que a Virgem esperou com amor de mãe, que João anunciou estar próximo e depois mostrou presente entre os homens.
Desde o presépio de Belém até o momento da sua Ascensão aos céus, Jesus Cristo proclama uma mensagem de esperança. Ele é a garantia plena de que alcançaremos os bens prometidos. Olhamos para a gruta de Belém, em vigilante espera, e compreendemos que somente com Ele poderemos aproximar-nos confiadamente de Deus Pai.
Nas festas que celebramos por ocasião do Natal, lutemos com todas as nossas forças, agora e sempre, contra o desânimo na vida espiritual, o consumismo exagerado, e a preocupação quase exclusiva pelos bens materiais. Na medida em que o mundo se cansar da sua esperança cristã, a alternativa que lhe há de restar será o materialismo, do tipo que já conhecemos; isso e nada mais. Por isso, nenhuma nova palavra terá atrativo para nós se não nos devolver à gruta de Belém, para que ali possamos humilhar o nosso orgulho, aumentar a nossa caridade e dilatar o nosso sentimento de reverência com a visão de uma pureza deslumbrante.
O Espírito do Advento consiste em boa parte em vivermos unidos à Virgem Maria neste tempo em que Ela traz Jesus em seu seio.
A devoção a Nossa Senhora é a maior garantia de que não nos faltarão os meios necessários para alcançarmos a felicidade eterna a que fomos destinados. Maria é verdadeiramente “porto dos que naufragam, consolo do mundo, resgate dos cativos, alegria dos enfermos” (santo Afonso M. de Ligório). Nestes dias que precedem o Natal e sempre, peçamos-Lhe a graça de saber permanecer, cheios de fé, à espera do seu Filho Jesus Cristo, o Messias anunciado pelos profetas.
mons. José Maria Pereira
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A Virgem conceberá e dará à luz um filho. Esta profecia realizou-se em Maria. A Igreja sempre professou a Virgindade real e perpétua de Maria. O nascimento de Cristo não diminuiu, antes consagrou a Virgindade da sua Mãe (LG 57).
Primeira leitura - Isaías 7,10-14
O contexto histórico deste oráculo isaiano é o da conjura dos reis de Israel e de Damasco para destronarem Acaz, o rei de Judá.
10-12 - Como prova de que o rei Acaz não virá a ser destronado e substituído pelo filho de Tabel, estranho à linhagem davídica, o profeta Isaías propõe ao rei que peça um sinal divino, o mais extraordinário que seja (cf. v. 11). O rei, com hipócrita religiosidade, nega-se a pedir esse sinal, porque não acredita em sinais, em coisas sobrenaturais. Foi por esta ocasião – o que não quer dizer exatamente no mesmo momento – que o profeta, dirigindo-se à linhagem (casa) de David, anunciou que o Senhor dará um sinal verdadeiramente extraordinário e que o trono de David se consolidará eternamente (cf. 1Sam. 7,16).
14 - Esse «sinal» é «a virgem que concebe». Muito se tem discutido e escrito sobre este sinal. Uma coisa é certa, é que o crente não pode prescindir de algum sentido messiânico (direto ou indireto) desta célebre passagem isaiana. De fato, a própria exegese bíblica mostra que estamos no chamado «livro do Imanuel» (Is. 7–12), uma secção de carácter vincadamente messiânico por apontar para um descendente de David em quem se concentram as promessas da salvação de Deus, o Imanuel (o Deus conosco); embora, em primeiro plano, possa ser visado o próprio filho do rei Acaz, Ezequias, ele é considerado uma figura ou tipo do Messias. A tradução grega dos LXX (inspirada por Deus?) utilizou um termo específico para designar a virgindade desta mãe, chamando-a parthénos, quando o termo hebraico original não designa mais que a sua idade juvenil: ‘almáh. A célebre tradução grega em que se apoiavam os primeiros apologistas cristãos para demonstrarem aos judeus que Jesus é o Messias prometido, veio a ser rejeitada pelos judeus, que a substituíram por outras versões (ou antes adaptações gregas: Áquila, Símaco e Teodocião) e o dia festivo para comemorar a tradução dos LXX passou a ser um dia de luto. A interpretação mais tradicional defende o sentido literal (não se contentando com o sentido chamado típico ou pleno, suficientes para se garantir o sentido messiânico da passagem) e faz finca-pé em que Deus tinha oferecido pelo Profeta um sinal prodigioso, e eis que o dá; ora esse sinal só é prodigioso se a concepção e o nascimento do Menino acontece sem destruir a virgindade da Mãe; aliás é ela a pôr o nome ao filho, coisa que pertence sempre ao pai (que aqui não aparece). O próprio nome do filho insinua a sua divindade, «Deus conosco»: é a mesma personagem extraordinária anunciado em Is. 9,5-6: «Deus forte, príncipe da paz…». Mt. 1,23 (o Evangelho de hoje) e toda a tradição cristã e o próprio magistério da Igreja levam a ver nesta passagem uma referência «ao parto virginal da Mãe de Deus e ao verdadeiro Emanuel, Cristo Senhor» (Pio VI). Não é, porém, agora aqui o lugar para entrar em mais discussões exegéticas de pormenor.

São Paulo, ao apresentar Jesus Cristo e a sua obra, sintetiza o plano salvador de Deus. Afirma que Jesus, Filho de Deus, tinha sido «prometido pelos profetas nas sagradas Escrituras».
Segunda leitura - Romanos 1,1-7
A leitura corresponde à saudação inicial da Carta aos Romanos, em que Paulo se apresenta aos cristãos residentes em Roma a quem pretende visitar (cf. vv. 10-15). Apresenta-se na sua qualidade de «Apóstolo por chamamento divino, escolhido» por Deus para pregar aos gentios o Evangelho de Jesus Cristo, deixando claro desde o início (v. 4) a natureza humana do Filho de Deus, «da descendência de David segundo a carne» e a sua natureza divina, «constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição». Convém ter presente que não foi a ressurreição que O tornou Filho de Deus, mas foi esta que lhe garantiu o pleno exercício de «todo o seu poder» que lhe compete como Filho de Deus e que manifestou o que Ele é, Filho de Deus «segundo o Espírito de santificação», isto é, «quanto ao seu ser animado pelo Espírito da santidade divina», uma forma de aludir à sua condição divina (e não ao Espírito Santo, a Terceira Pessoa Trinitária), como fica claro pela contraposição: «segundo a carne» – «segundo o Espírito». Ainda que se possa ver nestas formulações da fé o reflexo de uma cristologia primitiva, dita «baixa», e ainda não suficientemente desenvolvida, mais existencial do que essencial, a verdade é que os títulos com que Jesus Cristo é aqui designado – «Filho» e «Senhor» – são suficientemente expressivos da fé na natureza divina de Jesus possuída antes da ressurreição (cf. Rom 8,3; Gal 4,4-5; Filp 2,6; Col 1,15).
Evangelho - Mateus 1,18-24
Mateus centra o seu relato do nascimento de Jesus na figura de são José (são Lucas na de Maria), com uma clara intencionalidade teológica de apresentar Jesus como o Messias, anunciado como descendente de David. Isto é posto em evidência logo de início: «Genealogia de Jesus Cristo (= Messias), Filho de David» (v. 1). Como a linha genealógica passava pelo marido, é a de José que é apresentada. Os elos são selecionados para que apareçam três séries de 14 nomes, obedecendo a uma técnica rabínica, chamada gematriáh, ou recurso ao valor alfabético dos números; assim o número 14, reforçado pela sua tripla repetição – «catorze gerações» – (no v. 17),sugere o nome de David, que em hebraico se escreve com três consoantes (em hebraico não se escrevem as vogais) que dão o número catorze (D=4)+(V=6)+(D=4) = 14. A concepção virginal antes de ser explicada e justificada pelo cumprimento das Escrituras (vv. 18-25), é logo anunciada na genealogia, que precede imediatamente a leitura de hoje, pois para todos os seus elos se diz «gerou», quando para o último elo não se diz que «gerou», mas: «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus» (v. 16, à letra «da qual foi gerado – entenda-se, por Deus – Jesus»).
18 - «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais, que tinham valor jurídico de um matrimônio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes, em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.
«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de Lucas (1,26-38), lido na festa da Imaculada Conceição. Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o caráter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera criaturas, Deus cria-as. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.
19 - «Mas José, seu esposo…». Partindo do fato real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. A verdade é que não dispomos da crônica dos fatos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»), e o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria atuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas evidentes da culpa. E aqui não as tinha e, conhecendo a santidade singular de Maria, não admite a mais leve suspeita, mas pressente que está perante o sobrenatural, já sentido por Isabel… (ou não teria tido alguma iluminação divina acerca da profecia de Isaías 7,14). Então só lhe restava deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que julga não lhe competir ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando, assim, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» o mistério messiânico. Mas podemos perguntar: porque não interrogava antes Maria para ser ela esclarecer o assunto? É que pedir uma explicação já seria mostrar dúvida, ofendendo Maria; a sua delicadeza extrema levá-lo-ia a não a humilhar ou deixar embaraçada. E porque razão é que Maria não falou, se José tinha direito de saber do sucedido? Mas como é que Maria podia falar de coisas tão colossalmente extraordinárias e inauditas?! Como podia provar a José a Anunciação do Anjo? Maria calava, sofria e punha nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; e Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José. De tudo isto fica para nós o exemplo de Maria e de José: não admitir suspeitas temerárias e confiar sempre em Deus.
20 - «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica são Bernardo, são José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente… José tinha-se, por indigno…». Segundo alguns exegetas modernos (Zerwick), o texto sagrado poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar(-te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus, exercendo assim para Ele a missão de pai». Assim, o Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Encarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade… O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».
23 - «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7,14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a José, para pôr em evidência a missão de José, como pai «legal» de Jesus (notar que a célebre profecia isaiana, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até parece prestar-se a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por são José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «atualizar» um texto antigo (chamada deraxe) não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqara’t «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás».
Eis, a propósito, o maravilhoso comentário de são João Crisóstomo, apresentando Deus a falar a José: «Não penses que, por ser a concepção de Cristo obra do Espírito Santo, tu és alheio ao serviço desta divina economia; porque, se é certo que não tens nenhuma parte na geração e a Virgem permanece intacta, não obstante, tudo o que pertence ao ofício de pai, sem atentar contra a dignidade da virgindade, tudo to entrego a ti, o pôr o nome ao filho. (…) Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).
25 - «E não a tinha conhecido…». Mateus pretende realçar que Jesus nasceu sem prévias relações conjugais, mas por um milagre de Deus. Quanto à posterior virgindade o Evangelista não só não a nega, como até a parece insinuar no original grego, ao usar o imperfeito de duração («não a conhecia») em vez do chamado aoristo complexivo como seria de esperar, caso quisesse abranger apenas o tempo até ao parto (Zerwick). Uma tradução mais à letra seria «até que Ela deu à luz», em vez de: «quando Ela deu à luz». De qualquer modo, esta afirmação não significa que depois já não se verificasse o que até este momento acontecera, como é o caso de Jo 9, 18.
 Isaías revela o mistério da Encarnação
São deveras notáveis as palavras do profeta Isaías a Acab quando lhe foi falar da parte de Deus. Para o tirar da sua incredibilidade diz-lhe: Pede o sinal que quiseres. Este recusa-se a pedir tal, alegando o pretexto de não tentar a Deus, para não se ver obrigado a deixar a sua impiedade. Isaías lança-lhe à cara a sua cobardia: Assim mostras não ter fé, não saber que Deus é todo poderoso e pode livrar-te do perigo.
Também nós adotamos ás vezes essa atitude tão absurda para um crente: Titubear, temer, oscilar. Atitudes destas não se compreendem em quem se sabe filho de Deus Pai que nos ama infinitamente. Os sinais visíveis da sua misericórdia e o milagre da nossa conversão não nos faltarão sempre que, arrependidos, ouvimos a sua palavra e, contritos, observamos os seus mandamentos.
É curioso que foi precisamente este o momento escolhido por Deus para revelar a Encarnação, mistério central da nossa fé. Infelizmente vivemos num tempo caracterizado pela rejeição da Encarnação. É como se Jesus já não encontrasse lugar num mundo cada vez mais secularizado, lamenta o Papa. Cristo é relegado para um passado remoto ou para um céu longínquo.
