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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 11 de abril de 2014

RAMOS E PAIXÃO

Domingo de Ramos e Paixão do Senhor

Início da semana santa

Comentários-Prof.Fernando


RAMOS E PAIXÃO - José Salviano



Evangelho - Mt 26,14-27,66

            Nesse domingo nós festejamos a entrada triunfal de Jesus na cidade de  Jerusalém montado em uma jumenta.  Episódio que significa a manifestação de sua grandeza, porém com humildade. Continua


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“BENDITO O QUE VEM   EM NOME DO SENHOR”! - Olívia Coutinho

DOMINGO DE RAMOS.

Dia 13 de Abril de 2014

Evangelho de M 21, 1-11

O domingo de Ramos é o  portal de entrada para a Semana Santa!
Para nós cristãos católicos, a semana Santa é um tempo forte, em que a Igreja nos convida a  revivermos os últimos  passos de Jesus aqui na terra.
É um tempo oportuno para retomarmos a prática da nossa opção cristã, de  firmar  os nossos passos no exemplo de Jesus, tornando-nos parecidos com Ele!
  A liturgia deste domingo, nos faz entrar no mistério do amor do Pai, nos prepara  para vivenciarmos  de maneira intensa, livre e amorosa, o acontecimento mais importante do ano litúrgico,  a vitória da vida sobre a morte: A PÁSCOA DO SENHOR JESUS!
O caminho que percorremos durante os quarenta dias da Quaresma,  nos aproximou mais de Deus,  nos trouxe  a certeza de que temos tudo para sermos  felizes: temos um Pai que nos ama, que não desiste de nós, que está sempre de braços abertos para nos acolher!
Não pensemos que foi fácil para Jesus, passar por tamanho sofrimento, mesmo sendo Deus,  Ele não se  isentou do sofrimento.  Ao assumir a nossa humanidade, Jesus  a assumiu por inteiro, abdicando-se  de todas as suas prerrogativas divinas.
 Sabemos que Jesus poderia  ter recusado a cruz, mas não o fez, por amor  ao Pai e a  cada um de nós. Um amor tão grande,  que o fez ir até as últimas conseqüências para levar em frente o projeto de Deus, uma obediência  que resultou na sua morte.  
A entrada triunfal de Jesus  em Jerusalém, foi uma maneira forte de proclamar a chegada do Messias, o Rei tão esperado e desejado pelos “pequenos!”
“As multidões que iam à frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam:  “Bendito o que vem em nome do Senhor”! Tamanha aclamação, provocou  ira nos seus  adversários, que ao sentirem-se    ameaçados de perder os seus  tronos, passaram a  incitar o povo contra Jesus, na intenção de dar fim a sua pessoa. 
Da sua entrada festiva ao  desprezo e insultos, foi um passo,  o mesmo povo que presenciou a multiplicação  dos pães, a cura dos cegos dos paralíticos, a ressurreição de Lázaro, que o aclamaram, se voltaram  contra Jesus, quando se deram conta de que Jesus  não era o Rei que eles esperavam, ou seja, um Rei com poderes políticos que fosse libertar Israel do poder Romano.
 Nas celebrações da Semana Santa, nós nos comovemos diante das encenações da Paixão e morte de Jesus, achamos uma injustiça o que fizeram com Ele, mas será que nós, não continuamos de alguma forma fazendo o mesmo com Jesus na pessoa do nosso irmão? Será que nós também, não estamos crucificando-O  nas  nossas atitudes do dia a dia? Não podemos esquecer de que,  todas  vezes, que não praticamos a justiça, a solidariedade, que negamos ajuda ao nosso irmão, estamos também crucificando Jesus! E ao contrário, todo vez que praticamos a justiça, que promovemos o outro, estamos ressuscitando Jesus
Rasguemos, pois, as vestes velhas, para nos  revestirmos do novo, colocando Jesus como o centro da nossa vida, esvaziando-nos  de nós mesmo, para vivermos de acordo com os seus ensinamentos, partilhando  a vida, sendo vida na vida do outro... Só assim, poderemos vivenciar o verdadeiro  sentido da Páscoa: Passagem... Vida nova... Renovação...
Celebrar a Páscoa é celebrar a vida, é resgatar os valores, hoje tão esquecidos, como a fidelidade, a defesa da vida, o respeito humano...
Como verdadeiros seguidores de Jesus, devemos estar sempre disposto a enfrentar todo e qualquer desafio para levar em frente a nossa missão de anunciadores do Reino!
Com os pés no chão e o olhar voltado para o  alto, carreguemos  a nossa cruz, sem medo, pois a cruz  é o caminho que nos levará à plenitude da vida!
Carregar a Cruz de cada dia,  significa navegar contra a maré, optando   pela justiça, pela  liberdade, na certeza de que em Jesus, está o nosso Porto seguro, com Ele, a nossa cruz torna mais leve, o  nosso sofrimento não é em vão, é o  trampolim para a nossa ascensão.
Quiseram eliminar o Rei  que  entra em Jerusalém   montado num jumentinho, se identificando-se  com os pobres, que tinha o jumento como único meio de transporte, o Rei que defendia a vida, mas não conseguiram, pois a vida vence, quando se diz "SIM", ao amor!

DESEJO A TODOS UMA FELIZ PÁSCOA!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho


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DOMINGO DE RAMOS 13/04/2014
1ª Leitura Isaias 50, 40-47
Salmo 21(22)2 a “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes”
2ª Leitura Felipenses2, 6-11
Evangelho Mateus 21, 1-11
"QUEM É O NOSSO JESUS NESSE DOMINGO DE RAMOS?" - Dias. José da Cruz
Sabemos que evangelho significa Boa nova ou Boa Notícia, por isso quando deparamos com um dos sinóticos, no caso São Mateus, nesse Domingo de Ramos, é forçoso nos perguntar, como que os pormenores da paixão de Jesus, a sua morte na cruz, poderá nos trazer uma mensagem de Boa Nova... E mais um detalhe importante, se é Domingo de Ramos, que tem como foco a entrada triunfal de Jesus na cidade Santa, como vemos na primeira proclamação, feita antes da procissão de ramos, novamente nos perguntamos, o que poderá haver de triunfal em um acontecimento que irá resultar em uma tragédia?

Sendo o evangelho a Palavra de Deus revelada sob inspiração do Espírito Santo, é necessário abrir o coração para compreendê-lo, e não só a razão. Naturalmente essas questões que a nossa razão apresenta entre outras, longe de manifestar a nossa incredulidade, nos ajuda a migrarmos para o coração, pois, se dermos relevada importância ao fato histórico em si, a comoção que iremos sentir diante desses relatos, será idêntica á que experimentamos diante da obra de um grande taumaturgo. Vamos acabar chorando comovidos, com toda a maldade que fizeram com o Jesus Histórico e jamais conseguiremos entender o que isso tem a ver com a nossa vida. Diante de um evangelho, precisamos sempre ter em mente que se trata de uma reflexão sobre Jesus de Nazaré, feita pelas primeiras comunidades, estamos portanto longe do fato histórico da condenação e morte do Senhor, sobre o qual nenhum resquício chegou até nós, a não ser os evangelhos, que nada mais são do que escritos coletados pelas comunidades e que por isso mesmo requer uma  interpretação usando sempre como referência a Tradição e o Magistério da Igreja, que se fundamenta no testemunho dos apóstolos e das primeiras comunidades, como a de Mateus, onde havia muitos judeus convertidos, e já se tinha consciência de que Jesus ressuscitara, e que agora tentam descobrir qual a relação desse Jesus ressuscitado , com aquele Homem Jesus de Nazaré, que foi condenado com 33 anos, e passou por uma morte tão vergonhosa e humilhante.

Sabemos pelo próprio relato, qual foi a atitude da comunidade diante de tal revelação, não guardaram dúvidas ou desconfianças diante da Revelação Divina e concluíram com um belíssimo ato de Fé, que Mateus retratou com  fidelidade na exclamação do Oficial Romano “Ele era mesmo o Filho de Deus”!

O evangelista Mateus, preocupado em convencer seus conterrâneos sobre a Verdade de Jesus de Nazaré, usou de uma estratégia ao reler as escrituras, apontando de maneira caridosa e paciente, os textos que a ele se referiam facilitando assim a compreensão sobre o conteúdo das leituras desse Domingo de Ramos, que nos introduzem na Semana Santa, onde se celebra o Tríduo Pascal, enfocando a Vida e a morte, a plena realização e o fracasso, as trevas e a Luz, antagonismos presentes não só na Vida Terrena de Jesus, mas na vida de cada Ser Humano, que a partir de então poderá fazer suas escolhas e decidir-se por uma ou por outra, pois Salvação é exatamente isso, conhecer a Verdadeira Luz, a Vida e a Verdade Absoluta que é o próprio Cristo, e deixar-se atrair por ele tomando a decisão de segui-lo, não mais a partir de uma obrigatoriedade Legal de Caráter Religioso, mas a partir de uma experiência real como ocorreu com as Comunidades de Matheus, e o Oficial Romano, sendo este precisamente o convite e o apelo desse evangelho: que as nossas comunidades revejam toda a caminhada e em uma auto afirmação da nossa Fé, redescubramos: Jesus é o nosso Senhor, o Filho de Deus!

O máximo que se pensou sobre Jesus, é que ele fosse um Profeta, tal qual nos atesta a conclusão do relato da sua entrada em Jerusalém, Mateus não engana seus leitores, pois sendo um Profeta renomado, terá o mesmo destino dos demais, sendo ouvido por poucos, rejeitado por muitos, e finalmente esmagado com a morte. Portanto, aquilo que parece ser um momento de glória, pelo menos na visão nacionalista da Nação de Israel, irá redundar em terrível fracasso! Há Glória sim, presente no regozijo de um Homem totalmente novo, Fiel, que com sua encarnação Divinizou a todos e a cada um dos homens, resgatando neles a imagem e semelhança do Deus Criador. Um homem capaz de ter toda firmeza e confiança em Deus,, mesmo diante das contrariedades e provações, em um contexto que caminha para o iminente fracasso, como esse Servo de Iahweh, assumido pelo Profeta Isaías, e que nessa circunstância provoca a queixa orante do Salmista “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes”

O apóstolo Paulo, na carta aos Filipenses, consegue resumir, de modo magistral, o que Mateus transmite nas entre linhas desse evangelho... O mal presente no coração do homem, do presente, do passado e do futuro, não conseguirá jamais subjugar o Bem Supremo, impondo-lhe o seu domínio. Ninguém o humilhou, mas Ele humilhou-se, ninguém o entregou á morte, mas Ele próprio entregou-se, ninguém foi capaz de rebaixá-lo despojando-o da sua Dignidade de Filho de Deus, Ele próprio rebaixou-se e esvaziou-se de si mesmo.

Podemos então concluir a nossa reflexão desse domingo de Ramos, olhando para o testemunho do Oficial Romano, homem considerado impuro e, portanto, descartado da Salvação pela Religião Oficial, mas que fez a sua experiência com Cristo, e mesmo sem pertencer ao Povo da Promessa, reconheceu Nele aquilo que os Doutores em Escritura não reconheceram. O Oficial viu a revelação do Amor de Deus, naquele Homem que se entregou livremente, porque o verdadeiro amor não é aquele que domina, mas aquele que se deixa dominar, o verdadeiro amor pressupõe uma entrega total, dentro de uma também total liberdade. O verdadeiro amor se aniquila e se deixa esmagar, tornando-se alicerce na construção de algo totalmente novo, que o coração humano busca e sonha, mas que só se consegue encontrar em Jesus, alguém como nós, mas que vislumbrado na Fé, o descobrimos como nosso único Deus e Senhor, Aquele que o Pai exaltou para sempre!
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Evangelhos Dominicais Comentados

13/abril/2014 – Domingo de Ramos

Evangelho: (Mt 21, 1-11)


O Domingo de Ramos nos introduz na Semana da Paixão do Senhor. A Liturgia de hoje nos oferece dois evangelhos de Mateus; um para a bênção dos ramos (Mt 21,1-11) e outro para a Liturgia da Palavra (Mt 26,14-27.66). Para nossa meditação, vamos nos ater ao evangelho da bênção dos ramos que relata a entrada triunfal de Jesus em Belém.

Uma grande multidão se apresenta empunhando ramos de palmeira e de oliveira. Gritam hosanas e aclamam: “Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o Filho de Davi!” Quando Jesus entrou em Jerusalém, a cidade ficou agitada e todos perguntavam: “Quem é este homem?” 

Jesus, ao contrário dos reis que andavam em carros de guerra, em imponentes cavalos entra em Jerusalém montado num jumentinho. Jesus é um Rei manso, humilde e pacífico. Mas, ao mesmo tempo, esse Rei é também forte e firme.

Jesus faz justiça devolvendo vida aos excluídos, humildes e necessitados. E o povo o reconhece como seu Rei, seu Salvador. Por isso, estende seus ramos e seus mantos à sua passagem.

Enquanto o povo gritava “Hosana!” - “Salva-nos!” os poderosos ficaram preocupados e agitados. A presença de Jesus é uma ameaça para aqueles que vivem às custas do suor do povo. A simples presença de Jesus já é motivo para sonharmos com a liberdade. Onde Jesus está presente, a opressão está ausente. 

As atividades libertadoras realizadas por aquele chamado de o profeta Jesus de Nazaré da Galileia desafiam o poder opressor. A vinda do Rei-pobre exige opção, exige uma definição, ou o recusamos ou o aceitamos, não existe meio termo. Esse é o grande desafio. Ficar com o verdadeiro ou com o falso. Ficar com o antigo ou aceitar a Nova Aliança.

Jesus se molda ao nosso modo de ser. É como um sapato confortável e, ao mesmo tempo, é também como aquela pedrinha incômoda que aparece não sabemos de onde. Para estar com ele é preciso abrir mão do poder e assumir o serviço. É dificílima essa decisão, por isso ainda hoje essa dúvida nos incomoda.

Não é fácil aceitar a proposta do Salvador. Todos aguardavam um rei vingador e rodeado de soldados para exterminar os inimigos do povo. A decepção é geral, o Rei se apresenta exigente, sem armas e com propostas de mudanças.

