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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 11 de junho de 2014

TRINDADE SANTA

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Ano  A

Comentários-Prof.Fernando


Evangelho - Jo 3,16-18

-SANTÍSSIMA TRINDADE – José Salviano


15 de Junho de 2014

          O mistério da Santíssima Trindade, um Deus em três pessoas, não pode ser compreendido pela nossa inteligência humana, mas sim, pelos olhos da fé.  Mistério forte que não cabe na nossa cabecinha. Deus é misterioso! Nunca o entenderíamos se tentássemos compreendê-lo com os nossos parâmetros humanos. Porque Deus não pode ser analisado, ou comparado com a nossa realidade.  Porém, o nosso problema é que queremos entender Deus segundo a nossa ótica. Continua


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TRINDADE SANTA, AMPARO DO PAI, SEGURANÇA DO FILHO, FORÇA DO ESPÍRITO SANTO! - Olívia Coutinho

DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Dia 15 de Junho de 2014

Evangelho de Jo 3,16-18

Mais uma vez, nos unimos no mesmo espírito de fé, para com muita alegria celebrar a festa da Santíssima Trindade!
A  festa da Santíssima Trindade é a festa do amor, quando a Igreja nos convida a contemplar o mistério inefável e insondável da Trindade Santa!
Mergulhar na profundidade deste mistério, é fazer a experiência da imensidão do amor de Deus, que para relacionar-se conosco, quis se fazer família: como Pai, Ele nos criou, como Filho nos redimiu e, como Espírito Santo nos santificou.
Ao Colocar esta festa no domingo seguinte à solenidade de Pentecostes, a Igreja vem nos lembrar que cada domingo é uma festa da Santíssima trindade, pois o domingo é o dia do Senhor, dia em que Jesus ressuscitou e que celebramos a vinda do Espírito Santo que nos santificou, descendo sobre a igreja nascente. Por tanto, todo domingo, é dia de contemplar o mistério do Deus Família!
No antigo testamento, não se fala da Família Trinitária, foi Jesus quem a revelou para nós, entreabrindo o véu que encobria de nossos olhos, a grande alegria de poder fazer parte da família de Deus: do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
O Espírito Santo é o guia que nos remete ao coração do Pai, que nos insere na Família Trinitária! A sua presença em nós, é tão forte, que nos faz enxergar o que está oculto aos olhos do mundo.
As palavras, os sinais de Jesus, estão constantemente diante dos nossos olhos, quando não captamos a sua  mensagem, é sinal de que falta-nos uma abertura ao Espírito Santo! Sem abrirmos ao Espírito Santo, os ensinamentos de Jesus,  passam desapercebidos aos nossos sentidos, não entram no nosso coração!
“O Espírito Santo não falará por si mesmo, mas dirá tudo que tiver ouvido...” Esta afirmação de Jesus, vem nos dizer que nenhuma pessoa da Trindade Santa, age individualmente, um exemplo, que deve ser seguido por cada um de nós!
Viver a vida trinitária é fazer a mesma trajetória de Jesus, é viver comunitariamente, priorizando sempre os valores do Reino!
O evangelho de hoje, vem nos falar da grandiosidade do amor de Deus! Um amor que ultrapassou todos os limites, que não levou em conta as nossas ingratidões! Um amor que  abre caminhos, que  é a  extensão do céu aqui na terra!
A  única condição que Deus  estabelece para que tenhamos vida Nele, é crer Naquele que Ele enviou, é Crendo no Filho, que recebemos os frutos do amor do Pai.
As palavras do evangelho, provoca-nos  a uma tomada de posição: o que queremos de fato: estar com Jesus  em favor da vida, ou estar contra Ele em favor da morte.  Podemos escolher em dar a Jesus  uma resposta de fé, ou  de descrença.  A  fé e descrença já contêm o juízo de Deus: salvação, ou condenação.  A condenação, não vem de Deus, nós é que nos condenamos quando não acolhemos e não colocamos a sua verdade  no nosso existir.
“Quem crê Naquele que Deus enviou, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado”... Quem não crê em Jesus, já está condenado porque não  irá viver de acordo com a vontade de Deus.
Crer em Jesus é continuar a sua presença atuante aqui na terra, não crer, é não assumir o seu projeto de vida nova,  é rejeitar a luz.
Professar a fé na Santíssima Trindade, não significa somente reconhecê-la, mas tomá-la como modelo para nossa vida pessoal e comunitária.
Na celebração deste domingo, a palavra central, que deve ressoar nos nossos ouvidos e chegar ao nosso coração é  a “confiança”, a confiança na família Trinitária, onde encontramos o amparo do Pai, a segurança do Filho e a força iluminadora do Espírito Santo.

