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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 26 de março de 2014

4º DOMINGO QUARESMA

4º DOMINGO QUARESMA
Ano A

30 de Março de 2014

O CEGO DE NASCENÇA- José Salviano


Quem pecou para que nascesse cego:
ele ou os seus pais?

O mundo está em trevas, estamos cegos. Não queremos enxergar que a causa de tantos males está no nosso afastamento de Deus... Leia mais.


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SE NOS É OFERECIDO A LUZ, PORQUE VIVER NAS TREVAS? - Olívia Coutinho

4º DOMINGO DA QUARESMA

DIA 30 de Março de 2014

Evangelho - Jo 9,1-41

Neste quarto domingo da quaresma, já podemos alargar um pouco mais os nossos passos, passar de uma percepção ingênua, para uma visão clara da vontade de Deus.
Aprendemos muito nesta nossa caminhada  de preparação para a Páscoa,  mas ainda há muito que aprender, afinal temos uma missão  muito  importante pela frente: dar continuidade à missão de  Jesus aqui na terra.
 A realização plena do homem continua sendo a prioridade de Deus, Ele provou isto, investindo alto no resgate  deste bem que lhe é precioso,  permitindo  que o seu  Filho pagasse com a vida  o preço da nossa liberdade. “É PARA LIBERDADE QUE CRISTO NOS LIBERTOU.”
No evangelho do domingo passado, Jesus, no encontro com uma samaritana, se  apresenta como a água viva que sacia a nossa sede. Neste domingo, Ele se  apresenta como  a luz libertadora, ao devolver a visão a um cego de nascença!
Enquanto caminhava com seus discípulos, Jesus vê um cego de nascença e se aproxima dele. E como naquela época, a ideia religiosa dominante, induzia as pessoas acreditarem que o sofrimento, a doença, era castigo de Deus, uma conseqüência do pecado, os discípulos ficaram curiosos em saber quem havia pecado, o cego, ou os seus pais? Jesus que gostava de aproveitar todas as oportunidades para passar um ensinamento novo, corrige esse modo errôneo  de pensar, que tinha como objetivo, não deixar que  as pessoas enxergassem  a realidade opressora em que viviam.
Pensar que Deus castiga os seus filhos com  doenças é negá-Lo como Pai, um pai nunca quer para seu filho uma vida de sofrimento.  Deus é puro amor, Ele não castiga ninguém, a  doença, o sofrimento, faz parte da nossa natureza humana, não vem de Deus.
Ao libertar  o cego  das correntes que o aprisionava,  Jesus nos mostra o para quê Ele veio ao mundo. Jesus não  veio ao mundo  com finalidade de realizar milagres, os milagres aconteciam devido a sua sensibilidade diante os sofredores.  Jesus veio ao mundo para  libertar os cativos e nos ensinar a fazer o mesmo, Ele veio  nos ensinar com a própria vida, o  caminho que devemos percorrer, se quisermos chegar ao coração do Pai, um caminho, que com certeza, passa pela cruz.
 A presença de Jesus pela nossa vida é  transformadora, quebra as correntes que nos aprisiona, tira-nos da escuridão das trevas, nos desenvolvendo  a liberdade. Com Jesus  tudo ganha um significado novo, sua presença é provocante, iluminadora, assim como foi para  o cego de nascença!
 Dor, sofrimento, não devem  nos impedir  de aproximar da luz ! Nada justifica  viver na escuridão, se temos um interruptor bem ao nosso alcance, só nos basta um pequeno movimento  para que a Luz de  Cristo incendeia em nós.
O episódio que marcou a cura de um cego de nascença, vem nos acordar para um realidade bem próxima de nós: os  muitos irmãos  que vivem nas trevas!  Uns, por que ainda não conheceram a Luz, outros, porque rejeitam a Luz, preferem as trevas, para que as suas ações não sejam vistas.
O cego de nascença,  representa  todos aqueles que vivem na escuridão, que são os  prisioneiros de tantas  cadeias que os impede de chegarem à plenitude da vida.
E nós, como estamos vivendo? Estamos à caminho da "piscina" de “Siloé” com o propósito de retirar a "lama" dos nossos olhos, que nos impede de enxergar a verdade que liberta? Ou preferimos  continuar na ingenuidade,  tateando por aí, com os nossos olhos vendados, correndo o risco de cairmos em "piscinas" vazias?
Qual é o Jesus que  queremos enxergar? Um Jesus bonzinho, quietinho lá no céu, sem nos “incomodar”? Se assim for, perdemos a oportunidade    de fazer a experiência do Jesus verdadeiro, o Jesus que “incomoda”, que nos desinstala , que  quer nos ver á caminho, carregando a nosso cruz,  estendendo a  mão para os “cegos” das beiras de caminho! 
Jesus nos convida a um processo de renovação, a deixarmos tudo que nos escraviza, que  nos impede de aproximar da luz!
 Não podemos viver na incerteza, como aquele povo que questionou a cura do cego, que alegou  ser uma infração  contra à  lei, por ter sido realizada num  dia de sábado, como se para fazer o bem houvesse dia e hora. Precisamos abrir os nossos olhos para discernir o que é de Deus e o que é contrario a Ele.
 Que possamos neste tempo Quaresmal, nos banhar por inteiros, na piscina de "Siloé" e de lá, sairmos limpos, renovados, prontos para assumirmos a nossa missão.
Jesus, a luz libertadora, nos convida a renunciar tudo o que gera “trevas”.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! -Olívia  

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O Evangelho de hoje é mais uma belíssima catequese batismal que nos prepara para a santa Páscoa. Não esqueçamos que em muitas paróquias adultos estão terminando seus preparativos para o Batismo.
No Domingo passado, no Evangelho da Samaritana, vimos que Jesus é o Messias que dá a verdadeira água do Espírito Santo, água que jorra para a vida eterna.
Neste hoje, “ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença”. Esse homem simboliza os judeus; pode simbolizar também a humanidade toda. Os discípulos, apegados a uma crença popular antiga, tão combatida por Jeremias e Ezequiel, pensavam que o cego estava pagando pelos pecados seus ou dos seus antepassados. É a uma crença errada, semelhante à superstição da reencarnação: “Quem pecou para que nascesse cego: ele ou seus pais?” Não há resposta, não há explicação! Os segredos da vida pertencem a Deus! Se crermos no seu amor, se nos abandonarmos nas suas mãos, a maior dor, o mais inexplicável sofrimento pode ser confortado pela certeza de que Deus está conosco e nos fortalece: “Nem ele nem seus pais pecaram: isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele!” Até na dor e no sofrimento Deus está presente quando somos abertos à sua presença. Pena que nosso mundo superficial e incrédulo não compreenda isso... Se se abrisse para Jesus, o Inocente crucificado e morto... Na sua luz, contemplamos a luz da vida: “Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo!” Mas, o nosso mundo se fecha na sua racionalidade cega e orgulhosa...
Jesus, cospe no chão e faz lama. A saliva, para os judeus, continha o espírito; simboliza, então, como a água, o dom do Espírito. Depois, Jesus ordena: “Vai lavar-te na piscina de Siloé!” É a piscina do Enviado de Deus, do Messias, imagem da piscina do nosso Batismo, na qual somos iluminados pelo Senhor que é luz do mundo! Por isso o homem vai e retorna vendo. Eis o que é o cristão, o discípulo de Cristo: aquele que era cego, foi lavado na piscina batismal e voltou vendo. Porque ele vê, os judeus o expulsam da sinagoga, como o mundo também nos expulsa de sua amizade a apreço! Não somos do mundo, como o Senhor nosso não é do mundo; ele nos separou do mundo! Agora, curado da cegueira, aquele que foi iluminado pode ver Jesus; ver com a fé, ver a realidade mais profunda, ver que ele é o Senhor, Filho de Deus: “Acreditas no filho do Homem?’ ‘Quem é, Senhor para que eu creia nele?’ Jesus disse: ‘Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo!’” Para isso te curei, para isso fiz-te enxergar! “’Eu creio, Senhor!’ E prostrou-se diante de Jesus!”
Também nós fomos iluminados pelo Cristo no Batismo. Para nós valem as palavras de São Paulo: “Outrora éreis treva, mas agora sois luz no Senhor! Vivei  como filhos da luz! Não vos associeis às obras das trevas!” Eis, caros irmãos: iluminados por Cristo não podemos pensar como o mundo, sentir como o mundo, agir como o mundo! Devemos viver na luz e ser luz para o mundo! Mas, não é fácil; não basta querer! Sem a graça do Senhor, nada conseguiremos, a não ser sermos infiéis! Por isso a necessidade dos exercícios quaresmais; por isso a oração, a penitência e a  caridade fraterna, por isso a necessidade da confissão de nossos pecados! Não nos esqueçamos: não poderemos zombar de Cristo: seremos julgados na sua luz: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não vêem vejam e os que vêem se tornem cegos!” – Eu vim para revelar a luz aos humildes, aos que se abrem à minha Palavra e à minha Presença, e vim revelar a cegueira do mundo confiado na sua própria razão, na prepotência de seus próprios caminhos! Porque este mundo diz que vê, que sabe, que está certo, seu pecado permanece! Somente se abrir-se para a luz do Cristo, caminhará na luz e enxergará de verdade!
E nós, caminhamos na luz ou permanecemos nas trevas? Que o Senhor ilumine a nossa vida.
dom Henrique Soares da Costa
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Domingo, 30 de março de 2014
4º Domingo da Quaresma

Claretianos

Santos do Dia: Plínio de Pontecorvo (abade), Domnino, Vítor e Companheiros (mártires de Tessalônica), Fergo de Downpatrick (bispo), João Clímaco (abade), João de Puits (eremita em Kibistra), Leonardo Murialdo (presbítero), Mamertino de Auxerre (abade), Osburga de Canuta (abadessa, virgem), Pacífico de Werden (monge, bispo), Pastor de Orléans (bispo), Quirino (mártir de Roma, na Via Ápia), Régulo de Senlis (bispo), Régulo da Escócia (abade), Zózimo de Siracusa (bispo).
Primeira leitura: Samuel 16,1b.6-7.10-13a
Davi é ungido rei de Israel
Salmo responsorial: Salmo 22(23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)
O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma
Segunda leitura: Efésios 5,8-14
Levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá
Evangelho: João 9,1-41
O cego foi, lavou-se e voltou enxergando
Desde muito tempo o povo de Deus se propôs um grande problema: como saber quem é o enviado de Deus? Muitos apareciam fazendo alarde de suas habilidades físicas, de sua astúcia, de sua sabedoria, inclusive, de sua profunda religiosidade, porém era muito difícil saber quem procedia de acordo com a vontade de Deus e quem queria ser líder unicamente para obter o poder.
Nessa época de Samuel, a situação era realmente complicada. O profeta, movido pelo Espírito de Deus, buscou um líder que tirasse o povo do atoleiro de uma crise interna das instituições tribais e da ameaça dos filisteus. Surgiu Saul, um rapaz distinto, de boa família e de extraordinária compleição física. A maioria do hebreus o apoiaram de imediato, esperando que o novo rei conseguisse controlar o avanço dos filisteus.
Contudo, o novo rei, em pouco tempo, se converteu em um tirano insuportável que agravou o conflito interno e que por suas constantes mudanças de comportamento, comprometeu seriamente a segurança das terras cultivadas. Samuel, então, pensou que a solução era ungir um novo rei, uma pessoa que poderia tomar conta da situação.