Quando se nega Cristo desaparece o sentido e o valor da vida; a esperança dá lugar ao desespero e a alegria à depressão. Não se ama corretamente o corpo nem a sexualidade humana, nem sequer se valoriza a natureza, a própria criação.
É preciso pôr Deus no seu lugar, repetia há anos Pai Américo, no Coliseu do Porto, cheio de espectadores que assistiam à festa dos seus gaiatos, apontando o remédio para que a justiça e a paz seja uma presença viva no seio da humanidade. Hoje repetiria o mesmo repto, mas em tom maior do que então.
Domingo de Maria
O Advento é tempo de espera do salvador–que os profetas anunciaram e a Virgem Mãe esperou com inefável amor (2.º prefácio do Advento).
O Evangelho que acabamos de ouvir refere a concepção de Maria, Mãe de Jesus, aceitação por José e o nascimento do Salvador. Desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe do seu Filho uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré, Virgem que era noiva de um homem da casa de David (CIC n. 488).
Todo o Advento está referido a Maria. No seu seio o Espírito Santo formou a carne do Redentor, tornando assim possível que o Verbo nela encarnasse e assim pudesse realizar a salvação mediante a sua morte e ressurreição. Só Maria conhece o segredo da Vida que se esconde no seu seio. Como tantas mães, ela esperou com alegria o momento de dar à luz o filho que Deus Pai havia formado no seu ventre. Só Maria é a mulher que traz nas suas entranhas o Salvador.
O centro da história é Cristo como vamos professar no próximo dia de Natal. Mas quando se quer contemplar o Sol, a Aurora é o presságio gozoso do desfrute da luz, o Salvador. Por isso hoje, prestes a dar à luz o Messias esperado, Maria e Belém enchem a nossa contemplação. O Natal aproxima-se.
Preparar Belém no nosso coração
Deus conosco. Quem não se sente como que mais perto de Deus nestes dias? Quem não se encontra mais aligeirado de preocupações, com uma verdadeira paz? Quem não experimenta uma grande alegria?
Temos que nos dispor a acolher o Salvador, limpar o coração. Estes dias dão-nos a oportunidade de nos aproximarmos do sacramento da alegria, a confissão.
Havemos de partilhar a nossa alegria com os mais pobres, os doentes, os abandonados. Estamos alegres porque temos Jesus no Sacrário, porque Deus está ao nosso alcance na oração, porque temos por mãe, a Mãe do Senhor. Vamos repartir com os outros qualquer coisa do que temos. Quando mais não seja, mais amizade, mais perdão, mais alegria. Assim, sim, será Natal.
Fala o Santo Padre
«O Natal é ocasião para saborear a alegria de nos doarmos aos irmãos.»
1. A festa do Natal, talvez a mais querida à tradição popular, é extremamente rica de símbolos, ligados às diferentes culturas. Entre todos, o mais importante é, sem dúvida, o presépio.
2. Ao lado do presépio, como nesta Praça de São Pedro, encontramos a tradicional «árvore de Natal». Também esta é uma antiga tradição, que exalta o valor da vida porque na estação invernal, a árvore sempre verde se torna um sinal da vida que não perece. Geralmente, na árvore adornada e aos pés da mesma são colocados os dons de Natal. Assim, o símbolo torna-se eloquente também em sentido tipicamente cristão: evoca à mente a «árvore da vida» (cf. Gn 2, 9), figura de Cristo, supremo dom de Deus à humanidade.
3. Por conseguinte, a mensagem da árvore de Natal é que a vida permanece «sempre verde», se se torna dom: não tanto de coisas materiais, mas de si mesmo: na amizade e no carinho sincero, na ajuda fraterna e no perdão, no tempo compartilhado e na escuta recíproca.
