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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 25 de junho de 2014

São Pedro e São Paulo

SÃO PEDRO E SÃO PAULO

SOLENIDADE

29 de Junho de 2014 
Evangelho - Mt 16,13-19

Comentários-Prof.Fernando


"...tu és Pedro,
e sobre esta pedra construirei a minha Igreja,
e o poder do inferno nunca poderá vencê-la."

-SÃO PEDRO E SÃO PAULO-José Salviano


         Hoje a Igreja Católica Apostólica Romana festeja a sua  fundação pelo próprio Jesus Cristo.  Leia mais...


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PEDRO E PAULO: OS PILARES QUE SUSTENTAM A NOSSA IGREJA! - Olívia Coutinho

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO.

Dia 29 de Junho de 2014

Evangelho Mt 16,13-19

 Com muita alegria, celebramos hoje, a festa dos dois pilares que sustentam a nossa Igreja: São Pedro e São Paulo.
 Vindos de realidades diferentes, estes dois homens, Pedro, um simples pescador e Paulo, um Judeu culto de origem romana, deixaram-se conquistar por Jesus se entregando por inteiros a serviço do Reino de Deus, e assim como o próprio Jesus, deram a vida pela causa deste Reino!
Olhando a escolha de Pedro para conduzir a Igreja, podemos perceber que Jesus fundou a sua Igreja sobre a fragilidade humana, sobre a responsabilidade de um homem como nós, sujeito a falhas!
Jesus não edificou a sua igreja sobre homens considerados grandes aos olhos do mundo, mas sobre Pedro, um homem de origem simples, que representa os homens de toda história da Igreja: homens santos e pecadores!
O evangelho que nos é  apresentado nesta solenidade, vem nos despertar para a importância  de conhecermos bem Jesus, de nos tornar  íntimos Dele. 
O texto nos diz, que Jesus, no desejo de saber se os seus discípulos  já haviam entendido o seu messianismo, lança-lhe duas perguntas:“Quem dizem o povo que eu sou? Para esta pergunta, surgiram várias resposta, afinal, é fácil responder em nome do outro, não compromete! Já  quando esta mesma  pergunta é direcionada aos discípulos, vem o silencio, pois desta vez, ela  requer uma resposta pessoal, o  que exige  comprometimento. 

Pedro foi o único que respondeu, e respondeu com firmeza: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.” Esta  resposta,  agradou Jesus, pois Ele  sabia que esta afirmação de Pedro, era fruto da sua convivência com Ele. A partir de então, Jesus convoca Pedro, para uma missão desafiadora: ser a pedra, sobre a qual, Ele  construiria a sua Igreja. “... Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja...”

Este episódio chama a nossa atenção sobre a responsabilidade de quem afirma conhecer Jesus! Saber quem é Jesus, é muito mais do que saber que Ele é Deus, é estar disposto a assumir a missão que ele nos delega, mesmo que esta missão nos traga grandes riscos. Afirmar que conhecemos Jesus, implica em comprometimento com a sua causa, em dar continuidade a sua presença aqui na terra, no cuidado com o que é de Deus!
Antes de entregar a Pedro, a responsabilidade de conduzir a sua Igreja, Jesus não questiona o seu passado, não lhe faz nenhuma exigência, a não ser o seu comprometimento em transformar o seu amor por Ele, em cuidado com o que lhe é mais precioso: o povo de Deus!
Convocando Pedro, para a liderança da sua Igreja, Jesus demonstra a sua compreensão para com a fragilidade humana. Com esta convocação, Ele faz um passeio amoroso no coração de Pedro, um coração duramente castigado pelo remorso de tê-Lo negado por três vezes. E no seu  amor misericordioso, Jesus mostra a Ele, que o seu vacilo na fé, nunca o separou Dele!  Entregando a Pedro a responsabilidade de conduzir o seu rebanho, Jesus deixa claro que já o havia perdoado e que Ele conhecia a grandiosidade do seu coração, razão pela qual, Ele o escolhe como o Pastor das ovelhas do Pai!
A partir desta convocação de Pedro, a igreja missionária, fundamentada no amor a Jesus, conduzida pelo Espírito Santo, sobre a liderança de Pedro, dá o seu primeiro passo rumo a uma nova Jerusalém, tendo mais tarde, a grande colaboração de Paulo, a igreja  itinerante!
O amor a Jesus é o fundamento de toda comunidade cristã, portanto, numa comunidade cujo centro é Jesus, um líder não se destaca pela sua autoridade, e sim, pelo seu amor a Jesus transformado em serviço!
A missão da Igreja consiste em revelar aos homens, a vida nova que brota da ressurreição de Jesus! Sua grande riqueza está na abertura à todos os povos e culturas! A Igreja é unidade, é  a guardiã do amor, do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
 Pedro e Paulo são modelos de discípulos, missionários, com suas virtudes e fraquezas, mas sobre tudo, pelo seu amor e fidelidade a Cristo e a sua Igreja.

Nesta solenidade, unamos em oração pelo nosso Pastor, o represente legítimo de Jesus aqui na terra: o Papa Francisco.

São Pedro e São Paulo roguem a Deus por nós!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia
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Tu és Pedro e eu te darei as chaves do Reino dos céus
Jesus faz perguntas aos seus discípulos para introduzi-los no seu mistério. A questão não é tanto definir a identidade de Jesus, mas os discípulos definirem a sua própria identidade. Jesus é o amor que se revela e que agora quer ser reconhecido pelos discípulos. Ser cristão significa viver minha relação com Deus em Jesus Cristo, em resposta ao amor dele por mim. Jesus pergunta a opinião dos outros a respeito dele.
Só depois quer saber a opinião deles próprios. O que se pode concluir dessa pedagogia de Jesus é que a opinião dos discípulos deve ser absolutamente pessoal, não pode ser a dos outros e nem depender deles. A evangelização de Jesus está num momento decisivo: Pedro, em nome de todos os colegas, reconhece Jesus como o Messias e Filho de Deus. A partir daí eles podem entrar num aprendizado a respeito de Jesus, próprio de quem ama. Só amamos o que conhecemos e só conhecemos o que amamos.
O evangelho é de revelação: discípulos reconhecem Jesus, em seu ser e em sua missão, e Jesus define a identidade e a missão dos apóstolos. Jesus é o Messias, o Filho de Deus e o centro da fé, Pedro é pedra para a edificação da comunidade. É a primeira pedra da construção eclesial. Cabe-nos hoje dar uma resposta adequada para que possamos continuar construindo esse edifício que se chama comunidade eclesial, que tem como fundamento a autoridade e a missão.


Na liturgia, hoje celebramos a festa dos apóstolos são Pedro e são Paulo. Paulo, de perseguidor dos cristãos, transformou-se num dos maiores defensores do cristianismo. Hoje, carinhosamente também nos lembramos do santo Padre o papa Bento XVI, o legítimo sucessor de são Pedro.
O papa é o verdadeiro representante de Jesus na terra. Jesus fez de Simão Pedro a pedra de sustentação da sua Igreja, pois encontrou muita firmeza e sinceridade nas suas palavras. "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo!"
Esta afirmação foi feita pelo Espírito Santo, através de Pedro. Nestas palavras encontramos a grande prova da presença do Espírito Santo entre os apóstolos. O evangelho de hoje sugere que nos deixemos guiar pelo Espírito. O Espírito Santo encoraja, abre os olhos e os corações.
Alguns achavam que Jesus era João Batista, outros diziam que era Elias ou algum dos profetas. Ainda hoje, ouvimos muitas referências a respeito de Jesus. Dois mil anos depois e ainda o chamam de homem excepcional, de grande mestre ou dizem que Jesus foi o maior dos profetas. Muitos o conhecem por diversos títulos, poucos o reconhecem como Verdadeiro Deus.
“Quem sou eu para vocês?” Já pensou, se Jesus aparecesse hoje e nos fizesse esta pergunta, o que diríamos? É provável que a nossa resposta seria igualzinha àquela de Pedro. Sem pestanejar, e talvez sem muita convicção, gritaríamos essa frase feita: “Tu és o Messias, o Filho de Deus Vivo!”
Provavelmente, Jesus insistiria para obter uma resposta individual e concreta. Talvez dissesse: “É isso mesmo que você pensa, ou é o que você ouve desde pequeno na catequese, nas homilias e, até mesmo em aulas de teologia?”
“Quero saber mais” - diria. “Quero uma resposta lá do fundo do seu coração; que influência eu exerço em sua vida e quais as mudanças que essa fé trouxe para a sua vida familiar, profissional e comunitária?” Diria ainda, “Só mais uma perguntinha: o que você tem feito para propagar essa verdade?”
O que responder? É bom estarmos preparados, pois certamente seremos cobrados. Somos batizados, somos Igreja, e como membros dessa Família nós temos que evangelizar, gritar com convicção, para que o mundo todo ouça que Jesus, o Ungido, o Messias e Verdadeiro Deus está entre nós.
Feliz aquele que acredita e propaga o que o Pai do Céu revelou. Feliz aquele que assume a sua função na construção do Reino. Sejamos pedra, sejamos Pedro, homem de fé, que apesar dos seus momentos de covardia e de fraquezas, sabia humildemente arrepender-se e recomeçar tudo de novo.
Hoje comemoramos também são Paulo. Paulo não fez parte do grupo dos doze, mas foi chamado por Jesus no momento em que se preparava para prender muitos cristãos. Paulo não fechou seus ouvidos. Ouviu e entendeu as Palavras de Jesus. Deixou-se invadir pelo Espírito Santo e entregou-se de corpo e alma ao serviço da evangelização.
Paulo mudou, transformou-se. Passou de perseguidor a seguidor de Jesus Cristo. Aquele que exterminava cristãos entregou sua própria vida para levar vida às comunidades cristãs. Foi radical a mudança de Paulo.
É exatamente isso que Jesus espera de cada um de nós. Quer que nos tornemos Pedros, quer ver-nos convertidos em Paulos. Jesus quer ver suas ovelhas apascentadas e quer que façamos das nossas vidas uma carta viva, com exemplos concretos, de como viver o amor.
Jorge Lorente