A unção profética se converteu, naquele momento, no meio pelo qual se legitimava a ação de um novo líder salvador do povo. Séculos mais tarde, os profetas se deram conta de que não bastava mudar o rei para mudar a situação, mas que era necessário buscar um sistema social que representasse os ideais tribais, o que logo se chamou “o direito divino”. Contudo, subsistiu a ideia de que o líder salvador tinha que ser designado por um profeta reconhecido. Deste modo, a unção dos reis de Israel passou a ser um símbolo de esperança em um futuro melhor, mais de acordo com os planos de Deus.
Na época do Novo Testamento, o povo de Deus que habitava na Palestina enfrentou um grande desafio: como reconhecer Jesus como ungido do Senhor? Aquele Jesus havia conhecido João Batista e, em seguida, havia retomado sua pregação, mesmo assim pairava sobre ele a dúvida, devido à sua origem humilde, à maneira tão diferente de interpretar a lei e sua vinculação com o templo e seus rituais.
Muitos se opunham em reconhecer que ele era um profeta ungido pelo Senhor, movidos simplesmente por preconceitos culturais e sociais. A comunidade cristã teve que abrir caminho em meio a esses obstáculos e proclamar a legitimidade da missão de Jesus. Somente quem conhecesse a obra do Nazareno, seu profundo amor à vida, sua dedicação aos pobres, sua pregação do reinado de Deus, podia reconhecer que ele era o “ungido”, o “Messias” (como se diz em hebraico), ou o “Cristo” (em grego).
Os sinais e prodígios que Jesus realizou no meio do povo pobre causaram grande impacto e, por isso, foram motivo de controvérsia. Os opositores do cristianismo viam nas curas que Jesus realizava simplesmente o trabalho de um curandeiro. Seus discípulos, pelo contrário, compreendiam todo seu valor libertador e salvador. Pois, não se tratava somente de colocar remédio às limitações humanas, mas de devolver-lhe toda a dignidade de ser humano. A pessoa que recuperava a visão podia descobrir que seu problema não era um castigo de Deus pelos pecados de seus antepassados, nem uma terrível prova do destino.
A pessoa curada passava do desespero à fé e descobria em Jesus o profeta, ao ungido do Senhor. Sua limitação física, se convertia em uma terrível marca de exclusão social e religiosa. Porém, o problema não era sua limitação visual e sim a terrível carga de desprezo que a cultura lhe havia imposto. Jesus o liberta do terrível peso da marginalização social e o conduz a uma comunidade onde é aceito pelo que é, sem se importar com as etiquetas que os preconceitos sociais lhe haviam imposto.
No evangelho, o relato é um drama entre os vizinhos do cego, os fariseus (piedosos e cumpridores da lei) e os “judeus” em geral, uma expressão genérica com a qual o evangelista designa as altas autoridades religiosas da época de Jesus. Até os pais do cego são envolvidos no drama.
Trata-se de um verdadeiro “drama teológico”, simbólico, de uma grande beleza literária. De modo algum se trata de uma narrativa jornalística de fatos históricos, ou de um relato ingênuo de uma sucessão de coisas. Não esqueçamos que o evangelho de João se move sempre em um alto nível de sofisticação, de recurso simbólico e insinuação indireta.
Temos ainda que dizer uma palavra sobre a homilia: convém não “contar” as coisas como quem conta fatos históricos, como se estivesse entretendo crianças. Os ouvintes são adultos e agradecem quando tratados como tais, sem abuso. O pregador não deve pensar que “tudo cola nesse ambiente” ou dizer qualquer coisa pelo fato de estar diante de um auditório que, por respeito, não levanta a mão e nem vai contradizer.
No “drama teológico” de João, o cego se converte em centro da narrativa. Todos se perguntam como é possível que um cego de nascimento seja agora capaz de ver. Suspeitam que algo grande tenha acontecido; perguntam pela pessoa que havia feito o cego ver, porém não chegam a crer que Jesus seja a causa da luz dos olhos do cego. Um simples homem como Jesus não lhes parece capaz de operar tais maravilhas.
Menos ainda pelo acontecido ter se realizado em dia de sábado, dia sagrado de descanso que os fariseus se empenham em guardar de maneira escrupulosa. E menos ainda sendo o cego um pobre que pedia esmola na entrada de uma das portas da cidade. Todos interrogam o pobre cego que agora vê: os vizinhos, os fariseus, os chefes do templo. Jesus se encontra com ele, solidariamente, ao saber que o haviam expulsado da sinagoga.
E neste novo encontro com Jesus o cego chega a “ver plenamente”, a “ver”, não somente a luz, mas a “glória” de Deus, reconhecendo nele o enviado definitivo de Deus, o Filho do homem escatológico, o Senhor digno de ser adorado… É a mensagem que João quer transmitir, narrando um drama teológico, como é seu estilo, e não afirmando proposições abstratas, como teria acontecido se tivesse tido uma formação filosófica grega.
No final do texto, as palavras que João coloca nos lábios de Jesus fazem eclodir a mensagem teológica do drama: Jesus é um juízo, é o juízo do mundo, que vem revirar o mundo: os que viam não veem e os que não veem conseguem ver. E que é o preciso ver? A Jesus. Ele é a luz que ilumina.
Não é necessário acrescentar nem metafísica e nem ontologia gregas ao drama… É uma linguagem de “confissão de fé”. A comunidade de João está “entusiasmada”, cheia de gozo e de amor, possuída realmente por ter descoberto Jesus. Sente que ele muda a concepção de mundo, consegue ver as coisas de uma forma diferente agora, e que é ele a manifestação de Deus de forma patente. E assim o confessa. Não precisa mais nada. A ontologia dos século subsequentes é cultural, ocidental, grega, por isso, sobra.
Que significa hoje para nós? A mesma coisa, só que a vinte séculos de distância. Com mais perspectiva, com mais sentido crítico, com mais consciência da relatividade (não digamos “relativismo”) de nossas afirmações, sem fanatismos nem exclusivismos, sabendo que a mesma manifestação de Deus se deu em tantos outros lugares, em tantas outras religiões, através de tantos outros mediadores. Porém, com a mesma alegria, o mesmo amor e a mesma convicção.
Oração: Senhor, tu que nos abres os olhos para que descubramos a beleza da criação e a grandeza do teu amor, ajuda-nos a colaborar contigo para que todas as pessoas possam alegrar-se ao ver a tua luz. Isto te pedimos por Jesus Cristo, filho teu e irmão nosso. Amém.

