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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano A

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Ano A
Dia 26 de Janeiro

Comentários-Prof.Fernando


Evangelho - Mt 4,12-23
O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz...


            O Senhor é minha luz e minha salvação. Se Ele é a proteção da minha vida, não preciso  andar preocupado com o amanhã, não devo ter medo dos perigos dessa vida, mas sim terei coragem de anunciar ao mundo a sua glória. Continua...


           
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JESUS NOS CONVOCA A DESAFIANTE MISSÃO: SER NO MUNDO A PRESENÇA CONSTANTE DO SEU AMOR! – Olívia Coutinho

III DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 26 de Janeiro de 2014

Evangelho Mt 4,12-23


Cruzar os braços diante à realidade que aí está, achando que o mundo não tem mais jeito, é como apagar um pavio que ainda fumega, é como quebrar uma taquara rachada, é dar como encerrada a mais bela história de amor iniciada por Deus na criação!
Não podemos esquecer nunca de que o amor de Deus pelo o  humano, é um amor persistente, um amor sem limites que abre caminhos, que  levou seu Filho  a dar a vida para nos tirar das trevas. Se conscientizados desta verdade, iremos acreditar que o mundo ainda tem jeito!
Vivemos sim, em meio aos conflitos, mas se o mundo está em volto às  trevas, é porque ofuscamos a Luz de  Deus que brilha em nós!
 É muito mais cômodo culpar o outro pela realidade que aí está, do que assumir a nossa parcela de culpa, nos isentando das nossas responsabilidades.
Se o mal está ganhando força no mundo, é porque não deixamos aflorar em nós, o bem plantado por Deus em nossos corações!
A todo instante Jesus nos convida a ser Luz no mundo, a sermos mensageiros da esperança a devolver  o otimismo aos corações abatidos.
 O evangelho de hoje, narra os primeiros passos de Jesus na sua vida pública, quando Ele começa  a  desenvolver o projeto de Deus, que tem como prioridade resgatar  o que parece perdido.  Tudo acontece num momento conflituoso, logo após a prisão de João Batista, o grande profeta que  convenceu o povo da necessidade da conversão, abrindo  caminho para que Deus  pudesse  entrar e fazer morada  no coração humano!  
A prisão de João Batista, ao contrário do que muitos daquela época pensavam, não intimidou Jesus, pelo contrário, o encorajou ainda mais. Jesus,deu início ao seu ministério nos arredores da Galileia, uma região conflituosa, considerada como reduto da infidelidade a Deus. O que vem nos mostrar que é no meio dos conflitos que um seguidor de Jesus é chamado a atuar.
Com o  ministério de Jesus, descortina-se  para a humanidade um novo horizonte ampliando   a visão humana,  possibilitando  à  todos a  visualizar na pessoa do Filho, a face humana do Pai!
Jesus, como sendo  o próprio Deus,  poderia realizar  a sua missão sozinho, mas Ele quis contar com  um  pequeno grupo de pessoas, que Ele foi chamando um a um, às margens do mar da Galileia.  Pessoas  simples, dotadas de virtudes e defeitos, pescadores,  que deixaram suas redes, para se tornarem   pescadores de homens!
É graças ao testemunho desta pequena comunidade formada por Jesus, que  hoje, mais uma vez, estamos aqui, buscando o crescimento na fé, através da meditação da palavra de Deus.
Hoje, somos nós, os  convidados  à desafiante missão de ser  a presença viva de Jesus  em meio aos conflitos! É urgente a necessidade de operários corajosos, dispostos a lançar a rede em águas mais profundas, a plantar a semente da esperança  nos corações desesperançados.
Quando Jesus diz: “O reino de Deus está próximo” Ele fala de si mesmo, pois a sua pessoa é a própria presença do Reino no meio de nós!
Jesus continua a nos falar do Reino, quando deixamos nos conduzir pelos seus ensinamentos, ocorre uma mudança radical em nós, passamos a ver  o mundo com outros olhos, a não nos dar como vencidos diante o mal, a acreditar que o mundo pode mudar. 
Isentar-se  da responsabilidade de administradores do que é de Deus, é rejeitar o seu projeto de vida plena é condenar-se a viver nas trevas. 
Sabemos que no mundo,   há muito por fazer, pois  precisamos, reconstruir o que Deus criou, mudar a realidade em que vivemos.  Não podemos perder de vista, o horizonte que nos aponta um mundo novo, um mundo novo, onde  o amor a justiça e a paz  haverão  de reinar.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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A primeira leitura da missa de hoje é, em parte, a mesma da noite do Natal: "O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu! Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade! Todos se regozijam em tua presença". Irmãos, esta luz que ilumina as trevas, que dissipa as sombras da morte, que traz a felicidade, é Jesus. O texto do Evangelho que escutamos no-lo confirma: Jesus é a bendita luz de Deus que brilhou neste mundo! Ele mesmo afirmou: "Eu sou a luz do mundo! Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida!" (Jo 8,12). Já escutamos tanto tais afirmações, que corremos o risco de não perceber o quanto são revolucionárias, o quanto nos comprometem, o quanto são capazes de transformar a nossa vida!
A Palavra de Deus nos ensina que o mundo é marcado pelas trevas: trevas na natureza (tais como a tragédia do tsunami), trevas na história, trevas no coração da humanidade e de cada um de nós. Olhemos em volta! O mundo não é bonzinho: há forças destrutivas, caóticas, desagregadoras, forças diabólicas, que destroem a alegria de viver e ameaçam devorar o sentido da nossa existência... Hoje, tantos e tantos julgam que podem passar sem Deus, que a religião é uma bobagem e uma humilhação para o homem... Há tantos que zombam de Deus, do Cristo Jesus, da Igreja... O que vale no mundo atual? O que é importante? O que conta realmente? O sucesso, os bens materiais, o prazer e a curtição da vida ao máximo, sem limites, sem peias... Será que não nos damos conta ainda que vivemos num mundo novamente pagão, novamente bárbaro, novamente entregue ao seu próprio pensar tenebroso? Será que não percebemos que o que vemos e lemos e ouvimos dos meios de comunicação é a defesa de uma humanidade sem Deus e sem fé, de uma humanidade que tenha somente a si própria como deus? Num mundo assim, Jesus nos diz: "Eu sou a Luz!" A luz não está nas universidades, a luz não está nos famosos deste mundo, a luz não está nos que têm o poder político, econômico ou social! A Luz é Cristo! Só ele nos ilumina, só ele nos revela o sentido da existência, só ele nos mostra o caminho por onde caminhar! Ser cristão é crer nisso, é viver disso!Pois, esse Jesus, hoje, no Evangelho, nos convida a convertermo-nos a ele, a segui-lo de verdade, a colocar os passos de nossa vida no seu caminho: "Convertei-vos! O Reino dos céus está próximo!" Eis o apelo que Jesus nos faz - far-nos-á sempre! Converter-se significa mudar totalmente o rumo de nossa existência, alicerçando-a nele e não em nós, abraçando o seu modo de pensar e deixando o nosso, seguindo sua Palavra e não nossa razão, nossas idéias, nossa cabeça dura, nosso entendimento curto! Quem vai arriscar? Quem vai caminhar com ele? Quem vai abraçar sua Palavra, tão diferente do que o mundo quer, do que o mundo prega, do que o mundo valoriza? "Convertei-vos!" Jesus nos exorta porque sabe que também nós andamos em trevas, também nós, simplesmente entregues à nossa vontade e aos nossos pensamentos, jamais poderemos acolher o Reino dos céus! Não nos iludamos! Não pensemos que somos sábios, centrados e imunes! Somos, nós também, cegos, curtos de entendimento, pecadores duros e teimosos! Nosso coração é embotado por tantas paixões e por tantas cegueiras! "Convertei-vos!" O Governo Lula, neste carnaval, vai convidar tantos e tantos brasileiros a vestir-se de camisinha; o Senhor pede a todos que se vistam dele: "Revesti-vos de Cristo e não satisfareis os desejos da carne!" (Rm. 13,14) Compreendem, irmãos e irmãs? O mundo vai para um lado; Jesus nos convida a ir para o outro! Converter-se é pensar diferente de nós mesmos e do mundo; é andar na contramão para caminhar com Cristo! Converter-se é deixar-se, como Pedro e André, Tiago e João que, "imediatamente deixaram as redes... deixaram a barca e o pai" e seguiram o Senhor!
