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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 1 de fevereiro de 2014

APRESENTAÇÃO DE JESUS NO TEMPLO

APRESENTAÇÃO DO SENHOR

Evangelho - Lc 2,22-40

Comentários-Prof.Fernando


DOMINGO 2 de Fevereiro de 2014 

 

APRESENTAÇÃO DE JESUS NO TEMPLO - José Salviano

“MEUS OLHOS VIRAM A TUA SALVAÇÃO.” – Olívia Coutinho


...a apresentação de Jesus ao Templo, tem um  significado muito forte que é o valor da presença feminina na economia da salvação. O encontro de Maria e José com uma mulher, Ana, de idade avançada, pois tinha oitenta e quaro anos e era viúva há muito tempo. Consagrada totalmente a Deus, "não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações" , significa a presença da mulher na Igreja de Jesus Cristo. LEIA MAIS...


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APRESENTAÇÃO DO SENHOR


Embora esta festa de 2 de fevereiro caia fora do tempo de natal, é parte integrante do relato de natal. É uma faísca do natal, é uma epifania do quadragésimo dia. Natal, epifania, apresentação do Senhor são três painéis de um tríptico litúrgico.

É uma festa antiqüíssima de origem oriental. A Igreja de Jerusalém já a celebrava no século IV. Era celebrada aos quarenta dias da festa da epifania, em 14 de fevereiro. A peregrina Eteria, que conta isto em seu famoso diário, acrescenta o interessante comentário de que se "celebrava com a maior alegria, como se fosse páscoa"'. De Jerusalém, a festa se propagou para outas igrejas do Oriente e do Ocidente. No século VII, se não antes, havia sido introduzida em Roma. A procissão com velas se associou a esta festa. A Igreja romana celebrava a festa quarenta dias depois do natal.

Entre as igrejas orientais esta festa era conhecida como "A festa do Encontro" (em grego, Hypapante), nome muito significativo e expressivo, que destaca um aspecto fundamental da festa: o encontro do Ungido de Deus com seu povo. São Lucas narra o fato no capítulo 2 de seu evangelho. Obedecendo à lei mosaica, os pais de Jesus o levaram ao templo quarenta dias depois de seu nascimento para apresentá-lo ao Senhor e fazer uma oferenda por ele 1.

Esta festa começou a ser conhecida no Ocidente, a partir do século X, com o nome de Purificação da bem-aventurada virgem Maria. Foi incluída entre as festas de Nossa Senhora. Mas isto não totalmente correto, já que a Igreja celebra neste dia, essencialmente, um mistério de nosso Senhor. No calendário romano, revisado em 1969, o nome foi mudado para "A Apresentação do Senhor". Esta é uma indicação mais verdadeira da natureza e do objeto da festa. Entretanto, isso não quer dizer que subestimemos o papel importantíssimo de Maria nos acontecimentos que celebramos. Os mistérios de Cristo e de sua mãe estão estreitamente ligados, de maneira que nos encontramos aqui com uma espécie de celebração dupla, uma festa de Cristo e de Maria.

A bênção das velas antes da missa e a procissão com as velas acesas são características chocantes da celebração atual. O missal romano manteve estes costumes, oferecendo duas formas alternativas de procissão. é adequado que, neste dia, ao escutar o cântico de Simeão no evangelho (Lc 2,22-40), aclamemos a Cristo como "luz para iluminar às nações e para dar glória a teu povo, Israel".

Fonte:
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2 de fevereiro – APRESENTAÇÃO DO SENHOR

GLÓRIA DE ISRAEL E LUZ DAS NAÇÕES

I. INTRODUÇÃO GERAL
A liturgia de hoje é o ponto culminante do natal do Senhor, porque indica o modo como se deu a encarnação do Filho de Deus e a que ela se destina. Cristo assumiu todos os condicionamentos da humanidade, até mesmo se submeteu à lei de Moisés, pela qual era regido o povo ao qual pertenceu. Além do contexto histórico, geográfico e econômico, o evangelho mostra que a vida terrestre do “Filho do Altíssimo” (Lc 1,32) estava inserida em um contexto cultural e religioso particular. Também o destaque dado ao tipo de sacrifício realizado por sua família (Lv 5,6-7; 12,6) manifesta que ele não somente assumiu nossa humanidade, mas se fez pobre entre os pobres.
A festa da Apresentação do Senhor é bem antiga, e já houve tempo em que era celebrada em 14 de fevereiro, quarenta dias após a festa da Epifania (manifestação aos magos). Também já foi considerada como festa mariana, com o nome de “Purificação da Bem-aventurada Virgem Maria”. Mas, a partir das recentes reformas litúrgicas, o nome da festa foi mudado para “Apresentação do Senhor” e ela passou a ser celebrada quarenta dias depois do Natal. O novo título e data da celebração são uma indicação mais correta da natureza e do objeto dessa festa, visto que nesse dia a Igreja celebra um aspecto importante do mistério salvífico, e não simplesmente um acontecimento da infância de Jesus.
II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS
1. Evangelho (Lc 2,22-40): Consagrado ao Senhor
Os primeiros versículos (22-24) do evangelho proclamado na liturgia de hoje tratam especificamente da manifestação (epifania) do messiado de Jesus a partir do cumprimento dos ritos de iniciação na religião da sua família, o judaísmo. Jesus e Maria, recém-nascido e parturiente, submeteram-se a tudo que a lei de Moisés indicava a respeito do nascimento de um menino primogênito (Lv 12,1-8; Ex 13,2.12-13).
Pela circuncisão (Lc 2,21), Jesus tinha sido oficialmente marcado como membro de Israel, ingressando na aliança feita com os patriarcas e com os descendentes deles desde Abraão até os escravos libertos do Egito. No momento da circuncisão, de acordo com a lei dada por Deus a Moisés, foi imposto o nome do menino: ele foi chamado Jesus, conforme o anjo havia orientado. Naquela cultura, o nome designava a identidade e a missão da pessoa. Jesus quer dizer “Deus salva”. Isso significa que Deus nunca desistiu de salvar o mundo por meio de Israel e que cumpriu essa promessa mediante um israelita fiel, Jesus de Nazaré. Ao se tornar oficialmente membro do povo da aliança, Jesus realizou em sua vida, morte e ressurreição a vocação que Abraão e seus descendentes haviam recebido.
Pelo rito de iniciação à religião judaica, ou seja, de pertença à antiga aliança, Jesus não somente deveria ser circuncidado, mas também resgatado. O primeiro rito remetia aos patriarcas e o segundo, à libertação do Egito. O ritual do resgate estava vinculado à Páscoa, quando os primogênitos dos hebreus tiveram a vida poupada e se tornaram consagrados a Deus (Ex 13,11-15; Nm 18,15-16). O resgate significava que o primogênito era trocado por uma quantia em dinheiro e, a partir de então, podia deixar o santuário e voltar ao convívio familiar.
Propositalmente, Lucas não menciona o resgate de Jesus, que, à semelhança dos levitas (Nm 3,45), continuará sempre pertencendo a Deus. Em vez do resgate do primogênito, Lucas narra a apresentação de Jesus, evocando a entrada do Senhor no santuário para realizar uma grande purificação (Ml 3,1-4). Ao dizer que o menino foi purificado, o evangelho está afirmando que Israel inteiro foi igualmente purificado por meio dele.
Aqui cabe um esclarecimento sobre o significado de purificação. Esse termo nem sempre denota algo negativo; nesse trecho do evangelho, a impureza não é moral, mas ritual (Lv 12,2-4) e significa apenas que, após aqueles ritos, as pessoas eram reinseridas na esfera da vida comunitária, de forma análoga a uma âmbula que, após ser purificada, deixa o sacrário e pode ser mantida junto com outros objetos.
A segunda parte do evangelho de hoje (vv. 25-40) fala sobre o reconhecimento do Cristo pelos representantes dos piedosos que esperavam a vinda do Messias, ou seja, a consolação de Israel, a qual, conforme Is 40,1, é sinônimo da salvação que vem de Deus. Os “pobres de Javé” reconhecem o Messias libertador naquele frágil recém-nascido.
Primeiramente, aparece Simeão. Seu hino de louvor é também um discurso de despedida, como acontece no livro do Deuteronômio, que fecha o Pentateuco (Torah) com longa despedida de Moisés. O velho Simeão reconhece que a esperança de Israel converge para aquele menino, o qual realizará a libertação de Jerusalém, a cidade santa, que no Antigo Testamento representa todos os escolhidos de Deus. Além disso, o menino é uma luz que parte de Israel para as nações pagãs e será um sinal de contradição, pois diante dele todos terão de tomar uma decisão. Nesse sentido, ele será soerguimento para alguns e queda para outros, pois diante dele se revelarão as intenções dos corações.
Em seguida, Ana é mencionada. O nome dela significa “graça”, “favor”. Ao fazer referência à família de Ana como pertencente ao clã de Fanuel, Lucas alude a uma experiência mística do patriarca Jacó e a todos aqueles que sempre desejaram ver Deus face a face (Gn 32,30). Também a menção à tribo de Ana é algo bastante significativo, porque, no antigo Israel, a tribo de Aser ficava ao norte (Js 17,10); isso mostra que Ana era uma profetisa da Galileia e, portanto, seria considerada pelos legalistas de Jerusalém como suspeita de heresia. No entanto, é ela, e não os líderes religiosos da época, quem reconhece Jesus como Messias.
2. I leitura (Ml 3,1-4): Para purificar o seu povo
O dia do SENHOR, mencionado várias vezes no Antigo Testamento, geralmente é considerado como uma visitação ou vinda; como uma intervenção divina quase sempre iminente. O texto do profeta Malaquias afirma que o SENHOR virá ao templo de Jerusalém como um fogo purificador.
A imagem do fogo não tem por objetivo causar medo, mas é simplesmente uma metáfora tirada da vida cotidiana. Alguns aspectos do processo de refinação de metais são simbolicamente empregados várias vezes pela Escritura para discorrer sobre a purificação do pecado e como prova de fidelidade a Deus.
A prata era obtida pelo processo de fusão. Sob alta temperatura, as substâncias agregadas à superfície do metal se transformavam em pó, o qual era repelido por uma rajada de ar. Nas diversas referências bíblicas, a refinação do metal é usada simbolicamente para ilustrar o tipo de provação à qual os seres humanos são submetidos. Em momentos difíceis da história é que se pode constatar quem de fato é ou não fiel a Deus. Aqueles que permanecem fiéis, firmes na fé, experimentarão a libertação definitiva, mesmo que eventualmente suportem algumas circunstâncias difíceis.
3. II leitura (Hb 2,14-18): Em solidariedade com cada ser humano
O tema central da carta aos Hebreus é o sumo sacerdócio de Cristo (8,1). Sacerdote significa mediador, ou seja, alguém por meio do qual se efetiva a relação entre Deus e a humanidade, entre Criador e criatura. A mediação realizada por Jesus Cristo somente é possível porque ele é totalmente divino e totalmente humano, ou seja, faz parte da esfera do Criador (é Filho) e da criatura (é homem).
Na relação de Cristo com Deus, temos o aspecto da autoridade, pois foi glorificado à direita do Pai. Já na relação com a humanidade, temos o da misericórdia, visto que, por experiência própria, participou de nossa fraqueza, sendo em tudo semelhante a nós, exceto no pecado (Hb 4,15).
Cristo é sumo sacerdote tanto por sua intimidade com o Pai quanto por sua solidariedade com a humanidade. Ambas as relações foram levadas ao extremo. A credibilidade e a solidariedade de Cristo fazem dele o fundamento da nossa fé. O ser humano pode lançar toda a sua existência sobre esse fundamento, por duas razões: porque Cristo é o Filho de Deus constituído em dignidade; porque amou a humanidade a ponto de morrer na cruz para libertá-la do poder da morte e associá-la à oferta de sua própria vida ao Pai.
 III. PISTAS PARA REFLEXÃO
Cristo é semelhante a nós e tornou-se solidário conosco, participando de nossas fraquezas, exceto do pecado; da mesma forma, estamos unidos a ele, sendo associados à sua oferta ao Pai. A apresentação/consagração do menino Jesus no templo é também a nossa consagração a Deus, por causa da nossa união com o Filho humanado.
A morte significa separação. Mas, como estamos unidos a Cristo e ele está junto do Pai, nada poderá nos separar de Deus; portanto, estamos livres do poder da morte.
Por tudo que foi mostrado pelas leituras de hoje, o presidente da celebração deve enfatizar a centralidade do mistério da salvação, evitando separar a infância de Jesus do restante de sua vida, principalmente do momento da cruz, ressurreição e ascensão.
Para enfocar a totalidade do mistério salvífico, pode haver, durante a celebração, o acendimento de velas no círio pascal ou uma procissão com velas, destacando a unidade entre a Apresentação de Jesus e a Páscoa, quando de fato o Cristo se tornou “luz para as nações”.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade
Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje - BH), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica e lecionou por alguns anos. Atualmente, leciona na Faculdade Católica de Fortaleza. É autora do livro Eis que faço novas todas as coisas – teologia apocalíptica (Paulinas). E-mail: aylanj@gmail.com.

