.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO Ano A

SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO
Ano A
Evangelho - Lc 1,26-38

============================
“ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA, O SENHOR ESTÁ CONTIGO”! - Olívia Coutinho

Dia 08 de Dezembro de 2013

II DOMINGO DO ADVENTO

Evangelho Lc 1, 26-38

Neste segundo domingo do Advento, somos chamados a intensificar o espírito da alegria de quem espera pela vinda  do Senhor, que já está no meio de nós, mas que ás vezes, devido ao nosso corre, corre do dia a dia, não percebemos  a sua presença.
Em plena preparação para a celebração do Santo Natal, a Igreja nos convida a celebrar a solenidade da Imaculada Conceição de Maria, como que dizendo que é impossível celebrar o Natal do Senhor Jesus, sem reverenciar a doce figura de Maria!
O Papa Paulo VI, em sua exortação apostólica Marialis Cultus, disse-nos:  “No inicio de dezembro e no coração do Advento, a Igreja coloca a solenidade da Imaculada Conceição de Maria, apontando-nos esse tempo como tempo de Maria por excelência, mais que qualquer outro tempo litúrgico, pois é nele que a vemos na mais intima relação com seu filho”.
“Imaculada Conceição de Maria”; é importante não confundirmos este dogma, com os inúmeros títulos atribuídos a Maria. Imaculada Conceição, se refere a pessoa de Maria,  vem nos afirmar que a Mãe de Jesus,  foi concebida  sem a mancha do pecado, um dom de  Deus que ela  recebeu ainda no ventre de sua mãe, e que ela  preservou em toda sua existência.
A liturgia de hoje nos convida a entrar no mistério da encarnação, a deixar Deus entrar na nossa história e transformar a nossa vida.
O evangelho fala do mistério sublime da encarnação, do amor grandioso do Pai que  ultrapassou todos os limites;  Deus se fez menino, se humanizando  no ventre de uma mulher, para se tornar como um de  nós! 
A iniciativa foi do Pai, o “SIM” foi de Maria, foi o “SIM” que marcou o início da nossa  Redenção, que mudou a história da humanidade, dividindo-a em antes e depois!
A saudação do anjo surpreendeu a humilde jovenzinha de Nazaré, um povoado entre as montanhas da Galileia! Maria, na sua simplicidade, estava longe de compreender o projeto de Deus  a se realizar através  dela. Tudo que lhe fora comunicado pelo Anjo, era grande demais para o seu entendimento, mas  mesmo sem entender, ela não  hesitou em dar o seu  “SIM” a Deus.
 Em meio as incertezas do que lhe reservaria o futuro, Maria se encoraja  mediante a promessa  revelada pelo Anjo de que o Espírito Santo lhe daria total assistência no mistério da encarnação, o que abriu para ela, uma nova perspectiva. A partir de então, Maria sentiu-se segura, na certeza de que o Espírito Santo lhe daria a força necessária para que ela pudesse  levar em frente a missão que o Pai lhe confiara: ser a mãe do Salvador!
Com o Sim, de Maria, abriu-se as cortinas de um novo tempo, o sonho de Deus torna possível, iniciava-se a construção de um novo Reino, um Reino onde o amor, a justiça e a paz  haveriam de  triunfar!
A mais bela forma de agradecermos a Deus  por tamanho amor, é responder  ao Seu  chamado, com o “sim” de Maria! Um sim, que não fique só na palavra, um sim, que a exemplo de Maria, nos coloque a serviço: “Eis aqui o (a) servo (a) do Senhor… Faça-se em mim segundo a tua vontade!”
A oração proferida pelo Anjo no encontro com aquela que geraria o Filho de Deus, ainda hoje está na boca e no coração de todos aqueles que vêem em Maria, a ternura materna do Pai! 
Ave Maria, cheia de graça...

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

============================
Evangelhos Dominicais Comentados

08/dezembro/2013 – Imaculada Conceição de Nossa Senhora

Evangelho: (Lc 1, 26-38)


Rapidamente caminhamos para o final de mais um ano. Faltam aproximadamente duas semanas para o Natal do Senhor. Natal é uma data é muito significativa. O Verbo Divino se faz homem para nos salvar. A vinda do Menino Deus é o Plano de Amor colocado em prática.

O Plano de Salvação do Pai incluía também a participação de uma humilde personagem, uma criatura muito amada por Deus e por todos nós, seus filhos. Neste Evangelho nos encontramos com a jovem Maria de Nazaré. Corajosa, humilde e de uma fé inabalável.

Assim que o Arcanjo Gabriel lhe disse para não ter medo, não pensou duas vezes; acreditou e corajosamente deu o seu "Sim", para que o Plano de Deus pudesse ser executado.

O diálogo entre a Virgem e o Arcanjo mostra que devemos estar sempre abertos para ouvir aquilo que Deus nos pede. Maria estava aberta ao diálogo. Atentamente ouviu o pedido do Pai, através do Arcanjo e de imediato colocou-se a serviço.

Ao cumprimentá-la, disse o Anjo: "Alegre-se!” A alegria é o presente que recebemos do Pai, é algo que brota de dentro de nós, como dom de Deus, quando cumprimos sua vontade.

A alegria tomou conta Daquela que foi chamada por Deus de "Cheia de Graça". Cheia de Graça porque foi concebida sem pecado, isenta de tudo que ofende a Deus e ao próximo. Maria é uma criatura pura e cristalina, um verdadeiro Sacrário para abrigar o Filho de Deus.

"Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?" Esta foi sua única dúvida. Como mulher inteligente, casta e santa, não conseguia imaginar como poderia se realizar essa gravidez. Mesmo não entendendo a profundidade da resposta do Arcanjo, Maria acreditou e entregou-se totalmente a Deus.

"Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra". É assim que Maria participa da obra redentora de Deus. Mas a sua maternidade divina não é um dom só para ela. É dom para todos nós. Pela obra do Espírito Santo e pela fé de Maria, Cristo entra na história e inicia a obra de redenção da humanidade.

Nossa Mãe é repleta de virtudes, porém, a humildade e a fé nela transparecem. Saem como raios de seu interior, podem ser vistas de longe. Humildade e fé transbordam no coração da Cheia de Graça; são esses os dons que precisamos aprender cultivar e fazer crescer em nossos corações.

Deus concede suas graças conforme a missão que confia a cada um de nós. Pacientemente, Deus espera o nosso sim e, se nos escolheu para o apostolado, certamente, também nos dará as graças necessárias para cumprirmos a tarefa.

Imitar Maria, confiar e entregar-se à vontade divina, essa é a receita, assim deve ser nossa conduta, apesar de, tantas e tantas vezes, nos fazermos de desentendidos e surdos, diante do convite de Deus, para darmos continuidade ao seu projeto de salvação. 

(01472)




============================

A liturgia do tempo do Advento não somente nos faz recordar as promessas de Deus sobre o Messias, mas também nos vai mostrando os traços da missão desse Salvador tão prometido e tão esperado.
O profeta Isaías usa uma imagem impressionante: do velho tronco de Jessé, isto é, da dinastia já antiga de Davi, nascerá uma hastezinha, modesta, frágil, pequena: um rebento! Querem coisa mais frágil, mais débil? Qualquer criancinha pode, travessa, quebrar, estiolar uma haste... E, no entanto, sobre este rebento tão frágil repousará o Espírito do Senhor. Esta haste é o ungido pelo Espírito, é o Messias, o Cristo de Deus, brotado da Casa de Davi! João, o Batista, dirá no Evangelho de hoje que “ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”, isto é, com o fogo do Espírito! Só ele pode fazer isso, porque somente ele é pleno do Espírito: “Espírito de sabedoria e discernimento, Espírito de conselho e fortaleza, Espírito de ciência e temor de Deus”. Como é Santo o Messias prometido pela boca dos profetas! Porque pleno do Espírito, ele é justo: ele não julgará pelas aparências nem decidirá somente por ouvir dizer, mas trará a justiça para os humildes e uma ordem justa para os pacíficos”. Eis: ele vem para quem tem um coração pobre, para os que têm consciência que, sozinhos, não poderão nunca levar o peso da vida. Somente os pobres poderão acolhê-lo, reconhecê-lo, alegrar-se com sua chegada: sua justiça é justiça para quem chorou, para quem sentiu fraqueza física, moral, psíquica, econômica ou existencial... “Com justiça ele governe o vosso povo; com equidade ele julgue os vossos pobres. No seus dias a justiça florirá e grande paz até que a lua perca o brilho! Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá pena do humilde e do infeliz, e a vida dos humildes salvará. Todos os povos serão nele abençoados, todas as gentes cantarão o seu louvor!” Que Rei bendito! Que santo Messias! Que esperança para o nosso coração cansado, para o nosso mundo desiludido! Porque ele vem curar os corações, vem trazer o perdão de Deus, aqueles que o acolherem conhecerão a paz verdadeira: “O lobo e o cordeiro viverão juntos e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leão comerão juntos e até mesmo uma criança poderá tangê-los. A vaca e o urso pastarão lado a lado, enquanto suas crias descansam juntas; o leão comerá palha como o boi; a criança de peito vai brincar em cima do buraco da cobra venenosa; e o menino desmamado não temerá pôr a mão na toca da serpente. Não haverá danos nem mortes... porque a terra estará repleta da ciência do senhor quanto as águas que cobrem o mar...” Que sonho: uma humanidade reconciliada, um mundo de paz, um homem uma criação em harmonia... Eis o sonho do Messias, eis o dom que ele traz! São Paulo diz, na Carta aos Romanos, que Cristo realiza este sonho prometido. A primeira reconciliação que ele trouxe foi unir num só povo, numa só humanidade, o que antes era dividido: judeus e pagãos. Quem o acolhe agora é parte de um novo povo – a Igreja!
Mas, esta paz precisa ainda aparecer claramente no mundo! E aqui, não nos iludamos: o mundo não conhecerá a paz de verdade, o coração humano não conhecerá o sossego enquanto não acolher de verdade o Cristo do Pai, o Senhor Jesus! O sonho que Deus sonhou para nós e para toda a humanidade ao enviar Jesus, não poderá ser sonhado e realizado sem o nosso “sim”. E o trágico é que o mundo vai dizendo “não”. Este Natal de 2010 encontrará o mundo mais pagão que o de 2009... Que pena!
Nós, cristãos, temos, no entanto, uma missão neste mundo, nesta situação atual. Escutemos o profeta: "Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo! Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira que v ai chegar? Produzi frutos que provem a vossa conversão! O machado está na raiz da árvore e toda aquela que não produzir fruto será cortada e lançada ao fogo!” Caros irmãos, o Advento, tempo de alegre expectativa, é também tempo de juízo. O mundo precisa do nosso testemunho, da nossa palavra de esperança, do nosso modo de viver inspirado no Evangelho! Chega de um bando de cristãos vivendo como todo mundo vive, pecando como todo mundo peca, medíocres como todo mundo é medíocre! Se não dermos frutos, seremos cortados! Vivemos num mundo que não somente é descrente como também zomba da fé: as porcarias das novelas, a corrupção dos governantes, a imoralidade sexual, e dissolução das famílias, a imoralidade da ciência prepotente que se julga senhora do bem e do mal, as calúnias e mentiras contra a Igreja, o modo de viver de quem não tem esperança... E muitos de nós, que nos dizemos crentes, não notamos isso, vivemos numa boa entre os pagãos e como os pagãos... E ainda nos dizemos cristãos!
O roxo desse tempo convida-nos à vigilância, a compreendermos que Aquele que vem com amor, que vem como Salvador, nós o podemos perder para sempre se não nos abrirmos para ele no aqui e no agora de nossa existência. Não brinquemos com a vida que temos: ela poderá ser plenificada pelo Santo Messias com a glória do céu; ou poderá ser perdida para sempre, longe do Cristo de Deus, num total absurdo, a que chamamos inferno! Não esqueçamos: o sonho de Deus é lindo: é de salvação e de paz! Levemo-lo a sério, vivamo-lo e sejamos suas testemunhas no mundo de hoje! Não relaxemos, não desanimemos, não nos cansemos de esperar. Como diz a profecia de Isaías, numa de suas passagens mais misteriosas: “Sentinela, que resta da noite? Sentinela, que resta da noite? A sentinela responde: ‘A manhã vem chagando, mas ainda é noite’. Se quereis perguntar, perguntai! Vinde de novo!” (Is. 21,11s). Quanto restará da noite deste mundo? Não sabemos! Mas, a manhã, a aurora radiosa do dia do Messias virá! Nós somos as sentinelas que o Senhor colocou na noite deste mundo. Vigiemos! Ainda que tantas vezes nos perguntemos: Meu Deus, “quanto resta de noite?” O Senhor não nos impede de perguntar: “se quereis perguntar, perguntai...” Mas – atenção! – ele não aceita que percamos a esperança, que deixemos nosso posto de vigia: “Vinde de novo!” eis, novamente, o convite que ele nos faz: Vinde de novo! Recomeçai, retomai a esperança, vigiai: ainda é noite, mas a manhã luminosa vem chegando! Vem, Senhor Jesus! Vem, ó Santo Messias! Tem piedade de nós! Amém.
dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com
============================

Preparados para o natal?
Os noticiários já falam nas previsões para o Natal deste ano, se será bom ou ruim, melhor, igual ou mais fraco que o do ano passado. Isso para o comércio, que, sem dúvida, já se preparou de acordo com as previsões mais realistas. Esse Natal é um grande motor da economia, é a grande festa do consumo, a grande festa do capitalismo.
O nosso preparar-nos para a vinda do Senhor é outra coisa. Neste domingo, já aparece a figura de João Batista, o anticonsumo. A austeridade com que ele se apresenta, a sua roupa e sua comida já revelam sua mensagem: mudar de mentalidade.
A palavra grega metanoia, que nos três primeiros Evangelhos resume a pregação de João e também a de Jesus, é fácil de entender. Meta é o mesmo prefixo grego que encontramos em “metamorfose” e indica mudança, significando aqui “mudança de forma”. Noia nós conhecemos de “paranóia” e refere-se à cabeça. Metanoia é, então, “mudança de cabeça”, mudança de mentalidade, de maneira de pensar e agir.
Assim, a nossa preparação para a vinda do Senhor – não apenas para a celebração do nascimento de Jesus – vai remar contra a corrente do capitalismo, que governa o nosso mundo. E essa corrente não é um filete de água, mas um caudal imenso, que vai arrastando tudo com sua força avassaladora. É contra essa corrente que remamos.
Diz a antiga fábula: O lobo e o cordeiro foram ao mesmo córrego beber água. Vendo o cordeiro, o lobo diz: “Vou te matar porque estás sujando a minha água!” O cordeiro responde: “Não pode ser, eu estou mais embaixo, a água está correndo daí para cá”. O lobo diz: “Então eu vou te devorar porque na semana passada teu pai me insultou!” “Não pode ser”, responde o cordeiro, “faz dois meses que meu pai morreu”. “Ah! Se não foi teu pai, foi teu irmão, teu tio...”. E avançou sobre o cordeiro. O fabulista conclui: “O mais forte sempre acha uma razão para devorar o mais fraco”. Não será esse o princípio que governa o nosso mundo?
1ª leitura (Is. 11,1-10)
Isaías depositava grande esperança no futuro rei. Com ele, a lei do mais forte vai acabar, pois tanto o rei como o país inteiro, todos vão defender os fracos. Deixaremos, então, de ser bichos uns para os outros. Isso resume o belo texto de Isaías, motivo de muitos cânticos de Advento.
Isaías era familiar ao palácio de Acaz e conhecia bem seu filho Ezequias, em quem depositava grande confiança. Ezequias foi realmente um dos melhores reis de Judá, mas o poema de Isaías que expressa sua confiança nele vai muito além.
A dinastia de Davi, o filho de Jessé, estava enfraquecida, quase liquidada diante do poderio crescente da Assíria. Falando em ramo familiar, o de Jessé estava reduzido a quase nada, a um toco cortado quase rente ao chão. Como de uma velha parreira decepada, do toco ou até das raízes, ainda pode surgir um broto novo, assim também surge aqui o broto novo do ramo familiar de Jessé.
O Espírito do Senhor lhe dará as qualidades dos famosos antepassados, a sabedoria e a perspicácia de Salomão, as qualidades bélicas de prudência e ousadia de Davi, e ainda vai lhe acrescentar outras duas: o temor e o conhecimento de Javé. O próprio texto vai explicar o que é “temor de Javé”: é não julgar por interesses escusos (v. 3), mas fazer justiça aos fracos e castigar o opressor. “Conhecer Javé” Jeremias explica em 22,15-16. É praticar o direito e a justiça, fazer justiça ao humilde, ao indigente.
Inspirado no temor de Javé, o novo rei vai acabar com a estória do lobo e do cordeiro, quando o mais forte sempre tem razão e sempre encontra um motivo para devorar o mais fraco. Então, “o lobo será hóspede do cordeiro, o leopardo vai se deitar ao lado do cabrito...”. As pessoas deixam de ser bichos umas para as outras.
Inspirado no temor de Javé, ele vai usar de sua autoridade para fazer justiça ao fraco e reprimir o opressor. Assim, o resultado será que, não só ele, mas o país inteiro estará inundado do “conhecimento de Javé”, todos sabendo respeitar os direitos dos fracos.
Aquilo em que o profeta foi além em seu poema ficou como esperança messiânica, esperança de um salvador definitivo para o porvir. Será que o Cristo já realizou isso?
2ª leitura (Rm. 15,4-9)
Os cristãos judeus tinham sido expulsos de Roma. Agora, autorizados a voltar, retornavam para Roma e para as suas comunidades. Seriam bem recebidos pelos irmãos que não eram judeus?
Essa situação é que nos dá o contexto geral da carta aos Romanos. Aqui, já na parte parenética ou nas recomendações finais, Paulo diz que é tempo de esperança, esperança fundamentada na palavra de Deus, nas Escrituras. Nelas, encontramos encorajamento e firmeza, palavras frequentemente traduzidas por “paciência” e “consolação”.
O Deus do encorajamento e da firmeza é que deve levar os cristãos a ter um mesmo pensar, seguindo o Cristo Jesus. Só assim se podem superar as dificuldades de relacionamento entre os cristãos judeus que voltam e os cristãos gentios que ficaram. Só assim poderão participar unidos numa mesma celebração para louvar a Deus.
A prática é essa mesma, saberem acolher uns aos outros, sem discriminação e sem preconceitos. Assim é que o Cristo nos acolhe. Ele se pôs a serviço dos judeus para realizar as esperanças consubstanciadas nas promessas contidas em suas Escrituras Sagradas. Nem por isso os não judeus, “gentios” ou “nações”, são esquecidos, pois as mesmas Escrituras os convidam também a louvar o Senhor.
Evangelho (Mt. 3,1-12)
Estamos nos preparando não para a festa do Natal, mas para a chegada de Jesus, o Messias, o Salvador! O evangelho vai nos responder quem é esse que prepara os caminhos do Senhor, como é que ele vive, qual a sua mensagem.
Aparece João Batista. Ele prega no deserto da Judeia, num lugar ermo e sem vida. Sua mensagem se resume em metanoia, a mudança de cabeça, mudança de mentalidade, a coragem de remar contra a corrente do pensamento dominante, a coragem de pensar e agir diferente.
O motivo é que o reinado de Deus está chegando. O Evangelho de Mateus, sendo de cristãos judeus, fala de “céus” para substituir a palavra Deus, por respeito ao Nome. Quando diz reino dos céus, então, está dizendo reinado de Deus, mundo onde manda Deus, não o dinheiro ou um de seus súditos.
João prepara os caminhos do Senhor. Sua figura é sua mensagem e já contrasta fortemente com o pensamento dominante do seu tempo, quanto mais o de hoje. Como o profeta Elias, ele veste uma roupa tecida de pelos de camelo, com uma cinta de couro. Seu alimento também não combina com os banquetes e as bebedeiras dos poderosos do seu tempo, nem do nosso Natal consumista. Ele prega a metanoia.
Representantes de dois poderosos movimentos religiosos rivais – o dos fariseus, que dominavam a consciência do povo, e o dos saduceus, que comandavam o Templo e o sinédrio – vão à procura do batismo de João. Estarão também querendo mudar de mentalidade?
João os aborda sem meios-termos: bando de cobras venenosas! A metanoia tem de ser efetiva, produzir resultados práticos; não é mero ritual, o batismo, para tentar enganar os outros, a si mesmo e a Deus! O título de filho de Abraão (ou de cristão) não dá isenção a ninguém, todos têm de mudar de mentalidade.
Não adianta parecer uma árvore frondosa e bonita; o machado já está ao pé das árvores, e a que não estiver produzindo frutos vai ser cortada e jogada ao fogo. Frutos de verdadeira metanoia!
Depois, João fala de Jesus. “Não sou digno de carregar suas sandálias” pode significar também: não mereço ficar no lugar dele, assumir a função dele. Como em Rt. 4,7ss: o que desiste da tarefa e a passa a outro tira e lhe entrega a sandália.
“O Espírito Santo e o fogo”, no contexto da comparação com o lavrador que abana o seu cereal, poderia significar “o vento e o fogo”, o vento que carrega a palha e o fogo que vai queimá-la. Jesus, que vem, é o último juiz da humanidade; ele separa o grão da palha, ele guarda o grão no seu celeiro e joga ao fogo a palha, o que não tem serventia. No final do capítulo 25 do mesmo evangelho, ele vai dizer: “Vinde, benditos” e “ide, malditos”.
Dicas para reflexão
Advento não é tempo de preparar as comemorações do Natal, os presentes, as comidas, bebidas e roupas. É tempo de caminhar ao encontro pessoal e comunitário com o Cristo, o Messias Jesus. Seu berço foi um cocho, dentro de um estábulo, e seu leito de morte foi a cruz.
Nossa caminhada ao encontro do Cristo exige a metanoia, a mudança de cabeça, porque o reinado de Deus está chegando. Se é Deus, Pai de todos, e não o dinheiro, pai só de alguns, que deve comandar, então é preciso mudar as cabeças.
Metanoia nos leva a nadar contra a corrente, embora esta seja mais volumosa que o rio Amazonas. Na minha prática cotidiana, na chegada do próximo Natal, por exemplo, o que isso significaria?
Jesus realizou as palavras de Isaías e acabou com a estória do lobo e do cordeiro? Todos já deixamos de ser bichos uns para os outros? Que fez Jesus? Que falta ainda para esse sonho acontecer? Quem será o responsável para levá-lo a cabo? Basta cantar: “Da cepa brotou a rama...”?
Celebrações vazias, que não movem o coração e a mente nem dos que as presidem, quanto mais dos participantes, tornam a todos semelhantes aos fariseus e saduceus que foram pedir o batismo a João.
João cobrava deles o fruto ou resultado, que é uma metanoia verdadeira, sincera. A vinda de Jesus é a vinda do juiz que não se engana, pois sonda os rins (os sentimentos) e o coração (a mente).
Na eucaristia, celebramos um mundo diferente, que vem por um caminho diferente; a mesa comum da humanidade, que vem da partilha de si, do partir-se em pedaços como aquele pão. O caminho é a austeridade, não o consumo exasperado; é o sacrificar-se pelo outro, não o aproveitar-se da situação. A chegada é a mesa comum.
padre José Luiz Gonzaga do Prado - www.paulus.com.br


“Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria
do vosso coração, soará majestosa a sua voz”(cf. Is 30,19.30)
Vamos caminhando para a metade do tempo do advento: este segundo domingo tem como centro de reflexão o REINO DE DEUS. A liturgia é permeada pela conversão que trata o Evangelho de hoje.
Conversão que está intimamente ligada a vigilância. Como afirmou santo Agostinho em uma vigília: “Para nós, cristãos, viver não é outra coisa que vigiar. E vigiar é abrir-se à vida”. No Evangelho, encontramos muitas palavras de Jesus nos exortando à vigilância. Um dos textos que inspirou muito a liturgia do advento é a parábola das virgens sábias, contada em Mt. 25,1-13, com sua imagem das lâmpadas acesas e seu mandamento de vigiar.
A temática de hoje nos fala de um Jesus adulto, Jesus pregador da Boa-Nova, de Jesus no exercício de sua doce missão de Messias, e de qual deve ser o nosso comportamento diante de Jesus. Na verdade, não é possível separar muito a vinda do Cristo na noite de Natal e sua passagem por nós na hora da graça, de sua vinda gloriosa no fim dos tempos. Deus não tem a dimensão de tempo e de espaço que são critérios mundanos. Mas Deus, por intermédio de Jesus de Nazaré, quis entrar no espaço e no tempo do homem. Assim celebramos as várias etapas da vida de Jesus.
A primeira leitura (cf. Is. 11,1-10) nos apresenta o Rebento de Jessé, o Messias-Rei. A justiça em prol dos pequeninos. Quando o carvalho é abatido, sobra o tronco, que pode brotar de novo. No capítulo 11 do profeta Isaías fala do novo rei Ezequias, mas, a longo prazo, de um ungido – que quer dizer Messias escatológico, que brotará do trono de Jessé. As suas qualidades serão a sabedoria como a sabedoria de Salomão, a inteligência e a fortaleza como as de Davi, a devoção como Moisés e Abraão. Este Messias praticará a justiça de Deus, será um pai para os pobres.
Somos convidados hoje a não mudar somente as estruturas do mundo, e mesmo da Igreja instituição. Somos convidados, sim, a mudar as estruturas do coração humano, de nosso coração que deve ser assemelhado ao coração misericordioso de Jesus. Conversão que tem duas dimensões: a conversão pessoal e a conversão comunitária. Evidentemente não existe a conversão comunitária sem a conversão pessoal. De uma maneira muito simples gostamos muito de pedir que os outros se convertam, mas esquecemos nós, primeiramente, de nos converter.
A conversão passa pelo chamado combate espiritual de maneira pessoal e objetiva. Temos que nos converter, custe o que custar. Muitas vezes gostamos de colocar defeito nas pessoas, nas coisas e a inveja e a disputa de poder permeia toda a sociedade moderna. Isso é muito difícil! Temos que abandonar a calúnia, a injúria e a difamação e anunciar o perdão, a acolhida e a misericórdia.
Todos devemos nos converter, partindo da hierarquia que presta o serviço religioso, a todo o povo de Deus. Todos, sem exceção somos pecadores, e devemos correr pressurosos para a santidade e a misericórdia.
A conversão deve ser continua soma de atos, de atitudes, de misericórdia, de acolhida do diferente, de compaixão, de acolhida e de amor.
Para entrarmos no espírito do Natal temos que viver a conversão. A conversão que ilumina a santidade. Seremos santos na medida que nossos critérios de ação e nossos atos se igualarem aos critérios e atos de Deus. A conversão não é acabada, é um processo cíclico. A conversão deve ser diuturna, ou seja, quotidiana.
Conversão que é voltar para o rosto sereno e radioso do nosso Senhor e Redentor.  Conversão que não pode ser somente espiritual, mas que tem que ser manifestada nas obras de caridade, na acolhida do pobre, do miserável aos olhos do mundo que se transforma no rico diante de Deus.
Vamos abandonar o pecado e viver a graça santificante. Este é o desafio! Receber Jesus, segundo o Evangelho de hoje, não é apenas aplaudi-lo ou admirar a sua vida e a sua obra. Receber Jesus é largar todos os interesses pessoais e segui-lo até que não haja mais diferença ente o que eu penso, amo e faço e o que Jesus pensa, ama e faz. Ou o Natal do Senhor Jesus me muda e me faz assumir compromissos de bondade, justiça, verdade, santidade e paz, ou o Natal será como as águas de um rio que passam longínquas do terreno da minha história.
O batismo de João Batista, o precursor, nos lembra que as águas nos lavou, pelo batismo, de nossos pecados, nos deve interpelar a lavar o pecado da infidelidade para com Deus, lavar o pecado do orgulho e da auto-suficiência, arraigado no homem desde Adão. Somos chamados a ter uma vida nova, totalmente renovada, fecundando nossas ações e trabalhos pastorais  na caridade, no amor e na partilha.
Jesus veio encarnar na Virgem para que o REINO DOS CÉUS acontecesse em nossa história e em nossa vida terrena. Reino dos Céus que se inicia aqui e tem a sua plenitude na ETERNIDADE DAS ALEGRIAS celestes. A construção do nosso Reino dos céus depende de nossa fidelidade a Cristo e do nosso autêntico processo de conversão diária. Corações ao Alto: o nosso coração está em Deus, canta a liturgia eucarística. Assim deve ser a nossa vida, sempre lembrando do alerta do Batista: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo!” (cf. Mt. 4,17). Esta deve ser a nossa atitude. Amém!
Todos nós somos convidados a tomarmos uma atitude fundamental neste belo tempo do advento. Não só neste tempo, mas em nossa vida: A CONVERSÃO! Para nos encontrarmos como Cristo, devemos corresponder a que Jesus espera de nós. Jesus julgará com retidão em favor dos pobres, conforme nos ensina a primeira leitura. O Messias se alinha com os pobres. Será que nós estamos alinhados com ele?
São Paulo, na segunda leitura de hoje (Rm. 15,4-9) exorta os fiéis a imitarem o exemplo de Cristo: como Cristo assumiu nossa salvação, executando o projeto do Pai, cabe a nós assumir-nos mutuamente, conforme o ensinamento da Segunda Leitura. Devemos ter os mesmos sentimentos de Cristo, de acolher-nos uns aos outros como Cristo nos acolheu. Na família de Deus existe lugar para todos, pois em relação a todos manifestou-se a misericórdia de Deus em Cristo Jesus. Acolher significa imitar a Cristo, fazer justiça para todos, conviver em harmonia, respeitando as diferenças entre os outros. A paz na situação concreta da comunidade cristã, é ameaçada pela oposição dos fortes e fracos. Provavelmente trata-se também das tensões entre judeu-cristãos e gentios convertidos. Deus os chamou a todos: por isso devem assumir-se mutuamente. A razão e norma disto é Cristo mesmo, que tanto fez e sofreu por nós.
Nós somos chamados a dialogar com os homens e com Deus. Nosso encontro com os outros deve ultrapassar os estreitos limites da pura cortesia e da convivência social; do contrário se esvaziará. A categoria social fundamental é a relação “eu-tu”. Ora o “tu” do outro homem é o “tu” divino. Cada “tu” humano é imagem do “tu” divino. Em conseqüência, o caminho para os outros e o caminho para Deus coincidem; trata-se de aceitar ou de recusar. O relacionamento real com o outro varia conforme o relacionamento com Deus. Somente na comunidade eclesial, a dos que estão voltados para Deus, é que se pode viver realmente o encontro com os outros, dentro de um mesmo amor.
Advento, abrir o nosso coração Aquele que vem vindo para nos salvar. Vivamos bem este tempo!
padre Wagner Augusto Portugal - www.catequisar.com.br

============================
Convertam-se, porque o reino dos céus está próximo!
No domingo passado, refletíamos sobre o risco real de não nos darmos conta da vinda de Jesus Cristo por causa das preocupações deste mundo. E, por isso, hoje, nos perguntamos: de que modo este tempo de Advento nos adverte para a chegada do Messias?
Ligamos a TV ou checamos o nosso e-mail e vemos um exagero de propagandas de produtos em promoção; junto a isso, um sem fim de anúncio de programas televisivos “especiais” de fim de ano. Muitas luzes brancas ou coloridas piscam enfeitando ruas, igrejas, lojas. Nas casas, árvores de natal, presépios, guirlandas. Começam as festas com a brincadeira de amigo oculto e distribuição de presentes.
São sinais que deveriam dizer pra nós com força: é tempo de preparar o interior para acolher o Salvador do mundo. Convertam-se! Mudem de mentalidade! Mas parece que tais sinais nos estimulam a fazer exatamente o contrário: preocupem-se só com os prazeres materiais, comprem, bebam, esqueçam quem na realidade deve ser lembrado.
O cristão autêntico vive neste mundo, e, apesar das dificuldades, deve considerar estes sinais precursores para que aqueçam o nosso coração para esperar, desejar e acolher aquele que está para chegar. Assim, ninguém poderá dizer: “ah, eu não sabia que o Natal estava próximo”.
A liturgia de hoje apresenta um precursor, aquele por excelência: João. Aparece no deserto vestindo pele de camelo e cinturão de couro. Ao mostrar João vestido dessa forma, Mateus quer nos dizer que ele é profeta ao modo de Elias; tal profeta conduziu o povo de volta ao Deus verdadeiro. Além da roupa simples, se alimenta de gafanhotos (alimento próprio dos beduínos pobres) e de mel. Esta fuga de popularidade é explicada pelo fato de que “aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar suas sandálias”; ele não quer chamar a atenção, nem está preocupado com o próprio prestígio, interesse ou sucesso, mas encaminha tudo exclusivamente a Jesus.
Uma das tarefas principais do AT era denunciar os desvios do caminho do Senhor. Por isso, João é o precursor definido pelo profeta Isaías como “a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!”.
João Batista tem uma voz forte, clara e decidida porque sabe muito bem quem está para chegar, ele faz de tudo para que as pessoas se preparem de modo justo para esta chegada. Ele convida a conversão: “convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo”. A conversão é simbolizada aqui pelo tempo no deserto, tempo de prova, tempo de transformação, assim como o povo liberto do Egito foi conduzido por Deus até a terra prometida, alcançando-a finalmente pela travessia no Jordão.
Quem escuta João, se batiza no Jordão, confessando os próprios pecados. O batismo de João era algo tão raro que ele ficou conhecido como João, o Batista. De fato, através do batismo nas águas do Jordão, a pessoa confessava os pecados, purificando-se para se aproximar do Messias. Um ponto importante é que não devemos identificar esta conversão com o comportamento farisaico. Ser fariseu é fazer a coisa certa pelo motivo errado. Somos fariseus quando fazemos algo correto por medo, por interesse, pela busca da aprovação e admiração. O fariseu vive naquele que apresenta uma boa imagem, sem de fato ser bom. Podemos chegar a ser tão orgulhosos que ouvindo a mensagem de Jesus, fingimos acreditar ser pecadores, e, consequentemente, fingimos acreditar ser perdoados.
“Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? Produzi frutos que provem a vossa conversão”. Eles cumpriam a lei, mas desprezavam os fracos, condenando-os ao castigo divino. João deixa bem claro que quem não produz frutos bons será cortado e jogado no fogo. Estes frutos bons são fáceis de entender, é simplesmente o modo como tratamos uns aos outros: com amor.
“Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu”, diz a II leitura. Acolher é uma parte do amor, quem sabe, a mais difícil. Quantas vezes na nossa família não nos suportamos, discutimos, ofendemos com palavrões o próximo ou mesmo com o desprezo. Como Cristo acolheu a nós: a ovelha perdida, o bom ladrão, com o amor misericordioso, assim devemos acolher o próximo. Para isto, somos batizados com o fogo e com o Espírito Santo na totalidade de seu amor e de seus dons.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento - www.pecarlos.blogspot.com

