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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 17 de maio de 2014

5º DOMINGO DA PÁSCOA - ano A

5º DOMINGO DA PÁSCOA


Comentários-Prof.Fernando

 

Evangelho - Jo 14,1-12

18 de Maio de 2014  Ano A

 

 

CAMINHO, VERDADE E VIDA - José Salviano





            Cristo existindo com natureza de Deus, não reteve para si a vanglória de ser igual a Deus, porém, pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, tomando a natureza de escravo, (lavando os pés dos apóstolos), e fazendo-se semelhante aos homens. (...que tendes aí para comer?). Continua

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NINGUÉM VAI AO PAI SENÃO POR MIM"! - Olívia Coutinho
5º DOMINGO DA PÁSCOA
Dia 18  de Maio de 2014
Evangelho - Jo 14,1-12

É caminhando, que crescemos na fé, é crescendo na fé, que crescemos no amor, na fraternidade, na vida de comunhão com Deus e com os irmãos.
A fé, não é algo que se tem e pronto, a fé é construção, uma construção que se desenvolve através de um processo lento, que vai se solidificando à medida em que nos deixamos inundar pelo amor de  Deus!
 A  fé  é  caminhada, é compromisso,  é ver além do que que os olhos humanos alcançam!  É pela fé, que reconhecemos Jesus como o nosso Deus e Senhor, o que não é fruto do esforço humano e  sim, do acolhimento a este  dom de Deus, que  é a fé.
Jesus é a revelação do Pai, e aos poucos vamos nos envolvendo neste mistério de amor, enxergando  no Filho, a presença amorosa do  Pai!
No  evangelho que a liturgia  de hoje nos apresenta, podemos perceber claramente a paciência de Jesus para com os seus discípulos, que apesar de estarem a tanto tempo com Ele,  eram ainda muito imaturos na fé, tinham muita dificuldades em entender o que Jesus lhes revelava a respeito  de sua volta para o Pai. No desejo de fazer brotar em seus corações, pensamentos positivos, idéias claras sobre a  sua pessoa, sobre a sua missão e  o sentido da sua presença no mundo, que poderia dar a eles tranqüilidade  durante a sua ausência, Jesus afirma:“Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, afim de que onde eu estiver estejais também vós.” E acrescentou: “Para onde eu vou vós conheceis o caminho.
Tomé, não entendendo o sentido destas palavras, interpela Jesus dizendo: “Nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Esta imaturidade de Tomé, pode ser também nossa: estarmos com Jesus, mas não  reconhecê-Lo como sendo Ele, o único caminho que nos leva ao Pai.
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim!” Estas palavras de Jesus, que respondeu a  uma duvida  de Tomé,  devem permanecer em  nós, pois  são palavras que nos indica a vereda autêntica que nos leva a felicidade Plena.
Ver o Pai, era a coisa mais desejada pelos discípulos, um desejo que fora manifestado por Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!”
Bastaria  que os discípulos  dessem um passo a mais na fé, para descobrirem na pessoa de Jesus, a presença do  Pai, que estava ali, na pessoa de Jesus,  a tanto tempo com eles.
 É graças a esta paciência de Jesus, que hoje nós temos a felicidade de conhecê-Lo através do testemunho destes seus fieis discípulos, que apesar de suas fragilidades se mantiveram firmes no propósito de dar continuidade ao projeto de Deus, proposto por Jesus.
Contemplar Jesus, é a única forma de ver a face humana do Pai, o que não acontece por meio de conhecimento intelectual e sim, pelos caminhos da fé.
 A falta de fé priva-nos da alegria de sentirmos a presença contínua de Deus em nossa vida, de sentirmos seguros quanto ao nosso futuro, de saber que Jesus prepara um  lugar para cada um de nós  no coração do Pai.  
A Luz verdadeira é aquela que nos conduz pelo caminho da salvação, Jesus é esta  Luz,  Ele é a presença  de Deus em nós!
Seguir esta luz,  é deixar-se irrigar pela fonte de água viva que nos levará a um Reino que não tem fim, que é o coração do Pai.
O amor do Pai é derramado em nós, pelo Espírito Santo, portanto, vamos vivenciá-lo, permanecendo no amor do Filho!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! Olívia

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Evangelhos Dominicais Comentados

18/maio/2014 – 5o Domingo da Páscoa

Evangelho: (Jo 14, 1-12)

Jesus disse: “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vos teria dito, pois eu vou preparar-vos um lugar. Quando tiver ido e tiver preparado um lugar para vós, voltarei novamente e vos levarei comigo para que, onde eu estiver, estejais também vós. E vós conheceis o caminho para onde vou”. Tomé disse-lhe: “Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos conhecer o caminho?” Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Desde agora o conheceis e o tendes visto”. Filipe disse-lhe: “Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta”. Jesus lhe disse: “Filipe, há tanto tempo estou convosco e não me conheces? Quem me viu, viu o Pai. Como podes dizer: mostra-nos o Pai?Não crês que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que vos digo, não as digo por mim mesmo. O Pai que habita em mim é que realiza suas obras. Crede em mim: eu estou no Pai e o Pai em mim. Crede ao menos por causa dessas obras. Na verdade eu vos digo: quem crê em mim fará também as obras que eu faço. E fará maiores ainda do que essas, porque eu vou para o Pai”.

Olá, você que continua firme na difícil caminhada rumo às maravilhas que os olhos humanos jamais viram! Existe um local preparado, com muito carinho por Deus para abrigar os seus filhos. Jesus afirma que nós conhecemos o caminho.

No entanto, é bom lembrar que nem todos os caminhos são bons, nem todos os atalhos nos levam aonde precisamos ir. Muitos caminhos não levam a lugar algum. Temos que conhecer e escolher o bom caminho, para chegar ao lugar certo.

Os caminhos de Jesus são difíceis, exigem coragem, persistência e, acima de tudo, a certeza de que só através de Jesus poderemos chegar ao Pai. O evangelho de hoje nos fala do caminho certo, fala do verdadeiro caminho que é Jesus.

Jesus afirma que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. “Tenham fé em Deus, acreditem em mim”. Ao dizer isso, Jesus está preparando seus discípulos para os momentos difíceis que logo mais, com a sua morte, eles deverão enfrentar.

Na liturgia do domingo passado, Jesus falou do Bom Pastor, aquele que orienta e guia seu rebanho. Quem o conhece e nele confia encontra segurança, água pura e verdes pastagens. Hoje Ele se apresenta como o único Caminho.



Milhares de irmãos andam desorientados e desconhecem o verdadeiro caminho. Como ovelhas desgarradas, procuram abrigo em locais pouco recomendáveis, trilham caminhos perigosos e confusos, apesar destes caminhos parecerem ser os mais fáceis.

Procuram a água da vida em cisternas poluídas, em locais onde nem “potável” a água é. Buscam facilidades e respostas para os seus problemas nos adeptos da teologia da prosperidade. Procuram abrigo em filosofias estranhas, pouco ou nada cristãs.

Não podemos esquecer que existe um caminho reto, luminoso e seguro que leva à vida; esse caminho chama-se Jesus, o Caminho por excelência que leva ao Pai.

Quantas vezes andamos desorientados, no escuro, perdidos, sem rumo e sem saber para onde ir e não nos lembramos de procurar em Jesus as respostas para as incertezas e angústias.

Jesus é a verdade. Só ele esclarece as nossas dúvidas e nos conduz para a verdade que salva e liberta. Ele é a Vida que refaz a nossa vida. Aceitar Jesus como caminho, verdade e vida, é muito mais do que acreditar.

Aceitar Jesus é fazer da sua proposta a nossa própria vida. É caminhar por um caminho seguro que conduz à verdade e que nos dá vida plena. Aceita Jesus aquele que se dispõe a trilhar os difíceis caminhos em favor dos necessitados e que se sente grande no serviço aos pequenos.

O caminho de Jesus consiste na prática do amor a Deus e ao próximo. Esse amor é luz para os que andam sem rumo e, é também vida, força e coragem para os desanimados. Quem decide seguir os caminhos de Jesus, fatalmente vai encontrar a casa do Pai.

A casa que Jesus se refere, onde tem muitas moradas, não é necessariamente o paraíso, mas sim, a comunidade. Ali tem muitos lugares, ou seja, muitos serviços, muitas funções, muitos ministérios para serem desempenhados.

O caminho de Jesus conduz a gestos concretos, ou não é o verdadeiro caminho. Cuidado com o caminho espaçoso e fácil, pois pode ser um daqueles caminhos que conduzem aos abismos e levam à perdição!      



Nada se consegue sem suor. O verdadeiro caminho é estreito, difícil e pedregoso. Exige persistência, oração e atenção para não escorregar ou enveredar pelos atalhos que o dia-a-dia nos apresenta. Aceitar Jesus é uma decisão pessoal.

A aceitação começa na comunidade fraterna, onde a fé nasce, cresce e se torna vigorosa. Só assim o testemunho cristão se torna autêntico e convincente. Vamos seguir a Luz e arrastar milhares para esse caminho. Testemunhar a fé é caminhar com Jesus Cristo!