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JESUS APRESENTADO NO TEMPLO


A cena da apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém apresenta uma catequese bem amadurecida e bem refletida, que procura dizer quem é Jesus e qual a sua missão no mundo. Antes de mais, o autor sublinha repetidamente a fidelidade da família de Jesus à Lei do Senhor, como se quisesse deixar claro que Jesus, desde o início da sua caminhada entre os homens, viveu na escrupulosa fidelidade aos mandamentos e aos projetos do Pai. Desde o início da sua existência terrena, Ele entregou a sua vida nas mãos do Pai, numa adesão absoluta ao plano do Pai. A missão de Jesus no mundo passa por aí – pelo cumprimento rigoroso da vontade e do projeto do Pai.

Portanto, Jesus foi apresentado no Templo. Aí, duas personagens O acolhem: Simeão e Ana. Eles representam esse Israel fiel que espera ansiosamente a sua libertação e a restauração do reinado de Deus sobre o seu Povo. De Simeão diz-se que era um homem “justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel”.

As palavras e os gestos de Simeão são particularmente sugestivos… Simeão toma Jesus nos braços e apresenta-O ao mundo, definindo-O como “a salvação” que Deus quer oferecer “a todos os povos”, “luz para se revelar às nações e glória de Israel”. Jesus é, assim, reconhecido pelo Israel fiel como esse Messias libertador e salvador, a quem Deus enviou – não só ao seu povo, mas a todos os povos da terra. Aqui desponta um tema muito querido a Lucas: o da universalidade da salvação de Deus… Deus não tem já um Povo eleito, mas a sua salvação é para todos os povos, independentemente da sua raça, da sua cultura, das suas fronteiras, dos seus esquemas religiosos. As palavras que Simeão dirige a Maria: “este menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; e uma espada trespassará a tua alma”. Estas palavras aludem, provavelmente, à divisão que a proposta de Jesus provocará em Israel e ao resultado dessa divisão – o drama da cruz.

Ana é também uma figura do Israel pobre e sofredor (“viúva”), que se manteve fiel a Deus, não se voltou a casar, após a morte do marido, que espera a salvação de Deus. Depois de reconhecer em Jesus a salvação anunciada por Deus, ela “falava do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém”. A palavra utilizada por Lucas para falar de libertação é a palavra resgate, utilizada no Êxodo para falar da libertação da escravidão do Egito (cf. Ex 13,13-15; 34,20; Nm 18,15-16). Jesus é, assim, apresentado por Lucas como o Messias libertador, que vai conduzir o seu Povo do domínio da escravidão para o domínio da liberdade. A apresentação no Templo de um primogênito celebrava precisamente a libertação do Egito e a passagem da escravidão para a liberdade.

O texto termina com uma referência ao resto da infância de Jesus e ao crescimento do menino em “sabedoria” e “graça”. Trata-se de atributos que lhe vêm do Pai e que atestam, portanto, a sua divindade. Em conclusão: Jesus é o Deus que vem ao encontro dos homens com uma missão que lhe foi confiada pelo Pai. O objetivo de Jesus é cumprir integralmente o projeto do Pai… E esse projeto passa por levar os homens da escravidão para a liberdade e em apresentar a proposta de salvação de Deus a todos os povos da terra, mesmo àqueles que não pertencem tradicionalmente à comunidade do Povo de Deus.

Poderíamos dizer que se celebra hoje em toda a Igreja um singular “ofertório”, no qual os homens e as mulheres consagradas ao ministério de Jesus renovam espiritualmente o dom de si. Agindo desta forma, ajudam as comunidades eclesiais a crescer na dimensão oblativa que as constitui intimamente, as edifica e as estimula a testemunhar Jesus pelos caminhos do mundo.

A “apresentação do Senhor” no Templo de Jerusalém revela que, desde o início da sua caminhada entre os homens, Jesus escolheu um caminho de total fidelidade aos mandamentos e aos projetos do Pai. Ao oferecer-Se a Deus em oblação, ao ser “consagrado” ao Pai, Jesus manifesta a sua disponibilidade para cumprir fiel e incondicionalmente o plano salvador do Pai até às últimas conseqüências, até ao dom total da própria vida em favor dos homens.

Jesus é-nos apresentado, neste texto, como “a salvação colocada ao alcance de todos os povos”, a “luz para se revelar às nações e a glória de Israel”, o messias com uma proposta de libertação para todos os homens.

Que eco é que esta “apresentação” de Jesus tem no coração dos consagrados? Jesus é, de fato, a luz que ilumina as suas vidas e que os conduz pelos caminhos do mundo? Ele é o caminho certo e inquestionável para a salvação, para a vida verdadeira e plena? É n’Ele que colocam a sua ânsia de libertação e de vida nova? Este Jesus aqui apresentado tem real impacto na sua vida, nas suas opções, nos passos que dão no seu caminho de consagração, ou é apenas uma figura decorativa de certo cristianismo de fachada?

Simeão e Ana são, na cena evangélica que nos é proposta, figuras do Israel fiel, que foi preparado desde sempre para reconhecer e para acolher o messias de Deus. Na verdade, quando Jesus aparece, eles estão suficientemente despertos para reconhecer naquele bebê o messias libertador que todos esperavam e apresentam-n’O formalmente ao mundo.

Hoje, como discípulos que acolheram Jesus como a sua luz e que aceitaram segui-lO temos a responsabilidade de O apresentar ao mundo e de O tornar uma proposta questionadora, libertadora, iluminadora, salvadora, para os homens nossos irmãos. É isso que acontece? Através do nosso anúncio – feito com palavras, com gestos, com atitudes, com a fidelidade aos compromissos exige o nosso batismo. A Vida cristã é chamada a refletir de maneira particular a luz de Cristo. É preciso que sejamos luz e conforto para cada pessoa, velas acesas que ardem com o próprio amor de Cristo, luz que ilumina as sombras do mundo e que profeticamente anuncia a aurora de uma nova realidade.
Fonte:
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SIGNIFICADO DA FESTA
A festa da Apresentação celebra uma chegada e um encontro; a chegada do Salvador esperado, núcleo da vida religiosa do povo, e as boas-vindas concedida a ele por dois representantes dignos da raça eleita, Simeão e Ana. Por sua proveta idade, estes dois personagens simbolizam os séculos de espera e de fervoroso anseio dos homens e mulheres devotos da antiga aliança. Na realidade, representam a esperança e o anseio da raça humana.

Ao reviver este mistério na fé, a Igreja dá novamente as boas-vindas a Cristo. Esse é o verdadeiro sentido da festa. É a "Festa do Encontro", o encontro de Cristo e sua Igreja. Isto vale para qualquer celebração litúrgica, mas especialmente para esta festa. A liturgia nos convida a dar as boas-vindas a Cristo e a sua mãe, como o fez seu próprio povo de então: "Ó Sião, enfeita teu quarto nupcial e dá boas-vindas a Cristo Rei; abraça a Maria, porque ela é a verdadeira porta do céu e traz o glorioso Rei da luz nova"2.

Ao dramatizar desta maneira a lembrança deste encontro de Cristo com Simeão, a Igreja nos pede que professemos publicamente nossa fé na Luz do mundo, luz de revelação para todo povo e pessoa.

Na belíssima introdução à benção das velas e a procissão, o celebrante lembra como Simeão e Ana, guiados pelo Espírito, vieram ao templo e reconheceram a Cristo como seu Senhor. E conclui com o seguinte convite: "Unidos pelo Espírito, vamos agora à casa de Deus dar as boas-vindas a Cristo, o Senhor. O reconheceremos na fração do pão até que venha novamente em sua glória".

Refere-se claramente ao encontro sacramental, ao que a procissão serve de prelúdio. Respondemos ao convite: "Vamos em paz ao encontro do Senhor"; e sabemos que este encontro será na eucaristia, na palavra e no sacramento Entramos em contato com Cristo através da liturgia; por ela temos também acesso a sua graça. Santo Ambrósio escreve deste encontro sacramental em uma página insuperável: "Te revelaste face a face, ó Cristo. Em teus sacramentos te encontro".

Função de Maria. A festa da apresentação é, como dissemos, uma festa de Cristo antes do que qualquer outra coisa. É um mistério de salvação. O nome "apresentação" tem um conteúdo muito rico. Fala de oferecimento, sacrifício. Recorda a auto-oblação inicial de Cristo, palavra encarnada, quando entrou no mundo: “Eis-me aqui para fazer tua vontade". Aponta à vida de sacrifício e à perfeição final dessa auto-oblação na colina do Calvário.

Dito isto; temos que passar a considerar o papel de Maria neste acontecimentos salvíficos. Depois de tudo, ela é a que apresenta a Jesus no templo; ou, mais corretamente, ela e seu esposo José, pois ambos pais são mencionados. E perguntamos: Tratava-se exclusivamente de cumprir o ritual prescrito, uma formalidade praticada por muitos outros pais? Ou guardava uma significação muito mais profunda que tudo isto? Os padres da Igreja e a tradição cristã respondem que sim.

Para Maria, a apresentação e oferenda de seu filho no templo não era um simples gesto ritual. Indubitavelmente, ela não era consciente de todas as implicações nem da significação profética deste ato. Ela não contemplar todas as conseqüências de seu fiat na anunciação. Mas foi um ato de oferecimento verdadeiro e consciente. Significava que ela oferecia seu filho para a obra da redenção com a que ele estava comprometido desde o princípio. Ela renunciava a seus direitos maternais e a toda pretensão sobre ele; e o oferecia à vontade do Pai. São Bernardo expressou muito bem isto: "Oferece teu filho, santa Virgem, e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre. Oferece, para reconciliação de todos nós, a santa Vítima que é agradável a Deus'3.

Há um novo simbolismo no fato de que Maria coloca a seu filho nos braços de Simeão. Ao agir desta maneira, ela não o oferece exclusivamente ao Pai, mas também ao mundo, representado por aquele ancião. Dessa maneira, ela representa seu papel de mãe da humanidade, e nos lembra que o dom da vida em através de Maria.

Existe uma conexão entre este oferecimento e o que acontecerá no Gólgota quando serão executadas todas as implicações do ato inicial de obediência de Maria: "Faça-se em mim segundo tua palavra". Por essa ração, o evangelho desta festa carregada de alegria não nos exime da nota profética: "Eis que este menino está destinado para a queda e ressurgimento de muitos em Israel; será sinal de contradição, e uma espada atravessará tua alma, para que sejam descobertos os pensamentos de muitos corações" (Lc 2,34-35).

