.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 24 de junho de 2014

Comentários-Prof.Fernando


Comentários-Prof.Fernando* (3ºdom.pós-Pentec. = 13º ciclo Comum)-29jun2014
Solenidade de são Pedro e são Paulo

·                     Esta é uma das mais antigas solenidades cristãs e fazia parte do calendário litúrgico muito antes da fixação da data do Natal. Já no século IV havia três celebrações neste dia em Roma: uma em são Pedro, ou na igreja são Paulo-fora-dos-muros e a terceira nas catacumbas de são Sebastião onde se acreditavam terem sido escondidos, durante as invasões dos bárbaros, os corpos dos dois apóstolos.
·                     Textos: Atos 12,1-11; 2Timóteo 4,6-8.17-18; Mateus 16,13-19. A festa católica é transferida para este domingo que seria o 3º após Pentecostes como o celebram os ortodoxos e muitas igrejas que seguem no LCR, as leituras do “Próprio 8”: Gênesis1-14; Jeremias 28,5-9; Romanos 6,12-23; Mateus 10,40-42. Para todas as igrejas (católica romana, exceto quando transfere a festa para o domingo), anglicana, ortodoxa e luterana mantém-se a data tradicional de 29 de junho. Leituras (LCR): Ezequiel 34.11-16; 1Coríntios 3,16-23; Marcos 8,27-35. Ortodoxos: 2Cor11,21-12,9; Mt 16,13-19.

O ministério petrino
·                     A festividade que lembra o martírio de Pedro e Paulo fica frequentemente em segundo plano, embaçada por uma visão vulgarizada, favorecida por festas juninas e por um certo folclore em torno do “dia do papa”. Vale a pena, portanto, lembrar palavras recentes do atual bispo de Roma – que ocupa a antiga cátedra petrina. Em que pesem conflitos de séculos entre as demais igrejas da “pentarquia” (Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Constantinopla) Roma mantinha relações amigáveis com as demais igrejas da cristandade. Do ano 1054 em diante, porém, deu-se a separação entre Ocidente e Oriente quando exacerbados conflitos que, aliás, sempre houve, ao menos desde o século VIII. Os estudiosos continuam discutindo como eram as relações (primazia? hegemonia? etc.) entre estas cinco igrejas do primeiro milênio cristão. São questões complexas, que demandam muitos estudos históricos e teológicos pois envolviam política, teologia, práticas, além de imperadores, patriarcas, línguas, cruzadas... O recente encontro entre Francisco, de Roma, e Bartolomeu, Patriarca ortodoxo, apontam para a necessidade de perseverar na estrada da fraternidade e das ações comuns que ajudem à unidade visível da Igreja.
·                     No domingo passado, dia 22, celebrava-se a festa do “Corpo e Sangue e Corpo de Cristo” (no Brasil, mais conhecida como Corpus Christi continua na quinta-feira após o domingo da Trindade), “quando a Igreja louva o Senhor pelo dom da Eucaristia ao passo que na Quinta-feira Santa fazemos memória da sua instituição na Última Ceia” (cf. “Homilia do Santo Padre Francisco em Sibari na Calábria” 22.06.14). “Somos um povo que adora Deus” e “um povo que caminha, que não está parado, caminha!” foram a senha inicial nesta pregação de denúncia do crime organizado (Máfia) numa região que é capital dessa “adoração do mal e desprezo do bem comum” e, ainda: “quem segue em sua vida esta estrada do mal, como é o caso dos mafiosos, não estão em comunhão com Deus: estão em excomunhão”. Mas os temas (adorar e caminhar) da pregação completam-se na segunda parte do sermão: “Hoje, como Bispo de Roma, estou aqui para confirmar-vos não só na fé mas também na caridade (...) expressar o meu apoio (...) a todos da Igreja em Calábria, empenhada corajosamente na evangelização e no favorecer estilos de vida e iniciativas que coloquem num lugar central as necessidades dos pobres e dos últimos”.

A pregação do bispo de Hipona (em29-6-413,ou411.d.C.)
·                     Segue um resumo de outro sermão do famoso Agostinho (filósofo e teólogo cuja obra gigantesca influencia o pensamento ocidental). Cf. sermão nº295 in: PL38,1348-1352; os subtítulos não constam do texto latino e são de uma tradução italiana das obras completas.

(n.1) A pedra sobre a qual a Igreja foi edificada é o próprio Cristo
A paixão dos apóstolos Pedro e Paulo tornou sagrado para nós este dia. Não estamos falando de alguns mártires quaisquer. (...) Estes viram o que anunciaram, seguindo a justiça, proclamando a verdade, morrendo pela verdade.
Feliz é Pedro, o primeiro dos Apóstolos, que amava ardorosamente o Cristo e que pôde ouvir: Eu te digo que tu és Pedro (Mt16,18). De fato foi ele que dissera: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt16,16) ao que lhe retrucou o Cristo: E eu te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.(Mt16,18).
Sobre esta pedra edificarei a fé, que estás proclamando.
Sobre isso que disseste Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo, edificarei a minha Igreja.
Por isso és Pedro.
Pedro, de pedra, e não pedra, de Pedro. Pedro, de pedra, assim como cristão, de Cristo.
Queres saber de qual pedra seja chamado Pedro? Ouve então Paulo, o apóstolo de Cristo, dizendo: Não quero que ignoreis, irmãos que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, todos atravessaram o mar, foram batizados em Moisés na nuvem e no mar, comeram o mesmo alimento espiritual, e todos beberam da mesma pedra espiritual que os acompanhava: e a pedra era Cristo. (1 Cor 10, 1-4). Eis de onde vem Pedro.