Como não recordar a exortação do Apóstolo? "Não andeis como andam os pagãos, na futilidade de seus pensamentos, com entendimento entenebrecido, alienados da vida de Deus!" (Ef. 4,17) Quando aceitamos esse desafio, esse convite, o sentido de nossa existência muda, porque começamos a enxergar e avaliar as coisas de um modo novo, um modo diferente: o modo de Cristo Jesus! Aí se realiza em nós a palavra da Escritura: "Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor! Andai como filhos da luz!" (Ef. 5,8).
Deixar-se iluminar pelo Senhor, permitir que ele dissipe nossas trevas, é um trabalho, um processo que dura todo o nosso caminho neste mundo. Jamais estaremos totalmente convertidos, totalmente iluminados. Na segunda leitura da Missa, São Paulo convidava os cristãos de Corinto à conversão para uma vida de união e de amor. É assim: a Igreja toda inteira e cada um de nós pessoalmente, seremos sempre chamados a essa mudança, a esse deixar que a luz de Cristo invada a nossa existência tenebrosa! Nunca esqueçais, caríssimos, porque é verdade: "Outrora, sem Cristo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor! Andai, pois, como filhos da luz!" Seja esse o nosso trabalho, seja essa a nossa identidade, seja essa a nossa herança, seja essa a nossa recompensa! E que o Senhor nos socorra com a força da sua graça, ele que é fiel e bendito para sempre!
 dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com
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E eles abandonaram a barca e o seguiram
É do conhecimento de todos que a liturgia católica carece de uma reforma substancial e a necessidade de reordenar a escolha dos textos segundo novos critérios. A incorporação da segunda leitura à temática unitária (em vez de se apoiar em sua temática própria), e a possibilidade de que sejam vários os ordenamentos litúrgicos dos textos, segundo objetivos e necessidades distintas a serem escolhidas segundo variáveis diversas, seriam outras tantas possibilidades.
Entretanto, é bom saber que a liturgia não “é” assim, mas que a temos assim, à espera de que chegue um momento mais propício para reativar as tantas coisas que na Igreja católica estão paradas ou em hibernação à espera de outra conjuntura.
A primeira leitura parece ter sido escolhida estritamente por coincidir com a terceira leitura por causa da alusão geográfica (zona de Zabulon e Neftali), zona limítrofe de Israel na qual Jesus veio se estabelecer. A segunda, como sempre acontece, vai por seus caminhos próprios, sendo puramente aleatório que alguma vez encaixe com a mensagem das outras duas.
Podemos dizer que o evangelho de hoje, dada a altura à qual estamos no ano litúrgico, corresponde à vida de Jesus, seguindo um critério simplesmente cronológico: o início de sua atividade pública, quando sua missão de pregador do Reino decola e atinge a plenitude.
São muitos os detalhes que merecem comentário neste evangelho. Jesus começa sua atividade tomando como referencia os sinais dos tempos. Ao menos o evangelista faz notar que Jesus não começa sua missão sem mais e nem a seu bel prazer, somente entra em cena ao saber que João Batista havia sido encarcerado.
Jesus reage ante os fatos da história que o rodeiam. Não cumpre uma missão previamente programada e que deveria ser levada a termo com indiferença, não importando o que acontecesse.
Jesus “foi viver” em Cafarnaum. Alguns exegetas (Nolan, por exemplo) fazem notar que “se estabeleceu” ali e que, provavelmente, ao citar como sendo “sua casa”, não seria a casa de Pedro e sim a de Jesus. Não se pode falar com segurança, mas não é improvável. Uma dúvida sobre essa imagem tão usual de um Jesus evangelizador itinerante.
O conteúdo do que seria a “primeira pregação” de Jesus, ou ainda melhor, a tônica dominante da pregação de Jesus: a vinda do Reinado de Deus, como boa notícia que convida a mudança. Hoje já sabido pelas crianças da catequese paroquial, quando há quarenta anos o ignoravam todos os cristãos adultos, inclusive os pregadores: que o centro da pregação de Jesus foi o “Reinado de Deus”, um conceito que beira à escatologia, ou seja, que Jesus não foi um pregador doutrinal teórico, nem um mestre da sabedoria religiosa, nem asceta, mas um profeta dominado pela urgência de uma paixão, a paixão pelo Reinado de Deus que ele acreditava iminente.
Não era somente um anúncio, e sim uma co-moção: Jesus anunciava para provocar a mudança, para animar a esperança na mudança que Deus mesmo estava a ponto de fazer acontecer. Por isso, seu anuncio era para a conversão: “mudem sua vida e seu coração porque o reino dos céus está próximo”, na tradução da Bíblia Latino-americana.
Aqui detectamos uma dupla direção: é preciso mudar (converter-se) “porque” chega o Reinado Deus e, também, é preciso mudar “para que” venha, para tornar possível que venha, porque na mudança já acontece esse Reinado... São as duas dimensões: ativa e passiva, receptiva e provocativa, de contemplação e de luta sem unilateralismos.
O caráter concreto de práxis que Jesus adota, não é a de ele mesmo ser o transformador da sociedade, com suas próprias práticas, não é a de enfrentar diretamente a tarefa, mas a de comprometer o outros, de convencer a outros para somar à tarefa e para isso, dedicar-se a desbloquear a mentes, a iluminar os corações, abrir a visão dos demais para que possam ser incorporados à transformação da sociedade.
Pode-se dizer que Jesus, mais que uma prática, assume uma prática teórica e simbólica. Ele não se faz médico nem se dedica a curar os enfermos, porém dedica-se a dar a Boa Notícia, ainda que em sua pregação a cura esteja sempre presente como “signo” de cura: “pregava e curava”. Teoria e prática: Jesus exercia a tarefa de abridor de mentes, iluminador de corações, gerador de esperança, transmissor de energias.
Nessa linha de pensamento, pode-se salientar ainda melhor o fato de ter convertido os seus amigos mais achegados em “pescadores de pessoas” (e não “de homens”), o que ele mesmo estava sendo. Querer estender o cristianismo a todo o mundo e fazer tábua rasa das demais religiões, é um pensamento que já não tem lugar em uma visão à altura dos tempos atuais.
