.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* 6ªsemana da Páscoa(25a31)– 25 de maio 2014

oração ecumênica

Encontro histórico para o cristianismo no Oriente e no Ocidente
·                  O calendário das Igrejas ortodoxas celebra este 6ºdomingo depois da Páscoa como o ”Domingo do Cego de nascença” (leituras: Atos 16,16-34/2cor4,6-15; Jo 9: 1-38). Os ortodoxos que não estão ligados a outras Igrejas “autocéfalas” (independentes) e ”autônomas” (semi-independentes) estão ligados ao mais historicamente importante: o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla (hoje Istambul). Neste 25 de maio de 2014, o Patriarca Bartolomeu e o Papa católico Francisco encontram-se na igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém. A reunião comemora os 50 anos, do primeiro abraço depois de quase mil anos, entre o Patriarca Atenágoras e o então papa Paulo VI. Marcando o início de nova era para o relacionamento fraterno entre as Igrejas de Roma e de Constantinopla (ou entre o Catolicismo e a Ortodoxia em geral) aquele de reconciliação (janeiro de 1964) resultou na oficialização (dez. de 1965) da suspensão das mútuas excomunhões dadas no início do século 11 (em 1054 o papa Leão IX e o Patriarca Miguel Cerulário excomungavam-se uma ao outro e a data marcou a primeira grande divisão na Cristandade). Esta quebra da unidade histórica era fruto de controvérsias teológicas e políticas, além do conflito de poderes na relação de cada uma das maiores Igrejas do primeiro milênio cristão, com os respectivos imperadores de Bizâncio e do Ocidente.
·                  Roguemos ao Espírito de Deus que o diálogo entre as duas mais antigas Tradições do Cristianismo se amplie na fraternidade entre os grupos divididos de cristãos e chegue à tolerância e respeito entre religiões também não cristãs. Que expressões (frequentes em em  declarações católico-ortodoxas de 1964 (“diálogo de amor”, “diálogo de verdade”) se traduzam em esforços para superação de sofrimentos da humanidade e para crescimento espiritual dos povos, como se lê no site do Patriarcado Ecumênico: o espírito de amor fraternal e mútuo respeito substitui o antigo, de polêmica e suspeição. Que este encontro seja a confirmação simbólica do compromisso de continuar o caminho inaugurado há meio século por dois líderes de duas grandes Igrejas, para haver um testemunho de fidelidade à verdade do Evangelho, tal como a nós foi transmitido pelos grandes Pais da Igreja (cf apostolicpilgrimage.org).

Diálogo entre Igrejas e diálogo inter-religioso
·                  O desejo de que o diálogo cresça entre as Tradições cristãs fortifica-se, de modo particular, na preparação das comemorações dos 500 anos (2017) do movimento da Reforma, da qual se originaram diversas Igrejas chamadas posteriormente pelo nome genérico de protestantes. O Conselho para promoção da Unidade dos Cristãos (órgão da Cúria Romana) tem participado (e promovido) de muitos encontros com representantes de várias Igrejas cristãs e de outras religiões. Em outubro de 1999 uma Declaração Conjunta sobre a doutrina da foi emitida pela Igreja Católica e pela Federação Luterana Mundial. A mesma foi endossada em 2006 pelo Conselho Metodista Mundial (representando 132 países e 75 milhões de cristãos).
·                  Em longa exposição esta Declaração Conjunta mostra o que é comum entre as duas Tradições na compreensão da Justificação pela Fé e pela Graça; reconhece diferentes ênfases em cada Igreja sobre o tema e que há outras questões para ulterior debate e aprofundamento: (ver o final do documento, nº40) a Declaração Conjunta mostra que entre luteranos e católicos existe um consenso em verdades básicas da doutrina da justificação e, à luz deste consenso aceitam-se as diferenças remanescentes na terminologia, na articulação teológica e na ênfase da compreensão (...) as formas distintas pelas quais luteranos e católicos articulam a fé na justificação estão abertas uma para a outra e não anulam o consenso nas verdades básicas.
·                  Recentemente (2013) a Comissão internacional formada por representantes católicos e luteranos publicou (disponível no site do Vaticano em alemão, inglês e italiano) um Relatório de suas reuniões intitulado “Do conflito à comunhão. Comemoração comum luterana-romano católica da Reforma em 2017”. Em seu Prefácio os dois co-presidentes (um bispo católico, um bispo emérito luterano) afirmam: Em 2017 devemos confessar abertamente que somos culpados diante de Cristo de ter quebrado a unidade da Igreja. Este ano jubilar apresenta-nos dois desafios: a purificação e cura das memórias, e a restauração da unidade dos cristãos segundo a verdade do Evangelho de Jesus Cristo (cf. Ef 4, 4-6).

O Diálogo nas leituras de hoje
·                  No livro dos Atos 8,5-8.14-17 (no LCR=At 17,22-31) o diácono Felipe leva o anúncio do evangelho para outra região fora do território judaico. Começa um entendimento novo do cristianismo: caminhar para além das fronteiras da própria religião. Esse é o espírito de diálogo próprio da fé cristã que não a reduziu à mera condição de uma religião a mais. Na 1ª carta (1Pd 3,15-18 – o LCR os versos estendem-se até o 22) Pedro também escreve nesse mesmo sentido: a todos devemos responder, quando nos pedem, quais são as razões de nossa esperança. Aí também está indicado que o objetivo não é fazer proselitismo, nem praticar uma religião em atitude de “triunfalismo”. As atitudes serão: mansidão, respeito e boa consciência. A pessoa de Fé aprende com uma das primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus quais são as características do Diálogo. Um diálogo que vai além do ecumenismo (movimento de diálogo entre Tradições dentro do Cristianismo) ao propor uma disposição para dar testemunho de vida a todo aquele que pedir as razões de nossa esperança.
·                  Em João 14,15-21 um pequeno trecho do longo discurso, que o evangelista coloca como testamento de despedida de Jesus na última ceia, enfatiza para os discípulos que o crer implica atitudes de permanecer na guarda dos seus mandamentos. O Mestre não se refere aqui aos 10 mandamentos da Lei (estes constituem um “mínimo” necessário à humanidade para garantir vida digna para todos). Aqui se trata da novidade da Boa Notícia (evangelho): o dom da vida definitiva, na qual se inclui a esperança da ressurreição, tema pascal. O Mestre promete não abandonar os seus, mesmo no retorno para junto da invisibilidade do Pai, enviando seu Espírito, o que fora anunciado pelos profetas. Isaías, Joel e Ezequiel diziam que o Espírito seria derramado “sobre toda carne” (sobre todos os vivos) na “plenitude dos tempos”.
·                  A generosidade de Deus está no interior de cada ser humano, pois ele é Criador e Redentor. Ele chega aos que não conviveram com Jesus histórico pelo seu Espírito a qual deu no nome de Paráclito. O termo, de origem grega, inclui na tradução diversos sentidos: advogado, defensor, intercessor, consolador. Pela Fé toca-se o Mistério de sua presença silenciosa. Nele as pessoas encontram Esperança de viver na paz e no amor neste mundo e não passar por uma “segunda morte” (cf. Apocalipse) mas ressuscitar para a vida sem fim.
·                  Em oração de intercessão lembremo-nos especialmente dos que mais necessitam ser consolados para resistir na esperança: os que sofrem a violência de catástrofes naturais, como as famílias dos mineiros na Turquia, os desabrigados pelas enchentes na Sérvia e países vizinhos; os que tremem pelas guerras e perseguições como na Síria, Sudão, Nigéria (“bring back our girls” – devolvam nossas meninas), Venezuela; os que vivem no medo dos conflitos econômicos ou religiosos como iraquianos, israelenses e palestinos. Muitos, também perto de nós, são afligidos por doenças, desemprego, dificuldades financeiras, conflitos familiares, preconceitos sociais, prisões sem julgamento, sequestros e homicídios. Oremos como Cristo rogou ao Pai: eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece.

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário