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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* (7ºdom.pós-Pentec. = 17º ciclo Comum)-27 jul2014
Explicar a parábola ou confiar no amigo?

-1) Discernimento. A escolha de Deus. A escolha humana.
·                     As três leituras de hoje falam de preferências e a grande questão é como escolher. Salomão preferiu pedir DISCERNIMENTO, nem vida longa, nem riquezas, nem a morte dos inimigos, mas sabedoria para praticar a justiça (cf. 1ºlivro dos Reis 3,5.7-12). As sociedades conseguiram multiplicar possibilidades e alternativas. A quase totalidade da população mundial está nas malhas da rede fantástica que é a Comunicação. Por outro lado, pelo menos cerca de 1 bilhão (população mundial de cerca de8 bilhões) vive na pobreza, subnutrição, fome, etc. embora tenha melhorado a situação nos últimos 15 anos.em relação a 10 ou 15 anos atrás. cf detalhes na Onu: http://www.un.org/millenniumgoals/2014%20MDG%20report/MDG%202014%20English%20web.pdf
·                     Nem as religiões nem as filosofias e culturas conseguem explicar o mistério do Mal. Ainda que otimistas pelos incríveis avanços científicos e morais nós nos envergonhamos pela perversidade humana. Alguns estudiosos continuam atrás de explicações. Todos no entanto não veem sentido na estupidez de duas guerras mundiais no século passado, na facilidade com que milhões foram seduzidos pelo nazi-fascismo, e assim por diante. Enquanto se começava a conquista espacial também criavam-se ditaduras assassinas em inúmeros países. A Colonização e pilhagem de outros povos acabou substituída pelo poder financeiro internacional, dono do comércio e das novas regras de submissão. Entramos no século 21 exibindo ciência e tecnologia. Mas continuamos perplexos sob o medo das epidemias, da poluição, do terrorismo, da violência urbana. O poder atômico parece ter afastado a ideia de guerras mundiais mas os conflitos regionalizados produzem o fluxo contínuo de refugiados que vão aumentar o desemprego nos países mais ricos.
·                     O mal “inexplicável” parece acontecer em lugares longe de nós. Esquecemos que estamos todos conectados numa teia mundial governada por organizações de poderes “invisíveis”. Alguns acham que há quem governe os governantes que seriam os lluminati, grupos de Bilderberg e outras Trilaterais da vida. Mas isso é assunto para jornalistas e intelectuais. Para nós, pedestres na vida comum apenas sentimos que há muitos poderes à volta e eu os chamaria todos de “redes de tráfico internacional”. Uns ganham dinheiro traficando pessoas, outros com venda de órgãos (também por isso há tanta criança que some), outros ainda com drogas ou armas. Seja como for o mundo é composto de mísseis abatendo aviões, outros matando crianças em Gaza enquanto judeus vivem com o medo e dormem com suas armas na cama. Há suicidas detonando bombas matando dezenas todo dia. Há mais de uma Síria acontecendo há anos em genocídios tolerados pelos donos do mundo enquanto vivemos na ilusão que Holacausto só houve o dos judeus na 2ª.guerra.
·                     Não precisamos de teorias conspiratórias para saber que o mundo demanda discernimento e sabedoria. A imensa maioria de nós que acompanhamos as liturgias dominicais não pode ajudar muito para consertar o mundo. Vivemos num pequeno círculo de relações de família ou de trabalho, em poucos exercícios de cidadania, eleições incluídas. Alguns terão este círculo alargado em responsabilidades políticas e econômicas mais amplas. Mas podemos alimentar o lobo em nós, ou escutar o Espírito.
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-2) O que cremos – escolhidos ou “eleitos”
·                     Paulo (2ª.leitura: Romanos 8,28-30) diz que a preferência divina é o projeto de salvação oferecido à humanidade. “Predestinado” não significa que Deus selecionou arbitrariamente alguns e não outros,  mas que desde sempre lançou seu olhar sobre o ser humano. Responder ao chamado não é convocação compulsória, depende de aceitar o convite para a festa. Há quem prefira cuidar de outras coisas, Numa parábola (Lucas 14,16ss) conta-se: um certo homem convidou muitos para uma festa; quando tudo estava preparado um convidado disse que preferia ver as novas propriedade que comprara; outro queria experimentar os novos bois comprados para sua lavoura e outro, recém-casado, também rejeitava o convite. Mas nossa certeza é a de que Deus – desde sempre – pensou em cada um e conhece cada pessoa pelo seu nome (Jeremias 1,5; Isaías 43,1; Efésios 1,4ss; 1ªTessalonicenses 1,4; 2ªTessalonicenses 32,13).
·                     “Predestinados” quer dizer que sempre (há milênios, por assim dizer) Deus queria um destino de felicidade para seus filhos. Destinados ao bem muito antes da fundação do mundo. É a linguagem bíblica para dizer que os humanos são chamados a receber o poder de serem imagem de próprio “Filho de Deus”. “imagem visível do Deus invisível” (colossenses 1,15). Criação, Redenção, Ressurreição, Reino: são vários aspectos da mesma realidade. Sob cada uma destas palavras dizemos que Ele sempre “trabalha” (João 5,17). Trabalha sem parar pela da vida humana como Paulo afirma no texto de hoje: tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus.