O ser realmente “evangelizador” apaixonado pela Utopia do Reino (utopia que não é inimiga das demais religiões nem pretende impor nenhuma cultura), continua tendo pleno sentido. Muitos detalhes, muitos temas, em um evangelho simples, porém com muito conteúdo.
www.claretianos.com.br
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“Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor,
majestade e beleza brilham no seu templo santo”(cf. Sl. 95,1.6)
A novidade do tempo comum é o encantamento da liturgia que nos coloca em contacto com a generosidade do Deus da Vida, a Vida que veio, na palavra de Isaías como “O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz”, (cf. Is 8, 9.a) E esta grande Luz é o Cristo Senhor. Assim, o Evangelho de Mateus é o Evangelho do cumprimento das Sagradas Escrituras. Jesus cumpre a vontade do Pai que já estava determinada pelos antigos Profetas. Quando Jesus muda de Nazaré para Cafarnaum, Mateus vê aí a realização última e definitiva daquilo que já acontecera uma vez no tempo de Isaías: “O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz”, que é o Cristo presente junto ao povo de Cafarnaum. A presença de Jesus em Cafarnaum e Neftali, atormentadas terras pelas deportações assírias era a manifestação de que Deus estava socorrendo aquela gente: “O povo que ficara nas trevas veria uma nova luz”. Segundo Mateus, a mudança de Jesus para esta região significava o cumprimento da vontade do Pai, por isso era necessário ascender ao convite do próprio Jesus: “Convertei-vos, o Reino de Deus chegou!” (cf. Mt. 4,17).
A primeira leitura (cf. Is. 8,23b-9,3) nos apresenta esta luz que surge sobre os que estão nas trevas – no ano de 732 houve a deportação das tribos galiléias – Zabulão e Neftali – para a Assíria. Mas nas trevas desta situação brilha uma luz de esperança: o nascimento de um filho real, cujo nome simbólico é Emanuel, ou seja, Deus Conosco.
A segunda leitura (cf. 1Cor. 1,10-13.17) nos apresenta o apóstolo que é mandado para evangelizar, não para criar partidos sectários. São Paulo iniciou esta carta com o tema da unidade, para agora censurar as divisões ou panelinhas. Há torcedores de Paulo, outros de Apolo, outros de Cefas. A isso, São Paulo faz três perguntas que significam que pouco importa o carisma pessoal do missionário; o centro é Jesus Cristo.
Pela conversão somos introduzidos na família de Deus. Jesus, na alegoria de São Mateus(cf. Mt. 4,1-12-23 ou Mt. 4,12-17), ao recordar Isaías, é a plenitude dos tempos e de todas as promessas. Mateus demonstra que a pregação de Jesus é salvadora e religa o homem à vida imortal de Deus. Mateus nos introduz na pedagogia de Jesus que nos pede um novo modo de viver, sem distinção de raça e culturas, com a condição única de uma conversão sincera, autêntica, evangelizadora e santificadora. Por isso hoje somos convidados a nos converter com sincera vontade e desejo.
A graça de Deus está presente no mundo e é uma verdade inexorável. Entretanto, também está presente no mundo a maldição para os que rejeitam o Cristo e preferem continuar cegos no meio da luz salvadora. O destino reservado a Cafarnaum será o destino dos que preferem permanecer na treva. O tema da luz, como motor da salvação, está presente em toda a liturgia de hoje.
Dentro do programa de salvação de Jesus, Ele começa a falar da salvação anunciando que João Batista está preso. Preso inocente, por fidelidade a Deus, ao anunciar que alguém mais importante do que ele viria batizar com o Espírito Santo. É à vontade de Deus que acompanha Jesus, a partir deste Evangelho, no início de sua vida pública. E tudo o que acontecer com o Senhor é a mais genuína vontade de Deus.
Jesus, no Evangelho de hoje, volta para a Galiléia. A Galiléia é o campo da missão, do trabalho missionário de Jesus. A profecia de hoje coloca o tempo e o espaço, enaltecendo o lado humano de Jesus, e a missão salvadora, ou seja, a luz, o lado divino de Jesus, distinguindo as suas duas naturezas.
Cafarnaum não aceitou a pregação de Jesus e será comparada a Sodoma – cidade que simboliza o pecado – e condenada com rigor, conforme Mateus 11,23ss. Mateus insinua a sorte dos que, apesar de receberem a graça da salvação, não a aceitam, desprezam-na e assim se autocondenam. Mateus chegou a chamar Cafarnaum “sua cidade”, isto é, cidade de Jesus, e apesar de tanta honra concedida, Cafarnaum não quis a luz da graça salvadora (cf. Mt. 9,1). Em Cafarnaum habitavam pessoas de várias raças, desde gentios a hebreus. Por isso, ao falar de Cafarnaum, Cristo nos anuncia que vem para todos, e não só para os hebreus. Cristo vem como luz para desfazer trevas, vem para vivificar a morte. Luz significa vida e salvação. O centro da pregação de Jesus é a vida e a salvação. A pessoa de Jesus, em si mesma, é vida e salvação. Ao homem cabe deixar-se iluminar por essa luz. Por isso, mas para frente, Jesus vai dizer: “Eu sou a luz do mundo”(Cf.  Jo 8.,12), completando para o povo ao exclamar: “E vós sois a luz do mundo”(Mt. 5,14).
Ao começar, no dia de hoje, a sua vida pública Jesus escolhe os primeiros apóstolos. Não os escolhe entre os doutores, os estudados, os letrados, os poderosos, os sabidos, mas os elege dentre os que são pecadores, gente muito mal vista pelos maiorais, porque, como pecadores, não podiam observar todas as leis e, por isso mesmo, eram considerados “pecadores”. Mas, era sobretudo para os pecadores que Jesus começava a vida pública, era sobretudo ao coração e à mente dos simples e “pecadores”que pedia para se voltarem – se converterem – para Deus, porque era sobre eles que o Pai do Céu queria derramar toda a sua misericórdia.
O Evangelho de hoje nos ilumina para duas reflexões: a conversão e o Reino de Deus. Implantar na terra o Reino de Deus é a razão pela qual Jesus se encarnou, morreu e ressuscitou. E pertencer a esse Reino é a razão pela qual o homem aceita a pessoa e a doutrina de Jesus. No esforço de afastar tudo o que impede essa aceitação está a conversão.
A salvação foi trazida por Jesus. A escolha dos homens e mulheres é livre! Os discípulos aceitaram o vinde e Vede e seguiram a Jesus e passaram a ouvir a sua pregação. Depois da audição é necessário a vivência, a abertura a esta pregação, programa de vida, de conversão e, por conseguinte, de santidade. Esse esforço de conversão é de cada um, sendo até um “combate espiritual”.
Por isso ao falar da proximidade do Reino de Deus Jesus nos anuncia que a conversão deve ser urgente, deve ser rápida, para que o Cristo passe a viver e dominar com a sua graça a nossa vida. Por isso a conversão é o primeiro passo para o seguimento, ou seja, refazer os mesmos passos de Jesus, querer a mesma vontade de Deus Pai e santificar a vida de todos.