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Tu és Pedro...
O diálogo com os discípulos introduz as palavras dramáticas com que Jesus anuncia pela primeira vez sua paixão e faz sua proposta: o dom da vida (vv. 21-28).
Quem dizeis que eu sou? (vv. 13-16). Se em nossos dias Jesus nos perguntasse: “Quem sou eu para você?”, certamente responderíamos com as palavras de Pedro, pois olharíamos para ele com satisfação, como fazem os alunos que estão convencidos de ter superado com sucesso a prova do exame. Mas ele, provavelmente, insistiria: isto não é o que você pensa, é ainda o que você ouviu os outros dizerem, os padres, as irmãs, os catequistas; mas para você, pessoalmente, quem sou eu? Que influência eu tenho na sua vida, quais as mudanças que a fé em mim operou em você?
Na segunda parte da passagem de hoje, vemos que Jesus diz a Simão: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...”. Então, o que é que Jesus entende quando afirma: “sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”? Ele se refere à fé nele professada por Pedro. Essa fé constitui o fundamento sólido da Igreja. Torna-a invencível e capaz de dominar as forças contrárias. Todos aqueles que, como Pedro, professam a fé em Jesus Cristo Filho do Deus vivo passam a fazer parte deste edifício solidíssimo que jamais ruirá.
A expressão “as portas do inferno” não deve ser entendida em sentido material. Indica as forças do mal, o que é contrário à vida e ao bem do homem. Nada poderá impedir a Igreja, que acredita firmemente em Cristo, de realizar sua missão de salvação.
Pedro recebe também “as chaves e o poder de ligar e de desligar”. Antes de procurar entender o significado dessas duas imagens, notemos que o poder de ligar e de desligar não é reservado a Pedro, é conferido, logo depois, a toda a comunidade (Mt. 18,18; cf. Jo 20,23).
Essas imagens, usadas frequentemente pelos rabinos do tempo de Jesus, indicam a autoridade de transmitir os ensinamentos do mestre e de decidir o que é conforme e o que é contrário ao evangelho.
Pedro, que apenas manifestou sua fé em Cristo, representa os apóstolos e todos os cristãos que professam a mesma fé.
Mas qual é seu ministério específico? É este o ponto que divide as comunidades cristãs de todo o mundo. Essa divisão é provocada certamente pelo pecado dos homens, não pela palavra de Jesus. Para reconstruir a unidade, não podemos pretender que sejam os outros que se devam converter para nós, nem os irmãos das outras confissões exigir que nos convertamos a eles. Todos devemos converter-nos: para Cristo e para a sua palavra.
No Novo Testamento, esse apóstolo aparece sempre em primeiro lugar e é ele que deve confirmar a fé dos outros (Mt 10,2; Lc 22,32; Jo 21,15-17). Isso indica que a Igreja tem, no bispo de Roma, o encarregado de manter a unidade na fé em Cristo, professada por Pedro.
“O Mílite”
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Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!
O texto do capítulo 12 dos Atos dos Apóstolos no traz à lembrança aquele momento crucial, vívido pela comunidade - mãe, em Jerusalém, quando Pedro foi miraculosamente resgatado da ira do rei Herodes. Como acontece com políticos venais, o ímpio rei queria agradar aos judeus, como já o fizera com Tiago, determinando a morte de alguém que era crido ser inimigo e traidor do povo e da nação. Privados do coordenador, pensava ele, os "nazarenos" se dispersariam, amedrontados. É que em Pedro e na sua firme fé no Cristo ressuscitado estava alicerçada a igreja. Estava e continua ainda hoje ancorada em Pedro, o Bispo de Roma, a quem Cristo incumbiu de fortalecer a fé de seus irmãos.
O texto da segunda carta de Paulo a Timóteo nos emociona ao ouvir o seu quase testamento informando-nos que "estava a ponto de ser imolado e que já se aproximava o instante de sua libertação"... do seu corpo, para receber a "coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz com certeza lhe dará". Diante do iminente martírio, nada de medo! Ao contrário, a satisfação de ter cumprido, com perfeição e heroísmo, a missão que o Senhor Jesus lhe confiara.
A coragem, o heroísmo, a generosidade destes dois gigantes da Igreja foram resultado de sua completa e definitiva adesão ao Jesus de Nazaré que, mais do que um Profeta, era o Ungido, o Cristo, o Filho do Deus vivo.
"Sei em quem acreditei!"... "Senhor, tu sabes tudo! Tu sabes que eu te amo!"
Este é o momento de repetirmos, como cristãos sinceros, a confissão destes dois apóstolos. A figura deste mundo é transitória. Não podemos basear nossa felicidade em fumaças espúrias, tóxicas e enganadoras. Quando campeia a mentira ao nosso redor, é preciso duplicar a atenção para não se deixar envolver, arrastados no torvelinho das ilusões baratas, que nos afastam da verdade.


No mês de junho celebram-se alguns dos santos mais queridos da devoção popular: santo Antônio, são João Batista e são Pedro. São festas marcadas por elementos de sabor folclórico, como as fogueiras, as quadrilhas, as comidas típicas: as festas juninas. A Igreja olha tudo isso com maternal compreensão, dentro daquela linha pedagógica ensinada por Jesus: não apagar a mecha que ainda está fumegando, nem quebrar o caniço que está apenas rachado (cf. Mt. 12,20). Ela sabe que por debaixo dessas manifestações menos "canônicas" há sempre implícito algum traço de fé. E os santos festejados acabam sendo uma espécie de padrinhos da fé, que levam o povo à Igreja nos dias de suas festas.
Mas evidentemente a Igreja espera e deseja resgatar cada vez mais o verdadeiro valor dessas festas, para que apresentem aos fiéis o sentido da vida desses santos na caminhada do Povo de Deus. Agora, por exemplo, estamos celebrando São Pedro - transferido de 29 de junho. Na verdade, a festa é de são Pedro e são Paulo, os dois apóstolos que estão nas raízes da Igreja de Roma e do mundo, como está anunciado no cântico de sua festa, lembrando o martírio dos dois, na perseguição de Nero: “Roma feliz, tornada cor de púrpura - destes heróis no sangue tão fecundo". Mas, por motivos óbvios, prevalece nesta data a homenagem a são Pedro, ficando são Paulo para ser mais festejado no dia de sua conversão, que é 25 de janeiro.
Hoje festejamos, então, são Pedro. Aquele que Jesus constituiu chefe visível da Igreja na terra, quando lhe disse: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja" (Mt. 16,18); e a quem confiou a guarda universal do rebanho, na aparição à beira do lago de Tiberíades, depois da Ressurreição: "Apascenta as minhas ovelhas ...apascenta os meus cordeiros" (Jo 21,15.16). E é importante conferir no Evangelho e nos Atos dos Apóstolos a indiscutível posição primacial de Pedro entre os Apóstolos. Como - só para dar um exemplo - quando ele convocou a comunidade para escolher um apóstolo que ocupasse o lugar de Judas, o traidor.
E, na festa de são Pedro, a Igreja espontaneamente volta seu olhar para o Papa, o sucessor de Pedro no governo da Igreja. E é uma porfia de orações, "para que o Senhor o conserve, lhe dê longa vida, e o faça feliz na terra, e jamais permita que as forças inimigas prevaleçam contra ele" .E é uma tomada de consciência sobre o sentido da autoridade do Papa na Igreja.
Começa pela figura da "pedra", de que se serviu Jesus, mudando até o nome de “Simão" para "Cefas", palavra hebraica que significa "pedra" , possibilitando o jogo de palavras na fórmula da promessa do primado, que em nossas línguas ocidentais encontra similar em francês, onde "Pierre" é Pedro, e "pierre" é pedra. Pedra é sinônimo de unidade e de firmeza. A autoridade do Papa é como um robusto bloco de granito, que simboliza a firmeza e a unidade da Igreja; e que dá aos fiéis uma profunda sensação de segurança, em face das investidas do erro e da violência. O Papa João Paulo gosta de usar a expressão consagrada pelo Vaticano II: "(Cristo) propôs aos demais apóstolos o bem-aventurado Pedro, e nele instituiu o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade de fé e comunhão (LG 18/41 a).
Essas duas palavras - fé e comunhão - foram sabiamente escolhidas para definir a natureza da autoridade do Papa. Ela é uma autoridade de fé. Para que se conserve na Igreja sem confusão nem dubiedades a pureza da doutrina que Jesus nos ensinou. É a autoridade de magistério que o Papa exerce na Igreja. Para nossa total confiança. Jesus dissera a Pedro: "Eu roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. E tu, por tua vez, confirma teus irmãos na fé" (Lc. 22,32). Sua palavra é para nós sinal da verdade. Mesmo fora dos casos em que ele declare estar praticando um ato definitivo de pastor e mestre supremo da Igreja - caso em que ele goza pessoalmente da infalibilidade que Cristo prometeu a sua Igreja - sua palavra é sempre luz que guia o Povo de Deus pelo caminho da verdade.
E a sua é uma autoridade de comunhão. Que une a Igreja como uma grande família. O papa é o vigário do amor pastoral de Cristo. Cristo lhe confiou o seu rebanho. E, antes desse gesto de entrega de tão grande poder, quis ouvira declaração de Pedro: "Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo" (Jo 21,29). E nossa obediência ao papa é uma obediência de filhos. Uma obediência de amor. Não a subserviência de bajuladores. Nem mesmo a obediência fria de meros observadores de leis. É a entrega nas mãos da paternidade universal do Santo Padre.
padre Lucas de Paula Almeida, CM
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Pedro e Paulo
Celebrando hoje a festa de são Pedro e são Paulo, exaltamos seu exemplo de fidelidade a Jesus Cristo e seu ardoroso testemunho no projeto libertador de Deus.
Na pessoa de Pedro, destaca-se o Pastor das comunidades, aquele que é referência da fé para os irmãos.
Na pessoa de Paulo, aparece mais o líder missionário, que forma comunidades e faz expandir a fé em todas as nações. Pedro recorda mais a instituição... Paulo, o carisma...
As leituras bíblicas nos falam dos dois apóstolos.
Na 1ª leitura, vemos são Pedro: (At. 12,1-11). Preso pelas autoridades... "para agradar os judeus"... Guardado como "perigoso" por 16 homens... e libertado por Deus... O texto mostra que o testemunho dos discípulos gera oposição e morte. Mas a oposição não pode calar esse testemunho.
Mostra uma comunidade cristã unida e solidária, na oração. E Deus escuta a oração da comunidade...
Mostra a presença efetiva de Deus na caminhada da Igreja e o cuidado de Deus para os que lhe dão testemunho. O nosso Deus não nos abandona...
Na 2ª leitura vemos são Paulo (2Tm. 4,6-8.17-18).
Também está preso, pela última vez: está ciente da própria condenação. Faz um balanço final de sua vida a serviço do Evangelho: "Estou pronto... chegou a minha hora... combati o bom combate ... terminei a corrida... conservei a fé... E agora aguardo o prêmio dos justos... Senhor esteve comigo... a ele Glória..." A própria Morte ele a vê como a libertação definitiva...
Suas palavras são um "testamento espiritual" sereno e alegre, consciente do dever cumprido. Modelo de missionário ardoroso e entusiasta...
No Evangelho, Pedro faz a profissão de fé e recebe o primado (Mt. 16,13-19).
O texto tem duas partes: a primeira de caráter cristológico: centra-se em Cristo e na definição de sua identidade "Tu é o Cristo, o Filho de Deus Vivo".
Na segunda de caráter eclesiológico: centra-se na Igreja que Jesus convoca à volta de Pedro "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja".
A base ("rocha") firme sobre a qual vai se assentar a Igreja de Jesus é a fé que Pedro e a comunidade dos discípulos professaram: a fé em Jesus como o "Messias, Filho de Deus vivo".
Dessa adesão, nasce a Igreja, a comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada à volta de Pedro.
A Pedro e à comunidade dos discípulos é confiado o poder das chaves, isto é, a autoridade para interpretar as palavras de Jesus, às novas necessidades e situações e para acolher ou não novos membros na dos discípulos do Reino.
Pedro torna-se assim uma figura de referência para os primeiros cristãos e desempenha uma papel de primeiro plano na animação da igreja nascente.
Pedro e Paulo são figuras gigantescas da Igreja primitiva, que tinha a missão de continuar a obra salvadora de Cristo.
Na Igreja, Pedro recebe poderes para desempenhar a sua missão: por isso, nem o poder do inferno terá vez contra ela. E essa promessa de Cristo não é apenas à pessoa de Pedro.
Se a Igreja deve permanecer, mesmo depois da morte de Pedro, devemos admitir que os poderes concedidos a Pedro, passem também aos seus legítimos sucessores, que são os papas.
Por isso, nesse dia celebramos também o dia do papa, que ainda hoje continua sendo sinal de unidade e de comunhão na fé. O papa é o chefe visível da Igreja na terra. Sua missão é espinhosa, sobretudo hoje, com mudanças rápidas e violentas... com contestações dentro e fora da Igreja.
Como é difícil saber discernir, no meio de tantas turbulências! Ele merece o nosso amor... mas que não seja um amor só de palavras, mas um amor concreto. Rezando por ele, escutando a sua voz e praticando seus ensinamentos.
Relembrando as figuras de são Pedro e são Paulo, perguntemo-nos:
- damos testemunho de Cristo, como eles, no ambiente em que vivemos?
- acreditamos que somos responsáveis pela continuação do Projeto de Deus?
Relembrando a figura do papa, continuemos a nossa oração, pedindo a Deus que lhe dê muita Luz para apontar sempre o melhor caminho para a Igreja e muita força para enfrentar com otimismo e alegria as contestações do mundo moderno.
Graças ao entusiasmo de Paulo, a Igreja avançou no espaço e no tempo. Sejamos continuadores dessa maravilhosa obra inaugurada por Cristo.

Tu és Pedro
A liturgia de hoje celebra a festa solene de dois apóstolos, que tiveram uma presença marcante na Igreja primitiva: Pedro e Paulo.
Pedro, discípulo de Jesus, escolhido por ele como o primeiro papa e Paulo, o primeiro missionário, que levou a Igreja ao mundo.
Os dois personificaram a identidade da Igreja, como discípulo e missionário.
Diferentes na missão, no caráter, no estudo, mas profundamente unidos no amor e na fé por Cristo e sua Igreja. A celebração de hoje é muito antiga, anterior até a própria festa do Natal.
As leituras bíblicas falam desses dois grandes apóstolos.
Na 1ª leitura, aparece Pedro: preso pelas autoridades... para agradar os judeus... com data marcada para morrer (At. 12,1-11).
- Vemos o Testemunho, que gera oposição e perseguição;
- a atitude da Igreja, que unida e solidária reza por Pedro;
- a presença efetiva de Deus que não abandona seus discípulos na provação...
Na 2ª leitura, Paulo: (também preso, prestes a morrer, ano 67), escreve um Testamento espiritual de sua vida a serviço do Evangelho,
um caminho a ser seguido por todos os cristãos.
"Estou pronto... chegou a minha hora... combati o bom combate... terminei a corrida... conservei a fé... E agora aguardo o prêmio dos justos.
O Senhor esteve comigo... a ele glória..." (2Tm. 4,6-8.17-18)
No Evangelho, Cristo confere a Pedro o primado sobre a Igreja. (Mt. 16,13-19)
O texto é uma Catequese sobre o Papel eclesial de Pedro. Tem duas partes:
1. de caráter cristológico: Define a identidade de Jesus: "Quem sou eu"?
- Na perspectiva dos homens, Jesus é apenas um homem bom e justo como tantos outros.
- Na opinião dos discípulos: "Jesus é o Cristo, o Filho de Deus": é o Messias esperado por Israel para libertar e salvar o seu povo e também o enviado de Deus, o Filho de Deus,
2. de caráter eclesiológico: a Igreja é convocada à volta de Pedro: "Pedro, és a Rocha (pedra) sobre a qual edificarei a minha Igreja".
- Essa "Rocha" é a fé que Pedro e a comunidade dos discípulos professaram: a fé em Jesus como Messias, Filho de Deus vivo.
- "O Poder da morte nunca poderá vencê-la". Jesus garante a estabilidade e a firmeza da Igreja frente às forças do mal.
- "O poder das chaves": Revela a futura missão de Pedro: "Pedro recebe 'as chaves do Reino' e ocupa o primeiro lugar, com a missão de guardar a fé na sua integridade e de confirmar os seus irmãos" (CCIC 109)
- "Atar e desatar": a Pedro e à comunidade é confiado o poder de interpretar as palavras de Jesus, de adaptar os ensinamento de Jesus aos desafios do mundo e acolher na comunidade todos aqueles que aderem à proposta de salvação que Jesus oferece.
Quem é Jesus para nós? Que lugar ele ocupa em nossa vida?
De que Igreja Jesus falou naquele dia a Pedro? O texto confirma a verdade da Igreja: Igreja é a comunidade dos discípulos que reconhecem Jesus como o Messias, o Filho de Deus.
É uma comunidade organizada, que professa sua fé no Mestre, na qual existem pessoas que presidem e desempenham serviços.
A verdadeira Igreja fundada por Cristo foi confiada à comunidade dos discípulos, representada na pessoa de Pedro e dos seus sucessores.
A Bíblia nos fala da vocação e da atividade deles:
São Pedro, a rocha firme, conhece Cristo às margens do lago, segue-o desde o começo da vida apostólica e em Cesárea de Filipe, reconhece publicamente com ardor e fé o Cristo como Filho do Deus vivo.
São Paulo chega a Jesus por um caminho diferente. Conhece-o como um adversário, que deve ser combatido, como aquele que anuncia um deus diferente dos mestres de Israel...
No caminho de Damasco recebeu uma luz do alto que mudou por completo a sua vida.
A partir daquele momento torna-se um Discípulo fiel e um ardoroso Missionário que percorre, em quatro ou cinco viagens, o mundo conhecido de então, pregando o Evangelho e fundando novas comunidades cristãs.
A Igreja continua a obra de Cristo... Na Igreja, Pedro e seus sucessores são os chefes visíveis, aos quais Cristo conferiu um poder e uma autoridade especial, sendo um sinal de unidade da comunidade edificada por Cristo.
Por isso, nesse dia em que a liturgia relembra esses baluartes da Igreja primitiva, celebramos também o dia do papa.
Hoje o papa continua a missão de Pedro e o testemunho de Paulo, com fidelidade e zelo, como pastor e guia.
Unidos na fé e no amor, continuemos unidos na oração libertadora, atentos à voz do papa, acolhendo-a com ternura e entusiasmo e seguindo-a com firmeza.

