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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*
Encerramento da Semana Santa: domingo da Ressurreição
20abril de 2014
1-NO CONTEXTO

As condições de vida atuais formam novos hábitos, cada vez mais distantes daqueles provenientes da antiga Cristandade. Em muitas regiões do mundo o Cristianismo foi o principal organizador da civilização. As sociedades hoje tecnológicas e secularizadas não dão tanta importância ao calendário litúrgico e suas datas religiosas, exceto em grupos minoritários ou pequenas cidades interioranas. Os judeus, por exemplo, conservaram durante séculos seus costumes de origem religiosa.
Ainda há regiões ou cidades onde continuam presentes na cultura local, costumes e até o folclore nascido de antigas celebrações religiosas. Mas, em geral, mesmos estes, misturam-se a outros elementos simbólicos. Da Quaresma à Páscoa vemos o Sagrado e a Fé, ladeado por outros símbolos não exclusivamente religiosos, como, por exemplo, tradições de comidas (bacalhau, peixes, chocolate), o “coelho da Páscoa”, etc. Para famílias (a partir de um certo nível de renda), criou-se hábitos de viajar no “feriadão”, no qual ocorre, por vezes, passar bom tempo nas estradas engarrafadas...

2-PÁSCOA É SERVIÇO (AMAR, DAR A VIDA)

Consideramos que o entorno cultural não ajuda muito à meditação e ao encontro de todos nós com os Mistérios da Paixão e Ressurreição de Cristo. Além do mais, nem todos podem participar da Eucaristia solene da Quinta-feira e sua mensagem sobre Entrega livre de Jesus (antecipada no gesto do lavar os pés aos discípulos e do agradecer (Eucaristia): são gestos (cf. Mt26,26-28; Mc 14,22-24; Lc22,14-20; Jo 13) que temos de refazer. “Em sua memória” e seguindo seu exemplo como o do “servo de Javé de Isaías. Nem todos podem acompanhar a Sexta-feira Santa para escutar a leitura ou o canto que recorda a Paixão e o Mistério do Deus da Vida e da Glória (escondido na Cruz das injustiças e dores presentes na história de todos). Poucos podem participar da Vigília Pascal do Sábado, anúncio da alegria e da esperança; afirmação de uma nova Criação no simbolismo do Fogo e sua luz, e da Água, fonte de vida.

PÁSCOA É RESSUSCITAR

Aquele que deu livremente sua vida é capaz de retomá-la (cf. João 10,17-18). A Ressurreição não é apenas um “túmulo vazio”, pois a “ausência” torna-se o sinal da Presença renovada ou retomada (Deus quis que participássemos de seu poder)
No espaço-tempo em que vivemos a “experiência” da Ressurreição não pura visão de amor como no seio da Trindade, mas supõe a Fé. Geralmente vemos só os “sinais”. Não passamos adiante, ao nível da Confiança.
E sempre há diversos graus e modalidades no encontro com o Ressuscitado. Ele é o mesmo: foi criança e jovem em Nazaré onde viveu anônimo, a maior parte da vida; ele é o Cordeiro glorioso do Apocalipse; ele “aprendeu” pelo sofrimento a “obediência” (= a sintonia com o Pai) conforme se define na carta aos Hebreus; ele recebeu do Pai deu o senhorio de tudo (cf. cartas paulinas).
Ele é o mesmo, mas nós somos diversos (entre nós e em diversas etapas da vida).
Da Galileia a Jerusalém ou dali a Emaús até voltar para junto do primeiro grupo de “testemunhas escolhidas” (cf. Atos dos Apóstolos e leitura de hoje), há muita caminhada por muitas estradas. Às vezes nos habituamos às pedras no sapato e às farpas espetadas sob a pele, a ponto de nos acostumar com a dor. Então, custamos a crer. Então, abandonamos a Esperança. Então, chegamos até ao esquecimento do outro, que precisava de nós.
A “experiência” da Ressurreição acontece na Fé. Precisamos passar do “ver para crer” ao “crer para ver”. Mas cada qual o faz segundo seu modo e circunstância:
- Madalena procurava um corpo para embalsamar e pensava que o tinham roubado; depois confundia o Ressuscitado com o jardineiro;
- Tomé precisava ver e apalpar até chegar à Confiança;
- Pedro viu muitos sinais – dobrados como o sudário nos recantos do túmulo vazio – e, no entanto, ficou em silêncio (cf.Jo19);
- João, por sua vez, “viu e acreditou”.
Porém, de ambos se diz (verso 9) que “ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos”.

E, no versículo 10 lemos: os discípulos então voltaram para as suas casas.
Que também nós possamos voltar para nossas casas com a Fé fortalecida,
voltando da igreja ou de uma viagem;
da oportunidade de um retiro ou da companhia de quem precisava de nós;
continuando tarefas que não puderam ser interrompidas ou simplesmente voltando à rotina.
Na alegria do Ressuscitado e na esperança de que o mesmo acontecerá conosco (cf. leitura de hoje, Colossenses: nossa vida está escondida em Deus).

INFORMAÇÃO ECUMÊNICA
1-   As Leituras do domingo: Atos 10,34-43 (ou Jeremias 31,1-6), Colossensses 3,1-4; João 20,1-9 (ou até 18; ou Mt 28,1-18); [alternativas são do Lecionário Comum Revisado].
2-   Os setes dias festivos da Páscoa judaica terminam na segunda, dia 21 de abril
3-   Algumas igrejas ortodoxas no oriente seguem o calendário Juliano. Como festa móvel, no entanto, neste ano (2014) a lua “é ecumênica”: a Páscoa tem data comum, 20 de abril!!
4-   O Vaticano (desde 2013) anunciou que, conforme proposto pela assembleia dos bispos católicos da Terra Santa (15/10/2012), os católicos (rito latino ou ritos orientais) celebrarão a Páscoa segundo o calendário Juliano adotado pelas comunidades ortodoxas em Israel, Palestina, Jordânia e Chipre. (em 2014 coincidem na Páscoa calend. Juliano e Gregoriano).
5-     Nossa oração nestes dias deve ser de intercessão especial pela paz na Ucrânia e na Nigéria, para as vítimas de tragédias em massa no Chile e na Coreia do Sul. E para os pobres que vivem nas ruas e nos guetos de nossas cidades.

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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

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