Como Cristo, também a Igreja deve, hoje como sempre, empenhar-se em libertar o homem do pecado, pois o anúncio da conversão é o fim primário que justifica a sua própria existência. Nela deve manifestar-se constantemente a liberdade do Espírito no serviço recíproco, no reconhecimento e na coordenação dos dons que Deus faz a cada um dos fiéis, e assim deveria ser, diante do mundo, o sinal visível do reino de Deus na terra. Por isso, a Igreja como instituição também é continuamente interpelada e julgada pela palavra de Deus. Também a Igreja está em estado de conversão permanente. O cristão que, movido pelo Espírito, está aberto e dócil à Palavra de Deus, segue um itinerário de conversão para ele... que pode comportar, ao mesmo tempo, a alegria do encontro e a contínua exigência de ulterior busca; o arrependimento pela infelicidade e a coragem de recomeçar; a paz da descoberta e a ânsia de novos conhecimentos ; a certeza da verdade e a constante necessidade de nova luz.
À Luz do Evangelho procuremos ver a Deus, numa conversão sincera, em que o Cristo seja a luz santa de nossas vidas.
padre Wagner Augusto Portugal - www.catequisar.com.br

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A liturgia deste domingo apresenta-nos o projeto de salvação e de vida plena que Deus tem para oferecer ao mundo e aos homens: o projeto do “Reino”.
Na primeira leitura, o profeta/poeta Isaías anuncia uma luz que Deus irá fazer brilhar por cima das montanhas da Galileia e que porá fim às trevas que submergem todos aqueles que estão prisioneiros da morte, da injustiça, do sofrimento, do desespero.
O Evangelho descreve a realização da promessa profética: Jesus é a luz que começa a brilhar na Galileia e propõe aos homens de toda a terra a Boa Nova da chegada do “Reino”. Ao apelo de Jesus, respondem os discípulos: eles serão os primeiros destinatários da proposta e as testemunhas encarregadas de levar o “Reino” a toda a terra.
A segunda leitura apresenta as vicissitudes de uma comunidade de discípulos, que esqueceram Jesus e a sua proposta. Paulo, o apóstolo, exorta-os veementemente a redescobrirem os fundamentos da sua fé e dos compromissos assumidos no batismo.
1º leitura: Is 8,23b-9,3 - AMBIENTE
O livro do profeta Isaías propõe-nos um conjunto de oráculos ditos “messiânicos”, que alimentam a esperança do Povo nesse mundo de justiça e de paz que Deus, num futuro sem data marcada, vai oferecer aos seus. Há quem defenda, no entanto, que esses textos messiânicos não provêm de Isaías, mas são oráculos posteriores, enxertados no texto original do profeta pelo editor final da obra isaiana.
O nosso texto pertence, provavelmente, à fase final da vida do profeta. Estamos no final do séc. VIII a.C.. Os assírios (que em 721 a.C. conquistaram Samaria, a antiga capital do reino de Israel) oprimem e humilham as tribos do Povo de Deus instaladas na região norte do país (Zabulão e Neftali); as trevas da desolação e da morte cobrem toda a região setentrional da Palestina.
No sul, em Jerusalém, reina Ezequias. O rei, desdenhando as indicações do profeta (para quem as alianças políticas com os povos estrangeiros são sintoma de grave infidelidade para com Jahwéh, pois significam colocar a confiança e a esperança nos homens), envia embaixadas ao Egito, à Fenícia e à Babilônia, procurando consolidar uma frente contra a maior e mais ameaçadora potência da época – a Assíria. A resposta de Senaquerib, rei da Assíria, não se faz esperar: tendo vencido sucessivamente os membros da coligação, volta-se contra Judá, devasta o país e põe cerco a Jerusalém (701 a.C.). Ezequias tem de submeter-se e fica a pagar um pesado tributo aos assírios.
Por essa época, desiludido com os reis e com a política, o profeta teria começado a sonhar com uma intervenção de Deus para oferecer ao seu Povo um mundo novo, de liberdade e de paz sem fim. Este texto pode ser dessa época.
MENSAGEM
O nosso texto está construído sobre um jogo de oposições: “humilhar/cobrir de glória”, “trevas/luz”, “caminhar nas sombras da morte (desolação, desespero)/alegria e contentamento”. Os conceitos negativos (“humilhar”, “trevas”, “caminhar nas sombras da morte”) definem a situação atual; os conceitos positivos (“cobrir de glória”, “luz”, “alegria e contentamento”) definem a situação futura.
Como se passará da atual situação de opressão, de frustração, de desespero, à situação futura de alegria, de contentamento, de esperança?
O profeta fala de “uma luz” que irá começar a brilhar por cima dos montes da Galileia e que irá iluminar toda a terra. Essa luz eliminará “as trevas” que mantinham o Povo oprimido e sem esperança e inaugurará o dia novo da alegria e da paz sem fim. O jugo da opressão que pesava sobre o Povo será, então, quebrado e a paz deixará de ser uma miragem para se tornar uma realidade. Para descrever a alegria que, nesse novo quadro, encherá o coração do Povo, o profeta utiliza duas imagens extremamente sugestivas: é como quando, no fim das colheitas, toda a gente dança feliz, celebrando a abundância dos alimentos; é como quando, após a caçada, os caçadores dividem a presa abundante.
Qual a origem dessa luz libertadora e recriadora? O sujeito dos verbos do versículo 3 é, indubitavelmente, Deus: será Deus quem quebrará a vara do opressor, quem levantará o jugo que oprime o Povo de Deus, quem triturará o bastão de comando que gera escravidão e humilhação. O mundo novo de alegria e de paz sem fim é um dom de Deus.
O nosso texto fica por aqui; mas, na sequência, o oráculo de Isaías ainda fala num “menino”, enviado por Deus para restaurar o trono de David e para reinar no direito e na justiça (cf. Is 9,5-6). É a promessa messiânica em todo o seu esplendor.
ATUALIZAÇÃO
• É Jesus, a luz que ilumina o mundo com uma aurora de esperança, que dá sentido pleno a esta profecia messiânica de Isaías. Ele é “Aquele que veio de Deus” para vencer as trevas e as sombras da morte que ocultavam a esperança e instaurar o mundo novo da justiça, da paz, da felicidade. No entanto, a luz de Jesus é, hoje, uma realidade instituída, viva, atuante na história humana? Porquê?
• Acolher Jesus é aceitar esse projeto de justiça e de paz que Ele veio propor aos homens. Esforçamo-nos por tornar realidade o “Reino de Deus”? Como lidamos com as situações de injustiça, de opressão, de conflito, de violência: com a indiferença de quem sente que não tem nada a ver com isso enquanto essas realidades não nos atingem diretamente, ou com a inquietação de quem se sente responsável pela instauração do “Reino de Deus” entre os homens?
• Em que, ou em quem, coloco eu a minha esperança e a minha segurança: nos políticos que me prometem tudo e se servem da minha ingenuidade para fins próprios? No dinheiro que se desvaloriza e que não serve para comprar a paz do meu coração? Na situação sólida da minha empresa, que pode desfazer-se diante das próximas convulsões sociais ou durante a próxima crise energética? Isaías sugere que só podemos confiar em Deus e na sua decisão de vir ao nosso encontro para nos apresentar uma proposta de vida e de paz.
2º leitura: 1 Cor 1,10-13.17 - AMBIENTE
Após ter abandonado a cidade de Corinto, Paulo continuou em contacto com a comunidade cristã. Mesmo distante, continuava a acompanhar a vida da comunidade e inteirava-se regularmente das dificuldades e problemas que os seus queridos filhos de Corinto tinham de enfrentar.
