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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*-          domingo de ramos     13 de abril de 2914

Saudemos os judeus, nossos irmãos mais velhos na mesma fé de Abraão, pela sua Pêssach (celebrada a partir do final da tarde do dia 14); cuja fé reconhece na festa da Páscoa o dom da liberdade concedida pelo Senhor que, pelo êxodo e pelo dom de sua Toráh, foram constituídos em sua identidade de “povo escolhido”; para o qual a Páscoa não é apenas a memória do êxodo passado, mas a convicção da presença constante do Senhor da vida. Saudemos também nossos irmãos ortodoxos (que, nas Igrejas que usam outro calendário para a Divina Liturgia, celebram a Páscoa cristã no dia 20) e todos os demais ortodoxos e de outras Tradições, que celebram o mesmo Mistério do Amor do Senhor no dia 13 de abril.

A CRUZ INCOMODA [Para superar o “folclore” ou visão superficial da Semana Santa, aprsenta-se, a seguir, resumo de comentário do teólogo francês M. Domergue.]

1- REVELADA A VERDADE SOBRE DEUS E O SER HUMANO
·                 A cruz revela a verdade definitiva sobre Deus e sobre o ser humano. A multidão, com seus ramos de aclamação, só quer que ele tome o poder e restaure a realeza de Davi. Depois, porém, pedem: “Crucifica-o!”. Mas, afinal, no dia dos ramos eles tinham razão: ali começava a “glorificação” de Jesus. Só não podiam entender como ela seria realizada. Também nós nos sentimos incomodados pelo fato da Paixão: por que o Cristo tinha de passar por ela? Todo mundo morre, mas por que esse modo de morrer entre tortura e zombaria? Por que o sofrimento inútil? De fato, a Cruz é “escândalo” que significa: pedra de tropeço.

2- MAL-ESTAR
·                 Mas o que precisamente nos incomoda ao olhar o Cristo crucificado? Em primeiro lugar é o que chamamos “Pecado”. O homem conhece a negação do amor. Todo Pecado é uma variante do assassinato. Todo comportamento que tem alguma coisa de diminuir ou ignorar o outro, bem como toda recusa em perdoar, é o inverso do que vemos no crucificado. Negar ou renegar o Cristo passa pela nossa recusa do outro. Isso pode tomar formas aparentemente inocentes, quando, por exemplo, fugimos de ser incomodados pelos problemas do outro; nos fechamos ao seu modo de ver ou viver; zombamos, desprezamos, negligenciamos. São todas formas de expulsar Cristo de nossas vidas. Tais atitudes (e outras ainda piores) ficam ocultas (ou esquecidas por nós voluntariamente). Somos especialistas na arte de varrer o Cristo para debaixo do tapete. A Semana Santa vem expor nossas tentativas de escapar do olhar do Cristo sob a testa ferida de espinhos (notemos a dificuldade dos discípulos em olhar para o rosto de Cristo). Na cruz ficam visíveis todas as nossas maldades: ”ele foi transpassado pelas nossas infidelidades e triturado por nossas perversidades” (Isaías 53,5).

3- UM SEGUNDO MAL-ESTAR
·                 Ficou claro: não podemos dizer “crucificaram o Cristo”, mas “Eu o crucifiquei”, pois somos nós que o queremos eliminar, nos pequenos assassinatos ou nos grandes crimes. Nós o eliminamos e não Deus. E logo sobrevém um segundo mal-estar, pelo fato de termos escutado tantas vezes que Deus é Amor e, ao mesmo tempo, que ele determinou aquela morte na Cruz. Quase diríamos que “ele planejou a cruz”. O modo como escritores do novo Testamento indicavam ser Jesus de Nazaré a realização das promessas e profecias (de salvação) é confundido por nós, como a declaração de que um “decreto” divino condena à morte o Filho. Continuamos dominados por esse chavão, por esse clichê. Imaginamos que era preciso satisfazer (reparar, compensar, pagar uma pena) à justiça divina: 1) os homens ofenderam Deus. 2) Ele (uma espécie de senhor feudal onipotente) exige reparação da ofensa. 3) Embora bastante “grande” (capaz até de ferir Deus) o ser humano é muito pequeno para reparar a ofensa ao Infinito. 4) Então o Filho de Deus é o único que pode cumpri tal tarefa, sendo, o Pai e o Espírito, o Infinito de Deus.
·                 Não tem sido esta a figura religiosa que nos foi apresentada? É a imagem corrente de um Deus que nos ensina a perdoar, mas ele mesmo não perdoa e exige um pagamento da dívida para fazer justiça! Ou ainda: é preciso chegar a sangrar, como no sacrifício de animais sobre o o altar dos templos. Dessa forma Deus nos tem sido apresentado como o grande responsável pela morte de Jesus ! Desta forma ocorre uma interpretação superficial de alguns textos bíblicos, que parecem indicar essa “vingança” do ofendido (entre eles costumamos incluir aquele “que seja feita a tua vontade e não a minha”). Felizmente o cerne da mensagem bíblica encontra outras passagens que “inocentam” Deus e apontam outros culpados! Os apóstolos são claros ao dizer:: Esse Jesus – que vós crucificastes... (cf. Atos 4,10; 2,36; 5,30).
·                 Concluindo: nós construímos as cruzes pelas guerras e violências ou por ofender e prejudicar (uns aos outros, em família, entre amigos ou desconhecidos). Nós nos afastamos de quem precisa de ajuda. Nós ganhamos dinheiro com a corrupção ou votamos em corruptos em troca de favores ou ilusões. Nós contribuímos para o desprezo de crianças e velhos (e de todos os mais fracos), o que se torna a mossa “quota” de contribuição para a grande corrente da maldade. Nesta “poluição” moral da sociedade, chega-se à organização em nível mundial do comércio ou “tráfico de pessoas” (escravos para o trabalho, para doação compulsória de órgãos, para a prostituição); do comércio da morte no tráfico de drogas ou de armas.
·                 Todas estas “cruzes” foram assumidas pelo Cristo. O amor une para o melhor e para o pior. Deus quis chegar a nós no pior – cf. a leitura de hoje (carta aos Filipenses): ele abraçou tudo que é humano, exceto a maldade – para nos levar ao melhor. Lá – até onde o homem for – ali Deus vai alcançá-lo. Desceu até o fundo dos infernos – para de lá nos arrancar. Chegou a ser igualado a bandidos. Experimentou o que sofreram as vítimas inocentes da injustiça.
·                 Nunca estaremos sós. Essa é a vontade de Deus Pai. Jesus assumiu como seu o desejo do Pai (e que nós pedimos no Pai-Nosso): seja feita a tua vontade. Ele realizou na própria vida (e morte e ressurreição) aquela figura do “Servo de Javé” (cf. leitura de Isaías).

LEITURAS (resumos) DO DIA:
·                  O Senhor deu-me língua adestrada para que eu saiba dizer palavras de conforto – abriu-me o ouvido como a um discípulo -- ofereci as costas para os golpes, não desviei o rosto dos bofetões e cusparadas. Na 2ª parte do livro de Isaías (“segundo Isaías”) há 4 passagens conhecidas como “cânticos do Servo de Javé” (42,1-9; 49,1-6; 50,4-11; 52,13-53,12). Ele está atento (“ouvidos de discípulo”) para realizar sua missão que, em Isaías, seria levar consolação ao povo exilado. E nesta missão passará por grande perseguição e sofrimentos. - Do cântico do “servo de Javé” (Isaías 50,4-7)
·                  Jesus Cristo, de condição divina, não se agarrou ao ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo assumindo a condição de escravo, tornando-se igual aos homens, visível em seu rosto humano humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou acima de tudo com um Nome . - Da carta aos filipenses (2,6-11)
·                  Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? – Dando um forte grito, morreu. Da leitura da paixão segundo Mateus (26, 14 até 27,66)

SEMANA SANTA – DO DOMINGO DE RAMOS ATÉ A PÁSCOA
·                  A Semana Santa começa com a memória da entrada de Jesus em Jerusalém às vésperas de sua morte e ressurreição. Hoje seria uma passeata ou manifestação com cartazes, faixas, cara pintada, carro de som. Naquele tempo os generais que traziam a vitória nas guerras entravam a cavalo com o séquito de soldados e os romanos construíam um Arco do Triunfo nestas ocasiões. Reis também eram aplaudidos pelo povo em longa procissão até tomarem posse do trono em seus palácios. Cortando ramos de árvores e estendendo seus mantos à passagem de Jesus a multidão aclamava a entrada do Messias na capital da Judeia. Mesmo sendo “ovelhas sem pastor” (cf. Mt9,36), a expectativa do povo diante da fama dos milagres e curas de Jesus era que ele expulsasse a dominação romana como Messias (termo hebraico que significa ”Ungido” com óleos, como um rei), ou o Cristo (termo grego correspondente).
·                  Neste domingo antecipamos – na leitura de Mateus 26 e 27 – toda a Paixão, para mostrar que não adianta cantar vivas e hosanas ao Rei, se tudo terminar apenas em passeata. Quem ficará ao lado do “Servo de Javé” que assumiu ficar do lado dos perseguidos e por isso foi tratado como bandido? Quem apoiará o amigo na sua hora mais difícil? Mateus refere apenas as mulheres discípulas. João (sua narrativa será lida 6ª.feira) só refere sua mãe com duas outras mulheres e apenas um dos discípulos. A multidão que antes o aclamava, em seguida pediu sua morte, submissos chefes da corrupção, num julgamento corrupto.
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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

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