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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 18 de janeiro de 2014

O CORDEIRO DE DEUS

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia 19 de Janeiro
Evangelho-Jo 1,29-34

Comentários-Prof.Fernando


Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!
O CORDEIRO QUE MORREU POR NÓS -

 

O CORDEIRO OFERECIDO AO PAI - José Salviano


            Eis o Cordeiro de Deus aquele que tira o pecado do mundo. Esta é a frase pronunciada pelo celebrante, no momento da comunhão na missa, e que penetra profundamente o nosso interior.  Esta frase nos lembra que Jesus é cordeiro que foi imolado por nós, o cordeiro que foi oferecido voluntariamente ao Pai pelos nossos pecados. Continua...



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“EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!” – Olívia Coutinho

II DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 19 de Janeiro de 2014

Evangelho de Jo 1, 29-34

O mundo requer urgentemente de pessoas que façam a diferença, de homens e mulheres comprometidos com o evangelho, que assim como João Batista,  apontem algo  novo, renovador, no sentido de  suscitar sentimentos novos nos corações desesperançados. É grande a necessidade de profetas que devolva  a esperança ao  povo sofrido, que  não se calem diante das injustiças, que estejam  dispostos a dar a vida se preciso for, pela causa do Reino!
João Batista, o grande profeta que anunciou a vinda do Messias, desempenhou um papel importantíssimo na história salvação, foi ele que  convenceu o povo da necessidade da conversão, abrindo caminho para que Jesus pudesse  entrar no coração humano!  O próprio Jesus o reconhece como sendo ele, o maior dentre os nascidos de mulher, (Lc 7,28).  
João Batista veio dar testemunho  da luz, foi ele quem  preparou o encontro do  humano com o Divino! A partir do seu testemunho, Jesus é reconhecido como O Messias, O Filho de Deus!
Depois de ser apontado por João Batista, como sendo Ele o Cordeiro de Deus, Jesus começa  a formar a sua comunidade apostólica, tendo como seus primeiros seguidores, os discípulos de João. É graças ao testemunho desta pequena comunidade que conviveu diretamente com o Cordeiro de Deus, que  hoje, também nós, podemos  viver  e dar testemunho da ressurreição de Jesus!
Jesus é apontado por João,  como Cordeiro, símbolo da mansidão, o que não significa passividade e sim, entrega de vida para o resgate da humanidade corrompida  pelo pecado.
João Batista foi um grande exemplo de quem viveu exclusivamente a vontade de Deus, ele não se acomodou nas tradições do seu povo, pelo contrário,  buscou algo novo, fazendo- se  anunciador  das realizações das promessas de Deus, anunciando  um tempo de graça que traria  um sentido novo para a  humanidade que  se  distanciava de sua verdadeira origem.
 Assim como João Batista, nós também viemos a este mundo com uma missão: realizar a vontade de Deus na vivencia do amor, cultivando em nossos corações a disposição de  renovarmos a cada dia. É  com o nosso testemunho de fidelidade ao projeto de Deus, que  apontamos Jesus ao outro.
João Batista experimentou durante a sua vida terrena, a força dos dois lados do coração humano: a força do amor capaz de resgatar vidas, e a força do ódio que o levou a morte. Tiraram a vida de João Batista, mas não conseguiram calar a  voz do profeta, sua voz  continua  ressoando nos ouvidos de cada geração: “Convertei-vos e crede no evangelho”. “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
O Evangelho de hoje, nos apresenta uma belíssima profissão de fé, expressa em  três afirmações de João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”; “eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele”; “eu vi e dou testemunho, este é o Filho de Deus”. 
João Batista não conviveu com O Messias, mas deu testemunho Dele, porque  acreditou na revelação de Deus que o enviou para anunciá-Lo! E nós, que recebemos o Espírito Santo no nosso Batismo, que convivemos com Jesus presente na Eucaristia, estamos dando testemunho Dele, como João Batista?
Colocar Jesus, como o centro da nossa vida, assim como fez João Batista, é pensar, é viver, é falar é mover-se em função do amor.
FQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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Evangelhos Dominicais Comentados

19/janeiro/2014 – 2o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Jo 1, 29-34)

No Evangelho de hoje João nos apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. De fato, Jesus muito se assemelha ao cordeiro.

O cordeiro é a própria imagem de candura e mansidão. No templo, os judeus sacrificavam um cordeiro e o ofereciam a Deus como forma de purificação de seus pecados.

No Egito, quando os israelitas foram libertos da escravidão, todas as famílias tinham sacrificado um cordeiro e, com seu sangue, marcaram suas portas. Os marcados com o sangue do cordeiro foram salvos do extermínio.

Jesus manso e humilde é o cordeiro imolado e sacrificado. Ao apresentar Jesus como Cordeiro, João confirma que Jesus veio para dar a sua vida. Como o cordeiro imolado no Egito, o Sangue de Jesus livra a humanidade do extermínio, liberta os homens do pecado e de todo mal que leva à morte.

Ao comparar Jesus ao cordeiro, João usou o comparativo que, muito antes, o Profeta Isaías já havia utilizado. Ao anunciar a vinda do Messias, Isaias o denominou de Cordeiro (Is 53,7). Isaías compara o Messias a um manso cordeiro que, ao ser levado para o matadouro, suporta tudo calado, sem abrir a boca, como a ovelha que não se rebela diante do tosquiador.

Os judeus acreditavam que o Messias seria um poderoso rei, com um grande exército de homens armados, capaz de destruir o inimigo e libertar seu povo do poder dos romanos. No entanto, ao proclamar Jesus como cordeiro, João afirma que Jesus é bem diferente daquilo que imaginavam.

Esse rei é poderoso sim, porém não impõe sua autoridade e tem no amor sua única arma. Em parte estavam certos aqueles que esperavam a vinda de um Messias destruidor, pois Jesus destruiu o maior inimigo da humanidade. Jesus destruiu, eliminou para sempre a morte. Após a vinda de Jesus, só morre quem se afasta do Cordeiro.

Jesus leva até o fim o Projeto de Salvação do Pai. Com seu sacrifício na cruz, torna-se o verdadeiro Cordeiro Pascal que entrega seu Corpo e sua própria vida. O Sangue do Cordeiro é a marca que preserva a vida, seu sacrifício traz luz, salvação e paz para a humanidade.

É importante notar que neste evangelho João Batista, o Precursor, aquele que passou toda a sua vida jejuando, orando, batizando, preparando o povo e aplainando caminhos para a chegada do Messias, por duas vezes diz que não conhecia Jesus. Agora, porém, seus olhos se abrem e fala com convicção que ali está o Filho de Deus, aquele que batiza com o Espírito Santo.

A sinceridade de João deve servir para nossa reflexão de hoje. É impossível testemunhar Jesus sem conhecê-lo. O evangelizador que não conhece Jesus acha que Ele está preocupado com as aparências, com o tamanho da sala de catequese, com a qualidade da mesa de som, dos instrumentos musicais e com aquele mundo de supérfluos considerados “indispensáveis” para celebrar a Ceia Eucarística e para evangelizar.

Humildade e mansidão são as marcas do Cordeiro. Essa humildade tem que estar presente em todos os locais, principalmente na comunidade da Igreja. Quem quiser colaborar para tirar o pecado do mundo, deve abrir os olhos para reconhecer Jesus, renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-lo.

(1981)


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            "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!"

Nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, João Batista é apresentado como o precursor que veio preparar os caminhos do Senhor (cf. Mt 3,3). No evangelho de João, porém, a característica fundamental do Batista é o testemunho. Para o quarto evangelho, o testemunho é essencial à fé porque o Verbo Eterno, ou seja, Deus não se revela direta e abertamente. É preciso captá‑Lo na carne, isto é, na Pessoa do Filho, e quando alguém o capta, tem o dever de testemunhar como fez João Batista.
O testemunho do Batista é contundente, porque não fala de um messias ausente e que há de vir no futuro, mas o mostra já presente e atuante: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" (Jo 1,29). A expressão "eis", no idioma em que o evangelho foi, originalmente, escrito, se diz, de forma imperativa: "Enxerga!" Com efeito, às vezes, o nosso ver é um olhar que não enxerga. Pois, como João mesmo afirma, já havia visto Jesus no momento do batismo (cf. Jo 1,33), porém não havia enxergado n'Ele "O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" Só o enxergou no "dia seguinte" (cf. Jo 1,29). Fala‑se de "dia seguinte" sem, porém, ter mencionado um anterior. Refere‑se, certamente, a um tempo indeterminado, que vai do momento do batismo de Jesus ao segundo encontro no qual 0 reconhece como "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". Esse período não é indicado com precisão por tratar‑se do tempo necessário ao amadurecimento da fé, que surge da escuta da Palavra e vai crescendo, aos poucos, até tornar‑se capaz de enxergar o invisível. À semelhança de João Batista, todo cristão precisa passar por certo tempo de amadurecimento da fé para chegar a reconhecer em Jesus o Verbo encarnado.
Mas o que o Batista viu em Jesus para exclamar estupefato: "Enxerga ali o Cordeiro de Deus que do a pecado do mundo?!" Nos tempos modernos, a noção de pecado ficou muito enfraquecida. As ciências humanas ensinaram‑nos a levar em conta determinismos inconscientes, carências educativas, pressões sociais, fanatismos que cegam etc. Com efeito, o sentimento de culpabilidade generalizada, resultante de uma moral reduzida ao que é permitido ou proibido, realmente é um doloroso entrave ao desenvolvimento da pessoa. Contudo, será que o testemunho de João continua válido para nós hoje? Reparemos que ele fala de "pecado" e não de 11 pecados". Trata-se, portanto, do pecado fundamental, que é a raiz de todos os pecados: o desconhecimento do verdadeiro rosto de Deus. Portanto, o que João enxerga, naquele instante, é a primeira revelação feita por Jesus do Deus que ninguém jamais viu (cf. Jo 1,18): um Deus impensável para crentes e descrentes, que se coloca na fila dos pecadores, fazendo‑se solidário com eles; que se supunha nas alturas dos céus, está aqui na Terra, o espírito puro feito carne, o imortal na carne mortal, o Santo entre os pecadores, o juiz no lugar dos condenados, o Todo‑Poderoso despojado de todo o poder, colocando‑se na nossa condição para assumir nossas feridas, curando‑nos com suas chagas (cf. 1Pd 2,24). 0 pecado do mundo, portanto, é o desconhecimento da proximidade do Deus‑Amor, revelado em Jesus Cristo, que nunca se distancia de nós por mais que nos distanciemos d'Ele.
frei Aloísio Antônio de Oliveira OFV Conv
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As leituras deste domingo têm como eixo transversal o convite de Deus a toda a humanidade a assumir como próprio o projeto do Reino, de projetar, em liberdade e sinceridade, uma maneira nova de ser homem e mulher, de ser criação e sociedade. O texto da primeira leitura faz parte do segundo Cântico do Servo (Is. 49,1-50,7), nele há uma identidade do povo de Israel como o servidor de Deus.
Este Israel mencionado aqui não representa a totalidade do povo de Deus, mas sim, talvez, se refira àquela pequenina comunidade de crentes, desterrada na Babilônia, a esse grupo reduzido que mantém viva a esperança e a fé. Esse grupo que, apesar de estar longe de sua terra, mantém sua confiança que Javé, trará a salvação a todo o povo de Israel e ao mundo inteiro, pois Deus colocou seus olhos nele e assinalou a missão a todo o povo de Israel e ao mundo inteiro, pois Deus olhou para ele e lhe concedeu a missão de expressar a toda a criação o seu desejo mais profundo: salvar a todos sem exceção.
O autor do cântico assinala uma grande diferença quanto à compreensão da salvação prometida por Javé; sendo o tempo do exílio, o profeta anuncia uma salvação para todas as nações, não unicamente para o povo de Israel.
Paulo inicia sua carta confirmando a universalidade do Reino de Deus; expressando que a mensagem de salvação é para todos os que, em qualquer lugar e tempo invocam o nome de Jesus Cristo. Contudo, pela maneira solene que Paulo escreve (à Igreja de Deus em Corinto), pode-se afirmar que o apóstolo está se referindo à única e universal igreja de Cristo, que se faz historicamente presente nos cristãos da comunidade de Corinto.
Isto é, ainda que Paulo tenha escrito de amaneira particular a uma comunidade, sua mensagem ultrapassa os limites do espaço e do tempo, adquirindo em todo momento atualidade e relevância, pois é uma Palavra dirigia à humanidade inteira. Homens e mulheres recebem a graça de ser filhos de Deus, por meio de Jesus; fomos consagrados por Deus para realizar em nossas vida a “vocação santa”, que em nossa linguagem corresponderia à “missão” de tornar presente, aqui e agora, o reino de Deus: fazer deste mundo um lugar mais justo e solidário, menos violento, destruidor, mais livre e fraterno.
Quem assume como modo normal de vida este horizonte libertador, está invocando o nome de Jesus. O evangelho de João manifesta a universalidade da salvação de Deus por meio da vida e missão de Jesus de Nazaré, visto este como cordeiro de Deus, que se sacrifica, se entrega obedientemente à vontade do Pai para salvar da morte (do pecado) a toda a Humanidade.
Jesus é o enviado do Pai, o ungido pelo Espírito de Deus, o servidor de Javé de que fala o profeta Isaías (49,3) que tem como especial missão estabelecer no mundo a justiça do reino. É quem verdadeiramente traz a salvação de Deus à humanidade. João Batista já havia compreendido sua própria missão e a missão de Jesus.
Por tal razão o profeta do deserto diz que atrás dele vem um que é mais importante do que ele, pois o que vem é o Messias, Palavra nova de Deus para o mundo. O Batista reconhece Jesus como o Filho de Deus, por isso dá testemunho dele. E o faz com as imagens daquele tempo, imagens que há muito tempo ficaram sem base e que até perderam sua inteligibilidade.
Falar de Cordeiro de Deus, sacrificado, que expia nossos pecados, que tira o pecado do mundo com seu sangue, que nos "redime” é falar em categorias que somente podemos conhecer pelo estudo histórico-bíblico, por cultura especializada religiosa, porém que não podemos captar “por sentido comum”, por uma vivencia que se respira através do subconsciente coletivo social, como normalmente são captadas as boas imagens, as imagens que estão vivas.
Algumas imagens já morreram, ainda que continuem sendo lidas ou repetidas. Uma tarefa pendente da comunidade que crê hoje é testemunhar esse encontro profundo com Jesus com metáforas novas, para que expressem e comuniquem esse encontro.Será essa a forma de se poderá concretizar uma vida fundada na entrega e no amor, na justiça e na comunhão com a Natureza.

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“Com prazer faço vossa vontade”
Eis o Cordeiro de Deus!
Terminamos o tempo do Natal, celebração do mistério da manifestação de Deus em Cristo. Deus se fez carne e habitou entre nós. Terminada sua vida terrena, Jesus permanece entre nós, de modo particular na comunidade que celebra. Iniciamos o Tempo Comum. São 34 domingos que se sucedem, com a interrupção da Quaresma e Páscoa. Nesse 2º domingo temos a leitura do evangelho de João, não do evangelista no ano, que, neste, é Mateus. Ele descortina para nós a visão de todo o mistério de Cristo, a partir da manifestação aos discípulos. João Batista apresenta Jesus a seus discípulos: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”!. João afirma que não conhecia Jesus. E eram primos. Talvez conhecesse Jesus como pessoa, não como o enviado de Deus, o que lhe foi revelado pelo Espírito. João tinha consciência da própria missão de preparar a vinda do Messias. Em outro lugar (Lc. 7,19), manda discípulos a perguntarem a Jesus se Ele era aquele que devia vir ou deveria esperar outro. Jesus explica a esses homens quem Ele é realizando alguns milagres. João, ao apresentar Jesus como o Cordeiro, refere-se a toda a temática do Servo. A palavra cordeiro, talyâ’ em aramaico, significa servo, cordeiro, jovem, jovem de confiança e ainda pedaço de pão (Tomás Frederici). Quando diz Servo, refere-se ao Servo que encontramos em Isaias 49,3.5-6: “Tu és meu Servo, em quem serei glorificado ... eu te farei luz para as nações para que minha salvação chegue até os confins da terra” (6). Esse Servo, Filho amado, cumpre a vontade do Pai, como canta o salmo 39, “com prazer faço vossa vontade, guardo eu meu coração vossa lei”. A palavra cordeiro explica todo o aspecto sacrifical do cordeiro pascal que se liga também ao pão da Eucaristia. João conhece Jesus a partir do Espírito Santo a quem vê, ao batizá-lo. João não vê um primo que fica afamado, mas o Prometido de Deus para a redenção do mundo. João dá o testemunho sobre Jesus e sua missão. Jesus compreende essa missão como fazer a vontade do Pai: “O que o Pai quer, eu faço”, mesmo ser o Cordeiro sacrificado.
Que tira o pecado do mundo
Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Não se trata de pecados pessoais, mas da raiz desse pecado, do qual nascem todos os pecados. João evangelista desenvolve bem esse tema em seu evangelho e o coloca na boca de João Batista para indicar a missão de Jesus. Vemos como diz mundo das trevas em oposição a Jesus-luz. Esse Servo de Deus diz: “Eu te farei luz para as nações, para que a salvação chegue até os confins do mundo (Is. 49,6). O pecado do mundo é a rejeição: “A luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam” (Jo 1,5) A luz é vida (Jo 1,4). Jesus, por sua vida, morte e ressurreição, destrói o pecado do mundo e dá liberdade e vida para todos. Se o mundo acolhe, haverá um novo céu e uma nova terra (Ap. 21,1).
Este é o Filho de Deus!
João diz: “Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!” (Jo 1,34). Esta é a profissão de fé fundamental de cada um que se salva em Jesus. A Igreja professa essa fé. Esse testemunho de João, ele o recolhe da teofania do Pai que diz: “Este é meu Filho amado” (Mt. 3,17). Ele transmite à humanidade a vida divina, como foi atestada pelo Espírito Santo que vem sobre Ele. Se fizermos a vontade do Pai, como fez, teremos a vida divina e realizaremos, como Ele, o projeto de Deus. Quando nos reunimos para celebrar, estamos acolhendo o Espírito que nos faz testemunhar que é o Filho de Deus.