FIQUE NA PAZ DE JESUS!- Olívia Coutinho

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Após termos celebrado o Natal do Senhor, quando contemplamos o amor do Pai, que enviou seu Filho ao mundo na potência do Espírito, que tornou fecundo o seio virginal de Maria Mãe de Deus; após a celebração do santo tempo pascal, quando fizemos memorial da paixão, morte, sepultura e ressurreição do Senhor, que por nós ofereceu-se ao Pai num Espírito eterno; após concluirmos a Santa Páscoa com a celebração do dom do Espírito em Pentecostes, neste Domingo a Igreja nos faz proclamar a glória da Trindade Santa, o Deus uno e trino que é amor e deu-se a nós e nos salvou por amor! Na Liturgia, no correr do ano, é o Mistério e a história do nosso Deus conosco que celebramos, contemplamos e experimentamos na nossa vida!
Mas, o que nos revela essa história de Deus, do Pai que nos enviou o Filho na força do Espírito Santo? Revela-nos que o Deus uno e único, o Santo Deus de Israel é, ao mesmo tempo e de modo misterioso e impenetrável, uma eterna e perfeita Comunidade de amor! Ele é um só! Ele é comunidade de amor! Absolutamente Um e absolutamente comunidade! Eis o Mistério que nem no céu poderemos esquadrinhar! Não é a toa que, na primeira leitura de hoje o Senhor se revela se escondendo na noite e na nuvem: “Ainda era noite... e o Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés”. Eis! Nosso Deus se faz próximo, desce até nós por amor, mas não podemos compreendê-lo, domá-lo, domesticá-lo! Ele se revela como amor puro e generoso: seu nome é Amor e Misericórdia: “Senhor, Senhor! Deus misericordiosos e clemente, paciente, rico em bondade e fiel...”, mas para experimentá-lo, para caminhar com ele, e preciso a atitude de Moisés: “ele curvou-se até o chão, prostrado por terra... E disse: ‘Senhor, acolhe-nos como propriedade tua’”. Nosso Deus nos ama, nosso Deus faz-se próximo, mas jamais será nosso parceiro, nosso amiguinho, nosso coleguinha, que pode por nós ser subornado e com o qual podemos negociar! Não! Ele é Deus! O seu nome é Eternidade, o seu nome é Infinitude, o seu nome é Amor! Ele é Deus!
E, no entanto, ele quis caminhar conosco, veio a nós e revelou-se no Mistério da sua intimidade. Que coisa: um Deus que nos procura e quer nos unir a ele. Como dizia santa Teresa: “Juntais aquela que não é com a Plenitude acabada: sem acabar, acabais; sem ter que amar, amais, e engrandeceis nosso nada!” Ele, gratuitamente, deu-se a nós, para nos salvar, fazendo-nos viver com ele, participando da sua vida: por isso o Pai entregou ao mundo o seu Filho amado: para viver conosco, sonhar conosco, sofrer e morrer conosco e, assim, dá-nos sua vitória e seu céu: “Deus, o Pai, amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho unigênito, para que não morra quem nele crer, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho para condenar o mundo, mas que o mundo seja salvo por ele”. No Filho único, Jesus, o Pai mostrou o seu rosto, o Pai mostrou sua bondade, o Pai mostrou o seu amo. Jesus mesmo disse: “Quem me vê, vê o Pai. Eu e o Pai somos uma só coisa! (Jo 14,9s). Mas, não bastava para Deus viver no nosso meio, entre nós! Ele quis viver em nós, dentro de nós, sendo mais íntimo de nós que nós mesmos! Por isso, o Filho Jesus, Deus entre nós, Deus conosco, após sua morte e ressurreição, deu-nos o seu Espírito Santo, que ele mesmo recebera do Pai: “Porque sois filhos, Deus, o Pai, enviou aos vossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abbá, Pai! (Gl. 4,6). Deus foi grande para conosco! Foi bom demais! Não só nos revelou coisas, mas revelou-se a si mesmo. Ele, no mais íntimo de si, sem deixar de ser um só, é Pai, eterno Amante, é Filho, eterno Amado, é Espírito, eterno Amor! E não somente revelou-se a nós como é, mas deu-se a nós: o Pai, pelo Filho, no Espírito deu-nos a própria vida divina! Deus veio a nós, quis fazer história na nossa história, quis viver a nossa vida para nos elevar à vida dele, vida feliz, vida plena, vida eterna!
É nessa fé que vivemos, é na vida desse Deus uno e trino que fomos batizados. Aquele amor eterno entre o Pai, o Filho e o Espírito, é o amor que nos invade e que devemos viver entre nós! A Trindade não é uma teoria para os doutores em teologia. Ela é uma realidade concreta que deve invadir a nossa vida e a vida da Igreja: “Amemo-nos uns aos outros, pois o amor é de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor!” (1Jo 4,7-8). Porque somos cristãos, nascidos nas águas batismais, em nome da Trindade, nossa vida deve ser vida e comunhão de amor: “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!” Estas palavras de são Paulo revela o que nós somos, o que devemos ser, o que devemos testemunhar diante do mundo: uma comunidade que nasceu do amor, vive no ninho do Deus de amor e caminha para o Deus de amor. Por isso o Apóstolo recomenda-nos: “Alegrai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, saudai-vos com o ósculo santo!”
Crer e experimentar que Deus é uno e trino é viver no amor que nos faz uma só coisa no Filho Jesus e nos conserva respeitosos das diferenças e diversidades entre nós. Uma comunidade que não seja unida e respeitosa das diferenças de dons, carismas, ministérios e sensibilidades, não é uma comunidade realmente nascida da Trindade, que vive o mistério da Trindade e caminha para a Trindade. Nunca esqueçamos: vimos do Pai pelo Filho no Espírito; caminhamos, peregrinos, para o Pai, pelo Filho no Espírito. A Trindade é nosso berço, nosso ninho e nosso destino. Contemplá-la e adorá-la é viver o amor. Como dizia Santo Agostinho: viste o amor, viste a Trindade. “Bendito seja Deus Pai, bendito seja o Filho unigênito, bendito seja o Espírito Santo! Deus foi misericordioso para conosco!” A ele, a glória pelos séculos.
dom Henrique Soares da Costa
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1. Deus se revela
Celebramos a festa da Santíssima Trindade. É o mistério mais profundo de nossa fé. Impossível de compreender? Não! Nem impossível de compreender, muito menos de viver.
Todo mistério revelado é para nossa vida que se manifesta. Não vamos compreender tudo, pois nossa compreensão é finita e a Trindade é infinita. Contudo, nossa compreensão não tem limites. Estaremos sempre compreendendo melhor.
Saber, na linguagem bíblica não é só um discurso racional, mas uma experiência na qual Deus se revela e nos faz conhecer quem Ele é e o que nos oferece, para que o acolhamos. Todo o mistério cristão se funde nessa realidade: Deus quis se comunicar conosco, e o fez através de seu Filho Jesus, que nos deu o Espírito Santo para participarmos da vida de Deus. "Porque Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo aquele que nele crê, mas tenha a vida eterna" (Jo 3,16).
O Filho revela o Pai e nos mostra' seu desejo: "Que o mundo seja salvo por Ele" (Jo 3,17). A revelação de Deus tem como meta a salvação. O que é Salvação?
A humanidade afastou-se de Deus. Jesus veio para redimi-Ia. Mais que perdoar, a missão de Jesus foi a de comunicar Vida. "Quem crê no Filho tem a vida eterna" (Jô 3,36). A revelação de Deus não se faz só por causa do pecado, mas porque Deus quis comunicar-se conosco, como Vida de nossa vida. Mais que pecado, trata-se de graça.
Lembremos a revelação que Deus fez a Moisés: "Farei passar diante de ti toda a minha bondade e proclamarei diante de ti o nome de Javé. Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e me compadecerei de quem eu quiser compadecer-me" (Ex. 33,19). Nesse sentido, S. João diz: "Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele" (1Jo 4,9).
2. Entrar em comunhão com Deus
