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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 5 de abril de 2014

5º DOMINGO QUARESMA - LÁZARO, VEM PARA FORA!

5º DOMINGO QUARESMA


Evangelho - Jo 11,1-45

6 de Abril de 2014 

Comentários-Prof.Fernando



LÁZARO! VEM PARA FORA! - José Salviano


A morte e ressurreição de Lázaro nos conduz a refletir sobre a nossa existência, a nossa situação atual de vida. Quaresma é tempo de conversão. Leia mais...

 

 

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“EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA”... Olívia Coutinho

V DOMINGO DA QUARESMA.

06 de Abril de 2014

Evangelho - Jo 11,1-45


Estamos no quinto domingo da quaresma, já nos aproximando  do ponto  mais alto da nossa fé: A PÁSCOA DO SENHOR JESUS!
Como foi bom caminharmos juntos, neste tempo de graça em que tudo  se converge para Jesus, para a cruz e principalmente para a Páscoa, razão e porquê de todo o nosso ser cristão.
O caminho que percorremos,  nos aproximou mais de Deus, nos trouxe a certeza de que somos filhos muito amados por Ele e que  unidos ao Seu Filho Jesus, podemos  transformar o mundo!
A liturgia, já nos faz entrar no clima do mistério do amor do Pai, de um amor sem limites, que não poupou o seu próprio  Filho de passar pela da cruz, por nossa causa!
No final deste tempo Quaresmal, somos convidados  a mergulhar no mistério   do amor do Pai, entrando em intimidade com  o Filho que veio restituir a vida  que fora ameaçada pelo pecado. 
Tudo muda em nós, quando deixamos nos conduzir  por Jesus, as nossas tristezas se transformam em alegria, a desesperança em  esperança e o desanimo em motivação!
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, narra a belíssima cena da ressurreição de Lázaro. Um episódio que se deu em  Betânia,  uma aldeia distante  três quilômetros de Jerusalém.
Jesus não se encontrava em Betânia, quando recebeu a notícia de que Lázaro, seu amigo, estava gravemente doente. Ainda assim,  Ele   não se apressa em  ir até ele.  Jesus   só chegou Betânia,  alguns dias depois, quando Lázaro já estava morto.
 Marta,  ao saber que Jesus havia chegado em sua casa, vai ao seu encontro, ela sabia que a presença de Jesus seria um balsamo no alivio de sua dor. Num desabafo profundo, Marta  diz à Jesus: “Senhor se estivesses aqui o meu irmão não teria morrido.”  Mal sabia ela,   que Jesus  já estava ciente de tudo que acontecera e que Ele só deixou que tudo aquilo acontecesse, para que através deste acontecimento, muitas vidas fossem trazidas de volta, ou seja,  Jesus, ressuscitando Lázaro, faria com que muitos  passassem  a crer Nele, o que de fato aconteceu.
Enquanto  Marta relata  o acontecido à Jesus,  Maria, completamente desolada nada fala, apenas chora,  nem se quer vai ao  encontro de Jesus.  Só depois que Jesus mandou chamá-la, é que ela vai  até Ele. De  joelho, Maria repete  as mesmas palavras de Marta: “ Senhor se estivesses aqui o meu irmão não teria morrido”.
Certamente todos nós, já passamos por alguma experiência semelhante. Sabemos que não é fácil separarmos de quem amamos. Quando perdemos um ente querido, parece que o mundo desaba sobre nós, ficamos sem chão, sem rumo, às vezes até vacilamos na fé, questionando Deus, ao contrário de Marta e Maria, que não questionaram Jesus, pela morte  do irmão.  Apesar da dor, elas  mantiveram  firmes na fé, reconhecendo Jesus como Deus e Senhor: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo.” (palavras de Marta)
Deus permite que estas separações nos aconteçam, mas Ele não nos abandona, é Deus   que  nos carrega no colo enquanto fazemos esta difícil travessia!
Quando tudo nos parece perdido, Jesus vem ao nosso encontro, como foi ao encontro das duas irmãs, Marta e Maria. Ele não  trás de volta a vida terrena dos nossos entes queridos, como trouxe  de volta a vida de Lázaro,  mas Jesus, mergulha conosco no oceano  mais profundo da nossa dor, para depois nos reerguer e nos recolocar de pé. 
O choro de Jesus diante  àquele triste acontecimento, vem nos mostrar a sua sensibilidade diante dos que sofrem! Jesus chora pela perda do amigo e pela dor  dos que ficaram! O seu exemplo nos  mostra a sua solidariedade pelos humanos, que requer a  sua atenção e a sua compaixão, principalmente nestes  momentos dolorosos da vida.
Sabemos que são muitos os irmãos e irmãs que hoje choram a perda de um ente querido,  e nem sempre estas pessoas encontram quem se solidarize com elas.
Jesus nos desperta para a solidariedade, para tornarmos sinais da sua presença no amparo aos que sofrem! Não temos o poder de trazer de volta a vida terrena de quem se foi,  mas podemos reerguer aqueles que  sentem  soterrados nos túmulos escuras da vida. Não há muito que fazer, diante o sofrimento de alguém que passa por   experiências dolorosas de perdas, mas  a nossa simples presença, o nosso chorar juntos, pode amenizar a dor  de alguém!
Um ponto importante também, que podemos tirar como aprendizado neste evangelho, é que, mesmo quando tudo nos parece perdido, como parecia para Marta e Maria, há sempre uma esperança, pois, por mais escura e longa que seja a noite, ela não é definitiva, depois da escuridão vem um novo dia e  o sol sempre volta a brilhar!
A ressurreição de Lázaro, foi um prenuncio da ressurreição de Jesus, com uma grande diferença, Lázaro morreria novamente, enquanto que a ressurreição de Jesus seria  definitiva!
A nossa vida não termina com a  morte, pois nós também,  ressuscitaremos um dia, com Jesus.

FIQUE NA PAZ DE PAZ! - Olívia

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Das profundezas clamo a Vós
Chegamos ao sinal (milagre) mais forte, apresentado por Jesus, para suscitar a atitude de fé. "Muitos judeus que tinham ido à casa de Maria, e viram o que Jesus fizera, creram nele" (Jo 11,45). O derradeiro e definitivo sinal será sua própria Ressurreição, razão de nossa fé (1Cor. 15,17), que é anunciada pela ressurreição de Lázaro.
Jesus é Vida, por isso pode dar a Vida! Ele ressuscitou três mortos (a menina, o jovem de Naim e Lázaro). Três significa plenitude. A narrativa conta que Jesus estava distante quando recebeu a notícia da doença de Lázaro. Ele não se apressa e diz: "Essa doença não leva à morte; mas serve para a glória de Deus e para que o Filho do Homem seja glorificado por ela" (Jo 11,4). Quando chegou a Betânia, Lázaro já estava morto há quatro dias. Já cheirava mal, como disse Marta. Jesus-Vida se contrapõe à morte do corpo e da alma. Esse milagre (sinal) demonstra a fragilidade da pessoa, como reza o salmo 129: "Das profundezas clamo a vós, Senhor, escutai minha voz".
Ezequiel faz uma profecia a partir do sinal dos ossos secos que cobriam a planície. Ele profetiza que eles se ajuntarão, serão cobertos de carne e que um Espírito de Vida lhes será infundido. Tornam-se um exército. Assim o povo sai da sepultura do sofrimento e vive (Ez. 37,1-14).
O milagre indica também a Vida. Jesus diz a Marta que Lázaro ressuscitará. Ela crê na ressurreição do último dia. Jesus vai além dessa "ressurreição" e afirma: "Eu sou a Ressurreição e a Vida, quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá, e todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá para sempre. Crês isso?" (v. 25). Marta fazendo sua profissão de fé, completa: "Eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que deveria vir ao mundo" (v. 27) (= Messias – Filho de Deus – o Prometido). A ressurreição de Lázaro é símbolo do poder de Jesus de dar a Vida divina pela fé, O batismo nos dá essa vida. É uma ressurreição. Ele venceu a morte, que é a personificação do mal, e conquistou-nos a Vida.
2. O Espírito de Cristo.
O Espírito de Deus ressuscita Jesus. Essa Ressurreição pede nossa fé. Se a acolhermos, viveremos.
A fé cristã não é um acúmulo de palavras ou atitudes. É uma vida dada pelo Batismo. Nele fazemos a profissão de fé e recebemos a Vida. "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10,10). Essa vida nos é dada pelo Espírito de Deus, que nos dá a mesma vida que deu a Jesus, quando estava há três dias na sepultura.
Paulo escreve: "E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que Ressuscitou Jesus dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que mora em vós" (1Cor 8,11). Além da vida divina, garante-nos a ressurreição do corpo. A doutrina católica afirma que nós ressuscitaremos com nosso corpo. Somos um corpo animado por uma alma espiritual, criada por Deus.
3. Vivos pela fé em Jesus
Paulo afirma que "os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus... Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo" (1Cor. 8,8-9). Os batizados recebem o Espírito de Cristo para viverem uma vida nova, coerente com a fé em Jesus.
O ritual do Batismo indica a vida pelas águas que, se por um lado afogam o mal, por outro, fazem germinar a Vida Nova pela fé em Jesus. Nossos corpos mortais são vivificados por meio do Espírito Santo que mora em nós (Rm 8,11). Jesus é a ressurreição e a vida. Com Ele nós ressuscitaremos e já vivemos sua Vida.

Capela São José

 

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A mim, ó Deus, fazei justiça, defendei a minha causa contra a gente sem piedade; do homem perverso e traidor, libertai-me, porque sois, ó Deus, o meu socorro(cf. Sl. 42,1s).
Chegamos ao último domingo da Quaresma. Depois destes quarenta dias de profundo jejum, continuada penitência e grande retiro de oração vamos contemplar hoje o tema da Ressurreição e da Vida. Este quinto domingo da Quaresma, pelos antigos chamado de Domingo da Paixão, é ressaltado pelo grande episódio da Ressurreição de Lázaro. Ressurreição de Lázaro que causou ódio das autoridades civis daquele tempo contra Jesus, dando um sinal de como deveria ser a própria ressurreição do Senhor. O episódio de hoje conduz à Páscoa da morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A primeira leitura (cf. Ez. 37,12-14) fala do tema da ressurreição, com a visão dos ossos revivificados pelo Espírito de Deus (cf. Ez. 37). Observamos, na leitura atenta desta perícope, que os ossos revivificados pelo sopro de Deus, explica uma visão precedente: a revivificação dos ossos (cf. Ez. 37,1-10). A morte serve aqui como figura de Israel, vivendo no Exílio, mais morto do que vivo. A revivificação é o gesto de Deus para reconduzi-lo a sua terra. Em tempos mais recentes, esta visão foi interpretada como a ressurreição dos mortos propriamente, e com razão, porque mais ainda que a volta do exílio, a ressurreição é obra do espírito vivificador de Deus e volta à plena comunhão com o Pai.
Por seu turno, a segunda leitura (cf. Rm. 8,8-11), fala do espírito que vivifica, mesmo se o corpo estiver morto; o espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos fará viver até os nossos corpos mortais. Assim, a missa de hoje, abre uma doce perspectiva que sustenta nossa conversão pascal, a partir da ressurreição do Cristo. A esperança no Senhor Ressuscitado que nos chama para a vida plena, para a ressurreição, a vida que não se acaba. O Espírito de Cristo nos faz viver pela justiça e sempre dá a vida aos corpos mortais. Em Romanos 6  que é a oitava leitura da vigília pascal  São Paulo falou da integração do cristo no Mistério da morte e ressurreição de Cristo. Quando o homem só vive de seu próprio Eu, ele é carne, existência humana precária e limitada. Não pode agradar a Deus. Mas com a integração em Cristo, pelo batismo, receber o Espírito, que ressuscitou Cristo dos mortos. Contudo, experimentamos em nós mesmo, que esta transformação ainda não tomou completamente conta de nós. Por isso, nossa fé é também esperança: o Espírito de Deus nos transformará sempre mais, se lhe dermos suficiente espaço.
Jesus hoje está a caminho de Jerusalém (cf. Jo 11,1-45 ou 11,3-7.17.20-27.33b-45). É a sua última viagem. Em Betânia, que fica distante apenas 3 km de Jerusalém, faz o grande milagre da ressurreição de Lázaro, a doação da plenitude da vida. O próprio Cristo nos anuncia: Eu sou a Ressurreição e a Vida (cf. Jo 11,25), ligando com a liturgia do domingo precedente: Eu sou a Luz do Mundo, quem me segue não andarás nas trevas, mas terá a Luz da Vida.
No terceiro domingo da Quaresma, no episódio da Samaritana se falou em água viva, em água que jorra para a vida eterna, e o Senhor se apresente como quem é capaz de dar de beber esta água salvadora. No quarto domingo da Quaresma, Jesus se apresentou como a Luz do Mundo. A água e a luz fazem crescer, vivificar os seres vivos. Sem água e sem luz, temos a morte. Por isso, a partir da água e da luz, Jesus reafirma a sua divindade e o seu poder de dar a vida, e a vida plena, que não se acaba. Exatamente, isso, com caridade extrema, foi à atitude de Jesus a ressuscitar Lázaro.
Da morte de Cristo irrompe e nasce a vida plena. Os mortos ouvirão a voz do Cristo e brotarão ressuscitados, porque todo o homem que crer no Senhor não ficará morto para sempre.
Betânia era parada obrigatória para os peregrinos que iam a Jerusalém. Ali eles tomavam banho, se preparavam para entrar em Jerusalém. E não podia ser diferente com Jesus e com os apóstolos. E a parada de Jesus era a carta de Maria, de Marta e de Lázaro, seus amigos íntimos.
Mas, qual seria a grande lição do Evangelho deste domingo:  as palavras de Jesus: Eu sou a Ressurreição e a Vida.
A mesma pergunta de Jesus a Marta é a pergunta que devemos nos fazer hoje: Crês isto?
E, também, a resposta de Marta é a mesma resposta que Cristo espera de cada um de nós: Creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus!
Diante de um túmulo fechado, com choros e lamentações dos irmãos e dos conhecidos de Lázaro, estava a humanidade perdida e sem esperança. O homem é inerte perante a morte se não a contemplar com os olhos da doce alegria cristã, a esperança na vida eterna. Jesus chega diante do túmulo. Jesus, o homem-Deus, dá uma ordem e Lázaro revive. A morte não é obstáculo para Jesus, porque Ele a venceu, vence e sempre a vencerá, porque Ele é a vida sem fim. Neste gesto cândido e santo, de dar a vida a um mortal fiel, Jesus nos anuncia o nosso destino, se cremos Nele, vivermos Para Ele e Seguirmos os Seus Mandamentos, a sua Palavra de Salvação.
Ressurreição e Luz são dois temas intimamente ligados, porque são sinônimos da salvação: Se alguém caminha de dia, não tropeça; mas tropeçará, se andar de noite(cf. Jo 11,10).
O tema central do Evangelho de hoje é a vida. Vida que foi restituída a Lázaro e que está ligada à amizade, ao amor fraterno, a compaixão, atitudes cristãos que estão presentes na glorificação de Deus, que é o destino dos homens e mulheres que crêem verdadeiramente. A vida verdadeira, que o Cristo trouxe, tem face humana e face divina, que se misturam.
A ressurreição de Lázaro é um dos maiores sinais de Jesus. Jesus, assim, vai manifestando a sua filiação divina, seu poder messiânico, sua missão salvadora, e provoca, cada vez mais, a admiração, a fé, o testemunho daqueles que são beneficiados pela sua ação evangelizadora. O próprio Evangelista João anuncia que Jesus fez muitos outros sinais, e que Estes sinais foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, em crendo, tenhais a vida (cf. Jo 20,30-31).
Assim, poderíamos afirmar que a vida do homem é a razão de ser da encarnação de Jesus. Os milagres e sinais de Jesus foram efetuados para destacar a vida plena, a vida que só ele pode nos dar.
Na sua mensagem para a Quaresma de 2011, com sabedoria, nos preleciona o Santo Padre Bento XVI: Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto? (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27).A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança. O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas batismais, reafirmamos que Cristo é o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos da água e do Espírito Santo, e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à ação da Graça para sermos seus discípulos.
Enxertados em Cristo pelo batismo, vencemos nossa morte na sua morte; co-ressuscitados no Cristo ressuscitado. É a vitória de cada homem batizado sobre a morte. É a vitória de toda a história sobre a morte, história que, na perspectiva cristã, não caminha para o caos final, mas para a ressurreição final. É a vitória da criatura sobre a morte; ela escapa à condenação na perspectiva dos céus novos e da nova terra. Essa perspectiva dá à vida tranqüilidade, serenidade interior, paz profunda, confiança e esperança. Em Cristo não há uma parcela de vida, por menor que seja, que não se destine à ressurreição.
Jesus afirmou: EU SOU A VIDA; EU SOU O PÃO DA VIDA, EU SOU A LUZ DA VIDA. Jesus veio ao mundo para despertar a criatura humana do sono.
E esta vida nova só será possível àqueles que viverem, com dignidade, a grandeza do seu batismo. Aderindo a Cristo o batizado deve viver uma vida realmente nova, animada pelo espírito de Cristo. Mas sem a fé, traduzida em obras, o batismo ficará morto. A vida da fé batismal se verifica, se atualiza, por exemplo, quando ela transforma a sociedade de morte numa comunidade viva de vida, de fraternidade e de comunhão.
padre Wagner Augusto Portugal
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E Jesus chorou!
Diz o lema da Campanha da Fraternidade 2011: “a criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). Apesar de refletir sobre a vida no Planeta com uma ênfase ambiental-ecológica, falar de dores de parto imediatamente nos leva a pensar no nascimento, principalmente de um ser humano. A mãe que sofre as dores do parto e dá a luz o seu bebê. A Igreja católica é sempre a favor da vida. Em qualquer situação, a pessoa humana deve ser protegida desde a sua concepção até a morte natural. Mesmo uma gravidez fruto de um estrupo ou que ponha em risco a vida da mãe, a Igreja católica é a favor da vida da criança (como grande testemunha santa Gianna Beretta, médica italiana que preferiu morrer para dar vida a sua filha).
Jesus sempre pregou a vida. Aliás, Deus no Antigo Testamento sempre é apresentado como o Deus da Vida e a vinda de Jesus a este mundo encontra o seu ápice na vitória da Vida sobre a morte: a Ressurreição que estamos para celebrar daqui a alguns dias na Páscoa. Então de onde vem essa grande propagação da morte? Hoje em dia, cada vez mais a chamada cultura de morte vem se alastrando espantosamente no nosso mundo atual. Muitas vezes, o argumento principal gira em torno do interesse e do lucro de alguma maneira, inclusive quando a interrupção da vida humana proporciona isso. Algumas pessoas querem manipular a vida das outras em seu benefício próprio, achando-se no direito de decidir interromper a vida de um não-nascido (aborto) ou de proporcionar uma “morte sem sofrimento” (eutanásia) a um doente incurável, como se estas pessoas fossem inferiores, e por isso, pudessem ser desconsideradas.
Mas o ponto da questão é que nesses casos ou em qualquer outro a morte espanta e faz sofrer. Quando ela surpreende improvisadamente nossos entes queridos, ficamos tristes, e refletimos sobre a vida. Já a cultura de morte faz esquecer o significado que a vida tem. Perdemos o sentido da vida, por isso, cada vez mais abortos. Pior ainda, quando essa cultura é pregada por líderes religiosos que se dizem seguidores de Jesus Cristo, vida e ressurreição.
Como, por exemplo, o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, que em uma de suas pregações, e dizendo que o que está prestes a dizer não é para contrariar a Igreja Católica, diz que apoia “em alto e bom tom” que é a favor do aborto, citando as palavras de Jesus sobre Judas o qual traiu o Mestre, que segundo Macedo, teria sido melhor que a mãe de Judas o tivesse abortado: “O Filho do homem vai, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!” (cf. Mateus 26). Palavras que Macedo usa para justificar sua posição, propagar a ideia através de sua Rede Record em nome da responsabilidade social - ação e incentivo, e ultimamente através de seu blog pessoal.
Como seguidores autênticos de Jesus Cristo que nos esforçamos para ser, não podemos julgar ou condenar a pessoa de Edir Macedo ou quem provoca um aborto, pois Deus condena o pecado e não o pecador e só quem pode julgar é Deus, só Ele conhece tudo profundamente; mas temos o direito e o dever de manifestar nossa indignação com a atitude de um cristão pregar a favor da morte de um inocente, seja lá qual for o motivo.
No Evangelho de hoje, Jesus promove uma cultura diferente. O episódio da morte e ressurreição de Lázaro, o irmão de Marta e Maria, amigos caríssimos a Jesus, é único no seu gênero. Logo no início do texto, Jesus esclarece como no relato do cego de nascença, que a doença de Lázaro não existe para levar à morte, mas serve para que o Filho de Deus seja glorificado através dela. Que a morte seja um dos acontecimentos que mais nos desconcertam na nossa vida, o próprio Jesus nos confirma com a sua atitude: ele ficou profundamente comovido, estremeceu interiormente e caiu num pranto de choro. Mesmo tendo a consciência de poder vencer a morte e ressuscitar (reanimar) Lázaro, Jesus chora a morte do amigo.
Marta indo ao encontro de Jesus, diz: “Senhor, se você estivesse aqui, meu irmão não teria morrido”. Marta acreditava na Ressurreição dos mortos no último dia e sabia que Jesus curava os enfermos, mas que ele não chegara a tempo de curar o amigo. Mas a pergunta que Jesus fez a Marta, ele a faz a cada um de nós: “eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. Você acredita nisso?”. Marta dá uma resposta que, à primeira vista, parece fora de contexto. Em vez de responder simplesmente com um sim, ela acrescenta que acredita firmemente que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. Em outras palavras, ela nos ensina que basta acreditar nele e pronto. É a fé em Jesus que nos salva.
O que Jesus faz com Lázaro é um sinal. Ele o chama: “Lázaro, vem para fora!”. E Lázaro volta a viver. Através desta ação, ele quer mostrar que a morte não é um limite para ele, mas que ele tem poder até sobre ela. Porém, o que ele quer nos oferecer não é uma vida terrena que se prolongue para sempre, até porque Lázaro morreu de novo. O que Jesus quer oferecer é a vida eterna em comunhão com Deus. E aqui é bom chamar a ressurreição de Lázaro de reanimação ou ressuscitamento porque foi uma volta para a mesma vida, com o mesmo corpo, diferentemente da Ressurreição do último dia com o corpo glorioso.
Outro particular deste relato é que Jesus antes de chamar Lázaro à vida agradece ao Pai por tê-lo escutado. Isso mostra que o ponto central da fé é a relação de confiança que Jesus tem com o Pai. O que se torna um exemplo para nós, que às vezes pedimos tanto e nada agradecemos. Se acreditarmos em Jesus, não temeremos a morte, pois ele é sinônimo de Vida. Cristo é a Ressurreição porque é a vida. Ele constitui o critério e o ponto de referência para o nosso dia-a-dia, oferecendo resposta aos nossos problemas e nos predispondo para a dor e para a possibilidade da morte. Vida eterna quer dizer vida infinita e esta certeza de fé nos encoraja a defender o dom da nossa própria vida e também a do outro, mesmo nas circunstâncias nas quais ela parece perder o próprio sentido, tipo quando há o sentido de vazio e a ausência de dignidade. O Deus da vida quer que vivamos a vida plenamente. Porque todos, absolutamente todos nós, incluindo todos os inocentes que ainda estão no ventre de suas mães, têm direito à vida. Exatamente nada justifica tirarmos esse direito dessas crianças.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento

 

 