1. Iniciamos o tempo comum, tendo encerrado o tempo da Manifestação do Senhor. Esse 2º domingo manifesta Jesus aos discípulos descortinando para nós o mistério de Cristo. João apresenta Jesus dizendo: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Cordeiro é uma palavra que, em aramaico – talya – significa também servo, como lemos na primeira leitura. Este Cordeiro é o Servo, o Filho amado, que faz a vontade do Pai. Ele é a Luz. Jesus realiza sua missão cumprindo a vontade do Pai.
2. Ele é o Cordeiro que tira o pecado do mundo. Esse pecado está na raiz de todos os pecados pessoais. O pecado é a rejeição de Jesus que é luz. Jesus destrói o pecado. Se o mundo O acolhe, haverá um novo céu e uma nova terra.
3. Ele é o Filho de Deus. João dá esse testemunho a partir do Espírito que vê vir sobre Jesus. Jesus transmite a vida divina à humanidade. Se fizermos a vontade do Pai, como Ele fez, teremos vida divina e realizaremos o projeto de Deus. Celebrando, professamos a fé em Jesus, Filho de Deus
Onde está o interruptor?
No tempo de Natal apareceu uma grande luz. No início de sua vida apostólica Jesus é apresentado por João:
“Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”. Ele se manifestou a Israel.
Ele tem uma missão: “Eu te farei luz para as nações, para que minha salvação chegue até aos confins do mundo (Is. 49,6). Nosso batismo coloca-nos na condição de filhos amados e luz das nações.
Se achar que sua luz é muito escura, aperte o interruptor e ilumine-se com Aquele que é a luz. Sua luz ilumine sua lâmpada.
padre Luiz Carlos de Oliveira
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Começa-se hoje a leitura seguida da 1ª carta aos Coríntios, respigando trechos seletos.
1 O cabeçalho da Carta é teologicamente muito rico; seguindo o formulário epistolar greco-romano, começa com o nome do remetente (a superscriptio): «Paulo»,credenciado como Apóstolo de Jesus por vocação divina, e o irmão Sóstenes, seu colaborador (discute-se se era o chefe da sinagoga já convertido: cf. At 18,17).
2 Segue-se o destinatário: «a Igreja de Deus que está em Corinto», com cláusulas muito expressivas: uma Igreja que não é uma simples assembleia convocada, como no mundo profano, mas é uma assembleia religiosa (a ekklêsía de Deus), na continuidade da comunidade israelita e a sua legítima herdeira (cf. Mt 16, 18), adotando a mesma designação dos LXX para traduzir o nome hebraico. Ao especificar, «que está em Corinto», sugere o seu enquadramento na única Igreja de Cristo, universal mas presente nesta Igreja particular. Ao dizer que os seus fiéis «foram santificados em Cristo, chamados à santidade» indica a sua pertença e consagração a Cristo em virtude da sua ação salvadora e de um chamamento (chamados, no original kletoi, tem a mesma raiz de ekklesía, Igreja); trata-se aqui duma santidade ontológica, que, embora não sendo a santidade moral, é uma exigência desta, para que a pertença a Cristo redunde numa identificação com Ele (cf. Rom 8, 29) e não numa vã exterioridade. Notar que a inclusão nos destinatários de «todos os que invocam o Nome…» (alusão ao nome divino, aplicado a Jesus: cf. Act 4, 12; 9, 14.21; Gn 4, 26), sugere que a doutrina da carta é aplicável a todos os cristãos, não só de «qualquer lugar», mas também em qualquer tempo; de facto a carta encerra a resposta a questões muito pontuais e ocasionais, mas apela para princípios perenes e sempre atuais.
3. «A graça e a paz…». Paulo adopta esta dupla saudação, tirando a primeira do mundo grego e a segunda do ambiente judaico, mas enriquecendo-as de sentido cristão: o «khairein» grego (alegria e saúde) passa a ser «kháris» (graça, dom divino) e o «xalôm» judaico passa a ser «eirênê» (uma paz que «vem de» – «apó» (em grego) – Deus e do Senhor Jesus).
Evangelho Jo 1, 14a.12a
Não deixa de chamar a nossa atenção o facto de que, sendo S. Mateus o evangelista do ano A, comecemos precisamente este ano com um texto de S. João. A Liturgia pretendeu pôr na portada do ano uma leitura de especial significado e riqueza doutrinal; por isso propõe-nos hoje este trecho de S. João, que é uma apresentação solene de Jesus Cristo, Aquele que nos vai falar ao longo de todo o ano – apresentação esta particularmente autorizada –, pois que é feita por «aquele que veio para dar testemunho da Luz» (Jo 1, 8).
29 «João». No texto original não aparece o apelido de «Baptista», pois para o evangelista João não há outro João além do Baptista, uma vez que, por humildade, nunca se nomeia a si próprio. O Baptista, depois de já ter deixado claro perante as autoridades judaicas que não era ele o Messias (vv. 19-27), atesta agora, para quem o cerca, que é Jesus aquele que se espera.
«Eis o cordeiro de Deus» (cf. v. 36): é uma alusão não só ao cordeiro pascal (Ex 12,1,28; cf. Jo 19, 14.36; Ap. 5, 6.12; 7, 14; 1Cor. 5, 7; 1Pe. 1, 19), símbolo da redenção, mas também ao Servo Sofredor (Is 52, 13 – 53, 12) que, inocente, é levado à morte, em vez dos pecadores, para expiação dos pecados. Note-se que a própria palavra aramaica talyá significava tanto cordeiro como servo. Ele «tira o pecado»: o singular tem mais força, pois engloba todos os pecados com todas as suas tremendas implicações.
31 «Eu não O conhecia». João não quer negar um conhecimento pessoal que já procederia dos tempos da infância (cf. Lc. 1,36 ss), mas insiste (vv. 31.33) em que não O conhecia anteriormente na sua qualidade de Messias. Aqui se deixa ver a naturalidade da vida de Jesus (e assim a dos Santos): o que há de mais santo e divino passa despercebido. Esta passagem não contradiz Mt. 3.14, onde se diz que João não quer batizar Jesus, pois a razão que ele dá não é a de ver n’Ele o Messias, mas a de conhecer a sua superioridade moral, a sua inocência e intima união com Deus.
34 São os Evangelhos sinópticos que relatam com pormenor o batismo de Jesus. S. João não conta a célebre teofania do Jordão, limitando-se a dar o testemunho do Baptista após aquela manifestação divina.
Sugestões para a homilia
1. Jesus Cristo, único Salvador
Em todos os tempos, com particular incidência em nossos dias, por causa do endeusamento do progresso, as pessoas são tentadas a dispensar Jesus Cristo das Suas vidas, e a recusar-se a aceitá-l’O como único Salvador do mundo.
a) Enviado do Pai. «Disse-me o Senhor: ‘Tu és o meu servo, Israel’.» Embora estas palavras tenham sido dirigidas ao profeta Isaías, em última análise, elas são dirigidas ao Povo de Deus.
A Igreja é o Povo de Deus da Nova Aliança, realizada no Calvário, no Sangue do Cordeiro.
Participamos da missão profética, real e sacerdotal de Jesus. Cada um de nós foi resgatado por Ele, para assumir também a Sua mesma missão. A cada um de nós diz o Senhor que nos chamou desde o seio materno. Não há pessoas a mais no mundo, ao acaso. Todas foram chamadas à vida e à Igreja por Deus, com amor infinito.
Há pessoas que se queixam de serem mal-amadas, de viverem sem o amparo de qualquer afecto. Não é verdade. Cada um de nós foi chamado à vida presente por Deus, com amor infinito, para realizar uma tarefa grandiosa no mundo.
b) Salvador do mundo. «E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele.»
As pessoas sonham com uma vida sem sacrifício e tentam sacudir dos ombros o jugo suave e o peso leve da cruz. Procuram adorar falsos deuses, atraídos pela promessa duma felicidade que nunca chegam a gozar.
Estão de moda o prazer dos sentidos, em todas as suas formas, a idolatria do dinheiro e da afirmação pessoal, em cargos ou bens que ostentam com vaidade.
As pessoas caíram na ilusão de construir um paraíso na terra, pondo de lado o amor e substituindo-o pelo ódio. Tornaram-se escravos da máquina do Estado materialista.
Jesus Cristo, de ontem, de hoje e de sempre, vem restituir-nos a esperança e, com ela, a alegria de viver.
c) Chama cada um de nós. «Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra.» Como hei-de participar nesta missão salvadora de Jesus Cristo? Fazendo a vontade do pai, realizando a vontade de Deus a meu respeito, na vocação a que Ele me chamar.
O importante não fazer coisas importantes ou ocupar cargos de destaque, brilhando aos olhos dos homens, mas fazer a vontade de Deus, viver com generosidade a vocação pessoal de cada um de nós.
É vivendo com generosidade crescente a vocação a que o Senhor nos chamou que seremos a luz do mundo.
As pessoas já não entram no templo para ouvir a Palavra de Deus; desapareceram os sinais do sagrado no mundo do trabalho, do ensino e na grande cidade percorrida pelos homens.
Precisam de encontrar um testemunho vivo de que Deus existe e nos ama no amor gratuito e generoso de cada um de nós ao seu irmão.
Somos chamados a «encarnar» na vida de cada dia a imagem de Jesus Cristo. Interpelemo-nos constantemente: como faria Ele, se estivesse aqui e agora?
2. Acolher Jesus Cristo
A cena do Evangelho passa-se nas margens do Jordão onde João Baptista pregava e administrava um batismo de penitência. Este não era o Sacramento da Nova lei, pelo qual se infunde a graça santificante, com os dons do Espírito Santo e as virtudes teologais, e se apaga a mancha do pecado original.
Ao recebê-lo, as pessoas proclamavam com este gesto que acolhiam o plano de redenção do Pai.
a) Atenção aos sinais. «Naquele tempo, João batista viu Jesus, que vinha ao seu encontro[...].»
Como passou junto de João Baptista, Jesus Cristo passa muitas vezes ao nosso lado, para nos ajudar no caminho da santidade pessoal.
Fala-nos naquela pessoa que precisa da nossa ajuda, que nos oferece os seus préstimos, ou mesmo nos trata com pouca ou nenhuma deferência.
Precisamos de muita atenção, vivendo na presença de Deus, para encararmos com fé o que nos quer dizer. Ele interpela-nos a cada instante: pedindo ajuda, falando ao nosso coração, chamando a atenção para algum aspecto d nossa vida.
Com este espírito de fé, conseguiremos ver maravilhas onde outras pessoas não descobrem nada mais alem do quotidiano.
b) Fidelidade ao Espírito Santo. «João deu mais este testemunho: ‘Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e repousar sobre Ele‘».
Também recebemos o Espírito Santo, no momento do nosso batismo. Como nas margens do Jordão, o Espírito Santo desceu sobre nós, os céus – fechados para nós desde o pecado original dos nossos primeiros pais – abriram-se e o Pai proclamou – referindo-se cada um de nós – o mesmo, embora com a diferença entre filiação de Jesus e a nossa: «Eis o Meu ilhó muito amado.
A partir de então, tornamo-nos filhos de Deus. Foi-nos dado o Espírito Santo para que, com toda a suavidade, nos ajude a formar em nós a imagem viva de Jesus Cristo.
Para o conseguirmos, além de muita graça de Deus, temos necessidade de uma atenção constante às inspirações do mesmo Espírito e de segui-las com prontidão e delicadeza. O nosso exame de consciência de cada noite deve incidir essencialmente nisto: fui dócil ao Espírito Santo em cada momento do meu dia?
