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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O BOM PASTOR

4º DOMINGO DA PÁSCOA

11 de Maio de 2014 - Ano A
Evangelho - Jo 10,1-10

Comentários-Prof.Fernando


O PASTOR VERDADEIRO - José Salviano



            Hoje é o domingo do Bom Pastor, do pastor verdadeiro. Por isso tomemos cuidado com as imitações.  Hoje é dia de rezarmos pelo rebanho de Cristo, a Igreja Católica, a única fundada por Ele. Com todo respeito, todas as demais foram fundadas ou inventadas por homens. E vamos rezar mesmo com vontade e muita fé, para que se multipliquem em número e em qualidade, os bons pastores, a serviço do único Pastor. Jesus Cristo. Continua


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“EU SOU A PORTA. QUEM ENTRAR POR MIM SERÁ SALVO”. - Olívia Coutinho

4º DOMINGO DA PÁSCOA

Dia 11 de Maio de 2014

Evangelho de Jo 10,1-10

Quando ouvimos falar da figura do Bom Pastor,  nos vem  a imagem de um protetor, daquele que cuida, que afaga, que coloca no colo, que conduz!...
Quantas coisas bonitas  nos falam aquela imagem do pastor zeloso, carregando carinhosamente uma ovelha em suas costas! Possivelmente, se tratava de  uma ovelha frágil, necessitada de maiores cuidados! 
Muitas  vezes,  nós  nos vemos semelhantes à aquele pobre animal, tão dependente do Pastor! É assim, que  sentimos nos  momentos de fragilidades: totalmente dependentes dos cuidados do Pastor, daquele que cuida de nós, que nunca nos perde de vista!
A figura do Bom Pastor é uma das imagens mais bela e conhecida das pregações de Jesus, onde Ele nos convida a entrarmos no coração do Pai, por meio de seus ensinamentos e se apresenta como a única porta que se abre para  que cada um de nós possa vivenciar as maravilhas do Reino!
Passar pela experiência do coração misericordioso e acolhedor de Jesus para chegar ao Pai, é acima de tudo, viver dentro de sua proposta de vida plena.
Quantas vezes fraquejamos na fé, não dando preferência a esta porta que nos liga ao Pai, optando pelas portas largas que nos são abertas pelo mundo, sem dar respostas coerentes a verdade que ouvimos! Às vezes somos  como ovelhas rebeldes, desatentas ao carinho do Bom Pastor, do Pastor  que tem como maior desejo, nos libertar dos “lobos” vorazes que estão por aí, a nos espreitar!
O evangelho de hoje nos desperta sobre a importância da “escuta”,  de uma  escuta atenta, que não corresponda apenas na nossa audição física, mas que nos leve a interiorizar o que escutamos e assim poder viver o que nos diz Jesus! É a partir da escuta da palavra, que novas possibilidades vão se abrindo para nós no campo da fé!
As ovelhas fieis, pertencente ao seu rebanho, conhecem a sua  voz, não se deixam levar pelas propostas enganosas dos falsos pastores.  Isso significa, concretamente, percorrer o mesmo caminho de Jesus, numa entrega total ao projeto do Pai, na doação de amor a Deus e aos irmãos.
Ainda há pouco, na celebração  da Páscoa, tivemos a oportunidade de perceber que quando Jesus  dizia, que o Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas, Ele falava de si mesmo,  pois  realmente, com a sua vida, Ele  pagou  o preço  da nossa liberdade, ou seja, Jesus é o Pastor que deu a vida pelas suas ovelhas que somos nós!
A  certeza de que nunca seremos arrancados das mãos do Bom Pastor, nos motiva a celebrarmos a nossa fé e a nossa adesão à vontade do Pai!
  Jesus é o único Pastor que nos conduz para as "pastagens verdadeiras", onde encontramos vida em plenitude!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia
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Evangelhos Dominicais Comentados

11/maio/2014 – 4o

Domingo da Páscoa

Evangelho: (Jo 10, 1-10)

Disse Jesus: “quem não entra pela porta do curral das ovelhas, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre a porta, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas que lhe pertencem pelo nome e as leva para fora e elas o seguem porque conhecem a sua voz.

Não seguem o estranho, mas fogem dele pois não conhecem a voz do estranho”. Jesus falou de modo figurado, e eles não entenderam o que queria dizer. Por isso Jesus continuou: “Na verdade eu vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos que vieram antes de mim eram ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo. Entrará e sairá e encontrará pastagem. O ladrão vem só para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham Em meio a tanto ruído e tantas vozes, é muito difícil distinguir a Verdadeira Palavra de Deus. Não é fácil reconhecer a verdade entre os milhares de “pastores” que diariamente, nos convidam a segui-los.

Batem à porta e, muitas vezes, até nos chamam pelo nome. Com voz mansa
e doce, apresentam caminhos tentadores, oferecem vida farta, conforto e segurança. O evangelho de hoje é um alerta e nos convida a refletir sobre os
verdadeiros pastores e líderes dos nossos dias.
Neste trecho do evangelho Jesus se apresenta como a porta das ovelhas. A Porta da segurança, a Porta que traz salvação para quem por ela passar. Mais adiante, no versículo onze, Jesus dirá: “Eu sou o Bom Pastor, aquele que dá a vida por É maravilhosa a mensagem deste evangelho, principalmente, para quem já viveu no campo ou em contato com pastores. O pastor e o seu rebanho era uma realidade muito comum na vida do povo, no tempo de Jesus. O que esse relato nos mostra é a intimidade, o afeto entre o pastor e as ovelhas. Percebemos que existe entre eles um amor e uma confiança muito grande. Jesus vai dizer que as ovelhas não seguem um estranho.

A porta tem duas finalidades: a de permitir a entrada dos donos da casa, e também a de impedir o ingresso de estranhos. Jesus afirma que ele é a porta. É ele quem decide quem deve ter acesso às ovelhas e quem deve ficar longe do Por essa porta só o verdadeiro pastor pode passar, diz Jesus. O pastor autêntico deve ter os mesmos sentimentos e atitudes em relação às ovelhas. Deve amá-las e estar disposto a dar sua própria vida para salvá-las, assim como ele fez.

As ovelhas seguem somente o seu pastor, porque conhecem a sua voz e
reconhecem seus passos. Conhecer, na Bíblia, tem um significado muito
profundo, conhecer significa amar. Quem conhece de verdade, ama, pois quem não ama o próximo, ainda não o reconheceu como irmão.

Jesus deixa bem claro a diferença entre o bom e o falso pastor. Este último
vem só para roubar, destruir e matar. Por isso é comparado ao ladrão. O Bom
Pastor preocupa-se com a vida; vem para que todos tenham vida plena e em
O pastor é o líder. Todos nós, seja no trabalho, na família ou na comunidade,
sempre exercemos algum cargo de liderança. É importante rever nosso
comportamento como líderes. Na parábola do bom pastor, Jesus nos alerta sobre como viver as relações de liderança. O líder não pode ser autoritário.
Quando a liderança deixa de ser serviço para tornar-se poder, ela oprime e
destrói. Quando exercemos um cargo de liderança, sobretudo nas funções
públicas e na comunidade, precisamos estar próximos das pessoas, precisamos conhecer suas necessidades, compreendê-las, amá-las e partilhar com elas a A vida deve ser entendida no sentido amplo. O amor e a partilha devem estar presentes na vida comunitária, na vida religiosa, na vida familiar e, até mesmo na vida profissional.
Em qualquer caso, o autoritarismo, a negligência ou o abandono são nocivos e levam à morte. Matam a religiosidade, a comunidade e a família. O verdadeiro líder não se impõe, é seguido pela simplicidade e honestidade de suas ações.

As ovelhas conhecem a voz do seu pastor, confiam e deixam-se levar. Sabem
que, se for necessário, o pastor as carregará sobre seus ombros. Em segurança serão conduzidas para verdes pastagens e água abundante.
Quantos se apresentam como pastores, falam até em nome de Jesus Cristo e, no entanto, não estão preocupados com liberdade, justiça e dignidade. Não têm compromisso com a vida e sobrevivem da onda de violência, que tanto ameaça Cuidado, pois eles têm voz muito parecida com a do verdadeiro Pastor. Fazem uso dos meios de comunicação. Sobem em palanques e se comunicam também através do rádio, da tevê, dos jornais e das revistas. Estão presentes no nosso dia-a-dia disfarçado de bons pastores.
É preciso estar atentos, observar os mínimos detalhes, para não sermos
enganados. O caminho é um só, não existem atalhos. O Bom Pastor não é
reconhecido por falar manso e de forma poética, Ele é reconhecido pelas
verdades que diz. Suas palavras nem sempre são doces, mas verdadeiras.

jorgelorente@ig.com.br (11/maio/2014)

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Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem."
A relação de Jesus com as ovelhas é uma relação de reciprocidade: as ovelhas escutam a voz do pastor. O pastor, por sua vez, conhece suas ovelhas, uma por uma, e as chama pelo nome. A comunhão se concretiza no seguimento.
Nós somos o povo e o rebanho do Senhor. Jesus é a porta para a vida. Esse discurso tem como pano de fundo o texto do profeta Ezequiel (Ezn34).
O texto do evangelho de hoje pode ser estruturado em duas partes: na primeira, há um discurso enigmático; na segunda, a explicação detalhada do discurso enigmático.
O discurso contrasta o ladrão-bandido e o pastor. O ladrão pula o muro para evitar o guarda, as ovelhas não seguem o estranho porque não conhecem a sua voz.
O pastor entra sempre pela porta. Ele dá nome às ovelhas, ele as chama pelo nome, elas o seguem porque conhecem a sua voz.
Para a compreensão deste discurso é preciso apreciá-lo em relação ao capítulo 9 do evangelho de João, a cura do cego de nascença e a sua expulsão da comunidade por reconhecer em Jesus o Cristo, o Messias.
Jesus é o pastor e as ovelhas são os discípulos e o povo que o ouvem e o seguem. Os homens reconhecem Jesus como o enviado de Deus porque ele salva e conduz à vida. Jesus veio para dar a vida aos homens. Ele dá a vida eterna que já se concretiza na fé. Jesus é o único salvador e mediador da vida.
O projeto de libertação continua hoje no mundo por intermédio de pessoas engajadas que levam a todas as partes do mundo a mensagem de fé e buscam novos membros para o rebanho do único Pastor.