A vida nasce da comunhão com Deus. Comunhão não é somente receber a Hóstia Santa. É levar adiante a vida que recebemos no Batismo e a aprofundamos com os demais sacramentos e com nosso dia-a-dia. Comungar é amar e saber acolher o amor.
Cantamos: "Onde há amor e caridade, Deus aí está!". Essa expressão de amor se estende ao outro. Englobamos com esse amor a realidade terrestre, a natureza, pois ela nos fala de Deus.
Por que gostamos tanto de são Francisco? Porque ele tinha o amor universal. Crescemos nesse amor. É uma experiência pessoal. Só sabemos se amamos quando o serviço dos irmãos faz parte de nossa alegria de viver, pois vivemos para Deus quando servimos o outro. "Se Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros. Ninguém jamais viu Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco e seu amor é plenamente realizado em nós. Quem não ama o irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê" (Jo 4,11-12.20).
3. A Vós louvor e honra
Esse mistério tão sublime nos toca tão profundamente, que até o silêncio é louvor. O que podemos fazer diante da grandiosidade e da proximidade de tão grande Deus?
Podemos louvar. "A Vós, louvor, honra e glória eternamente". O louvor nos liberta de nossa fragilidade e nos coloca em contato com as maravilhas de Deus. Louvando, elevamo-nos da terra e conosco elevamos o mundo.
Louvar é reconhecer o quanto necessitamos de Deus e o quanto nos comprometemos em fazer do mundo um eterno reconhecimento de sua bondade e seu amor. Estamos distantes de Deus, mas, pelo louvor Ele penetra nossas vidas e o mundo em que vivemos.
Victor Hugo Oliveira
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“O Senhor alimentou seu povo com a flor do trigo e com o
mel do rochedo o saciou” (cf. Sl 80,17).
Este tempo maravilhoso de Páscoa, que foi encerrado com o Domingo de Pentecostes, nos colocou diante dos olhos a unidade da obra do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Cristo veio cumprir a obra do Pai e nos deu seu Espírito, para que ficássemos nele e mantivéssemos a obra do Pai e nos deu seu Espírito, para que ficássemos nele e mantivéssemos o que Ele fundou, renovando-o constantemente, neste mesmo Espírito. Assim, a festa de hoje vem contemplar o tempo pascal, como uma espécie de síntese. Síntese, porém, não intelectual, mas “misterial”, isto é, celebrando a nossa participação na obra das pessoas divinas. A festa da Santíssima Trindade sempre foi celebrada no domingo seguinte ao domingo de Pentecostes, com a finalidade de mostrar o triunfo da Santíssima Trindade na história da salvação: o Pai Criador, o Filho Salvador, o Espírito Santo que renova e refaz todas as coisas.
Foi Jesus que revelou que no Deus único, há três pessoas distintas. Santo Antônio afirmou que na Palavra Pax está contida a revelação do mistério da Trindade: “Note que na palavra pax, paz, há três letras e uma sílaba, em que se designa a Trindade e a Unidade: no P, o Pai; no A, primeira vogal, o Filho, que é a voz do Pai; no X, consoante dupla, o Espírito Santo, procedente de ambos. Assim, ao dizer: A paz esteja convosco, recomenda-nos Cristo a fé na Trindade e na Unidade”.
A Santíssima Trindade, na palavra do Concílio Ecumênico Vaticano II, afirma que o dogma da Santíssima Trindade é o centro de nossa fé.
O próprio Cristo envia os seus discípulos para a missão determinando que o mandato do batismo seja efetuado em nome da Trindade Santíssima: “Ide pelo mundo e batizai a todos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (cf. Mt. 28,19).  A existência de um Deus único, com uma só natureza divina, mas distinto em três pessoas, é revelação de Jesus.
Por isso a Santíssima Trindade permeia toda a vida do cristão. Todas as vezes que fazemos o sinal da Cruz estamos invocando a Santíssima Trindade. Quando fazemos o sinal da Cruz reverenciamos o Deus único e verdadeiro, Pai, Filho e Espírito Santo. E, assim, também começa a Santa Missa com a saudação inicial: “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus-Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”, quando pedimos que seja Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.
A Trindade está presente em tudo: no glória quando glorificamos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo; bem como, no Credo, quando renovamos a nossa fé no Deus uno e trino, Pai, Filho e Espírito Santo.
O mistério da Santíssima Trindade é a luz que ilumina todas as verdades da fé. E é um mistério de amor profundo. A Trindade é a comunidade perfeita, a comunidade de amor pleno. O Pai criou tudo por amor; o Filho, muito amado pelo Pai constrói no mundo, com sua vida, um reino de amor, e o amor é um dos grandes dons do Espírito Santo. Assim, no Santo Evangelho de hoje, tirado do diálogo de Jesus com Nicodemos, recorda o imenso amor de Deus pelas criaturas, pelos homens e pelas mulheres, um amor tão grande, tão sublime, tão profundo que vence a barreira do pecado e da morte à custa do sangue derramado de seu próprio Filho. Um amor inaudito que quer ter todas as criaturas junto a si, participando de sua feliz vida eterna.  Deus nos ama de tão maneira que nos enviou o Espírito Santo em auxílio da fraqueza e da miséria de nossa fé, completando o nosso coração de esperança, avivando a fé em Jesus, o Redentor, revestindo de tal maneira nossa vida a ponto de que é Ele que reza em nós e em nós rende louvores e graças a Deus. Deus Pai já não olha para o nosso pecado e ignorância, mas vê o “o próprio Espírito, que advogada por nós em gemidos inefáveis.” (cf. Rm. 8,26)
A proposta de Deus nasce de amor, explicita-se na encarnação e morte de Jesus, e tem por finalidade dar a todos a vida eterna. O homem e a mulher, em resposta ao chamado de Deus, consiste em aceitar ou não aceitar a missão de Jesus, o Filho. Aceitar ou não exige uma decisão pessoal, de adesão ao Evangelho da libertação e da vida nova. Jesus garantiu que o Espírito Santo nos ajudaria a conhecer a Verdade e a discernir as coisas. A decisão passa pela adesão ao Cristo Ressuscitado, o Redentor e Salvador, através de uma adesão misteriosa e amorosa de docilidade ao Reino e ao Seguimento do Cristo.
Deus uno e trino que é indivisível. Indivisível, mas amoroso e generoso na comunhão amorosa e eterna com a Trindade, devemos construir uma vida do amor, com amor e para amar, como Cristo nos amou e amou a sua Igreja. Sim, a solenidade da Santíssima Trindade, nos convida a buscar e viver a integração da unidade na pluralidade em todos os sentidos.
Que a Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo acompanhe sempre as nossas vidas e nos ajude a fazer a experiência amorosa de Deus. Vem Trindade Santa, caminha conosco e nos dê a sua paz!
padre Wagner Augusto Portugal
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A Trindade
Celebramos hoje a festa da Santíssima Trindade, Essa festa não um convite para decifrar o "mistério", que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas", mas uma oportunidade para contemplar nosso Deus, e purificar o nosso coração das falsas idéias de Deus.
O Deus cristão não é solitário, é amor, é família, é comunidade e criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.
Não é fácil falar de Deus... pela sua grandeza, pela nossa pequenez e pela idéia que nos passaram na infância, de que esse "Mistério" é uma coisa difícil que não podemos entender.
Esse mistério é tão sublime que nunca poderemos compreender em plenitude, mas podemos e devemos crescer no seu conhecimento...
A própria Bíblia é uma contínua e progressiva revelação de Deus. E esse mistério só foi revelado pelo próprio Cristo.