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Vida nova
A liturgia desse domingo continua a catequese batismal da Quaresma. Depois de apresentar:
- Cristo, Água para a nossa sede (Samaritana);
- Cristo, Luz para as nossas trevas (cura do cego);
hoje nos fala de Cristo, Ressurreição para a vida (Lázaro).
A liturgia responde à pergunta: "Como chegar a ser cristão?" Começamos com a recepção do dom de Deus, na água viva da graça, com uma iluminação e com uma ressurreição à vida verdadeira.
Na 1ª leitura, Ezequiel anuncia Vida nova. (Ez 37,12-14)
O Povo, exilado na Babilônia, desesperado e sem futuro, vivia uma situação de Morte. O profeta Ezequiel procurou alimentar a esperança dos exilados e transmitir a certeza de que Deus não os abandonou.
O texto apresenta a famosa visão dos ossos ressequidos, que saem dos "túmulos". O Espírito do Senhor sopra sobre eles e eles ganham vida. Deus vai transformar a morte em vida, o desespero em esperança, a escravidão em libertação. É Deus prometendo ao povo o regresso à sua terra, restaurando a esperança dos exilados num futuro de felicidade e de Paz.
O Espírito de Deus nos faz sair dos "túmulos" da desesperança, do medo.
Deus é o Deus da vida em plenitude.
Na 2ª leitura, Paulo lembra que o Espírito de Deus ressuscitou Cristo e o introduziu na glória do Pai. No Batismo, nós recebemos o mesmo Espírito, que dá vida. (Rm. 8,8-11)
No Evangelho, Jesus se apresenta como o Senhor da Vida. (Jo 11,1-45)
O fato: mandam dizer: "Lázaro está doente..." Jesus: aparentemente não se preocupa... Os apóstolos até estranham... Jesus tranqüiliza: "Essa doença é para a glória de Deus... Ele está dormindo" e fica com eles mais dois dias...
No Encontro com Marta, Jesus se comove e chora... Não é choro ruidoso, desesperado... mas de afeto e solidariedade... O povo até comenta: "Vede como ele o amava".
O diálogo: Jesus afirma: "Eu sou a ressurreição e a Vida. Aquele que crer, ainda que estiver morto viverá... "Você crê nisso?" Marta professa sua fé: "Sim, eu creio", que tu és o Cristo..."
No sepulcro... "Tirai a pedra..." (que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos...)
A oração: "Pai, eu te dou graças, porque me ouvistes..."
A ordem: "Lázaro, vem para fora... Desatai-o... e deixai-o andar". E Lázaro recupera a Vida.
Duas formas de solidariedade diante da morte:
- os amigos e vizinhos vão à casa de Marta e Maria, para dar os pêsames e fazer lamentações em altos brados: símbolo do desespero.
- Jesus nem entra na casa, nesse ambiente dominado pelo desespero. Ele fica fora e chama para fora...
Os dois choram... mas muito diferente...
A família de Betânia representa a comunidade cristã, formada por irmãos e irmãs, não tem pais... Todos conhecem Jesus, são amigos de Jesus e acolhem Jesus na sua casa e na sua vida. Essa família faz a experiência da morte. Mas os amigos de Jesus sabem que Ele é a Ressurreição e a Vida, e que dá a vida plena aos seus. A morte é apenas a passagem para a vida plena.
Ressurreição de Lázaro é um sinal: (7º e último antes da paixão)
A Ressurreição de Lázaro é uma prefiguração da Ressurreição de Cristo.
O batismo é um morrer e ressuscitar com Cristo.
O "sinal" de Betânia é também um convite a crer na Vida e a lutar por ela em todas as expressões.
O discípulo de Jesus, renascido à Vida no batismo,   carrega em si o germe da verdadeira Vida.
O prefácio resume o sentido do fato: "Verdadeiro homem, Jesus chorou o amigo Lázaro; Deus e Senhor da Vida, o tirou do túmulo; hoje estende a toda a humanidade a sua misericórdia e com os seus sacramentos nos faz passar da morte à Vida"
A liturgia da Palavra nesta Quaresma é uma retomada de nossa "iniciação batismal", que certamente precisa ser aprofundada:
- um encontro com Cristo;
- um diálogo;
- uma profissão de fé, a exemplo da Samaritana, do cego e de Marta.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa

 

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O último sinal
A ressurreição de Lázaro conclui a série dos sinais realizados por Jesus, ao longo do seu ministério, e, de certo modo, prepara o caminho para o sinal definitivo: sua ressurreição. O último sinal contém elementos importantes para a correta compreensão do que estava para acontecer.
Jesus é apresentado como vencedor da morte e doador da vida. Não importava que o amigo estivesse doente, morresse e depois passasse quatro dias sepultado. O Messias Jesus era suficientemente poderoso para chamá-lo de volta à vida.
Quem estivera morto levanta-se do sepulcro e volta para a vida, obedecendo à ordem dada por Jesus. Este se apresenta como o princípio e a causa da ressurreição da Lázaro. A ressurreição de Jesus acontecerá por que traz dentro de si uma força divina, que faz jorrar a vida onde reina a morte.
A ressurreição de Lázaro possibilitará aos discípulos solidificarem sua própria fé. Jesus se alegra por eles não terem encontrado Lázaro com vida. Assim, teriam a chance de testemunhar uma manifestação inquestionável do poder do Mestre, e, por conseguinte, crerem nele.
Por sua vez, o diálogo com Marta e Maria, em torno da fé na ressurreição dos mortos, põe as bases para a compreensão da gloriosa ressurreição do Senhor.
Desta forma, os discípulos foram preparados para enfrentar o impacto da morte iminente do Mestre.
padre Jaldemir Vitório

 

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Deus criou o Universo e nele o nosso planeta Terra com toda a sua beleza. Em nosso planeta há vida, aconchego e amor. Ele é um berço de aconchego e de vida. Jesus falou da água com a samaritana, mostrou a luz ao cego de nascença, tirou Lázaro da casa da morte e lhe devolveu a vida. Quando a nossa terra geme de dor é porque está agonizando ou porque está dando à luz. Nossa Terra é criatura viva, que respira, se alimenta e sofre. Ela tem florestas e ar puro, mas há gazes e aquecimento. Há rios de águas férteis e limpas, maltratados e poluídos. A Terra reclama pela vida, vida mineral, vegetal, animal, vida humana com inteligência e vontade livre.
A esperança permanece porque da semente que morre na Terra surge a vida. A morte de Jesus Cristo se torna garantia de vida para tudo e todos em nosso mundo e no que há de vir. O que parece morrer pode se tornar fonte de vida. Reanimados pelo Espírito, os corpos das sepulturas tendem a recobrar a vida e a vontade de provocar um grande movimento em favor do bem-estar de todos. Unidos, os seres humanos revivificados podem imprimir movimento ao que está parado e inerte, e renovar a face da Terra.
Não basta viver a materialidade deste mundo, por mais importante que ela seja. Sem o Espírito, ela é morta. O Espírito pairou sobre as águas, um sopro de Espírito animou o barro inicial, o vento do Espírito reanimou os ossos secos dos exilados. O Espírito se traduz em ideias, valores, utopias, que animam a matéria.
Caso contrário, comemos, bebemos, respiramos o ar puro e voltamos ao pó da terra. A convicção de fé em torno de valores mantém a dignidade do ser humano, mesmo em situações aviltantes.
Não queremos, porém, voltar a esta vida para repetir o passado já vivido. Buscamos o novo na ressurreição. A volta de Lázaro a esta vida é apenas indicativa de que a morte não tem mais poder sobre os amigos de Jesus, nenhum tipo de morte. A caminhada dos catecúmenos, dos penitentes, dos fiéis chega ao fim. Passa pela morte e ressuscita para a vida que não tem fim.
Ez 37,12-14 – O profeta Ezequiel reanima a esperança do povo desanimado no exílio da Babilônia: “Vocês vão sair da sepultura, vão receber um Espírito que lhes devolverá a vida”.
Sl 129 (130) – Com o Salmista, descemos às profundezas da miséria da vida sem perder a esperança no Senhor em quem se encontra o perdão.
Rm 8,8-11 – Vivemos segundo o Espírito, isto é, damos passos movidos pelo Amor. A realidade teológica é que o Espírito de Deus está em nós. O resultado humano dessa realidade é que vibramos por alguma coisa. Há algo que nos impulsiona e que nos puxa, que torna a vida interessante e dá sabor à existência. Vivemos por alguma razão e por alguma causa.
Jo 11,1-45 – Jesus tira seu amigo Lázaro da casa da morte. A morte não tem poder sobre os amigos de Jesus. O preço é caro: Jesus vai ter que entregar a sua vida à morte, mas ressuscitará. A morte não tem poder sobre Jesus. Nosso Deus é o Deus dos vivos e não dos mortos. Ele quer que vivamos plenamente, aqui e depois. Lázaro volta para esta vida por algum tempo, como sinal do que virá depois: a vida que perdura para sempre.
cônego Celso Pedro da Silva

 