As ovelhas ouvem a voz do Pastor
Esta parábola de Jesus é contada durante a Festa da Dedicação e cita um importante texto do livro de Ezequiel no capítulo 34, que utiliza a figura do Pastor, um pequeno proprietário de ovelhas, personagem bastante comum nos campos da Palestina, e compara-o com as autoridades daquele tempo.
Jesus utiliza, nas suas parábolas, fatos reais do cotidiano das pessoas, para que elas entendam melhor seus ensinamentos. As ovelhas não enxergam bem, mas têm os ouvidos aguçados, e Ele se aproveita disso para falar sobre a atitude delas com o seu pastor. Há uma sintonia perfeita entre as ovelhas e o pastor: ele as chama pelo nome e elas reconhecem a sua voz.
Jesus começa a parábola chamando de ladrão e assaltante “aquele que não entra pela porta do curral”.
Nesta comparação, o curral representa a instituição que explora e domina o povo. Os ladrões e os assaltantes são, portanto, os líderes responsáveis pela situação de escravidão e opressão em que este povo se encontra, e só se interessam por ele para fazer valer seus próprios interesses e privilégios.
Jesus continua a parábola dizendo: “Eu sou a porta por onde passam as ovelhas.” Ele sabe que se uma pessoa se deita ao chão, nenhum animal passa por cima, por isso se compara à porta, aqui no caso, a passagem para entrar ou sair do curral. Assim também, Ele quer mostrar que é o caminho pelo qual todos devem passar e ser conduzidos, e que, só após se libertarem dos falsos pastores, no caso as autoridades, é possível reconhecerem Aquele que leva até Deus, para a liberdade e para a vida.
Ele se declara: “Eu sou o bom pastor”, ou seja, aquele que não exige a vida de suas ovelhas, ao contrário, dá a vida por elas, mostrando a sua fidelidade e seu sacrifício voluntário como caminho seguro contra todo mal.
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Amor de predileção pelos sacerdotes
Estamos no mês mariano. Durante este mês é importante que não nos esqueçamos de pedir à Mãe de Jesus que cuide dos sacerdotes. Cada padre, desde que João foi confiado a Maria, é seu filho predileto. Ela os ama de maneira muito especial.
O amor é necessariamente desigual. Não se pode pedir a uma mãe que ame com a mesa intensidade tanto os filhos que saíram das suas entranhas quanto aos estrangeiros que ela apenas teria saudado alguma vez. Não se pode pedir a um marido que a todas as mulheres por igual. Tampouco se pode exigir ao cristão amar a todos os seres humanos por igual. A caridade é ordenada e, por isso mesmo, justamente desigual. É lógico que amemos mais intensamente os nossos irmãos na fé, especialmente aqueles que convivem conosco; é totalmente normal que amemos mais fortemente os nossos familiares, especialmente os nossos pais; não há nada de estranho que amemos mais os nossos amigos que os nossos inimigos, ainda que devamos amar também aos inimigos.
Maria ama com predileção os sacerdotes do seu filho porque Jesus os confiou a ela enquanto sofria na cruz para a nossa salvação. Nossa Senhora não pôde esquecer jamais aquela cena. As últimas vontades de um moribundo, especialmente quando esse moribundo é o Filho de Deus, ficam gravadas na mente de uma maneira indelével. As últimas coisas que um filho pede a uma mãe ficam presentes para sempre na memória materna. Com Nossa Senhora não foi diferente: o desejo de Jesus permaneceu sempre presente no seu coração e ela tem cuidado dos sacerdotes com amor de predileção até hoje.
Gosto de pensar na figura de João. É o típico rapaz valioso e de pouca idade que decide entregar-se de corpo e alma a uma causa maior. João entregou tudo o que era seu aos cuidados de Jesus. João era jovem, tinha um coração puro, era um rapaz vigoroso, um jovenzinho de caráter forte, um coração grande e generoso. Eu não estou de acordo quando se escuta por aí que o vocacionado ao sacerdócio tem que fazer primeiro uma experiência de namoro antes de entrar no seminário. Aqueles que tiveram uma experiência desse tipo não são melhores nem piores do que aqueles que não a tiveram. No entanto, não posso deixar de elogiar a entrega total daqueles que, sem dividir o coração em nenhum momento, se entregaram totalmente a Cristo. Isso é maravilhoso!
Por outro lado, Jesus tem direito de escolher os seus ministros tanto entre os que mantiveram uma vida irrepreensível como o apóstolo João e o discípulo amado de Paulo, Timóteo; como entre aqueles que foram grandes pecadores, como Pedro, Paulo, Agostinho, etc. A todos esses o Senhor confiou a missão de ser pastores da sua grei.
No trecho do Evangelho de hoje, a palavra “porta” aparece quatro vezes. Jesus é a porta! Ou seja, o acesso a Deus, à felicidade, a uma vida verdadeiramente humana, é possível somente através de Cristo. Outras vozes, outras portas, outros pastores não conduzem à vida em abundância que só Jesus tem para dar-nos. Assim como Jesus é a porta das ovelhas, o sacerdote –agindo na Pessoa de Cristo cabeça e em nome da Igreja– também é porta.
Esse é um critério importante para pastores e ovelhas. O sacerdote tem que ser pastor no Pastor. Ele não pode pregar uma doutrina diferente da de Jesus. Se o padre pregasse algo diferente do Evangelho, ele estaria fazendo ressoar uma voz que as ovelhas não seguiriam porque elas não reconhecem nesse tipo de pregação a voz de Cristo, Pastor das suas almas. Nós, os sacerdotes, somos instrumentos do único Pastor. Chamam-nos pastores, e o somos, porque participamos no pastoreio de Jesus. Quando anunciamos a Palavra e quando celebramos os Sacramentos não somos nós, é Cristo em nós. Somos o mesmo Cristo, estamos identificados com ele. Que absurdo, portanto, pregar algo diferente do Evangelho! Que contrassenço pregar uma doutrina que não seja a doutrina católica, tanto em questões de fé quanto em questões de moral.
Os fiéis de Cristo têm direito a escutar a voz de Cristo através dos seus sacerdotes. Os ministros do Senhor foram ordenados para isso. Os fiéis podem e devem exigir deles o Cristo. Os demais cristãos não podem tolerar uma doutrina que não seja a do Divino Pastor e a da sua Esposa, a Igreja, vinda da boca de um sacerdote. Se tal coisa se desse, os fiéis deveriam, justamente, manifestar-se –mas com cuidado para não faltar à caridade– e pedir o que eles desejam: Jesus Cristo, sua palavra santa, os seus sacramentos.
padre Françoá Costa

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Pastor- Ovelhas- Vocações
O quarto domingo da Páscoa é o domingo do Bom Pastor. Depois de várias aparições de Cristo ressuscitado às mulheres, aos apóstolos, aos discípulos, hoje Jesus se apresenta como o Bom Pastor! É um título de Cristo muito familiar aos primeiros cristãos. A liturgia deste domingo convida-nos a meditar na misericordiosa ternura de nosso Salvador, para que reconheçamos os direitos que Ele adquiriu sobre cada um de nós com a sua morte. No Evangelho (Jo 10,1-10) Jesus se apresenta como o Bom Pastor. É uma catequese sobre a missão de Jesus: conduzir os homens às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de onde brota a vida em plenitude. O Bom Pastor aparece numa atitude de ternura com as ovelhas… Ele as conhece,as chama pelo nome, caminha com elas e estas O seguem. Elas escutam a Sua voz, porque sabem que as conduz com segurança. Em contraste com o pastor, aparece a figura dos ladrões e dos bandidos. São todos os que se apresentam como Pastor, ou até falam em nome de Cristo, mas procuram somente vantagens pessoais. Além do título de Bom Pastor, Cristo aplica-Se a Si mesmo a imagem da porta pela qual se entra no aprisco das ovelhas que é a Igreja. Ensina o Concílio Vaticano II:” A Igreja é o redil, cuja única porta e necessário pastor é Cristo (LG. 6). No redil entram os pastores e as ovelhas. Tanto uns como outras hão de entrar pela porta que é Cristo. “ Eu, pregava santo Agostinho, querendo chegar até vós, isto é, ao vosso coração, prego-vos Cristo: se pregasse outra coisa, quereria entrar por outro lado. Cristo é para mim a porta para entrar em vós: por Cristo entro não nas vossas casas, mas nos vossos corações. Por Cristo entro gozosamente e escutais-me ao falar d Ele. Por quê? Porque sois ovelhas de Cristo e fostes compradas com o Seu Sangue”. “… e as ovelhas O seguem, porque conhecem a sua voz” (Jo 10,4). Ora, a Igreja é Cristo continuado! Diz são Josemaria Escrivá: “Cristo deu à Sua Igreja a segurança da doutrina, a corrente de graça dos sacramentos; e providenciou para que haja pessoas que nos orientem, que nos conduzam, que nos recordem constantemente o caminho. Dispomos de um tesouro infinito de ciência: a Palavra de Deus guardada pela Igreja; a graça de Cristo, que se administra nos Sacramentos; o testemunho e o exemplo dos que vivem com retidão ao nosso lado e sabem fazer das suas vidas um caminho de fidelidade a Deus” (Cristo que passa, nº 34).
Jesus é a porta das ovelhas! Para as ovelhas significa que Jesus é o único lugar de acesso para que as ovelhas possam encontrar as pastagens que dão vida. Para os cristãos, o Pastor por excelência é Cristo: Ele recebeu do Pai a missão de conduzir o rebanho de Deus… Portanto, Cristo deve conduzir as nossas escolhas. Quem nos conduz? Qual é a voz que escutamos? A voz da política, a voz da opinião pública, a voz do comodismo e da instalação, a voz dos nossos privilégios, a voz do êxito e do triunfo a qualquer custo, a voz da novela? A voz da televisão? Cristo é o nosso Pastor! Ele Conhece as ovelhas e as chama pelo nome, mantendo com cada uma delas uma relação muito pessoal. A existência humana é bem complexa para que se possa vivê-la com segurança absoluta. Jesus, porém, oferece a quem O segue a direção exata e a proteção eficaz para evitar os elementos que podem prejudicar.
Afirma o Sl. 22(23): “ Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei;estais comigo…”. O Divino Pastor é quem pode, realmente, ajudar, salvar e conservar a vida. Ele afirmou: “Eu vim para que todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Para distinguir a Voz do Pastor é preciso três coisas: – Uma vida de oração intensa; um confronto permanente com a Palavra de Deus e uma participação ativa nos sacramentos, onde recebemos a vida, que o Pastor nos oferece. Nesse 48º Dia mundial de oração pelas vocações, o papa enviou uma mensagem, com o tema: “Propor as vocações na Igreja Local”: “É preciso que cada Igreja local se torne cada vez mais sensível e atenta à pastoral vocacional, educando a nível familiar, paroquial e associativo, sobre tudo os adolescentes e os jovens, para maturarem uma amizade genuína e afetuosa com o Senhor, cultivada na oração pessoal e litúrgica… na escuta atenta e frutuosa da Palavra de Deus… A capacidade de cultivar as vocações é sinal característico da vitalidade de uma Igreja local”.
mons. José Maria Pereira

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EPÍSTOLA (1Pd. 2,20-25)
Verdadeiro mérito. Qual pois mérito (há) se pecando e esbofeteados, aguentais? Mas, se fazendo o bem e padecendo, aguentais, isto (é) agradável para Deus (20).
Mérito, rumor, fama, glória, louvor, aplauso que temos traduzido por mérito como mais inteligível e até mais apropriado. Este vocábulo sai unicamente. Ele é um apax neste versículo.
Esbofeteados é o particípio passivo do presente do verbo kolafizö que significa esbofetear, receber um tapa, bater com o punho, golpear. Também maltratar, tratar com violência e desprezo. É o que aconteceu com Jesus segundo Mt. 26,67 e Mc. 14,65 na casa de Caifás, onde foi esbofeteado e cuspido pelos escudeiros do Sumo Pontífice.
Aguentais do verbo ypomenö, com o significado de permanecer, perseverar, não retroceder, aguentar, resistir, suportar e tolerar, especialmente se são tratamentos e condutas impróprias e vexames.
Agradável com o significado de ser coisa agradável a Deus é uma das traduções, a mais seguida; mas também e talvez com maior propriedade podemos traduzir por é uma mercê de Deus. A natureza humana se revolta contra toda a injustiça; porém fazer todo o contrário, suportar as injúrias injustas é um dom de Deus, como sugere o para preposição de procedência, com genitivo, ou seja que procede de Deus. Ou seja, traduziremos isto é um dom que de Deus procede.

Exemplo de Cristo. Pois para isso fostes chamados, porque também Cristo padeceu por vós, a vós deixando um exemplo para que sigais nos seus passos (21).
Fostes chamados aoristo do verbo kaleö com o significado de chamar, convidar, que é uma vocação divina para imitar o exemplo de Cristo como afirmará mais tarde. Do versículo anterior, sabemos que são os planos divinos os que acompanham os sofrimentos injustos e que dentro deles agora o apóstolo toma como exemplar a conduta de Cristo. Padeceu aoristo de paschö, é o verbo usado por Jesus para indicar os padecimentos a que seria submetido pelos juízes do Sinédrio (Mt. 16,21 e Mc. 8,31). O por vós é em grego yper ëmön [por nós] segundo o grego da Nestlé. A Vulgata e o grego católico de Mark usam o nós, como se Pedro se incluísse dentro dos remidos por Cristo. Do ponto de vista lógico da frase o vós é o mais correto. Com esta afirmação Pedro supõe a morte vicária de Cristo, pois o yper grego significa em favor de, por amor de, pelo benefício de, no lugar de, em vez de como genitivo [no caso].Um exemplo: em 1Cor. 15,19 Paulo fala do caso em que os novos cristãos se batizavam yper nekrön [= no lugar dos mortos]. Com isto Pedro reforça o dogma da morte vicária de Cristo, que hoje alguns teólogos criticam como sendo metáfora, pois negam a justiça divina ao exaltar em demasia a bondade de um Pai demasiado indulgente. Citam a parábola do filho pródigo, mas esquecem outras passagens do evangelho em que o fogo eterno é claramente afirmado para os que praticam a iniquidade, com a mesma rejeição de quem separa os que estão à sua esquerda para o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos  (Mt. 7,23 e 25,41). Exemplo com o significado de uma cópia escrita e logicamente um exemplo.
Sigais o verbo é usado por Marcos quando diz que o Senhor cooperava com os pregadores do evangelho confirmando a palavra com os sinais que se seguiram (Mc. 16,20).
Passos, pegada, pisada, passo geralmente em plural, como vemos no latim. Evidentemente o apóstolo refere-se aos sofrimentos dos primeiros cristãos, na época, perseguidos e caluniados em cujas vicissitudes ele observa que estão seguindo os passos do seu senhor como este já tinha profetizado (Lc. 21,12) de modo que o discípulo não seja diferente de seu Mestre (Mt. 10,34-25).

Inocência de Cristo. O qual pecado não fez, nem se encontrou engano na sua boca (22) O qual insultado, não revidava o insulto, sofrendo não ameaçava, mas entregava-se ao que julga justamente (23).
Pedro expõe agora a inocência de Jesus com duas ideias: não cometeu pecado em obras e não houve mentira em sua boca. Consequentemente foi um inocente, injustamente castigado com atrozes tormentos e morte de cruz. Este é o exemplo que devem imitar seus discípulos e seguidores.
Engano: propriamente isca, tentação, engodo e daí astúcia, engano, falsidade, fraude, dolo. Pedro coincide com Tiago que afirma: se alguém entre vós cuida ser religioso e não refreia sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã (1Pd. 2,22). Pedro apela ao exemplo de Cristo, especialmente durante o tempo de sua paixão. Jesus não revidou aos insultos como vemos em Mt. 26,62-63, durante o julgamento na casa de Caifás ou no pátio de Pilatos em Mt. 27,28-30 e no momento da crucifixão os insultos narrados por Mateus em 27,39-44. Por isso, Jesus entregou sua causa a Deus, o verdadeiro juiz que julga corretamente.

Cristo nos salvou por suas chagas. O qual nossos pecados ele carregou no seu corpo sobre o madeiro para que mortos aos pecados vivamos na justiça, o qual pela chaga fostes curados (24).
Carregou: é o aoristo do verbo anaferö com o significado de oferecer no altar, liderar, carregar, suster. Com esta frase Pedro confirma o dito pela carta aos Hebreus 7,27: Não necessitou diariamente, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez uma vez, oferecendo-se a si mesmo. E em Hebreus 9,28: Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos. Porque como diz Paulo: Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (2Cor. 5,21). Disso tudo, podemos deduzir que a morte de Cristo na cruz foi um sacrifício expiatório, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave (Ef. 5,2). Pela chaga o grego indica mancha roxa, contusão, vergão, vinco e pancada. Sem dúvida que aqui Pedro une a flagelação ao suplício da cruz, podendo ser traduzida a passagem: pelas suas feridas fomos curados. De modo que a maldição da cruz, como diz Paulo, serviu para a bênção dos que outrora eram malditos; a morte para a vida e as feridas para a saúde. Assim se cumpriu o que Paulo afirma: Deus escolheu a loucura do mundo para a mais sábia solução de salvação e vida do pecador (ver 1Cor. 1,25).

O novo Pastor. Éreis, pois, como ovelhas desgarradas, mas agora vos mudastes para o pastor e supervisor de vossas almas (25).
De uma vida como sem esperança nem futuro, agora remidos por Cristo pertencem os novos cristãos a um pastor que é ao mesmo tempo supervisor [episcopos] que cuida amorosamente dessas almas ou vidas que ele conseguiu por sua cruz e por seus sofrimentos. Pois demonstrou que era o bom pastor que dá sua vida por suas ovelhas.

EVANGELHO (Jo. 10,1-10) - JESUS, A PORTA DO APRISCO
Este é o domingo chamado do Bom Pastor, festa que é comemorada em todos os três anos litúrgicos. Além de ser o autêntico pastor, Jesus também se declara como a porta pela qual entra todo pastor legítimo e, através da qual, o acompanhando, saem suas ovelhas. Porta, pastor e ovelhas constituem termos de uma alegoria em que a voz do pastor é ouvida pelas suas ovelhas e encontram os prados de modo que tenham vida abundante. Esta alegoria do Bom Pastor é única do quarto evangelho que não encontra lugar paralelo entre os sinóticos. Jesus falará em Mateus e Marcos, como viu as multidões que eram como ovelhas sem pastor (Mt. 9,36 ) e afirmará que, ferido o pastor, as ovelhas serão dispersadas (Mt. 26,31). São estas duas passagens as que indiretamente declaram Jesus como pastor de Israel. Mas, é na perícope atual, de uma beleza extraordinária, a que nos mostra, primeiro, Jesus como a porta  para indicar que qualquer outra maneira de entrar no aprisco é sub-reptícia. Logo, na segunda parte, falará que ele é também o verdadeiro pastor. Nesta primeira parte, vamos falar de Jesus como porta. Antes de entrar na exegese do evangelho é oportuno e até necessário, observar as circunstâncias nas quais essa alegoria foi proclamada por Jesus. Jesus estava em Jerusalém, no templo, rodeado por fariseus que eram os mestres de Israel. Após a cura do cego de nascença, Jesus disse uma frase que incomodou os fariseus: vim para os que não veem vejam, e os que veem tornem-se cegos (9,39). Jesus então está afirmando uma coisa inaudita: Ele é a porta por onde deve entrar quem se considera pastor de Israel. Esta é a base do evangelho de hoje.