A 1ª leitura mostra um Deus compassivo e misericordioso. (Ex. 34,4b-6;8-9). Deus se revela no "monte" escondido na "nuvem". Deus é um Pai que cuida com ternura de seus filhos, entende seus erros e os ama em qualquer circunstância, também quando pecam...
Moisés intercede pelo povo, que se afastara de Deus e da Aliança. "Deus misericordioso e clemente, paciente e rico em bondade e fiel... Perdoa os nossos pecados... Caminha conosco..." E Deus renova a Aliança com Israel.
O Antigo Testamento não tinha conhecimento do Mistério da Trindade. O mais importante nessa etapa da revelação era a UNICIDADE e ESPIRITUALIDADE de Deus, assim como seus a tributos de ONIPOTÊNCIA e MISERICÓRDIA, como nos mostra o texto de hoje.

A 2ª leitura mostra um Deus próximo, "conosco". Paulo saúda os primeiros cristãos com uma fórmula trinitária, que repetimos ainda hoje no início das missas: "A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco".  (2Cor. 13,11-13) Essa saudação atribui a cada pessoa da Trindade um dom ou uma função, embora toda ação salvadora seja comum na Santíssima Trindade:
- O PAI é aquele que tomou a iniciativa de salvar os homens, destinando-os a uma felicidade eterna, na sua família;
- O FILHO é aquele que realizou essa obra de salvação, com a sua vinda ao mundo e a sua fidelidade até a morte;
- O ESPÍRITO, o Amor que une o Pai com o Filho, é aquele que foi infundido no coração de todos os cristãos no batismo.
O Evangelho mostra um Deus que salva. (Jo 3,16-18) Deus não é um ser solitário e mudo, fechado num eterno silêncio, mas por ser trino é amor e alteridade.
- "Deus amou de tal forma o mundo que lhe deu o seu Filho unigênito..."
- "Deus não o enviou ao mundo para julgar, mas para salvar".
- "Quem não crê, já está condenado".
Segundo João, o juízo será feito agora pelo próprio homem, toda vez que acolhe ou recusa a proposta de salvação que Deus lhe faz.
Por que Deus revelou esse mistério?
Com certeza, não foi para criar um problema na sua compreensão.
Porque nos ama, ele revela os segredos íntimos da vida divina e nos introduz na sua Família.
- Em nós está o Pai, que nos chamou do nada, nos insuflou o sopro da vida, nos deu um nome, nos confiou uma missão.
- Em nós está o Filho, que entregou sua vida por nós.
- Em nós está o Espírito Santo que nos ilumina e fortalece nos caminhos de Deus.
E toda essa maravilha veio até nós pelo batismo.
Ter esse tesouro precioso dentro de nós é uma dignidade, que deve provocar em nós três atitudes:
- ADORAÇÃO: como não dar glória, bendizer e agradecer o hóspede divino, que faz de nossa alma um verdadeiro Santuário?
- AMOR: Deus, apesar de sua grandeza, fica conosco como um pai amoroso. Como não corresponder a seu amor?
- IMITAÇÃO: o Amor nos levará à imitação da Santíssima Trindade, dentro do possível de nossa pequenez.
Por que essa festa?
Não é tanto para desenvolver a doutrina da Trindade, mistério central de nossa fé e de nossa vida cristã, mas um momento para relembrar de onde viemos e a comunhão que devemos restaurar em nós, para sermos de fato a sua imagem e semelhança.
Somos chamados a ser reflexos da Santíssima Trindade, sinais de comunhão, de partilha e esperança, num mundo tão dividido, individualista e desesperançado.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa
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Somos amados por Deus
A contemplação da Santíssima Trindade abre o nosso coração para o Deus amoroso, revelado por Jesus Cristo. Consciente de ser Filho, Jesus nos falou do Pai e prometeu o dom do Espírito Santo a quem tivesse fé. Revelou que tinha vindo do Pai e para o Pai voltaria, confiando ao Espírito Santo a missão de dinamizar a caminhada da comunidade de fé. Sempre que falava de Deus, referia-se à Trindade.
O envio do Filho, por parte do Pai, foi uma prova de amor imenso ao ser humano corrompido pelo pecado. Visando libertar da morte a humanidade, Jesus veio, na qualidade de portador de vida eterna. Entretanto, a perfeita salvação – o dom da vida eterna – depende de como se acolhe Jesus, e se adere à sua pessoa. Deste modo, vive-se como verdadeiros filhos e filhas de Deus, regenerados pelo Espírito.
Engana-se quem atribui a Jesus a missão primordial de julgar e condenar o mundo. A condenação depende da incredulidade em relação ao Filho enviado pelo Pai. Rejeitar o Filho significa, por extensão, rejeitar o Pai que o enviou. Por sua vez, recusar a este comporta a rejeição da vida eterna, que só ele pode oferecer. Esta insensatez, em última análise, resulta do fechamento ao dom do Espírito Santo, o único que tem o poder de atrair o ser humano para Deus. Portanto, embora o desígnio primeiro da Trindade seja o de salvar a humanidade, resta sempre a possibilidade de o ser humano servir-se de sua liberdade para fazer-se prisioneiro de seu egoísmo.
padreJaldemir Vitório
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O povo de Israel na primeira aliança reconheceu, por revelação, que existe um só Deus e não pode haver mais do que um. Esta é uma verdade que perdura para sempre e que pode ser atingida também pelo uso da razão ou por nossa inteligência.
Os cristãos receberam de seus irmãos mais velhos, os judeus, esta revelação, e a mantêm intacta. No entanto, uma nova e definitiva revelação aconteceu em Jesus Cristo. Estabelecendo a nova aliança, Ele nos deu a conhecer um pouco mais da vida de Deus e assim ficamos sabendo, agora só por revelação, que Deus é uno e também trino. O único Deus no qual cremos existe em Três Pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Isso não podíamos saber com a nossa inteligência. Ouvimos, no Quarto Evangelho, Jesus dizendo: “Eu e o Pai somos um” (10,30); “Crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim” (14,11); “Quem me vê  vê o Pai” (14,9); “Quando vier o Paráclito, que vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da Verdade, que vem do Pai, Ele dará testemunho de mim” (15,26). “Paráclito” é aquele que fica junto de alguém para o defender, é o defensor ou advogado.
Mais tarde, ilustres teólogos da Igreja, que chamamos de Padres da Igreja, e os concílios, refletindo sobre as palavras das Escrituras Sagradas do Antigo e do Novo Testamento, elaboraram uma doutrina segura para  fortalecer a fé dos cristãos na Santíssima Trindade. Assim, cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, e em Jesus Cristo, seu Filho único, Nosso Senhor, e no Espírito Santo. Lá dentro, nosso Deus é uma comunidade de vida feita de relações.
Ex. 34,4b-6.8-9 – Moisés queria ver a glória de Deus (cf. Ex. 33,18) e Deus lhe disse que ia lhe mostrar o que tinha de melhor. Moisés subiu ao Monte Sinai com as novas tábuas da Lei, porque as primeiras tinham sido quebradas por ele. Lá no alto do Sinai, Deus passa diante de Moisés, e este, encantado, gritou o que estava vendo. Ele estava vendo como Deus é por dentro. Moisés exclamou: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. As palavras usadas por Moisés são muito importantes nos textos bíblicos e na revelação de quem é Deus. Assim Deus se revela. Ele é clemente e misericordioso, paciente, isto é, lento para a cólera, cheio de bondade e fiel. O evangelista São João escreve que “a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1,17). As palavras “graça e verdade” são a tradução de “bondade e fidelidade”. São João estava dizendo que Jesus nos mostrou como é Deus por dentro.
Cânt. Dn. 3,52-56  – Hoje louvamos o Senhor nosso Deus com as palavras do cântico de Daniel: a Deus honra e glória eternamente!
2Cor.  13,11-13 – Exortando os coríntios a progredirem na vida cristã, a cultivarem a concórdia e a viverem em paz, são Paulo os coloca dentro do mistério da Trindade. O Deus do amor e da paz é o Pai, é Jesus e é o Espírito Santo. Deles temos a graça, o amor e a comunhão.
Jo 3,16-18 – Nesta passagem do Evangelho de são João nos é revelado que Deus manifesta seu amor por nós dando-nos seu único Filho. Deus é Pai e tem um Filho que veio a este mundo para a nossa salvação. Quem crê no Filho único do Pai não é condenado.
cônego Celso Pedro da Silva
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E o Verbo se fez carne e veio morar entre nós
Neste texto, como núcleo do discurso de Jesus a Nicodoemos, João reapresenta a encarnação salvífica de Jesus, já anunciada no prólogo de seu evangelho. "E o Verbo se fez carne e veio morar entre nós e vimos a sua glória, que ele recebe do seu Pai como Filho único" (Jo 1,14). "Ele estava no mundo. A quantos, porém, o acolheram deu o poder de se tornarem filhos de Deus: são os que crêem no seu nome" (Jo 1,12). Temos aqui o anúncio fundamental que pervaga o evangelho de João. Deus, no seu grande amor, enviou seu Filho ao mundo para comunicar a vida eterna a todos que nele crêem. O objeto do amor de Deus é o mundo. A palavra "mundo", principalmente nas cartas paulinas (1Co. 2,12; 3,19; Ef. 6,12) e no evangelho de João, significa a sociedade alienada de Deus pela dominação daqueles que são seduzidos pela ambição do dinheiro e do poder. No evangelho de João o mundo está submisso ao príncipe das trevas. Não é necessário pensar em entidades demoníacas. Trata-se do poder da morte. São os poderosos deste mundo que semeiam a morte em vista de garantir e consolidar suas riquezas, seu poder econômico, militar, e ideológico, apelando para contra-valores seculares ou religiosos. Este "mundo" tem uma estrutura que se opõe a Deus, mas Deus vem, com amor, para transformar e libertar este mundo. O mundo é criação de Deus e Deus dá seu Filho único ao mundo para elevá-lo à plenitude da paz e da vida eterna.
O Filho é a "luz do mundo" (Jo 1,9; 3,19; 8,12; 9,5; 12,46), e Jesus dá a vida pelo mundo (Jo 6,33). "Deus amou tanto o mundo que deu seu filho único", enviando-o pela sua concepção no ventre de Maria, na encarnação. Jesus, o novo Adão, já é a realidade da nova humanidade: é o homem que, na condição de filho de Deus, já é divino e eterno. O fruto do amor não é a condenação mas a libertação de toda opressão, que é realizada por Deus com o dom gratuito da vida eterna, e alcançada pela fé. Jesus, a luz do mundo, vem como dom e prova do amor de Deus. Sua glória, que é a glória do Pai é a comunicação deste amor. Deus que "dá" seu Filho ao mundo para que o mundo seja salvo, foi entendido dentro das categorias do judaísmo, como oferta sacrifical. Jesus seria sacrificado na cruz nos moldes dos cordeiros no altar do Templo de Jerusalém ou como Isaac que é levado ao sacrifício por seu pai Abraão. Terrível compreensão! Deus é amor! Deus envia Filho Jesus não para julgar e condenar, mas como portador do amor divino, no Espírito Santo, para comunicar a vida aos homens e mulheres. É um renascer para a eternidade, é a ressurreição. "Deus enviou seu Filho ao mundo, não para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele". A salvação, na tradição de Israel, é compreendida como sendo o resgate do castigo e da condenação dos ímpios pecadores, um povo de "cabeça dura", sob o ponto de vista das elites religiosas (primeira leitura). Com Jesus esta idéia de salvação vai sendo didaticamente substituída pela idéia da libertação da opressão que impera no mundo e o anúncio do dom da vida eterna. O estar julgado ou não estar julgado é substituído pelas atitudes de não crer ou crer em Jesus, Filho único de Deus. Quem crer em Jesus não será julgado porque libertou-se e recebe o dom da vida eterna. Quem não crer é julgado por permanecer conivente com as estruturas de poder deste mundo, distanciando-se deste dom. Os discípulos eram do mundo, mas foram libertados de seu poder e de sua ideologia pela adesão ao projeto de Jesus. Eles são a semente da libertação do mundo. O crer é a porta para a vida eterna. Crer no nome do Filho é seguir Jesus. É ser portador da misericórdia e da vida ao mundo. Viver o amor na comunidade, desvelando a presença do amor de Deus no mundo.
José Raimundo Oliva