Quando escreveu a primeira carta aos Coríntios, Paulo estava em Éfeso. De Corinto haviam chegado, entretanto, notícias alarmantes. Após a partida de Paulo, tinha aparecido na cidade um pregador cristão – um tal Apolo, judeu de Antioquia, convertido ao cristianismo. Era eloquente, versado nas Escrituras e foi de grande utilidade para a comunidade na polêmica com os judeus. Era mais brilhante do que Paulo – conhecido pela sua falta de eloquência (cf. 2 Cor 10,10). Formaram-se partidos na comunidade (embora Apolo não favorecesse essa divisão, segundo parece): uns admiravam Paulo, outros Cefas (Pedro), outros Apolo (cf. 1 Cor 1,12). Formaram-se “partidos”, à imagem do que acontecia nas escolas filosóficas da cidade, que tinham os seus mestres, à volta dos quais circulavam os adeptos ou simpatizantes: o cristianismo tornava-se, dessa forma, mais uma escola de sabedoria, na qual era possível optar por mestres distintos.
A situação preocupou enormemente Paulo: além dos conflitos e rivalidades que a divisão provocava, estava em causa a essência da fé. O cristianismo corria, dessa forma, o perigo de se tornar mais uma escola de sabedoria, cuja validade dependia do brilho dos mestres que apresentavam a ideologia e do seu poder de convicção.
MENSAGEM
Para Paulo, contudo, o cristianismo não era a escolha de uma determinada filosofia de vida, defendida mais ou menos brilhantemente por um mestre qualquer; mas era a adesão a Jesus Cristo, o único e verdadeiro mestre.
Paulo não mede as palavras: a Cristo e unicamente a Cristo os cristãos, todos, foram consagrados pelo batismo. É Cristo e só Cristo a única fonte de salvação. Ser batizado é entrar a fazer parte do corpo de Cristo e participar no acontecimento salvador do qual Cristo é o único mediador. Dizer que se é de Paulo, ou de Cefas, ou de Pedro é, portanto, desvirtuar gravemente a essência da fé cristã. Foi Paulo quem foi crucificado em benefício dos coríntios? O batismo significou uma adesão à doutrina de Paulo, ou de outro qualquer mestre?
Deve ficar bem claro que o importante não é quem batizou ou quem anunciou o Evangelho: o importante é Cristo, do qual Paulo, Cefas e Apolo são simples e humanos instrumentos. Os coríntios são, portanto, intimados a não fixar a sua atenção em mestres humanos e a redescobrir Cristo, morto na cruz para dar vida a todos, como a essência da sua fé e do seu compromisso. Dessa forma, a comunidade será uma verdadeira família de irmãos, que recebe vida de Cristo, que vive em unidade e comunhão.
ATUALIZAÇÃO
• O texto recorda que a experiência cristã é, fundamentalmente, um encontro com Cristo; é d’Ele e só d’Ele que brota a salvação. A vivência da nossa fé não pode, portanto, depender do carisma da pessoa tal, ou estar ligada à personalidade brilhante deste ou daquele indivíduo que preside à comunidade. Para além da forma mais ou menos brilhante, mais ou menos coerente como tal pessoa anuncia ou testemunha o Evangelho, tem de estar a nossa aposta em Cristo; é n’Ele e só n’Ele que bebemos a salvação; é a Ele e só a Ele que o nosso compromisso batismal nos liga. Cristo é, de facto, a minha referência fundamental? É à volta d’Ele e da sua proposta de vida que a minha experiência de fé se constrói? Em concreto: que sentido é que faz, neste contexto, dizer que só se vai à missa se for tal padre a presidir? Que sentido é que faz afastar-se da comunidade porque não gostamos da atitude ou do jeito de ser deste ou daquele animador?
• Neste contexto, ainda, que sentido fazem os ciúmes, os conflitos, os partidos, que existem, com frequência, nas nossas comunidades cristãs? Cristo pode estar dividido? Os conflitos e as divisões não serão um sinal claro de que, algures durante a caminhada, os membros da comunidade perderam Cristo? As guerras e rivalidades dentro de uma comunidade não serão um sinal evidente de que o que nos move não é Cristo, mas os nossos interesses, o nosso orgulho, o nosso egoísmo?
• Há casos em que as pessoas com responsabilidade de animação nas comunidades cristãs favorecem, consciente ou inconscientemente, o culto da personalidade. Não se preocupam em levar as pessoas a descobrir Cristo, mas em conduzir o olhar e o coração dos fiéis para a sua própria e brilhante personalidade. Tornam-se imprescindíveis e inamovíveis, são incensadas e endeusadas e potenciam grupos de pressão que as admiram, que as apóiam e que as seguem de olhos fechados. Que sentido é que isto faz, à luz daquilo que Paulo nos diz, neste texto?
Evangelho: Mt. 4,12-23 - AMBIENTE
O texto que nos é proposto como Evangelho funciona um pouco como texto-charneira, que encerra a etapa da preparação de Jesus para a missão (cf. Mt. 3,1-4,16) e que lança a etapa do anúncio do Reino.
O texto situa-nos na Galileia, a região setentrional da Palestina, zona de população mesclada e ponto de encontro de muitos povos. Refere, ainda, a cidade de Cafarnaum: situada no limite do território de Zabulão e de Neftali, na margem noroeste do lago de Genezaré, no enfiamento do “caminho do mar” (que ligava o Egito e a Mesopotâmia), era considerada a capital judaica da Galileia (Tiberíades, a capital política da região, por causa dos seus costumes gentílicos e por estar construída sobre um cemitério, era evitada pelos judeus). A sua situação geográfica abria-lhe, também, as portas dos territórios dos povos pagãos da margem oriental do lago.
MENSAGEM
Na primeira parte (cf. Mt 4,12-16), Mateus refere como Jesus abandona Nazaré, o seu lugar de residência habitual, e se transfere para Cafarnaum. Mateus descobre nesse fato um significado profundo, à luz de Is 8,23-9,1: a “luz” que havia de eliminar as trevas e as sombras da morte de que fala Isaías é, para Mateus, o próprio Jesus. Na terra humilhada de Zabulão e Neftali, vai começar a brilhar a luz da libertação; e essa libertação vai atingir, também, os pagãos que acolherem o anúncio do Reino (para Mateus, é bem significativo que o primeiro anúncio ecoe na Galileia, terra onde os gentios se misturam com os judeus e, concretamente, em Cafarnaum, a cidade que, pela sua situação geográfica, é uma ponte para as terras dos pagãos). O anúncio libertador de Jesus apresenta, desde logo, uma dimensão universal.
Na segunda parte (cf. Mt 4,17-23), Mateus apresenta o lançamento da missão de Jesus: define-se o conteúdo básico da pregação que se inicia, mostra-se o “Reino” como realidade viva actuante, apresentam-se os primeiros discípulos que acolhem o apelo do “Reino” e que vão acompanhar Jesus na missão.
Qual é, em primeiro lugar, o conteúdo do anúncio? O versículo 17 di-lo de forma clara: Jesus veio trazer “o Reino”. A expressão “Reino de Deus” (ou “Reino dos céus”, como prefere dizer Mateus) refere-se, no Antigo Testamento e na época de Jesus, ao exercício do poder soberano de Deus sobre os homens e sobre o mundo. Decepcionado com a forma como os reis humanos exerceram a realeza (no discurso profético aparecem, a par e passo, denúncias de injustiças cometidas pelos reis contra os pobres, de atropelos ao direito orquestrados pela classe dirigente, de responsabilidades dos líderes no abandono da aliança, de graves omissões no que diz respeito aos compromissos assumidos para com Jahwéh), o Povo de Deus começa a sonhar com um tempo novo, em que o próprio Deus vai reinar sobre o seu Povo; esse reinado será marcado – na perspectiva dos teólogos de Israel – pela justiça, pela misericórdia, pela preocupação de Deus em relação aos pobres e marginalizados, pela abundância e fecundidade, pela paz sem fim.