Sem este esforço não conseguimos ser imagens vivas de Jesus Cristo que arraste ao Seu encontro aqueles que O perderam de vista ou nunca o conheceram.
c) Testemunhas de Cristo. «Ora eu vi e dou testemunho e que Ele é o Filho de Deus.»
O nosso encontro com Jesus Cristo em cada Domingo, na Celebração da Santa Missa, deve continuar durante a semana. Saímos do templo com a missão de dar testemunha do Seu Amor, da alegria que infunde em nós e da felicidade para onde nos conduz, pela nossa conduta.
A alegria e acolhimento que manifestamos na família, com uma atenção carinhosa a cada pessoa que a integra; a paciência, cordialidade e perfeição no trabalho há-de levar as pessoas a interrogar-se: «se esta pessoa tem os mesmos problemas de cada um de nós, qual o segredo deste seu modo de se comportar?
Havemos de estar sempre disponíveis para «dar às pessoas a razão da nossa esperança.»
Na vida silenciosa e Nazaré, Nossa Senhora e S. José não fizeram coisas extraordinárias. De outro modo, estariam narradas no Evangelho, para nossa edificação.
Foi com o ordinário de cada dia, vivendo-o de modo extraordinário, que ajudaram os seus conterrâneos na sua caminhada para Deus.
Geraldo Morujão
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Iluminados pela Palavra
O início do Tempo Comum acontece com a apresentação de Jesus Cristo como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Evangelho). Apresentação que dá continuidade ao contexto da epifania, da manifestação de Jesus Cristo ao mundo. É também continuidade do episódio batismal, ressaltando o testemunho de João Batista de que Jesus é o Filho de Deus, o enviado de Deus para salvar o mundo inteiro (Evangelho). A Palavra deste Domingo, no entanto, concentra-se no contexto da Salvação universal realizada por Jesus, oferecendo-se como sacrifício para fazer a vontade do Pai (salmo responsorial). Ele é servo profetizado por Isaías que levará a Salvação divina aos confins da terra (1ª leitura)e aquele que tira o pecado do mundo (Evangelho). Ainda no contexto da Salvação universal, Paulo dirige sua carta a quem é convocado à santidade em todas as partes do mundo (2ª leitura).
Na Bíblia, encontramos uma corrente teológica que considerava a Salvação restrita ao povo hebreu e a entendia como a reunificação de Israel. Embora presente em Isaías - “que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele” (1ª leitura) - a mesma profecia evidencia que a missão salvadora do servo é a de se tornar luz para todos os povos da terra (1ª leitura). Jesus é este servo, aquele que recebeu e assumiu a responsabilidade de realizar o projeto salvador no mundo (salmo responsorial)para todos os povos. João Batista dá testemunho dessa realidade (Evangelho).
O termo “testemunho” ou “testemunha”, trazido da linguagem forense, significa originalmente “alguém que viu” ou então, “alguém que fala daquilo que viu”. O Evangelho deste Domingo não diz que João Batista refere-se a Jesus como alguém que foi batizado por ele, mas que viu o Espírito Santo pousando sobre ele e consagrando-o (Evangelho). Fato que provoca mudança no conceito de Batismo. Não mais um rito de purificação exterior e interior, como diziam os essênios, nem só purificação do coração, como pregava João Batista, mas o Batismo como relação pessoal com o Espírito de Deus. A diferença está na presença ativa do Espírito Santo que, no Batismo, pousa sobre quem é batizado. O Batismo se tornou o pouso do Espírito Santo de Deus, do poder de Deus, em quem é batizado.
É a partir da experiência do Batismo de Jesus, que todos os batizados participam da filiação divina. Jesus é o Filho de Deus, mas não só. É também testemunhado por João Batista como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Evangelho) e, enquanto tal, é o Salvador, o servo que ilumina o mundo com sua Salvação (1ª leitura). Ao apontar Jesus como Cordeiro de Deus, João Batista evoca nos ouvintes o significado do Cordeiro Pascal para o povo de Israel, que com seu sangue, tingido nas portas dos hebreus, libertou e salvou o povo da escravidão do Egito. Participar da Salvação, diz São Paulo, é participar da Páscoa de Jesus Cristo (Rm 6) que, ao se fazer (com seu sangue) sacrifício para realizar a vontade do Pai (salmo responsorial), nos liberta da morte, nos salva e nos torna filhos e filhas de Deus.
ILUMINADOS PELA VIDA
A mensagem de Bento XVI para o 97º dia mundial do migrante e do refugiado, que é comemorado neste 16 de janeiro, tem como tema: “Uma só família humana”.
Na mensagem, o papa destaca a presença da Igreja no mundo como “fonte de confiança e esperança” e indica a Eucaristia como sinal de comunhão para toda a humanidade. “Graças a ela, o Povo de Deus abraça “todas as nações, tribos, povos e línguas” não com uma espécie de poder sagrado, mas com o serviço da caridade”. O Santo Padre aponta a justiça e a caridade como colunas para a construção de uma paz autêntica e duradoura.
Sobre a escolha do tema, diz que surgiu do vínculo profundo que existe entre todos os seres humanos e que as “sociedades que se tornam cada vez mais multiétnicas e interculturais”, de onde o convite para uma serena e frutuosa convivência no respeito das legítimas diferenças. “O caminho é o mesmo, o da vida, mas as situações por que passamos neste percurso são diversas”, afirma o Pontífice. Nesse sentido, “a fraternidade humana é a experiência, por vezes surpreendente, de uma relação que irmana a uma ligação profunda com o próximo, que é diferente de mim, baseado no simples fato de sermos pessoas humanas”. “Somos de fato dependentes uns dos outros, todos responsáveis dos irmãos e das irmãs em humanidade para quem crê, na fé”, complementou.
O Pontífice pede que todos os que são forçados a deixar suas casas sejam ajudados a encontrar lugares em que possam viver em paz e em segurança, trabalhar e assumir direitos e deveres existentes do país que os acolhe. Bento XVI lembra a realidade dos estudantes estrangeiros e internacionais, definindo-os como “pontes culturais e econômicas” entre países, nos quais tudo isto se orienta para formar uma só família humana. “A cultura das novas gerações forma-se na escola e na universidade: depende em grande medida destas instituições a sua capacidade de olhar para a humanidade como para uma família chamada a estar unida na diversidade”, conclui o Santo Padre.
REFLEXÃO CELEBRATIVA
1 – Início do tempo comum – discipulado
Como comentei, no início da celebração, estamos iniciando um novo ciclo no Ano Litúrgico, que é denominado de tempo comum. Na verdade, este tempo teve início na última segunda-feira, logo depois da celebração do Batismo do Senhor, que concluiu o Tempo do Natal. Por isso, não temos um 1º domingo do tempo comum, porque este começa no início de uma semana e não com um Domingo, como acontece com todos os demais tempos litúrgicos. O fato de se chamar “Tempo Comum” - principalmente, o fato de ser denominado como “comum” - não significa que seja menos importante. Este termo “comum” tem a ver com a nossa vida cotidiana, com nossa vida diária como um tempo favorável de santificação, tempo para nos aproximar de Jesus Cristo, tempo para conhecer melhor seu Evangelho, tempo especialmente importante para nos tornar cada vez mais discípulos e discípulas do Senhor. Neste ano que estamos iniciando, teremos nove (9) Domingos do Tempo Comum, nos quais a Liturgia irá apresentar a identidade de Jesus e o seu programa de vida.
2 – Primeira apresentação da identidade de Jesus
A primeira apresentação da identidade de Jesus, neste tempo comum, é feita por João Batista. Já no Domingo passado conhecíamos uma característica da identidade de Jesus quando, durante o Batismo, Deus o apresenta como seu Filho amado. Hoje, é João Batista que o apresenta como “Filho” e como “Cordeiro de Deus”. Para entender o significado desse termo, precisamos recordar a Teologia do “cordeiro pascal”, formulada quando o povo judeu deixou o Egito. Naquela ocasião, Deus pediu para que cada família celebrasse um rito, matando um cordeiro e tingindo as portas de suas casas com o sangue do cordeiro. Na Sagrada Escritura, esse cordeiro ficou conhecido como “Cordeiro Pascal”. A porta tingida com o sangue do Cordeiro Pascal teria sua família libertada da morte e da escravidão. Para nós cristãos, o cordeiro não é um animal, mas o próprio Jesus Cristo que, com seu sangue, nos liberta da morte e da escravidão do pecado. Ao chamá-lo de Cordeiro de Deus, como invocamos na missa, pelo menos duas vezes, nós lembramos que ele é o nosso Salvador, aquele que nos liberta do pecado e da morte, dando-nos a vida em plenitude. Lembramos também que nossas vidas foram marcadas pelo seu sangue, no Batismo.
3 – Sangue e batismo
Todos nós, de fato, desde o nosso Batismo fomos assinalados pelo sangue do Cordeiro de Deus, pelo sangue de Jesus Cristo. São João, no livro do Apocalipse, diz que muitos foram lavados no sangue do Cordeiro de Deus e, ainda mais, todos aqueles que foram lavados no sangue do Cordeiro de Deus ficaram com as vestes purificadas, quer dizer, ficaram com suas vidas purificadas e se tornaram dignos de ficar diante de Deus. Sangue, na Bíblia, é símbolo da vida. Quando Jesus, o Cordeiro de Deus, morre na Cruz, de seu lado aberto correu sangue. Com isso São João estava dizendo que do seu lado aberto corre a vida divina. No Batismo fomos purificados com este sangue, com a vida divina. É assim que, tendo a vida divina em nossa vida humana, nos tornamos filhos e filhas de Deus. Não apenas purificados de nossos pecados, embora isso já seja uma grande graça, mas fomos também adotados como filhos e filhas porque nossas vidas foram tingidas, marcadas, com o Sangue do Cordeiro de Deus.
4 – Viver como filhos e filhas de Deus
Desde criança sabemos que somos filhos e filhas de Deus. Mas, o que significa isso para cada um de nós. Aprendemos que somos filhos e filhas de Deus, mas como vivemos nosso relacionamento com Deus? Nós nos relacionamos com Deus como filhos e filhas ou vivemos distante dele? São alguns questionamentos que podemos fazer no início deste Tempo Comum. É bom que, de vez em quando, paremos um momento para considerar o que significa ser filho e filha de Deus. Olhar para nós e nos perguntar se nossos atos, se o modo como eu, pessoalmente, me relaciono com as pessoas e, até mesmo, comigo mesmo, são modos de quem é filho e filha de Deus. Muitos cristãos, rezam o Pai nosso todos os dias — e é muito bom que assim façam — mas não depositam em Deus a confiança que um filho ou filha deveria depositar em Deus Pai. São pequenas anotações que pretendem ajudar no começo deste ano - porque ainda estamos no início de um novo ano — e neste início de novo tempo litúrgico. Ao olhar o Cordeiro de Deus, que nos é apresentado por João Batista, e lembrando que por seu sangue nos tornamos filhos e filhas de Deus, somos libertados para viver como filhos e filhas de Deus, tornando-nos, como cantava o salmista, disponíveis para viver fazendo a vontade de Deus, a exemplo de Jesus.