Mudanças radicais que se trouxermos para os dias de hoje significam abrir mão dos grandes lucros e pensar mais seriamente nos desempregados, nos aposentados, nos idosos e menores abandonados. O Rei exige preocupação com os índios, com os enfermos, e com os preços abusivos dos remédios e impostos.

Todas essas mudanças exigem muito de cada um de nós. Exigem desprendimento e renúncia. Exigem humildade, solidariedade e amor ao próximo. Exigem adesão e muito cuidado para não repetirmos a mesma cena daquela época.

Aderir ao Cristo significa mudar e cuidar para não assumirmos a mesma postura daqueles a quem criticamos, e chamamos de assassinos. É bom lembrar que os mesmos que exaltaram Jesus, também o condenaram.

Mudar significa gritar a Boa Nova da presença de Deus entre nós. É recusar ou aceitá-lo. Quem não muda e não assume o seu compromisso batismal é como aquele que hoje estende o seu manto e grita “Hosana! Hosana!” e que alguns dias depois, lá está, no meio da multidão e gritando: “Crucifica-o! Crucifica-o!”

(1785)

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Mateus 21,1-11
“Dizei à filha de Sião: ‘Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta!” – Assim o nosso Jesus entra hoje em Jerusalém para sofrer sua paixão e fazer sua Páscoa deste mundo para o Pai.
Jerusalém é a cidade do Messias; nele deveria manifestar-se o Reino de Deus. O Senhor Jesus, ao entrar nela de modo solene, realiza a esperança de Israel. Por isso o povo grita: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!” Hoje, com nossos ramos levados em procissão, fazemos solene memória desse acontecimento e proclamamos com nossos cânticos que Jesus é o Messias prometido! Também nós cantaremos daqui a pouco: Hosana ao Filho de Davi!
Mas, atenção! Este Messias não vem como rei potente, num majestoso cavalo de guerra, símbolo de força e poder! Ele vem num burrico, usado pelos servos nos seus duros trabalhos. Ele vem como manso e humilde servo! Eis o escândalo que Israel não suporta! Esperava-se um Messias que fosse Rei potente e Deus envia um servo humilde e frágil! Que lógica, a de Deus! E, misteriosamente, Israel não consegue compreendê-la e refutará Jesus! Mas, e nós, compreendemos de verdade essa lógica? Hoje, seguir o Cristo em procissão é estar dispostos a aceita-lo como Messias que tem como trono a cruz e como coroa os espinhos! Segui-lo pela rua é comprometer-se a segui-lo pela vida! Caso contrário, nossa liturgia não passará de um teatro vazio...
Vamos com Jesus! Aclamemos Jesus! E quando na vida, a cruz vier, a dor vier, os espinhos vierem, tomemos nas mãos os ramos que levaremos hoje para nossas casas e recordemos que nos comprometemos a seguir o Cristo até a morte e morte de cruz, para chegarmos à Páscoa da Ressurreição! 
Mateus 26,14 – 27,66
O mistério que hoje estamos celebrando – a Paixão e Morte do Senhor – e vamos celebrar de modo mais pausado e contemplativo nesses dias da Grande Semana, foi resumido de modo admirável na segunda leitura desta Eucaristia: o Filho, sendo Deus, tomou a forma de servo e fez-se obediente ao Pai por nós até a morte de cruz. E o Pai o exaltou e deu-lhe um nome acima de todo nome, para nossa salvação! Eis o mistério! Eis a salvação que nos foi dada! 
Mas isso custou ao Senhor! É sempre assim: os ideais são lindos; coloca-los na vida, na carne de nossa existência, requer renúncia, lágrimas, sangue! O Filho, para nos salvar, teve que aprender como um discípulo, teve que oferecer as costas aos verdugos e o rosto às bofetadas! Que ideal tão alto; que caminho tão baixo! Que ideal tão sublime, que meios tão trágicos!
Foi assim com o nosso Jesus; é assim conosco! É na dor da carne da vida que o Senhor nos convida a participar da sua cruz e caminhar com ele para a ressurreição. Infelizmente, nós, que aqui nos sentamos à mesa com ele, tantas vezes o deixamos de lado: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato!” – Eis! É para nós esta palavra! Comemos o seu Pão ao redor deste Altar sagrado e, no entanto, o abandonamos nas horas de cruz: “Esta noite vós ficareis decepcionados por minha causa!” – Que pena! Queríamos um Messias fácil, um Messias que nos protegesse contra as intempéries da vida, que fosse bonzinho para o mundo atual. Como seria bom um Messias de acordo com o assassinato de embriões, com o aborto, com a libertinagem reinante... Mas, não! Esse Messias prefere morrer a matar, esse Messias exige que o sigamos radicalmente, esse Messias nos convida a receber a mesma rejeição que ele recebe do mundo: Minha alma está triste até à morte. Ficais aqui e vigiai comigo!” 
rmãos, que vos preparais para celebrar estes dias sagrados, não vos acovardeis, não renegueis o nosso Senhor, não o deixeis padecer sozinho, crucificado por um mundo cada vez mais infiel e ateu, um mundo que denigre o nome de Cristo e de sua Igreja católica! Cuidado, irmãos! Não é fácil, não será fácil a luta: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca!” Que nos sustente a força daquele que por nós se fez fraco! Que nos socorra a intercessão daquele que orou por Pedro para que sua fé não desfalecesse! E se, como Pedro cairmos, ao menos, como Pedro, arrependamo-nos e choremos!
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos porque pela vossa santa cruz remistes o mundo!
dom Henrique Soares da Costa

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O domingo de Ramos marca o início da Semana Santa. O conteúdo das leituras bíblicas deste domingo diz respeito à missão do Servo sofredor. Contra todo triunfalismo, Deus age na história, revelando seu plano de amor por meio das vítimas do poder. O movimento profético do Segundo Isaías, em pleno exílio da Babilônia, caracteriza os exilados como o “Servo sofredor”, amado por Deus. Especialmente nos quatro cânticos do Servo, o povo sofredor é retratado como “veículo” da bondade salvadora de Deus. No terceiro cântico, texto deste domingo, o povo quebrantado já não opõe resistência à voz de Deus; torna-se seu discípulo, assume o caminho da não violência e confia no socorro do Senhor (I leitura). A comunidade cristã contempla Jesus como o Servo sofredor, que, assumindo a perseguição, a condenação, a paixão e a morte que lhe impõem os seus inimigos, revela a plenitude de seu amor pela humanidade em total confiança no socorro de Deus Pai (evangelho). Jesus “se despojou de sua condição divina, tomando a forma de escravo… Abaixou-se e foi obediente até a morte sobre uma cruz” (II leitura). A celebração do domingo de Ramos constitui momento propício para manifestar gratidão a Deus pelo seu amor sem limites e para refletir sobre nossa responsabilidade no mundo de hoje de nos empenhar, a exemplo de Jesus, pela causa da vida de todos, conforme refletimos ao longo desta Quaresma.
1ª leitura (Is. 50,4-7)
O Servo sofredor, discípulo de Deus
O movimento profético do Segundo Isaías surtiu efeito junto ao povo oprimido no exílio da Babilônia. Sua atuação se deu nos últimos anos do exílio, ao redor de 550 a.C. Após um período de prostração e desesperança, o povo vai recuperando o ânimo, especialmente com a perspectiva da volta para a terra prometida. Os quatro cânticos do Servo sofredor refletem o rosto dos exilados em seu processo de construção da esperança. Nessa caminhada, Deus manifesta sua presença amiga e consoladora.
O texto de hoje corresponde aos primeiros versículos do terceiro canto do Servo sofredor. São palavras portadoras de muita fé e confiança em Deus. O Servo revela sua disposição de ouvir os apelos divinos e demonstra ter consciência da missão especial que Deus lhe dá. É a imagem do povo que não se sente abandonado, mas protegido e conduzido pelo Senhor. Essa certeza o leva a manter a cabeça erguida, resistir e perseverar mesmo no meio da incompreensão, das injúrias e das agressões dos inimigos. Tem a profunda convicção do socorro que vem de Deus. Por isso, tem a postura própria das pessoas pacíficas, a ponto de oferecer as costas aos que batem e o rosto aos que arrancam a barba.
O povo sofredor, Servo de Deus, está firme e confiante; manifesta total autonomia perante os poderosos que o oprimem. Essa situação foi conquistada mediante a intervenção divina. Foi Deus quem abriu os ouvidos do seu Servo amado a fim de que pudesse ouvi-lo numa atitude de discípulo; foi Deus também quem lhe “deu a língua de discípulo para que soubesse trazer ao cansado uma palavra de conforto”. As pessoas servas de Deus, tanto ontem como hoje, demonstram firmeza e determinação em profunda solidariedade com os abatidos e cansados. Elas assumem, na liberdade e na confiança, a missão de espalhar no meio do povo o fermento novo da justiça. Sua fidelidade à missão alicerça-se na escuta atenta e renovada da palavra de Deus “de manhã em manhã”.
Evangelho (Mt. 26,14-27,66)
Jesus, o Servo de Deus
Esse longo texto nos introduz no clima espiritual da Semana Santa, quando acompanhamos o processo de condenação e morte de Jesus. Ele é por excelência o Servo sofredor que, mesmo abandonado pelo seu grupo íntimo, incompreendido e ultrajado, permanece fiel à sua missão.
O processo envolve a traição de Judas, um dos doze. Ele negocia a entrega de Jesus por 30 moedas, o valor de um escravo naquela época. Apesar de Jesus conhecer a decisão que Judas tomou, e sabendo também da tríplice negação de Pedro, não os exclui da ceia em que institui a eucaristia, sinal de sua presença viva nas comunidades e de sua plena doação pela vida do mundo. Judas vai arrepender-se de seu ato, mas não consegue superar o remorso. Prefere dar fim à vida. Diferentemente vai ser a atitude de Pedro, que, reconhecendo sua covardia, se arrepende e “chora amargamente”.
O relato ressalta a humanidade de Jesus em profundo sofrimento, no lugar do Getsêmani. Na sua total solidão, derrama sua alma diante do Pai, em quem pode confiar plenamente. Manifesta-lhe toda a sua fraqueza, pede-lhe socorro e dobra-se à vontade divina, mantendo-se firme na decisão de concluir sua tarefa com todas as consequências. Os discípulos, que deveriam vigiar com Jesus e apoiá-lo nessa hora de extrema dor, preferem abandonar-se ao sono.
Jesus passou a vida fazendo o bem, fiel à missão que recebera do Pai. Sua fidelidade confronta-se com os grupos de poder, concentrados na capital, Jerusalém. O grupo da elite religiosa pertencente ao Sinédrio mantinha seu poder à custa da exploração do povo empobrecido, legitimando suas posturas com interpretações interesseiras da Sagrada Escritura. Apesar de anunciarem a vinda do Messias, conforme as Escrituras, não podiam conceber que essa promessa se cumpriria na figura de alguém despojado de poder e solidário com os fracos e pequeninos. Não só isso: Jesus não adotou a mesma maneira dos rabinos de interpretar a palavra de Deus e toda a tradição de Israel. Seu lugar social era outro. E, por isso, era outro o modo de conceber as coisas. Enquanto a teologia oficial, com base no sistema de pureza, excluía da salvação as pessoas “impuras”, Jesus revela aos “impuros” o seu amor prioritário e oferece-lhes a salvação divina.
O Sinédrio, a instância religiosa judaica central para julgamento das pessoas suspeitas de crimes e de violações da Lei, procura achar um motivo convincente para condenar Jesus. Após muitos falsos depoimentos, apresentaram-se duas testemunhas (número mínimo necessário para a condenação de uma pessoa suspeita) que, também falsamente, depõem contra Jesus, dizendo que ele pregava a destruição do Templo. Foi motivo suficiente: Jesus mexera com o que havia de mais sagrado. Era por meio do Templo que o Sinédrio alimentava o seu poder.
As autoridades judaicas, porém, não tinham o poder de condenar uma pessoa à morte. Por isso, Jesus é levado à instância política ligada ao império romano. Pilatos é o seu representante. Nada percebe em Jesus que possa condená-lo. Até sua mulher lhe manda dizer que, em sonho (considerado o meio pelo qual Deus se manifesta), lhe fora revelado que Jesus era uma pessoa justa. Enfim, o inocente Jesus, por pressão da elite judaica, vai ser condenado. Pilatos lava as mãos e, no lugar de Jesus, solta Barrabás, acusado de assassinato.
A partir daí, Jesus vai sofrer toda espécie de humilhação. É a figura de um escravo sem defesa, entregue às mãos dos zombadores. É desnudado, vestido com um manto vermelho, coroado de espinhos, com um caniço na mão direita, e cuspido no rosto; enquanto lhe batem na cabeça, é saudado como “rei dos judeus”, uma das acusações que o levarão à condenação. Simão Cireneu é requisitado para ajudar Jesus a carregar a cruz, pois ele se encontra muito enfraquecido. Quando crucificado, lançam-lhe injúrias, pedindo-lhe que salve a si próprio, já que anunciou a destruição do Templo, outra acusação no seu julgamento.
 Eis o Servo na cruz, considerado “maldito de Deus”, conforme declara o texto do Deuteronômio (21,23). Porém, em seu sofrimento e em sua morte, paradoxalmente, manifesta-se a total solidariedade com os sofredores e realiza-se a redenção da humanidade. O véu do Templo se rasga de cima a baixo: o Santo dos Santos fica exposto. A morte de Jesus “liberta” Deus, aprisionado pelo sistema religioso excludente. A morte de Jesus ressuscita os mortos. Sua morte resgata a vida de todos. Nessa mesma hora, é reconhecido pelo centurião e pelos guardas como “Filho de Deus”.
2ª leitura (Fl 2,6-11)
Jesus se fez Servo
Esse hino cristológico, que Paulo insere em sua carta aos Filipenses, é uma das primeiras formulações de fé das comunidades cristãs. Constitui um caminho essencial da espiritualidade cristã. O caminho, na verdade, é o próprio Jesus, que desceu livremente até o ponto mais baixo, tornando-se o último. O rebaixamento (quênose) se dá em quatro degraus: de sua divindade assume a condição humana, torna-se escravo, sofre a morte e morte de cruz. Esvazia-se totalmente de qualquer dignidade; reduz-se a nada.
Esse processo de aniquilamento, que Jesus livremente aceitou, denuncia toda espécie de poder. Renunciou não somente à sua condição divina, mas também aos próprios direitos naturais de uma pessoa comum. Como escravo, perdeu todas as possibilidades de defender-se das acusações injustas e, por isso, foi condenado e morto como “maldito”. Desse ponto mais baixo possível, é elevado pelo Pai ao ponto mais alto. Por causa de sua obediência e humilhação até as últimas consequências, foi exaltado por Deus, recebendo “o nome que está acima de todo nome”.
O rebaixamento de Jesus revela sua solidariedade radical com os últimos da sociedade, com aquelas pessoas sem valor, desprezadas, excluídas e descartadas. Conduziu sua vida não para a realização de seus interesses próprios. Não veio em busca de honra e glória; veio, sim, como servidor voluntário das pessoas necessitadas. Esse Jesus que se fez escravo nos convida ao seu seguimento. É o nosso Mestre. Ele é Deus e Senhor de todas as coisas. A ele dobramos nossos joelhos e prestamos homenagem, juntamente com toda a criação.
Pistas para reflexão
– Deus chama o povo que sofre. Ele demonstra sua presença amiga e lhe dá força e consolo. Garante-lhe a volta à terra da paz e da liberdade. É o que meditamos na primeira leitura. Deus conta com as pessoas que se sentem fracas e injustiçadas. Enche-as de confiança e firmeza. São suas servas na construção de um mundo novo. Para isso, dá-lhes ouvido e coração de discípulos. Alimenta-as diariamente com sua palavra. Como servos de Deus, mesmo no meio de dificuldades e sofrimentos, somos chamados a erguer a cabeça e encorajar os que estão abatidos e sem esperança. Deus nos sustenta com a Palavra e com a eucaristia na caminhada para uma nova terra.
– Jesus é o Servo de Deus que se entrega para a vida do mundo. O domingo de Ramos é o início da caminhada de Jesus em sua entrega total pela causa da vida plena de toda a humanidade. Entra em Jerusalém, aclamado pelo povo. É perseguido, aprisionado e condenado pelos que não aceitam a sua proposta de amor. Permanece firme como Servo de Deus e do povo. Sua fidelidade nos trouxe a salvação. Nesta Semana Santa, ao acompanharmos Jesus em seu caminho de sofrimento e morte, somos convidados a rever como estamos sendo fiéis à sua proposta. Ele nos preveniu: “Quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz e me siga”.
– Jesus se fez o último para elevar a todos. Com liberdade, escolheu a condição de Servo, denunciando toda forma de dominação. No mundo em que vivemos, alguns procuram concentrar o poder e os bens, rompendo com os princípios da igualdade, da justiça e da fraternidade. Nós, como discípulos missionários do Senhor, recebemos a missão de denunciar todas as situações que prejudicam a vida e escolhemos o serviço mútuo como caminho de transformação do mundo. Relacionar com o tema da CF-2014.
Celso Loraschi

