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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

SAL DA TERRA

5º DOMINGO TEMPO COMUM

Ano A

Dia 09 de fevereiro de 2014

Você também é sal da terra e luz do mundo!

Evangelho - Mt 5,13-16

O SAL DA TERRA - José Salviano



            Prezados irmãos, prezadas irmãs.  Neste Evangelho, Jesus nos compara com o tempero que se coloca na comida, ou seja, o sal. Todos sabemos, que uma comida totalmente sem sal, não tem gosto de nada.   Continua...

 

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“VÓS SOIS O SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO!” - Olívia Coutinho


V DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 09 de Fevereiro de 2014

Evangelho 5,13-16

 Jesus nos convida a fazermos diferença no mundo, buscando como prioridade os valores do Reino, sobre os quais construiremos  os pilares que nos darão sustentação  durante  a  nossa trajetória  terrena!  Somos chamados a dar um sentido novo à nossa existência, a sermos  protagonistas de uma  historia de amor que nunca terá fim.  E para sermos  personagens reais   desta história, Jesus nos faz uma única exigência: a conversão do nosso coração. À conversão nos abre à luz de Cristo, nos tira da escuridão, nos faz não somente enxergar, como também, desmascarar os projetos que mantém nos à sombra da injustiça.
Iluminados pela luz de Cristo tornamos luz peregrina a tirar da escuridão  muitos corações sombrios!
Não nascemos do acaso, somos frutos do amor de Deus plantados aqui na terra para  produzir frutos, e  só iremos produzir frutos, se estivermos ligados a Jesus, Jesus  é a seiva que irriga todo o nosso ser, que nos transforma em fonte de luz no mundo!
Se o mal está ganhando força no mundo, é porque não deixamos aflorar  o bem plantado por Deus em nossos corações!
Jesus veio mudar o rumo da nossa história, veio nos libertar de nossas próprias prisões, com Ele, a nossa vida ganha brilho e sabor!
O evangelho deste domingo nos convida  a refletir  sobre a importância de darmos testemunho de Jesus no mundo deixando a sua luz brilhar em nós!
“Vós sois o sal da terra e a luz do mundo.” Com esta afirmação, Jesus sintetiza o caráter da nossa missão e nos oferece diretrizes bastante precisas e importantes para a nossa caminhada missionária.
Através de uma pequena metáfora, Jesus nos diz algo muito significativo, nos chama à responsabilidade de discípulo do Reino. “Vós sois o sal da terra.” Ser sal da terra, significa ser uma presença discreta e ao mesmo tempo essencial no meio que vivemos. O sal, não aparece, mas  é imprescindível no nosso cotidiano, é ele que dá o sabor ao nosso  alimento.
Como continuadores da presença viva de Jesus no mundo, precisamos estar no ponto certo: nem  sem sal, nem salgado demais.
Quando nos omitimos diante às injustiças numa postura de meros espectadores dos acontecimentos, tornamos pessoas sem sal, ou seja, pessoas passivas, indiferentes.  Por outro lado, quando queremos  impor os nossos pontos de vista, considerando-nos donos da verdade, sem levar em conta  a opinião do outro, tornamos salgados demais, chegando ao ponto  da nossa presença ser insuportável.
“Vós sois a luz do mundo.” Ser luz no mundo, é dar testemunho da verdade que liberta, que  é Jesus! Diante da luz, as trevas não têm vez, pois a luz revela a verdade das coisas tal como elas são. Sem a luz, nada se vê, a vida fica sem cor!
Em muitas situações, ser luz, pode implicar grandes riscos, porém, o pior risco, é não aceitar o desafio de ser luz, o que pode nos condenar à pior de todas as trevas: estar longe de Jesus!
 Jesus não nos pede para ser sal da terra e nem luz do mundo, Ele Afirma que o somos: “Vós sois o sal da terra, a luz do mundo!”Portanto, deixemos brilhar a luz de Deus em nós,  sendo sabor na vida que não tem gosto, e luz onde as trevas insistem em predominar.
Será que a nossa presença, dá sabor de Deus na vida do outro? Ou será que estamos salgados demais? Estamos irradiando a luz de Deus que  brilha em nós, por onde passamos?  Ou estamos sendo luz apagada, ou forte demais (aparecidos) ofuscando os olhos do outro?

Agradeço de coração os comentários deixados pelos leitores. Seus comentários  me dão força e ânimo   para continuar nesta missão.