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"Eis o Cordeiro de Deus"
Já foi observado que o evangelista São João, depois do prólogo do seu evangelho, enumera os primeiros fatos da vida , pública de Jesus, desde o testemunho de João Batista até às bodas de Caná da Galiléia, numa seqüência de sete dias - uma semana -, mais como artifício literário do que como rigor de anotação cronológica. Dir-se-ia que ele, ao falar da nova criação" que é a obra de Jesus, imita a primeira semana da criação: "E houve o primeiro dia ...e houve o segundo dia ...e houve o terceiro dia ... E compõe uma semana alegórica. E é assim que o texto do evangelho deste segundo domingo do Tempo Comum diz assim: "No dia seguinte, João vê Jesus aproximar-se e diz: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). No "dia anterior" tinha narrado o testemunho de João Batista sobre si mesmo: "Eu não sou o cristo" (Ibid., 20).
E simplesmente profunda a expressão com que o Batista apresenta Jesus ao povo. Lembra o profeta Isaías, que se refere ao Messias como o "Servo de Javé", que carrega o pecado do mundo e que caminha para o matadouro onde vai expiá-Io, como cordeiro manso que não abre a boca para se queixar (cf. Is. 53). Lembra o cordeiro que se imolava todos os dias no Templo, e que tinha um sentido latrêutico (de adoração a Deus), mas que adquirira na consciência popular um sentido também expiatório.
Mas lembra sobretudo o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel. Lembremos que, quando os soldados deixaram de quebrar as pernas de Jesus morto na cruz, o evangelista diz que assim fizeram, para cumprir o rito que prescrevia que não se quebrasse nenhum osso do cordeiro pascal (Jo 19,36). Jesus era o verdadeiro Cordeiro pascal. E já se preludia a glória da eternidade, onde Cristo glorioso está diante do altar de Deus, mas com a aparência de "Cordeiro imolado" (Ap. 5,6).
Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele o faz sobretudo pelo sacrifício realizado no Calvário. Mas também pela sua ação santificadora. É o que João Batista vai dizer logo em seguida, quando afirma o que Deus lhe havia manifestado: "Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer que batiza no Espírito Santo" (Jo 1,33). Isto é, Ele vem realizar a obra essencial do Messias, anunciada desde o Antigo Testamento: regenerar a humanidade no Espírito Santo (At. 2,33). Sobre Cristo pousou o Espírito de Deus, e Ele poderá dá-Io aos homens. E o "batismo no Espírito" (Ibid., 115).
Tive a ocasião de ler uma citação do livro apócrifo "Testamento dos Doze Patriarcas", que me impressionou particularmente. Tais livros - bem o sabemos - não são inspirados nem pertencem ao cânon das Sagradas Escrituras. Mas em muitos lugares expressam a fé tradicional do Povo de Deus. Eis o lugar citado e que se refere ao testamento do patriarca Judá: "Depois dessas coisas. ..um homem será suscitado de sua raça, como o sol da justiça. Nele não haverá pecado algum. E os céus se abrirão sobre ele, derramando o Espírito, a bênção do Pai Santo.
E ele próprio derramará sobre vós o Espírito de graça, e sereis por ele filhos da verdade, e caminhareis nos seus mandamentos, desde o primeiro até o último" (BAC - Bíblia comentada, V. 983). Aí aparecem ecos das coisas que estamos dizendo. E ainda de modo especial esta palavra do Prólogo de São João: "A todos os que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: os que crêem em seu nome, que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (Jo 11,12-13).
Quando chega na missa a hora da comunhão, o celebrante apresenta ao povo a hóstia consagrada e diz: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo".
Para quem vive a vida da fé, nesse instante como que afloram ao pensamento as grandes verdades: Cristo é o Cordeiro que se imolou por nós. Ele é o nosso modelo, recebê-Io em alimento é mergulhar na santidade que Ele nos veio trazer. Comungar é participar de toda a grandiosidade do mistério pascal. O Pão eucarístico é o pão da nossa caminhada - viático - e é o penhor da Ceia da eternidade, lá onde Jesus triunfa, Cordeiro ao mesmo tempo glorioso e misteriosamente assinado pela marca da imolação.
padre Lucas de Paula Almeida, CM