Uma afirmação inusitada. Amém, amém, vos digo: quem não entra pela porta ao aprisco das ovelhas, mas pula por outra parte , esse é ladrão e bandido (1).
Amém, amém: a palavra é de origem hebraica, traduzida por verdadeiramente na totalidade dos casos, ou deixada no original em outros. O Amém hebraico está relacionado com o verbo amam [crer ou ser fiel], e significa certamente, ou verdadeiramente. A tradução literal é: firmemente, fielmente, certamente, seguramente. Por isso, Deus mesmo é chamado Amém por ser fiel e veraz (Is. 66,16).
1) No princípio de um discurso, seria traduzido por com certeza.
2) No fim do mesmo, por assim será. Entre os judeus: Era costume entre os judeus, retomado pelos cristãos, que no fim de maldições solenes (Nm. 5,22), ou após orações e hinos de bênção e louvor (1Cr. 16,36 e Sl. 41,14), ou, terminado um discurso ou juramento (Jr. 11,5), os assistentes respondessem Amém, como aceitando a substância do mesmo. Em Jesus, testemunha fidedigna e veraz e Amém de Deus (2Cor. 1,19-20), o termo equivale a uma afirmação solene e inquestionável. Ele emprega o amém na frase Amen legoYmin antes de uma afirmação solene e dogmática. Desta forma é usado 30 vezes em Mateus, 12 em Marcos e 7 em Lucas. Unicamente encontramos em Mateus o amém no fim, quando após o Pai Nosso diz: Teu o reino, o Poder e a glória pelos séculos. Amém (6,13). O seu uso ao início de uma afirmação é duplo em João: Amém , amém e aparece 24 vezes. Uma delas é esta de hoje. O Amém final repetido somente aparece duas vezes nos salmos: 41,14 e 72,19. Fora disso aparece repetido em Nm. 5,22., com o significado de genoito,genoito [seja, seja] grego nos três casos. Em todos os casos, significa verdadeiramente, de fato, como um assentimento ao afirmado anteriormente. Unicamente em Is. 65,16 o amém significa verdadeiro, pois se fala do Deus do Amém, ou seja, o Deus da Verdade, que cumpre sua palavra como traduz a vulgata: abençoar e jurar in Dio Amen. Na Nova vulgata o texto será:Quicumque benedicit sibi in terra, benedicet sibi in Deo Amem, et quicumque iurat in Deo in terra iurabit in Deo Amem.
Daí que o Amém tenha o sentido de verdade, de compromisso com a palavra própria e que em João, ao ser repetitiva, indica um superlativo, à semelhança de como aclamamos Santo, Santo, Santo é o Senhor (Is. 6,3). No NT, entre os escritos apostólicos, o Amém tem o significado de termo de oração ou de bênção, acrescentado para proclamar a adesão ao mesmo com o sentido de assim seja ou desejamos, como no caso de Rm. 1,25 Criador que é bendito pelos séculos. Amém. No nosso caso, parece um superlativo de verdadeiramente, ou o equivalente de com toda segurança e garantia, eu posso afirmar. É, pois, uma asseveração solene de Jesus na qual ele aposta, na verdade de que Ele é a Palavra de Deus.
O portão: Thyra é a palavra usada pelo evangelista. A palavra pode indicar a porta da habitação de uma casa, como em Mt. 6,6: Fecha a porta de tua habitação; a porta de um sepulcro em Mt. 27,60; a porta de uma casa Mc. 2,2 onde Jesus morava; o portão da cidade Mc. 1,33, assim como o portão de um aprisco Jo. 10,1.
Ovelhas: a palavra probaton no seu sentido mais lato denotava todos os animais de quatro patas [especialmente os domesticados] em oposição aos que nadavam ou rastejavam. Derivada a palavra de pro-baino = ir adiante, nos rebanhos mistos, era o gado miúdo [ovelhas e cabras] que por serem mais fracos que os outros animais iam à frente, marcando o passo. Originariamente, a palavra se empregava no plural, com o significado de rebanho ou manada. Mas depois, apareceu o emprego no singular, com o significado de um membro da manada, uma ovellha. No AT, com o plural probata significa-se metaforicamente o povo que está sob o domínio do pastor. O essencial era a necessidade de proteção, que, sem o pastor, fica disperso (Ez. 34,5). Javé providenciará para que seu rebanho não seja disperso, nomeando pastores, tal como o rei messiânico (Jr. 23,1) ou sendo ele mesmo o pastor de seu povo (Sl. 78,52 e Is. 40,11). No NT, probaton é mais frequente em Mateus (11 vezes) e em João (17 vezes). Fica claro que os contemporâneos de Jesus sabiam como a ovelha necessitava da proteção amorosa e abnegada do pastor, e que, sem ele, fica indefesa (Mt. 9,36) e perdida (Mt. 10,6)Jesus, como autêntico pastor é enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt. 15,24). Em João probatondenota o povo eleito de Cristo, os seus, os que conhecem sua voz, como vemos no evangelho de hoje, formando um só rebanho e um só pastor (Jo. 10, 16), quando finalmente judeus e cristãos fiquem reunidos numa só Igreja com um só Senhor. (Jo. 17,20-23). Com respeito a este último versículo, creio que é mais apropriado esta nossa interpretação que a de apelar aos gentios como ovelhas separadas. Aprisco: A palavra aulê significava nos tempos clássicos um espaço aberto, sem teto, mas cercado com um muro do qual formavam parte os currais; daí que, entre os orientais, significasse especialmente o redil, isto é o curral onde estava recolhido o gado de origem lanígero ou caprino. Em que consistia um redil? Como temos dito, era um espaço fechado por um muro de pedra sobre o qual existia uma sebe ou tapume de galhos espinhosos, que também podia ser uma cerca viva, para que as feras como lobos e cães selvagens não pudessem pular dentro do curral. É o bardal espanhol, do qual eu tive perfeito conhecimento durante a guerra civil, quando fui obrigado a morar na roça. Parece que existia o costume do pastor dormir junto ao portão para ser despertado caso o ladrão quisesse entrar pelo portão. Dentro do mesmo havia gado de diferentes donos e unicamente os pastores, donos da porção correspondente de ovelhas, conhecidos pelo guardião de turno, podiam entrar pelo portão. Quem não entra: O portão está sempre à disposição dos donos das ovelhas, mas é lógico que os que não são pastores das mesmas não têm permissão para entrar. Por isso entram pulando o muro. São os que João chama de Kleptes e Lestes. As duas palavras têm significados diferentes: UmKléptes é um ladrão vulgar, um fraudador, que não usa da violência, mas do engano e da astúcia; é o fur latino [daí a palavra furto]. Já um Lestes é um arrombador que usa a violência e que podemos traduzir por malfeitor, salteador, bandido, ou facínora. A vulgata traduz lestes por latro [dela provém o ladrão]. Inicialmente latro era a palavra usada para denominar o soldado que se apoderava dos bens inimigos, como saqueador dos mesmos. E foi a palavra usada para descrever Barrabás segundo João. Lestes era também o pirata. Os outros evangelistas falam de Barrabás, como se fosse de um revoltoso. O importante da afirmação é que quem entra pulando a cerca é um malfeitor que não busca o bem das ovelhas, mas pelo contrário, o proveito próprio que delas pode obter.

O Pastor. Mas aquele que entra através da porta é pastor das ovelhas (2). A este, o porteiro abre e as ovelhas ouve (m) sua voz e as ovelhas próprias chama por nome e as saca (2).
Contrariamente à conduta imprópria dos ladrões e assaltantes, o pastor do rebanho, neste caso das ovelhas, sempre entra pela porta. Na realidade, oprobata grego é usado principalmente para designar o gado menor,  composto, na Palestina da época, de ovelhas e cabras (Mt. 25,32). Como vemos, no grego usa-se o singular para o verbo ouvir, talvez dando o significado de rebanho, no caso, e poderíamos traduzir: o rebanho ouve a sua voz e chama pelo nome as ovelhas próprias e as conduz para fora.

A conduta das ovelhas. E quando fizer sair as próprias ovelhas, caminha diante delas e o rebanho o segue, porque tem conhecido a sua voz (4). Mas a um estranho não seguiriam, mas fugiriam dele porque não têm conhecido a voz de estranhos (5).
O dono das ovelhas ou o pastor das mesmas é conhecido do porteiro e entra pelo portão. Nos versículos seguintes (3,4 e 5 ) que podem ser um acréscimo do próprio evangelista como explicação, Jesus fala da relação ovelha-pastor: as ovelhas conhecem sua voz; ele as chama pelo seu nome e as conduz fora do aprisco. Logicamente, tudo isto é o oposto da maneira de agir dos assaltantes: as ovelhas são forçadas ou mortas e assim estas são as únicas maneiras de apoderarem-se delas. A um estranho não acompanhariam, mas antes fugirão dele porque não reconheceram sua voz (5).

Conclusão: esta narrativa figurada disse-lhes Jesus. Mas eles não conheceram que realidades eram das que lhes falava (6).
A tradução, querendo ser a mais literal possível, resulta às vezes um pouco forçada. Narrativa figurada é uma tradução do grego original que melhor  poderíamos traduzir por metáfora e que a Vulgata traduz por provérbio. De novo, paroimia é usada por João como metáfora prolongada ou uma fala figurada: Estas coisas vos tenho dito falando em palavras figuradas (16,25). Somente em 2Pd. 2,22, fala-se de adágio ou provérbio: aconteceu com eles o que diz o provérbio: o cão voltou ao próprio vômito. Porém os ouvintes, que eram os fariseus, não entenderam o significado desta comparação metafórica. Assim este versículo é uma conclusão lógica do evangelista, dadas as circunstâncias em que ele viveu o momento histórico que relata. Era este um lance de tensão entre Jesus e os fariseus a quem, por não ver na cura do cego de Siloé, além do fato material, a realidade transcendente do autor, Jesus terá que chamar de cegos, apesar de se declararem videntes. Por que não admitiam Jesus como o enviado do Pai? E Jesus responde com esta alegoria. Eles, porém, não entenderam a realidade, oculta sob as palavras da comparação.  Daí a explicação estrita, dada pelo próprio autor da alegoria, como veremos nos versículos seguintes.

De novo a afirmação. Disse-lhes, então, de novo, Jesus: Amém, Amém vos digo que eu sou a porta das ovelhas (7). Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e bandidos; não os escutaram as ovelhas (8).
É uma primeira declaração que explica o porquê o povo de Israel, que  era chamado de rebanho que Javé de modo particular pastoreava [dá ouvidos, ó pastor de Israel, tu que conduzes a José como um rebanho; tu que estás entronizado acima dos querubins, mostra o teu esplendor (Sl. 80,1)], tinha uma porta no redil e essa porta de entrada e saída era Ele, Jesus. Pastor, em hebraico é ra’ah que é traduzido por poimën ao grego e por pastor ao latim. Tanto no grego clássico quanto na bíblia, emprega-se em sentido metafórico para indicar um líder, um governante, um comandante. Platão fala dos chefes de uma polis como sendo cópias do divino pastor. No Oriente antigo, pastor era o título de honra que se aplicava de igual modo a soberanos e deuses. No verão seco, em terra sem água, não era fácil achar novas pastagens e o pastor devia cuidar de modo incansável dos seus animais indefesos. No AT Javé é o único Pastor do seu Povo. Esta ideia se destaca nos salmos 23; 28,29 etc. E o povo é o único rebanho de Javé. Assim se fala de que o rebanho de Israel é conduzido para o exílio (Jr. 13,17). Também, entre outras passagens, podemos citar Isaías 40, 11 onde lemos: o Senhor Javé, vosso Deus como um pastor apascenta ele o seu rebanho … No NT poimen aparece 9 vezes nos sinóticos e 6 vezes em João. Os contemporâneos de Jesus desprezavam o pastor, mas foi esta, a metáfora que Jesus empregou para expressar o amor de Deus para com os pecadores e para revelar a sua oposição à condenação destes por parte dos fariseus (Lc. 15,4-6). E, nesta alegoria, Jesus se apresenta como porta das ovelhas e como o autêntico pastor das mesmas. Estas podem ser descritas como poimnh (Jo. 10,16) ou como a soma total das mesmas com a palavra probata. Em ambos os casos, probata é a representação dos seus discípulos, os que ouvem em obediência as suas palavras. Veremos o motivo por que Jesus se identifica com a porta do aprisco já que o Pastor era Javé. A conclusão: Todos os que vieram antes de Jesus, não eram os verdadeiros pastores. Porque não entraram pela porta das ovelhas, já que Ele e só Ele era a porta. Isto quer dizer que não existiu verdadeiro Messias antes de Jesus. Quem teve a audácia de se declarar Messias antes de Jesus? No seu tempo houve revoltas contra os romanos, anteriores a Cristo, como falsos profetas. Eram os que não entraram pela porta que é Ele, Jesus, o Filho Encarnado. Ou seja, com esta frase não suprime nem Moisés nem os profetas até João o Batista, pois dEle todos eles falaram, mas todos os que rejeitaram seu nome [pessoa] como os fariseus ou, em seu lugar, tomaram o ministério de serem os Ungidos e Messias, ou salvadores da humanidade, como no caso dos Césares, de título Augusti, ou como Apolônio de Triana, Mitra e Simão o mago, para não falarmos dos falsos messias judeus como o caso de Herodes, o Magno (39 a 4 a.C. ), a quem os herodianos consideravam como Messias, Judas Galileu (4 a 6 a.C.) sucessor de seu pai Ezequias morto este por Herodes. Simão da Pereia (4 a.C.), Atronges, o pastor (4 a.C.), que foi morto por Arquelau e finalmente Judas, o Galileu (6 a.C.). Podemos falar inclusive do Batista, cujos discípulos, com o nome de mandeos ou mandeanos, ainda sobrevivem em número de cem mil no norte do Iraque. Se não entraram através da porta, que é Jesus, são falsos pastores. E definitivamente foram causa de revoltas e matanças tanto pelo poder romano como pelos poderes fáticos da Palestina da época. Cita-se Zc. 11,8: Eu destruirei os três pastores em um só mês para indicar os líderes das três seitas religiosas no tempo de Jesus: Fariseus, Saduceus e Essênios que foram suprimidas na guerra, de modo que já não mais tiveram influência dentro do mundo judeu. Faltando na Vulgata o antes de mim e em vários códices gregos, podemos incluir outros movimentos messiânicos como os do profeta samaritano (36 d.C.) morto por Pilatos, o rei Antipas (44 d.C.), Teudas, o Egípcio (45 d.C.), o profeta egípcio (58 d.C.) o profeta anônimo (59 d.C.), Menahem filho de Judas o Galileu (66 d.C.), João de Giscala (66-70 d.C.), Simão bar Giora (67-70 d.C.), Tito Vespasiano (67-81), Jonatan o tecedor(73 d.C.). Lukuas (115 d.C.), e principalmente, de Bar Kokhba (135 d.C.), o último dos messias nos tempos posteriores a Jesus. O rebanho que não os escutou, significa que não o seguiram indefinidamente, de modo que seus movimentos hoje estão completamente esquecidos. Todos eles levaram à morte seus partidários. Só Jesus morreu pelos seus e disse ao ser preso: deixai que estes se retirem (Jo. 18,8). Então de novo disse Jesus: Absolutamente vos digo: Eu sou a porta das ovelhas (7). Que significa isto? Dos parágrafos anteriores, a porta era principalmente a entrada por onde o verdadeiro pastor entra e recolhe as ovelhas para levá-las ao pasto. Mas se Jesus era a verdadeira porta, quem eram os outros que a si mesmos se intitularam como tais, até o momento em que ele veio e se mostrou aos conterrâneos?  Eram ladrões e facínoras. Por isso, não foram escutados pelas ovelhas. Quem eram estes anteriores a Jesus? Sem dúvida, os fariseus e os líderes do povo antes de Jesus. Santo Ignácio, o bispo mártir de Antioquia afirma que Jesus é a porta do Pai por onde entram Abraão, Isaac e Jacó, os profetas, os apóstolos e a Igreja (aos de Filadélfia 9,1).

NOTA: por serem pouco conhecidos, vamos falar de Simão de Pereia (4 a.C.). Após a morte de Herodes, o Grande, um escravo de seu séquito, de nome Simão, um gigante em estatura, colocou o diadema real sobre sua cabeça e foi seguido por um número considerável de adeptos. Pôs fogo no palácio de Jericó e em outras casas reais deixando que fossem saqueados.
Gratus, o comandante da infantaria de Herodes, uniu-se a alguns soldados romanos e, após derrotá-lo, cortou-lhe a cabeça.
Atronges, o pastor (4 a.C.): após a morte de Herodes, rebelou-se contra Arquelau.
Atronges, um pastor, mas de força e estatura superior, com seus 4 irmãos também de grande porte físico, comandou um grupo numeroso e colocou um diadema sobre sua cabeça. E foi chamado de rei. Matou um grande número de romanos e soldados leais a Arquelau. Atacou uma companhia de romanos em Emaús, que traziam grãos e armas para o exército. Matou 40 deles, entre eles Arius o centurião. Gratus, nosso conhecido, veio em auxílio dos vencidos. Após dois anos de luta, mortos por luta e doença os 4 irmãos, Atronges se entregou sob a promessa de Arquelau de respeitar sua vida.
Judas filho de Ezequias (4 a.C.): também após a morte de Herodes, e com um número considerável de partidários, atacou Séforis, a capital do norte e tomou as armas e pilhou a cidade. Provavelmente foi capturado pelo governador de Síria, Varo, famoso pela perda das legiões na Germânia anos mais tarde, que semeou de cruzes o caminho até Jerusalém.
Judas, o Galileu (6 d.C.): não confundi-lo com o anterior, pois se passaram 10 anos entre os dois e as circunstâncias foram totalmente diferentes. Sendo Arquelau deposto pelos romanos o seu reino foi tomado, como província da Judeia, pelo governador Copônio, que intentou novos impostos. Assim se formou uma rebelião sob a liderança de Judas o Galileu, e quando o sumo sacerdote Joazar foi incapaz de resolver a sublevação, interveio o governador adjacente da Síria, Públio Sulpício Quirino, conhecido por Lucas em 2,2. Nosso Judas, da cidade de Gamala, apoiou-se no critério do fariseu Zadok, para iniciar uma revolta que lutava contra a escravidão, à qual conduziam os impostos, e afirmando que unicamente seu Senhor era o Deus de Israel (ver o tributo ao César dos fariseus). Assim se originou a quarta seita judaica, a dos zelotes. Nos Atos, Judas foi morto e todos os que o seguiam foram dispersos (At. 5,37).
Como vemos é certíssima a afirmação de Jesus de que todos eles eram ladrões e bandidos. Só serviram para a morte de seus seguidores. No mundo moderno, aqueles que com a escusa da injustiça se levantaram como líderes de uma nova ordem mundial levaram seus seguidores à morte. Os nazistas foram responsáveis por 25 milhões de mortes, ao passo que os mortos, nos vários Estados do socialismo real, não ficaram aquém de 100 milhões, dentre os quais 20 milhões na Rússia e 65 milhões na China (tomado de Carlos I. S. Azambuja, historiador).
Pelo que diz respeito aos anos posteriores de Jesus, temos o caso de Teudas, discutível quanto a data, entre o relato dos Atos e o relato de F. Josefo. Segundo Josefo entre o ano de 44 e o 46 d.C. causou certos distúrbios ao se proclamar Messias e reuniu um grande número do povo à beira do Jordão, dizendo que dividiria as águas do rio. Cuspius Fadus, o procurador, não permitiu mais alterações e enviou uma força de cavaleiros que matou muitos e cortou a cabeça de Teudas, que foi carregada até Jerusalém. O interessante do caso é que esse Teudas é citado por Gamaliel em At 5,36, mas que a data de sua atuação deve ser retraída ao ano 33, quando Gamaliel fala diante do Sinédrio, no ano em que os apóstolos começavam a pregar o evangelho e foram impedidos pelo supremo tribunal. Fado, efetivamente foi procurador entre 44-66. Houve um erro de Lucas, ou o erro foi de F. Josefo, tantas vezes inseguro pelas datas de sua História das Antiguidades Judaicas? Cremos nesta última hipótese, já que o escrito de Lucas é muito mais próximo dos fatos.

Eu sou a Porta. Eu sou a porta. Através de mim, se alguém entrar, será salvo e entrará e sairá e encontrará pastagem (9). O ladrão não vem senão para que roube e mate e perca; eu vim para que tenham vida e sem medida tenham (10).
Jesus indica claramente que ele é único, como porta, por onde devem entrar todos os pastores de Israel. Ou seja, os reis ou dirigentes messiânicos de Israel, devem se ajustar ao único verdadeiro que é ele, Jesus. Quem não entra, como os apóstolos, pela sua porta não pode ser verdadeiro pastor. Porque os outros que não entram pela porta só se servem das ovelhas para roubar, matar e assim se perdem. Na nota temos visto como a realidade se conforma com as palavras de Jesus. Ele, pelo contrário, veio para que as ovelhas possam viver e até melhor do que viviam dentro dos limites dos antigos pastores de Israel.  Por isso, na continuação, Jesus explica seu papel de supremo e verdadeiro pastor. Mas isso ultrapassa os limites do evangelho de hoje.
PISTAS
1) A afirmação de Jesus de ser a porta do aprisco é de tal modo absoluta, que nos obriga a mantê-la como uma verdade dogmática. Todo aquele, que não se compromete com Jesus e seus ensinamentos, não pode ser verdadeiro pastor das ovelhas que constituem os súditos do reino.
2) Essa porta é única, de modo que qualquer outra porta moral ou dogmática será o mesmo que entrar no aprisco por cima da cerca. E isso constitui os tais ladrões e facínoras, que servem melhor aos seus interesses do que ao bem das ovelhas a eles encomendadas.
3) Quem são os tais? Evidentemente aqueles que buscam o dinheiro como proveito de seus serviços, ou a fama para serem louvados como tais líderes (Mc. 12,38-39), quando Jesus afirma que seu serviço é  dar a vida e para isso ele escolheu a própria morte para que elas tenham vida (Jo. 10,15). Jesus aclarará como os chefes da terra subjugam e dominam, mas aquele que quiser ser grande entre seus discípulos deve servir a todos como fez ele mesmo (Mt. 20,25-28).
4) Não podemos esquecer que os primeiros pastores são os próprios pais. Neste mundo em que o bem-estar e o prazer substituem o amor e o serviço, é bom recordar as palavras de Jesus sobre como apascentar as ovelhas, que no caso são os filhos. Por isso, o problema deste Papa será o problema da família e da conservação da vida em todos os aspectos.
padre Ignácio