"Tu és Pedro"
Celebramos hoje a festa de dois apóstolos marcantes da Igreja primitiva: são Pedro e são Paulo. Diferentes: na vocação, no caráter, no estudo, na missão... Unidos: no Amor e na fé a Cristo e à Igreja...
Pedro, a rocha firme, conhece Cristo às margens do lago, o segue desde o começo durante toda a vida apostólica e em Cesaréia de Filipe o reconhece como o "Cristo, o Filho do Deus vivo.
Paulo, o anunciador incansável, não o conheceu pessoalmente. Inicialmente até o perseguiu, porque anunciava um Deus diferente. Um dia, iluminado por uma luz do alto, compreendeu que Jesus era o Messias. A partir de então mudou radicalmente sua vida...
Pedro e Paulo representam duas dimensões diferentes, mas complementares e viveram com alegria a comunhão na diversidade...
As Leituras bíblicas falam desses dois apóstolos.
Na 1ª leitura, Pedro está preso, com data já marcada para morrer, guardado como "perigosos" por 16 soldados. A comunidade reza... Deus intervém em favor do seu servo... (At. 12,1-11)
A libertação de Pedro foi um fato histórico, mas muitos pormenores foram introduzidos apenas para dar mais vivacidade à narrativa. O texto mostra duas coisas:
- Deus escuta a oração da comunidade e
- não abandona seus discípulos nos momentos de provação.
Na 2ª leitura, Paulo está preso, aguardando o julgamento final.
Escreve a Timóteo, seu companheiro no trabalho missionário. Faz um balanço de sua vida. Compara-se a um atleta no estádio: "Combati o bom combate, terminei a minha carreira, conservei a fé..."
Agora velho e cansado pelo trabalho e pelas lutas que teve de enfrentar, confia no Senhor, justo Juiz e aguarda o prêmio merecido... (2Tm. 4,6-8.17-18)
O texto mostra a serenidade e a confiança de Paulo, diante da morte iminente.
No Evangelho temos um episódio de Jesus com os apóstolos: (Mt. 16,13-19)
A 1ª parte, de caráter cristológico, centra-se em Jesus e na definição de sua identidade: "Quem sou eu?"
A 2ª parte, de caráter eclesiológico, centra na Igreja, que Jesus convoca ao redor de Pedro: "Sobre essa pedra edificarei a minha Igreja".
1. Quem é Jesus?
Na perspectiva dos "homens", Jesus é, apenas, um homem bom e justo,
que escutou os apelos de Deus e se esforçou por ser um sinal vivo de Deus, como tantos outros homens antes dele. É muito, mas não é o suficiente.
Significa que os "homens" não entenderam a novidade do Messias,
nem a profundidade do mistério de Jesus.
Na opinião dos discípulos Jesus, vai muito além. Pedro resume o sentir da comunidade na expressão: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo".
Para os membros da Comunidade, Jesus não é apenas o Messias esperado: é também o "Filho de Deus".
Quem é Jesus para mim?
É uma pergunta fundamental para a vida cristã.
Deve ecoar sempre em nossos ouvidos e em nosso coração.
Não bastam as respostas da catequese ou dos tratados de teologia.
Devemos interrogar o nosso coração e tentar perceber qual é o lugar que Cristo ocupa em nossa existência...
Devemos gastar a vida inteira confrontando e purificando nossa resposta, sempre de novo, no seguimento do Filho de Deus feito homem.
2. O que é a Igreja?
O texto responde de forma clara: é a Comunidade dos discípulos que reconhecem Jesus como "o messias, o Filho de Deus".
- É uma comunidade organizada, onde existem pessoas que presidem e desempenham serviços. A ela Cristo conferiu poderes de "ligar e desligar" e a garantia de que nem "as portas do inferno terão vez contra ela".
Jesus não fundou muitas igrejas... A verdadeira Igreja, fundada por Cristo, foi confiada a Pedro e seus sucessores. Por isso, no dia de hoje, celebramos também o dia do papa.
O papa é sinal de unidade, aquele que confirma a fé de seus irmãos. O papa continua sendo o chefe visível da Igreja na terra. Sua missão é espinhosa, sobretudo hoje, pelas mudanças rápidas e violentas... pelas contestações dentro e fora da Igreja...
Demonstremos concretamente nosso amor para com ele, "rezando" para que Deus:
- lhe dê muita Luz... para apontar sempre o melhor caminho para a Igreja...
- e muita força... para enfrentar com otimismo e alegria as contestações do mundo moderno.
Relembrando hoje o ardor missionário de Pedro e de Paulo, demonstramos o mesmo entusiasmo de "discípulos e missionários de Cristo"?
Relembrando o nascimento da Igreja, aceitamos uma Igreja revelada, fundada por Cristo, ou preferimos uma "igreja" mais cômoda, criada pelos homens?
padre Antônio Geraldo dalla Costa
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Estamos contentes por celebrar a festa de dois servidores do Reino de Deus: São Pedro e São Paulo. Eles ouviram o chamado do Mestre Jesus e colocaram a disposição ao serviço da evangelização. Fundaram comunidades retas na palavra da justiça e disseminaram os ensinamentos da verdade para  homens que desejam ardentemente reaver o plano revelado por Jesus.
Nesta festa dominical dos dois corajosos evangelizadores nos estimulem a cultuar o amor e a praticidade do Reino, que ensejam também o discernimento pessoal para divulgar a mensagem da alegria.
Para seguir a palavra da libertação, a exemplo de Jesus, faz-se necessário a entrega total. Claro que Pedro não aceitou o chamado no primeiro momento, sua ignorância pela rudeza do serviço de pescador, não permitiu a priori seguir o chamado, mas pela insistência e confiança  do Mestre,   Pedro amoleceu o coração e tornou o grande nome do legado dos ensinamentos da igreja. Ele confirmou sua fé  quando Jesus lhe entregou todo  o povo para ser seu rebanho.
Paulo não conheceu Jesus como Pedro, mas teve o bom  senso da fé e do amor na visão do Cristo Ressuscitado no caminho de Damasco. Deixou sua vida pacata e opressora e passou a ser o servo fiel do Reino. Paulo enfrentou todo tipo de perversidade e sofrimento. Foi preso várias vezes por defender a doutrina cristã de Jesus. Estimulou muitas comunidade pagã a acreditar na Palavra de  Jesus, enfim, Paulo divulgou para muitas regiões a vivacidade da fé  Naquele que ama e deu sua vida para salvar o homem pecador.
Paulo escreveu várias cartas que as lemos nas celebrações dominicais. Sua mensagem revela um Cristo libertador que rejeitou a opressão e a maldade. Nos ensinamentos paulinos há saliência para não seguir os esquemas prontos dos homens que administram o bem público; o homem deve ter a liberdade assistida pelos Santos Evangelhos e pelos mandamentos do amor de Jesus. Para tanto, o homem deve-se pautar pelo seguimento de Cristo ressuscitado que revela um reino de justiça favorável para toda criatura.
Na vida o homem não deve reverter suas ações para acumular bens e poder, pois estas ações contrariam a vontade do Pai. Na verdade, a vida deve solicitar a humildade, o amor e a  partilha. Tanto que Paulo pregava a comunidade-comunitária, onde todos dividiam seus bens com alegria para solidificar a esperança e a grandeza entre os homens.
Assim, tanto Pedro quanto Paulo são exemplos a ser seguidos com tenacidade. Seus legados permeiam ações de justiça, bondade e partilha. Não acumularam riquezas a não ser a riqueza do  céu. Souberam  ouvir o chamado e levaram à frente o plano de Jesus.
Somos pecadores e estamos correndo atrás da libertação da vida desregrada. Tentamos ser justos naquilo que fazemos, mas pela cultura opressora que nos perpassa não estimula o bem serviço para o reino da vida. Patinamos na mesma avenida iluminada com casarões luxuosos de vitrais, mas não temos coragem de mudar de rumo e alcançar uma pequena rua ou viela que nos leva ao encontro de Deus. Isto acontece porque nas vielas as ruas são escuras, muitos percalços e pouca atração pelo seguimento.
Seguir o caminho conquistado por Pedro e Paulo não é sinônimo de conforto e glória. Eles encontraram adversidades por estarem mostrando a Luz, porém, como a maioria do povo era cego, ganancioso, rude e ignorante, preferiram eliminar da sua redoma; não aceitaram ouvir o verdadeiro ensinamento que libertava dos males e preferiram continuar  na imensidão da escuridão sem rumo, ou seja, aqueles que desfizeram de Pedro e Paulo preferiram continuar cultuando os privilégios alheios e manipulando o povo humilde.
Logo, o povo pobre continuava sem a pedagogia da libertação. Eles continuaram na pobreza não  porque gostavam de sofrer, mas porque não tinham oportunidade e nem eram dadas instruções para ultrapassar a barreira da opressão. Neste caso, o que fizeram Pedro e Paulo? Fizeram o que Jesus fazia com  bom grado, instruía todos para clarear a visão de mundo e projetar transformação viável para tal situação.
Nós também somos chamados para efetuar a libertação daqueles que não entendem a mensagem da libertação. Somos convocados por Deus, a exemplo de Pedro e Paulo, a esmiuçar as palavras do Santo Evangelho para os adormecidos, cegos, desatentos.  Assim,  o serviço do reino ainda não terminou na pessoa de Pedro e nem de Paulo e muito menos na pessoa de Jesus, o reino ainda carece de pessoas que possam dedicar exclusivamente para o anúncio do amor, da paz e da fraternidade.
Veja caro irmão leitor o exemplo descrito na Primeira Leitura dos Atos dos Apóstolos: Pedro tinha sido preso pelo Herodes e apresentaria para o povo logo após a festa da páscoa. Pedro era bem vigiado, inclusive com dois soldados ao seu lado. Mas de repente o anjo apareceu para Pedro e o retirou da prisão. Ao sair do portão de ferro que dava acesso a cidade Pedro disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava” (At. 12, 11).
Deus não afasta do servo fiel e amado. Deus instrui no perigo o discernimento para sair da situação com precisão. Pedro confiou no anjo que libertou das mãos dos malvados pela sua fé. A fé é o grande legado de Jesus. Quem tem fé e acredita no poder divino e não se perde em marasmo. Perguntamos para nós: temos fé a ponto de confiar em Deus? Colocamos nossas esperanças na pessoa de Deus? Mas devemos também perguntar: o que estou fazendo para o merecimento do reino? Qual a minha participação na construção da vida em salvação?
