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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 18 de janeiro de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*2aSemanaTempoComum=Domingo, 19/01/2014

[1] Salve-se quem puder...
Salvar, salvação, saúde, paz, realização, sucesso. O que nos preocupa quanto ao futuro? O que esperamos e o que tememos? Vamos começar com o resumo das leituras do dia.
·                  eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra (do livro de Isaías 49,3.5-6); este trecho está no chamado Segundo Isaías provavelmente redigido após a repatriação do exílio em Babilônia. O profeta não estaria satisfeito com o comportamento do povo eleito e dirige-se ao “resto” de Israel, o grupo dos que permanecem fiéis, remando contra a corrente à volta, ambiente contrário à Fé. O chamado Segundo Poema do Servo de Jahweh já aponta para o sentido universalista da salvação destinada também aos que não pertencem ao povo de Israel.
·                  Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo (da carta 1 aos Coríntios 1,1-3 (a 9); Paulo tira a primeira parte desta dupla saudação da cultura grega (Cháris – favor, bondade e também agradecimento), ambiente “globalizado” do mundo de então. Tira o segundo termo da tradição judaica (shalôm – paz). Mas a saudação ganha, no cristianismo, ampliação do seu sentido. Graça, além de indicar alegria e saúde que todo mundo deseja no ambiente da época, é a “Graça” que reconhece o Dom gratuito de Deus. Já o sentido tradicional do shalôm judaico, agora sublinha que é uma Paz (Eirêne) que “vem” de Deus (o termo apó indica origem vem do Pai e do Senhor...). A Paz tem sua raiz e fonte em Deus e no Senhor Jesus Cristo;
·                  Eis o Cordeiro que tira o pecado do mundo (do evangelho de João 1,29-34 (a 42). Da segunda parte do Prólogo do evangelho joanino, esse testemunho trazido do episódio do Batismo de Jesus visa primeiramente contestar uma seita da época que dizia ser o Batista o Messias. João lembra que o precursor aponta onde “acontece” de fato a “Salvação” ou a “extração” do mal que há no mundo e em nossa vida. Em Jesus de Nazaré está a superação do Pecado (do qual fazem parte nossos “pecados” individuais).
·                  Obs.: alternativas entre parênteses in dicadas no Lecionário Comum Revisado usado pela maioria das igrejas cristãs do ocidente.