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Glória a Deus, Uno e Trino
No dia 17 de março, festa de são Patrício - o apóstolo da Irlanda, que a conquistou toda para Cristo - os irlandeses guardam a tradição de pregar na roupa ou colocar na lapela uma folha de trevo. Isso é para eles um testemunho de fé; pois lembram que seu santo bispo se servia da comparação da folha de trevo - que é uma e tríplice - para ajudar a guardar a verdade básica de nossa fé: um só Deus, em três pessoas. É claro que a comparação é muito rudimentar. Mas dificilmente acharíamos uma comparação, que pudesse expressar apropriadamente o grande mistério. E aí onde até a lúcida fantasia do maior poeta cristão, Dante Alighieri, veio a falhar: "Da fantasia a força me fugiu", como ele diz no finalzinho da Divina Comédia (Par., XXXIII, 142). Só sabemos balbuciar. Cremos e adoramos. Compreender não podemos. Mas louvamos a grandeza de Deus uno e trino. E milhões de vezes por dia, partindo de todos os- recantos da terra, sobe aos céus o louvor de Deus nessa fórmula de fé e de confiança: "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ".
Deus é um só: "Há um só Deus e não pode haver mais do que um", como nos ensinou a dizer o velho e imortal catecismo. Mas Deus não é sozinho. Nele há a unidade, mas não há solidão. Há comunhão. Na unidade que adoramos - como adoram os muçulmanos, os judeus e muitos povos religiosos - há uma misteriosa Trindade, que só conhecemos pela palavra de Jesus, desenvolvida no Evangelho e nos demais livros do Novo Testamento. Deus é PAI, incriado, princípio sem princípio. Deus é Filho, gerado do Pai desde todos os séculos, como o orvalho da manhã.
Deus é Espírito Santo, sopro divino que procede do Pai e do Filho. Essas três pessoas são igualmente eternas. Uma não existe antes nem depois da outra. Nelas existe a simultaneidade do ser, embora a pobreza de nossa linguagem humana nos obrigue a enumerar: primeira pessoa, segunda pessoa, terceira pessoa.
Santo Agostinho, o mais versado Doutor da Igreja no estudo - melhor deveríamos dizer na “contemplação" - do dogma da Santíssima Trindade, usou de uma analogia psicológica, que passou para Santo Tomás e para outros sábios da Igreja. Como no homem existe a mente, o pensamento e o amor, intimamente concatenados; assim em Deus há a inteligência, o conhecimento e o amor. A segunda pessoa tem o nome de "Verbo", que sugere exatamente a "palavra", o "pensamento", que orienta a analogia de santo Agostinho: O Filho é o pensamento do Pai. Mas também, de algum modo, a terceira pessoa, o Espírito Santo, traz uma conveniência para isso. Pois "Espírito" se pode traduzir por "suspiro", que é expressão de amor.
É muito agradável encontrar na Sagrada Escritura as claras manifestações da Trindade. É, por exemplo, o que acontece no batismo de Jesus no Jordão. Aí está Jesus, o Filho, a segunda pessoa, recebendo o batismo das mãos de João. Ouve-se a voz do Pai, falando das alturas: "Este é meu Filho muito amado". E se manifesta o Espírito Santo, em forma de pomba, pairando sobre as águas do rio, como no princípio do mundo" o Espírito de Deus pairava sobre as águas", como se lê na primeira página do Gênesis. Quando Jesus promete a vinda do Espírito Santo, é também muito nítida a distinção das pessoas: "Rogarei ao Pai, - é Jesus que fala  - e Ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre" (Jo 14, 16). E quando Jesus pronuncia sua palavra de envio do Evangelho para todo o mundo, diz: "Ide, fazei que todos os povos da terra se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt28, 19). E em São Paulo é freqüente a proclamação das três pessoas, podendo-se dizer que todas as suas epístolas são marcadas por um forte colorido trinitário. Bastaria ver a saudação final da segunda carta aos coríntios, que a liturgia usa entre as fórmulas de saudação no início da missa: "A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco" (2 Cor 13, 13).
Trazemos em nós a marca da Trindade, que recebemos no Batismo. Saibamos adorá-la permanentemente, lembrando o Pai de imensa majestade, o Filho de Deus e nosso irmão Jesus Cristo, Deus-conosco, e o Espírito Santo que dá vida e santidade à Igreja e a cada cristão. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único
Hoje celebramos o mistério insondável de Deus, a Santíssima Trindade. Durante os primeiros séculos da sua existência, a Igreja lutou com dificuldade para expressar em palavras o inexprimível - a natureza do Deus em que acreditamos. Chegou à expressão belíssima do Credo Niceno-Constantinopolitano, infelizmente tão pouco usado nas celebrações de hoje, onde se expressa o Pai criador de todas as coisas, do Filho, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, e o Espírito que dá a vida, e procede do Pai e do Filho. Mas, mesmo essas expressões tão profundas não conseguem explicar a Trindade, pois se Deus fosse compreensível à mente humana, não seria Deus.
O quarto Evangelho nos traz formulações muito bonitas referentes à Trindade, especialmente no último discurso de Jesus. Dentro das limitações da linguagem humana, tentamos expressar o mistério da Trindade como três pessoas numa única natureza. Mas, mais importante do que encontrar fórmulas abstratas para expressar o que no fundo é inexprimível, é descobrir o que a doutrina da Trindade pode nos ensinar para a nossa vida cristã.
Talvez o livro de Gênesis possa nos ajudar. Lá se diz que Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus Ele o criou; e os criou homem e mulher (Gn. 1,28). Ora, se somos criados à imagem e semelhança de Deus, é de um Deus que é Trindade, que é comunidade perfeita na diferença. Assim, só podemos ser pessoas realizadas na medida em que vivermos comunitariamente. Quem vive só para si é destinado à frustração e infelicidade, pois está negando a sua própria natureza. O egoísmo é a negação de quem somos, pois nos fecha sobre nós mesmos, enquanto fomos criados na imagem de um Deus que é o contrário ao individualismo, pois é Trinitário.
No mundo pós-moderno, onde o individualismo social, econômico, e religioso é tido como critério fundamental da vida, a doutrina da Trindade nos desafia para que vivamos a nossa vocação comunitária, criando uma sociedade de partilha, solidariedade e justiça, no respeito do diferente do outro, pois fomos criados à imagem e semelhança deste Deus que é amor e comunhão.
A festa de hoje não é de um mistério matemático - como pode ter três em um - mas do mistério do amor de Deus, que nos criou para que vivêssemos comunitariamente na sua imagem e semelhança.

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Pai, Filho e Espírito Santo
O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central de nossa fé e de nossa vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É portanto a fonte de todos os outros mistérios da fé. Trata-se de um mistério no sentido estrito, um dos "mistérios escondidos em Deus que não podem ser conhecidos se não forem revelados do Alto". Sem dúvida, Deus deixou vestígios de seu ser Trinitário na obra da criação e sua revelação ao longo do Antigo Testamento. Mas a intimidade do seu ser como Santíssima Trindade constitui um mistério inacessível à pura razão e até mesmo à fé de Israel, antes da encarnação do Filho de Deus e da missão do Espírito Santo.
Muitas religiões designam Deus como Pai. Ao designar Deus como Pai, a linguagem da fé indica dois aspectos: origem primeira de tudo e autoridade transcendente e que, ao mesmo tempo, é bondade e solicitude de amor para com todos os seus filhos. Esta ternura paterna de Deus pode ser expressa também mediante a linguagem da maternidade. Os pais são os primeiros representantes de Deus para o homem, mas a fraqueza humana pode desfigurar o rosto da paternidade e maternidade. Deus transcende a paternidade e a maternidade humanas. Ninguém é Pai como Deus o é. Com efeito, Jesus revelou que Deus é Pai num sentido inaudito: não o é somente enquanto criador, mas o é eternamente em relação a seu Filho único que, reciprocamente, só é Filho em relação a seu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar (Mt. 11,27).
O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, revelado pelo Pai e pelo Filho. Antes da Páscoa Jesus anuncia o envio de um outro paráclito, o Espírito Santo. Em ação desde a criação, depois de ter outrora falado por meio dos profetas, ele estará agora junto de seus discípulos e neles, a fim de ensina-los e conduzi-los à verdade toda (Jo 16,13). A origem eterna do Espírito Santo revela-se na sua missão temporal. O Espírito Santo é enviado aos apóstolos e à Igreja tanto pelo Pai em nome do Filho quanto pelo Filho, depois que este tiver voltado para junto do Pai. Nós, cristãos, somos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28,19) e não nos nomes destes, pois há um só Deus: o Pai Todo poderoso, seu Filho unigênito e o Espírito Santo: a Santíssima Trindade. Nosso batismo significa, portanto, imersão (este é o sentido literal do batismo) plena no mistério da Santíssima Trindade. Batizar todas as gentes em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo e faze-las discípulos e discípulas de Jesus é conduzi-Ias ao insondável mistério de Deus Trindade. Neste Deus, nós cristãos, estamos mergulhados.
padre Lucas de Paula Almeida, CM