-2) As riquezas, a economia, os valores
·                     VIVER É ESCOLHER. Vivemos o dia a dia marcados pelo valores econômicos, tema diário na Mídia que anuncia índices do PIB, indicadores da inflação, cotações da Bolsa e das moedas estrangeiras, preços do petróleo, do café e do boi em pé. Também vivemos rodeados de estatísticas: pesquisas eleitorais, pesquisas de opinião e perspectivas de, quem sabe, novos governantes e legisladores, agora sim, interessados no povo...
·                     Debaixo da agitação diária (que sempre levanta ondas de superfície), termos ainda algum tempo para ligar outra conexão? Esta é “interna” que nos deixa ver, mesmo de olhos bem fechados, qual é o “sonho” de Deus para nós. Relemos o “Projeto” que o Mestre de Nazaré anunciava com o nome de “Reino de Deus”, que dizia já ter chegado, mas ainda precisando ser levado até os confins do mundo. Sua proposta infelizmente foi raptada por muitos e virou autoproclamação das próprias instituições e lideranças que cobram fidelidade a elas mais que a Deus. Mas voltemos ao que dizia o Mestre de Nazaré sobre o Reino.
·                     Usava de comparações e imagens. Em 3 domingos temos ouvido 7 parábolas. Primeiro o Semeador. Depois o joio, o grãozinho de mostarda e o fermento. Hoje mais três estórias: a do tesouro escondido; a pérola mais valiosa do mundo; a rede de peixes.
·                     A) O Reino é dado de graça, mas você tem que ESCOLHER aquele terreno, pelo qual é capaz de vender tudo para garantir sua posse (por causa do tesouro que contém).
·                     B) O negociante de pérolas rodou o mundo, completou sua pesquisa e ESCOLHEU. Era preciso também ESCOLHER entre conservar seus bens atuais ou investir naquela pérola de valor incalculável. Estas duas comparações são tiradas do mundo do comércio e da economia, opondo um estilo mais conservador ao estilo mais empreendedor daquele que aposta na mudança dentro de uma “Economia” maior que a administração deste mundo.
·                     C) Finalmente o Reino é comparado à rede que se enche com peixe de toda espécie. Só no fim entenderemos a distinção entre bons e maus. Não nos cabe julgar as pessoas, mas cremos que Deus fará justiça, mas num sentido infinitamente superior ao nosso melhor esforço de organizar um Estado de Direito onde haja de fato democracia e justiça.

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( * ) Prof.(1975 a 2012: filos/ educ/ teol/ ética)  fesomor2@gmail.com

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