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Morremos com Cristo para viver como ressuscitados em Cristo
Neste texto, o evangelista João faz uma prefiguração da morte e ressurreição de Jesus. Na primeira parte temos o diálogo de Jesus com os discípulos, a partir da notícia da doença de Lázaro. Criando um estranho suspense, Jesus não reage de imediato a esta noticia, minimizando-a com a simples afirmação simbólica de que Lázaro dorme. Neste diálogo destaca-se a ameaça de morte que paira sobre o próprio Jesus a partir dos judeus. Na segunda parte, Jesus chegando em Betânia, temos o edificante diálogo de Jesus com Marta (cf. 29 jul), encerrando-se com a ressurreição de Lázaro. Em seu texto, o evangelista João com seu gênio literário apresenta uma detalhada e expressiva análise da ressurreição comunicada por Jesus. Aquele que Jesus ama, não está morto mas é resgatado para a vida. Na teologia paulina (segunda leitura), pelo ato de fé, no batismo, morremos com Cristo para viver como ressuscitados em Cristo. Na perspectiva do batismo de João, assumido por Jesus, pela conversão, na prática da justiça, da fraternidade e do amor, já vivemos como ressuscitados. As categorias escatológicas do morrer e ressuscitar (primeira leitura) deixam de ser uma realidade do último dia. Passam a ser uma realidade atual. Jesus é, na história, a ressurreição e a vida. Quem crê nele viverá, não morrerá jamais.
José Raimundo Oliva
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Neste 5º domingo da Quaresma, a liturgia garante-nos que o desígnio de Deus é a comunicação de uma vida que ultrapassa definitivamente a vida biológica: é a vida definitiva que supera a morte.
Na primeira leitura, Jahwéh oferece ao seu Povo exilado, desesperado e sem futuro (condenado à morte) uma vida nova. Essa vida vem pelo Espírito, que irá recriar o coração do Povo e inseri-lo numa dinâmica de obediência a Deus e de amor aos irmãos.
O Evangelho garante-nos que Jesus veio realizar o desígnio de Deus e dar aos homens a vida definitiva. Ser “amigo” de Jesus e aderir à sua proposta (fazendo da vida uma entrega obediente ao Pai e um dom aos irmãos) é entrar na vida definitiva. Os crentes que vivem desse jeito experimentam a morte física; mas não estão mortos: vivem para sempre em Deus.
A segunda leitura lembra aos cristãos que, no dia do seu batismo, optaram por Cristo e pela vida nova que Ele veio oferecer. Convida-os, portanto, a ser coerentes com essa escolha, a fazerem as obras de Deus e a viverem “segundo o Espírito”.
1ª leitura – Ez. 37,12-14 – AMBIENTE
Ezequiel é chamado “o profeta da esperança”. Desterrado na Babilônia desde 597 a.C. (no reinado de Joaquim, quando Nabucodonosor conquista, pela primeira vez, Jerusalém e deporta para a Babilônia um primeiro grupo de jerusalimitanos), Ezequiel exerce aí a sua missão profética entre os exilados judeus.
A primeira fase do ministério de Ezequiel decorre entre 593 a.C. (altura em que sentiu o chamamento de Deus) e 586 a.C. (data em que Jerusalém é arrasada pelas tropas de Nabucodonosor e uma nova leva de exilados é encaminhada para a Babilônia). Nesta fase, Ezequiel procura destruir falsas esperanças e anuncia que, ao contrário do que pensam os exilados, o cativeiro está para durar… Eles não só não vão regressar em breve a Jerusalém, mas os que ficaram em Jerusalém (e que continuam a multiplicar os pecados e infidelidades) vão fazer companhia aos que já estão desterrados na Babilônia.
A segunda fase do ministério de Ezequiel desenrola-se a partir de 586 a.C., até cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, sem Templo, sem sacerdócio e sem culto, os exilados estão desesperados e duvidam da bondade e do amor de Deus. Nessa fase, Ezequiel procura alimentar a esperança dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus libertador e salvador não os abandonou.
O texto que nos é proposto como primeira leitura pertence à segunda fase. Faz parte da famosa “visão dos ossos calcinados” (cf. Ez. 37). Ezequiel descreve a visão de uma planície cheia de ossos calcinados e sem vida; mas, na visão do profeta, o Espírito do Senhor sopra sobre os ossos calcinados e eles são revestidos de pele, de músculos e ganham vida. Nesta parábola, os ossos calcinados representam o Povo de Deus, que jaz abandonado, sem esperança e sem futuro, no meio da planície mesopotâmica.
MENSAGEM
A situação de desespero em que estão os exilados é uma situação de morte. Eles sentem-se próximos da ruína e do aniquilamento e não vêem no horizonte quaisquer perspectivas de futuro. O texto define esta situação de ausência total de esperança como “estar no túmulo”.
No entanto, é aqui que Deus entra. Jahwéh vai transformar a morte em vida, o desespero em esperança, a escravidão em libertação. O que é que Deus vai fazer, nesse sentido?
Em termos concretos, Jahwéh promete ao Povo o regresso à sua terra, restaurando a esperança dos exilados num futuro de felicidade e de paz… Mas Deus vai fazer ainda mais: vai derramar o seu Espírito (o “ruah”) sobre o Povo condenado à morte.
Esta referência à ação do Espírito de Deus na revivificação do homem coloca-nos no mesmo contexto de Gn 2,7: no homem que criou do barro, Deus infundiu o seu “hálito de vida” (“neshamá”) para o tornar um ser vivente; aqui, sobre o Povo que jaz no túmulo, Deus “infunde o seu Espírito” (“ruah” - Ez 37,14). Trata-se, portanto, de uma nova criação.
No entanto, o “ruah”, que aqui é transmitido ao Povo que jaz no túmulo, é mais do que a simples “força vital”, que dá vida física ao homem: é a vida divina que transforma completamente os homens, fazendo com que os corações de pedra – duros, insensíveis, auto-suficientes – se transformem em corações de carne, sensíveis e bons, capazes de amar Deus e os irmãos (cf. Ez. 36,26-27). Esta nova criação vai, portanto, muito mais longe do que a antiga criação.
Então, com um coração de carne capaz de compreender o amor, o Povo reconhecerá a bondade de Deus, a sua fidelidade à Aliança e às promessas que fez ao seu Povo.
A questão mais significativa é que, apesar das aparências, Deus não abandona o seu Povo à morte. Mesmo quando tudo parece perdido e sem saída, Deus lá está, transformando o desespero em esperança, a morte em vida. Jahwéh é o Deus da vida, que encontra sempre formas de transmitir vida ao seu Povo. Em cada instante da história Ele está presente, recriando o seu Povo, transformando-o, renovando-o, encaminhando-o para a vida plena.
ATUALIZAÇÃO
• Na nossa existência pessoal passamos, muitas vezes, por situações de desespero, em que tudo parece perder o sentido. A morte de alguém querido, o desmoronar dos laços familiares, a traição de um amigo ou de alguém a quem amamos, a perda do emprego, a solidão, a falta de objetivos lançam-nos muitas vezes num vazio do qual não conseguimos facilmente sair. A Palavra de Deus garante-nos: não estamos perdidos e abandonados à nossa miséria e finitude… Deus caminha ao nosso lado; em cada instante Ele lá está, tirando vida da morte, “escrevendo direito por linhas tortas”, dando-nos a coragem de “sair do sepulcro” e avançar mais um passo ao encontro da vida plena.
• Mais: Deus recria-nos, cada dia, oferecendo-nos o Espírito transformador e renovador, que elimina dos nossos corações o orgulho e o egoísmo (afinal, os grandes responsáveis pelo sofrimento, pela injustiça, pela violência) e transformando-nos em pessoas novas, com um coração sensível ao amor e às necessidades dos outros.
• Ver os telejornais ou ler os jornais é – mais do que nos mantermos a par dos passos que o mundo vai dando – um autêntico exercício de masoquismo: parece que só há dramas, sofrimentos, injustiças e violências, como se o mundo fosse um imenso campo de morte. No entanto, nós os crentes sabemos que, apesar do sofrimento que faz parte da condição de fragilidade em que vivemos, Deus está presente na história humana, criando vida e oferecendo a esperança aos homens nesses mil e um gestos de bondade, de ternura e de amor que acontecem a cada instante (e que não chegam aos jornais ou às objetivas da televisão porque “não vendem” e, por isso, não são notícia). A Palavra Deus que hoje nos é proposta sugere que o crente – pelo simples fato de acreditar em Deus – deve ser um arauto da esperança.