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O Filho de Davi entra em Jerusalém
1. “Acompanhemos o Senhor, que corre apressadamente para a sua Paixão, e imitemos os que foram a seu encontro. Não para estendermos à sua frente, no caminho, ramos de oliveira ou de palma, tapetes ou mantos, mas para nos prostrarmos aos seus pés com humildade e retidão de espírito, a fim de recebermos o Verbo de Deus que se aproxima, e acolhermos aquele Deus que luar algum pode conter” (santo André de Creta, Lecionário Monástico, II, p. 511).
2. “Portanto, em vez de mantos ou ramos sem vida, e vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo, revestidos dele próprio, - vós que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl. 3,27) - prostremo-nos a seus pés com mantos estendidos. Éramos antes como escarlate por causa de nossos pecados, mas purificados pelo batismo da salvação, nos tornamos brancos como a lã. Por conseguinte, não ofereçamos mais ramos ao vencedor da morte, porém o prêmio da sua vitória.
Agitando nossos ramos espirituais, vamos aclamá-lo todos os dias, juntamente com as crianças, dizendo estas santas palavras: Bendito aquele que vem em nome do Senhor, o rei de Israel!" (santo André, ibidem).
3. “Desamarrai o jumentinho e trazei-o (Mc. 11,2). Ele começou por uma manjedoura e terminou por um jumentinho: em Belém foi a manjedoura; em Jerusalém, o jumentinho Alegra-te ,filha de Sião! Eis que teu rei vem ao teu encontro, ele é justo e misericordioso; e vem montado sobre um jumentinho (cf. Zc. 9,9). Mas a filha de Sião o viu e perturbou-se; contemplou-o e entristeceu-se. Ele, o misericordioso, o Filho de Deus, o misericordiosos espalhou como um pai seus benefícios sobre Sião, mas Jerusalém procedeu tão mal em relação a ele como em relação ao Pai que o enviara; e não podendo atingir o Pai, derramou seu ódio sobre o Filho único”.
frei Almir Ribeiro Guimarães

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O Messias Padecente
O domingo de Ramos tem a mesma liturgia nos anos A, B e C, exceto para as leituras do evangelho. Estas são duas: na procissão dos Ramos, a história da entrada de Jesus em Jerusalém, uma semana antes de sua morte (portanto, no dia que hoje comemoramos); e na liturgia da Palavra, a narração da paixão e morte. As leituras do evangelho são, respectivamente, tomadas dos três evangelistas sinóticos, Mt. Mc. e Lc. (no ano B, o evangelho da Entrada pode também ser o de Jô).
Essa organização nos permite meditar, cada ano, a Via Crucis do Senhor conforme a sensibilidade própria de cada um destes evangelistas (o relato da Paixão segundo João é lido anualmente na sexta-feira santa).
Neste ano A, podemos imbuir-nos do espírito de são Mateus ao narrar a Paixão de N. Senhor (evangelho). Importantíssimo, para Mt, é o cumprimento, na vida e morte de Jesus de Nazaré, do plano divino, expresso no A.T. Neste sentido, podemos observar como Jesus realiza a figura do Servo Padecente de Deus, apresentada na 1ª leitura (Is. 50,4-7; 3° Canto do Servo de Deus), por exemplo, em Mt. 26,67. Por outro lado, Mt coloca também Jesus como exemplo para os fiéis. Na cena do Getsêmani, por exemplo, Mt é o único evangelista a colocar literalmente nos lábios de Jesus a expressão do Pai-nosso: “Seja feita a tua vontade” (Mt. 26,42).
A 1ª leitura merece atenção especial, porque ela representa um momento importante na “pedagogia da Salvação”: o povo de Israel, exilado, começou a entender que o plano de Deus não se realiza, necessariamente, pela força, mas antes, pela doação do “justo”. Em Jesus contemplamos a plenitude dessa “estratégia.
O salmo responsorial 22(21), é igualmente um dos textos que prefiguram o sofrimento do Cristo. Várias de suas expressões aplicam-se tais quais à história de Jesus (Sl. 22 [21], 19 = Mt. 27, 25; Sl. 22 [21], 9 = 27,43; Sl. 22 [21], 2 = Mt. 27,46, cf tb. As semelhanças com o Sl. 69 [68]). Isto significa, novamente, que Jesus realizou em plenitude a compreensão de Deus que este salmo de maneira balbuciante exprime. Até Jesus exclama as primeiras palavras deste salmo (Mt. 27,46), assumindo assim toda a figura do(s) justo(s) perseguido(s). Nestas palavras expressa-se a sensação de ser abandonado por todos, até por Deus (Jesus conheceu esta “sensação”), mas elas já anunciam também a vitoriosa confiança que se manifesta no resto do salmo.
A 2ª leitura é o primeiro hino cristológico conhecido. Resume o mistério do despojamento do Senhor, que realiza a figura do Servo (cf. 1ª leitura) e que, por sua obediência até a morte (= o amor radical que manifesta o Deus-Amor), é glorificado no senhorio de Deus.
Ora, esta idéia do senhorio de Cristo é que inspirou o preâmbulo da liturgia de hoje: a procissão dos ramos. O dado evangélico é a entrada de Jesus em Jerusalém, na qual ele foi recebido, por uma fração do povo pelo menos, como o rei davídico (“Filho de Davi”), o Messias. Para Mt, isso significa o cumprimento das antigas promessas Messiânicas (cf. a acentuação por Mt da ascendência davídica de Jesus; cf. 4º dom. do Advento e vigília de Natal). Ora, o desejo dos fiéis de se unirem a esta homenagem, cantando A glória do Senhor e abanando ramos de palmeiras, significa que eles querem inserir-se nesta realização da promessa, confirmar para sempre o significativo gesto do povo, que Jerusalém esqueceu dentro de poucos dias. No fundo, a mais antiga celebração de Cristo-Rei é a de hoje (cf. 34° dom. do T.C.).
Assim, o presente domingo é marcado pelo mistério do esvaziamento (sofrimento) por um lado e da glória (senhorio) pelo outro. A tensão entre estas duas dimensões inspirou as tradicionais antífonas e hinos desta festa (Pueri Hebraeorum e Gloria, Laus).
Entre os demais textos da liturgia de hoje, destacamos a oração do dia e o prefácio (próprio), que se inspirou na 2ª Leitura: Jesus, o justo, padecendo pelos muitos, torna-se nosso exemplo a imitar (oração final; Fl. 2,5). Imitando-o, nós também nos associamos à estranha “estratégia”de Deus.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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O domingo de Ramos é o dia em que toda a igreja se volta para a determinação de Jesus, o Filho de Deus, como servo obediente até o fim, e Mestre da Justiça, ao entrar por sua própria vontade na cidade de Jerusalém, mesmo sabendo que lá O levariam até o monte Calvário.
Ao final do tempo da Quaresma quando Jesus chega ao ápice de sua caminhada neste mundo, a liturgia se apresenta como momento de reflexão e de compromisso para todo cristão de assumir a vida cristã, com a responsabilidade e a renovação da fé em Jesus que é a Luz do mundo.
Jesus escolhe se apresentar em Jerusalém, cidade de “Davi, seu pai”, montado em um jumento, uma besta de carga. Era a entrada de uma pessoa humilde e não a de um conquistador militar. Ele é o Messias prometido que se apresenta de forma pobre e despojada, diferentemente do que o povo esperava: aquele que viria valente, poderoso e imperialista.
E mesmo assim, Ele é aclamado Rei. O Rei pacífico que conquistou o seu povo não pela astúcia ou violência, mas pela humildade que dá testemunho da Verdade.
Neste dia, quem o aclama são as crianças e os “pobres de Deus”, seus seguidores, que estendem suas capas e ramos no chão para abrir passagem dizendo: “Bendito o que vem em nome do Senhor”.
A cidade toda está interessada em Jesus e Ele é reconhecido como o profeta da Galiléia.
Na aclamação entusiasmada e eufórica do povo, o termo “Hosana” quer dizer: “Salva-nos, dá-nos a salvação!” 

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A morte de cruz
A morte de cruz correspondeu ao ponto mais baixo e ao ponto mais alto do projeto messiânico de Jesus e de sua relação com os que escolhera para estar com ele. Os discípulos, de qualquer tempo e lugar, ver-se-ão confrontados com ela. Será inútil querer desviar-se dela.
A morte de cruz reduziu Jesus à condição de maldito de Deus. As próprias Escrituras consideravam maldição a morte por enforcamento e, por extensão, por crucificação. Paulo dirá que Jesus se fez maldição para nos libertar.
Poderiam os discípulos esperar algo de um Mestre suspenso na cruz? Onde ficava seu projeto de Reino? Como entender tudo quanto fizera e ensinara, se era maldito de Deus? Por conseguinte, a cruz despontou como sinônimo de fracasso.
O reverso da moeda revela uma realidade bem diversa. A cruz foi a prova definitiva da mais absoluta fidelidade de Jesus ao Pai. Tentado das mais variadas maneiras a trilhar um caminho diferente, manteve-se fiel ao projeto divino, mesmo à custa da própria vida. Quando se tratou de optar entre a fidelidade ao Pai, com todas as suas conseqüências, e as tentações de um messianismo mundano, carregado de glória e de reconhecimento, Jesus não teve dúvidas: optou pela fidelidade. Sua morte estava em perfeita consonância com a sua vida.
A morte de cruz, lida nesta perspectiva, dá um sentido novo à vida de Jesus. O fracasso receberá o nome de fidelidade, e a impotência chamar-se-á liberdade.
padre Jaldemir Vitório

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Jesus é o servo obediente de Deus
Com o domingo de Ramos e da paixão do Senhor tem início a Semana Santa. Com a primeira e a segunda leituras, a idéia inicial a se ter presente é que Jesus é o servo obediente de Deus; obediência que o Senhor aprendeu pelo sofrimento. Toda a vida de Jesus é movida pela escuta de Deus, escuta que o sustentou ao longo de toda a sua vida; escuta que fez com que ele não esmorecesse diante da traição, do sofrimento e da morte. A segunda consideração nos vem do relato da paixão: Jesus é traído por um dos seus, que partilhou com ele a vida e a fé. Mas não somente um o traiu; todos os seus discípulos também o fizeram, pois negar e abandonar é também trair. Não tiveram a coragem de permanecer com o Senhor que eles diziam amar. Noutro evangelho, Pedro, porta-voz do grupo dos discípulos, dirá que a palavras de Jesus continham a vida eterna, lhes fazia experimentar a força da vida de Deus (cf. Jo 6,67-68). Mas naquele momento de dor não conseguiram permanecer fiéis àquele que era a Palavra encarnada do Pai. É do interior do próprio grupo dos discípulos que se dá a traição. Que dor pode ser maior que a traição e o abandono? A espada mais cortante do que a que feriu a orelha do servo do centurião é a traição, pois essa atinge a confiança, o coração. Uma terceira consideração é que Jesus é o inocente condenado injustamente à morte. A inveja é o motivo da condenação e morte de Jesus. A inveja não é racional; como toda paixão que afeta o coração do ser humano, ela é irracional. Dominado pela inveja, o ser humano age perversamente buscando eliminar quem quer que seja. Pilatos, diz o evangelho, sabia da inocência de Jesus e do motivo sórdido pelo qual ele foi entregue, mas por razões políticas a sua decisão partilhou da injustiça dos que acusavam e entregaram Jesus à morte. Na paixão, Jesus permanece praticamente calado. O silêncio do Senhor denuncia a maldade daqueles que o condenam à morte. O silêncio de Jesus revela também a sua compreensão de que no desfecho dramático da sua existência terrena se realiza o desígnio de Deus. O silêncio é sinal de sua entrega nas mãos do Pai. Jesus sofre, se angustia, mas nem uma coisa nem outra o faz desistir de realizar a vontade de Deus. Ao contrário, do alto da cruz, ele faz a sua entrega definitiva: “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”.
Carlos Alberto Contieri,sj

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A liturgia deste último domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.
A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.
O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus – esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.
1ª leitura: Is. 50,4-7 – AMBIENTE
No livro do Deutero-Isaías (Is. 40-55), encontramos quatro poemas que se destacam do resto do texto (cf. Is. 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12). Apresentam-nos uma figura enigmática de um “servo de Jahwéh”, que recebeu de Deus uma missão. Essa missão tem a ver com a Palavra de Deus e tem caráter universal; concretiza-se no sofrimento, na dor e no abandono incondicional à Palavra e aos projetos de Deus. Apesar de a missão terminar num aparente insucesso, a dor do profeta não foi em vão: ela tem um valor expiatório e redentor; do seu sofrimento resulta o perdão para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrifício do profeta e recompensá-lo-á, elevando-o à vista de todos, fazendo-o triunfar dos seus detratores e adversários.
Quem é este profeta? É Jeremias, o paradigma do profeta que sofre por causa da Palavra? É o próprio Deutero-Isaías, chamado a dar testemunho da Palavra no ambiente hostil do Exílio? É um profeta desconhecido? É uma figura coletiva, que representa o Povo exilado, humilhado, esmagado, mas que continua a dar testemunho de Deus, no meio das outras nações? É uma figura representativa, que une a recordação de personagens históricas (patriarcas, Moisés, David, profetas) com figuras míticas, de forma a representar o Povo de Deus na sua totalidade? Não sabemos; no entanto, a figura apresentada nesses poemas vai receber uma outra iluminação à luz de Jesus Cristo, da sua vida, do seu destino.
O texto que nos é proposto é parte do terceiro cântico do “servo de Jahwéh”.
MENSAGEM
O texto dá a palavra a um personagem anônimo, que fala do seu chamamento por Deus para a missão. Ele não se intitula “profeta”; porém, narra a sua vocação com os elementos típicos dos relatos proféticos de vocação.
Em primeiro lugar, a missão que este “profeta” recebe de Deus tem claramente a ver com o anúncio da Palavra. O profeta é o homem da Palavra, através de quem Deus fala; a proposta de redenção que Deus faz a todos aqueles que necessitam de salvação/libertação ecoa na palavra profética. O profeta é inteiramente modelado por Deus e não opõe resistência nem ao chamamento, nem à Palavra que Deus lhe confia; mas tem de estar, continuamente, numa atitude de escuta de Deus, para que possa depois apresentar – com fidelidade – essa Palavra de Deus para os homens.
Em segundo lugar, a missão profética concretiza-se no sofrimento e na dor. É um tema sobejamente conhecido da literatura profética: o anúncio das propostas de Deus provoca resistências que, para o profeta, se consubstanciam, quase sempre, em dor e perseguição. No entanto, o profeta não se demite: a paixão pela Palavra sobrepõe-se ao sofrimento.
Em terceiro lugar, vem a expressão de confiança no Senhor, que não abandona aqueles a quem chama. A certeza de que não está só, mas de que tem a força de Deus, torna o profeta mais forte do que a dor, o sofrimento, a perseguição. Por isso, o profeta “não será confundido”.
ATUALIZAÇÃO
• Não sabemos, efetivamente, quem é este “servo de Jahwéh”; no entanto, os primeiros cristãos vão utilizar este texto como grelha para interpretar o mistério de Jesus: Ele é a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salvação/libertação aos homens… A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na ressurreição que gera vida nova.
• Jesus, o “servo” sofredor, que faz da sua vida um dom por amor, mostra aos seus seguidores o caminho: a vida, quando é posta ao serviço da libertação dos pobres e dos oprimidos, não é perdida mesmo que pareça, em termos humanos, fracassada e sem sentido. Temos a coragem de fazer da nossa vida uma entrega radical ao projeto de Deus e à libertação dos nossos irmãos? O que é que ainda entrava a nossa aceitação de uma opção deste tipo? Temos consciência de que, ao escolher este caminho, estamos a gerar vida nova, para nós e para os nossos irmãos?
• Temos consciência de que a nossa missão profética passa por sermos Palavra viva de Deus? Nas nossas palavras, nos nossos gestos, no nosso testemunho, a proposta libertadora de Deus alcança o mundo e o coração dos homens?

2ª leitura: Fil. 2,6-11 – AMBIENTE
A cidade de Filipos era uma cidade próspera, com uma população constituída maioritariamente por veteranos romanos do exército. Organizada à maneira de Roma, estava fora da jurisdição dos governantes das províncias locais e dependia diretamente do imperador; gozava, por isso, dos mesmos privilégios das cidades de Itália. A comunidade cristã, fundada por Paulo, era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta às necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusalém – cf. 2 Cor 8,1-5), por quem Paulo nutria um afeto especial. Apesar destes sinais positivos, não era, no entanto, uma comunidade perfeita… O desprendimento, a humildade e a simplicidade não eram valores demasiado apreciados entre os altivos patrícios que compunham a comunidade.
É neste enquadramento que podemos situar o texto que esta leitura nos apresenta. Paulo convida os Filipenses a encarnar os valores que marcaram a trajetória existencial de Cristo; para isso, utiliza um hino pré-paulino, recitado nas celebrações litúrgicas cristãs: nesse hino, ele expõe aos cristãos de Filipos o exemplo de Cristo.
MENSAGEM
Cristo Jesus – nomeado no princípio, no meio e no fim – constitui o motivo do hino. Dado que os Filipenses são cristãos – quer dizer, dado que Cristo é o protótipo a cuja imagem estão configurados – têm a iniludível obrigação de comportar-se como Cristo. Como é o exemplo de Cristo?
O hino começa por aludir subtilmente ao contraste entre Adão (o homem que reivindicou ser como Deus e Lhe desobedeceu – cf. Gn. 3,5.22) e Cristo (o Homem Novo que, ao orgulho e revolta de Adão responde com a humildade e a obediência ao Pai). A atitude de Adão trouxe fracasso e morte; a atitude de Jesus trouxe exaltação e vida.
Em traços precisos, o hino define o “despojamento” (“kenosis”) de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai. Não deixou de ser Deus; mas aceitou descer até aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse “abaixamento” assumiu mesmo foros de escândalo: Jesus aceitou uma morte infamante – a morte de cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do amor radical, da entrega total da vida.
No entanto, essa entrega completa ao plano do Pai não foi uma perda nem um fracasso: a obediência e entrega de Cristo aos projetos do Pai resultaram em ressurreição e glória. Em consequência da sua obediência, do seu amor, da sua entrega, Deus fez d’Ele o “Kyrios” (“Senhor” – nome que, no Antigo Testamento, substituía o nome impronunciável de Deus); e a humanidade inteira (“os céus, a terra e os infernos”) reconhece Jesus como “o Senhor” que reina sobre toda a terra e que preside à história.
É óbvio o apelo à humildade, ao desprendimento, ao dom da vida, que Paulo aqui faz aos Filipenses e a todos os crentes: o cristão deve ter como exemplo esse Cristo, servo sofredor e humilde, que fez da sua vida um dom a todos. Esse caminho não levará ao aniquilamento, mas à glória, à vida plena.
ATUALIZAÇÃO
• Os valores que marcaram a existência de Cristo continuam a não ser demasiado apreciados no séc. XXI. De acordo com os critérios que presidem à construção do nosso mundo, os grandes “ganhadores” não são os que põem a sua vida ao serviço dos outros, com humildade e simplicidade, mas são os que enfrentam o mundo com agressividade, com auto-suficiência e fazem por ser os melhores, mesmo que isso signifique não olhar a meios para passar à frente dos outros. Como pode um cristão (obrigado a viver inserido neste mundo e a ser competitivo) conviver com estes valores?
• Paulo tem consciência de que está a pedir aos seus cristãos algo realmente difícil; mas é algo que é fundamental, à luz do exemplo de Cristo. Também a nós é pedido, nestes últimos dias antes da Páscoa, um passo em frente neste difícil caminho da humildade, do serviço, do amor: será possível que, também aqui, sejamos as testemunhas da lógica de Deus?
• Os acontecimentos que, nesta semana, vamos celebrar, garantem-nos que o caminho do dom da vida não é um caminho de “perdedores” e fracassados: o caminho do dom da vida conduz ao sepulcro vazio da manhã de Páscoa, à ressurreição. É um caminho que garante a vitória e a vida plena.

Evangelho: Mt. 26,14 - 27,66 - AMBIENTE
O Evangelho segundo Mateus começa por apresentar Jesus (cf. Mt. 1,1-4,22). Descreve, depois, o anúncio central de Jesus: nas suas palavras e nos seus gestos, Jesus anuncia esse mundo novo a que Ele chama “o Reino dos céus” (cf. Mt. 4,23-9,35). Do anúncio do “Reino” nasce a comunidade dos discípulos – isto é, nasce um grupo que assimila as propostas de Jesus (cf. Mt. 9,36-12,50). Os discípulos são a “comunidade do Reino”: instruídos por Jesus, formados na mentalidade do “Reino”, os discípulos recebem a missão de testemunhar o “Reino”, após a partida de Jesus (cf. Mt. 13,1-17,27). Na parte final do seu Evangelho, Mateus descreve a ruptura final de Jesus com o judaísmo (cf. Mt. 18,1-25,46) e o final do caminho de Jesus: a paixão, morte e ressurreição (cf. Mt. 26,1-28,15).
A leitura que hoje nos é proposta é o relato da paixão de Jesus. Descreve como o anúncio do Reino choca com a mentalidade da opressão e, portanto, conduz à cruz e à morte; no entanto, não podemos dissociar os acontecimentos da paixão daqueles que celebraremos no próximo domingo: a ressurreição é a prova de que Jesus veio de Deus e tinha um mandato do Pai para tornar realidade no mundo o “Reino dos céus”.
MENSAGEM
A morte de Jesus tem de ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus apercebeu-Se de que o Pai O chamava a uma missão: anunciar esse mundo novo, de justiça, de paz e de amor para todos os homens. Para concretizar este projeto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina “fazendo o bem” e anunciando a proximidade de um mundo novo, de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos. Ensinou que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem mesmo os pecadores; ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos, não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus; ensinou que eram os pobres e os excluídos os preferidos de Deus e aqueles que tinham um coração mais disponível para acolher o “Reino”; e avisou os “ricos” (os poderosos, os instalados), de que o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, o fechamento só podiam conduzir à morte.
O projeto libertador de Jesus entrou em choque – como era inevitável – com a atmosfera de egoísmo, de má vontade, de opressão que dominava o mundo. As autoridades políticas e religiosas sentiram-se incomodadas com a denúncia de Jesus: não estavam dispostas a renunciar a esses mecanismos que lhes asseguravam poder, influência, domínio, privilégios; não estavam dispostas a arriscar, a desinstalar-se e a aceitar a conversão proposta por Jesus. Por isso, prenderam Jesus, julgaram-n’O, condenaram-n’O e pregaram-n’O numa cruz.
A morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do “Reino”: resultou das tensões e resistências que a proposta do “Reino” provocou entre os que dominavam o mundo.
Podemos, também, dizer que a morte de Jesus é o culminar da sua vida; é a afirmação última, porém, mais radical e mais verdadeira (porque marcada com sangue), daquilo que Jesus pregou com palavras e com gestos: o amor, o dom total, o serviço.
Na cruz, vemos aparecer o Homem Novo, o protótipo do homem que ama radicalmente e que faz da sua vida um dom para todos. Porque ama, este Homem Novo vai assumir como missão a luta contra o pecado – isto é, contra todas as causas objetivas que geram medo, injustiça, sofrimento, exploração e morte. Assim, a cruz mantém o dinamismo de um mundo novo – o dinamismo do “Reino”.
Para além da reflexão geral sobre o sentido da paixão e morte de Jesus, convém ainda notar alguns dados que são exclusivos da versão mateana da paixão.
• Ao longo do relato da paixão, Mateus insiste no fato de os acontecimentos estarem relacionados com o cumprimento das Escrituras (cf. Mt 26,24.30.54.56;27,9). Mesmo quando não refere explicitamente o cumprimento das Escrituras, Mateus liga os acontecimentos da paixão de Jesus com figuras e fatos do Antigo Testamento, a fim de demonstrar que a paixão e morte de Jesus faz parte do projeto de Deus, previsto desde sempre. A explicação para esta insistência no cumprimento das Escrituras deve ser buscada no seguinte fato: Mateus escreve para cristãos que vêm do judaísmo; Ele vai, portanto, fazer referência a citações e promessas do Antigo Testamento – conhecidas de cor por todos os judeus – a fim de demonstrar que Jesus era esse Messias anunciado pelos profetas e cujo destino passava pelo dom da vida.
• Também Marcos (cf. Mc. 14,47) e Lucas (cf. Lc. 22,50-51) contam como, no Getsemani, na altura em que Jesus foi preso, um dos elementos do grupo de Jesus agrediu com uma espada um servo do sumo-sacerdote. No entanto, só Mateus apresenta Jesus a condenar explicitamente o gesto, explicando que o projeto do Pai não passa pela violência, mesmo contra os agressores (cf. Mt 26,51-54). O caminho do Pai passa pelo amor e pelo dom da vida; por isso, os discípulos de Jesus não podem recorrer à violência, mesmo que se trate de defender uma causa justa. Este ensinamento tem, neste contexto, uma força especial: é quando Jesus é vítima inocente da violência que Ele afirma de forma clara a recusa absoluta da violência: o “Reino” de Deus nunca passará por esquemas de violência, de imposição, de poder e de prepotência. Na lógica do “Reino”, os fins nunca justificarão os meios.
• Só no Evangelho segundo Mateus aparece o relato da morte de Judas (cf. Mt. 27,3-10. Temos uma outra versão do acontecimento em At. 1,18-19). O episódio deixa clara a iniquidade do processo e a inocência de Jesus. A forma como Mateus sublinha o desespero e o arrependimento de Judas deixa clara a inocência de Jesus, por um lado e, por outro, o desnorte dos responsáveis pelo processo, empenhados em “sacudir a água do capote” e em declinar responsabilidades.
• São exclusivos de Mateus o sonho da mulher de Pilatos (cf. Mt. 27,19) e a lavagem das mãos por parte do procurador romano (cf. Mt. 27,24). Estes pormenores aparecem aqui com uma dupla finalidade: por um lado, Mateus quer deixar claro que Jesus é inocente e que os próprios romanos reconhecem o fato; por outro, Mateus sugere que não foi o império romano, mas sim o próprio judaísmo que rejeitou Jesus e a sua proposta de “Reino”. Os pagãos reconhecem a inocência de Jesus; mas o seu próprio Povo rejeita-O. A frase que, no contexto do julgamento de Jesus, Mateus atribui ao Povo (“o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos” – Mt. 27,25) deve também ser entendida neste enquadramento. Mateus explica dessa forma – aos cristãos que vêm do judaísmo – porque é que o judaísmo como conjunto está fora do “Reino”: o judaísmo rejeitou Jesus e quis eliminar a sua proposta.
• Também é exclusiva de Mateus a descrição dos fatos que acompanharam a morte de Jesus: “o véu do Templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade e apareceram a muitos” (Mt. 27,51-53). Através destes elementos, Mateus quer sublinhar a importância do momento. É o tipo de sinais que, segundo a tradição apocalíptica, precederiam a manifestação de Deus, no final dos tempos. Estes sinais mostram que, apesar do aparente fracasso de Jesus, Deus está ali, a manifestar-Se como o salvador e libertador do seu Povo.
• Finalmente, só Mateus narra o episódio da “guarda” do sepulcro (cf. Mt. 27,62-66) Provavelmente, o relato de Mateus tem uma finalidade apologética… Para os cristãos, o sepulcro vazio era a evidência de que Jesus tinha ressuscitado; mas alguns grupos judeus puseram a circular o rumor de que o corpo de Jesus tinha sido roubado pelos discípulos. Mateus trata de explicar a origem do rumor e de negá-lo veementemente.
ATUALIZAÇÃO
• Celebrar a paixão e a morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil… Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir conosco “até ao fim dos tempos”: esta é a mais espantosa história de amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração dos crentes.
• Contemplar a cruz, onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus, significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor… Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurreição.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

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Entrada triunfal em Jerusalém
I. “Vinde e, ao mesmo tempo que subimos ao monte das Oliveiras, saiamos ao encontro de Cristo, que volta hoje de Betânia e, por vontade própria, apressa o passo rumo à sua venerável e feliz paixão, para levar à plenitude o mistério da salvação dos homens” (1)
Jesus parte muito cedo de Betânia. Desde a tarde anterior, tinham-se congregado nessa aldeia muitos dos seus discípulos; uns eram seus conterrâneos da Galiléia, chegados em peregrinação para celebrar a Páscoa; outros eram habitantes de Jerusalém, convencidos pelo recente milagre da ressurreição de Lázaro. Acompanhado por essa numerosa comitiva e por outros que se foram juntando pelo caminho, Jesus toma uma vez mais a velha estrada de Jericó a Jerusalém, em direção ao monte das Oliveiras.
As circunstâncias eram propícias para uma grande recepção, pois era costume que as pessoas saíssem ao encontro dos grupos de peregrinos mais importantes, para fazê-los entrar na cidade entre cantos e manifestações de alegria. O Senhor não manifesta nenhuma oposição aos preparativos dessa entrada jubilosa. Ele mesmo escolhe a cavalgadura: um simples asno que manda trazer de Betfagé, aldeia muito próxima de Jerusalém. Na Palestina, o asno tinha sido a cavalgadura de personagens notáveis já desde o tempo de Balaão (2)
O cortejo organizou-se rapidamente. Alguns cobriram com os seus mantos a garupa do animal e ajudaram Jesus a montar; outros, pondo-se à frente, estendiam as suas vestes no chão para que o jumentinho as pisasse como se fossem um tapete; e muitos outros corriam pelo caminho, à medida que o cortejo avançava, espalhando ramos verdes ao longo do trajeto e agitando ramos de oliveira e de palma arrancados das árvores das cercanias. E quando se aproximava da cidade, já na descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto. E diziam: Bendito o rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas (3)
Jesus faz a sua entrada em Jerusalém, como Messias, montado num burrinho, segundo fora profetizado muitos séculos antes (4) E os cânticos do povo eram claramente messiânicos. Estas pessoas simples conheciam bem essas profecias, e manifestam-se cheias de júbilo. Jesus aceita a homenagem, e quando os fariseus, que também conheciam as profecias, tentaram sufocar aquelas manifestações de fé e alegria, o Senhor disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, clamarão as pedras (5)
Mas o triunfo de Jesus é um triunfo simples: “Contenta-se com um pobre animal por trono. Não sei o que se passa convosco; quanto a mim, não me humilha reconhecer-me aos olhos do Senhor como um jumento: Sou como um burrinho diante de Ti; mas estarei sempre a teu lado, porque me tomaste pela tua mão direita (Ps LXXII, 23), Tu me conduzes pelo cabresto” (6)
Hoje Jesus quer também entrar triunfante na vida dos homens, sobre uma montaria humilde: quer que demos testemunho dEle com a simplicidade do nosso trabalho bem feito, com a nossa alegria, com a nossa serenidade, com a nossa sincera preocupação pelos outros. Quer fazer-se presente em nós através das circunstâncias do viver humano. Também nós podemos dizer-lhe agora: Utiumentum factus sum apud te... “Como um burriquinho estou diante de Ti. Mas Tu estás sempre comigo, tomaste-me pelo cabresto, fizeste-me cumprir a tua vontade; et cum gloria suscepisti me, e depois me darás um abraço muito forte” (7) Ut iumentum... Estou como um burrinho diante de Ti, Senhor..., como um burrinho de carga, e estarei sempre contigo. Podemos servir-nos destas palavras como uma jaculatória para o dia de hoje.
II. O cortejo triunfal de Jesus transpôs o cume do monte das Oliveiras e desceu pela vertente ocidental a caminho do Templo, que se podia avistar dali. Toda a cidade surgiu diante dos olhos de Jesus. E, ao contemplar aquele panorama, Jesus chorou (8)
Esse pranto, no meio de tantos gritos alegres e em tão solene entrada, deve ter sido completamente inesperado. Os discípulos devem ter ficado desconcertados. Tanta alegria que se quebrava subitamente, num instante!
Jesus vê como Jerusalém se afunda no pecado, na ignorância e na cegueira: Oh se ao menos neste dia, que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz! Mas agora tudo está oculto aos teus olhos (9) O Senhor vê como virão outros dias que já não serão como este, um dia de alegria e de salvação, mas de desgraça e ruína. Poucos anos mais tarde, a cidade será arrasada. Jesus chora a impenitência de Jerusalém. Como são eloqüentes estas lágrimas de Cristo! Cheio de misericórdia, compadece-se da cidade que o rejeita.
Não ficou nada por tentar: nem milagres, nem obras, nem palavras, em tom severo umas vezes, indulgentes outras... Jesus tentou tudo com todos: na cidade e no campo, com pessoas simples e com sábios, na Galiléia e na Judéia... Como também na nossa vida nada ficou por tentar, remédio algum por oferecer. Tantas vezes Jesus saiu ao nosso encontro, tantas graças ordinárias e extraordinárias derramou sobre a nossa vida! “De certo modo, o próprio Filho de Deus se uniu a cada homem pela sua Encarnação. Trabalhou com mãos humanas, pensou com mente humana, amou com coração de homem. Nascido de Maria Virgem, fez-se verdadeiramente um de nós, igual a nós em tudo menos no pecado. Cordeiro inocente, mereceu-nos a vida derramando livremente o seu sangue, e nEle o próprio Deus nos reconciliou consigo e entre nós mesmos e nos arrancou da escravidão do demônio e do pecado, e assim cada um de nós pode dizer com o apóstolo: "O Filho de Deus amou-me e entregou-se por mim" (Gal. 2,20)” (10)
A história de cada homem é a história da contínua solicitude de Deus para com ele. Cada homem é objeto da predileção do Senhor. Jesus tentou tudo com Jerusalém, e a cidade não quis abrir as portas à misericórdia. É o profundo mistério da liberdade humana, que tem a triste possibilidade de rejeitar a graça divina. “Homem livre, sujeita-te a uma voluntária servidão, para que Jesus não tenha que dizer por tua causa aquilo que contam ter dito, por causa de outros, à Madre Teresa: «Teresa, Eu quis..., mas os homens não quiseram»” (11)
Como é que estamos correspondendo às inúmeras instâncias do Espírito Santo para que sejamos santos no meio das nossas tarefas, no nosso ambiente? Quantas vezes em cada dia dizemos sim a Deus e não ao egoísmo, à preguiça, a tudo o que significa falta de amor, mesmo em pormenores insignificantes?
III. “Quando o Senhor entrou na Cidade Santa, os meninos hebreus profetizaram a ressurreição de Cristo ao proclamarem com ramos de palmas: Hosana nas alturas” (12)
Nós sabemos agora que aquela entrada triunfal foi bastante efêmera para muitos. Os ramos verdes murcharam rapidamente. O hosana entusiástico transformou-se, cinco dias mais tarde, num grito furioso: Crucifica-o! Por que foi tão brusca a mudança, por que tanta inconsistência? Para podermos entender um pouco do que se passou, talvez tenhamos que consultar o nosso coração.
“Como eram diferentes umas vozes e outras! – comenta São Bernardo –: Fora, fora, crucifica-o e bendito o que vem em nome do Senhor, hosana nas alturas! Como são diferentes as vozes que agora o aclamam Rei de Israel e dentro de poucos dias dirão: Não temos outro rei além de César! Como são diferentes os ramos verdes e a Cruz, as flores e os espinhos! Àquele a quem antes estendiam as próprias vestes, dali a pouco o despojam das suas e lançam a sorte sobre elas” (13)
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém pede-nos coerência e perseverança, aprofundamento na nossa fidelidade, para que os nossos propósitos não sejam luz que brilha momentaneamente e logo se apaga. Muito dentro do nosso coração, há profundos contrastes: somos capazes do melhor e do pior. Se queremos ter em nós a vida divina, triunfar com Cristo, temos de ser constantes e matar pela penitência o que nos afasta de Deus e nos impede de acompanhar o Senhor até a Cruz.
“A liturgia do Domingo de Ramos põe na boca dos cristãos este cântico: Levantai, portas, os vossos dintéis; levantai-vos, portas antigas, para que entre o Rei da glória (antífona da distribuição dos ramos). Quem permanece recluído na cidadela do seu egoísmo não descerá ao campo de batalha. Mas, se levantar as portas da fortaleza e permitir que entre o Rei da paz, sairá com Ele a combater contra toda essa miséria que embaça os olhos e insensibiliza a consciência” (14)
Maria também está em Jerusalém, perto do seu Filho, para celebrar a Páscoa: a última Páscoa judaica e a primeira Páscoa em que o seu Filho é o Sacerdote e a Vítima. Não nos separemos dEla. Nossa Senhora ensinar-nos-á a ser constantes, a lutar até o pormenor, a crescer continuamente no amor por Jesus. Permaneçamos a seu lado para contemplar com Ela a Paixão, a Morte e a Ressurreição do seu Filho. Não encontraremos lugar mais privilegiado.
Francisco Fernández Carvajal
(1) Santo André de Creta, Sermão 9 sobre o domingo de Ramos;
(2) cfr. Nm. 22,21 e segs.;
(3) Lc. 19,37-38;
(4) Zc. 9,9;
(5) Lc. 19,39;
(6) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 181;
(7) Andrés Vázquez de Prada, O fundador do Opus Dei, Quadrante, São Paulo, 1989, pág. 141;
(8) Lc. 19,41;
(9) Lc. 19,42;
(10) Conc. Vat. II, Const. Gaudium et spes, 22;
(11) Josemaría Escrivá,Caminho, n. 761;
(12) Hino à Cristo Rei, Missa do Domingo de Ramos;
(13) São Bernardo, Sermão no Domingo de Ramos 2,4;
(14) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 82. 
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Evangelho: Mt. 27,11-54
1. Mateus, diferentemente de Lucas e João, tem poucos detalhes próprios em sua narrativa da paixão e morte de Jesus. Vamos pôr em relevo temas caros a Mateus, para uma atitude mais contemplativa do relato da Paixão e Morte do Senhor.
a. O MESTRE DA JUSTIÇA
2. “O Mestre da Justiça”: esta frase-síntese resume o evangelho de Mt. As primeiras palavras de Jesus são: “devemos cumprir toda a justiça” (3,15). É seu programa de vida. No Sermão da Montanha adverte: “se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus” (5,20).
3. O Reino de Deus se diferencia pelo conceito e pela prática da justiça. Por isso, estabelece aos seus seguidores a prioridade: “em primeiro lugar busquem o Reino de Deus e sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas” (6,33). Para que o Reino aconteça deve-se superar a justiça oficial.
4. Temos assim na história da paixão e morte de Jesus o enfrentamento da Justiça do Reino com a in-justiça oficial das autoridades daquele tempo. Mas a história não termina com a morte e enterro de Jesus, mas com a Ressurreição, que é a vitória do Reino.
Interessante detalhe exclusivo de Mt: Os representantes da “justiça oficial” não se sentem seguros – e com razão – nem mesmo depois que o Mestre da Justiça foi enterrado. Por isso montam – inutilmente – um pelotão de guardas junto ao túmulo (27,62ss).
b. JESUS É O FILHO DE DEUS
5. As comunidades ligadas a Mt, de procedência judaica, herdeiras que eram da fé e das promessas do povo judeu, viam com entusiasmo a pessoa de Jesus como Rei e Filho de Deus. Recordavam o salmo 2,7: “Tu és meu Filho , eu hoje te gerei”. E Mateus se preocupa em desenvolver desde o início esses dois temas: Rei e Filho de Deus. É Rei porque descendente de Davi. É Filho porque proclamado pelo próprio Deus (3,17).
6. A expressão Filho de Deus evoca o Emanuel (Deus conosco) e está presente nos momentos relevantes do evangelho: batismo (3,17); na confissão de Pedro (16,16); e sobretudo no processo contra Jesus e na sua morte (26,63; 27,40.43), culminando com a profissão de fé de um pagão: “de fato, ele era mesmo Filho de Deus” (27,54). Em meio ao aparente fracasso, a fé descobre todo o significado da morte de Jesus. A salvação está aberta a todos os que confessam que Jesus é o Filho de Deus.
Detalhe próprio de Mt: a teofania que acontece na morte de Jesus (cortina do santuário rasgada, terremoto, ressurreição e aparição de pessoas santas: 27,51-53)
c. O REI PACIFICO
7. Contrariando as expectativas dos fariseus e do povo em geral, que aguardavam um Messias poderoso e guerreiro, esse rei é pacífico desde seu nascimento. Ele se declarou manso e humilde de coração (11,29) e entrou em Jerusalém montado em um jumento para demonstrar sua mansidão: “eis que o seu rei está chegando. Ele é manso e está montado num jumento, num jumentinho, cria de um animal de carga” (21,5).
8. Na história da paixão sua mansidão é ressaltada por Mateus: ele poderia pedir que o Pai lhe enviasse em defesa mais de doze legiões de anjos (26,53). Diante da truculência dos que o vão prender e da violência de um discípulo, o Mestre diz ao discípulo: “guarde a espada na bainha” (26,53). Além de pacífico e pacificador, o Rei, Filho de Deus e Mestre da Justiça, é inocente. As falsas testemunhas não encontram provas contra ele (26,60); o próprio Judas reconhece-o inocente (27,4); a mulher de Pilatos reconhece-o justo (27,19); e o próprio governador que não quer se envolver.
d. O MESSIAS PROMETIDO
9. Como comunidades de procedência judaica, a expectativa messiânica estava à flor da pele. Contudo, Jesus se apresentou de modo tão pobre e despojado de prerrogativas, tornando difícil sua identificação com o messias presente no imaginário popular (11,2-6). Daí vem a preocupação de demonstrar que – na pessoa de Jesus – se cumprem todas as profecias e expectativas messiânicas. São inúmeras as citações (“assim se cumpriu o que estava escrito…”) e as insinuações a passagens messiânicas do AT.
10. Também no relato da paixão temos duas passagens interessantes: Mt 26,31 citando Zc. 13,7: “ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão”; e Mt 26,64 citando Dn. 7,13: “vocês verão o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu”… (e também 26,56: “então, todos os discípulos o abandonaram e fugiram”).
e. JESUS É O JUIZ
11. Cabia ao rei, na época da monarquia, julgar fazendo justiça. Para as autoridades judaicas, Jesus é réu, e elas já tinham decretado a morte dele. Agora montam um processo teatral e falso para justificar tal decisão. Jesus não se defende, pois as acusações realmente não o culpam de nada. No projeto de Deus as coisas se invertem: este homem, condenado à morte por uma sociedade injusta, é o Messias, o Filho de Deus, que inaugura a sociedade justa do Reino de Deus. Por isso, de réu ele passa a ser Juiz (o Filho do Homem: cf. Dn. 7,13) que condena o sistema causador de sua morte.
f. O NOVO CORDEIRO PASCAL
12. Jesus celebra a última Ceia no contexto da Páscoa judaica, e nessa festa o cordeiro a ser consumido ocupava lugar de destaque. Mateus (como Mc. e Lc.) ignora a presença do cordeiro pascal, pois é Jesus quem ocupa o lugar central como o novo Cordeiro: o pão é seu corpo, o vinho é seu sangue, o sangue da Aliança.
g. A FIDELIDADE DE JESUS AOS SEUS
13. Jesus sabe que vai ser traído por um discípulo e abandonado pelos outros. Mesmo assim mostra a plena gratuidade do seu dom, sendo fiel aos discípulos até o fim: marca um novo encontro na Galiléia (26,32). Aí Jesus reunirá novamente os discípulos para continuar sua ação. Judas (discípulo e amigo) se alia ao poder repressivo das autoridades e trai Jesus com um gesto de amizade (beijo – 26,49). Um dos presentes tenta defender Jesus com as mesmas armas dos opressores (26,51). Por fim, todos fogem e Jesus fica sozinho (26,56). Aquele que realiza o projeto de Deus e atrai o povo é considerado pelos poderosos como bandido e perigoso. Mas eles não tem coragem de prendê-lo à luz do dia.
1ª leitura: Is. 50,4-7
14. O texto – parte do terceiro canto do Servo de Javé – do Segundo Isaías (profeta do cativeiro da Babilônia -586-538 a.C) pertence a uma seção maior que abrange os capítulos 49-55 e cujo tema central é a restauração e glorificação de Jerusalém, cidade-esposa de Javé. Os exilados se queixam de que Deus tenha sido desleal à aliança: em termos matrimoniais, repudiou a mãe; em termos comerciais, vendeu os filhos para pagar dívidas.
15. A resposta de Javé (50,1-3) precede o terceiro canto do servo sofredor: repudiada, sim, mas legitimamente, por própria culpa (Dt 24,1-4; Jr. 3,8); vendidos, sim, mas não por dívidas, e, sim, como castigo (Jz. 3,8; 4,2). “Assim diz o Senhor: onde está a ata de repúdio com a qual despedi vossa mãe? Ou, a qual de meus credores vos vendi? Vede, por vossas culpas fostes vendidos, por vossos crimes vossa mãe foi repudiada (50,1).
16. A mudança de Deus é por pura bondade e compaixão. Ninguém responde ao desafio: nem os presumidos credores, por temor, nem o povo, por dúvida. Para dissipar toda dúvida, o Senhor apela para seu poder sobre todo o cosmo (50,2-3).
17. A missão do servo é mostrar, – à custa das ofensas recebidas, – que o amor de Javé, é perene. Os vv. 4-7 mostram o que Javé faz para o Servo em vista do bem do povo e revelam o Servo responsável, plenamente obediente e fiel:
17.1. o Senhor Javé dá ao Servo a capacidade de falar como alguém que aprende dele para consolar o povo;
17.2. o Senhor Javé lhe abre os ouvidos para que aprenda dele, como discípulo
fiel, para transmitir o que ouviu;
17.3. o Senhor Javé lhe dá proteção.
17.4. Em síntese, o Senhor o prepara para a missão.
18. Em contrapartida, o Servo – para não trair a mensagem, – dá as costas aos que o torturam (não oferece resistência); toma a iniciativa de oferecer a face aos que lhe arrancam a barba (= sinal de grande humilhação; o servo não liga para a perda de honradez); não esconde o rosto à ofensa maior: injúrias e escarros. O rosto manifesta os sentimentos e desejos de uma pessoa. Torná-lo duro como pedra (v. 7) significa não levar em conta toda e qualquer espécie de ofensa em vista da opção assumida.
19. Para completar : Graças à sua coragem e ao auxílio divino (vv. 7-9), ele suportará as perseguições (vv.5-6) até que Deus lhe conceda um triunfo definitivo (v. 9-11).
2ª leitura: Fl. 2, 6 – 11
20. O hino de Filipenses 2,6-11 é um hino a Jesus Cristo Senhor e por ele ao Pai. Tem dois movimentos: humilhação e exaltação. O 1º. movimento de cima para baixo fala do esvaziamento de Jesus. A tradução esvaziou-se (do grego Kénosis) é melhor, mais audaz e vigorosa que humilhou-se, pois nos faz pensar por contraste na “plenitude” e traduz vários degraus:
- Jesus não se apegou à sua igualdade com Deus,
- mas esvaziou-se e tornou-se escravo, semelhante aos homens;
- humilhou-se,
- fez-se obediente até a morte de cruz.
A condição de escravo é a condição humana submetida a Deus. Faz-se à “imagem e semelhança” (homoiómati) do homem, dos homens.
21. Humilhou-se, fez-se obediente até a morte de cruz. A obediência ao Pai define toda a sua existência humana até o extremo da cruz. Chegando ao ponto mais baixo (na cruz) acontece a exaltação por ação de Deus.
22. Jesus – consciente e livremente – despojou-se de tudo e colocou seu lugar junto dos escravos, sem privilégios, marginalizados e condenados. Não há outra forma de revelar o projeto de Deus, senão esvaziar-se de todas as realidades humanas, das quais com muita dificuldade abrimos mão (prerrogativas, posição social, honra, dignidade, fama e o mais precioso, a própria vida). Jesus perdeu todas essas coisas. Desceu ao mais profundo do poço da miséria e da solidão humana (até parece abandonado por Deus). Chegou à maior baixeza: fez-se servo e foi morto (como um bandido) na cruz.
23. O preço da encarnação foi a cruz. E o evangelho de Paulo é o evangelho
de um crucificado. Habituados a pensar na divindade de Jesus, perguntamos onde ficou escondida a sua divindade? Ou era justamente no fato de ser plenamente humano que ele revelava o “ser de Deus”?. Imaginar que Deus seja um ser desencarnado e abstrato é a desculpa de alguns para fugir à difícil tarefa de nos encarnarmos nas realidades humanas mais sofridas. Pois, aí teremos de nos despojar de uma série de coisas, das quais Jesus se despojou: prerrogativas, status, fama, promoção pessoal, poder, dominação., etc. (e nós dificilmente nos despojamos…).
24. O 2º movimento do hino é de baixo para cima. Aqui o sujeito é Deus. Ele é quem exalta Jesus, ressuscitando-o e colocando-o no posto mais alto que possa existir. O nome que recebeu do Pai é o título de Senhor – Senhor do universo e Senhor da história. Diante dele toda a criação se prostra em adoração! (2,10).
25. Exaltou (o verbo grego é enfático): o nome é “Jesus”, o título é “Senhor” que corresponde a altíssimo (Kyrios = Senhor = Adonai = Javé = Deus). Perante o Senhor e Deus só há uma atitude de adoração a tomar: todo joelho se dobre… toda língua confesse… Jesus Cristo é o Senhor! E todo o movimento termina endereçando tudo “para a glória de Deus Pai”.
26. Deus Pai é glorificado quando as pessoas reconhecem em Jesus o humano divinizado. Evangelho, portanto, é o anúncio daquele que se fez servo obediente até a morte e morte de cruz. E esse anúncio não acontece sem que as pessoas também se encarnem e apostem a vida, como fez Paulo.
27. Ele, apesar da sua condição divina,
… esvaziou-se,
… fazendo-se semelhante aos homens,
… tornou-se obediente até a morte,
… e morte de cruz;
… por isso, Deus o sobre-exaltou grandemente,
… e lhe deu o nome superior
… Jesus Cristo é o Senhor!
R e f l e t i n d o
1. Muitos pensam que Deus obrigou Jesus a morrer para pagar com seu sangue os nossos pecados. Será que um tal Deus se pode chamar de “Pai”? O que significa: Jesus foi obediente até a morte? No relato da paixão de Nosso Senhor (ev.), Mateus coloca na boca de Jesus as palavras do Pai-nosso: “seja feita a tua vontade” (26,42).
Mateus vê o Messias sob o ângulo da realização do projeto do Pai (cf.3,15). Jesus realiza o modelo do Servo-Discípulo, que pede a Deus “um ouvido de discípulo” para proclamar a sua vontade com “boca de profeta” e lhe ser fiel até o fim (1ª. leitura).
2. A fidelidade à missão de Deus é que faz de Jesus o Messias e Salvador. Jesus não veio para “fazer qualquer coisa”, mas para realizar o projeto do Pai. Ensina-nos a obediência até a morte, como instrumento de salvação do mundo (2ª. leitura). Pois quem sabe o que é preciso para salvar o mundo é Deus. Ele sabe que a morte daquele que manifesta seu amor infinito é a resposta suprema ao supremo desafio do mal. Jesus poderia ter sido infiel a Deus, pois era livre. Mas então teria sido infiel a si mesmo, Servo, Discípulo, Messias e Filho. Levou a termo a obra iniciada: pregar e mostrar o amor de Deus – até no dom da própria vida.
3. O exemplo de Cristo nos ensina o caminho da libertação. Vamos realizar a missão de libertar o mundo pela fidelidade radical à vontade do Pai. Por isso, devemos “prestar-lhe ouvidos” – sentido original de “obediência”. Obedecer não é deserção nem negação da liberdade. É unir nossa vontade com a vontade do Pai, para realizar seu projeto de amor e com outras vontades (humanas) que estão no mesmo projeto. E é também dar ouvidos ao grito dos injustiçados, que denuncia o pisoteamento do plano de Deus. Só depois de ter escutado todas essas vozes poderemos ser verdadeiros porta-vozes, profetas, para denunciar… e anunciar … Profetismo supõe contemplação e obediência!
4. Deus não obrigou Jesus a pagar por nós, nem desejou a morte dele. Só desejava que ele fosse seu Filho. Esperava dele fidelidade a seu plano de amor e que ele agisse conforme este plano. E Jesus foi fiel a esta missão até o fim. Quem quis a sua morte não foi Deus, e sim, os homens que o rejeitaram.
5. Neste ano podemos imbuir-nos do espírito de Mateus que é o cumprimento – na vida e morte de Jesus de Nazaré, – do plano divino já expresso no AT. Jesus realiza a figura d o Servo Padecente de Deus e se torna exemplo de vida para nós. Na cena do Getsemani Mateus é o único evangelista a colocar literalmente nos lábios de Jesus as palavras do Pai nosso: “seja feita a tua vontade!” (Mt. 26,42).
6. A 1ª. leitura retrata um momento importante da pedagogia da salvação: o povo de Deus começou a entender que o plano de Deus não se realiza pela força, mas antes, pela doação do “justo”. Em Jesus nos contemplamos a plenitude dessa realização. “Ninguém tira a vida de mim… eu a dou livremente” (Jo 10,17-18).
7. A 2ª leitura é o primeiro hino cristológico conhecido. Resume o mistério do despojamento do Senhor, na figura do Servo, e que, por sua obediência até a morte (= o amor radical que manifesta Deus-Amor) é glorificado no senhorio de Deus.
8. Aliás, esta idéia de Cristo Senhor inspira o início da liturgia de hoje, a procissão de ramos. O dado evangélico é a entrada de Jesus em Jerusalém, onde é recebido como o rei davídico (“filho de Davi”), o Messias. Para Mt isso significa o cumprimento das antigas promessas messiânicas. Os fiéis, unindo-se a esta homenagem, cantando a glória do Cristo e Senhor e abanando os ramos, se unem para confirmar o gesto mais significativo do povo, que Jerusalém esqueceu dentro de poucos dias. No fundo, esta é a mais antiga festa de Cristo Rei. Assim este domingo é marcado pelo mistério do esvaziamento (sofrimento) e da glória (senhorio) do Senhor Jesus.
9. A paixão de Jesus tem sua antecipação profética na ceia. Chegada a hora de ir para o Pai (êxodo) Jesus ceia com seus amigos prefigurando sua entrega ao Pai e a conclusão da sua missão.
10. A morte de Jesus não é um fracasso, um caminho sem saída, mas a inauguração da paz e salvação plena na presença de Deus. Sua morte é conseqüência da sua vida, da sua doação plena ao projeto de salvação operado por Deus na história humana. É o cume do anúncio do Reino de Deus. É a manifestação do Reino de Deus, ou seja, da justiça e da fidelidade.
11. Ao vislumbrar os acontecimentos que o aguardam, Jesus vai para o Monte das Oliveiras e recorre ao Pai: pede que se lhe afaste o cálice do sofrimento, mas mantém-se fiel à vontade de Deus: “faça-se a tua vontade!”
12. Na decisão dos sumos sacerdotes, magistrados e da multidão em condenar Jesus , transparece a total rejeição do projeto de Deus, realizado no homem de Nazaré. A morte de Jesus situa-se no final de uma série de infidelidades e rebeliões contra o projeto de Deus ao longo da história.
13. A obediência de Jesus ao Pai significa – antes de tudo – que Jesus levou ao cumprimento pleno e perfeito o projeto de amor de Deus para com o ser humano. Nem mesmo a tortura da cruz, faz Jesus desistir de mostrar às pessoas quem é o Pai e qual é a sua proposta para o ser humano.
prof. Ângelo Vitório Zambon
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“Por isso deus o exaltou”
1. Servo Sofredor 
Temos no livro do profeta Isaias os chamados "Cânticos do Servo de Javé", que são um conjunto de poemas que descrevem a imagem misteriosa de um servidor de Deus, sofredor, que dá sua vida pelo povo. Essa grande missão, ele a cumpre até a entrega total de si (Is. 50,4-7). 
Esse Servo é identificado com Cristo que, como Davi, entra na Cidade Santa com o esplendor de um rei. Ele é manso e pacífico como o Servo. A cena da entrada de Jesus em Jerusalém é significativa no relato da Paixão. Ele vem e é acolhido por parte do povo que canta "Hosana", que quer dizer "salva-nos".
É reconhecido como o Filho de Davi em sua realeza. Mas, na mente de Jesus, seu trono é a cruz; sua coroa é de espinhos; seu manto é o sangue; sua glória é ser elevado da terra, crucificado. Ele se oferece ao Pai para que o mundo se abra a seu amor. Mostra até onde vai esse amor.
O sofrimento do Cristo vai além das dores. Ele sofre o peso de todos os pecados do universo. Nele fervem dois sentimentos: acolhimento do Pai que perdoa, e a recusa da humanidade. Quando abrem seu lado com a lança, está aberto o caminho para que todo homem possa beber nas fontes da salvação (Is 12,3). Ali, o tentador, pela boca das pessoas, lhe diz novamente: "Se és o Filho de Deus..." - "Que Deus o salve, se o ama!".
O domingo de Ramos resume em si todo o mistério pascal de glória e cruz, que acontecerá no Tríduo Sacro. Não são dois acontecimentos que se opõem, mas um fato único que mostra que a glória do Cristo é sua vida doada ao Pai na obediência.
2. Ele Era Mesmo o Filho de Deus
Os diversos sinais (milagres) que refletimos nessa Quaresma levam à profissão de fé. Jesus pergunta: "Crês no Filho do Homem?" A resposta: "Creio" (Jo 9,35.38). Mateus anota: "O oficial e os soldados... ao notarem o que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram: 'Ele era mesmo Filho de Deus' (Mt. 27,54). Sua fé é a profissão de fé de toda humanidade que reconhece e acolhe a "visita que Deus faz a seu povo".
Jesus, em sua morte, esvaziou-se totalmente, como nos escreve Paulo na carta aos Filipenses (2,6-11). Esse esvaziamento é o melhor modo de revelar o projeto de Deus. Ele chega ao mais profundo do ser humano para aí redimir o homem, não com palavras, mas com a vida doada. Por isso Deus O glorifica. A espiritual idade se concretiza quando assumimos a atitude de Cristo no esvaziamento. Sem nosso vazio, Deus não nos preenche.
3. Chegar à Glória da Ressurreição
Paulo, que viveu o mistério de Cristo em seu esvaziamento convida a viver como Cristo viveu. Cristo procurou, com todas as forças, realizar o projeto do Pai: "Que não se perca nenhum daqueles que me deste"! (Jo 6,38). Ao morrer, tinha diante de si um mundo a ser transformado. Seus discípulos, na força do Espírito que O ressuscitou, partiram para anunciar e "fazer discípulos seus todos os povos".
Hoje, os cristãos estão separados e cuidando do próprio ninho. E Cristo crucificado, onde está? A religião mais falsa é aquela que usa Cristo para seu proveito pouco cristão. O sentido da entrega de Jesus ao Pai era abrir o caminho da Glória para todos chegarem à Casa do Pai. Celebrando hoje a glorificação de Jesus como Rei que vem para tomar posse de seu domínio; queremos não colocar ramos, mas nossas vidas para que delas, Ele tome posse.
Rezamos na oração da missa: "Concedei-nos aprender o ensinamento de sua Paixão e ressuscitar com Ele em sua glória". Assim, participando de sua Paixão, que nós possamos chegar à Ressurreição celebrada na liturgia, antecipando desta forma, a glória.