Jesus tem consciência de que a chegada do “Reino” está ligada à sua pessoa. O seu primeiro anúncio resume-se, para Mateus, no seguinte slogan: “arrependei-os ('metanoeite') porque o Reino dos céus está a chegar”.
O convite à conversão (“metanoia”) é um convite a uma mudança radical na mentalidade, nos valores, na postura vital. Corresponde, fundamentalmente, a um reorientar a vida para Deus, a um reequacionar a vida, de modo a que Deus e os seus valores passem a estar no centro da existência do homem; só quando o homem aceita que Deus ocupe o lugar que lhe compete, está preparado para aceitar a realeza de Deus… Então, o “Reino” pode nascer e tornar-se realidade no mundo e nos corações.
Na sequência, Mateus apresenta Jesus a construir ativamente o “Reino” (vs. 23-24): as suas palavras anunciam essa nova realidade e os seus gestos (os milagres, as curas, as vitórias sobre tudo o que rouba a vida e a felicidade do homem) são sinais evidentes de que Deus começou já a reinar e a transformar a escravidão em vida e liberdade.
Finalmente, Mateus descreve o chamamento dos primeiros discípulos (vs. 18-22). Não se trata, segundo parece (a comparação deste relato, que Mateus toma de Marcos, com os relatos paralelos de Lucas e João, mostra que estamos diante de um relato estilizado, cujo objetivo é pôr em relevo os passos fundamentais da vocação) de um relato jornalístico de acontecimentos, mas de uma catequese sobre o chamamento e a adesão ao projeto do “Reino”. Através da resposta pronta de Pedro e André, Tiago e João, propõe-se um exemplo da conversão radical ao “Reino” e de adesão às suas exigências.
O relato sublinha uma diferença fundamental entre os chamados por Jesus e os discípulos que se juntavam à volta dos mestres do judaísmo: não são os discípulos que escolhem o mestre e pedem para entrar no seu grupo, como acontecia com os discípulos dos “rabbis”; mas a iniciativa é de Jesus, que chama os discípulos que Ele próprio escolheu, que os convida a segui-l’O e lhes propõe uma missão.
A resposta dos quatro discípulos ao chamamento é paradigmática: renunciam à família, ao seu trabalho, às seguranças instituídas e seguem Jesus sem condições. Esta ruptura (que significa não só uma ruptura afetiva com pessoas, mas também a ruptura com um quadro de referências sociais e de segurança econômica) indicia uma opção radical pelo “Reino” e pelas suas exigências.
Uma palavra para a missão que é proposta aos discípulos que aceitam o desafio do “Reino”: eles serão pescadores de homens. O mar é, na cultura judaica, o lugar dos demônios, das forças da morte que se opõem à vida e à felicidade dos homens; a tarefa dos discípulos que aceitam integrar o “Reino” será, portanto, libertar os homens dessa realidade de morte e de escravidão em que eles estão mergulhados, conduzindo-os à liberdade e à realização plenas.
Estes quatro discípulos representam todo o grupo dos discípulos, de todos os tempos e lugares… Eles devem responder positivamente ao chamamento, optar pelo “Reino” e pelas suas exigências e tornarem-se testemunhas da vida e da salvação de Deus no meio dos homens e do mundo.
ATUALIZAÇÃO
• Jesus é o Deus que vem ao nosso encontro para realizar os nossos sonhos de felicidade sem limites e de paz sem fim. N’Ele e através d’Ele (das suas palavras, dos seus gestos), o “Reino” aproximou-se dos homens e deixou de ser uma quimera, para se tornar numa realidade em construção no mundo. Contemplar o anúncio de Jesus é abismar-se na contemplação de uma incrível história de amor, protagonizada por um Deus que não cessa de nos oferecer oportunidades de realização e de vida plena. Sobretudo, o anúncio de Jesus toca e enche de júbilo o coração dos pobres e humilhados, daqueles cuja voz não chega ao trono dos poderosos, nem encontram lugar à mesa farta do consumismo, nem protagonizam as histórias balofas das colunas sociais. Para eles, ouvir dizer que “o Reino chegou” significa que Deus quer oferecer-lhes essa vida plena e feliz que os grandes e poderosos insistem em negar-lhes.
• Para que o “Reino” seja possível, Jesus pede a “conversão”. Ela é, antes de mais, um refazer a existência, de forma a que só Deus ocupe o primeiro lugar na vida do homem. Implica, portanto, despir-se do egoísmo que impede de estar atento às necessidades dos irmãos; implica a renúncia ao comodismo, que impede o compromisso com os valores do Evangelho; implica o sair do isolamento e da auto-suficiência, para estabelecer relação e para fazer da vida um dom e um serviço aos outros… O que é que nas estruturas da sociedade ainda impede a efetivação do “Reino”? O que é que na minha vida, nas minhas opções, nos meus comportamentos constitui um obstáculo à chegada do “Reino”?
• A história do compromisso de Pedro e André, Tiago e João com Jesus e com o “Reino” é uma história que define os traços essenciais da caminhada de qualquer discípulo… Em primeiro lugar, é preciso ter consciência de que é Jesus que chama e que propõe o Reino; em segundo lugar, é preciso ter a coragem de aceitar o chamamento e fazer do “Reino” a prioridade essencial (o que pode implicar, até, deixar para segundo plano os afetos, as seguranças, os valores humanos); em terceiro lugar, é preciso acolher a missão que Jesus confia e comprometer-se corajosamente na construção do “Reino” no mundo. É este o caminho que eu tenho vindo a percorrer?
• A missão dos que escutaram o apelo do “Reino” passa por testemunhar a salvação que Deus tem para oferecer a todos os homens, sem exceção. Nós, discípulos de Jesus, comprometidos com a construção do “Reino”, somos testemunhas da libertação e levamos a Boa Nova da salvação aos homens de toda a terra? Aqueles que vivem condenados à marginalização (por causa do fraco poder econômico, por causa da doença, por causa da solidão, por causa do seu inexistente poder de reivindicação), já receberam, através do nosso testemunho, a Boa Nova do “Reino”?
• Em certos momentos da história, procura vender-se a ideia de que o mundo novo da justiça e da paz se constrói a golpes de poder militar, de mísseis, de armas sofisticadas, de instrumentos de morte… Atenção: a lógica do “Reino” não é uma lógica de violência, de vingança, de destruição; mas é uma lógica de amor, de doação da vida, de comunhão fraterna, de tolerância, de respeito pelos outros. A tentação da violência é uma tentação diabólica, que só gera sofrimento e escravidão: aí, o “Reino” não está.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho - www.ecclesia.pt
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Todos têm vocação
Muito tempo há, dois irmãos foram pescar. Era a profissão deles e, portanto, um dia e outro também saiam ao mar, lançavam as suas redes e, dependendo de alguns fatores que eu não sei explicar bem, pescavam uma quantidade razoável de peixes. É verdade, segundo li nalgum lugar, que não eram infrequentes os dias de má pesca. No entanto, todos os dias tinham que estar lá, pescar era o ganha-pão da família deles.
