.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*-7ºdom.Tempo.Comum(ap.Epifania)-23 fev. 2014
Sol e chuva sobre bons e maus

[1] Vós sois deuses, filhos do Altíssimo (e sois mortais...) (cf Sl 82).
·                     Todas as religiões propõe a adoração de de Deus, além de rituais e cultos prestados ao “Sagrado”. No cristianismo o autor da Carta aos Hebreus escreveu: Nos tempos antigos – muitas vezes e de muitos modos – Deus falou aos antepassados por meio de profetas. Mas, finalmente falou-nos por meio do Filho que é irradiação da sua glória e expressão exata de sua substância (cf. Hb 1,1.3). E o que ele falou?
·                     Israel encontrou na Santidade de Deus a razão para obedecer aos mandamentos, como hoje se lê (Levítico 19) “sede santos porque Eu sou Santo” . Onde se acrescenta que – por isso – cada membro do povo deve amar seu próximo (naquele contexto, com objetivo de manter um povo unido, outros não são incluídos como, por exemplo, o estrangeiro – “Não procures vingança nem guardes rancor dos teus compatriotas. Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Mas, Jesus de Nazaré pede o impossível, uma verdadeira utopia (utopia é algo que não acontece em lugar algum e que, no entanto, é dinamismo que nos move para o modelo ideal): “Sede perfeitos como vosso Pai é perfeito” (Mt 5, 48). Leituras: Lv 19,1-2.17-18 (.9-18) ; 1Cor 3,16-24 (10-11.16-23); Mt 5,38-48

[2] Amigo e inimigo: é “tudo igual”?
·                     A proposta inclui aquele paradoxo (=aparente contradição) de amar até os inimigos. É bom lembrar que, ao seguir o convite feito pelo Mestre de Nazaré, nossos inimigos não deixam de ser... inimigos! O inimigo continua sendo alguém de quem podemos esperar o mal contra nós. É normal que não tenhamos sentimentos de afeto ou carinho e simpatia para com o inimigo. Amar o inimigo  é não “por mais lenha na fogueira”, isto é, não aumentar a violência e o ódio que nascem do desejo de vingança. Mais do que deixar de fazer o mal ao inimigo é estar disposto até a fazer o bem se houver necessidade. Se possível deve-se pagar o mal com o bem como sugere Paulo (cf. Romanos 12,21). É natural, espontâneo, que sintamos sede de vingança quando feridos ou humilhados. Às vezes nem conseguimos perdoar, como Cristo na cruz, intercedendo pelos inimigos. Deus é o único capaz de nos perdoar – até mesmo quando não conseguimos perdoar. É o que pedimos no Pai Nosso (“perdoai-nos”) ao reconhecer que também temos de “zerar” a dívida de outros junto a nós. Só assim somos coerentes com a Fé cristã, sabendo que o Cristo é o único que assumiu “pagar” por todos. A isso damos o nome de Mistério da Redenção: Este é o meu sangue derramado por muitos para remissão dos pecados (cf Mt 26,28).
·                     O contrário disso é o enorme descaminho (desvio ou heresia) da pregação – repetida em muitos canais de televisão – contaminada pelo vírus da “teologia da reciprocidade ou da equivalência” entre os membros que se associam e até entre Deus e os seres humanos. A fé fica reduzida a um empreendimento, ainda que religioso, ou à “troca” de presentes entre céu e terra. Porém o núcleo da mensagem (evangelho) é reconhecer que [1] só Deus é bom (cf. Lc 18,19); [2] que tudo é dom e graça de sua bondade; [3] só por este Dom somos capazes de amar como ele amou (cf. João 15,12).

[3] O “sermão da montanha” é o “diferencial” do cristianismo
·                     A única forma de mostrar ao mundo “uma outra face” (que ele não conhecia) é aceitar esse desafio dentro paradoxo. De fato, a cultura predominante nos leva a agir apenas pela reação imediata e praticamente ‘biológica’ da vingança. Ou pelo hábito histórico (‘econômico’) da sociedade do dinheiro, onde tudo tem um preço, onde as pessoas acostumam-se ao “toma-lá-dá-cá”, que até invadiu o terreno da política, correndo a ética.
Pelo sangue de Deus que corre nas veias do homem e da mulher de Fé, há quem entrega o agasalho e também a camisa; há quem ande não apenas um mas dois kilômetros com o outro; há quem escuta pedidos e não se esquiva de emprestar a quem precisa...(cf. hoje: Mateus 5, 38-48). A originalidade do amor cristão (=que vem de Cristo) é ser como Deus: aquele que toma a iniciativa do dom, que constrói comunhão. Não por reação mas promovendo o que é bom. No cristianismo deveríamos não só renunciar ao apego exclusivo ao círculo dos que nos amam: o Mestre dizia que isso também fazem os que não creem. O próximo é aquele de quem nos aproximamos, conforme ele mostrou com a parábola do samaritano.

ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com


Nenhum comentário:

Postar um comentário