• É sempre Deus – e só Deus – que oferece aos homens a vida e a esperança… No entanto, Deus age no mundo através de homens – como Ezequiel – que distribuem a vida nova de Deus, com palavras e com gestos. Já pensei que Deus me chama a ser uma luz de esperança no mundo? Tenho consciência de que é através dos meus gestos e das minhas palavras que Deus oferece a sua vida aos homens meus irmãos?
2ª leitura – Rom 8,8-11 – AMBIENTE
Já dissemos, noutras circunstâncias, que a Carta aos Romanos é um texto sereno e didáctico, no qual Paulo faz uma espécie de resumo do seu pensamento teológico e expõe a sua concepção daquilo que é essencial na mensagem cristã. Numa época (anos 57/58) em que existem problemas graves de entendimento e de perspectiva entre os cristãos vindos do judaísmo e os cristãos vindos do paganismo, Paulo sublinha a unidade da revelação e da história da salvação: Deus tem um projeto de salvação e de vida plena, que se destina a todos os homens, sem exceção.
Depois de provar que todos os homens (judeus e pagãos) vivem no domínio do pecado (cf. Rm. 1,18-3,20), mas que a “justiça de Deus” oferece a vida a todos, sem distinção (cf. Rm. 3,21-5,11), Paulo mostra como é que, através de Jesus Cristo, essa vida se comunica ao homem (cf. Rm. 5,12-8,39).
Indo mais ao pormenor: como é, então, que a vida de Deus se comunica ao homem? Paulo desenvolve o seu pensamento de acordo com a seguinte sequência: a obediência de Cristo ao plano do Pai fez com que a graça da salvação fosse oferecida a todos os homens (cf. Rom 5,12-20); acolhendo essa graça e aceitando receber o batismo, os homens tornam-se todos participantes do dom de Deus (cf. Rm. 6,1-23); a adesão a Cristo faz os homens livres das cadeias do egoísmo e do pecado e transforma-os em homens novos (cf. Rm. 7,1-25); e é o Espírito (dado ao crente no batismo) que potencia essa vida nova (cf. Rm. 8,1-39).
MENSAGEM
O Espírito é, verdadeiramente, a personagem central do capítulo 8 da Carta aos Romanos (o termo “pneuma” – “espírito” – aparece trinta e quatro vezes na Carta aos Romanos; e, dessas trinta e quatro, vinte e uma são neste capítulo). De acordo com a perspectiva teológica de Paulo, o Espírito é o responsável pelo fato de a vida nova que Deus oferece ao homem crescer e se desenvolver.
Neste capítulo, Paulo desenvolve uma das suas mais famosas antíteses: “carne”/”Espírito”. “Viver segundo a carne” significa, em Paulo, uma vida conduzida à margem de Deus: o “homem da carne” é o homem do egoísmo e da auto-suficiência, cujos valores são o ciúme, o ódio, a ambição, a inveja, a libertinagem (cf. Gal. 5,19-21); “viver segundo o Espírito” significa, em Paulo, uma vida vivida na órbita de Deus, pautada pelos valores da caridade, da alegria, da paz, da fidelidade e da temperança (cf. Gal. 5,22-23).
Paulo recorda aos crentes, no texto que nos é proposto, que o cristão, no dia do seu batismo, optou pela vida do Espírito. A partir daí, vive sob o domínio do Espírito – isto é, vive aberto a Deus, recebe vida de Deus, torna-se “filho de Deus”. Identifica-se, portanto, com Cristo; e assim como Cristo – depois de uma vida vivida “no Espírito” (isto é, depois de uma vida de renúncia ao egoísmo e ao pecado e de opção por Deus e pelas suas propostas) – ressuscitou e foi elevado definitivamente à glória do Pai, assim o cristão está destinado à vida nova, à vida plena, à vida eterna.
É, pois, o Espírito – presente naqueles que renunciaram à vida da “carne” e aderiram a Jesus – que liberta os crentes do pecado e da morte, que os transforma em homens novos e que os leva em direção à vida plena, à vida definitiva.
ATUALIZAÇÃO
• Na verdade, no dia do meu batismo, eu escolhi a vida “segundo o Espírito” (provavelmente, fui batizado muito pequenino, numa altura em que não tinha consciência plena do que isso significava; mas, mais tarde, tive a oportunidade – em vários momentos da minha caminhada cristã – de validar e confirmar essa opção inicial). A minha vida tem sido coerente com essa opção? A minha vida tem-se desenrolado à margem de Deus e das suas propostas (“vida segundo a carne”) ou na escuta atenta e consequente dos projetos de Deus (“vida segundo o Espírito”)?
• O batizado é alguém que escolheu identificar-se com Cristo – isto é, alguém que escolheu viver na obediência aos planos do Pai e no dom da vida em favor dos irmãos. O exemplo de Cristo garante-me: uma vida gasta desse jeito não termina no fracasso, mas na vida definitiva, na felicidade total. A realização plena do homem não está nos valores efêmeros (muitas vezes propostos como os valores mais fundamentais), mas no amor e no dom da vida. É daí que brota a ressurreição.
Evangelho – Jo 11,1-45 – AMBIENTE
O Evangelho segundo João procura apresentar Jesus como o Messias, Filho de Deus, enviado pelo Pai para criar um Homem Novo. No “Livro dos Sinais” (cf. Jo 4,1-11,56), o autor apresenta – recorrendo aos “sinais” da água (cf. Jo 4,1-5,47), do pão (cf. Jo 6,1-7,53), da luz (cf. Jo 8,12-9,41), do pastor (cf. Jo 10,1-42) e da vida (cf. Jo 11,1-56) – um conjunto de catequeses sobre a ação criadora e vivificadora do Messias.
O texto que hoje nos é proposto é, exatamente, a quinta catequese (a da vida) do “Livro dos Sinais”. Trata-se de uma narração única, que não tem paralelo nos outros três Evangelhos.
A cena situa-nos em Betânia, uma aldeia a Este do monte das Oliveiras, a cerca de três quilômetros de Jerusalém. O autor da catequese coloca-nos diante de um episódio – um triste episódio – familiar: a morte de um homem. A família mencionada, constituída por três pessoas (Marta, Maria e Lázaro), parece conhecida de Jesus: no vers. 5, diz-se que Jesus amava Marta, a sua irmã Maria e Lázaro. A visita de Jesus a casa desta família é, aliás, mencionada em Lc. 10,38-42; e João tem o cuidado de observar que a Maria, aqui referenciada, é a mesma que tinha ungido o Senhor com perfume e lhe tinha enxugado os pés com os cabelos (v. 2, cf. Jo. 12,1-8).
MENSAGEM
A família de Betânia apresenta algumas características dignas de nota…
Em primeiro lugar, o autor da narração não faz qualquer referência a outros membros, para além de Maria, Marta e Lázaro: não há pai, nem mãe, nem filhos. Além disso, João insiste no grau de parentesco que une os três: são “irmãos” (vs. 1.2b.3.5.19.21.23.28.32.39). A palavra “irmão” (“adelfós”) será a palavra usada por Jesus, após a ressurreição, para definir a comunidade dos discípulos (Jo. 20,17); e este apelativo será comum entre os membros da comunidade cristã primitiva (Jo. 21,23).
Por outro lado, notemos a forma como é descrita a relação entre Jesus e esta família de irmãos… Trata-se de uma família amiga de Jesus, que Jesus conhece e que conhece Jesus, que ama Jesus e que é amada por Jesus, que recebe Jesus em sua casa.
Um fato abala a vida desta família: um irmão (Lázaro) está gravemente doente. As “irmãs” mostram o seu interesse, preocupação e solidariedade para com o “irmão” doente e informam Jesus.
A relação de Jesus com Lázaro é de afeto e amizade; mas Jesus não vai imediatamente ao seu encontro; parece, até, atrasar-se deliberadamente (v. 6). Com a sua passividade, Jesus deixa que a morte física do “amigo” se consume. Provavelmente, na intenção do nosso catequista, o pormenor significa que Jesus não veio para alterar o ciclo normal da vida física do homem, libertando-o da morte biológica; veio, sim, para dar um novo sentido à morte física e para oferecer ao homem a vida eterna.
Depois de dois dias, Jesus resolve dirigir-se à Judeia ao encontro do “amigo”. No entanto, a oposição a Jesus está, precisamente, na Judeia e, de forma especial, em Jerusalém. Os discípulos tentam dissuadi-l’O: eles não entenderam, ainda, que o plano do Pai é que Jesus dê vida ao homem enfermo, mesmo que para isso corra riscos e tenha de oferecer a sua própria vida. Jesus não dá atenção ao medo dos discípulos: a sua preocupação única é realizar o plano do Pai no sentido de dar vida ao homem. Jesus não pode abandonar o “amigo”: Ele é o pastor que desafia o perigo por amor dos seus.
Ao chegar a Betânia, Jesus encontrou o “amigo” sepultado há já quatro dias. De acordo com a mentalidade judaica, a morte era considerada definitiva a partir do terceiro dia. Quando Jesus chega, Lázaro está, pois, verdadeiramente morto. Jesus não elimina a morte física; mas, para quem é “amigo” de Jesus, a morte física não é mais do que um sono, do qual se acorda para descobrir a vida definitiva.
Por esta altura, entram em cena as “irmãs” de Lázaro. Marta é a primeira. Vem ao encontro de Jesus e insinua a sua reprovação: Jesus podia ter evitado a morte do amigo, se tivesse estado presente, pois onde Ele está reina a vida. No entanto, mesmo agora, Jesus poderá interceder junto de Deus, Deus atendê-lo-á e devolverá a vida física a Lázaro. Marta acredita em Deus; acredita que Jesus é um profeta, através de quem Deus atua no mundo; mas ainda não tem consciência de que Jesus é a vida do Pai e que Ele próprio dá a vida.
Jesus inicia a sua catequese dizendo-lhe: “teu irmão ressuscitará”. Marta pensa que as palavras de Jesus são uma consolação banal e que Ele se refere à crença farisaica, segundo a qual os mortos haveriam de reviver, no final dos tempos, quando se registrasse a última intervenção de Deus na história humana. Isso ela já sabe; mas não chega: esse último dia ainda está tão longe…
Jesus, no entanto, não fala da ressurreição no final dos tempos. O que Ele diz é que, para quem é amigo de Jesus, não há morte, sequer. Jesus é “a ressurreição e a vida”. Para os seus amigos, a morte física é apenas a passagem desta vida para a vida plena. Jesus não evita a morte física; mas Ele oferece ao homem essa vida que se prolonga para sempre. Para que essa vida definitiva possa chegar ao homem é necessário, no entanto, que o homem adira a Jesus e O siga, num caminho de amor e de dom da vida (“todo aquele que vive e acredita em mim, nunca morrerá”). A comunidade de Jesus (a comunidade dos que aderiram a Ele e ao seu projeto) é a comunidade daqueles que já possuem a vida definitiva. Eles passarão pela morte física; mas essa morte será apenas uma passagem para a verdadeira vida. E é essa vida verdadeira que Jesus quer oferecer. Confrontada com esta catequese (“acreditas nisto?”), Marta manifesta a sua adesão ao que Jesus diz e professa a sua fé no Senhor que dá a vida (“acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo”).
Maria, a outra irmã, tinha ficado em casa. Está imobilizada, paralisada pela dor sem esperança. Marta – que falara com Jesus e encontrara n’Ele a resposta para a situação que a fazia sofrer – convida a irmã a sair da sua dor e a ir, por sua vez, ao encontro de Jesus. Maria vai rapidamente, sem dar explicações a ninguém: ela tem consciência de que só em Jesus encontrará uma solução para o sofrimento que lhe enche o coração. Também nas palavras de Maria há uma reprovação a Jesus pelo fato de Ele não ter estado presente, impedindo a morte física de Lázaro. Jesus não pronuncia qualquer palavra de consolo, nem exorta à resignação (como é costume fazer nestes casos): vai fazer melhor do que isso e vai mostrar que Ele é, efetivamente, a ressurreição e a vida.
A cena da ressurreição de Lázaro começa com Jesus a chorar (v. 35). Não é pranto ruidoso, mas sereno… Jesus mostra, dessa forma, o seu afecto por Lázaro, a sua saudade do amigo ausente. Ele – como nós – sente a dor, diante da morte física de uma pessoa amada; mas a sua dor não é desespero.
Jesus chega junto do sepulcro de Lázaro. A entrada da gruta onde Lázaro está sepultado está fechada com uma pedra (como era costume, entre os judeus). A pedra é, aqui, símbolo da definitividade da morte. Separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos, cortando qualquer relação entre um e outro.
Jesus, no entanto, manda tirar essa “pedra”: para os crentes, não se trata de duas realidades sem qualquer relação. Jesus, ao oferecer a vida plena, abate as barreiras criadas pela morte física. A morte física não afasta o homem da vida.
A ação de dar vida a Lázaro representa a concretização da missão que o Pai confiou a Jesus: dar vida plena e definitiva ao homem. É por isso que Jesus, antes de mandar Lázaro sair do sepulcro, ergue os olhos ao céu e dá graças ao Pai (vs. 41b-42): a sua oração demonstra a sua comunhão com o Pai e a sua obediência na concretização do plano do Pai. Depois, Jesus mostra Lázaro vivo na morte, provando à comunidade dos crentes que a morte física não interrompe a vida plena do discípulo que ama Jesus e O segue.
A família de Betânia representa a comunidade cristã, formada por irmãos e irmãs. Todos eles conhecem Jesus, são amigos de Jesus, acolhem Jesus na sua casa e na sua vida. Essa família também faz a experiência da morte física. Como é que deve lidar com ela? Com o desespero de quem acha que tudo acabou? Com a tristeza de quem acha que a morte venceu, por algum tempo, até que Deus ressuscite o “irmão” morto, no final dos tempos (perspectiva dos fariseus da época de Jesus)?
Não. Ser amigo de Jesus é saber que Ele é a ressurreição e a vida e que dá aos seus a vida plena, em todos os momentos. Ele não evita a morte física; mas a morte física é, para os que aderiram a Jesus, apenas a passagem (imediata) para a vida verdadeira e definitiva. Para os “amigos” de Jesus – para aqueles que acolhem a sua proposta e fazem da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos irmãos – não há morte… Podemos chorar a saudade pela partida de um irmão, mas temos de saber que, ao deixar este mundo, ele encontrou a vida plena, na glória de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• A questão principal do Evangelho deste domingo – e que é uma questão determinante para a nossa existência de crentes – é a afirmação de que não há morte para os “amigos” de Jesus – isto é, para aqueles que acolhem a sua proposta e que aceitam fazer da sua vida uma entrega ao Pai e um dom aos irmãos. Os “amigos” de Jesus experimentam a morte física; mas essa morte não é destruição e aniquilação: é, apenas, a passagem para a vida definitiva. Mesmo que estejam privados da vida biológica, não estão mortos: encontraram a vida plena, junto de Deus. A história de Lázaro pretende representar essa realidade.
• No dia do nosso batismo, escolhemos essa vida plena e definitiva que Jesus oferece aos seus e que lhes garante a eternidade. A nossa vida tem sido coerente com essa opção? A nossa existência tem sido uma existência egoísta e fechada, que termina na morte, ou tem sido uma existência de amor, de partilha, de dom da vida, que aponta para a realização plena do homem e para a vida eterna?
• Ao longo da nossa existência nesta terra, convivemos com situações em que somos tocados pela morte física daqueles a quem amamos… É natural que fiquemos tristes pela sua partida e por eles deixarem de estar fisicamente presentes a nosso lado. A nossa fé convida-nos, no entanto, a ter a certeza de que os “amigos” não são aniquilados: apenas encontraram essa vida definitiva, longe da debilidade e da finitude humanas.
• Diante da certeza que a fé nos dá, somos convidados a viver a vida sem medo. O medo da morte como aniquilamento total torna o homem cauteloso e impotente face à opressão e ao poder dos opressores; mas libertando-nos do medo da morte, Jesus torna-nos livres e capacita-nos para gastar a vida ao serviço dos irmãos, lutando generosamente contra tudo aquilo que oprime e que rouba ao homem a vida plena.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho - www.ecclesia.pt

 

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Jesus fala à samaritana da água viva que é o amor de Deus, e dá-lhe essa água; afirma aos judeus que é a luz do mundo, e dá a vista e a fé a um cego de nascença; diz a Marta que é a ressurreição e a vida, e ergue Lázaro do sono da morte.
Os Evangelhos gostam de recordar que Jesus era amigo de três irmãos, Lázaro, Marta e Maria, que moravam em Betânia, nos subúrbios de Jerusalém. Uns quinze dias antes da Páscoa, sentindo que o cerco se apertava à sua volta, Jesus retira-se da cidade. Lázaro adoece com gravidade, e as irmãs mandam-lhe recado. Jesus regressa, mas, ao chegar, o amigo estava morto e sepultado havia quatro dias. Apesar do respeito que têm por Jesus, as irmãs não calam uma discreta censura: se Ele não tivesse demorado tanto, teria podido salvar Lázaro. Pedem agora que reze por ele.
Jesus sabe que, tendo regressado a Jerusalém, vai ser preso e condenado, vai morrer na cruz. Veio movido pela amizade; e aproveita para dar aos que aí se encontram o sinal maior do seu poder. Ele, que vai trazer Lázaro de novo para a vida, não poderá ser vencido pela morte! Sim, vai morrer. Mas ressuscitará!
Diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre.” E segue a palavra incisiva: “Tu acreditas?” (Jo 11,25-26). Marta, que não entendeu a idéia de Jesus, declara que acredita na Vida Eterna e acredita que Ele é o Messias, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo. Maria confessa a mesma fé. Jesus chama por Lázaro com voz forte e ele sai do túmulo. “Então, muitos dos judeus que tinham vindo a casa de Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram nele. Alguns, porém, foram ter com os fariseus …” (Jo 11,45-46).
A reanimação de Lázaro não foi ainda a ressurreição. A ressurreição será, para Jesus e para cada um de nós, a entrada na vida definitiva, junto do Pai. A reanimação de Lázaro foi o regresso à vida neste mundo. Mas foi um sinal.
Como nas histórias precedentes, são João quer sublinhar que a palavra de Jesus se cumpre de duas maneiras, em dois planos paralelos. Ele, que é a vida, reanima os mortos que quer; e promete a ressurreição a todos os que ouçam a sua palavra.
A vida eterna é uma das promessas fundamentais do Evangelho. Deus quer que sejamos seus filhos; manda que vivamos com justiça e amor neste mundo e convida-nos a viver com Ele e com os irmãos para além da morte. “Caríssimos, somos já filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é.” (1Jo 3,2).
A promessa da vida eterna não é um convite, a que nos desinteressemos deste mundo Só entra na vida eterna quem amou aos irmãos, aqui. “Sempre que ajudastes o mais pequenino dos meus irmãos, foi a Mim que ajudastes. Sempre que não ajudastes o mais pequenino dos meus irmãos, foi a Mim que não ajudastes.” (Mt. 25,31-46).
Por outro lado, a vida eterna é a resposta à nossa sede de vida. É o dia em que a verdade triunfará na paz, em que toda a dor e toda a injustiça serão ressarcidas, em que os ódios serão vencidos pelo amor. O dia em que homem verá Deus.
Temos a missão de anunciar a todos que o Verbo de Deus veio ao mundo, partilhou a nossa caminhada e morreu numa cruz, ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus, convidou-nos que O seguíssemos. Parece claro que as nossas pregações a respeito da vida eterna são escassas e são frouxas. E, se calhar, a respeito de Deus e do seu projeto só a santidade é sinal. Precisamos de santos!
padre João Resina

 

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A vida é o tema comum das leituras deste V Domingo: a via que vence os sepulcros, como profetiza Ezequiel (1ª leitura); a vida que nos é dada por meio do Espírito Santo que habita em nós, como insiste Paulo (2ª leitura); a vida nova que é o próprio Jesus (Evangelho): “Eu sou a ressurreição e a vida” (v. 25). Vemos um crescendo temático em direção à Páscoa, aumentam os sinais: água, luz. Vida... Com boa pedagogia, a Igreja acompanha os fiéis a caminho da Páscoa, instruindo-os com catequeses batismais, próprias para os catecúmenos que se preparam para receber o batismo, e aos fiéis batizados que renovarão as suas promessas. No III Domingo, o símbolo era a água, no diálogo entre Jesus e a Samaritana; Domingo passado o tema central era a luz, na cura do cego de nascença; hoje o sinal é a vida, com a ressurreição de Lázaro. Os três sinais são acompanhados de afirmações insistentes de Jesus acerca da sua identidade e da sua missão, com palavras que lembram a auto-definição de Deus a Moisés, no Êxodo: “Eu sou” (Ex. 3,14). Jesus faz sua esta definição divina afirmando: Eu sou o Messias, Eu sou a luz do mundo, Eu sou a vida.
Nestes três domingos são muitas as referências ao sacramento do batismo, seja nas leituras bíblicas como nos textos litúrgicos (antífonas, orações, prefácio... Nas jovens Igrejas missionárias, e não só, a noite de Páscoa assume uma particular solenidade pela celebração dos sacramentos da iniciação cristã a numerosos catecúmenos, adultos e jovens. São festas que enchem o coração e a vida dos missionários, dos pastores das Igrejas locais e das comunidades cristãs.
A ressurreição de Lázaro encontra-se a metade do Evangelho de João (o 12º de 21 capítulos), mas é sobretudo o seu centro temático: pode-se considerar, provavelmente, a mais alta manifestação de Jesus como “verdadeiro Deus e verdadeiro homem”.
- É verdadeiro homem, motivado por sentimentos fortes: é amigo de Lázaro e das suas irmãs de Betânia, fica perturbado, comove-se profundamente, rompe em pranto, reza intensamente ao Pai, grita em altos brados... Com as suas lágrimas Jesus dá razão às nossas, em circunstâncias semelhantes.
- E é verdadeiro Deus: mostra o seu amor e o seu poder restituindo a vida ao amigo morto, para que a gente acredite que Ele foi enviado pelo Pai (v. 42). Assim, o milagre estrondoso põe em evidência três valores ligados entre si: amor, fé e vida. Porque: “só há vida onde houver amor” (Gandhi).
Na sua realidade divino-humana, Jesus realiza a sua missão como proximidade, fazendo-se próximo, como o samaritano (cf. Lc. 10,34), a quem sofre, trazendo uma solução aos problemas. Mas é necessário ir ao encontro do Salvador que se aproxima, como as duas irmãs Marta e Maria (v. 20.29), com coração aberto. Somente desse encontro nasce a salvação. Porque só “no Senhor está a misericórdia  e com ele é grande a redenção” (Salmo responsorial). Também neste caso se verificam reações opostas. De um lado, as súplicas confiantes das duas irmãs que obtêm um milagre extraordinário de Lazaro que regressa à vida, e muitos Judeus acreditam em Jesus (v.45); do outro lado, até perante tal evidência, os inimigos de Jesus fecham-se progressivamente, decidem matá-lo (Jo 11,46-53) e pensam em eliminar também a Lazaro (Jo 12,10).
“Não estamos nesta terra para proteger um museu, mas para cultivar um jardim cheio de flores e de vida” (B. João XXIII). O projeto original e permanente de Deus é a vida: “A glória de Deus é o homem vivo”, isto é que o homem viva (santo Ireneu). Jesus veio para dar-nos não uma vida raquítica, empobrecida, medíocre, subdesenvolvida... mas uma vida em abundância (cf. Jo 10,10). Uma vida para o presente e para o futuro! Num mundo duramente marcado por mortes injustas, precoces, inocentes, todo o cristão - a ainda mais o missionário - é chamado a fazer uma escolha clara e definitiva pela vida: a acolher, promover, defender, anunciar, descobrir os pequenos sinais da sua presença, proteger os seus rebentos, levá-la à sua plenitude... A defesa e a promoção da vida são temas prioritários no magistério recente dos papas, como se vê também no apelo de Bento XVI aos operadores de atividades caritativas. Água, luz, vida... são dons a viver e sobretudo a partilhar e a comunicar aos outros. Somos todos chamados a ser missionários da vida!

(*) “O primeiro é o desafio da vida. A vida é o primeiro dom que Deus nos fez, é a primeira riqueza da qual o homem pode gozar. A Igreja anuncia ‘o Evangelho da Vida’. E o Estado tem como tarefa primária precisamente a tutela e a promoção da vida humana”.
(**)  “A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança”. (Bento XVI - Mensagem para a Quaresma de 2011)

 

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