FIQUE NA PAZ DE JESUS!- Olívia
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Hoje, no Evangelho, escutamos umas frases de Jesus que nos são velhas conhecidas, tão velhas, que riscam não significar muita coisa: “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” – diz-nos o Senhor! Pois bem, com unção e humildade, como se escutássemos pela primeira vez, escutemos, procuremos compreender e acolhamos essas afirmações, para encontrarmos nelas a Vida e vivermos de verdade!
“Vós sois o sal da terra!” O sal, na Escritura, aparece como o elemento que dá sabor, purifica e conserva, tornando perenes e duradouros os alimentos... Daí a expressão “aliança de sal”, isto é, “uma aliança perene aos olhos do Senhor” (Nm. 18,19). Por causa dessa pureza e perenidade, é que Israel deveria ajuntar o sal a toda oferta que fizesse ao Senhor Deus: “Salgarás toda a oblação que ofereceres, e não deixarás de pôr na tua oblação sal da aliança de teu Deus; a toda a oferenda juntarás uma oferenda de sal a teu Deus” (Lv. 2,13). Pois bem, irmãos caríssimos, vós sois o sal que dá sabor, pureza e conservação ao mundo diante de Deus! Sois a pitadinha de sal que torna o mundo uma oferenda agradável e aceitável ao Senhor! Sois tão pequenos, tão poucos, tão frágeis, tão impotentes, tão tolos! Lembrai-vos da leitura do Domingo passado: “Entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana nem muitos poderosos nem muitos nobres... Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que o mundo considera sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para, assim, mostrar a inutilidade do que é considerado importante... É graças a ele que vós sois em Cristo..” (1Cor. 1,26-31). Sim, sois essa pitadinha de nada, esse tico desprezível de sal.. E, no entanto, sois o sabor, a purificação, a conservação da aliança entre Deus e o mundo! Sois, em Cristo Jesus, o povo sacerdotal! Por isso, a nós, o Senhor ordena: “Tende sal em vós mesmos” (Mc. 9,50); em outras palavras: uni-vos a mim, ao meu sacerdócio, à minha vida entregue ao Pai como amor que se entrega para a vida do mundo! Lembremo-nos do conselho de são Paulo: “Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: esse é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm. 12,1-2). Era este o significado daquela pitadinha de sal que o sacerdote colocou nos nossos lábios no momento do nosso batismo, quando nos tornamos membros do povo da aliança, povo sacerdotal. Colocando-nos o sal, ele recordou as palavras de Jesus: “Vós sois o sal da terra!” No entanto, não nos iludamos: somente seremos sal, se permanecermos unidos a Cristo! Sem ele, seremos insípidos, seremos como o mundo, sem sabor e para nada serviremos, “senão para sermos jogados fora e pisados pelos homens”.
“Vós sois a luz do mundo!” – Que afirmação impressionante! Um só é a luz: Aquele que disse de si próprio: “Eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12). Como pode, então, dizer agora que nós somos luz? Escutemos: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida!” (Jo 8,12). Eis: se em Cristo – e somente nele – somos sal da aliança selada na cruz, também somente na sua luz, seguindo seus passos, tornamo-nos luz. É isso que nos afirma o Apóstolo: “Outrora éreis treva! Agora, sois luz no Senhor! Andai como filhos da luz!” (Ef 5,8). Por nós mesmos não somos sal, mas insípidos; por nós mesmos não somos luz, mas trevas tenebrosas! Mas, em Cristo, damos sabor ao mundo e somos reflexos da luz do Senhor! Não somos luz, mas iluminados pela luz de Cristo, refletiremos a luz sobre o mundo tenebroso, como a lua que, sem ter luz própria, mas iluminada pela luz do sol, ilumina de modo belíssimo a noite escura...
Portanto tenhamos cuidado: somente seremos sal se nos deixarmos salgar pelo Senhor no cadinho da provação e da participação na sua cruz; somente seremos luz se nos deixarmos iluminar pela luz fulgurante que brota da sua cruz! Que o cristão não busque outro sal ou outra luz, a não ser o Cristo e Cristo na sua humildade, na sua pobreza, no seu serviço, na sua disponibilidade total em relação ao Pai: “Não julguei saber coisa alguma entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado!” Aquilo que passa da cruz do Senhor, que foge da cruz do Senhor, que procura outro caminho e outra lógica, que não a da cruz que conduz à ressurreição, não salga e não ilumina! Então, que brilhe a luz de Cristo em nossa vida e em nossas obras! Que o nosso modo de viver dê novo sabor a este mundo tão insosso pelo pecado – vede no carnaval: quanta treva, quanta insipidez, quanto velho gosto da velha podridão do velho pecado! Se no nosso modo de viver formos sal e luz, cumprir-se-á em nós a palavra do Profeta: “Então, brilhará tua luz como a aurora e a glória do Senhor te seguirá!”
Eis a nossa missão, eis a nossa vocação, eis a ordem que o Senhor nos dá! Agora, compete a nós! Como nos perguntava Paul Claudel, poeta francês, convertido a Cristo na metade do século XX: “Ó vós, cristãos, que tendes a luz, que fazeis com essa luz?” Ó irmãos, ó irmãs! “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus!” Que o Senhor no-lo conceda por sua graça.
dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com
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As leituras de hoje têm como tema central a justiça de Deus, expressada plenamente no amor misericordioso para com o próximo. O relato lido do profeta Isaías situa-se no contexto do jejum, onde se realiza uma forte crítica ao povo de Israel por suas práticas religiosas desarticuladas da fé e da justiça para com os pobres.
O profeta chama a realizar o verdadeiro culto a Javé, ligado intimamente com a justiça e a misericórdia. As diferentes práticas religiosas deve sair do coração e devem dar o fruto de uma verdadeira justiça social, concretizada na partilha do pão para com o faminto, na solidariedade com os que sofrem, na preocupação visceral com os irmãos pobres, pois neles, no abatidos, nos mal vistos, é onde o mesmo Deus se revela; é neles que a luz de Deus se faz presente; é neles que o Deus de Israel verdadeiramente habita.
Em relação com o anterior, Paulo expressa aos coríntios que o mistério de Deus, anunciado por ele, não se fundamenta na sabedoria humana, mas no mesmo Senhor crucificado, o qual significa que é Deus quem agiu em Paulo e na comunidade. É relevante que Paulo se refira à cruz de Cristo como o elemento essencial de sua pregação.
Com esse elemento quer tornar presente o verdadeiro rosto de Deus que se revela, não aos sábios nem aos poderosos, mas aos que estão em situação de risco na sociedade. Daí que o anuncio da Palavra transformadora de Deus não pertença ao mundo da sabedoria humana, mas à força salvadora do Espírito de Deus.
Isto significa que a fé e seu devido comportamento moral, sintetizado na justiça e na misericórdia, seja uma iniciativa exclusiva de Deus, uma ação libertadora que penetra no coração do ser humano e que o impele a agir de uma maneira coerente com a Palavra escutada. Portanto, o anúncio do mistério de Deus, realizado por Paulo à comunidade grega de Corinto, é sua própria experiência de Cristo. O que realmente anuncia é a vivencia dessa mensagem.
O evangelho de Mateus, expressa a missão dos crentes de todos os tempos: ser sal e luz para o mundo. Tanto o sal como a luz são elementos necessários na vida cotidiana das famílias. O sal dá sabor aos alimentos, conserva-os, purifica. Na antiga Palestina o sal servia para acender e manter o fogo dos fornos de terra.
Por sua parte, como é sabido, a luz dissipa as trevas, ilumina e orienta as pessoas. É a metáfora perfeita empregada pelo AT para referir-se a Deus. É a tarefa dos profetas e, em especial, a do Messias: ser luz das nações (Is. 42,6). Sal e luz, então, falam da tarefa do seguidor fiel de Jesus que tem como missão expressar a fé, sua integração ao projeto de Deus através do testemunho de vida através das boas obras, dos bons frutos.
O seguidor tem ainda a missão de manter o sabor e a luminosidade da Palavra de Deus em todo tempo e lugar do mundo, tarefa que unicamente se consegue por meio de uma consciência plena da necessidade de fomentar, na comunidade mundial, a justiça e a solidariedade entre os irmãos.
E quando a Igreja não é “luz do mundo”, mas que também manifesta sua obscuridade, o pecado de seus fiéis e até de seus sacerdotes e bispos, e a falta de renovação para ser sal da terra?
Também é preciso questionar-se a respeito disso. Porque a frase do evangelho não é uma declaração dogmática que nos torne imunes ao mal. O mal e o pecado também adentram em nossas vidas, e na do coletivo eclesial. Às vezes falta-nos coragem para ver, para reconhecer e combater o pecado em nosso meio.
É um dever combater o mal, também quando o vemos dentro de nossa Igreja. Não manifesta amor o que cala. Certamente que a denuncia do mal da Igreja tem que ser por amor, porém um amor provavelmente conflitivo, que encontrará resistências. Porém, o amor não é capaz de calar de forma cúmplice, quando se sente na obrigação de combater o mal, precisamente por amor.
www.claretianos.com.br

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“Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou,
pois Ele é o nosso Deus”. (cf. Sl. 94,6s).
O Evangelho deste domingo (cf. Mt. 5,13-16) é uma continuação do Sermão da Montanha, conforme Mateus, declarando que os que escutam e aceitam a Palavra de Jesus Cristo são sal da terra e a luz do mundo. Os autênticos e verdadeiros discípulos dão cor e sabor a este mundo. Mas, quando perdem estas qualidades, também não prestam para mais nada.
A primeira leitura (cf. Is. 58,7-10) oferece um exemplo daquilo que os ouvintes de Jesus, acostumados aos textos do Antigo Testamento, ouviam ressoar nos seus ouvidos ao escutarem tais explicações: “Quando repartes teu pão com o faminto e concedes hospedagem ao pobre, então, tua luz surge como a aurora, tua justiça caminha diante de ti... Se expulsas de tua casa a opressão e sacias o oprimido, então surge tua luz nas trevas e tua escuridão resplandece como o pleno dia” (cf. Is. 58, 6a.7-10).
A Primeira Leitura apresenta o povo de Israel retornando do Exílio, mas a reconstrução da pátria não deslancha. Todo o jejum e a penitência parecem servir para nada. Aí, o terceiro Isaías aponta a raiz do problema: é impossível o verdadeiro bem, enquanto não se observam os mandamentos fundamentais da justiça e do amor. Sem isso, os pios exercícios não louvam a Deus. Sem isso, não pode haver diálogo com Deus.
Assim poderíamos perguntar o que dá sabor e cor à vida? Não é, de maneira alguma, como muitos pensam, o prazer, a ostentação, o luxo; nem mesmo o progresso ou a erudição intelectual; nem mesmo a arte, a música e, muito menos a filosofia. O que oferece cor à vida é ocupar-se dos pobres, dos pequenos, dos lascados. Para os sábios deste mundo, Jesus tem um grande mau gosto! Para Jesus, dar cor e sabor a vida é ocupar-se com o fraco, o impotente, que aos olhos de Deus vale tanto e mais do que o forte. O pequeno, que merece atenção maior, porque não sabe se defender. Uma boa mãe não dedica atenção especial aos filhos mais fracos e desvalidos? Dar cor e sabor a vida não é eliminar o que é fraco, mas abrir espaço para todos os seres queridos por Deus.
As bem-aventuranças são a estrada a caminhar, ou o campo a cultivar. O ser sal, luz, sinal – as três imagens do Evangelho de hoje – são as conseqüências quase diria, são a colheita de quem plantou no campo das bem-aventuranças. Para ser sal ou um sinal é preciso antes termos assimilado, encarnado as bem-aventuranças.
Três imagens permeam a liturgia de hoje: O SER SAL, LUZ E SINAL. Não são símbolos novos para a vida do judeu. O sal era usado no culto (cf. Lv. 2,13). A luz perpassa a Sagrada Escritura como “vestimenta de Deus” e era o símbolo da presença do Senhor. Com os três sinais, Deus mostra uma bela pintura em que está colocada o retrato da pessoa perfeita como o Pai do Céu.
O sal nos recorda três qualidades essenciais para a vida do cristão: a primeira qualidade é a pureza. O sal como que nasce do mar e do sol, dois elementos puros, que se impõem por si mesmos. O tema da pureza esta em toda a Sagrada Escritura: pureza de intenções, pureza de ações, pureza de culto. A criatura perfeita tem uma palavra só: a sinceridade amanhece e anoitece no seu pensamento; a lealdade se espelha em todas as decisões; a honestidade lhe está tão pegada como a carne aos ossos. A segunda qualidade do sal é o preservar.
Preserva tudo quanto envolve. A criatura bem-aventurada devera ser como o sal: dentro da sociedade será quem conservará sempre intactas as qualidades próprias do cidadão do Reino, entre as quais a piedade genuína, a bondade de coração, a compreensão para com todos, o perdão sem condições, o amor fraterno e o espírito da paz. A terceira qualidade do sal é o dar gosto. Como o sal tempera as coisas, a criatura bem-aventurada dará a sociedade o gosto pelas coisas de Deus, que a Sagrada Escritura chama de “SABEDORIA”. O gosto pela presença de Deus implica necessariamente o gosto pela vida, pela verdadeira vida, que é sempre divina na origem, humana no tempo presente, e divino-humana em seu destino.
A segunda imagem da liturgia de hoje (cf. 1Cor. 2,1-5) é a LUZ DO MUNDO. Repete o sinal do sal e engrandece o mesmo sinal sobremaneira. A luz que clareia. A luz que ilumina. A luz que é necessária para a nossa sobrevivência. Nada vive ou cresce no escuro. E Cristo sabe disso porque Ele disse: “Eu sou a luz do mundo” (cf. Jo 8,12).
A luz que iluminou os hebreus no exílio e na volta para a terra prometida, demonstra a presença de Deus na humanidade, o Deus vivo, doador da vida, que indica o caminho correto a trilhar. A pessoa bem-aventurada é luz para a humanidade. Mostrar a beleza das criaturas, fecunda e vivifica tudo, e é salvação para a humanidade. O bem aventurado é chamado de “filho da luz” por são Paulo (cf. 1Ts. 5,5). Jesus é a luz do mundo. Mas pede a cada um de nós que sejamos na nossa casa, no trabalho, na sociedade e na Igreja o sinal desta luz admirável e santificadora.
Os discípulos de Jesus são responsáveis pelo mundo: devem dar-lhe clareza e sabor, por suas boas obras, que recolhem o louvor, não para eles, mas para o Pai. Pode acontecer também que o mundo responda de modo contrário: perseguição. Esta dupla possibilidade realizou-se também para o Mestre, que é a “luz do Mundo”.
A terceira imagem é a da cidade sobre o monte. Garantia de segurança sempre foi o motivo de se construir sobre o monte. O Bem Aventurado esta protegido como uma cidade sobre o monte. Podem vir às tribulações, tempestades, atentados, sofrimentos, e até a morte e morte de Cruz num calvário. Nada o perturba. Ninguém o aprisiona. Goza da verdadeira liberdade. Ele está em Deus, a segurança absoluta e o santo refugio. E estando em Deus e com Deus, o homem bem-aventurado se torna segurança para os seus, para os que convivem com ele.
A pergunta fundamental da liturgia de hoje é provocante: será que nós, cristãos, não apoiamos o sistema injusto e opressor dos fracos e dos pobres? A pobreza de nossos países latino-americanos não se explica pela recusa da técnica, ou da preguiça congênita e irremediável, mas pela secular exploração das matérias-primas, pela submissão forçada a uma raça, pelo comércio internacional baseado na intimidação ou na boicotagem, nas “ajudas” internacionais como modo de desfazer-se utilmente de mercadorias inúteis.
Fica então uma interrogação: será que a luz de Cristo ainda ilumina este “mundo” ou ao contrário, ilumina só um “mundo futuro”, para o qual devemos caminhar como num êxodo? A luz de Cristo corre o risco de ser seriamente ofuscada e isso é perigoso. A inconsciência da solidariedade no testemunho, o desinteresse por uma expressão comunitária da nossa fé, a política de se lavar as mãos quanto aos fatos em que não estão em jogo os nossos interesses, a intervenção ingênua em defesa da “ordem constituída” impedem às nossas comunidades eclesiais de fazer ver a luz.
É necessária uma contínua reflexão a fim de que as estruturas não se tornem barreira ou contra-testemunho da nossa Igreja. Por isso a nossa fé tem que se tornar ação, com sabedoria e eficácia, para não destruir nada de válido, para fazer brotar as sementes de bem que existem por toda a parte e que esperam um bom terreno, um cultivo cuidadoso e o confiante recurso ao auxílio decisivo de Deus.
Procuremos viver as bem-aventuranças com autenticidade porque se abrem, assim os portais da terra e do universo, alargando os horizontes do céu. A criatura humana que, no máximo, podia-se imaginar uma candeia, toma as dimensões de sol, que nasce por sobre a montanha e ilumina encostas e planícies: a luz do mundo. Desejemos pois a cidade sobre o monte, a Jerusalém Celeste, extasiante, santa e inesquecível. Assim todos desejarão conhecê-la, amá-la e vivê-la plenamente.
padre Wagner Augusto Portugal - www.catequisar.com.br