(2594)


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Do medo à coragem de anunciar Cristo ressuscitado
As palavras do Evangelho têm o sabor e a emoção de um testamento, que Jesus confia aos discípulos depois da última ceia, nas horas prolongadas do adeus (Jo 13,31-17,26). São a herança que Jesus deixa aos seus discípulos como ensinamento precioso, poucas horas antes de entrar no seu caminho (v. 4.6): o caminho da cruz-morte-ressurreição. Testamento e herança que, comummente na vida de todos, tornam-se efetivos só depois da morte do testador. No caso de Jesus é diferente: não é o testamento de um morto, mas de um vivente. Com razão, portanto, a liturgia nos revela este testamento nos domingos depois da Páscoa de Jesus, fazendo assim com que o saboreemos como palavra viva do Ressuscitado. Em primeiro lugar, é uma palavra de conforto e de esperança para a comunidade dos crentes, para que não se deixem perturbar mas sejam fortes na fé (v. 1) e dispostos a seguir os passos do Mestre no mesmo caminho: o caminho em direção à Páscoa, em direção à casa do Pai. A casa do Pai, porém, não é imediatamente o paraíso, mas é antes de mais a comunidade dos crentes: onde há «muitas moradas»; onde Jesus nos precedeu e nos preparou um lugar (v. 2-3); onde os lugares, as funções e os serviços a desenvolver são muitos; onde o melhor lugar é aquele que permite servir mais e melhor os outros.
Ajudar-se uns aos outros como irmãos, lavar os pés uns aos outros (Jo 13,14), sem títulos de classe, honra, prestígio… Era esse o ideal e o firme testemunho da comunidade primitiva, na qual havia uma diferença, a única, reconhecida por todos desde o início: a diferença com base no serviço (ou ministério) requerido e prestado à comunidade. É um apaixonante tema missionário. A mensagem do Evangelho deste domingo e as experiências da primeira comunidade cristã (I e II leituras) contêm luzes preciosas para a missão da Igreja. O livro dos Atos (1ª leitura) apresenta um quadro de dificuldades missionárias concretas e freqüentes: dizem respeito ao crescimento numérico, à pluralidade cultural da comunidade (v. 1: conflito entre helenistas e hebreus, com contornos sociais e econômicos), a organização da assistência aos necessitados… Para a solução são empregues critérios que são fundamentais para o desenvolvimento da missão: ampla consulta no seio do grupo (v. 2), procura de pessoas cheias do Espírito e de sabedoria (v. 3.5), definição de ministérios (v. 3.4.6) dos diáconos (serviço das mesas) e dos Doze Apóstolos (oração e serviço da Palavra).
Hoje diríamos que a solução foi encontrada graças a um exercício sinodal e plural da autoridade: na colegialidade e na ministerialidade, que permitiram atuar com pluralismo cultural e com descentralização. A Igreja de Jerusalém saiu daquele incidente mais amadurecida, enriquecida de novas forças para o apostolado, mais aberta às exigências culturais dos vários grupos. Foi uma solução exemplar, que teve imediatos efeitos de irradiação missionária: «e a Palavra de Deus ia-se divulgando», com crescentes adesões à nova fé (v. 7).
Soluções daquela natureza destinam-se a um povo que são Pedro (2ª leitura) chama real, santo, eleito de Deus (v. 9), chamado a aproximar-se do «Senhor, pedra vida», e portanto, um povo formado por «pedras vivas» (v. 4.5). Voltamos aqui ao tema das funções ou serviços na casa de Deus: não é importante que se trate de pedras de fachada ou de pedras escondidas nos alicerces.
São Daniel Comboni recomendava aos seus missionários para a África: «O missionário trabalha numa obra de altíssimo mérito, sim, mas muito árdua e laboriosa, para ser uma pedra escondida debaixo da terra que talvez nunca apareça à luz e que entra a fazer parte do cimento de um novo e colossal edifício, que só os vindouros verão despontar do solo» (Regras de 1871, Escritos, n. 2701). O que importa é ser parte da comunidade dos discípulos e ser ativos no serviço à missão de Cristo Salvador, acolhedores e solidários para com as pessoas distantes, estrangeiras, sós… (*)
Jesus não veio evitar-nos o sofrimento, mas dar-nos força para enfrentar os medos profundos da doença, do futuro, da solidão, da morte… «Deus não veio explicar o sofrimento; veio enchê-lo da sua presença» (Paul Claudel).
No diálogo com os discípulos (Evangelho), Jesus convida-os a não se deixarem perturbar pelo medo (v. 1). Exorta-os a acreditar nele, que é «o caminho, a verdade e a vida» (v. 6). Fala da sua unidade com o Pai, a ponto de dizer que quem o vê, vê o Pai (v. 9). Jesus é o primeiro missionário do Pai: revelou-o e anunciou-o com as palavras e as obras (v. 11). Surge aqui a pergunta fundamental para a missão de todos os tempos: hoje, a quem cabe revelar o Pai e revelar Jesus, que o Pai enviou como Salvador do mundo? O desafio permanente do cristão é poder dizer: quem vê a minha vida e ouve as minhas palavras, vê o Pai, vê Cristo! É aqui que se encontram as raízes e extensão da missionaridade de cada batizado.

(*) «O problema do mal, da dor e do sofrimento, o problema da injustiça e da prepotência, o medo dos outros, dos estrangeiros e dos distantes que chegam às nossas terras e parecem atentar contra aquilo que nós somos, leva os cristãos de hoje a dizer com tristeza: nós esperávamos que o Senhor nos libertasse do mal, da dor, do sofrimento, do medo, da injustiça. É necessário, então, para cada um de nós, como aconteceu com os dois discípulos de Emaús, deixar-se instruir por Jesus: em primeiro lugar, escutando e amando a Palavra de Deus, lida à luz do Mistério Pascal, para que aqueça o nosso coração e ilumine a nossa mente, e nos ajude a interpretar os acontecimentos da vida e a dar-lhes um sentido». (Bento XVI - Homilia na visita a Mestre-Veneza, 8.5.2011)          Neste domingo quinto do Tempo da Páscoa, elevemos o olhar ao Ressuscitado; deixemo-nos tomar por sua palavra: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também!” Estejamos atentos: estas não são palavras ditas ao vento, para ninguém! São palavras, é exortação a nós, cristãos de agora; palavras para cada um de nós e para nós todos, palavras verdadeiramente provocantes!
No mundo complexo, numa realidade plena de desafios, na nossa vida pessoal tantas vezes sofrida, tantas vezes ferida, cheia de tantas contradições e desafios, o Senhor nos olha, estende-nos as mãos, abre-nos o coração e nos enche de serenidade e confiança: “Não se perturbe o vosso coração!”
Pensemos nos desafios dos tempos atuais: o desafio de crer e testemunhar o Senhor em situações tão cheias de promessas, mas também tão confusas. Pois bem, o Senhor insiste: “Tendes fé em Deus, tende fé em mim também!” Ter fé em Cristo! Eis o desafio para nós! Ontem, como hoje, é necessário proclamar nossa fé nele, nossa entrega a ele, nossa certeza de que ele pode dar um sentido à nossa existência. E por quê? Não seria loucura, alienação, infantilidade, confiar assim, de modo tão absoluto, em um alguém? Por queapostar toda a vida em Jesus e somente em Jesus? Por que não um pouquinho de Buda, um pouquinho de Maomé, um pouquinho de Dalai Lama, um pouquinho de esoterismo, um pouquinho mais de consumismo e outro tantinho de rédea solta aos nossos instintos? Por que somente Cristo? Por que absolutizar Jesus? Eis a resposta, que ele mesmo nos dá; eis a resposta surpreendente! Escutemo-la: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim!” É precisamente neste mundo de tantos desafios e de tantos caminhos, que o Senhor Jesus nos diz: Eu sou o Caminho! Nestes tempos de tantas verdades, ele nos proclama: Eu sou a Verdade! Neste mundo que nos tenta, oferecendo vida onde não há vida verdadeira, Jesus anuncia: Eu sou a Vida! De fato, ele não é simplesmente um profeta, um sábio, não é alguém a quem podemos admirar e seguir ao lado de outros personagens igualmente ilustres! Jesus se nos apresenta como aquele que vem de Deus e é o único que nos pode revelar de modo pleno, de modo claro e conclusivo o caminho para Deus! Mais ainda: Aquele que é nosso Caminho é também nossa única Verdade e nossa única e verdadeira Vida!
É diante dele que temos sempre que nos decidir, que somos chamados a dar um existência será julgada, que o mundo será examinado! E, no entanto, ele será sempre sinal de contradição e pedra de tropeço... Vimos, agora mesmo, por ocasião da eleição do novo Papa, tantas idéias disparatadas – algumas, para nossa tristeza, apresentadas até mesmo por padres ou religiosos... Alguns se iludem, pensando numa Igreja que faça o jogo da moda, que diga amém a um modo de pensar, agir e viver estranho ao Evangelho! Que engano tão danado! A renovação da Igreja está em voltar sempre a Cristo e nele se reencontrar sempre, retomando o vigor, como de uma fonte puríssima! O verdadeiro serviço à humanidade e ao mundo é apresentar o Cristo e nele colocar toda a esperança!
“Não se perturbe o vosso coração!”
Já nos inícios da Igreja havia tensões, desafios, dificuldades externas e internas. Pois bem, já ali o Senhor dizia aos cristãos: “Não se perturbe o vosso coração!” Já ali lhes garantia a grandeza do amor do Pai: “na casa do meu Pai há muitas moradas!” E já ali, entre as consolações de Deus e as provações da vida, “a Palavra do Senhor se espalhava”. Portanto, não temamos em colocar toda anossa confiança no Senhor; não hesitemos em procurar de todo o coração seguir os passos do Senhor Jesus! A oração inicial da Missa de hoje exprimiu muito bem o que espera o cristão, ao colocar no Senhor a sua existência. Recordemo-la: "Ó Deus, Pai de bondade, concedei aos que crêem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna!” – Eis o que buscamos, o que esperamos, o que temos a certeza de alcançar: a liberdade verdadeira e a herança eterna!
dom Henrique Soares da Costa       
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Somos uma raça escolhida, nação santa, povo de Deus
O tempo da Páscoa já está avançado e convém que nós, cristãos, tenhamos uma ideia clara de nossa identidade mais profunda. As vezes, de tanto caminhar e trabalhar dias a fio, nos esquecemos de que fomos escolhidos como porta-estandartes de uma bandeira que não é apenas nossa, mas de toda a humanidade. Em Cristo Jesus ressuscitado, somos todos sacerdotes que oferecemos a Deus o sacrifício espiritual que traz a salvação ao mundo. É desta forma que construímos o Reino de Deus. Porque os sacrifícios que oferecemos não são como os da Antiga Aliança - holocaustos de carneiros e touros - mas a entrega das nossas vidas ao serviço do Reino de Deus, visto que estamos comprometidos em formar já aqui a família de Deus onde reina a verdade, o amor e a justiça.
Isso é o que nós, cristãos, somos pelo nosso Batismo. O desafio está em chegar a ser, na vida real, aquilo que já somos na presença de Deus. Nosso chamado consiste em levar à prática diária desse amor com o qual Deus nos amou em Jesus e nos transformou em povo eleito e nação consagrada. Para alcançarmos nosso objetivo, o evangelho de hoje nos mostra o caminho: o mesmo Jesus que disse a respeito de si mesmo que "Ele era o Caminho, a Verdade e a Vida". Os apóstolos custaram a compreender que seguir Jesus era muito mais importante que aprender algumas verdades; que não se tratava de teologia, mas de se encontrarem com Jesus e permitir que este fosse o guia que os levaria até o Reino do Pai. Não havia mais outro caminho a não ser seguir suas pegadas. Hoje devemos dizer o mesmo: seguir os passos de Jesus, comportarmo-nos como ele, amando nossos irmãos e irmãs, até dar-lhe tudo como ele fez.
Fazer isso na vida diária nem sempre é fácil. Hoje enfrentamos problemas e situações que não têm nada a ver com as enfrentadas por Jesus ou os apóstolos. Mas este é justamente o nosso desafio: encontrar soluções criativas, de acordo com o Reino, para os problemas que surgem. Tal como fizeram os apóstolos na igreja primitiva, ao perceberem que um grupo da comunidade, as viúvas dos gregos, não recebia a atenção merecida. Solucionaram imediatamente o problema criando um grupo que deveria atendê-las: os diáconos. Desta forma devemos seguir Jesus, ou seja, oferecendo soluções aos problemas com os quais nos deparamos, perguntando sempre: o que Jesus faria em uma situação como esta? E deixarmo-nos levar pelo Espírito até que encontremos as formas e os modos concretos que nos levem a expressar da maneira mais eficaz possível o amor pelos irmãos e irmãs, especialmente pelos mais necessitados.
Há pessoas em nossa paróquia, comunidade ou família que estão sem atendimento e que sofrem sem que ninguém lhes dê atenção ou ajuda? O que podemos fazer para nos aproximarmos deles, para aliviar seus sofrimentos? Não é essa a melhor maneira de seguir Jesus, Caminho, Verdade e Vida? 
Victor Hugo Oliveira
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“Cantai ao Senhor um canto novo, porque ele fez maravilhas;
e revelou sua justiça diante das nações, aleluia!” (cf. Sl. 97,1s)
Depois de termos contemplado no domingo passado Jesus como a porta que dá acesso ao Reino dos Céus à liturgia deste domingo nos convida a ver em Jesus como o Caminho, a Verdade e a Vida.
O acesso ao Pai passa por Jesus. Assim, o sentido destes três termos que constituem a unidade – o Caminho da Verdade e da Vida - é apresentado através de uma pequena encenação. Jesus inicia sua despedida dizendo que é uma viagem necessária, para lhes preparar um lugar, e que eles conhecem o caminho. Tomé responde que não. Jesus explica que ele mesmo é o caminho da Verdade e da Vida, o caminho pelo qual se chega ao Pai.
Toda pessoa piedosa sonha ou deseja, ou melhor, quer ver e conhecer a Deus. Mas, nos anuncia João no prólogo de seu Evangelho, que ninguém jamais o viu... (cf. Jo 1,18). Agora, Jesus explica a Filipe, que lhe pede para mostrar-lhe o Pai, e a resposta de Jesus é a seguinte: “Quem me vê, vê o Pai!”. Em outras palavras: em Jesus, o Cristo contemplamos Deus. Nosso perguntar encontra Nele resposta, nosso espírito, verdade; nossa angústia, a fonte da vida. Neste sentido, ele mesmo é o caminho que nos conduz ao Pai e, ao mesmo tempo, a Verdade e a Vida que se tornam acessíveis para nós.
Jesus hoje nos ensina que Ele e o Pai são um só. Jesus nos ensina que Ele voltará para junto do Pai; que as criaturas humanas têm um destino eterno; Jesus nos ensina que Ele é o único caminho de acesso a Deus, e que os apóstolos, em conhecendo esse caminho, deviam encher-se de fé e de confiança na sua misericórdia.
O homem e a mulher vivem sempre apreensivos. A apreensão faz parte da natureza humana e não poderia ser diferente com os apóstolos. Todos nós queremos ver ao Pai, sentindo um desejo, menor ou mais intenso, de ver o rosto de Deus. E na procura de Deus, precisamos de pontos de referência para não nos perder. Jesus se coloca como ponto de referência, seja para vencer a angústia pelo que pode acontecer, seja para encontrar a Casa do Pai e fazer comunhão com Ele.
O Evangelho de hoje (cf. Jo 14,1-12) é o Testamento de Jesus. Por isso os ensinamentos são repletos de emoção, conselho e de encantamento espiritual.
E o testamento de Jesus nos deixa verdades acerca de nossa fé: Jesus é igual ao Pai; toda a obra de Jesus é divina e salvadora; a criatura humana tem um destino e um horizonte eterno; esse horizonte e destino são garantidos por Jesus aos que tiverem fé nele; Jesus é o caminho que une a terra ao Céu e por esse caminho a criatura humana pode chegar a Deus; por Jesus conhecemos toda a verdade em torno de Deus; a vida não se esgota aqui na terra e Jesus reparte com o homem o poder de salvar.
Estas são as verdades fundamentais do cristianismo, por isso não podemos deixar o nosso coração se perturbar por coisas pequenas diante da normalidade da vida.
Jesus confia no homem e na mulher e o cobre com seu manto protetor! Por isso o próprio Cristo anunciou aos seus: “Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos tempos”(cf. Mt 28,20). Jesus não só assumiu a condição humana nos anos de sua vida terrena, mas para todo o sempre. Jesus é o nosso companheiro de caminhada, de trajetória e por isso nos encoraja.
Jesus no Evangelho de hoje anima e consola os seus discípulos. Por isso nada deve perturbar o coração do discípulo fiel. Isso porque na hora de nossa morte, Jesus virá ao nosso encontro pessoalmente. Vê-lo-emos face a face. Será pela mão de Jesus que entraremos no céu. Ele virá para nos julgar com misericórdia e justiça, conforme professamos em nosso Credo.
A misericórdia de Cristo é a misericórdia que vem ao nosso socorro e que em cada sacrifício Eucarístico repetidos com fé: “ajudados pela Vossa Misericórdia,“Cantai ao Senhor um canto novo, porque ele fez maravilhas;
e revelou sua justiça diante das nações, aleluia!” (cf. Sl. 97,1s)
Depois de termos contemplado no domingo passado Jesus como a porta que dá acesso ao Reino dos Céus à liturgia deste domingo nos convida a ver em Jesus como o Caminho, a Verdade e a Vida.
O acesso ao Pai passa por Jesus. Assim, o sentido destes três termos que
sejamos protegidos de todos os perigos, enquanto aguardamos a vinda do Cristo Salvador”, depois da recitação da Oração que o Senhor nos ensinou.
A primeira leitura de hoje (cf. At. 6,1-7) nos fala dos diáconos no contexto da expansão da Igreja entre os helenistas. Continuam os Atos dos Apóstolos a narração dos primórdios da Igreja. O seu vertiginoso crescimento traz problemas. Além dos convertidos do judaísmo tradicional, ascendem a Igreja também os convertidos do judaísmo helênico, ou seja, daqueles que vêem das cidades comerciais da Grécia, da Armênia, da Síria, etc, ou pagãos convertidos anteriormente ao judaísmo, como os prosélitos. A organização da assistência às viúvas deste grupo provocou um novo serviço na comunidade: os diáconos, os que são servidores da caridade e que assumem o ministério da caridade entre os mais pobres da comunidade.