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Cordeiro de Deus!
Deus tem um plano de vida plena para os homens e, ao longo da História, escolhe e envia pessoas, para a realização desse plano.
Após o batismo, em que o céu confirmou a missão de Jesus, João Batista aponta que o Cordeiro de Deus já está presente no meio do Povo.
Na 1ª leitura, Isaías aponta a Vocação de Israel. (Is. 49,3,5-6)
Um misterioso "Servo de Deus" é escolhido por Deus, desde o seio materno, com a missão de dar testemunho da Salvação de Deus a todas as nações: "Vou fazer de ti a Luz das nações  para que a minha Salvação chegue até aos confins da terra..." Esse "Servo" é identificado com Israel. Desde então povo aguardava a realização da grande esperança...
A vocação é sempre um Mistério:
- sua origem é Deus, que escolhe, chama e envia;
- o "vocacionado" é sempre uma Testemunha e um Sinal vivo de Deus, dos seus valores e dos seus projetos diante dos homens;
- a vocação é alimentada por Deus e, muitas vezes, Deus se serve de nossa fragilidade para atuar no mundo.
Na 2ª leitura, Paulo lembra sua vocação a apóstolo e a vocação de todos à santidade, comprometidos com os valores do Reino. (1Cor. 1,1-3).
No Evangelho, João Batista aponta Jesus aos discípulos, como o "Cordeiro de Deus". (Jo 1,29-34)
O Evangelho retoma o episódio do Batismo, no qual aparecem duas afirmações sobre quem é Jesus.
1. Jesus é "O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo".
"Cordeiro": essa expressão lembra duas imagens:
- o misterioso personagem de que nos fala Isaías (servo sofredor), que irá ao matadouro como um cordeiro silencioso... Ele assume os pecados do seu povo e realiza a expiação.
- O Cordeiro Pascal imolado no Egito: o seu sangue, com que ungiram os portais das casas, foi sinal de libertação, de proteção divina e de certeza de salvação...
"Pecado": (no singular), para João, é a atitude de rejeição a Jesus.
- Hoje se fala muito de libertação da guerra, da opressão, da fome, do analfabetismo, da doença, da poluição, do desemprego.
- Não se fala da libertação do pecado, que é a fonte dos demais pecados.
"Mundo": designa a humanidade que resiste à Salvação.
2. Jesus é o "Filho de Deus", que possui a plenitude do Espírito Santo e que batiza no Espírito. "Eu vi e dei o testemunho..."
O caminho espiritual, percorrido por João Batista, para chegar à descoberta de Jesus como Cordeiro de Deus, é o mesmo que todos os cristãos devem percorrer. Ele começa dizendo por 2 vezes que "não conhecia Jesus".
- Este é o ponto de partida do caminho espiritual de todos nós: no começo, não conhecemos o Mestre. Em seguida, algum amigo nos fala dele. Reconhecemos que é uma pessoa extraordinária.
Mais adiante, Deus ilumina o Batista com alguns sinais especiais. Ele abre os olhos por completo e reconhece em Jesus o Filho de Deus: "Eu vi e dei o testemunho de que este é o Filho de Deus".
- Quando descobrimos Jesus como Luz e Salvador do mundo, sentimos a necessidade de comunicar aos outros a nossa alegria. O Batista fala daquilo que viu, os cristãos também deveriam falar somente daquilo que viram e experimentaram.
Deus continua precisando de outros Batistas: há muito tempo, os homens estão à procura de Cristo. E se ainda não o encontraram, talvez seja porque está faltando para eles um João Batista que lhes indique. E o Batista do tempo de hoje devo ser eu, devemos ser todos nós.
- Todos nós devemos ser testemunhas do evangelho, preparar o encontro dos homens com Cristo.
Em todos nós se esconde um precursor, um João Batista. É preciso acordá-lo.
- Todos nós devemos indicar ao irmão o Cristo que se aproxima. Indicar o Cristo, e depois desaparecer... discretamente. Como João Batista: não sou eu o protagonista desta história.
Ele virá depois de mim. Eu sou apenas uma voz, sou apenas o dedo dele... Depois é preciso que eu desapareça, para que Ele possa aparecer.
Preparar o encontro do homem com Cristo e depois morrer... Então, a nossa passagem neste mundo não terá sido em vão. Esta é a missão de todo cristão: preparar o caminho do Senhor e o encontro do homem com Deus, levantar o dedo e proclamar bem alto: "Eis aquele que o teu coração está procurando,  eis aquele que veio para te amar e te salvar!"
padre Antônio Geraldo Dalla Costa
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«Eis o Cordeiro…»: um anúncio denso de Missão
Continua a epifania, a manifestação de Jesus. Depois da estrela dos magos e do batismo no Jordão, é ainda João Baptista que aponta com insistência Jesus como o Cordeiro de Deus (Evangelho). João foi crescendo no seu conhecimento de Jesus: inicialmente não o conhecia (v. 31.33)), ou conhecia-o provavelmente apenas como seu parente. Agora proclama-o Cordeiro de Deus (v. 29), cheio do Espírito, ou melhor aquele que batiza no Espírito Santo (v. 33), Filho de Deus (v. 34). João Baptista declara-o presente: «Eis o cordeiro de Deus…», aquele que carrega sobre si e, desse modo, tira o pecado do mundo (v. 29); isto é, todos os pecados. Jesus não utiliza aqui mecanismos jurídicos exteriores como a remissão, o perdão, o indulto ou anistia, mas o batismo no Espírito Santo, a introdução no coração das pessoas de um dinamismo novo, o Espírito (v. 33)), a força do amor, a única energia vencedora sobre todo o mal humano. Precisamente porque só o amor transforma e cura o coração.
O segundo canto do Servo de Javé (1ª leitura) contém uma prefiguração temática do Batismo de Jesus. É Ele o verdadeiro “talya” (termo aramaico usado por João Baptista para significar cordeiro e servo): é o cordeiro pascal, imolado, que tira, carregando-os sobre si, os pecados do mundo inteiro; é o servo, chamado desde o seio materno (v. 5), que se torna luz das nações, com uma missão universal de salvação que ultrapassa as fronteiras nacionais para chegar até aos confins da terra (cf. v. 6; Lc. 2,30-32; Atos 13,47). O salmo responsorial canta a disponibilidade de Jesus – e da Igreja evangelizadora – em assumir esta missão sem fronteiras: «Eu venho, Senhor…!»
A expressão, «Cordeiro de Deus», usada por João Baptista, é densa de evocações bíblicas e de aplicações missionárias. Evoca, antes de mais, o cordeiro pascal, cujo sangue foi sinal de salvação do extermínio na noite da saída do Egito (Ex. 12,23); evoca, além disso, a imagem do Servo sofredor e silencioso, que carregava os pecados da multidão (cf. Is. 53,12); por fim, a expressão do Baptista remete para o sacrifício de Abraão, no qual Isaac foi poupado e o próprio Deus providenciou o cordeiro para o sacrifício (Gn. 22,7-8): não o unigênito filho de Abraão, mas o unigênito Filho do próprio Deus. É possível que João Baptista, talvez educado na escola dos Essênios de Qumran, tivesse essa ampla compreensão da expressão “cordeiro de Deus”. Tinham-na também, embora em diferente medida, muitos israelitas piedosos, entre os quais, certamente, Maria, João Baptista…
A progressiva descoberta e identificação com Jesus fazem de João Baptista um modelo para a Igreja missionária e, nela, para todo o evangelizador e evangelizadora: João acredita em Jesus, reverencia-o, anuncia-o presente, dá testemunho dele até ao derramamento do sangue. A Igreja continua a apresentar Jesus com as palavras de João; fá-lo na eucaristia-comunhão: «Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» e no anúncio e serviço próprios da missão. A mensagem missionária da Igreja será tanto mais eficaz e credível na medida em que for – como em João Baptista – fruto de liberdade, austeridade, coragem, profecia, expressão de uma Igreja serva do Reino, decidida em «fazer causa comum» (são Daniel Comboni) com os sofrimentos e as aspirações profundas da família humana. Só assim, tal como para João Baptista, a palavra do missionário estará na origem de novos discípulos de Jesus (cf. Jo 1,35-37).
Tal foi também a vocação missionária de Paulo, apóstolo apaixonado por Jesus Cristo: nomeia-o bem 4 vezes nos 3 versículos da 2ª leitura. A sua ampla saudação a todos os santificados (batizados) torna-se novamente atual na Semana de oração pela unidade dos cristãos (18-25 de janeiro). O Ecumenismo e a Missão constituem um binômio vital e irrenunciável para a Igreja de Jesus. (*) Também o tempo litúrgico dito comum, no qual entramos, é sempre um tempo forte e específico para a missão, porque esta é a natureza mesma da Igreja: a missão não está reservada a algumas circunstâncias, festas ou recolha de fundos, mas é inerente à vida da Igreja e dinamiza todas as suas atividades. (**)