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A liturgia de hoje traz muitos ensinamentos de valores, começando pelo preconceito que existe na sociedade, inclusive entre os próprios discípulos que acreditavam ser a cegueira um castigo enviado por Deus.
O homem foi criado para viver plena e verdadeiramente a digna condição humana. E, o cego de nascença, principal personagem do evangelho de hoje, representa o povo oprimido que não tem consciência de sua condição, e vive de forma desvirtuada do fim para o qual foi criando.
Ao fazer o cego enxergar, Jesus demonstra a missão para a qual foi enviado e que, também, é compromisso de todo aquele que nele crê, abrir os olhos do mundo para as verdades do Reino de Deus: a justiça, a partilha, a fraternidade.
Para realizar esse milagre, Jesus não precisava usar instrumento algum, porém, ele faz barro que simboliza a origem do homem, e dessa origem ele o traz de volta à luz. O Evangelho mostra ainda a situação de opressão em que vivem os cristãos naquela época. Para não ter o poder ameaçado, as autoridades recorrem a todos os recursos disponíveis: primeiro tentam transformar o milagre em fraude, questionando a verdadeira cegueira daquele homem e, ao perceberem que isso não é possível, usam da lei de Moisés para dizer que não se trata de uma obra de Deus, pois, o milagre se deu em um sábado, colocando dessa forma a observância da lei à frente do bem da humanidade. Por fim, não tendo mais argumentos para derrubar a graça de Deus presente naquele homem, usam da força de sua autoridade para expulsá-lo do templo, no desejo de que vivesse à margem da sociedade.
A cegueira lembra o afastamento e o pecado; o lavar-se na piscina recorda a imersão na água, fazendo uma referência ao batismo; e a luz simboliza a fé. Jesus é a água que lava e purifica, e todos são convidados a se aproximar dessa fonte para enxergar.
Curado por Jesus e fortalecido pela fé, o cego enfrenta seus opressores e passa a fazer parte da comunidade que anuncia a verdade, ajudando a abrir os olhos daqueles que ainda permanecem na escuridão.
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Fé mais profunda
As passagens do Evangelho que a Igreja oferece para esse ciclo litúrgico são uma verdadeira catequese. No primeiro domingo, escutamos o Evangelho das tentações e pensamos nas provas, lutas e dificuldades da vida. No segundo, o da transfiguração, no qual fomos iluminados com a contemplação, na fé, do rosto do Senhor e meditamos na nossa filiação divina. No terceiro, aparecia a Samaritana pedindo a água que sacia sem saciar, o Espírito Santo. Hoje, quarto domingo, o cego que começa a ver por iniciativa de Jesus; no entanto, depois a iniciativa seria do cego, pois ele procuraria Jesus e o adoraria. Finalmente, no domingo que vem, escutaremos a narração da ressurreição de Lázaro e nos recordaremos tanto da nossa ressurreição espiritual no batismo e na confissão sacramental quanto da ressurreição da carne que experimentaremos na consumação dos últimos tempos nos quais vivemos.
O papa Bento XVI dizia que “o domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9,35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer nele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz»” (Bento XVI, mensagem para a quaresma de 2011).
Deus conceda que a nossa fé seja mais profunda. Nós, como aquele que fora cego, começamos a ver somente pela iniciativa e pelo poder de Jesus; também foi pela ação misteriosa da graça que nós continuamos a buscar a Cristo e a adorá-lo. Há uma antiga oração da Igreja que pede a Deus que as nossas ações sejam precedidas, ajudadas e terminadas com o auxilio divino mostrando, dessa maneira, a nossa dependência total do Senhor. Seria terrível se algum dia nos invadisse uma espécie de autossuficiência espiritual. Seria o momento no qual Jesus nos diria, como outrora aos fariseus, que a nossa pretensão é o que nos cega (cfr. Jo 9,41).
Não nos consideremos grande coisa só porque participamos de uma determinada pastoral ou de determinado grupo; nem pensemos que seremos salvos porque somos desse ou daquele movimento; tampouco nos apoiemos numas obras que sabemos que são boas, mas que frequentemente estarão manchadas pelo egoísmo e pelo orgulho. A caminhada junto ao Senhor, as contínuas quedas no caminho rumo à santidade, a aparente repetição das lutas interiores que nós não sabemos explicar, deveriam levar-nos a uma profunda humildade, a confiar sempre mais na iniciativa de Jesus, a combater os nossos próprios defeitos em total dependência da ação divina e a adorar a Deus com todo o nosso ser.
Livre-nos Deus de toda pretensão. Ao contrário, devemos reconhecer constantemente que Jesus é o nosso único Salvador. É esse reconhecimento que nos faz fortes e audaciosos, não por nossa própria virtude, mas confiando em Jesus. Aprofundar na fé nos fará ver, cada vez mais, a importância de sermos pequenos diante de Deus. Essa pequenez é totalmente compatível com a visão de águia, ampla e audaciosa, que nós devemos ter. Uma criança, deixada às suas próprias forças, cairá; verá pouco porque é de baixa estatura, ou seja, terá uma visão demasiado limitada da realidade. No caso de que essa criança seja levantada pelos braços poderosos do seu Pai do céu, terá outra visão das coisas. Nos braços de Deus e, portanto, das alturas, veremos diferente. Surgirá um panorama antes insuspeitável, um horizonte jamais contemplado e uns campos jamais ceifados. A profundidade da fé que nos leva à humildade, a cavar profundamente no nosso nada, nos leva também à magnanimidade, ao desejo de realizar grandes ações, ao desejo de “comer o mundo” por Deus, a ser apóstolo, a evangelizar, a trazer muitas pessoas à casa de Deus. Tudo isso é resultado de ir aprofundando cada vez mais na fé. Isso é graça, mas também é responsabilidade pessoal: rezar, fazer penitência, confessar-se, ler assiduamente o Evangelho, pedir a Nossa Senhora e a são José que nos ensinem a conviver com Jesus, lutar por extirpar defeitos e pecados. Esses são os meios que o Senhor coloca à nossa disposição para que alcancemos o fim.
Não podemos ficar lamentando-nos: “sou um pobre pecador”, “não posso nada”, “pobre de mim”. Não podemos paralisar-nos! Enquanto isso os inimigos de Deus e de sua Igreja trabalhariam para dominar. Não! Sabedores das nossas fraquezas, confiaremos na graça de Deus; conscientes da nossa pobreza, nos enriqueceremos com os tesouros imperecíveis do nosso Pai do céu. O cristão deve ser uma pessoa de fé cada vez mais profunda, humilde, simples; deve ser pequeno diante de Deus. Mas um filho de Deus deve ser também alguém que anda com a cabeça erguida, consciente da sua nobre condição e do seu dever de “comer o mundo”. Um maior crescimento na fé implica uma visão mais ampla das coisas e uma audácia antes não experimentada. Deus conta conosco!
padre Françoá Costa
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Jesus e o cego
Jesus unge os olhos do cego de nascença com lama feita a partir da saliva. Jesus como que inicia com um rito. Toca os olhos do cego, concedendo-lhe a visão. E, aos poucos no diálogo com ele, vai-lhe despertando a fé. E o cego acaba vendo, à luz da fé, que Jesus é o Filho do homem. Acaba dando testemunho dele.
A cura do cego descreve o processo da fé de um homem, que vai passando das trevas da cegueira, para a luz da visão, e desta para a Luz da fé em Cristo. O “cego” é um símbolo de todos os homens que renascem pela fé, acolhendo Jesus (no batismo) e deixando-se conduzir pela sua palavra.
Tudo começa por uma pergunta dos discípulos a Jesus: “Por que esse homem nasceu cego?” ”Quem pecou para que nascesse cego: ele ou seus pais?” (Jo 9,2). Jesus responde: “Nem ele, nem seus pais pecaram…” (Jo 9,3). Com essa resposta Jesus lembra o que os profetas já combatiam que era uma crença popular antiga que pensavam que o cego estava pagando pelos seus pecados ou dos seus antepassados. Trata-se de uma crença errada, semelhante ao absurdo da reencarnação. Esta é uma crença espírita, não é cristã. A palavra de Deus nos diz: “os homens morrem uma só vez, depois vem o juízo” (Hb. 9,27). A reencarnação é uma injustiça! É negar a obra redentora de Cristo e afirmar que é o próprio homem que se salva, por etapa, cada vez mais que se reencarna. É a onda do reciclável, como lixo.
“Nem ele, nem seus pais pecaram…”. Com isso Jesus quer nos ensinar que os segredos da vida pertencem a Deus! Se crermos no seu amor, se nos abandonarmos nas suas mãos, a maior dor, o mais inexplicável sofrimento pode ser confortado pela certeza de que Deus está conosco e nos fortalece. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Até na dor e no sofrimento Deus está presente.
O mundo hedonista, consumista e superficial não compreende isso! O cego é questionado pelas autoridades sobre a origem de Jesus. E ele mostra-se livre (diz o que pensa…); corajoso (não se intimida); sincero (não renuncia à verdade); suporta a violência( é expulso da sinagoga). Antes de se encontrar com Jesus, o cego é um homem prisioneiro das “trevas”, dependente e limitado. “Não sabe quem o curou” Finalmente, encontrando-se com Jesus, que lhe pergunta: “Acreditas no Filho do Homem”, manifesta a sua adesão total: “creio, Senhor”. Prostra-se e O adora. O caminho de fé do cego é um itinerário para todo cristão!
São Josemaria Escrivá, em amigos de Deus, nº 193, diz: “Que belo exemplo de firmeza na fé nos dá este cego! Uma fé viva, operativa. É assim que te comportas com os mandatos de Deus, quando muitas vezes estás cego, quando nas preocupações da tua alma se oculta a luz? Que poder continha a água, para que os olhos ficassem curados ao serem umedecidos? Teria  sido mais adequado um colírio desconhecido, um medicamento precioso preparado no laboratório de um sábio alquimista. Mas aquele homem crê, põe  em prática o que Deus lhe ordena e volta com os olhos cheios de claridade”. Nesta Quaresma, somos convidados a viver a experiência catecumenal, renovando o nosso batismo, mediante o sacramento da penitência (confissão).
Quanto mais buscamos Jesus como luz, mais nossa vida terá sentido. O nosso comportamento de cristão deve ser testemunho do batismo recebido; devemos testemunhar com as obras que Cristo é para nós, não apenas luz da mente, mas também luz da vida. Não são as obras das trevas – o pecado- as que correspondem a um batizado, mas sim as obras da luz.
Como o cego, após o encontro com Jesus, iluminado, manifestemos a alegria de sermos cristãos! “A alegria do discípulo não é um sentimento de bem estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é a nossa alegria” (DA, 29).
“Ó Deus, luz de todo o ser humano que vem a este mundo, iluminai nossos corações com o esplendor da vossa graça, para pensarmos sempre o que vos agrada e amar-vos de todo o coração.”
mons. José Maria Pereira