============================
"Convertei-vos"
Em nossa caminhada para o Natal, a liturgia desse domingo nos convida a nos despir dos valores efêmeros e egoístas que muitas vezes nos fascinam, para dar lugar em nós aos valores do Reino de Deus.
As leituras bíblicas apresentam duas figuras típicas do Advento: Isaías e João Batista
Na 1ª leitura, Isaías apresenta um enviado de Javé, descendente de Davi, com a missão de construir um Reino de Justiça e Paz. (Is. 11,1-10)
É uma das maiores profecias do Antigo Testamento referentes ao Messias, com que o profeta reaviva a esperança do seu povo, diante das ameaças do imperialismo dos assírios. O poema dá as características:
- será descendente de Davi: (Jessé é pai de Davi) "Naqueles dias, do tronco de Jessé sairá um ramo e um broto de sua raiz".
- Será animado pelo Espírito de Deus. Como na Criação, sobre ele pousará o Espírito do Senhor: Espírito de sabedoria e inteligência, de conselho e de fortaleza, de conhecimento e de temor de Deus, (de piedade).
É esta a origem da nossa lista dos 7 dons do Espírito Santo.
- Será portador da justiça e da Paz: "Trará justiça para os humildes..." Haverá a reconciliação da criação: voltará a harmonia perdida entre o homem e a natureza, entre os animais selvagens e domésticos.
Jesus é o "messias"  que veio tornar realidade o sonho do profeta. Ele iniciou esse "Reino" novo de justiça, de harmonia, de paz sem fim. Cheio do Espírito de Deus, ele passou pelo mundo convidando os homens a se tornarem "filhos de Deus" e a viverem no amor e na partilha.
Mas a profecia está longe de sua completa realização. O Reino novo trazido por Jesus só poderá se estabelecer a partir de nossa conversão pessoal, familiar e comunitária.
Na 2ª leitura Paulo exorta os cristãos de Roma a viverem no amor, dando testemunho de união, de amor, de partilha, de harmonia, a fim de que louvem a Deus, com um só coração e uma só alma. (Rm. 15,4-9)
No Evangelho, João Batista anuncia que esse Reino está próximo, mas para que se torne realidade precisa converter-se (Mt. 3,1-12)
- Personalidade: é uma figura impressionante, que fascina o povo; tem um estilo de vida austera: no vestir, no comer, no falar, no morar... Vive no "deserto", lugar das privações, do despojamento, mas também lugar tradicional dos encontros entre Deus e Israel.
- Mensagem: é um apelo à conversão - "Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo..." "Preparai o caminho do Senhor: endireitai as veredas para ele."
- Reação ao anúncio:
- o povo simples: reconhece seus erros e pede o batismo;
- os fariseus e saduceus vão ao encontro de João por curiosidade apenas e são desmascarados: "Raça de cobras venenosas... produzam frutos que a conversão exige e não se iludam a si mesmos, dizendo: “Abraão é nosso Pai".
- O batismo de João: consistia na imersão na água do rio Jordão para as pessoas que aderiam a esse apelo de conversão. Significava o arrependimento, o perdão dos pecados e a agregação ao povo fiel. Mas ele avisa, que aquele que vem depois dele "batizará no Espírito Santo e no fogo..."
Portanto o batismo de Jesus vai muito além do batismo de João: 1) confere, a quem o recebe, a vida de Deus e torna-o filho de Deus; 2) incorpora-o à Igreja e torna-o participante da missão da Igreja no mundo.
É um quadro de vida completamente novo, uma relação de filiação com Deus e de fraternidade com Jesus e com todos os outros batizados. É um sacramento.
A voz de João Batista continua convidando à conversão...
Não é possível acolher "aquele que vem" se o nosso coração estiver cheio de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preocupação com os bens materiais.
Se quisermos celebrar a vinda do Senhor e participar do seu Reino, devemos preparar o caminho, mudar o nosso coração. Nesse itinerário, não há espaço para a hipocrisia. Não bastam as aparências, apenas dizer que somos cristãos porque recebemos o batismo. A conversão deve ser comprovada pela ação.
Os frutos de conversão comprovam a autenticidade da nossa conversão: não bastam alguns sentimentos religiosos... ou algumas práticas piedosas... Precisamos apresentar frutos de conversão: paz, fraternidade, justiça...
- Quais os caminhos tortos, que devemos endireitar?
- Quais os frutos de conversão que Deus está esperando de nós, neste Advento, em preparação ao Natal?
- Estamos convencidos de que, se não dermos esse passo, nunca será Natal em nós, nem mesmo no dia 25 de dezembro?
Deus espera que tenhamos a coragem de dar esse passo!
padre Antônio Geraldo Dalla Costa - buscandonovasaguas.com


Convite à conversão
O apelo premente lançado por João Batista aos que se apresentavam para serem batizados exigia ser acolhido no mais íntimo do coração, onde a conversão deveria dar seus primeiros frutos. A preparação para acolher o Messias requeria dos crentes reformular seu modo de pensar e agir (metanóia), cujo sinal seria a predisposição a abandonar o caminho do mal e do pecado para trilhar o caminho do amor e da justiça.
A figura austera do Batista e sua linguagem inflamada não davam margem para dúvida. Urgia converter-se sem demora, pois a manifestação do Reino corresponderia a uma espécie de juízo divino sobre a história humana. Num linguajar metafórico, anunciava que as árvores que não produzissem frutos bons seriam cortadas e jogadas no fogo. Quem não fosse capaz de produzir "frutos dignos de conversão" seria objeto da ira divina.
Os escribas e saduceus que faziam parte do auditório, conhecidos por sua espiritualidade superficial, foram alvos das invectivas do Batista. Seu modo de proceder, falsamente piedoso, era desaconselhável. Deus não se deixa impressionar com exterioridades, pois perscruta os corações, onde espera encontrar sinais de conversão.
A presença iminente do Messias exige uma pronta decisão. E a prudência pede que seja tomada sem demora. O Reino não se faz esperar. Quem recusa a se converter, será deixado de fora. O Messias Jesus, porém, quer acolher a todos.
padre Jaldemir Vitório - www.domtotal.com
============================
“Sobre ele repousará o espírito do Senhor.”
Nós estamos acostumados com o imediatismo e com os valores passageiros, e é neste contexto que a liturgia deste domingo nos convida a dar mais importância aos valores fundamentais que marcam nossa vida para sempre, e construir nossa história nestes valores. O valor do Batismo, dos Mandamentos, e outros tantos valores evangélicos, envolvem-nos de tal modo, que construiremos o Reino de Deus. Os valores verdadeiros libertam-nos do egoísmo do desejo imediato dele.
O profeta Isaías apresenta-nos na 1ª leitura um enviado de Deus, da descendência de David, sobre o qual repousa a plenitude do Espírito de Deus. A Missão dele será de construir um reino de justiça e de paz sem-fim...
O Messias virá “da raiz de Jessé”. Ele era o pai de Davi, o que quer dizer que será da descendência de Davi.
O ramo de que o texto fala é Jesus, e o tronco é a dinastia de David, e o rebento é a nova dinastia de Jesus, que terá raízes espalhadas por toda terra. O rebento – Jesus Cristo – terá a plenitude da ação do espírito do Senhor, ou seja, será o próprio Deus. Seis dons do espírito do Senhor darão o poder pleno sobre o rebento da dinastia davídica. É o mesmo Espírito que ordenou o universo no início da Criação e que animou todos os líderes de Israel, que inspirou os profetas. Este Espírito confere a Jesus (rebento) as virtudes dos seus antepassados carismáticos: sabedoria e inteligência como Salomão, espírito de conselho e de fortaleza como Davi, espírito de conhecimento e de temor de Deus como os patriarcas e profetas. São seis dons no enunciado da 1ª leitura, mas na tradução grega dos Setenta aparece também o dom da “piedade”. Assim surge a origem dos sete dons do Espírito Santo.
Esta leitura é um poema-sonho do profeta do retorno ao tempo ideal do reinado de Davi, com uma nítida corrente messiânica. O profeta está desiludido com a política dos reis de Judá, e sonha com um novo tempo, uma nova dinastia da descendência de Davi, na qual não haverá armas, guerras, conflitos entre as nações, ou seja, serão tempos de paz.
A justiça e a construção de um “reino” serão resultados da plenitude dos carismas que estarão sobre o rebento. Os direitos dos pobres serão respeitados, os oprimidos serão libertados, e a paz será constante. Tal será o Reino que o Messias virá inaugurar.
O desequilíbrio causado pelo pecado contra a natureza será quebrado, e a harmonia entre o homem e a natureza voltará a reinar. É a volta ao tempo do paraíso. Haverá harmonia e paz entre os irmãos, recorda que será o contrário de Caim e Abel.
O Messias trará a paz, e assim se realizará o projeto inicial de Deus, no qual os homens e os animais todos viverão em harmonia, porque todos comungarão agora da Missão do Messias, que virá para superar o desequilíbrio e os conflitos da divisão que o pecado dos homens causou.
No primeiro paraíso, o homem escolheu ser adversário de Deus, e escolheu viver no orgulho e na auto-suficiência; agora, por ação do Messias, ele regressou à comunhão com o seu Criador, e passou a viver no “conhecimento de Deus”.
Hoje cabe a nós cristãos tornar realidade o sonho do profeta. Cristo iniciou o projeto, e nós temos a responsabilidade de continuá-lo. Portanto, como seguidores de Cristo, deveremos dar nosso efetivo contributo na construção do Reino de Deus iniciado por Jesus Cristo.
A Igreja deve ser o sinal vivo desse Reino novo de justiça e de paz…
“Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus.”
Dar testemunho do rosto visível de Cristo no meio dos homens por meio da união, do amor, da partilha, da harmonia, da solidariedade é a proposta do Reino de Jesus e dos que o acolhem em sua vida. É basicamente disto que trata a 2ª leitura.
A carta aos Romanos é uma carta de reconciliação, quer tirar as diferenças entre os cristãos provenientes do Judaísmo e os vindos do paganismo. Assim afasta o perigo da cisão da Igreja. Quem opta por Cristo, e recebeu o batismo, recebeu o dom de Deus, tem acesso à Salvação, e tornou-se irmão dos irmãos na fé, para viver o amor. O texto exorta os cristãos a viver no amor.
A mensagem principal do texto é um convite para que a comunidade viva em harmonia, acolhendo e ajudando os mais fracos, sem discriminar nem excluir ninguém, no amor e na partilha.
Infelizmente ainda encontramos muitas comunidades de irmãos divididos. Conversão é também buscar a harmonia, a partilha e a solidariedade com os mais fracos, os mais pobres...
“Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus.”
O Evangelho de hoje apresenta a preparação que devemos fazer, porque o reino dos céus está próximo. Por isso João Batista convida os seus a mudar de mentalidade, de valores, de atitudes, a que se arrependam e se convertam: “Aquele que vem” (Jesus) vai propor aos homens um Batismo “no Espírito Santo e no fogo”, que os tornará “filhos de Deus” e capazes de viver na dinâmica do “Reino”.
O texto apresenta sua mensagem de urgência da conversão, porque o “juízo de Deus está próximo”, e os ouvintes sabiam o que isso queria dizer. Era necessário um rito de purificação pela água. Assim era necessário ser batizado no Rio Jordão. João é o percussor que prepara o caminho, e Jesus, o Messias enviado por Deus para anunciar o reinado de Deus.
João Batista, um profeta questionador e interpelador por si só. Está ligado ao deserto, lugar de despojamento e de encontro com Deus. Lembra Isaías e Elias. Ele anuncia e prepara o caminho do Senhor, com sua vida e também com as suas palavras. Ele questiona o jeito de viver das pessoas e a atenção excessiva que dão aos bens terrenos.
Mateus diz que João pregava a “metanóia” (no sentido grego de mudar de mentalidade), a conversão, porque estava próximo o Reino dos Céus. Os destinatários da época eram os judeus, especialmente os fariseus e saduceus. João trata-os com dureza, inclusive os chama de “raça de víboras”. Afirma que não basta pertencer à filiação de Abraão. Hoje somos nós os destinatários da mensagem deste Evangelho. Não basta ser batizados, para estar seguros da Salvação; precisamos mudar de mentalidade e converter-nos sempre. O Batista avisa-nos que não há Salvação assegurada, é preciso viver em contínua “metanóia”, e fazer as obras de Deus. Isto é, é necessário ser “batizado no Espírito Santo e no fogo”. O batismo de Jesus vai muito além do batismo de João. Confere a vida de Deus, torna-nos filhos de Deus, e isto implica pertencer à comunidade de irmãos de Cristo, a Igreja.
Não é possível acolher “aquele que vem”, se o nosso coração estiver cheio de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preocupação com os bens materiais… É preciso, portanto, uma mudança da nossa mentalidade, dos nossos valores, dos nossos comportamentos, das nossas atitudes, das nossas palavras; é preciso o despojamento de tudo o que rouba espaço ao “Senhor que vem”.
As pessoas à procura de um mundo novo convertem o próprio coração, e Deus lhes dá nova mentalidade. Jesus é a novidade. Todos nós gostamos e necessitamos de ouvir boas palavras e palavras novas – ternura, amor, perdão, solidariedade, respeito, acolhida... Que calem as velhas palavras – violência, ódio, vingança, racismo, brigas... Também há necessidade de ver gestos novos no lugar dos velhos gestos de guerra, rancor, violência... Prepara-se o Natal com uma mente e um coração mudado. Vamos acolher Aquele que vem, fazer novas todas as coisas, mas não sem nós.
padre Elmo Heck - www.pom.org.br
============================
Primeira leitura: Isaías 11-1,10
