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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 17 de junho de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*         como a criança não teme pular para o colo
O 2ºdom.após Pentecostes é 12ºdo Tempo Comum em 22 junho 2014

Ciclos & calendários. Datas importantes nas 3 religiões “ocidentais” mais tradicionais
·             Trocam-se figurinhas, acrescentam-se feriados, vendem-se novos aparelhos de TV, espalham-se bandeirinhas em carros e janelas. Todo mundo acompanha o calendário da Fifa. No calendário litúrgico cristão “ocidental”, neste ano da Copa, encerramos domingo passado um ciclo e retoma-se o “Tempo Comum” (situado entre os ciclos “não ordinários” do Natal e o da Quaresma/Páscoa. Para ortodoxos (no Oriente em geral) este 2º domingo após a Páscoa é de todos os santos “locais”, pois o anterior foi comemoração de Todos os santos de todos os continentes e eles leem hoje: Rm2,10-16 e Mt4,18-23). Nas liturgias “ocidentais” (entre parênteses as alternativas no LCR do “próprio 7”) lemos Jeremias 20,10-13 (7-13 ou Gn21,8-21), depois Romanos 5,12-15 (6,1b-11) e a Boa Nova em Mateus 10,26-33 (24-39).
·             Irmanados na mesma origem (a mesma fé de Abraão), é bom ver as celebrações semelhantes (desde a Páscoa até festas principais de junho) de Ortodoxos, Católicos (as duas Tradições separaram-se no ano 1054) e dos outros irmãos da Reforma (separação no interior do catolicismo, desde o séc.16). Acompanhemos também algumas importantes datas no Judaísmo e do Islamismo – abreviaturas: O,C,R,J e I .
20 abril = Páscoa – OCR          celebrada a Pessach dos Judeus de 15 a 21 de abril.
28 abril = Yom HaShoa (dia da memória do holocausto, dos Judeus)
29 mai =  Ascensão de Jesus – OCR
08 jun = Pentecostes – OCR (o Pentecostes dos Judeus – Shavuot – foi em 04 de junho)
12 jun = Miraj (ascensão de Maomé) - Islam
15 jun = Trindade – CR (os Ortodoxos celebram junto com Pentecostes)
19 jun = Corpus Christi – há países em que a solenidade católica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo passou para o domingo. O costume de percorrer ruas das cidades parece ter sugerido outra forma de manifestação pública que “reúne igrejas cristãs de várias denominações” (como definem os organizadores) na chamada “Marcha para Jesus” (Curitiba, 17/5; Rio,31/5; S.Paulo, 7/6).
28 jun = Primeiro dia do Ramadã, mês especial para os Islam que termina na festa de 28 de julho.

“Não tenhais medo” é o tema das 3 leituras.
·         O tema hoje é o da Confiança que deveria ser tão grande quanto a certeza de uma crinça que pula sem medo, acreditando que será sustentada pelos braços da mãe ou do pai.
·                  Jeremias, como todos os profetas, sabe que os inimigos (e às vezes até os “muy amigos”...) apostam no seu fracasso. Sabe também que “o Senhor do Universo” não o abandonará: está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos. Ficarão cheios de vergonha pelo seu fracasso, ignomínia eterna que não será esquecida.
·                  Paulo, em seu tratado sobre a Fé, a Graça e a Misericórdia de Deus (carta aos Romanos) também insiste na Confiança, elaborando uma nova antropologia, disto é, uma nova visão do ser humano, à luz da Redenção. De fato, desde que existe ser humano sobre a face da Terra, sempre existiu destruição pelo mal (ao qual foi dado o nome de Pecado).  O ser humano é capaz até mesmo de matar seu semelhante, como está dramaticamente simbolizado nas figuras de Caim e Abel. Essa presença terrível e misteriosa da maldade no meio da vida humana também produz a morte (a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo para aqueles que não tinham pecado). A expressão paulina está no contexto da explicação de que há pecado onde se transgride a lei. Mas é notável que ele diga: antes mesmo de conhecer a Lei de Moisés (capaz de apontar o dedo para o Pecado) nossos antepassados hebreus estavam sob o poder da morte. Poderíamos acrescentar: mesmo fora da religião, antes ou depois dela, todo humano é um ser-para-a-morte, para usar uma expressão do filósofo Heidegger
·                  No texto de Mateus (cap.10), as afirmações de Jesus insistem na Confiança. -Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se. -Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. -Não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens,também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus.
·                  Repete 3 vezes: “Não tenhais medo”. Primeiro, porque considera inevitável a vinda do Reino, que ele anuncia. Com a vinda desse “Reino”, a mentira dos inimigos ficará exposta à verdade. Em seguida, o Mestre lembra que Deus cuida dos discípulos com um secreto carinho, de tal modo que ninguém lhe pode tirar suas vidas, mesmo que o “corpo” – aqui termo oposto a “psyché”, que é o “sopro vital” (a Vida) – possa ser abatido pela morte. Aliás, dizemos em geral que a morte é “do corpo”, mas ela acontece precisamente quando desaparece aquela “respiração” própria do “sopro de Vida” (cf. relato da criação no Gênesis ou o “sopro” de Jesus no primeiro encontro no domingo da ressurreição.
·                  Ora, como frisa o Apocalipse (c.20,6.14), a “Salvação” é não ter de passar pela “segunda morte”. Esta a promessa de Cristo para quem viver no (e do) amor, agindo como ele agiu na vida. A Fé não esconde os conflitos da vida. E é curioso que é só procurando preservar a vida, atentos sobretudo aos que mais dela precisam: os excluídos, doentes, expulsos pelas guerras e pelo desemprego – ver o resumo de todos os “pobres” no texto das Bem-aventuranças dos quais o Mestre se tornou servidor. Cuidar da Vida é a resposta ao dom da existência. A Esperança cristã está na ressurreição, isto é, a Vida definitiva que não sofrerá a “segunda morte”.
·                  Finalmente, o terceiro “não tenhais medo” lembra um Julgamento final de toda a história, quando a fidelidade dos discípulos ao Mestre – apesar dos conflitos enfrentados – confirmará que seguiram o melhor caminho: confiar no Pai que nos dá valor. Porque valemos “mais do que muitos pássaros”. E até eles são acompanhados na vida e na morte pelos cuidados do Pai.

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( * ) Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

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