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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* Quarta semana da Páscoa – 11 - maio - 2014

Parabéns às mulheres que são Mães
A comemoração do Dia das Mães é significativa neste domingo, porque sua vocação é semelhante à do Pastor da parábolas: cuidar dos pequenos e mais frágeis, ajudando-os na sua preparação para a Vida.

Ovelhas e pastores, portas de entrada e saída
·                  Os ortodoxos celebram hoje o ”Domingo do Paralítico” (Jo5,1-15), lembrando que havia, junto à porta das Ovelhas, um tanque de nome Betesda (em hebraico) em cujos pórticos jazia grande número de enfermos (cegos, coxos e paralíticos) esperando o anjo que movimentava as águas de tempos em tempos (porque o primeiro que em seguida ali entrasse). Um homem enfermo havia trinta e oito anos e que não tinha quem o ajudasse a entrar na água, foi curado por Jesus.
·                  Na liturgia ocidental, em outro capítulo joanino (5.1-15) lê-se o que Jesus falou sobre outro tipo de “ovelhas” (os humanos). Sem acesso à água da Vida é nele que se pode encontrar o Pastor (que conhece cada uma de suas ovelhas). O Pastor é também a Porta: por onde se chega à Vida. Eu sou a porta. Quem entrar por mim, em encontra passagem (uma saída) e pastagem. Ao passo que o ladrão só vem roubar, matar e destruir, eu vim para que tenham vida. E vida em abundância!!!
·                  Dizia o filósofo alemão Heidegger que a angústia é o modo próprio do ser humano que vive “jogado” na existência e tem “medo”, não de algo, mas do próprio nada, pois ele se confronta com a própria morte. Angústia deriva do termo latino angustus (do vergo ángere = estreitar, apertar, sufocar) que quer dizer: estreito, i.é., que não tem largura suficiente, conceito que se aproxima de muitos outros termos com ele relacionados: acanhado, mesquinho, dificultoso, restringido ou restrito, aflito, entalado, atochado, comprimido, compressivo, repressivo, depressivo, opressivo, afunilado, engasgado, prensado... Procuramos uma saída não para esta ou aquela situação mas para esta angustiante situação da existência. A Ressurreição é ser e viver, mais ou além da condição humana do existi. Por isso a Páscoa é o centro cristianismo como expressão da Esperança de vida sem fim. Esta (é o que afirmamos pela fé desde os Apóstolos) nos foi dada, gratuitamente. Ressurgir é poder de ultrapassar a última de todas as mortes. A angústia é tema de tantas passagens bíblicas, da Lei, dos Profetas ou em outros Escritos, como Jó, Provérbios, Eclesiastes. A saída desta condição foi dada por Jesus Cristo. Esta liberdade total, figurada no Paraíso do Gênesis ou em novos céus e nova terra do Apocalipse foi orientada pela Lei, proclamada pelos Profetas e realizada pelo Cristo crucificado e ressuscitado. Pelo Espírito é dom, em Graça a todos oferecida.

Textos do “Novo Testamento”
·                  No capítulo 16 do livro de João, o Mestre de Nazaré afirmando que a tribulação se transformará em alegria. Comparou às dores do parto de uma mulher: quando nasce o bebê ela já nem se lembra mais da tribulação, porque um ser humano nasceu para o mundo (verso 21). O cristianismo chama isso de Ressurreição (um segundo nascimento). O cristianismo consolidou-se a partir daqueles anúncios descritos no livro dos Atos (discursos ou resumos da fé cristã que a teologia chama de kerýma). Pela boca de Pedro (uma das primeiras testemunhas oculares: viram o Ressuscitado “em carne e osso”) ouvimos na 1ª leitura do dia: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes (Atos2,14.36-41 (ou 42-47 no LCR). De novo é Pedro, na 2ª leitura, quem escreve (1ª Carta cap.2,20-25): Por suas feridas fostes curados. Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guardião de vossas vidas.
·                  Observemos que os termos (desgarrados, pastor e guardião) poderiam ser traduzidos por “desiludidos” ou : “os que andam sem rumo, confusos”, i.é., “errantes”; pastor e guardião, com seu sentido metafórico sempre usado no Novo Testamento) é o mesmo que “cuidador e protetor” além do seu 0sentido imediato (poimén= pastor; epískopos= supervisor).
·                  Note-se ainda que epískopos – da qual derivou “bispo” – é marcado em muitos contextos pela posição de autoridade que esta função veio a ocupar nas comunidades. Porem o foco principal de sua compreensão sempre foi o “ser responsável pelos demais”.