Da mesma forma que Pedro, Paulo também tem motivos para louvar ao Criador pelos séculos dos séculos. Paulo escreveu a Timóteo: “(...) aproxima-se o momento da minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. (...) Mas o senhor esteve ao meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente e ouvida por todas as nações”. (2Tm. 4, 6;17).
Paulo reconheceu a mão do Senhor no seu projeto anunciador do reino. Por onde passava não estava sozinho, pois o Cristo ressuscitado caminhava ao seu lado na intenção da segurança e do conforto prazeroso.
A mensagem  anunciada pelos grandes servidores do reino sugere a libertação. Pedro foi liberto da prisão e Paulo foi liberto da boca do leão, ou seja, Paulo libertou da prática de coletar impostos e perseguir os cristãos em nome do Imperador Romano. Logo, a libertação enseja novo caminhar para novas transformações.
Enfim, estamos no Evangelho de Mateus. Mais uma vez aparece a figura de Pedro, o corajoso, o destemido que reconheceu o Messias. Jesus perguntava para os discípulos o que o povo dizia sobre Ele. Claro que Jesus já sabia da resposta, mas queria ver se seus seguidores realmente saberiam interpretar os ditos do povo. Alguns disseram que o povo de Cesaréia de Filipe acreditava que era João Batista, outro que é Elias ou Jeremias e até acreditava que era um dos profetas. Mas Jesus Perguntou a Simão, Filho de Jonas, e Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Jesus então respondeu: (...) tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do  inferno nunca poderá vencê-la. Eu darei as chaves do reino dos céus: tudo  que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.
Pedro, como na Primeira leitura, agora no Evangelho tem a confiança da divindade para ser elemento primordial na caminhada da igreja. Pedro foi o primeiro Papa da Igreja que construiu o templo da misericórdia e da paz para toda a humanidade.
Portanto, na festa de São Pedro e São Paulo, sejamos devotos destes santos de Deus que entregaram suas vidas em favor do seguimento do amor. Cabe a nós seguirmos o belíssimo exemplo para engrandecer ainda mais o Reino da justiça. Amém!
Claudinei M. Oliveira
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Pedro e Paulo, “colunas da Igreja”
Hoje recorda-se o martírio (= testemunho dado com entrega da própria vida) dos apóstolos Pedro e Paulo. Aprofundemos o sentido dos textos sobre o Mistério da Igreja, i.é., a comunidade dos seres humanos chamados à liberdade (cf. Gl. 5). Cristo é o Rochedo (petra em grego) sobre o qual está edificada a Igreja; Simão Pedro (pétros em grego) é uma pedra que sinaliza a unidade. Neste dia é comum deixarmos em segundo plano o Mistério da Igreja. Focalizamos mais Simão, filho de Jonas, chamado “feliz’ ou “abençoado” pelo Mestre. Com o foco voltado para Pétros em termos gregos: pequena pedra por contraste com a Rocha = pétra). Acabam por prevalecer discussões sobre o ministério petrino e o nome apenas de Pedro (até na Cnbb já se escreveu: [cf. 25-6-2010, por CNBB] “No dia 29 de junho, a Igreja celebra a festa de são Pedro” ...). O exclusivismo talvez se deva à tradicional doação católica nesse dia (“óbolo de são Pedro”) conhecido como “dia de são Pedro” e também “dia do papa”.
É de se notar, no entanto, que o atual, Francisco, parece ter usado em sua primeira saudação (13 de março de 2013) esta frase: “Fratelli e sorelle:  voi sapete che il dovere del Conclave era di dare un Vescovo a Roma” – “ Irmãos e irmãs: sabeis que a obrigação do Conclave era dar um bispo a Roma”. Ele tem privilegiado em discursos e homilias a constante atenção ao Mistério da Igreja. Na mesma direção, transcreve-se, a seguir, o famoso sermão “dos Apóstolos Pedro e Paulo” (em 29-6-413 ou 411 d.C.; P.L. 38, sermão 295 ) feito por Agostinho de Hipona, o maior escritor da patrística latina.
Agostinho, entre o fim do Império romano e o início da Idade Média
Agostinho viveu no século IV (354-430 d.C.). Pessoalmente, passou por dois grandes sofrimentos (a morte de um filho muito jovem) e a separação da mulher (que a lei da época não permitia casar-se com ele por ser de classe inferior – cf. Confissões, VI, parte III, 15). Aclamado presbítero com 37 anos foi da mesma forma eleito bispo de Hipona. Como intelectual e cidadão romano, viveu num período de grandes convulsões políticas, sociais e religiosas, mas , com seu enorme talento filosófico e dons de orador e escritor, colocou em sua obra profundas análises de problemas de seu tempo. Era professor Retórica quando descobriu a filosofia, que passou a ser uma nova paixão em sua vida. Também é teólogo, uma vez convertido ao cristianismo (foi batizado aos 33 anos com o filho – então com 15). Adepto no começo de sua carreira intelectual do maniqueísmo, desenvolve uma eclesiologia marcada pela crítica a várias heresias da época, buscando a unidade da igreja. Da oposição ao movimento Donatista a história da Igreja herdou duas importantes conclusões: a validade dos sacramentos não depende do compartamento de seus ministros (o Donatismo considerava inválidos os sacramentos operados pelos suspeitos de “fuga” do martírio durante as perseguições); a segunda conclusão foi a doutrina agostiniana sobre o mistério da Igreja que, construída a partir da oposição ao Donatismo, sublinhava a comunhão com os bispos e, particularmente com o bispo de Roma.Sua obra gigantesca foi a principal referência de toda a filosofia e teologia, para além da idade Média, comparável ao genial Tomás de Aquino (que viveu 800 anos depois). Sua importância continua presente até nossa época e as grandes linhas de seu pensamento são admiradas igualmente por católicos, anglicanos e protestantes (principalmente no calvinismo, mas deve-se lembrar que proposta da Reforma de Lutero (que foi monge da ordem agostiniana) também se apoiava na doutrina de Agostinho sobre salvação e graça. Segue o extrato (3 de 8 partes do sermão).
(n. 1) A pedra sobre a qual a Igreja foi edificada é o próprio Cristo
A paixão dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo tornou sagrado para nós este dia. (...) Feliz é Pedro, o primeiro dos Apóstolos, que amava ardorosamente o Cristo e que pôde ouvir: Eu te digo que és Pedro. Ele dissera Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Cristo responde: E eu te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Sobre esta pedra edificarei a fé que tu confessas. Sobre o que disseste Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo, edificarei a minha Igreja. Pois de fato és Pedro. Pedro, de pedra, e não pedra, de Pedro. Pedro, de pedra, assim como cristão, de Cristo. Queres saber de qual pedra seja chamado Pedro? Ouve: Não quero que ignoreis, irmãos, diz o Apóstolo de Cristo, que os nossos pais estiveram todos sob a nuvem e todos atravessaram o mar, e todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, e todos comeram o mesmo alimento espiritual, e todos beberam da mesma pedra espiritual que os acompanhava:  e a pedra era Cristo (1Cor. 10,1-4)
(n. 2) A Pedro, que personifica a Igreja, as chaves do reino dos céus. A um só, pois dadas à Igreja una. Cristo primeiro ressuscita, depois dá-nos a Igreja.
O Senhor Jesus, antes de sua paixão, como sabeis, escolheu os que chamou Apóstolos. Entre eles só Pedro pôde personificar toda a Igreja. Ao personificar toda a Igreja, pôde ouvir: Eu te darei as chaves do reino dos céus (Mt. 16,16-18). De fato não foi um só homem que recebeu estas chaves, mas a unidade da Igreja. Daí celebrar-se a excelência de Pedro, porque representando a Igreja na sua universalidade e unidade foi-lhe dito: a ti entrego, o que foi entregue a todos. Para que possais saber que a Igreja recebeu as chaves do reino dos céus, ouvi o que diz o Senhor em outra passagem, a todos os seus Apóstolos: Recebei o Espírito Santo, e em seguida: A quem perdoardes os pecado eles serão perdoados; se de alguém os retiverdes, serão retidos (Jo 20,22-23). Isto são as chaves das quais foi dito: O que desligardes na terra, será desligado também no céu (Mt. 16,19). Mas isso disse a Pedro: para que saibas que Pedro então personificava a Igreja universal, escuta o que foi dito a ele e a todos os santos fiéis: Se o teu irmão pecar contra ti, corrija-o entre ele e ti somente (...) se não os escutar então refere-o à Igreja (...) o que ligardes sobre a terra, será no céu também, e tudo o que desligado na terra, também o será no céu (Mt. 18,15-18). A pomba liga, a pomba absolve; o edifício fundado sobre a pedra liga e absolve.
(n. 6) Paulo: de perseguidor a apóstolo de Cristo.
Que venha Paulo de Saulo, como o cordeiro vem do lobo: primeiro adversário, depois apóstolo; antes perseguidor e depois pregador. Que venha, pegue cartas de apresentação dos sumos sacerdotes e vá encontrar cristãos para conduzi-los prisioneiros para a condenação. Que receba; receba e se ponha a caminho: deseje a matança, tenha sede de sangue. (...) De fato ele andava (como foi escrito – At. 9,1) desejando a matança. E se aproximava de Damasco. Então o Senhor do céu: Saulo, Saulo, por que me persegues? Eu estou aqui, eu estou lá: aqui a cabeça, lá o corpo. (...) E ele, apavorado e tremendo: Quem és tu, Senhor? E o Senhor: Eu sou Jesus o Nazareno que tu persegues. Repentinamente transformado em outra pessoa (...) lhe é dito o que fazer. E antes mesmo que Paulo seja batizado, o Senhor fala a Ananias: Vai àquela estrada, até um homem chamado Saulo, batiza-o, porque é para mim um vaso escolhido. (...) Um vaso é para ser preenchido. De quê, senão de Graça? Mas Ananias responde: Senhor, soube que este homem fez muita maldade aos teus fiéis (...). Ananias tremia ao ouvir o nome de Saulo. Tremia a ovelha frágil pela fama do lobo, ainda que sobre ela estivesse a mão do pastor.»


A solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo é celebrada pelos católicos no Brasil nesse domingo. A data tradicional era 29 de junho (continua usada em outras Tradições cristãs e em outros países, também pelos católicos). Mesmo no Brasil em que o calendário litúrgico (e o lecionário bíblico em três anos, “A-B-C”) é adotado por várias tradições cristãs (algumas oficialmente, outras não) como luterana, anglicana, católica há variantes litúrgicas (por ex. a forma extraordinária do missal romano – católico – tradições de origem alemã entre luteranos, etc.). Por isso, em alguns lugares, a liturgia desse 1 de julho terá as leituras do 13º domingo do tempo comum (ou 5º depois de Pentecostes).
A memória dos Apóstolos Pedro e Paulo já era celebrada no século 4º antes mesmo de haver uma festa de Natal. Em Roma, num mesmo dia havia celebração em dois lugares:
1) no local onde depois se construiu a basílica e
2) no local onde será erguido o templo de são Paulo “extra-muros” (porque fora dos limites e muralhas da cidade). Afinal ninguém sabia a data exata do martírio de cada um desses apóstolos. Mas essa será uma herança simbólica para a liturgia: Pedro, no centro da cidade da qual fora o pastor. Paulo – fundador de núcleos cristãos na periferia do império romano – será homenageado “fora-dos-muros”.
Simbolismo também dessa igreja que cresceu na tensão permanente de buscar um centro de unidade e conviver com a diversidade (cada grupo nascido e criado em contextos históricos diversos). Algumas tensões trouxeram também rupturas dolorosas. O cristianismo era um só até 1054 d.C., mas espalhado em 5 “regiões” que eram os “Patriarcados”:“orientais” nos quais predominava a língua grega e os costumes mais antigos eram: Jerusalém, Alexandria, Antioquia e Constantinopla; e o “ocidental” com sede em Roma, de língua latina e rito naturalmente “romano”. O que eram dissensões e conflitos superados durante séculos, por debates teológicos e concílios que reuniam as igrejas e conclusões de consenso, no ano de 1054 tornou-se a famosa separação entre Ocidente e Oriente. Também no início do século 16 a igreja européia viu surgirem vários movimentos contrários ao predomínio religioso e político de Roma, dentre os quais se destacou a reforma proposta por Lutero. A ela somou-se o apoio de Príncipes e reinos que criaram guerras, não só doutrinais, mas políticas e culturais para não falar de longos conflitos militares e suas perseguições mútuas geradoras de ódios, prisões e mortes. Naquele tempo o contexto é bem mais complexo do que a polaridade que tiveram os debates de Pedro e Paulo (lá pelo ano 50 d.C. os apóstolos se reúnem e acontece o chamado “concílio de Jerusalém que aceita o modo de agir de Barnabé, Tito e Paulo em sua pregação a não judeus). Há 500 anos, porém, o quadro histórico europeu era bem mais complicado com suas mudanças científicas, econômicas e culturais que vieram a ser chamadas mais tarde de modernidade,