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O esforço para testemunhar ser sal da terra e luz do mundo
No Evangelho deste domingo, Jesus apresenta um discurso simbólico riquíssimo de significado. São os símbolos do sal e da luz, que Mateus coloca entre as bem-aventuranças do domingo passado e as antíteses do discurso da Montanha como veremos no próximo domingo. Mas para que estes simbolismos produzam em nós o efeito desejado por Jesus é preciso que os compreendamos bem.
Sal e luz são elementos essenciais para a vida. Elementos muito preciosos naquela época; só pra termos uma ideia, o sal, por exemplo, até o início do século XX, era um conservante alimentar. Era tão importante o sal que no período romano, era usado como forma de pagamento aos soldados, daí vem o nome salário: salarium argentum (pagamento em sal). Mas, hoje é banalizado. Um quilo de sal é uma das coisas mais baratas que podemos encontrar.
Por outro lado, a luz na época de Jesus predominantemente só havia aquela do dia, ou os caros e e primitivos candeeiros de azeite que não ofereciam uma boa iluminação como temos hoje. Por isso, mais que na época de Jesus, ainda hoje, a noite é a hora das trevas, do mal, a hora dos ladrões agirem, a hora em que se acreditava que os espíritos agiam. O escuro era sinônimo de terror. Basta que durante a noite falte luz pra termos um pouquinho dessa sensação.
As parábolas de Jesus têm a capacidade de dizer grandes coisas com coisas simples do cotidiano. Entre o mistério do Reino e os pequenos acontecimentos do dia a dia parece não haver distância: tudo pode falar do mistério de Deus. O sentido uma vez entendido fica disponível a novas revelações. Cada evangelista retoma as parábolas adaptando-as às próprias exigências e ao próprio contexto. Para Marcos, por exemplo, o sal é a sabedoria e a capacidade de comunhão. Já o enfoque de Mateus é diferente, é dirigido à capacidade de testemunhar, e diz respeito quer aos discípulos quer à multidão que o escuta. Todos são chamados a serem sal e luz, mas só o discípulo, aquele que se decide por Jesus e pelo Reino, é efetivamente marcado como aquele dá sabor e luz ao mundo.
Mateus divide o discurso em três partes: a primeira enfoca o sal (vós sois o sal da terra); a segunda sobre a luz (vós sois a luz do mundo); a terceira que define com mais clareza o âmbito de aplicação (assim também brilhe a vossa luz diante dos homens). Uma coisa que se percebe logo é a insistência sobre a segunda pessoa plural: vós (vossa luz... vossas boas obras...); e, portanto, sobre aqueles que aceitam tornar-se interlocutores de Jesus; em relação a estes está a “terra” e o “mundo”, ou a multidão dos “homens” (humanidade). Termo que é o resultado da conduta de quem é sal e luz. Ou é pisado pelos homens ou brilha diante dos homens, que podem ver e louvar.
Cada uma dessas imagens é apresentada com uma primeira afirmação: vós sois, afirmativamente, à qual segue uma discussão negativa: o que acontece ao sal se ele perde o seu sabor, tornar-se insosso? Pode ficar escondida uma cidade construída sobre o monte? Ou seja, é um absurdo pensar assim, o sal sem sabor deixa de ser sal, não tem sentido. E o mesmo vale para a luz escondida.
O que o Evangelho na verdade quer mostrar é a dificuldade em dar esse testemunho. Requer esforço e cansa ser sal e luz. Por isso, Jesus para nos encorajar não nos indica só o que devemos fazer, antes de tudo revela quem somos. O discípulo é sal e luz, independentemente do seu esforço e da sua vontade, sal no sentido simbólico do gosto, do invisível, da interioridade. A imagem da luz é no âmbito do visível, do belo, do exterior. Sal e luz não fazem nenhum esforço para dar gosto e iluminar, apenas são o que são e basta que sejam removidos os obstáculos para que sejam aquilo que devem ser.
Estes obstáculos são as dificuldades em dar o testemunho. O testemunho torna-se difícil se é reduzida a um dever, se se perde algo do próprio ser. Se o sal quisesse ficar doce, não serviria mais. Quando o discípulo tentar entrar em contato com o mundo e se deixa afetar por ele, é mundanizado, é secularizado, perde o seu sabor. Jesus frequentava todo tipo de lugar, nunca deixou que o influenciassem, pelo contrário, ele sempre influenciou as pessoas onde quer que estivesse.
Portanto, muitos discípulos hoje em dia, acreditando serem modernos para dialogar e atrair, na verdade, perdem o seu próprio sabor, a própria identidade. E por isso, acabam sendo pisoteados pelos homens. O diálogo faz parte da identidade do cristão, mas o verdadeiro diálogo é acima de tudo o testemunho. A luz não pode ficar escondida. O testemunho é difícil se a fé se reduz a um fato privado, como algo íntimo e individual, não partilhado.
“Brilhe a vossa luz diante dos homens”: a imagem final nos mostra o testemunho que Jesus quer de cada um de nós. Não manifestações espalhafatosas, não missas shows onde não se tem mais momento de silêncio para rezar, não a conquista e a aprovação da sociedade acomodando Jesus ao gosto pessoal de cada um e não o contrário como deve ser, mas algo simples e cotidiano, como uma lâmpada resplandece, alimentada desde o seu interior.
Enfim, é ser você mesmo e deixar transparecer. Não se exibir, mas simplesmente não se esconder. “Para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai”. É a medida autêntica do nosso agir. Não somos chamados a fazer propaganda, mas a deixar agir em nós o amor do Pai, deixar que seja visível diante dos homens, para que esses louvem o Ele, não a nós.
Como diz Bento XVI no seu livro-entrevista “Luz do mundo”: “não somos um centro de produção, não somos uma empresa finalizada ao lucro, somos Igreja. Somos uma comunidade de pessoas que vive na fé. A nossa missão não é criar um produto e ter sucesso nas vendas. A nossa tarefa é viver exemplarmente a fé, anunciá-la; e manter numa profunda relação com Cristo e assim com o próprio Deus não um grupo de interesses, mas uma comunidade de pessoas livres que gratuitamente se doa, e que atravessa nações e culturas, o tempo e o espaço”.
Então, o que falta para o nosso testemunho? O que nos impede de testemunhar? É pela insensibilidade dos homens ou pela nossa insipidez?
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento - www.pecarlos.blogspot.com
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"Sal e luz"
Continuando o Sermão da Montanha, Jesus mostra, mediante dois símbolos, o compromisso no Reino de Deus: ser sal da terra e luz do mundo.
A 1ª leitura apresenta as condições para ser Luz. Não basta o cumprimento de ritos estéreis e vazios, precisa o compromisso concreto que leva o homem a ser um sinal do amor de Deus no meio do povo. (Is. 58,7-10)
A 2ª leitura avisa que ser "luz" não é colocar a sua esperança de salvação em esquemas humanos de sabedoria, mas identificar-se com Cristo. (1Cor. 2,1-5)
No Evangelho, Jesus exorta os seus discípulos a serem o "sal da terra e a luz do mundo". (Mt. 5,13-16)
Para que serve o sal? Para dar sabor à comida e conservar os alimentos...
O que o sal é para a comida, o cristão deve ser para o seu semelhante: tornar a religião apetitosa e agradável... Ser o tempero que dá o gosto pelas coisas de Deus, que dá o sabor à vida, com seu entusiasmo, seu otimismo, sua alegria nascida de Deus, fonte de todo bem. Ser um elemento que preserva o mundo de hoje da corrupção...
Sua presença na comida é discreta, mas atua eficazmente. O sal se dissolve completamente nos alimentos e se perde em agradável sabor. (Só se nota quando há de mais ou quando falta).
Assim o cristão: ser sal da terra, humilde, derretido, saboroso, que atua de dentro, que não se nota, mas é indispensável. O sal jamais perde a qualidade de sal.
Os cristãos podem fazer o sal perder seu sabor: tirando o sabor da mensagem de Jesus, das exigências do evangelho. E o que fazer deles? "De nada mais serve senão ser jogado fora..."
E Cristo reforça essa verdade, ilustrando com outra figura: "Vós sois a luz do mundo". O que é a luz para nós? Sinal de vida, de calor, dinamismo, trabalho...
Na Bíblia a luz tem um significado muito rico:
- na criação: a luz recorda o primeiro ato do Criador;
- no Êxodo do Egito a coluna de fogo guiava o povo para a Terra Prometida;
- Isaías: o Servo de Javé "Luz das nações";
- Jesus: "Eu sou a Luz do Mundo".
A luz por excelência é o esplendor do Pai. É a Luz que dá sentido à vida, à dor e à própria morte... E Cristo não quer ser Luz sozinho: por isso, nos convida a também nós sermos luz.
Para que serve a luz? Para mostrar o caminho, as belezas presentes na natureza. Sem a luz não as enxergamos. O cristão deve ser uma luz acesa apontando os caminhos da vida, da liberdade, do amor, da fraternidade.
Para iluminar os objetos, não para ser olhada em si mesma, nem para ficar escondida.
O cristão não a "Luz", mas um "reflexo da Luz", que mostra as coisas bonitas que a ação de Deus realizou em nós. "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens... para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai que está no céu". (Mt. 5,16)
Jesus ensina que os homens devem enxergar "as boas obras" e glorificar o Pai (não a nós).
Ninguém é luz por si próprio, é ligado a uma fonte geradora: como a lâmpada depende do gerador, assim nós dependemos do gerador que é Cristo para iluminar. E iluminamos na medida em que estivermos ligados ao Senhor. Essa união se faz pela meditação da palavra de Deus, pela comunhão eucarística e pela oração.
Essa é a nossa missão:  ser sal da terra e luz do mundo.
Sal  que preserva da corrupção e dá gosto das coisas de  Deus.
Luz  que ilumina e se consome a serviço dos irmãos, iluminando o caminho que leva ao Pai.
Se não, seremos inúteis... jogados fora...
Peçamos a Deus muita luz para compreender essa missão e muita força para sermos de fato:
- Sal da terra
- Luz do mundo.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa - buscandonovasaguas.com
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A serviço do mundo
Desde cedo, Jesus preocupou-se em evitar que o grupo de seus discípulos se transformasse numa espécie de seita, fechada e esotérica, como havia naquela época. Assim era a comunidade dos essênios, às margens do mar Morto, com um fanatismo tão radical, a ponto de se considerarem filhos da luz, relegando o resto da humanidade à condição de filhos das trevas.
A comunidade dos discípulos de Jesus, pelo contrário, fora orientada a ter uma atitude diferente: haveria de ser "sal da terra e luz do mundo". Sal e luz, segundo um autor muito antigo, eram as duas coisas imprescindíveis para qualquer ser humano sobreviver. Portanto, a presença dos discípulos, na história humana, seria semelhante à presença destes dois elementos indispensáveis: sal e luz.
O sal é imagem do que purifica, dá gosto, conserva. Dando testemunho do Evangelho pela prática das boas obras e levando outras pessoas a fazerem o mesmo, os discípulos estariam impedindo que a corrupção se apoderasse da humanidade e também ajudariam as pessoas a se manterem sintonizadas com o projeto de Deus.
De que maneira os discípulos haveriam de ser luz do mundo? Testemunhando a revelação de Deus, em Jesus Cristo, e transmitindo às pessoas essa luz divina, de forma a arrancá-las das trevas do erro e do egoísmo. Mais do que com palavras, será com o exemplo de vida que os discípulos levarão a humanidade a render glória ao Pai do céu.
padre Jaldemir Vitório - www.domtotal.com
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Jesus é a luz que ilumina as trevas deste mundo, e nós somos os seus colaboradores. Com Ele somos chamados a iluminar o mundo para que haja alegria e ninguém tropece no caminho.
No 3º domingo do tempo comum, são Mateus nos disse que o “povo que vivia nas trevas viu uma grande luz”, para nos dizer em seguida que essa luz alegrou a vida dos pobres e humildes, dos mansos e misericordiosos, dos que buscam a justiça e a paz. Hoje é o próprio Jesus quem nos diz: “Vocês são a luz do mundo”. A luz não pode ficar escondida, mas deve ser colocada de forma a poder iluminar o que está na escuridão.
Nossa luz brilha nas nossas boas obras. Repartir o pão com os famintos, acolher em casa os pobres e os peregrinos, cobrir os nus faz com que nossa luz brilhe como a aurora no início da manhã e a nossa saúde melhore. É o melhor remédio para curar as nossas doenças. Nossa vida pessoal, às vezes obscura, será clara como o meio-dia se nossas atitudes forem de acolhida ao necessitado, se deixarmos de ser autoritários, se nossas palavras não forem maldosas, se trabalharmos ativamente para destruir todos os instrumentos de opressão usados no nosso meio.
Nossa luz nascerá nas trevas. É assim que se anuncia o mistério do Cristo crucificado. O poder do Espírito se manifesta na qualidade da nossa relação humana e não na sabedoria dos argumentos. Nossos relacionamentos são de qualidade quando nos respeitamos. O respeito que mantém distância aproxima nas necessidades.
Mt. 5,13-16: nós somos o sal da terra, nós somos a luz do mundo. Foi Jesus quem disse isso a nosso respeito. Ele disse também que o sal tem que salgar. Se não, para que serve? A luz tem que iluminar. O que se faz com uma lâmpada queimada. Nossa luz brilha nas nossas boas obras. Nossas ações revelam o nosso ser e fazem com que Deus seja louvado e glorificado. Não basta dizer que somos filhos de Abraão, não basta dizer “Senhor, Senhor”. É preciso mostrar na prática aquilo em que de fato acreditamos. Nossa fé deve ser ativa no amor.
Is. 58,7-10: o profeta Isaías nos dá indicações para a prática de boas obras. Não se trata de fazer qualquer coisa boa, nem simplesmente de praticar o bem. Trata-se de fazer o que é decisivo e necessário para que a nossa luz brilhe neste mundo. Concretamente: repartir o pão com quem tem fome, acolher em casa os pobres e os peregrinos, vestir quem não tem roupa, destruir os instrumentos de opressão, deixar de ser autoritário e de usar linguagem maldosa.
Sl. 111 (112): quem reparte com os pobres os seus bens vive tranquilo e nada teme. Deus mesmo é para ele uma luz. O bem que ele faz ficará para sempre.
1Cor. 2,1-5: nossa fé se baseia no poder de Deus e não na sabedoria dos homens. Pela sabedoria dos homens não faríamos nada por ninguém, mas viveríamos somente para os nossos interesses pessoais. Se temos a coragem de ser caridosos e prestativos, de acolher com o coração aberto o indigente e prestar socorro ao necessitado, é porque nossa fé se baseia no poder de Deus e nossas ações são uma demonstração do poder do Espírito. Como o apóstolo São Paulo, o que sabemos é Jesus Cristo crucificado. A sabedoria da cruz é loucura para o mundo.
cônego Celso Pedro da Silva - www.fc.org.br
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Após a narrativa do anúncio das bem-aventuranças por Jesus, Mateus reúne uma grande coleção de sentenças de estilo sapiencial, associadas a Jesus. Ele reuniu, de modo didático, para doutrinação, ditos e sentenças esparsas, originários de palavras de Jesus, que circulavam livremente como tradição entre os cristãos. Vários destes ditos e sentenças aparecem dispersos ao longo dos outros evangelhos sinóticos, Marcos e Lucas. O conjunto forma o que se costuma denominar "o Sermão da Montanha".
Mateus redige sua obra em um momento em que o judaísmo, após a destruição do Templo de Jerusalém no ano 70, busca sua identidade na estrita e rigorosa observância da Lei. Sob esta decisão de estrita observância, os fariseus expulsaram das sinagogas os judeus convertidos ao cristianismo que, embora ameaçados, perseveraram em sua fé cristã.
Com a coletânea de sentenças do Sermão da Montanha, Mateus procura identificar, para suas comunidades oriundas do judaísmo, as características do Reino dos Céus, diferenciando-as dos estreitos critérios de identidade exigidos pelos fariseus. Daí vem a freqüente repetição da expressão: "...foi dito aos antigos... Eu porém vos digo...", ao longo do Sermão.
O texto de Mateus adquire o caráter de um discurso programático interpretando o projeto de Jesus, apresentando-o como aquele que responde às autênticas esperanças suscitadas pela fé fundada no Primeiro Testamento.
No texto de hoje, de início, temos as duas sentenças proclamatórias que identificam o compromisso dos discípulos: "Vós sois o sal da terra... vós sois a luz do mundo...". Sal e luz, duas realidades perenes do dia a dia, adotadas por metáfora, também pelos profetas. Porém, na Bíblia, esta é a única passagem em que o sal é usado em uma metáfora aplicada a pessoas. Ao sal associa-se a propriedade de preservação da corrupção que proporciona a durabilidade. É antiga a prática de salgar alimentos para garantir sua durabilidade. Assim o faziam, certamente, os pescadores da Galiléia. Além do mais, é o sal que dá o sabor aos alimentos, proporcionando mais prazer no seu consumo. A "aliança no sal" é também uma expressão que indica a fidelidade a um compromisso. É partilhar com outrem, pouco a pouco, o sal do alimento de cada dia, ao longo de longos dias. Os discípulos são chamados ao compromisso da fidelidade ao projeto de Deus, pelo que a alegria brota nos corações.
A luz é o admirável fenômeno físico que nos revela a natureza das coisas materiais. No âmbito das realidades espirituais a luz identifica-se com a verdade. É pela verdade que alcançamos a realidade dos fatos e da vida, os quais são ocultados pela falsidade e pela mentira. Se a palavra do discípulo deve ser agradável ela também não deixará de ser uma luz que revela a vontade de Deus denunciando a falácia dos valores e das ofertas de um mercado globalizado a serviço do dinheiro e do lucro. A alegria e a verdade são manifestações do amor que une os discípulos em comunidades e que irradiam transformando o mundo. Na humildade e na confiança em Deus (primeira leitura), os discípulos são chamados a serem a luz que ilumina os caminhos e revela a verdade de Jesus.
Ser o sal da terra e a luz do mundo é comprometer-se com o Reino dos Céus encarnado na história, no dia a dia. É partilhar com quem tem fome, acolher os pobres, vestir os nus. É praticar a justiça e a paz que demovem os poderosos injustos e violentos. "Assim, qual novo amanhecer,... tua luz brilhará nas trevas".
José Raimundo Oliva - www.paulinas.org.br
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A Palavra de Deus deste 5º domingo do tempo comum convida-nos a refletir sobre o compromisso cristão. Aqueles que foram interpelados pelo desafio do “Reino” não podem remeter-se a uma vida cômoda e instalada, nem refugiar-se numa religião ritual e feita de gestos vazios; mas têm de viver de tal forma comprometidos com a transformação do mundo que se tornem uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta no sentido desse mundo de plenitude que Deus prometeu aos homens – o mundo do “Reino”.
No Evangelho, Jesus exorta os seus discípulos a não se instalarem na mediocridade, no comodismo, no “deixa andar”; e pede-lhes que sejam o sal que dá sabor ao mundo e que testemunha a perenidade e a eternidade do projeto salvador de Deus; também os exorta a serem uma luz que aponta no sentido das realidades eternas, que vence a escuridão do sofrimento, do egoísmo, do medo e que conduz ao encontro de um “Reino” de liberdade e de esperança.
A primeira leitura apresenta as condições necessárias para “ser luz”: é uma “luz” que ilumina o mundo, não quem cumpre ritos religiosos estéreis e vazios, mas quem se compromete verdadeiramente com a justiça, com a paz, com a partilha, com a fraternidade. A verdadeira religião não se fundamenta numa relação “platônica” com Deus, mas num compromisso concreto que leva o homem a ser um sinal vivo do amor de Deus no meio dos seus irmãos.
A segunda leitura avisa que ser “luz” não é colocar a sua esperança de salvação em esquemas humanos de sabedoria, mas é identificar-se com Cristo e interiorizar a “loucura da cruz” que é dom da vida. Pode-se esperar uma revelação da salvação no escândalo de um Deus que morre na cruz? Sim. É na fragilidade e na debilidade que Deus Se manifesta: o exemplo de Paulo – um homem frágil e pouco brilhante – demonstra-o.
1ª leitura – Is. 58, 7-10 - AMBIENTE
Os capítulos 56 a 66 do livro de Isaías apresentam um conjunto heterodoxo de temas, de situações, de gêneros e de estilos; por isso, a maior parte dos estudiosos recentes atribuem estes textos, não a um autor, mas a uma pluralidade de autores – embora continuem a catalogar estes capítulos sob o nome genérico de “Trito-Isaías”.
Embora se discuta também a época em que estes textos apareceram (as opiniões vão desde o séc. VII ao séc. II a.C.), a maioria dos estudiosos costuma situar estes textos na época pós-exílica, provavelmente dos últimos decênios do séc. VI, ou nos primeiros anos do séc. V. a.C. Estamos em Jerusalém; os repatriados da Babilônia chegaram cheios de entusiasmo, mas depressa conheceram a desilusão… A cidade está destruída; o domínio persa continua a recordar ao povo de Jerusalém que não é livre nem tem nas próprias mãos a chave do seu futuro; e, acima de tudo, as belas promessas de reconstrução, de libertação, parecem ter-se desvanecido e a intervenção definitiva de Deus tarda em chegar.
Alguns autores recentes falam (a propósito desta época) de uma forte tensão entre dois grupos que procuram impor-se em Jerusalém: de um lado, o sacerdócio sadoquita (de Sadoc, sacerdote do tempo de Salomão), que voltou do exílio na Babilônia convencido de que tinha sido provado e perdoado das suas faltas, que está em boas relações com o império persa, que domina a política, que está disposto a fazer valer os seus direitos e privilégios e que define as coordenadas do culto oficial; do outro, o partido levítico, que se manteve em Jerusalém durante o exílio, que dominou o culto durante essa época e que tem uma visão mais “democrática”, mais pragmática, menos “oficial” e legalista da fé. Os autores do nosso texto pertencem, provavelmente, a este último grupo.
O capítulo 58 (a que pertence o texto que nos é proposto) apresenta-se como uma reclamação de Deus contra o Povo. Nessa reclamação, há dois temas: a denúncia de um culto vazio e estéril, que cumpre as leis externas, mas que não sai do coração nem tem a necessária correspondência na vida (cf. Is 58,1-12); e um convite a que o Povo respeite a santidade do sábado (cf. Is 58,13-14).
No nosso texto, a palavra “jejum” (que, no contexto do capítulo, aparece sete vezes) é a palavra-chave.
MENSAGEM
O tema do “jejum” é um tema fundamental para a vivência judaica da fé e da relação com Deus (cf. Ex. 34,28; Lv. 16,29.31; Jz. 20,26; 2Sm. 12,16-17; 1Re. 21,27; Jon. 3,7; Dn. 9,3; Esd. 8,21; Est. 4,16). No Antigo Testamento, é um gesto religioso utilizado muito freqüentemente para traduzir a humildade diante de Deus, a dependência, o abandono, o amor. Implica a renúncia a si próprio, ao próprio egoísmo e auto-suficiência, para se voltar para o Senhor, para manifestar a entrega confiada nas mãos de Deus, para mostrar que se está disposto a acolher a ação e o dom de Jahwéh.