(n.2) A Pedro, que personifica a Igreja, as chaves do reino dos céus. Dadas a um só, pois dadas à unidade da Igreja. Cristo primeiro ressuscita, depois dá-nos a Igreja.
O Senhor Jesus, antes de sua paixão, como sabeis, escolheu aos que chamou Apóstolos, entre os quais só Pedro mereceu personificar toda a Igreja. Em atenção a tal personificação de toda a Igreja mereceu ouvir: Eu te darei as chaves do reino dos céus (Mt16,16-18).
De fato recebeu estas chaves não um único homem, mas a unidade da Igreja. Daí celebrar-se a excelência de Pedro, porque personificou a Igreja na sua universalidade e unidade quando lhe foi dito: a ti entrego – o que a todos foi entregue.
Pois – para que saibais que a Igreja recebeu as chaves do reino dos céus, ouvi o que diz o Senhor em outra ocasião a todos os seus Apóstolos: Recebei o Espírito Santo, e: A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; se os retiverdes, ficarão retidos (Jo20,22-23).
Isso faz parte das chaves, das quais foi dito: O que desligardes na terra, será desligado também no céu (Mt16,19). Isso foi dito a Pedro, mas para que saibais que Pedro então personificava a Igreja universal, escutai o que foi dito a ele e a todos os santos fiéis: Se o teu irmão pecar contra ti, corrija-o (...), se não te escutar chama um ou dois (...), se nem a estes escutar, refere-o à Igreja (...). o que ligardes na terra, também o será no céu, e tudo o que desligardes (...) (Mt18,15-18). A Pomba liga e a Pomba absolve; o edifício [edificado] sobre a pedra liga e absolve.

(n.6) Paulo: de perseguidor a Apóstolo de Cristo.
Que venha Paulo de Saulo, como o cordeiro vem do lobo: primeiro adversário, depois apóstolo; antes perseguidor e depois pregador. Que venha, que receba cartas de apresentação dos sumos sacerdotes e vá encontrar cristãos para conduzi-los prisioneiros para a condenação. Que receba as cartas, receba e se ponha na estrada, desejando a matança, tendo sede de sangue. (...)
De fato (como foi escrito – At 9,1) andava desejando a matança. E se aproximava de Damasco quando o Senhor do céu diz: Saulo, Saulo, por que me persegues? Eu estou aqui e eu estou lá: aqui a cabeça, lá o corpo. (...). E ele, apavorado e tremendo: Quem és tu, Senhor? E o Senhor: Eu sou Jesus o Nazareno que persegues. E logo se transformou (...).
E lhe foi dito o que fazer. Antes mesmo de Paulo ser batizado o Senhor fala a Ananias: Vai àquela estrada, até um homem chamado Saulo, batiza-o, porque ele é para mim um vaso escolhido. Um vaso é para conter algo, não para ficar vazio, é para ser preenchido. De quê, senão de Graça? Mas Ananias responde: Senhor! soube que este homem fez muita maldade aos teus fiéis (...). Ananias tremia ao ouvir o nome de Saulo.
Tremia a ovelha frágil, pela fama do lobo, ainda que sobre ela estivesse a mão do pastor.

(n.7) Paulo e Pedro passaram a Cristo
E eis que o Senhor lhes mostrou o quanto precisavam sofrer pelo seu nome. Na fadiga, nos grilhões, nas feridas, nas prisões, nos naufrágios, até o martírio, até este dia. Um dia para os martírios dos dois apóstolos. Mas os dois eram um, mesmo que martirizados em diferentes dias. Primeiro Pedro, seguido de Paulo. Quem primeiro era Saulo, depois foi Paulo. Antes soberbo, depois, humilde. (...) Afinal, quem é Paulo? Pergunta a ele mesmo e responderá: Eu sou o menor de todos os Apóstolos (1cor15,9).

(n.8) Celebramos os dias dos mártires para nos animar a imitá-los
·                    Amemos sua fé, vida, fadigas, sofrimentos, testemunhos, pregações. (...) O que querem de nós os mártires? (...) se ainda procuram os louvores humanos ainda não venceram. (...). Que nossa caminhada seja na direção do Senhor. Ele mesmo, em primeiro lugar, caminhou. Depois intrépidos Apóstolos, depois mártires, meninos, mulheres, meninas. Mas quem estava neles? Aquele que disse: Sem mim nada podeis fazer (Jo15,5).

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
( * ) Prof.(1975-2012:filos. educ. teol. ética) - fesomor2@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário