.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*                          ASCENSÃO 1º de junho 2014

Calendários, liturgias e feriados
·                  O calendário ortodoxo celebra o 7ºdomingo depois da Páscoa, assim como as Igrejas que seguem o Lecionário Comum, ficando inalterada a festa tradicional na Quinta-feira da Ascensão, dia 28. As leituras na ortodoxia são: At 20, 16-18; 28-36; Jo 17, 1-13 e no LCR são: At 1,6-14; 1Pd 4,12-14.5,6-11; Jo 17,1-11. O calendário católico em vários países também conserva a data da Quinta-feira da Ascensão.
·                  No os feriados nacionais incluem 3 de origem religiosa: 2nov., Finados,  Natal e 12out., Na.Sa.Aparecida. Cabe aos municípios declarar feriados festas religiosas, conforme tradições locais em número máximo de 4, incluída a Sexta da Paixão. Entre polêmicas e apoios há os “regionalizados” recentes (S.Jorge no Estado do Rio). Corpus Christi é praticado (embora não decretado) em todo o país. Outros países como a França e Estados Unidos mantém antigas tradições de origem religiosa (Ascensão, Dia de Ação de Graças, etc.).
·                  No Brasil o calendário católico transfere para o domingo seguinte algumas festas litúrgicas, como Epifania (Reis:6jan), S.Pedro e S.Paulo (29jun), Ascensão (festa móvel), Assunção (15 ago), Todos os Santos (1ºnov). Aí a solenidade da Ascensão traz como leituras:  Atos 1,1-11, a Carta aos Efésios 1,17-23 e Mateus 28,16-20, a seguir resumidas:
·                  No livro dos Atos: o poder do Espírito descerá sobre vós para serdes minhas testemunhas. Por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Na Carta aos Efésios: ressuscitou-o e o fez sentar-se à sua direita, acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou nome que se mencione não só neste mundo como no mundo futuro. Ele pôs tudo sob os seus pés, fazendo-o a Cabeça, a plenitude. Em Mateus: Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Ide e fazei discípulos meus todos os povo.

A imagem da subida ao céu
·                  No livro de Atos Lucas associa a “volta” de Jesus para junto do Pai à missão dos discípulos que continuam no tempo-espaço o anúncio da Boa Nova quando o Cristo não está mais visível na História. Não é para ficar olhando para o Cristo que “sobe”, mas o que importa é anunciar por toda parte, pela força de seu Espírito, a mensagem contida na própria vida de Jesus de Nazaré. Até os confins da Terra haverá “Igreja” (o conjunto dos Salvos em Cristo), onde houver testemunhas da entrega de vida seguida por sua restauração pelo poder de quem cria e re-cria. Ele possui a plenitude e, pelo seu Espírito estará sempre presente mesmo durante a caminhada (dos que ainda não alcançaram esta plenitude).
·                  A missão dada ao discípulos não é o proselitismo, a mera multiplicação do número de seguidores. “Batizar” todos os povos nos tempos da colonização europeia sobre outros continentes era interpretado como incluir não europeus na cristandade. Na verdade, mesmo que muitos venham a conhecer e aderir à fé cristã, o objetivo último é ampliar o número daqueles que observam o que Cristo viveu e ensinou. É disso que a Igreja visível, em suas formas institucionais e históricas, deve ser sinal para o mundo: daquele “batismo” que foi também o de Cristo desde sua Encarnação até a Cruz e Ressurreição, mergulho na história humana com um projeto de amor.
·                  Na carta aos Efésios diz-se que o Cristo Jesus está “acima” de Principados, Potestades, Poderes, Dominações, e de qualquer nome neste tempo presente ou no futuro. Os estudos bíblicos sobre os termos gregos (“ele o fez sentar-se acima de todo arkhês, exousías, dynámeõs, kyriótetos, onómatos”) referem-se seja a poderes institucionais históricos, seja a “exércitos” ou hierarquias nas cortes celestes (anjos bons ou maus). Indicam todo tipo de seres criados que – tanto para o povo de Israel como provavelmente também para Paulo – habitavam os ares ou as regiões inferiores. Assim também, por ex., está na referência de Filipenses 2:10: a submissão universal ao Senhor ressuscitado, encontra-se numa imagem espacial onde tudo está dividido em 3 partes que se curvam a Ele: “todo joelho... no céu, na terra, e debaixo da terra”.
·                 A tradução dos termos gregos (resumidos em Efésios mas indicados também em Rom. 8:38; 1 Cor. 15:24; Ef. 2:2; 3:10; 6:12; Col. 1:16; 2:10, 15) inclui: governantes, poderosos, forças, domínios, anjos, refletindo situações históricas ou culturais ou poderes espirituais não humanos. Mas todos os exegetas concordam de que o Novo Testamento, sobretudo Paulo, fala do senhorio absoluto e completo de Jesus Cristo sobre todos os poderes, conhecidos ou não, reais ou imaginários, atuais ou futuros. Esse domínio “cósmico” é celebrado na Ascensão e o central aqui é saber que, em Cristo, estamos livres de toda dominação exterior a nós.

O significado da Ascensão
·                 Ao celebrar a Ascensão, portanto, não é tão importante o que “visualizamos” com nossa imaginação. Importa a Fé que reafirmamos na vitória de Cristo na Páscoa. Espontaneamente, tanto hoje, como (mais explicitamente) na antiguidade, achamos que no “alto” está o “céu”, habitação divina, enquanto “embaixo”, no mundo sob as nuvens, ao nível da terra, estão os seres humanos, situados no espaço-tempo que é limitação e existência própria dos mortais.
·                 Celebrar a Ascensão é o mesmo que afirmar – como nos mais antigos Credos – que ele “subiu ao céu onde está à direita de Deus”. Celebrar a Ascensão é enfatizar a vitória e o domínio de Cristo sobre todos os poderes. De que ou de quem temos medo? Dos poderosos, das ameaças exteriores a nós. Na Ascensão reafirmamos os Mistérios contemplados no Natal, na Cruz e na Ressurreição: há um só fundamento da igual dignidade entre todos os seres humanos na esperança de superar tudo que traz morte. Não encontramos tal fundamento em nenhuma instituição humana nem na mais recente tecnologia. Crer é perceber, na Fé e na Esperança, que só Deus é Deus para o qual somos atraídos como a agulha da bússola para o polo magnético. Em tradução (linguagem) cristã: Jesus Cristo é Senhor, junto do Pai, agindo na História pelo seu Espírito como uma energia de Vida.
·                 Nada ou ninguém pode nos dominar porque “todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis” (cf. Colosensses 1,16) já estão “dominadas”, em suas mãos. A “ascensão” é antecipação da entrada humana na plenitude (sua meta, sua herança) e no tempo presente e quotidiano, Ascensão é a garantia de sermos livres.

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário