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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* 2ºDom.preparando o Natal 15 dezembro 2013


Dois rostos diferentes
Como o pensamento dominante na época, João, chamado O Batista, esperava a intervenção de Deus em Israel como uma manifestação do poder e a ordem viria pela violência. (ver Mateus3,10 ou Lucas 3,7). Também nós temos a mesma ilusão. Contando com nossas armas, nossa polícia, nossos helicópteros e tecnologias, para estabelecer o Reino de justiça. Até o final os discípulos imaginavam que o Cristo tomaria o poder para restaurar o trono de Davi. João começou proclamento a proximidade da intervenção divina, reveladora da soberania de Deus. Mas logo percebeu que Jesus tomava o seu lugar, e foi preso pelos que desprezavam o poder de Deus que ele proclamava. Jesus, por sua vez, não mobilizou as multidões para tomar o poder. Ocupou-se com pobres, cegos, leprosos... Isso deixou João confuso: “Mas és tu o que estava para vir ou devemos esperar outro?“ João fará parte dos “bem-aventurados” que não vão desistir descobrindo o novo rosto de Deus? É disso que se trata: depois de Jesus somos chamados a mudar radicalmente nossa maneira de compreender a Deus, pois aquele que chamamos “divina majestade” revela-se como um dos excluídos e acaba crucificado, espoliado e despido, condenado entre bandidos.

Diante de uma escolha fundamental
O tempo da “vida pública” de Jesus abre-se com dois textos importantes, em coerência com o que acabamos de refletir. Primeiro o relato do batismo nos mostra Jesus como o “filho bem amado”, isto é, a imagem perfeita e a semelhança do Pai. Basta olhar para Jesus, escutar o que ele diz e observar o que ele faz para saber como Deus é. "Quem me viu, viu o Pai”, dirá na última ceia. O segundo texto é o das tentações. Jesus recusa o messianismo de glória e poder que lhe propõe o tentador. “Se és o filho de Deus...” quer dizer: se és a imagem perfeita do «Altíssimo»... Ora, precisamente por ser a imagem perfeita de Deus, Jesus escolhe a humildade divina, renuncia a ser “todo-poderoso”, assume a fraqueza da Cruz e sua amor o faz dar sua vida para nos dar a Vida. Estamos diante de uma subversão radical da imagem divina. E como nós também somos criados à sua imagem e semelhança, isso implica maneiras de ser e de nos comportar em completa contradição com nossas tentações de dominar, parecer e possuir. É uma outra Sabedoria, outra maneira de conceber e de ver a vida. Uma outra concepção da verdade do ser humano que exige de nós uma mudança, uma «con-versão». Resta-nos o consolo de constatar que o próprio João Batista, que se encontrava diante desse ponto de mutação (entre as duas maneiras de entender Deus e o ser humano) experimentou dúvida e confusão. Nós também não estamos sempre nessa encruzilhada?
Em direção à alegria
O que fez João Batista? «diminuiu», foi desaparecendo, para que o Cristo viesse à ser visto e crescesse (João 3,30). Aceitou que a verdade de Deus (portanto, do ser humano) é a difusão de si mesmo na superação do «eu» para existir para o outro e fazê-lo existir. Mas será que traduzindo tudo em termos de renúncia, sacrifício, etc., não arriscamos cair numa religião masoquista, no culto à fraqueza? (Talvez é por medo disso que assistimos tanta pregação do sucesso de Jesus, da prosperidade dos fiéis, do poder de Deus, dos cultos para obter êxito financeiro e outros “sinais” da intervenção de Deus... basta ligar a televisão). Entretanto a primeira leitura de hoje anuncia a alegria, pois a “revanche” de Deus é o amor. Não o amor de nossos discursos, mas o daquele que se define como amor. Por isso os grandes beneficiários da vinda de Deus são os que se vivem na “falta” (deficiência): cegos, aleijados, surdos, pecadores, etc. E os outros? Quem se acha “normal” deve criar alma nova e uma “mentalidade” de “pobre”, isto é, fazer-se e reconhecer-se como pequeno, tomando consciência (lúcido) de que lhe falta o essencial: falta Deus porque há falta de amor. Essa lucidez não é para desencorajar, pois se conjuga com a esperança: Deus não nos faltará.
Ele é «aquele que vem» a nós, incansavelmente. Na aliança com ele poderemos encontrar a Justiça que aguardamos na Fé. Ele nos deu gratuitamente a sua justiça (a “justificação” como diz são Paulo), a Graça que perdoa e transforma cada um na sua semelhança de glória eterna.
[o comentário é tradução livre e adaptação sobre texto do teólogo Marcel Domergue]
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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

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