A segunda leitura hodierna (cf. 1Pd. 2,4-9) apresenta a Igreja – como templo de pedras vivas, da qual Jesus Cristo é a pedra angular. A presente leitura é rica de imagens, que se determinam mutuamente. Cristo é a pedra viva, rejeitada pelos sumos sacerdotes e pelos mestres da lei; pedra morta, mas ressuscitada por Deus. Quem a Jesus se une na construção do Seu Reino é pedra viva também. Cristo é o sacrifício espiritual; quem adora a ele, o é também. Por isso somos santificados com ele pelo sacerdócio real que recebemos pelo batismo.
Cristo é a verdade, na confusão ruidosa das mil “verdades”que só duram um dia. Jesus permanece como o termo último de todas as verdades. Cristo é a vida: todos os esforços do homem para vencer as barreiras da morte só conseguem retardar de um momento o terrível encontro. Só Cristo destrói essa barreira e nos abre as portas para uma vida sem fim, em plenitude total.
Jesus ao se proclamar como o Caminho único de se chegar ao Pai lembra que é possível chegar ao Pai somente por meio dele. Assim a segunda leitura, continuação da Carta de Pedro canta a dignidade do povo constituído em Cristo, construído com pedras vivas sobre a pedra rejeitada pelos construtores, que se tornou à pedra angular. Nem mesmo os conflitos da comunidade iniciante dos Atos pode nos abalar. Devemos dar louvor ao Deus bom e fiel, ou seja, a providência de Deus para todos os seus. Ele vem em nosso auxílio e em nosso refúgio. Com Jesus estamos no Pai, somos conduzidos ao Pai, participando de sua vida e do seu amor. Que Deus nos ajude e nos conduza todos ao único caminho, sempre lembrando do chamado da Igreja que peregrina no Brasil - pelos nossos Pastores - aonde somos convidados a Ver Jesus, único Caminho, Verdade e Vida.
padre Wagner Augusto Portugal
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Jesus é o único caminho e a única verdade que leva à vida plena
Quando se despede, Jesus explica aos seus discípulos que ele não se separará para sempre deles; pelo contrário, sua partida estabelece uma união ainda mais forte com eles. Logo no início do discurso, Jesus fala da atitude fundamental com a qual os seus discípulos devem enfrentar a situação da separação pelo fato de ele morrer na cruz: “Não se perturbe o vosso coração! Tendes fé em Deus,
tende fé em mim também!” (14,1). Tal exortação vale não apenas para aqueles discípulos para os quais ele dirigiu estas palavras, mas para todos aqueles que acreditarão nele, para nós. De fato, nós nos encontramos na mesma situação daqueles discípulos, já que não somente Deus, mas também Jesus agora é invisível aos nossos olhos mortais.
Mais do que nunca, é hora de mantermos o nosso mais sólido fundamento e sustento inquebrantável em Deus e em Jesus: a fé. Não podemos perder o rumo, ficar preocupados ou inquietos. Só na fé, seremos capazes de enfrentar esta situação. Várias vezes Jesus fala da fé como resposta aos sinais realizados por ele e como via de acesso para a vida eterna.
Exatamente agora que Jesus não está mais presente como homem, a fé dos discípulos e a nossa fé é chamada a manifestar-se. Sem ver, os discípulos devem abandonar-se com ilimitada confiança ao Pai e ao Filho. Para o próprio Jesus, sua morte é o retorno para a casa do Pai (13,1). Também nós teremos a pátria perene não nessa terra, mas junto de Deus. A vida comum na sua forma terrena chega ao fim. Jesus não parte para nos deixar abandonados, mas para preparar um “lugar” junto do Pai, ele nos toma consigo para estarmos em eterna união com Ele. Não podemos ficar parados olhando a cruz, mas devemos ver com fé o fim, a sua finalidade, ou seja, como tudo aquilo que Jesus cumpriu foi endereçado à comunhão eterna com o Pai.
Assim, não podemos ficar passivos, inativos, esperando ser conduzidos ao Pai. Pelo contrário, Jesus responde a Tomé e nos instrui sobre o caminho de acesso ao Pai: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim” (14,6). Os discípulos não são simplesmente levados ao Pai, mas devemos nós mesmos colocar-nos a caminho do Pai. O caminho é somente um: Jesus. Na parábola do bom pastor, ele tinha dito: “eu sou a porta, quem entrar por mim será salvo” (10,9).
É impossível para nós salvar-nos da corrupção, pois há um muro impenetrável e insuperável, inacessível. Mas há uma porta, uma brecha neste muro, um único acesso à salvação: Jesus. A salvação consiste na união com Deus. Como é única a porta, assim Jesus é também o único caminho para o Pai, enquanto é verdade e vida.
“Jesus é a verdade” significa que somente por meio dele se pode conhecer o mistério de Deus. Somente por meio dele, na sua realidade de Filho, é revelado que Deus é realmente Pai e vive desde sempre em afetuosa comunhão com este Filho (1,18). “Jesus é a vida” significa que nós temos a união com Deus Pai, e portanto, a verdadeira vida eterna, somente através da união com Jesus. Somente por meio dele nos são concedidos o conhecimento do Pai e a união com o Pai. Por isso, Jesus é o único caminho para o Pai. Deus é inacessível a nós na sua verdadeira realidade de Pai. Com as nossas forças, nós não podemos chegar por nenhum caminho a Deus: devemos recorrer a Jesus, no qual nos é dado acesso a Deus.
Sempre que Jesus diz: “eu sou”, ele demonstra que na sua pessoa está presente Deus como doador de salvação para nós. Deus está escondido e inacessível; mas no Filho nos doa a porta e o caminho, tornando-nos possível a união com ele. E justamente porque só Jesus é o Filho unigênito igual ao Pai, somente ele é a porta e o caminho de acesso ao Pai. Todos os outros caminhos não levam ao Pai. Jesus é a única via que conduz à meta. Nós não podemos chegar ao Pai com nenhum outro guia, nem com o exercício do pensamento e da meditação, nem por meio de técnicas espirituais ou de métodos, nem com qualquer outro meio que exclua Jesus. Só por meio de Jesus temos o conhecimento de Deus e a união com ele na sua verdadeira realidade de Pai.
Em resposta a Felipe, Jesus esclarece de que modo ele é o caminho que leva ao Pai. Felipe lhe pede: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta” (14,8). Ele pensa certamente a uma teofania, a uma visão direta de Deus, a uma manifestação extraordinária de Deus. Mas Jesus não é “o caminho” enquanto transmite fenômenos e experiências excepcionais, ele é o caminho com as suas palavras, com as suas obras, com a vida em comum com os discípulos. E a única possibilidade de entrar e de percorrer esta via é a fé. Para quem tem fé, Jesus diz: “quem me viu, viu o Pai” (14,9).
Quem pela fé, reconhece Jesus como Filho, chega através da fé ao Pai. Somente para quem crê nele, Jesus é o caminho, e continuará sendo mesmo quando não será mais presente visivelmente entre os seus discípulos. O único vínculo necessário e firme com Jesus é a fé, por meio da qual o reconhecemos como o Filho de Deus, nos confiamos a ele e somos guiados por ele. Não existe nenhum outro vínculo válido com ele fora deste. Na hora da despedida, Jesus mostra ainda uma vez aos discípulos como eles permanecem unidos a ele, e através dele, ao Pai somente por meio da fé, e em qualquer situação por meio da fé.
Na resposta a Felipe, Jesus dá a razão pela qual quem acredita no Filho vê o Pai e chega a ele. O Filho está no Pai e o Pai está no Filho (14,10-11). Mesmo após a separação deste mundo, Jesus permanece unidos a nós; prova disso é que ele escuta as nossas preces e cumpre através dos seus discípulos as suas obras. Tais discípulos que receberam a missão deixada por ele de revelar o Pai e que o fazem em nome de Jesus, receberão resultados ainda maiores porque é ele que glorificado e ressuscitado age por meio deles, por meio de nós.
Jesus é o único mediador entre Deus e nós, entretanto, como afirma o catecismo da igreja católica n. 956: “pelo fato que os do céu estão mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a toda a iIgreja na santidade... Não deixam de interceder por nós ante o Pai. Apresentam por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, os méritos que adquiriram na terra... Sua solicitude fraterna ajuda, pois, muito a nossa debilidade. Muitos cristãos pensam que os Santos e todos os que morrem já não podem rezar. É um engano incrível pensar que Deus não permita que o amor dos santos siga vivendo ao rezar por seus seres amados, pois se esquece que nosso Pai é Deus de vivos, e não de mortos. "Os quatro viventes e os vinte e quatro anciões se prostraram diante do Cordeiro. Tinha cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos" (AP. 5,8). A mediação dos Santos como intercessores e estímulo é real e verdadeiramente forte já que eles vivem a Glória de estar com Cristo nos Céus, e seguindo de novo o apóstolo Paulo quando diz: "Exorto, pois, acima de tudo que se façam pedidos, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens (1Tim. 2,1)", os cristãos têm a necessidade de orar para viver o amor reconciliador que nos ensinou Jesus ao nos abrir as portas da Casa do Pai.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento
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"Caminho, Verdade e Vida"
No evangelho dos domingos passados, vimos a preocupação de Jesus em formar uma comunidade, que continuasse a sua obra. Nós estamos aqui, porque pertencemos a essa comunidade. O que é mesmo uma comunidade cristã?
As leituras bíblicas de hoje nos dão uma resposta:
A 1ª leitura mostra o 1º conflito na comunidade de Jerusalém e como resolveram o problema. (At. 6,1-7)
Os cristãos de origem grega queixam-se que as suas viúvas não estão recebendo a mesma atenção do que as viúvas judaicas... Os apóstolos propõem a escolha de sete homens honrados, ficando eles mais livres para a oração e para o serviço da palavra. Nascia assim o 1º ministério na igreja: o diaconato. (domingo dos ministérios).  O episódio nos mostra que a igreja é:
- uma comunidade que sempre teve, tem e terá conflitos... mas deve enfrentar as situações novas e difíceis com sentido eclesial de unidade na pluralidade;
- uma comunidade hierárquica: ela recorre aos apóstolos, reza invocando o Espírito Santo e busca uma solução para o problema. Partilham as responsabilidades...
A comunidade escolhe, os apóstolos confirmam impondo as mãos...
Uma comunidade de servidores. Escolhe sete homens "cheios do Espírito Santo", para o serviço das mesas. Assim a igreja apostólica, guiada pelo espírito de Cristo ressuscitado, vai desenvolvendo os ministérios para realizar a sua tríplice missão: o serviço da palavra, do culto e da caridade.
Na 2ª leitura, Pedro compara a igreja a um edifício espiritual, no qual Cristo é a "Pedra angular" e os cristãos "Pedras vivas".
O antigo templo de Jerusalém construído com pedras materiais será substituído por esse novo templo formado de pedras vivas. (1Pd. 2,4-9)
No evangelho, a igreja aparece como um povo peregrino que caminha para Deus, guiado por Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida. (Jo. 14,1-12)
O texto faz parte do "discurso da despedida", na última ceia.
Lidas neste tempo litúrgico de Páscoa, as palavras do Senhor nos orientam para a ascensão ao Pai e são como seu testamento espiritual.
"Não vos preocupeis... vou preparar um lugar para vós... depois voltarei
 e vos levarei comigo... Eu sou o caminho, a verdade e a vida..."
Jesus é o caminho porque é o único "mediador" da Salvação; é a verdade porque é o "revelador" do projeto de Deus; é a vida porque é o "Salvador", que nos dá a vida de Deus que ele possui. Por isso: "Ninguém pode chegar ao Pai senão por mim".
Resumindo, a igreja é:
- é um povo organizado, em que os membros têm diferentes tarefas, tais como o serviço da caridade, da palavra e do culto;
- é um edifício espiritual, em que Cristo é a pedra fundamental e nós pedras vivas;
- é um povo peregrino que caminha para Deus, sob a guia de Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida.
Que casa é esta, onde Jesus preparou muitas moradas?
O Paraíso, onde teremos antecipadamente uma cadeira numerada? Não, a casa do Pai é a comunidade dos seguidores de Jesus (Igreja), onde Cristo é a "pedra angular" e nós devemos ser "pedras Vivas". É a comunidade cristã, onde há "muitos lugares", muitos serviços, muitas funções a serem desempenhadas...
Ainda hoje há muitas moradas nessa casa do Pai... E muitos lugares de trabalho preparados por Jesus, continuam desocupados... E "nessa casa", há vagas!...
Por que será? Desinteresse? Falta de oportunidade?
Cristo continua presente ainda hoje através da sua igreja.
Nela, somos, de fato, "pedras vivas", atuantes... desempenhando nossa função?
Somos uma comunidade organizada, que partilha responsabilidades,  que procura ser uma resposta atual ao homem de hoje: com um conselho que planeja, revê, anima e dá oportunidade a todos, com pastorais atuantes, com movimentos que vivem uma espiritualidade própria, mas em comunhão com a comunidade... com ministérios que animam os diversos setores...