DEUS VIRÁ E TRARÁ OS DONS DO ESPÍRITO
Os versículos deste capítulo se inserem no contexto dos capítulos 7 a 12 de Isaías, que são denominados “livro do Emanuel”. Este trecho surgiu num tempo de crise em que a monarquia e a dinastia davídica eram incapazes de devolver esperança ao povo. Era um toco sem vida em vez de uma árvore que frutifica. Nesse contexto, o profeta estimula à esperança, dizendo que desse toco nascerá um broto, um descendente de Davi, que com a sua liderança fará o povo respirar novos ares. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor.
O Espírito era dado aos grandes homens do Antigo Testamento que tinham a função de guiar o povo. Era concedido aos juízes, aos reis, aos profetas e até aos artistas (Êxodo 31,3; 35,31). Neste sentido, o futuro Messias era apresentado com uma potencialidade excepcionalmente rica e apta para várias tarefas. Seria um novo líder capaz de catalisar as esperanças dos povos, um líder perspicaz com espírito de sabedoria e discernimento que governaria o povo defendendo seus interesses e direitos com espírito de conselho e fortaleza, submetendo-se ele próprio a Deus que o escolheu com o Espírito de reconhecimento e temor de Deus.
O pano de fundo destes capítulos é a guerra efraimita iniciada após a ascensão de Acaz ao trono de Jerusalém (735). Ele aceitou o apoio do imperador assírio Tiglat Pileser, ligando Israel à Assíria e à sua religião idolátrica. Acaz havia sido educado na Assíria e era um rei sem fé.
Os versículos 3-5 mostram como o “filho de Jessé” agirá em defesa do povo. Ele estará comprometido com a justiça, desmascarará a falsidade dos poderosos, prestará atenção aos últimos e humilhados, condenará os exploradores do povo (v.4).
Sob a liderança deste novo Rei, o povo vai respirar novos ares, pois o novo broto nascido do tronco de Jessé terá a força do Espírito, e como sábio governará com justiça como Davi. Em conseqüência da sua ação haverá uma sociedade reconciliada, na qual reinará a paz e não mais a violência.
O centro de todo esse evento será Jerusalém, a Terra Santa montanhosa, e esse povo comprometido com a justiça será como uma bandeira levantada para atrair outros povos.
O restabelecimento da justiça será o fundamento da paz, uma paz universal que se traduzirá num paraíso sobre a terra. Os rivais passarão a conviver juntos, como Deus havia projetado no início (Gênesis 1,30): o lobo e o cordeiro, a onça e o cabrito, a ovelha e o leãozinho, a vaca e o urso, o leão e o boi. Os animais não serão mais um perigo para os homens (Gênesis 2,18-20), mas haverá uma convivência característica das origens. A criança brincará com a serpente, sua inimiga principal (v.7b).
Segunda leitura: Romanos 15,4-9
O CRISTÃO É “FILHO DA LUZ”: A SALVAÇÃO ESTÁ PERTO!
Na comunidade cristã de Roma haviam se formado dois grupos: o dos fortes e o dos fracos. Os fracos eram os convertidos do judaísmo, que ainda conservavam algumas tradições dos hebreus, entre as quais um calendário especial. Os fortes eram os que se sentiam livres dessa observância. Em vista disso, Paulo exorta os dois grupos a uma unidade comum, tendo como ponto de referência Jesus Cristo que acabou com as discriminações, tornando-se servidor de todos. Portanto, a solidariedade tem as suas raízes em Cristo.
Este trecho pertence à última parte da seção parenética desta carta, em que o apóstolo ressalta a caridade para com os fracos (14,1-15), isto é, a reconciliação com os irmãos vacilantes na fé, já que nesta comunidade havia dificuldade em acolher estas pessoas (v.7) devido à diferença entre os cristãos vindos do paganismo e do hebraísmo (judeus, gregos, romanos), além de diferenças de condição social.
A referência para superar este obstáculo é a Sagrada Escritura (v.4). Ela é o testamento do amor de Deus por todos os homens. Proporciona perseverança e consolação para superar os conflitos na comunidade. É o instrumento que ajuda o povo a caminhar para a liberdade e a vida que Deus planejou para o seu povo. Na Escritura temos o Cristo como referência para o cristão, ele que acabou com as discriminações (v.3), sendo o Servo de todos (v.8).
É possível que um dos pontos fortes de atrito fosse a diferença de raças, já que judeus e não judeus se discriminavam reciprocamente. Paulo mostra que Deus continua fiel aos judeus mantendo as suas promessas, porém, manifesta a sua misericórdia também aos não judeus, convocando todos a louvar o Deus único.
Evangelho: Mateus 3,1-12
PREGAÇÃO DE JOÃO BATISTA: PREPAREM O CAMINHO!
Os capítulos 3-4 de Mateus preparam a vinda do Reino do céu, que no seu Evangelho é o Reino traduzido em termos de justiça. Jesus inaugura a justiça do Reino (3,15). E João Batista, com a sua pregação, introduz as pessoas na nova dinâmica do Reino. Aqui o Batista é apresentado no estilo de um profeta do Antigo Testamento. Com o seu estilo de vida (v.4), ele prepara a vinda do Reino já prefigurado por Malaquias, que pregava a vinda de Elias para preparar o dia de Javé (Malaquias 3,23). O Batista retoma o anúncio de Isaías 40,3: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem as suas veredas”.
O lugar que o Batista escolheu para a sua atividade de batizador é significativo: o deserto. O deserto é importante na tradição bíblica: é o cenário dos encontros importantes entre Deus e o povo (Êxodo 3,19; Deuteronômio 8,16; 1Reis 19; Oséias 2,6). Assim, através da ação do Batista, Deus está de novo chegando ao meio do seu povo com um apelo importante na história. Mateus pinta um retrato austero e simbólico do Batista: como um profeta vestido de roupas de pele de camelo (Zacarias 13,4) e com uma cintura de pele que o aproxima de Elias (2Reis 1,8). Alimenta-se de gafanhotos, comida do povo no deserto, e mel selvagem, que era consumido junto com os gafanhotos. Assim, ele é apresentado mais como um asceta do que como um profeta.
Os habitantes de Jerusalém, de toda a Judéia e dos arredores do Jordão iam ao seu encontro (v.6). Eram muito explorados e perceberam que começava a surgir a possibilidade de um mundo novo. O povo estava disposto a deixar o passado, a confessar seus pecados (v.6) e começar uma vida nova. Porém, os fariseus e os saduceus não concordavam com o povo, porque eram os mantenedores do poder público econômico-religioso. Os fariseus, formados pelos latifundiários e pela aristocracia sacerdotal, acreditavam que a observância meticulosa da Lei apressaria a vinda do Messias. Por isso amaldiçoavam o povo ignorante e queriam apropriar-se do movimento do Batista. Então João Batista os chamou de raça de víboras (v.7), porque queriam manter o sistema que gera a morte. Ao chamá-los de raça de víboras, João Batista se apóia em Isaías 14,29, onde a víbora representava a ostentação do mal, e é um eco de Gênesis 3, onde a serpente é inimiga de Deus e do homem.
João Batista apresenta Jesus como “o mais forte”. A sua superioridade consiste na administração de um Batismo de fogo, elemento purificador por excelência na literatura profética , e no dom do Espírito Santo.
Por fim, o Batista usa duas imagens agrícolas (vv.10-12) para indicar a inoperabilidade do juízo divino, que se cumpre com a chegada do Messias: ele vai trazer o julgamento ao mundo e o critério decisivo são as obras de justiça (v.11), de conseqüências dramáticas para os maus. A atitude de João Batista no deserto confunde os planos econômicos da sociedade estabelecida em Jerusalém, baseada na exploração e no lucro, com a conseqüente miséria do povo. O povo que vai ao encontro do precursor é considerado pelos fariseus e saduceus como maldito, gente ignorante e analfabeta, em contraste com eles, que se consideravam a “raça pura”. João, porém, coloca a necessidade da conversão para todos.
REFLEXÃO
A liturgia deste domingo apresenta um feixe de luz sobre a figura do Messias e do seu Reino onde reina a justiça. Um novo tempo em que haverá abundância da ciência divina, em que Deus conferirá seus dons de sabedoria, inteligência, conselho... Este futuro não será somente na parusia, mas se concretiza desde já.
João Batista grita “Convertam-se...”, isto é, “mudem de mentalidade”. Sabemos que há diferentes tipos de conversão: da incredulidade à fé, da fé incompleta cheia de erros à ortodoxia plena, de uma conduta degenerada à honestidade de vida, da simples observância dos mandamentos à observância dos conselhos evangélicos, de um estado de mediocridade espiritual a um fervor dinâmico empenhado. O Advento propõe uma forma de conversão para todos esses tipos.
Nada contribui de maneira mais eficaz para a nossa conversão e o incremento do Reino de Deus que a caridade e a oração. Por isso Paulo nos exorta a nutrir nossa esperança na meditação das Escrituras e recomenda também a caridade como condição ideal para a oração, pois com a caridade se pode rezar e glorificar a Deus.