Pastor e Páscoa/Ressurreição
·                 Primeiro as Mulheres, Pedro e João; depois os 2 desiludidos (de Emaús) e Tomé 8 dias depois). A confiança e a fé cresce ao conversarem em encontros com o Mestre. Mas, afinal, como nos ajuda – para aprofundar o significado da Páscoa – as declarações de Jesus sobre ovelhas e pastores? Em João 10,1-10, Jesus se apresenta como o contrário do falso pastor, que ele chama de ladrão (pois entra às escondidas). O Bom Pastor passa pela porta e é reconhecido pelo porteiro e pelas ovelhas (que sabem distinguir sua voz). A questão mais original da parábola é essa figura de um pastor que não vive da carne e do sangue do rebanho (como é para quem cria e objetivo de toda criação de gado) mas, ao contrário, dá seu corpo e seu sangue pelas ovelhas. Não vive do rebanho, mas vive para o rebanho.
·                  A parábola vai mais longe. Não só entra na casa das ovelhas (entra no mundo – encarnação do Verbo, cap.1 de João, nascendo como qualquer ser humano), mas ele é a própria Porta. Não só nos abre o caminho para a Vida mas é ele mesmo a passagem possível entre Deus e a humanidade. Nele convergem a fragilidade da criatura (chegou até a morte) e o poder infinito do Divino (capaz de criar e recriar a vida, do Gênesis à Ressurreição). nascendo E, além de mostrar o Bom Pastor que não invade a casa das ovelhas como assaltante, mas pela porta, ele se compara à própria Porta. Ele nos abre o caminho para a Vida porque é ele mesmo a única passagem possível entre Deus e a humanidade. Nele convergem a fragilidade da criatura (que chegou até a morte) e o poder da divindade (capaz de retomar a vida pela ressurreição).
·                  O redator diz que os ouvintes não entenderam a parábola. Realmente é difícil acreditar que alguém possa nos livrar dos apertos (das angústias) da existência mortal e nos abra as portas da vida que não tem mais fim. E Jesus insiste em trazer a vida em abundância, plena, completa, aquela que inclui a passagem da morte à ressurreição.

Pastor e pastores
·                  A reviravolta do modo comum de pensar – própria do evangelho – repete-se, como vimos, na figura de ovelhas que se alimentam da carne e do sangue do Pastor e não vice-versa. Por isso, na última ceia o Mestre é o Senhor que se faz servidor de seus discípulos. A parábola começa com uma condenação de outros pastores: “aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes” (e não é válida a mesma reprovação de tantos que vieram depois dele, falsos pastores de nosso tempo ?). O teólogo francês M.Domergue sugere uma interpretação: penso que Jesus fala de todos os que tentam se apossar do rebanho, isto é, de reduzir os seres humanos a meros objetos ou coisas. Vejamos outras reflexões de Domergue.
·                  1) Precisamos também de uma reviravolta no sentido comum das religiões, práticas religiosas, rebanhos e pastores. Em geral “rebanho” é metáfora para nos referir a coletividades formadas por muitas pessoas anônimas, que usam os mesmos gestos e regras, que são dóceis e obedientes a doutrinas. A parábola, no entanto, insiste em dizer que o Pastor a que se refere conhece cada uma das suas ovelhas e, de igual modo, cada ovelha o conhece. Se continuarmos a nossa leitura de hoje até os versos 14 e 15 (Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas) vemos que este mutuo conhecer-se e reconhecer-se segue o modelo da relação e unidade interna de Deus: Pai, Filho e Espírito.
·                  2) Finalmente, vamos examinar com precisão o uso do termo “Igreja”. Normalmente ele nos remete a “massas”, “multidão” e até a “povo de Deus”, que dão sempre ideia de coletividade anônima, indistinta.  Ora, “igreja” deriva primeiramente do sentido de “convocação”, “chamada” ou apelo que se dirige a cada um dos que aceitam formar a reunião ou assembleia dos que aceitam a mesma Fé e adoram o mesmo Deus. Se as ovelhas todas se parecem, o mesmo não acontece com os que compartilham a mesma fé, donde ser muito necessária a tolerância, com respeito e mútua ajuda, entre diversos modos de crer e comportamentos diferentes. É o (todos sabem) que deve acontecer num casamento. Assim em comunidades maiores, entre pessoas e grupos.

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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

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