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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 5 de abril de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*-                                                                     6 de abril de 2914
5ºdomingo (quaresma) na preparação para a PÁSCOA

= Ele vem libertar (do salmo 130) =

[1] Das LEITURAS:

  • o Espírito que mora em nós dá a vida (Paulo, sobre a Fé)
Como Paulo apresenta em seus argumentos (carta aos romanos) sobre a “justificação pela fé” e seus efeitos, caminhamos por etapas até o resultado final da vida humana que é chegar à vida divina. Paulo aponta cinco efeitos da fé que recebemos: 1)= a paz (cap.5,1-11); 2)= a vida (5,12-21); 3)= a esperança e a vida (6,1-11); 4)= liberdade de não estar mais sob o poder da lei (7,1-25); e, finalmente: 5)= justificado pela fé e pelo poder do Espírito divino o ser humano é capaz de ser filho e herdeiro, recebendo glória que nem se pode descrever, de que participará também toda a criação. O trecho lido hoje está dentro deste capítulo oitavo. Embora vosso corpo esteja ferido de morte por causa do pecado, vosso espírito está cheio de vida por causa da justiça. E se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que mora em vós (8,8-11).
  • o Espírito divino devolve a vida ao Povo (profeta Ezequiel)
O profeta Ezequiel, falando aos exilados de Israel (587 a 538 a.C.) anuncia o retorno à sua terra numa comparação famosa de um vale cheio de ossadas que recompõem corpos. Quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, sabereis que eu sou o Senhor. Porei em vós o meu espírito, para que vivais (Ezequiel 37,12-14)
  • a “glória” de Deus é o amor (mais forte que a morte):João fala de Lázaro
Jesus também chorou pela perda (morte) do amigo. Mas crê no Pai, que o escuta. Junto ao túmulo de Lázaro antecipa o “sinal” da vida completa. Senhor, aquele que amas está doente” respondeu: “Esta doença não leva à morte; serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (ele era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro) -- profundamente comovido Jesus chorou -- Jesus levantou os olhos para o alto e disse: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste” – e, com voz forte: “Lázaro, vem para fora! (João11,1-45).

[2] O 5ºDOMINGO RESUME A QUARESMA
Em cada domingo da quaresma foram apresentadas situações vividas pelo Cristo e iluminam também seus irmãos de vida humana – todos os que habitam o tempo-espaço.
1)     A TENTAÇÃO NOSSA DE CADA DIA. O 1ºdomingo da quaresma contou as ) o episódio das tentações. Toda “tentação” é a mentira disfarçada de verdade. É uma pressão constante daquilo que parece, mas não é o melhor para nossa vida. A tentação vem de dentro.
2)     A ESPERANÇA DO DEFINITIVO. No 2ºdomingo o resplendor do rosto do Cristo “transfigurado” antecipa para alguns amigos mais íntimos de Jesus o que a oração, no silêncio da montanha, permite entrever em alguns momentos, repondo o combustível que mantém acesa a chama da esperança – essa certeza sem provas capaz de criar a resistência na dor. Esta, ao contrário da tentação, vem de fora. Do desequilíbrio promovido pela doença ou por outros. Em geral a dor física é acompanhada pelo abandono de familiares e amigos (cf. livro de Jó) que, por odiar a doença, afastam-se do doente. Também é de fora que sobrevém a perseguição (os que roubam podem chegar a tirar até a vida, que não é sua). O que os constitui como inimigos é seu ódio. São contrários, não solidários. Poucos, como Moisés e Elias – lei e profecia – ficam ao lado do Cristo. É preciso acreditar no rosto de Deus oculto sob o rosto humano (exposto por Pilatos: “Eis o homem”) para que nos seja revelado o destino de glória reservado ao homem de dores da Paixão.
3)     SE CONHECESSES O DOM DE DEUS... No 3º domingo da quaresma acompanhamos a conversa de Jesus com a “samaritana”. Ela, duplamente desprezada, por ser mulher e por pertencer a um povo rejeitado. Ele refazendo a imagem do Deus que não pode ser manipulado nem mesmo pela religião (ou pelas religiões). Só “em espírito e verdade” o ser humano percebe (no mais íntimo do próprio interior como disse Agostinho), quem que nos amou primeiro. Quem pode ser buscado nos ritos e cultos mas não a eles reduzido.
4)     SÓ SEI QUE EU ERA CEGO... Domingo passado, o 4º na preparação da Páscoa, meditamos as cenas de discussão sobre a cura de um cego. Repete-se p confronto entre a confiança no poder de Deus e a “visão” que pensa que vê, mas é incapaz de “enxergar” os “sinais”. É o mesmo confronto entre o “deixa p’rá lá” das mentiras quotidianas (tentações) e a verdade do Deus não manipulado. É o mesmo contraste (transfiguração) entre conforto da religião e a glória divina escondida sob o rosto humano padecente. É a mesma bifurcação para escolher entre a via superficial de tradições e doutrinas (samaritana) e a via que se aprofunda na sede e no poço de Jacó. É a mesma oposição entre o cego-que-vê o “Filho do Homem” e o fariseu que pensa que vê, mas não enxerga um palmo à frente do nariz.

[ 3] A 5ª narrativa quaresmal sobre a maior de todas as esperanças
         Este último domingo de preparação para a Páscoa mostra-nos Jesus chorando a morte do amigo par o qual criou até o máximo “sinal” da ressurreição. O cristianismo não acaba com a morte. Mas também reafirma que a vida não acaba na morte. Se Deus é capaz de criar, também pode re-criar a vida. A semana da Paixão expõe a fragilidade do ser humano sob a dor. E também sob a malícia dos que traem o amigo. Ou torturam. Ou negociam com o poder político, vantagens e privilégios, pela corrupção que não respeita nem a vida dos mais frágeis na sociedade. A Páscoa é o dia seguinte da Paixão, a realização da Esperança. Romanos vacilantes, dirigentes mentirosos ou discípulos medrosos, aprenderam a odiar. “Ninguém nasceu odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou por sua religião. Para odiar as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, pode ser ensinadas a amar” (da autobiografia de Mandela). É que nos ensina a Páscoa, cuja memória celebraremos em breve. A ressurreição (mesmo sem a explicação de como será concretamente) é confirmação de que valeu a pena amar até o fim, pois o Pai não abandonou Jesus às forças dos inimigos e à sua sepultura. E nos dará também o poder de retomar a vida. Não mais como Lázaros para ter mais alguns anos de idade, mas como o Cristo, em glória sem fim, que nem imaginar podemos.

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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

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