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Jesus - O Bom Pastor
O quarto domingo da Páscoa, dedicado ao Bom Pastor, é o dia mundial de oração pelas vocações.
A primeira leitura narra o discurso de Pedro que apresentou ao povo de Israel a vida de Jesus, um homem que passou fazendo o bem a todos, depois fez uma grave acusação dizendo que eles o mataram, pregando numa cruz. Diz ainda que esse Jesus condenado pelos homens, foi glorificado pelo Pai mediante a ressurreição.
A reação do povo é de arrependimento e disponibilidade a proposta que vem de Deus. Por isso perguntam: O que temos que fazer? Esta completa abertura para a verdade é exigida a cada pessoa diante da palavra de Deus. Esta é sempre uma denúncia do pecado e um chamado à conversão, à mudança do modo de pensar e viver.
Diante da palavra de Deus, a única atitude honesta é a escuta humilde, a disposição para mudar, para se libertar dos erros e começar uma vida nova.
Como resposta, Pedro apresenta as três etapas que marcam o caminho da salvação; a conversão da antiga maneira de viver e dos erros cometidos, o Batismo e a alegria de receber o dom do Espírito.
Na segunda leitura Pedro fala aos recém-batizados. Uns são ricos e poderosos e outros são escravos. Alguns patrões são mais compreensivos com seus escravos, mas outros são violentos, injustos, vivem maltratando e humilhando seus escravos. Porque foram batizados, são ainda mais desprezados. E qual deve ser a reação? De revolta, violência?
Pedro responde trazendo o exemplo de Jesus. Ele ensina a amar a todos sem distinção, mesmo aos inimigos. Quem quiser construir um mundo novo, no qual reine a justiça, a paz, o amor, deve seguir o exemplo de Jesus que acolhe, perdoa e faz o bem a todos.
No Evangelho vimos que Jesus se apresenta como a porta das ovelhas. Jesus é o bom pastor que conhece as ovelhas e chama pelo nome. Ele se interessa pelos problemas de cada uma.
Em contraste com o pastor, aparecem as figuras dos ladrões e dos bandidos. Quem são eles? Como reconhecê-los? Jesus se refere aos chefes religiosos e políticos que prometem segurança, saúde e felicidade para as ovelhas, mas que na verdade buscam os interesses pessoais, usando da violência e da mentira, para dominar e explorar. Buscam na verdade prestígio pessoal e vantagens econômicas. Não são pastores, mas ladrões e bandidos, por isso as ovelhas sentem medo e fogem.
Jesus é a porta das ovelhas. Ele decide quem pode passar e quem deve ficar longe do rebanho. Para passar é preciso ter os mesmos sentimentos e as mesmas atitudes de Jesus, a ponto de dar a vida como Ele fez.
Os ladrões eram os chefes religiosos e políticos que exploravam, oprimiam e causavam todo o tipo de sofrimentos ao povo. Os bandidos eram os revolucionários que alimentam o ódio e a violência. Eles estavam impedidos de passar pela porta que é Jesus.
Jesus é o pastor que procura a vida. Ele veio para dar a vida. Não promete um caminho fácil, promete a vida e afirma que a distribuirá em abundância.
Que vida Jesus promete? Primeiro a vida deste mundo. É aqui que o cristão deve se empenhar para ter uma vida feliz e digna. Esta é a prova que é discípulo do verdadeiro pastor que deu a sua vida para que outros a tenham em plenitude.
Todo aquele que mata, que rouba, que arruína as famílias, que calunia, que agride, que pratica a violência, que explora, que destrói a natureza, está do lado da morte, e por isso não é pastor, mas bandido.
Jesus é o bom pastor. A união com Ele nos leva ao cuidado da vida da natureza e à promoção da vida dos irmãos. Quem se coloca a serviço da vida vai construindo a vida eterna.
Enviai Senhor, operários e operárias á vossa Messe.
padre Marcos Rech

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Nas relações sociais,  comunitárias,  institucionais, familiares,  e até mesmo no trabalho é bastante comum que algumas pessoas sejam identificadas e reconhecidas por suas habilidades e competências. Em função disso são qualificadas como se fosse seu próprio nome. É bem comum que por conta do modo como realizam alguma atividade elas sejam procuradas por todos dentro das instituições e comunidades em que vivem. Assim, por exemplo, reconhecemos a “dona Maria Benzedeira”, “o Seu João da padaria”, “dona Joana da creche”. Quando se fala sobre alguma destas necessidades automaticamente vem à mente a pessoa que assim é identificada.
Ora, com a pessoa de Jesus Cristo, e na relação conosco e com seus conterrâneos não foi diferente. A comunidade de Israel  o reconhecia como Mestre, Messias, Filho de Davi, carpinteiro e etc. No Evangelho de hoje ele mesmo se dá outros dois adjetivos: Bom Pastor e Porta do Redil.
Na condição de Bom Pastor se apresenta como aquele que cuida com a mais absoluta paixão por seu rebanho. Afirma com convicção tudo o que está disposto a realizar pelo seu rebanho: é capaz de entregar a própria vida.
Na condição de porta se apresenta como única passagem segura para a vida e para o encontro com o Senhor da vida.  E por isso mesmo tanto ele, quanto os que o seguem reconhecem  sua voz e se chamam pelo próprio nome.
Por causa dessa certeza os apóstolos não tiveram medo de proclamar que Ele foi o enviado do Pai, o que assumiu as dores e os riscos por causa daqueles que o mesmo Pai lhe havia confiado.
Já na segunda leitura a comunidade percebe que o jeito de ser de Jesus, pode ser também imitado por cada um dos seus seguidores. Ou seja, como o Mestre ter a coragem de carregar as dores e os sofrimentos na convicção de que eles fortalecem, purificam e garantem a realização do bem maior. Não se trata de procurar sofrimentos e provações, trata-se sim de compreender os sofrimentos que a vida exige como Cristo mesmo assumiu a cruz na perspectiva da ressurreição.
Eis a razão da oração que fizemos no salmo:  “O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei;  estais comigo com bastão e com cajado; eles me dão a segurança!”.
Confiantes no cuidado do Pastor, também cada um de nós é novamente convidado a carregar a cruz de cada dia partilhando também as provações de cada pessoa com quem convivemos. Podemos ter certeza, Ele nos conhece pelo nome e se dá a nós na Palavra, na Eucaristia e está conosco na oração da Igreja reunida e “Pelos prados e campinas verdejantes ele nos leva a descansar”.
padre Elcio
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Jesus, a porta de pastores e ovelhas
O quarto domingo pascal é conhecido, na pastoral, como o domingo do Bom Pastor. A oração do dia é inspirada por esse tema (a fraqueza/fragilidade do rebanho e a fortaleza do Pastor). Porém, desde a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, o conjunto literário do “Bom Pastor”, no Evangelho de João, foi repartido pelos três anos do ciclo, A, B e C. Neste ano A, a leitura do evangelho não apresenta, propriamente, a parábola do Bom Pastor (Jo 10,11-18, evangelho do ano B), e sim o trecho anterior, a parábola da porta e dos pastores (Jo 10,1-10). Essa parábola dá ensejo à exploração de outros temas que não os tradicionais, para que, segundo o desejo do Concílio, seja “ricamente servida” a Mesa da Palavra.
1ª leitura (At 2,14a.36-41)
A primeira leitura é a continuação da pregação missionária de Pedro que já ouvimos no domingo anterior. Apresenta-se o querigma cristão e a conversão, o que combina bem com o espírito da Páscoa como celebração do batismo. Pedro conscientiza os judeus de Jerusalém de que Jesus, rejeitado e morto por eles, foi por Deus constituído Senhor e Cristo (v. 36). Essa pregação provoca o arrependimento (metanoia) no coração dos ouvintes: convertem-se e aderem ao círculo dos discípulos (v. 37-41). O povo de Israel é agora obrigado a optar, e não só Israel, mas também os que o Senhor chamou “de longe”, os não israelitas (v. 39; cf. Is 57,19). Parte da população de Jerusalém se converte, então, àquilo que Pedro anunciou. Essa conversão pode reter, hoje, a nossa atenção. É o protótipo da adesão à Igreja em todos os tempos. Nós estamos acostumados a nascer já batizados, por assim dizer. Mas isso não quer dizer que nos tenhamos convertido para aderir a Cristo na sua Igreja. Pensemos naquela multidão que, pouco antes, desconhecia ou até desprezava o caminho e a atitude de Jesus de Nazaré e, ativa ou passivamente, havia concordado com sua crucifixão. Agora que Pedro, pela força do Espírito, lhes mostra que essa vida (de Jesus) foi certa e por Deus coroada, eles deixam acontecer no seu coração a verdadeira metanoia, a “revirada” do coração. Em virtude daquilo que lhes foi pregado a respeito do Cristo, mudam sua maneira de ver, sua escala de valores. Essa metanoia é o passar pela porta que é Cristo, como diz o evangelho, o recusar-se a ladrões e assaltantes, que se apresentam sem passar por ele. É aderir a nada que não seja conforme Cristo, marcado por sua vida e situado no seu caminho. Será que nós fizemos essa conversão?
2ª leitura (1Pd. 2,20b-25)
Pedro ensina a trilhar os passos de Jesus Cristo pastor os que vivem na condição de escravo ou servo (cf. 1Pd 2,18). Assemelhado ao Servo Padecente de Deus (cf. Is 52-53), Cristo deu, no seu sofrer, o exemplo da paciência. A imagem das ovelhas perdidas, no v. 25, corresponde à imagem do pastor, ao qual o rebanho se confia pelo batismo. Ele nos abre o caminho certo: não o da violência opressora, mas o da justiça que, para se provar verdadeira, não se recusa a sofrer.
Evangelho (Jo 10,1-10)
O evangelho de hoje é a parábola da porta do rebanho e dos pastores. No contexto anterior, a história do cego (Jo 9), os fariseus mostraram ser os verdadeiros cegos. Eles deveriam ser os pastores de Israel, mas não o são. Em continuidade direta com esse episódio – pois não há nenhuma nova indicação de cenário –, Jo 10 mostra quem não é e quem é o verdadeiro pastor. Os vv. 1-5 narram uma parábola: a cena campestre do redil comunitário, onde entram e saem os pastores e as ovelhas, mas onde também entram, por vias escusas, os assaltantes, para roubar e matar. As autoridades judaicas não entendem a parábola (v. 6), pois só entende quem crê em Cristo. Em seguida, nos vv. 7-18, a parábola é explicada em dois sentidos: Jesus é a porta (vv. 7-10), Jesus é o pastor (vv. 11-18). No trecho lido hoje, é apresentada a parábola introdutória e a primeira explicação: Jesus Cristo é a porta. Por ele, entram os pastores verdadeiros, por ele são conduzidas as ovelhas até os prados onde encontrarão vida. Antes dele vieram pessoas que entravam e saíam, não pela porta, mas por outro lugar: eram assaltantes, conduziam as ovelhas para a perdição, para tirar-lhes a vida. Pouco importa quem sejam esses assaltantes – Jesus parece pensar nos mestres judeus de seu tempo – não os devemos seguir. O que importa é a mensagem positiva: que passemos pela porta que é Jesus Cristo. Só o caminho que passa por ele é válido. Essa porta se situa, portanto, na comunidade dos fiéis a Cristo. Na comunidade que representa o Cristo, depois da ressurreição, encontramos o que nos serve para sempre; teremos o mesmo acesso ao Pai que os apóstolos encontraram na pessoa de Jesus (cf. Jo 14,6-9). Jesus com a sua comunidade é a porta que dá acesso ao Pai. Jesus dá acesso ao caminho da salvação tanto aos pastores, para entrarem, quanto aos rebanhos, para saírem rumo às pastagens. Onde há vida, é por Cristo que chegamos a ela (cf. Jo 14,6). O prefácio da Páscoa II (Cristo, nosso guia para a vida nova) e a oração final (proteção e “prados eternos” para o rebanho) dão continuidade a esse tema.
Salvação por meio de Jesus
O tempo pascal é um tempo de reflexão sobre a realidade de nosso batismo e de nossa fé. Ora, nosso batismo não é real sem metanoia, sem mudança de caminho, para conscientemente passar por Cristo. O batismo por conveniência não tem nada que ver com a conversão implicada no batismo verdadeiro.
Conversão como reconhecimento do que está errado e adesão a Cristo como escolha do caminho certo, eis o que nos propõe a liturgia de hoje. Mas, apesar de certa austeridade nessas considerações, temos também o testemunho da gratificação vital que essa conversão a Cristo nos traz. No contexto em que vivemos, podemos, porém, fazer uma pergunta: a salvação vem só por Cristo?
A parábola e sua primeira explicação (Jesus, a Porta) nos ensinam que pastor, mesmo, é só quem passa através de Jesus e faz o rebanho passar por ele. O sentido fundamental da pastoral é ir às pessoas por Cristo e conduzi-las através dele ao verdadeiro bem. As maneiras podem ser muitas: antigamente, talvez, usavam-se modos mais paternalistas; hoje, modos mais participativos. Mas pode-se chamar de pastoral uma mera ação social ou política? Por mais importante que seja, ainda não é, de per si, ação pastoral cristã. Para ser pastoral cristã, a atuação precisa ser orientada pelo projeto de Cristo, que ele nos revelou, dando sua vida por nós.
Nessa ótica, os pastores devem ir aos fiéis (não aguardá-los de braços cruzados), através de Cristo (não através de mera cultura ou ideologia), para conduzi-los a Deus (não apenas à instituição que é a Igreja), fazendo-os passar por Cristo, ou seja, exigindo adesão à prática de Cristo. Os fiéis devem discernir se seus pastores não são “ladrões e assaltantes”, e o critério para discernir é este: se chegam através de Cristo e fazem passar os fiéis por ele.
A julgar pelas palavras do Novo Testamento, parece que toda a salvação passa por Cristo. Mas isso deve ser entendido num sentido inclusivo, não exclusivo. Todo caminho que verdadeiramente conduz a Deus, em qualquer religião e na vida de “todos aqueles que procuram de coração sincero” (Oração Eucarística IV), passa, de fato, pela porta que é Jesus. Escrevendo, provavelmente, a pessoas que já aderiram à fé em Jesus, o Evangelho de João ensina: não precisam procurar a salvação fora desse caminho. Isso vale ser repetido para os cristãos de hoje. Por outro lado, não é preciso que todos confessem o Cristo explicitamente para encontrar a salvação. Basta que, nas opções da vida, optem pela prática que foi, de fato, a de Cristo. Agir como Cristo é a salvação. E é a isso que a pastoral deve conduzir.
padre Johan Konings, sj
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O ponto mais alto da Palavra de Deus, para este domingo, encontra-se no texto do Santo Evangelho – São João 10, 9-10: «Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai doaprisco e encontra pastagem. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».