(*) «A divisão dos cristãos prejudica a santíssima causa de pregar o Evangelho a toda a criatura, e fecha a muitos o acesso à fá… Todos os batizados são chamados a unir-se num rebanho para assim poderem dar um testemunho unânime de Cristo, seu Senhor, perante os povos». Decreto conciliar Ad Gentes, 6
 (**) «As Igrejas locais, insiram a animação missionária como elemento fulcral, na pastoral ordinária das dioceses e paróquias, das associações e grupos, especialmente juvenis». (João Paulo II Encíclica Redemptoris Missio 1990, n. 83)

Dois temas importantes aparecem no texto de hoje: um, “tirar o pecado do mundo”; o outro, “batizar no Espírito Santo”. Jesus elimina o pecado do mundo com sua morte na cruz, e batiza no Espírito Santo, por sua ressurreição.
No evangelho de João não encontramos a narrativa do batismo de Jesus. Tal referência limita-se ao testemunho de João Batista: "Eu vi o Espírito descer do céu. e permanecer sobre ele. é ele quem batiza com o Espírito Santo.
Eu vi e dou testemunho: ele é o Filho de Deus!". Ao escrever seu evangelho, João faz dois relatos teológicos básicos: da preexistência e da filiação divina de Jesus. Estes dois temas, presentes no Prólogo (Jo 1,1-18), reaparecem aqui, na fala de João Batista: ". antes de mim ele já existia.", "ele é o Filho de Deus."; e, ao longo do evangelho, desenvolvem-se na seguinte linha dinâmica: o Filho, descido do céu, se faz carne, vive conosco e volta ao Pai, abrindo caminho para nosso ingresso na casa de Deus.
Em todo o evangelho, Jesus é apresentado como Filho de Deus, não como filho de Davi. A alusão ao "cordeiro de Deus", quando João Batista apresenta Jesus, remete ao cordeiro sacrifical abundantemente mencionado em Levítico, e também em Isaías 53,7, no quarto canto do Servo. Vê-se aí a prefiguração simbólica da morte de Jesus, inocente, nas mãos dos sacerdotes que procuram preservar o poder.
O próprio João afirma que não conhecia Jesus. Porém, com o seu batismo na água, simbolizando o apelo em favor da conversão à prática da justiça que supera o pecado, abria caminho para Jesus, que com seu Espírito liberta a todos da morte, dando acesso às portas da vida eterna em Deus.
O Espírito sobre Jesus é a confirmação da sua divindade e da divinização de toda a humanidade nele assumida, em todos seus valores e em toda sua dignidade, pela própria humanidade de Jesus. Este é o sentido da encarnação: assumir os valores humanos, resgatando a dignidade humana e elevando-a à condição de filiação divina. Nesse sentido, Jesus assume o batismo de João.
Os evangelistas, em seus evangelhos, procuram projetar a figura de Jesus a partir das exaltações atribuídas a João Batista: "Vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das sandálias.". Com isso procuravam, em seu tempo, atrair os discípulos de João Batista, que seguiam de maneira autônoma ao movimento de Jesus.
Com bastante certeza, pode-se entender que João Batista não tinha percepção da profundidade da missão de Jesus, o que os próprios discípulos de Jesus tiveram, também, dificuldade de entender até o fim de seu ministério. João Batista tem uma atuação fundamental no projeto de Deus realizado em Jesus. O seu batismo tinha características originais, e sua proclamação foi tão marcante que o tornou conhecido como "o Batista".
Enquanto as abluções rituais de purificação com água, tradicionais entre os judeus, eram repetidas com frequência, o mergulho nas águas do batismo, com João, era feito uma única vez e tinha o sentido de sinalizar uma mudança de vida, para um compromisso perene com a prática da justiça que remove o pecado e fortalece a vida.
Jesus assume a proclamação de João dando-lhe novo sentido de atualidade e eternidade, identificando-a com o projeto de Deus de conferir vida plena e eterna à humanidade. A libertação dos pecados não se dá pelos sacrifícios cultuais sangrentos, mas pelo amor e pela prática da justiça, para que todos tenham vida plenamente.
Na Eucaristia, um pouco antes de comungar, rezamos: Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo. Vamos refletir: O que significa esta oração em nossa vida? Será que vamos sempre ao encontro do Cordeiro de Deus?
diácono Miguel A. Teodoro
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Primeira leitura: Isaías 49,3.5-6
O SERVO DE JAVÉ, LUZ DAS NAÇÕES
O texto pertence ao segundo cântico do Servo de Javé. O contexto é o exílio na Babilônia e o profeta alimenta a esperança do povo dizendo que em breve ele voltará à pátria e a libertação acontecerá por meio de um personagem apresentado por Javé como sendo o seu Servo. O texto apresenta uma autobiografia do profeta, que foi chamado desde o seio materno para uma missão extraordinária. Esta referência autobiográfica está na mesma linha das confissões de Jeremias e se divide em duas partes:
01) O profeta elucida a sua vocação, a missão que recebeu e as dificuldades encontradas. Ele é chamado e tem uma missão concreta, associada à comunicação de algo muito importante (vv.2-3).
02) O Servo confirma a amplitude da sua missão, que é levar o anúncio ao povo de Israel. Ele faz isso com dedicação total a Deus, até à imolação de si próprio (Isaías 53). Assim, ele se torna luz e porta-voz da salvação até as extremidades da terra. Luz e salvação são temas encontrados em todo o livro de Isaías, e dizem respectivamente libertação, desenvolvimento e paz sob a Palavra de Deus e da sua misericórdia (Isaías 9,1; 53,11), assim como vida autêntica, plena e segura (Isaías 12; 53). A tradição cristã viu a realização desta missão na pessoa de Cristo (Lucas 2,32) e de todos os seus discípulos (Atos dos Apóstolos 13,47).
Este Servo é chamado Israel e Deus porá a sua glória sobre ele. Mesmo que o profeta queira tirar o corpo fora da tarefa da qual Deus o incumbiu, este não permite, aliás confirma a sua missão e a evidencia (v.6). Como Servo de Javé, ele é o executor de uma vontade superior e suprema. A glória de Javé está nele, isto é, através dele o povo verá a presença atuante de Deus na história, levando-o para a liberdade, pois esta é a missão do Servo: devolver a liberdade ao povo em nome de Javé.
Esta missão do profeta faz parte do projeto de Deus e por isso é o próprio Deus quem o modela desde o seio materno (Isaías 42,6). A sua missão será universal, e ele será luz para as nações.
Segunda Leitura: 1 Conríntios 1,1-3
A SANTIDADE, DESTINO DO CRISTÃO
Paulo evangelizou em Corinto e ali fundou uma comunidade, formada por pagãos e judeus, depois de um ano e meio (Atos dos Apóstolos 18,1-7). A maioria de seus membros era pobre (1 Coríntios 1,26), constituída de escravos e trabalhadores do cais. Passado algum tempo, Paulo tomou conhecimento da situação dessa comunidade por meio de informações pessoais e de uma carta que membros da comunidade lhe enviaram consultando-o sobre questões importantes.
Paulo ficou sabendo que havia conflitos internos, com divisões, incestos, fornicações etc. Por isso, mandou-lhes esta carta de Éfeso, onde se encontrava no ano de 57, orientando-os sobre questões importantes e polêmicas, como a das carnes sacrificadas aos ídolos, a ressurreição dos mortos e inclusive uma coleta que devia ser feita para ajudar as comunidades pobres de Jerusalém.
O texto é a introdução da carta, na qual Paulo se autodefine como apóstolo de Cristo por vontade de Deus. Essa autodefinição era importante, porque a autoridade do apóstolo era contestada em Corinto (1 Coríntios 9).
Paulo insiste no binômio Jesus Cristo, que para ele não era um nome e um sobrenome, mas sim: Jesus - a sua identidade pessoal e Cristo - a expressão da missão no mundo daquele que está na raiz da sua fé e da fé dos coríntios, e do seu empenho missionário em relação aos coríntios.
O reconhecimento de que Jesus é o Cristo, isto é, o Messias esperado por Israel, foi a novidade que revolucionou a sua vida e o levou a pregar em Damasco logo depois da sua conversão (Atos dos Apóstolos 9,22) e em Antioquia. Foi nesta cidade que surgiu um fato novo, pois pela primeira vez os seguidores de Cristo foram chamados cristãos (Atos dos Apóstolos 11,36) e desta mesma comunidade ele foi enviado com Barnabé para pregar o Evangelho no mundo inteiro (Atos dos Apóstolos 13,1-3). Devido às suas viagens apostólicas, Paulo fundou a comunidade de Corinto com o vigor de pregar Jesus Cristo crucificado (1 Coríntios 2,2), o Cristo escândalo para os judeus e loucura para os pagãos (1 Coríntios 1,23-24).