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Bendito o que vem em nome do Senhor !
Quem seria submetido a uma batalha com um burro ?
Jesus coincide com o costume dos reis, governadores e chefes para entrar nas cidades vencedoras , mas de uma forma bastante estranha . Apresentado às portas de Jerusalém sem outra preparação ou convocar sua controversa , a vida mal compreendido, apesar de ter um objetivo claro : para morrer. Esta é a última etapa de sua viagem , o fim da cúpula, que irá anunciar e coroar seu salvador messiânico de fraqueza e humildade. Você realmente vai desanimar da cidade, sua entrada é triunfal porque é paixão e solidariedade com os necessitados , o que leva à vida.
Esta é a vitória do nosso rei , a forma como Jesus agrada ao Pai ea manifestação da abordagem curva para a humanidade, feridos e presos para redirecioná-lo à fidelidade. Até então, tudo é conquistado com o poder , a força, armas , Jesus oferece uma , desconcertante caminho diferente que só entendem as crianças e os pobres : o caminho da fraqueza, da aniquilação , os direitos de fazer valor.
Quem é este, que mudou a idéia de Deus, que transmitiu os judeus , que Deus fez , o homem crucificado , que a sua glória é a vida? Quem é este que diz que o homem goza de liberdade tem para lançar o que ele destrói e divide ? Quem é este, que de paz proposto armas de arremesso e reconciliar com o irmão ? Quem é este que esvaziou , ninguém tem maior amor , que dá a sua vida?
Hoje começa a grande semana litúrgica que leva até a Páscoa , a morte e ressurreição do Senhor , o centro de nossa fé cristã. Páscoa , então, é um momento de profundas experiências religiosas; o mistério de Deus "dado por nós" eo poder da sua ressurreição , como São Paulo expressou , traga-nos à Cruz que é o triunfo do amor sobre o ódio , a esperança contra toda a desesperança.
O evangelho da entrada em Jerusalém (Mt 21:1-11 ) , a procissão da comunidade e bouquets , deve servir para inaugurar a grande semana do cristianismo. Toda a " tradição " ea beleza de ramos e palmas , no entanto, convida-nos a introduzir na experiência de ir a Jerusalém que o profeta da Galiléia não podia escapar. Jesus certamente sabia o que estava por vir : o julgamento, condenação e morte. Tudo o que é mostrado e é muitas vezes esteticamente , mas em torno de que a Páscoa de 30 não havia nada de teatral, mas a dura realidade de "alguém" que sabe o que quer. Jesus não deixou entusiasmar pelos gritos de " Hosanna ", porque ele não era o Messias, e menos como alguns interpretaram . Estas aclamações melhor justifica seu julgamento e condenação dos poderosos que estavam esperando a chegada do profeta da Galiléia a Jerusalém . E aconteceu ...