[2] Só os bombeiros e médicos salvam vidas?
·                  Utilizamos os termos “salvar” e “salvação” referindo-nos à atuação, por exemplo, dos corajosos bombeiros (ou paramédicos) quando livram as pessoas da morte retirando-as de escombros ou das ferragens retorcidas de um carro acidentado ou de um incêndio. É também usual dizermos: “Dra X – ou Dr. Y – salvou a vida de Fulano com sua habitual competência” ou: “pela sua incansável dedicação ao paciente” (queremos assim indicar como aquele ou aquela profissional da saúde livrou alguém da doença). Fora desses contextos a palavra ‘Salvação’ está na linguagem das religiões ou mesmo da Fé cristã, mas parece expressar algo fluido, vago, mágico, fora da vida,  isto é, fora de nosso mundo concreto. Mas, afinal, de que perigo “Cristo nos salvou”? Ou, numa expressão ainda mais tradicional, que significa “salvação das almas”?
·                  As reflexões básicas a seguir apresentadas são uma adaptação (baseadas no site italiano maranatha). O modo de pensar predominante na atual civilização “globalizada” a respeito da “Salvação” é: todo mundo morre; então, não há mesmo “Salvação” (exceto se nos referimos ao sentido dado acima, à ação de médicos, paramédicos, bombeiros... porque conseguem evitar ou adiar a morte de alguns).
·                  Somos filhos de nosso tempo (contemporâneo); vivendo nesta sociedade (tecnológica);por isso aparentemente só contamos aparentemente com as esperanças “terrenas”. Não foi assim por séculos desde a Antiguidade. Nem mesmo na civilização ocidental (da greco-romana e medieval até – pelo menos – o século 18) vivemos sempre numa moldura cultural “teocêntrica”: Deus no centro da vida pessoal e social. Recentemente – talvez nos últimos 200 anos –  nossa visão passou a ter uma forma mais forma “geocêntrica” e “antropocêntrica”: centrada na Terra e no ser humano. Até mesmo muitas gerações hoje ainda vivas, nascidas no século 20, cresceram e foram educadas em contexto de Fé e, ainda que muitos pouco convencidos desta herança, conservaram basicamente o mesmo enfoque teocêntrico. Apesar das grandes mudanças dos anos 50 (tecnologia pós-bomba atômica) e dos anos 60/70 (conquista espacial; aceleração do avanço tecnológicos e sua aplicação no dia a dia) e das últimas décadas do século 20 (fim da Guerra Fria e crescimento das Democracias tão grande quanto o da corrupção ou da poluição).
·                  Nos últimos 50 anos, principalmente, o mundo foi submetido a um deslocamento radical de interesses e preocupações. Não somos mais “caminhantes ou peregrinos” neste mundo – como o velho Abraão. Ou o povo de Israel em sua marcha para a “terra da esperança”. Não gostamos mais de orações que usam expressões do tipo “neste vale de lágrimas”, mesmo acreditando que elas serão enxugadas definitivamente de nossos olhos. O ser humano tornou-se “sedentário” (no sentido de oposto ao “peregrino”). Todo mundo procura segurança: um de seus símbolos são as grades cercando prédios e casas; outro, a contínua vigilância de câmeras pedindo nosso sorriso. Expressão óbvia da mesma preocupação são os condomínios “fechados”.
·                  Conhecemos fronteiras terrestres ou temporais apenas, dando-nos a sensação geral de um gradual crescimento até chegarmos  ao “completo” domínio do Tempo e dos Espaços. Este sentimento tem origem talvez na velocidade atual da Comunicação, pelo uso generalizado de celulares ou tablets, ampliação do acesso a viagens, sobretudo aéreas. Vivemos enquadrados em esperanças terrenas.
·                  É como se nos tivessem dado uma nova missão para sermos humanos. O que talvez explique o número imenso de pessoas querendo inscrever-se no anunciado projeto de viagem (só de ida !!) ao planeta Marte. Até os grandes desafios de reorganização da economia mundial, bem como a preocupação com a Ecologia e o futuro do planeta parecem reforçar a exclusiva confiança na Cidadania terrestre e nas forças humanas em geral. Em resumo: ninguém espera mais uma Salvação que venha “de fora” e a crença mais difundida é de que ela só depende do que construímos com nossas próprias mãos.

[3] Contudo ... em meio à “euforia” geral – que proclama a completa autonomia humana, responsável pelo desprezar qualquer compreensão de Deus (uma “hipótese inútil”) – parece que o mundo está cada vez mais cego e irresponsável diante de crescentes desequilíbrios. Até o país mais rico do mundo, os Estados Unidos, nunca viu tanto desequilíbrio entre ricos e pobres. Assim também a Europa da prosperidade e bem estar social nunca viu tanto desemprego. Por uma espécie de bebedeira geral provocada pela idolatria da Ciência e da Técnica povos e governos parecem cada vez mais esquecidos dos desequilíbrios. Estes provêm da poluição, da ganância que gera as guerras localizadas (não “mundiais” mas espalhadas pelo mundo), do pavor do terrorismo ou da violência urbana, da ameaça de uma epidemia das novas doenças. Certa angústia generalizada convive com aquela euforia do progresso que nos assemelha ao mundo ocidental do século 19 (exemplificada pela literatura do tipo Júlio Verne. Dizem que a depressão será a doença mais comum das próximas décadas. Eu diria, no entanto,  que é o Medo o que mais se espalha e contamina, carregando com ele, a tendência para as fugas egocêntricas, confirmando o provérbio popular: farinha pouca, meu pirão primeiro.
·                  É preciso ir além da religião sociológica. Reler os evangelhos e toda a Bíblia para redescobrir a utopia do Criador que confia ao ser humano a Terra (Gênesis), a prioridade da justiça social sobre o Templo (Profetas), a verdadeira Sabedoria da aparente “loucura” da Cruz (novo testamento).
·                  A Salvação (na Fé) começa no tempo-espaço da vida na Terra (Caridade). Mas só entra no “foco” com a (Esperança da) ressurreição. Só aí o cristianismo anuncia a salvação completa, a que supera até a morte.

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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

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