Cristo garante: "Estou convosco... Eu sou o caminho, a verdade e a vida..." Caminho que devemos percorrer com os irmãos; verdade que devemos proclamar ao mundo carente da Luz divina; vida que devemos defender e cuidar...
- Que tipo de igreja estou ajudando a construir na minha comunidade?
- Ou fico apenas olhando de longe, criticando... e não assumindo o meu lugar?
padre Antônio Geraldo Dalla Costa
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Após a ceia e o lava-pés, e depois da saída de Judas, Jesus estabelece um diálogo de intimidade com seus discípulos. Ele lhes dirige palavras de esclarecimento, que também lhes proporcionam confiança e segurança. São palavras que penetram fundo no coração e fortalecem nossa fé. Fortaleceram, da mesma forma, a fé dos discípulos, mais tarde, quando começaram a perceber que Jesus continuava vivo entre eles. São palavras que alimentam nossa oração e nossa prática de vida.
O amor de Deus e de Jesus para conosco está aí vivamente expresso. Crer em Deus e crer em Jesus é fonte de paz para o coração e para a comunidade. O ir e vir de Jesus não é um percurso entre a terra e o céu. É o percurso da fé, neste mundo, no seguimento de Jesus, que é o caminho, a verdade e a vida que levam ao Pai. E esta fé comprometida com as obras de Jesus, na fraternidade, na misericórdia e na justiça, abre espaço para a morada do Pai e de Jesus em cada um.
Pelo amor, na partilha e na solidariedade, vivido na missão e nas comunidades, os discípulos são levados por Jesus à comunhão na casa do Pai.
padreJaldemir Vitório
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A comunidade cristã inicial, formada pelos primeiros batizados, vive cheia de entusiasmo uma novidade de vida. Todos se querem bem, dividem entre si o que possuem, rezam juntos. São, porém, gente de carne e osso, com as limitações e as necessidades humanas. A convivência do dia a dia vai se tornando pesada.
O entusiasmo arrefece. Querem estar juntos e sentem as ausências, mas, quando perto, se atritam. A Igreja de Jesus, como Ele próprio, é encarnada. Uma só Igreja com uma natureza divina e outra humana. O humano tem suas exigências de estrutura e organização. A Igreja vai se organizando segundo as necessidades que aparecem ao longo dos tempos, sem se fixar em nenhuma delas porque são mutáveis.
As estruturas criadas são de serviço e respondem às necessidades de cada momento. No entanto, a fraqueza humana também aqui se manifesta e, precisando de segurança, tenta fixar estruturas humanas temporárias e dar-lhes natureza divina. Fixam-se num tempo e tornam a Igreja incapaz de dar novas respostas a novas perguntas. O pecado passa a residir nas estruturas criadas por necessidade humana.
A comunidade cristã é feita em primeiro lugar de pedras vivas que necessitam, sem dúvida, de pedras mortas para se abrigarem. Cristo é a pedra principal, a pedra angular de apoio de todo o edifício. Todos nós, unidos a Ele e entre nós, formamos o seu corpo místico visível neste mundo.
Nós nos encontramos e nos abrigamos em casas de pedra, na esperança, porém, daquela morada que se encontra na casa do Pai, que Cristo foi preparar para cada um de nós. A garantia da casa do futuro já nos é dada na vida terrena de Cristo porque quem o vê, vê o Pai, e, ao mesmo tempo, ele vai para o Pai. O mistério não precisa ser entendido. Precisa ser experimentado e vivido. Nele mergulhamos agora, na casa de pedra, para um dia mergulharmos em Deus e vivermos extasiados no meio das relações da Trindade. Nossa casa na eternidade é o seio da Trindade.
At. 6,1-7 – A comunidade de Jesus cresce e se expande. As dificuldades de relacionamento se fazem sentir. É preciso um mínimo de organização. Os apóstolos sabem quais são suas tarefas e escolhem sete membros da comunidade para coordenarem a distribuição dos recursos aos necessitados. Esses homens não apenas organizam o serviço social, mas também pregam a Palavra e batizam.
1Pd. 2,4-9 – Pedro diz que Jesus é a pedra principal de uma construção e que, no entanto, foi rejeitada pelos construtores. Ele a chama de pedra viva e honrosa diante de Deus. E diz também que nós somos as pedras vivas que formam o grande edifício do Corpo visível de Cristo neste mundo. A comunidade de Jesus é visível neste mundo com suas pessoas e suas instituições. A casa do povo de Deus neste mundo é sinal da casa futura que o Senhor foi preparar para nós.
Jo 14,1-12 – O que será de nós ao deixarmos esta casa e este corpo? Não nos preocupemos. Jesus disse: “Na casa do meu Pai há muitas moradas”. Ele foi à frente preparar um lugar para todos nós. Acreditamos n’Ele e n’Ele temos a nossa esperança. Somos por isso capazes de fazer grandes obras neste mundo, que anunciem a grande obra do mundo futuro.
cônego Celso Pedro da Silva
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Crer em Jesus e segui-lo
Nos evangelhos sinóticos, Mateus, Marcos, Lucas, a última ceia de Jesus com os discípulos é resumida apenas nas narrativas do anúncio da traição de Judas e da benção do pão e a ação de graças sobre o cálice. O evangelista João narra esta ceia com cenas e longos diálogos que revelam a grande sublimidade deste último encontro com Jesus.
Toda ceia caracteriza-se como um momento de prazer de alimentar-se partilhado, na alegria e íntima comunhão de vida. O evangelho de João apresenta, não só o fim do ministério de Jesus, mas também o seu início, nas bodas de Cana, neste clima de alegria. Cinco dias antes desta última ceia, Jesus também participara da alegre ceia na casa de Lázaro, sendo ungido com perfume por Maria, a casa toda sendo tomada pelo odor agradável. Nesta última ceia, Jesus faz o seu gesto simples, até surpreendente, de lavar os pés dos discípulos. Em seguida Jesus menciona a expectativa de que seja traído. Esta menção cria um momento que causa certa perturbação nos corações dos discípulos. Jesus, então, procura tranqüilizá-los. Jesus está presente não só nos momentos de alegria, mas também nas provações.
Ele é o caminho que nos conduz à casa do Pai. Basta segui-lo, fieis à verdade e empenhados em servir, para que a vida desabroche plenamente, aberta ao eterno. Ele próprio, à frente de seus discípulos, vai para a casa do Pai. No antigo Êxodo, o povo hebreu oprimido, saiu do Egito, conduzido por Moisés. Agora Jesus conduz a saída de seu povo libertando-o da opressão das sinagogas e do Templo de Israel, para entrar na casa do Pai. O próprio Jesus é o caminho para a casa do Pai. Ele revela-nos o Pai, através de suas obras de amor e libertação. Crer em Jesus e segui-lo significa comprometer-se com as obras de Jesus, na fraternidade, na misericórdia e na justiça, com o que se abre o espaço para a morada do Pai e de Jesus em cada um, na comunidade.
Aos discípulos cabe dar continuidade a estas obras, em comunidades organizadas (primeira leitura), testemunhando e proclamando o amor libertador de Jesus.
José Raimundo Oliva
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À procura da palavra
“Quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará ainda maiores do que estas.” – Jo. 14,12
Os milagres próximos
Voltaram os jacarandás a encher de flores lilases o céu sobre as nossas cabeças. Será que outras cidades têm o privilégio desta “visita” a anunciar o verão? Lisboa parece pintada por Van Gog ali no Parque Eduardo VII, na avenida D. Carlos, na 5 de Outubro e noutras ruas e pequenos pátios. Parar para os contemplar é obrigatório! É um pequeno milagre oferecido de graça por entre a azáfama e o coração apertado.
Não é fácil falar de milagres. Há quem contemple tudo como milagre, descobrindo em cada coisa a maravilha da existência, e também quem o não faça, recusando qualquer dimensão sobrenatural naquilo que nos rodeia. À procura de milagres “salta-se” de igreja em igreja, de culto em culto. É verdade que o próprio Jesus, que realizou alguns milagres, recusou o título de “milagreiro”, tão do agrado de quantos vivem a relação com Deus na esperança destes “rebuçados” que vêm ao encontro dos seus desejos. Especialmente na cruz, tentado a uma saída espetacular e convincente, Jesus revela o milagre na fidelidade, no amor até ao fim. O seu caminho provoca-nos e interpela-nos.
Fui há dias ver o filme “Lourdes” de Jessica Hauser que, como o título indica, decorre à volta do santuário de Nossa Senhora de Lourdes e de um grupo de peregrinos nos quais se destaca Christine, uma jovem mulher com esclerose múltipla, presa a uma cadeira de rodas. É um filme denso, cuja realizadora diz não acreditar em milagres, mas ao mesmo tempo aberto ao mistério. Questiona uma certa linguagem “espiritual” à volta do sofrimento e do próprio Deus, cheia de “respostas feitas” ou de afirmações que não recolhem a dor de quem sofre. Tem presente o dilema de Epicuro sobre a bondade e onipotência de Deus aqui simplificado: se é bom não é onipotente pois então acabaria com o mal; se é onipotente não é bom, pela mesma razão. Abre-se à possibilidade de diálogo e de debate. Diálogo sobre os milagres e sobre Deus, sobre a fé e a graça, o sofrimento e a felicidade. Mas ninguém conte com um filme fácil!
A dúvida de Tomé e a pergunta de Filipe a Jesus são registro da procura constante que é o acreditar em Jesus. “Saber o caminho” e “ver o Pai” coincidem em Jesus. É Ele o maior milagre. A sua pessoa. A vida de comunhão que tem com o Pai e partilha conosco. Tudo o que diz e faz aponta para essa vida abundante. Vida que é criativa como mostra a “invenção” dos diáconos e dos muitos serviços da comunidade cristã na sua presença no mundo; vida que substitui os sacrifícios da antiga aliança pelo dom de cada um; vida que nos transforma e nos faz realizar obras maiores que as suas. Estamos atentos a estes milagres tão próximos de nós?
padre Vítor Gonçalves
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A liturgia deste domingo convida-nos a refletir sobre a igreja – a comunidade que nasce de Jesus e cujos membros continuam o “caminho” de Jesus, dando testemunho do projeto de Deus no mundo, na entrega a Deus e no amor aos homens.
O evangelho define a igreja: é a comunidade dos discípulos que seguem o “caminho” de Jesus – “caminho” de obediência ao Pai e de dom da vida aos irmãos. Os que acolhem esta proposta e aceitam viver nesta dinâmica tornam-se Homens Novos, que possuem a vida em plenitude e que integram a família de Deus – a família do Pai, do Filho e do Espírito.
A primeira leitura apresenta-nos alguns traços que caracterizam a “família de Deus” (Igreja): é uma comunidade santa, embora formada por homens pecadores; é uma comunidade estruturada hierarquicamente, mas onde o serviço da autoridade é exercido no diálogo com os irmãos; é uma comunidade de servidores, que recebem dons de Deus e que põem esses dons ao serviço dos irmãos; e é uma comunidade animada pelo Espírito, que vive do Espírito e que recebe do Espírito a força de ser testemunha de Jesus na história.
A segunda leitura também se refere à Igreja: chama-lhe “templo espiritual”, do qual Cristo é a “pedra angular” e os cristãos “pedras vivas”. Essa Igreja é formada por um “povo sacerdotal”, cuja missão é oferecer a Deus o verdadeiro culto: uma vida vivida na obediência aos planos do Pai e no amor incondicional aos irmãos.
1ª leitura – Atos 6,1-7 – AMBIENTE
A primeira leitura deste domingo pertence, ainda, à secção que apresenta o testemunho da Igreja de Jerusalém. No entanto, vão aparecer-nos pela primeira vez esses “helenistas” que irão ter um papel fundamental na ulterior expansão do cristianismo.
O nosso texto dá conta de um clima de alguma tensão entre os “hebreus” e os “helenistas”. Quem são estes grupos?
Trata-se, sempre, de membros da comunidade cristã de Jerusalém. Os “hebreus” são cristãos de origem judaica, originários da Palestina, que falam o aramaico, que lêem a Escritura em hebraico e que teriam sido convertidos pela pregação de Jesus e dos apóstolos. Continuam, no entanto, muito apegados às suas tradições e têm, normalmente, um alto apreço pela Lei e pelas interpretações dos rabis.
Os “helenistas” são cristãos de origem judaica, também, mas originários da “diáspora” israelita – isto é, das comunidades judaicas espalhadas por todo o império romano e, até, por fora dele. Falam o grego e lêem as Escrituras em grego. Residem em Jerusalém temporariamente. O seu contacto com outras realidades culturais torna-os, ordinariamente, mais tolerantes e abertos à novidade.
Com dois grupos tão diversos – quer do ponto de vista cultural, quer do ponto de vista religioso, quer do ponto de vista social – a integrar a mesma comunidade, era natural que, mais tarde ou mais cedo, surgissem tensões e conflitos. Aparentemente, aquilo que provoca a questão evocada no nosso texto é um problema de ordem material: na distribuição dos alimentos aos membros necessitados da comunidade, as viúvas helenistas sentiam-se prejudicadas. O fato provocou queixas, levando à intervenção dos líderes da comunidade. De qualquer forma, Lucas não entra em demasiados pormenores sobre a questão.

