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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 10 de junho de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* comunhão, ou comum união 15junho2014

O que está na Bíblia
·                  As Escrituras (nem hebraicas nem no novo Testamento) citam a “Trindade”. O termo e os conceitos afins (“Pessoas”, “Naturezas”) foram elaborados nos primeiros séculos do cristianismo, ente debates, acusações de heresias, concílios e declarações. Na Bíblia está sublinhada a ação de salvação própria do criador. Ali a história de um “Povo escolhido” conhecida como a “história da salvação”.
·                  Este patrimônio contido principalmente nas Escrituras, “sagradas” porque consideradas revelação divina desdobra-se em narrativas, poemas, orações e profecias. O Judaísmo e os seguidores de Jesus elaboram conceitos, doutrinas e tradições (orais e escritas) com intento de falar da “natureza” do seu Deus. No cristianismo os gestos salvíficos são tidos como atuação das “Pessoas” unidas numa Comunhão que, “integrada” por três, leva ao termo “Trindade”.
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Unidade
·                  Com nossos pais na Fé (do Judaísmo) sabemos que de que Um só Deus é Santo, criador (pai) comum de todos. O cristianismo afirma que Deus se revela como “Comunhão” assim como a “aliança” (cf.Moisés) abre a possibilidade da “comunhão” entre o “Santo” e o mortal. O ser humano, imagem e semelhança do criador, busca necessariamente comunhão na diversidade. Nos primeiros séculos do cristianismo elaborou-se esta linguagem que fala do Uno que é comunhão de “três pessoas”. Hoje o mundo globalizado talvez seja mais sensível a contemplar na Trindade o modelo de seu sonho de comunhão e paz. É preciso começar nos círculos mais próximos: família, amigos e conhecidos, lugar onde também começam conflitos e divisões. Depois, sonha-se com a paz na Cidade e no mundo, com Jeremias já anunciava (falando aos exilados na cidade inimiga de Babilônia): “buscai a paz da cidade e orai por ela ao Senhor, porque na sua paz tereis paz”.

“Pai” & “Filho”
·                  LEMOS hoje (Êxodo34,4-6.8-9)  Moisés gritou: “Senhor, Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. O “Pai” é o Deus que se revela como Deus de misericórdia, pois é amoroso e compassivo. Mas Pai, Filho, Espírito não são termos usados só com o significado habitual (também é “Mãe”, em alguns discursos dos Profetas). Que significa “o Pai”? Jesus escolhe esta palavra entendendo que ele é a Fonte de tudo; que sua Vontade é que cheguemos ao seu “Reino” ou habitar em sua Casa. Está na oração do Pai Nosso. A investigação e exegese, sobretudo do evangelho de João, caracteriza Deus pela doação ou entrega (com os verbos equivalentes de “enviar” e “atrair” para Deus). Pai é o mesmo que “origem”, “fonte” de quem tudo provém.
·                  Este o significado da “criação” (que não é uma “teoria” alternativa contraposta à teoria da “evolução”). A narrativa da criação é meditação sobre a gênese (quanto ao ser) do mundo, da vida e dos humanos – não sobre a genética biológica ou os processos físico-químicos de formação das estrelas. Tudo é “dado” a nós, humanos (para esse dom a teologia criou o termo “Graça”). A criação é uma espécie de verbalização dos desejos que estavam na mente divina (E Deus disse...). E a redenção (ou “salvação”) acontece na “entrega” da própria vida, pelo Filho. Dela resulta para os humanos (graça sobre graça Jo1) poder chegar à Vida plena e abundante (João 10,10): a salus (saúde, salvação, ressurreição).
·                  Mas ele é ”Pai” porque Jesus é “Filho”. Aqui é preciso superar aqui o risco do “antropoformismo”, quer dizer: compreender os termos com nossas categorias humanas, particularmente as biológicas, porque o conceito de pai diz capacidade de procriar. Mas “Deus” pertence a um “mundo” inacessível. Transcendente, ele não pode ser “enquadrado” só em categorias humanas. E a relação de Jesus com o Pai também é única e exclusiva: ele não é um mero “descendente” do pai.
·                  É claro que “alguma” analogia do mundo humano é aplicável, caso contrário seria impossível qualquer comparação ou parábola. Jesus é, por assim dizer, do “mesmo sangue” de Deus, da mesma “natureza” divina. É “gerado” pelo Pai, pois tudo o que diz e o que faz vem de Deus. “Eu e o Pai somos Um”, como ele insiste na conversa-testamento da Ceia: “Quem me vê, vê o Pai”. É a “imagem perfeita” do Pai – dirá Paulo. E vice-versa, Deus não age, não fala e não se dá a conhecer (não se torna “visível”) senão por meio de Jesus.