1 ª Leitura : Isaías ( 50,4-7 ) - O servo do Senhor, por trás do futuro
I.1. As quatro canções do Deutero- Isaías ( 42,1-4.7.9 ; 49,1-6.9.13 ; 50,4-9.11 ; 52:13-53:12 ) abriu a Paixão de Jesus neste dia de Domingo de Ramos . Estamos nos aproximando da terceira música do " Servo de Javé " , onde o sofrimento é enfatizada, uma figura que tem sido muito falado na teologia do Antigo Testamento, sem ter atingido uma identificação precisa . Cristãos se atreveu a identificar o Jesus crucificado com o Servo , que era a única lógica teológica para argumentar que ele era o Messias . A teologia oficial do judaísmo não poderia aceitar de forma alguma o sofrimento possível no futuro Messias. Então, para o cristianismo abriu as portas de largura de dizer que, se eles Jesus foi julgado, condenado e crucificado ... foram cumpridas quase ao pé da letra as "revelações" ou manifestações do Servo de Javé. Esta foi a "bíblia básico" dos primeiros cristãos , apesar de não descartar a leitura da Lei e os Profetas. Esse " Básico da Bíblia " passou lentamente eles escrevem o primeiro relato da paixão que lêem nas celebrações como a memória da morte do seu Senhor.
I.2 . Qual é a sua mensagem? Abre à ignomínia deste mundo violento , cruel, contra a força da humildade do discípulo , o servo de Deus, porque , na sua " paixão " , Deus estará sempre com ele. A leitura é uma preparação muito adequada para a proclamação da paixão palma domingo, uma vez que foram os primeiros cristãos que descobriram essas canções que o Messias iria sofrer se ele queria que sua proposta tinha a força de salvação.

2 ª leitura : Filipenses ( 2,6-11 ) - The Anthem " humilhação " divina
1 . O hino da Carta aos Filipenses revela o poder da fé, com o qual os primeiros cristãos foram expressas na liturgia e Paul coletadas para as gerações futuras como um evangelho vivo do processo de Deus, Cristo, o Filho : Ele que você quis compartilhar conosco a vida ; Além disso, que chegaria para além da nossa própria fraqueza , a fragilidade da morte na cruz ( adicionar Paulo ), que é a morte mais escandaloso da história da humanidade, para tornar claro que o nosso Deus , para se juntar , ele não esteticamente , mas radicalmente . Não hoje é o dia para aprofundar este texto inédito de Paul . A Paixão de Mateus deve servir como uma referência de como a criança chegou ao fim : a morte na cruz.
Dois. A canção tem duas partes. O primeiro enfatiza a auto-humilhação de Cristo, era divino , ele se torna um escravo. O segundo refere-se à exaltação de Jesus por Deus para o status de Deus. Estabelece também uma causa e efeito entre a humilhação ea exaltação : " Precisamente por isso " (Fl 2 , 9). E aqui reside o grande paradoxo : a de que quem não se destacou em nenhuma vida heróica , que não era soberano e tinha o título de Senhor, que termina o seu vil crucificado e subversiva aos olhos do Império e seus próprios dias religião , considerado "Senhor" e Messias. E ainda maior paradoxo: a proclamação do Messias crucificado torna-se o núcleo da pregação de Paulo e no centro da fé cristã . Esta não podia deixar de ofender a mentalidade helenística , em seu culto , saudou os "mestres" que tinham uma existência gloriosa . Ele também ficou surpreso que o mundo judeu , para quem o Messias era para ser uma existência gloriosa , Jesus certamente não. Então diga a Paul que o anúncio de um Messias crucificado é " escândalo para os judeus e loucura para os gregos " (1 Cor 1 , 23) .