Primeira leitura – Atos 2,14a.36–41
Temos hoje a continuação da leitura do discurso de são Pedro no dia do Pentecostes. E continuaremos em todos os domingos pascais a ter trechos dos Atos dos Apóstolos como 1ª leitura.
36 «Deus fez Senhor e Messias esse Jesus». É evidente que Jesus não é feito Senhor, isto é, Deus e Messias, só após a prova a que foi sujeito (a Sua Paixão e Morte), mediante a Sua Ressurreição e glorificação. No plano divino, era a Ressurreição de Jesus que devia manifestar plenamente a sua condição e poder divinos e fazê-Lo entrar no gozo perfeito da glória que Lhe competia como Pessoa divina e Messias (cf. Lc. 24,26). O verbo grego «epóiêsen» (fez) parece ser a tradução do verbo hebraico «xamó»: «colocou-O como».
38 «O Batismo em nome de Jesus Cristo». É chamado assim, «em nome de Jesus», para o distinguir de outros batismos correntes na época, como o de João e o dos prosélitos. Chama-se «de Jesus», não só por ter sido instituído por Jesus, mas também porque nos faz pertencer a Cristo, incorporando-nos n’Ele (cf. Rm. 6,3; Gal. 3,27). Esta expressão nada nos diz da fórmula ritual usada na administração do Sacramento, que seria a trinitária, como que consta de Mt. 28,19, exigida para a validade.
«Recebereis o dom do Espírito Santo». Não se designam aqui os chamados «sete dons do Espírito Santo», mas sim o dom (que é) o Espírito Santo (trata-se de um «genitivo epexegético, ou de aposição», como lhe chamam os gramáticos). Não é fácil de saber se o texto se refere à recepção do Espírito Santo mediante o batismo, ou mediante a imposição das mãos no Sacramento da Confirmação (cf. At. 8,17; 19,6).
39 «Quantos de longe». É uma referência aos gentios (cf. At. 22,21; Ef. 2,13).

Segunda leitura - 1  Pedro 2,20b–25
Os vv. 21b-25 formam um hino a Cristo, muito belo, com uma alusão final ao cumprimento da profecia do Servo de Yahwéh (4º canto: Is. 52,13 – 53,12) e ao Bom Pastor (cf. Jô 10,11-16; 21,15-19); também se pode ver uma alusão a Ez. 34,11-16, onde é o próprio Deus que vem apascentar as suas ovelhas dispersas (alusão em que se pode ver um deraxe cristológico, isto é, a aplicação a Jesus do que no A. T. se diz de Yahwéh).
Os conselhos que aqui temos são dirigidos particularmente aos escravos (cf. v. 18). Não sendo possível então acabar com uma ordem social injusta, como era a escravatura, Pedro não desiste de ajudar os escravos a santificarem-se na condição a que estão sujeitos, imitando a Cristo – seguindo os seus passos – sofredor e obediente até à morte: sendo inocente «sofreu por vós» (v. 21), suportou os nossos pecados… pelas suas chagas fomos curados» (v. 24). Portanto, se os que são escravos forem tratados de modo injusto, que se deixem de lamentações inúteis, mas suportem tudo como Jesus, que «Se entregava Àquele que julga com justiça», que «não pagava com injúrias» e «não respondia com ameaças» (v. 23). Esta exortação mantém atualidade para nós, hoje, já que é frequente ter de «suportar sofrimentos por fazer o bem» (v. 30). E «isto é uma graça aos olhos de Deus» (v. 20b).

Evangelho – João 10,1–10
No capítulo 10 de João podem ver-se duas parábolas, as únicas do IV Evangelho: a parábola do pastor e o ladrão (1-6) e a do pastor e o mercenário (11-13), ambas explicadas por Jesus. Neste ano, temos a primeira.
1-5 - Para uma reta compreensão da parábola devem-se ter presentes os costumes pastoris da Palestina. Durante o dia, os rebanhos dispersavam-se pelas poucas pastagens daquelas zonas pobres. À noite, especialmente a partir da Primavera, eram recolhidos em recintos descobertos, rodeados de uma sebe ou pequeno muro. Nesta cerca, que faz de «aprisco», era frequente reunirem-se vários rebanhos, que ficavam a ser vigiados de noite por algum guarda pago, um «mercenário», ao passo que os pastores se albergavam em cabanas armadas nas proximidades. De manhã, cada pastor vinha à porta do recinto chamar as suas próprias ovelhas, que já lhe conheciam o grito habitual e que vão atrás dele para as pastagens. Quem não entrar pela porta, mas saltar o muro, é «ladrão e salteador», e «não vem senão para roubar, matar e destruir» (v. 10); não vem para apascentar o rebanho.
7-10 - O sentido da parábola é claro e fica explicado pelo Senhor. Parte do dado de que o Povo de Deus é o rebanho de Yahwéh (Ez 34). Aqueles que, sem mandato divino, vieram antes de Jesus são «ladrões e salteadores» (v. 8), que cuidam só dos interesses próprios, inimigos e rivais de Jesus, causando destruição no rebanho (v. 10), ao passo que Jesus, e só Ele, que veio para dar a vida em abundância (v. 10), é o autêntico Pastor. Jesus apresenta-se como a «Porta» do redil, a porta por onde as ovelhas têm de passar para chegar à salvação e ter a vida eterna, «a vida em abundância» (v. 10). No v. 7, de acordo com os vv. 1-2, Jesus aparece como a porta que dá acesso ao aprisco, a sua Igreja; assim Jesus indica que só são legítimos pastores, os que passam por Cristo, recebendo d’Ele o mandato; os demais pastores só trazem ruína ao rebanho.

MENSAGEM PARA O 45º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
«As vocações a serviço da Igreja-Missão»
Aos apóstolos Jesus ressuscitado confiou o mandato: «Ide, pois, fazei discípulos meus entre todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt. 28,19) e assegurando: «Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo» (Mt. 28,20). A Igreja é missionária no seu conjunto e em cada um dos seus membros. Se, graças aos sacramentos do batismo e da Confirmação, cada cristão é chamado a testemunhar e a anunciar o Evangelho, a dimensão missionária é especialmente e intimamente ligada à vocação sacerdotal. Na aliança com Israel, Deus confiou a homens selecionados, chamados por Ele e enviados ao povo em seu nome, a missão de serem profetas e sacerdotes. Assim fez, por exemplo, com Moisés: «E agora, vai! – lhe disse Javé – Eu te envio ao Faraó [...] [...] quando tiveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus sobre esta montanha». (Ex. 3,10.12). Igualmente acontece com os profetas.
2. As promessas feitas aos pais se realizaram plenamente em Jesus Cristo. A este respeito, afirma o Concílio Vaticano II: «Veio pois o Filho, enviado pelo Pai, que n’Ele nos escolheu antes de criar o mundo, e nos predestinou para sermos filhos adotivos [...] Por isso, Cristo para cumprir a vontade do Pai, inaugurou na terra o Reino dos Céus e revelou-nos o seu mistério, realizando-o, com a própria obediência, a redenção» (Const. Dogmática Lúmen Gentium, 3). Durante a pregação na Galileia, na vida pública, Jesus escolheu os discípulos como seus diretos colaboradores no ministério messiânico. Por exemplo, na multiplicação dos pães, quando disse aos Apóstolos: «Dai-lhes vós mesmo de comer» (Mt. 14,16), animando-os assim, a assumir o peso das necessidades das multidões, às quais queria oferecer o alimento para saciar-lhes a fome, mas também revelar o alimento «que dura para a vida eterna» (Jô 6,27). Movia-se de compaixão pelo povo, porque, ao percorrer cidades e aldeias, via multidões cansadas e abatidas, «como ovelhas sem pastor» (cf. Mt. 9,36). Do seu olhar de amor brotava o convite aos discípulos: «Pedi ao Senhor da messe, que mande operários para sua messe» (Mt. 9,38), enviando antes os Doze, com precisas instruções, «às velhas perdidas da casa de Israel». Se nos detemos a meditar esta página do Evangelho de Mateus, conhecida comumente como «discurso missionário», observamos todos aqueles aspectos que caracterizam a atividade missionária de uma comunidade cristã, que deseja ser fiel ao exemplo e ao ensinamento de Jesus. Corresponder ao chamado do Senhor supõe enfrentar cada perigo com prudência e simplicidade, e inclusive as perseguições, pois «um discípulo não é mais que seu mestre, nem um servo mais que o seu patrão» (Mt. 10,24). Feitos uma coisa só com o Mestre, os discípulos não ficam sós para anunciar o Reino dos Céus, mas é o mesmo Jesus que age neles: «Quem vos acolhe, a mim acolhe; e quem me acolhe, acolhe aquele que me enviou» (Mt. 10,40). Além disso, como verdadeiras testemunhas, «revestidos da força do alto» (Lc. 24,49), estes pregam «a conversão e o perdão dos pecados» (Lc. 24,47) a todos os povos.
3. Precisamente por terem sido enviados pelo Senhor, os Doze receberam o nome de «apóstolos», chamados a percorrer os caminhos do mundo anunciando o Evangelho, como testemunhas da morte e ressurreição de Cristo. Escreve são Paulo aos cristãos de Corinto: «Nós – isto é os Apóstolos – anunciamos Cristo crucificado» (1Cor. 1,23). Neste processo de evangelização, o livro dos Atos dos Apóstolos considera também muito importante o papel de outros discípulos, cuja vocação missionária surge através circunstâncias providenciais, às vezes dolorosas, como a expulsão da própria terra enquanto seguidores de Jesus (cf. 8,1-4). O Espírito Santo permite transformar esta prova em ocasião de graça, fazendo com que o nome do Senhor seja anunciado a outros povos, ampliando assim o círculo da comunidade cristã. Trata-se de homens e de mulheres que, como escreve Lucas no livro dos Atos, «arriscaram a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo» (15,26). O primeiro entre todos, chamado pelo Senhor mesmo para ser um verdadeiro Apóstolo, é, sem dúvida, Paulo de Tarso. A história de Paulo, o maior missionário de todos os tempos, descreve, em muitos aspectos, qual seja o nexo entre a vocação e a missão. Acusado pelos seus adversários de não ter sido autorizado para o apostolado, ele mesmo, repetidas vezes, apela ao chamado recebido diretamente pelo Senhor (cf. Rm. 1,1; Gal. 1,11-12.15-17).
4. O que «impeliu» os apóstolos no início, e no decorrer dos tempos, foi sempre «o amor de Cristo» (cf. 2Cor. 5,14). Como fiéis servidores da Igreja, dóceis à ação do Espírito Santo, muitos missionários, ao longo dos séculos, seguiram as pegadas dos primeiros discípulos. Observa o Concílio Vaticano II: «Embora todo discípulo de Cristo incumba-se da obrigação de difundir a fé conforme as suas possibilidades, Cristo Senhor chama sempre dentre os discípulos os que ele quer para estarem com ele e os enviarem a evangelizar os povos (cf. Mc. 3,13-15)» (Decreto Ad gentes, 23). De fato, o amor de Cristo foi comunicado aos irmãos, com exemplos e palavras - com toda a vida. «A vocação especial dos missionários ad vitam – escreveu o meu venerável Predecessor João Paulo II - conserva toda a sua validade: representa o paradigma do compromisso missionário da Igreja, que sempre tem necessidade de doações radicais e totais, de impulsos novos e corajosos» (Enc. Redemptoris missio, 66).
5. Entre as pessoas que se dedicam totalmente a serviço do Evangelho estão, de modo particular, muitos sacerdotes chamados para anunciar a Palavra de Deus, administrar os sacramentos, especialmente a eucaristia e a reconciliação, dedicados ao serviço dos mais débeis, dos doentes, dos sofredores, dos pobres e dos que passam por momentos difíceis, em regiões da terra onde ainda hoje existem multidões que não tiveram um verdadeiro encontro com Cristo. Para estes, os missionários levam o primeiro anúncio do seu amor redentor. As estatísticas testemunham que o número dos batizados aumenta cada ano, graças à ação pastoral destes sacerdotes, inteiramente consagrados à salvação dos irmãos. Neste contexto, seja dado um especial reconhecimento «aos presbíteros fidei donum que edificam a comunidade, com competência e generosa dedicação, anunciando-lhe a palavra de Deus e repartindo o pão da vida, sem pouparem as suas energias ao serviço da missão da Igreja. Por fim, é preciso agradecer a Deus pelos numerosos sacerdotes que tiveram de sofrer até ao sacrifício da vida por servir a Cristo [...]. Trata-se de comoventes testemunhos que poderão inspirar muitos jovens a seguirem por sua vez a Cristo e gastarem a sua vida pelos outros, encontrando precisamente assim a vida verdadeira.» (Exortação ap. Sacramentum caritatis, 26). Desta forma Jesus, através dos seus sacerdotes, se faz presente entre os homens de hoje, até às mais distantes extremidades da terra.
6. Não são poucos os homens e as mulheres que, desde sempre na Igreja, movidos pela ação do Espírito Santo, escolheram de viver radicalmente o Evangelho, professando os votos de castidade, pobreza e obediência. Esta multidão de religiosos e de religiosas, pertencentes a numerosos Institutos de vida contemplativa e ativa, tem tido «até agora uma parte importantíssima na evangelização do mundo» (Decreto Ad gentes, 40). Com a oração perseverante e comunitária, os religiosos de vida contemplativa intercedem incessantemente pela inteira humanidade; os de vida ativa, com suas múltiplas formas de ação caritativa, levam a todos o testemunho vivo do amor e da misericórdia de Deus. Diante destes apóstolos do nosso tempo, o Servo de Deus Paulo VI, pôde dizer: «Graças à sua consagração religiosa, eles são por excelência voluntários e livres para deixar tudo e ir anunciar o Evangelho até as extremidades da terra. Eles são empreendedores, e o seu apostolado é muitas vezes marcado por uma originalidade e por uma feição própria, que forçosamente lhes granjeiam admiração. Depois, eles são generosos: encontram-se com frequência nos postos de vanguarda da missão e a arrostar com os maiores perigos para a sua saúde e para a sua própria vida. Sim, verdadeiramente a Igreja deve-lhes muito» (Exortação ap. i, 69).
7. Além disso, para que a Igreja possa continuar a missão que lhe foi confiada por Cristo e não faltem os evangelizadores que o mundo necessita, será oportuno que nas comunidades cristãs, nunca falte uma constante educação na fé das crianças e dos adultos; é necessário manter vivo nos fiéis um sentido ativo de responsabilidade missionária e de participação solidária com os povos da terra. O dom da fé chama todos os cristãos a cooperarem na evangelização. Esta consciência seja alimentada através da pregação e da catequese, pela liturgia e por uma constante formação na oração; seja incrementada com o exercício da acolhida, da caridade, do acompanhamento espiritual, da reflexão e do discernimento, como também com a elaboração de um plano de pastoral, do qual faça parte integrante o cuidado das vocações.
8. Somente num terreno espiritualmente bem cultivado brotam as vocações para o sacerdócio ministerial e para a vida consagrada. De fato, as comunidades cristãs, que vivem intensamente a dimensão missionária do mistério da Igreja, jamais serão levadas a fechar-se em si mesmas. A missão, como testemunho do amor divino, se torna particularmente eficaz quando é partilhada comunitariamente, «para que o mundo creia» (cf. Jô 17,21). A graça das vocações é o dom que a Igreja invoca diariamente ao Espírito Santo. Desde o seu início a comunidade eclesial, recolhida em torno à Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, d’Ela aprende a implorar do Senhor o florescimento de novos apóstolos, que saibam viver no seu íntimo aquela fé e aquele amor necessários para a missão.
9. Ao confiar esta reflexão a todas as comunidades eclesiais para que a façam suas e, sobretudo, para suscitar subsídios de oração, encorajo o empenho de todos que trabalham com fé e generosidade ao serviço das vocações e, de coração, envio aos formadores, aos catequistas e a todos, especialmente aos jovens na caminhada vocacional, uma especial bênção.
Papa Bento XVI, Vaticano, 3 de dezembro de 2007
Adriano Teixeira - Geraldo Morujão
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