Espírito
·                  A “intensidade” especial e infinita, da “relação” entre o Pai e o Filho é feita de Amorosidade total. Esse “olhar mútuo” (na Bíblia é também a relação do Criador com seu povo e com todos os povos) é comparado ao amor humano, por exemplo, no Cântico dos Cânticos e nos livros proféticos. Esse “modo de ser” no amor constitui-se como se fosse uma realidade “independente” com outras “características” que não são o Pai nem o Filho. Realidade que se comunica e se transmite. Primeiro é dada ao Filho que, por sua vez envia este Advogado cujo outro nome é “o Espírito” ou “Espírito Santo”. O adjetivo “Santo” marca distinção de outros termos, como “psique”, o “lado” humano (unido ao corpo como sua “força vital”), ou “o espírito humano”, raiz da inteligência e do afeto.

Vida
·                  O Amor, o Espírito Santo, habita em nós. É “invasão” divina entranhada no ser humano, penetrante como o “ar” nos pulmões (em hebraico e em grego o mesmo termo indica o vento, a respiração e o espírito). Por sua “Presença” inefável podemos re-conhecer Deus na vibração no mesmo “tom” de Jesus e do Pai. O Espírito é como um “diapasão” cujo tom permite sintonizar e harmonizar com o Pai mediante o Filho.
·                  O amor de Deus é gratuito e oferta para todo o mundo (leitura de hoje, “festa da Trindade”: Deus tanto amou o mundo que lhe entregou seu Filho único, para que não desapareça nenhum dos que nele creem. A.Gilbert diz que é preciso rejeitar a ideia simplista de que só o batizado, e que diz crer em Jesus, vai para o céu (vida eterna); outros acabam no inferno (na morte). Ora, é uma questão de vida ou morte que não pode ser reduzida a uma espécie de filiação ao partido, do qual Deus seria o presidente autoritário e implacável. Acrescento a tal comentário: esta visão ingênua reduziria a Fé a um conjunto de regras ou estatutos de um partido ou clube.

Concluindo
·                  Os comentários se alongam em palavras pobres, diante desse abismo de profundidade do Mistério. Só os místicos e os puros de coração usam poucas palavras talvez na intuição da verdade que os move para praticar o bem. A Trindade não é uma equação matemática, complexa e difícil que espera um cientista para sua resolução. Nossa dificuldade não vem só do aparente paradoxo do “Deus-comunhão” em Unidade indivisa. O mais difícil talvez, seja superar o ruído existencial, maior que o barulho exterior, a agitação que desvia a atenção à inspiração que vem de dentro.
·                  Cremos que a Vida é a própria substância de Deus, que, desde sempre (“no princípio”, ele desejou compartilhar com as criaturas, a tal ponto que entregou seu Filho para mergulhar no espaço-tempo de nossas limitações. Sua Vontade é que cheguemos ao Reino já neste mundo (não peço que os tires do mundo, mas que os preserves do mal - Jo17,15). “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos - na verdade somos de sua raça” (Atos17,28). Defender a Vida,  preservá-la e promovê-la: que seja abundante para todos (Jo10,10).
·                  Nosso tão intrincado “enigma” da Trindade parece mais simples no Mistério da Vida. Aceitemos e passemos adiante a saudação de Paulo (2ª leitura): A Graça do Senhor Jesus Cristo, o Amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo, seja com todos vocês..

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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

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