Paulo sente-se apóstolo de Cristo, e por esse Cristo os cristãos são santificados na Assembléia que dá testemunho dele.
Evangelho: João 1,29-34
"EIS O CORDEIRO DE DEUS"
Este trecho tem como ponto de partida o testemunho de João Batista sobre Jesus Cristo. O evangelista articula este conhecimento em três momentos sucessivos, colocados nos três dias iniciais da semana que prepara a manifestação pública de Jesus:
01) A resposta do precursor sobre a sua própria identidade aos enviados oficiais de Jerusalém (João 1,19-28).
02) A sua profissão de fé sobre a identidade de Jesus, que é dirigida a todos (evangelho de hoje).
03) A reafirmação dessa profissão diante de dois de seus discípulos que se tornaram os primeiros de Cristo (João 1,35-39). O evangelista é um deles.
Este testemunho de João Batista é muito apreciado por Jesus (João 1,6-8.15), seja pela intenção de integrar a sua obra aos Sinópticos, seja por motivos apologéticos e catequéticos em relação aos seguidores de João Batista ainda presentes e ativos em Éfeso (Atos dos Apóstolos 19,1-7). De fato, João apresenta:
01) As prerrogativas que João Batista reconhece em Jesus, sendo Jesus antes de tudo o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Esta expressão ajuda a entender o vocábulo “talia”, que significa cordeiro ou servo. João Batista indicou de modo evidente Jesus como a figura do Servo de "JHWH", que em Isaías 53 assume e expia os pecados. Assim, Jesus é o Cordeiro que tira o pecado (no singular), implicando o conjunto de pecados vistos numa organicidade dentro daquilo que João chama de mundo.
02) Só pode tirar o pecado aquele que preexiste, porque é o maior em grandeza divina e preexiste eternamente (João 1,15). Ele tirará o pecado com o Batismo ou a imersão no Espírito Santo, isto é, com o germe de vida nova com o qual a força criadora de Deus queima a raiz infectada. Ele possui o Espírito, como se esperava do Messias e de sua obra (Isaías 11,2; 42,1), e o doa sem medidas (João 3,34). Enfim, para João Jesus é o Filho de Deus. Aqui está o vértice da sua profissão de fé, que para João Batista tinha um significado messiânico.
Esta identificação de Cristo foi um dom de Deus. João Batista afirma que não o conhecia, mas que o conheceu através de dois caminhos:
01) Pela sua missão de batizar com água para preparar o seu Batismo no Espírito Santo.
02) Através de uma verdadeira revelação que antecedeu e acompanhou o Batismo de Jesus no Jordão, onde viu o Espírito permanecer sobre Ele e ouviu a voz de Deus proclamá-lo como Filho de Deus. Ele acreditou e testemunhou isso.
Para João Batista, Jesus é ungido pelo Espírito Santo para a missão. O Espírito Santo sobre Ele indica a sua missão como Messias. O simbolismo da pomba que pousa sobre Jesus possui o significado de que ele é a morada do Espírito Santo, o seu hangar natural e querido. A pomba representa o amor do Pai, que fez de Jesus a sua habitação estável e definitiva.
Jesus é para João Batista o Filho de Deus, porque o Pai o gerou, porque lhe comunicou a sua vida, isto é, porque ele possui a plenitude da vida do Pai (João 1,27; 20,28; 20,31).
REFLEXÃO
A liturgia nos convida a acolher Jesus Cristo como João Batista o acolheu. Jesus vem hoje em nossa direção de muitos modos e nos pede que o reconheçamos e acolhamos. Nós só poderemos fazer isso seguindo João Batista, que o reconheceu através dos dois caminhos, isto é, naquilo que fazemos no dia-a-dia e escutando o Espírito Santo em nós. Os dois caminhos são necessários.
Precisamos reconhecer Jesus como Filho de Deus ou como Cordeiro de Deus. Como Filho de Deus, e não como alguém distante de nós; como Cordeiro de Deus, não para negar o pecado em nossa vida, diante da sociedade secularizada.
A mensagem da primeira leitura é um pré-anúncio de Cristo. Este oráculo, como todos os demais, situa-se dentro da história, pois o Messias não é esperado como um salto repentino ou mágico, mas dentro de um tempo de amadurecimento, de um caminho feito de sofrimento, solidariedade, fé, esperança e sobretudo de conformação à vontade de Deus.
Os versículos 33-34 do evangelho de hoje são uma boa oportunidade para falar sobre o Batismo, pois hoje os cristãos pedem o Batismo, a Crisma e a Eucaristia para seus filhos, mas não sabem o que significam. O Batismo às vezes é apenas ocasião para apresentar o filho aos amigos, para festejar etc. O mesmo acontece com os outros sacramentos. O Batismo é um novo início de vida e não uma inscrição burocrática ou uma cerimônia sugestiva que termina ali, nem mesmo o cancelamento do pecado original. É vida nova por obra do Espírito Santo (Romanos 6,4), vida que deve ser tutelada, que deve desenvolver-se e crescer. E a família é o primeiro ambiente onde essa vida deve desenvolver-se.
Quem foi batizado (santificado) foi chamado para ser santo. Santificar-se para ser santo. É o famoso “já e ainda não”. Já somos santos porque a graça que Deus nos doa nos faz tal, mas devemos ser sempre mais. A pequena semente deve tornar-se árvore e produzir frutos. Tornar-se luz das nações (1ª leitura) é a missão do Servo de Javé, de Jesus e de todo cristão. Por isso não se pode viver segundo a carne, mas com a ajuda do Espírito Santo (Romanos 8).
Com a declaração de João Batista sobre Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele...” palavras que conhecemos muito bem porque numa intuição feliz foram inseridas na liturgia (papa Sérgio I, 687-701), João revela a possibilidade de um encontro que pode ocorrer em profundidade e dar respostas a nossas aspirações. Para quem sente o sofrimento devido ao pecado, estas palavras, mesmo em sua obscuridade, atraem imediatamente. Aquele que se apresentou como Cordeiro de Deus pode transformar a situação de todos. Jesus é capaz de transformar profundamente o nosso íntimo, porque foi designado por Deus como Servo para se tornar luz das nações e levar a salvação aos confins do mundo (Isaías 49,6).
Cristo é o salvador. Entretanto, após vinte séculos de luz da revelação, o mundo ainda não o conhece. Numa pesquisa sobre Cristo no final do século XX, as respostas foram: “Não o conheço”; “Alguém que foi crucificado...". Dois mil anos depois ainda são atuais as palavras de João Batista: “No meio de vocês está alguém que vocês não conhecem.”
João Batista deu testemunho de Jesus com duas afirmações: o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (v.29) e “Eu vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus” (v.34).
Repetimos a primeira declaração de João quatro vezes na celebração eucarística. Jesus é o Cordeiro imolado que com seu sacrifício e sangue anulou os sacrifícios do Antigo Testamento (Hebreus 10,1-18). Pelo seu sangue recebemos o perdão dos pecados (Efésios 1,7), fomos resgatados não com ouro ou prata, mas com o preço do seu sangue (1 Pedro 1,18-19). O cordeiro pascal que era sacrificado cada ano no Templo lembrava não só a libertação, mas também o pacto que Deus havia feito com o seu povo. Era uma promessa e uma figura de Cristo que iria oferecer-se como vítima na cruz. “Ele é o Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo, que morrendo destruiu a morte e ressuscitando nos deu a vida” (Prefácio).
Ele tira o pecado do mundo. Esse “pecado do mundo” engloba todos os pecados. Ele se imolou com mansidão absoluta para reparar nossas faltas, pois “o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido” (Mateus 18,11), “lavou os nossos pecados no seu sangue” (Apocalipse 1,5).
Jesus veio trazer-nos a santificação e esta percorre um caminho de purificação. Temos isto através do sacramento da Confissão, e cada vez que o recebemos ouvimos, como Lázaro, as palavras de Cristo: “Desatem-no e deixem que ele vá”, porque as faltas, as fraquezas, os pecados que nos atam não nos deixando prosseguir no caminho da santidade são eliminados. O sacramento da Penitência rompe todos os liames com que o demônio tenta segurar-nos para que não apressemos o passo em direção a Deus. A confissão tira a nossa tibieza. Eis um dos tantos motivos porque a Igreja no-la recomenda com freqüência.
padre José Antonio Bertolin, OSJ

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