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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* 3ª semana da Páscoa – 04 - maio - 2014


A Confiança aumenta (Lucas 24,13-35- a caminho de Emaús)

·                  Na Páscoa lemos: as primeiras testemunhas de Cristo vivente foram duas ou três mulheres além de dois dos Onze. Viram (ainda tristes e confusos) um túmulo vazio. Era o “primeiro dia da semana”. No domingo seguinte o texto lido descrevia o medo dos que se escondiam para escapar da mesma morte do seu mestre. O grande escritor joanino indicou o tema do ver para crer e do crer sem ver, aos 8 dias depois do primeiro encontro com o mestre.
·                  Neste 3º, por outro redator – Lucas, sabemos da “experiência” vivida por outras duas testemunhas no mesmo primeiro dia da semana, terceiro depois da paixão. Fazem parte do primeiro grande grupo de testemunhas que, como nós, também levam tempo para “entender” o encontro com Cristo vivo. Quando “caiu a ficha”, “na mesma hora se levantaram e voltaram” para onde estavam “reunidos os Onze” e muitos outros, os quais lhes “confirmaram: ‘Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!’. Então, os dois contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão”.
·                  Outros textos para hoje são: Atos 2,14.22-33(36-41 no Lecionário Comum); da 1ª Carta de Pedro, cap.1,17-21(17-23 no LCR). Os ortodoxos em sua liturgia bizantina fazem memória das mulheres “mirróforas”(“as que levam os óleos” - para ungir o corpo). Eles dão um destaque especial (sem correspondente nas liturgias ocidentais) às mulheres que iam completar o ritual do sepultamento quando mensageiros as encarregaram de dar a boa notícia aos apóstolos (ainda procuravam entre os mortos quem estava vivo). Um hino da liturgia oriental canta: O Anjo disse às piedosas mulheres Mirróforas: ‘Óleos de mirra servem para mortos, mas Cristo é incorruptível; então cantem: o Senhor ressuscitou, e deu ao mundo a grande misericórdia’.

Maria chorou, Pedro silenciou, Tomé duvidou

·                  Os dois que percorriam os 11 km da capital até Emaús naquele domingo, também não leram atentamente a Palavra. Mas estavam no caminho, embora desanimados e tristes. Esse o problema: frustrados porque faliu o projeto do “Reino” anunciado por Jesus de Nazaré.
·                  Todo mundo tem de caminhar pelas estradas da vida, mas eles estavam particularmente depois do trágico final de quem pensavam ser o seu “Messias”. O “Ungido” (meshiá em hebraico, christós em grego), porém, caminhava, vivo, a seu lado. Mas não podiam reconhecê-lo, pois estavam “como que cegos”. Nós, como eles – parece que só sabemos conversar, conversar e conversar, sem encontrar respostas (“enquanto conversavam e discutiam o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles”). Normalmente não temos uma explicação ou resposta para nossas decepções e frustrações. Ora, todo mundo experimenta a frustração. Para uns será um acontecimento trágico; para outros, um casamento interrompido; o emprego perdido, doenças, a morte de entes queridos; circunstâncias que alteram planos antigos, projetos não realizados. Desde criança sabemos o que é uma frustração, quando, por exemplo, um passeio organizado na escola foi cancelado por causa da chuva... A Escola, aliás, é “mestra” em causar “frustração” quando tudo fica na base da nota ou se induz a pensar que a grande meta na vida é o Vestibular ou a Facudade.

Fazendo da conversa uma oração
·                  O Nazareno, como diz o texto, caminha ao lado. Essa é a pedagogia da oração onde as palavras podem ser: de que você está falando? O que foi que aconteceu? Só Você é o único que não sabe de nada? Às vezes a oração expõe nossos preconceitos machistas ou não: “é verdade que algumas mulheres”... embora, “alguns dos nossos” de fato “encontraram as coisas como as mulheres tinham dito”... Outras vezes a oração expõe nossas descrenças: (andaram vendo anjos e) “disseram que ele está vivo”... “a ele, porém, ninguém viu”; e – sem enxergar um palmo à frente do nariz: “não o reconheceram”. Mas é na oração que podemos falar abertamente de tristezas e frustrações (afasta de mim este cálice! Meu Deus por que me abandonaste?). Podemos “insistir” (na narrativa de Lucas um verbo grego significa: “eles o constrangeram por súplicas”; e disseram: “fica conosco” porque ”a noite está caindo”. Quantas vezes a escuridão cai literalmente sobre nós?.

Ouvir a Palavra e repartir o Pão
·                  A “resposta” virá com ajuda e iluminação da Palavra ( agente semp´re pensa que já sabia). Somos “sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram”. É preciso alguma “inteligência” (= leitura, coleta interior), compreender à luz da Palavra. O mestre, diz nosso texto, explicava “começando por Moisés e passando pelos profetas”. Comecemos, então, meditando os preceitos básicos da vida humana e dos direitos humanos. Respeito aos pais e ao outro e à vida. Superação do descontrole (inveja, ganância, corrupção, alucinação pelo delírio da riqueza, poder ou drogas). Afastamento da fofoca,. da calúnia, do testemunho falsificado, da religião feita mercadoria “pirata” para enganar os aflitos – reduzida a “milagres” na TV e à “troca” e comércio de favores com Deus (carnês, dízimos e “ofertas”).
·                  Depois de reler Moisés: escutar os profetas, estes visionários indignados pelo nome de Deus usado em vão, pela prática social da injustiça, pelo esquecimento dos mais pobres e famintos e dos expulsos na guerra e no desemprego. O Profeta grita que verá a “glória” (dizemos agora: a ressurreição) quem reconhece o rosto do Criador nas criaturas.
·                  Os olhos dos “frustrados” se abriram ao ver o Mestre partindo e repartindo o pão. Se no caminho chegaram à “inteligência” da Palavra, pela explicação do Mestre, agora, entram em casa, e – à mesa – reconhecem o Cristo vivo no partir e repartir o pão (um costume permitia privilegiar o hóspede com a presidência da bênção do pão nas refeições). E os dois contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão (verso 35).

Vós me ensinais vosso caminho para a vida (do Salmo do dia – Sl 16)
·                  “Experimentar” a presença do ressuscitado é algo único, indizível, mas pode ser “vivido” (A.Gilbert). Conseguir transformar em aprendizagem as nossas frustrações em lutas da vida só é possível na oração que se alimenta da Palavra meditada e do repartir o pão da solidariedade. Então poderemos andar de volta os 11 kilômetros que faltam para “voltar a Jerusalém” e aí reencontrar nossa comunidade de fé. Dali partiremos de novo (cf. Atos dos Apóstolos) para levar esperança à grande Comunidade Humana, nossos companheiros de estrada.

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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

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