Resumo de Atos 12: enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja orava continuamente a Deus por ele.
E de Mt. 16: Feliz és tu Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo: tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja
Um texto de santo Agostinho [cf.Agostinho, Sermão295,1-2 4.7-8 in PL38]
È o próprio Cristo a pedra, sobre a qual é edificada a Igreja.
Pedro foi bem-aventurado porque, tendo afirmado, por revelação interior:Tu és Cristo o Filho de Deus vivo, o Senhor lhe disse: eu te digo que és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Quer dizer: Sobre essa pedra edificarei a fé, porque a professaste; edificarei sobre isso que disseste (Tu és o Cristo...) a minha Igreja. Tu és Pedro: Pedro deriva de pedra (não pedra de Pedro). Pedro, de pedra. Como cristão, de Cristo.
São dadas a Pedro, personificando a Igreja, as chaves do reino dos céus.
A um só, porque dadas à Igreja que é uma.
Entre os apóstolos somente Pedro recebeu o encargo de personificar em quase toda parte a Igreja. Por causa dessa personificação mereceu ouvir Eu te darei as chaves do reino dos céus. Não foi um homem só que recebeu essas chaves mais a inteira Igreja. Daí a grandeza de Pedro, porque ele personificou a universalidade e a unidade da Igreja quando lhe foi dito: a ti entrego, o que a todos foi entregue. Pois para que saibais que a Igreja recebeu as chaves do reino dos céus, ouvi o que o Senhor dizia em outro lugar a todos os seus apóstolos: "Recebei o Espírito Santo." Se a alguém perdoardes os pecados serão perdoados e a quem não perdoardes, não o serão.
A Pedro representante da unidade da Igreja, foram confiadas as ovelhas de Cristo, quando Pedro reafirma 3 vezes seu arrependimento.
Merecidamente também depois da ressurreição o Senhor encarregou ao mesmo Pedro de apascentar as suas ovelhas. Quando fala a um está ressaltando a unidade; e a Pedro em primeiro lugar porque é o primeiro entre os Apóstolos. Nas três vezes em que o apóstolo respondeu, o Senhor confiou as suas ovelhas, uma, duas e três vezes.
Num só dia se celebra os dois Apóstolos. Mas os dois eram uma só coisa, mesmo martirizados em diferentes dias. Pedro foi na frente, Paulo depois, porque Pedro primeiro de soberbo passou a humilde. Saulo era como um Saul perseguindo o santo Davi. Caiu como perseguidor, levantou-se pregador, Mudou o nome de soberbo para a humildade, como ele mesmo depois disse: sou o menor de todos os Apóstolos.
Pedro e Paulo
Pedro, antes se chamava Simão era pescador, filho de Jonas e irmão de André. Ele também foi escolhido para ser alicerce, num grupo, do novo edifício eclesial, do novo Israel, no qual Cristo é a “pedra angular que os  construtores rejeitaram” (Mc. 12,10). Tinha uma personalidade forte, mas também suas fraquezas. A esse Simão (agora Pedro) (leiamos alguns versos adiante no mesmo capítulo) Jesus também chama de “Satanás” (= “adversário”) quando age como pedra de tropeço (o termo “escândalo” em grego significa “pedra de tropeço”, queda). Mas sua verdadeira vocação será a de ser pedra para edificar e construir, não para derrubar.
Pedro, arrependido de sua traição, não desistiu como seu companheiro Judas. Aceitou o perdão. Ao lado do “outro discípulo”, será o primeiro a entrar no túmulo vazio e começar a sua definitiva conversão à fé e à confiança. Do ressuscitado recebe uma visita em separado (cf. Lucas 24,34). Após a Ascensão do seu Senhor estará à frente da primeira comunidade (Jerusalém). Como os discípulos que ele apresenta ao povo em Pentecostes, ele também é uma testemunha-chave para continuar o projeto do Homem de Nazaré. Ainda em Jerusalém será o primeiro a compreender a necessidade de abertura aos pagãos (e não apenas aos judeus – Atos 10-11). Mais tarde será bispo em Roma, onde será assassinado, como o foram muitos outros mártires.
Paulo. Se Pedro renegou a Cristo, Paulo o perseguiu querendo eliminar o novo grupo de seguidores de Jesus). Tinha “dupla cidadania” (judeu e membro do império). Por um lado era fanático por sua rigorosa formação farisaica. De outro lado, como outros na “diáspora” (dispersão em muitos países) podia ser “cidadão romano”, título por ele invocado quando apela para seus direitos civis”, opondo-se a ser preso e condenado.
Paulo antes se chamava Saulo. Nascido em Tarso era cidadão judeu e romano. Tornou-se Paulo (= o pequeno), como afirma de si um dia:“eu sou o menor dos apóstolos” (1Cor. 15). No entanto transformou-se talvez no mais ativo dos apóstolos no que se refere à expansão do cristianismo. Enquanto Pedro iniciou o anúncio da Boa Nova nos limites de Israel, Paulo dirigiu-se principalmente às cidades do Império pagão.
Colunas da Igreja
Diferentes histórias individuais e personalidades levaram os dois até a divergências em debates teológicos, mas houve acordo ao se reunir o primeiro “concílio” (uma espécie de “assembléia geral” dos cristãos - cf. Gl. 2). Pedro reconhece dificuldades em compreender alguns pontos (constam das cartas paulinas), mas conhecendo Paulo, recomenda à comunidade não deturpar o que falava ou escrevia.
Porque não existe forma (nem fôrma) única para ser discípulo. Pentecostes ensinou a diversidade de dons e a Igreja construiu sua unidade pouco a pouco, no respeito às diferenças legítimas. Hoje os cristãos parecem mais medrosos e têm dificuldade para aceitar as diferenças. Até no interior de uma tradição (por exemplo entre católicos) e mais ainda entre eles as várias igrejas (ortodoxas, reformadas ou evangélicas). Menos preparados ainda para o diálogo com outras religiões e com pessoas e grupos que se autoproclamam agnósticos, não crentes ou ateus
A solenidade do martírio de Pedro e Paulo em Roma já era celebrada muito antes da festa de Natal, no século 4º quando se havia uma celebração no local onde séculos depois se construirá a igreja de São Pedro; outra onde se erguerá o templo de São Paulo “fora dos muros” (fora das muralhas que cercavam as cidades antigas). A herança simbólica dessas antigas basílicas é significativa: Pedro no centro de Roma, Paulo “fora dos muros da cidade”.
A Igreja se construiu nessa tensão permanente entre a procura de unidade visível e as diversidades nascidas em contextos históricos determinados. Em alguns momentos, como acima se disse chegou-se a rupturas (como em 1054 e em 1517). A história da Igreja tem seus altos e baixos. As figuras extraordinárias de Pedro e Paulo não são como as personalidades excepcionais de filósofos, na ciência ou governantes, nos impérios. Na verdade o Espírito conduziu os fundadores do Cristianismo. Mas eram homens comuns com suas fraquezas, falhas e dificuldades. De Pedro ficou mais conhecida a negação do Mestre. Paulo confessa (cf. 2ª.coríntios12) viver sempre com um “espinho na Carne” (=em sua vida mortal), embora desconheçamos a natureza desse sofrimento. Declarava ainda que – como todos nós – estava sob a lei do pecado” (cf. Romanos 7,14-24).
A Memória Pedro e Paulo nos levam a reconhecer que a Graça supera o Pecado e a semente do Reino cresce no meio das limitações humanas.
prof. Fernando Soares Moreira
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O alicerce da Igreja
Com sua autoridade divina Cristo deu a Simão um nome novo e revelou seu destino admirável: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Fez uma profecia: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”, “Acrescentou uma promessa: “Eu te darei as chaves do reino dos céus, e o que ligares na terra ficará ligado nos céus e o que desligares na terra ficará desligado nos céus” (Mt. 16,20)”. Após sua ressurreição, este primado sobre a Igreja é conferido ao príncipe dos apóstolos: “Apascenta as minhas ovelhas [...] apascenta os meus cordeiros” (Jo. 21,15-19). Pedro é então constituído chefe supremo da Igreja e a deveria governar. Não se tratou de um mero primado de honra, mas primazia de direito, fundado cristologicamente em palavras claras do Fundador desta Igreja. É de se notar que Cristo prometeu à Igreja uma duração perene, enquanto durar o mundo atual. Tal indestrutibilidade baseia-se no fato de que Pedro seria seu fundamento. Este é também o ponto de apoio para a exigência de que ele tenha sucessores, não como apóstolo, mas como rocha da Igreja de Cristo. Eis porque é um erro afirmar que o papado é o resultado de evoluções históricas. Ele se fundamenta na vontade explícita de Cristo. Pedro no pleno exercício de seu mandato veio a falecer como bispo de Roma e seus substitutos seriam sempre os pontífices romanos. Seus sucessores teriam, assim, uma posição primacial por causa do nexo entre a incumbência dada a Pedro por Cristo e a perenidade de sua sublime missão. À igreja de Roma competiria, através dos tempos, a primazia do poder ordinário sobre todas as outras Igrejas, e, na verdade, competência jurídica que tem caráter episcopal e é imediata. Por tudo isto, o Papa, enquanto supremo pastor da Igreja exerce sua autoridade a qualquer tempo como é exigido por seu cargo. É de se notar que o primado de jurisdição papal é um primado pastoral, como serviço prestado a toda a Igreja.
O papado é a concretização e a visibilidade da essência mesma desta Igreja, sendo que, através do Papa, Cristo permanece o único mediador entre Deus e o homem. Eis porque esta função integrativa deve ser entendida como símbolo sacramental da unidade eclesial, e, consequentemente, o primado de jurisdição do Papa é sinal eficaz da unidade cristã. Desta, ele é o representante na medida em que também ele é o representante de Cristo, o fundamento último da Igreja una. Deste modo, a unidade da Igreja não se funda primariamente no fato de ter um governo central unitário, mas no fato de viverem todos os cristãos unidos a Cristo e àquele que é seu Vigário nesta terra. O magistério papal em geral e a infalibilidade pontifícia, ou seja, quando ele defina ex cathedra proposições de fé e de costumes, estão sempre a serviço da fé unificante. Cumpre observar que a fé dos cristãos não é prestada ao Papa, mas à verdade testemunhada por ele, ou seja, não se baseia esta fé no testemunho autoritativo da Igreja, mas na autoridade da verdade do Deus que se revela. Pedro recebeu de Jesus as chaves do reino nos céus para exercer, por isto mesmo, o seu poder na terra. Ele não seria um mero porteiro da Casa do Pai. As chaves são aqui o distintivo do administrador que representa o próprio dono da casa que é o Filho de Deus. Com as chaves Pedro recebeu a autoridade de permitir a entrada no reino celeste e de excluir do mesmo. Trata-se de uma jurisdição completa, poder que lhe foi atribuído pelo Fundador da Igreja. Este ao dizer que Pedro poderia ligar e desligar mostrou que sua autoridade não se limitava ao âmbito doutrinal, mas compreenderia também a faculdade de promulgar disposições obrigatórias.
Todas estas reflexões bíblicas e teológicas remetem às indeclináveis obrigações dos fiéis para com o Cristo visível neste mundo. Cumpre fixar tudo isto, tanto mais que, por ocasião da renúncia de Bento XVI, os maiores absurdos foram publicados na mídia. Textos diabólicos até daqueles que se denominam teólogos, mas para lançar o veneno num jogo espúrio de textos bíblicos e de acontecimentos históricos deslocados de seu contexto. Ao verdadeiro fiel cabe obediência ao papa e uma veneração especial por ser Ele o Cristo visível na terra. Devido os ataques ferozes das forças do mal contra o chefe da Igreja é preciso muita oração para que Deus o fortaleça em tão espinhosa missão, dando-lhe firmeza total para sanar os erros que surgem das fraquezas humanas, vindos mesmo de tantos eclesiásticos. O papa conta com cada um de nós.