Que Maria nos ajude a viver o Natal como uma ocasião para saborear a alegria de nos doarmos a nós mesmos aos irmãos, especialmente aos mais necessitados. (João Paulo II, Angelus, 19 de dezembro de 2004)
Celebração litúrgica - www.presbiteros.com.br
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A longa lista genealógica com que começa o evangelho segundo Mateus termina com a figura de «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo». A intenção é inserir Jesus mais do que como um personagem da História da Salvação, mas aquele para quem tudo tende. Porém, Jesus, conhecido como «filho de José, esposo de Maria», não é apenas «o Cristo» (Messias), «filho de David». Um dado de fé tradicional da comunidade primitiva proclama-o como «filho de Deus». Muitos judeus não cristãos não aceitavam que Jesus fosse verdadeiramente descendente de David. Por outro lado, o aspecto da «concepção virginal» de Jesus pelo poder do Espírito, dado difícil de aceitar na época e ainda hoje, surge também como um elemento tradicional da comunidade primitiva. O texto de Mateus procura conciliar todos estes dados para fazer uma apresentação da verdadeira identidade de Jesus.
O texto começa por apresentar a concepção de Jesus «pelo poder do Espírito Santo» durante o tempo que medeia entre o noivado hebraico, já por si verdadeiro casamento, e a convivência matrimonial inaugurada com a introdução da esposa em casa. Este fato cria o pressuposto para a revelação divina que explica a «origem» verdadeira de Jesus e define o papel de José.
A situação de conflito que José experimenta é expressa pelas duas qualificações: esposo de Maria e «justo». Como esposo e justo, isto é, fiel à lei e tradições dos antepassados, não pode conviver com uma mulher suspeita de adultério. Por outro lado, não tendo provas da sua infidelidade, como pessoa justa, não pode expô-la à condenação com uma denúncia pública. Daqui a decisão de se separar sem processo público. Apesar de esta decisão ter algumas incongruências, toda a atenção de Mateus se volta para o sentido de «justo» que deixa de ser considerado numa dimensão ético-legal para a profunda dimensão de «justo» como aquele que cumpre plenamente a revelação da vontade de Deus.
Segundo as palavras da revelação divina, José tem um papel duplo: acolher Maria como sua esposa e dar a paternidade legal ao filho que nascerá. No primeiro caso, a justificação da ordem-convite é dada pela revelação da origem divina do filho de Maria: «o que nela de gerou é (obra) do Espírito Santo». No caso da paternidade legal – dar o nome ao filho – a motivação vem da revelação do nome «Jesus», em que se resume a sua missão salvífica: «pois ele salvará o povo dos seus pecados». A origem divina de Jesus e a sua missão salvífica são condensados no nome «Jesus», do termo hebraico Yeshûa (Yehoshua’) que significa «Yahweh salva» ou «Yahweh é salvação».
Agora se compreende porque José é interpelado pelo anjo como «filho de David». Acolhendo Maria como sua esposa, que espera um filho de origem divina, ele deve dar-lhe aquela paternidade legal que lhe garante o estatuto histórico de descendência davídica, na linha das esperanças messiânicas de alguns ambientes judaicos. Assim, a revelação divina não é para resolver um drama espiritual dos esposos, mas uma mensagem comunicada aos leitores para que reconheçam a verdadeira identidade de Jesus: o salvador de origem divina que cumpre as esperanças messiânicas.
Para acentuar o significado cristológico desta revelação divina o autor acrescenta um texto bíblico que tem o valor de reflexão teológica, introduzido por uma fórmula que ocorre mais quinze vezes ao longo do evangelho: «Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta». A citação de Isaías 7,14 vem interpretar o nome «Jesus», o Senhor salvador, mediante o título profético e messiânico de «Emanuel», Deus conosco, ao mesmo tempo que acentua a concepção virginal de Jesus como sinal para a fé cristã que reconhece em Jesus, o filho de Maria, a manifestação definitiva salvífica de Deus, conforme as palavras do Senhor ressuscitado: «Eis que eu estou convosco todos os dias até ao fim dos tempos» (Mt. 28,20).
O texto conclui-se com a fiel execução da ordem divina por parte de José que realiza o a sua dupla tarefa no projeto de salvação: acolher Maria como sua esposa e reconhecer o filho por ela gerado, dando-lhe o nome como lhe foi revelado pelo anjo.
padre Franclim Pacheco

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