Ora, o nosso texto sugere que o Povo pratica certas formas de piedade sem ter em conta as suas exigências profundas. No que diz respeito ao jejum, o fato é que o Povo pratica esta forma de piedade de forma interesseira: para pôr Deus do seu lado, para Lhe agradar, para provocar em Deus uma resposta à medida dos desejos do homem. O jejum, visto dessa forma, não é um traduzir num gesto a humildade, a dependência, a entrega do homem face a Deus; mas é uma tentativa de pôr Deus do seu lado, de captar a sua benevolência, a fim de que Ele realize os interesses e os desejos egoístas do homem.
Deus desmascara a falsidade das atitudes do homem, que manifesta em gestos (jejum) a sua humildade, dependência e entrega mas depois não confirma (com a vida) essa atitude (provocam “rixas e contendas, dando murros sem piedade” – Is. 58,4).
Para Deus, a atitude de dependência, de humildade, de entrega, tem de se traduzir numa vida consentânea com as propostas de Deus. O culto tem de ter tradução em atitudes concretas.
Assim, o “jejum” autêntico (que manifesta a entrega do homem a Deus e a sua vontade de viver em relação com Ele, a sua aceitação e acolhimento de Deus) é aquele que se traduz em partilha com os pobres (vs. 7.10), na eliminação da opressão, da injustiça, da violência, dos gestos de ameaça (v. 9).
Para Deus, não é um culto formalista, rico de gestos estrondosos e de ritos solenes mas estéril e vazio quanto aos sentimentos, que faz do Povo de Deus a “luz” do mundo; o Povo de Judá será uma luz que anuncia Deus no mundo, se testemunhar o amor e a misericórdia em gestos concretos de libertação, de partilha, de amor e de paz. A relação com Deus (expressa nos gestos cultuais) só é verdadeira se se traduz em gestos que anunciem e testemunhem a misericórdia e o amor de Deus no meio dos outros homens.
ATUALIZAÇÃO
• A questão essencial é esta: como é que podemos ser uma luz que acende a esperança no mundo e aponta no sentido de uma nova terra, mais cheia de paz, de esperança, de felicidade? Esta leitura responde: não é com liturgias solenes ou com ritos litúrgicos espampanantes, muitas vezes estéreis e vazios; mas é com uma vida onde o amor a Deus se traduz no amor ao irmão e se manifesta em gestos de partilha, de fraternidade, de libertação.
• Atenção: não se diz aqui que os momentos de oração e de encontro pessoal com Deus sejam supérfluos, inúteis, desnecessários; o que se diz aqui é que os ritos em si nada significam, se não correspondem a uma vivência interior que se traduz em gestos concretos de compromisso com Deus e com os seus valores. A multiplicidade de ritos, de orações solenes, de celebrações, por si só nada vale, se não tem a devida correspondência na vida de relação com os irmãos.
• Sinto o imperativo de ser uma “luz” que se acende na noite do mundo e que dá testemunho do amor e da misericórdia de Deus? A minha fé e a minha relação com Deus têm tradução na luta pela libertação dos meus irmãos? O meu compromisso de crente leva-me a estar atento à partilha com os pobres, os débeis, os desfavorecidos? A minha vivência religiosa traduz-se no ser profeta do amor e servidor da reconciliação?
2ª leitura – 1Cor. 2, 1-5 - AMBIENTE
Já vimos, na passada semana, que um dos grandes problemas que a comunidade cristã de Corinto enfrentava tinha a ver com a propensão dos coríntios para a busca de uma sabedoria puramente humana, que os levava a apostar em pessoas (Pedro, Paulo, Cefas), em mestres humanos capazes de transportar os discípulos ao encontro da sua realização; mas, dessa forma, acabavam por esquecer Jesus Cristo e por passar ao lado da “sabedoria da cruz”.
Neste contexto, Paulo recorda aos coríntios que a “sabedoria humana” não salva nem realiza plenamente o homem. A realização plena do homem está em Jesus Cristo e na “loucura da cruz”.
Como é que a salvação e a realização plena do homem podem, no entanto, manifestar-se nesse facto paradoxal de um Deus condenado à fragilidade, que morre na cruz como um bandido?
Para que as coisas se tornem perfeitamente claras, Paulo apresenta dois exemplos. No primeiro (a segunda leitura do passado domingo), Paulo refere o caso da própria comunidade de Corinto: apesar da pobreza, debilidade e fragilidade dos membros da comunidade, Deus chamou-os a serem testemunhas da sua salvação no mundo. No segundo (e que é a leitura que nos é aqui proposta), Paulo apresenta com humildade o seu próprio caso.
MENSAGEM
Paulo apresenta-se na dupla condição de evangelizador e de homem.
Como evangelizador (vs. 1-2), Paulo não se apresentou com palavras grandiosas, com discursos sublimes, com filosofias elaboradas e coerentes; mas apresentou-se com toda a simplicidade para anunciar esse paradoxo de um Deus fraco, que morreu numa cruz rejeitado por todos. Apesar de tudo, em Corinto nasceu uma comunidade cristã cheia de força e de fé.
Como homem (vers. 3-5), Paulo apresentou-se em Corinto consciente da sua fraqueza, assustado e cheio de temor. Não foi, portanto, pela sedução da sua personalidade arrebatadora, pelas suas “brilhantes” qualidade do pregador, nem pelo brilho e coerência da sua exposição que os coríntios se sentiram atraídos por Jesus e pelo Evangelho.
Qual foi, então, a razão pela qual os coríntios aderiram à proposta de Jesus, apresentada humildemente por Paulo?
Porque a força de Deus se impõe, muito para além dos limites do homem que apresenta a proposta ou do ouvinte que a escuta. O Espírito de Deus está sempre presente e age no coração dos crentes, de forma a que eles não se fiquem pelos esquemas da sabedoria humana, mas se deixem tocar pela sabedoria de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• Após dois mil anos de Evangelho, a nossa civilização “cristã” ainda age como se a salvação do mundo e dos homens estivesse no poder das armas, na estabilidade da economia, no desenvolvimento sustentado, no controle do buraco do ozono, no pleno emprego, na paz social, na eliminação do terrorismo, na defesa da floresta amazônica, nas declarações de boas intenções feitas pelos senhores do mundo nos grandes areópagos internacionais… Mas Paulo diz, muito simplesmente, que a salvação está na “loucura da cruz” e que a vida em plenitude está no amor que se dá completamente. Quem tem razão: os nossos teóricos, formados pelas grandes universidades internacionais, ou o judeu Paulo, formado na universidade de Jesus?
• A força e a “sabedoria de Deus” manifestam-se, tantas vezes, na fragilidade, na pequenez, na obscuridade, na pobreza (como o exemplo de Paulo o comprova). Sendo assim, não nos parecem ridículas e descabidas as nossas poses de importância, de autoridade, de protagonismo, de brilho intelectual?
• Aqueles que têm responsabilidade no anúncio do Evangelho devem recordar sempre que a eficácia da Palavra que anunciam não depende deles e que o êxito da missão não resulta das suas qualidades pessoais ou das técnicas sofisticadas postas ao serviço da evangelização: somos todos instrumentos humildes, através dos quais Deus concretiza o seu projeto de salvação para o mundo… Para além do nosso esforço, da nossa entrega, da nossa doação, das nossas técnicas, está o Espírito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos.
Evangelho – Mt. 5,13-16 - AMBIENTE
Continuamos no contexto do “sermão da montanha” (cf. Mt. 5-7). Jesus está (na versão de Mateus) no cimo de um monte, a apresentar a nova Lei que deve reger a caminhada do novo Povo de Deus na história (já vimos, no passado domingo, que a indicação geográfica – no cimo de um monte – nos transporta à montanha do Sinai, onde Jahwéh se revelou ao seu Povo e lhe deu a sua Lei; aqui Jesus é, portanto, apresentado como o Deus que, no cimo de um monte, dá ao seu Povo os “mandamentos” da nova aliança).
Mateus agrupa, neste primeiro discurso, um conjunto de “ditos” de Jesus (provavelmente, pronunciados em contextos e ocasiões diversas), destinados a proporcionar à comunidade concreta a que o Evangelho se destinava, um conjunto de ensinamentos básicos para a vida cristã.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto reúne duas parábolas – a do sal e a da luz – destinadas a pôr em relevo o papel do novo Povo de Deus no mundo e a definir a missão daqueles que aceitam viver no espírito das bem-aventuranças. Depois de apresentar a nova Lei (“bem-aventuranças”), Jesus define a missão do novo Povo de Deus.
A primeira comparação é a do sal (v. 13). O sal é, em primeiro lugar, o elemento que se mistura na comida e que dá sabor aos alimentos (cf. Jb. 6,6). Também é um elemento que assegura a conservação dos alimentos e a sua incorruptibilidade. Simboliza, nesta linha, aquilo que é inalterável… No Antigo Testamento, o sal é usado para significar o valor durável de um contrato; nesse contexto, falar de uma “aliança de sal” (Nm. 18,19) é falar de um compromisso permanente, perene (cf. 2Cr. 13,5).
Dizer que os discípulos são “o sal” significa, portanto, que os discípulos são chamados a trazer ao mundo essa “qualquer coisa mais” que o mundo não tem e que dá sabor à vida dos homens; significa também que da fidelidade dos discípulos ao programa enunciado por Jesus (as “bem-aventuranças”) depende a perenidade da aliança entre Deus e os homens e a permanência do projeto salvador e libertador de Deus no mundo e na história.
A referência à perda do sabor (“se o sal perder o sabor… já não serve para nada”) destina-se a alertar os discípulos para a necessidade de um compromisso efetivo com o testemunho do “Reino”: se os discípulos de Jesus recusarem ser sal e se demitirem das suas responsabilidades, o mundo guiar-se-á por critérios de egoísmo, de injustiça, de violência, de perversidade, e estará cada vez mais distante da realidade do “Reino” que Jesus veio propor. Nesse caso, a vida dos discípulos terá sido inútil.
A segunda comparação é a da luz (vs. 14-16). Para a explicar, Jesus utiliza duas imagens.
A primeira imagem (a da cidade situada sobre um monte) leva-nos a Is 60,1-3, onde se fala da “luz” de Deus que devia brilhar sobre Jerusalém e, a partir de lá, alumiar todos os povos. A interpretação judaica de Is 60,3 aplicava a frase a Israel: o Povo de Deus devia ser o reflexo da luz libertadora e salvadora de Jahwéh diante de todos os povos da terra. A segunda imagem (a da lâmpada colocada sobre o candelabro, a fim de alumiar todos os que estão em casa) repete e explicita a mensagem da primeira: os que aderem ao “Reino” devem ser uma luz que ilumina e desafia o mundo. É possível que haja ainda nestas imagens uma referência ao “Servo de Jahwéh” de Is. 42,6 e 49,6, apresentado como a “luz das nações”.
De qualquer forma, a verdade é que, na perspectiva de Jesus, essa presença da “luz” de Deus para alumiar as nações dar-se-á, doravante, nos discípulos, isto é, naqueles que aceitaram o apelo do “Reino” e aderiram à nova Lei (as “bem-aventuranças”) proposta por Jesus. Eles são a “nova Jerusalém”, ou o novo “Servo de Jahwéh” de onde a proposta libertadora de Deus irradia e a partir de onde ela transforma e ilumina a vida de todos os homens.
Estas duas imagens não pretendem, contudo, dizer que os discípulos de Jesus devam dar nas vistas, mostrar-se, escolher lugares de visibilidade de onde as massas os admirem e os aplaudam. Mas pretende dizer que a missão das testemunhas do “Reino” deve levá-las a dar testemunho, a questionar o mundo, a ser uma interpelação profética, a ser um reflexo da luz de Deus; e que não devem esconder-se, demitir-se da sua missão, fugir às suas responsabilidades.
Essas “boas obras” que os discípulos devem praticar, e que serão um testemunho do “Reino” para os homens, são, provavelmente, aquelas que Mateus apresenta na segunda parte das “bem-aventuranças” (cf. Mt. 5,7-11): a “misericórdia” (um coração capaz de compadecer-se, de amar, de perdoar, de se comover, de se deixar tocar pelos sofrimentos e angústias dos irmãos), a “pureza de coração” (a honestidade, a lealdade, a verdade, a verticalidade), a defesa intransigente da paz (a recusa da violência e da lei do mais forte a luta pela reconciliação) e da justiça. É desse labor dos discípulos que nascerá o mundo novo, o mundo do “Reino”.
A missão dos discípulos é, portanto, a de “dar sabor” ao mundo, garantir aos homens a perenidade da “aliança” e iluminar o mundo com a “luz” de Deus. Eles são as testemunhas dessa realidade nova que nasce da oferta da salvação e da vivência das “bem-aventuranças”. Neles tem de estar presente essa realidade nova, que Jesus chamava “Reino”.
ATUALIZAÇÃO
• A questão essencial que este trecho do Evangelho nos apresenta é esta: Deus propôs-nos um projeto de libertação e de salvação que conduzirá à inauguração de um mundo novo, de felicidade e de paz sem fim; e aqueles que aderiram a essa proposta têm de testemunhá-la diante do mundo e dos homens com palavras e com gestos concretos, a fim de que o “Reino” se torne uma realidade. Como é que me situo face a isto? Para mim, ser cristão é um compromisso sério, profético, exigente, que me obriga a testemunhar o “Reino”, mesmo em ambientes adversos, ou é um caminho “morno”, instalado, cômodo, de quem se sente em regra com Deus porque vai à missa ao domingo e cumpre alguns ritos que a Igreja sugere?
• Eu sou, dia a dia, o sal que dá o sabor, que traz uma mais valia de amor e de esperança à vida daqueles que caminham ao meu lado? Para aqueles com quem lido todos os dias, sou uma personagem insípida, incaracterística, instalada numa mediocridade cinzenta, ou sou uma nota de alegria, de entusiasmo, de otimismo, de esperança numa vida nova vivida ao jeito do Evangelho, ao jeito do “Reino”? No meio do egoísmo, do desespero, do sem sentido que caracteriza a vida de tantos dos meus irmãos, eu dou um testemunho de um mundo novo de amor e de esperança?
• Ser cristão é também ser uma luz acesa na noite do mundo, apontando os caminhos da vida, da liberdade, do amor, da fraternidade… Eu sou essa luz que aponta no sentido das coisas importantes, impedindo que a vida dos meus irmãos se gaste em frivolidades e bagatelas? Para os que vivem no sofrimento, na dúvida, no erro, para os que vivem de olhos no chão, eu sou a luz que aponta para o mais além e para a realidade libertadora do “Reino”?
• Atenção: eu não sou “a luz”, mas apenas um reflexo da “luz”… Quer dizer: as coisas bonitas que possam acontecer à minha volta não são o resultado do exercício das minhas brilhantes qualidades, mas o resultado da ação de Deus em mim. É Deus que é “a luz” e que, através da minha fragilidade, apresenta a sua proposta de libertação e de vida nova ao mundo. O discípulo não deve, pois, preocupar-se em atrair sobre si o olhar dos homens; mas deve preocupar-se em conduzir o olhar e o coração dos homens para Deus e para o “Reino”.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho - www.ecclesia.pt
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Um comentário:

  1. Comentário Maravilhoso de Olívia.
    Irmã Olívia, Muito obrigado, realmente por onde passamos devemos ser Luz.
    Deus abençoe.

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