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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* (6ºdom.pós-Pentec. = 16º ciclo Comum)-20 jul2014
Fezendo-se Carne conviveu como trigo entre o joio

-1) Deus é Deus, mas quis dividir sua vida com as criaturas
“E toda a carne verá o seu rosto” – cf Lucas 3,6.
·                    Leituras previstas hoje na Liturgia romana são do Livro da Sabedoria 12,13,16-19; de Romanos 8,26-27 e de Mateus 13,24-43 e, para os ortodoxos: Romanos 12,6-14, que fala do serviço proveniente do dom que tem cada um e Mateus 9.1-8 (cura do paralítico – perdão dos pecados. Muitas igrejas incluem o Livro da Sabedoria entre os ditos “apócrifos” (na igreja romana chamados de “dêutero-canônicos”) pois aquelas não consideram inspirados os textos da versão grega (a “Setenta”) como os demais do cânon hebraico. Por isso, na leitura do A.Testamento podem usar Gênesis 28:10-19ª ou Isaías 44,6-8 (cf.LCR).
·                    Mas todas as leituras sugeridas nos diversos lecionários afirmam: só Deus é Deus. O que é “Todo-poderoso” é íntimo do ser humano. É justiça, mas antes de tudo, amizade. O cap.8 de Romanos reafirma essa presença do Espírito dentro da alma humana trazendo a liberdade dos filhos de Deus. Ele é fonte até mesmo da possibilidade da oração: pois não sabemos nem o que pedir nem como pedir (Rm8,26). O próprio Espírito divino de tal modo “penetra o íntimo dos corações” que chega a falar em lugar de nós e a conversa sintoniza os “tons” divinos (cf. João 17, 20ss: assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós (...) para que sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim (...) Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste (...) para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles.

-2) Mais 3 parábolas: Fermento, simplicidade, paciência.
“A glória se manifestará, toda a carne a verá” - cf. Is40,5.
·                     No domingo anterior ouvimos a parábola do Semeador que vive dentro do coração humano. É a primeira comparação de 7 parábolas sobre o Reino no capítulo 13 de Mateus. Apesar da generosidade (o Semeador lança sua presença e Mistério em todos e em tudo no universo), nem todos confiam. Deixam “que lhes roubem a esperança” (Francisco, Rio de Janeiro, julho 2013). Outros não resistem às dificuldades nos trechos pedregosos da vida. E há muitos que acabam sufocados no espinheiro de preocupações inúteis ou daquelas dirigidas só pela ganância da riqueza. Contudo há um quarto terreno onde haverá frutos multiplicados. Quem tiver ouvidos, ouça. Esses escutam a Palavra e trabalham na esperança de um mundo diferente. Hoje prosseguem as comparações: do joio, da pequenez da semente e do fermento (domingo próximo outras 3 comparações serão propostas: a procura de um tesouro, da pérola e de peixes na rede.
·                     O mundo é assim: plantas ruins rivalizam em crescimento (e até se parecem muito com as boas que servirão de alimento) elas são venenosas ou inúteis para comer. Por outro lado, toda semente cresce escondida e silenciosa até virar planta adulta e saudável. E (a quarta das 7 parábolas), todo mundo se lembra da mãe ou de uma avó ou de um tio, que manejava bem a cozinha. Faziam maravilhas de bolos, pães e biscoitos ou então, comidas deliciosas porque sabiam usar um pouquinho de fermento na massa certa.
·                     Em geral não percebemos que tudo cresce com lentidão, silêncio e mistério, como a própria vida humana, que começa no encontro de duas células num ato amoroso. Também vivemos habituados aos prazeres da comida e da bebida sem nos dar muita conta do processo silencioso provocado pelo fermento dentro de bebidas ou massas. Parece que só estamos acordados para essa mania de querer arrancar todo o mal que existe no mundo. Estamos sempre atentos ao mal que está em volta de nós, raramente olhamos para dentro de nós. Os programas policiais de TV e rádio são a expressão mais evidente desta forma comum de julgar. Condena-se e pede-se a cabeça dos bandidos e a frase mais ouvida é “cadeia neles!!”.
·                     Ora, nem tudo na vida pode ser arrancado, até porque, como diz a parábola, corremos o risco de “jogar fora a criança ao despejar da bacia a água do banho”, ou seja, podemos até a matar apesar da intenção de apenas limpar a sujeira. Talvez o mais difícil na vida seja aceitar que ela não é perfeita, nem na sociedade nem em nossa própria história. O joio, parece trigo, é muito difícil inicialmente distinguir um do outro. Em outra parábola o  fariseu se acha o bom trigo: “eu não sou como aquele publicano”, isto é, eu sou bom, fiel cumpridor da lei e da religião, perfeito, não sou pecador como esses que andam por aí... No mundo do meu faroeste eu sou o mocinho, os outros são os bandidos.

-3) Só Deus é juiz
“Um fogo consumirá ... e verá toda carne que eu o acendi” – cf. Ez20,47.
·                    A parábola do joio e do trigo fala da paciência de Deus que espera o tempo da colheita quando então será possível o trigo do resto do mato que não é alimento e vira palha para ser queimada. Só pela Fé podemos deixar Deus ser Deus, crendo que só ele é bom e só nele existe justiça. Por isso só ele pode julgar. Afinal na vida de cada um há mistura: um pouco de joio, um pouco de trigo. A menos que se pense como aquele fariseu: “não sou como os outros homens, pecadores, sem religião, sem isso, sem aquilo”... O que importa é cuidar da semente lançada no coração e não adianta ficar reclamando das pragas (que infestam qualquer lavoura). Na antiguidade não havia agrotóxico (mas também havia efeitos colaterais do “agrotóxico” da época que era arrancar a praga antes do tempo devido). Mas na colheita o fruto maduro se destacava, Então podia-se queimar a palha inútil.
·                     Conclusão: confiar no crescimento silencioso da pequenina semente; saber que o “Reino” cresce sem estardalhaço na força do seu fermento; procurar sinais de sua presença e atuação na História, que acontece de forma misteriosa e às vezes até incompreensivel. Mas quem não conhece ao menos uma pessoa cujo modo de ser nos garante que vale a pena viver e vale a pena dar a vida por amor. No filme “o segredo de seus olhos” é o personagem daquele humilde e alcoólico amigo fiel: dá sua vida para salvar a do amigo.
·                     Deixemos Deus ser Deus. Só ele tem a visão de 360 graus sobre o universo e a história. Só ele conhece os corações e pode separar trigo e joio. Só ele deixou dentro de nós a boa semente. A nós cabe tentar ser como ele: semear e cultivar o bem. E não nos cansemos de repetir o Pai Nosso: venha teu Reino... perdoai-nos... livrai-nos do mal.

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( * ) Prof.(1975 a 2012)::filos/ educ/ teol/ ética)  fesomor2@gmail.com

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