O chefe da cristandade
Nunca se reflete demais sobre a importância do papa na vida da Igreja. A supremacia conferida por Jesus a são Pedro, claramente registrada nos Evangelhos, sendo parte essencial da constituição da Igreja, devia durar sempre e passar a todos aqueles que o sucedessem.
O primeiro dos papas estabeleceu a sua sede na cidade de Roma e Roma tornou-se o centro da Igreja, e os poderes de Pedro se transmitiriam por direito divino à sucessão dos Bispos romanos. Os Papas sofreram no decorrer da História o exílio, o cativeiro, as perseguições, mas tudo isto nada ofuscou primazia dos sucessores de Príncipe dos apóstolos. Em Ravena, em Salerno, em Avignon, em Savona, em Fontenebleau, em Gaeta, o papa permaneceu bispo de Roma. Exerceu sempre o tríplice poder de chefe, de mestre e de pastor, poder recebido diretamente de Cristo.
O Papa é, realmente, o chefe supremo da Igreja e nela desempenha toda sua autoridade com rara humildade como “servo dos servos de Deus”. Muitos foram os que, através dos tempos, se rebelaram contra o chefe da cristandade, se levantaram contra ele, mas os verdadeiros seguidores de Cristo lhe têm sido fiéis, dóceis a seu comando, sabedores de que, se submetendo ao papa, obedecem ao próprio Filho de Deus. O papa é também o Mestre supremo da doutrina e da verdade. Esta sempre foi defendida com vigor, preservando intacto tudo que Jesus ensinou.
Pedro recebeu das mãos do Redentor, o depósito inalienável, o magistério infalível. O Papa define a doutrina, esclarece os espíritos, aponta os erros. Tal é, de fato, a missão dos sucessores de Pedro. São eles que condenam as heresias, reúnem os Concílios, definem os dogmas e guiam a Igreja de Deus por entre as revoltas dos filhos rebeldes e, assim, jamais as forças do mal prevalecem contra a Igreja. É que o Papa é, também, o pastor supremo das almas. Eis a razão pela qual de Roma vem a instituição canônica dos Bispos, desses sucessores dos Apóstolos aos quais é conferida alguma parte do rebanho do Senhor. Sob a orientação do papa partem as leis do culto, da oração, da disciplina, em uma palavra, todos os tesouros dessa munificência espiritual, que não é somente a ação da autoridade e da verdade, mas ainda da caridade em toda sua expansão. Esta atuação do Pontífice Supremo abraça na mesma unidade todos os fiéis deste mundo e do purgatório, transmitindo à Igreja militante e padecente os dons divinos do céu.
É evidente que a tríplice coroa, a tiara, que a mão de Deus colocou sobre a cabeça do Pontífice Romano não é uma coroa de rosas e quem estuda a História da Igreja sabe perfeitamente quão atribulado tem sido o caminho dos Papas. Estes, porém, sempre contaram com o apoio e as preces dos católicos, prontos também a contribuir com suas dádivas para as obras missionárias sustentadas pelo Sumo Pontífice. Por ser, de fato, o Pontífice supremo, tem direito às mais profundas homenagens. Suas palavras produzem frutos de virtudes e de santidade, porque o Papa fala em nome do divino Redentor e sua voz é voz do céu. Fala que glorifica a Igreja, zela pela paz do mundo e pela salvação da humanidade. Através dos tempos benesses sem conta jorram desse delegado do seu poder divino atento às necessidades mais prementes das nações, mostrando corajosamente aos governantes os caminhos da justiça, da retidão, da honestidade. Jesus disse a Pedro estas palavras: “Eis que Satanás pediu para te joeirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma teus irmãos” (Lc. 22,31-32).
A prece de Jesus foi o granito sobre o qual foram levantados o saber, o tino com que os Papas se manifestaram sempre aos homens de todas as raças e línguas, não obstante todas as provações. Sua promessa fora também taxativa: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18) Tudo o que o inferno suscitasse para abalar sua Instituição não predominaria jamais. Foi uma garantia que o divino Arquiteto outorgou à sua Igreja e, deste modo, e as potências infernais nunca a destruirão.
Eis porque os Papas sempre confirmaram as convicções dos católicos e lançaram luzes para todos os povos, vencendo todas as forças satânicas agermanadas contra a Igreja de Cristo. Cumpre, então, ser agradecido ao Papa que projeta sobre a divina estrutura da Igreja claridades de uma perenidade sem limites, de uma sabedoria inigualável, firme, por entre as intempéries de um mundo que renega a verdade e o bem.
cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
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A partir do momento que vamos crescendo na fé vamos crescendo como pessoas humanas. Tudo que fazemos é investimento para o futuro ao lado do Senhor, enquanto caminhamos na estrada da vida encontramos de tudo, mas nada é comparado ao Tudo da nossa vida, Jesus Cristo. Com o passar dos anos, falar de Jesus se torna uma coisa habitual e muitas vezes acabamos acomodados em não buscar novas ocasiões para levar à mensagem de Jesus de forma coerente e mais próxima a realidade daqueles que a pesar da sua condição social ou política também são dignas de receberem o que tanto sangue foram derramados ao longo de toda a nossa história cristã.
Isso para dizer que na caminhada da fé existem formas diferentes de estar em uma constante renovação para assim poder responder ao grande amor do Pai. Esta idéia de uma paternidade marcada pelo amor somente encontramos ao ter uma experiência pessoal de Pai, ou seja, de Deus. Nada melhor para um filho que o abraço do seu pai (mãe), porque é onde se pode encontrar uma total confiança transmitida por ele (ela), esta é a experiência que hoje podemos alegrar de poder celebrar: Solenidade de são Pedro e são Paulo que encontraram no abraço do Pai uma abertura para aproximar uma vez mais aqueles que ainda não tinham despertado há fé.
Hoje celebramos a festa dos apóstolos que são chamados de colunas da Igreja de Cristo, Pedro escolhido como ponto de comunhão e unidade e Paulo o grande evangelizador das nações não judaicas. Ambos com personalidades tão diferentes serviram a Jesus, e colaboraram de modo precioso para a expansão do cristianismo. Também os dois apóstolos através do martírio testemunharam sua fé no Cristo vivo e ressuscitado.
O contexto da primeira leitura (At. 12,1-11) é uma conseqüência a morte do apostolo Tiago. Uma morte foi gerando uma série de perseguições às altas autoridades da comunidade cristã, aqui encontramos a história da Pedro tal como nos relata o texto de hoje. Um dos detalhes importantes a remarcar é o sentido de comunidade dos primeiros seguidores de Jesus, porque diante da prisão de Pedro, todos se reuniam para orar, aqui encontramos a milagrosa libertação. Pedro, como o mesmo Jesus, foi tratado como um delinqüente, ou a pessoa mais perigosa, que pena, se enganaram, porque os planos do Senhor, não são os que planemos, os caminhos do Senhor são diferentes, não porque seja melhor, mas porque olha sempre pelo bem estar da pessoa.
Assim como Pedro, são tantos que são encarcerados pela sua forma de pensar, pela sua religião, por suas idéias, que são Pedro não é uma pessoa qualquer é o que deveria ser o chefe o responsável da comunidade, o seu sofrimento foi uma revitalização, uma força complementaria para dizer àquelas comunidades do seu tempo para que não tenham medo de seguir a Cristo, é uma oportunidade única de poder abrir novos caminhos. Quando somos fiéis, nada e ninguém nos desampararão, porque esta foi à resposta de Deus ao enviar um ajo para libertar aquele que seria o primeiro dos apóstolos, o nosso papa.
Na segunda leitura (2Tm. 4,6-8.17-18) o Apóstolo Paulo, depois de ter trabalhado de modo incansável pelo Evangelho, e ter enfrentado as mais difíceis situações (2Cor. 11,16-33), agora encontra-se no término de sua vida. Antes de dar sua vida por Cristo, olha para o seu passado e percebe que sempre se manteve na fidelidade ao Senhor e ao Evangelho! Usa para esclarecer esta situação, a comparação com as disputas esportivas, ou as lutas de sua época, onde depois da vitória se recebia a coroa de louros! Neste sentido quer ele afirmar que manteve fidelidade a sua missão de apóstolo, e tem agora a consciência tranquila do dever cumprido.
Seria interessante notar que o Apóstolo sente na prisão a solidão e o abandono dos amigos (2Tm. 4,9-16), e mesmo a traição, em sua defesa constata que como Jesus estava sozinho! Mas como para Paulo tudo é graça, no fim do texto que nos propõe hoje nossa liturgia de hoje, percebemos como ele atribui unicamente sua força e salvação a Deus. É a certeza de ser liberto do mal, e da boca do leão que sempre deseja devorar! É sempre o Senhor que lhe dá forças, seja para a missão, seja para enfrentar as perseguições em sua vida! Assim se ganhará a coroa da vitória, será por graça de Deus que o sustentou sempre em sua existência.
Olhar Paulo no final de sua jornada nos ajuda a compreender a importância de uma dedicação plena ao Reino de Deus, e crescer numa confiança inabalável na força e na ajuda do Senhor. Mas será que de fato temos esta confiança em nossas vidas de discípulos de Jesus? Sabemos mesmo que quem nos dá força é o Senhor? Buscamos a força vencedora de Jesus, no meio de nossa dolorosa caminhada? Se confiarmos mesmo em Deus, nunca podemos desanimar, pois cremos que Ele sempre nos dará forças para enfrentar a dura luta da vida.
No Evangelho (Mt. 16,13-19) estamos diante da chamada “confissão de Pedro”. Jesus estava em Cesaréia, e ali naquela cidade progressista da época faz uma enquête com seus apóstolos. Cristo sabe bem que o desejo dos judeus era de um Messias político, e que trouxesse a Israel um enorme progresso material e que com força aniquilasse os inimigos de Israel. Era um desejo não muito diferente dos que hoje trilham pela chamada “teologia da prosperidade”, achando que Deus tem a obrigação de manifestar o amor ao homem dando bens e saúde em abundância. Pois bem é ali que Jesus pergunta o que os judeus pensam dele. E vemos as mais variadas respostas: seria ele João Batista, Elias, ou um profeta! Com estas conclusões percebemos que a maioria ainda não tinha compreendido mesmo quem era de fato Jesus. Segue-se então a pergunta feita aos apóstolos, e Pedro em nome de todos responde acertando em cheio quem é Jesus: o Messias prometido, e o Filho de Deus.
Jesus então percebe que Pedro por si mesmo nunca poderia ter compreendido isto naquele momento, e por isso afirma que o Pai revelou tal resposta a ele naquele momento. Em seguida faz o chamado para Pedro para ser o primeiro entre os irmãos, e o chefe do grupo apostólico. Depois promete que a Igreja dele, de Jesus, nunca será vencida pelo mal!
Mas, se continuarmos a ler o Evangelho, logo depois da confissão de Pedro sobre a messianidade de Jesus, encontramos algo muito difícil. Jesus faz o primeiro anuncio oficial da paixão. Ele ensinava aos apóstolos a necessidade do Messias dar a própria vida e depois ressuscitar, mas isso foi muito difícil para a mentalidade dos apóstolos compreenderem, e encontramos então a forte reação de Pedro afirmando que tal fato nunca ocorreria. E o mesmo Jesus que tinha reconhecido em Pedro a capacidade de perceber uma revelação de Deus, agora o chama de “satanás”, pois pensa não como Deus, mas como os homens. (Mt. 16,21-28). De fato podemos concluir que Pedro entendia que Jesus era o Messias, mas ainda de um modo muito parecido com a mentalidade judaica de sua época, o Messias rei e triunfante.
padre Lucimar, sf
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Deus capacita os escolhidos para a missão
A fábrica estava quase pronta. Chegara a hora de recrutar as pessoas para dirigi-la. Numa pilha grande de currículos o patrão iria escolher os líderes maiores da organização. Havia muita gente boa, mas ele se encantara com dois perfis que nem tinham sido selecionados pelo pessoal de recursos humanos. Um tinha sido pescador de um lago meio desconhecido. Na sua história era possível reparar que se tratava de homem impulsivo e levado a rompantes geradores de conflitos. Um comentário dizia ter fama de mentiroso. O outro currículo era ainda mais complicado. Tratava-se de um fanático religioso. Perseguidor implacável de quem tinha outro credo. Os especialistas desaconselhavam aquelas contratações, mas o dono não lhes dava ouvidos. Ele acreditava por demais nas pessoas. Sabia que elas são criadas para o mais e que pela força do Amor são capazes de coisas incríveis.
Celebramos a festa de dois grandes líderes da Igreja. Foram homens de importância fundamental para a fixação e divulgação da fé cristã. O primeiro recebeu a missão de liderar e cuidar da organização da instituição e o outro saiu célere, mundo afora, para levar a boa nova a todos os cantos da civilização conhecida de então.
Fossem usados critérios humanos, com toda certeza que os dois não haveriam sido nomeados para tão importantes missões. Diferentes parâmetros teriam sido considerados e a vida pregressa de um e outro não oferecia muitos indicadores de sucesso na missão, tão extraordinária, a ser cumprida por parte de Pedro e Paulo.
Mas que bom que não somos nós quem indicamos os profetas, apóstolos e discípulos missionários. Sempre é Ele quem escolhe e o Senhor nunca se cansa de acreditar no ser humano. A vida pregressa e os problemas acontecidos não lhe interessam. Deus só sabe olhar para frente. Ele acredita que é lá no futuro que cada um de nós irá demonstrar a sua potencialidade.
Homens com falhas e defeitos, mas com um coração imenso para acolher, com entusiasmo contagiante, o trabalho ao qual estavam sendo convocados, de fixação e difusão da Igreja. Seres humanos muito diferentes entre si.
Um era do círculo dos amigos de Jesus, tento convivido por três anos diariamente com Ele. Homem rude e simples. O segundo, ao contrário, só veio a conhecer o Senhor, a quem seguiria com tanta motivação e empenho, já depois da ressurreição. Homem culto e refinado. Missões também que recebem e que são bastante distintas: um deve fixar-se e o outro está sempre fazendo as malas para viajar.
Pedro permanece em Roma, a cidade mais importante do mundo naquela época, para servir à Igreja. Nela ele tem dois grandes serviços. O de liderar a organização institucional da fé e também de abrir as portas acolhendo os filhos e fechando-as para que não a invadissem os que a queriam perseguir ou criar divisões. Na organização da Igreja Pedro se torna o servidor dos servidores e seguidores do Cristo.
Paulo, ao contrário, sai mundo afora. É o grande peregrino da fé. Impressionante ver no mapa o tanto de lugares por ele visitados na missão. Mesmo levando-se em consideração os meios que temos hoje, os caminhos do apóstolo, através dos quais ele levou a fé a tanta gente, continuam sendo causadores de espanto.
Paradoxalmente, Paulo, aquele que antes de conhecer a Jesus era totalmente radical quanto à religião, vai se tornando mais aberto e acolhedor. Pedro, mesmo tendo convivido com Jesus, aquele que não tinha nenhum preconceito e acolhia a todos, sente dificuldades com os diferentes.
Tal fato vem nos demonstrar que a priori não se está pronto para as missões. Deus capacita seus escolhidos, diz uma expressão bem verdadeira e muito repetida nas comunidades. É no serviço que se vai se tornando competente na vocação.
Mas tal capacitação só se dará verdadeiramente quando nos colocamos disponíveis para acolher o Senhor. Será nele e com Ele que realizaremos aquilo para o qual somos chamados e até mais ainda, eis que na verdade somos capazes de realizar obras que nem mesmo imaginamos.
Houve tensão entre eles, os líderes e com toda certeza, essa crise acabava se irradiando pela Igreja. A tensão faz parte do processo criativo. Não há desenvolvimento quando tudo está calmo e frio. É preciso o calor e o debate entre as ideias para que se possa crescer. Hoje também vivemos tensões na Igreja. Olhando para Roma e de lá se ampliando a visão para o mundo, nessa celebração que é também do Papa, iremos ver a complexidade imensa que se tornou o governo da Igreja.
O mundo pós-moderno é bem mais complicado do que aquele no qual Pedro e Paulo viviam. Nosso pastor, Bento XVI se vê às voltas com problemas inimagináveis àquela época. É preciso rezar pelo Papa. Rezar pela Igreja toda, o que significa também por nós ordenados e não ordenados. Rezar para que continuemos abertos às intuições do Concílio Vaticano II para uma Igreja mais aberta e colegiada.
Por último, uma breve reflexão sobre a nossa crença nas pessoas e na sua capacidade de mudança e de superação. Muitos de nós costumamos ser muito duros com as pessoas que erraram. O que teria acontecido caso houvesse sido conosco as mentiras de um e as perseguições de outro?
Vendo a vida de Pedro e Paulo parece-me que há aí um convite para que olhemos também para as histórias daqueles que cometeram erros e que os punimos enquanto sociedade. Que sejamos capazes de acreditar que podem se transformar e fazer diferente, podendo assim serem de novo inseridas em nosso meio.
Fernando Cyrino
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