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A luz que vem de Deus
A Palavra de Deus nos fala sobre a luz divina que se manifesta na história humana. Deus se revela ao mundo de modo original e surpreendente.
Nas pessoas pobres e frágeis, ele manifesta a grandeza de seu amor. Escolhe Davi, um humilde pastor, para governar o seu povo com justiça. Depois envia seu filho que cura a cegueira, liberta de toda opressão e ilumina o caminho da vida. Quem segue Jesus anda no caminho da luz.
A primeira leitura descreve a escolha de Davi para ser o rei de Israel. Samuel foi à casa de Jessé, os filhos são apresentados, mas o escolhido é o menor que está no campo cuidando do rebanho. Ele foi ungido. A unção é o meio pelo qual se confere uma missão sagrada. O Governo do povo deve ser realizado sob a autoridade de Deus.
Mostra que Deus não se deixa conduzir pelas aparências. Ele conhece o coração de cada pessoa e chama os que estão no ultimo lugar para realizar o seu plano de salvação.
O Evangelho descreve a cura do cego de nascença. A cegueira era considerada um castigo divino, seja pelos pecados da pessoa ou dos antepassados. Por não poder ler a Sagrada Escritura e estudar a Lei, era considerado um ignorante diante de Deus.
Jesus veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Quando perguntam a Jesus, quem pecou, ele procura abrir também os olhos dos discípulos em vez de achar um culpado, Jesus resgata a dignidade, recuperando a visão.
Jesus vê o cego de nascença e toma a iniciativa de curá-lo. Usa a terra e saliva, formando um barro que lembra a criação. Jesus quer recriar a pessoas, dando-lhes nova vida. Mas a graça divina precisa da colaboração da pessoa. Por isso o cego deverá seguir a palavra de Jesus e lavar-se na piscina.
Seguir o caminho de Jesus significa entrar num processo de libertação. O cego recupera a vista, recebe de Jesus o dom da fé e torna-se discípulo. Recuperar a verdadeira visão é renascer pela fé, acolher a Jesus e se deixar conduzir por sua palavra.
São Paulo quer manter a comunidade Cristã no caminho do amor. Existem dois caminhos: o das trevas e o da luz. O caminho das trevas era bem conhecido pelos cristãos de Éfeso. Viviam no egoísmo, na avareza, na busca de prazeres. São Paulo ensina o caminho da luz que se manifesta por uma vida em Cristo. Ele viveu como filho da luz e se revelou como a luz verdadeira. Jesus não somente assumiu atitudes de amor, mas é a essência do amor.
A pessoa unida a Cristo também é filha da luz. Sabe discernir o que é agradável ao Senhor e produz frutos de bondade, justiça e verdade. Jesus nos fez participantes da sua própria natureza divina. Assim como Ele é a Luz de Deus no mundo, também nós podemos viver de tal modo que a luz divina brilhe no mundo através de nossas boas obras.
Jesus é a luz do mundo. Vivamos como filhos da luz para que as pessoas vejam as boas obras e glorifiquem o Pai que está nos céus.
padre Marcos Rech
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«Tinha olhos e não via. Sou cego e vejo»
Dar Cristo ao mundo, para que todo o homem se abra à sua vocação de ser
luz por meio da vivência da fé. Evangelho claro, nítido e luminoso para todos
os corações que querem ver ou em quem já brilha a Luz.
Disse Jesus ao cego que tinha curado: «Tu acreditas no Filho do Homem?». Ele respondeu-Lhe: «Mas quem é, Senhor, para eu acreditar nele?». Disse-lhe Jesus: «Já o viste. É aquele que está a falar contigo». Então o homem exclamou: «Eu creio, Senhor». E prostrou-se diante dele. Este texto do evangelho de São João (9, 35-38) traz-me à mente um certo homem que encontrei, há tempos, na encruzilhada de duas grandes ruas do centro da cidade de Madrid. Tinha uns óculos pretos que lhe cobriam os olhos e parte do rosto, do nariz até aos ouvidos. Quando os dois amigos, que me acompanhavam, mo apresentaram, ele disse-me: «Olhe! Houve tempos na minha vida em que tinha olhos e não via, agora sou cego e vejo». Dito isto, tirou os óculos. Nas zonas cobertas pelos óculos não havia nada de olhos, parte do nariz e parte das têmporas. Durante a Guerra civil de Espanha, uma bala tinha-lhe levado tudo. Do desespero, conseguiu chegar a Cristo. E, admiravelmente, Cristo tornou-se a Luz do seu viver. Decidiu passar o resto da vida nas ruas a dizer a todos que «Cristo vale a pena, que seguindo a sua luz, nunca se erra o caminho». O evangelho de hoje apresenta-nos um cego de nascença. A passagem de Cristo perto dele dá-lhe uma esperança sem limites. E, em paga, Cristo dá luz aos seus olhos.
Vi, há dias, na Internet uma série de fotos de mapas que mostram, de noite, a imensa quantidade de luzes das maiores cidades do nosso planeta. São encantadoras estas luzes que a tecnologia soube criar. É verdade que também há trevas na nossa terra, que tão bela parece vista lá de cima, dos satélites. Diz a Palavra de Deus: «Cobrem as trevas a terra e a escuridão os povos» (Isaías 60, 2). E ainda: «A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam» (João 1,5). Olhos abertos, corações cegos! Uma nuvem espessa de tristeza tolda a muitos o caminho para a felicidade que traz a luz. Há corações em que não freme ainda o ritmo da alegria, onde ainda não corre suave e benfazejo o sangue luminoso nas artérias da vida.
Seria maravilhoso podermos contemplar um mapa da terra, onde se vissem as luzes de cada coração e de cada alma onde mora a luz do Espírito do Senhor, onde moram as luzes do amor a Deus e do amor ao próximo. Que luzes! Que arco-íris a iluminar este mundo que é o nosso! Condutores de luz nas nossas terras, a darem brilho a quem vive nas trevas do erro, da tristeza, da injustiça, da pobreza! Voluntários que daqui partem para terras longínquas, fachos luminosos para as gentes de lugares onde não brilha o sol das andorinhas, onde as crianças ainda não aprenderam a sorrir e a saborear o amor!
Ao cego do evangelho disse Cristo: «Vai, lava-te na piscina de Siloé (que significa: Enviado). Ele foi, lavou-se e começou a ver». É a nossa tarefa na sociedade de hoje: lavar vidas nas águas de Siloé. Mas o Enviado é Cristo, a sua piscina é a Igreja, as suas águas são o Espírito de Deus. Lavar-se em Siloé é regozijar-se na Luz. Só nessa luz saberemos quem somos, aprenderemos a alegrar-nos na piscina, viveremos do arco-íris. Ter luz! Ser luz! Dar luz! Dar Cristo ao mundo, para que todo o homem se abra à sua vocação de ser luz por meio da vivência da fé. Evangelho claro, nítido e luminoso para todos os corações que querem ver ou em quem já brilha a Luz.
Aventino Oliveira
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É possível sobrevier sem luz? Sim, as pesquisas científicas indicam que a partir de 200 metros de profundidade dos oceanos habitam alguns criaturas com capacidade de sobrevivência sem luz.
Por outro lado a escolha de apagar as luzes em solidariedade ao planeta, como o movimento que aconteceu no sábado 26/03, indica uma alternativa contra  o uso abusivo dos recursos disponíveis para o ser humano.
Mais que isso, aprender a viver num mundo sem luz é o que se chama adequar-se às formas tardias de cegueira.
Como alternativa para a cegueira de nascença, a medicina moderna apresentou inúmeras alternativas para uma vida com mais dignidade e maior integração à sociedade.
Toda esta realidade aparece, de algum modo, no texto do evangelho deste domingo que nos sugere abrir os olhos para outras realidades cuja caminhada quaresmal rumo à páscoa nos faz entender melhor.