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A solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.
Na primeira leitura, o Deus da comunhão e da aliança, apostado em estabelecer laços familiares com o homem, auto-apresenta-Se: Ele é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia.
Na segunda leitura, Paulo expressa – através da fórmula litúrgica “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” – a realidade de um Deus que é comunhão, que é família e que pretende atrair os homens para essa dinâmica de amor.
No Evangelho, João convida-nos a contemplar um Deus cujo amor pelos homens é tão grande, a ponto de enviar ao mundo o seu Filho único; e Jesus, o Filho, cumprindo o plano do Pai, fez da sua vida um dom total, até à morte na cruz, a fim de oferecer aos homens a vida definitiva. Nesta fantástica história de amor (que vai até ao dom da vida do Filho único e amado), plasma-se a grandeza do coração de Deus.
1ª leitura – Ex. 34,4b-6.8-9 - AMBIENTE
O nosso texto faz parte das “tradições sobre a aliança do Sinai” – um conjunto de tradições de origem diversa, cujo denominador comum é a reflexão sobre um compromisso (“berit” – “aliança”) que Israel teria assumido com Jahwéh.
O texto situa-nos no deserto do Sinai, “em frente do monte” (cf. Ex. 19,1). No texto bíblico, não temos indicações geográficas suficientes para identificar o “monte da aliança”. Em si, o nome “Sinai” não designa um monte, mas uma enorme península de forma triangular, com mais ou menos 420 quilômetros de extensão norte/sul, estendendo-se entre o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho (no sentido norte/sul) e o golfo do Suez e o golfo da Áqaba (no sentido oeste/este). A península é um deserto árido, de terreno acidentado e com várias montanhas que chegam a atingir 2400 metros de altura.
Segundo alguns autores, este texto pode ter sido a primitiva versão jahwista da aliança do Sinai (séc. X a.C.); mas, na versão final do Pentateuco (séc. V-IV a.C.), foi utilizado para descrever a renovação da primeira aliança, entretanto rompida pelo pecado do Povo. No estado atual do Pentateuco, o esquema é o seguinte: Israel comprometeu-se com Jahwéh (cf. Ex. 19); mas, durante a ausência de Moisés, no cimo do monte, o Povo construiu um bezerro de ouro para representar Jahwéh – o que lhe estava interdito pelos mandamentos da aliança (cf. Ex. 32,1-29); então, Moisés intercedeu pelo Povo e Deus renovou a aliança com Israel (cf. Ex. 34,1-10).
MENSAGEM
Depois de ter obtido o perdão de Deus para o Povo, Moisés subiu sozinho à presença de Jahwéh. Consigo, levava as duas novas tábuas de pedra que havia talhado e sobre as quais seriam gravados os mandamentos da aliança.
Precisamente aqui, o autor insere a teofania (“manifestação de Deus”). Deus aproxima-se de Moisés “na nuvem”: a nuvem, que paira a meio caminho do céu e da terra, é, no Antigo Testamento, um símbolo privilegiado para exprimir a presença do Deus que vem ao encontro do homem; ao mesmo tempo a nuvem, simultaneamente, esconde e manifesta: sugere o mistério de Deus, escondido e presente, cujo rosto o homem não pode ver, mas cuja presença adivinha.
A teofania continua, depois, com uma auto-apresentação do próprio Jahwéh. Como é, então, que o próprio Deus Se define? Que é que Ele diz de Si próprio?
Nesta apresentação, Deus não menciona a sua grandeza e onipotência, o seu poder e majestade; mas menciona as “qualidades” que fazem d’Ele o parceiro ideal na “aliança”: Jahwéh é o “Deus clemente e compassivo, sem pressa para se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade” (v. 6). Num desenvolvimento que aparece no texto bíblico, mas que a nossa leitura de hoje não conservou (v. 7), Jahwéh fala ainda da sua misericórdia (“até à milésima geração”), que é ilimitada e desproporcional quando comparada com a sua ira (“até à terceira e à quarta geração”). Aqui, os números não significam nada e não devem ser tomados à letra: são apenas uma forma de representar a desproporcional misericórdia de um Deus, infinitamente mais inclinado para o perdão do que para o castigo. De resto, Israel é convidado a descobrir e a comprometer-se com esse Deus que é sempre fiel aos seus compromissos e solidário com todos aqueles que d’Ele necessitam.
A questão essencial é esta: Deus ama o seu Povo e cuida dele com bondade e ternura. A sua misericórdia é ilimitada e, aconteça o que acontecer, irá sempre triunfar. Israel, o Povo da aliança, pode estar tranquilo e confiante, pois Jahwéh, o Deus do amor e da misericórdia, garante a sua eterna fidelidade a esses atributos que caracterizam o seu ser.
Moisés responde a esta apresentação com as petições habituais: que Jahwéh continue a acompanhar o seu Povo em caminhada da terra da escravidão para a terra da liberdade; que Jahwéh entenda a dureza do coração do Povo e que perdoe os seus pecados; que Jahwéh renove a eleição (v. 9).
E Deus, confirmando a sua auto-apresentação (Deus de amor e de bondade, lento para a ira e rico de misericórdia), não só perdoa o Povo, como até lhe propõe a renovação da aliança (v. 10).
ACTUALIZAÇÃO
• Deus é sempre, para o homem, o mistério que a “nuvem” esconde e revela: detectamos a sua presença, mas sem O ver; percebemos a sua proximidade, sem conseguirmos definir os contornos do seu rosto. A ânsia do homem em penetrar o mistério de Deus leva-o, com frequência, a inventar rostos de Deus; mas, muitas vezes, esses rostos são apenas a projecção dos sonhos, dos anseios, das necessidades e até dos defeitos dos homens e têm pouco a ver com a realidade de Deus. Para entrarmos no mistério de Deus, é preciso estabelecermos com Ele uma relação de proximidade, de comunhão, de intimidade que nos leve ao encontro da sua voz, dos seus valores, dos seus desafios (“subir ao monte”). Procuro, dia a dia, “subir ao monte” da “aliança” e estabelecer comunhão com Deus através do diálogo com Ele (oração) e da escuta da sua Palavra?
• No nosso texto, Deus apresenta-Se. Fundamentalmente, Ele define-Se como o Deus da relação e da comunhão. Deixa claro que é um Deus “com coração” – e com um coração cheio de amor, de bondade, de ternura, de misericórdia, de fidelidade. Apesar de o seu Povo ter violado os compromissos que assumiu, Deus não só perdoa o pecado do Povo, mas propõe o refazer da “aliança”: é que, acima de tudo, este Deus do amor preza a comunhão com o homem: o seu objetivo é integrar os homens na família de Deus. É este Deus em que eu acredito? É deste Deus que eu dou testemunho?
• Deus, da sua parte, faz tudo para viver em comunhão com o homem. No entanto, respeita, de forma absoluta, a liberdade do homem. Eu sou livre de aceitar, ou não, a proposta de “aliança” que Deus me faz. Como é que eu respondo ao Deus da “aliança”? Eu aceito esta vontade que Ele manifesta de viver em relação de comunhão comigo? O que é que eu faço para responder a este desafio?
2 leitura – 2 Cor 13,11-13 - AMBIENTE
A Primeira Carta aos Coríntios (que criticava alguns membros da comunidade por atitudes pouco condizentes com os valores cristãos) provocou uma reação extremada e uma campanha organizada no sentido de desacreditar Paulo. Este, informado de tudo, dirigiu-se apressadamente para Corinto e teve um violento confronto com os seus detratores. Depois, retirou-se para Éfeso. Tito, amigo de Paulo, fino negociador e hábil diplomata, partiu para Corinto, a fim de tentar a reconciliação.
Paulo, entretanto, partiu para Tróade. Foi aí que reencontrou Tito, regressado de Corinto. As notícias trazidas por Tito eram animadoras: o diferendo fora ultrapassado e os coríntios estavam, outra vez, em comunhão com Paulo.
Reconfortado, Paulo escreveu uma tranquila apologia do seu apostolado, à qual juntou um apelo em favor de uma coleta para os pobres da Igreja de Jerusalém. Esse texto é a nossa Segunda Carta de Paulo aos Coríntios. Estamos nos anos 56/57.
O texto que nos é proposto é, precisamente, a conclusão da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios. Se compararmos esta despedida com a da Primeira Carta aos Coríntios (cf. 1Cor. 16,19-24), ela surpreende-nos pela brevidade, frieza e impessoalidade. Não parece a despedida de uma “carta de reconciliação”, mas antes uma despedida entre partes que conservam uma certa tensão na sua relação.
MENSAGEM
Paulo começa por deixar algumas recomendações de caráter geral aos membros da comunidade. Pede-lhes que sejam alegres; que procurem, sem desistir, chegar à perfeição; e que, nas relações fraternas, se animem mutuamente, tenham os mesmos sentimentos e vivam em paz. São conselhos que devem ser entendidos no contexto das dificuldades e tensões vividas recentemente pela comunidade.
O mais notável desta carta é, contudo, a fórmula final de saudação: “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”. Esta fórmula – a mais claramente trinitária de todo o Novo Testamento – é, certamente de origem litúrgica. Provavelmente, era a fórmula que os cristãos utilizavam quando, no contexto da celebração eucarística, trocavam a saudação da paz.
Esta fórmula constitui uma impressionante confissão de fé no Deus trino. Ela manifesta a fé dos crentes nesse Deus é amor e, portanto, que é “família”, que é comunidade. Ao utilizarem esta fórmula, os crentes reconhecem-se como membros dessa “família de Deus”; e reconhecem também que ser “família de Deus” é fazerem todos parte de uma única família de irmãos. São, portanto, convocados para viverem em unidade: em comunhão com Deus e em união com todos os irmãos.
ATUALIZAÇÃO
• A comunidade cristã é convidada a descobrir que Deus é amor. A fórmula “Pai, Filho e Espírito Santo” expressa essa realidade de Deus como amor, como família, como comunidade.
• Os membros da comunidade cristã, que pelo batismo aderiram ao projeto de salvação que Deus apresentou aos homens em Jesus e cuja caminhada é animada pelo Espírito, são convidados a integrarem esta comunidade de amor. O fim último da nossa caminhada é a pertença à família trinitária.
• Esta “vocação” deve expressar-se na nossa vida comunitária. A nossa relação com os irmãos deve refletir o amor, a ternura, a misericórdia, a bondade, o perdão, o serviço, que são as consequências práticas do nosso compromisso com a comunidade trinitária. É isso que acontece? As nossas relações comunitárias refletem esse amor que é a marca da “família de Deus”?
Evangelho – Jo 3,16-18v - AMBIENTE
O nosso texto pertence à secção introdutória do Quarto Evangelho (cf. Jo 1,19-3,36). Nessa secção, o autor apresenta Jesus e procura – através dos contribuição dos diversos personagens que vão sucessivamente ocupando o centro do palco e declamando o seu texto – dizer quem é Jesus.
Mais concretamente, o trecho que nos é proposto faz parte da conversa entre Jesus e um “chefe dos judeus” chamado Nicodemos (cf. Jo 3,1). Nicodemos foi visitar Jesus “de noite” (cf. Jo 3,2), o que parece indicar que não se queria comprometer e arriscar a posição destacada de que gozava na estrutura religiosa judaica. Membro do Sinédrio, Nicodemos aparecerá, mais tarde, a defender Jesus, perante os chefes dos fariseus (cf. Jo 7,48-52); também estará presente na altura em que Jesus foi descido da cruz e colocado no túmulo (cf. Jo 19,39).
A conversa entre Jesus e Nicodemos apresenta três etapas ou fases.
Na primeira (cf. Jo 3,1-3), Nicodemos reconhece a autoridade de Jesus, graças às suas obras; mas Jesus acrescenta que isso não é suficiente: o essencial é reconhecer Jesus como o enviado do Pai.
Na segunda (cf. Jo 3,4-8), Jesus anuncia a Nicodemos que, para entender a sua proposta, é preciso “nascer de Deus” e explica-lhe que esse novo nascimento é o nascimento “da água e do Espírito”.
Na terceira (cf. Jo 3,9-21), Jesus descreve a Nicodemos o projeto de salvação de Deus: é uma iniciativa do Pai, tornada presente no mundo e na vida dos homens através do Filho e que se concretizará pela cruz/exaltação de Jesus. O nosso texto pertence a esta terceira parte.
MENSAGEM
Depois de explicar a Nicodemos que o Messias tem de “ser levantado ao alto”, como “Moisés levantou a serpente” no deserto (a referência evoca o episódio da caminhada pelo deserto em que os hebreus, mordidos pelas serpentes, olhavam uma serpente de bronze levantada num estandarte por Moisés e se curavam – cf. Nm 21,8-9), a fim de que “todo aquele que n’Ele acredita tenha vida definitiva” (Jo 3,14-15), Jesus explica como é que a cruz se insere no projeto de Deus. A explicação vem em três passos…
O primeiro (v. 16) refere-se ao significado último da cruz. Esse Homem que vai ser levantado na cruz veio ao mundo, encarnou na nossa história humana, correu o risco de assumir a nossa fragilidade, partilhou a nossa humanidade; e, como consequência de uma vida gasta a lutar contra as forças das trevas e da morte que escravizavam os homens, foi preso, torturado e morto numa cruz. A cruz é o último ato de uma vida vivida no amor, na doação, na entrega.
Ora, esse Homem é o “Filho único” de Deus. A expressão evoca, provavelmente, o “sacrifício de Isaac” (cf. Gn. 22,16): Deus comporta-Se como Abraão, que foi capaz de desprender-se do próprio filho por amor (no caso de Abraão, amor a Deus; no caso de Deus, amor aos homens)… A cruz é, portanto, a expressão suprema do amor de Deus pelos homens. O quadro dá-nos a dimensão do incomensurável amor de Deus por essa humanidade a quem Ele quer oferecer a salvação.
Qual é o objetivo de Deus ao enviar o seu Filho único ao encontro dos homens? É libertá-los do egoísmo, da escravidão, da alienação, da morte, e dar-lhes a vida eterna. Com Jesus – o Filho único que morreu na cruz – os homens aprendem que a vida definitiva está na obediência aos planos do Pai e no dom da vida aos homens, por amor.
O segundo (vers. 17) deixa claro que a intenção de Deus, ao enviar ao mundo o seu Filho único, não era uma intenção negativa. Jesus veio ao mundo porque o Pai ama os homens e quer salvá-los. O Messias não veio com uma missão judicial, nem veio excluir ninguém da salvação. Pelo contrário, Ele veio oferecer aos homens – a todos os homens – a vida definitiva, ensinando-os a amar sem medida e dando-lhes o Espírito que os transforma em Homens Novos.
Reparemos neste fato notável: Deus não enviou o seu Filho único ao encontro de homens perfeitos e santos; mas enviou o seu Filho único ao encontro de homens pecadores, egoístas, auto-suficientes, a fim de lhes apresentar uma nova proposta de vida… E foi o amor de Jesus – bem como o Espírito que Jesus deixou – que transformou esses homens egoístas, orgulhosos, auto-suficientes e os inseriu numa dinâmica de vida nova e plena.
O terceiro (v. 18) descreve as duas atitudes que o homem pode tomar, diante da oferta de salvação que Jesus faz: quem aceita a proposta de Jesus, adere a Ele, recebe o Espírito, vive no amor e na doação, escolhe a vida definitiva; mas quem prefere continuar escravo de esquemas de egoísmo e de auto-suficiência, auto-exclui-se da salvação. A salvação ou a condenação não são, nesta perspectiva, um prêmio ou um castigo que Deus dá ao homem pelo seu bom ou mau comportamento; mas são o resultado da escolha livre do homem, face à oferta incondicional de salvação que Deus lhe faz. A responsabilidade pela vida definitiva ou pela morte eterna não recai assim sobre Deus, mas sobre o homem.
De acordo com a perspectiva de João, também não existe um julgamento futuro, no final dos tempos, no qual Deus pesa na sua balança os pecados dos homens, para ver se os há-de salvar ou condenar: o juízo realiza-se aqui e agora e depende da atitude que o homem assume diante da proposta de Jesus.
Em resumo: porque amava a humanidade, Deus enviou o seu Filho único ao mundo com uma proposta de salvação. Essa oferta nunca foi retirada; continua aberta e à espera de resposta. Diante da oferta de Deus, o homem pode escolher a vida eterna, ou pode excluir-se da salvação.
ATUALIZAÇÃO
• João é o evangelista abismado na contemplação do amor de um Deus que não hesitou em enviar ao mundo o seu Filho, o seu único Filho, para apresentar aos homens uma proposta de felicidade plena, de vida definitiva; e Jesus, o Filho, cumprindo o mandato do Pai, fez da sua vida um dom, até à morte na cruz, para mostrar aos homens o “caminho” da vida eterna… No dia em que celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, somos convidados a contemplar, com João, esta incrível história de amor e a espantar-nos com o peso que nós – seres limitados e finitos, pequenos grãos de pó na imensidão das galáxias – adquirimos nos esquemas, nos projetos e no coração de Deus.
• O amor de Deus traduz-se na oferta ao homem de vida plena e definitiva. É uma oferta gratuita, incondicional, absoluta, válida para sempre; mas Deus respeita absolutamente a nossa liberdade e aceita que recusemos a sua oferta de vida. No entanto, rejeitar a oferta de Deus e preferir o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, é um caminho de infelicidade, que gera sofrimento, morte, “inferno”. Quais são as manifestações desta recusa da vida plena que eu observo, na vida das pessoas, nos acontecimentos do mundo, e até na vida da Igreja?
• Nós, crentes, devíamos ser as testemunhas desse Deus que é amor; e as nossas comunidades cristãs ou religiosas deviam ser a expressão viva do amor trinitário. É isso que acontece? Que contributo posso eu dar para que a minha comunidade – cristã ou religiosa – seja sinal vivo do amor de Deus no meio dos homens?
• A celebração da Solenidade da Trindade não pode ser a tentativa de compreender e decifrar essa estranha charada de “um em três”. Mas deve ser, sobretudo, a contemplação de um Deus que é amor e que é, portanto, comunidade. Dizer que há três pessoas em Deus, como há três pessoas numa família – pai, mãe e filho – é afirmar três deuses e é negar a fé; inversamente, dizer que o Pai, o Filho e o Espírito são três formas diferentes de apresentar o mesmo Deus, como três fotografias do mesmo rosto, é negar a distinção das três pessoas e é, também, negar a fé. A natureza divina de um Deus amor, de um Deus família, de um Deus comunidade, expressa-se na nossa linguagem imperfeita das três pessoas. O Deus família torna-se trindade de pessoas distintas, porém unidas. Chegados aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana não consegue “dizer” o indizível, não consegue definir o mistério de Deus.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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Desde que o mundo é mundo, quase todos os que têm alguma espécie de poder – dinheiro, posição social, inteligência, manha, sedução – reservaram para si a maior parte da Terra e dos seus bens. Desde que o mundo é mundo, tem havido homens e mulheres capazes de entender que os homens são todos irmãos, e por isso se libertam de lucros injustos, partilham com os necessitados, lutam por uma sociedade diferente. Uns e outros se confrontaram com a ideia de Deus. Os primeiros, ou encolheram os ombros, ou procuraram fazer de Deus um baluarte para os seus privilégios: disseram que Deus estabeleceu o mundo desta maneira e prometeu que recompensará no além os que sofreram fome, humilhações e injustiças. Devo reconhecer que houve e há homens e mulheres que lutam pela justiça e não acreditam em Deus: talvez porque se revoltaram contra esta imagem e não imaginaram que pudesse haver um Deus diferente.