MENSAGEM
Na realidade, Lucas não está interessado em fornecer-nos pormenores de ordem histórica, mas antes em fornecer-nos um quadro teológico que nos permita conhecer o rosto da Igreja e entender a forma como ela se apresenta ao mundo. Nesta perspectiva, há quatro ideias fundamentais que o nosso texto nos propõe.
A primeira resulta do próprio fato relatado… A Igreja aparece, nesta história, não como um quadro ideal de perfeição, mas como uma comunidade bem real e bem normal, formada por homens e mulheres, onde as tensões, os preconceitos, as rivalidades, as invejas e os ciúmes marcam a experiência diária de caminhada. Isto não deve assustar-nos ou decepcionar-nos: resulta das limitações e finitude que também fazem parte da nossa existência histórica. A igreja não é uma comunidade de homens e mulheres perfeitos; mas é uma comunidade que está – ou tem de estar – em contínuo processo de conversão, ao longo de cada passo da sua caminhada na história.
A segunda diz respeito à estrutura hierárquica e ao modo de exercer (na Igreja) o serviço da autoridade. Não há dúvida que Lucas conhecia, já, uma estrutura hierárquica em que os Doze desempenhavam o serviço da orientação e da direção da comunidade. Por isso, eles aparecem na nossa história como as referências fundamentais, a quem os membros da comunidade recorrem, a fim de resolver a questão das diferenças entre os vários grupos. De qualquer forma, fica a impressão, pelo desenrolar da ação, que os Doze não estão interessados em esquemas de poder absoluto; antes, procuram envolver a comunidade no processo, fazendo com que todos participem na procura de soluções para os problemas comuns.
A terceira revela a igreja como uma comunidade de serviço. Fala-se na escolha de sete homens “cheios do Espírito Santo”, cuja missão é o serviço das mesas. Na verdade, estes “sete” aparecem, noutros episódios, mais ligados ao serviço da Palavra do que ao serviço das mesas (é possível que estes “sete” – todos com nomes gregos – sejam os dirigentes da comunidade cristã judeo-helenística e que Lucas tenha fundido duas tradições diversas: a dos pregadores e dirigentes do grupo helenista, com a dos escolhidos para uma função propriamente diaconal, de serviço e ministério assistencial). De qualquer forma, nada invalida esta verdade fundamental: a comunidade cristã é uma realidade que tem no centro da sua dinâmica o serviço – seja o serviço da Palavra, seja o serviço de assistência aos irmãos mais pobres. É impensável uma comunidade cristã onde não esteja bem viva esta dimensão diaconal.
A quarta tem a ver com o papel relevante que o Espírito desempenha nas “crises” de crescimento que fazem parte da caminhada comunitária. O Espírito aparece ligado, seja à vocação (dos que são chamados a exercer a diaconia – cf. At. 6,3), seja à missão (o gesto de impor as mãos pode significar, quer a escolha para um serviço comunitário, quer a invocação do Espírito para que eles possam concretizar a missão que lhes foi confiada). De qualquer forma, a Igreja é a comunidade do Espírito, criada, animada e dinamizada pelo Espírito.
O nosso texto termina com um pequeno sumário (cf. At. 6,7) cujo objetivo é assinalar o avanço irresistível da Boa Nova, por ação dos discípulos de Jesus, animados pelo Espírito.
ATUALIZAÇÃO
• É difícil encontrarmos, no nosso tempo, uma realidade que suscite tantas paixões e ódios como a Igreja: uns defendem-na intransigentemente, justificando até as falhas mais injustificáveis, outros atacam-na cegamente, culpando-a de todos os males do mundo.
Uns e outros deviam ter presente que se trata de uma comunidade que vem de Jesus e é animada pelo Espírito, mas formada por homens; que ela é a testemunha no mundo do plano de salvação de Deus, mas é também (dada a sua faceta humana) uma realidade “a fazer-se”, em contínuo processo de conversão. Os homens do nosso tempo devem exigir que a Igreja seja fiel à sua missão no mundo; mas devem também compreender as suas falhas, dificuldades e infidelidades.
• A comunidade cristã referida no nosso texto leva-nos a uma época muito recuada, em que as estruturas não estavam ainda definidas e organizadas; mas, no quadro que Lucas nos propõe, há já irmãos investidos do serviço da autoridade (os doze), que são ponto de referência quando surgem questões e problemas. Os doze, no entanto, não reservam para si toda a autoridade, nem aceitam ser os únicos protagonistas no processo de condução da comunidade… De acordo com o quadro que nos é apresentado, eles convocam a comunidade, convidam-na a escolher as pessoas a quem devem ser confiados certos serviços, envolvem-na na busca do caminho. Infelizmente, ao longo dos séculos esquecemos, muitas vezes, esta dinâmica: a Igreja foi muitas vezes apresentada como uma sociedade de desiguais, onde uns mandam e outros obedecem em silêncio. É preciso redescobrir o valor do diálogo e da participação, na Igreja. Não se trata de discutir se a igreja deve ou não ser uma sociedade democrática; trata-se de termos consciência de que somos uma família onde todos temos voz, porque em todos habita o mesmo Espírito; trata-se de potenciar mecanismos de escuta, de diálogo e de participação, a fim de que a Igreja seja uma família, onde todos participam na descoberta dos caminhos do Espírito.
• Desde o início, a Igreja aparece como uma comunidade de serviço: os membros da comunidade cristã são convidados a seguir Jesus, que fez da sua vida uma entrega total ao serviço de Deus, ao serviço do Reino e ao serviço dos homens. Quando Deus concede determinados dons e confia determinadas missões, não se trata de privilégios que conferem à pessoa mais dignidade ou mais importância: trata-se de dons que devem ser postos ao serviço da comunidade, em ordem à construção da comunidade. As missões que nos são confiadas no âmbito comunitário não podem ser utilizados para promoção pessoal ou para concretizar sonhos egoístas; mas devem ser missões que desempenhamos com verdadeiro espírito de serviço, em benefício dos irmãos.

2ª leitura: 1 Pedro 2,4-9 – AMBIENTE
Há já algumas semanas que a Primeira Carta de Pedro acompanha a nossa caminhada litúrgica. Já sabemos, portanto, que ela se destina a comunidades cristãs de certas zonas rurais da Ásia Menor; essas comunidades são maioritariamente formadas por cristãos de classes sociais baixas, vulneráveis à hostilidade do mundo que os rodeia, para quem se aproximam tempos muito difíceis (por causa das perseguições que se adivinham). Estamos no final do século I (talvez no final da década de 80).
O autor recorda aos destinatários da carta o exemplo de Cristo, que passou pela cruz, antes de chegar à ressurreição. Toda a carta é um convite à esperança: apesar dos sofrimentos do tempo presente, os crentes não devem desanimar, pois estão destinados a triunfar com Cristo. Pede-se-lhes que enfrentem corajosamente as adversidades e que viam com fidelidade o seu compromisso batismal.
O texto que nos é proposto faz parte de uma secção parenético-doutrinal (cf. 1Pe. 2,1-10), que tem como finalidade exortar os cristãos a crescer na fé, de forma a chegarem à salvação.
MENSAGEM
A imagem determinante deste texto é a da “pedra” (vs. 4.5.6.7.8), que é usada, sobretudo, referida a Cristo.
A imagem leva-nos a Is. 28,16, onde se refere ao novo Templo que o próprio Jahwéh, no futuro, vai construir e que será um sinal da intervenção de Deus em favor do seu Povo. Isaías anuncia que Deus vai colocar em Sião uma pedra, provada, angular, de alicerce, que terá uma inscrição: “quem nela se apoia, não vacila”. A imagem (retomada pelo Sl. 118,22) adquire, no judaísmo tardio, uma conotação messiânica: o “Messias” será essa pedra, sobre a qual Deus vai construir a sua intervenção salvadora na história, em favor do seu povo.
O autor da Primeira Carta de Pedro aplica esta imagem a Cristo. Cristo é essa pedra escolhida, preciosa, viva (alusão à ressurreição, significa, também, que é dela que brota vida para o povo de Deus), sobre a qual Deus fundamenta a sua intervenção salvadora em favor dos homens.
Os cristãos são convidados a aproximar-se de Cristo (isto é, a aderir à sua proposta, a segui-l’O no caminho do dom da vida, a cimentarem a sua comunhão com Ele) e a entrar na construção do edifício de Cristo – um edifício espiritual, cujo fim é “oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus” (v. 5). No antigo Templo de Jerusalém – construído com pedras materiais – ofereciam-se sacrifícios de animais para expressar a comunhão do Povo com Jahwéh; mas, no novo Templo (que tem Cristo como pedra angular e os cristãos como pedras vivas, ligadas a Cristo), oferecer-se-ão sacrifícios espirituais: uma vida santa, vivida na entrega a Deus e no dom aos irmãos. Os membros desta “construção” serão um povo de sacerdotes, que diariamente oferecerão a Deus aquilo que têm de mais precioso: a sua vida e o seu amor.
Esta “construção” será rejeitada pelos homens (alude-se, aqui, à paixão e morte de Jesus; alude-se, também, às dificuldades que os crentes em geral e os destinatários da carta em particular encontram na vivência e no testemunho da sua fé); mas, para Deus, esta comunidade/Templo será uma “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus para anunciar os louvores” (vers. 9). A citação leva-nos a Ex. 19,5-6, onde se refere à comunidade da “aliança”: o seu uso neste contexto significa que, agora, apesar da rejeição do mundo, os cristãos são a comunidade da “nova aliança”, o povo que Deus libertou, que Deus conduziu da escravidão para a liberdade e a quem Deus encarregou de testemunhar diante do mundo o seu projeto de salvação.
ATUALIZAÇÃO
• Depois de dois mil anos de cristianismo, parece que nem sempre se nota a presença efetiva de Cristo nesses caminhos em que se constrói a história do mundo e dos homens. O verniz cristão de que revestimos a nossa civilização ocidental não tem impedido a corrida aos armamentos, os genocídios, os atos bárbaros de terrorismo, as guerras religiosas, o capitalismo selvagem… Os critérios que presidem à construção do mundo estão, demasiadas vezes, longe dos valores do Evangelho. Porque é que isto acontece? Podemos dizer que Cristo é, para os cristãos, a referência fundamental? Nós cristãos fizemos d’Ele, efetivamente, a “pedra angular” sobre a qual construímos a nossa vida e a história do nosso tempo?
• Os cristãos são “pedras vivas” de um “templo espiritual” do qual Cristo é a “pedra angular”. A imagem traduz a realidade de uma comunidade que se junta à volta de Cristo, que vive em união com Ele, que comunga do seu destino, que assume totalmente o seu projeto. A esta comunidade chama-se Igreja… Sinto-me pedra integrante deste “edifício”? Procuro, todos os dias, limar as arestas que me impedem de aderir – de forma mais plena – a Cristo? Procuro, todos os dias, revitalizar o “cimento” que me une às outras pedras do edifício – os meus irmãos?
• As “pedras vivas” do Templo do Senhor formam um Povo de sacerdotes, cuja missão é viver uma vida coerente com os compromissos assumidos no dia do Batismo – isto é, viver (como Cristo) na entrega a Deus e no amor aos irmãos. Quais são os “sacrifícios” que eu procuro entregar a Deus, todos os dias? A minha “oferta” a Deus é um conjunto de ritos desligados da vida (por mais sagrados que sejam) ou é a vivência do amor, nos gestos simples do dia a dia?
• Neste texto há ainda um convite a não ter medo da incompreensão do mundo. O próprio Cristo foi rejeitado pelos homens; mas a sua fidelidade aos projetos do Pai fizeram d’Ele a “pedra angular” da construção de Deus. É esse exemplo que devemos ter diante dos olhos, quando doer mais a incompreensão do mundo.

Evangelho – Jo. 14,1-12 - AMBIENTE
Estamos na fase final da caminhada histórica do “Messias”. Até este momento, Jesus cumpriu a sua missão em confronto aberto com os dirigentes judeus. Precisamente o último e mais importante dos seus “sinais” – a ressurreição de Lázaro – levou o Sinédrio a decidir matá-l’O (cf. Jo. 11,45-54). Jesus está consciente de que a morte está no seu horizonte próximo.
O ambiente em que este trecho nos coloca é o de uma ceia de despedida. Nessa ceia (realizada na quinta-feira à noite, pouco tempo antes da prisão, na véspera da morte), estão Jesus e os discípulos. No decurso da ceia, Jesus despede-Se dos discípulos e faz-lhes as suas últimas recomendações. As palavras de Jesus soam a “testamento” final: Ele sabe que vai partir para o Pai e que os discípulos vão continuar no mundo.
Os discípulos, da sua parte, já perceberam que o ambiente é de despedida e que, daí a poucas horas, o seu “mestre” lhes vai ser tirado. Estão inquietos e preocupados. A aventura que eles começaram com Jesus, na Galileia, terá chegado ao fim? Essa relação que eles construíram com o “mestre” irá morrer? Os discípulos não sabem o que vai acontecer nem que caminho vão, a partir daí, percorrer. Sobretudo, não sabem como é que manterão, após a partida de Jesus, a sua relação com Ele e com o Pai.
É neste contexto que podemos situar as palavras de Jesus que o Evangelho de hoje nos apresenta.
MENSAGEM
A catequese desenvolvida pelo autor do quarto evangelho, neste diálogo de Jesus com os discípulos, é de uma impressionante densidade teológica. Fundamentalmente, trata-se de uma catequese sobre “o caminho”: o “caminho” que Jesus percorreu e que é o mesmo “caminho” que os discípulos são convidados a percorrer. Vamos tentar esmiuçar o conteúdo e pôr em relevo os pontos fundamentais.
O plano de salvação de Deus passa por estabelecer com os homens uma relação de comunhão, de familiaridade, de amor. Por isso, Jesus veio ao mundo: para tornar os homens “filhos de Deus” (“aos que O receberam, aos que crêemn’Ele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” – Jo. 1,12).
Como é que Jesus concretizou esse projeto? Ele “montou a sua tenda no meio dos homens” (Jo. 1,14) e ofereceu aos homens um “caminho” de vida em plenitude: mostrou aos homens, na sua própria pessoa, como é que eles podem ser Homens Novos – isto é, homens que vivem na obediência total aos planos do Pai e no amor aos irmãos. Viver desse jeito é viver numa dinâmica divina, entrar na intimidade do Pai, tornar-se “filho de Deus”.
Na ceia de despedida a que o nosso texto se refere, Jesus sente que está a começar o último ato da missão que o Pai lhe confiou (criar o homem novo). Falta oferecer aos discípulos a última lição – a lição do amor que se dá até a morte; falta também o dom do Espírito, que capacitará os homens para viverem como Jesus, na obediência a Deus e na entrega aos homens. Para que esse último ato se cumpra, Jesus tem de passar pela morte: tem de “ir para o Pai”. Ao dizer “vou preparar-vos um lugar” (vers. 2b), Jesus sugere que tem de ir ao encontro do Pai, para que os homens possam (pela lição do amor e pelo dom do Espírito) fazer parte da família de Deus.
Nessa família, há lugar para todos os homens (“na casa de meu Pai há muitas moradas” – v. 2a): basta que sigam “o caminho” de Jesus – isto é, que escutem as suas propostas e que aceitem viver como Homens Novos, no amor e no dom da vida. A “casa do Pai” é a comunidade dos seguidores de Jesus (a igreja).
Qual é o “caminho” para chegar a fazer parte dessa família de Deus? – perguntam os discípulos (eles foram testemunhas da vida que Jesus levou e, portanto, conhecem de cor o “mapa” desse “caminho”; mas continuam a recusar-se a acreditar que o dom da vida seja um caminho obrigatório para fazer parte da família de Deus – vs. 4-5).
A resposta é simples… O “caminho” é Jesus (vers. 6): é a sua vida, os seus gestos de amor e de bondade, a sua morte (dom da vida por amor) que mostram aos homens o itinerário que eles devem percorrer. Ao aceitarem percorrer esse “caminho” de identificação com Jesus, os homens estão a ir ao encontro da verdade e da vida em plenitude. Quem aceita percorrer esse “caminho” de amor, de entrega, de dom da vida, chega até ao Pai e torna-se – como Jesus – “filho de Deus”.
Mais: ao identificarem-se com Jesus, os discípulos estabelecem uma relação íntima e familiar com o Pai, porque o Pai e Jesus são um só (vs. 7-12). O Pai está presente em Jesus. Quem adere a Jesus e estabelece com Ele laços de amor, já faz parte da família do Pai, porque Jesus é o Deus que veio ao encontro dos homens: as obras de Jesus são as obras do Pai; o seu amor é o amor do Pai; a vida que Ele oferece é a vida que o Pai dá aos homens.
Em conclusão: os discípulos de Jesus têm de percorrer um “caminho”, até chegarem a ser família de Deus. Esse “caminho” foi traçado por Jesus, na obediência a Deus e no amor aos homens. É no final desse “caminho” que os discípulos – tornados homens novos – encontrarão o Pai e serão integrados na família de Deus.
No entanto, Jesus não é somente o modelo do “caminho”; ao mesmo tempo, Ele oferece como dom a força, a energia (o Espírito) para que o homem possa percorrer “o caminho”. É o Espírito do Senhor ressuscitado que renova e transforma o homem, no sentido de o levar, cada dia, a tornar-se homem novo, que vive na obediência a Deus e no amor aos irmãos. Desta dinâmica, nasce a comunidade de Homens Novos, a família de Deus, a igreja.
ATUALIZAÇÃO
• A igreja é essa comunidade de homens novos, que se identifica com Jesus que, animada pelo Espírito, segue “o caminho” de Jesus (caminho de obediência aos planos do Pai e de dom da vida aos irmãos), que procura dar testemunho de Jesus no meio dos homens e que é a “família de Deus”. No dia do nosso batismo, fomos integrados nesta família… A nossa vida tem sido coerente com os compromissos que, então, assumimos? Sentimo-nos “família de Deus”, ou deixamos que o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência falem mais alto e escolhemos caminhar à margem desta família? É verdade que esta família tem falhas, e é verdade que nem sempre encontramos nela humanidade e amor. Que fazemos, então: afastamo-nos, ou esforçamo-nos para que ela viva de forma mais coerente e verdadeira?
• Falar do “caminho” de Jesus é falar de uma vida dada a Deus e gasta em favor dos irmãos, numa doação total e radical, até à morte. Os discípulos são convidados a percorrer, com Jesus, esse mesmo “caminho”. Paradoxalmente, dessa entrega (dessa morte para si mesmo) nasce o homem novo, o homem na plenitude das suas possibilidades, o homem que desenvolveu até ao extremo todas as suas potencialidades. É esse “caminho” que eu tenho vindo a percorrer? A minha vida tem sido uma entrega a Deus e doação aos meus irmãos? Tenho procurado despir-me do egoísmo e do orgulho que impedem o homem novo de aparecer?
• A comunhão do crente com o Pai e com Jesus não resulta de momentos mágicos nos quais, através da recitação de certas fórmulas ou do cumprimento de certos ritos, a vida de Deus bombardeia e inunda incondicionalmente o crente; mas a intimidade e a comunhão com Jesus e com o Pai estabelecem-se percorrendo o caminho do amor e da entrega, em doação total a Deus e aos irmãos. Quem quiser encontrar-se com Jesus e com o Pai, tem de sair do egoísmo e a fazer da sua vida um dom a Deus e aos homens.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho - www.ecclesia.pt
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Nestas últimas semanas, a liturgia fez-nos reler os textos que anunciam a ressurreição de Jesus e contam como foram mudadas as vidas dos discípulos. Hoje, regressa à última ceia para meditar na conversa da despedida (Jo. 14,1-12).
Depois do lava-pés, o Senhor anuncia que vai partir. Vai seguir o seu caminho, caminho de fidelidade ao Pai e aos homens, caminho que o levará à cruz. Tinha dito a Pedro: “Para onde Eu vou, não podes seguir-me por agora; seguir-me-ás mais tarde” (13,36). Diz neste momento a todos: “E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho”. Claro que somos tentados a dizer, como Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais, não sabemos o caminho! Mas Jesus é desconcertantemente simples e teimoso. Quantas vezes explicou, a eles e a nós, que o caminho é a fidelidade: é dizer “não” à injustiça, ao ódio, a toda a mentira, é dizer “sim” à fraternidade e ao serviço dos pobres, é “lavar os pés” aos irmãos! A esse respeito já disse tudo, não tem mais a dizer.
Faz uma promessa: Virá, um dia, buscar cada um de nós, “a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também”. A propósito, afirma que na casa do Pai há muitas moradas. Na interpretação habitual, isto significa que há no céu lugar para todos os que Ele chamou. Um comentador recente lê o texto de outro modo. Claro que o céu não é uma má estalagem com falta de lugares, nem valia a pena desfazer essa dúvida. O que Jesus está a dizer é que, no reino que já teve início, há muitas maneiras de ser fiel: o caminho do amor tem de ser vivido nas condições concretas da vida de cada um.
Filipe continua com as nossas interrogações: Mas Deus é tão difícil… Mostra-nos o Pai! A resposta de Jesus, ou é verdadeira, ou é a palavra dum louco: “Filipe, quem me vê, vê o Pai”. Nós acreditamos que é a resposta verdadeira. O Pai diz-se eternamente no Filho, e enviou à Terra o Filho feito homem para nos revelar o seu mistério e nos salvar dos nossos pecados. O “intelectual” que pretendesse ir diretamente ao Pai seguiria por caminho errado. Deus revela-se no rosto e no caminho de Jesus. Nomeadamente, e sobretudo, no caminho que passa pelo Calvário. (Ler, a propósito, o muito notável livro sobre a Madre Teresa de Calcutá, edAletheia, 2008).
A primeira leitura (At. 6,1-7) narra um episódio aparentemente banal. A comunidade cristã de Jerusalém era feita de judeus convertidos. Mas havia os judeus que tinham vivido sempre na Palestina e eram seguidores ferrenhos de todas as tradições, e havia os “helenistas”, judeus que viajavam pelo estrangeiro, falavam grego e eram mais “progressistas”. Entre eles há muito existia um conflito latente, e a conversão a Jesus não tinha apagado todas as tensões. Neste momento, os helenistas queixam-se de que os seus pobres estão a ser menos ajudados que os pobres do outro grupo. Os apóstolos reagem pedindo à comunidade que indique sete homens “de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” para tratarem destes assuntos. É uma atitude sensata de descentralização. Os apóstolos “impõem as mãos sobre eles”. Apesar deste rito, não é totalmente óbvio que estes sete homens tenham sido “ordenados” diáconos. O que certamente pode dizer-se é que, quando os diáconos foram instituídos, porventura por volta do ano 80, a igreja prosseguiu nesta atitude descentralizadora.
A segunda leitura (1Pd. 2,4-9) parece ser uma exortação de são Pedro, dirigida às comunidades da Ásia Menor fundadas por são Paulo, as quais estavam agora sujeitas a vexames e perseguições. Retomando idéias do Antigo Testamento e de são Paulo, recorda que Cristo é a pedra angular, sobre a qual se constrói a Igreja, ela mesma constituída por pedras vivas. Quanto a eles, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus. Tanto, quanto os cristãos oriundos do judaísmo.
padre João Resina
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