O dia ao qual me refiro, era uma jornada costumeira, ordinária; um dia normal como todos os outros. Lá estavam os dois irmãos exercendo a sua profissão quando, inesperadamente, escutaram as seguintes palavras: “Vinde após de mim e vos farei pescadores de homens” (Mt 4,19). Pedro e André, os irmãos pescadores, “abandonaram as suas redes e o seguiram” (Mt 4,20).
Quem os chamou? Jesus de Nazaré. Eles o conheciam há muito tempo ou era a primeira vez que viam aquele personagem que os convenceu sobremaneira?  Seja como for, impressiona a docilidade de Pedro e de André à vocação. Pescadores de quê? Não, de peixes não, de homens. De homens? Sim. E como se pescam os homens? Os dois irmãos passariam mais ou menos três anos na escola de Jesus para aprender a pescá-los. Pescar peixes não parece ser fácil, pescar homens parece mais difícil. No entanto, acompanhando a Jesus, se aprende constantemente.
Faz algum tempo, Deus também nos chamou, a cada um pelo nosso nome. Você se lembra daquele momento tão entranhável no qual você percebeu que Deus o chamava a segui-lo buscando de verdade a santidade e o bem de todas as pessoas? Graças a Deus: respondemos positivamente ao Senhor! Talvez tenha sido na infância, talvez na adolescência, talvez ainda na juventude… Sempre é tempo de vocação (= chamada), Deus continua chamando-nos nas circunstâncias mais normais e cotidianas da nossa vida: no nosso trabalho, na nossa família, entre os nossos amigos.
Nós não vimos uma sarça ardente como Moisés; nem escutamos vozes como Samuel; tampouco fomos ungidos solenemente por um profeta como no caso de Davi; não nos visitou um anjo como a tantos no curso da história; nem tivemos visões nem revelações. Nada disso! E, não obstante, nós vimos a nossa vocação, nós percebemos que Deus nos chamava. A nossa vocação foi uma luz que deu sentido à nossa vida e essa luz interior permanece até hoje e, com a graça de Deus, não se apagará jamais. O que é a vocação senão essa percepção da realidade que Deus quer para nós, isto é, que sejamos discípulos para evangelizar. Duas palavrinhas resumem a nossa vocação: santidade, apostolado. Desde toda a eternidade, Deus pensou em nós, chamou-nos e capacitou-nos para que sejamos santos, para que sejamos apóstolos.
Todo cristão tem a vocação que lhe foi concedida por graça no momento do batismo: todos nós fomos chamados à santidade e ao apostolado. Com o passar do tempo, na escola de Jesus, essa vocação poderia receber uma nova especificação, por exemplo, no caso daqueles que são chamados ao sacerdócio ministerial. No entanto, a vocação à santidade e ao apostolado é igual para padres, para leigos e para religiosos. Todos devem ser santos, todos devem evangelizar. Por quê? Porque foram batizados. Além do mais, não existe uma santidade maior para os padres e uma santidade menor para os leigos, mas todos estão chamados à plenitude da vida cristã, à santidade. Com outras palavras: o padre não é mais santo porque é padre, nem o leigo é menos santo pelo fato de ser leigo. Não! A santidade é medida pela caridade e todos podem chegar ao auge do amor.
Pedro e André, os futuros são Pedro e santo André, compreenderam isso. Eles seguiram ao Senhor Jesus, andaram com ele, permaneceram sempre perto de Jesus, atenderam os seus apelos de evangelização, fizeram a vontade do seu Mestre e… são santos. Aprenderam a estar com Jesus e a pescar homens. Aprenderam a ser apóstolos.
Todos nós somos chamados a “pescar homens e mulheres”, ou seja, conseguir que todas as pessoas que entrem em contato conosco ou que nós entremos em contato com elas, saiam desse grande mar do pecado e entrem na barca da Igreja quais peixes para Jesus. Não obstante, sair do mar, sair desse habitat de água abundante que é o mar e passar à barca pressupõe morrer. Qual é o peixe que ao sair da água e ir para uma barca não morre, em primeiro lugar pela ausência da água? Essa morte para o mundo é, paradoxalmente, o começo de vida eterna. Os peixes que entram na barca não precisam se preocupar, pois essa barca tem água fresca, limpa e sempre nova que jorrou do lado aberto de Jesus na cruz para a nossa salvação.
padre Françoá Costa - www.presbiteros.com.br
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A liturgia, depois de no domingo passado, com as palavras do Batista, nos ter feito a solene apresentação de Jesus que nos vai falar ao longo do ano no Evangelho, faz-nos hoje a sua apresentação com as palavras do Evangelista do ano A, Mateus, o qual situa Jesus a pregar só depois da prisão do Baptista e após ter deixado de vez Nazaré, pois ninguém é profeta na sua terra (cf. Mt 13,53-58). Diz que Jesus «foi habitar em Cafarnaum», «a sua cidade» (cf. Mt 9,1), a base da sua atividade, junto ao lago de Genesaré, atravessada pela via maris, a estrada do Mar (v. 15) que ligava Damasco ao Mediterrâneo, um centro comercial importante, de que hoje só restam as ruínas, a uns 3 km a Sudoeste da entrada do Jordão no lago e a 36 km de Nazaré. Mas o Evangelista não vê nesta deslocação de Jesus uma simples estratégia, ele vê o cumprimento duma profecia (Is 8, 23) que acredita Jesus como o Messias. O texto citado tem um enorme alcance: trata-se de apresentar a pregação de Jesus como a grande luz que nas trevas brilha para todo o povo.
15 «Galileia (em hebraico gelil significa região) dos gentios». Sobretudo a partir das invasões assírias do séc. VIII a. C. e das deportações levadas a cabo, foram trazidos para aqui muitos colonos estrangeiros, gentios, daqui este nome «região dos gentios» (em virtude da sua população mista), que depois passou a chamar-se simplesmente «Galiléia».
17 O «Reino dos Céus»: como aqui (e quase sempre), S. Mateus diz «dos Céus (a tradução litúrgica não corresponde ao original grego), em vez de «de Deus» (cf.Mc 1,15), (evitando assim nome de Deus inefável). A expressão tem o sentido de «o domínio de Deus» sobre todos os homens (o reinado de Deus), um tema já freqüente na pregação profética. Há uma grande diferença de sentido relativamente às idéias correntes na época, em que o reinado de Deus tinha uma conotação teocrática: Deus era o Rei de Israel não apenas no campo espiritual, mas também temporal e Ele haveria de vir submeter a este domínio político todos os povos da terra. O Reino de Deus que Jesus prega é um reino espiritual, de amor e santidade, onde se entra pelo arrependimento dos pecados, pois é um domínio de Deus nas almas; daí a mensagem fulcral do Evangelho: «arrependei-vos».
18-22 Jesus não se limita a anunciar, como João Baptista, que «o reino de Deus está próximo», mas começa já a sua instauração com palavras e obras (cf. v. 23). E estes versículos falam de um primeiro passo, a escolha dos primeiros discípulos, que hão-de integrar o grupo dos Doze, sobre que Jesus fundará a sua Igreja. Segundo Jo 1,35-52, estes quatro já conheciam Jesus, mas agora trata-se duma chamada para serem seus discípulos. É maravilhosa a sua disponibilidade e generosidade que os leva a deixar tudo logo (euthéôs), sem mais considerações, «o barco», «as redes», «o pai». Jesus continua a chamar em todos os tempos os homens ao apostolado e é preciso responder com igual prontidão e entrega.