Eu creio num Deus que é bom, mas é difícil de entender. Criou-nos para a alegria, e colocou-nos neste mundo tão duro, às vezes tão absurdo. Manda-nos viver na verdade e na justiça, sabendo que quem é mentiroso e injusto costuma passar à frente. Convida-nos a lutar contra toda a escravidão, e diz-nos que a violência não é caminho nem para a justiça nem para a paz. Quem é este Deus tão difícil? Acredito que é o Deus que veio à terra sem poder e sem esplendor, e que experimentou a morte na cruz. Acredito que ressuscitou e nos convida a segui-lo, hoje na terra e um dia no céu.
Muito depois de Jesus, os cristãos “sábios”começaram a falar de Deus como se Ele fosse o Senhor da ordem e dos programas, a totalidade dos possíveis. Ora o Deus da ordem e dos programas é o Deus de Platão, o Deus da totalidade é o Deus de Descartes. Nessas épocas de aparente “saber”, sorrimos com indulgência de certos passos do Antigo Testamento, que nos pareciam espelhar uma mentalidade primitiva: Deus a resolver castigar a maldade dos homens e depois a desistir, ou mesmo a “arrepender-se” dessa decisão (Jonas 3,9-10); Deus aceitando discutir com Abraão se era ou não justo destruir uma cidade de pecadores (Gn. 18,16-33); Deus criando o homem e a mulher e dando-lhes o mundo para que o modelem à sua maneira (Gn. 1,27-30). Estamos hoje a perceber que a linguagem da Bíblia era mais sã e mais verdadeira do que a nossa. “Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, não Deus dos filósofos e dos sábios”. O Deus da Bíblia, não Lhe repugna incitar Moisés a que se revolte contra a escravidão e liberte o seu Povo (Ex. 3,1-15). O Deus da Bíblia convida-nos a inventar a vida e a história, veio ter conosco para que tivéssemos a alegria. (cf. Jo 16,24; 1Jo 1,4).
O Novo Testamento diz-nos que Deus, sendo único, não é “só”: é Pai, Filho e Espírito Santo. O Filho é gerado eternamente pelo Pai e é enviado pelo Pai ao nosso encontro. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho e é-nos enviado pelo Pai e pelo Filho. A “vida íntima “ de Deus fundamenta as missões do Filho e do Espírito Santo.
A primeira leitura desta missa (Ex. 34,4-9), conta que, tendo o Povo caído em pecado, Moisés vai temeroso ao encontro de Deus. E ouve que Ele é “um Deus clemente e compassivo, sem pressa para se indignar, cheio de misericórdia e fidelidade”.
A segunda leitura (2Cor. 13,11-13) tem a palavra com que hoje começamos as nossas celebrações: “ A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”.
O Evangelho (Jo 3,16-18) diz que “o Pai amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito”; e que “o Pai não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”.
padre João Resina - A Palavra no Tempo II
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A Santíssima Trindade: nascente de misericórdia e de missão
Como é Deus em si mesmo? Como vive? O que faz?. Onde habita?... São perguntas sobre o mistério de Deus, que todo o seu humano se coloca, pelo menos em alguns momentos da sua vida. A estas e outras perguntas responde, sobretudo para nós cristãos, a festa hodierna da Santíssima Trindade. É a festa do ‘Deus um em três pessoas”, como ensina o catecismo. Com estas palavras já tudo fica dito, mas na verdade ainda fica tudo por explicar e compreender, para o acolher com amor e o adorar na contemplação. Este tema tem uma importância central para a missão. Na verdade, afirma-se com facilidade que todos os povos - mesmo os não cristãos - sabem que Deus existe, nomeiam-no e invocam-no de várias maneiras; e facilmente todos concordam em dizer que também os pagãos acreditam em Deus. Esta verdade partilhada - mesmo se com diferenças e reservas - torna possível o diálogo entre as religiões, e em particular o diálogo entre os cristãos e os membros de outras religiões. Na base de um Deus comum a todos, é possível tecer a compreensão entres os povos em vista de ações organizadas em comum: em favor da paz, na defesa dos direitos humanos, para realizar projetos de desenvolvimento humano e social, como se está a fazer em muitos lugares. Mas pelo que concerne a ação evangelizadora da Igreja, estas iniciativas, muito louváveis, são somente uma parte da mensagem cristã a anunciar. A família humana encontra recursos inesgotáveis para poder transformar-se: partindo e aderindo à novidade de Cristo.
Para o cristão, não basta fundar a própria vida espiritual sobre a existência de Deus único, e muito menos o pode fazer um missionário consciente da extraordinária riqueza que é o dom de Jesus Cristo, que nos introduz no mistério de Deus uno e trino. O Evangelho que o missionário leva ao mundo, além de enriquecer a compreensão do monoteísmo, abre ao imenso e sempre surpreendente mistério de Deus, que é comunhão de três Pessoas. A palavra mistério, não deve aqui ser entendida no sentido de verdades escondidas, difíceis de entender, mas sim no sentido de verdades sempre novas, a descobrir. Neste campo, é melhor deixar que falem os místicos. Para são João da Cruz “ainda há muito a aprofundar sobre Cristo. Ele é, na verdade, como uma mina rica de imensos veios e tesouros, dos quais, por muito que se aprofunde, nunca se chega ao fim; antes, em cada cavidade se descobrem novos filões de riqueza”. E dirigindo-se à Trindade, santa Catarina de Sena exclama: “Tu, Trindade eterna, és como o mar profundo, onde quanto mais procuro mais encontro, e quanto mais encontro, mais cresce a sede de te procurar. És insaciável; e a alma, saciando-se no teu abismo, não se sacia, porque ficam sempre com fome de ti, sempre te deseja cada vez mais, o Trindade Eterna”.
A revelação do Deus uno e trino tem (no seu sentido correto) consequências imediatas e surpreendentes para a missão do crente: oferece parâmetros novos sobre o mistério de Deus, sobre a maneira de articular o relacionamento entre as pessoas humanas, sobre a relação do homem com a criação... Também o diálogo com as religiões se enriquece com novos horizontes, como indicam expressões como as seguintes.
Um anônimo transmitiu o seguinte diálogo, esquemático mas essencial, entre um muçulmano e um cristão: dizia um muçulmano: “Para nós, Deus é um; como poderia ter um filho?”
Respondia o cristão: “Para nós, Deus é amor; como poderia viver só?”
O desafio é encontrar a maneira de continuar este diálogo: tanto no plano doutrinal como no da vida concreta.
O Deus cristão é trinitário, é um mas não é solitário. Esta revelação enriquece também o monoteísmo hebraico, muçulmano e das outras religiões. De fato, o Deus revelado por Jesus (Evangelho) é Deus-amor, Deus que deseja a vida do mundo, Deus que oferece salvação a todos os povos (v. 16-17); cf. 1Jo 4,8). Ele revela-se desde sempre como “Deus misericordioso e cheio de piedade... rico de amor e de fidelidade” (I leitura, v. 6);”Deus rico de misericórdia” (Ef 2,4). (*)
Todos os povos têm o direito e a necessidade de conhecer este verdadeiro rosto de Deus, revelado por Jesus. Os missionários são os seus portadores. Por isso, afirma o Concílio: “a Igreja peregrina é missionária por sua própria natureza, porque tem a sua origem na missão do Filho e na missão do Espírito Santo, segundo o projeto de Deus Pai” (Ad Gentes, 2). Nos primeiros números deste mesmo Decreto, o Concílio explica a origem e o fundamento trinitário da missão universal da Igreja, oferecendo, entre outros elementos, uma das mais elevadas sínteses teológicas de todo o Concílio.
“Onde é que Deus habita?” O catecismo responde: “Deus está no céu, ma terra e em todo o lugar”. É verdade, mas existe uma resposta mais vital e mais pessoal.
Um dia, o rabino Mendel de Kotzk perguntou a alguns dos seus hóspedes cultos: “Onde é que Deus habita?” Eles retorquiram sorrindo: “Mas tu não sabes? Não é verdade que o mundo está cheio da sua glória?” Mas o rabino replicou: “Deus habita onde o deixam entrar”.
Deus busca o encontro pessoal, a amizade, com cada um de nós. Não para o seu bem, evidentemente, mas para o nosso bem. Porque esta amizade é a única garantia de vida e de alegria que podemos ter. Ele está à porta do nosso coração e bate; a quem lhe abre a porta ele promete: “Virei a ele, cearei com ele e ele comigo” (Ap. 3,20). Com uma intimidade que aquece o coração e renova a vida, desabrocha em missão.

(*) «’Javé! Javé! Deus misericordioso e clemente, vagaroso em encolerizar-se, cheio de bondade e de fidelidade’ (Êx. 34,6). São palavras humanas, mas sugeridas e quase pronunciadas pelo Espírito Santo. Elas dizem-nos a verdade sobre Deus: eram verdadeiras ontem, são verdadeiras hoje e serão verdadeiras para sempre; fazem-nos ver com os olhos da mente o rosto do Invisível, dizem-nos o nome do Inefável. Este nome é misericórdia, Graça, Fidelidade... Está aqui toda a essência do cristianismo, porque é a essência do próprio Deus. Deus é Uno porque é totalmente e só Amor, mas precisamente sendo Amor é abertura, acolhimento, diálogo; e na sua relação conosco, homens pecadores, é misericórdia, compaixão, graça, perdão». (Bento XVI - Homilia em Savona - Italia, 17.5.2008)

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