O longo diálogo de Jesus com o cego e entre as autoridades de Jerusalém aponta para a missão do Messias. Mais do que fazer enxergar as realidades físicas, Jesus abre os olhos do cego para que veja e reconheça quem o homem que lhe curou da cegueira. Reconhecendo Jesus, o cego de nascença é colocado na mesma condição da mulher samaritana: “quem é o Messias para que eu creia nele?”  Diante dos questionamentos das autoridades de Jerusalém o que havia sido curado confirma:  “De uma coisa eu tenho certeza: Eu era cego e agora vejo. Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e  que faz a sua vontade. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de  nascença. Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada”.
Na pessoa do cego e daqueles que acreditam numa nova forma de vida está também indicado um novo jeito de viver e de enxergar o mundo.
O mesmo fato se deu por ocasião da unção de Davi como Rei de Israel. Aos olhos humanos o novo Rei  seria escolhido pelas aparências, mas o profeta foi convidado a enxergar muito além do que seus olhos podiam ver: “Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”.
É nesta mesma direção que também são Paulo faz o convite à comunidade de Éfeso: “Vivam como filhos da luz”.
Eis o convite e a lição que nos dá a Palavra de Deus neste domingo. Diante de tantos apelos, mediante tantas ameaças, sujeitos a inúmeras situações de descaso para com a obra criada, somos convidados nesta quaresma, enxergar o mundo com outro olhar e tratar a obra criada, com o respeito de quem se sabe Filho da Luz cuja responsabilidade é facilitar que a luz esteja acessível a todos quantos vivem hoje bem como às futuras gerações.
A luz que recebemos de Deus pede de cada um e de todos atitudes de caridade e de responsabilidade com a vida de todas as criaturas.
Deixemo-nos moldar pela penitência, pela oração, pelo Jejum e por todas as práticas quaresmais em vista da Páscoa de Jesus e da páscoa de toda a humanidade.
padre Elcio
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Celebramos neste 4º domingo da Quaresma o “domingo da alegria”, onde vemos a cura do cego de nascença que, para nós, anuncia a páscoa que iremos celebrar e que estamos nos preparando para esta grande festa – a Ressurreição. Mas, começando pela primeira leitura vemos o Senhor confundindo a família de Jessé e escolhendo para Rei um garoto, o mais novo da família, e que diante dos olhos dos espectadores seria o menos indicado.
Certamente Deus confunde as mentes com seus conceitos lógicos e nos surpreende operando Seu poder como é o caso de Davi. Deus o escolhe e nele marca sua grande promessa - a vinda do salvador. Assim, com a escolha de Davi, nasce a esperança da libertação do povo de Israel, mas também de todos aqueles que crerem no “filho do homem”. É o inicio de uma promessa que culmina em Nosso Senhor Jesus Cristo. É o que vemos na segunda leitura – “Sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz”. Ele é a luz que veio ao mundo, que tanto Deus proclamou no Antigo Testamento. Tudo o que Deus prometeu a Abraão, nas alianças feitas aos profetas e na pessoa de Davi como o início de um novo reinado concluiu-se em Jesus.
Importante vermos nesta palavra de Efésios que tudo que está nas trevas e que vem a luz torna-se luz. Deus tem a capacidade de, em Jesus, transformar as trevas em luz. Assim aquele pecado, aquela coisa mal feita que temos até vergonha de falar, quando declarada a Deus com arrependimento sincero torna-se, em nós, vida de Deus. Isto é maravilhoso – Deus realiza um milagre em nós transformando nossas imundícies, nossas podridões em vida e em uma vida abundante de graças – só Deus de Amor pode fazer isso. Não percamos tempo, vamos até essa fonte beber da água pura de Sua misericórdia nos banhando no sacramento da confissão.
Olhe bem. Diante de Jesus se coloca um cego de nascença e os discípulos perguntam: “quem pecou ele ou seus pais?” Isto porque no pensamento judaico a enfermidade, a pobreza era um tipo de condenação pelo pecado. Mas com a resposta de Jesus: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele”. Isso é importante para nós. Deus só permitiu que o pecado entrasse no mundo porque Ele tem um bem maior a nos dar, se buscarmos este bem maior, mesmo que: “Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã!” (Is 1, 18). Jesus quer um coração voltado a Ele para que possa fazer prodígios para nos salvar. Em relação ao cego, fez lama colocou em seus olhos mandou “ir” lavar na piscina de Siloé que quer dizer “emissário”. Isto num dia de sábado, foi questionado, acusado, mas para dar a LUZ a alguém que estava nas trevas, Jesus rompe com qualquer tradição e costumes, isto também serve para nós que muitas vezes ficamos presos em: modas, costumes, tradições, etiquetas em uma sociedade que nos diz: faça assim, não faça assado... E não somos para o irmão sinal de amor. NADA PODE SUPERAR A CARIDADE! Pois Deus disputa nações para salvar uma alma sequer.
Vamos parar de colocar obstáculos para sermos bons. A luz de Cristo brilha em nós, somos o povo do Senhor, bebamos nesta fonte e deixemos ser Luz para o irmão. Nosso mundo está mergulhado em trevas, mas você pode ser um farol e começar a transformar este mundo. Faça um propósito de colocar toda a sua vida com tudo que ela tem: pecado, enfermidade, problemas familiares, finanças, enfim toda a sua vida nas mãos do Senhor e a Luz do alto te iluminará fazendo que em você se manifeste a Glória de Deus.
Antonio ComDeus
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O cego de nascença
Santo Agostinho diz o seguinte: «As obras do Senhor não são apenas fatos: são também sinais. E, se são sinais, para além do fato de serem admiráveis, devem certamente significar algo. E encontrar o significado destes fatos é por vezes bem mais trabalhoso do que lê-los ou escutá-los». A cura do cego de nascença é um desses sinais. Este milagre revela que Jesus é a luz do mundo e vem libertar a humanidade de todo o gênero de cegueira. É óbvio que esta cura resulta da fé daquele homem, que nasceu com esta enfermidade.
O simbolismo do gesto de Jesus, radica no poder dos sinais e da palavra. É este o poder de Jesus ao contrário do poder deste mundo que se faz com armas e soldados. Por isso, o Seu poder liberta e salva porque radica na verdade e no amor a cada pessoa na sua situação concreta. Deve ser grande a nossa vontade de libertação quando a cegueira interior nos persegue e nos faz mergulhar na escuridão do sem sentido da vida. E a resposta para a cura interior da cegueira não está em nenhum poder deste mundo, mas na força da Palavra que Jesus nos oferece.
O mundo que nos rodeia não enxerga a verdade do bem que Deus quer edificar para todos. A humanidade cega-se com a ganância e o egoísmo que levam à injustiça, à falta de respeito pelos outros, em especial, os mais fracos.
Esta contingência do mundo traduz-se no abandono dos idosos, a violência doméstica, a exploração das crianças, o desemprego, a mentira, a calúnia, o desgoverno das autoridades públicas e, numa frase, ausência de valores em todos os domínios da nossa sociedade.
Assim, falta-nos a todos olharmos Jesus de Nazaré, o verdadeiro libertador e dizermos: «Eu creio, Senhor» para que a libertação das nossas cegueiras seja uma realidade e todos possam convergir para um mundo mais fraterno e justo.
padre José Luís Rodrigues
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A liturgia propõe-nos, durante a Quaresma, uma verdadeira renovação doutrinal, como preparação para a Páscoa da Ressurreição do Senhor. Em cada domingo é-nos dado um tema, para que o aprofundemos, no estudo e na oração.
Neste 4º domingo da Quaresma, chamado liturgicamente o domingo da alegria, a liturgia da Palavra convida-nos a uma reflexão profunda sobre a fé.
Não existe incompatibilidade entre uma Quaresma bem vivida e a virtude da alegria, e o melhor caminho para uma alegria crescente é o aprofundamento da virtude da fé.