No período litúrgico do Advento, não podemos ignorar a figura de João Batista, o último dos profetas do Antigo Testamento, que anuncia o advento do Messias como já presente no mundo. A sua tarefa é preparar imediatamente a vinda do Messias. A substância da sua mensagem se reduz à exortação: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas” (Mateus 3,3). Isso consiste basicamente numa obra de reforma moral, em particular na prática da justiça (Lucas 3,11-24). Este é o modo de esperar a vinda do Messias. Operar a justiça é fazer com que Deus desça à terra, porque o Messias é o Rei da justiça e da paz. Preparar-se para a vinda do Senhor quer dizer disciplinar e purificar o nosso pensamento, a fim de que ele possa proceder na verdade. Só assim a nossa mente poderá descobrir os caminhos que levam a Deus.
Novamente a liturgia insiste sobre a conversão, e não é fácil pregá-la, já que no ambiente cristão é comum a idéia de que a conversão é para os que não são praticantes, os distantes, os que não são batizados. Assim, muitas vezes nenhum de nós acha que precisa de conversão.
Mas converter-se é abandonar o pecado e voltar-se para Deus. É o relacionamento com Deus, uma reta conduta de vida. Se a árvore é boa produz bons frutos.
Na primeira leitura Isaías descreve o futuro dos tempos messiânicos. O elemento mais importante deste oráculo é o dinamismo que imprime o futuro Messias, possuidor do Espírito de Javé. Pertencendo à dinastia davídica de Acaz, ele deverá transformar-se, com a força do Espírito, no principal ideal dos tempos messiânicos. Moisés, juízes, reis... todos participaram desse Espírito que os transformou em carismáticos, isto é, em instrumentos de Deus a serviço do povo. Esse Espírito proporciona qualidades humanas em alto grau para o bem da comunidade. Segundo Isaías, estes dons estão divididos em três grupos.
João Batista começou a sua missão em outubro do ano 27. A sua pregação não agradava a todos, por isso foi preso em seguida. Ele apenas pregava aquilo que seiscentos anos antes Isaías havia pregado (1ª leitura). Pedia que as estradas fossem consertadas para a passagem do Messias. Consertar as estradas humanas, a nós mesmos, nossas atitudes, nosso dia-a-dia, encher os “buracos” da nossa vida, limpando o egoísmo da nossa estrada.
João Batista pregou e mostrou com suas atitudes, com seu modo austero de viver, como fazer a conversão. Era um pregador exigente, não se contentava com ritos, não poupava os fariseus e os saduceus. Toda a motivação de sua ação estava voltada para a vinda do Messias.
A segunda leitura da liturgia nos mostra os muitos caminhos que nos conduzem a Deus, correspondentes aos muitos modos como Deus gosta de manifestar-se aos homens nas várias culturas e tempos. “Deus se fez servidor dos circuncisos, e as nações pagãs glorificam a Deus por sua misericórdia” (Romanos 15,8). Os circuncisos são o povo hebreu, ao qual Deus revelou os mistérios da sua vida divina e da salvação dos homens cumprindo a sua promessa. Mas também os pagãos, embora não depositários da verdade, tiveram por outros caminhos a possibilidade de glorificar a Deus, e na linguagem bíblica puderam cumprir os seus mandamentos e salvar-se, graças à misericórdia que obtiveram.
As leituras de hoje nos mostram o relacionamento estreito do Salvador com o “Espírito do Senhor”, que para nós é o Espírito Santo, embora os hagiógrafos do Antigo Testamento não tivessem uma percepção clara do “Espírito do Senhor”, entendido como a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Este era o sentido mais comum do dom divino, uma força divina concedida aos profetas, uma energia divina, sobretudo, de luz e coragem que pousava sobre os profetas de modo transitório, enquanto exerciam o dom da profecia. Fora disso os profetas eram homens comuns. Para o rei messiânico, o Espírito do Senhor não será um dom efêmero, mas perene. Nele o Espírito Santo descerá e permanecerá (João 1,33).
Este discernimento sobrenatural que permite a João Batista descobrir o Messias e indicá-lo ao mundo deve-se ao fato de que ele teve o privilégio extraordinário de ficar sob o influxo do Espírito Santo: “Será pleno do Espírito Santo desde o seio materno” (Lucas 1,45). Esta presença do Espírito será um dos maiores frutos da redenção operada por Cristo. O fato de sermos batizados quer dizer que toda vida como a de João Batista pode ser vivida na luz e força do Espírito Santo, e manter-se disposta ao Espírito Santo, com o exercício constante das virtudes. Assim, podemos imitar João Batista na vivência dos altíssimos dons do Espírito Santo, sobretudo o da sabedoria, que nos faz amar as coisas divinas e ter o gosto pelas coisas celestes que nos permite distinguir entre o bem e o mal.
O poder de fascínio que o Precursor exercia sobre o povo não era devido ao seu estilo doce, mas ao seu porte austero, penitente, radical e servidor da verdade, sincero até à falta de diplomacia. Sua linguagem, seu aspecto e sua alimentação mostravam que ele era um homem carismático e superior. Ele já fora anunciado no umbral do Antigo Testamento por Isaías: “Uma voz grita no deserto: preparem o caminho do Senhor...” (Mateus 3,3). Por isso, recebeu de Jesus um grande elogio: “É o maior nascido de mulher...” (Mateus 11,9.11).
O estilo de João Batista é o dos profetas do Antigo Testamento e todo o seu ministério está resumido na frase “Convertam-se”. A vinda do Messias está condicionada à transformação, o machado já está posto na raiz da árvore, pertencer à raça de Abraão não justifica. É preciso converter-se. Seu estilo taxativo e inconformista está no apelo: “conversão que urge devido à iminência do Reino dos céus” (os hebreus não pronunciavam o nome de Deus por respeito, daí a expressão Reino dos céus, que é sinônimo de reinado), devido à iminência do juízo escatológico que precede e segue a chegada do Reino. Para isso, é preciso reconhecer-se pecador diante de Deus com humildade e simplicidade.
A palavra conversão, no original de Mateus, é acompanhada pela palavra hebraica-aramaica + “shub”, que significa voltar sobre os passos, desandar o caminho. No grego + “metanócin” (verbo) significa mudança interior, mudança de mentalidade, de critérios. O latim da Vulgata traduziu como “pœnitentia”. Portanto, o significado global para a Bíblia é mudança interior de mentalidade e conduta de atitudes e atos, um giro de 180 graus para reorientar a vida numa direção radicalmente nova em direção ao bem, em direção a Deus. É um processo que passa do coração às obras.
O batismo de João era sinal de conversão. O batismo de água já existia antes de João, não como expressão de conversão radical como ele pregava, mas como sinal de incorporação dos prosélitos ao judaísmo junto com o rito da circuncisão. Os essênios utilizavam o batismo como sinal de consagração a Deus.
João já se mostra profeta no seio materno. Cheio do Espírito Santo, ele foi concebido para isso. Consciente da sua missão, anuncia a chegada do Messias, de quem não é digno de desatar as correias das sandálias. Humilde, não se apresenta como filho de Zacarias, da tribo sacerdotal, mas como “voz que clama no deserto”. Voz para anunciar Jesus: esta é a sua missão, a sua vida, a sua personalidade.
João apresentou o Messias como o “Cordeiro de Deus”. Perseverou na santidade, porque se conservou humilde no seu coração. Por isso, mereceu o elogio extraordinário de Jesus: “Entre os nascidos de mulher não apareceu um que fosse maior do que João” (Mateus 1,1).
Também nós devemos testemunhar Jesus Cristo e isto implica comportar-se segundo a sua doutrina, lutar para que a nossa conduta lembre Jesus e a sua pessoa. Temos que nos portar de tal maneira que, ao ver-nos, os outros possam dizer: Este é cristão porque não odeia, porque sabe compreender, porque não é fanático, porque está acima dos instintos, porque manifesta sentimentos de paz, porque ama.
padre José Antonio Bertolin, OSJ - www.santuariosaojose.com.br
============================
O que Deus espera são os bons frutos
João Batista, filho de sacerdote, rompe com a linhagem sacerdotal judaica. Sua opção não é pelo cumprimento das observâncias legais, no serviço do Templo, em Jerusalém. João assume a vocação profética. Entre os excluídos, no "deserto", anuncia a conversão para a prática da justiça. É o Reino de justiça, que está próximo. Ele adverte os líderes religiosos, saduceus e fariseus que vêm a ele de que não se sintam justificados por terem Abraão por pai. O que Deus espera são os bons frutos, os frutos de justiça. A alusão a alguém mais forte do que João que batizará com o Espírito Santo e com fogo é o prenúncio de Jesus, que vem consagrar este Reino de justiça, assumido pelo Espírito Santo. No profeta Isaías (primeira leitura) temos algumas imagens características deste Reino. E como sementes do Reino, Paulo (segunda leitura) apresenta-nos a vida em comunidade. Com o entendimento do Espírito, com um só coração e uma só voz, viver a acolhida recíproca, no amor e na paz.
José Raimundo Oliva - www.paulinas.org.br

============================


Nenhum comentário:

Postar um comentário