Sugestões para a homilia
Olhemos o nosso mundo
Ao longo dos séculos houve homens que se esforçaram por construir um mundo novo sem guerras, sem ódios, sem vinganças, sem crimes, sem atentados para que todos pudessem viver felizes e em paz.
Olhando para o passado, que vemos nós?…Será que alguma vez o mal desapareceu e ficou só o bem?…
Estamos já no terceiro milênio, a viver o século XXI. Como vai o nosso mundo?
As crianças que não chegam a nascer, vítimas do aborto provocado, não nos atormentam com os seus gemidos de dor?
Os doentes e idosos que morrem, vítimas da eutanásia, deixam-nos dormir sossegados?
Os jovens, explorados pela droga e pelo hedonismo que perecem vítimas da sida, não mereceriam viver na esperança dum futuro melhor?
Os pobres que passam fome não interpelam os donos do mundo que vivem luxuosamente nos seus palácios?
As famílias, desfeitas pela infidelidade, deixam indiferentes os lares onde se vive o amor?
As nações destruídas pela guerra, com os feridos e os mortos, não exigiriam de todos nós a luta pela causa da Paz?
Seduzidos pela Luz de Cristo
Nós, cristãos, devíamos refletir no mundo a Luz de Cristo ( primeira leitura, salmo responsorial e evangelho). E então tudo seria diferente. As trevas do pecado desapareceriam para termos o mundo iluminado pela Palavra de Deus.
Porque esperamos? O Senhor confiou a cada um de nós uma missão. E tem de ser cumprida enquanto usufruirmos o dom da vida.
Unidos seremos mais fortes. As palavras de São Paulo continuam atuais: «Rogo-vos pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós…» (segunda leitura).
A Igreja católica é una. Não enveredemos por caminhos que levam a cismas. Estejamos atentos aos ensinamentos do Papa. Bispos, sacerdotes e leigos responsáveis procuremos ser fermento na nossa sociedade.
Somos chamados ao apostolado
Se tantas pessoas lutam incansavelmente pelos seus ideais, nós que estamos na Verdade, não nos calemos! Levantemos a nossa voz!
A vida humana , desde a concepção até à morte natural, será respeitada. A angústia, a ansiedade e o sofrimento desaparecerão da vida das pessoas. No seu rosto voltará a ver-se a serenidade, a alegria e o sorriso.
Será tudo isto um sonho?…Sim, se não houver conversão. Mas será uma bela realidade se acreditarmos na força invencível da nossa Fé.
Não ignoremos as tentações do demônio. Confiemos na intercessão dos anjos e santos. Maria, Mãe de Jesus e nossa terna Mãe, estará sempre conosco. Caminhemos com muita confiança. A vida só assim terá sentido. Depois… será a passagem para a felicidade eterna.
Celebração litúrgica - www.presbiteros.com.br

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Conversão e testemunho
Jesus, depois de ter deixado Nazaré e de ter sido batizado no Jordão, vai a Cafarnaum para iniciar o seu ministério público.
Ele é apresentado como grande luz (cf. Mt. 4,12-23) de que fala o Profeta Isaías (Is. 9,1-4).
No caminho do mar, junto ao lago, que Jesus começa a pregar e a dizer: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus” (Mt. 4,17). Da pregação em geral, Jesus passa ao convite pessoal: “Segui-Me e Eu vos farei pescadores de homens. Eles deixaram imediatamente as redes e O seguiram”.
O Evangelho nos apresenta o chamamento dos primeiros Apóstolos: “Ele chamou enquanto caminhava junto ao mar da Galiléia. Estes homens experimentaram o fascínio da luz secreta que emanava dEle e seguiram-na sem demora para que iluminasse com o seu fulgor o caminho das suas vidas. Mas essa luz de Jesus resplandece para todos.
Jesus Cristo, luz do mundo, chamou primeiro uns homens simples da Galiléia, iluminou as suas vidas, ganhou-os para a sua causa e pediu-lhes uma entrega sem condições. Aqueles pescadores da Galiléia saíram da penumbra de uma vida sem relevo nem horizonte para seguirem o Mestre, tal como outros o fariam logo após, e depois já não cessariam de fazê-lo inúmeros homens e mulheres ao longo dos séculos. Seguiram-no até darem a vida por Ele. Nós também O seguimos!
O Senhor chama-nos agora para que O sigamos e para que iluminemos a vida dos homens e as suas atividades nobres com a luz da fé; sabemos bem que o remédio para tantos males que afetam a humanidade é a fé em Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor, razão de ser de nossa existência; sem Ele, os homens caminham às escuras e por isso tropeçam e caem. E a fé que devemos comunicar é luz na inteligência, uma luz incomparável: fora da fé estão as trevas, a escuridão natural diante da verdade sobrenatural…”
Jesus inicia o seu ministério e prega a conversão: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo” (Mt. 4,17). A conversão, diz o Doc. de Aparecida, nº 278b, “é a resposta inicial de quem escutou o Senhor com admiração, crê nele pela ação do Espírito, decide ser seu amigo e ir após Ele, mudando a sua forma de pensar e de viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer para o pecado é alcançar a vida. No Batismo e no sacramento da Reconciliação se atualiza para nós a redenção de Cristo”.
As palavras chegarão ao coração dos nossos amigos se antes lhes tiver chegado o exemplo da nossa atuação: as virtudes humanas próprias do cristão – o otimismo, a cordialidade, a firmeza de caráter, a lealdade… Não iluminaria com a sua fé o cristão que não fosse exemplar no seu trabalho ou no seu estudo, que perdesse o tempo, que não fosse sereno no meio das dificuldades, perfeito no cumprimento do seu dever, que lesasse algum aspecto da justiça nas relações profissionais…
A mensagem de Cristo sempre entrará em choque com uma sociedade contagiada pelo materialismo e por uma atitude conformista e aburguesada perante a vida.
“Sê forte” (Sl. 26,14). Poderíamos perguntar-nos hoje se no nosso círculo de relações somos conhecidos por essa coerência de vida, pelo exemplo na atuação profissional, ou no estudo, se somos estudantes; pelo exercício diário das virtudes humanas e sobrenaturais, com a coragem e o esforço perseverante a que nos incita o Espírito Santo.
Deus chama-nos a todos para que sejamos luz do mundo, e essa luz não pode ficar escondida: “Somos lâmpadas que foram acesas com a luz da verdade” (Santo Agostinho).
Se somos cristãos que vivem imersos na trama da sociedade, santificando-nos em e através do trabalho, devemos conhecer muito bem os princípios da ética profissional, e aplicá-los depois no exercício diário da profissão, ainda que esses critérios sejam exigentes e nos custe levá-los à prática. Para isso são necessárias vida interior e formação doutrinal.
Peçamos à Virgem Maria coragem e simplicidade para vivermos no meio do mundo sem sermos mundanos, como os primeiros cristãos, para sermos luz de Cristo na nossa profissão e em todos os ambientes de que participamos. “Como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Os cristãos somos portadores de boas novas para a humanidade, não profetas de desventuras” (Aparecida nº 30).
mons. José Maria Pereira – www.presbiteros.com.br
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