1 Samuel 16,1b.6-7.10-13ª
A leitura é tirada do início da última parte do 1º livro de Samuel, que deixa ver o progressivo declínio do rei Saúl até à sua morte. A ascensão de David ao trono de Israel não aparece apenas como obra do seu génio e sagacidade, mas como uma providência divina com a intervenção de Samuel.
1 «Jessé», grafia usada na Vulgata para o pai de David, chamado Isaí, no texto hebraico (nos LXX, Iesai).
6-7 Tanto o profeta Samuel como Isaí estavam de acordo em sagrar rei o primogênito Eliab. Porém Deus, nos seus desígnios vocacionais, não olha a critérios humanos (ser o mais velho, o mais belo, o mais forte, o mais sábio): «o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração». A escolha divina é gratuita, não partindo dos méritos do escolhido, mas da benevolência divina que torna o homem capaz de cumprir a missão a que o chama.
12 «Ungiu-o no meio dos seus irmãos», isto é, em família, sem qualquer espécie de publicidade para evitar as iras e represálias do rei Saúl.

Efésios 5,8-14
A leitura é tirada da segunda parte de epístola, com exortações morais, correspondentes a uma vida nova em Cristo.
2. «Outrora», isto é, antes da conversão, «éreis trevas», pois viviam na ignorância, no erro, no pecado, afastados de Cristo, Luz do mundo, «mas agora sois luz no Senhor», pela fé e pela graça que têm pela sua união ao Senhor (cf. Jo 12,35-36). «Filhos da luz» (cf. Lc. 16,8; Jo 12,36) é um semitismo que corresponde ao adjetivo: iluminados (pela verdade de Cristo, «Luz verdadeira que a todo o homem ilumina» – Jo 1,9.4-5).
10. «Procurai sempre o que mais agrada ao Senhor». Para nos comportarmos como filhos da luz, temos de ter essa sobrenatural ponderação e discernimento de quem busca a todo o momento, em tudo o que diz e faz, a vontade de Deus.
13. «Tudo o que assim se manifesta torna-se luz». Toda a maldade que se denuncia é um projetar de luz sobre os ambientes tenebrosos do pecado. Estas palavras podiam adaptar-se à denúncia da nossa própria maldade, que levamos dentro de nós. Essa denúncia mais sincera e eficaz é a que se faz quando, no Sacramento da Penitência, acusamos sincera e contritamente os nossos pecados: então a nossa vida torna-se clara e luminosa, é luz. (A leitura presta-se, pois, a falar da Confissão Quaresmal).

João 9,1-41 (forma breve: João 9,1.6-9.13-17.34-38)
Este longo trecho apresenta-se como uma encantadora peça dramática, cheia de vigor e naturalidade, que se pode considerar estruturada em quatro atos:
1º A abertura (vv. 1-5), onde aparece o tema, Jesus,Luz do mundo, em face da cegueira, não apenas física do doente, mas moral, de que participam os próprios discípulos, obcecados pela mentalidade «retribuicionista» (cf. Job 4,7-8; 2Mac. 7, 18; Tob. 3,3); eles, em face da desgraça alheia, põem-se a indagar quem pecou e não quem a pode remediar.
2º A cura do cego (vv. 6-7).
3º A longa investigação acerca da cura (vv. 8-34), primeiro pelos vizinhos (vv. 8-12) e depois pelos fariseus que montam como que um processo judicial com sucessivos interrogatórios e que termina numa sentença de excomunhão (vv. 13-34).
4º O desfecho do drama (vv. 35-41), com o ato de fé do cego e a obstinação na cegueira espiritual dos que não querem crer.
Sem prejuízo para o valor histórico da narração, esta reveste-se dum grande poder evocativo e dramático, em que sobressai, evocando o itinerário dum catecúmeno, a progressão do cego para a fé plena, o qual começa por se confessar beneficiário da misericórdia do homem Jesus (v. 11), passando a reconhecê-lo como um profeta (v. 17), depois a atestar que Ele vem de Deus (v. 33), e, por fim, a professar a fé explícita em Jesus como Senhor, à maneira de quem responde às perguntas rituais do último escrutínio catecumenal (v 35-38). A alusão ao Batismo é bastante clara através da unção e do banho: «lavei-me e fiquei a ver» (vv. 11.15), pois na primitiva Igreja este Sacramento era chamado iluminação (cf. Hb. 6,4; 10,32; Ef. 5,14; Rom. 6,4). Por outro lado, o decreto de exclusão punitiva da sinagoga (v. 34) não vai apenas contra o cego, mas visa Jesus e os próprios cristãos, os quais no sínodo de Yámnia (pelo ano 80) se viram excomungados pelo farisaísmo que sobreviveu à destruição de Jerusalém (v. 22; cf. Jo 12,42; 16,2).
6-7 «Ungiu…» O milagre não se realiza nem pela virtude do «lodo», nem pela eficácia medicinal da água, água comum. O prodígio é consequência do simples querer de Jesus. Como em Mc. 7,33 e 8,23, com este gesto, Jesus quis pôr à prova e estimular a fé do doente, mas, neste caso, também se quis apresentar como «Senhor do Sábado», pois os rabinos consideravam a preparação do lodo e a unção como um trabalho proibido aos sábados (cf. v. 16). A «Piscina de Siloé» era alimentada pela água da fonte de Gihon (a fonte de Maria), que ali chegava através do canal de Ezequias (rei contemporâneo do profeta Isaías), canal subterrâneo e cavado na rocha com cerca de meio quilômetro de comprido.
Sugestões para a homilia
Jesus Cristo é a Luz que veio ao mundo para nos iluminar, dando sentido à nossa vida.
A experiência mostra-nos que quando as pessoas rejeitam a Luz de Deus, da fé, não conseguem descobrir os verdadeiros valores e correm atrás de quimeras que as destroem: a droga, a impureza e o dinheiro arvorado e valor supremo.
Além disso, no se reconhecem como irmãos da mesma família e, como consequência, reina a insegurança a todos os níveis: da vida (pelo aborto, terrorismo, assassínios, etc.) e dos bens.
1. O dom da fé
Para melhor compreendermos o tesouro da fé, vale a pena atentar de que são capazes os homens sem ela.
a) A ausência da fé. «Não te impressiones com o seu belo aspecto, nem com a sua elevada estatura.» Sem a luz da fé, vemos apenas as aparências, ao olhar para as pessoas, para os acontecimentos, e mesmo para a nossa vida. Por isso, caímos em ilusões e enganos, no pessimismo e no desânimo.
Assim aconteceu ao profeta Samuel, quando foi enviado por Deus, em segredo, a Belém, a casa de Jessé, para escolher e ungir um dos seus filhos para rei de Israel, em substituição de Saúl, caído em desgraça.
Quando viu Eliab, o filho mais velho, julgou que estava na presença do eleito do Senhor, mas logo foi dissuadido da sua convicção.
Antes de tomarmos uma decisão na vida, devemos pedir a luz do Senhor, para que aumente a nossa fé e a escolha seja acertada: na escolha da vocação, ou numa atitude a tomar com certa responsabilidade.
b) A riqueza da fé. «O Senhor disse a Samuel: ’Levanta-te e unge-o, porque é este mesmo.’» A luz da fé aparece-nos na Sagrada Escritura e na doutrina da Igreja como um dom de Deus. Leva-nos a ver as pessoas, as coisas e os acontecimentos como Deus as vê.
E, por isso, a visão é sempre acertada. Ninguém, como os santos, viram com toda a clareza os problemas e tomaram decisões no momento próprio, mesmo quando encontravam a oposição dos outros.
A fé é uma virtude, uma capacidade para agir, mas tem de ser alimentada, para dar frutos.
Alimentamo-la com a doutrina. O Senhor revelou-nos as verdades e que ensinamos na Igreja. Ela fala-nos nas celebrações, nas boas leituras de livros, especialmente a Sagrada Escritura e nas pregações.
Uma das razões pelas quais a Igreja insiste com os seus fieis na necessidade de participar na missa nos domingos e outros dias festivos é a necessidade de alimentarmos a fé recebida no batismo. Muitos cristãos vivem como se no o fossem, por causa da ignorância religiosa.
A Quaresma é um tempo litúrgico de intensa formação doutrinal. É um catecumenato resumido em cada ano. Somos instados a formar propósitos para concretizar na vida as verdades aprendidas.
Também de cada celebração da eucaristia devemos sair com propósitos de vida: viemos aprender para praticar.
c) A alegria da fé. «Daquele dia em diante, o Espírito do Senhor apoderou-se de David.» Depois da descoberta daquele que Deus escolhera para rei, Samuel ungiu-o, cheio de alegria. A unção com o óleo significa a abundância dos dons de Deus.
Também David, mantendo o segredo da escolha de Deus sobre ele, procurou, muitas vezes libertar Saúl da tristeza que o dominava, com as suas canções e bom humor.
A fé enche de esperança a nossa vida, porque nos faz ver as maravilhas que estão ao nosso alcance e nos ajuda a viver numa esperança alegre, como nos ensina Bento XVI, na Encíclica Salvos na Esperança.
À luz da fé, encontramos respostas para todas as nossas dúvidas, o nosso caminhar enche-se de ânimo, porque acabaram as nossas hesitações, e conseguimos ver nos acontecimentos mais sombrios a mensagem alegre do amor de Deus.
2. Jesus Cristo, nossa luz
a) Procurar o Senhor. «É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou.» Nascemos cegos. Recebemos a virtude da fé no batismo, como dom gratuito de Deus. Mas depois temos de procurar desenvolvê-la. Fé que no se vive, é luz que se apaga.
Se no fora o encontro deste cego de nascença com Jesus, certamente viveria e morreria cego. O encontro deste homem com o Divino Mestre mudou completamente o rumo da sua vida.
Por vezes, as pessoas fogem dos meios de formação, de aprofundar a sua fé, para fugir a responsabilidades, para no terem que mudar hábitos de vida. Aquele que fecha os olhos à luz, que evita oportunidades de aprofundar a fé peca contra a luz, fechando propositadamente os olhos para no ver.
Outras vezes, esta atitude apresenta-se com aparências de bondade: não se evita o esclarecimento das verdades, mas procura-se escutar apenas quem fala de encontro aos nossos gostos e no nos pede mudanças de vida. Em vez de prestar atenção ao que ensina o Santo Padre, os Bispos em comunhão com ele e os sacerdotes que lhes servem de eco, agarram-se a uma opinião errada para continuar com os mesmos passos em falso.
Havemos de procurar a luz do Senhor com toda a lealdade e retidão, movidos pelo desejo de fazer tudo e só o que for da Sua vontade.
b) A fé, dom sobrenatural. «Isto é realmente estranho: no sabeis de onde é, mas a verdade é que Ele me deu a vista.»
Não podemos adquirir a fé pelo nosso esforço. Foi-nos oferecida gratuitamente no nosso batismo. Deve ser alimentada pela formação doutrinal, crescer pelo nosso esforço em pô-la em prática, celebrá-la da Liturgia e proclamá-la no apostolado, especialmente com o nosso exemplo.
Mas não podemos fazer nada disto, se Deus não vier em nosso auxílio. Grandes inteligências da história da Igreja caíram em grandes erros. Como contraste, almas humildes, com uma formação intelectual escassa, penetraram nos mistérios da fé com mais profundidade do que muitos teólogos.
É com esta atitude de humildade que havemos de pedir ao Senhor que aumente a nossa fé, à semelhança dos cegos que Jesus encontrava na vida pública e Lhe pediam: «Mestre: que eu veja!»
c) Colaboremos com o Senhor. «Vai lavar à piscina de Siloé [...] Ele foi, lavou-se, e ficou a ver.» Este homem colabora ativamente com o Senhor, caminhando até à piscina indicada, e lavando-se. Só então experimentou a alegria de ver.
Se queremos crescer na fé – ver de cada vez melhor – é indispensável este esforço para ir pondo em prática aquilo que o Senhor nos vai ensinando, pouco a pouco. Há pessoas, antes bons cristãos, que agora se queixam: «Perdi a fé!» De fato, perderam-na, porque ninguém lha roubou. E a perda começou no momento em que, arrastados pelas paixões, deixaram de pôr em prática aquilo que o Senhor lhes ia mostrando como necessário.
Temos necessidade de testemunhar a fé, como este homem corajoso do Evangelho e tantos outros. A fé apresenta-se como um dom tão precioso, que muitos deram a vida para a defender.
A eucaristia é o mistério da nossa fé, como proclama o celebrante, no final da consagração. Ela é também alimento que a fortalece e transforma em alegria.
Também na virtude da fé Nossa Senhora é modelo. Santa Isabel elogia-A. «Bendita és tu, porque acreditaste em tudo quanto te foi dito da parte do Senhor.» Que Ela nos ajude nesta caminhada pela vida.
Nuno Westwood - Geraldo Morujão

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