Evangelho : Mateus ( 26-27) : Paixão Segundo São Mateus
1 . Lendo a Paixão segundo São Mateus Hoje deve ser valorizado na mesma proporção. A leitura em si deve ser "evangelho" uma boa notícia, e nós, como as primeiras comunidades para o qual foi escrito , devemos colocar os cinco sentidos e personalizar. A Paixão Segundo São Marcos é o primeiro relato que temos dos Evangelhos, mas não quer dizer que antes havia outras tradições que ele usou , que é a fonte de nossa história de Mateus. Sabemos que não podemos explicar o texto da Paixão em um " sermão " , mas convidamos a todos para que todos se senta protagonista desta bela história e considerar onde ele possa estar em sua presença , em que o personagem , como ele havia agido em nesse caso. Precisamente porque é uma história que tem quase certamente nasceu para a liturgia , a liturgia é o momento certo para experimentar a sua força teológica e espiritual
Dois. Por isso, é hora de entrar profundezas históricas e exegéticas sobre esta história , sobre o que pode significar muitas coisas. Desde o primeiro momento , nos vv . 1-2 vamos encontrar os personagens principais. O quadro é as férias da Páscoa estavam se preparando em Jerusalém ( faltando dois dias ) e os sumos sacerdotes não queriam Jesus para morrer pela " festa "; tinha que ser antes ; a história , no entanto, organizar as coisas de modo que tudo acontece na grande festa da Páscoa nada mais e nada menos ! Os responsáveis ​​, diz o texto " , tentou prender Jesus para matá-lo ! . Era lógico , porque ele era um profeta que não se intimidou com a teologia oficial. Ele era um profeta que estava nas mãos de Deus . Isso era o que eu não podia suportar.
Três . Mateus, como já foi dito , seguindo de perto o texto de Marcos, mas algumas chaves privadas devem ser observados:
A) O que dá unidade e coerência às várias secções (alguns dizem que três) é a perspectiva cristológica em que tudo é apresentado . Mateus é o melhor tentou apoiar o mistério da paixão do Messias com o cumprimento das Escrituras. Isso era compreensível para uma comunidade , do judaísmo , teve que assumir que a paixão e morte , coroado pela ressurreição , entrou no plano de Deus e, assim, foi realizado livremente por Jesus.
B) Há alguma história particular de Mateus que atrair a atenção. A diferença está no episódio Marco Barrabás e se torna um dos elementos-chave da sua visão de paixão e as consequências para Israel. Alguns anos atrás, um livro sobre a escrita de Mateus e sua teologia foi baseada foi escrito em Mateus 27.25 : " soltar o seu sangue ... " . É composto por dois elementos: intervenção e cena a esposa de Pilatos , onde Pilatos lava suas mãos. Não é agregados simples . Mateus ocupa o todo e apresenta uma nova composição otimamente construído, onde a intenção doutrinal e eclesial aparece claramente. Os laços são definidos Cristo com o povo de Israel. Quando mulher pagã implora por "justa" , a filha de Sião chora a morte de seu Messias, o Cristo ( em vez de " Rei dos Judeus " , Matthew usa duas vezes este título) . "Todas as pessoas? toma sobre si a responsabilidade de Pilatos se recusa (27, -2425 ) . Esta posição do povo da antiga aliança marca um ponto de viragem na história da salvação. A perspectiva cristológica de tudo isso é óbvio. É a rejeição do Judaísmo o Messias que escolheu livremente paixão. Mas isso não deve incentivar - de qualquer forma - o anti-semitismo , como tem acontecido em leituras apologéticas que não entendem que Israel não é o responsável pela morte do "profeta" , mas há líderes cegos e implacáveis ​​. É verdade que o Evangelho de Mateus mantém uma constante " anti- judaísmo " como um problema histórico e teologia, mas não é " anti-semita " na natureza.
C) Não devemos dizer que Jesus " escolheu " a morte porque Deus queria ou precisava assim. Não sofrendo do jeito que Deus quer redimir e salvar os homens . Mas Deus , neste caso, através da escolha decisiva do profeta , o verdadeiro Messias de Israel, (de acordo com a teologia de Mateus) tomar todos sabem o que os homens "construir" religiosamente precisamente para destruir este " edifício religioso " anti- humana e anti- divina. A construção eclesiológico da narrativa de Mateus é a mesma paixão que eles têm mantido ao longo de sua obra. A este respeito, pode -se dizer que o relato de Marcos da paixão é mais Matthew querigmática e eclesiológico . Mas os dois aspectos devem ser unidos em nossa reflexão sobre o que significa para ler a " paixão " na liturgia do Domingo de Ramos. Incidamos não sofrer muito , porque essa não é a chave de Mateus , mas como uma comunidade se identifica com o seu Senhor para permitir El Salvador ao vivo do projeto Deus da verdade sobre a decisão absurda de os líderes do povo que não conseguia tirar o Profeta desmontou a concepção que tinham a respeito de Deus e da religião de Israel. E isso era para o benefício de toda a humanidade.
D) A Paixão , os cristãos não devem ler como um tema " gore" (sangue e sofrimento cruel ) . Não é que o conceito de história original que cada um dos evangelistas tem redactadote acordo com a sua comunidade. É o mistério da identificação com a sua causa , o projeto anunciou que o Reino de chegar a sua conclusão . Ele sofreu mais do que Jesus crucificado estradas esbanjado do Império Romano, ou mais sangue que derramou , mas foi identificado com o sofrimento de todos os crucificados . É verdade que, em sua opinião, participar de uma série de circunstâncias religiosas que o tornam diferente e, portanto, um julgamento e sentença diferente , vemos uma frase diferente. É o mais belo poema musical Paixão Segundo São Mateus de Bach disse que os filmes que só a poesia ou religião -sem- qualquer sofrimento pelo sofrimento. Não se esqueça que nossas histórias são feitas a partir da perspectiva da ressurreição como vitória de Deus sobre os poderosos projetos ou amor sobre o ódio .
Fray Miguel Núñez de Burgos

El Salvador rei vem a sua casa, a sua , ano após ano , trazendo salvação e as atitudes dos beneficiários ocorrem repetidamente : alguns aclamá-lo com cânticos e outras classes e não recebê-lo. Então, não sei de onde Jesus estava eo que ele iria fazer , nós, nós sabemos: ele vai te dar a vida por nós , vai realizar um messianismo que passa através da cruz. Desça da cruz, ele disse que aqueles que por ali passava, salve-se ! Felizmente, o nosso Deus não pensa como nós e não fugir ou Lotes sofrimento. Felizmente não pensar apenas em si mesmo, mas dos outros.
A paixão de Mateus aponta derrota Jesus traído, vendido mal , escravo ... ; apontando sua solidão na prisão , na corte, no caminho da cruz , na morte sem brilho, sem glória, sem luta , mas uma atmosfera de violência respirar. É o triunfo da escuridão da noite, quando os discípulos foram desestruturar quando o galo cantar . É uma expressão de quem somos seres humanos paradoxal e contraditório : ele escolheu mal ( Barrabás ) , quando Deus nos destina para o bem, o mal optou por proclamar as boas . Felizmente, no meio da contradição há sempre algum Cirene, semente representante da bondade dentro de nós, homens , que , no entanto, o valor é entregue e que ama. Mas também, a paixão de Mateus diz que sua inocência e solidariedade com os mortos e humilhado, crucificado entre os condenados , e abandonado por ladrões à justiça; aponta como a noite é superada apenas pela luz da ressurreição e " Meu Deus, meu Deus ! " Jesus é a confiança realizada no Pai, e está a produzir semente da ressurreição. Portanto, sinta acompanhado, especialmente a verdade , independentemente das aparências e aparente fracasso aos olhos de seus discípulos a não entender muito .
Os humildes , os pobres e os que têm humilhado look: aquele que foi levantado na cruz, obediente ao Pai , oferecendo as costas e não esconde seu rosto. Assim, a cruz já não é uma maldição e bênção para ser um sinal de identidade. A partir de agora o peso da vida, invisível porque ninguém olha , o pior da sociedade assiste com o espírito de Jesus soprou sobre sua morte, que é o espírito de vida que Jesus vai para a comunidade a viver .
A paixão que temos ouvido é contemplar e recuperar a memória de onde viemos salvação. Considere-se, como Jesus não respondeu a uma única pergunta , (27, 14) a aceitação tranquila de seu destino desauciado pobres, isso não significa que você concorda com o poder opressivo que o levou à morte; considerar a doação de sua vida , ele não se defender, ou justificar , ou reclamar, porque essa é a sua verdade. E também é uma memória subversiva , pois, como filhos de Deus, nós vivemos em um mundo em um estado de paixão, dilacerado por sentenças injustas , as desigualdades , as diferenças, os interesses políticos , alianças em questão ... Os buquês não são fetiches , ou ornamentos , mas sinais de salvação ambientes para nossas potências mundiais desumanas continuar a fornecer . Jesus não utilizar os direitos de Deus , a renúncia ao sucesso e vitórias , tornou-se homem .
Tantas paixões em nosso mundo causadas por guerras, o egoísmo dos poderosos , a nossa falta de partilha ou certifique-se de mudar a nossa imagem do sofrimento dos outros ( imigrantes e refugiados sempre em movimento , as crianças usadas como escudos de indiferença ; colegas de trabalho pisoteado , desempregados de longa duração , ... ) . Nossa posição é geralmente no lado da tristeza e vergonha, muito melhor se nós do lado de solidariedade e fazê-lo desaparecer qualquer paixão ; melhor se a nossa solidariedade hoje expressa o compromisso de Jesus e coloca o ruim de freio para não acreditar, nem spreads; melhor se a nossa solidariedade para deixar as paixões que nos movem conhecer e saber agir.
As paixões , o sofrimento de nossos irmãos , vizinhos , conhecidos ou não , levam-nos a clamar a Deus, mas nem todos fazem isso da mesma maneira : quando contemplamos o sofrimento de longe , exigimos e pedir a Deus por que você permitir que este ? , como alguém insensível ; sofrendo quando sofremos em nossa carne , o sotaque é outra : por que você está se escondendo , meu Deus ? Onde você está? Você não vê a minha dor e sofrimento ? Se Deus nos deixaria insensível e até cruel , mas como Jesus não nos deixa em silêncio. Cristo sofreu a morte na cruz e que o Pai sofre a morte do Filho , é a paixão do Pai . Se Deus está sofrendo na cruz de Cristo Pai traz comunhão para aqueles que se sentem humilhados e abusados, crucificado para o nosso tempo . É por isso que Deus faz a fome dos pobres e os infortúnios de alguém dói. Este crucificado entre nós Deus é a nossa esperança , não sei por que as autorizações , mas é verdade e , sim, eu sei que é uma cruz que termina na esperança, ressurreição.
fr . Pedro Juan Alonso O.P.

Quem é esse?
O burro ainda estava envolto no brilho do dia mais glorioso de sua vida. Nunca antes tinha experimentado tanta excitação e se sentira tão orgulhosa.
Na manhã seguinte, deixou o estábulo e foi para a cidade. Ao lado do bem encontrou um grupo de pessoas e pensamentos , agora eu estou indo para expor na frente dessas pessoas. Ninguém prestou atenção e continuou enchendo seus jarros .
"Jogue seus casacos e camadas ", disse ele , irritado. Eles não sabem quem eu sou?
Olhamos um para o outro rindo , deu-lhe uma surra e enviado para andar.
" Os pagãos miseráveis ​​", disse ele a si mesmo.
"Eu vou para o mercado onde há pessoas boas , com certeza eu vou me lembrar. " Mas ninguém o ignorou e continuou andando.
" Os ramos de oliveira . Onde estão os ramos de oliveira ? " Ele gritou .
" Ontem eu aplaudiram com ramos de oliveira . "
Hurt e desapontado, voltou para o burro lar estável com a mãe.
" Tolo ", disse sua mãe com ternura.
Você não percebe que sem Ele , você é apenas um idiota qualquer um ?
Sem Ele você é apenas um asno.
No Domingo de Ramos ou Paixão é a porta que nos leva para a Grande Semana do calendário litúrgico , a Semana da Páscoa.
Nós proclamamos a história da Paixão de Jesus.
Muitos descreveram os personagens todos têm o seu papel , todos tomam decisões e todos são necessários. Seu nome, e o meu, também estão escritos nesta história.
Até o burro teve seus quinze minutos de fama . Seu problema foi que a estrela do dia acreditava e queria continuar assim no dia seguinte.
O senso comum sua mãe o colocou em seu lugar : não ele você é apenas um burro.
Quem é isso?
Hoje, nós procesionado com ramos de oliveira e dissemos Hosana , salva-me . Mas eu chorei a ele.
Que Ele é o Senhor Jesus , o Salvador .
Isso é Ele que nos trouxe até aqui , que continua a andar com a gente, que abre os nossos olhos e nos ensinou a viver como filhos do Pai e como irmãos .
Que Ele é conhecido por muitos e seguido por alguns. Muitos admiram , apenas imitar.
Que Ele é o único que foi crucificado por Pôncio Pilatos, que não libertar os judeus da opressão do Império Romano e foi crucificado por Caifás e todos decepcionados por não ter resgatado Israel. Ele iria desfazer as nossas decisões , não veio para eclipsarnos , veio para nos ensinar a ser livre como ele tinha a liberdade de aceitar ou recusar .
Religião e violência sempre viveram . O casamento ainda persiste até hoje em muitos países.
Deus não tinha um plano . Nada foi escrito. Deus não precisa do sangue de Jesus para nos salvar.
O sangue era a bebida que os deuses de Homero teve que beber para se tornar imortal.
Nós não estamos nos salvando da morte sangrenta de Jesus , salve-nos o seu amor levado ao limite.
Nesta Domingo de Ramos, glória e triunfo aparente, que proclamaram a história da Paixão, paixão - amor e paixão de cruz para nos lembrar que " O Reino de Deus significa a eliminação de todas as formas de violência entre os indivíduos e as nações" . Simone Weil
Vivemos em tempos de violência do Estado e guerra fratricida , Tunísia , Líbia, Egipto ... a violência ea aliança profana entre Estado e religião . A guerra em nome de Deus é mais intolerável do que qualquer outro .
Nós, que celebramos Jesus , humilde e pacífico Messias, e seguir os seus passos longe devemos condenar toda a violência e, sobretudo, aquilo que está enraizado na religião que quer impor pela força e eliminar todas as outras religiões.
Nós não podemos matar a esperança e o amor pelo egoísmo e papel humano .
" Nosso tempo vai morrer, não para o pecado, mas pela falta de paixão ", escreveu Soren Kierkegaard
" A maioria das igrejas vão morrer de tédio diante das controvérsias ", John Spong .
Domingo de Ramos, Domingo da Paixão , aberta a alegria e compromisso cristão , nunca o tédio do início e do fim da história já sabemos e esperamos quase nada de porta -Lo
Padre Félix Jiménez Tutor


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