O encontro futuro. A festa de hoje não se limita a nos permitir reviver um acontecimento passado, mas nos projeta para o futuro. Prefigura nosso encontro final com Cristo em sua segunda vinda. São Sofrônio, patriarca de Jerusalém desde o ano de 634 até sua morte, em 638, expressou isto com eloqüência: "Por isso vamos em procissão com velas em nossas mãos e nos apressamos carregando luzes; queremos demonstrar que a luz brilhou para nós e significar a glória que deve chegar através dele. Por isso vamos juntos ao encontro com Deus".

A procissão representa a peregrinação da própria vida. O povo peregrino de Deus caminha penosamente através deste mundo do tempo, guiado pela luz de Cristo e sustentado pela esperanças de encontrar finalmente ao Senhor da glória em seu reino eterno. O sacerdote diz na benção das velas: "Que quem as levas para enaltecer tua glória caminhemos no caminho de bondade e vamos à luz que brilha para sempre".

A vela que levamos em nossas mão lembra a vela de nosso batismo. E o sacerdote diz: " guardem a chama da fé viva em seus corações. Que quando o Senhor vier saiam a seu encontro com todos os santos no reino celestial". Este será o encontro final, a apresentação , quando a luz da fé se converter na luz da glória. Então será a consumação de nosso mais profundo desejo, a graça que pedimos na pós-comunhão da missa:

Por estes sacramentos que recebemos, enche-nos com tua graça, Senhor, tu que encheste plenamente a esperança de Simeão; e assim como não o deixaste morrer sem ter segurando Cristo nos braços, concede a nós, que caminhamos ao encontro do Senhor, merecer o prêmio da vida eterna.
Fonte:
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A cooperação da mulher no mistério da Redenção.

1. As palavras do velho Simeão, anunciando à Maria sua participação na missão salvífica do Messias, manifestam o papel da mulher no mistério da redenção.

Com efeito, Maria não só uma pessoa individual; também é a "filha de Sião", a mulher nova que, ao lado do Redentor, compartilha sua paixão e gera no Espírito os filhos de Deus. Essa realidade se expressa mediante a imagem popular das "sete espadas" que atravessam o coração de Maria. Essa representação destaca o profundo vínculo que existe entre a mãe, que se identifica com a filha de Sião e com a Igreja, e o destino de dor do Verbo encarnado.

Ao entregar a seu Filho, recebido pouco antes de Deus, para consagrá-lo a sua missão de salvação, Maria se entrega também a esta missão. Trata-se de um gesto de participação interior, que não é só fruto do natural afeto materno, mas que sobretudo se expressa no consentimento da mulher nova à obra redentora de Cristo.

2. Em sua intervenção, Simeão indica a finalidade do sacrifício de Jesus e do sofrimento de Maria: se darão "a fim de que se revelem todas a intenções de muitos corações" (Lc 2, 35).

Jesus, "sinal de contradição" (Lc 2, 34), que implica a sua mãe em seu sofrimento, levará os homen a tomar posição a respeito dele, convidando-os a uma decisão fundamental. Com efeito, "está posto para queda e elevação de muitso em Israel" (Lc 2, 34).

Assim pois, Maria está unida a seu Filho divino na "contradição", com vistas à obra da salvação.

Certamente, existe o perigo de queda para quem nao acolhe a Cristo, mas um efeio maravilhoso da redenção é a elevação de muitos. Este mero anúncio acende grande esperança nos corações aos quais já testemunha o fruto do sacrifício.

Ao colocar sob o olhar da Virgem estas perspectivas da salvação antes da oferta ritual, Simeão parece sugerir a Maria que realize esse gesto para contribuir ao resgate da humanidade. De fato, não fala com José nem de José: suas palavras se dirigem a Maria, a quem associa ao destino de seu Filho.

3. A prioridade cronológica do gesto de Maria no ofusca o primado de Jesus. O concílio Vaticano II, ao definir o papel de Maria na economia da salvação, lembra que ela "entregou totalmente a si mesma (...) a pessoa e a obra de seu Filho. Com ele e em sua dependência, colocou-se (...) a serviço do mistério da redenção" (Lumen gentium, 56).

Na apresentação de Jesus no templo, Maria coloca-se a serviço do mistério da Redenção com Cristo e em sua dependência: com efeito, Jesus, o protagonista da salvação, é quem deve ser resgatado mediane a oferenda ritual. Maria está unida ao sacrifício de seu Filho pela espada que lhe atravessará a alma.

O primado de Cristo não anula, mas sustenta e exige o papel próprio e insubstituível da mulher. Implicando a sua mãe em seu sacrifício, Cristo quer revelar as profundas raízes humanas dele mesmo e mostrar uma atencipação do oferecimento sacerdotal da cruz.

A intenção divina de solicitar a cooperação específica da mulher na obra redentora se manifesta no fato de que a profecia de Simeão se dirige somente a Maria, apesar de que José também participa do ritual da oferenda.

4. A conclusão do episódio da apresentação de Jesus no templo parece confirmar o significado e o valor da presença feminina na economia da salvação. O encontro com uma mulher, Ana, encerra esses momentos singulares, nos quais o Antigo Testamento quase se entrega ao Novo.

Assim como Simeão, esta mulher não é uma pessoa socialmente importante no povo eleito, mas sua vida parece possuir um grande valor aos olhos de Deus. San Lucas a chama "profetisa", provavelmente porque era consultada por muitos por causa da seu dom de discernimento e pela vida sana que levava sob inspiração do Espírito do Senhor.

Ana era de idade avançada, pois tinha oitenta e quaro anos e era viúva há muito tempo. Consagrada totalmente a Deuss, "não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações" (Lc 2, 37). Por isso, representa a todos os que, tendo vivido intensamente à espera do Messias, são capazes de acolher o cumprimento da Promessa com grande júbilo. O evangelista refere que, "como se apresentasse naquela mesma hora, louvava a Deus" (Lc 2, 38).

Vivendo de forma habitual no templo, pôde, talvez com maior facilidade que Simeão, encontrar a Jesus no ocaso de uma existência dedicada ao Senhor e enriquecida pela escuta da Palavra da oração.

Na alvorada da Redenção, podemos ver na profetisa Ana todas as mulheres que, com a santidade de sua vida e com sua atitude de oração, estão disposta a acolher a presença de Cristo e louvar diariamente a Deus pelas maravilhas que realiza sua eterna misericórdia.

5. Simeão e Ana, escolhidos para o encontro com o Menino, vivem intensamente esse dom divino, compartilham com Maria e José a alegria da presença de Jesus e a difundem seu ambiente. De forma especial, Ana demonstra um zelo magnìfico ao falar de Jesus, testemunhando assim sua fé simples e generosa, uma fé que prepara outros a acolher o Messias em sua vida.

A expressão de Lucas: "Falado do menino a atodos os que esperavam a redenção de Jerusalém" (Lc 2, 38), parece acreditá-la como símbolo das mulheres que, dedicando-se à difusão do Evangelho, suscitam e alimentam esperanças de salvação.

Fonte:
Catequese de. João Paulo II

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MARIA, MÃE ANIMADA PELO ESPÍRITO SANTO
1. Como coroamento da reflexão sobre o Espírito Santo, neste ano a Ele dedicado no caminho rumo ao grande Jubileu, elevamos o olhar para Maria. O consentimento por ela expresso na Anunciação, há dois mil anos, representa o ponto de partida da nova história da humanidade. Com efeito, o Filho de Deus encarnou e começou a habitar no meio de nós, quando Maria declarou ao anjo: «Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).

A cooperação de Maria com o Espírito Santo, manifestada na Anunciação e na Visitação, exprime-se numa atitude de constante docilidade às inspirações do Paráclito. Consciente do mistério do seu Filho divino, Maria deixava-se guiar pelo Espírito para se comportar de modo adequado à sua missão materna. Como verdadeira mulher de oração, a Virgem pedia ao Espírito Santo que completasse a obra iniciada na concepção, para que o Menino crescesse «em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens» (ibid., 2, 52), Sob este aspecto, Maria apresenta-se como um modelo para os pais, mostrando a necessidade de recorrer ao Espírito Santo para encontrar a via justa na difícil tarefa educativa.

2. O episódio da apresentação de Jesus no templo coincide com uma intervenção importante do Espírito Santo. Maria e José tinham ido ao templo para «apresentar» (cf. ibid., 2, 22), isto é, para oferecer Jesus, segundo a lei mosaica que prescrevia o resgate dos primogênitos e a purificação da mãe. Vivendo profundamente o sentido deste rito, como expressão de sincera oferta, eles foram iluminados pelas palavras de Simeão, pronunciadas sob o impulso especial do Espírito.

A narração de Lucas sublinha de maneira expressa a influência do Espírito Santo na vida deste ancião. Ele recebera do Espírito a garantia de não morrer sem ter visto o Messias. E precisamente, «impelido pelo Espírito, veio ao templo» (ibid., 2, 27), no momento em que Maria e José levavam para lá o Menino. É, pois, o Espírito Santo que suscita o encontro. É Ele que inspira ao velho Simeão um cântico que celebra o futuro do Menino, que veio como «luz para iluminar as nações» e «glória para o povo de Israel» (ibid., 2, 32). Maria e José maravilham-se destas palavras que ampliam a missão de Jesus a todos os povos.

É ainda o Espírito que faz com que Simeão pronuncie uma profecia dolorosa: Jesus será «sinal de contradição» e «uma espada trespassará a alma» de Maria (ibid., 2, 34.35). Através destas palavras, o Espírito Santo prepara Maria para a grande provação que a espera, e confere ao rito da apresentação do Menino o valor de um sacrifício oferecido por amor. Quando Maria recebeu o seu Filho dos braços de Simeão, compreendeu que O recebia para O oferecer. A sua maternidade envolvê-la-ia no destino de Jesus e toda a oposição a Ele haveria de se repercutir no seu coração.

3. A presença de Maria junto da Cruz é o sinal de que a Mãe seguiu até ao fim o itinerário doloroso, traçado pelo Espírito Santo pela boca de Simeão.

No Calvário, das palavras que Jesus dirige à Mãe e ao discípulo predileto, emerge outra característica da ação do Espírito Santo: Ele assegura fecundidade ao sacrifício. As palavras de Jesus manifestam precisamente um aspecto «mariano» desta fecundidade: «Mulher, eis aí o teu filho» (Jo 19, 26). Nestas palavras, o Espírito Santo não aparece expressamente. Mas a partir do momento que o evento da Cruz, como a inteira vida de Cristo, se desenrola no Espírito Santo (cf. Dominum et vivificantem, 40-41), precisamente no Espírito Santo o Salvador pede à Mãe que consinta ao sacrifício do Filho, para se tornar a mãe de uma multidão de filhos. A esta suprema oferta da Mãe de Jesus, Ele assegura um fruto imenso: uma nova maternidade destinada a estender-se a todos os homens.

Da Cruz o Salvador queria derramar sobre a humanidade rios de água viva (cf. ibid., 7, 38), isto é, a abundância do Espírito Santo. Mas desejava que esta efusão de graça estivesse ligada ao rosto de uma mãe, a sua Mãe. Maria aparece já como a nova Eva, mãe dos vivos, ou a Filha de Sião, mãe dos povos. O dom da Mãe universal estava incluído na missão redentora do Messias: «Depois, Jesus, sabendo que tudo estava consumado...», escreve o Evangelista após a dupla declaração: «Mulher, eis aí o teu filho» e «Eis aí a tua mãe» (ibid., 19, 26-28).

Desta cena pode-se intuir a harmonia do plano divino em relação ao papel de Maria na ação salvífica do Espírito Santo. No mistério da Encarnação a sua cooperação com o Espírito tinha desempenhado um papel essencial; também no mistério do nascimento e da formação dos filhos de Deus o concurso materno de Maria acompanha a atividade do Espírito Santo.

4. À luz da declaração de Cristo no Calvário, a presença de Maria na comunidade à espera do Pentecostes assume todo o seu valor. São Lucas, que chamara a atenção para o papel de Maria na origem de Jesus, quis ressaltar a sua presença significativa na origem da Igreja. A comunidade é composta não só de Apóstolos e Discípulos, mas também de mulheres, entre as quais Lucas nomeia unicamente «Maria, a mãe de Jesus» (Act 1, 14).

A Bíblia não nos oferece outra informação sobre Maria após o drama do Calvário. Mas é muito importante saber que Ela participava na vida da primeira comunidade e na sua oração assídua e unânime. Sem dúvida, ela esteve presente na efusão do Espírito, no dia do Pentecostes. O Espírito que já habitava em Maria, tendo realizado nela maravilhas de graça, agora desce de novo ao seu coração, comunicando dons e carismas necessários para o exercício da sua maternidade espiritual.

5. Maria continua a exercer na Igreja a maternidade que lhe foi confiada por Cristo. Nesta missão materna, a humilde escrava do Senhor não se põe em concorrência com o papel do Espírito Santo; ao contrário, ela é chamada pelo mesmo Espírito a cooperar com Ele de modo materno. Ele desperta continuamente na memória da Igreja as palavras de Jesus ao discípulo predileto: «Eis aí a tua mãe», e convida os crentes a amarem Maria como Cristo a amou. Todo o aprofundamento do vínculo com Maria permite ao Espírito uma ação mais fecunda para a vida da Igreja.

JOÃO PAULO II

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FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR
DIA MUNDIAL DA VIDA CONSAGRADA
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2006
Queridos irmãos e irmãs!
A hodierna festa da Apresentação de Jesus no Templo, quarenta dias depois do seu nascimento, apresenta diante dos nossos olhos um momento particular da vida da Sagrada Família: segundo a lei moisaica, o menino Jesus é levado por Maria e José ao templo de Jerusalém para ser oferecido ao Senhor (cf. Lc 2, 22). Simeão e Ana, inspirados por Deus, reconhecem naquele Menino o Messias tão esperado e profetizam sobre Ele. Estamos na presença de um mistério, ao mesmo tempo simples e solene, no qual a Santa Igreja celebra Cristo, o Consagrado do Pai, primogênito da nova humanidade.
A sugestiva procissão dos Círios no início da nossa celebração fez-nos reviver a majestosa entrada, cantada no Salmo responsorial, d’Aquele que é «o rei da glória» (Sl 23, 7-8). Mas quem é o Deus poderoso que entra no Templo? É um Menino; é o Menino Jesus, entre os braços da sua mãe, a Virgem Maria. A Sagrada Família cumpre tudo o que a Lei prescrevia: a purificação da mãe, a oferenda do primogênito a Deus e o seu resgate mediante um sacrifício. Na primeira Leitura a Liturgia fala do oráculo do profeta Malaquias: «Imediatamente entrará no seu santuário o Senhor» (Mal 3, 1). Estas palavras comunicam toda a intensidade do desejo que animou a expectativa da parte do povo hebreu ao longo dos séculos. Entra finalmente na sua casa «o cordeiro da aliança» e submete-se à Lei: vai a Jerusalém para entrar, em atitude de obediência, na casa de Deus.
O significado deste gesto adquire uma perspectiva mais ampla no trecho da Carta aos Hebreus, proclamado hoje como segunda Leitura. Nele é-nos apresentado Cristo, o mediador que une Deus e o homem abolindo as distâncias, eliminando qualquer divisão e abatendo todos os muros de separação. Cristo vem como novo «sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, para expiar os pecados do povo» (Hb 2, 17). Observamos assim que a mediação com Deus já não se realiza na santidade-separação do sacerdócio antigo, mas na solidariedade libertadora com os homens. Ele inicia, ainda Criança, a andar pelo caminho da obediência, que percorrerá até ao fim. Ressalta bem isto a Carta aos Hebreus quando diz: «Quando vivia na carne, ofereceu... orações e súplicas... Apesar de ser Filho de Deus, aprendeu a obedecer, sofrendo e, uma vez atingida a perfeição, tornou-se para todos os que Lhe obedecem fonte de salvação eterna» (cf. Hb 5, 7-9).
A primeira pessoa que se une a Cristo no caminho da obediência, da fé provada e do sofrimento partilhado é a sua mãe, Maria. O texto evangélico mostra no gesto de oferecer o Filho: uma oferenda incondicional que a envolve em primeira pessoa: Maria é a Mãe d’Aquele que é «glória do seu povo, Israel» e «luz que ilumina as nações» (cf. Lc 2, 32.34). E ela mesma, na sua alma imaculada, deverá ser trespassada pela espada do sofrimento, mostrando assim que o seu papel na história da salvação não termina no mistério da Encarnação, mas se completa na amorosa e dolorosa participação na morte e na ressurreição do seu Filho. Levando o Filho a Jerusalém, a Virgem Mãe oferece-o a Deus como verdadeiro Cordeiro que tira os pecados do mundo: apresenta-o a Simeão e a Ana como anúncio de redenção; apresenta-o a todos como luz para um caminho seguro pela via da verdade e do amor.
As palavras que neste encontro vêm aos lábios do idoso Simeão - «Os meus olhos viram a tua salvação» (Lc 2, 30) - encontraram eco no coração da profetiza Ana. Estas pessoas justas e piedosas, envolvidas pela luz de Cristo, podem contemplar no Menino Jesus «a consolação de Israel» (Lc 2, 25). A sua expectativa transforma-se assim em luz que ilumina a história. Simeão é portador de uma antiga esperança e o Espírito do Senhor fala ao seu coração: por isso pode contemplar aquele que muitos profetas e reis tinham desejado ver, Cristo, luz que ilumina as nações. Reconhece naquele Menino o Salvador, mas intui no espírito que em seu redor se jogará o destino da humanidade, e que deverá sofrer muito por parte de quantos o rejeitarão; proclama a sua identidade e a missão de Messias com as palavras que formam um dos hinos da Igreja nascente, do qual irradia toda a exultação comunitária e escatológica da expectativa salvífica realizada. O entusiasmo é tão grande que viver e morrer são a mesma coisa, e a «luz» e a «glória» tornam-se uma revelação universal. Ana é «profetiza», mulher sábia e piedosa que interpreta o sentido profundo dos acontecimentos históricos e da mensagem de Deus neles escondido. Por isso pode «louvar a Deus» e falar «do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém» (Lc 2, 38). A prolongada viuvez dedicada ao culto no templo, a fidelidade aos jejuns semanais, a participação na expectativa de quantos aspiravam pelo resgate de Israel concluem-se no encontro com o Menino Jesus.
Queridos irmãos e irmãs, nesta festa da Apresentação do Senhor a Igreja celebra o Dia da Vida Consagrada. Trata-se de uma ocasião oportuna para louvar o Senhor e agradecer-lhe pelo dom inestimável que a vida consagrada representa nas suas diferentes formas; é ao mesmo tempo um estímulo a promover em todo o povo de Deus o reconhecimento e a estima por quem se consagrou totalmente a Deus. De fato, como a vida de Jesus, na sua obediência e dedicação ao Pai, é parábola viva do «Deus conosco», também a dedicação concreta das pessoas consagradas a Deus e aos irmãos se torna sinal eloquente da presença do Reino de Deus no mundo de hoje. O vosso modo de viver e de trabalhar é capaz de manifestar sem atenuações a plena pertença ao único Senhor; a vossa entrega total nas mãos de Cristo e da Igreja é um anúncio forte e claro da presença de Deus numa linguagem compreensível para os nossos contemporâneos. É este o primeiro serviço que a vida consagrada presta à Igreja e ao mundo. No meio do Povo de Deus eles são como sentinelas que distinguem e anunciam a vida nova já presente na nossa história.
Dirijo-me agora de modo especial a vós, queridos irmãos e irmãs que abraçastes a vocação de especial consagração, para vos saudar com afeto e vos agradecer de coração a vossa presença. Dirijo uma saudação especial a D. Franc Rodé, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, e aos seus colaboradores, que concelebram comigo esta Santa Missa. O Senhor renove todos os dias em vós e em todas as pessoas consagradas a resposta jubilosa ao seu amor gratuito e fiel. Queridos irmãos e irmãs, como círios acesos, irradiai sempre e em toda a parte o amor de Cristo, luz do mundo. Maria Santíssima, a Mulher consagrada, vos ajude a viver plenamente esta vossa especial vocação e missão na Igreja para a salvação do mundo.
Amém!
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http://www.ecclesia.com.br/images/miscelaneous/letras/5N.gifa narração que nos deixou a peregrina Etéria sobre a estada dela em Jerusalém (séc. IV), há uma referência também a respeito da festa do dia 2 de fevereiro. Ela não diz o nome, mas nos informa que no quadragésimo dia após a manifestação do Senhor sobre a terra se celebra uma grande solenidade. Fazem uma grande procissão até ao Anástasis (que os latinos chamam de Santo Sepulcro) e tudo acontece numa grande alegria, como na Páscoa. Acrescenta ainda que, em seguida, o bispo faz a leitura e o comentário do Evangelho de Lucas (2:21-39) que ainda hoje é lido nas Igrejas do Oriente e do Ocidente no dia 2 de fevereiro.
Por essa descrição podemos entender quão antiga e solene (significativa a alusão de Etéria à Páscoa) seja a festa que o Missal Romano atual intitula de "Apresentação do Senhor" ao passo que o Oriente bizantino chama de Hypapántê, que significa "Encontro." Com efeito, na adoração dos Reis Magos tudo tinha acontecido na intimidade da Sagrada Família, ao passo que em 2 de fevereiro se festeja o primeiro encontro público, no Templo de Jerusalém, do Verbo de Deus com o seu povo, bem representado pelo justo Simeão e pela profetisa Ana. Encontramos o nome Hypapántê também em antigos calendários romanos e é rico de interpretações, porque há também um encontro entre o Antigo e o Novo Testamento.
Desde a sua origem, a festa é cristológica, mas, no decorrer dos séculos, assumiu um colorido mariano: na Igreja romana a festa era chamada também de "Purificação da Virgem Maria." O tropário principal e alguns outros do Ofício bizantino do dia 2 de fevereiro são dirigidos, de fato, à Mãe de Deus, permanecendo, porém, Jesus ao centro da atenção de todos.
Salve, ó Virgem, Mãe de Deus, cheia de graça,
pois de ti nasceu o sol de justiça, o Cristo, nosso Deus,
iluminando os que estão nas trevas.
Alegra-te, ó justo ancião,
ao receber em teus braços o libertador das nossas almas,
que nos dá a ressurreição.
Tropário (1º tom)
Nascida em Jerusalém, onde Maria e José, em respeito à lei, subiram ao templo com o pequeno Jesus e um casal de pombinhas, a festa do 2 de fevereiro foi introduzida em Roma, como atesta o Liber pontíficalis, por um papa de origem oriental, Sérgio I (687-701). O mesmo que introduziu as festas do Natal de Jesus, da Anunciação e da Dormição ou Assunção da Mãe de Deus.
Mais de uma vez o Ofício do dia chama atenção para o fato de Jesus ser ainda pequeno; agia através da sua mãe. É o que lemos no tropário da véspera da festa que diz:
O coro celeste dos Anjos, inclinado para a terra,
vê o primogênito de toda a criação, como pequeno menino,
ser levado ao Templo pela Virgem Mãe.
Cheio de alegria canta então conosco o hino da pré-festa.
Tropário (1º tom)
A solenidade do Encontro conclui-se ordinariamente no dia 9 de fevereiro, mas se a Páscoa ocorrer pelos fins de março, os dias de pós-festa serão reduzidos. O kontákion, repetido com freqüência em todo aquele período, remonta ao século VI e tem por autor Romanós, o Melode:
Cristo Deus, que santificaste um seio virginal
e abençoaste, como convinha, as mãos de Simeão,
vieste e nos salvaste.
Nas guerras, concede a paz ao teu povo
e fortalece os governantes que tu amas,
ó único Amigo dos homens.
Kondákion (1º tom)
Os breves hinos que se intercalam entre os versículos sálmicos no Ofício de vésperas são de autoria do patriarca de Constantinopla, Germano. Entre eles destacamos o seguinte:
Vamos também nós ao encontro de Cristo,
com cânticos inspirados e acolhamos
aquele do qual Simeão viu a salvação.
É aquele que Davi anunciou, o que falou pelos profetas,
o que se encarnou por nós e nos instrui com a lei.
Adoremo-lo!
No Ofício do dia não podia faltar alguma composição do famoso hinógrafo bizantino, João Damasceno:
Abra-se hoje a porta do céu!
O Verbo eterno do Pai, de fato,
tendo iniciado a sua existência temporal,
sem separar-se da sua divindade,
conforme a lei,
deixa-se levar ao templo por sua Mãe,
como menino de quarenta dias.
O velho (Simeão) recebe-o em seus braços dizendo:
'Deixa ir-me em paz - exclama o servo ao Senhor -,
pois meus olhos viram tua salvação'.
ó tu que vieste ao mundo para salvar o gênero humano:
Glória a ti, Senhor!
O ícone da festa do Encontro nos apresenta todas as personagens de quem fala a liturgia; a reevocação plástica da cena tem sempre um andamento processional. Simeão está sobre um estrado que evidencia a sua dignidade, mas, quase na mesma linha, vemos José com as duas pombinhas e Maria. Do lado oposto vemos Ana. Às vezes o pequeno Jesus está nos braços de Maria Santíssima num gesto de entregá-lo ao velho Simeão, mas não é incomum o caso em que é o mesmo Simeão que segura o Menino Jesus nos braços e inclina-se para ele numa atitude de profunda adoração, tendo sido iluminado pelo Espírito sobre a misteriosa identidade daquele menino. A tenda, no fundo, indica que a cena se desenvolve num interior, no Templo.
A "procissão" que se fazia em Jerusalém por ocasião dessa festa e da qual a peregrina Etéria, no séc. IV, nos deixou o testemunho, até hoje se conserva no Ocidente onde, um pouco mais tarde, foi acrescentada a bênção das velas. Alguns estudiosos (entre os quais Baumstark) acham que ela se originou de uma procissão lustral praticada na antiga Roma (a "amburbale"), embora se trate apenas de uma conjectura, não é de todo infundada. No Oriente bizantino não se faz a procissão nem se abençoam as velas, mas a riqueza de textos próprios (mais de sessenta), tão cheios de referências bíblicas e de poesia orante, permite aos fiéis penetrar o significado profundo e perene da festa do Encontro. Também para nós deve ser um novo encontro com "Aquele que, após ter dado a Moisés o livro da Lei, se submete à Lei, tendo-se feito semelhante a nós no seu amor para com os homens" (das Vésperas). Um encontro novo com a Mãe de Jesus e nossa, para a qual os hinógrafos têm expressões belíssimas:
Ó Sião, acolhe Maria, a porta do céu:
ela é semelhante ao trono dos Querubins
e sustenta o Rei da glória.
A Virgem é uma nuvem de luz que traz o Filho feito carne,
nascido antes da estrela da manhã...
Simeão abençoando a Virgem Maria, Mãe de Deus,
viu profeticamente nela os sinais da paixão.
Na alegria, como no sofrimento, Maria permanece a primeira colaboradora na obra da redenção.

FONTE:
«O ANO LITÚRGICO BIZANTINO»
Madre Maria Donadeo


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Apresentação do Senhor
2 Fevereiro

Esta festa já era celebrada em Jerusalém, no século IV. Chamava-se festa do encontro,hypapántè , em grego. Em 534, a festa estendeu-se a Constantinopla e, no tempo do Papa Sérgio, chegou a Roma e ao Ocidente. Em Roma, a festa incluía uma procissão até à Basílica de S. Maria Maior. No século X, começaram a benzer-se as velas.
José e Maria levam o Menino Jesus ao templo, oferecendo-o ao Pai. Como toda a oferta implica renúncia, a Apresentação do Senhor é já o começo do mistério do sofrimento redentor de Jesus, que atingirá o seu ponto culminante no Calvário. Maria e José unem-se à oferta do seu divino Filho estando a seu lado e colaborando, cada um a seu modo, na obra da Redenção.


Lectio


Primeira Leitura: Malaquias 3, 1-4

Assim fala o Senhor: “Eis que Eu vou enviar o meu mensageiro, a fim de que ele prepare o caminho à minha frente. E imediatamente entrará no seu santuário o Senhor, que vós procurais, e o mensageiro da aliança, que vós desejais. Ei-lo que chega! - diz o Senhor do universo.2Quem suportará o dia da sua chegada? Quem poderá resistir, quando ele aparecer?Porque ele é como o fogo do fundidor e como a barrela das lavadeiras.  3Ele sentar-se-á como fundidor e purificador. Purificará os filhos de Levi e os refinará, como se refinam o ouro e a prata. E assim eles serão para o Senhor os que apresentam a oferta legítima. 4Então, a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor como nos dias antigos, como nos anos de outrora”.

Os dois mensageiros anunciados pelo profeta introduzem-se mutuamente: um prepara a vinda do Senhor e outro realiza a Aliança, é o Esperado. Estas duas figuras perspetivam João Baptista e Cristo. Um é apenas precursor; o outro é o Messias esperado, de origem divina, o Redentor. O primeiro prepara o caminho; o segundo entra efetivamente no templo, santificando, pela oferta de si mesmo, o sacrifício da nova Aliança, os ministros e o culto.


Segunda leitura: Hebreus 2, 14-18

Uma vez que os filhos dos homens têm em comum a carne e o sangue, também Ele partilhou a condição deles, a fim de destruir, pela sua morte, aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo, 15e libertar aqueles que, por medo da morte, passavam toda a vida dominados pela escravidão. 16Ele, de facto, não veio em auxílio dos anjos, mas veio em auxílio da descendência de Abraão. 17Por isso, Ele teve de assemelhar-se em tudo aos seus irmãos, para se tornar um Sumo Sacerdote misericordioso e fiel em relação a Deus, a fim de expiar os pecados do povo. 18É precisamente porque Ele mesmo sofreu e foi posto à prova, que pode socorrer os que são postos à prova.

A carne e o sangue, submetidos ao poder da morte pelo inimigo, são divinizados e libertados por Cristo, Deus feito homem. A descendência de Abraão é restituída à vida. O Filho de Deus apresenta-se como primeiro entre muitos irmãos e como sacerdote, mediador na sua divindade e humanidade, da fidelidade de Deus, Pai da vida.


Evangelho: Lucas 2, 22-40

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, 23conforme está escrito na Lei do Senhor: «Todo o primogênito varão será consagrado ao Senhor» 24e para oferecerem em sacrifício, como se diz na Lei do Senhor, duas rolas ou duas pombas. 25Ora, vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão; era justo e piedoso e esperava a consolação de Israel. O Espírito Santo estava nele. 26Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor.27Impelido pelo Espírito, veio ao templo, quando os pais trouxeram o menino Jesus, a fim de cumprirem o que ordenava a Lei a seu respeito. 28Simeão tomou-o nos braços e bendisse a Deus, dizendo:  29«Agora, Senhor, segundo a tua palavra, deixarás ir em paz o teu servo, 30porque meus olhos viram a Salvação  31que ofereceste a todos os povos,  32Luz para se revelar às nações e glória de Israel, teu povo.» 33Seu pai e sua mãe estavam admirados com o que se dizia dele.  34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; 35uma espada trespassará a tua alma. Assim hão-de revelar-se os pensamentos de muitos corações.»36Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, a qual era de idade muito avançada. Depois de ter vivido casada sete anos, após o seu tempo de donzela, 37ficou viúva até aos oitenta e quatro anos. Não se afastava do templo, participando no culto noite e dia, com jejuns e orações. 38Aparecendo nessa mesma ocasião, pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém. 39Depois de terem cumprido tudo o que a Lei do Senhor determinava, regressaram à Galileia, à sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o menino crescia e robustecia-se, enchendo-se de sabedoria, e a graça de Deus estava com Ele.

O Evangelho da Infância de Jesus tem o seu ponto alto no templo, lugar da plenitude do povo de Israel. É aí que Zacarias ouve a palavra que dirige a história para a sua meta (anúncio de João); é aí que o Menino é apresentado a Deus, revelado a Simeão e a Ana. É daí que regressa a Nazaré. Pano de fundo da cena da apresentação é lei judaica segundo a qual os primogênitos são sagrados e, por isso, devem ser apresentados a Deus. O Pai responde à apresentação e oferta de Jesus com o dom do Espírito ao velho Simeão, que profetiza. Israel pode estar descansado: a sua história não acaba em vão. Simeão viu o Salvador e sabe que a meta é agora o triunfo da vida.


Meditatio

Os pais de Jesus, de acordo com a lei mosaica, 40 dias depois do nascimento do primeiro filho, foram ao Templo de Jerusalém para oferecer o primogênito ao Senhor e para a mãe ser purificada. Mas este rito não foi exatamente igual aos outros. Nos ritos comuns, eram os pais que apresentavam os filhos a Deus em sinal de oferta e de pertença; neste rito é Deus que apresenta o seu Filho aos homens. Fá-lo pela boca do velho Simeão e da profetisa Ana. Simeão apresenta-O ao mundo como salvação para todos os povos, como luz que iluminará as gentes, mas também como sinal de contradição; como Aquele que revelará os pensamentos dos corações.
O encontro de Jesus com Simeão e Ana no Templo de Jerusalém é símbolo de uma realidade maior e universal: a Humanidade encontra o seu Senhor na Igreja. Malaquias preanunciava este encontro: «Eis que Eu vou enviar o meu mensageiro, a fim de que ele prepare o caminho à minha frente. E imediatamente entrará no seu santuário o Senhor, que vós procurais». No Templo, Simeão reconheceu Jesus como o Messias esperado e proclamou-o salvador e luz do mundo. Compreendeu que, doravante, o destino de cada homem se decidia pela atitude assumida perante Ele; Jesus será ruína ou salvação. Como dirá João Baptista: Ele tem na mão a joeira para separar o trigo bom da palha (cf. Mt 3, 12).
É o que acontece, a outra escala, também hoje: no novo templo de Deus que é a Igreja, os homens «encontram» Cristo, aprendem a conhecê-lo, recebem-no na Eucaristia, como Simeão o recebeu nos braços; a sua palavra torna-se, aí, para eles, luz e o seu corpo força e alimento. É a experiência que fazemos, sempre que vamos à missa. A comunhão é um verdadeiro encontro entre Deus e nós. Hoje, essa experiência é acentuada pelo simbolismo da festa: a procissão com que entramos na igreja com o sacerdote, levando a vela acesa e cantando, era, sinal deste ir ao encontro de Jesus que nos chama no interior da sua igreja, na esperança de irmos ao seu encontro um dia no Hypapante eterno, quando formos nós a ser apresentados por Ele ao Pai.
A Candelária é festa de luz. A luz da fé não nos foi dada apenas para iluminar o nosso caminho, desinteressando-nos dos outros… A luz da fé também não é para ter acesa apenas na igreja, ou em certos momentos, mas em todos os momentos e situações da nossa vida… A nossa fé há de ser luz que ilumina, fogo que aquece… É luz e fogo quem é compreensivo e bom com todos… quem sabe apoiar os pequenos esforços… os pequenos progressos… quem tem palavras de amizade, de estímulo, de apoio… quem sabe dizer uma boa palavra, dar uma ajuda… O amor cristão tem a sua origem em Deus que nos amou e nos enviou o seu Filho com quem nos encontramos em vários momentos da nossa vida, particularmente quando celebramos a Eucaristia. Esse é o nosso encontro, enquanto esperamos o encontro definitivo no Céu.


Oratio

Ó Jesus, eis-me aqui para fazer a vossa vontade. Quero estar atento e ouvir as vossas ordens, os vossos desejos, que me chegam através da vossa Palavra, das orientações dos vossos representantes na terra, dos acontecimentos da minha vida e da vida dos meus irmãos. Uno-me à oblação generosa do vosso divino Coração. Que quereis que vos faça? Dizei-mo, pelos meus pastores, pelas vossas inspirações, pela vossa providência. Falai, Senhor, que o vosso servo escuta. Iluminai-me com a vossa luz divina e refleti-la-ei nos meus irmãos. Ámen.

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Contemplatio

«Eis-me aqui, meu Deus, para vos servir e para fazer a vossa vontade: Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra». Esta é a regra, Maria obedece. Está escrito na lei, no Levítico e no Êxodo. A jovem mãe apresentar-se-á no templo para ser purificada, quarenta dias depois do nascimento de um filho e oitenta dias depois do nascimento de uma filha. Maria não costuma hesitar quando se trata da lei. Cumpre tudo à letra, segundo a Lei de Moisés. No quadragésimo dia, está em Jerusalém. Não examina se está dispensada pelo caráter sobrenatural da sua maternidade. A hesitação não lhe vem, é a lei. Como o seu divino Filho, renuncia a todo o privilégio e, contente com a sorte comum, obedece à lei. Jesus obedece e deixa-se levar, apresentar, resgatar, Maria obedece também e deixa-se purificar. Como Jesus, Maria leva no meio do seu Coração a lei de Deus, como sua regra de vida. Oh! Como esta obediência pontual, humilde, heróica, condena todas as nossas hesitações, toda a nossa procura de exceções e de dispensas! Maria podia dizer: Eis a serva do Senhor. E eu posso dizer: Ecce venio: eis que venho, Senhor, para obedecer, para fazer a vossa vontade. Eis o teu servo. (Leão Dehon, OSP 3, p. 120).


Actio

Repete muitas vezes e vive hoje a Palavra do Senhor:
Eu sou a luz do mundo” (Jo 8, 12).
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2 de Fevereiro
APRESENTAÇÃO DO SENHOR

Convocados pelo Espírito Santo
para celebrar a Apresentação do Senhor,
unamo-nos a Maria e a José,
a fim de sermos nós também apresentados a Deus Pai,
dizendo (ou: cantando), com alegria:
R. Iluminai-nos, Senhor, com a luz de Cristo.
Ou: Iluminai, Senhor, o vosso povo.
1. Para que a Igreja, templo santo do Senhor e sinal do encontro entre Deus e o homem, leve às nações o Evangelho e a luz de Cristo, oremos, irmãos.
2. Para que Maria, mulher atenta à voz de Deus, Esposa dedicada e Mãe solícita, nos ensine a ser fiéis como ela, oremos, irmãos.
3. Para que os responsáveis pelas nações e suas leis respeitem a igualdade dos cidadãos e promovam o bem-estar de todos, oremos, irmãos.
4. Para que os idosos das nossas comunidades (paroquiais) vejam em Cristo a salvação que Deus nos deu e recebam o carinho dos seus filhos, oremos, irmãos.
5. Para que as jovens mães cristãs de todo o mundo saibam oferecer os seus filhos ao Senhor e ser para eles o que Maria foi para Jesus, oremos, irmãos.
6. Para que os membros da nossa família paroquial e os que já partiram deste mundo cantem sempre os louvores do Rei da glória,
oremos, irmãos.

(Outras intenções).
Senhor, nosso Deus,
que em vosso Filho, apresentado no templo,
manifestastes ao mundo a luz das nações,
fazei que a vossa Igreja, iluminada pelo Espírito Santo,
cresça em santidade e se encha de sabedoria.
Por Cristo, nosso Senhor.


FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR


1. AIgreja Una e Santa celebra em 2 de Fevereiro, quarenta dias depois do Natal, a Festa da APRESENTAÇÃO do Senhor, que as Igrejas do Oriente conhecem por Festa do ENCONTRO (Hypapantê) e dos Encontros: Encontro de DEUS com o seu POVO agradecido, mas também de MARIA, de JOSÉ e de JESUS com SIMEÃO e ANA. Também conosco.
2. Quarenta dias depois do seu nascimento, sujeito à Lei (Gálatas 4,4), JESUS, como filho varão primogênito, é APRESENTADO a Deus, a quem, sempre segundo a Lei de Deus, pertence. De fato, o Livro do Êxodo prescreve que todo o filho primogênito, macho, quer dos homens quer dos animais, é pertença de Deus (Êxodo 13,11-13), bem como os primeiros frutos dos campos (Deuteronômio 26,1-10).
3. É assim que, para cumprir a Lei de Deus, quarenta dias depois do seu nascimento, JESUS é levado pela primeira vez ao Templo, onde, também pela primeira vez, se deixa ver como a Luz do mundo e a nossa esperança.
4. Compõe a cena um velhinho chamado SIMEÃO, nome que significa «ESCUTADOR», que vive atentamente à escuta, e que o Evangelho apresenta como um homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel. Ora, esse velhinho que vivia à espera e à escuta, com premurosa atenção, veio ao Templo, e, ao ver aquele MENINO, pegou nele nos braços. Por isso, os Padres gregos dão a SIMEÃO o título belo de Theodóchos [= recebedor de Deus]. É então que SIMEÃO entoa o canto feliz do entardecer da sua vida, um dos mais belos cantos que a Bíblia regista: «Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz, porque os meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos, Luz que vem iluminar as nações e glória do teu povo, Israel!»
5. E, na circunstância, também uma velhinha chegou carregada de esperança. Chamava-se ANA, que significa «GRAÇA»; é dita «Profetisa», isto é, que anda sintonizada em onda curta com a Palavra de Deus; era filha de Fanuel, que significa «Rosto de Deus»; era da tribo de Aser, que significa «Felicidade». Tanta intimidade com Deus! Também esta velhinha serena e feliz –  com 84 anos, número perfeito de números perfeitos (7 x 12) – viu aquele MENINO. E diz o Evangelho que se pôs a falar dele a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém!
6. Esta é a Festa da Alegria e da Esperança acumulada e realizada. É a Festa da Luz. SIMEÃO e ANA viram a Luz e exultaram de Alegria. HOJE somos nós que nos chamamos SIMEÃO e ANA. Somos nós que recebemos esta Luz nos braços, e que ficamos a fazer parte da família da Felicidade e a viver pertinho de Deus, Rosto a Rosto com Deus, Escutadores atentos do bater do coração de Deus. Felizes sois vós, os pobres! (Lucas 6,20). Felizes os olhos que vêem o que vós vedes e os ouvidos que ouvem o que vós ouvis! (Lucas 10,23).
7. Fevereiro é um mês de Alegria, de Apresentação e Encontro, de Consagração e Contemplação. Num mundo triste e cansado, e tantas vezes enjoado, como o nosso, Maria, José e o Menino, Simeão e Ana são ícones de Felicidade, que nos vêm dizer que se cresce, não apenas em idade, mas em idade, sabedoria e Graça!
António Couto
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Homilia exequial na Festa da Apresentação do Senhor

Escrito por José Luís. Publicado em Homilia da Semana
1. Quarenta dias depois do Natal, a Igreja celebra a "Apresentação do Menino Jesus no Templo" também conhecida por Festa da “Purificação de Nossa Senhora”. No centro desta cena, está a história de um “encontro” de dois personagens: Um ancião, de nome Simeão, e nele toda a sabedoria de uma Vida, atraída pela Luz. Um Menino, de nome Jesus, e nEle toda a Luz e toda a graça da Vida! Esta é, no dizer dos orientais,a “Festa do encontro”: o encontro entre o desejo de ver cumprida a Promessa e a realidade de uma salvação, oferecida a todos. Ali, no Templo, no encontro entre Simeão e Jesus, é afinal a própria vida que se celebra: a vida, reconduzida à sua nascente, a vida celebrada no seu mistério de dor e amor, a vida confiada à pátria definitiva, que é Deus.
2. São, por isso, muito belas as palavras de Simeão, quando este estreita entre os seus braços o Menino Jesus: “Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a salvação, que oferecestes a todos os povos, luz para se revelar às nações e glória de Israel vosso povo" (Lc 2, 29). É a oração que a Igreja eleva a Deus quando cai a noite! E é muito significativo recordá-la hoje, com emoção, pensando neste nosso Irmão que chegou ao ocaso da sua vida terrena e em definitivo de encontra com o Senhor!
3. Caríssimos irmãos e irmãs: Toda a vida deste velho Simeão se move pelo desejo da Luz, pela esperança da Salvação. E esta sua esperança tem agora um nome, um rosto e é uma pessoa viva: o Messias. No Menino que toma em seus braços, Simeão toca e abraça o mistério de Deus, feito carne frágil, corpo débil, criança que ali se oferece à mercê da sua ternura. Ele louva e bendiz o Senhor. Porque, na sua velhice, a estrela do desejo que o guiara, se transformava em luz eterna, em salvação «em carne e osso»...
4. Na verdade, Simeão exclama, por fim: «Agora, Senhor, segundo a vossa Palavra, deixareis ir em paz o vosso servo». Como se dissesse: “Agora, a minha Vida encontrou o seu segredo, agora posso morrer, que outros braços acolherão o meu desejo e me darão a plenitude da esperança, que me está prometida. Agora, que o Filho de Deus tomou a minha Carne, agora que o Verbo se fez Homem, este pedaço de homem frágil que sou foi tocado pela graça, este corpo envelhecido foi renovado pela vida divina, esta existência tantas vezes perdida é encontrada, esperada e salva pelo Seu Eterno Amor. Agora, que os meus olhos viram a salvação, posso caminhar para o termo da meta, na certeza de que nenhum abismo me apanhará, de susto. Pois o Menino que agora tomo em meus braços, me há-de conduzir aos braços do Pai. E então serei transfigurado na plenitude da luz divina, alcançado inteiramente pelo seu Amor. Sem reservas nem resistências da minha parte. Sem medida, da parte do meu Senhor”!
5. O entusiasmo de Simeão é tão grande que viver e morrer são a mesma coisa, e a «luz» e a «glória» tornam-se uma revelação universal: «luz que oferecestes a todos os povos», até aos pagãos, luz oferecida mesmo àqueles a quem “não foi concedido o dom de poder crer e todavia procuram a verdade e estão à procura de Deus. Tais pessoas, procurando a verdade e o bem, estão, intimamente estão a caminho d’Ele” (Bento XVI, Discurso, 27.10-2011)e porventura, “estão mais perto do Reino de Deus do que muitos fiéis rotineiros, que na Igreja já só conseguem ver o aparato, sem que o seu coração seja tocado pela fé” (Bento XVI, Homilia, 25.09.2011). Confiemos o nosso irmão, aos braços de Deus, ele que sempre abriu os seus braços, de trabalho e de ternura, de serviço e de entrega, a tantos e tantos, que Deus lhe apresentou no caminho da sua Vida familiar, profissional e social. Encontre ele agora, nos braços de Deus, o abraço eterno, a plenitude da luz, do Amor e da Paz!

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APRESENTAÇÃO DO SENHOR

2 de fevereiro de 2012

1. Leitura do Evangelho Lc 2,22-35 (ou forma longa Lc 2, 22-40)
Ao chegarem os dias da purificação deles, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: “Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor” e para oferecerem em sacrifício, um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor.
Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele.
Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito
Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando:
“Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque meus olhos viram a vossa salvação, que puseste ao alcance de todos os povos, luz para se revelar às nações e glória de Israel vosso povo”

2. Compreender a Palavra
A festa de hoje convida-nos a prestar atenção às personagens que aparecem na Apresentação do Senhor no templo: o menino, os seus pais, dois anciãos e o Espírito Santo. As suas ações são de pobres; a sua reação é de louvor e salvação. Todos são movidos e iluminados pelo Espírito Santo.
Reparemos bem: duas vidas gastas na esperança proclamam as maravilhas que Deus realiza nos humildes; o Espírito guia pelo caminho da esperança os que buscamos o Senhor e para encontrá-lo necessitamos a sua luz.
Ilumina-me, Senhor, com o teu Espírito!
Depois do seu nascimento, Jesus foi levado por seus pais ao templo, para cumprir o ritual judaico.
A Carta aos Hebreus proclama a Palavra: “ ‘Estou aqui, ó Deus para fazer a tua vontade’.” (Heb 10,9). A Apresentação de Jesus ao Templo revela que ele não veio para fazer coisas, mas ser Deus no meio de nós, ou melhor ainda, “Deus-connosco!”

3. Meditar a Palavra
O que me diz, a mim, este texto do Evangelho?
O teólogo Edward Schillebeeckx diz que “Maria é o braço que une a humanidade santa e salvadora de Cristo à nossa humanidade”.
Ela apresentou Jesus no Templo e ali se revelou o Salvador, na voz de Simeão.
O Pe. Cristo Rey Garcia Paredes escreve em “Palavra e Vida, 2012”: “na Igreja recordamos hoje o dia do chamamento à “vida consagrada”… E porque é que celebramos este modo de vida, hoje, dia da Apresentação? Porque é a data em que o Menino Jesus foi “consagrado ao Senhor”. Maria e José ofereceram-n’O no templo. Essa consagração transformou Jesus em sinal de contradição. A vida consagrada tem também uma função profética.”
Os milhares de consagrados, homens e mulheres, exercem a função profética no mundo em que vivem colocando-se ao lado de todo o tipo de marginalizados. Encontrámo-los numa atitude de proximidade com os mais pobres sejam eles idosos ou crianças, doentes com ou sem deficiência, deslocados ou marginalizados. A todos anunciam Jesus Cristo Ressuscitado, junto de cada um deles.
“A caridade de Cristo não me deixa descansar”, dizia St.º António Maria Claret, citando S. Paulo.
É este zelo apostólico que leva tantos consagrados, homens e mulheres, a deixarem tudo, terra e família, e partirem com o único objetivo de difundir o amor de Jesus Cristo em toda a parte.
Falando da vida consagrada, a irmã Tiziana, Franciscana dos Pobres, dizia que «os fundadores não se detiveram nas análises sociológicas» mas «encarnaram a palavra do Senhor, muitos deles transformaram pessoas e territórios, voltando a dar capacidade de viver e luz a zonas e bairros degradados desde todos os pontos de vista».
Nesta reflexão não posso esquecer os consagrados, missionários do sofrimento, que a doença amarra ao leito de um hospital ou prende a uma máquina à custa da qual conseguem viver e, com a serenidade, enfrentando a doença, anunciam o Cristo vivo e presente em cada pessoa.

4. Rezar a Palavra
Rezo, espontaneamente, com salmos ou outras orações. Hoje rezo com a Oração de São Patrício:
Cristo está comigo, Cristo à minha frente,
Cristo atrás de mim, Cristo em mim,
Cristo à minha direita, Cristo à minha esquerda,
Cristo ao me deitar, Cristo ao me sentar, Cristo ao me levantar,
Cristo no coração de todos os que pensarem em mim,
Cristo na boca de todos os que falarem em mim,
Cristo em todos os olhos que me virem,
Cristo em todos os ouvidos que me ouvirem.

5. Compromisso
Qual o meu novo olhar para a EVANGELIZAÇÃO, como consagrado/consagrada a partir da Palavra?
O meu novo olhar é de reconhecimento da salvação que também nós “vimos com os nossos próprios olhos”.
Ele, Jesus Cristo, é a luz que ilumina o nosso caminho.

6. Bênção
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.
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Homilia na Festa da Apresentação do Senhor 2010

Escrito por José Luís. Publicado em Homilia da Semana
Voltamos hoje a acender - e quase nos parecerá fora de tempo - a luz do Natal, para celebrar mais um dos mistérios da infância de Jesus! Passaram quarenta dias do Seu nascimento, e São Lucas descreve-nos, com palavras luminosas, esta bonita «Festa do Encontro»!
1. Entre os muitos pormenores, que poderíamos ressaltar, de um episódio tão rico de sugestões, gostaria de marcar a nossa reflexão com um único ponto de luz: há aqui, claramente um encontro de gerações, que é lugar de missão e de transmissão da fé. Os protagonistas da missão e da transmissão da fé são uma criança, os seus pais e dois anciãos, na comunidade de fé que é o Povo de Deus!
1.1. No centro do encontro, está, é claro, uma criança, apresentada e oferecida ao Senhor! Aqui se percebe a luz da vida, como um dom que se transmite e se recebe de Deus, para se tornar um dom que se partilha e oferece, aos demais! Aqui, ao Templo, Jesus voltará, muitas vezes, para se ocupar das coisas do Pai! A criança é aqui o símbolo de uma comunidade, que se renova constantemente, com o dom de novos filhos! 
1.2. Esta criança é apresentada pelos seus pais, por Maria e José. Exteriormente cumprem uma tradição, uma prescrição da lei. Mas interiormente, e na realidade, vêm, da sua casa e da sua família, à Casa de Deus, ao encontro do seu Povo fiel! Maria e José testemunham, assim, diante da comunidade, a necessidade e o valor inestimável de uma família espiritual, para o crescimento integral do seu Filho, em estatura, sabedoria e graça!
1.3. Para além da criança e dos pais, estão também presentes dois anciãos, Simeão e Ana. Fazem parte de um pequeno resto do Povo, que alimentava a esperança do Messias e esperava a consolação de Israel. Movidos pelo Espírito, servem a Deus, na oração. E na oração, exercitam e tornam-se portadores da esperança no Salvador!
Neste preciso e precioso contexto, tão familiar como comunitário, tão humano como religioso, neste perfeito encontro inter-geracional, faz-se luz, e começa a missão! Isto é, tem lugar, neste episódio, um exemplo luminoso da boa recepção e da necessária transmissão da luz de Cristo aos outros, precisamente através do diálogo inter-geracional, em família!
2. Queridos irmãos e irmãs: neste dia da Candelária, a Igreja tem o hábito tão belo, de nos fazer levar velas, na mão, como sinal e testemunho da luz de Cristo, que se faz missão, na sua transmissão aos outros! “Por conseguinte, quem é que hoje, tendo a sua vela acesa na mão, não se lembrará do bem-aventurado Simeão? Nesse dia, Ele tomou Jesus nos braços, o Verbo presente na carne, como a luz na cera, testemunhando que Ele era «a Luz para se revelar às nações». Mas o próprio Simeão era já «uma luz ardente e brilhante», que prestava homenagem à luz (Jo 5, 35; 1, 7). Foi por isso que ele veio ao Templo, conduzido pelo Espírito, do qual estava repleto, para proclamar que Ele era a luz do Seu povo”(B. Guerric d'Igny )!
3. A vela na mão reportar-nos-á, obviamente, ao próprio baptismo. De fato, entregando a cada um, a vela acesa no círio pascal, a Igreja afirma: "Recebe a luz de Cristo!". Deste modo, os pais são associados ao mistério da nova vida dos seus filhos, que se tornaram filhos de Deus. A família cristã é, por excelência, o lugar do primeiro anúncio da fé aos filhos (Compêndio do CIC, 350). E, no seio da família cristã, «os pais são os primeiros anunciadores da fé». Mas não só os pais; também os anciãos e os avós, os irmãos, os padrinhos, toda a família!
4. Em Ano de Missão, esta Festa da Apresentação, lembra-nos então a graça e o dever de ter e manter na mão, as lâmpadas acesas, da fé e da missão! «Tende na mão as vossas lâmpadas acesas» (Lc 12, 35). “Mostremos assim, através deste sinal visível, a alegria que partilhamos, com Simeão, que tem nas mãos a luz do mundo. Sejamos ardentes, pela nossa devoção e luminosos pelas nossas obras, e, com Simeão, levaremos Cristo em nossas mãos, a todos os outros (B. Guerric d'Igny) Da luz recebida de Cristo, dêmos luz aos outros (cf. Spe Salvi, 40)! É uma missão, que se faz por transmissão, dos anciãos, dos avós, dos pais, das crianças, de todos afinal, e que começa precisamente na família e a partir dela!
5. E como é que a família transmite a fé? De modo muito simples: Basicamente, pelo testemunho constante do amor conjugal dos pais e pelo amor familiar, vivido entre todos, sem exclusão dos mais velhos. À família compete ensinar, de modo simples, breve e claro, as verdades essenciais e mais simples da fé! Mas tais ensinamentos, só serão acolhidos com maior docilidade, se forem confirmados pela autenticidade dos exemplos de uma vida cristã coerente. Isso supõe que os pais ensinam os seus filhos a rezar e rezam com eles; que os pais aproximam os filhos dos sacramentos, e se aproximam com eles; que os pais introduzem pouco a pouco os seus filhos na vida da Igreja, acompanhando-os e comprometendo-se com eles, nos diversos serviços e encargos da comunidade cristã.
Aprendamos de Maria, de José, de Simeão e a Ana, em família, e a partir dela, a transmitir a luz da fé, como dom continuamente a redescobrir, a cultivar e a testemunhar!
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FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR

Quarenta dias depois do natal, no dia dois de fevereiro, a Igreja celebra a festa da Apresentação do Senhor. Na Igreja de rito oriental, é também conhecida como festa do Encontro e/ou dos encontros.
Para melhor compreendermos e sermos introduzidos nesse mistério, é necessário questionarmo-nos em relação ao significado dessa apresentação e desse encontro. Quem é apresentado? Com quem devemos nos encontrar? Tanto o sentido da apresentação, como o do encontro nos impulsiona e convida, a fazermos uma experiência com o Deus que por amor a nós, se inclina e misericordiosamente manifesta a sua grandeza no seu Verbo que ao se encarnar, apresenta-se com luz para dissipar as trevas do nosso erro e do nosso engano.
Esse encontro, é encontro de Deus com seu povo, encontro com a Mãe de Deus, com José, com Simeão e Ana, e certamente com o Menino. Com todos eles nos encontramos e contemplamos as promessas de Deus que se revelarão nas profecias que acompanharão esse momento.
A festa da Apresentação do Senhor aponta para o seu doce abaixar-se, isto é, depois dos quarenta dias do seu nascimento, o Verbo Eterno, Senhor das coisas visíveis e invisíveis, se coloca submisso à Lei (cf. Gl 4,4) sendo apresentado pelos seus pais para que assim à Lei se cumprisse. O Varão primogênito, é apresentado a Deus, segundo a própria descrição da Lei, que descreve que “todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor” .
Eis aqui a grandeza e a beleza dessa festa, Jesus, o Verbo de Deus entregue por nós, para nossa salvação, se deixa conduzir pela primeira vez ao Templo, onde também pela primeira vez é apresentado pelo velho Simeão, como luz para as nações, como sinal que traria a esperança para toda a humanidade.
Na narração bíblica (Lc 2,22-40), o autor sagrado descreve a Apresentação do Senhor destacando como vimos acima, personagens que compõe o ícone da manifestação da Boa Nova messiânica. São eles, portadores de uma nova alegria e de uma nova esperança, que trarão para todos nós a certeza de uma vida nova.
A festa da Apresentação do Senhor é também sinal do encontro daqueles que foram separados, consagrados, para serem sinais da alegria que jamais passará. Eis para nós cristãos, o sentido dessa festa, dessa manifestação: o encontro da Glória de Deus, pelo Verbo, com o nosso nada. E é a partir desse encontro que Ele deseja nos recriar no seu amor.
O sentido real do encontro destaca-se principalmente pela força das experiências que foram vivenciadas a partir da manifestação do Verbo. Podemos destacar assim a experiência concreta da obediência de José e de Maria, que se deixam esvaziar cumprindo em tudo a Lei do Senhor, conduzindo o Menino para ser apresentado como consagrado do Pai, O CRISTO, primogênito da nova criação. Podemos destacar também a docilidade e atenção do velho Simeão e da profetiza Ana, que atentos aos sinais dos tempos, profetizam os acontecimentos que estariam por vir. Em maior profundidade destaca-se a experiência da Santíssima Virgem, que sendo aquela que carregou em si o mistério, é também a obediente, que apresenta seu Filho ao Pai, como oferta incondicional. Ela é mãe d’Aquele que é manifestado como a Glória de Israel e Luz que iluminará as nações. A sua fé nos introduz no mistério que se encarna na historia da salvação, que não se detém somente na encarnação, mas se consumará na sua união à oferta amorosa do seu Filho na sua morte e ressurreição; este é o sinal profético nas palavras de Simeão (cf. Lc. 2,34-35). Assim o Menino é ofertado a Deus como verdadeiro Cordeiro, que veio para redimir o pecado do mundo.
O que essa festa traz para nós como experiência concreta? Antes de tudo, a necessidade urgente de nos unir ao Pai, pelo Verbo, com todo nosso coração e nossa vida, reconhecendo Nele o autor da nova criação. Essa necessidade se concretiza na vivência radical do nosso batismo, a nossa consagração primeira, que nos marca de forma indelével, tornando-nos um povo separado, consagrado para o nosso Deus.
Nesta festa da Apresentação do Senhor, a Igreja celebra igualmente o dia da vida consagrada, ocasião oportuna para rendermos a Deus o louvor e agradecê-lo pelo dom inestimável da consagração, que é para todos os batizados e, de forma especial, para aqueles que receberam um chamado de viver em suas vidas uma união intima com o Senhor através de uma vocação ou carisma específico. Sendo assim, sinal de comunhão e de colaboração com a manifestação do Reino de Deus.
Livandro Monteiro
Assessoria Litúrgico-sacramental


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Festa da Apresentação do Menino Jesus no Templo
e Purificação de Nossa Senhora.

         O Evangelho de São Lucas narra que, depois do nascimento de Nosso Senhor e decorrido o prazo que a Lei mosaica estabelecia para a purificação das mulheres que davam à luz, Nossa Senhora e São José levaram o Menino Jesus ao Templo para O apresentarem a Deus, conforme também prescrito na Lei.
Na ocasião, Maria Santíssima ofereceu ao Senhor o sacrifício ritual de dois pombinhos, estabelecido para a purificação de mulheres pobres. Jesus e Maria não estavam sujeitos à Lei, mas quiseram observá-la por amor à humildade e para nos dar o exemplo.

A data de hoje comemora-se a festa do cumprimento, por Maria e José, de um preceito hebraico. Quarenta dias após dar à luz, a mãe deveria passar por um ritual de "purificação" e apresentar o filho ao Senhor, no templo. Desde o século quatro essa festa era chamada de "Purificação de Maria".

Com a reforma litúrgica de 1960, passou-se a valorizar o sentido da "apresentação", oferta de Jesus ao Pai. A data passou a ser lembrada então como a "Festa da Apresentação do Senhor".

No templo, a família foi recebida pelo profeta Simeão e pela profetiza Ana, num encontro descrito por São Lucas no seu evangelho, da seguinte maneira:

"Assim que se completaram os dias da purificação conforme a Lei de Moisés, levaram o Menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, segundo está escrito na Lei do Senhor, que "todo varão primogênito será consagrado ao Senhor" e para oferecerem em sacrifício, segundo o que está prescrito na Lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.

Havia em Jerusalém um homem justo chamado Simeão, muito piedoso, que esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Pelo Espírito Santo foi-lhe revelado que não veria a morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, veio ele ao templo e, ao entrarem os pais com o Menino Jesus, também ele tomou-o em seus braços, bendizendo a Deus, e disse: "Agora, Senhor, já podes deixar teu servo morrer em paz segundo a tua palavra, porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste ante a face de todos os povos, luz para iluminação das gentes e para a glória do teu povo, Israel".
José e Maria estavam maravilhados com as coisas que se diziam de Jesus. Simeão os abençoou e disse a Maria, sua Mãe: "Este Menino será um sinal de contradição, para ruína e salvação de muitos em Israel; e uma espada atravessará a tua alma para que se descubram os pensamentos de muitos corações". (Lc 2,22-35).

Ambos, Simeão e Ana, reconheceram em Jesus o esperado Messias e profetizaram o sofrimento e a glória que viriam para Ele e a família. É na tradição dessa profecia que se baseia também a outra festa comemorada nesta data, a de Nossa Senhora da Candelária, ou da Luz, ou ainda dos Navegantes.

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A APRESENTAÇÃO DO SENHOR


Quarenta dias após o nascimento de Jesus a igreja celebra a apresentação de Jesus no templo.
Jesus é levado por seus pais, José e Maria ao templo para ser apresentado conforme o a Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”.
Quando chegaram ao templo levaram Jesus a um homem chamado Simeão, justo e piedoso esperava a consolação do povo de Israel. Pelo Espírito Santo foi-lhe revelado que não morreria sem antes ver o Salvador que viria de Deus. Quando Simeão viu o menino, tomou-o nos braços e bendisse a Deus.
Agora Senhor, deixa teu servo ir em paz, pois meus olhos viram a salvação que preparastes para os povos:, luz para as nações e glória do teu povo Israel.
Simeão os abençoou e disse a Maria: “Este menino será a causa da queda e do reerguimento para muitos em Israel. Ele será sinal de contradição, serão revelados os pensamentos de muitos corações, quanto a Ti Maria, uma espada transpassará seu coração!”

Embora esta festa de 2 de fevereiro caia fora do tempo de natal, é parte integrante do relato de natal. É uma faísca do natal, é uma epifania do quadragésimo dia. Natal, epifania, apresentação do Senhor são três painéis de um tríptico litúrgico.
É uma festa antiqüíssima de origem oriental. A Igreja de Jerusalém já a celebrava no século IV. Era celebrada aos quarenta dias da festa da epifania, em 14 de fevereiro. A peregrina Eteria, que conta isto em seu famoso diário, acrescenta o interessante comentário de que se "celebrava com a maior alegria, como se fosse páscoa"'. De Jerusalém, a festa se propagou para outras igrejas do Oriente e do Ocidente. No século VII, se não antes, havia sido introduzida em Roma. A procissão com velas se associou a esta festa. A Igreja romana celebrava a festa quarenta dias depois do natal. Entre as igrejas orientais esta festa era conhecida como "A festa do Encontro" (em grego, Hypapante), nome muito significativo e expressivo, que destaca um aspecto fundamental da festa: o encontro do Ungido de Deus com seu povo.
São Lucas narra o fato no capítulo 2 de seu evangelho.
Obedecendo à lei mosaica, os pais de Jesus o levaram ao templo quarenta dias depois de seu nascimento para apresentá-lo ao Senhor e fazer uma oferenda por ele. No calendário romano, revisado em 1969, o nome foi mudado para "A Apresentação do Senhor". Esta é uma indicação mais verdadeira da natureza e do objeto da festa. Entretanto, isso não quer dizer que subestimemos o papel importantíssimo de Maria nos acontecimentos que celebramos. Os mistérios de Cristo e de sua mãe estão estreitamente ligados, de maneira que nos encontramos aqui com uma espécie de celebração dupla, uma festa de Cristo e de Maria. A bênção das velas antes da missa e a procissão com as velas acesas são características chocantes da celebração atual. O missal romano manteve estes costumes, oferecendo duas formas alternativas de procissão. é adequado que, neste dia, ao escutar o cântico de Simeão no evangelho (Lc 2,22-40), aclamemos a Cristo como "luz para iluminar às nações e para dar glória a teu povo, Israel".
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PREPARANDO A PARTILHA DA PALAVRA
A festa da Apresentação do Senhor que hoje celebramos, após quarenta dias do Natal, tem caráter  de manifestação - “epifania”-: faz parte dos acontecimentos que revelam o Senhor como Messias e atingem sua completa e decisiva manifestação na cruz. Esta festa, de certa forma, encerra as festas natalinas e nos abre o caminho rumo à Páscoa. Simeão e Ana, adiantados na idade e mantendo viva a esperança, se unem para anunciar a notícia da vinda do Senhor, Luz para iluminar as nações e glória do seu povo fiel. A devoção popular dedicou esta festa a Maria e, em alguns lugares do Brasil
é celebrada como festa de Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora de Belém, Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Luz. De fato, com a entrada de Jesus no mundo, nova luz resplandeceu para nós e o mundo transformou-se em templo, habitação de Deus. Em Jesus brilhou para toda a humanidade o verdadeiro sentido da vida, de pertencer a Deus e de sermos filhos e filhas da luz. E quem levou o Menino para o templo foi Maria. Ela é a porta de entrada de Jesus, nossa Luz ao mundo. Ela também estará de pé, junto à cruz, num gesto corajoso de oferenda do Filho, assumindo o transpassar da espada em seu coração. Por isso, somos convidados neste dia a
entrar no templo, ou seja, irmos ao encontro do Senhor, com as velas de nossa fé bem acesas, reconhecendo-O como Cristo, “a luz que vem se revelar às nações” como fez, alegre e agradecido, o velho Simeão. E, como Maria, fazer a oferenda de nossa vida, com Cristo, por Cristo e em Cristo ao Pai. Seguindo esta luz, vivamos como filhos e filhas da luz, levando a todas as pessoas a luz de Cristo. Cabe, pois, a nós acolher o Senhor na Liturgia e na vida, com nossas atitudes e ações, como lâmpadas vivas e ardentes, sendo fiéis ao que cantamos. “Sim, eu quero que a luz de Deus que um dia em mim brilhou, jamais se esconda e não se apague em mim o seu fulgor. Sim, eu quero que o
meu amor ajude o meu irmão a caminhar guiado por tua mão, em tua lei, em tua luz, Senhor!”
Fonte: Diocese de Colatina ES

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Festa da Apresentação do Senhor no Templo


Hoje é dia da festa da Apresentação do Senhor no templo. O rito de purificação era imposto à mãe enquanto a criança devia ser resgatada. A apresentação da criança ao templo era possível porque todo primogênito pertencia a Deus, Portanto, Maria e José cumprem a lei, quando completados os dias da purificação materna, apresentam o Menino Jesus no templo e, como doação dos pobres, eles oferecem dois pombinhos.
A Apresentação do Senhor, segundo a narrativa de Lucas, é envolvida pelos temas da alegria e da luz. Simeão bendiz a Deus com o Menino nos braços e o chama de "luz para as nações", Ana agradece a Deus.
A Igreja repete, na Liturgia de hoje, o cântico alegre de Simeão, que é o canto da iluminação dos povos, através da pessoa divina de Jesus e sua obra da salvação universal. A luz simboliza a manifestação de Cristo que revela seu mistério a todos. Por isso, se faz a bênção e a procissão das velas, corresponde à luz da fé que Deus em nós infundiu, desde nosso Batismo. Ela cresce na medida de nossa abertura e compromisso com a ação da graça. A festa é identificada também com os títulos de Nossa Senhora da Luz, das Candeias, Lampadosa e Candelária. É o reconhecimento de que Maria deu a luz a Jesus, a "luz verdadeira de todo homem que vem a este mundo".


Ouça o Santo do Dia na voz de Dom Edson de Castro Homem




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