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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 1 de julho de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* (4ºdom.pós-Pentec. = 14º ciclo Comum)-6 jul2014
Paradoxos
Paradoxo Um
·                     Paradoxo quer dizer uma “aparente contradição” porque assim se apresenta à primeira vista, mas ao ser melhor examinada a expressão demonstra-se que não é contraditória. O paradoxo aqui é a vitória da mansidão contra a violência. Foi com este paradoxo, por exemplo, que a Índia conseguiu sua independência, seguindo a “mansidão” proposta por Gandhi.
·                     O profeta (leitura 1) fala numa época posterior à conquista de Alexandre: os judeus agora estão dominados pela cultura helênica. Nesse contexto cresce a esperança messiânica de uma libertação. O povo precisa reencontrar o sentido de sua história e das promessas. A esperança não é triunfalista mas de mudança para uma época de paz: olha que o teu rei vem vitorioso mas modesto cavalgando um [o cavalo é símbolo de chefes dominadores e estrangeiros]. Mas com esta mansidão serão destruídos os inimigos, seus cavalos e cavaleiros, decidindo a paz para as nações (cf.Zacarias 9,10)
Paradoxo Dois
·                     Paulo, nesta carta chamada “aos Romanos”, cuja leitura continua nos próximos domingos, fala do maior de todos os paradoxos: a presença do próprio Deus (invisível, criador, infinito) no ser humano. Paradoxo que se desdobra na promessa de vida sem fim (por meio do que chamamos “ressurreição”) para as criaturas mortais: o Espírito que ressuscitou Jesus habita em vós e vivificará também vossos corpos mortais (cf.Rm8,9-13).
Paradoxo Três
·                     A esperança de Zacarias, que em Paulo não é só de um reinado de paz na terra, mas de uma eternidade de vida, torna-se nas palavras do Mestre o paradoxo da alegria que se experimenta não na sabedoria dos sábios (no contexto eram os escribas, os doutores, os fariseus praticantes e observantes de todas as regras da religião) mas no meio dos simples, dos aflitos, cansados, sobrecarregados por muitos pesos. e meio da ressurreição. Este o novo paradoxo do novo “Reino” anunciado, do qual o de Zacarias era apenas um sinal e o de Paulo uma realização que ainda virá. A Boa Nova é esta: é no meio da vida humana, com suas alegrias e suas dificuldades, seus dias de sol e na amargura da escuridão dos sofrimentos que também ocorrem, é aí que se pode encontrar alívio e consolação.
·                     Tal descoberta não vem das ciências nem da enciclopédia ou do estudo (exotérico ou esotérico, escolarizado ou das oficinas e máquinas, fruto da experiência ou da idade avançada). É dom divino: eu te dou graças, ó meu Pai e Senhor do universo [“céu e terra”], porque estas coisas estão escondidas para os sábios e entendidos, mas quiseste revelá-las à gente simples. E aos seus amigos convida: vinde vós, cansados, e eu vos darei alívio. Aprendei comigo como é ser manso e humilde e assim encontrareis discanso e repouso. O Mestre parece dizer: na sociedade, na religião mesmo, encontrareis sobrecarga de regras e estruturas, mas, se acreditais no Pai amoroso, sentireis como é leve sobre os ombros carregar mansidão e humildade. Nisto consiste a Fé: receber a revelação do Pai por meio do único que de fato conhece Deus: o seu único Filho (cf. Mateus 11,25-30).
·                     Outras leituras para o 4º domingo após Pentecostes são, para os ortodoxos, Rm 6,18-23 e Mateus 8,5-13. Nas igrejas que seguem o LCR as leituras do Próprio 9 são Gn24,34-38.42.49.58-67; Rm7,15-25a.; acrescenta os versos 16-19 em Mt 11.

O paradoxo traz a dúvida, mas a Fé é como óculos de ver no escuro.
Não temos de procurar o sofrimento, as angústias, a falta de bens e deixar de provar as alegrias da vida. A Boa Nova só afirma que Deus dá prioridade ou preferência aos que mais necessitados: pobre, humildes, perseguidos, ignorantes, oprimidos, indefesos, limitados por doenças, acidentes, enchentes, guerras. Toda a mensagem de toda a bíblia se resume nisso: Deus não desiste de ninguém, e, ainda por cima, dá preferência àqueles de quem o mundo já desistiu. Lembremos nestes dias: Intercessão e solidariedade porque água e lama invadiram as casas de muitos no sul do Brasil. E pelo Iraque, Síria, Ucrânia, e muitos outros.
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( * ) Prof.(1975 a 2012)::filos/ educ/ teol/ ética)  fesomor2@gmail.com

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